Do Lado de Ca Do Lado de Lá
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Do Lado de Ca Do Lado de Lá
Bibliografia.
ISBN 978-85-7113-395-2
1. Brasil: Campanhas políticas 2. Antropologia da política
3. Antropologia social 4. Sociologia
I. Título. II. Coleção
Pontes Editores
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2012
Impresso no Brasil
Aos meus pais, Newta e Marcelo que mesmo
do outro lado do país sempre estão presentes em minha vida.
Clódson dos Santos Silva
AGRADECIMENTOS
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Clódson dos Santos Silva
sumário
APRESENTAÇÃO................................................................................................. 11
Geovani Jacó de Freitas
INTRODUÇÃO...................................................................................................... 15
BIBLIOGRAFIA.................................................................................................... 141
apêndice............................................................................................................. 147
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APRESENTAÇÃO
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1. INTRODUÇÃO
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2 Ex-prefeitos de Santana do Acaraú: João Ananias Vasconcelos Neto e José Aldeny Farias.
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3 Nesse estudo Boissevain (1978) descreve uma festa religiosa do final do século XIX em uma vila
de Hal-Farrug. A festa de St. Martin organizada por um pequeno grupo de moradores comemorava
a união do povoado. Mas, em 1878, um pároco recém-chegado passa a disputar a organização do
evento. Além disso, o novo pároco era devoto do St. Joseph e instituiu outra festa para seu santo de
devoção. O dinheiro que antes era arrecadado exclusivamente para a festa de St. Martin passou a ser
disputado também para a festa de St. Joseph. Com a nova festa, sob o comando do pároco, foram
também criados novos cargos que passaram a rivalizar com os organizadores da festa de St. Martin.
O acirramento desses dois grupos forçou o restante dos moradores da vila a escolher um dos lados
em disputa.A festa que antes comemorava a união da vila, com o surgimento das facções, passou a
ser sinônimo de divisão.
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1. Ascensão dos três primos – José Arcanjo Neto, José Ananias Vas-
concelos e Francisco das Chagas de Vasconcelos a partir do final
da década de 1950 na política local até o final de década de 1980,
quando João Ananias Vasconcelos Neto é eleito prefeito pondo fim
à hegemonia de Francisco das Chagas Vasconcelos.
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Para Pais (2007, p.32), “as rotas do quotidiano são caminhos de-
nunciadores dos múltiplos meandros da vida social que escapam aos
itinerários ou caminhos abstratos que algumas teorias sociológicas
projetam sobre o social”. Assim sendo, a proposta deste capítulo é, a
partir de elementos micro e macroestruturais, seguir algumas das rotas
do cotidiano de Santana do Acaraú com o objetivo de explorar detalhes
da vida social local, especificamente o papel dos conflitos e das relações
entre tempo e espaço nas interações sociais1.
Em última instância, sabemos que o cotidiano não é uma parcela
isolável do social, mas podemos tomar, para fins metodológicos, alguns
dos seus aspectos como um contraponto ideal-típico aos eventos espe-
ciais não cotidianos estudados nos capítulos seguintes (WEBER, 2000).
1 Segundo Giddens (2006) os aspectos micro e macroestruturais da vida social estão intimamente
ligados. Se por um lado a análise das interações sociais diretas é essencial para iluminar padrões
institucionais mais abrangentes, por outro, as maneiras que as pessoas vivem seu cotidiano são muito
influenciadas pelos elementos macroestruturais.
2 Refiro-me aqui a peça O Berço do Herói e O Bem Amado. Entretanto, de fato, Santana do Acaraú foi
palco de um filme – A Saga do Guerreiro Alumioso – dirigido por Rosemberg Cariry.
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5 Caso de natureza semelhante foi descrito por Comerford (2003) em sua pesquisa de campo na Zona
da Mata em Minas Gerais.
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8 Em 2004, quando o Produto Interno Bruto (PIB) local era de R$ 43.877,24 milhões, o setor industrial cor-
respondia a 10,91% desse montante, já o setor de serviço correspondia a 58,84% e a agropecuária 30,25%.
