0% acharam este documento útil (0 voto)
85 visualizações19 páginas

A Gestão de Riscos em Barragens de Rejeitosno Brasil

Fazer download em pdf ou txt
Fazer download em pdf ou txt
Fazer download em pdf ou txt
Você está na página 1/ 19

53

Revista Boletim do Gerenciamento

Site: www.nppg.org.br/revistas/boletimdogerenciamento

A Gestão de riscos em barragens de rejeitos no Brasil


CAMPOS, Nathalia Neves; POZNYAKOV, Karolina.
NPPG, Escola Politécnica, UFRJ, Rio de Janeiro.

Informações do Artigo Resumo:

Histórico:
A gestão de risco consiste em antecipar através de sistemas de controle,
Recebimento: 08 Out 2020
Revisão: 09 Out 2020 eventuais alterações de determinada estrutura, preocupando-se com sua
Aprovação: 13 Out 2020 segurança e funcionamento. Desta forma tal gestão se antecipa aos
riscos, determinando decisões e recomendações, aumentando o controle
e buscando evitar acidentes futuros. O avanço da produção mineral no
Palavras-chave: Brasil bem como as tragédias vivenciadas incentivaram as empresas a
Barragens de rejeitos adotarem regras mais rígidas de monitoramento e controle no que se
Geotecnia refere ao armazenamento dos rejeitos produzidos pela atividade de
Gestão de riscos mineração implementando sistemas de gestão de risco, fins dar maior
clareza e segurança junto aos órgãos fiscalizadores desta atividade
buscando evitar assim rupturas das estruturas, que acarretam danos
materiais, pessoais e ambientais. Este artigo busca apresentar a gestão
de riscos aplicada a barragens de rejeitos e como esta impactará sobre a
mesma bem como a apresentação da metodologia utilizada através de
métodos de análises de riscos e do Plano de Ação de Emergência (PAE),
sendo esses inexistentes em parte do Brasil havendo a necessidade de
serem implementados.

finalidade de obter a elevação do seu nível d’


1. Introdução
água e/ou de criar um reservatório de
O Brasil vem vivenciando nos últimos acumulação de água seja de regulação das
anos uma série de desastres envolvendo vazões do rio, seja de outro fluido.” [1]
barragens de rejeitos que consigo trouxeram a
Ainda de acordo com o Ministério da
mais inimaginável dor, sofrimento e perda
Integração Nacional o termo barragem de
para a população local. A causa para cada um
rejeitos “se refere a barragem construída para
desses acontecimentos vem sido estudada
reter rejeitos ou materiais estéreis de
pelos especialistas mais competentes e um
mineração e de outros processos industriais.”
fator decisivo na prevenção e apuração destes
[1]
acontecimentos é a gestão de riscos.
Na Figura 1 a seguir, pode-se observar
De acordo com o Ministério da
um exemplo genérico de uma das
Integração Nacional, o termo barragem pode
configurações de construção de uma
ser definido como “uma Estrutura construída
barragem de rejeitos:
transversalmente a um rio ou talvegue com a
Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)
54

Figura 1: Exemplo de barragem de contenção de dos órgãos efetivamente fiscalizadores de


rejeito. segurança de barragens tenham
regulamentado todos os artigos da PNSB que
careciam de algum ato infralegal referentes ao
Plano de Segurança da Barragem, às
Inspeções Regular e Especial, à Revisão
Periódica, e ao Plano de Ação de Emergência.
Três fiscalizadores ainda não emitiram
nenhum regulamento. [6]
Ainda segundo o ANA em muitas
comunidades potencialmente afetadas a
jusante as barragens não possuem nenhum
protocolo de atuação no caso de situação de
Fonte: Pereira [2] emergência. Existe uma grande dificuldade
para implementação do Plano de Ação de
Centenas de barragens brasileiras se Emergência (PAE) visto que necessita da
encontram em estado de abandono com a necessária interação com a comunidade
presença de vulnerabilidades ocultas. Devido potencialmente afetada e órgãos de defesa
ao alto nível de problemas relacionados as civil (costumam ser inexistentes ou sem
mesmas foi homologado no dia 20 de capacidade operacional), e integração com os
setembro de 2010, a Lei nº 12.334 que Planos de Contingência municipais, muitas
estabeleceu a Política Nacional de Segurança vezes também inexistentes, ou seja, em
de Barragens – PNSB, e foi criado o Sistema grande parte das barragens submetidas a
Nacional de Informações sobre Segurança de PNSB não há um plano com ações
Barragens – SNISB. [3;4] coordenadas dos órgãos municipais de Defesa
Segundo dados do governo obtidos no Civil para resposta em caso de acidente com
Boletim semanal de barragens de mineração barragem.[6]
até o dia 10/08/2020 havia 841 barragens de As barragens são estruturas normalmente
mineração cadastradas no SIGBM, das quais de grande proporção que afetam todo o
441 enquadradas na Política Nacional de ecossistema por ela englobado, além de
Segurança de Barragens - PNSB. [5] influenciar suas adjacências urbanas e rurais
É visto através do relatório mais atual da devido a sua função de conter ou acumular
Agência Nacional de Águas e Saneamento substâncias líquidas ou misturas de líquidos e
Básico (ANA) , publicado em 2020 referente sólidos. Elas constituem um marco de
ao ano de 2019 diz que o número de desenvolvimento tecnológico,
barragens ativas funcionando em estado socioeconômico e territorial, sendo
crítico no Brasil subiu em 129%, sendo essas imensamente importante para as nações. São
156 barragens em 22 estados, dentre elas 24 diversos os benefícios que as barragens
barragens já haviam sido identificadas como proporcionam: Desde a produção de energia
em estado crítico em 2018 e permaneceram elétrica, abastecimento de água para uso
na lista pois não tomaram as devidas ações. cotidiano doméstico e/ou industrial, irrigação,
De 2018 para 2019 44 barragens foram navegação, lazer e turismo, dentre outros.
retiradas da lista de estado crítico pois seus Mas também proporciona grande
empreendedores realizaram ações de vulnerabilidade as comunidades afetadas. [7]
recuperação e adequação de suas barragens, Sendo assim o monitoramento e
diminuindo assim sua criticidade, portanto manutenção regular é de fundamental
sendo acrescidas 132 novas barragens. [6] importância visto que as barragens
Segundo o ANA, em 2019 foram enfraquecem com o tempo. A gestão de riscos
emitidos 7 regulamentos pelos órgãos é a ferramenta ideal para auxiliar nesse
fiscalizadores, isso fez com que mais de 80% processo e evitar os danos recorrentes do

Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)


55

rompimento das mesmas como perdas de acontecimento de acidentes ou incidentes. [9]


vidas, danos socioambientais e econômicos. Na condição de manter a integridade
A gestão de riscos atuará através da estrutural e operacional da barragem, o risco é
segurança, utilizando métodos de análise de considerado operacional, sendo fruto da
riscos que indicará os modos de falha e ocorrência de uma situação adversa. Portanto,
portanto, ajudará no monitoramento e o risco operacional refere-se ao risco de
manutenção da estrutura além de atuar através falhas provocadas por funcionários, ou
da gestão de emergência na qual instituirá o eventos externos que afetem as atividades, o
Plano de Ação de Emergência (PAE). controle operacional e a gestão de segurança
Este artigo tem a finalidade de salientar a da empresa.
importância da aplicação de metodologias de
De acordo com Resolução CNRH nº
gestão de riscos em barragens, explicando de 144/2012 define-se acidente e incidente como
forma sistêmica técnicas e descrito no texto abaixo: [10]
abordagens utilizadas para a implementação
do programa de gestão de riscos em barragens Art. 2º. Para efeito desta Resolução
de rejeitos onde determinam ações eficazes considera-se:
para redução dos riscos contribuindo assim I - acidente – comprometimento da
para a identificação de perigos integridade estrutural com liberação
potencialmente nocivos relacionados as incontrolável do conteúdo de um
barragens e ação de resposta. reservatório ocasionado pelo colapso
parcial ou total da barragem ou
estrutura anexa;
2. Revisão Bibliográfica
II - incidente – qualquer ocorrência
2.1 Definição risco, risco operacional, que afete o comportamento da barragem
incidentes e acidentes ou estrutura anexa que, se não for
Segundo a CNPGB, risco “é a medida da controlada, pode causar um acidente.
probabilidade e da severidade de um efeito [10]
adverso relativamente à vida, saúde, bens e 2.2 Gestão de Risco Aplicada a
ambiente.” [8] Barragens
O risco representa os possíveis problemas Entende-se por gerenciamento de risco, o
e distúrbios que podem acontecer durante a processo de identificação, avaliação,
realização de uma tarefa ou meta em um
abordagem e monitoramento dos riscos
projeto. Visto que o risco é intrínseco a todas existentes, se inicia ao detectar anomalias em
as atividades de um projeto e nunca pode ser estruturas no que se refere a segurança e
totalmente eliminado, é possível minimizar funcionalidade. A gestão de riscos não
seus impactos e obter êxito nas metas do elimina os riscos, mas vem a minimizar as
projeto. Por fim, “o risco deve ser perdas sobre o projeto, através de uma
reconhecido como onipresente e considerado implementação de uma metodologia de
um parâmetro do cotidiano em qualquer procedimentos e medidas administrativas.
atividade humana”. [4] Tem o objetivo de gerenciar e controlar a
De acordo com o Regulamento de corporação através do planejamento e uso
Segurança de Barragens (RSB), presente no mais eficiente dos recursos humanos e
decreto de lei nº 344/2007 entende-se que o materiais e sua aplicação resulta num
termo "danos potenciais" é definido como os aprimoramento contínuo das tomadas de
efeitos resultantes de um acidente decisão. A gestão de riscos é o processo
escalonados conforme bens, ambiente e vidas sistemático completo compostos pelas
afetadas. Ainda de acordo com o RSB o risco seguintes etapas:
é definido como o resultante dos danos • Avaliação de risco;
potenciais de acordo com a probabilidade do

Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)


56

• Análises de risco; podem provocar. É baseada no uso da


informação disponível para estimar o risco
• Apreciação de risco;
relativo a indivíduos ou populações, a
• Controle de risco. propriedades ou ambientes, decorrentes de
As três primeiras etapas, na maioria das condições de perigo.
vezes, são tratadas de forma simultânea, Pode-se estimar os riscos em
enquanto o controle de risco corresponde a consequência à existência de incertezas,
execução das tomadas de decisão, onde são utilizando um grupo de dados disponíveis
aplicadas as medidas admissíveis de controle. para estimar os riscos apontados. As
2.3 Avaliação do Risco incertezas decorrentes das limitações dos
modelos e do entendimento das barragens,
A avaliação dos riscos envolve a análise tornam a ciência da construção de barragens
dos mesmos, e possibilita a tomada de bem complexa.
decisão no decorrer do tempo de um processo
de gestão. Também permite que sejam A análise de riscos viabiliza o
reconhecidos todos os riscos envolvidos no entendimento e reconhecimento dos riscos
processo, obrigando a todos responsáveis pelo aos proprietários e responsáveis pela obra
projeto e obra a lidar de forma efetiva contra obrigando-os a avaliar a maneira mais efetiva
os riscos existentes. Tem como propósito para lidar com as consequências dos riscos
fundamentar a gerência do risco, buscando a melhor relação custo-eficiência na
incorporando alternativas de controle. De tomada de decisões onde é definido se o risco
acordo com Leite, dentre os principais deverá ou não ser tratado mas também o
benefícios da avaliação de riscos, pode-se processo utilizado para o tratamento do
destacar: [4] mesmo.

