Batuque Do Rio Grande Do Sul
Batuque Do Rio Grande Do Sul
Batuque Do Rio Grande Do Sul
Segundo informações colhidas por Maria Helena Nunes da Silva junto a diferentes
fontes " bibliográficas, intelectuais africanos e, sobretudo, dois filhos biológicos de
Custódio " este descendia da tribo pré-colonial Benis, dinastia de Glefê, da nação Jeje,
do estado de Benin, na Nigéria. Seu nome tribal era Osuanlele Okizi Erupê, filho
primogênito do Obá Ovonramwen (Silva, 1999).
Há diferentes versões sobre sua saída da terra natal. Todas, porém, estão associadas à
invasão britânica ao reino de Benin, em 1897, diante da qual não se sabe ao certo se
Osuanlele teria resistido, ou fugido, ou, então, feito um acordo com os britânicos para
deixar o país e viver no estrangeiro, onde receberia mensalmente uma pensão do
governo inglês (a mais provável).
De fato, Dionísio Almeida, filho de Custódio, relatou a Maria Helena que seu pai teria
deixado Benin em direção ao Porto de Ajudá, acompanhado por oficiais ingleses e por
parte do seu Conselho de Chefes, onde teria permanecido por cerca de dois meses, dali
embarcando para o Brasil, tendo chegado ao porto de Rio Grande em 7 de setembro de
1899, com uma comitiva formada de 48 pessoas, em sua maioria membros do seu
Conselho.
Segundo aquele informante, antes de chegar a Rio Grande Custódio teria estado em
Salvador, depois no Rio de Janeiro, tendo se estabelecido em Rio Grande por orientação
dos orixás, através dos ifás. Custódio permaneceu nesta cidade até o dia 4 de outubro de
1900, quando se transferiu para Pelotas, e no dia 4 de abril de 1901 veio para Porto
Alegre, a convite do então presidente do estado, Julio de Castilhos, que algumas
semanas antes o teria procurado em Pelotas como último recurso para remediar um
câncer que tomava conta de sua garganta.
Como teve uma melhora temporária, teria convidado Custódio a morar em Porto Alegre
para continuar a tratá-lo nesta cidade, o que não impediu, porém, a morte de Julio de
Castilhos aos 43 anos de idade, em 1903.
Balança o coroamento
Balanças de Orixás:
*Para Bará(Legba,Lodê)Ogum(Avagã):
Composta de 14 ou 07 homens(só homens)e com a porta da rua aberta.
*Para Xangô:
Composta de 12 ou 06 pessoas(homens e mulheres)
*Para Chapanã:
Composta de 18 ou 09 pessoas(homens e mulheres)
*Para Odé,Otim,Oxum,Iemanjá,Oxalá:
Composta de 32,16 ou 08 pessoas(homens e mulheres).
Quando a balança não for específica para um orixá ela deve ser composta por pessoas
em múltiplos de 06 ou de 08:06,12,18,24,30 ou 08,16,24,32.
Reza:
Amaô eliço bô xangô acaraô anicéu anicéu
R:Eliço godô acaraô anicéu anicéu
Abaorô
R:Anicéu anicéu
Enicéum abaorô
R:Anicéum abaorô
Eliço godô acaraô anicéum,anicéum
R:Eliço godô acaraô anicéum,anicéum
Alujá.
A nação Cabinda, originária de Angola, adotou o panteão dos Orixás Iorubas, embora
estas divindades Bantus teriam como nome correto Inkince.
Os Inkinces são para os Bantus o mesmo que os Orixás para os Yorubás, e o mesmo que
os Voduns são para os Jêjes. Não se trata da mesma divindade, cada Inkince, Orixá ou
Vodum possui identidade própria e culturas totalmente distintas. A linguagem ritual
originou-se predominantemente das línguas Kimbundo e Kikongo; são línguas muito
parecidas e ainda utilizadas atualmente. O Kimbundo é o segundo idioma nacional em
Angola. O Kikongo, provém do Congo, sendo também falado em Angola.
Aqui no Rio Grande do Sul a raiz forte da Cabinda foi o Sr. Valdemar Antonio dos
Santos, filho do Orixá Xangô Kamucá Baruálofina; e uma de suas descendentes foi a
Sra. Madalena de Oxum, que se destacou grandiosamente dentro desta nação.
