PTV - Cálculo de Deslocamentos
PTV - Cálculo de Deslocamentos
PTV - Cálculo de Deslocamentos
01. O Princípio dos trabalhos virtuais aplicado aos corpos rígidos ...............................01
1.1. Introdução ....................................................................................................01
1.2. - Roteiro para aplicação do PTV (estruturas isostáticas): ............................02
1.3 - Exemplo número 1 .....................................................................................02
1.4 – Exemplo número 2 .....................................................................................03
02. O Princípio dos trabalhos virtuais aplicado aos corpos deformáveis ......................05
2.1 – Introdução ..................................................................................................05
2.2 – Enunciado do PTV para corpos deformáveis ............................................06
2.3 – O Processo da Carga Unitária Para Cálculo de Deslocamentos ................07
03. Aplicação do PTV às treliças ...................................................................................08
3.1 – Exemplo número 1 .....................................................................................09
3.2 – Exemplo número 2 .....................................................................................11
04. O PTV aplicado às estruturas de nós rígidos ...........................................................12
4.1 – Avaliação da integral do produto de duas funções ....................................13
4.2 – Exemplo número 3 .....................................................................................14
4.3 – Observação sobre o uso das tabelas ...........................................................16
4.4 – Exemplo número 4 .....................................................................................17
05. Deformações por variação de temperatura ..............................................................18
5.1 – Exemplo número 5 .....................................................................................19
06. Exercícios propostos ................................................................................................21
07. Respostas dos exercícios propostos .........................................................................26
DESLOCAMENTOS EM ESTRUTURAS LINEARES
1.1. Introdução
Como se mostrou no estudo da Mecânica Geral, este princípio pode ser usado no lugar
das três equações de equilíbrio X = 0, Y = 0 e M = 0 com o propósito de resolver
problemas de equilíbrio estático.
O deslocamento virtual deve ser suposto infinitesimal, de modo a não alterar a
configuração estática e geométrica do sistema das forças que nele agem, não violando as
condições de equilíbrio que tais forças obedecem. O deslocamento virtual é causado por uma
ação externa qualquer, cuja origem não é objeto de discussão, sendo completamente
independente das forças externas que mantém a estrutura em equilíbrio.
O PTV aplicado às estruturas isostáticas em equilíbrio resolve o problema estático
através do geométrico. Como o PTV consiste de apenas uma equação, ele se torna seletivo, ou
seja, sua aplicação determina apenas uma incógnita, havendo necessidade de se repetir o
procedimento para cada incógnita procurada. Não obstante este fato – e inclusive por isto - é
muito útil quando se deseja determinar apenas um esforço, como é o caso de determinação de
linhas de influência.
A aplicação do PTV às estruturas isostáticas para a determinação de um determinado
esforço requer que seja aplicado um deslocamento virtual, que só pode ser realizado se o
sistema for móvel, o que é obtido retirando-se o vínculo correspondente à incógnita e
substituindo-o pelo esforço correspondente. Como os deslocamentos virtuais são supostos
infinitesimais, estes deslocamentos seguem as leis dos pequenos deslocamentos, mais simples
que as dos deslocamentos finitos. No caso dos pequenos deslocamentos a tangente dos
ângulos formados durante os deslocamentos se confunde com o próprio ângulo, ou seja:
tg = (em radianos)..........................................................(1.2)
1
1.2. - Roteiro para aplicação do PTV (estruturas isostáticas):
1.3 - Exemplo número 1: Determinar a reação em A, RA, da viga simples da figura 1.1 a):
A aplicação do roteiro é ilustrada na figura 1.1 b), na qual a carga distribuída foi
substituída pela sua resultante. Chamando de o deslocamento virtual infinitesimal arbitrário
da incógnita RA, a rotação da viga assim como os valores de 1 e 2 necessários para o
cálculo do trabalho da força concentrada (2t) e da resultante da carga distribuída (10t) podem
ser determinados em função de :
2
d d
q= =
10
d
d1 = 6´ q = 6 ...................................................................(1.3)
10
d
d2 = 5´ q = 5
10
- RA ´ d + 2´ d1 + 10´ d2 = 0
RA ´ d = 1, 2 d + 5 d ................................................(1.4)
RA = 6, 2 t
Nota-se que o parâmetro aparece em todos os termos da equação, podendo ser
eliminado, ou seja, não influi no resultado justificando adotá-lo unitário. Aplicando-se o
deslocamento virtual unitário contrário ao sentido positivo da incógnita, o trabalho desta será
negativo e numericamente igual ao seu valor (pois RA x = RA x 1 = RA) e aparecerá
sozinha quando for isolada no outro membro da equação.