• Elevação do conhecimento das barragens, 2.4.1 Classificação da análise de risco


componentes, subsistemas, riscos associados, De acordo com Colle a análise de risco é
modo de falha e consequências; classificada em três níveis, sendo estes: [11]
• Resposta se é seguro operar a barragem, e • Avaliação subjetiva de risco: É feita uma
sob quais condições; análise subjetiva pelo responsável da
• Identificação de alternativas para barragem, onde só é levado em consideração
administrar um risco; os itens de mais importância. Esta avaliação
pode ser suficiente e resultar em uma boa
• Comparação relativa à segurança de decisão, mas dificilmente procederá em uma
barragens através de métodos consistentes e solução otimizada;
informações objetivas;
• Avaliação de risco baseada em índices:
Como limitações, destaca-se: Conjectura sistemática dos fatores que afetam
• Falta de uma metodologia reconhecida e a segurança, resultando em uma ordenação de
aceita para determinar a tolerância do risco; um conjunto de barragens. Não considera
certas condições específicas de campo, e
• Dificuldades associadas à estimativa das probabilidades não podem ser comparadas;
consequências, envolvendo danos materiais,
perdas de vidas, financeiras e ambientais. • Análise formal do risco: São computadas
as frequências da ocorrência dos eventos
2.4 Análise do risco opostos, as probabilidades dos níveis de
Uma análise de riscos consiste em resposta aos eventos opostos e das
verificar o jeito como todos os diferentes consequências dos mesmos.
elementos de um sistema interagem entre si,
imaginando os possíveis cenários que podem
resultar nessas interações. além de estipular
possíveis danos e prejuízos que tais cenários

Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)


57

2.4.2 Métodos de análise de riscos Falha, dos seus Efeitos e da sua Severidade):
aplicados à barragens Constitui uma extensão ou generalização da
FMEA, permitindo ordenar vários modos de
Atualmente as empresas de mineração
ruptura de acordo com o mais crítico.
utilizam-se de uma diversidade de métodos de
Aplicando escalas de probabilidade de
análise de risco. Segundo Eckhoff [12]
ocorrência de falhas e da gravidade dos seus
existem 37 métodos de análise de risco. Já
efeitos é possível ordenar as diferentes
segundo a CNPBG [7], são seis os métodos
maneiras que um processo pode falhar, e ser
de análise de risco em destaque. Abaixo
elaboradas instruções para se tomar as
seguem os principais métodos: [2]
devidas providências de defesa. Registram-se
• HAZOP – Hazard and Operability os resultados do método de forma a incluir as
Analysis (Análise dos Perigos e da recomendações de correções.
Operacionalidade): O método classifica
O método do tipo FMECA é
através de palavras-chaves, os desvios das
semiquantitativo, onde a probabilidade de
grandezas que repercutem no desempenho do
ocorrência dos eventos bem como a
sistema. Seu principal objetivo é investigar
severidade das consequências é ordenada,
através de uma metodologia precisa, cada
respectivamente em classes de probabilidade
segmento de um projeto, objetivando a
e classe de consequências.
exposição de todos os distanciamentos
possíveis das condições normais de operação, Conhecida as consequências de cada
fornecendo sua determinada justificativa. Do modo de falha, sua criticidade fica definida
HAZOP, resulta um documento estimativo, com a avaliação da probabilidade de
relacionado às possíveis distorções de ocorrência. Essa avaliação é baseada em taxas
operação, com metodologia e orientações de de falha (failure rate) de cada componente,
seguranças a serem seguidos. [2;11] que são fornecidas pelos fabricantes com
condições de utilização definidas
• FMEA – Failure Mode and Effect
(temperatura, umidade, tempo de utilização,
Analysis (Análise dos Modos de Falha e dos
etc.).
seus Efeitos): Método de análise que se inicia
a partir da identificação e compreensão dos • ETA – Event Tree Analysis (Análise por
possíveis modos de falha de um sistema, Árvore de Eventos): É um método de análise
avaliando suas causas, sequelas, meios de quantitativo de riscos, que a partir de um
determinação, prevenção e atenuação dos seus ponto inicial, identifica as complicações que
efeitos. Assim, identificando previamente podem ocorrer, bem como a probabilidade de
todos os modos de ruptura críticos do sistema, ocorrência das mesmas. A partir da
poderá ser antecipada uma correção para identificação de um evento de origem, traça-
prover a atenuação ou extinguir os riscos. O se dois ramos representando o sucesso ou
FMEA pode ser aplicado em momentos fracasso do mesmo, e a partir de então
distintos do projeto e com diferentes constrói-se a árvore sempre derivando dois
objetivos, como: [2;11] ramos de cada ramo. Calcula-se a
probabilidade de ocorrência do evento inicial,
o Controlar a execução da cobra;
e de todos os demais eventos derivados,
o Instrumento de segurança para a fase de podendo ser aplicado em qualquer etapa do
serviço; projeto, ou da construção da barragem.
o Instrumento de decisão relacionado ao A elaboração de uma ETA acompanha o
abandono de uma obra; desenvolvimento do projeto e pode ser
o Auxílio na tomada de decisões no início alterada ou atualizada assim que novos dados
do projeto, detectando possíveis falhas e sejam disponibilizados ou que tenham sido
melhorando a confiabilidade da obra. assumidas diretrizes diferentes de projeto,
construção ou operação.
• FMECA – Failure Mode, Effect and
Criticality Analysis (Análise dos Modos de
Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)
58

