2017 Ago Helena Hirata
2017 Ago Helena Hirata
2017 Ago Helena Hirata
Local: Unicamp – Auditorio Zeferino Vaz (Instituto de Economia) e Salão Nobre (Faculdade
de Educaçao
Data: 29 a 30/08/2017
Helena Hirata2
1 O texto foi apresentado na Mesa Redonda – Relações de Gênero no Mundo do Trabalho, Coordenada
por Hildete Pereira de Melo, 13° Mundos de Mulheres/Fazendo gênero 11, UFSC 31/07-04/08/2017.
2Diretora de pesquisa emérita no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), França e
professora visitante internacional no Departamento de Sociologia da Universidade de Sao Paulo (USP)
1
envelhecimento notável da população nos países industrializados, mas também é uma
consequência da precarização do trabalho e do impacto do desemprego. Tal
precarização não é apenas o resultado de um processo interno às sociedades
estudadas, mas é também o fruto das « cadeias globais de afeto e de assistência » às
quais se referem Cristina Carrasco (2001) et Arlie Hochschild (2003). Para analisar o
trabalho de cuidado como trabalho realizado principalmente por mulheres, negras e
pobres, utilizaremos o paradigma interseccional, que parte da afirmação da
interdependência das relações de dominação de gênero, de raça e de classe (Kergoat,
2010).
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públicas (a lei Borloo3) a duas modalidades de atividade,) – emprego doméstico e
trabalho de cuidado4 – não se deve unicamente ao aumento do assalariamento
feminino ou ao envelhecimento da população nos países industriais, como se afirma
com certa frequência, mas é também a consequência da precarização do trabalho. Um
caso emblemático : a inserção dos homens japoneses no trabalho de cuidado com a
crise de 2008 e o desenvolvimento do desemprego.
3A lei Borloo de 25 de julho de 2015 tinha por objetivo a criaçao de empregos para diminuir a taxa de
desemprego. O « plano Borloo » visava desenvolver os serviços de diarista, de acompanhante, de
cuidado às pessoas idosas, de apoio escolar e de cuidado infantil. O objetivo inicial era de criar 500 000
empregos em 3 anos.
4Os serviços aos particulares compreendem tanto a limpeza e o trabalho doméstico quanto o trabalho
de cuidado, isto é, de cuidado domiciliar de pessoas idosas ou deficientes, ou o cuidado infantil.
5 Na industria assiste-se igualmente a uma transformaçao do emprego feminino com sua precarizaçao
crescente. Para Fanny Gallot (2015) a precarizaçao marca a permanência das operarias no espaço
industrial, mas ao mesmo tempo uma profunda transformaçao de seus estatutos : “Tratar-se-a da ultima
geração de operarias industriais? Sim e nao. Nao, porque se o recrutamento em contrato por tempo
indeterminado (contrat à durée indéterminé, CDI) cessa tanto em Moulinex quanto em Chantelle desde
o inicio dos anos 1980, sao contratos precários ou temporários que começam a vigorar em Moulinex.
Sim, se entendermos por isso todo um percurso profissional realizado na mesma fabrica” (Gallot, 2015,
p.244)
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As características do trabalho do cuidado (care) – trabalho físico, cognitivo,
sexual, relacional, emocional (Soares, 2012) - vistas de uma perspectiva de gênero,
requerem, por um lado, considerar centralmente as dimensões subjetiva e sexual da
atividade e, por outro lado, a repensar as condições da mercantilização do trabalho
não remunerado das mulheres, mercantilização que se realiza segundo ritmos
desiguais segundo se trate do Japão, da França ou do Brasil, em virtude dos aspectos
sócio históricos e das diferenças nas políticas públicas.
Subjetividade et sexualidade 6 são indissociáveis na análise desse trabalho
material, técnico, relacional e psicológico, da mesma forma como são indissociáveis as
características das pessoas que realizam esse trabalho. Como afirma Joan Tronto, trata-
se de mulheres, de migrantes, de proletárias ; de mulheres, negras e pobres…
Imbricação e complexidade das relações de dominação que devem ainda ser
amplamente estudadas.
A interseccionalidade ou a consubstancialidade (utilizamos esses dois termos
como sinônimos, cf. a seguir) é uma categoria heurística para a comparação entre o
Brasil, a França e o Japão sobre o trabalho do cuidado, entendido como um conjunto
de atividades materiais, técnicas e relacionais consistindo « a trazer uma resposta
concreta às necessidades dos outros » (Molinier et al., 2009). Podemos também definir
o cuidado como uma relação de serviço, « de apoio e de assistência » implicando a
responsabilidade em relação à vida e ao bem-estar do outro (ibid., p. 20).
