Guia de Sugestoes de Atividades Sse 2013
Guia de Sugestoes de Atividades Sse 2013
Guia de Sugestoes de Atividades Sse 2013
Guia de Sugestões
de Atividades
Semana Saúde
na Escola
Brasília – DF
2013
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Guia de Sugestões
de Atividades
Semana Saúde
na Escola
Brasília – DF
2013
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Secretaria de Atenção à Saúde
Departamento de Atenção à Saúde
Guia de Sugestões
de Atividades
Semana Saúde
na Escola
Brasília – DF
2013
© 2013 Ministério da Saúde.
Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qual-
quer fim comercial. Venda proibida. Distribuição gratuita. A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra é da área
técnica. A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde:
<www.saude.gov.br/bvs>.
Tiragem: 1ª edição – 2013 – Versão eletrônica
Ficha Catalográfica
_______________________________________________________________________________________________________________________
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.
Guia de sugestões de atividades : Semana Saúde na Escola / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2013.
116 p. : il.
Modo de acesso: <inserir o endereço eletrônico de acesso>
ISBN 978-85-334-2067-0
APRESENTAÇÃO......................................................................................................................................07
ATIVIDADES ESSENCIAIS ........................................................................................................................11
Avaliação Antropométrica de Crianças e Adolescentes .........................................................................11
Triagem de Acuidade Visual ........................................................................................................................12
ATIVIDADES OPTATIVAS ................................................................................................................. .........15
Identificando Necessidades e Conhecendo os Parceiros .............................................................................15
Saúde Ocular ............................................................................................................................................19
Alimentação e Nutrição.............................................................................................................................32
Participação Juvenil/Infantil .......................................................................................................................56
Cultura de Paz ..........................................................................................................................................62
Educação em Direitos Humanos ................................................................................................................67
Práticas Corporais, Atividade Física e Lazer ................................................................................................79
Prevenção ao Uso de Álcool, Tabaco, Crack e Outras Drogas .....................................................................91
Sexualidades e Saúde Reprodutiva ............................................................................................................98
Saúde Indígena .......................................................................................................................................110
APRESENTAÇÃO
este Guia é um material orientador para todos e todas envolvidos com o Programa Saúde na Escola:
profissionais de Saúde e Educação, comunidade, educandos e famílias.
A ideia é investir na formação de bons hábitos desde a infância. Se uma criança cresce em meio a uma
vida saudável, a tendência é que se torne um adulto saudável. Cerca de 12 milhões de estudantes em 56 mil
escolas de 2.495 municípios já participaram do Programa.
Portanto, este Guia contém sugestões de atividades para serem desenvolvidas não apenas durante a Se-
mana Saúde na Escola, mas ao longo do ano letivo.
A proposta do Guia é fornecer um conjunto de atividades capazes de estimular e enriquecer o trabalho
educativo dos profissionais de Saúde e de Educação, sendo seus princípios a promoção e a prevenção de
agravos à saúde.
O objetivo principal da Semana Saúde na Escola é dar início a uma mobilização temática priori-
tária de saúde, que deverá ser trabalhada ao longo do ano letivo nas escolas. Seus objetivos especí-
ficos visam:
A Semana Saúde na Escola compreenderá ações de atenção à saúde dos escolares e de promoção da
saúde, cuja mobilização acontecerá no período de 11 a 15 de março de 2013, envolvendo intersetorial-
mente o planejamento das redes de educação básica e atenção básica em Saúde.
A Semana Saúde na Escola inaugura a execução das metas pactuadas no Programa, pois as ações
serão consideradas para o alcance das metas acordadas pelos municípios e o Distrito Federal no Termo de
Compromisso, possibilitando maior visibilidade e o reconhecimento das ações planejadas e executadas
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
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ATIVIDADES ESSENCIAIS
FICHA DE ATIVIDADE 1
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: avaliar o estado nutricional de crianças e adolescentes por meio do peso, da
altura e da idade dos educandos. O acompanhamento sistemático do crescimento e do desenvolvimento da
criança e do adolescente é de grande importância, pois favorece as suas condições de saúde e de nutrição. Os
índices antropométricos são utilizados como principal critério desse acompanhamento.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
Articulação com a escola: as equipes de Saúde deverão se articular com as equipes das escolas que, por sua vez,
deverão informar os pais e/ou responsáveis e preparar os educandos para receber os profissionais de Saúde.
Abordagem: antes do início de qualquer atividade com as crianças e os adolescentes, perguntar o nome de
cada um e se referir a eles pelo nome. Toda e qualquer pergunta dos educandos deverá ser respondida respei-
tando a faixa etária e o grau de (des)conhecimento sobre o tema em questão. Todas as atividades na escola
precisarão ser acompanhadas por um educador de referência das crianças na escola.
Descrição: as equipes de Saúde precisam se articular com as escolas a fim de estabelecer as metas e os critérios
para definição de turmas a serem avaliadas.
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
A avaliação antropométrica deve ser feita por um profissional de Saúde capacitado, segundo técnicas
referenciadas abaixo.
FICHA DE ATIVIDADE 2
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: identificar os escolares com possíveis problemas oculares para consulta oftalmológica.
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: tabela de Snellen, objeto para apontar (lápis preto), giz, cadeira, me-
tro ou fita métrica, fita adesiva e impresso para anotação dos resultados.
• A triagem dos escolares é uma atividade de equipe, em que todos os participantes (profissionais da
Educação e de Saúde) desempenham funções essenciais.
• Para a triagem de acuidade visual, é muito importante: dominar a técnica de aplicação; o preparo do
material; a escolha do local; o preparo do local; o treinamento do auxiliar; o preparo dos escolares; o
preparo do material para o registro técnico da triagem e o reteste.
• A triagem só deve começar quando os aplicadores tiverem certeza de uma eficaz aplicação. Se hou-
ver alguma dúvida, devem recorrer ao manual de instrução ou solicitar esclarecimentos a alguém
treinado ou tecnicamente capacitado.
• É de fundamental importância providenciar, com antecedência, todo o material para aplicação do
teste: tabela de Snellen; vareta ou lápis preto para apontar os optótipos; cadeira; metro ou fita mé-
trica; e ficha para registro dos resultados.
• Separado e conferido todo o material necessário, partir para a escolha do local de aplicação do teste,
que deverá apresentar algumas condições: no mínimo seis metros; local bem iluminado, que permita
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
a entrada de luz pelos lados ou por trás de quem estiver sendo testado. Evitar que a luz incida direta-
mente sobre a tabela de Snellen; local relativamente calmo, sem barulhos ou estímulos que possam
desviar a atenção dos escolares.
• No momento de preparar o local para a triagem, lembre-se de escolher onde será afixada a tabela de
Snellen; de afixar a tabela de tal modo que possa sofrer ajustes de acordo com a altura dos escolares
(a linha correspondente à acuidade 1 = 100% no nível dos olhos de cada escolar que estiver sendo
triado); demarcar no chão, com giz ou fita adesiva, uma linha com a distância de cinco ou seis metros
da tabela de Snellen, de acordo com a indicação da tabela; colocar uma cadeira com os pés traseiros
sobre a linha riscada no chão.
• O preparo do escolar é fundamental para o êxito das atividades e visa: contribuir para a redução do
nível de ansiedade; à familiarização com os procedimentos do teste; garantir presteza de respostas e
garantir a postura correta de sentar-se na cadeira do teste.
• Antes do início dos trabalhos práticos, todos os formulários devem estar à disposição dos aplicadores
e devidamente preenchidos os dados completos sobre a unidade escolar, turma, nome dos escolares
e educador. Recomenda-se que seja utilizada a ficha de atendimento coletivo que se encontra dispo-
nível no passo a passo de adesão à Semana Saúde na Escola.
• Durante a triagem, os aplicadores devem iniciar o exame apontando (com o lápis preto) para os
optótipos maiores, perguntando para que lado as “pernas” do “E” estão voltadas (para cima, para
baixo, para a direita ou para a esquerda); devem dar sequência à triagem até onde o escolar consiga
enxergar sem dificuldade; apontar com o lápis para o optótipo, em posição vertical, passar o lápis
em cima e depois repousar, abaixo do optótipo; mover o lápis com segurança e ritmicamente de um
optótipo para outro; solicitar ao escolar que estiver usando óculos para longe, durante a triagem, que
os mantenha na avaliação; mostrar, pelo menos, dois optótipos de cada linha; em caso de dificuldade
para enxergar, em uma determinada linha, mostrar um número maior de optótipos da mesma linha
– caso a dificuldade continue, voltar à linha anterior. A acuidade visual que deverá ser registrada será
aquela do número decimal existente, do lado esquerdo da tabela, da última linha em que o escolar
conseguiu enxergar mais da metade dos optótipos; retestar todos os escolares que não atingirem 0,7.
O registro do resultado deve ser o da medida da acuidade visual que foi maior; registrar como menor
que 0,1 (<0,1) o escolar que não conseguiu identificar corretamente o optótipo de maior tamanho.
• É importante observar e registrar, como observação na ficha de resultado da triagem, o escolar que
durante a triagem da acuidade visual apresentar algum sinal ou sintoma ocular, como lacrimejamen-
to; inclinação persistente de cabeça; piscar contínuo dos olhos; estrabismo (olho vesgo); cefaleia (dor
de cabeça); testa franzida ou olhos semicerrados; entre outros.
• São critérios para encaminhamento regular às consultas oftalmológicas: acuidade visual inferior ou igual a
0,7; estrabismo (olho torto ou vesgo); escolar com mais de 40 anos de idade, com queixa de baixa acuida-
de visual para perto (ex.: não consegue ler, não consegue enfiar linha na agulha); escolar diabético ou com
história de glaucoma na família; e outros sintomas oculares (prurido, lacrimejamento ocasional, cefaleia).
O Programa Saúde na Escola (PSE) vem contribuir para o fortalecimento de ações na perspectiva do
desenvolvimento integral e proporcionar à comunidade a participação em programas e projetos que
articulem Saúde e Educação para o enfrentamento das vulnerabilidades que comprometem o pleno de-
senvolvimento de crianças, de adolescentes e de jovens brasileiros. Essa iniciativa reconhece e acolhe as
ações de integração entre Saúde e Educação existentes e que causam impacto positivo na qualidade de
vida dos educandos.
A escola é espaço privilegiado para práticas de promoção de saúde e prevenção de agravos à saúde e
doenças. A articulação entre escola e unidade de Saúde é, portanto, importante demanda do Programa
Saúde na Escola.
As ações do PSE, em todas as dimensões, devem estar inseridas no projeto político-pedagógico da
escola, levando-se em consideração o respeito à competência político-executiva dos estados e dos mu-
nicípios, a diversidade sociocultural das diferentes regiões do País e a autonomia dos educadores e das
equipes pedagógicas.
Destaca-se ainda a importância do apoio dos gestores da área de Educação e Saúde, estaduais e muni-
cipais, pois trata-se de um processo de adesão que visa à melhoria da qualidade da educação e saúde dos
educandos, que se dará à luz dos compromissos e dos pactos estabelecidos em ambos os setores.
Nas escolas, o trabalho de promoção da saúde com os educandos, professores e funcionários precisa ter
como ponto de partida o que eles sabem e o que eles podem fazer. É preciso desenvolver em cada um a ca-
pacidade de interpretar o cotidiano e atuar de modo a incorporar atitudes e/ou comportamentos adequados
para a melhoria da qualidade de vida. Desse modo, profissionais de Saúde e de Educação devem assumir
atitude permanente de empoderamento dos princípios básicos de promoção da saúde por parte dos educan-
dos, professores e funcionários das escolas.
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
FICHA DE ATIVIDADE 1
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: apresentar aos educandos a rede de saúde disponível para a comunidade, na
perspectiva da prevenção/acompanhamento/tratamento de agravos.
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: espaço onde os educandos podem se sentar em roda.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: a equipe apresentará aos estudantes os principais programas públicos de saú-
de voltados à prevenção e controle da obesidade e doenças crônicas não transmissíveis.
FICHA DE ATIVIDADE 2
Aprofundamento: esperar as respostas do grupo para iniciar a reflexão sobre a necessidade de planejamen-
to para toda a ação que se fará. Convidar o grupo a planejar os passos para a confecção da salada. Esperar
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
que o grupo se manifeste durante algum tempo, prestando atenção nas ideias que surgirem, que deverão
ser analisadas em conjunto e relacionadas aos passos, simplificados, de um planejamento: levantamento de
necessidades (o que lhe faz falta para uma boa nutrição); priorizar necessidades (o que o grupo quer comer);
levantamento de recursos disponíveis (ingredientes e recipientes, nos quais caiba uma grande salada); a ação
(alimentar o grupo); o quê (fazer uma salada); quem (o grupo); para quem (para eles, que são adolescentes);
como (usando um recipiente bem grande, no qual serão misturados os ingredientes); com o quê (verduras,
legumes, ervas, temperos, carnes de diferentes tipos, enlatados e conservas etc.); com quem (com o facilitador
e todo o grupo); onde (na sala de aula) e quando (hoje).
À medida que forem escolhidos recipientes e ingredientes, as respectivas tarjetas serão coladas no quadro de
giz, podendo ser mudadas em função da reflexão do grupo sobre os passos do planejamento.
Quando a salada estiver pronta, as cartelas serão coladas em papel pardo, debaixo de cada um dos passos do
planejamento de ação a que pertencem.
FICHA DE ATIVIDADE 3
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
FICHA DE ATIVIDADE 4
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: conhecer a opinião dos educandos sobre os principais problemas enfrentados
na escola. Estimular os educandos a propor sugestões para a melhoria dos problemas citados.
DURAÇÃO DA ATIVIDADE: propõe-se que o mural fique à disposição das crianças por, no mínimo,
uma semana.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: a escola criará dois murais feitos de cartolina/papel pardo a serem afixados no
pátio/corredor/salas de aula (a critério da escola), com duas perguntas norteadoras: Em sua opinião, quais os
maiores problemas da escola que interferem na sua aprendizagem? O que você acha que poderia ser feito
para melhorar os problemas da escola?
Diante dos questionamentos, os professores e funcionários da escola, ao longo da semana, motivarão os edu-
candos a opinar no mural, com o intuito de melhorar as atividades em sala de aula e da escola de forma geral.
Ao final da atividade, os questionamentos serão discutidos em sala de aula e serão traçadas ações simples a
serem aplicadas durante o ano letivo.
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
Saúde Ocular1
Pode ser verde, azul, castanho claro ou escuro, não importa, o olho humano é um órgão de rara beleza e de
expressão singular. Sua função primordial é captar a luz do meio ambiente e convertê-la em impulsos nervosos
que serão interpretados e transformados em imagens pelo córtex visual, situado no lobo occipital do cérebro.
Para o desempenho de funções tão sofisticadas, o olho apresenta características anatômicas e funcionais
muito peculiares. A visão, além de fornecer em torno de 80% das informações sensoriais captadas do meio
ambiente, contribui com a unificação, a estruturação e a organização de todas as outras informações advindas
dos demais órgãos sensoriais.
Além disso, a visão é fundamental para o processo educativo, inserção cultural, habilidades sociais, assi-
milação de regras e normas do ambiente social. Está presente em quase todas as interações humanas que
ocorrem predominantemente por meio de expressões faciais, gestuais e reciprocidade do olhar, em que sen-
timentos como admiração, amizade, desprezo, cumplicidade, intimidade, indiferença e punição são demons-
trados ao outro.
Em uma sociedade tão marcada por estímulos visuais, não é difícil avaliar o significado das privações sen-
soriais causadas por perdas visuais, especialmente aquelas consideradas acentuadas e graves, que restringem
ou impedem informações sobre o meio, prejudicando a interação social e a participação plena nos diversos
aspectos da vida cotidiana.
Quando as perdas ocorrem prematuramente em crianças, podem ocasionar, caso não haja adequada in-
tervenção, prejuízos em diversos aspectos do desenvolvimento, como atrasos no campo motor, cognitivo,
emocional e social.
Segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), aproximadamente 20% dos escolares bra-
sileiros apresentam alguma alteração ocular e 10% necessitam usar óculos para correção de erros de refração
(hipermetropia, miopia e astigmatismo); destes, 5% apresentam redução grave de acuidade visual.
É importante ressaltar que antes do ingresso das crianças na escola, as alterações visuais podem passar
despercebidas da família pela ausência de sinais e de sintomas que evidenciem o problema. Com o ingresso
na escola e o esforço visual necessário ao processo educacional, as alterações visuais, preexistentes ou não,
são evidenciadas e podem ser detectadas.
Torna-se imperativo que a escola participe de ações de promoção da Saúde Ocular, de identificação e en-
caminhamento de escolares para diagnóstico e tratamento dos problemas detectados com oftalmologistas.
Por isso, os ministérios da Educação e da Saúde escolheram a Saúde Ocular como uma das ações prio-
ritárias para a Semana de Saúde na Escola de 2013. Os escolares devem ser submetidos na escola a uma
triagem ou teste de acuidade visual (TAV) para verificar a necessidade de serem encaminhados para uma
consulta oftalmológica.
O TAV é considerado um indicador simples e eficaz de avaliação da função visual. Utilizado em diferentes
países pela sua praticidade, não requer treinamento prolongado dos examinadores e nem uso de equipamen-
tos sofisticados, permite triagem rápida e segura para o encaminhamento às consultas oftalmológicas.
Inspirado em: MACHADO, E. V.; MAZZARO, J. L. Diálogos com os professores sobre inclusão: fatos e histórias. Edileine Vieira
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
Um componente essencial para a realização do TAV é a Tabela Optométrica Decimal de Snellen (Figura 1),
que pode ser constituída por letras, números ou figuras de diferentes tamanhos, intituladas optótipos. Uma
tabela bastante usual utiliza optótipos com a letra “E”, pois permite a triagem a todas as pessoas, inclusive
àquelas que ainda não foram alfabetizadas.
O TAV é baseado na relação entre os valores distância/tamanho. A pessoa avaliada deve ficar à distância da
tabela de Snellen de 20 pés (seis metros), pois a essa distância as lentes dos olhos (cristalino) estão em posição
natural e não precisam acomodar-se para encontrar o foco.
Durante o TAV, uma pessoa com acuidade visual normal é capaz de identificar os optótipos a uma
distância de 20 pés. Sua visão será qualificada como 20/20, que significa que a 20 pés de distância o ava-
liado pode ver o que uma pessoa com visão normal vê também a 20 pés, ou seja, sua visão está dentro
do padrão de normalidade.
2
BRASIL. Ministério da Saúde. Projeto Olhar Brasil: triagem de acuidade visual: manual de orientação. Brasília, 2008. (Série A.
Normas e Manuais Técnicos). Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/MANUAL_PROJETO_OLHAR_BRASIL.
pdf>. Acesso em: 2 maio 2013.
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
FICHA DE ATIVIDADE 5
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: cópia da história “A vaquinha Filomé”; cópias com a figura de uma
ilustração da história; lápis de cor ou canetinhas hidrocor.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Leitura da história “A vaquinha Filomé” para os educandos.
– Distribuir cópias da ilustração da história “A vaquinha Filomé”.
– Convidar todos os educandos para colorir a ilustração que receberam.
– Fazer uma pequena exposição com as ilustrações.
TEXTO DE APOIO:
A VAQUINHA FILOMÉ
José Luiz Mazzaro
A Filomé não era uma vaquinha qualquer... Apesar de mugir como as outras e dar leite de montão, ela era
uma vaquinha de exposição.
Ganhou tantos prêmios, tantos prêmios, que seu dono até perdeu as contas.
Mas de uns tempos para cá... Não dá nem para acreditar, como ficou diferente!
Até parece que Filomé ficou lelé!
Vivia tropeçando por todos os lados, com os olhos vermelhos, como se tivesse chorado.
Na hora de comer, fazia a maior confusão: misturava tudo na boca, até o que não era alimentação...
Seu dono procurou vários médicos-veterinários. E de médico em médico chegou a um famoso oftalmologista.
– Sabe o que aconteceu?
Nada de mais... Filomé não estava lelé e nem tinha problema nas patas. Foi só colocar um lindo par de
óculos nela e tudo, tudo voltou ao normal!
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
FICHA DE ATIVIDADE 6
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: cópia da história “A vaquinha Filomé”, com frases verdadeiras e falsas
sobre a história.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Distribuir cópias do texto “A vaquinha Filomé” com frases verdadeiras e falsas sobre a história.
– Convidar os educandos para uma leitura silenciosa.
– Após a leitura, os educandos devem escolher e escrever a frase verdadeira sobre a história.
TEXTO DE APOIO:
Frases:
FICHA DE ATIVIDADE 7
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: cópia da história “O osso”, jogos e brincadeiras, lápis ou caneta.
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Distribuir cópias da história “O osso”, com jogos e brincadeiras.
– Convidar os educandos para uma leitura silenciosa.
– Após a leitura, os educandos devem resolver as atividades propostas.
TEXTO DE APOIO:
O OSSO
José Luiz Mazzaro
Todo mundo sabe muito bem que cachorro adora roer um osso.
Você já reparou no jeito que eles ficam ao ganhar um osso de presente?
Totó fica olhando para o seu osso sem piscar.
Já o Rex come o seu osso sem mastigar.
O Duque adora ficar levando seu osso para lá e para cá, para só depois saborear.
O Bumer gosta mesmo de enterrar o seu osso, para só procurar no outro dia.
A pequena Pequi trata o seu osso como se fosse um tesouro, colocando-o em sua casinha para vigiá-lo melhor.
Mas o que você não sabe é que cada um deles enxerga seu osso de forma diferente.
Totó, igual à maioria dos cachorros, vê o seu osso bem nítido e sem nada faltar.
Rex vê o seu osso faltando um pedaço, como se já dele tivesse comido, sem ao menos ter experimentado.
Duque vê seu osso embaçado, igual a dia nublado, ameaçando chover.