• FTA – Fault Tree Analysis (Análise por ruptura parcial ou total da barragem (1
Árvore de Falhas): Método gráfico que para baixo e 5 para elevado);
utiliza símbolos definidos em norma, para o Verossimilhança (Veros.): É a
indicar a relação de eventos, partindo de uma probabilidade de falha do objeto (1 para
falha e identificando combinações de eventos baixo e 5 para elevado);
até a descoberta da ocorrência da falha. É
aplicado aos sistemas complexos. o Grau de Confiança (Conf.): Relacionado
às incertezas do método. Mostra a
No começo, utiliza-se outro método para confiança do das estimativas do efeito e
identificar os defeitos. Eles são chamados de da probabilidade. (1 para elevado e 5 para
eventos de topo, como por exemplo a ruptura baixo ou duvidoso).
de barragem por galgamento. A partir daí, é
feito uma investigação, identificando todos os De forma geral, pode-se afirmar que o
acontecimentos que possam provocar a método LCI é considerado uma versão
situação de falha no evento do topo, traçando simplificada dos métodos FMEA/FMECA,
assim, os ramos da árvore. De acordo com sendo aplicado com o objetivo de criar uma
Pereira o processo é finalizado quando todos hierarquia num conjunto de sistemas ou dos
os ramos forem interpretados e os fatores na modos de ruptura de um único sistema. [14]
parte inferior da árvore sejam do tipo simples, • Análise de riscos por índices: Abrange a
ou seja, de modo que as frequências de determinação de um índice global de risco,
ocorrência ou probabilidades de ocorrência conseguinte de uma classificação atribuída a
possam ser estimadas. [2] fatores selecionados. A implementação deste
Vide Figura 2 em anexo. [8] método acarreta na divisão dos fatores de
risco em tipos e na concessão de pesos para
• Noeud Papillon (Nó Borboleta): Trata-se cada uma delas. Assim, o método é indicado
da junção de dois métodos anteriores através para casos nos quais seja necessária apenas a
de um ponto central. O método une o método disposição correspondente dos riscos.
da Árvore de Falhas na parte esquerda, e o
método da Árvore de Eventos na parte direita, • Análise Preliminar de risco (APR):
como mostra a Figura 3 em anexo. [8] Indicada para fase de desenvolvimento do
projeto, da obra ou de início de operação em
• Análise por diagramas do tipo LCI campo, e é utilizada quando existe pouca
(Localização, Causa e Indicadores de Falhas): informação, falta de referência e
Método indutivo, semiquantitativo, detalhamento em relação a um determinado
implementado em duas etapas: Primeiro a processo ou sistema. [14]
identificação e avaliação das potenciais
consequências e segundo: após os resultados Cada risco deve ser identificado, com
da primeira etapa, realiza-se a identificação e suas respectivas possíveis causas descritas,
avaliação dos modos de ruptura. assim como suas consequências. Deve-se
detalhar tipos de equipamentos, instrumentos
Para realização da análise, elabora-se um ou objetos utilizados em determinada
diagrama de localização, causa e indicadores atividade, e recomendar os equipamentos de
dos modos de ruptura, como mostra a Figura segurança necessários para tal.
4 em anexo. [13]
Este documento é altamente utilizado na
A aplicação dos diagramas LCI valoriza Engenharia de Segurança do Trabalho, como
muito a detecção visual de indícios de
ferramenta auxiliar na execução de tarefas de
comportamentos que podem acarretar ruptura. alto risco, onde nem todos são conhecidos.
De acordo com Pereira as causas e os Ou seja, é uma análise preliminar, através de
indicadores das falhas são classificados de 1 a um método indutivo e qualitativo, onde é
5 através de três atributos: [8;14] feito um estudo simples e global com o
o Efeito (Ef.): Relaciona a falha do objeto, objetivo de encontrar riscos e perigos em
definindo se a mesma ocorreu com determinada atividade, estimando

Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)


59

consequências e descobrindo medidas de de tentar reduzi-lo dentro da medida do


proteção e controle em relação às mesmas. possível.
• Análises de risco por lista de verificação: É necessário conhecer os riscos
É o método mais simples, sendo utilizado de individual e social para se ter certeza se as
forma bem prática, quando não cabe a condições de funcionamento da barragem ou
utilização de outro método. Pode ser utilizado de um empreendimento qualquer, são seguros
em todo tipo de processo ou atividade, onde para os funcionários e para a comunidade ao
os riscos já estejam definidos e listados, redor. O risco individual é associado a
simplificando suas análises. O “Checklist” é probabilidade de perda de vida humana nas
bem simples, porém é uma ferramenta de proximidades do empreendimento, no
grande utilização durante as inspeções de decorrer de um acidente, ou seja, no caso de
campo. barragens, é o aumento do risco de morte,
para o indivíduo afetado pelas consequências
O documento deve conter uma lista de
de uma possível ruptura da barragem. A
todos os objetos sujeitos a inspeção, a
Figura 5 abaixo demonstra os princípios de
continuação da análise e as possíveis
aceitabilidade e tolerabilidade.
ocorrências, deixando um espaço adicional
para comentários diversos que surgirem na Figura 5: Critérios de aceitabilidade e
inspeção. [14] tolerabilidade do risco individual segundo o HSE
2.5 Apreciação de riscos
Fase na qual é feito o julgamento sobre a
tolerabilidade e aceitabilidade do risco, essa
fase concilia os interesses econômicos,
políticos, e sociais, combinando-os com
normas, aspectos legislativos e
regulamentares, ou seja, entende-se que não
possui caráter técnico pois são julgamentos de
valor, os stakeholders (partes interessadas)
avaliam o risco conforme a própria
percepção.
É importante definir os conceitos de risco
aceitável e tolerável: No risco aceitável, todos Fonte: Silva [15]
os indivíduos que podem ser afetados, estão O risco social é aquele que assume
cientes e preparados para assumir o risco, consequências de grande escala e necessita de
desde que não haja alterações nos uma resposta pública no meio político e social
procedimentos de controle de risco. Tal risco através de mecanismos regulatórios, sendo,
é controlado e considerado muitas vezes portanto, mais importante que o risco
insignificante, mas não pode-se afirmar que individual. É necessário, também, estabelecer
isso é uma regra pois a aceitabilidade não é limites de aceitabilidade e tolerabilidade para
dada através de estudos técnicos e critérios esse risco. Assim, diversos países e órgãos
mas sim de acordo com a percepção da desenvolveram gráficos e diagramas que
sociedade que é influenciada pela vivência ajudam na tomada de decisão. Pode-se
pessoal na qual é variável com o tempo. destacar o Australian National Committee On
Os riscos toleráveis são tais que, dentro Large Dams (ANCOLD), o US Bureau of
de um limite, a sociedade aceite viver, há o Reclamation (USBR), e a U.S Army Corps of
aceite dos danos em pró da usufruição de Engineers (USACE) como mostram em anexo
benefícios. Em comunidades de risco a as Figuras 6,7 e 8. [16;17;18]
população está sujeita a tolerar um risco
maior. Este risco não é insignificante e não
deve ser ignorado, mas sim controlado, além
Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)
60