9 Fonte: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA (1999).
10 Segundo dados da RAIS (2002)
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11 O BASSA surgiu a partir da experiência do Banco Palmas que existe no Conjunto Palmeiras em
Fortaleza – CE desde 1990.
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13 A respeito das relações entre espaço-tempo ver os trabalhos de Elias (1998) e Carmo (2006).
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14 Os meios de comunicação destacam quase sempre aspectos depreciativos da atuação dos nossos
políticos, especialmente dos congressistas, o que de certa forma reforça ainda mais a imagem da
política como algo externo ao cotidiano de grande parte dos brasileiros. A pesquisa do Ibope Opi-
nião publicada em janeiro de 2007 sobre o que os brasileiros pensam dos congressistas (deputados
federais e senadores) é exemplar nesse sentido. O Ibope apontou que apenas 3% das pessoas ouvidas
acreditavam que os parlamentares representavam e defendiam os interesses da sociedade, 84% dos
entrevistados achavam que esses políticos trabalham pouco e, 52% acreditavam que não passa de
10% o número de bons congressistas. Nossos parlamentares foram qualificados como: desonestos
(55%); insensíveis aos interesses da sociedade (52%); e mentirosos (49%).
15 Goldman (2006) identifica um fenômeno semelhante ao analisar as relações ambíguas de membros
do movimento afro em Ilhéus – BA, em relação à política. Se por um lado tal grupo almejava ser
representado por um dos seus membros na câmara de vereadores, por outro, receavam de que tal
inserção no mundo da política intensificasse as relações assimétricas no interior de grupos e famílias
daquela localidade.
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3. TRIUMVIRATU
POLÍTICA & HISTÓRIA DE FAMÍLIA
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1 José Ferreira Gomes, bisavô dos irmãos Ciro Gomes, Cid Gomes e Ivo Gomes foi o primeiro prefeito
de Sobral após a proclamação da República; o avô, José Euclides Ferreira Gomes foi deputado esta-
dual, o pai, José Euclides Filho, prefeito de Sobral, a primeira esposa de Ciro Gomes foi vereadora,
deputada e senadora. Ciro foi prefeito de Fortaleza, Governador, ministro nos governos de Itamar
Franco e Lula e atualmente é deputado federal. Cid, foi prefeito de Sobral e é o atual governador do
Ceará. Ivo Gomes foi prefeito de Sobral e atualmente é deputado estadual. Seu primo Tim Gomes,
ex-presidente da Câmara Municipal de Fortaleza e atual vice-prefeito da capital cearense.
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3.2 Triumviratu
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2 Apesar da diferença nos sobrenomes, José Arcanjo Neto descende do tronco familiar dos Vascon-
celos. No final do século XIX, membros dessa família começaram a utilizar sobrenomes tais como:
“Arcanjo” “de Maria” em sinal de devoção a Igreja Católica. Entretanto, por conta da reincidência
“Arcanjo” e “de Maria” se transformaram posteriormente em sobrenomes de família.
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3 João Alfredo Araújo (1948–1950), José Osmar Carneiro PDS (1951-1954), Gerardo Araújo UDN
1954-1958).
4 A Defesa, dirigido por José Isaias de Thomas Lourenço, era um periódico tipografado de estilo editorial
semelhante ao jornal A Crítica – de cunho religioso e considerações sobre a política local.
5 Entretanto, o sistema democrático desse ciclo político proibia o voto dos analfabetos e a partir de
1947 decretou a ilegalidade dos comunistas.
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6 Vale destacar que nesse período os grandes jornais que circulavam no Ceará também eram aberta-
mente partidários. O jornal O Povo era porta-voz udenista, enquanto O Nordeste e O Estado eram
partidários do PSD.
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11 Nesse cenário, a facção política contra quem os primos disputaram o executivo local, em 1958, esfacelou-
se, polarizando-se entre a liderança de Francisco das Chagas Vasconcelos e José Arcanjo Neto.
12 Importante chefe político da região norte do Ceará com quem os três primos eram vinculados.
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14 Em 1986, José Arcanjo Neto disputa novamente uma vaga para deputado estadual e mais uma vez não
é eleito. Já Francisco das Chagas Vasconcelos alcança a suplência na Câmara Federal pelo PMDB.