Bumer só vê bem o seu osso quando ele está bem longe, e por isso corre com ele para enterrar, pois tem
medo de alguém pegar.
Já a pequena Pequi quase não consegue enxergar o osso, e por isso o guarda bem perto e usa seu olfato para
vigiá-lo e encontrá-lo na hora que quiser.
Agora, para você que é bem esperto, vou contar um segredo: todas essas formas de enxergar não são apenas
dos cachorros. Gente como a gente também pode enxergar assim.
Mas diferentemente do Duque e do Bumer, que não enxergam direito e não têm óculos para usar, você não
precisa ficar vendo o seu caderno embaçado, faltando pedaço, chegando-o bem perto ou afastando-o para
longe do nariz.
Basta não faltar à consulta ao oftalmologista e cuidar bem dos óculos que você ganhar, se precisar.
Agora, não se esqueça: já que o seu cachorro não pode ganhar óculos, leve-o então para ser vacinado.
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
JOGOS E BRINCADEIRAS
ESPADA
FLECHA
ESTILINGUE
REVÓLVER
BOMBINHA
FACA
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
FICHA DE ATIVIDADE 8
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: cópia da história “O Ursinho Quelé”, jogos e brincadeiras, lápis
ou caneta.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Distribuir cópias da história “O Ursinho Quelé”, com jogos e brincadeiras.
– Convidar os educandos para uma leitura silenciosa da história.
– Após a leitura, os educandos devem resolver as atividades propostas.
TEXTO DE APOIO:
O URSINHO QUELÉ
José Luiz Mazzaro
Quelé era um ursinho muito atrapalhado. Vivia tropeçando em todas as coisas; tropeçava até nos próprios
pés.
Quando precisava correr, caía estabanado no chão – e olha que ele era um verdadeiro peso-pesado!
Subir em árvores? Nem pensar!
Jogar bola, até que Quelé tentava, mas nem no gol os colegas o deixavam ficar, pois agarrava tudo,
menos a bola.
Isso deixava Quelé muito triste, porque ele queria participar.
Na hora de escrever, Quelé fazia a maior confusão; nem mesmo com um espelho dava para fazer uma
tradução.
Apesar de trapalhão, todos gostavam muito do Quelé, pois ele tinha um grande coração.
E a surpresa veio sem ninguém esperar, após uma consulta com um oftalmologista.
Foi uma festa quando a professora, com os óculos na mão, anunciou:
– Acho que agora o Quelé vai entrar no time de futebol da escola.
– Como?! Quelé não sabe dar nem pontapé! – falou admirado um coleguinha.
– Mas agora ele poderá virar um verdadeiro Pelé, pois vai enxergar tudo, tudo – falou a professora.
E foi exatamente o que aconteceu.
– Nossa, que diferença! – disse Quelé, bastante admirado, enxergando perfeitamente o que antes não
podia ver.
Quelé agora enxergava a formiga queima-queima, os passarinhos cantando no galho do velho jatobá,
a letra da professora e até a sujeira do seu pé.Passou a correr sem cair ou tropeçar e até passar uma linha
no fundo de uma agulha.
– Nossa, como é bom enxergar! – repetia sempre Quelé.
Só que ele não tomou alguns cuidados. Emprestava seus óculos para todo mundo brincar, largava-os de
qualquer jeito e até jogados no chão.
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
Desse jeito não poderia mesmo durar, e logo Quelé descobriu como era difícil voltar a não enxergar.
Assim, ficou triste e arrependido por não ter cuidado direito dos óculos que ganhou.
Mas a sorte estava do lado de Quelé, que tinha muitos amigos, e eles lhe deram uma nova oportunidade.
Foi no dia de seu aniversário, e todos cantaram para ele uma musiquinha, que era mais ou menos
JOGOS E BRINCADEIRAS
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
VAMOS ESCREVER?
Escreva como poderia ser o final da história se Quelé não tivesse amigos.
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Outras atividades para trabalhar o tema Saúde Ocular na Semana Saúde na Escola
• Que tal aguçar a curiosidade dos escolares solicitando uma pesquisa relacionada à evolução do conheci-
mento sobre o funcionamento da visão, os problemas visuais e as diferentes formas de tratamento?
• Que tal solicitar uma pesquisa e depois organizar um debate em sala de aula sobre erros de refração:
miopia, astigmatismo e hipermetropia?
• Que tal debater a temática do preconceito mostrando sua relação com a falta de conhecimento (uti-
lize como exemplo o que ocorreu ao longo da história da humanidade, em que o desconhecimento
sobre a visão e os problemas visuais causou perseguições, extermínio, abandono e diferentes formas
de exclusão econômica, política, social e cultural dos deficientes visuais)?
• Que tal debater com os escolares mostrando que as críticas e os apelidos podem fazer com que uma
pessoa, mesmo necessitando de correção óptica, abandone os óculos para não ser alvo de bullying?
• Que tal a professora ou o professor e os profissionais da Saúde perguntar ao educando que usa ócu-
los como ele faz para conservá-los? E depois demonstrar como se deve guardar, limpar e retirar os
óculos do rosto para evitar possíveis danos.
• Que tal trabalhar ao longo da semana com atividades de contação de histórias existentes no guia ou
outras que tiver acesso, sobre o tema Saúde Ocular?
• Que tal promover um debate na escola sobre prevenção de acidentes oculares ocasionados por brinca-
deiras com espadas, facas, estiletes e outros objetos pontiagudos, bombinhas e estilingue, que provo-
cam úlceras traumáticas, queimaduras, contusões, perfurações do globo ocular e outros danos?
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
• Que tal convidar artistas de sua cidade para apresentar na escola uma peça teatral, de repentistas, de
contação de histórias sobre Saúde Ocular?
• Que tal solicitar aos educandos, após a leitura de uma das histórias infantojuvenis sobre Saúde Ocular,
que eles façam uma ilustração sobre o que mais gostaram da história, apresentem um breve relato
sobre o que aprenderam de importante; recontem a narrativa; interpretem-na por meio de mímicas;
escrevam um pequeno texto sobre o enredo e montem, em grupo, uma história em quadrinhos?
• Teatro de fantoches é uma ideia muito legal. Quem sabe alguém da comunidade pode fazer os
bonecos utilizando os personagens das histórias? Depois é só pedir aos educandos para montar
os espetáculos.
• Que tal aguçar a curiosidade dos escolares solicitando uma pesquisa, em grupo, sobre ilusão de óti-
ca? A melhor pesquisa poderá ser apresentada para toda a comunidade escolar.
A CORUJINHA E O SABIÁ
José Luiz Mazzaro
Conta uma lenda que em uma floresta existia um Sabiá que, além de teimoso, era muito preguiçoso. Seus
pais sempre o aconselhavam, mas de nada adiantava. Ele não queria nem saber, achava que era o dono da
verdade e que nada podia lhe acontecer.
Um belo dia, o Sabiá preguiçoso dormiu o dia inteiro e só acordou quando estava bem escuro.
– Nossa, que soneca gostosa! – disse o Sabiá em voz alta, espreguiçando e acordando todos.
– O que é isso, meu filho?! Tenha mais educação, não vê que seus irmãos estão dormindo?!
– Ora, mãe, estou apenas me levantando para dar uma voltinha por aí.
– E isso são horas de dar uma voltinha?! – disse sua mãe, cheia de preocupação.
O Sabiá nem escutou o que sua mãe estava falando, continuou espreguiçando e se esticando todo. Até que
ouviu o seu estômago “reclamar”: – crouorrrrrrr, crouorrrrr!
– Nossa, que fome! Preciso sair imediatamente para caçar, pois com essa fome não dá para ficar.
Mesmo enxergando muito pouco, o Sabiá preguiçoso não pensou duas vezes: esticou as asas e zás, pulou
do galho para o voo noturno.
O Sabiá teimoso nem chegou a sentir direito o frescor da brisa noturna batendo em suas asas, pois o seu voo
foi interrompido por um galho de jatobá.
– Bummmm, trummm, aiiiiiiiiii. Caiu estatelado no chão.
– Nossa, que tombo! - falou ainda tonto.
O nosso amigo ainda nem havia se recuperado do susto, quando uma
enorme boca quase o engoliu.
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
retirar o corpo estranho. Se não conseguir retirar com facilidade, deve tampar o olho da criança e procurar ajuda
médica.
– E a alimentação?
– É fundamental, pois a alimentação inadequada, especialmente nas crianças, pode até levar à cegueira. Portan-
to, Sabiá, frutas, verduras e leite para as crianças não podem faltar.
Naquela noite, a Corujinha e o Sabiá conversaram até o sol raiar. Conta a lenda que o Sabiá mudou de vida,
tornou-se bom filho e responsável. Conta ainda a lenda que o seu encontro com a Corujinha um dia se tornará uma
historinha de verdade, para ensinar e orientar todas as crianças.
O SONHO
José Luiz Mazzaro
Um dia tive um sonho e levei um grande susto, pois vi, de verdade, um par de óculos falando. Ele veio cami-
nhando e dizendo que tinha uma grande preocupação.
Eu, embora assustado, agucei minha curiosidade e perguntei qual era a sua preocupação.
Ele me olhou bem nos olhos e respondeu:
– As crianças não estão me usando direito.
– Como assim?! – perguntei, intrigado.
– Me deixam jogado ou guardado de qualquer jeito. Assim, minhas lentes ficam arranhadas e eu não posso
ajudar o meu dono a enxergar direito.
– Nossa, que desleixo! – falei para os óculos falantes.
– Às vezes me emprestam para o coleguinha que ainda não precisa de mim, apenas para brincar...
– Mas o que pode acontecer??? – perguntei com a curiosidade dos que querem aprender.
– Eu acabo ficando desajustado, e assim meu dono só tem a perder. Sem falar no coleguinha que poderá ter
uma tremenda dor de cabeça.
– E é isso que está deixando você tão contrariado?!
– Não é só isso, muitos criticam os que estão me usando, sem compreender que sou muito necessário para
ler, escrever e viver melhor.
– Que tipo de crítica?! – perguntei, fingindo não entender.
– Colocam muitos apelidos. É quatro-olhos, zoinho, olhos-de-vidro e até coió.
– Mas isso é falta de coleguismo e de educação.
– É muito mais do que isso, é falta de amizade, de respeito e de consideração – disseram os óculos, com
grande preocupação.
Depois que acordei daquele sonho fiquei me lembrando dos meus tempos de criança, quando sofria com os
apelidos e recusava usar os óculos de que tanto precisava.
Mas tudo isso faz muito tempo. Hoje usar óculos é charmoso, elegante e um sinal de inteligência.
O presidente usa, aquele jogador de futebol também, os artistas da TV e muitos outros. Por que, então, deixar
de usar?!
Fique, portanto, muito atento: se você não precisar de óculos, não critique o colega que vai usar.
Agora, se você precisa usar, lembre-se: é necessário saber limpá-los, saber guardá-los e não ligar para os que
ainda insistem em criticar.
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
Alimentação e Nutrição
A alimentação e nutrição são requisitos básicos para promoção e proteção da saúde, possibilitando a
afirmação plena do potencial de crescimento e desenvolvimento humano, com qualidade de vida e cidadania.
Entende-se alimentação como fator condicionante e determinante da saúde humana, e que as ações
de alimentação e nutrição devem ser desempenhadas transversalmente às ações de saúde, em caráter
complementar e com formulação, execução e avaliação dentro das atividades e responsabilidades do
sistema de Saúde.
No campo da alimentação, são diversas as possibilidades de inserção do tema alimentação saudável no
cotidiano educando, no trabalho conjunto entre os profissionais da Saúde e da Educação. Abordagem do
tema em sala de aula ou em eventos, trabalho com horta, desenvolvimento de recursos educacionais, en-
volvimento da cantina e monitoramento do estado alimentar e nutricional dos educandos são algumas das
múltiplas possibilidades.
A abordagem do tema contribui para a formação de hábitos alimentares saudáveis e para o reforço do
papel da família, visando não apenas à promoção da saúde, mas à prevenção de doenças crônicas não trans-
missíveis, cujas causas encontram lugar no consumo excessivo de alimentos ricos em açúcar, gorduras e sódio,
e na adoção de um modo de vida sedentário. Além disso, as crianças e adolescentes são um público vulnerável
à publicidade de alimentos e aos modismos de um conjunto de dietas que podem ter repercussões sérias no
consumo alimentar e conseqüentemente no estado de saúde.
No contexto de alimentação e nutrição é importante ficar atento à saúde bucal. Desenvolver atividades de
educação e avaliação do estado de saúde bucal, escovação dental supervisionada, aplicação tópica de flúor e
avaliação do estado de saúde bucal estimula os educandos a incorporarem hábitos saudáveis, como o consu-
mo moderado de alimentos que causam cáries, além de conscientizá-los sobre a importância da higiene bucal.
Durante essas atividades, poderão ser identificadas as necessidades de tratamento odontológico apresentadas
pelas crianças e pelos adolescentes/jovens.
As atividades listadas abaixo visam auxiliar os profissionais de Saúde e Educação na abordagem de con-
ceitos sobre a capacidade de o indivíduo fazer escolhas saudáveis e formar/reforçar hábitos de vida saudáveis,
além de mobilizar gestores com vistas a tornar essas escolhas factíveis à população.
FICHA DE ATIVIDADE 9
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: a equipe PSE, com os educandos e familiares, montará uma feira com os ali-
mentos e preparações típicas do município ou região, com o objetivo de resgatar costumes e tradições locais,
valorizando a cultura e os hábitos alimentares regionais. Nessa feira, poderão ser apresentados produtos da
comunidade local. Com a interação e troca de conhecimentos, a comunidade conhecerá novos sabores, res-
gatará as tradições culturais locais e desmistificará conceitos.
FICHA DE ATIVIDADE 10
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: estimular os educandos a conhecer os grupos de alimentos e, assim, ter capa-
cidade de escolhas.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: por meio de cartazes e conversas em sala de aula, os educandos discutirão so-
bre os grupos de alimentos e sua importância para o organismo. Ao longo de um dia, os alunos observarão e
anotarão o que consumiram. No dia seguinte, os professores retomarão o assunto e analisarão, com os alunos,
o perfil dos alimentos consumidos por meio dos grupos e cores de alimentos.
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
FICHA DE ATIVIDADE 11
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: mobilizar os educandos a criar diferentes tipos de reportagem acerca do tema
‘Envelhecimento saudável x obesidade’.
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: variam de acordo com o tipo de reportagem escolhida pelo aluno.
DURAÇÃO DA ATIVIDADE: não existe tempo padronizado, varia de acordo com o planejamento da escola.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: será solicitado que os educandos criem reportagens voltadas ao tema ‘Enve-
lhecimento saudável x obesidade’. Murais, colagens, desenhos, pinturas, jornal da escola, entrevistas com a
comunidade do educando (professores, funcionários da escola, pais, entre outros). Esse momento será impor-
tante para os estudantes discutirem sobre as diferentes formas do envelhecer saudável e sua relação com a
obesidade. Ao final, essas reportagens serão analisadas em todas as turmas para todos poderem conversar
sobre o assunto e elaborar seu conceito. Os materiais criados podem ser colocados à disposição na biblioteca
da escola ou mesmo expostos no pátio ou corredores.
FICHA DE ATIVIDADE 12
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: fazer um histórico sobre a transição alimentar e nutricional da população bra-
sileira ao longo dos anos.
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
anos. Por meio dessa visão, os estudantes identificam costumes que se perderam (saudáveis ou não) e costu-
mes agregados de outras culturas (saudáveis ou não), além de trabalhar o senso crítico quanto às escolhas de
alimentos. O resultado da pesquisa pode ser apresentado em forma de palestras (turma/série) ou teatro (as
turmas se reúnem e apresentam para a escola).
FICHA DE ATIVIDADE 13
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: conscientizar sobre a importância de ter uma alimentação saudável, nutritiva
e balanceada para o crescimento e o desenvolvimento esperados; conhecer hábitos e atitudes necessárias
para uma alimentação saudável; facilitar o processo de escolha de diferentes grupos de alimentos; favorecer
comportamentos saudáveis relacionados à alimentação diária; estimular escolhas acertadas para uma alimen-
tação saudável; conhecer os alimentos importantes para a manutenção da saúde; favorecer a reflexão sobre
os danos ocasionados pelos apelidos pejorativos.
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: uma cópia da história “Irmãos e amigos”; folhas de papel em branco
para desenhar; lápis preto e de cor e folha com atividades.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: ler a história “Irmãos e amigos” para os educandos. Após a leitura, o professor
ou a professora deve distribuir, para cada um dos educandos, uma folha de papel em branco para fazerem
uma ilustração. Solicitar aos educandos que, individualmente, façam uma ilustração sobre a parte da história
da qual mais gostaram (pode ser proposta como atividade extraclasse). Em seguida, o professor ou professora
abre uma roda de conversa para debater a história, perguntando:
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
TEXTO DE APOIO:
Irmãos e amigos
José Luiz Mazzaro
Guilherme e Felipe eram irmãos e muito amigos, mas na escola andavam separados e cabisbaixos por causa
dos apelidos que receberam.
Guilherme era chamado pelos colegas de “botijão”. Lógico que ele não gostava, pois ninguém gosta de ape-
lidos pejorativos.
Mas que ele era um verdadeiro glutão, isso ninguém podia negar. Comia um, dois, três pães de uma vez, e
ainda pedia mais:
– Glut, glut – ele logo engolia com manteiga, requeijão ou goiabada. Até mesmo sem nada.
Felipe era o que nunca queria comer, talvez para ganhar tempo de correr e brincar.
– Felipe, quer um pedaço de bolo? – perguntava sua mãe.
– Nãooooo, mãe, estou sem fome!
– Felipe, venha tomar um copo de leite.
– Não, mãe! Eu detesto leite!
Virou “macarrão”, e sofria muito por causa do apelido que ganhou dos colegas de escola.
Felipe não comia, mas era um verdadeiro agito, pois não parava um minuto sequer. Jogava bola, empinava
pipa, andava de bicicleta, brincava de pião ou pique-pega.
Já Guilherme era meio paradão, via muita televisão e não gostava de bicicleta não!
– Jogo de bola, pique-esconde ou bicicleta são muito cansativos – dizia, e cada vez que Felipe o chamava
para brincar de pique-pega, vinha logo com este refrão:
– Para que brincar de pique-pega? Videogame dá muito mais emoção...
De uma coisa os dois realmente não gostavam e reclamavam: serem chamados de “botijão” e “macarrão”.
Apesar de todas as diferenças, os dois irmãos eram muito unidos.
Depois de gritar várias vezes pelo nome do irmão, Felipe acabou chamando:
– Botijão, botijão...!
E o Guilherme, bastante irritado, respondeu:
– Sabe, Felipe, já estou cansado de me chamarem de “botijão”.
– Ora, Guilherme, com toda essa pança, só poderia ser baleia, elefante, bolão ou botijão.
Guilherme, irritado, gritou:
– E você, seu tripinha azeda, esverdeado, magro desse jeito você parece mesmo um macarrão espetado.
Ao escutar, da sala de visitas, aquela discussão, tia Sônia falou para a amiga, que há muito tempo não via:
– Sandra, minha amiga, desculpe me intrometer, mas esses meninos não podem tratar um ao outro dessa
forma. E a causa da briga certamente é a alimentação inadequada. Felipe está aparentemente abaixo do peso e
Guilherme, com certeza, está obeso.
– É verdade, amiga, mas não sei o que fazer. Todos os dias, aqui em casa, na hora do almoço ou do jantar,
são brigas e mais brigas, não dá nem para contar... Felipe não quer comer nada, só belisca um pedacinho de
carne, tomate ou agrião.
E a Sônia perguntou:
– E o Guilherme?
– Este parece um furacão, mas nas frutas e verduras ele não quer nem tocar!
– Você tem conversado com esses meninos sobre alimentação fora do horário das refeições?
– Sabe, Sônia, já tentei de tudo e estou cansada até de reclamar e discutir.
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
– Isto não adianta, Sandra, o que esses meninos precisam é de orientação. Leve-os ao meu consultório. Afinal,
sua amiga aqui é nutricionista.
– Desculpe, Sônia, eu havia me esquecido, amanhã mesmo eles estarão lá.
No dia seguinte, no consultório, Sônia orientou a amiga a deixar os meninos e ir passear.
Depois de medir e pesar cuidadosamente Guilherme e Felipe, iniciou uma longa conversa. E perguntou:
– Guilherme, o que você mais gosta?
– De ver televisão – respondeu sorrindo.
– Não, eu estou perguntando de comida...
– Comida, tia? Ai, que fome! A senhora tem algo aí para comer?
– Tenho, Guilherme, vá até a geladeira e pegue uma maçã.
– Mas maçã, tiaaaaa...?
– Você não gosta de maçã?
– Até gosto, mas prefiro um pão com manteiga, um bolo, uma batatinha, um hambúrguer, uma pizza, uma
lasanha, refrigerante, sorvete, chocolate, pudim e balinha.
Guilherme passava a língua pelos lábios. Terminou dizendo:
– Que delícia, tia...
Sônia voltou a perguntar:
– Agora me diga, do que você não gosta?
– Só não gosto que me chamem de “botijão”!
– Não, Guilherme, estou perguntando sobre comida.
– Bom, não gosto de jiló e nem de comida de coelho.
– Comida de coelho?
– Sim, tia... Alface, cenoura, repolho, couve, agrião e outras baboseiras.
– Mas, Guilherme, esses alimentos são muito importantes para uma alimentação equilibrada. Além de serem
fontes de vitaminas e sais minerais, são ricos em fibras que ajudam no funcionamento do intestino...
– E você, Felipe, gosta de quê?
– De frutas e de iogurte, porque tem um que vale por um bifinho e não precisa nem mastigar.