2.6 Controle de Riscos incidentes e acidentes. Comportamentos


anormais ou inesperados de natureza
No controle de riscos são tomadas
hidrológica (galgamento), estruturais
decisões quanto à prevenção, detecção e
(instabilidade, piping) ou pela simples perda
atenuação de riscos em acontecimentos que
de capacidade do reservatório podem ser
possam provocar consequências indesejáveis.
responsáveis por desastres gravíssimos.
Esta etapa implementa os planos de respostas
aos riscos, bem como a comunicação A palavra acidente representa um evento
necessária e é a última a ser colocada em infeliz, agregado de uma consequência grave,
prática na gestão de riscos. incluindo danos materiais e na vida. Já
incidentes, representam um acontecimento
A ICOLD propõe o agrupamento das
imprevisto, porém de pouca importância, sem
opções de controle de risco com base nas
dano físico ou material. Ambos, no entanto,
seguintes categorias: [15;19]
são o resultado de processos defeituosos
• Aceitar o risco: Requer que o risco tenha resultantes da interação entre pessoas,
sido considerado aceitável ou tolerável; estrutura organizacional, componentes físicos,
• Evitar o risco: Exige uma decisão antes dentre outros. Ou seja: os envolvidos no
do início da construção da barragem de forma acidente/incidente.
a eliminar o risco, ou o abandono do projeto Anomalias são eventos fora do comum,
ou, em casos extremos de barragens que raramente possuem uma única causa, mas
existentes, o desmantelamento; sim várias que ocorrem simultaneamente ou
• Reduzir probabilidades: Requer aplicação que se acumulam com o passar do tempo.
de medidas estruturais como instalação de Essas anomalias são identificadas como
drenos, de aplicação de um plano de fatores de risco e são sistematizadas em
monitoramento e inspeção de forma a tornar o aspectos relativos ao homem, ambiente e à
risco aceitável ou tolerável; máquina, como mostra a Figura 9 abaixo:

• Reduzir consequências: Requer plano de


emergência eficiente, de forma a tornar o Figura 9: Relação entre os envolvidos no sistema
da teoria multicausal da ocorrência de incidentes.
risco aceitável ou tolerável;
• Transferir o risco: Requer a aceitação do
risco por outra autoridade, ou a compensação
do risco através de um seguro;
• Aceitação: Os riscos são aceitos quando a
análise custo/benefício é positiva e estes são
considerados aceitáveis ou toleráveis,
dependendo das circunstâncias.
Conforme o exposto acima, o processo de
gestão de riscos se inicia com a percepção e
detecção de eventuais anomalias relacionadas
à segurança ou ao funcionamento de uma
barragem/estrutura. Posteriormente, realiza-se Fonte: Leite [4]
uma análise de riscos para se determinar quais Segundo Leite as principais causas de
são as decisões ou procedimentos a serem acidentes e rupturas verificadas nos principais
adotados, para enfim, implementar uma tipos de barragens de concreto são [4]:
gestão de riscos.
• Fatores Naturais ou Ambientais:
2.7 Riscos Associados a barragens
• Risco Hidrológico: Chance de defeito de
Como quaisquer outras estruturas e uma barragem diante da ocorrência de vazão
construções, as barragens estão sujeitas a superior àquela dimensionada.

Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)


61

• Sismicidade: A ocorrência de sismos 3. Planos de Ações Emergenciais


pode ser induzida pelo enchimento de Aplicados à Barragens de Rejeitos
reservatórios resultantes da construção de 3.1 Considerações Gerais:
uma barragem. Os sismos podem causar
danos severos às estruturas e a comunidade à As barragens são estruturas que induzem
jusante. vários riscos, havendo a possibilidade de
ocorrência de fatalidades, caso venha a
• Escorregamento: Escorregamento de ocorrer uma ruptura na estrutura da barragem.
ribanceiras nas margens dos reservatórios, Esse tipo de desastre irá se alastrar por uma
causando ondas consideráveis no reservatório grande extensão de terra, onde um grande
e o galgamento da barragem. volume de água percorrerá um caminho,
• Ações agressivas: Intemperismo sobre a habitável ou não como campos, pastos,
barragem, causando decomposição ao longo bairros ou até mesmo cidades inteiras. Assim,
do tempo, erosão, corrosão, dentre outros. quanto mais rápido for possível se antecipar
com ações de socorro, com a transmissão de
• Fatores Internos (dependentes da
informação para a sociedade, quando algo
barragem):
acabar de acontecer, ou quando poderá
• Riscos na Operação do reservatório: acontecer em breve, melhor e mais eficazes
Dificuldade de determinar a capacidade de elas serão.
descarga dos vertedouros e/ou quando eles
Considerando esse contexto, o
são subdimensionados.
documento necessário no desenvolvimento e
• Riscos Geológicos: Probabilidade de alternativas para se reduzir o risco é chamado
ocorrência de condições geológicas diferentes de Plano de Ação Emergencial (PAE). O
das previstas no projeto. plano visa preparar os empreendedores,
• Riscos Estruturais: Falha no órgãos fiscalizadores, organismos de defesa
dimensionamento estrutural. civil e a população próxima a área para o
confronto de situações críticas.
• Riscos de monitoramento: Relacionados
com o controle do comportamento das O aumento do número de ruptura de
estruturas através de manutenção preditiva. barragens no Brasil desperta do governo,
exigindo o estabelecimento de padrões de
• Riscos Técnicos Organizacionais: Causas segurança. O PAE acima de tudo, é uma
relacionadas ao gerenciamento de riscos pelos ferramenta que ajudará a reduzir o número de
responsáveis pelo projeto, obra e operação da fatalidades, em caso de um desastre. Sua
barragem. ausência no planejamento de uma obra é uma
• Riscos Associados à gestão de séria deficiência.
emergências: Ação de resposta contra O PAE é um documento de identificação
emergências, para se evitar uma ruptura. Caso de potenciais riscos associados a uma
a mesma seja inevitável, reduzir suas barragem, definindo responsabilidades e
consequências. propondo uma constância de ações
• Riscos de Ruptura de Barragens em previamente planejadas que devem ser
Cascata: Probabilidade de ruptura de uma colocadas em prática sistematicamente. Nele,
barragem. são especificados informações e
procedimentos de forma a auxiliar o
• Fatores Externos: proprietário do empreendimento e os órgãos
• Socioeconômicos: Riscos associados às locais envolvidos na segurança de todos na
perdas humanas e econômicas diante da região à jusante da represa, estabelece sinais
ruptura de barragem. de alerta para reduzir o efeito surpresa e,
padroniza a forma oficial de notificação sobre
o ocorrido. [20]
O fator tempo é considerado o grande
Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)
62

obstáculo do PAE, pois uma resposta rápida, obra.


