Processos Estruturais em Materia Previde
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PROCESSOS ESTRUTURAIS
EM MATÉRIA
PREVIDENCIÁRIA
POR UMA RELEITURA DAS INTERAÇÕES TRAVADAS
ENTRE O JUDICIÁRIO E O INSTITUTO
NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Londrina/PR
2023
Dados Internacionais de Catalogação na
Publicação (CIP)
GUSTAVO OSNA
Professor dos Programas de Graduação em Direito da Universidade
Federal do Paraná (UFPR) e de Pós-Graduação Stricto Sensu em Direito
da Universidade Católica de Brasília. Doutor em Direito das Relações
Sociais pela UFPR. Mestre em Direito das Relações Sociais e Bacharel em
Direito pela UFPR. Membro do Instituto Brasileiro de Direito Processual.
Advogado. gustavo@mosadvocacia.com.br.
APRESENTAÇÃO DA COLEÇÃO
GUSTAVO OSNA
PREFÁCIO
INTRODUÇÃO ..........................................................................................................23
PARTE 1
TEORIA DOS PROCESSOS ESTRUTURAIS
CAPÍTULO 1
DA RESOLUÇÃO DE INCIDENTES À MOBILIZAÇÃO DE
ESTRUTURAS: UM BREVE PANORAMA CONCEITUAL DOS
PROCESSOS ESTRUTURAIS.................................................................................37
1.1 Díades do ofício jurisdicional: Resolução de disputas e promoção de valores
públicos, microjustiça e macrojustiça, as árvores e a floresta................................37
1.2 Onde nascem os litígios estruturais?...................................................................51
1.3 Mapeando o conceito: as diferentes visões da doutrina brasileira sobre o
processo estrutural .......................................................................................................64
1.4 Processo estrutural e consequencialismo: como enfrentar contingências
concretas sem abrir mão da tutela de direitos fundamentais? ...............................72
1.5 Uma breve, porém necessária, análise das objeções aos processos
estruturais......................................................................................................................82
CAPÍTULO 2
COMO SE FAZ UM PROCESSO ESTRUTURAL? AS ADEQUAÇÕES
PROCEDIMENTAIS NECESSÁRIAS PARA QUE O JUDICIÁRIO POSSA
INTERVIR EM PROBLEMAS MACROSCÓPICOS E POLICÊNTRICOS 99
2.1 A escolha do remédio processual: qual das trilhas leva à reforma estrutural?..100
2.2 Reflexões em torno da legitimidade processual: entre o direito à participação
direta e a garantia da representatividade adequada .............................................. 107
2.3 Apresentação da demanda estrutural: a atenuação do princípio da demanda e
da regra da congruência ........................................................................................... 116
2.4 Saneamento e organização do processo estrutural: as modulações necessárias
para que se garanta a correção de vícios formais e o adequado planejamento das
futuras etapas do litígio ................................................................................................ 121
2.5 A prova no âmbito dos litígios estruturais: como comprovar a existência de um
estado de coisas, de uma condição social ou de um padrão de conduta contrário ao
direito? ............................................................................................................................ 129
2.6 Sentenças estruturantes, provimentos em cascata, decisões de caráter prospectivo
e condicional .................................................................................................................. 136
2.7 Implementação e fiscalização da reforma estrutural: como assegurar que os
efeitos da decisão judicial se espraiem para além do papel? ................................... 148
2.8 Conclusões preliminares e o porvir do presente estudo .................................. 162
PARTE II
PROCESSOS ESTRUTURAIS EM MATÉRIA PREVIDENCIÁRIA
CAPÍTULO 3
ADENTRANDO NA “SALA DE MÁQUINAS” DA ADMINISTRAÇÃO
PREVIDENCIÁRIA: AS FALHAS ESTRUTURAIS DO INSTITUTO
NACIONAL DO SEGURO SOCIAL E AS RESPOSTAS TRADICIONAIS
OFERECIDAS PELA JURISPRUDÊNCIA .......................................................... 167
3.1 Uma radiografia do instituto nacional do seguro social ................................... 167
3.1.1 Traçando o perfil do paciente examinado: afinal, o que é o instituto nacional
do seguro social? ........................................................................................................... 168
3.1.2 A avaliação dos sintomas: a atuação do Instituto Nacional do Seguro Social à
luz dos indicadores de detecção de litígios estruturais ............................................ 175