Segundo D. Kergoat (2009, 2016), o cuidado, « no cruzamento das relações
sociais de classe, de sexo e de raça, consiste num dos paradigmas possíveis da
consubstancialidade ». Nossa pesquisa mostra que as cuidadoras são mulheres, de
camadas sociais mais modestas, migrantes internas (Brasil) ou externas (França). Elas
são majoritariamente as mais pobres, as menos qualificadas, de classes subalternas. O
que confirma também a tese de Joan Tronto (2009) segundo a qual as cuidadoras são
frequentemente mulheres, pobres, migrantes, tese partilhada por E. Nakano Glenn
(2010): as « care workers » são nos Estados-Unidos mulheres de camadas sociais
subalternas, em particular negras e de origem hispânica.
São mulheres, ou homens em situação precária ou desempregados, migrantes
externos (França) ou internos (Brasil) que fazem o trabalho de cuidado nas ILPI
(Instituição de Longa Permanência de Idosos) ou a domicilio, frequentemente sem
documentos e sem direitos sociais. Na França, de 94 entrevistados em EHPADS
(estabelecimentos de acolhida de pessoas idosas dependentes), 29 nasceram na França
e 65 num outro pais; no Japão, de 85 cuidadoras/es de TOKUGYO (estabelecimentos
de acolhida de idosos), apenas 2 nasceram num outro país; nas ILPI do Brasil, de 86,
44 trabalham fora da região em que nasceram
6Quanto à importancia da dimensao sexual no trabalho do cuidado cf. Hirata (2016). Cf. também as
pesquisas de Pascale Molinier (2009) em instituiçoes que acolhem pessoas idosas dependentes, que
mostram a que ponto a dimensao sexual faz parte da atividade de trabalho e das competências
profissionais das cuidadoras e das auxiliares de enfermagem.
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Imigrantes vindos de países da África do Norte ou da África subsaariana com
um diploma de médico ou de enfermeira, que não são reconhecidos na França são
sistematicamente recrutados pelos estabelecimentos que acolhem idosos dependentes
na França enquanto auxiliares de enfermagem ou cuidadoras, ofícios que não
necessitam geralmente mais do que um ano de formação. A presença de profissionais
altamente qualificados, no período por exemplo noturno em que a direção e os
médicos estão ausentes, é um ganho incontestável para o estabelecimento. Na nossa
pesquisa de campo encontramos seis médicos, a metade tendo sido recrutada como
enfermeiras/os e a outra metade recrutada como auxiliares de enfermagem.
M., cuidador do turno noturno de sexo masculino, recrutado como auxiliar de
enfermagem num EHPAD (estabelecimento de acolhida aos idosos dependentes) tinha
33 anos, e veio de Guinée em 2004. Sua formação de médico no seu pais de origem
permitiu-lhe fazer estágios no INSERM (Instituto Superior de Pesquisas Medicas) e
um master em saúde publica em Paris, com uma capacitação em medicina tropical.
Seu salário mensal era de 1500 euros liquido, às vezes um pouco mais quando fazia
horas extras. Segundo M., há pessoas idosas que recusam que ele cuide delas porque
ele é negro dizendo: « me deixe em paz! ». Ele conseguiu seu emprego na ANPE
(Agencia Nacional de Emprego) e seu projeto é de regressar ao pais natal no futuro
para poder exercer nele a profissão de médico.
As/os cuidadoras/es francesas/es sofrem a discriminação e o racismo. O
discurso de um cuidador homem de 45 anos, negro e imigrante sobre as pessoas idosas
cuidadas por ele é revelador. Ele exprime sofrimento e revolta contra o racismo dos
idosos de um EHPAD (residência de idosos dependentes) que lhe diziam: « o que você
faz no meu pais? Quando você vai embora?». Ele conta o caso de uma pessoa idosa
que diz a um cuidador negro nascido na França: « vá embora para o seu pais » ou o
caso de uma mulher idosa que vai falar com uma estagiaria branca para lhe dar
conselhos: « não faça esse trabalho, deixe esse trabalho aos ‘outros’ », a mesma que
escondia sua caixa de chocolates para oferece-los apenas às cuidadoras brancas.
O fato de ser homem não protege do desprezo e da discriminação quando se é
racisado e subalterno.
O paradigma interseccional
Patricia Hill Collins, Audre Lorde, Angela Davis, bell hooks, todas teóricas e
militantes negras afirmaram, desde 1981-1982, « a natureza interseccional da opressão
das mulheres negras » (Hill Collins, 2015:23). Mas é uma jurista negra, Kimberlé
Crenshew, teórica da interseccionalidade, que utilizou esse conceito a partir do seu
objetivo de melhor formular os termos da ação jurídica para defender as mulheres
negras contra a discriminação de raça e de sexo (e de classe).
O caso da General Motors é um exemplo do interesse de uma perspectiva
interseccional. As discriminações de raça e de sexo não eram reconhecidas pela
empresa, que dizia recrutar mulheres e negros. O problema é que os negros recrutados
pela GM não eram mulheres e as mulheres recrutadas não eram negras (cf. Crenshaw,
5
2010). A GM dissociava a discriminação de gênero e de raça, discriminação que só se
tornava visível pela perspectiva interseccional. e intersectionnelle.
