Artigo - Walker e Walter de Azevedo Araujo-2018.2
Artigo - Walker e Walter de Azevedo Araujo-2018.2
Artigo - Walker e Walter de Azevedo Araujo-2018.2
Resumo
Diante da importância da agricultura familiar para o município de Itaocara, buscou-se analisar
a permanência dos jovens no setor e quais fatores contribuem para isso. Neste sentido, este
estudo tem como objetivo identificar quais as políticas públicas que estão sendo
desenvolvidas pela gestão municipal para evitar o êxodo rural e a sucessão rural. Utilizou-se
metodologia com abordagem qualitativa, em que foram realizadas 15 entrevistas em
profundidade, de roteiro semiestruturado. A análise dos dados ocorreu a partir da análise de
conteúdo e os principais resultados indicam que os jovens agricultores não estão preparados
para assumirem a gestão das propriedades rurais e que existe uma necessidade urgente do
desenvolvimento de políticas públicas municipais voltadas para a agricultura familiar.
1 Introdução
1
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – ARTIGO CIENTÍFICO
2 Referencial Teórico
2
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – ARTIGO CIENTÍFICO
3
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – ARTIGO CIENTÍFICO
Para Bianchini (2005), o mais importante estudo sobre a agricultura familiar e sua
contribuição ao desenvolvimento rural foi realizado no âmbito de um projeto de cooperação
entre o Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação – FAO e o Instituto de
Colonização e Reforma Agrária – INCRA. O estudo FAO/INCRA iniciou-se em 1994 sendo
complementado em 2000. Segundo este estudo, existe no Brasil 4.859.864 estabelecimentos
rurais, destes, 4.139.369 estabelecimentos gerenciados por agricultores familiares (85% do
total). O total do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) apurado no período foi de R$
47,8 bilhões, sendo que, deste valor, a agricultura familiar foi responsável por R$ 18,1 bilhões
(38% do total). O estudo levantou ainda que os agricultores patronais gerenciam 554.501
estabelecimentos rurais (11%), e que os demais estabelecimentos rurais, 165.994 (3%), são de
propriedade de entidades públicas e instituições pias/religiosas.
A agricultura familiar é a forma predominante de produção de alimentos no mundo,
sendo que nove em cada dez das 570 milhões de propriedades agrícolas no mundo são geridas
por famílias. (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A ALIMENTAÇÃO E
AGRICULTURA – FAO, 2014). Este dado apresenta a importância deste setor para a
economia e o desenvolvimento social do Brasil.
De acordo com Damiani (2006), o êxodo rural pode ser entendido como uma migração
espontânea (aparentemente espontânea), consequência de motivações políticas e econômicas
conjunturais ou causas econômicas estruturais, não elucidando as condições históricas do
processo de expropriação.
Para Evangelista e Carvalho (2001), o processo migratório é um movimento
populacional que se dirige de uma região para outra e modifica o tamanho e a composição das
populações de distribuição por sexo, idade e força de trabalho, e com isso, a migração é uma
das variáveis mais importantes da dinâmica populacional, junto com a natalidade e a
mortalidade. A migração é um processo seletivo que afeta indivíduos possuidores de
determinadas características econômicas, sociais, educacionais e demográficas (TODARO,
1999).
4
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – ARTIGO CIENTÍFICO
De acordo com Vesentini (1994), a intensa urbanização que vem ocorrendo no Brasil
tem sido acompanhada por um processo de metropolização, isto é, a concentração
demográfica nas principais áreas metropolitanas do país. Esse fenômeno se iniciou a partir do
momento em que a indústria passou a representar o setor mais importante da economia
nacional. Entre suas características, aparecem aspectos da passagem de uma economia
agrário-exportadora para uma economia urbano-industrial, fato esse que só ocorreu no século
XX e que se tornou mais pronunciado a partir da década de 1950.
Abramovay (1999) salienta que o êxodo rural brasileiro permanece muito
significativo, em especial com a juventude rural, já a contrapartida é a precariedade com que
os núcleos urbanos absorvem seus migrantes rurais: aqueles que mais saem do campo,
sobretudo os jovens, são exatamente os que maiores dificuldades vêm encontrando em sua
integração aos mercados urbanos de trabalho.