Para a Viga Gerber da figura 1.2 a), determinar os valores das reações R A, RB e dos
momentos fletores MB e MC que ocorrem na seção sobre o apoio B e no engastamento C,
respectivamente.
As figuras 1.2 b), c), d) e e) mostram as cadeias cinemáticas formadas após a retirada
do vínculo correspondente à incógnita respectiva e aplicação do deslocamento unitário.
Nos casos e) e d) para o cálculo dos momentos fletores sobre os apoios B e C
respectivamente, os apoios não podem ser retirados, pois correspondem às reações R B e RC.
No caso do engastamento C, a retirada do vínculo correspondente ao momento o transforma
em um apoio fixo. Como MB é um esforço interno, o vínculo correspondente retirado deve ser
substituído pelo par de esforços que foi eliminado, ou seja, deve ser indicado tanto a ação que
a parte à esquerda da seção exerce na parte da direita, como a ação que a direita exerce na
parte da esquerda (ação e reação). No caso de momentos fletores em vigas horizontais, a
convenção usual prescreve que eles são positivos quando tracionam as fibras inferiores.
Seria conveniente lembrar que mesmo nos casos das reações de apoio (R A, RB e Mc),
como as forças existem sempre aos pares (ação e reação), também poderia ser indicado as
ações (inverso das reações nos apoios) que a viga exerce na terra. Isto não é necessário pois a
terra é suposta um referencial absoluto, portanto não apresenta deslocamentos, gerando
sempre trabalho nulo e não influindo nos resultados.
Indicadas as cargas externas aplicadas no sistema – as distribuídas através de suas
resultantes em cada chapa – e calculados através de simples proporcionalidade os
deslocamentos ao longo das suas linhas de ação, cujos resultados estão assinalados nas
figuras, fica bastante simples o cálculo dos trabalhos realizados e a aplicação do PTV. A
incógnita por ter substituído um vínculo da estrutura deve ser considerada esforço externo,
junto com as ações aplicadas.
3
4
No caso dos momentos, o deslocamento virtual correspondente é um deslocamento
angular, que adotamos unitário. Como se trata de pequenos deslocamentos, para o ângulo ser
unitário, o triângulo obtido durante a varredura do deslocamento deve ter a base e a altura
iguais.
A aplicação da equação Text =0 fornece para a reação em A conforme figura 1.2 b):
MB = 4 x 1 2 x 1,5 2 x 1 MB = 9 tm
MC = 7,5 tm
Os sinais negativos dos valores de MB e MC indicam que estas incógnitas têm sentido
oposto ao adotado nas figuras, ou seja tracionam as fibras superiores da viga. No cálculo de
MC poderia ter sido usada a resultante total do trecho : 6t deslocando 0,5m no sentido
oposto, resultando o trabalho de 3 tm.
Maiores detalhes sobre as cadeias cinemáticas serão vistos no estudo das Linhas de
Influência, inclusive com um capítulo dedicado ao estudo das leis de deslocamento das
cadeias cinemáticas.
2.1 – Introdução
5
2.2 – Enunciado do PTV para corpos deformáveis:
Seja a viga da figura 2.1 a), em equilíbrio sob a ação de um carregamento genérico
qualquer que denominaremos estado de carregamento – índice c. Nestas condições um
elemento diferencial genérico (c) de comprimento dx, apresenta os esforços solicitantes MC,
QC e NC na face esquerda e na face direita podem ter alterado de quantidades diferenciais,
sendo apresentadas como MC+dMc, QC+dQC e NC+dNC, conforme ilustra a figura 2.1 c).