– Veja, Felipe, em primeiro lugar mastigar é muito importante para uma boa digestão, pois o estômago não
possui dentes e precisa receber os alimentos bem triturados para facilitar a digestão. Por isso, os alimentos de-
vem ser bem triturados para toda a energia liberar.
Dessa forma tia Sônia foi passando as lições. Em seguida fez algumas importantes recomendações:
– Para acabar com os apelidos, sabem o que vocês devem fazer?
– Brigar com quem nos chamar de botijão e macarrão?! – retrucou Felipe.
– Não, nem pensar! Para acabar com qualquer apelido, a gente nunca deve apelar, quanto mais brigar! Ter
uma boa conversa com os colegas e pedir para serem chamados pelo nome e não por apelido.
Felipe perguntou:
– E se isso não resolver?
– Aí vocês devem contar para a professora ou o professor que, com certeza, vai tomar as providências neces-
sárias, pois um direito está sendo desrespeitado.
Sônia continuou dizendo:
– Agora, de conduta, com certeza, vocês devem mudar.
– Como assim? – perguntaram os dois de uma só vez.
– Em relação à alimentação... Garanto que em pouco tempo vocês serão outros.
– Então, tia Sônia, conte logo o que fazer – quis saber Guilherme.
– Como vocês são dois grandes amigos, um sempre ajudará o outro.
– Ajudar como?!
– Brincando juntos, assistindo televisão e estudando no mesmo horário, além de colaborar nas tarefas
domésticas.
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
– Mas o Guilherme não gosta de brincar ou comer as mesmas coisas que eu.
– É verdade, Felipe, e por isso vocês devem se ajudar.
Para o Guilherme, sei que no início será difícil se acostumar, mas é preciso insistir. Portanto, vamos tentar es-
tabelecer algumas regrinhas:
• acostumem-se a tomar um bom café da manhã, pois deve ser uma das principais refeições do dia;
• doces, balas ou chocolates podem ser consumidos com moderação;
• evitem alimentos gordurosos, açucarados ou enlatados, pois em grande quantidade podem ser nocivos à
saúde;
• o hambúrguer é um sanduíche delicioso, mas não deve substituir o almoço ou o jantar, podem ser consu-
midos com moderação;
• descansem pelo menos trinta minutos após o almoço ou jantar, procurem não discutir nas refeições para
não prejudicar a digestão;
• lembrem-se: uma alimentação saudável necessita ser equilibrada, e por isso ela deve ser bastante variada;
• evitem comer frituras, principalmente os salgadinhos; prefiram alimentos frescos e naturais;
• os refrigerantes são saborosos, mas podem ser consumidos sem exageros. Procurem substituí-los por
sucos naturais e muita água;
• frutas, legumes e verduras no dia a dia não podem faltar, e quando a fome apertar comam uma fruta;
• não se esqueçam de ingerir água. É um alimento importante para a composição do nosso corpo.
Ahhhhh, já ia me esquecendo: Guilherme, para aproveitar a companhia do Felipe, que tal vocês brincarem
mais na rua e fazer outras atividades, como recreação, e muito, muito exercício, seja bicicleta ou natação, pega
-pega, pipa ou pião? O videogame você pode brincar, mas pode ser uma hora por dia, depois dos exercícios e
dos deveres. Seguindo esses conselhos, tudo vai mudar. Gordura não é sinal de saúde, magreza também não. O
ideal é haver equilíbrio por meio dos exercícios e da alimentação para manter o crescimento e o desenvolvimento
ideal do organismo.
• Guilherme e Felipe voltaram para casa muito empolgados e encorajados para tudo mudar.
No início, foi tudo muito difícil, até algumas briguinhas não deixaram de ocorrer, assaltos à geladeira não falta-
ram. Muita preguiça e chororô pintaram, mas os dias foram passando e os resultados não tardaram a aparecer.
Vieram às férias, e os dois se adaptavam. Juntos foram comendo e brincando. O tempo assim bem rápido foi
passando, sem eles mesmos perceberem. Chegou o dia de voltar ao consultório...
– Nossa, que surpresa agradável, você perdeu vários quilos! – falou Sônia, sorrindo, para Guilherme.
Pesou e mediu Felipe. E comentou:
– Que maravilha, Felipe, você ganhou dois quilos!
O mais importante aconteceu no retorno às aulas.
Guilherme virou um craque de futebol e formou uma dupla sensacional. Ele e o Felipe no ataque do time da
escola. Era só:
– Gooool do Guilherme...!!!
– Gooool do Felipe...!!!
Já estava me esquecendo de contar: daqueles apelidos horrorosos, que eles detestavam, ninguém nunca
mais ouviu falar.
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
FICHA DE ATIVIDADE 14
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
1) O professor ou a professora deve ler, para os educandos, a história “Um doce de menina”, intercalando
com informações complementares sobre a diabetes do tipo 1 e do tipo 2, aproveitando para reforçar
(com todos) a importância de se ter alimentação saudável e equilibrada (como deve ser a dieta do diabé-
tico) e os males causados pelos alimentos ricos em açúcar e gorduras, principalmente quando ingeridos
em excesso e fora de hora.
2) Após a leitura, o professor ou a professora convida os educandos para uma roda de conversa e
reflexão sobre a história contada e sobre os problemas e agravos causados pela diabetes, espe-
cialmente nas pessoas que não controlam a doença: por não saberem que estão diabéticos, por
não tomarem os medicamentos necessários, por não praticarem atividades físicas e por não terem
alimentação saudável e equilibrada.
3) Perguntar se os educandos conhecem alguma pessoa com diabetes.
4) Perguntar se os educandos conhecem os recursos disponíveis na comunidade voltados para o tratamen-
to e a prevenção da diabetes.
5) Finalizar com proposta para que os educandos estimulem os pais e parentes, com mais de 35 anos, a
fazerem exames preventivos da diabetes e de outros problemas de saúde.
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
TEXTO DE APOIO:
Um doce de menina
José Luiz Mazzaro
De olhar meigo e carinhoso, Adriana só queria fazer o bem. Consertava a asa quebrada do passarinho, a per-
na do besouro, contava histórias ou ajudava alguém.
Brincar com a cachorrinha Duquesa, correr entre as flores e sonhar com um mundo melhor (sem guerras, as
crianças felizes, velhos amparados e adultos trabalhando), era o que mais gostava, sem esquecer de todos os
dias torcer para tudo isso acontecer.
Ainda muito pequena descobriu que não podia chupar balas, comer bombons, bolos, tomar refrigerante...
Mas nada disso deixava Adriana triste ou infeliz, pois sabia que era para o seu próprio bem. E sempre dizia:
– Pior são as crianças que podem e não têm nada para comer!
Apesar de viver feliz e estar sempre alegre, um dia ficou triste, pois ouviu uma coleguinha dizer bem alto:
– O xixi da Adriana é doce!
Nesse dia Adriana chorou, chorou muito, pois não queria ser diferente de ninguém.
A professora chamou Adriana, abraçou-a carinhosamente e lhe disse:
– Meu amor, não ligue para o que ela falou, pois só quem é tão especial quanto você pode ser assim, meiga
e doce.
Os coleguinhas escutaram a professora falar, ficaram curiosos e perguntaram:
– Mas, afinal, o que Adriana tem de diferente?
E a professora, sem pestanejar, respondeu:
– Ahhh... Ela tem de diferente o que todo mundo deveria ter: alegria, meiguice, ternura, a bondade no coração,
sonhos, as boas ações e um pequeno problema chamado diabetes. Que é uma doença que quando bem cuida-
da não modifica a vida de ninguém.
Depois daquele dia, Adriana nunca mais ficou triste. Passou a ensinar para os colegas a importância de uma
alimentação equilibrada, saudável e natural para ter uma boa saúde.
Ensinava que a diabetes é uma doença que acontece com as crianças, mas que os adultos também podem
ter. E o que é pior, sem saber.
Por isso, alertava que sentir muita sede, fraqueza, urinar várias vezes ao dia e durante a noite, e emagrecer
repentinamente e sem motivo podem ser sintomas da doença.
Pedia sempre que os colegas ficassem atentos e falassem com os pais sobre a importância dos exames mé-
dicos. Todos os anos.
Adriana mostrava que podia e sabia como cuidar sozinha de sua saúde, fazendo os testes necessários e
aplicando a injeção de insulina.
Por causa de Adriana, ninguém na escola tinha medo de injeção, de dentista ou de médico.
Mas a principal lição que aprenderam foi a de ser solidários e responsáveis consigo mesmos.
O tempo foi passando, Adriana crescia, o mundo mudando, mudando...
Lógico que o mundo com o qual ela tanto sonhou ainda está por vir, e exatamente por isso aquela doce
menina sonhadora, agora professora, ainda não parou de sonhar, acreditar e principalmente trabalhar por
um mundo melhor.
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
FICHA DE ATIVIDADE 15
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: garrafa pet, caixa de ovo, tesoura sem ponta, sementes, mudas, pa-
pel e lápis.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: o professor ou professora deve fazer a leitura do texto “A revolução dos vege-
tais” para os estudantes. Após a leitura, organize a turma em roda de conversa e peça aos estudantes para
relatarem:
O professor ou professora deve solicitar aos estudantes que criem uma tabela com três colunas e a quan-
tidade de linhas necessárias que suporte a hipótese de classificação dos hábitos alimentares citados na roda de
conversa em “adequados” ou “inadequados” de todos os alunos. Veja a sugestão:
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
O professor ou professora poderá solicitar uma pesquisa dos estudantes com os pais ou outros responsá-
veis, na qual classifiquem os hábitos alimentares de toda a família em “adequados” ou “inadequados”. Peça
aos estudantes para relatarem, por meio de registro escrito, os procedimentos e cuidados com os alimentos.
Sugestão de modelo para a confecção de uma tabela.
TAREFA DE CASA
Debater com os estudantes se os hábitos alimentares estão corretos e o que precisa mudar.
Ao final da discussão, o professor ou professora propõe aos estudantes montar uma horta, como no
exemplo abaixo.
HORTINHA DE PET
Material:
Como montar:
1. Deite a garrafa plástica e corte um retângulo na parte superior. Faça pequenos furinhos em sua base.
2. Coloque a terra dentro da garrafa e coloque um vaso sobre a tampa da caixa de ovo. Assim, a caixa
absorverá a água que corre.
3. Agora é hora de plantar! Enterre as sementinhas ou plante sua muda, cobrindo bem as raízes ou
sementes com terra.
4. Prontinho! Você já tem sua horta em casa. Para a planta crescer bastante, é importante regar duas
vezes ao dia e deixá-la em um lugar bem arejado.
Boa brincadeira!
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
TEXTO DE APOIO:
Revolução Vegetal
José Luiz Mazzaro
Após forte ventania e grande tempestade, a pequena Cenoura, que havia sido arrancada da horta, foi
levada pela enxurrada por várias horas até chegar a uma “diferente” comunidade.
Ainda meio tonta pela longa e inesperada viagem, a Cenoura abriu bem os olhos e, sem saber se estava
sonhando, disse admirada ao ver aquela horta:
– Nossa, que horta maravilhosa!
E um robusto Rabanete retrucou:
– Você ainda não viu nada, pequena Cenoura.
E a Cenoura, maravilhada com a beleza daquele grande Rabanete, argumentou:
– É que estou chegando agora, grandioso Rabanete!
– De onde você vem, pequena Cenoura?
– Venho de uma horta – e ao fazer uma rápida comparação, corrigiu: – Ou melhor, de uma hortinha a
algumas horas daqui.
– Logo vi que vem de longe, pequena Cenoura.
– Como sabe que venho de longe? – perguntou encabulada a Cenoura.
– Pelo seu porte, pequena Cenoura.
– Pelo meu porte?
– Sim, pequena Cenoura, pois mesmo sendo tão bela e formosa, sei que não existe, por estas redonde-
zas, Cenoura adulta tão pequena como você.
– Obrigada, grandioso Rabanete, você também é belo e muito gentil. Gostaria muito de conhecê-lo me-
lhor e todos desta horta.
– Pois não, pequena Cenoura – falou o Rabanete, já se desprendendo da terra. Deu alguns passos em
direção à Cenoura, estendeu-lhe a mão e carinhosamente a chamou para passear pelos canteiros daquela
fabulosa horta.
Depois de ser apresentada ao tomate, ao pepino, à couve, à alface e à acelga, e de ficar admirada com a
formosura e o tamanho das verduras e legumes daquele estranho lugar, a Cenoura questionou o simpático
Rabanete:
– Grandioso Rabanete, conte-me o segredo deste lugar.
– Qual segredo, pequena Cenoura?
– Da beleza, do tamanho das plantas, a grandiosidade desta horta.
– Não existem mágica ou segredo, pequena Cenoura.
E o Rabanete parou de falar ao ouvir, mesmo de longe, as crianças chegando para uma atividade na hor-
ta. Puxou carinhosamente a Cenoura pela mão e disse:
– Esconda-se, por favor, aqui, depressa, que a magia não pode se quebrar.
E a pequena Cenoura, escondida atrás do tomateiro, de mãos dadas com o Rabanete, ficou horas e ho-
ras a observar e a pensar:
– Como eram bonitas e coradas aquelas crianças.
E assim, agachadinha, a Cenoura ficou a tarde todinha, admirando tudo e todos.
Quando as crianças foram embora, a Cenoura e o Rabanete, de mãos dadas, voltaram a passear e con-
versar:
– Como estava mesmo falando, pequena Cenoura, não existem mágica ou segredo. Neste lugar há amor,
trabalho e dedicação, depois que houve aqui uma grande revolução.
– Uma revolução? Foi isso mesmo que ouvi?
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
RECURSOS COMPLEMENTARES:
<http://veja.abril.com.br/multimidia/video/alimentacao-saudavel-criancas>
<www.youtube.com/watch?v=eUsEmWQ81yw>
<www.youtube.com/watch?v=IheXSMN9Jb0>
FICHA DE ATIVIDADE 16
NÍVEL DE ENSINO: (X) Educação Infantil (X) Fundamental/Séries Iniciais e Finais ( ) Médio
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: diferenciar sabores – degustar alimentos e identificá-los pelo sabor. Provar
alimentos e tentar perceber a parte da língua que permite sentir o sabor e saber que existe relação entre o
órgão do paladar e o cérebro.
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: vários recipientes pequenos com porções de alimentos para degusta-
ção (sal, limão, açúcar e café) e espelho para cada grupo.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
Atividade 1 – Degustar alimentos e descobrir sabores.
1º momento: o professor ou professora inicia o tema questionando as crianças sobre o sentido do paladar,
fazendo uma brincadeira de oralidade. Diz para as crianças que elas têm 5 minutos para explicar por que sen-
timos os sabores dos alimentos quando os levamos à boca.
2º momento: o professor ou professora traz vários recipientes pequenos com porções de alimentos para de-
gustação (sal, limão açúcar e café). No momento da experimentação, as crianças fecham os olhos e tentam
descobrir em qual parte da boca estão sentindo o sabor e qual é o sabor. Desse modo, o professor ou profes-
sora, com um conta-gotas, coloca sal, diluído na água, na ponta da língua das crianças, e pede para que elas
fechem os olhos e sintam o sabor; solicita que as crianças descrevam-no e digam qual a parte da língua que
pode sentir o sabor salgado.
Observação: o professor ou professora coloca gotas de limão na ponta da língua das crianças e faz o mesmo
exercício com o café e com o açúcar.
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
2º momento
O professor ou professora organiza as crianças em pequenos grupos (quatro crianças); no momento do tra-
balho, dividem-se em pares; com a ilustração do órgão, localizam na língua do colega as partes indicadas na
foto (um observa e analisa a língua do seu par e depois mudam de posição). Em seguida, voltam para o grupo
e discutem o que observaram.
3º momento
O professor ou professora entrega um espelho ao grupo, e cada componente tem três minutos para procurar
os pontos indicados na foto. Em seguida, o grupo discute a experiência.
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
1º momento
As crianças combinam no grupo como desenharão e indicarão as partes da língua que permitem perceber o
paladar dos objetos ou alimentos colocados na boca. Em seguida, desenham, pintam e escrevem o nome das
áreas receptoras.
2º momento
Cada grupo apresenta o que entendeu sobre o paladar, tendo como ilustração o desenho elaborado. Nesse
momento, o professor ou professora ajuda as crianças no processo dialógico, tira dúvidas e faz esclarecimen-
tos.
3º momento
O professor ou professora procura pequenos textos para leitura na sala, ou elabora textos sobre o paladar
como um dos sentidos humanos vinculados a certa área do cérebro, que permite sentir gosto. No final, solicita
que as crianças tragam frutas da região para uma degustação e sintam os sabores; em seguida, explica-se por
que conseguem sentir os sabores dos alimentos.
Avaliação
A avaliação deve ser feita para saber o aprendizado das crianças e o nível de desenvolvimento. O professor ou
professora observa se já sabiam ou aprenderam a diferenciar sabores, degustar alimentos e identificá-los pelo
sabor; se conseguiram perceber no momento da degustação dos alimentos a parte da língua que permitiu
sentir os sabores; se, em suas explicações, fizeram relação entre o órgão do paladar e o cérebro; se desenvol-
veram a habilidade de trabalhar em grupo e se desenvolveram a habilidade de explicar e de argumentar os
resultados.
RECURSOS COMPLEMENTARES:
Textos para reflexão:
MEYER, C. Provocando sensações. Disponível em: <www.cybelemeyer.com.br/index.php?cont=artigos&i-
d=5&tema=textos>. Acesso em: 19 abr. 2013.
47
MINISTÉRIO DA SAÚDE
FICHA DE ATIVIDADE 17
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: conhecer nomes e imagens de algumas frutas; conhecer nomes e imagens
de algumas fruteiras; explorar características físicas das frutas e pesquisar de onde vêm as frutas.
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: vários recipientes pequenos com porções de alimentos para degus-
tação (sal, limão, açúcar e café), e um espelho para cada grupo.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: para vivenciar essa aula, os alunos precisam ter presenciado discussões ini-
ciais sobre o tema das frutas. Esses conhecimentos poderão ser trabalhados nas aulas apresentadas neste
portal, intituladas: “Frutas: será que nascem do supermercado?”, “Construindo um livro de receitas: frutas
pra que te quero”.
Outra atividade sugerida é que o professor construa com as crianças listas com o nome das frutas que apare-
cem na letra da música e depois proponha às crianças a pesquisarem as imagens dessas frutas.Na letra Pomar,
o professor ou professora poderá construir uma lista com o nome das frutas e de suas respectivas fruteiras.
Sugerimos para essas aulas duas letras de músicas:
Ao ser mostrada a música Morena Tropicana, poderá ser apresentado o vídeo para as crianças.
Vídeo Morena Tropicana: <www.youtube.com/watch?v=AqA9TZm7RwY>.
48
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
Ao apresentar a música Pomar, poderá ser exibido o vídeo e explorado o nome das fruteiras.
FICHA DE ATIVIDADE 18
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: pesquisar receitas da culinária regional e escolher uma para a culinária; preparar um
prato regional; registrar a receita do prato regional preparado, seguindo as normas da escrita desse gênero textual.
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: material para pesquisa, ingredientes para montar um prato regional,
prato, caneca, copo, garfo, faca e/ou colher.
49
MINISTÉRIO DA SAÚDE
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
1° momento
O professor ou a professora inicia a aula conversando com as crianças sobre pratos regionais, receitas e prefe-
rências. Depois, poderá propor uma votação para escolher um prato e fazer uma aula de culinária. Escolhido
o prato, o próximo passo é selecionar os ingredientes e solicitar a colaboração de algumas crianças. O pedido
será feito à família por meio de um bilhete que será produzido coletivamente e lido na roda. As crianças que
não contribuírem com ingredientes para essa culinária poderão fazê-lo em outra ocasião.
2° momento
No dia combinado, o professor receberá os ingredientes e os apresentará às crianças. É hora de explorar no-
mes, cheiros, sabores, cores e texturas. Nesse momento, o professor ou professora deverá demonstrar prazer
e ressaltar as características de cada alimento. A culinária deverá ser encaminhada por um adulto; entretanto
as crianças participarão desenvolvendo ações como mexer, misturar, bater ou medir, dependendo das carac-
terísticas da preparação. O professor ou a professora deve designar, antecipadamente, um grupo de crianças
para ler a receita e orientar a preparação.
3° momento
Quando o prato estiver pronto, é hora de saboreá-lo. Caberá ao adulto orientar sobre a melhor forma: quente,
frio ou gelado, além do uso de utensílios adequados: prato, caneca, copo, garfo, faca e/ou colher. Nesse mo-
mento, é importante ficar atento às falas das crianças em relação à iguaria que estão saboreando. Terminada
a degustação, a professora ou o professor pode ler para as crianças um pouco da história do prato preparado,
pois trata-se de um alimento regional. Assim, as crianças ficarão sabendo qual a sua origem, por que tem
esse nome, entre outras informações. Em seguida, a professora ou o professor deve solicitar que as crianças
representem com desenho e escrita o momento da degustação.
4° momento
O professor ou a professora deve reproduzir para cada criança uma cópia da receita que elas acabaram de pre-
parar e degustar. Depois, o professor ou a professora encaminhará, coletivamente, em um quadro ou painel, o
registro da receita culinária, seguindo as normas da escrita desse gênero textual. Por fim, o texto coletivo será
ilustrado pelas crianças e afixado no mural da sala de aula. Sugerir que as crianças levem para casa e peçam
aos familiares que preparem e degustem juntos.
RECURSOS COMPLEMENTARES
Culinária regional do Brasil
<www.cozinharegional.com.br/>
50
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
AVAlIAÇÃO
Com essa aula é possível avaliar se as crianças:
FICHA DE ATIVIDADE 19
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: o aluno poderá conceituar diabetes, listar sintomas e medidas de controle
e prevenção.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno; noções básicas
de hormônios e glândulas.