Outros que se iniciaram pelas mãos de Valdemar de Xangô, e alguns, com sua morte
passaram para as mãos de Mãe Madalena de Oxum: Pai Tati de Bará, Mãe Palmira de
Oxum, Ramão de Ogum, Moacir de Xangô (tinha o apelido de Guri Bontito), Pai Mario
de Ogum e Pai Nascimento de Sakpatá, oriundo de outra nação. Depois foram surgindo
outros ícones da nação Cabinda, onde podemos citar Pai Romário de Oxalá, filho de
santo de Mãe Madalena de Oxum; Mãe Olê de Xangô, mulher de Pai Tati de Bará; Pai
Henrique de Oxum, enteado e filho de santo de Mãe Palmira de Oxum; Pai Adão de
Bará de Exu Biomi; Pai Cleon de Oxalá; Antonio Carlos de Xangô, Alabê e Babalorixá,
Mãe Marlene de Oxum, filha de santo de Pai Romário; Pai Paulo Tadeu de Xangô; Pai
Genercy de Xangô; Hélio de Xangô, Pai Adão de Bará; Didi de Xangô; João Carlos de
Oxalá, de Pelotas; Juarez de Bará; Pai Gabriel de Oxum, que foi um grande Babalorixá
da Nação Cabinda, filho de santo de Romário de Oxalá; Lurdes do Ogum; Enio de
Oxum, também da casa de Pai Romário; Luiz vó da Oxum Docô, foi filho de santo de
Pai Romário de Oxalá; Ydy de Oxum, filho de santo de Pai Henrique de Oxum, entre
muitos outros que conservam, ainda, os fundamentos desta Nação tão importante nos
rituais Africanos do Sul.
Os praticantes da Nação Cabinda também se valem dos rituais da Nação Ijexá, já que
esta última é atualmente a modalidade ritual predominante aqui no Rio Grande do Sul; a
diferença se dá basicamente no respeito à memória de seus ancestrais e a outros fatores
como o início dos A nação Cabinda, originária de Angola, adotou o panteão dos Orixás
Iorubas, embora estas divindades Bantus teriam como nome correto Inkince. Os
Inkinces são para os Bantus o mesmo que os Orixás para os Yorubás, e o mesmo que os
Voduns são para os Jêjes. Não se trata da mesma divindade, cada Inkince, Orixá ou
Vodum possui identidade própria e culturas totalmente distintas.
Aqui no Rio Grande do Sul a raiz forte da Cabinda foi o Sr. Valdemar Antonio dos
Santos, filho do Orixá Xangô Kamucá Baruálofina; e uma de suas descendentes foi a
Sra. Madalena de Oxum, que se destacou grandiosamente dentro desta nação.
Outros que se iniciaram pelas mãos de Valdemar de Xangô, e alguns, com sua morte
passaram para as mãos de Mãe Madalena de Oxum: Pai Tati de Bará, Mãe Palmira de
Oxum, Ramão de Ogum, Moacir de Xangô (tinha o apelido de Guri Bontito), Pai Mario
de Ogum e Pai Nascimento de Sakpatá, oriundo de outra nação. Depois foram surgindo
outros ícones da nação Cabinda, onde podemos citar Pai Romário de Oxalá, filho de
santo de Mãe Madalena de Oxum; Mãe Olê de Xangô, mulher de Pai Tati de Bará; Pai
Henrique de Oxum, enteado e filho de santo de Mãe Palmira de Oxum; Pai Adão de
Bará de Exu Biomi; Pai Cleon de Oxalá; Antonio Carlos de Xangô, Alabê e Babalorixá,
Mãe Marlene de Oxum, filha de santo de Pai Romário; Pai Paulo Tadeu de Xangô; Pai
Genercy de Xangô; Hélio de Xangô, Pai Adão de Bará; Didi de Xangô; João Carlos de
Oxalá, de Pelotas; Juarez de Bará; Pai Gabriel de Oxum, que foi um grande Babalorixá
da Nação Cabinda, filho de santo de Romário de Oxalá; Lurdes do Ogum; Enio de
Oxum, também da casa de Pai Romário; Luiz vó da Oxum Docô, foi filho de santo de
Pai Romário de Oxalá; Ydy de Oxum, filho de santo de Pai Henrique de Oxum, entre
muitos outros que conservam, ainda, os fundamentos desta Nação tão importante nos
rituais Africanos do Sul.