Admita-se que nesta estrutura seja dada uma deformação virtual que produza uma
pequena alteração em sua forma fletida. Esta deformação virtual é imposta sobre a estrutura
de alguma maneira não especificada e é completamente independente do fato da estrutura já
ter sido submetida a deflexões reais causadas pelas cargas do estado de carregamento. A
deformação virtual representa uma deformação adicional imposta à estrutura. A única
restrição é que ela deve ter uma forma que poderia ocorrer fisicamente, ou em outras palavras,
a deformação virtual no estado de deslocamento – índice d, ilustrado na figura 2.1 b), deve ser
compatível com as condições de apoio da estrutura e deve manter a continuidade entre os
elementos da estrutura.
Durante a deformação virtual, o elemento genérico (c) se desloca para a posição (d)
conforme mostra a figura 2.1 b) deformando até atingir a forma final ilustrada na figura 2.1
d). Nesta figura estão indicadas as deformações que o elemento diferencial sofre nas direções
dos esforços solicitantes N, Q e M, denominadas respectivamente du d, dvd e dd. O índice d é
usado para salientar que se trata de deformação do estado de deslocamento.
6
O Princípio dos Trabalhos Virtuais afirma que o trabalho externo realizado pelas ações
aplicadas no estado de carregamento durante os deslocamentos ocorridos no estado de
deslocamentos é igual ao trabalho interno realizado pelos esforços solicitantes do estado de
carregamento durante as deformações que os respectivos elementos sofrem no estado de
deslocamento.
O Trabalho interno realizado pelos esforços solicitantes do estado de carregamento (c)
– figura 2.1 c) - nas deformações do estado de deslocamentos (d) – figura 2.1 d) vale para o
elemento diferencial:
dTint. = N c dud + Qc dvd + M c df d ....................................................(2.2)
Tint. = ò estr .
N C dud + ò estr .
QC dvd + ò estr .
M C df d ..............................(2.3)
Aplicando (2.3) em (2.1), aqui repetida, obtém-se a expressão geral para o caso de
estruturas planas com carregamento no próprio plano do Princípio do Trabalho Virtual –
PTV:
Text . = ò estr .
N C dud + ò estr .
QC dvd + ò estr .
M C df d ..............................(2.4)
Nesta expressão, o índice c refere-se aos esforços solicitantes causados pelas ações do
estado de carregamento, e o índice d refere-se aos deslocamentos sofridos no estado de
deslocamentos. Reforça-se aqui que o estado de deslocamentos foi obtido de maneira
independente das cargas que atuam no estado de carregamento; pode ter sido causado por
outro carregamento, variações de temperatura ou outro motivo qualquer, desde que seja
compatível com as condições de apoio da estrutura.
7
A carga unitária deve corresponder ao deslocamento procurado, ou seja, para se
calcular um deslocamento linear absoluto, aplica-se uma força unitária na direção e sentido do
deslocamento linear procurado. Caso o deslocamento procurado seja uma rotação, a carga
unitária correspondente deve ser um momento. Se o deslocamento procurado for a translação
relativa entre dois pontos ao longo da linha que os une, o carregamento unitário deve ser
constituído de duas forças colineares e opostas agindo nos dois pontos considerados. Caso o
deslocamento seja a rotação relativa entre duas tangentes, o carregamento constituirá de dois
momentos iguais e opostos.
O cálculo prático para a determinação de um deslocamento qualquer é aplicar na
estrutura uma carga (força ou momento) unitária na direção e sentido do deslocamento real
procurado e determinar os diagramas de esforços solicitantes N, Q e M produzidos por este
carregamento unitário, ou seja o estado de carregamento (c) é o sistema com a carga unitária.