A questão do êxodo tem ganhado, aos poucos, a devida importância.
ACEPAL/FAO/IICA (2009) observa que a migração da população rural para as cidades,
especialmente dos jovens, somado a diminuição das taxas de natalidade no meio rural, tem
gerado entraves ao desenvolvimento econômico rural dos países da América Latina e Caribe.
No Brasil, as estatísticas do meio rural, elaboradas pelo Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e publicadas pelo MDA (2008), indicam
que entre os anos 1950 e 2006 a população rural sofreu um decréscimo de mais de 47%,
sendo que mais da metade desse percentual pode ser observada entre 1980 e 2000.
Merece destaque a falta de interesse dos jovens de origem rural pela vida “no campo”.
A desvalorização da vida no campo denota o interesse maior em permanecer na cidade para
esses jovens de famílias rurais. A cidade e a promessa de futuro melhor, onde se encontram as
oportunidades de trabalho e diversão.
De acordo com Siqueira (2012, p.8), a migração do homem do meio rural para a
cidade parece vir de várias causas, como por exemplo: a seca que castiga algumas regiões do
país, a falta de incentivo agrícola, os baixos preços de produtos, a precariedade das condições
de vida em boa parte das áreas rurais brasileiras.
Para Abramovay (1998), as fronteiras entre o rural e o urbano estão muito diluídas e
vários fatores diminuíram a distância entre essas realidades. Martins (2007) enaltece que
5
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – ARTIGO CIENTÍFICO
nesse processo os jovens não estão excluídos, tão pouco incluídos, vivem uma realidade
paralela, onde a ilusão do ideal urbano reside.
Para Pitaguari e Lima (2005), políticas públicas que compreendem gastos públicos
capazes de diminuir os custos de produção e viabilizar o setor produtivo melhoram as
condições estruturais de crescimento e desenvolvimento da economia local. Nesse sentido, as
políticas públicas voltadas à promoção da agricultura familiar seriam capazes de diminuir
grandes dificuldades históricas para o desenvolvimento do setor.
As principais dificuldades para o desenvolvimento da produção agrícola familiar no
Brasil são: baixa capitalização, acesso a linhas de crédito oficiais, acesso à tecnologia,
disparidade produtiva inter-regional, acesso à assistência técnica à produção rural, e acesso
aos mercados modernos. Características como: multisetoriedade rural; diversidade produtiva
(através de sistemas integrados de produção animal, vegetal, e manejo florestal); e tipo de
mão-de-obra utilizada na produção; são comuns a um grande universo de pequenos
agricultores familiares (BIANCHINI, 2005).
A partir das características acima, refletiu-se sobre a base de um projeto nacional de
desenvolvimento para este segmento rural brasileiro, através da implementação de uma
política pública que atenda as especificidades da agricultura familiar no Brasil, na qual
contextualiza a situação da agricultura familiar no Brasil e analisa as políticas públicas
diretamente relacionadas a ela, que se centram basicamente no Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), e no Programa de Aquisição de Alimentos
(PAA).
7
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – ARTIGO CIENTÍFICO
3 Procedimentos Metodológicos
vantagem foi a adoção de uma ampla cobertura dos instrumentos coletados, como análise de
livros, artigos, sites e revistas especializadas.
A pesquisa bibliográfica é feita a partir do levantamento de referências teóricas já
analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos
científicos, páginas de web sites. Qualquer trabalho científico inicia-se com uma
pesquisa bibliográfica, que permite ao pesquisador conhecer o que já se estudou
sobre o assunto. Existem porém pesquisas científicas que se baseiam unicamente na
pesquisa bibliográfica, procurando referências teóricas publicadas com o objetivo de
recolher informações ou conhecimentos prévios sobre o problema a respeito do qual
se procura a resposta (FONSECA, 2002, p. 32).
9
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – ARTIGO CIENTÍFICO
Gráfico 1 – Transição demográfica dos espaços rurais para os urbanos no período de 1950 a 2010
Fonte: Alves e Cavenaghi (2010,p.6). Adaptado do Censo demográfico do IBGE (2010)
Ao analisarmos o gráfico 1, observamos que a realidade do município condiz com os
dados do Brasil, na qual constatou-se que 40% dos entrevistados afirmaram que pretendem
permanecer na atividade, 60% revelaram que pretendem buscar emprego no meio urbano, mas
que no momento, pela crise que assola o país, não tem perspectiva no curto prazo e também
pela falta de oportunidade na região.