A partir da afirmação da interdependência das relações de poder de raça, sexo
e classe, o Black feminism criticou o feminismo branco, originário das classes médias
e heteronormativo. E a partir dessa herança do Black feminism que a problemática da
interseccionalidade foi desenvolvida nos países anglo saxões desde o início dos anos
1990 por pesquisadoras britânicas americanas, canadenses, alemãs e, a partir de 2005,
por pesquisadoras/es francesas/es. Kimberlé Crenshaw se interessa sobretudo pelas
intersecções entre raça e gênero, trabalhando de maneira periférica ou parcial a
dimensão de classe. Danièle Kergoat pesquisa sobretudo sobre as intersecções entre
gênero e classe social, mas concede igual importância às relações sociais de sexo, de
classe e de raça.
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Tensões entre blackfeminists et white feminists em torno da categoria da
interseccionalidae
Remeto ao prefacio de Amandine Gay à edição francesa recente de bell hooks
(2015) Ain’t I a woman ? Critica a D.Kergoat e a Roland Pfefferkorn. Desprezo pela
elaboração dos dois últimos em nome do blackfeminism. Se aprovamos as
blackfeminists dos anos 60-70, sentimo-nos pouco à vontade pelas blackfeminists
francesas contemporâneas.
« Como explicar que o conceito de « consubstancialidade » - de uma
proximidade espantosa com o conceito de interseccionalidade – desenvolvido por
Danièle Kergoat seja principalmente plebiscitado por pesquisadoras/es brancas/os?
Como não se indagar sobre as verdadeiras motivações dessas universitárias brancas/os
que utilizam o materialismo (a primazia das relações de classe) para desacreditar a
pertinência da raça na interseccionalidade? (Gay, 2015, p. 23-24)
Esta crítica feita a Danièle Kergoat e, mais longe nesse texto, à Roland
Pfefferkorn, mostra, em nome do black feminism, o pouco caso quanto à elaboração
teórica desses últimos. A coerência e a solidez teórica das black feminists dos anos 60-
70 (cf. Dorlin, 2008, Introdução) parece fazer falta às black feminists francesas
contemporâneas.
A perspectiva interseccional, entendida no sentido em que as relações sociais de
raça, de gênero e de classe se co-constroem de maneira dinâmica (Cervulle, Testenoire,
2012), está bem presente em certas teóricas da interseccionalidade como Patricia Hill
Collins e no conceito de consubstancialidade, elaborado por Danièle Kergoat nos anos
setenta. Se todas as pesquisas que utilizam o conceito de interseccionalidade não
mobilizam a categoria de relações sociais, penso que podemos utilizar
“interseccionalidade” ou “consubstancialidade” como sinônimos quando se trata de
uma análise em termos de relações sociais de poder imbricados e não-hierarquizados.
O princípio na base do conceito de interseccionalidae é a não-hierarquização
dos diferentes aspectos da opressão (versus contradição « principal » e « secundaria »,
« infraestrutura e « superestrutura » do marxismo ortodoxo). E a afirmação dessa não-
hierarquização e a afirmação da imbricação das diferentes relações de poder que
tornam possível a utilização da « interseccionalidade » ou de « consubstancialidade »
como sinônimos.
Para que serve a interseccionalidade?
Duas imagens que reduzem o feminismo ao « gênero feminino » e mostram o
interesse da crítica e desconstrução do gênero como única categoria explicativa e de
ação. No Caderno « moda » do jornal Le Monde datado de 03 de março de 2017, uma
mulher branca, loira, burguesa – vestida por Valentino, Dior et Giorgio Armani, é
apresentada com o título “Feminismo – a nova voga”. Da mesma maneira, na capa da
revista Elle, datada do dia 03 de março de 2017, aparece uma mulher branca, loira,
jovem e descontraída – vestida com um jeans Levi’s et um eT-shirt Dior com as
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palavras: « We should all be feminists ». O título do dossiê: Pop, leve,
descomplexado...o novo impulso feminista. Numa revista que custa 2,20 €, pode-se
imaginar que essa mensagem pode atingir amplas camadas de mulheres. Essas duas
ilustrações nos convidam a não isolar a opressão das mulheres e a categoria de gênero,
das outras opressões de raça e de classe social.
***
A interseccionalidae pode ser vista como uma das formas de combate das
opressões múltiplas e imbricadas, e, portanto, como instrumento de luta política. E
neste sentido que Patricia Hill Collins (2015; Hill Collins et Bilge, 2016) considera a
interseccionalidae ao mesmo tempo como um “projeto de conhecimento” e uma “arma
política”. Podemos evocar como exemplo de luta interseccional a mobilização das
arrumadeiras que manifestaram diante do tribunal de New York contra a violência de
classe, sexista, machista e racista no “caso DSK” (Dominique Strauss-Khan). Nesse
mesmo registro podemos citar as lutas das arrumadeiras imigrantes nos hotéis de Paris
desde os anos (cf. Puech, 2004, Ferreira de Macedo, 2003).
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