Os praticantes da Nação Cabinda também se valem dos rituais da Nação Ijexá, já que
esta última é atualmente a modalidade ritual predominante aqui no Rio Grande do Sul; a
diferença se dá basicamente no respeito à memória de seus ancestrais e a outros fatores
como o início dos fundamentos da Nação Cabinda, que é justamente onde termina os
das outras Nações: o cemitério.
O Orixá Xangô é considerado Rei desta nação, e é o dono dos Eguns, juntamente com
Oyá e Xapanã; E o culto aos Eguns é tão forte que na maioria dos terreiros desta nação,
se encontra o assentamento de Balé (culto aos Eguns); Os filhos de Oxum, Yemanja e
Oxalá, podem entrar e sair de cemitérios quando necessário for, sem nenhum prejuízo a
sua feitura, já nas outras nações estes só entram no cemitério em extrema necessidade;
Se estiver acontecendo uma festa num terreiro de Cabinda, e se o Orixá Xangô, tendo
recebido oferendas de quatro pés, e vier a falecer algum membro da casa ou da família
religiosa, não ficará a obrigação prejudicada, conforme acontece nos outros terreiros,
nos quais teriam que interromper toda a obrigação.
A Nação Cabinda, que é justamente onde termina os das outras Nações: o cemitério
Batuque preparação
Tenho sido enfático no tocante a preservação dos nossos rituais Africanos por que se
nota que o batuque puro, fiel às raízes, vem perdendo espaço para chamada linha
cruzada, o fato é que se facilitar surgirá uma mistura que não se saberá o que se está
cultuando, há de ter uma separação para preservação da "ciência" na prática dos rituais,
Umbanda é Umbanda, Quimbanda é Quimbanda e Nação Africana é outro ritual, seria
melhor cultuar um de cada vez. As casas de religião tem autonomia para decidir sobre
seus afazeres no culto de seus rituais, sem que haja interferências, o Pai ou Mãe de
Santo exerce sua autoridade, mas com jeitinho as coisas acabam mudando; muitas vezes
se aproxima da casa, novos filhos que já cultuam a umbanda e ou os exus, e os
sacerdotes, procuram aprender as práticas rituais da umbanda e dos exus; o que não se
pode é deixar um ritual tomar conta de outro, como já se vê em certos lugares, o melhor
é cultuar um de cada vez, e todos os rituais serão preservados.
Festa Grande
Chamamos de festa grande a obrigação que tem ebó, ou seja quando há sacrifícios de
animais de quatro pés, oferecemos aos Orixás cabritos, cabras, carneiros, porcos e
ovelhas, (quando se matam somente aves aí é quinzena). Costumamos fazer festa de
quatro pés para nossos Orixás de quatro em quatro anos, e serve para homenagear o
Orixá "dono da casa", e é onde os filhos que ainda não tem sua casa de religião própria
aproveitam para fazerem suas obrigações de dar comida a seus Orixás também. È uma
cerimônia que coincide com a data em que aquele sacerdote teve assentado seu Orixá de
cabeça, ou seja a data de sua feitura. A festa dos Orixás tem um ciclo ritual longo,
começando com a feitura de trocas (limpezas de corpo) que é feita em todos os filhos
que irão fazer obrigações para seus Orixás; limpeza na casa compreendendo todas as
construções que fazem parte daquele terreiro, o Pai ou Mãe de Santo também faz uma
troca. Troca é um trabalho de limpeza de corpo que se faz dentro da religião, usando
vários axés de Orixás, varas de marmelo vassouras de Xapanã, um galo para sacrifício e
uma outra ave para soltar viva, geralmente usa-se pombo, mas conforme for o caso
podemos soltar galos ou galinhas, vivos, para acompanhar um axé de troca (que envolve
sacrifício). Após tudo descarregado ainda fizemos um axé doce para os Orixás de praia
Bará Ajelú, Oxum, Iemanja e Oxala e também é passado nos elebós e na casa. No dia da
matança é que fizemos a homenagem para os Barás, que também serve como segurança
para a obrigação; no candomblé chamam este ritual de Padê. Por que são feitos tantos
axés antes do começo de uma obrigação? Muita gente faz esta pergunta e é bom
esclarecer que se uma pessoa vai dar "comida" a seus Orixás, irá fazer um retiro
espiritual dedicado ao Santo, tem que estar com o corpo e a "aura" limpos, sem qualquer
vestígio de cargas negativas, sem acompanhamento espiritual ruim, em fim livre de
qualquer perturbação, pois se alguém colocar Axorô (sangue) na cabeça com cargas
ruins no corpo, acabam fortalecendo mais a força negativa; todos indivíduos que
participarem de uma obrigação de Orixá, desde o tamboreiro (alabê) devem estarem
"limpos", também, espiritualmente. Nesta ocasião também se confirmam os graus de
iniciação dos filhos da casa como Bori, e aprontamento, no qual os filhos podem receber
seus axés de facas e de búzios, enfim é nesta ocasião que se realizam as grande
solenidades rituais dos terreiros de nação para o crescimento pessoal e espiritual dos
filhos da casa, e também servem para reforçar os próprios sacerdotes e seus Orixás.
