The Nanny - Lana Ferguson
The Nanny - Lana Ferguson
The Nanny - Lana Ferguson
Uma mulher descobre que o pai da criança que ela está sendo
babá pode ser seu maior (Only) fã neste romance
contemporâneo de Lana Ferguson.
Depois de perder o emprego e estar à beira de ser despejada do
apartamento, Cassie Evans se vê com duas opções: conseguir um
novo emprego (e rápido) ou abrir sua conta no OnlyFans há muito
intocada. Mas não há empregos a serem encontrados, e quanto ao
OnlyFans… bom, há razões pelas quais ela não pode voltar. Bem
quando toda a esperança parece perdida, um anúncio para uma
vaga de babá residente parece a solução para todos os seus
problemas. É quase perfeito demais – até que ela conhece seu
possível empregador.
Aiden Reid, chef de cozinha e extraordinário pai gostoso, está
longe de ser o pai solteiro enfadonho que Cassie estava
imaginando. Ela ca chocada quando ele diz que ela é a candidata
mais quali cada que ele conheceu em semanas, praticamente
implorando para que ela aceitasse o emprego. Com mãos que
fazem seu cérebro uivar e olhos que gritam sexo, a ideia de morar
sob o mesmo teto que Aiden parece perigosa, mas sem outra
opção, ela decide car com ele e sua lha adoravelmente tenaz,
Sophie.
Cassie logo descobre que Aiden não é um estranho, mas alguém
que está muito familiarizado com ela – ou pelo menos, com seu
corpo. Ela ca sem saber o que fazer, já que ele não se lembra dela.
À medida que o relacionamento deles atinge temperaturas mais
altas do que qualquer cozinha em que Aiden já trabalhou, Cassie
luta para contar a verdade a Aiden e a possibilidade mais
aterrorizante – perder a melhor chance de felicidade que ela já teve.
À minha querida mãe, que certa vez me perguntou: “Você não
prefere escrever livros infantis em vez disso?”
Tabela de Conteúdos
Sinopse
Tabela de Conteúdos
Aviso – bwc
Capítulo 1
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Capítulo 10
Capítulo 11
Capítulo 12
Capítulo 13
Capítulo 14
Capítulo 15
Capítulo 16
Capítulo 17
Capítulo 18
Capítulo 19
Capítulo 20
Aviso de gatilho
Capítulo 21
Capítulo 22
Capítulo 23
Capítulo 24
Capítulo 25
Capítulo 26
Capítulo 27
Epílogo
Aviso – bwc
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voluntário e não remunerado. Traduzimos livros com o objetivo de
possibilitar a leitura para aqueles que não sabem ler em inglês.
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Aceitamos críticas e sugestões, contanto que estas sejam feitas
de forma construtiva e sem desrespeitar o trabalho da nossa
equipe.
Eu disse a mim mesma que não ficaria nervosa.
Eles não podem realmente me ver, então por que meu coração
está batendo tão forte?
Ajusto minha câmera pela quarta vez, verificando o ângulo
antes de avaliar o que estou vestindo novamente. É um sutiã
fofo com a calcinha combinando – o que vem a seguir não é
nada que eu já não tenha feito mil vezes antes.
Mas é que agora, estarei fazendo para espectadores invisíveis e
receberei por isso.
Respiro fundo, lembrando a mim mesma de que preciso do
dinheiro. Que é meu corpo, e estou tomando posse dele. Tudo o
que eu fizer a partir deste ponto é minha escolha e estou no
controle total.
Esse pensamento faz com que eu me sinta corajosa.
Respiro fundo. Verifico minha peruca. Ajusto minha máscara.
Eu posso fazer isso.
Eu ativo a câmera.
Capítulo 1
Cassie
— Eu serei uma sem-teto.
Eu escuto Wanda estalando a língua em sua cozinha (que, aliás,
não é tão longe em um apartamento de 65 metros quadrados), e
quando eu levanto meu rosto do veludo envelhecido de seu sofá,
posso vê-la sacudindo uma espátula para mim.