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1 Sobre o cotidiano da atuação dos políticos profissionais ver Heredia (2002), Bezerra (1999) e Kuschnir
(1999) e (2000).
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2 Os dados etnográficos trabalhados por Marcos Otávio Bezerra (1999) sobre o cotidiano da ação
parlamentar no Congresso Nacional reforçam o caráter permanente da política entre os políticos
profissionais. O autor analisa esmiuçadamente as disputas dos parlamentares pela presidência e
relatorias das Comissões com maior peso orçamentário. Segundo ele, a busca por cargos chaves,
por recursos públicos federais para estados e municípios, pela aprovação de emendas individuais e
alocação de recursos nos ministérios fazem parte de uma complexa rede de relações pessoais que
envolvem desde as “bases eleitorais”, sobretudo prefeitos, até parlamentares estaduais, governadores,
ministros e empresários.
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3 Estou me referindo neste caso aos políticos que já exerceram mandatos anteriormente.
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7 José Maria Sabino atua como advogado no Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Em 2004, candidatou-
se à prefeitura pelo Partido dos Trabalhadores. Em 2008, filiou-se ao PMDB.
8 O processo de escolha de José Aldeny Farias como candidato prefeito nas eleições de 2000 pela facção
de João Ananias Vasconcelos Neto é exemplar nesse sentido, assunto tratado no próximo capítulo.
9 São exemplos disso a candidatura de Francisco das Chagas Vasconcelos (1996 e 2000) e de João
Ananias Vasconcelos Neto (1996) ao executivo local.
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11 Vale ressaltar que, no caso da eleição proporcional, a dinâmica é outra. Como nos lembra Heredia
(2006), muitas vezes o maior adversário de um candidato a vereador não é necessariamente o can-
didato da facção rival, mas sim, o candidato da mesma facção que disputa o mesmo perfil de eleitor.
Entretanto, tais rivalidades são constantemente dissimuladas, como por exemplo, num estratagema
de eficácia duvidosa em que os cabos eleitorais de um candidato disseminavam, entre os eleitores
da facção, que um outro candidato a vereador do grupo já teria alcançado votos suficientes para se
eleger. Desta forma, sugeriam que os eleitores não desperdiçassem seus votos.
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12 A música “Do lado de cá” é de autoria de Nilson Freitas. Ela também foi utilizada em vários outros
municípios do interior do Ceará para expressar as divisões e conflitos instauradas pelo aparecimento
das facções durante o período eleitoral.
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termo entre as duas facções. Dessa forma, mesmo não concordando com
os mecanismos sociais que podem ser acionados no “tempo da política”
(conflito, competição, divisão, suspensão dos laços de amizade, paren-
tesco e vizinhança) os santanenses são chamados a se posicionar, caso
contrário, podem ser estigmatizados.
Nesse cenário, o voto, antes de ser um empreendimento estri-
tamente individual e secreto, é um tipo de adesão que envolve e
aciona uma série de mecanismos sociais. Cabe aqui a distinção feita
por Palmeira e Heredia (2006) e Palmeira (1992,p.27; 1996,p.45-
46) entre o voto como “escolha”, teoricamente individual, e o voto
como “adesão”, sujeito a certas “lealdades” adquiridas por meio
de “compromissos”.
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Mas, existem espaços públicos abertos, tais como praças, ruas e ave-
nidas, que se tornam pontos de concentração ocupados pelos partidários
das facções. A figura abaixo mostra os principais pontos de concentração
das facções na campanha eleitoral de 2008.
No finais de tarde, especialmente de terça-feira a domingo, esses
pontos de concentração são tomados por carros, motos, caminhões
paus-de-arara e ônibus abarrotados de pessoas da zona rural. Centenas
de pessoas se apinham para soltar fogos de artíficio, buzinar frenetica-
mente, agitar bandeiras, cantar e dançar ao som das músicas oficiais da
campanha e de paródias.
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Figura 9 - Nos momentos que antecedem os comícios, a sede é tomada por corte-
jos que festejam a política
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Prólogo
Cena I
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E no final de semana seguinte a cena se repete.