Tomando-se os deslocamentos e deformações causados pelas ações que agem na estrutura
como estado de deslocamento, o único trabalho externo é o realizado pela carga unitária e é
igual ao produto da carga unitária pelo deslocamento procurado. O trabalho interno, como foi
visto, será igual a integral estendida a toda estrutura do produto dos esforços solicitantes
causados pela carga unitária pelos respectivas deformações causadas pelas ações que agem na
estrutura, ou seja:
1´ dprocurado = ò estr .
NC dud + ò estr .
QC dvd + ò
estr .
M C d f d ...................(2.5)
1´ dprocurado = ò treliça
NC dud ...............................................................(3.1)
Como as normais são constantes para cada barra e a integral pode ser calculada como
uma somatória das integrais em cada barra, temos tirando os valores constantes de N fora das
integrais:
dprocurado = å
barrasi
N ci ò barrai
dud ...........................................................(3.2)
Como ò barrai
dud = D d nabarra i = D di , obtém-se:
8
dprocurado = å
barrasi
N ci D di ....................................................................(3.3)
Os deslocamentos podem ser causados por cargas aplicadas que produzem normais
Ndi nas barras i ou variação de temperatura e para cada um destes casos vale:
N di i
Caso força normal (conforme Lei de Hooke): D di = ..................................(3.4)
Ei Ai
9
Figura 3.1 – Exemplo número 1
A figura 3.1 b) mostra os resultados das normais nas barras da treliça devido o
carregamento dado, ou seja, as normais do estado de deslocamentos. As figuras 3.1 c) e d)
mostram as normais determinadas dos estados de carregamento unitário para o cálculo das
componentes horizontal e vertical do deslocamento do nó 6, respectivamente. A figura 3.1 e)
apresenta as normais do estado de carregamento unitário para o cálculo do deslocamento
relativo entre os nós 3 e 6.
Como EA é constante e usando a notação (0) para os esforços do estado de
deslocamento (treliça dada) e (1), (2) e (3) para os estados de carregamento unitário
respectivos aos deslocamentos procurados conforme mostra a figura 3.1, a expressão (3.6)
fica:
1
dprocurado = å N0 Ni D ............................................................(3.7)
EA barras
ou, EA dprocurado = å
barras
N 0 Ni D ..............................................................(3.8)
Barra N0 N1 N2 N3 N0 N1 N0 N2 N0 N3
1-2 2,0 +4,0 +1,00 0 0 +8,00
3-4 2,0 +4,0 +1,00 0 +0,8 +8,00 +6,40
5-6 2,0 +2,0 +1,00 0 +0,8 +4,00 +3,20
1-3 1,5 +4,5 +1,50 0 0 +10,125
3-5 1,5 +1,5 +0,75 0 +0,6 1,6875 +1,35
2-4 1,5 -2,5 -0.75 +1,0 0 2,8125 -3,75
4-6 1,5 -1,0 0 +1,0 +0,6 0 -1,50 -0,90
2-3 2,5 -5,0 -1,25 0 0 15,625
4-5 2,5 -2,5 -1,25 0 -1,0 7,8125 +6,25
= 58,0625 -5,25 +16,3
10
10000 x 3-6 = 16,3 tm ou 3-6 = 1,63 m x 10-4 m afastando os nós 3 e 6.
Text. = Tint
1 x H6 = N1 T ............................................................................(3.9)
Convém ressaltar que as direções dos deslocamentos pedidos são definidas, horizontal,
vertical, relativos, etc., mas os módulos e sentidos por serem incógnitas não são conhecidos a
priori, sendo então o sentido suposto através do sentido do carregamento unitário. Caso o
resultado do trabalho total interno seja positivo, o sentido do deslocamento é concordante com
o sentido da carga unitária, caso contrário, tem sentido oposto. Em relação ao trabalho
11
interno, as parcelas do somatório serão positivas quando a deformação da barra for
concordante com sentido do esforço solicitante correspondente no estado de carregamento
unitário.
dprocurado = ò
estr .