Abramovay (1999) enfatiza que a saída do meio rural não significa o acesso às
condições mínimas próprias da vida urbana. As modificações tecnológicas na cidade e na área
rural expulsaram o trabalhador do campo, mas também não possibilitaram sua inserção nas
metrópoles até os dias atuais, dada a dificuldade para aqueles que têm pouca escolaridade e
quase nenhuma qualificação profissional.
Quanto ao futuro da agricultura familiar, a maioria acredita que tenha boas perspectiva,
principalmente pela falta de alimentos no mundo e pela diversificação de produção municipal,
por ter um centro de comercialização no município e da CAPIL para escoamento da produção
do leite.
Para o entrevistado de número 10, o município não desenvolve políticas públicas que
incentivem a permanência do jovem na agricultura familiar. Sugeriu ainda, uma ação que
pode resultar em um programa contínuo a ser implementado pelo poder público municipal: a
criação de uma feira na sede do município para que os mesmos possam vender seus produtos
10
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – ARTIGO CIENTÍFICO
direto para o cliente final, sem passar pela mão dos “atravessadores”; a prefeitura seria
responsável pela estrutura física da feira e pela logística de transporte, reduzindo o custo para
o produtor.
As entrevistas revelaram que a maior parte dos jovens não está sendo preparada para
assumirem a propriedade. E também mostraram que as decisões são tomadas pelos pais, sem a
participação dos filhos, ficando evidente que não há um planejamento estruturado para a
sucessão da propriedade da família.
O entrevistado número 2, tem boas expectativas para o futuro da agricultura familiar no
município, mas acredita ser necessário a elaboração de treinamentos de qualificação e
atualização dos jovens agricultores quanto as novas práticas de produção e comercialização,
para maior produtividade com sustentabilidade e, consequentemente, maiores lucros.
Oliveira, Albuquerque e Pereira (2012) trazem a percepção que o processo sucessório
só ocorre com a morte de um dos dirigentes. Na agricultura familiar isto se torna quase que
uma regra, pois o filho realmente assume a propriedade, posse e poder, após o falecimento ou
incapacidade dos pais.
Corroborando com Abramovay (1999), na visão dos jovens, sucessão rural representa
também a continuidade da cultura, das tradições e das próprias comunidades que cercam as
cidades, além da passagem e continuidade da propriedade. Sua importância reside não apenas
na produção de alimentos dos postos de trabalhos no interior, mas para a reprodução social
das comunidades.
percentual superior ao previsto em Lei, ou seja, o município destina 35% do valor repassado
para merenda escolar à compra direta do agricultor familiar, quando a legislação exige um
mínimo de 30%. Citou também outro programa apoiado pelo governo municipal: PAA
(Programa de Aquisição de Alimentos). Quanto à prefeitura, desenvolve ações pontuais tais
como limpeza de açudes, transporte de cana de outros municípios no período de estiagem,
melhorias das estradas, caminhão pipa para abastecimento das propriedades rurais.
Além do apoio direto da Secretaria Municipal de Agricultura a programas do
governo Federal, como os exemplos citados no paragrafo anterior, o município é promotor de
politicas públicas de agricultura familiar por intermédio de uma importante parceria firmada
com a Emater–Rio– Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Rio de
Janeiro.
O convênio municipal firmado com o Escritório Local da Emater–Rio prevê a cessão
de espaço físico para instalação das atividades administrativas e de atendimento ao produtor
local. Nesse espaço são recebidos os produtores, elaborados projetos, efetivadas consultorias e
demais atividades do órgão. O convênio também prevê o abastecimento dos veículos para
visitas in loco aos produtores, permitindo uma atuação mais próxima, de maior qualidade e
resultados.
Os dois programas mais desenvolvidos no município por intermédio dessa parceria
são: Programa Rio Rural, do Governo do Estado do RJ, e Pronaf.
5 Conclusão
6 Referências
13
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – ARTIGO CIENTÍFICO
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
14
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – ARTIGO CIENTÍFICO
15
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO – ARTIGO CIENTÍFICO
16