3.1.3 A execução do exame radiográfico: identificando as falhas estruturais no
funcionamento do Instituto Nacional do Seguro Social ......................................... 184
3.1.4 Diagnósticos colhidos a partir da radiografia teórica do Instituto Nacional do
Seguro Social .................................................................................................................. 208
3.2 As respostas tradicionais oferecidas pelas cortes para lidar com as falhas
estruturais do INSS: remédio ou placebo? ................................................................ 209
3.2.1 A primeira resposta: a opção pela inércia ........................................................ 210
3.2.2 A segunda resposta: a incessante aposta nas tutelas individuais .................. 216
3.2.3 A terceira resposta: promulgação de decisões estruturantes sem a instituição
de mecanismos voltados à fiscalização da implementação da ordem judicial.......229
3.3 Diant e da encruzilhada: para onde estamos indo e para onde
queremos ir?....................................................................................................................234
CAPÍTULO 4
A APLICAÇÃO DA TÉCNICA DO PROCESSO ESTRUTURAL AO
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL: UM PONTO DE
PARTIDA PARA A ADEQUAÇÃO DOS ARRANJOS OPERACIONAIS DA
ADMINISTRAÇÃO PREVIDENCIÁRIA ............................................................ 237
4.1 Considerações preliminares sobre a aplicação das medidas estruturantes na
esfera previdenciária: por uma delimitação do conceito de processo estrutural
previdenciário ............................................................................................................ 239
4.2 A “dupla função” dos processos estruturais no quadro da previdência
social.............................................................................................................................253
4.2.1 A primeira função dos processos estruturais previdenciários: legitimar o
princípio da máxima efetividade do acesso à proteção social ............................ 254
4.2.2 A segunda função dos processos estruturais previdenciários: implementar
as reformas necessárias para assegurar a efetividade dos serviços ofertados pela
administração previdenciária ................................................................................... 262
4.2.3 Sintetizando a “dupla função” dos processos estruturais previdenciários..267
4.3 Da teoria à práxis: tracejando as balizas de aplicação dos processos estruturais
previdenciários ........................................................................................................... 268
4.3.1 Primeira etapa: atividade postulatória e peculiaridades envolvendo a
reivindicação da reforma estrutural do INSS pela via judicial ........................... 269
4.3.2 Segunda etapa: saneamento do processo estrutural previdenciário e
comprovação das falhas estruturais do INSS ....................................................... 286
4.3.3 Terceira etapa: decisão estruturante e implementação de reformas no INSS
pela via judicial........................................................................................................... 293
não são capazes de fixar as peças com a precisão necessária para garantir o
funcionamento adequado do veículo.
Ao receber o relatório técnico com a descrição das irregularidades
identificadas no braço mecânico, o diretor da empresa emana a seguinte
ordem: “contratem dois novos funcionários e lhes atribua a incumbência
de, após o término de cada montagem realizada pela máquina, desmontar a
estrutura interna do veículo e corrigir manualmente os defeitos dos freios”.
Diante de tais circunstâncias, os subordinados do diretor certamente
indagariam: “não seria mais fácil substituir o braço mecânico antigo por
um novo, ao invés de proceder à contratação de dois novos funcionários?”.
Embora a decisão do diretor seja criticável sob diversos ângulos,
a perplexidade dos funcionários decorre da subversão dos protocolos
usualmente empregados para a resolução de problemas em linhas de
montagem. A solução proposta pelo diretor remedia as consequências do
problema diagnosticado, mas mantém incólume a falha que lhe deu causa. Ao
invés de substituir o braço mecânico com defeito e garantir o funcionamento
regular de todos os veículos produzidos no futuro, preferiu-se corrigir
isoladamente os produtos da falha da máquina.
O exemplo aqui trazido pode ser compreendido como uma
representação lúdica da postura adotada pelo Judiciário para lidar com as
intercorrências da litigância previdenciária.
