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Trabalho Infantil

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1.

Introdução O trabalho infantil tem sido um dos fenómenos que mais


caracterizam a violação dos direitos da criança em Moçambique assim como em
outro canto do mundo. Embora passos importantes estejam sendo dados com
vista a melhorar o quadro político-legal para a protecção da criança contra o
trabalho infantil em Moçambique em particular, este fenómeno permanece um
dos maiores entraves ao desenvolvimento harmonioso da criança e da sociedade
moçambicana, impedindo a criança vítima ou em risco de realizar plenamente os
seus direitos. Em Moçambique, actividades laborais prejudiciais envolvendo
crianças, estão principalmente associadas ao trabalho doméstico e agrícola, e à
mineração, com enfoque na indústria do algodão e do tabaco e na mineração
ilegal, vulgo garimpo.
  Adicionalmente, a maior parte das crianças trabalhadoras envolvidas nestas duas
actividades (agricultura e mineração), fazem-no sem remuneração para a família, e
não existem dados consistentes sobre a magnitude do envolvimento de crianças em
ambas actividades. No que respeita concretamente ao trabalho infantil no trabalho
doméstico, as características deste fenómeno tem sido difusas, não havendo no país
estudos que ajudam a compreender a magnitude da prevalência do fenómeno, as
principais causas, o número exacto de crianças envolvidas e a caracterização da sua
proveniência em termos de zonas do país e da condição de vida das suas famílias,
embora os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre o fenómeno
constantes do Inquérito de Indicadores Múltiplos (MICS) e do Inquérito Contínuo
aos Agregados Familiares (INCAF), mostrem uma indicação elucidativa sobre a
gravidade deste fenómeno. No entanto, dados disponíveis mostram-nos que factores
socioculturais, a pobreza das famílias e a ausência de uma oferta adequada de
serviços sociais básicos junto das comunidades periurbanas e rurais, podem estar por
trás das principais causas que empurram milhares de crianças para o trabalho infantil
em Moçambique.

2. O Conceito de Trabalho Infantil


O trabalho considerado “trabalho infantil”, consiste em actividades susceptíveis de:
Prejudicar a saúde e o desenvolvimento mental, físico, social ou moral das crianças.
Comprometer a sua educação, privando-as da oportunidade de frequentar a escola;
obrigando-as a abandonar prematuramente a escola; ou obrigando-as a tentar conjugar
os estudos com uma carga de trabalho excessiva. Ou por outra, é uma forma de trabalho
que envolve a exploração de mão-de-obra das crianças e dos adolescentes. Além de
gerar diversos problemas sociais, ele afeta diretamente os envolvidos.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece o facto de nem todas as


formas de trabalho envolvendo crianças, podem ser consideradas como trabalho
infantil. Segundo a OIT,I a participação de crianças ou adolescentes em trabalhos
que não prejudicam a sua saúde e o seu desenvolvimento pessoal nem
comprometem a sua educação, é geralmente considerada uma experiência positiva.
É o caso das tarefas domésticas e familiares não prejudiciais, do trabalho executado
para ajudar num negócio de família ou das actividades exercidas fora do horário
escolar e durante as férias para ganhar algum dinheiro. Este tipo de trabalho
contribui para o desenvolvimento das crianças e para o bem-estar das suas famílias;
permite-lhes adquirir competências, hábitos e experiência, ajudando-as a
prepararem-se para se tornarem membros úteis e produtivos da sociedade quando
atingirem a idade adulta.
Nas formas mais extremas de trabalho infantil, as crianças são reduzidas à
escravatura, separadas das suas famílias, expostas a perigos e doenças graves e ou
abandonadas, muitas vezes quando ainda são muito novas. O trabalho infantil
abrange as actividades que privam as crianças da sua infância, da oportunidade de
desenvolverem as suas potencialidades e da sua dignidade, e que prejudicam o seu
desenvolvimento físico e mental. Porém, é difícil formular uma definição precisa do
termo “trabalho infantil” que seja aplicável a todas as situações e a todos os países.
Por essa razão, o desafio é como estabelecer a distinção entre as formas “aceitáveis”
de trabalho realizado por crianças e o trabalho infantil propriamente dito. A
classificação de determinadas formas de trabalho como trabalho infantil tem por
base critérios como a idade da criança, o tipo de trabalho executado, as condições
em que é realizado e os objectivos prosseguidos por cada país. Portanto, a resposta
depende de país para país e, mesmo dentro do mesmo país, de um sector para outro.
Para o caso de Moçambique, o Governo ainda não definiu, em concreto, o que é
trabalho infantil.
3. Tipos de Trabalho Infantil
Existem diversas maneiras de explorar a mão-de-obra infantil, sendo que as mais
comuns são os trabalhos em:

 Casas de família
 Campo (sítios e fazendas)
 Minas, canaviais e fábricas
 Narcotráfico
 Prostituição e pornografia de menores
 Tráfico de pessoas
Muitos deles podem ser comparados com trabalho escravo, onde as condições são
extremamente inapropriadas e precárias e onde, muitas vezes, o trabalho é forçado.

4. Consequências do Trabalho Infantil


 Afeta o desenvolvimento da criança e/ou adolescente
 O indivíduo perde a infância
 Gera diversos problemas sociais
 Provoca doenças e problemas psicológicos
 Induz ao baixo rendimento e abandono escolar
 Causa despreparo para o mercado de trabalho
5. O Problema: a Situação em Moçambique
Moçambique tem uma população estimada de 24.3 milhões2 de pessoas com uma
taxa de crescimento anual de 1,8%. Cerca de 40% da população é menor de 15 anos
de idade, e 16,6% está abaixo dos 5 anos de idade. Do universo total da população
moçambicana, 12.6 milhões são crianças, representando mais da metade da
população (52%), e estima-se que cerca de 22% de crianças entre os 5 e os 14 anos
de idade, estejam envolvidas em trabalho infantil. Em geral, os rapazes e as
raparigas estão igualmente envolvidos, à excepção do trabalho infantil no trabalho
doméstico, que conta com mais raparigas do que rapazes.
Os dados do MICS (INE 2008) mostram que a percentagem de crianças que
trabalham em Moçambique é superior nas áreas rurais (25%), do que nas zonas
urbanas (15%), e uma em cada cinco crianças com idades compreendidas entre 5 e
11 anos (21%), e uma em cada quatro crianças entre os 12 e 14 anos (27%), estão
envolvidas no trabalho infantil. A agricultura continua sendo o sector que mais
emprega crianças em Mocambique, seguido do sector doméstico como um factor
resultante da expansão na informalização da economia. Um dos principais desafios
na prevenção e combate ao trabalho infantil em Moçambique é a falta de um quadro
político e legal claro capaz de dar resposta a este problema. Apesar de, ao nível
legal, a Lei do Trabalho III prever disposições em relação à idade para o trabalho
envolvendo menores, prevendo que “o empregador só pode admitir ao trabalho o
menor que tenha completado quinze anos de idade, mediante autorização do seu
representante legal”IV , a mesma Lei prevê excepções, em condições especiais, para
a prestação de trabalho por menores de idade entre os 12 e 15 anos. Este tipo de
excepções abre espaço para que crianças com idades inferiores a 15 anos sejam
sujeitas ao trabalho infantil perigoso, num cenário em que a capacidade de
fiscalização pelo Sector do Trabalho não é ainda suficiente e abrangente. Por outro
lado, a Lei do Trabalho não responde aos riscos em que os menores envolvidos no
trabalho infantil estão sujeitos, para além de encontrar desafios na sua
implementação, não garantindo que as crianças sejam integralmente protegidas
contra esta prática. No que refere aos trabalhos perigosos por exemplo, a Lei não é
suficientemente protectora, prevendo apenas que “o empregador não deve ocupar o
menor, com idade inferior a dezoito anos, em tarefas insalubres, perigosas ou as que
requeiram grande esforço físico, definidas pelas autoridades competentes após
consulta às organizações sindicais e de empregadores”V. Uma regulamentação da
lei neste aspecto seria importante para prevenir e combater casos de envolvimento
de crianças no trabalho infantil perigoso.
6. Principais Causas do Trabalho Infantil
 Pobreza e baixa renda
 Baixa escolaridade dos pais
 Grande quantidade de filhos
 Má qualidade da educação
 Busca de mão-de-obra barata
 Falta de mão-de-obra e de fiscalização
As causas do trabalho infantil são diversas e complexas, e podem variar de contexto
tendo em conta as especificidades de cada país e mesmo de cada região ou
província, para o caso de Moçambique. Contudo, podem ser identificadas três
principais causas básicas que, conjugadas, contribuem potencialmente para a
ocorrência do trabalho infantil em Moçambique.
I. Factores socioculturais
A sociedade moçambicana, em particular as comunidades rurais, continuam
fortemente sustentadas pelos costumes e pelas tradições locais, que são
continuamente preservados sem ter em conta, em muitas situações, o valor
inalienável dos direitos da pessoa humana e da criança em particular. Portanto,
algumas práticas preservadas nestes hábitos culturais acabam sendo prejudiciais às
crianças e apesar destes encontrarem resposta nos instrumentos legais que o país
adoptou no plano interno e internacional, a força da sua implementação ainda não
consegue prevenir e combater de forma adequada, o fenómeno do trabalho infantil
no país. Nas nossas comunidades rurais, é prática comum que a criança nasça já a
trabalhar. Ou seja, a criança é educada desde os seus primeiros anos de vida, a
trabalhar para a família, por mais que esse “trabalho” não signifique,