Antigamente as casa de religião afro realizavam a festa do boi, com sacrifício de um
touro pequeno, o ritual durava um mês inteiro, após, era a festa de quatro pés, com
sacrifício de bodes, cabras, ovelhas, porcos e carneiros, depois a matança era de peixe e
finalmente a confirmação da festa com sacrifício de aves e a terminação era com a mesa
dos Ibêjes; hoje em dia, quase não existe mais quem faça este ritual.
Após as limpezas todas, logo que se passa o axé de Bará e o galo que será oferecido no
cruzeiro (encruzilhada), os elebós (pessoal de obrigação) tomam um banho de descarga
e já ficam confinados ao templo, ou seja, abandonam provisoriamente a vida social
externa em favor dos rituais. A partir deste momento não se pode dormir em camas,
fazer a barba e tomar banho (nos dois primeiros dias), conversam somente o necessário,
não vêem televisão, não falam ao telefone, não comem com garfo e faca; comida
comum come-se de colher, e de orixás, usa-se os dedos para por os alimentos na boca,
de acordo com o chefe da casa estas imposições podem ser mais ou menos rígidas, por
exemplo em certas casas quem tem o axé de facas podem fazer uso de facas para
cortarem os alimentos.
Quando o pessoal que foi fazer a obrigação de corte no cruzeiro voltar aí começa a
matança no Bará Lodê e Ogum Avagã, que habitam uma casa na parte da frente do
terreiro, nesta matança é oferecido um quatro pé e aves para o Lodê e outro quatro e as
aves,correspondentes, para Ogum Avagã. Nesta matança participam somente homens e
mulheres que não mestruam mais. Os quatro pés são apresentados aos Orixás; faz-se
uma "chamada", na qual são feitos os pedidos de proteção e caminhos abertos para tudo
aquilo que é bom para todos os filhos presentes e ausentes etc... encaminha-se os
cabritos, já com os pés lavados, do portão até a frente da casa dos Orixás Lodê e Avagã,
onde estão as vasilhas com os assentamentos, os animais devem comer folhas
verdes(orô, folhas de laranjeira, etc.), que é um sinal de aceitação da oferenda pelo
Orixá, assim que o animal comer já é levantado e é feito o corte para o Orixá Lodê e em
seguida o mesmo para Ogum Avagã; a matança é acompanhada com o toque de
tambores e agê, e tira-se axés para cada Orixá que receberá o sacrifício, na hora que
corre o axorô tira-se um axé determinado, isto é para todos Orixás que irão ter animais
de quatro pés como oferenda. Na nação Ijexá os animais sacrificados para o Bará Lodê e
Ogum Avagã, entram pela porta dos fundos do salão; neste já esta arriado no chão uma
toalha grande com todos os axé de Bará a Oxalá; coloca-se nesta "mesa" os quatro pés e
as aves. E aí canta-se novamente um axé para cada Orixá do Bará ao Oxalá e levanta-se
os quatro pés e leva-se, pela porta dos fundos, para serem limpos; tira-se o couro, que
será aproveitado(para fazer tambores), tira-se a buchada que será enterrada, e dos
miúdos como: fígado, rins, coração etc.. são cozidos e destes são tirados pedaços que
farão parte das inhalas (partes dos animais que pertencem aos Orixás) do restantes dos
