como medir o tempo em que vivi contigo?
em amanheceres ou pores do sol?
em meia-noites ou xícaras de cafém
em centímetros, quilômetros, risadas, brigas? que tal em amor?
883 dias foi tudo o que tivemos.
883 dias de amor vívido, nítido, fácil, às vezes tosco, brega, mas muito, muito gay.
883 dias de uso de uma língua falada apenas por nós dois.
883 de muitos problemas, e você não era um deles. “tudo na minha vida está uma confusão, não tem nenhuma área em que esteja contente, menos meu relacionamento. estou muito feliz com áthila. ele é um amor.”
em 883 dias, conheci uma parte da sua doçura. tenho inveja de quem pode conviver contigo mais tempo, te ver crescer, mudar o cabelo e os óculos, ver suas primeiras tatuagens surgirem. ver se transformar no lindo homem que, no primeiro encontro, sabia que iria me namorar. fofo. obrigado por me dar a mão nesse dia.
como medir a vida de alguém?
em verdades que aprendeu ou em vezes que chorou?
em pontes que queimou ou o jeito que morreu?
nascido em são joão del rei, correu pra bh pra fugir da vida certa, desconfortável. estudante de cinema e roteiro, rascunhou muitas histórias. tinha desespero por conhecer todas que o mundo poderia oferecer e, diferente de muitos (eu incluso), pelo menos tentava. lia, ouvia, jogava e assistia como se corresse contra o tempo. tinha fome do mundo que muito o rejeitou (e por muito tempo foi recíproco). tinha fome também de pizza de pepperoni, m&ms, risotos vários, de cultura queer, drag, musicais, do burlesco, do esquisito, do largado, do esquecido.
tinha dores subdiagnosticadas há meses, porém, como muita força e coragem, escolheu continuar tentando.
embora a história nunca acabe, canto, por vez, seu fim. tudo que eu queria era acender sua vela outra vez, mimi. quem sabe no 884° dia.
te amo deeeesse tantão, viu? 💙🧡