necessariamente, contribuição para aumentar a renda familiar. Contudo, à medida
que a criança vai crescendo, é incutida nela o espírito do trabalho para ajudar os
pais, isto é, estes sempre esperam que os seus filhos sejam a sua principal fonte de
sustento. A forte convicção de que os filhos são a riqueza dos pais ou da família, é
interpretada como fonte segura de sustento principalmente numa situação em que os
pais já não conseguem encontrar esse sustento por si próprios. Os progenitores
acreditam que colocar as crianças a trabalhar é útil para eles, sem se preocuparem
com os potenciais perigos desse trabalho para os seus filhos. Por isso, o trabalho
doméstico remunerado e não remunerado, está também, fortemente associado a esta
visão costumeira das comunidades rurais e não só.
II. Pobreza das Famílias
A pobreza tem sido apontada como uma das principais causas do trabalho infantil
doméstico em Moçambique. Por sua vez, uma das características principais do
trabalho infantil doméstico, é o envolvimento de crianças no trabalho informal,
fortemente enraizado no país. Isto explica-se pelo facto de boa parte desse trabalho
doméstico ser feito nas ruas, a partir de casa. Ou seja, as crianças que enchem as
ruas das cidades a vender produtos alimentares e outros, começam a ser exploradas
pelos “seus patrões” dentro das casas onde vivem, muitas trazidas de outros locais
com o único propósito de serem usadas ou exploradas para o efeito. Uma pequena
pesquisa realizada pelo Departamento de Estudos Históricos e Políticos do Centro
de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane (UEM)7, em 2009, no
Bairro do Benfica, Cidade de Maputo, mostra que “as razões que levam as crianças
a serem alvos de exploração do trabalho infantil está muitas vezes relacionada com a
necessidade de aumentar os rendimentos da família. E essa situação é
frequentemente definida pelos adultos, visto que a maioria das crianças inquiridas
afirmou não estar a praticar o trabalho infantil por iniciativa própria, mas sim por
ordem dos pais ou dos encarregados de educação que estão em situação de carência
económica”. Segundo este estudo, mesmo na situação em que os pais são
oficialmente responsáveis pelos filhos, tem sido hábito colocar os menores a buscar
rendimento familiar através de pequenas vendas e outras formas de submissão à
exploração do trabalho infantil, conforme testemunhos dados pelas crianças
entrevistadas no âmbito desta pesquisa, que apurou ainda que esta prática está
relacionada com o contexto social em que a criança está inserida e com o baixo
nível de renda dos seus encarregados. No entanto, importa realçar aqui que as
crianças exploradas no trabalho doméstico são, também, provenientes não só das
próprias famílias, mas também de famílias próximas ou mesmo recrutadas para o
efeito, em troca de favores, como por exemplo o acesso a melhores condições de
vida que inclui educação, alimentação, vestuário e tecto condigno. No entanto, nem
sempre estas promessas são realizadas por aqueles que aliciam estas crianças e suas
famílias.
III. Oferta Adequada de Serviços Sociais Básicos
A oferta de serviços sociais básicos junto das comunidades locais, principalmente
as rurais, nomeadamente os serviços de educação, saúde e protecção, pode ser um
factor que contribui para que as crianças neste meio fiquem altamente vulneráveis
ao trabalho infantil. Esta falta de oferta de serviços como a educação, saúde e
disponibilidade de água, aliado aos baixos níveis de renda das famílias, muitas delas
unicamente dependentes da agricultura para o seu sustento, contribui para aumentar
a pobreza no meio Protecção da Criança contra o Trabalho Infantil 5 rural obrigando
muitas famílias a procurarem alternativas que passam por envolver as crianças no
trabalho infantil, incluindo o doméstico. A disponibilidade de serviços de educação
junto destas comunidades e a facilitação do seu acesso adequado por parte das
crianças, é considerada uma alternativa viável para encorajar o combate ao trabalho
infantil, uma vez que as crianças tendo acesso a educação, podem passar mais tempo
na escola no lugar de se dedicarem unicamente ao trabalho. No contexto de
Moçambique e das zonas rurais em particular, o acesso das crianças à escola não
substitui necessariamente a presença destas no trabalho, no entanto, o acesso a
educação é um factor fortemente catalisador para a construção de uma consciência
responsável junto das comunidades, dos pais e das próprias crianças sobre os
perigos do envolvimento de crianças no trabalho infantil.
7. Quadro Legal e Político para a Prevenção e Combate ao Trabalho Infantil
Cada país do mundo possui uma legislação que determina a idade mínima para adentrar
ao mercado de trabalho. Nas leis também é posto o que é considerado como exploração
de mão-de-obra infantil.