É consabido que a jurisdição serve como instância de revisão dos atos
administrativos exarados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Todos os segurados cujos pedidos de aposentadoria, pensão ou auxílio são
indeferidos pelo INSS detêm o direito de exortar o Judiciário a revisar
as decisões administrativas exaradas pela autarquia. Uma vez provocado
pelo segurado, compete ao Judiciário anular as decisões administrativas que
contrariem a lei ou, alternativamente, ratificar as decisões administrativas
que sejam congruentes com as diretrizes do ordenamento jurídico.3
A rigor, essa estrutura é desenhada para que a jurisdição exerça
um papel secundário no manejo dos direitos da Seguridade Social. O
gerenciamento das concessões de benefícios previdenciários competiria
primariamente ao INSS, ao passo que o Judiciário atuaria somente nas
situações excepcionais em que a autarquia praticasse alguma conduta contrária
à lei ou à Constituição.4 No entanto, os influxos da litigância previdenciária
3. TRICHES, Alexandre Schumacher. Direito processual administrativo previdenciário. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 2014, p. 37-40.
4. “Certamente, o Poder Judiciário, por conta de suas características institucionais e por conta
do lugar que ocupa na distribuição de funções dentro do Estado, não está apto a ser o
principal protagonista no momento de tornar efetivos os direitos econômicos, sociais e
culturais, tarefa que corresponde primariamente aos poderes políticos” (ABRAMOVICH,
Victor; COURTIS, Christian. Los derechos sociales como derechos exigibles. 2. ed. Madrid: Editorial
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HANEMANN BASTOS
9. Abraham Chayes percebera, há muito, que “o crescimento do Poder Judiciário tem sido,
em grande parte, uma decorrência da falha de outras agências para responder a grupos que
conseguiram mobilizar consideráveis recursos políticos e energia” (CHAYES, Abraham. The
Role of the Judge in Public Law Litigation. Harvard Law Review, v. 89, n. 7, p. 1.281-1.316,
maio, 1976, p. 1.313, tradução livre).
10. TRICHES, Alexandre Schumacher. Cláusula da proteção Judicial Constitucional – Contornos
para uma Jurisdição Efetiva. In: FOLMANN, Melissa; SERAU JUNIOR, Marco Aurélio
(orgs.). Previdência Social: em busca da justiça social. São Paulo: LTr, 2015, p. 125.
11. Como bem descreve Colin Diver, instituições que operam em larga escala empregam “‘rotinas’
ou ‘procedimentos operacionais padronizados’. Como contraparte dos hábitos individuais, as
rotinas promovem a eficiência, capacitando a organização a lidar com grandes quantidades
de transações sem os altos custos envolvidos na elaboração de procedimentos específicos
para cada transação” (DIVER, Colin S. The Judge as Political Powerbroker: Superintending
Structural Change in Public Institutions. Virginia Law Review, v. 65, n. 1, p. 43-106, fev., 1979,
p. 59, tradução livre).
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HANEMANN BASTOS
12. SERAU JUNIOR, Marco Aurélio. Resolução do conflito previdenciário e direitos fundamentais. São
Paulo: LTr, 2015, p. 65-66.
13. Exemplo similar foi apresentado no seguinte escrito: BASTOS, Alberto Luiz Hanemann. A
técnica dos processos estruturais aplicada ao Instituto Nacional do Seguro Social: pode o
judiciário remediar o caos da litigiosidade previdenciária? Revista Brasileira de Direito e Justiça,
Ponta Grossa, v. 3, p. 116-148, jan./dez., 2019, p. 128-129.
14. Enquanto a concessão da aposentadoria por tempo de contribuição pressupunha 30 (trinta)
anos de contribuição para as mulheres e 35 (trinta e cinco) anos de contribuição para os
homens, a concessão da aposentadoria especial dependia tão somente da comprovação
de 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) de tempo de contribuição, a depender do
tipo de agente nocivo ao qual o segurado se expôs durante a carreira. Com o advento da
EC no 103/19 (Reforma Previdenciária), os requisitos da aposentadoria especial sofreram
significativas alterações. Caso haja interesse numa análise mais aprofundada do tema, remete-
se o leitor: LADENTHIN, Adriane Bramante de Castro. Aposentadoria especial: teoria e prática.
5. ed. Curitiba: Juruá, 2020, p. 31-34.