miúdos é feito o chamado sarrabulho. Assim que são retirados da "mesa" os quatro pés
dos orixás de rua, começa a obrigação dos Orixás de dentro de casa; o ritual é o mesmo
começando agora com Bará Adague que come cabrito de cor avermelhado ou preto com
branco; Bará Ajelú que come cabrito Branco; Ogum come bode de cores variados
menos preto, Iansã come cabra avermelhada ou preto com branco; Xangô que come
carneiro, Odé come porco, Otim come porca, Obá come cabra mocha (sem chifres),
Ossãe come bode de cor clara; Xapanã come bode de cores variadas, menos preto;
Oxum come cabra amarelada, Iemanja come Ovelha, Oxalá come cabrita branca; Na
nação Ijexá não oferecemos animais de cor preta para nenhum Orixá, nem mesmo para
o Bará Lodê, que é Orixá de rua. Para cada Pessoa que está de obrigação corta-se um
quatro pé para o Bará que corresponde para ela, nesta nação, não se pode dividir um
animal de quatro pés para mais de um Bará; e o animal do Orixá de cabeça também é
separado, cada Orixá de cabeça come seu quatro pé correspondente.
Pela ordem, a cada sacrifício os filhos vão recebendo o axorô de seu Orixá no ori,
cobre-se a cabeça com as penas das aves e o padrinho amarra a trunfa. No momento que
se corta para o Orixá de cabeça é guando o Orixá pode se manifestar em seu filho(a).
Os quatro pés oferecidos para os Orixás de dentro de casa também são arreados na
toalha que está estendida no chão (no salão), com os axés de Bará ao Oxala. Após cotar
para o último Orixá, que é o pai Oxalá, tira-se novamente uma reza para cada Orixá
(canta para os Orixás) do Bará até o Oxalá e os Orixás que estão no mundo,
incorporados em seus filhos, vão despachar as águas das quartinhas que estavam na
"mesa" de quatro pés, na volta já é levantado a mesa, retirando-se os animais na ordem
em que foram sacrificados; Neste momento entra em ação o pessoal da cozinha, que já
começam a servir a obrigação do pirão do Lodê e do Avagã e todos devem comer de
pé(os fiéis não se sentam, para comer, em respeito a este Orixá), é servido primeiro para
os homens e para as mulheres de cabeça de Orixá masculino, pede-se agô, na porta da
frente e deve ser comido sem o auxilio de talheres, usa-se os dedos para comer o pirão;
Todos os animais que foram sacrificados deverão serem limpos e preparados para servir
para os que estão de obrigação e distribuídos para o pessoal levar para casa no final da
festa, junto com outros axés como: pipoca, rodelas de batata doce frita, feijão miúdo
cozido e refugado com tempero verde ( salsa e cebolinha verde), farofa, bananas, maças,
laranjas, acarajé, axoxó, que são servidos em bandejas e é o que chamamos de mercado;
através dos "mercados" a energia dos orixás, festejados, também chegam até a casa dos
participantes em geral, nesta obrigação.
Festa
No dia da festa o salão é enfeitado com as cores do Orixá homenageado, e as cores dos
axós (roupas) também obedecem a esse padrão. Numa festa para Xangô, as cores
preferenciais para todos é o vermelho e branco, o que não significa que todos tenham
que usar somente essas cores, os filhos de oxum , por exemplo, podem usar o amarelo.