Geralmente, a partir de 16 anos a pessoa está apta para trabalhar. No entanto, em


diversos países, considerados menos favorecidos, a lei permite trabalhar a partir dos 14
anos.

Em 2013, o Governo através do Ministério do Trabalho e em parceria com os Parceiros


Sociais, da Sociedade Civil e de Cooperação, lançou o processo de elaboração do Plano
Nacional de Acção para o Trabalho Infantil, tendo reconhecido que apesar de não
existirem estudos finalizados sobre o fenómeno em Moçambique, o sector doméstico e
informal é aquele que mais emprega crianças no país, considerando por isso que a
elaboração deste Plano de Acção, é essencial para que o país encontre soluções viáveis
para a erradicação do trabalho infantil. O Estado moçambicano reconhece o trabalho
infantil como um problema social grave e complexo, por isso ratificou as Convenções
da Organização Internacional do Trabalho (OIT) nº 138, sobre a Idade Mínima para o
Trabalho Infantil, e nº182, sobre a Erradicação das Piores Formas do Trabalho Infantil,
em Junho de 2003. Ratificou ainda a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos
da Criança, em Abril de 1994 e a Carta Africana dos Direitos e Bem Estar da Criança,
em Julho de 1998. Todos estes instrumentos internacionais referem a necessidade de os
Estados Partes adoptarem todas as medidas ao seu alcance para proteger as crianças do
trabalho infantil.

Segundo o artigo 7.º da Convenção n.º 138 da Organização Internacional do Trabalho


(OIT), antes da sua ratificação dizia o seguinte:

A legislação nacional poderia permitir o emprego ou trabalho de pessoas de treze a


quinze anos de idade, em trabalhos leves, com a condição de que estes:
a) não sejam suscetíveis de prejudicar a saúde ou o desenvolvimento dos referidos
menores; e
b) não sejam de tal natureza que possam prejudicar sua freqüência escolar, sua
participação em programas de orientação ou formação profissionais, aprovados pela
autoridade competente, ou o aproveitamento do ensino que recebem.

Internamente, o Estado Moçambicano adoptou a Lei 23/2007, de 20 de julho (Lei do


Trabalho), que prevê disposições com vista a prevenir o trabalho de menores.