— Sem chorar pelo leite derramado — ela me diz. — Você não
vai ser uma sem-teto. Você pode car no sofá, se necessário.
Eu faço uma careta para o mencionado sofá de veludo,
olhando dele para a pilha de jornais no canto do estofado para a
televisão que desa a o tempo ao se recusar a morrer dentro de sua
casca de madeira.
— Eu não quero… atrapalhar — digo timidamente, não
querendo ferir seus sentimentos. — Vou dar um jeito.
Em meu terceiro ano de pós-graduação em terapia
ocupacional, perder meu emprego como assistente de terapia no
hospital infantil não fazia parte do plano. Eu mal tenho
conseguido pagar o aluguel com o salário que eles estavam me
dando, e agora que eles tiveram que reduzir a equipe, meu
apartamento menor ainda do outro lado do corredor da casa de
Wanda parece cada vez mais que será uma coisa do passado, muito
em breve.
— Bobagem — Wanda argumenta. — Você sabe que é bem-
vinda aqui.
Eu tiro um cacho ruivo do meu rosto, empurrando-me das
almofadas do sofá para car em uma posição sentada. Conheço
Wanda Simmons há cerca de seis anos; eu a conheci quando ela me
convidou para um chá depois que me tranquei para fora do
apartamento na minha primeira semana aqui. Uma mulher de
setenta e dois anos como minha melhor amiga não estava
exatamente na minha lista de coisas para realizar neste lugar, mas
ela pode ser mais interessante do que eu, então acho que pode ser
isso.
— Wanda — eu suspiro. — Eu te amo. Você sabe disso, mas…
você só tem um banheiro e não tem Wi-Fi. Nunca daria certo entre
nós.
— É a diferença de idade, não é? — Ela faz beicinho.
— Absolutamente não. Você sempre será a única mulher para
mim.
— Estou apenas dizendo. A opção está aberta.
— E o que você vai fazer quando trouxer para casa seus
homens do bingo e eu estiver sentada aqui no seu sofá?
— Oh, não vamos incomodá-la. Iremos para o quarto.
Eu faço uma careta.
— Eu sou totalmente a favor de você ter a sua diversão, mas eu
absolutamente não quero estar do outro lado dessas paredes muito
nas para isso.
Wanda ri enquanto mexe o molho para suas almôndegas.
— Você sempre pode voltar a fazer aquelas chamadas de
peitinhos.
Eu gemo.
— Por favor, não as chame de chamadas de peitinhos.
— O quê? Tem uma câmera. Você mostra seus seios. Você é
paga.
Deixo meu rosto cair contra seu sofá. Eu meio que me
arrependo de ter contado a Wanda sobre a minha… história com o
OnlyFans, mas eu não tinha previsto que ela seria capaz de lidar
com a tequila melhor do que eu na noite em que coloquei tudo
para fora. Não que eu tenha vergonha disso, de forma alguma. Era
um bom dinheiro. Receber dinheiro de pessoas que queriam se
divertir foi uma decisão fácil quando confrontada com uma conta
de mensalidade iminente que eu não poderia começar a pagar de
outra forma. Quero dizer, belos peitos realmente deveriam merecer
seu sustento. Acho que Margaret Thatcher disse isso uma vez.
— Você sabe que eu não posso — suspiro. — Eu deletei minha
conta completamente. Todos os meus inscritos sumiram. Levaria
mais dois anos para reconstruí-los.
Além disso, aprendi minha lição da primeira vez. Pelo menos
eu guardei essa parte para mim.
— Então o que você vai fazer? Você está procurando outro
emprego?
— Estou tentando — resmungo, percorrendo os mesmos
anúncios de emprego em meu telefone que, na maioria das vezes,
não dão certo. — Por que colocar anúncios procurando ajuda se
eles não vão retornar o contato?
— Tem muitas pessoas nesta cidade — Wanda diz. — Sabe,
quando me mudei para cá, você podia andar na rua e reconhecer as
pessoas. Agora é como uma colméia lá fora. Sempre zumbindo.
