Livro de Ester

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ESBOÇO

Introdução, contexto e a escolha de uma nova rainha (Ester 1-2).


O conflito entre Hamã e Mardoqueu, a ameaça ao povo judeu e a ruína de Hamã (Ester
3-7).
A defesa e o livramento do povo judeu (Ester 8-9)
Epílogo (Ester 10).
INTRODUÇÃO

Quando o rei Ciro, em 538 a.C., permitiu a volta dos judeus para a sua terra, muitos
aproveitaram a oportunidade. Para eles tinha terminado o cativeiro na Babilônia. No
entanto, muitos continuaram vivendo em países distantes, onde a vida não era fácil, e
muitos eram os perigos. Não raras vezes, os judeus foram perseguidos por aqueles que
queriam acabar com eles. O Livro de Ester foi escrito para mostrar que Deus protege o
seu povo, animando, assim, os milhares de judeus que viviam espalhados pelo mundo.

Além disso, o Livro de Ester também foi escrito para contar como começou a Festa de
Purim. Essa Festa, que é comemorada pelos judeus até hoje, não é uma das festas
religiosas previstas na Lei de Moisés. Surgiu no tempo de Xerxes, rei da Pérsia (486 a
465 a.C.), e é a festa da vitória dos judeus contra os seus inimigos.
Estudo do Livro de Ester
O livro de Ester é um dos livros que compõe o Antigo Testamento. Esse livro narra
a história de Ester, Mardoqueu, Hamã e Assuero é uma descrição perfeita da Soberania
de Deus na história. Nos dois primeiros capítulos vemos que Ele cria uma situação para
fazer com que a judia Ester se torne rainha do maior império da época. Na Bíblia
hebraica esse livro está organizado dentro do grupo chamado Megilote, cuja composição
consiste em cinco livros. São eles: Rute, Cantares de Salomão, Eclesiastes,
Lamentações e Ester. Neste estudo bíblico faremos um panorama do livro de Ester e
conheceremos suas principais características.
Quem escreveu o livro de Ester?
O autor do livro de Ester é desconhecido. Alguns já sugeriram que tenha sido
Mardoqueu, porém detalhes textuais tornam essa possibilidade bastante improvável. O
que se sabe ao certo é que o autor do livro de Ester foi um judeu que possuía um grande
conhecimento dos costumes persas, da geografia do império e da corte.
É bem provável que ele tenha vivido em Susã. Possivelmente ele também teve acesso
aos escritos de Mardoqueu, às crônicas do governo persa e aos decretos reais. Devido a
algumas semelhanças no estilo hebraico, Esdras e Neemias também já foram apontados
como possíveis autores.
Data e ocasião em que o livro de Ester foi escrito
A data mais provável em que o livro de Ester foi escrito fica entre segunda metade do
século 5 a.C e o início do século 4 a.C. Alguns tentam propor uma data mais recente,
por volta do século 1 a.C. Entretanto, as evidencias praticamente descredenciam essa
sugestão.
Já falamos que o autor do livro de Ester conhecia muito bem as dependências do palácio
de Susã, e este palácio foi queimado em no máximo 30 anos após a morte do rei
Assuero (465 a.C.). Também o autor demonstra uma postura favorável com relação ao
rei persa.
Por último, a ausência da influência da linguística grega no texto, praticamente anula
qualquer possibilidade do livro ter sido escrito após 331 a.C., quando Alexandre o
Grande tomou o Império Persa. Considerando tudo isto, uma data entre 465 a.C. e o
final do reinado de Artaxerxes I em 424 a.C. parece ser a melhor possibilidade.
Propósito e características do livro de Ester
O propósito principal do livro de Ester é explicar a origem da Festa de Purim e
estabelecê-la como um memorial oficial do grande livramento que Deus concedeu ao
povo judeu durante o período em que tiveram sob o domínio persa. Saiba mais sobre
as festas judaicas.
O livro de Ester é um livro que possui uma riqueza literária muito grande. Seu autor
dominava muito bem as técnicas para construção de uma narrativa envolvente, repleta
de detalhes, tensão, contrastes e reviravoltas surpreendentes.
Um exemplo do nível de organização apresentado no texto é o contraste que autor
estabelece de forma perfeita entre os planos de Hamã e o que de fato lhe aconteceu
(Ester 6-7). O nível de sutileza nos detalhes empregados pelo autor pode ser notado no
episódio em que Hamã suplica pela misericórdia de Ester e acaba sendo acusado de
tentativa de estupro (Ester 7:7-9).