1º momento
Professor/professora: coloque à disposição o vídeo Diabetes: controle e prevenção, que pode ser acessado pelo site:
<www.youtube.com/watch#!v=m6NfXG5fI0s&feature=related>
Após assisti-lo com a turma, proponha as seguintes questões:
2º momento
Proponha aos alunos a leitura dessa narrativa (antes de iniciar a leitura, faça uma sondagem com os alunos
sobre Gandhi; apresente-lhes uma rápida biografia dele):
51
MINISTÉRIO DA SAÚDE
1. Solicite aos alunos associar a narrativa com os hábitos alimentares e com a mudança de hábitos.
2. Professor, discuta com os alunos a importância da educação alimentar e que ela implica mudança
de hábitos alimentares. Acrescente que essa educação apresenta melhores resultados quando é es-
tendida a todos os familiares (ressalte a importância de selecionar nossos alimentos não apenas pelo
sabor, mas igualmente pelo valor nutritivo).
3. Solicite que os alunos leiam essa narrativa com os pais e socializem para os demais colegas a opinião
dos pais.
3º momento:
Convide um nutricionista para fazer uma palestra para os alunos (se possível para os familiares) sobre a ali-
mentação (particularmente doces, refrigerantes, entre outros) e suas implicações sobre a qualidade de vida.
Peça aos alunos para redigir pelo menos cinco informações que consideraram importantes durante a palestra.
RECURSOS COMPLEMENTARES
Professor/professora: aprofunde seus conhecimentos sobre diabetes acessando o site: <www.abcdasaude.
com.br/artigo.php?127>.
AVALIAÇÃO
Solicite aos alunos que elaborem frases informativas sobre a diabetes, que deverão ser afixadas em pon-
tos estratégicos da escola a fim de serem lidas por toda a comunidade escolar. Avalie as frases e a criati-
vidade dos trabalhos.
52
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
FICHA DE ATIVIDADE 20
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: identificar com os estudantes o consumo dos alimentos saudáveis, causas e
consequências do consumo errado desses alimentos.
Após essas atividades, o professor ou a professora poderá solicitar aos estudantes que façam um cartaz refle-
tindo uma boa alimentação.
FICHA DE ATIVIDADE 21
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: conscientizar sobre a importância das verduras e legumes para uma alimenta-
ção saudável, nutritiva e balanceada.
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: uma cópia do texto “Vovó Cleusa”; revistas velhas; tesoura e cola.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: ler o texto “Vovó Cleusa” para os educandos, interrompendo a leitura, sempre
que necessário, para informar e esclarecer as dúvidas. Após a leitura, o professor ou a professora deve dis-
tribuir, para cada um dos educandos, uma folha de papel em branco e revistas. Solicitar aos educandos que,
individualmente, procurem figuras que possam servir para ilustrar o texto que acabaram de ouvir (pode ser
proposta como atividade extraclasse). Em seguida, o professor ou a professora deve organizar uma roda de
53
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Vovó Cleusa
Danielle Mazzaro
Vovó Cleusa vai toda semana à feira e vem com a cesta cheia de vitaminas, sais minerais e muitos remédios
naturais.
Ela prepara a comida mais deliciosa que existe e diz:
– Quem da minha comida provar, remédios dificilmente vai precisar!
Quando ela faz espinafre, serve sorrindo e diz para o Vovô:
– Quero você bem forte! Longe da anemia e das infecções, enxergando direitinho e com muita disposição.
Quando serve couve, que delícia! Todos querem repetir. Pode ser rasgada, cortada bem fininha ou em uma rica
farofinha. Nesse dia, não precisa nem dizer: couve é rica em vitaminas do tipo A, B, C e K, e contém ferro e cálcio,
que são minerais essenciais.
Vovó Cleusa sempre faz uma inesquecível saladinha: com alface, tomate e agrião. Todos lá em casa já sabem as
vitaminas e os minerais que a alface e o tomate nos oferecem. Mas ela sempre comenta:
– Isso é salada diária, que não pode faltar em nenhuma refeição, no almoço ou jantar, em banquete fino ou na
refeição da escola, no hospital ou na marmita do trabalhador. Pois não podemos deixar de comer alface, tomate e
o famoso agrião, no qual há um óleo essencial, rico em iodo, ferro, fosfato e minerais.
E assim Vovó Cleusa nos enriquece todos os dias, com sua cultura, sabedoria e farta refeição, em que não faltam
beterraba, cenoura, abóbora ou jerimum, berinjela, chuchu, mandioca ou macaxeira, sem falar no amargo jiló, que
vira doce bem gostoso, para sobremesa do almoço ou do jantar.
TEXTO DE APOIO:
FICHA DE ATIVIDADE 22
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: distribuir o texto “Frutas” e solicitar que os educandos realizem uma leitura
silenciosa. Após a leitura dos educandos, o professor ou a professora deve ler novamente o texto para os edu-
candos. Em seguida, o professor ou a professora deve organizar uma roda de conversa e pedir aos estudantes
para relatarem:
TEXTO DE APOIO:
Frutas
Danielle Mazzaro
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
Participação Juvenil/Infantil
Em nosso País, crianças e adolescentes são compreendidos como sujeitos de direito, que devem ser
protegidas pelo estado, sociedade e família, com prioridade absoluta.
Um dos documentos mais importantes para a garantia desses direitos é o Estatuto da Criança e do
Adolescente (ECA)4 , que representa grande avanço da legislação brasileira, iniciado com a promulgação da
Constituição de 1988. Fruto da luta da sociedade, o ECA garante a todas as crianças e adolescentes o trata-
mento com atenção, proteção e cuidados especiais para se desenvolverem e se tornarem adultos conscientes
e participativos no processo inclusivo.
Entretanto nem sempre esses direitos são cumpridos e respeitados como deveriam. Por essa razão, é mui-
to importante que crianças, adolescentes e jovens saibam esses direitos e, principalmente, que se posicionem
quando estes forem violados.
Uma de nossas propostas para a Semana Saúde na Escola é, portanto, mostrar a importância da partici-
pação das crianças, adolescentes e jovens na construção de uma sociedade cidadã.
De acordo com o dicionário, o verbo participar tem vários significados: fazer saber, comunicar, anunciar,
tomar parte de, associar-se pelo sentimento, pelo pensamento e solidarizar-se com.
A participação é um dos principais instrumentos na formação de uma atitude democrática. Quem parti-
cipa ativamente da vida de uma comunidade, de uma cidade, estado ou país torna-se sujeito de suas ações, é
capaz de fazer críticas, escolher, defender seus direitos e cumprir melhor suas responsabilidades.
Na história do Brasil, são vários os exemplos de participação de adolescentes e jovens: o movimento
estudantil; a luta pelas Diretas Já, quando reconquistamos o direito ao voto; os espaços de cultura e lazer –
grafiteiros, teatro, hip hop, skatistas, bandas musicais – a mobilização em torno de uma causa ou campanha –
grupos ecológicos, acampamentos internacionais da juventude, campanhas via internet, entre muitos outros.
O grêmio estudantil é espaço importante de participação dos estudantes dentro da escola. Além de or-
ganizar atividades culturais e educacionais, o grêmio estimula a participação de crianças e adolescentes em
atividades voltadas à promoção integral do sujeito.
Desenvolver ações com a participação de crianças, adolescentes e jovens pressupõe uma relação dinâmica
entre formação, conhecimento, participação, responsabilização e criatividade como mecanismos de fortaleci-
mento da perspectiva de educar para uma cidadania ética e responsável 5.
Educar para a participação é, antes de tudo, criar espaços para o aluno e a aluna empreenderem, por si
mesmos, a construção de seu ser. A utilização de oficinas, jogos, cenas e demais metodologias de linha parti-
cipativa costuma ser a melhor opção. Vale lembrar que a opção pelo desenvolvimento de propostas baseadas
na participação infantil e juvenil exige educadores e profissionais da Saúde que realmente reconheçam o po-
4
BRASIL. Ministério da Saúde. Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, 2008.
5
SILVA, Thais Gama; ASINELLI-LUZ, Araci. Protagonismo juvenil na escola: limitações e possibilidades enquanto prática pedagógica
na disciplina de biologia. Disponível em: <www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1362-8.pdf>. Acesso em: 21 fev. 2012.
56
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
tencial transformador das novas gerações. Exige ainda a revisão das próprias posturas, abrindo maior espaço
para alunas e alunos pensarem e dirigirem-se a si mesmos, habilitando-os a verdadeiramente participar da
construção social por meio da construção de si próprio.
FICHA DE ATIVIDADE 23
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: folhas de flip chart, canetões coloridos, revistas que tenham fotos de
adolescentes e jovens, tesouras e fita crepe.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Peça para formarem grupos de 5 ou 6 pessoas, distribua as revistas, tesouras, colas e a folha de flip chart
a cada um dos grupos. Em seguida, determine que procurem fotos de adolescentes e jovens e as recortem.
– Quando terminarem de recortar, requisite a colagem das figuras na folha de papel, observando quantos
meninos e quantas meninas apareceram; se há negros, brancos, asiáticos, indígenas e quantos de cada raça;
o que esses adolescentes e jovens estão fazendo; a que classe social pertencem e pergunte o que mais per-
ceberam de desigualdades. Estabeleça a eleição de um relator ou relatora para apresentar essas observações.
– Assim que todos os grupos apresentarem as colagens, proponha olharem cuidadosamente e compararem
aquelas imagens com os adolescentes e jovens que conhecem, pensando nos alunos e alunas da escola e nos
adolescentes e jovens da comunidade.
– Depois de feita as comparações, solicite que voltem aos grupos, compartilhem as ideias e elaborem frases
sobre o que é ser criança, adolescente e jovem nos tempos atuais.
– Quando os grupos terminarem, solicite a cada grupo colar as frases na parede e, em conjunto, elaborar um
conceito a partir das contribuições de todos.
– Aprofunde a discussão utilizando as seguintes perguntas:
FINALIZAÇÃO
Crianças, adolescentes e jovens são sujeitos de direito e, portanto, dignos de respeito, independente-
mente da cor, sexo, idade, cultura, raça, religião, classe social, condição de saúde, orientação sexual, grau de
instrução, se estão cumprindo medidas socioeducativas ou vivendo com o HIV e a aids.
57
MINISTÉRIO DA SAÚDE
A discriminação e o preconceito são fenômenos sociais que produzem e alimentam diferentes situações
de violência e violações de direitos humanos. Criam, nas pessoas que são alvos desses mecanismos, mal-es-
tar, insegurança, angústia, isolamento e sofrimento. Esses sentimentos podem interferir nas relações sociais;
prejudicar o rendimento escolar; impedir o acesso a oportunidades de emprego ou promoção no ambiente
de trabalho; aumentar a vulnerabilidade às DSTs, HIV e aids, ao uso do álcool, crack e outras drogas; enfim,
influenciar a qualidade de vida e de saúde.
Refletir sobre todos esses aspectos proporciona um primeiro passo para a mudança cultural visando a um
mundo mais inclusivo, respeitoso e justo.
DICA
O filme Como uma onda no ar conta a história de Jorge, Brau, Roque e Zequiel, quatro jovens negros
moradores de uma favela de Belo Horizonte e amigos desde a infância. Eles criam a Rádio Favela, que logo
conquista os moradores locais ao abrir espaço para os interesses da comunidade.
FICHA DE ATIVIDADE 24
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: quadro ou papel afixado no mural ou no chão, pincel atômico e papel A4.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Inicie a oficina explicando que um dos documentos mais importantes existentes para a garantia dos direitos
dos adolescentes é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
– Em seguida, distribua uma cópia do artigo 4° do Estatuto para todos e peça que um aluno ou uma aluna
leia o texto em voz alta.
58
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
– Depois da leitura, peça para se reunirem em quatro grupos; distribua uma tira para cada um deles e explique
que a proposta é uma reflexão, que consta no ECA, sobre a saúde.
– Esclareça que cada grupo deverá pensar sobre o que concretamente deveria acontecer para mostrar que os
direitos à saúde de jovens e adolescentes sejam, de fato, respeitados. Por exemplo, precisam ter informações
sobre como se prevenir de algumas doenças.
– Na terceira coluna, explique que não é suficiente apenas ter informações sobre como se prevenir de algu-
mas doenças, se adolescentes e jovens não tomarem uma atitude para a prevenção. Portanto, adolescentes e
jovens precisam se cuidar.
– Quando todos terminarem de preencher as tiras, peça para apresentarem as conclusões e abra para o debate
a partir das seguintes questões:
1. O que é saúde?
2. Como as meninas cuidam de sua saúde? Como os meninos cuidam de sua saúde?
3. O que seria possível fazer na escola para chamar a atenção sobre a responsabilidade de cada aluna e
aluno para o cuidado com a própria saúde?
4. E para a saúde coletiva, o que seria possível fazer?
FINALIZAÇÃO
O Estatuto da Criança e do Adolescente, como foi denominada a Lei Federal n° 8.069, de 13 de julho de
1990, tem 267 artigos que tratam da proteção integral às crianças e aos adolescentes de todo o Brasil. O ECA,
como é mais conhecido, foi elaborado para atender às pessoas de zero a 18 anos e, em alguns casos, com
idade de 18 a 21 anos, levando em consideração que são cidadãos em desenvolvimento.
MATERIAL DE APOIO
6
BRASIL. Ministério da Saúde. Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, 2008.
59
MINISTÉRIO DA SAÚDE
DICA
A publicação Adolescentes e participação política, elaborada pelo Unicef, apresenta um histórico da atu-
ação de adolescentes e jovens na política brasileira e sugestões práticas de como organizar uma ação de
promoção e defesa de uma causa e multiplicar a ideia da participação no contexto escolar.
FICHA DE ATIVIDADE 25
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: mobilizar alunos e alunas para a elaboração de ações voltadas à promoção da
saúde e à prevenção de doenças e agravos.
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: tiras de papel, quadro ou papel afixado no mural ou no chão, pincel
atômico e papel A4.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Abra uma roda de conversa e distribua uma tira de papel azul para cada participante. Em seguida, peça
para responderem às seguintes questões: o que já aprendemos na escola sobre saúde? O que mais precisamos
aprender?
– Quando terminarem de escrever a resposta, peça para colarem as respostas na parede com fita crepe.
– Em seguida, distribua tiras de papel rosa e peça para responderem à seguinte pergunta: como gostaríamos
que o tema Saúde fosse trabalhado na escola?
– Solicite que, quando terminarem de escrever, colem as respostas ao lado das que foram respondidas no
papel azul, mas deixando espaço de um metro entre elas.
– Quando todas as tiras forem coladas, coloque uma cartolina cortada ao meio, distribua tiras verdes e expli-
que que nessa ponte poderão colocar as propostas a fim de contribuir para promover a saúde na escola.
– Quando todas as propostas estiverem coladas, abra para o debate a partir das seguintes questões:
1. O que é uma escola? Qual é o seu objetivo?
2. Por que existe a Semana Saúde na Escola? Ela é importante? Por quê?
3. O que crianças, adolescentes e jovens podem fazer para deixar a escola mais saudável? E a comuni-
dade em que vivem?
60
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
FINALIZAÇÃO
Promover a saúde não é somente ir ao serviço de Saúde quando se está doente. É ter acesso a informa-
ções corretas e em linguagem adequada; educação formal de boa qualidade; segurança alimentar e nutricio-
nal; ambientes seguros e saudáveis; habitação digna; trabalho e emprego decentes e segurança.
Promover a saúde é se aproximar das necessidades humanas, sendo contextualizadas na vida social, cultural e
econômica de cada tempo e lugar.
DICA
A publicação Escolas promotoras de saúde: experiências do Brasil – <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/
publicacoes/escolas_promotoras_saude_experiencias_brasil_p1.pdf>. – tem por objetivo fortalecer a
capacidade dos setores de Saúde e de Educação em promover a saúde, o bem-estar e a qualidade
de vida de meninos, meninas, adolescentes, pais, professores e outros membros da comunidade. As
experiências exitosas descritas nesse material podem trazer algumas novas ideias para se desenvolver
trabalhos conjuntos entre os setores da Educação e da Saúde.
FICHA DE ATIVIDADE 26
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: papel, lápis, fita adesiva, flip chart ou papel pardo, pincéis atômicos
e uma sacola plástica (tipo de supermercado).
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Distribua um quadradinho de papel para cada uma delas.
– Solicite que, individualmente, pensem em um objeto que possuem e do qual gostam muito.
– Essa informação não deverá ser passada ainda para as outras crianças.
– Solicite que desenhem o objeto no papel, que dobrem os quadradinhos e os coloquem em uma sacola.
– Embaralhe os quadradinhos e os redistribua para as crianças.
– Solicite que cada uma mostre o desenho que recebeu e que o cole na folha de flip chart ou papel pardo
com fita adesiva.
– Abra uma roda de conversa perguntando às crianças:
61
MINISTÉRIO DA SAÚDE
FINALIZAÇÃO
A escola pública não pertence ao governo, nem ao diretor, nem ao professor e nem aos educandos. Per-
tence à comunidade escolar formada pelos professores, alunos, funcionários e pela comunidade que vive no en-
torno da escola. Financeiramente, ela é mantida pelo dinheiro recolhido nos impostos. Assim, todas as pessoas
que a frequentam precisam cuidar dela, do mesmo modo que cuidamos das pessoas e dos objetos que amamos.
DICA
O filme Vida de inseto – direção de John Lasseter e Andrew Stantos, 1998 – é uma boa ferramenta para
se trabalhar a cooperação e a união dos diferentes na resolução de um problema comum.
Cultura de Paz
A gente convive tanto com a violência que nem sabe mais quando um ato é violento ou não. É claro que
quando aparecem as notícias sobre assaltos, assassinatos, guerras, brigas de gangues, logo a gente a identi-
fica. Mas violência não é só isso. Existem outras formas dela se manifestar, e nem percebemos. Por exemplo:
uma brincadeira sobre alguém que é diferente do seu grupo, uma piada sobre alguma raça ou sobre pessoas
que fizeram escolhas diferentes das suas. Isso é uma semente de violência, que uma hora pode virar uma árvo-
re grande e frondosa, que espalhará sua sombra sobre muita gente e causar muitos males. Este é um daqueles
casos em que se deve cortar o mal pela raiz, ou seja, não participar da conversa, não deixá-la prosseguir, por-
que já se sabe onde pode acabar. Existem, ainda, aquelas formas de violência que parecem não ter jeito de se-
rem resolvidas. Mas acredite, sempre tem. A violência pode acontecer dentro de casa, com maus-tratos físicos,
abuso sexual e psicológico, descuido ou abandono da criança e do adolescente. E pode acontecer fora, como
nos casos de trabalho e prostituição infantis, violência nas escolas ou nas ruas, e conflitos com policiais. Em
todos os casos, pode-se denunciar e pedir ajuda ao Conselho Tutelar, órgão municipal encarregado de fazer
com que o Estatuto da Criança e do Adolescente seja cumprido. O que não se pode é ficar calado, indiferente
ou amedrontado. Não deixe a violência começar. Mas, se ela começar, lembre-se: você tem meios de pará-la.
A escola, lócus de inclusão e convivência de diversidades, é fundamental na construção da cidada-
nia. Sua função social relaciona-se ao desafio de assegurar a todos a oportunidade de aprendizagens
significativas, desenvolvimento de potencialidades individuais e preparo básico para a vida em um mundo
melhor. O reconhecimento da violência na escola, uma nova e urgente questão, é um primeiro passo na
interpretação do fenômeno, caracterizado por sentimentos de medo, isolamento, angústia e tantos outros
a interferir nas relações interpessoais. Ela chega a se confundir com a violência das ruas, não respeitando
o limite do espaço físico da instituição.
Pensar em promoção da saúde e na capacidade de superar as adversidades transfere o foco da ação dos
fatores de risco para os fatores de proteção. A promoção da saúde propõe a articulação entre escola, serviços
62
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
de Saúde, outros equipamentos sociais e comunidade, para proporcionar mais chances aos sujeitos sociais
de encontrarem soluções para seus problemas. É fundamental a discussão e a reflexão coletiva sobre a
realidade presente, o conhecimento da rede de complexidade do território e o desenvolvimento de ações/
estratégias que modifiquem a realidade da comunidade. Essa violência pode se manifestar de diversas for-
mas e proporções preocupantes, da agressão física, furto, roubo (em geral, contra o patrimônio da própria
escola ou da comunidade do educando), porte de armas, tráfico de drogas, até ofensas verbais, aparente-
mente menos graves, que revelam atitudes discriminatórias, segregativas e humilhantes, por vezes difíceis
de perceber ou mensurar.
Hoje, é bastante frequente nas escolas o bullying. São vários os sinais que podem indicar uma criança
ou adolescente sob violência: lesões físicas; dificuldades de aprendizagem; comportamento apático, tenso,
rebelde e/ou agressivo; isolamento, afastamento; choros; fugas de casa ou negação do convívio familiar ou de
pessoas/grupos específicos; má nutrição e outros. Além do planejamento de intervenções no ambiente e nas
relações sociais, com vistas à construção de relações mais saudáveis, cooperativas e solidárias, a escola pode
integrar redes de prevenção de violências, comprometendo-se a identificar e prevenir sinais de violência e ou-
tras manifestações que antecedem o evento violento. A violência é um problema crescente para os gestores
das escolas. O bullying merece especial atenção nas escolas.
O termo bullying (do inglês bully = valentão, brigão) é usado para identificar qualquer ato com o sentido
de troçar ou gozar, tiranizar, ameaçar, intimidar, humilhar, isolar, perseguir, amedrontar, ignorar, ofender, bater,
ferir, discriminar e imputar apelidos maldosos a outrem.