5. LIMINARIDADES DA POLÍTICA
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médico José Ari Fonteles, candidato lançado pela facção de João Ananias
Vasconcelos Neto1.
O empresário José Aldeny Farias era um outsider na política local.
Filho de pequenos agricultores mudou-se ainda jovem para Fortaleza
onde, segundo relatos, trabalhou como frentista em um posto de gasolina,
que posteriormente adquiriu. Mudou periodicamente para vários estados
da região Sul e Sudeste, atuando no ramo de fabricação de móveis e
comércio de madeiras. Quando regressou a Santana do Acaraú, no final
dos anos oitenta, almejando prestígio social, inseriu-se no meio político
local apoiando os candidatos indicados por Francisco das Chagas Vascon-
celos. Nos anos seguintes, transferiu seus estabelecimentos comerciais
sediados em outras cidades para Santana do Acaraú, com isso, tornou-se
o maior empregador da iniciativa privada e um dos homens mais ricos
do município2.
Em uma disputa acirrada, o candidato do PSB é eleito prefeito por
uma pequena vantagem de votos. No mesmo pleito, Chagas Vasconcelos
é eleito vereador com a maior votação.
Dois anos depois, já com projeção política regional, João Ananias
Vasconcelos Neto rivalizaria com Francisco das Chagas Vasconcelos,
pleiteando uma vaga na Assembleia Legislativa Estadual. Naquela
ocasião, João Ananias Vasconcelos Neto elegeu-se deputado e Chagas
conseguiu apenas a suplência. Segundo depoimentos de membros da
facção de João Ananias Vasconcelos Neto, com aproximação do fim da
gestão de Ari Fonteles “Construindo o Amanhã” (1993-1996), sua fac-
ção não possuía nenhum candidato “forte” para fazer frente à possível
candidatura de Francisco das Chagas Vasconcelos. Tal fato reverteu-se
em uma ameaça à hegemonia da facção de João Ananias Vasconcelos
Neto, o que fez com que ele deixasse a cadeira na Assembleia Legislativa
Estadual do Ceará para novamente disputar a eleição para prefeito em
Santana do Acaraú em 1996.
Desde que os Arcanjos e Vasconcelos passaram a polarizar as dispu-
tas políticas em Santana do Acaraú, a partir do final da década de 1950,
em nenhuma ocasião houve um embate direto entre os chefes políticos
1 José Ari Fonteles é cunhado de Raimundo Nonato Arcanjo que, por sua vez, é irmão de José Arcanjo
Neto. Ver Mapa 2 – Genealogia das famílias Arcanjo e Vasconcelos.
2 Entre 1989 a 1993 o empresário José Aldeny Farias transferiu várias de suas indústrias e estabele-
cimentos comerciais (Famol - indústria de móveis, J.A Farias - distribuidora de secos e molhados,
Posto Famol - posto de gasolina, Indalfa – indústria de cerâmicas, Famol Club e uma concessionária
de carros usados) para o município, gerando cerca de 250 empregos diretos.
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pelo Executivo local. Nas eleições municipais daquele ano, Francisco das
Chagas Vasconcelos e João Ananias Vasconcelos Neto protagonizariam
a eleição mais disputada e polêmica da história política de Santana do
Acaraú.
A rivalidade nesse pleito acirrou-se quando, no distrito do Sapó,
onde tradicionalmente Francisco das Chagas Vasconcelos obtinha a
maioria dos votos, antes da apuração, na época em cédulas eleitorais,
um dos fiscais rompeu o lacre de uma urna eleitoral, num episódio que
ficou popularmente conhecido como Urna 45 do Sapó.
Atualmente a apuração dos votos em urnas eletrônicas é um pro-
cesso extremamente impessoal que transcorre em menos de uma hora
em Santana do Acaraú. Tal agilidade e impessoalidade no processo de
apuração acabam dando pouca margem para questionamentos por parte
das facções envolvidas no pleito. Contudo, nem sempre foi assim, até as
eleições de 2000 a apuração dos votos em Santana do Acaraú era realizada
através de cédulas eleitorais. Este processo envolvia dezenas de pessoas
entre fiscais, mesários, cabos eleitorais, advogados e curiosos que cerca-
vam o local de apuração. O processo de apuração dos votos era tenso e
conflituoso, demandando dias em um exercício contínuo de contagem e
recontagem manual dos votos até que se chegasse a um resultado oficial.