NC dud + ò estr .
QC dvd + òestr .
M C df d + ò
estr .
TC d qd ..............(4.1)
12
10,0 0,312
0,333
MC Md
dprocurado = ò estr . EI
ds .................................................................(4.6)
Como normalmente a rigidez à flexão EI é constante para cada barra, pode ser
colocada fora da integral que deve ser transformada em um somatório das integrais nos
diversos trechos de EI constante da estrutura, ou seja:
1
dprocurado = å
barras i Ei I i
ò
barrai
M C M d ds .................................................(4.7)
1
d=
EI ò M C M d ds ........................................................................(4.8)
Nota-se então que nos cálculos práticos das estruturas aporticadas, o trabalho interno
se resume a determinação da integral do produto de duas funções.
13
Os diagramas de MC referentes ao estado de carregamento com a carga unitária é
sempre formado de trechos retos, portanto em geral não apresentam dificuldade. Os digramas
de Md que são devidos ao carregamento real da estrutura pode necessitar ser separado na soma
de dois ou mais diagramas mais simples conforme o esquema:
A integral fica:
òM C M d ds = òM C ( M d 1 + M d 2 + ...) = òM C M d 1 ds + òM C M d 2 ds + ...
na qual as integrais dos produtos Mc Md1, Mc Md2, etc. podem ser encontradas na tabela.
Quadro 4.1
Seja a viga em balanço da figura 4.1 para a qual calcularemos a flecha na extremidade
livre B. Com o propósito de mostrar que nas estruturas usuais o efeito da força cortante nos
deslocamentos é desprezível em face do efeito do momento fletor, consideraremos neste
primeiro exemplo estes dois efeitos.
Aplicando a técnica da carga unitária, temos:
14
1 c
fB =
EI ò M 0 M 1 ds +
GA ò
Q0Q1 ds
1 1 p2 c 1
fB = + p×1 ............................................(4.9)
EI 4 2 GA 2
p4 c p2
fB = +
8 EI 2 GA
A primeira parcela corresponde ao efeito do momento fletor (flexão) na deformação da
viga e a segunda corresponde ao efeito da força cortante na deformação. Substituindo-se os
valores numéricos, obtém-se:
fB = (0,1 + 0,001) m
Comparando-se o efeito do momento fletor com o efeito da força cortante:
Efeito de Q 0, 001
= = 0, 01
Efeito de M 0,1
Ou seja, o efeito da força cortante é 1% do efeito do momento fletor, justificando não
considerar, na grande maioria dos casos práticos os efeitos do esforço cortante nas
deformações.
15
4.3 – Observação sobre o uso das tabelas.
Na combinação de M0 M1, como a tangente à parábola no diagrama de M 0 é paralela à
linha de referência, este ponto é vértice da parábola. Como este diagrama é encontrado na
tabela, não houve necessidade de separá-lo em uma soma de diagramas mais simples. Caso
houvesse uma carga concentrada na extremidade livre B, a tangente à parábola não seria mais
horizontal e o diagrama de M0 não estaria previsto na tabela. Neste caso haveria necessidade
de separá-lo em uma soma de diagramas mais simples que estivessem previstos na tabela.
Caso haja dúvida se as parábolas estão nas condições prescritas na tabela, é aconselhável
separá-las.
Para ilustrar este fato, vamos recalcular a integral do produto M 0 M1, separando o
diagrama de M0 na soma de duas parcelas, naturalmente ambos previstos na tabela. A técnica
para separar os diagramas com parábolas do segundo grau pode mneumonicamente ser
chamada de “retas + p2/8”.
òM 1 M 0 ds = òM 1 ( M 01 + M 02 ) ds = òM 1 M 01 ds = òM 1 M 02 ds
16
4.4 – Exemplo número 4
A figura 4.3 mostra uma viga com balanço, com rigidez à flexão constante, EI = 3000
2
tm , submetida ao carregamento indicado. Deseja-se determinar o giro na extremidade livre C.