Bullying compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, sem motivação
evidente, provocadas por um ou mais estudantes em relação a outros, responsáveis por causar dor, angústia,
exclusão, humilhação, discriminação, entre outros sentimentos, sob uma relação desigual de poder.
FICHA DE ATIVIDADE 27
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: papel 40kg ou Kraft, 4 conjuntos de canetas hidrocores, lápis,
borracha e papel A4.
63
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Apresentação da proposta:
O grupo é dividido em subgrupos de 6 participantes (em média). Cada um irá dispor de uma folha de
papel (40kg ou Kraft) e papel A4 e um conjunto de canetas hidrocores. Cada subgrupo poderá trabalhar com
a folha apoiada em uma mesa grande ou no chão, de maneira que todos tenham acesso ao papel e às canetas.
Os subgrupos são convidados a desenhar conjuntamente um mapa da comunidade. Propõe-se, nesse caso, a
elaboração de um mapa temático em que podem ser registrados um ou mais dos tópicos a seguir:
– situações de violências em seu território;
– instituições que fazem parte da rede e que atendam a estas situações de violências;
– acesso a estas instituições;
– integração entre estas instituições.
A partir de um mapa de base, pode-se utilizar folhas de papel-manteiga para registro de novas informa-
ções sobre o território, o mapa do passado, o mapa do futuro – o que melhor convier aos objetivos propostos
ao grupo em questão e à disponibilidade de tempo.
Tempo médio para desenho do mapa: 40 minutos.
FICHA DE ATIVIDADE 28
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: pincel atômico, canetas hidrocores, tesoura, fita crepe e cartolinas.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: solicitar aos participantes que relacionem os diferentes grupos organizados que
atuam no local. Dependendo do número de participantes, pode-se realizar o trabalho em pequenos subgru-
pos, apresentando-se depois os pontos de vista em plenária.
64
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
Pedir aos participantes que atribuam pesos às instituições de acordo com o trabalho realizado e sua im-
portância. Distribuir círculos de diferentes tamanhos e solicitar que coloquem neles o nome das instituições,
utilizando-se círculos maiores para contribuições mais significativas.
Um círculo grande colado na parede representa a comunidade.
O grupo deverá afixar os círculos das instituições, posicionando-os em relação ao círculo da comunidade,
de acordo com o grau de atuação local. Eles devem também observar quando houver interação entre os dife-
rentes grupos e quando houver apoio de serviços localizados fora da comunidade.
Para finalizar, pode-se debater, em função do contexto simbolizado no diagrama, sobre os tipos de ações
que deveriam ser feitas no sentido de envolver as instituições da forma desejável. E, nos casos em que exista
interação, as estratégias e ações que devam ser fortalecidas.
FICHA DE ATIVIDADE 29
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: adotar atitudes de respeito com o próximo. Perceber a importância de ter um
bom convívio social, de conhecer valores e regras. A aula pretende esclarecer: o que significa bullying? De que
maneiras o bullying pode acontecer na escola? Quais são as consequências de quem pratica e de quem sofre
bullying na escola?Como colaborar com a escola para que este problema seja superado.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: para contextualizar o assunto, o(a) professor(a) poderá elaborar previamente
pequenas cenas que expressem ações de bullying na escola. Na forma de dramatização, os alunos, separados
em grupos, terão que representar para toda a turma as cenas descritas pelo(a) professor(a). Neste momento,
não há necessidade de apresentar o conceito bullying ainda, pois o objetivo é promover uma discussão e refle-
xão acerca dos atos de violência, humilhação e perseguição ocorridas no cotidiano do educando.
Após as apresentações, o(a) professor(a) poderá levantar alguns questionamentos:
• Essas atitudes são comuns em nossa escola?
• Alguém já presenciou alguma cena como essa, seja em sala de aula, no pátio ou no recreio?
65
MINISTÉRIO DA SAÚDE
A partir deste momento, o(a) professor(a) poderá apresentar o termo bullying, explicando o significado
deste termo.
FICHA DE ATIVIDADE 30
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: realizar uma reportagem sobre bullying. Segue um roteiro para os alunos:
FICHA DE ATIVIDADE 31
66
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
A Declaração Universal dos Direitos Humanos é um documento marco na história dos direitos humanos.
Elaborada por representantes de diferentes origens jurídicas e culturais de todas as regiões do mundo, a De-
claração foi proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em Paris, em 10 de dezembro de 1948,
como norma comum a ser alcançada por todos os povos e nações.
A Declaração, que desencadeou grande processo de mudanças no comportamento social e a produção
de instrumentos e mecanismos internacionais de direitos humanos, significou igualmente transformações na
área da Educação. Uma delas foi pensar a educação além da dimensão da razão e da aprendizagem cognitiva,
envolvendo aspectos afetivos e valorativos que precisam ser sentidos e vivenciados.
A proposta é que a Educação em Direitos Humanos seja eixo central do trabalho desenvolvido nas escolas
e permeie integralmente o currículo, a formação inicial e continuada dos profissionais da Educação, o projeto
político-pedagógico da instituição, os materiais didático-pedagógicos, o modelo de gestão e de avaliação e
as metodologias e práticas desenvolvidas no conjunto do espaço escolar. Desta forma, o tema dos Direitos
Humanos não poderia ficar de fora da Semana Saúde na Escola.
7
Texto inspirado em: BENEVIDES, M. V. Educação em Direitos Humanos: de que se trata? Disponível em: <www.hottopos.com/con-
venit6/victoria.htm>. Acesso em: 16 fev. 2013.
67
MINISTÉRIO DA SAÚDE
É uma proposta de educação que necessita ser compartilhada por todas as pessoas envolvidas no
processo educacional – educadores e educandos, ou ela não será educação e muito menos educação em
direitos humanos.
Entretanto, para se construir uma sociedade mais justa, equitativa e democrática, a escola não pode estar
sozinha. É preciso que diversos setores, como Educação, Saúde, Comunicação, Cultura, Segurança, Justiça,
Esporte e Lazer, participem da formação de uma cultura de direitos humanos.
Nossa proposta para a Semana Saúde na Escola é desenvolver atividades que possibilitem a reflexão sobre
relações mais solidárias, generosas e respeitosas, e resolver os problemas por meio do diálogo, da negociação
e da mediação.
FICHA DE ATIVIDADE 32
NÍVEL DE ENSINO: ( ) Creche ( ) Pré-Escola (X) Fundamental/Séries Iniciais e Finais (X) Médio
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: folhas de papel cortadas em quadrados (13cm x 13cm), barbante
e fita crepe.
68
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Convide um grupo de crianças e adolescentes para escutar uma história chamada Sadako e os tsurus.
Explique que ela será contada em várias partes e, entre uma e outra, cada criança ou adolescente construirá
um pássaro.
– Comece-a explicando que no Japão as crianças costumam fazer animaizinhos de papel usando uma técnica
chamada origami, ou dobradura em português. Um desses animais é um pássaro chamado tsuru, que no Brasil
tem o nome de grou. Segundo a tradição oriental, quem faz 1.000 tsurus terá um desejo atendido. O mundo
inteiro ficou sabendo dessa tradição a partir da história de uma menina chamada Sadako Sasaki.
– Distribua pedaços de papel quadrados para as crianças e construa o tsuru com os alunos e as alunas para
entenderem o passo a passo da construção do pássaro.
– Solicite que dobrem o papel ao meio e novamente o dobrem, levando uma ponta sobre a outra.
– Depois que tiverem dobrado o papel duas vezes, inicie a história: Sadako Sasaki nasceu em Hiroshima e tinha
apenas 2 anos de idade quando os norte-americanos lançaram uma bomba atômica sobre a sua cidade. Como
ela, a mãe e o irmão viviam longe do lugar em que a bomba foi jogada, pareciam estar bem. Mas quando a
família de Sadako fugiu da cidade, foram encharcados por uma espécie de chuva que continha substâncias
que faziam muito mal para a saúde.
– Peça que as crianças dobrem apenas uma das pontas até a metade do triângulo fazendo um vinco. Em
seguida, solicite que dobrem a aba sobre si mesma criando um losango, de modo que a ponta que estava à
esquerda aponte para baixo. Explique que é preciso fazer o mesmo do outro lado.
– Averigue se todas as dobraduras estão corretas e continue a história:
Terminada a guerra, Sadako e sua família tocaram sua vida normalmente. Quando Sadako completou 12 anos
de idade, durante uma aula de educação física sentiu-se muito mal, com tonturas. Alguns dias se passaram e
novamente o mal-estar fez com que ela caísse no chão, sem sentidos. Socorrida e levada a um hospital, depois
de alguns dias surgiram marcas escuras em seu corpo, e o diagnóstico foi de leucemia, uma doença que já es-
tava matando outras crianças japonesas que foram expostas à bomba. Na época a leucemia era até chamada
de “doença da bomba atômica”.
– Peça que façam um vinco na dobradura e depois peguem a ponta da aba de cima e desdobrem-na para
cima, puxando as laterais para dentro, de modo a formar um novo losango. Solicite que façam o mesmo do
outro lado.
– Depois de terem feito a dobradura, e estando correta, continue a narrativa:
Um dia, a melhor amiga de Sadako, Chizuko Hamamoto, foi visitá-la no hospital levando um pássaro de papel
para a amiga. Sadako gostou muito do presente e Chizuko lhe falou sobre uma lenda que dizia que quem
fizesse 1.000 tsurus teria um desejo concedido.
– Solicite que novamente dobrem cada uma das laterais do papel, fechando a dobradura e unindo as duas
partes. Depois, peça que façam o mesmo do outro lado, de modo que as faces visíveis agora sejam aquelas
que estavam dobradas anteriormente.
– Quando tiverem completado as dobraduras, reinicie a história:
Sadako decidiu fazer os mil tsurus, desejando a sua recuperação. Mas a doença avançava rapidamente e
a menina ficava cada vez com mais dificuldade de fazer os pássaros. Pensando sobre sua doença, Sadako
compreendeu que muitos japoneses ficaram doentes por causa da guerra, e em vez de construir os pássaros
esperando ser curada, continuou a dobrar os tsurus desejando que nunca mais nenhuma criança sofresse
pelas guerras.
69
MINISTÉRIO DA SAÚDE
– Continue a construção do tsuru explicando que é preciso fechar a dobradura unindo as duas partes. Peça
que façam o mesmo do outro lado. Dobre as pontas de baixo para cima e, em uma delas, inverta a ponta para
dentro, de modo a criar a cabeça do tsuru.
– Feita essa etapa, conte: na manhã de 25 de outubro de 1955, Sadako montou seu último tsuru e faleceu. Ela
fez 644 tsurus. Quando seus colegas da escola souberam disso, dobraram os tsurus que faltavam para serem
enterrados com a menina.
– Solicite que puxem as pontas para fora e inflem por baixo, de modo a armar o corpo do pássaro.
– Termine a história contando que os colegas de Sadako decidiram formar um grupo e iniciar uma campanha
para construir um monumento em memória da amiga e de todas as crianças mortas e feridas pela guerra.
Com doações de alunos de cerca de 3.100 escolas japonesas e de mais nove países, em 1958 foi erguido em
Hiroshima o MONUMENTO DAS CRIANÇAS À PAZ, conhecido como Torre dos Tsurus, no Parque da Paz.
– Solicite que abram as asas do tsuru.
– Quando todos os tsurus ficarem prontos, proponha que sejam amarrados com um barbante, formando uma
corrente de tsurus a ser pendurada em algum lugar da escola.
– Abra para o debate a partir das seguintes questões:
FINALIZAÇÃO
A Educação em Direitos Humanos tem como proposta fazer com que as pessoas sejam capazes de viver
juntas, de criar um novo sentido de compartilhar, ouvir e zelar umas pelas outras, e assumir responsabilidades
por sua participação em uma sociedade democrática que luta contra a pobreza e a exclusão. E, ao mesmo
tempo, garantir igualdade política, equidade social e diversidade cultural.
DICA
Para entender melhor o passo a passo para fazer essa dobradura, entre no seguinte link: <www.youtube.
com/watch?v=iCwy6lub9ac>.
FICHA DE ATIVIDADE 33
NÍVEL DE ENSINO: ( ) Creche ( ) Pré-Escola (X) Fundamental/Séries Iniciais e Finais (X) Médio
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: estimular o conhecimento e o registro sobre aspectos da vida pessoal, da co-
munidade e do território.
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: folhas de papel de diferentes cores, lápis de cor ou canetas de várias
cores, cola, fita crepe e régua.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Solicite que fechem os olhos e procurem se lembrar de histórias pessoais e das histórias da família, pensando
em suas origens, em sentimentos e momentos marcantes, em sonhos etc. Enfim, em tudo aquilo que cada
pessoa considera representativo em sua vida.
– Em seguida, distribua um pedaço de papel amarelo e solicite que pintem símbolos ou imagens relacionados
às lembranças. Explique que esse é um momento individual, que deve levar o tempo necessário para cada um
se sentir à vontade ao expressar sua história de vida.
– Quando terminarem, peça para colocarem os desenhos no chão, formando uma espécie de “tapete redondo”.
– Em seguida, solicite que formem grupos de 4 ou 5 pessoas e explique que na segunda etapa deverão com-
partilhar o que sabem sobre a história da comunidade em que vivem. Cada grupo poderá escolher algum fato,
acontecimento e/ou característica da comunidade para contar.
– Quando terminarem a conversa, distribua pedaços de papel rosa e peça para fazerem um novo desenho com
as ideias que discutiram em grupo. Para esse novo desenho, além dos materiais disponíveis, poderão utilizar
outros materiais existentes na escola como, por exemplo, terra, pedrinhas, folhas, flores etc.
– Ao término dessa etapa, proponha que os grupos coloquem as produções em volta das histórias individuais,
mantendo o formato redondo.
– Distribua papéis azuis e peça para refletirem sobre o que seria importante mudar na comunidade para as
pessoas serem mais felizes.
– Solicite que novamente coloquem as contribuições em volta das colagens, representando a comunidade.
– Na sequência, solicite que os grupos unam os pedaços de papel com barbantes e fita crepe para não des-
manchar o “tapete”.
– Coloque-o na parede e abra para a discussão a partir das seguintes questões:
FINALIZAÇÃO
Para mudanças acontecerem em nossa família, na escola, nos serviços de Saúde e em outros espaços, é
preciso acreditar que cada pessoa é um agente de transformação da própria vida e do mundo em que vive.
Se, portanto, nos unirmos, poderemos criar poderoso movimento por meio de atitudes e hábitos voltados à
preservação da vida, da comunidade e da paz.
71
MINISTÉRIO DA SAÚDE
DICA
O livro Como restaurar a paz nas escolas: um guia para educadores, escrito por Antônio Ozório Nunes
(Editora Contexto, 2010), tem como objetivo orientar atividades de linha restaurativa em sala de aula e em
outros ambientes. Várias reflexões e atividades sugeridas nessa publicação poderão ser úteis para evitar
que os conflitos na escola se transformem em atos de violência, promovendo um ambiente escolar mais
cooperativo e propício à resolução restaurativa dos conflitos. Sugere ainda diferentes atividades para a
prevenção das situações de violência envolvendo toda a comunidade escolar, a partir do estabelecimento
de laços de cooperação e solidariedade. Algumas atividades práticas, programadas para o trabalho com
adolescentes, poderão ser adaptadas para crianças.
FICHA DE ATIVIDADE 34
NÍVEL DE ENSINO: ( ) Creche (X) Pré-Escola (X) Fundamental/ Séries Iniciais e Finais (X) Médio
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: pincel atômico, canetas hidrocores, tesoura, fita crepe, cartolinas, 5
cadernos, lápis, cartolinas, canetões coloridos, réguas e mapas da região.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Com antecedência, imprima 5 fotocópias do mapa do bairro em que a escola está inserida. Em cada um dos
mapas, selecione 5 quadras (quarteirões) que ficam nas proximidades da escola.
– Informe que a proposta da atividade é observar os arredores da escola, identificando os espaços e as insti-
tuições que fazem as pessoas se sentirem mais protegidas.
– Divida os participantes em grupos mistos (crianças, adolescentes, jovens e adultos) e distribua um mapa, um
caderno por grupo e um lápis.
– Peça que percorram as ruas indicadas no mapa, observando os recursos que existem no território em que
essas pessoas vivem.
– Terminada a caminhada, peça que se mantenham os grupos e distribua cartolinas, réguas e canetas coloridas
para cada um deles.
– Solicite que desenhem o trecho percorrido e sinalizem os espaços de proteção que encontraram. Sugira que
usem cores diferentes para cada tipo de fator encontrado. Por exemplo, verde para os locais em que existem
áreas de lazer, vermelho para os serviços de Saúde, azul para onde existe policiamento etc.
72
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
– Quando terminarem o desenho, peça que cada grupo apresente sua construção e explique por que esses
locais foram considerados fatores de proteção para a comunidade.
– Feitas as apresentações, abra para a discussão a partir das seguintes perguntas:
1. Como foi a experiência de realizar o mapeamento?
2. Qual foi a parte mais fácil? E a mais difícil?
3. Encontraram algo novo, que desconheciam, sobre a localidade? O quê?
4. O que a comunidade precisa para se sentir mais protegida?
5. Como a escola, os serviços de Saúde e outras instituições poderiam contribuir para a ampliação des-
ses fatores de proteção?
FINALIZAÇÃO
Elaborar o mapeamento do território em que vivemos é uma boa forma de se pensar em ações para me-
lhorar a qualidade de vida das pessoas e do local em que elas vivem. É um primeiro diagnóstico para alertar a
comunidade sobre o que é preciso modificar para se garantir a diminuição da violência e, consequentemente, a
saúde da população. Isto porque, mesmo que as pessoas não sejam atingidas por situações de violência, o medo
de sair às ruas, criado pelas notícias disseminadas pelos canais de comunicação ou situações que ocorreram com
outras pessoas, pode fazer com que fiquem mais retraídas, deixando de relacionar-se com amigos e familiares.
DICA
A publicação Escola que protege: enfrentando a violência contra crianças e adolescentes, elaborada por
Vicente de Paula Faleiros e Eva Silveira Faleiros, compartilha informações importantes sobre as diferentes
formas de violência a que estão submetidos crianças e adolescentes brasileiros, visando subsidiar ações
práticas para o enfrentamento das situações. Abordam-se temas como trabalho infantil, direitos, legislação
e redes de proteção.
Disponível em: <http://unesdoc.unesco.org/images/0015/001545/154588por.pdf>.
FICHA DE ATIVIDADE 35
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: barbante para o varal, fita crepe, 4 folhas de papel tamanho A4 ou
equivalente (preferência já utilizadas e recicladas) para cada participante e prendedores de roupa.
73
MINISTÉRIO DA SAÚDE
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Previamente, coloque 4 varais no espaço em que ocorrerá a atividade.
– Convide as alunas e os alunos a participarem da atividade, que terá como tema a prevenção de situações
de violência.
– Distribua 4 folhas de papel para cada participante e peça que escrevam na primeira folha quais violências já
viveram na escola ou em outros espaços. Peça que, ao terminar, coloquem a folha em um dos varais.
– Em seguida, solicite que escrevam em outra folha quais violências já praticaram contra outras pessoas. Quan-
do terminarem, peça que coloquem essa folha no segundo varal.
– Na terceira folha, deverão escrever como se sentem quando são vítimas de algum tipo de violência e, em
seguida, coloquem a folha em um novo varal.
– Finalmente, na quarta folha, peça que escrevam como se sentem quando são violentos com alguma pessoa.
– Quando todos os varais estiverem com as folhas, leia o que foi escrito e colocado em cada um deles, com-
putando as situações que mais apareceram.
– Abra uma roda de conversa a partir das seguintes questões:
1. Qual é o tipo mais comum de violência que acontece nas escolas?
2. Existe alguma violência pior do que outra?
3. Onde podemos procurar ajuda caso soframos algum tipo de violência?
4. O que podemos fazer para prevenir situações de violência na escola e em outros espaços da comunidade?
FINALIZAÇÃO
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a violência é o uso intencional da força física ou
do poder, real ou potencial, contra si próprio, contra outras pessoas ou contra um grupo ou uma comunida-
de, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de
desenvolvimento ou privação8 .
A definição considera as diferentes formas de violência que não acarretam necessariamente lesão ou mor-
te, mas as que oprimem as pessoas, as famílias, os sistemas de Saúde, as escolas, os ambientes de trabalho e
as comunidades. Enfim, toda a sociedade.
Além disso, a definição associa a intenção de se cometer um ato violento às relações e práticas de poder in-
cluindo, portanto, ameaças, intimidações, negligências e todos os tipos de abuso – físico, sexual e psicológico.
DICA
O filme Ponte para Terabítia – direção de Gabor Csupo (2007) – conta a história de um garoto chamado
Jess Aarons e de sua amiga Leslie Burke. Juntos, criam o reino secreto de Terabítia, um lugar mágico onde
apenas é possível chegar pendurando-se em uma velha corda, que fica sobre um riacho perto da casa de
ambos. Lá eles lutam contra Dark Master e suas criaturas fantásticas e buscam estratégias para acabar com
as situações de violência que acontecem dentro da escola.
8
PINHEIRO, P. S.; ASSIS, G. Violência Urbana. São Paulo: Publifolha, 2009.
74
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
FICHA DE ATIVIDADE 36
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: discutir alternativas para lidar com situações como bullying e cyberbullying
sem usar agressividade e/ou violência.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Solicite que formem um único círculo.
– Informe que você colocará uma música e que, enquanto isso, um balão de ar passará de mão em mão.
– Explique que quando você parar a música, quem estiver com o balão deverá estourá-lo e pegar a tira de
papel que estiver dentro dele (exemplos dessas tiras encontram-se ao final dessa atividade). Em cada uma das
tiras há uma situação relacionada ao bullying.