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PROCESSOS ESTRUTURAIS EM MATÉRIA PREVIDENCIÁRIA
16. FONSECA, Juliana Pondé. O (des)controle do Estado no judiciário brasileiro: direito e política
em processo. Tese (Doutorado em Direito das Relações Sociais) – Universidade Federal do
Paraná, Curitiba, 2015, p. 126.
17. O mito de Sísifo já foi utilizado como metáfora para a atividade desempenhada pelas Cortes.
De acordo com a mitologia, Sísifo foi condenado a “rolar uma pedra de mármore com as
próprias mãos até o cume de uma montanha quando, chegando lá, descia ela rolando até o
seu ponto de partida, fazendo com que tivesse que repetir este fardo por toda a eternidade
para demonstrar que a vida dos mortais não era igual à dos deuses, e que para vencer a
monotonia, deveriam tornar-se criativos” (JOBIM, Marco Félix. Medidas estruturantes na
Jurisdição Constitucional: da Suprema Corte Estadunidense ao Supremo Tribunal Federal. 2. ed.
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PROCESSOS ESTRUTURAIS EM MATÉRIA PREVIDENCIÁRIA
21. A doutrina apresenta controvérsias quanto à referida nomenclatura, sobretudo no que diz
respeito à utilização do adjetivo “estrutural” ou “estruturante”. Para os propósitos do presente
estudo, os adjetivos “estrutural” e “estruturante” serão tomados como sinônimos, pois se
entende que a diferenciação de nomenclatura não prejudica a inteligibilidade do fenômeno
avaliado. De toda a forma, caso haja interesse nas diferentes nomenclaturas utilizadas na
doutrina brasileira, vale conferir: MARÇAL, Felipe Barreto. Processos estruturantes. Salvador:
Juspodivm, 2021, p. 33-37.
22. Por todos, ver: FISS, Owen. The Forms of Justice. Harvard Law Review, v. 93, n. 1, p. 1-58,
nov., 1979.
23. Para um sucinto panorama histórico das structural injunctions no direito estadunidense, ver:
WEAVER, Russel L. The Rise and Decline of Structural Remedies. San Diego Law Review,
v. 41, p. 1.617-1.632, 2004. De outra banda, um acurado levantamento das medidas
estruturantes utilizadas no controle de políticas públicas pode ser localizado no seguinte
escrito: LANGFORD, Malcolm. The Justiciability of Social Rights: From Practice to Theory.
In: LANGFORD, Malcolm (ed.). Social Rights Jurisprudence: Emerging Trends in International
and Comparative Law. Cambridge: Cambridge University Press, 2009, v. 3.
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PROCESSOS ESTRUTURAIS EM MATÉRIA PREVIDENCIÁRIA
de uma análise dos principais relatórios empíricos que versam sobre o eixo
temático da litigância previdenciária, investiga quais padrões de conduta
do INSS colidem com as diretrizes legais e constitucionais que regem a
Seguridade Social brasileira. Após, indica os motivos pelos quais a insuflada
litigiosidade no campo previdenciário não reflete incidentes pontuais
e atomizados de violação à legislação, mas sim problemas estruturais
consolidados nos liames das rotinas internas do INSS. Ao final, aponta
as respostas que os Tribunais têm oferecido para lidar com os efeitos da
insuflada litigiosidade no campo previdenciário e explica as razões pelas
quais tais respostas são insuficientes para enfrentar as causas dos problemas
estruturais que assolam o INSS.
O quarto capítulo esboça as principais características assumidas
pelos processos estruturais na área previdenciária, que são norteados pelo
propósito de modificar as rotinas internas do INSS. Nessa oportunidade,
sugere-se que os processos estruturais carregam consigo uma “dupla
função”: legitimar a atuação do INSS a partir da internalização do princípio
da máxima efetividade do acesso à proteção social e implementar as
reformas necessárias para assegurar a efetividade dos serviços ofertados
pela autarquia. Em seguida, apresenta as diretrizes procedimentais que
devem reger a condução dos processos estruturais previdenciários.
Por fim, o quinto capítulo sintetiza, em quarenta e dois itens, as
conclusões logradas ao longo da obra.
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PARTE I
Teoria dos processos
estruturais
CAPÍTULO 1
Da resolução de incidentes à mobilização de
estruturas: Um breve panorama conceitual
dos processos estruturais
1. CARNELUTTI, Francesco. Como se faz um processo. Tradução: Hebe Calleti Marenco. São
Paulo: Minelli, 2002, p. 25-26.