Tira-se as "rezas" de Bará até Xangô, quando, interrompe-se tudo para formar a
"Balança", nesta só participam os que tem aprontamento completo, com Orixás
assentados; É uma cerimônia realizada somente em festa que tenha sido sacrificado
animais de quatro pés, (em obrigações só de aves não se faz balança), é considerado o
ponto crucial da obrigação, esta "roda" traz Orixás e se mal executada pode levar
"gente". Se romper a balança, algo de muito grave poderá acontecer, possivelmente a
morte de alguém que participa da "roda de prontos"; por isso é bom escolher bem quem
vai participar de uma obrigação tão séria como esta. A balança é de Xangô, e o número
de participantes é de seis, doze ou vinte e quatro pessoas; As pessoas entrelaçam
firmemente as mãos, avançam e recuam para o centro e a periferia da "roda", que gira
no sentido anti-horário, e os Orixás vão se manifestando; logo é tocado o Alujá de
Xangô, e neste momento a roda se desfaz e há grande número de Orixás manifestados
em seus filhos, sendo saudados pelos fiéis.
Há um intervalo, para descanso dos alabês e em seguida recomeça o toque dos tambores
cantando-se para Odé, Otim, Obá, Ossãe e Xapanã. No final do axé de Xapanã,
despacha-se o ecó, cujo objetivo é expulsar todas as cargas negativas, também aqueles
males extraídos durante as "limpezas" (axés) conduzidas pelos Orixás nos fiéis, esta
parte da obrigação é destinada ao Orixá Bará.
Após a obrigação do ecó, tira-se os axés (cantos) para os Ibêjes, na qual tem a
participação das crianças. Neste dia não tem a tradicional mesa de Ibêjes, é oferecido
para o Orixá Oxum ou Xangô uma bandeja contendo balas, fatias de bolos, frutas e
pirulitos, e estes distribuem para criançada. Na continuação da festa, tira-se o axé de
Oxum, que se manifesta em seus filhos, estas chegam vaidosas, distribuindo alegria,
atiram perfume nos fiéis, que saúdam a deusa da felicidade; em seguida os cantos são
para Iemanja, que se manifestam para serem homenageadas; Seguem-se os axés, tirando
agora os axés do Pai Oxalá, que ao se manifestar sempre é saudado com grande louvor.
Os Orixás se cumprimentam entre si, batem cabeça para os Orixás e sacerdotes mais
velhos , há um respeito mutuo entre eles. Após os axés do pai Oxala tira-se o axés
(cantos) para serem entregues os presentes, como: bolos, bandejas contendo quindins,
flores, jóias etc.., que são oferecidos ao Orixá homenageado. Os orixás(ou Orixá da
casa) dão as mensagens finais e de agradecimento, tiram (cantam) seus axés, e são
despachados para virarem erês (aqui no sul dizem axerê ou axêro, que é um estágio
intermediário entre o orixá manifestado e o estado normal do "filho", falam um
vocabulário próprio, e se comportam como crianças, fazem brincadeiras, e demonstram
sua alegria com a festa. Os outros Orixás também cantam seus axés para serem
despachados, e termina a cerimônia . É distribuído os mercados,o qual já mencionei
anteriormente, e o pessoal vai embora. Os filhos que estão de obrigação permanecem no
terreiro para dar continuidade ao ritual.
Geralmente, três dias após a "matança", é feita a "levantação" das obrigações. Esta
etapa, corresponde a um momento particular, na qual participam somente os filhos da
casa e os que estão em iniciação. Neste momento, todos os "otás" (ocutás), e objetos
sagrados que receberam o axorô (sangue dos animais) são retirados das "vasilhas"
(alguidares e bacias de louça), e são lavados com omieró, (no Orixá Bará passa-se
apenas um pano umedecido no omieró, não se deve molhar muito os objetos de
assentamento deste Orixá).
Obrigação Do Peixe
Após a levantação de quatro pés deixa-se os orixás "descansarem" por um ou dois dias;
e no dia da semana, marcado para "matança do peixe" pela manhã, bem cedo vai-se ao
mercado público, ou no cais do porto, buscar o peixes vivos. usa-se na nação Ijexá
Jundiá, para os Orixás Bará, Ogum, Xangô, Odé, Ossãe e Xapanã e peixe da qualidade
Pintado para todas iyabás e também para o pai Oxalá. Os peixes devem chegar vivos ao
templo para a cerimônia. Todas as "vasilhas" com os Otás (ocutás) e ferramentas
recebem o axorô (sangue) do peixe. A carne dos peixes é consumida pelos elebós
(iniciados que estão reclusos no templo). A obrigação do peixe fica arreada por vinte e
quatro horas. Após este período levanta-se a obrigação e leva-se para praia junto com os
axés de orixás que acompanham esta obrigação de muito fundamento da nação africana.