– A pessoa que ficou com o balão deverá ler a frase e completá-la. Mas há uma regra: a frase deverá ser
completada sem ser usado nenhum tipo de violência. Por exemplo: Os amigos de João vivem dizendo que ele
“fede” devido à cor da sua pele. Daí, João respondeu que no Brasil o racismo é crime, e que eles poderiam
ser denunciados por conta disso.
– Se a pessoa que tiver de continuar a frase não souber, quem estiver à sua direita responde. As outras pessoas
poderão ajudar quando necessário.
– Repita a atividade até as 4 questões serem respondidas.
– Depois de completadas, abra para a discussão a partir das seguintes perguntas:
1. O que é bullying?
2. O que é cyberbullying?
3. O que diferencia o bullying e o cyberbullying de outros tipos de violência?
4. O que precisamos fazer para resolver situações de bullying em nossa escola e em outros espaços de
convivência?
FINALIZAÇÃO
O bullying é palavra da língua inglesa que significa ‘intimidação’ ou ‘amedrontamento’. Não existe pa-
lavra equivalente em português e, por conta disso, alguns sugerem a utilização dos termos “violência moral”
75
MINISTÉRIO DA SAÚDE
ou “mau-trato entre pares”. A primeira característica do bullying é que se trata de fenômeno de grupo cuja
agressão acontece entre iguais, ou seja, pessoas que têm mais ou menos a mesma idade e que convivem no
mesmo espaço.
Já o cyberbullying é praticado no mundo digital. São mensagens difamatórias ou ameaçadoras que cir-
culam por e-mails, sites, blogs, celulares, sites de relacionamento como o Facebook ou o Twitter. Para alguns
estudiosos, o cyberbullying é ainda mais cruel que o bullying tradicional, pois no espaço virtual os xingamentos
e as provocações atormentam a pessoa permanentemente e não somente no contexto da escola. As mensa-
gens ameaçadoras chegam a todos os lugares em que se acessa a internet, e a denúncia fica ainda mais difícil,
pois nem sempre é possível identificar o agressor.
Quando executados na escola, o bullying e o cyberbullying resultam em comprometimento da aprendiza-
gem, da vontade de estudar e de se relacionar com outras pessoas.
DICA
O que todos precisam saber sobre bullying
É uma página do site Observatório da Infância, que contempla vários temas relacionados à violação dos
direitos das crianças, entre eles o bullying. Estão à disposição textos, apresentação em Power Point, pes-
quisas e cartilhas para profissionais da Educação.
Disponível em: <www.observatoriodainfancia.com.br/rubrique.php3?id_rubrique=19>.
Maricota é zoada pelos seus colegas por conta do seu sotaque pernambucano. Na semana passada, Marico-
ta errou na hora de chutar a bola e um colega a chamou de “baiana burra”. A partir daí, sua vida virou um
inferno. Era só passar pelos corredores que escutava alguém pedindo um acarajé ou a chamando de “cabeça
chata”. Maricota, então, ...
Cláudio é gay e não esconde isso de ninguém. Só que basta ele aparecer no portão da escola que um grupo
de meninos e meninas já começa a ofendê-lo. Outro dia, entrando em um site de relacionamento, viu que
alguém havia postado uma foto dele, e várias pessoas fizeram comentários muito desagradáveis. Ele já está
cansado dessa situação e resolveu que procuraria ajuda em...
Marta tem um problema físico e, por conta disso, caminha com certa dificuldade. Um dia, passeando com as
amigas, elas começaram a dizer que jamais o Felipe – o menino de quem Marta gosta – ficaria com ela por
conta do seu problema. Pouco depois, suas amigas começaram a rir do jeito de ela andar, chamando-a de
“pata choca”. Essa situação continuou a acontecer na escola. Marta resolveu que...
Júlio foi até o posto de Saúde pedir preservativos. Lá chegando, encontrou um grupo de colegas que tinha ido
tomar vacina contra a hepatite B. Quando ele falou que tinha ido buscar preservativos, seus colegas começa-
ram a zoar, dizendo que Júlio devia ser gay ou usuário de drogas e que, por isso, usava preservativo. No dia
seguinte, quando Júlio chegou à escola, o mesmo grupo de colegas começou a zoar com ele, chamando-o de
“Rosinha”. Júlio ficou muito chateado, mas...
76
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
FICHA DE ATIVIDADE 37
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: jornais, revistas, 2 metros de papel craft, cola, tesouras, canetões
coloridos, folhas coloridas e fita crepe.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Explique que a proposta dessa atividade é a confecção de um jornal-mural, ou seja, um jornal para se colocar
em uma parede. Mas antes é preciso pensar no que será escrito nele.
– Peça que, sem censura, falem o que deveria haver em um jornal-mural que tem como tema a Educação em
Direitos Humanos. Conforme expressarem as ideias, registre-as em uma folha de flip chart.
– Uma vez com o quadro de ideias pronto, explique que o jornal-mural será elaborado em uma folha de papel
craft de mais ou menos 2 metros. Explique que geralmente um jornal-mural tem:
1. um nome;
2. a data em que foi elaborado;
3. as manchetes, ou seja, os assuntos que o jornal-mural contém;
4. uma entrevista com alguém que fale sobre o tema;
5. ilustrações, fotografias;
6. resultados de pesquisas;
7. artigos sobre o tema escritos ou recortados de outros jornais;
8. endereços de onde buscar mais informações ou procurar ajuda.
– Na medida do possível, pesquise algumas imagens na internet mostrando exemplos de jornais-murais.
– Divida-os em 4 subgrupos, distribuindo as responsabilidades:
Grupo 1 – entrevista com um/a professor/a, coordenador/a da escola ou profissionais da área da Saúde. Cabe-
rá a esse grupo elaborar as perguntas e depois digitar ou escrever à mão as perguntas e as respostas.
Grupo 2 – buscar imagens, fotografias e pesquisas sobre Educação em Direitos Humanos (livros, jornais, fo-
lhetos, internet etc.).
Grupo 3 – procurar notícias atuais sobre situações de violência na escola e na comunidade e, a partir dessas
notícias, escrever um artigo sobre como seria possível prevenir a violência na escola que frequentam, com o
apoio do serviço de Saúde mais próximo.
Grupo 4 – organizar um quadro com os locais na comunidade em que poderão buscar ajuda caso passem por
uma situação de violência (Conselho Tutelar, Delegacia da Mulher, Vara da Infância e da Adolescência, organi-
zações não governamentais etc.), explicando o que faz cada uma dessas instituições.
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MINISTÉRIO DA SAÚDE
– Quando todas as tarefas estiverem terminadas, reúna o grupo e monte o jornal-mural. Lembre-se de que é
preciso colocar o nome da escola, escrever a data em que ele ficou pronto e, na primeira coluna, escrever quais
são as manchetes, ou seja, os assuntos tratados naquela edição. Não se esqueça de alertar que os títulos têm
de ser em letra grande para as pessoas conseguirem ler de longe.
– Quando o jornal estiver montado, peça para sugerirem o nome do jornal. Escreva as sugestões em uma folha
e depois abra para a votação. Com o grupo, procure um local de fácil acesso, de boa visibilidade e com espaço
suficiente para as pessoas que circulam pela escola lerem as notícias sem perturbar a movimentação interna
ou se aglomerar.
– Abra para o debate a partir das seguintes questões:
1. O que acharam dessa atividade? O que aprenderam com ela?
2. Quais os outros materiais de comunicação que poderiam ser elaborados para divulgar os direitos
humanos na escola e nos demais locais da comunidade?
FINALIZAÇÃO
A partir da internet, a comunicação participa mais, a cada dia, da vida de crianças, adolescentes e jovens.
Por essa razão, alguns autores afirmam que, no que diz respeito às atividades educativas, é preciso investir na
criatividade, na motivação, na contextualização de conteúdos, na afetividade, na cooperação, na participa-
ção, na livre expressão, na interatividade e na experimentação. Nossa proposta é pensar em novos meios para
disseminar os artigos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, utilizando diferentes veículos de comu-
nicação – cartazes, jornais murais, blogs, sites de relacionamento, e-mails, torpedos, HQ etc. – como formas
de engajar a população na busca pelo respeito à vida e à diversidade, à igualdade de gênero e de raças/etnia,
e na garantia de que os direitos humanos sejam respeitados. A esse tipo de metodologia dá-se o nome de
educomunicação, ou seja, ao campo de ação que se insere na interface entre os tradicionais campos da Edu-
cação e da Comunicação, e que tem como objetivo ampliar as condições de expressão de todos os segmentos
humanos, especialmente da infância, da adolescência e da juventude.
DICA
O livro Educomunicação: o conceito, o profissional, a aplicação do professor, de Ismar de Oliveira Soares
(Paulinas, 2011), discute caminhos para tornar a educação uma experiência significativa para as novas ge-
rações. O diferencial está na visão sistêmica do novo conceito, propondo que professores e alunos passem
a ser gestores de sua comunicação, sócios de uma mesma empreitada, cúmplices de um mesmo projeto: a
ampliação do “coeficiente comunicativo” das ações no âmbito da comunidade escolar.
FICHA DE ATIVIDADE 38
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Explique para as crianças que a ideia da atividade é organizar um sucatário, ou seja, um local em que vários
materiais que costumam ser jogados fora sejam reaproveitados para a construção de brinquedos.
– Inicialmente, pergunte às crianças em que lugar deverá ficar o sucatário. A partir das contribuições, converse
sobre qual seria o melhor lugar.
– Definido o local, coloque 4 caixas nesse espaço e peça para pensarem em formas de separar as sucatas
para colocá-las nas caixas. Por exemplo: na caixa 1, colocar o que é de plástico. Na caixa 2, os papéis, e
assim por diante.
– Estimule a discussão sobre os critérios para a separação das sucatas.
– Quando terminar a discussão, forme 4 grupos e entregue as caixas com as sucatas já separadas para cada grupo.
– Peça para fazerem um desenho do lado de fora da caixa para que todo mundo saiba quais sucatas encontrará.
– Solicite para cada grupo apresentar seu desenho e pergunte se gostaram de fazer essa atividade e o que
aprendeu de novo.
– Propor ao grupo que siga com a coleção e separação da sucata e as utilize para invenção de novos brinquedos.
FINALIZAÇÃO
O lixo é um dos maiores problemas que há hoje no mundo. E uma das formas de minimizar o problema
é reaproveitar ou doar os objetos que não serão mais usados. A reciclagem tornou-se uma das grandes lutas
nas sociedades de todo o mundo. O reaproveitamento de muitas sobras que irão para o lixo é fundamental
para diminuir as consequências que os lixões provocam na saúde das pessoas e do planeta.
DICA
O Instituto Alana defende que o desenvolvimento saudável de uma criança depende de um ambiente
familiar e comunitário saudável. Em seu site – <www.alana.org.br> – estão disponíveis várias experiências
interessantes para o trabalho com a área da Educação.
A alfabetização motora de crianças e jovens é parte integrante dos processos de aprendizagem especial-
mente no ambiente social, seja na escola ou na comunidade. Foi na Inglaterra, por exemplo, que o pedagogo
inglês Thomas Arnold “pedagogizou” e introduziu alguns jogos tradicionais como estratégia educacional na
Escola de Rugby entre 1820 e 1840. Tais jogos eram praticados desde a Antiguidade pelas comunidades ru-
rais, e um deles transformou-se no Football Association, dando as bases para o surgimento de diversas outras
79
MINISTÉRIO DA SAÚDE
modalidades esportivas pelo mundo. A ginástica também fez parte dos processos educativos de crianças, de
jovens e de adultos.
Diante do potencial pedagógico e, ao mesmo tempo, de sua capacidade de desenvolver de forma har-
moniosa as capacidades físicas e reflexivas, as práticas corporais são elemento indispensável nos processos
educativos e de preparação das pessoas para a vida em sociedade. No entanto faz-se necessário enfatizar
aspectos contidos nos jogos e atividades, promovendo estratégias que deixem em segundo plano a exacerba-
ção da competitividade. Quando se coloca em questão a promoção de saúde no espaço escolar, é importante
que haja um esforço no sentido de proporcionar atividades que produzam o fortalecimento das relações entre
os educandos. Uma estratégia significativa de tais práticas diz respeito à cooperação, tema que fez surgir a
corrente denominada Jogos Cooperativos.
Um dos principais objetivos dos jogos cooperativos é o de levar as pessoas a vencer os desafios, os limi-
tes e os medos pessoais, ultrapassando a idéia de que o importante é superar os outros a qualquer custo. Os
jovens e as crianças em idade escolar necessitam ser expostos a desafios em seus processos de aprendizagem
que possibilitem a eles a apreensão de regras e condutas sociais.
Os jogos, a brincadeira e o esporte são poderosas ferramentas que podem estimular, por meio de prá-
ticas corporais, o entendimento e a educação para vida em sociedade, especialmente quando os processos
pedagógicos contidos nas atividades são enfatizados. Levando-se em consideração os sujeitos da ação como
principais protagonistas, é possível trazer à luz vários aspectos positivos ou negativos da vida social. É papel do
educador e do profissional de Saúde explorar os significados e as relevâncias que determinados aspectos têm
para a vida social. Acompanhe aspectos intrínsecos às ações e a ênfase que se pode dar a eles. Essa reflexão
pode nortear a condução de todas as atividades propostas na Semana Saúde na Escola.
80
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
Continuação...
JOGOS COMPETITIVOS JOGOS COOPERATIVOS
Os jogadores perdem a confiança em si mes-
Desenvolvem a autoconfiança porque todos são bem
mos quando eles são rejeitados ou quando
aceitos.
perdem.
FICHA DE ATIVIDADE 39
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: sala de apoio, pátio, quadra, sacos de nylon ou estopa.
Saco Gigante
Objetivos:
Despertar para a consciência de interdependência, a partir da visão de que, apesar de sermos diferentes, todos
e todas estão juntos “no mesmo saco”.
Estimular o desenvolvimento de competências colaborativas, tais como: planejamento em equipe, comunicação
eficaz, liderança compartilhada, diálogo grupal, apoio mútuo, confiança, gerenciamento coletivo, entre outras.
Fortalecer o trabalho em equipe, a partir da consciência de que os esforços/qualidades/competências indi-
viduais, quando colocados a serviço do coletivo, podem gerar mais resultados, com muito menos esforço
e muito mais felicidade.
Desafio:
Percorrer um percurso pré-determinado com toda a equipe dentro de um mesmo “saco gigante”.
Participação:
Entre 5 a 40 pessoas por “saco gigante”. Para isso, é importante que o material seja confeccionado de forma
que proporcione resistência a este número de pessoas.
81
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Desenvolvimento:
Todas as pessoas serão convidadas a atravessar um percurso determinado pelo facilitador. Porém só pode-
rão fazer isso juntas, dentro de um mesmo “saco gigante”, tendo um tempo limite para cumprir o desafio.
Para tornar o desafio mais complexo, o facilitador pode incluir elementos que convidarão o grupo a exer-
citarem um maior grau de cooperação, cuidado, comunicação, como, por exemplo, vendar os olhos de
alguns participantes.
Espaço:
Qualquer espaço que permita o grupo percorrer uma distância que seja desafiadora, de acordo com as condi-
ções da equipe (faixa etária, condições físicas etc.).
Material:
Um “saco gigante” feito de nylon, laicra ou estopa, que comporte várias pessoas da equipe dentro. O objetivo
é o de possibilitar a vivência por todos do grupo. Pode ser saco de entulho, que é vendido em lojas de material
de construção, ou pode ser confeccionado para este fim.
Reflexão:
As atividades devem possibilitar a comunicação e sempre ser iniciadas e finalizadas com os participantes dis-
postos em roda, onde as atividades deverão ser explicadas no início e avaliadas por todos ao final. A sequência
ideal é a seguinte:
1) Início em roda.
2) Aquecimento.
3) Atividade principal.
4) Esfriamento.
5) Roda de avaliação da atividade (reflexão).
FICHA DE ATIVIDADE 40
82
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
Repetir os movimentos e colocar as mãos, no colega, no local indicado pelo professor, professora e/ou
profissional da Saúde. Por exemplo: colocar a mão na cintura, na mão, na cabeça, no pé, no braço etc.
Depois, andar livremente e, ao sinal do professor ou da professora e/ou do profissional da Saúde, saltar
para frente, saltar para trás, girar para um lado e para o outro, correr para o lado esquerdo e para o lado direito.
No final da atividade, conversar com as crianças sobre a importância de cada parte do corpo.
FICHA DE ATIVIDADE 41
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: orientação e estrutura espacial, agilidade, destreza, noção de cor, forma, ta-
manho, peso, dentro, fora, perto e longe.
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: um arco/bambolê para cada criança, espaço que permite circulação
dos educandos entre os arcos.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Com o arco que receberem, cada criança deverá andar livremente pelo espaço, tomando cuidado para não
se chocar com os companheiros e nem com os arcos dos colegas.
– O professor, professora ou profissional da Saúde deve promover atividades com esses arcos espalhados
pelo espaço propondo desafios: andar sem pisar nos arcos e sem se chocar com os companheiros; correr
sem pisar nos arcos nem nos companheiros; correr e pisar dentro do maior número possível de arcos, sem
se chocar com os companheiros; correr, pular para dentro e depois para fora dos arcos, com os dois pés
juntos; correr segurando o arco à frente do corpo, como um volante de carro, sem se chocar com os outros
companheiros; correr para todos os lados, segurando o arco na altura da cintura, sem se chocar com os
companheiros (nesse caso, o corpo deve estar cingido pelo arco); jogar o arco mais alto?; jogar o arco mais
longe?; rodar o arco no chão por mais tempo? O professor, professora e/ou profissional da Saúde deverá
reservar os minutos finais da atividade para as crianças brincarem livremente com os arcos. Ao final da ati-
vidade, deve-se perguntar para as crianças:
83
MINISTÉRIO DA SAÚDE
FICHA DE ATIVIDADE 42
NÍVEL DE ENSINO: ( ) Educação Infantil (X) Fundamental/Séries Iniciais e Finais (x) Médio
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: debater os motivos que levam os escolares a praticar o futsal/futebol; aprovei-
tar o jogo de futsal e de futebol para debater as relações de gênero nas aulas de Educação Física e vivenciar
atividades pré-desportivas mistas entre meninos e meninas.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
Contextualizando
Conte aos estudantes a notícia abaixo:
O Comitê Executivo da FÉDÉRATION INTERNATIONALE DE FOOTBALL ASSOCIATION – FIFA (instituição
das associações de futsal, futebol de areia e futebol de campo) decidiu para 2012 escolher, pela primeira vez
na história da Federação, uma mulher para compor sua equipe, até os dias de hoje formada exclusivamente
por homens (24 homens). Essa eleição acontecerá este ano, no congresso mundial da entidade. Portanto, logo
haverá uma mulher representando a instituição internacional.
Notícia disponível no endereço: <http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2012/05/25/fifa-admite-a-pri-
meira-mulher-em-seu-comite-executivo.jhtm>. Acesso em: 1 mar. 2013.
84
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
O fato de uma mulher ter a oportunidade de integrar o comitê da FIFA é resultado de anos de batalha
para a quebra da “ideologia sexista”, que restringe as possibilidades dos alunos de ambos os sexos, pois impõe
limitações baseadas em atribuições sexuais culturalmente determinadas e cerceia as possibilidades de cresci-
mento em base de igualdade de oportunidades.
Em nosso País, há exemplos de grandes mulheres que, por meio de sua luta, quebraram barreiras, abrindo
caminho para outras conquistarem esse espaço, historicamente dominado por homens.
Atividade: construção de biografias
Os estudantes devem construir biografias a partir de pesquisas (internet, textos impressos, outros) sobre
a vida profissional da jogadora de futebol Marta Vieira da Silva e outras mulheres que superam preconceitos
de gênero em esportes “ditos masculinos”.
Sugestão: para incrementar a elaboração dessa atividade, o/a professor/a ou o profissional de Saúde pode
basear-se nas aulas de “Biografia”, de autoria de Maria Carolina da Silva, na qual ela apresenta uma proposta
de leitura e interpretação de biografias e como construí-las.
Veja a aula disponível na íntegra em:
<http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=28416>. Acesso em: 1 mar. 2013. Conclu-
são da atividade: realizado o trabalho de pesquisa, chega o momento de sistematizar todas as informações.
Para isso, sugira aos educandos a elaboração de um jornal-mural para registrar todas as atividades da aula e
um debate sobre as histórias de vida coletadas.
FICHA DE ATIVIDADE 43
NÍVEL DE ENSINO: ( ) Educação Infantil (X) Fundamental/Séries Iniciais e Finais (X) Médio
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE:
• Ter maior consciência corporal e ritmo.
• Reconhecer diferentes estilos de dança.
• Expressar-se corporalmente.
• Desenvolver uma coreografia.
• Perceber a linguagem corporal como forma de comunicação.
85
MINISTÉRIO DA SAÚDE
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
Iniciar a atividade com algumas reflexões acerca do tema. Perguntar aos escolares:
1. O que é dança para vocês?
2. Que tipo de dança preferem?
3. Quando vocês dançam?
4. Quem gosta e quem não gosta de dançar? Por quê?
5. Quais estilos de dança vocês conhecem?
Chamar a atenção dos estudantes para o fato de que o corpo pode transmitir uma mensagem pelo mo-
vimento, mediante gestos, mímicas e mesmo expressões fisionômicas. Podemos transmitir muitas informações
sem falar uma palavra, não é verdade? Todos nós temos uma cadência e um ritmo próprios, inclusive nos
movimentamos dentro de um ritmo.
Uma sequência regular de sons pode ser produzida a partir de movimentos corporais. E os mesmos mo-
vimentos podem seguir uma sequência de sons criando o ritmo no corpo.