2. Posteriormente, as aulas proferidas na Rai Radio Tutta Italiana foram compiladas em livro
denominado “Come si fa un processo”, que foi traduzido para a língua portuguesa com o
título “Como se faz um processo”. As informações sobre o projeto são relatas na primeira aula
ministrada por Carnelutti no programa radiofônico, como pode ser visto em: Ibidem, p. 13-
15.
3. CARNELUTTI, Francesco. Instituciones del proceso civil. Tradução: Santiago Sentis Melendo.
Buenos Aires: Ediciones Juridicas Europa-America, 1973, v. 1, p. 28, tradução livre.
4. Ibidem, p. 27.
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HANEMANN BASTOS
11. MOREIRA, José Carlos Barbosa. A função social do processo civil moderno e o papel do
juiz e das partes na direção e na instrução do processo. Revista de Processo, v. 37, p. 140-150,
jan./mar., 1985, p. 145.
12. Ao tecerem comentários sobre a doutrina de Francesco Carnelutti, Luiz Guilherme Marinoni,
Sérgio Cruz Arenhart e Daniel Mitidiero indicam que o professor italiano “partiu da ideia
de lide entre duas pessoas – compreendida como conflito de interesses individual ou, mais
precisamente, marcada pela ideia de litigiosidade, conflituosidade ou contenciosidade – para
definir a existência de jurisdição. [...] É evidente que o ângulo visual de Carnelutti revela uma
compreensão privatista da relação entre a lei, os conflitos e o juiz, além de uma imagem
puramente individualista dos conflitos sociais” (MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART,
Sérgio Cruz; MITIDIERO, Daniel. Novo curso de processo civil: teoria do processo civil. Op. cit.,
p. 44-45).
13. Abraham Chayes aponta que tal modelo é pautado pela lógica decisória de que “o vencedor
leva tudo” (winner-takes-all basis). Para tanto, ver: CHAYES, Abraham. The Role of the Judge
in Public Law Litigation. Op. cit., p. 1.282.
14. Para uma leitura crítica dessa visão: ARENHART, Sérgio Cruz. Reflexões sobre o princípio
da demanda. In: FUX, Luiz; NERY JUNIOR, Nelson; WAMBIER, Teresa Arruda Alvim
(coords.). Processo e Constituição: estudos em homenagem ao Professor José Carlos Barbosa
Moreira. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006.
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• COLEÇÃO LITIGÂNCIA ESTRATÉGICA E COMPLEXA ALBERTO LUIZ
HANEMANN BASTOS
15. Em certa medida, essa é a perspectiva perfilhada em clássico ensaio de Lon Fuller, no qual
o autor critica o posicionamento dos juízes que se envolvem em litígios “policêntricos”:
FULLER, Lon. The Forms and Limits of Adjudication. Harvard Law Review, v. 92, n. 2, p.
353-409, dez., 1978, p. 391-404.
16. NASCIMENTO, Filippe Augusto dos Santos. Entre a micro e a macrojustiça: contributos para a
objetivação da tutela dos direitos fundamentais. Tese (Doutorado em Direito), Universidade
Federal do Ceará, Fortaleza, 2018, p. 25-26.
17. CHAYES, Abraham. The Role of the Judge in Public Law Litigation. Op. cit., p. 1.282-1.283.
18. Ibidem, p. 1.302-1.304.
19. A assertiva é inspirada na doutrina de Sérgio Cruz Arenhart e Gustavo Osna. Ver:
ARENHART, Sérgio Cruz; OSNA, Gustavo. Curso de processo civil coletivo. São Paulo: Thomson
Reuters Brasil, 2019, p. 117.
20. Essa ideia converge com o conceito que Edilson Vitorelli atribui aos “processos de interesse
público”, que se tratam das “demandas nas quais se pretende efetivar um direito que está
sendo negado pelo Estado, não apenas para a parte que está no processo, mas para toda a
sociedade de potenciais destinatários daquela prestação” (VITORELLI, Edilson. Levando
os conceitos a sério: processo estrutural, processo coletivo, processo estratégico e suas
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