O peixe, significa fartura e prosperidade, é o símbolo da riqueza para os seguidores da
religião africana. Geralmente a levantação do peixe é realizada numa sexta-feira,
enquanto o pessoal vai na praia para entregar os axés, o pai ou mão de santo (sacerdote
de Orixá) fica fazendo preparando os orixás que estavam arreados; fazem o que
chamamos de " miosé " , e logo os arruma nas prateleiras. Quando o pessoal chega da
praia, já começa a obrigação de matança das aves que é para saudar os Orixás que
estavam arreados, e também cortar as aves para os Ibêjes, pois destas, será feito a canja
que será servida na "mesa das crianças", que antecede a obrigação de terminação.
Mesa de Ibêjes: No sábado, após o por do sol, é realizada a cerimônia dedicada aos
Ibêjes, e desta, fazem parte grande número de crianças. Estende-se uma toalha no centro
do salão e coloca-se ali: doces de toda qualidade, inclusive doces de calda, arroz de
leite, doce de abóbora, doce de batata doce, sagu, ambrusia, doce de coco, bolos, tortas,
balas, pirulitos, bombons, um amalá, uma vela grande vermelha e branca, um bouquê de
flores, as quartinhas de Oxum e Xangô, mel. Primeiramente é servido a canja feito com
as aves sacrificadas para os ibêjes, e em seguida os doces. Ao som de "rezas" (axés",
cantigas) que fazem parte desta obrigação, as crianças sentam-se no chão ao redor da
toalha, e são servidas em número múltiplos de 6 (12,24,etc.). As crianças de colo vão
acompanhadas, e mulheres grávidas também sentam-se a mesa, depois de da canja, são
servidos doces e refrigerantes; distribui-se brinquedos. Nesta obrigação sempre
"descem" alguns Orixás, principalmente Xangô e Oxum. Ao terminar de comer, as
crianças recebem uma colher de mel, um gole de água, suas mãos são lavadas e
enxugadas, levantam-se, dão voltas na mesa, ao som do alujá de xangô, enquanto é
recolhido o que sobrou na "mesa" para ser colocado no peji. Os orixás são
"despachados" e ficam em axerô (erê), brincam com as crianças, cantam, dançam etc... e
é encerrada esta parte da obrigação. O pessoal descansa um pouco, pois logo em seguida
começará o batuque de encerramento das obrigações.
È uma cerimônia semelhante a primeira festa realizada no sábado anterior. Porém, desta
vez não teremos a obrigação da "balança". A obrigação se inicia pela "chamada" dos
Orixás à porta do "quarto de santo". Depois começam as "rezas" (cantos) para Bará,
Ogum, Iansã, Xangô, Odé, Otim, Obá, Ossãe, Xapanã, guando termina o axé de Xapanã
despacha-se o "ecó" (conforme descrito antes) e da Oxum, Iemanja e Oxalá. Os Ibêjes,
já foram homenageados anteriormente na "mesa de Ibêjes". Se tiver entregas de axés
(axé de facas e axé de búzios), a cerimônia é feita após o axé da Oxum, estes graus de
investidura são entregues somente aos "filhos" que tenham "aprontamento completo" e
que gozem de confiança do "pai ou mãe de santo", e a partir daí estão aptos para se
tornarem, também, babalorixas ou Ialorixas. Num determinado momento do axé do pai
Oxalá, estende-se o Alá, no "salão"; sob este pano branco, as pessoas dão uma volta na
"roda"(de dança) para obter as bênçãos do orixá. Terminado o axé de Oxalá, é feito uma
obrigação, na qual os Orixás Ogum e Iansã, simulam uma bebedeira e o combate de
espada entre si, para lembrar a "passagem" (história oral) em que Iansã, legitima esposa
de Ogum, embebeda o Orixá para fugir com Xangô. Na dramatização do fato incluem-
se a Adaga de Ogum e a Espada de Iansã, para simulação da luta, e garrafas contento
"Atã" (uma bebida ritualisticamente preparada para o Orixá Ogum) , que os dois Orixás
simulam beber , e Ogum acaba ficando "bêbado", dando margem para traição de Iansã.