Apresentar para os estudantes os vídeos abaixo. Esses vídeos poderão ser acessados nos links citados:
Vídeo 1: Barbatuques – Baiana
<www.youtube.com/watch?v=_E0EJLRkysM&feature=related>
Vídeo 2: Isadora Duncan – Dancer
<www.youtube.com/watch?v=Kq2GgIMM060&feature=related>
Vídeo 3: Capoeira de Angola – Pastinha Forever Duo
<www.youtube.com/watch?v=uzUYYxi7fjw>
Vídeo 4: Dança sobre rodas cadeirantes e andantes – Parte 1 – Rio de Janeiro
<www.youtube.com/watch?v=-HWrlCGmKmM&feature=fvst>
Esses vídeos apresentam distintas formas de dança, com variados ritmos e coreografias. Cada vídeo repre-
senta diferentes modos de se relacionar e pensar o mundo a partir do movimento. Após todos terem assistido
aos vídeos, comentar com os alunos que a humanidade já produziu, no decorrer de sua história, inúmeras
formas de se expressar pela música e, consequentemente, pelos movimentos que visam seguir essas músicas.
As músicas podem ter ritmos e cadências diferentes. Ao unirmos cadência, expressão corporal, movimento
e ritmo em sequência, constrói-se uma coreografia. Isso ocorre em espaços formais de dança (academias de
86
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
dança, teatros) e nos informais (como em bailes funk). E é possível associar uma série de significados na mon-
tagem dessas coreografias, como acontece no carnaval, em que há uma temática da escola de samba, na qual
cada ala representa uma parte da história contada.
Chamar a atenção para a especificidade dos vídeos propostos acima, com ritmos e coreografias
bem diferenciados.
O professor ou a professora poderá dividir a turma em vários grupos, se achar melhor. Solicitar que cada
grupo faça um breve relato escrito sobre alguma experiência que vivenciou no último mês (contar uma história
que viveu – sobre qualquer tema do dia a dia ou mesmo temas tratados na escola, na sala de aula de outras
disciplinas – violência, preservação do meio ambiente, trânsito, animais etc.).
Depois que todos os grupos escreveram um relato (uma história), que tal arrumar um jeito de contá-la
por meio de movimentos?
Retomar o conceito de coreografia, perguntando se os alunos sabem explicar o que é uma coreografia.
Segundo o Dicionário On-line de Português, a palavra “coreografia” significa “s.f. Ant. Notação dos
passos e das figuras da dança. Arte de compor bailados e de os transcrever”9 . Portanto, é possível montar a
coreografia para passar a mensagem por meio de música, seja para interpretar essa música ou passar a men-
sagem de quem dança para quem assiste.
Solicitar que os alunos elaborem uma coreografia para os relatos. Poderão organizar as sequências repre-
sentando-as por meio de desenhos, roteiro escrito, fotografias etc.
O professor ou a professora deverá deixar o aluno trabalhar com autonomia, mas esteja disponível para
auxiliar nas dúvidas que surgirem.
É importante que os alunos decidam qual a música ou som para a atividade. A coreografia, em grande
parte dos casos, é pensada a partir ou com a música a ser utilizada em uma dança.
Com o roteiro pronto, os alunos poderão ensaiá-lo, e depois apresentá-lo aos colegas. Se desejarem, pode-
rão pensar na indumentária e em cenários bem simples, que criem uma ambientação para o que apresentarão.
Reunir todos os alunos para discutir as apresentações, indicando as que consideraram boas e o porquê.
Perguntar aos grupos o que os levou à escolha de determinada música, ritmo etc. Indagar como se sentiram
dançando, se foi difícil definir e acompanhar a coreografia. Como foi o trabalho em grupo?
Nos links abaixo, há vários exemplos de danças brasileiras e de alguns outros países:
HIP HOP
<http://www.youtube.com/watch?v=8FX_NFOgQEU>. Acesso em: 1 mar. 2013.
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Hip_hop>. Acesso em: 1 mar. 2013.
Forró
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Forr%C3%B3>. Acesso em: 1 mar. 2013.
Tango
<http://www.youtube.com/watch?v=bXhQNRsH3uc>. Acesso em: 1 mar. 2013
<http://pt.wikipedia.org/wiki/TANGO>. Acesso em: 1 mar. 2013.
DICIONÁRIO ON-LINE DE PORTUGUÊS. Coreografia. Disponível em: <www.dicio.com.br/coreografia/>. Acesso em: 19 abr. 2013.
9
87
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Frevo
<http://www.youtube.com/watch?v=bCDF2XxxXnA> . Acesso em: 1 mar. 2013
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Frevo>. Acesso em: 1 mar. 2013.
Balé
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Bal%C3%A9>. Acesso em: 1 mar. 2013
Araruna
<http://www.youtube.com/watch?v=FGvqmHyhFrQ>. Acesso em: 1 mar. 2013
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Araruna_(dan%C3%A7a)>. Acesso em: 1 mar. 2013.
Bumba meu Boi
<http://www.youtube.com/watch?v=Fejq3qQcAKY&feature=fvw>. Acesso em: 1 mar. 2013
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Bumba_meu_boi>. Acesso em: 1 mar. 2013
Dança Chinesa
<http://www.youtube.com/watch?v=v_Z-VS8TVCU>. Acesso em: 1 mar. 2013
FICHA DE ATIVIDADE 44
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: ofertar situações para o aprendizado do equilíbrio na “corda bamba”, além de
trabalhar as noções de centro de gravidade e suas variáveis.
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: espaços: aberto ou sala com material adequado; cordas; cadeiras e
bancos suecos.
88
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: o professor, a professora e/ou o profissional da Saúde deve esticar várias cordas
no chão e dividir os estudantes de acordo com o número de cordas disponíveis. Peça aos alunos para cami-
nharem lentamente sobre a corda, mantendo o corpo ereto. Esse é um exercício simples e bem aceito pelos
alunos por não exigir que enfrentem o medo de cair. Entretanto é muito útil para treinar o equilíbrio com as
crianças pequenas.
Sobre o banco sueco ou cadeiras, deixe a superfície mais larga para cima e peça que os alunos atra-
vessem-no lentamente, com os braços abertos ao lado do corpo, evitando olhar para baixo, mas para
frente (na direção do final do banco). Faça isso muitas vezes com as crianças, pedindo também para
atravessarem de costas.
Faça a mesma atividade anterior, porém vire o banco sueco de maneira que a superfície estreita fique
para cima (Figura 3). Assim, o equilíbrio fica dificultado pela diminuição da superfície de contato com os pés.
É importante orientar as crianças para olharem sempre para frente e não para o chão. Ao olhar para o chão,
elas inclinam o quadril para trás, desequilibrando-se.
Deve-se considerar o desenvolvimento de cada educando durante todo o processo de aprendizagem.
Além disso, é importante considerar o envolvimento de cada um, o respeito às limitações do outro, a capacida-
de e o empenho no trabalho em grupos, em ajudar o outro etc. E há ainda um aspecto importante: conversar
abertamente com as crianças, perguntando-as sobre suas impressões em relação à atividade e ao ritmo dos
seus corpos. O que aprenderam de novo? O que ainda querem aprender? Há algo que gostariam de fazer
novamente? O que modificariam na atividade? O que já conheciam e que foi repetido?
89
MINISTÉRIO DA SAÚDE
FICHA DE ATIVIDADE 45
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: cartolina, Etil Vinil Acetato (E.V.A) colorido, papel contact transparen-
te, cola quente, caixinha com milho de pipoca, canetinha colorida e tesoura.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: com o auxílio da professora, do professor e/ou do profissional de Saúde, os es-
tudantes deverão fazer algumas rodadas com o dado, como em uma competição. Ao jogar o dado, o número
que cair corresponde a um movimento que a criança terá que fazer. Por exemplo:
Baseada na atividade apresentada à disciplina Corpo Movimento e Psicomotricidade pelo 2ºA Grupo Tuttibambini.
90
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
O PSE tem o compromisso com a promoção da saúde e a prevenção ao uso de drogas. Vamos conversar
um pouco sobre isso?
O termo “droga” tem origem na palavra drogg, proveniente do holandês antigo, que significa folha
seca. Isso porque os medicamentos utilizados no passado distante eram feitos, principalmente, a partir
da secagem de vegetais.
Já no contexto atual, a palavra droga é definida como qualquer substância capaz de modificar a função
dos organismos vivos, que resulta em mudanças fisiológicas ou de comportamento. Por exemplo: uma subs-
tância ingerida contrai os vasos sanguíneos (modifica a função) e a pessoa passa a ter aumento da pressão
arterial (mudança na fisiologia ou funcionamento do corpo). Outro exemplo: uma substância faz com que as
células do nosso cérebro (os neurônios) fiquem mais ativas (modificam a função) e, como consequência, a pes-
soa fica mais alerta, perdendo o sono (mudança comportamental). Em linguagem médica, o termo “droga” é
usado como sinônimo de medicamento.
Nesta publicação, a proposta é abordar os riscos e danos do uso de drogas numa perspectiva do forta-
lecimento dos vínculos e afetos para favorecer escolhas de vida saudáveis e melhoria das relações entre os
educandos e a comunidade escolar/equipes de Saúde.
Trabalhar o tema Álcool, Tabaco, Crack e Outras Drogas significa, antes de tudo, trabalhar sob a ótica dos
direitos humanos.
O trabalho com a prevenção ao uso do álcool e outras drogas não é tarefa que cabe somente à escola.
As áreas da Saúde, Cultura, Esportes, Justiça e Juventude, entre outras, precisam estar juntas na implantação
e na implementação de projetos. Da mesma forma, é essencial envolver a família e a comunidade nas ações
da escola, comprometendo-as na promoção de uma vida mais saudável e protegida. Um bom começo é intro-
duzir o tema em contexto mais amplo, mostrando a responsabilidade das pessoas pela própria vida, pela sua
saúde e pelo mundo em que vive.
Alguns especialistas sugerem que o melhor caminho é construir, com alunas e alunos, alternativas autên-
ticas, livres e mais protegidas, que sejam traduzidas em práticas de cuidado. Estratégias participativas e siste-
máticas costumam ser mais efetivas que uma palestra dada por um especialista convidado uma vez por ano.
FICHA DE ATIVIDADE 46
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: estimular a reflexão sobre as situações na vida que deixam as pessoas mais
vulneráveis ao uso de substâncias psicoativas.
91
MINISTÉRIO DA SAÚDE
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Comece a atividade explorando no dicionário o significado da palavra “vulnerabilidade”.
– Comente que, muitas vezes, entramos em algumas situações que nos deixam mais vulneráveis. Uma delas
diz respeito ao uso de substâncias psicoativas. Um exemplo é que sob o efeito do álcool, muitas pessoas dei-
xam de usar o preservativo em uma relação sexual.
– Divida os participantes em grupos de, no máximo, 4 pessoas.
– Explique que você distribuirá algumas frases para cada grupo, e que a ideia é que cada um deles reflita sobre
as afirmações, decidindo se concordam ou não com elas e por quê. Dê 20 minutos para a tarefa.
– Quando terminarem, peça para escolherem um relator que lerá a frase e as conclusões de cada grupo. Após
as apresentações, abra uma roda de conversa utilizando as seguintes questões:
1. Quais pessoas ou grupos estão mais vulneráveis ao uso do álcool, do tabaco, do crack e outras dro-
gas? Por quê?
2. Quais os aspectos de nossa cultura que deixam os homens jovens e adultos mais vulneráveis em re-
lação ao uso do álcool, tabaco, crack e outras drogas? E as mulheres?
3. Como deveriam ser as atividades de prevenção ao uso do álcool, tabaco, crack e outras drogas na
escola e na comunidade?
FINALIZAÇÃO
A noção de vulnerabilidade foi inicialmente pensada como maneira de fornecer elementos para avaliar,
objetivamente, as diferentes chances que toda e qualquer pessoa tem de se infectar pelo HIV, dado o conjunto
formado por certas características – individuais, sociais e programáticas – de seu cotidiano, julgadas relevantes
para a maior exposição ou menor chance de proteção diante do problema. Mais tarde, esse conceito passou
a ser utilizado em outros contextos como, por exemplo, a violência baseada em gênero e o uso do álcool,
tabaco, crack e outras drogas.
TEXTO DE APOIO:
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
DICA
A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), em parceria com o Centro Brasileiro de Infor-
mações sobre Drogas Psicotrópicas da Universidade Federal de São Paulo, elabora sistematicamente um
levantamento sobre o consumo de drogas psicotrópicas, com o intuito de conhecer a prevalência e os pa-
drões de consumo de drogas e suas consequências sobre os estudantes brasileiros de ensino fundamental
e médio. Trata-se do VI Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas entre estudantes
do ensino fundamental e médio das redes pública e privada de ensino nas 27 capitais brasileiras – 2010.
Disponível em: <www.obid.senad.gov.br/portais/OBID/biblioteca/documentos/Publicacoes/328890.pdf>.
FICHA DE ATIVIDADE 47
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Divida os alunos em duas equipes e peça que cada uma fique em uma mesa.
– Explique que nessa atividade serão lidas algumas afirmações para uma equipe de cada vez. As equipes terão
3 minutos para conversar e dizer se aquela afirmação é verdadeira, mais ou menos verdadeira ou errada.
– Peça para tirarem par ou ímpar para definir qual equipe começa. Caso a equipe não saiba ou erre a resposta,
a outra poderá responder.
– Informe ainda que cada resposta certa equivale a 10 pontos.
– Quando terminar o quiz, abra uma roda de conversa e aprofunde o tema a partir das seguintes perguntas:
1. Na opinião de vocês, qual a droga mais consumida por adolescentes e jovens que frequentam as
escolas? Por quê?
2. Que tipos de sensação ou emoção adolescentes e jovens buscam utilizando o álcool e/ou o tabaco?
93
MINISTÉRIO DA SAÚDE
3. No caso do álcool, por exemplo, dá para saber qual a hora de parar de beber antes de passar mal ou
falar/fazer alguma coisa e arrepender-se depois?
4. O que poderia ser feito na escola para se prevenir os riscos associados ao uso do álcool e do tabaco?
FINALIZAÇÃO
O álcool é a droga mais consumida por adolescentes e jovens brasileiros. Além dos problemas de saúde que
pode acarretar a partir de seu uso constante, o álcool está associado a várias situações de violência e aciden-
tes. Tanto o álcool quanto as demais drogas podem deixar as pessoas menos cuidadosas consigo próprias e,
portanto, com as outras pessoas também. Um exemplo é que, muitas vezes, uma pessoa que sempre utiliza a
camisinha nas relações sexuais pode deixar de usá-la quando está sob o efeito de alguma droga. A segunda
droga mais consumida é o tabaco.
94
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
Continuação...
DICA
UNODC e prevenção ao abuso de drogas, tratamento e reabilitação.
Nesse site da agência da ONU, responsável pelos temas de Drogas e Crimes, há uma série de textos, notí-
cias e relatório sobre álcool, tabaco e outras drogas.
Disponível em: <www.unodc.org/southerncone/>.
FICHA DE ATIVIDADE 48
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: refletir sobre as razões que levam adolescentes e jovens a utilizar determinadas
substâncias como forma de construção de um corpo tido como ‘ideal’.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Quando o final da história for aprovado por todos, abra para a discussão a partir das seguintes perguntas:
– Explique que essa técnica é conhecida como Teatro do Oprimido ou Teatro Fórum. Nela, busca-se romper
os rituais tradicionais do teatro, que reduzem o público ao imobilismo, à passividade. A ideia é o estabeleci-
mento de um diálogo entre palco e plateia, em que os espectadores se autoativariam ao entrar em cena para
transformar a peça.
96
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
FINALIZAÇÃO
Há atualmente, com frequência, grande pressão para as mulheres serem magras. Muitas meninas utili-
zam medicamentos para emagrecer influenciadas pelos ideais de beleza presentes na mídia. Em relação aos
meninos, os anabolizantes – substitutos sintéticos da testosterona, hormônio sexual masculino para aumentar
os músculos do corpo – são muito usados por aqueles que buscam um corpo “sarado” (forte e desenvolvido).
Ambas as substâncias provocam uma série de problemas de saúde para quem os utiliza.
DICA
O Guia prático para programas de prevenção de drogas tem como objetivo instrumentalizar escolas a
construir e manter um programa de prevenção ao uso de drogas inserido no cotidiano escolar.
Disponível em: <http://apps.einstein.br/alcooledrogas/novosite/imagens/Guia_
Prevencao_Albert_Einstein.pdf>
FICHA DE ATIVIDADE 49
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Divida-os em dois grupos.
– Solicite que o grupo 1 pense em todos os argumentos possíveis para convencer uma pessoa a não
utilizar o crack.
– Em seguida, peça para o grupo 2 pensar em todos os argumentos que uma pessoa dependente teria
para usar o crack.
– Dê 15 minutos para os grupos prepararem seus argumentos. Terminado esse tempo, solicite que um
grupo fique de frente para o outro e que um tente convencer o outro a partir de seus argumentos.
– Depois de 10 minutos de discussão, peça para trocarem a posição: o grupo que argumentava contra
o uso do crack deverá convencer o outro grupo de que precisa da droga, e vice-versa.
– Terminado o tempo, abra para uma roda de conversa a partir das seguintes questões:
97
MINISTÉRIO DA SAÚDE
FINALIZAÇÃO
Dá-se o nome de competências sociais ao aprendizado sobre as formas com que uma pessoa interage
com os eventos de vida, tanto no sentido de resolução de problemas como de autorrealização. Essas caracte-
rísticas podem ser aprendidas e favorecer o desenvolvimento dos talentos e potencialidades individuais e co-
letivos para a melhoria da qualidade de vida e transformação social. Algumas competências são muito impor-
tantes para o cuidado consigo próprio e com as demais pessoas. Por exemplo, a comunicação, a negociação,
a tomada de decisão, a capacidade de ouvir e de refletir a partir da perspectiva de outra pessoa.
DICA
Crack é possível vencer: <www.brasil.gov.br/crackepossivelvencer/home>.
Nesse site estão disponíveis várias informações sobre a droga, efeitos e consequências.
Em 1994, na cidade do Cairo, aconteceu um grande evento: a IV Conferência Internacional sobre Popu-
lação e Desenvolvimento. Organizada pelo Fundo de População das Nações Unidas, discutiram-se várias ques-
tões. Uma delas dizia respeito ao direito de adolescentes e jovens à educação, à informação sobre sexualidade
e saúde reprodutiva, e à facilidade de utilização dos recursos indispensáveis para fazer as escolhas de modo
eficiente e seguro.
O Brasil não apenas esteve presente na conferência, como assinou documento se comprometendo a
seguir as recomendações pactuadas durante o encontro. Havia uma questão referente aos Parâmetros Curri-
culares Nacionais do Ministério da Educação, que explicita a inclusão de conteúdos relativos à sexualidade e
saúde reprodutiva como estratégia de valorização de direitos sexuais e reprodutivos, visando à ampliação de
direitos sociais.
Assim, nossa proposta para a Semana Saúde na Escola é reforçar a necessidade de se garantir os Direitos
Sexuais e os Direitos Reprodutivos de adolescentes e jovens a partir de seus diferentes aspectos.
10
Inspirado em: BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégi-
cas. Área Técnica de Saúde da Mulher. Direitos sexuais e direitos reprodutivos: uma prioridade do governo. Brasília: Minis-
tério da Saúde, 2005. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_direitos_sexuais_reprodutivos.pdf/>.
Acesso em: 19 abr. 2013.
98
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
A condição básica para tratar dos assuntos relacionados à sexualidade e à saúde reprodutiva é abrir
espaços para alunas e alunos se sentirem à vontade em opinar, discutir e refletir criticamente sobre todas as
questões. Trabalhar a partir de um grupo de reflexão ou debate estimularia adolescentes e jovens a refletir
sobre atitudes e expor dúvidas, sem revelar a própria história.
Por exemplo, além do conhecimento sobre métodos contraceptivos, é importante abrir espaço para
conversar abertamente sobre fantasias, curiosidades, medos e preconceitos relacionados às experiências
afetivas e sexuais.
Oficinas, rodas de conversa, jogos e construção de materiais educomunicativos costumam ser as melho-
res formas de se trabalhar com esse tema tão importante e ainda polêmico.
IMPORTANTE!
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira – Lei nº 9.394/1996 – regulamenta o direito à educação
como direito público subjetivo de todo cidadão. Estabelece a incumbência da União Federal na elaboração do
Plano Nacional de Educação em colaboração com estados, Distrito Federal e municípios, outorgando ao Con-
selho Nacional de Educação as funções normativas e de supervisão. Considerando a descentralização política
e administrativa, definida na Constituição, os Parâmetros Curriculares Nacionais apresentam referenciais para
a elaboração descentralizada de propostas curriculares em nível estadual e municipal, incluindo a Saúde e a
Sexualidade entre os temas a serem abordados, de forma transversal, no currículo escolar.
FICHA DE ATIVIDADE 50
99
MINISTÉRIO DA SAÚDE
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: desenho de uma árvore, canetas coloridas, cartões e fita crepe.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Desenhe uma árvore bem grande em uma folha de papel de embrulho.
– Peça que formem grupos; distribua uma folha de papel sulfite e solicite que façam um risco vertical, dividin-
do a folha em duas partes.
– Do lado esquerdo, peça que escrevam a palavra HOMEM; e do lado direito, a palavra MULHER.
– Peça que façam uma lista com todas as informações sobre sexo e sexualidade passadas para meninas e
meninos desde a infância. Por exemplo: “as meninas têm que brincar com bonecas porque no futuro serão
mães”, ou “os meninos têm que comer bastante para crescer, ficar forte e ter muitas namoradas”.
– Distribua as tiras de papel e peça que nelas escrevam as características que levantaram.
– Coloque o desenho da árvore na parede e peça que, quando terminarem, cada grupo fixe suas tiras na raiz
da árvore, utilizando um pedaço de fita crepe. Os relacionados às meninas do lado esquerdo e aos meninos
do lado direito.