17
O estado de deslocamento, que chamaremos de estado (zero), é a viga com o
carregamento real que consiste de três cargas: uma distribuída e duas concentradas. O
digrama de momentos fletores correspondente M0, está indicado na figura e nota-se que na
sua forma final não se encontra diretamente na tabela. A alternativa mais conveniente neste
caso é usar o Princípio da Superposição de Efeitos, separando o carregamento múltiplo em
uma soma dos carregamentos obtidos pela aplicação de cada carga atuando isoladamente
como ilustra a figura, obtendo-se os diagramas mais simples, M01, M02 e M03.
O estado de carregamento unitário para o cálculo do giro na extremidade C, c,
chamado de estado de carregamento (1), consiste em um momento unitário aplicado na
posição do deslocamento procurado, conforme mostra a figura 4.3.
A aplicação do PTV - técnica da carga unitária, equação (4.8) – resulta:
EI j c = òM 0 M 1 ds = òM 01 M 1 ds + òM 02 M 1 ds + òM 03 M 1 ds
1 1 6 1 1
EI j c = - 9´ ´ 10,125´ 1- 9´ ´ (1 + )´ 6´ 1 + 9´ ´ 4,5´ 1 + 3´ ´ 4,5´ 1
3 6 9 3 2
EI j c = - 25,125 tm 2
- 25,125
ou, j c = = - 8,375´ 10- 3 radianos.
3000
O sinal (-) significa que a rotação ocorre no sentido contrário ao suposto no estado de
carregamento unitário, ou seja, ocorre no sentido anti-horário. Para não haver dúvidas em
relação ao sentido, os deslocamentos podem ser expressos em módulo explicitando-se o
sentido. No caso dos giros, é também conveniente expressá-los em graus (1 rad = 180/
graus). Assim,
j c = 8,375´ 10- 3 rad = 0, 48o no sen tido anti - horário.
ò A
M 03 M 1 ds = ò A
M 03 M 1 ds + ò B
M 03 M 1 ds
dprocurado = ò estr .
N C dud + òestr .
M C d f d .........................................................(5.1)
na qual as deformações dud e dd valem os valores mostrados na figura 5.1. Notar que neste
caso a deformação dud é relativo ao eixo médio e dvd é nulo.
Substituindo os valores de dud e dd, obtém-se:
D tsup - D tinf
dprocurado = a D tmédio ò N C dx + a ò M C dx ........................(5.2)
estr . h estr .
18
Neste caso, cuidado especial deve ser tomado em relação ao sinal do trabalho interno
na deformação, ou seja, com o sinal dos resultados das integrais. Caso as deformações por
temperatura sejam concordantes com o sentido dos esforços do estado de deslocamento, o
sinal será positivo, caso contrário, negativo. Assim, A primeira integral será positiva para
esforços normais de tração e a segunda será positiva quando o momento fletor M c tracionar a
fibra que se encontra mais distendida do trecho, ou aquela com a temperatura mais elevada.
A estrutura da figura 5.2 apresenta uma variação de temperatura nas fibras “externas”
de ambas as barras de + 50o centígrados. Deseja-se determinar a flecha (componente vertical
do deslocamento) na extremidade livre C. O coeficiente de dilatação térmica do material vale:
= 1,2 x 10-5 oC-1 e a seção transversal das barras tem altura h = 0,40m.
19
Determinados os esforços solicitantes N e M do estado de carregamento conforme
figura 5.2, a expressão 5.2 fica:
D tsup - D tinf
f C = a D tmédio ò N dx + a ò M dx
h
50 + 0 50 - 0 æçç3´ 3 + 3´ 1 ´
ö
f C = - 1, 2´ 10- 5 ´ ´ 3´ 1 + 1, 2´ 10- 5 ´ 3÷÷
2 0, 40 çè 2 ø÷
f C = - 0, 0009 + 0, 02025 = 0, 01935 m para baixo
20
6. Exercícios propostos (respostas no final da lista)
01) Para a treliça da figura, de EA = 10000 e coeficiente de dilatação térmica = 1,2 x 10-5,
determinar:
a) a flecha no nó 4 (f4);
b) a flecha no nó 4 (f’ 4), caso ao invés do carregamento ocorra uma variação de
temperatura t = +50 oC nas barras do banzo superior (5-6, 6-7 e 7-8).