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3 Cabe lembrar que em outubro de 1998 ocorreram eleições para Presidente, Senador, Deputado
Federal, Deputado Estadual e Governador.
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Vale destacar que, entre 1996 a 1998, a gestão do PSB realizou uma
série de obras públicas para minimizar a influência política que Fran-
cisco das Chagas Vasconcelos exercia no distrito do Sapó. Nas semanas
seguintes à decisão da Justiça Eleitoral, o pequeno distrito de Sapó se
transformou no centro político de Santana do Acaraú. Os candidatos
ficaram alojados na casa de seus partidários naquela localidade e as
atenções dos santanenses que residiam em outras áreas do município
ficaram todas direcionadas para o distrito do Sapó.
No dia da votação, trinta policiais militares foram destacados para
garantir a segurança pública daquele pleito. De manhã, a população do
distrito do Sapó foi atraída por um helicóptero que trouxe as principais
lideranças estaduais do PMDB que vieram apoiar Francisco das Cha-
gas Vasconcelos. Lideranças estaduais do PT, PC do B e PSB também
compareceram para prestar solidariedade a João Ananias Vasconcelos
Neto. Além disso, eleitores foram trazidos de avião de outros estados
para votar naquela seção.
No final da apuração, mesmo obtendo a maioria dos votos na Urna
45 do Sapó, Francisco das Chagas Vasconcelos não conseguiu mudar
o resultado da eleição de 1996. Dos 304 eleitores cadastrados, 219
votaram em Francisco das Chagas Vasconcelos, 81 em João Ananias
Vasconcelos Neto. Além disso, houve um voto nulo, um branco e duas
abstenções. Somados com os votos da primeira eleição em 1996, João
Ananias Vasconcelos Neto derrotou Francisco das Chagas Vasconcelos
por uma diferença de 58 votos.
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4 Entre 1999 e início de 2003, João Ananias Vasconcelos Neto presidiu o diretório estadual do Partido
Socialista Brasileiro no Ceará. No final de 2002, o diretório nacional do PSB decretou uma intervenção
no diretório cearense do partido sob acusação de infidelidade partidária. João Ananias Vasconcelos
Neto e seus partidários apoiaram desde o primeiro turno a candidatura de Luis Inácio da Silva (PT)
à Presidência da República, em detrimento a candidatura de Antony Garotinho (PSB). A intervenção
motivou a saída do grupo de João Ananias Vasconcelos Neto do PSB e o ingresso no PC do B em
meados de 2003.
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5 Inicialmente a gestão de José Aldeny Farias foi acusada de cadastrar alunos já falecidos para aumentar
o valor de repasse de recursos do FUNDEF ao Município.
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7 As investigações criminais não comprovaram o envolvimento de José Aldeny Farias nesse crime.
8 Durante tal período, João Ananias Vasconcelos Neto, juntamente com os membros da sua facção
política que pertenciam ao PSB, mudaram para o Partido Comunista do Brasil (PC do B).
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Diagrama 1
Modelo Ideal Típico do “tempo da política”
Divisão espacial do município entre os partidários de cada uma das facções. Suspen-
são dos laços de amizade, vizinhança e parentesco entre as pessoas que pertencem a
facções rivais.
Rituais de Agregação
As facções são reduzidas ao seu núcleo duro. Retorno progressivo dos laços de amizade,
vizinhança e parentesco entre a população.
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Diagrama 2
“tempo da política” no caso da Urna 45 do Sapó
Com o fim do período eleitoral de 1996, o candidato eleito conclama a união da popu-
lação e a suspensão dos conflitos que marcam o “tempo da política”.
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Diagrama 3
Conflitos Políticos Fora do Período Eleitoral entre meados de 2001 a 2004
Busca aberta por adesões fora do período eleitoral e o consequente aparecimento pleno
das facções.
Carreata com o governador do Estado para comemorar a entrada de José Aldeny Farias
no PSDB.