Mas toda essa forma impecável de escrita é utilizada pelo autor para apontar para a
provisão de Deus na história da salvação do seu povo. O autor do livro de Ester
conduziu muito bem uma narrativa de suspense que certamente prende a atenção do
leitor.
Também é possível identificar algumas semelhanças entre a história contatada no livro
de Ester e a história de José registrada no livro de Gênesis (cf. Ester 2:2-4; 3:10; 8:6;
Gênesis 41:34-42; 44:34).
Contexto histórico descrito no livro de Ester
O livro de Ester se concentra no período de reinado do rei Assuero, conhecido na
história como Xerxes I (486-465 a.C.). O livro relata alguns momentos da vida do povo
judeu exilado sob o domínio do Império Persa. Os personagens principais do livro
são: Ester, Vasti, Assuero, Mardoqueu e Hamã.
O Império Persa dominava 127 províncias, desde a Índia até a Etiópia (Ester 1:1,3;
10:1). Estima-se que naquela época o império possuía aproximadamente 100 milhões de
habitantes. Destes, pelo menos 3 milhões eram judeus.
A história narrada no livro se passa em Susã, uma das três capitais persas. Essa cidade
também servia como a residência real de inverno. Várias evidências arqueológicas e
documentos históricos estão de acordo com os detalhes descritos no livro.
Existem indícios de que havia uma lei que limitava o governante persa a ter uma única
esposa, porém o livro de Ester afirma que havia um harém no palácio de Assuero.
Depois, achados arqueológicos confirmaram que de fato Dario e Xerxes tinham haréns.
Arqueólogos franceses descobriram nas ruínas de Susã os mesmos detalhes que são
descritos pelo autor acerca do palácio (Ester 1:2-6; 2:11,14; 3:15; 5:1; 6:4; 7:7,8).
Alguns questionam o motivo de Heródoto, historiador grego, não mencionar Vasti e
Ester como esposas de Xerxes, enquanto destaca Amestris como sua mulher. Todavia, é
conhecido que Heródoto por vezes omitiu em seus escritos personagens importantes.
Por outro lado, Heródoto registra que Xerxes convocou uma importante reunião em seu
terceiro ano de reinado para discutir uma campanha contra os gregos. Isto está de
acordo com o que é relatado no livro de Ester, onde uma assembleia de príncipes é
descrita naquele mesmo ano (Ester 1:3).
A falta de menção ao nome de Deus no livro de Ester
É verdade que o nome de Deus não aparece diretamente mencionado no livro de Ester.
Muitas especulações já foram feitas na tentativa de explicar o porquê do autor não ter
citado explicitamente o nome de Deus, mas nenhuma delas é digna de nota. Apesar
disto, o que se sabe é que o autor conseguiu transmitir perfeitamente a ênfase espiritual
que pretendia.
No livro de Ester ele faz referência ao jejum e ao clamor dos judeus por ajuda.
Obviamente eles estavam jejuando e pedindo ajuda a Deus. Mardoqueu também
demonstra sua fé em Deus explicando que, se Ester falhasse, ele sabia que o socorro
para os judeus aconteceria de alguma forma. Mardoqueu também expressa sua
compreensão acerca da soberania de Deus quando enxerga a providencia divina na
posição de honra que foi dada a Ester (Ester 4:13,14).
Aqui também vale mencionar o versículo que destaca a fala dos sábios e da esposa de
Hamã, quando lhe disseram: “Se Mardoqueu, diante de quem já começaste a cair, é da
descendência dos judeus, não prevalecerás contra ele, antes certamente cairás diante
dele” (Ester 6:13).
Nesta frase está mais do que clara a referência ao poder e a glória do Deus de Israel
diante do fracasso iminente do arrogante e vaidoso Hamã. Na verdade, a forma com que
o autor do livro conduziu a narrativa, coloca Deus em evidência do começo ao fim do
livro de Ester.
Princípios fundamentais do livro de Ester

O livro de Ester ensina alguns princípios fundamentais para nossa vida cristã. Nele
aprendemos que em determinados momentos o povo de Deus sofre intensas
perseguições de seus inimigos, porém Deus preserva o seu povo durante os períodos
difíceis.
No livro de Ester também aprendemos que, como povo escolhido do Senhor, devemos
exaltá-lo por todas as suas maravilhas. Devemos permanecer fieis a Deus esperando sua
provisão a nosso favor, confiando que Ele derrotará definitivamente todos aqueles que
se levantam contra sua obra.

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