organizada e eficiente é fundamental para 3.2 Requisitos para o Plano
alcançar os objetivos propostos e Emergencial
principalmente, reduzir as perdas de vidas
humanas. Pode-se aumentar a eficácia do PAE,
através de um padrão que assegura que todos
O PAE está presente na Lei 12.334/2010, os pontos de emergência e planejamento
que apresenta o seguinte texto: [3] estejam cobertos. Através de uma
Art 12. O PAE estabelecerá as ações padronização do documento, é facilitado a
a serem executadas pelo empreendedor coordenação operacional diante dos
da barragem em caso de situação de desastres.
emergência, bem como identificará os Apesar o proprietário da represa ser o
agentes a serem notificados dessa responsável pela elaboração do PAE, este
ocorrência, devendo contemplar, pelo deve ser feito de forma coordenada com os
menos: órgãos municipais e estaduais de defesa civil.
I - identificação e análise das Segue abaixo um resumo sugestivo dos
possíveis situações de emergência; requisitos básicos para o Plano de Ação
Emergencial de acordo com Franco: [20]
II - procedimentos para identificação
e notificação de mau funcionamento ou • Fluxograma para notificação: Sequências
de condições potenciais de ruptura da a serem seguidas, em ordem de prioridade no
barragem; caso de uma emergência, e todos que devem
ser acionados conforme necessidade;
III - procedimentos preventivos e
corretivos a serem adotados em situações • Alerta, Avaliação e Classificação das
de emergência, com indicação do emergências: Tempo é um fator crucial na
responsável pela ação; atuação, portanto é melhor ativar o PAE
enquanto ainda se esteja confirmando o nível
IV - estratégia e meio de divulgação
da emergência.
e alerta para as comunidades
potencialmente afetadas em situação de • Responsabilidades: Os proprietários das
emergência. barragens devem assumir a responsabilidade
pela criação, desenvolvimento e manutenção
Parágrafo único. O PAE deve estar
do PAE Interno. Já o Estado e a defesa civil
disponível no empreendimento e nas
são responsáveis pela fiscalização do
prefeituras envolvidas, bem como ser
cumprimento do Plano, além de serem
encaminhado às autoridades competentes
responsáveis pelo Plano Emergencial
e aos organismos de defesa civil. [3]
Externo.
O Plano de Emergência é constituído por
• Preparação: Detalhar as ações antes de
dois planos específicos:
devida emergência, definindo todo o
• Plano de Emergência Interno: A zona de planejamento operacional, considerando a
auto salvamento (ZAS) refere-se a barragem, possibilidade de acidente ou incidente.
e zona à jusante próxima da Barragem.
• Mapas de Inundação: Maquinar as áreas
Caberá ao responsável pela obra, a elaboração
que podem ser inundadas em caso de ruptura
de tal plano, levando em consideração as
da barragem. Esses mapas podem ser muito
normas e legislação.
importantes para os envolvidos nas ações
• Plano de Emergência Externo: O ZAS emergenciais, com o conhecimento dos
refere-se a proteção do vale a jusante, distante pontos críticos e o esboço do trajeto das
da Barragem. Caberá às autoridades políticas ondas de cheia.
de proteção civil a elaboração de tal plano,
• Apêndices: Informações complementares
levando em conta os riscos de rompimento da
como fotos, tipo de material utilizado na
barragem, definidos pelos responsáveis pela

Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)


63

construção, terreno, espaço a jusante, etc. responsável pela obra, bem como do
responsável pela segurança da barragem.
3.3 Plano de Emergência Interno -
Metodologia • Comunicação: Desenvolvimento de um
sistema de comunicações, tanto internas
Tem como objetivo a estruturação e ajuda
quanto externas, sendo confiável e
às operações de controle de segurança da
operacional.
barragem em situações de emergência ou
críticas. O documento deve conter • Organização interna: Apresentação sobre
informações sobre o dono da obra e o o centro de controle, com sistema de
responsável pela elaboração do PEI; dados transmissão de dados. Deve-se prever no PAE
sobre a barragem como localização, data da Interno o isolamento da área da barragem,
construção, capacidade; Informações sobre o bem como a segurança interna.
sistema de controle da barragem; • Ações de segurança: Em consoante com a
Identificação da população à jusante da situação encontrada, e o nível da emergência
barragem; cenários de acidentes; escala de fixado, deve-se listar as ações a serem
emergência para classificação dos acidentes. tomadas, prioridades, manobras a serem
Na elaboração da escala de nível de realizadas.
emergência, recomenda-se uma escala de 0 a • Transmissão da informação à
3 ou 4, onde cada risco considerado pode ser comunidade: Listagem dos canais de
descrito como: comunicação para divulgação da emergência
• Nível zero: Condição normal de para o público civil, com informações e
operação. Não representa nenhum sinal de orientações de segurança vindo diretas do
alerta. centro de controle, e coordenadas também
com o órgão de proteção civil.
• Nível 1: Atenção, relacionado a detecção
de problemas operacionais ou estruturais. • Relatórios de Acidentes e Incidentes:
Deve-se preparar uma mobilização caso a Revisão exemplificada de eventos passados,
situação venha a piorar. Neste primeiro nível, incluindo causas, consequências, medidas de
a cadeia de mobilização caberá apenas a segurança tomadas e recomendações de ações
equipe interna da Barragem. em caso de nova emergência.
• Nível 2: Alerta geral, representando um • Treinamento e formação: Procedimentos
agravamento da situação do Nível 1, ou a para treino operacional para funcionários da
ocorrência de um evento completamente barragem, em combinação com a autoridade.
adverso e inesperado, onde a ruptura da Cursos de atualização e revisão de medidas a
barragem seja uma possibilidade. serem tomadas, de forma a incrementar a
competência dos mesmos, e a segurança geral
• Nível 3: Alerta de Catástrofe.
da barragem.
Constatação que a situação deixou de ser
controlável e um acidente é inevitável. Neste • Conjuntura dos riscos potenciais da
nível as ações do plano de evacuação devem Barragem: Documento que visa apresentar os
ser imediatamente adotadas, de forma a riscos existentes na barragem, de forma a
minimizar as perdas de vidas na comunidade fornecer um entendimento adequado dos
jusante a barragem. mesmos, para que a preparação adequada seja
feita.
Segundo Almeida, o documento pode ser
estruturado da seguinte forma: [21] 3.4 Plano de Emergência Externo -
Metodologia
• Introdução: Contendo aspectos gerais,
informações sobre a barragem, localização. Tem como objetivo a diminuição da
quantidade de vítimas caso ocorra um
• Responsável e Autoridades: Principais
acidente na Barragem a montante. O PAE
autoridades relacionadas à construção de
Externo objetiva, principalmente, a proteção
barragens, identificação do dono e

Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)


64

das vidas humanas. O Regulamento de ação, com vários tipos de informações que
Segurança de Barragens (RSB) define o PEE podem ser essenciais durante uma
como um documento formal e vinculativo que emergência. Essa parte pode ser dividida em
determina as orientações de atuação dos três seções: A primeira visa identificar os
diversos agentes de proteção civil, atribuindo- membros da Comissão Municipal de Proteção
lhes missões, de forma a garantir o empenho e Civil e a declaração do estado de alerta.
coordenação de todos, defronte de uma Na segunda seção são feitas
catástrofe ou acidente, evitando caracterizações gerais sobre a barragem, da
consequências inaceitáveis. [9] estrutura, espaço, socioeconômica, além da
De acordo com a APSEI, o Plano de explicitação do risco, onde é feita a análise de
Emergência Externo deverá ser organizado risco e vulnerabilidade, com medidas
com as seguintes partes: [22] propostas para minimizá-las.
• Parte I - Embasamento geral do plano; Na terceira seção são disponibilizadas
informações de acesso rápido que podem
• Parte II - Organização da resposta;
fazer a diferença na atuação frente a uma
• Parte III - Áreas de Intervenção; emergência. São exemplos: inventários de
• Parte IV - Informações Complementares. recursos, modelos de relatórios, comunicados
e requisições, listas de contatos, controle e
3.4.1 Embasamento geral do plano: registros do plano, legislação, dentre outros.
Introdução e apresentação geral do plano O PAE Externo deve ser atualizado
de ação, com seus objetivos explicados e sua periodicamente, de acordo com definição da
existência justificada. Aqui, deve-se expor Comissão Nacional de Proteção Civil ou
como interligar o plano com os outros quando os Serviços de Proteção Civil se
instrumentos de defesa, além de mitigar o mostrarem necessários, ou quando houver a
enquadramento legal e os antecedentes do identificação de novos riscos e
processo, e a realização de uma articulação vulnerabilidades.
com outros sistemas de planeamento.
3.4.2 Organização da resposta:
4. Considerações Finais
Nesta parte constam informações sobre a
execução do plano, tanto na fase de Após as tragédias vivenciadas no Brasil
emergência quanto na fase de reabilitação. houve um avanço na estruturação do
Deve-se expor também, a zona de intervenção fiscalizador mas entende-se que essa
em que é aplicado. Define-se também as estruturação deve melhorar. Além disso pode-
respectivas missões dos agentes de proteção se observar que a cultura impregnada no
civil e dos organismos e entidades de apoio. Brasil é de não se ater aos riscos e não
priorizar o planejamento, gestão e controle de
3.4.3 Áreas de Intervenção: seus projetos levando a uma resposta tardia
São apresentadas as áreas de intervenção em relação aos problemas apresentados pelos
básicas da organização geral das operações. mesmos. A cultura que prioriza apenas prazo
Nesta parte é detalhada a administração dos e custo acaba criando barreiras para a
recursos, bem como a logística de apoio, e a implementação de práticas diferentes
gestão da informação de emergência, com o estagnando a evolução dos processos que
plano de comunicação elaborado. As ações de deveriam ser considerados fundamentais
serviços médicos e transportes das vítimas, tantos por entidades públicas quanto privadas.
salvamento e serviços mortuários também são Visto a tamanha dificuldade atual para
especificados. Por fim, os protocolos para implementação de boas práticas de gestão
manutenção da ordem pública. pode-se concluir também que a situação de
3.4.4 Informações Complementares: muitas comunidades se encontra em risco
elevado e medidas precisam ser tomadas,
Funciona como um anexo ao Plano de
Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)
65

principalmente a elaboração da PAE. Além de-barragens-de-mineracao/report-


disso observa-se a falta de capacitação dos semanal-2020-08-10.pdf>. Acesso em 06
profissionais e empresas, mas também a falta de outubro de 2020.
de capacitadores. [6] ANA. Agência Nacional de Águas e
Por fim, entende-se que a gestão de riscos Saneamento Básico. Relatório de
traz consigo segurança mediante antecipação Segurança em Barragens, 2020.
de problemas e evita perdas mensuráveis e Disponível em:
imensuráveis e deveria ser conhecida, <http://www.snisb.gov.br/portal/snisb/rel
reconhecida e requisito em projetos de atorio-anual-de-seguranca-de-
engenharia. barragem/2019/rsb19-v0.pdf>. Acesso
em 06 de outubro de 2020.
[7] PANIAGO, Luiz. Principais usos das
5. Referências
barragens e suas aplicabilidades. Instituto
[1] MIN. Ministério da Integração Nacional. Minere, 2018. Disponível em:
Manual de Segurança e Inspeção de <https://institutominere.com.br/blog/prin
Barragens, 2002. Disponível em: cipais-usos-das-barragens-e-suas-
<http://arquivos.ana.gov.br/cadastros/barr aplicabilidades>. Acesso em 05 de
agens/inspecao/ManualdeSegurancaeInsp outubro de 2020.
ecaodeBarragens.pdf>. Acesso em 05 de
[8] CNPGB. Grupo de Trabalho de Análise
outubro de 2020.
de Riscos em Barragens: 1º Relatório de
[2] PEREIRA, Oniwendel F. M. Análise da Progresso, Lisboa: Comissão Nacional
classificação de barragens de contenção Portuguesa de Grandes Barragens, 2005.
de rejeitos no Brasil, quanto ao critério de
[9] MOPTC, Ministério das Obras Públicas,
categoria de risco. Instituto Tecnológico
Transportes e Comunicações.
Vale, 2016. Disponível em:
Regulamento e segurança de barragens.
<http://www.itv.org/wp-
Decreto-lei nº344/2007. PORTUGAL.
content/uploads/2018/02/Disserta%C3%
Disponível em:
A7%C3%A3o-Oniwendel-Pereira.pdf>.
<https://dre.pt/application/conteudo/6414
Acesso em 05 de outubro de 2020.
45>. Acesso em 07 de outubro de 2020.
[3] PLANALTO. Lei 12.334/2010.
[10] MMA, Ministério Nacional do Meio
Disponível em:
Ambiente. Recursos Hídricos Resolução
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_a
CNRH nº 144/2012. BRASIL.
to2007-2010/2010/lei/l12334.htm>.
Disponível em:
Acesso em 06 de outubro de 2020.
<https://sistemas.anm.gov.br/publicacao/
[4] LEITE, Sérgio R; Modelo para avaliação mostra_imagem.asp?IDBancoArquivoAr
de riscos em segurança de barragens com quivo=7234>. Acesso em 05 de outubro
associação de métodos de análise de de 2020.
decisão multicritério e conjuntos Fuzzy.
[11] COLLE, Gisele A. metodologia de
Universidade de Brasília, 2019.
análise de risco para classificação de
Disponível em:
barragens segundo a segurança, 2008.
<https://repositorio.unb.br/bitstream/104
Universidade Federal do Paraná.
82/36965/1/2019_S%C3%A9rgioRibeiro
Disponível em:
Leite.pdf>. Acesso em 05 de outubro de
<https://docs.ufpr.br/~bleninger/dissertac
2020.
oes/143-Gisele_de_Andrade_Colle.pdf>.
[5] ANM, Agência Nacional de Mineração. Acesso em 03 de outubro de 2020.
Report semanal de barragens de
[12] ECKHOFF, R. K. Explosion Hazards in
mineração, 2020. Disponível em: <
the Process Industries, 2016. Disponível
https://www.gov.br/anm/pt-
em: <
br/assuntos/barragens/boletim-semanal-
Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)
66