Protecção da Criança contra o Trabalho Infantil


Numa altura em que ao nível global, multiplicam-se as acções para a chamada de
atenção aos Estados Membros da OIT para a adopção de planos nacionais para a
prevenção e combate ao trabalho infantil, as Organizações da Sociedade Civil
esperam que a elaboração do Plano Nacional de Acção para o Trabalho Infantil seja
de facto um processo participativo e inclusivo aos diferentes níveis, tenha em
consideração aspectos essenciais que influenciam directamente a prevalência do
fenómeno do trabalho infantil em Moçambique, nomeadamente a questão da
pobreza, educação, protecção social e identificação clara dos trabalhos considerados
perigosos para as crianças, a luz das Convenções da OIT sobre o Trabalho Infantil.
Para a elaboração de um plano nacional que possa ser abrangente e compreensivo, e
que possa responder efectivamente ao real impacto do problema, é necessário
compreender com mais profundidade o fenómeno, através de estudos quantitativos e
qualitativos ao nível nacional. Contudo, é urgente que este processo caminhe mais
rápido e que o Governo conclua o processo de elaboração do Plano Nacional de
Acção para o Trabalho Infantil, assegurando que o mesmo tenha recursos adequados
para a sua efectiva implementação.
8. A Prevenção e Eliminação do Trabalho Infantil: uma urgência nacional O
trabalho infantil é uma realidade em Moçambique. Muitas crianças são contratadas
ou “emprestadas” para trabalhar no trabalho doméstico em casas fechadas ou na rua.
Em casa, são na sua maioria raparigas que cuidam de bebés ou de outras crianças
raparigas como elas. São maioritariamente levadas do campo para a cidade, com a
promessa de poder estudar e ganhar algo para melhorar a sua condição de vida.
Muitas vezes estas crianças acabam não estudando, pois, as tarefas que exercem são
exigentes e precisam da presença quase permanente delas. Outras tantas vezes, estas
crianças são simplesmente enganadas, e os seus pais também, quando são levadas a
troco de terem acesso a educação, a uma cama e prato de comida condigno. No
entanto, são frequentes os casos em que todas estas promessas não passam de
promessas. As crianças tornam-se, portanto, escravas dos seus donos e donas nas
cidades moçambicanas. Os meninos, na sua maioria, trabalham na rua, vendendo ou
revendendo pequenos produtos. O salário que recebem é quase irrisório. Os
meninos, que na maior parte dos casos trabalham para famílias de baixa renda que
encontram na venda informal de produtos de baixo custo na rua o seu sustento, são
vítimas deste quadro de pobreza que é ciclicamente alimentado pela exploração do
trabalho infantil. Para além do trabalho infantil no trabalho doméstico, o
envolvimento de crianças em trabalhos perigosos como o trabalho agrícola e de
mineração, tem tomado proporções alarmantes em Moçambique. A mineração ilegal
(garimpo), tem crescido com o envolvimento cada vez maior de crianças, usadas
como mão de obra barata, impedindo que estas crianças tenham acesso aos seus
direitos básicos e expondo-as a situações de risco elevado contra a sua saúde e
sobrevivência. Porque clandestino e feito em contractos directos e verbais com os
familiares, ou mesmo em situação de coerção, o trabalho infantil é ainda um mundo
por estudar. A aplicação da frágil legislação existente em relação ao trabalho
infantil, muitas vezes é de difícil realização, uma vez que as relações de trabalho se
operam ao nível familiar e informal. A vulnerabilidade multifacetada a que as
famílias se encontram, deixa muitas crianças desprotegidas. E, porque a maior parte
das famílias dificilmente consegue sustentar as necessidades básicas das suas
crianças, essas vêm-se na contingência de trabalhar apenas para garantir o pão de
cada dia. É neste ambiente que as redes de tráfico do trabalho infantil doméstico e
informal operam, quer nas cidades assim como no meio rural.
9. Trabalho Infantil no Mundo
A UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância, em inglês United Nations
Children's Fund) é um órgão responsável por defender os direitos das crianças no
mundo.

Esse órgão foi fundado em 1946 e desde então tem contribuído para ações que incluem
o desenvolvimento e os direitos das crianças.

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), atualmente existem mais de 7
bilhões de crianças no mundo que estão incluídas na lista do trabalho infantil. E de
acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), cerca de 15,5 milhões de
pessoas com menos de 18 anos exercem atividades domésticas.

No mundo, a prática de uso de mão de obra infantil é mais comum em países


subdesenvolvidos, sobretudo dos continentes africano, americano e asiático.

Referências INE (2009). Inquérito de Indicadores Múltiplos 2008. Instituto


Nacional de Estatística. Maputo. INE (2012). Mulheres e Homens em Moçambique:
Indicadores Selecionados de Género 2011. Instituto Nacional de Estatística. Maputo.
Lei do Trabalho nº 23/2007, de 20 de julho. OIT (2002). Eliminar as Piores Formas
de Trabalho Infantil: Guia Prático da Convenção nº 182. Manual Para Parlamentares
n.º 3-2002. ROSC (2015). Posicionamento do ROSC Alusivo ao Dia Mundial de
Luta contra o Trabalho Infantil. Maputo. UNICEF (2014). Situação das Crianças em
Moçambique 2014. Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Maputo.

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