– Depois que todas as tiras forem colocadas, leia as respostas e peça que reflitam sobre quem costuma passar
essas informações para as crianças (família, escola, sociedade, religião, mídia, grupo de amigos).
– Peça que novamente escrevam as conclusões nas tiras, mas, dessa vez, devem ser coladas no tronco da árvore.
– Em seguida, pergunte como, a partir da raiz e do tronco da árvore, seria a relação entre meninos e meninas,
tendo por base esses aprendizados. Escreva os resultados na copa da árvore, como se fossem frutos.
– Leia as tiras e abra para o debate a partir das seguintes questões:
1. O que é sexo?
2. O que é sexualidade?
3. O que uma menina espera de um relacionamento?
4. O que um menino espera de um relacionamento?
5. Quem tem que pensar em contracepção? O menino ou a menina?
6. Quem tem que pensar em prevenção às DSTs, HIV e aids? O menino ou a menina?
FINALIZAÇÃO
Quando falamos em sexo, estamos nos referindo aos órgãos sexuais femininos e masculinos e ao ato
sexual. Agora, a sexualidade é bem mais do que isso. É a energia que nos motiva a buscar afeto, carinho e
contato físico. Tem a ver com sentimentos de satisfação e prazer. Cada pessoa vivencia a sexualidade de um
jeito diferente, que varia ao longo do tempo.
A maior parte das diferenças entre homens e mulheres é aprendida, ou seja, uma mulher não nasce
sensível e meiga, nem os homens violentos ou insensíveis. Elas e eles aprendem a ser assim no contato com a
família, a escola, a comunidade, os meios de comunicação, o grupo de amigos/as etc.
100
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
DICA
O livro Menino brinca de boneca, de Marcos Ribeiro (Editora Moderna), em sua terceira edição, é refe-
rência de trabalho para profissionais, universidades, associações, ONGs e projetos na área de Sexualidade
e Saúde Reprodutiva de diferentes instituições. Há mais de duas décadas, é indicado e adotado por escolas
públicas e privadas de todo o País.
FICHA DE ATIVIDADE 51
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: cópias do diagrama para todos os alunos e alunas e lápis.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Copie o diagrama e as definições dos métodos contraceptivos para todos os participantes.
– Explique que devem ler a descrição dos diferentes métodos e escrever nas linhas pontilhadas.
– Informe que, ao final, descobrirão qual é o único método que serve para evitar gravidez e prevenir a infecção
pelas DSTs e HIV/aids.
– Quando terminarem de preencher o diagrama, corrija as respostas e abra uma roda de conversa partindo
das seguintes questões:
FINALIZAÇÃO
Os métodos contraceptivos são utilizados por pessoas que têm vida sexual ativa e querem evitar a gravi-
dez. Há vários tipos de métodos contraceptivos disponíveis no mercado, como a camisinha masculina, camisi-
nha feminina, o DIU (dispositivo intrauterino), contracepção hormonal injetável, contracepção hormonal oral
(pílula anticoncepcional), implantes, espermicida, esterilização feminina e vasectomia masculina.
A maioria dos métodos anticonceptivos atua de forma a prevenir a gravidez antes ou durante a
relação sexual.
101
MINISTÉRIO DA SAÚDE
O preservativo – feminino e masculino – é o único método que evita gravidez e protege da infec-
ção pelas doenças sexualmente transmissíveis, HIV e aids.
TEXTO DE APOIO:
leia as definições e, no quadro abaixo, preencha os espaços com o nome de cada método
contraceptivo.
Definições
1. Secreção vaginal mais grossa que aparece na calcinha, possibilitando identificar o período fértil. Não é
considerado um bom método anticoncepcional nem previne as DSTs e a aids.
2. Espécie de concha de borracha que a mulher coloca na vagina para cobrir o colo do útero e que precisa
ser usado com gel espermicida. É um bom método, mas não previne nem as DSTs e nem o HIV.
3. Retirar o pênis da vagina antes de ejacular. É um péssimo método contraceptivo, pois vive falhando.
4. Pequeno objeto de plástico e cobre, com um fio de nylon na ponta, colocado no interior do útero. Não
é método indicado para adolescentes e nem previne DST e HIV.
5. Cremes ou geleias feitos com substâncias químicas colocados dentro da vagina, que matam ou imobi-
lizam os espermatozoides. Quando usados sozinhos, falham muito.
6. Comprimido feito com hormônios, que deve ser tomado todos os dias, mais ou menos na mesma hora.
É um bom método, mas precisa de acompanhamento médico e não previne as DSTs e nem a aids.
7. Método que permite conhecer o ciclo menstrual e saber quais os dias férteis. Não é recomendado para
adolescentes porque o ciclo menstrual ainda é irregular e, mesmo quando regular, falha muito.
Diagrama
1.
2.
3.
4.
5.
6.
N
7.
DICA
O portal da Saúde tem uma página específica, para adolescentes, sobre métodos contraceptivos.
Disponível em: <http://portal.saude.gov.br/portal/saude/visualizar_texto.cfm?idtxt=33729>
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
FICHA DE ATIVIDADE 52
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: discutir uma situação de gravidez na adolescência a partir do ponto de vista de
um menino e de uma menina, enfatizando a importância de envolver os homens na contracepção.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Forme dois grupos e peça que cada um escolha uma pessoa para coordená-los.
– Informe que um grupo receberá uma história sobre gravidez na adolescência do ponto de vista de uma me-
nina e o outro receberá a história do ponto de vista de um menino.
– Explique que o coordenador distribuirá a primeira parte do estudo de caso, para todos lerem e responderem
às questões ao final de cada capítulo; quando terminarem a discussão, distribuirá a segunda parte. Deve fa-
zer o mesmo com a terceira parte. Reforce que somente se passa para a parte seguinte da história depois de
discutidas as questões.
– Explique ainda que será função do coordenador favorecer a participação de todos e anotar as respostas em
uma folha de papel em branco.
– Após o término das histórias, peça ao coordenador para apresentar as respostas do seu grupo.
103
MINISTÉRIO DA SAÚDE
FINALIZAÇÃO
A gravidez na adolescência, considerada um sério problema de saúde pública mundial, vem preocupan-
do governantes, pesquisadores e ativistas, bem como a própria Organização Mundial da Saúde. No entanto,
mesmo há quase 20 anos depois da IV Conferência de População e Desenvolvimento (Cairo, 1994), a paterni-
dade na adolescência é um tema ainda pouco explorado na literatura e nos programas de saúde destinados à
prevenção e/ou assistência no contexto da saúde sexual e reprodutiva de adolescentes e de jovens.
TEXTOS DE APOIO:
104
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
estavam inchados, e estava sempre com enjoo. Pepa entrou em pânico. Não sabia o que fazer.
– Por que eles tiveram uma relação sexual sem usar o preservativo ou algum outro método contraceptivo?
– O que sentiu Pepa ao saber que estava grávida? Que opções ela tinha?
– O que ela esperava que Jairo falasse ou fizesse?
– Tendo um filho, o que mudaria na vida de Pepa? E na de Jairo?
– Como ela comunicaria a notícia à família?
Jairo é um jovem de 16 anos que trabalha como pescador e que reside no litoral do Estado do Ceará, na ci-
dade de Fortaleza. Um dia, quando se dirigia para sua casa depois do trabalho, viu uma garota desenhando,
sentada na praia. A menina era tão graciosa que Jairo resolveu se aproximar. Sentou-se ao lado dela e per-
guntou o que estava fazendo. Pepa tinha os olhos mais lindos do mundo e Jairo sentiu um calor percorrendo
o seu corpo.
Conversaram um longo tempo, e Pepa contou que tinha 15 anos e morava no interior do Estado. Jairo con-
vidou Pepa para tomar um sorvete no dia seguinte. Pepa concordou e Jairo sentiu-se o homem mais feliz do
mundo. Apaixonara-se perdidamente por Pepa.
– O que sente um menino quando está apaixonado?
– O que ele espera que aconteça nos próximos encontros?
– Pepa sentiu a mesma emoção de Jairo?
– Como continua essa história?
105
MINISTÉRIO DA SAÚDE
DICAS
O vídeo Minha vida de João é um desenho animado, sem palavras, que conta a história de João, mostrando
os desafios que ele enfrenta ao longo de seu processo de crescimento: machismo, violência familiar, homo-
fobia, dúvidas em relação à sexualidade, a primeira experiência sexual, gravidez da namorada, uma doença
sexualmente transmissível e paternidade.
Disponível em: <www.youtube.com/watch?v=JzG4re-Ja0I>.
O vídeo Era uma vez outra Maria apresenta experiências comuns na vida de mulheres jovens. Aborda as-
suntos como saúde sexual e reprodutiva, violência, gravidez, maternidade e trabalho. Pode ser usado com
mulheres e homens jovens, ou profissionais de Saúde e Educação que buscam novas formas para discutir
a saúde e a autonomia das mulheres jovens.
Disponível em: <www.promundo.org.br/audiovisuais/para-jovens-e-adultos/era-uma-vez-outra-maria/>.
FICHA DE ATIVIDADE 53
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: recriar as situações que se dão na negociação do sexo seguro, incorporando
os argumentos a favor e contra o uso do preservativo.
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: 4 tiras com motivos de meninas e meninos e as situações que deverão
defender; 1 folha de papel e 1 lápis para cada grupo.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Divida o grupo em 4 equipes e explique que cada uma delas receberá uma tira de papel especificando o sexo
de uma pessoa (se é homem ou mulher) e se essa pessoa quer ou não ter relação sexual.
– Explique que cada uma dessas situações exigirá do grupo um levantamento de argumentos favoráveis à
ideia. Ou seja, cada grupo deverá fazer uma lista com os motivos para se fazer ou não determinado ato.
– Distribua as tiras e peça que “incorporem” a situação pensando como um homem ou uma mulher defen-
deriam sua posição.
– Quando todos os grupos tiverem sua lista com as argumentações, solicite para formarem 2 grupos:
HOMENS (1) + MULHERES (2) e
HOMENS (2) + MULHERES (1).
106
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
– Quando os participantes estiverem organizados em 2 grupos, explique que deverão negociar se querem ou
não ter relação sexual com base nos argumentos levantados.
– Dê 10 minutos para essa negociação entre os dois grupos (H1 + M2 e H2 + M1); em seguida, peça a
cada grupo para contar como foi a conversa com o outro grupo. Pergunte como se sentiram participando
da atividade.
– Abra para o debate a partir das seguintes questões:
1. As representações que fizeram têm a ver com a realidade?
2. De que maneira essa negociação aparece na vida real?
3. Adolescentes e jovens costumam conversar sobre o uso do preservativo antes de a relação
sexual acontecer?
.....................................................................................................................................................................
HOMEM 1 – Os motivos que os meninos dão para convencer uma menina a ter relações sexuais com eles.
.....................................................................................................................................................................
HOMEM 2 – Os motivos que os meninos dão quando não querem ter relações sexuais com uma menina.
.....................................................................................................................................................................
MUlHER 1 – Os motivos que as meninas dão para convencer um menino a ter relações sexuais com elas.
.....................................................................................................................................................................
MUlHER 2 – Os motivos que as meninas dão quando não querem ter relações sexuais com um menino.
.....................................................................................................................................................................
FINALIZAÇÃO
Em uma negociação sobre ter ou não relações sexuais está presente uma série de fatores: autoestima,
comunicação, relações de poder desiguais, pressão dos amigos e expectativas. Atividades educativas que
aprimoram a argumentação e a negociação são importantes para o aprendizado das chamadas competências
sociais. É uma forma de mostrar ser possível se chegar a um acordo, em que as duas partes encontram um
caminho adequado a ambas.
DICA
No site do psiquiatra Jairo Bouer - <http://doutorjairo.uol.com.br/->, há sempre atualidades sobre os
temas da sexualidade e saúde reprodutiva. Apresenta ainda um pop up para o qual adolescentes e
jovens podem enviar dúvidas.
107
MINISTÉRIO DA SAÚDE
FICHA DE ATIVIDADE 54
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: refletir sobre a negociação do uso do preservativo como forma de prevenção
das DSTs/aids (Texto de Apoio).
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: cópias das situações a serem respondidas, 1 batata ou 1 bola e
1 recipiente.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Peça para a turma sentar em círculo. Uma bola ou uma batata circulará pelo grupo enquanto, com os olhos
fechados, você diz: “batata quente, batata quente, batata quente, queimou...”. Quando falar “queimou”, a
pessoa que estiver com a batata quente pegará, dentro de um recipiente localizado no meio do círculo, uma si-
tuação para responder. A brincadeira continua por algum tempo, possibilitando a maior participação possível.
– Discuta com o grupo as negociações feitas, cujas principais ideias foram por ele anotadas. Estimule o grupo
a refletir sobre a pertinência ou não dos argumentos utilizados e a criar outros argumentos para as respostas.
TEXTO DE APOIO:
Se alguém falar: As pessoas com aids deveriam ser isoladas. Você responde...
Se alguém falar: Camisinha não é natural, me bloqueia. Você responde...
Se alguém falar: Ah, você tem camisinha na bolsa! Você está querendo transar
Você responde...
comigo.
Se alguém falar: Gostaria de transar, mas não tenho camisinha comigo. Você responde...
Se alguém falar: Uma criança portadora do vírus não deveria frequentar a escola
Você responde...
porque irá infectar outras crianças.
Se alguém falar: Eu não sou homossexual e não uso drogas injetáveis, por isso
Você responde...
não preciso usar o preservativo.
Se alguém falar: Eu não doo sangue porque posso me infectar pelo HIV e outras
Você responde...
DSTs.
Se alguém falar: Não precisamos de camisinha, sou virgem. Você responde...
Se alguém falar: Camisinha? Você está me ofendendo! Pensa que já transei
Você responde...
com todo mundo?
Se alguém falar: Existe perigo em utilizar o mesmo banheiro que uma pessoa com
Você responde...
aids usou?
Se alguém falar: Se eu parar para colocar a camisinha, perco o tesão. Você responde...
108
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
DICA
O guia Adolescentes, jovens e educação em sexualidade, do Instituto Promundo, traz uma boa discussão
sobre quais desafios os profissionais da Educação e da Saúde encontram para trabalhar intersetorialmente
com os temas da sexualidade e saúde reprodutiva. Ao final, sugere várias atividades.
Disponível em: <www.promundo.org.br/wp-content/uploads/2011/07/Toolkit-1.pdf>.
FICHA DE ATIVIDADE 55
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: cartolina, réguas, revistas, canetas coloridas, tesouras, fita crepe e cola.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
– Explique às alunas e aos alunos que, fazendo de conta, você é o diretor ou a diretora de uma escola e que
está muito preocupado(a) porque os alunos do sexo masculino não se preocupam em evitar filhos.
– Peça que se dividam em 4 subgrupos e informe que, daquele momento em diante, cada grupo será uma
agência de publicidade.
109
MINISTÉRIO DA SAÚDE
– Cada agência deve preparar um cartaz direcionado para meninos, informando que eles podem ser pais
a qualquer momento (o homem é fértil todos os dias) e que eles podem escolher se querem ter filhos, com
quem e quando querem.
– Distribua folhas de cartolina, réguas, revistas e canetas coloridas para todas as agências de publicidade.
– Quando os grupos terminarem, peça a cada grupo para apresentar seu cartaz. Após a apresentação, sugira
que os cartazes sejam colocados em alguns lugares estratégicos da escola para todas as pessoas poderem vê-los.
– Abra para o debate a partir das seguintes questões:
1. Por que muitas pessoas acreditam que quem tem de pensar em evitar filhos é apenas a mulher?
2. O que é ser pai? O que é ser mãe?
3. O que um menino precisa fazer para não ser pai na adolescência?
FINALIZAÇÃO
Partindo-se do pressuposto de que a masculinidade é uma construção de nossa sociedade e cultura, os
homens não são educados para se preocupar com a reprodução. Abordar o tema da paternidade na adoles-
cência e juventude significa, portanto, discutir e desconstruir preconceitos fortemente presentes em nosso
cotidiano. Entre eles, o de que a contracepção é responsabilidade exclusiva da mulher ou que cabe somente
ao homem prover financeiramente a família.
DICA
O vídeo educativo Estou grávido! Com a voz o jovem pai apresenta a vivência da paternidade entre rapazes
cuja companheira está grávida. Compõe-se de um conjunto de relatos de dez pais adolescentes e jovens re-
sidentes em Recife, São Paulo e Rio de Janeiro. É destinado a trabalhos com homens e mulheres jovens que
desconhecem o universo da gravidez na adolescência da perspectiva do pai. Facilita o debate sobre esse tema
em grupos de rapazes, moças e grupos mistos, em escolas, unidades de Saúde, empresas etc.
Disponível em: <http://br.youtube.com/watch?v=DKiX4UmfWVE (parte 1) e <http://br.youtube.com/watch?-
v=L8gAjroVX0c> (parte 2).
Saúde Indígena
Os povos indígenas no Brasil são extremamente diversificados. Não somente do ponto de vista étnico e linguís-
tico, mas pelas suas formas de organização social e expressões culturais, entre elas: concepções de saúde e práticas
de cura, vida produtiva, história do contato e grau de interação com a sociedade nacional. O que representa uma
diversidade de realidades e um grande desafio no que se refere à atenção à saúde dessa população.
Os indígenas enfrentam situações distintas de tensão social, ameaças e vulnerabilidade e esgotamento
de recursos naturais. A expansão das frentes econômicas (extrativismo, trabalho assalariado temporário,
110
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
FICHA DE ATIVIDADE 56
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: os professores mobilizarão os estudantes a falar sobre os seus padrões alimenta-
res, desde o nascimento até a atualidade, com o objetivo de despertar a atenção dos estudantes sobre os padrões
alimentares e a transição alimentar e nutricional que acontece ao longo dos anos, além de relacioná-los a ques-
tões familiares e culturais. Por meio dessa visão, os estudantes identificariam costumes que se perderam ou se en-
fraqueceram (saudáveis ou não) e costumes que foram agregados (saudáveis ou não), além de trabalhar o senso
crítico quanto a escolhas de alimentos ou aceitação de alimentos na alimentação escolar que não fazem parte da
cultura alimentar da comunidade. O resultado da discussão pode ser apresentado em forma de palestras.
111
MINISTÉRIO DA SAÚDE
FICHA DE ATIVIDADE 57
FICHA DE ATIVIDADE 58
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: elaborar uma lista, com professores e estudantes indígenas, sobre os alimen-
tos que consomem rotineiramente. A partir dessa lista, discutir sobre os grupos de alimentos, estimulando,
assim, as capacidades de escolhas.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: por meio de cartazes e discussões em sala de aula, os estudantes conver-
sarão sobre os grupos de alimentos e sua importância para o organismo. Ao longo de um dia, os alu-
nos observarão e anotarão o que consumiram. No dia seguinte, os professores retomarão o assunto e
analisarão com os alunos o perfil dos alimentos consumidos por meio dos grupos e cores de alimentos.
Deve-se observar que cada povo tem uma classificação para os alimentos que consome e que pode
ser bem diferente da nossa classificação, com outra lógica. Considerar ainda a diminuição da caça e
do peixe na alimentação, decorrente de mudanças/degradação ambientais, entorno mais ocupado e
outros aspectos.
112
Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
FICHA DE ATIVIDADE 59
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: por meio de discussões em sala de aula, os estudantes conversarão sobre a
alimentação tradicional versus a atual. Ao longo de um dia, os alunos observarão e anotarão o que consumi-
ram, incluindo os alimentos da alimentação escolar. No dia seguinte, os professores retomarão o assunto e
analisarão com os alunos, por meio dos grupos alimentares, o perfil dos alimentos consumidos.
FICHA DE ATIVIDADE 60
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: estimular hábitos saudáveis de dieta, uso moderado de alimentos cariogênicos
e conscientização da importância da higiene bucal (o que será feito pela equipe de Saúde Bucal por meio de
palestras educativas). Para o nível fundamental, estimular o uso de desenhos para as crianças transmitirem o
entendimento daquela etnia acerca da saúde/doenças relacionadas à boca e ao consumo de alimentos.
Para o nível médio, utilizar entrevistas para entender a cultura, além de saúde/doenças relacionadas à boca, ao
consumo de alimentos e outros hábitos.
113
MINISTÉRIO DA SAÚDE
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: por meio de atividades educativas, como palestras, teatros, encenações etc., a
Equipe de Saúde Bucal da Estratégia Saúde da Família, vinculada à UBS mais próxima da escola, e/ou a Equipe
Multidisciplinar de Saúde Indígena deverão estimular hábitos saudáveis de dieta, uso moderado de alimentos
cariogênicos e conscientização da importância da higiene bucal, considerando as peculiaridades socioculturais
e socioambientais.
FICHA DE ATIVIDADE 61
OBJETIVO(S) DA ATIVIDADE: orientar e estimular a manutenção da higiene bucal, além de fazer com que o
flúor esteja disponível na cavidade bucal, por meio do dentifrício.
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: escova dental, fio-dental, creme dental, espelho grande e pia com torneira.
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: desenvolvida em ambiente do educando, com supervisão indireta do CD, po-
dendo ser a equipe auxiliar ou professores, desde que devidamente capacitados.
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Guia de Sugestões de Atividades Semana Saúde na Escola
FICHA DE ATIVIDADE 62
MATERIAIS DE APOIO NECESSÁRIOS: flúor gel, moldeiras descartáveis, luvas descartáveis e lixeira com tam-
pa (para descarte do material contaminado).
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE: feita pelo cirurgião-dentista, com apoio do pessoal auxiliar e dos professores,
de acordo com a avaliação de necessidade pelo município, destinada principalmente a municípios sem fluore-
tação das águas de abastecimento.
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Ministério da Saúde
ISBN 978-85-334-2067-0
Ministério da Ministério da
Educação Saúde