Você sabia que eles têm uma maldita mercearia onde você nem usa
seu cartão? Basta entrar e sair. Pensei que estava roubando o tempo
todo. Quase me deu palpitações cardíacas.
— Sim, conversamos sobre a nova loja Fresh, lembra? Eu
ajudei você a con gurar sua conta.
— Oh, sim. Daqui a pouco, eles levarão os mantimentos
voando direto para a sua porta.
— Wanda, eu odeio dizer isso a você, mas eles já fazem isso.
— Sem brincadeira? Hum. Você deveria con gurar isso
também. Me poupar de uma maldita caminhada.
— Acho que você não se opõe tanto ao futuro, a nal.
— É, é. E o restaurante na Quinta?
— Eles não vão me deixar sair mais cedo para as minhas aulas
de laboratório no campus.
— Sabe, Sal estava dizendo que precisaria de ajuda com…
— Eu não vou trabalhar na delicatessen — digo a ela, com
rmeza. — Sal é cheio de mão boba.
— Eu sempre gostei disso nele — Wanda ri.
— Você não está muito velha para sentir tanto tesão?
— Estou velha, Cassie — ela bufa. — Não morta.
— Sério, eu não sei o que vou fazer — gemo.
— Veri que os anúncios novamente. Talvez você tenha
deixado algo passar.
— Eu veri quei uma dúzia de vezes — bufo.
Wanda ainda está resmungando comigo da cozinha enquanto
eu me debruço de novo sobre a seção de procura de ajuda de
qualquer forma, pensando que se eu olhar várias vezes, algum
anúncio milagroso que eu não havia notado antes, saltará para
mim. Como pode ser tão difícil encontrar um emprego que me
deixe fazer meus trabalhos escolares à noite e car de folga a cada
dois ns de semana para meus cursos no campus? Quer dizer, aqui
é San Diego, não Santa Bárbara. Tem que haver algo que eu
possa…
— Oh, merda — eu digo de repente.
Wanda sai da cozinha com a espátula na mão.
— O quê?
— Procura-se: cargo de babá residente em tempo integral.
Experiência com crianças é imprescindível. Hospedagem e
alimentação grátis. Apenas solicitações sérias.
Wanda bufa.
— Você não quer car presa cuidando de outras…
— Salário inicial… Puta merda.
— É bom?
Eu olho para Wanda com a boca aberta, e quando eu digo a ela
o que eles estão oferecendo, Wanda diz uma palavra que ela
normalmente só reserva para quando os Lakers perdem. Ela solta
um suspiro depois, acariciando seus cachos brancos com aquele
seu jeito agitado.
— Eu acho que seria melhor você ligar para eles então.
■□■
Eu não esperava que Aiden Reid fosse me responder tão
rapidamente como respondeu depois que enviei-lhe um e-mail, e
certamente não esperava que ele parecesse tão ansioso em marcar
um encontro para uma entrevista. E por falar em encontro, eu
definitivamente não esperava que ele me pedisse para encontrá-lo
em um dos restaurantes mais chiques da cidade – um em que não
posso me dar o luxo de comer e no qual tenho certeza de que estou
mal vestida demais para entrar. É assim que as pessoas ricas fazem
entrevistas? Duvido que Sal me levaria a um restaurante cinco
estrelas para me fazer cortar peru para ele enquanto
acidentalmente passa a mão na minha bunda.
Ainda assim, coloquei meu vestido preto justo favorito, aquele
que usei na minha formatura da faculdade, e espero que isso me
faça parecer muito mais arrumada do que me sinto agora. Como
agora estou com a suspeita de que a família da qual estou tentando
ser babá é mais próspera do que eu achava, estou pensando que
um pouco de falsa con ança me fará um bem enorme.
Quero dizer, eu amo crianças. E aprendi trabalhando no
hospital infantil que elas são o público-alvo das minhas piadas
terríveis, então isso é uma vantagem. Além disso, todo o motivo
pelo qual estou seguindo a carreira de terapia ocupacional é para
tentar ser aquela pessoa que está ao lado das crianças quando
ninguém mais parece estar – então, com isso em mente, este
trabalho deve ser fácil, certo?