Os espaços abertos (praças, bares, restaurantes etc.) eram ocupados pelos membros
da facção de Farias.
Rituais de comensalidade promovidos por José Aldeny Farias em sua fazenda para
angariar novas adesões.
Medo e a violência física são os novos ingredientes nos embates políticos locais.
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9 A respeito do medo, ver Chauí (1987) e a coletânea de ensaios organizados por Novaes (2007).
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6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
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APÊNDICE A
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APÊNDICE B
Prefeitos de Santana do Acaraú a partir de 1958
1966. Raimundo Nazion Aguiar – Comerciante. Com apoio de Francisco das Chagas
Vasconcelos derrota Geraldo Arcanjo candidato apoiado por José Arcanjo Neto.
1976. João Batista Arcanjo – Com o apoio de Francisco das Chagas Vasconcelos,
derrota seu primo Geraldo Arcanjo. João Batista Arcanjo também era primo de Francisco
das Chagas Vasconcelos, José Arcanjo Neto e José Ananias Vasconcelos.
1982. Francisco das Chagas Feijão – Médico que derrotou João Ananias Vasconcelos
Neto nas eleições municipais de 1982. Entretanto, faleceu antes de ser empossado.
Desta forma, assumiu o cargo a vice-prefeita Maria de Socorro Vasconcelos, filha de
Francisco das Chagas Vasconcelos.
1988. João Ananias Vasconcelos Neto (PSB) – Médico, filho de José Ananias Vas-
concelos, teve como principal adversário nas eleições de 1988 um parente próximo
- Antonio de Pádua Arcanjo – Totonho (PMDB), candidato apoiado por Francisco das
Chagas Vasconcelos.
1992. José Ari Fonteles (PSB) – Médico apoiado por João Ananias Vasconcelos Neto.
José Ari Fonteles é cunhado de Raimundo Nonato Arcanjo, irmão de José Arcanjo Neto
e Antônio Galvino Arcanjo.
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APÊNDICE C
1996. João Ananias Vasconcelos Neto (PSB) – João Ananias Vasconcelos Neto, na
época Deputado Estadual, deixa a Assembleia Estadual do Ceará, para disputar as
eleições municipais em 1996 contra Francisco das Chagas Vasconcelos (PMDB) e
José Aldeny Farias (candidato a vice-prefeito - PSDB). Foi nesse pleito que ocorreu
o episódio da “Urna 45 do Sapó” em que José Aldeny Farias abandonou a coligação
com Francisco das Chagas Vasconcelos para apoiar João Ananias Vasconcelos Neto.
2000. José Aldeny Farias (PSB) – empresário recém- filiado ao PSB na época. Como
retribuição ao apoio dado na campanha da “Urna 45 do Sapó” em 1996-8, João Ananias
Vasconcelos Neto, mesmo contra a vontade de seus correligionários, indica seu nome
para concorrer pelo PSB contra Francisco das Chagas Vasconcelos. Meses depois de
eleito, Aldeny Farias rompe com João Ananias Vasconcelos Neto.
2004. Antônio de Pádua Arcanjo (PC do B), Agrônomo, filho de Geraldo Arcanjo. Foi
candidato apoiado por Francisco as Chagas Vasconcelos em 1988 contra João Ananias
Vasconcelos Neto (PSB). Foi eleito vereador em 1992 e 1996 pelo PMDB. Em 2004,
já partidário de João Ananias Vasconcelos Neto (PC do B), derrota a coligação encabe-
çada por José Aldeny Farias (PSDB), e a viúva de Francisco das Chagas Vasconcelos
(PMDB) é candidata a vice-prefeita.
2008. José Maria Sabino (PMDB) advogado do Sindicato dos Trabalhadores Rurais.
Em 2004 candidatou-se à prefeitura pelo Partido dos Trabalhadores. Em 2008, filiou-se
ao PMDB, naquele pleito derrotou o enfermeiro Antônio Helder Arcanjo – Heldinha
– que ocupava a Secretaria de Saúde na gestão de Totonho desde 2006. Heldinha é
sobrinho de José Arcanjo Neto.
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