02) Para a treliça da figura, cujas barras possuem EA = cte = 10000 t, determinar:
a) a flecha no nó 4;
b) qual o defeito de fabricação constante que deve ter as barras do banzo superior (1-3,
3-5, 5-7 e 7-8), para que o nó 4 tenha uma contra flecha igual a flecha calculada no
item a).
21
04) Para a treliça da figura, de aço (E=2100 t/cm2), cujas áreas das seções transversais estão
indicadas na convenção ao lado da figura, determinar:
a) a flecha do nó 3, f3;
b) o deslocamento do apoio móvel 5, 5;
c) qual o defeito de fabricação que ser dado na barra 6-7 para que o apoio 5 retorne
para a posição da treliça descarregada.
22
06) Para a viga em balanço da figura, de EI = constante, calcular:
a) a flecha na extremidade B, fB;
b) a rotação na extremidade B, B;
c) a flecha no meio do vão, fC;
d) a rotação no meio do vão, C.
23
10) Para o pórtico da figura de EI=10000 tm2, determinar:
a) o deslocamento do apoio móvel C, C;
b) o giro no apoio fixo A, A;
c) o giro do nó B, B;
d) o giro no apoio C, C.
13) Para o pórtico do exemplo anterior, determinar os mesmos deslocamentos caso esteja
submetido ao carregamento da figura abaixo.
24
14) Para a estrutura da figura, de EI = 50000 tm2, determinar:
a) o deslocamento translação do apoio C, C;
b) o giro do nó B, B.
15) Para o pórtico tri-articulado da figura, E = 210 t/cm2, I = 300.000 cm4, determinar o
deslocamento (horizontal) da articulação C, C.
25
7. Respostas dos exercícios propostos
01) a) f4 = 1,566 cm para baixo
b) f’4 = 0,9 cm para baixo
02) a) f4 = 1,241 cm para baixo
b) = 0,3723 cm (alongamento)
03) V5 = 1,7517 cm para baixo
H5 = 0,7184 cm para a direita
5 = 1,893 cm formando um ângulo de 67,7o horário com o eixo horizontal.
04) a) f3 = 0,8586 cm para baixo
b) 5 = 1,7937 cm para a direita
c) = 0,897 cm (encurtamento)
05) a) 0,993 cm para baixo
b) 0,399 cm para a direita
06) a) fB = PL3/3EI
b) B = PL2/2EI
c) fC = 5PL3/48EI
d) C = 3PL2/8EI
07) a) fC = 6,975 mm para baixo
b) A = 3,6 x 10-3 radianos no sentido horário
c) C = zero
08) a) A = 3,5625 x 10-3 radianos no sentido horário
b) fC = 8,55 mm para cima
09) a) fB = 4,8375 mm para baixo
b) fD = 1,40625 mm para cima
c) D = 3,5625 x 10-4 radianos no sentido anti-horário
10) a) C = 1,067 cm para a direita
b) A = 3,467 x 10-3 radianos no sentido horário
c) B = 1,333 x 10-3 radianos no sentido horário
d) C = 6,667 x 10-4 radianos no sentido anti-horário
11) D = 1 cm para a direita
fM = 0,222 cm para baixo
12) D = 1,973 cm para a direita
C = 1,467 x 10-3 radianos no sentido anti-horário
13) D = 4,325 cm para a direita
C = 2,907 x 10-3 radianos no sentido anti-horário
14) a) C = 0,08 cm para a direita
b) B = zero
15) C = 1,822 cm para a esquerda
16) a) fC = 1,92 mm para baixo
b) E = 1,333 x 10-4 radianos no sentido horário
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