http://www.sciencedirect.com/science/art [20] FRANCO, Sérgio S.P.A. Segurança de


icle/pii/B9780128032732000116>. Barragens. Universidade Federal de
Acesso em: 6 de outubro de 2020. Goiás, 2008. Disnponível em:
<https://repositorio.bc.ufg.br/tede/bitstrea
[13] CNPGB. Grupo de Trabalho de Análise
m/tde/1318/1/Dissertacao%20Carlos%20
de Riscos em Barragens: 2º relatório de
Sergio%20Souza%20P%20de%20A%20
progresso, Lisboa: Comissão Nacional
Franco.pdf>. Acesso em 19 de outubro
Portuguesa de Grandes Barragens, 2006.
de 2019.
[14] PEREIRA, Frank M. S. Gestão de riscos
[21] ALMEIDA, António B. Curso sobre
e plano de ações emergenciais aplicado à
Operação e Segurança de Barragens.
barragem de contenção de rejeitos casa
Instituto da Água de Lisboa, 2006.
de Pedra/CSN. Universidade Federal de
Disnponível em:
Ouro Preto, 2009. Disponível em:
<http://www.civil.ist.utl.pt/~joana/artigos
<http://livros01.livrosgratis.com.br/cp132
%20risco%20ABA/pub-2001/capitulo-7-
138.pdf>. Acesso em: 04 de outubro de
livro-curso%20INAG2001.pdf>. Acesso
2020.
em 19 de outubro de 2019.
[15] SILVA, João P. G. F. A. Gestão de riscos
[22] APSEI. Associação Portuguesa de
aplicada a uma infraestrutura de
armazenamento de resíduos mineiros. Segurança. Plano de Emergência em
Barragens, 2020. Disponível em:
Universidade Nova de Lisboa, 2015.
<https://www.apsei.org.pt/areas-de-
Disponível em:
atuacao/protecao-civil/plano-de-
<https://run.unl.pt/bitstream/10362/1830
emergencia-em-barragens/>. Acesso em
2/1/Silva_2015.pdf>. Acesso em 06 de
19 de outubro de 2020.
outubro de 2020.
[23] PERINI, Daniel Sosti: Estudo dos
[16] ANCOLD, Guidelines on tailings dam
processos envolvidos na análise de riscos
design, construction and operation.
de barragens de terra. 2009. Universidade
Australian National Committee On Large
de Brasília, 2009. Disponível em: <
Dams: October. 2003
https://repositorio.unb.br/handle/10482/4
[17] USBR. Dam safety public protection 363>. Acesso em 06 de outubro de 2020.
guidelines. Denver, Colorado: U.S.
Deptmente of the Interior, 2011. [24] PIMENTA, Lurdes. Abordagens de
riscos em barragens de aterro, 2009.
[18] USACE. Risk Guidelines. Washington: Universidade Técnica de Lisboa.
U.S. Army Corps of Engineers, 2012. Disponível em:
[19] ICOLD, 2005. Risk assessment in dam <http://repositorio.lnec.pt:8080/bitstream
safety management, A reconnaissance of /123456789/17187/1/Tpi59.pdf>. Acesso
benefits, methods and current em 06 de outubro de 2020.
applications. International Commission
On Large Dams: Bulletin 130.

Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)


1

6. Anexos

Figura 2: Símbolos lógicos utilizados na construção de árvores de falhas.

Fonte: CNPGB [8]

Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)


2

Figura 3: Noeud Papillon (Nó Borboleta).

Fonte: CNPGB [8]

Figura 4: Exemplo de diagrama LCI.

Fonte: CNPGB [13]

Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)


3

Figura 6: Critérios de risco da ANCOLD

Fonte: ANCOLD [16]

Figura 7: Critérios de risco societal do USBR

Fonte: USBR [17]

Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)


4

Figura 8: Critérios de risco societal do USACE

Fonte: USACE [18]

Figura 9: Exemplo do método HAZOP

Fonte: CNPGB [8]

Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)


5

Figura 10: Exemplo do método FMEA

Fonte: CNPGB [8]

Figura 11: Exemplo de Árvore de Falhas

Fonte: CNPGB [8]

Figura 12: Exemplo de Árvore de eventos

Fonte: CNPGB [8]

Revista Boletim do Gerenciamento nº 22 (2021)

Você também pode gostar