Isso é o que eu continuo dizendo a mim mesma.
Juro que a recepcionista pode sentir o cheiro do meu spray
corporal de baunilha da Target, e de alguma forma ela sabe que isso
signi ca que não posso pagar os aperitivos daqui, mas ela coloca
um sorriso no rosto, para seu crédito, e me leva a uma mesa depois
que eu dou a ela nome do meu possível empregador. É assim que é
ser importante? Sento-me na cadeira forrada de seda, sentindo-me
como um peixe fora d’água em meio às velas acesas e à música
elegante. Inferno, estou com medo de colocar meus cotovelos na
mesa.
Um garçom se aproxima para perguntar se eu quero começar
com algum aperitivo, e como a recepcionista com os olhos
judiciosos estava absolutamente certa, eu peço água enquanto
aguardo. Eu tomo um gole à medida que espero que esse tal de
Aiden apareça (parece meio rude chegar atrasado em sua própria
entrevista), tentando aparentar que eu totalmente como em
lugares como este o tempo todo.
O restaurante em si é o mais legal em que já estive. Nunca vi
tantos centros de mesa de cristal em toda a minha vida, e Wanda
perderia a cabeça se visse os preços no cardápio. Mal posso esperar
para contar a ela mais tarde e ver seus olhos saltarem das órbitas.
— Com licença — diz alguém.
A voz profunda murmurada tão perto do meu ouvido quase
me faz engasgar com a água, um pouco dela escorrendo pelo meu
lábio inferior, descendo pelo meu queixo enquanto tusso. Eu
pressiono as costas da minha mão para tentar limpar, notando
mãos grandes em minha visão, agora turva, quando um rosto
aparece.
Puta. Merda.
Meu cérebro entra em curto-circuito por alguns segundos,
tentando entender a aparição repentina de um homem grande
com cabelos castanhos grossos afastados da testa, mandíbula
de nida e maçãs do rosto marcadas, e sua boca parece mais suave
do que a minha? Ele é alto também. Não o tipo de altura que faz
você pensar que ele joga basquete ou algo assim (embora ele com
certeza pudesse, se quisesse), mas o tipo de altura que faz você
querer pedir a ele para pegar algo na prateleira de cima para você,
só para você pode observar a maneira como seus ombros se movem
sob a camisa. Percebo que esse processo de pensamento faz pouco
sentido, mas tudo que sei é que tenho 1,70m com peitos que
valem a pena pagar para ver, uma bunda construída com
agachamentos e uma conexão emocional com pão, e esse homem
me faz sentir pequena.
E se essas coisas não são su cientes para me deixar pasma (o
que estou, quero dizer, estou literalmente babando água com gás)
– seus olhos fariam o truque. Já ouvi falar de heterocromia; pelo
menos, tenho certeza de que meu professor de biologia
mencionou de passagem quando eu era estudante de graduação,
mas nunca vi pessoalmente. Seus olhos são uma mistura de um
castanho e um verde, as cores não são brilhantes, mas sutis, como
chá quente e água do mar, difíceis de desviar o olhar.
Percebo que é exatamente isso que estou fazendo. Encarando o
pobre rapaz.
— Desculpe — eu gaguejo. — Você meio que me pegou
desprevenida.
Pego o guardanapo para começar a limpar meu queixo,
percebendo agora que o homem está vestindo uma jaqueta branca
de chef com um avental combinando amarrado na cintura.
— Oh — eu começo de novo. — Eu não ia pedir nada ainda,
estou esperando alguém.
— Certo. — Ele mostra uma leira de dentes perfeitos que
deixariam meu dentista em êxtase, parecendo quase como se ele se
arrependesse de ter caminhado até a mesa. Ou talvez eu esteja
imaginando demais. — Eu acho que você está esperando por mim.
Você é a Cassie?
— Eu… — Oh não. Não, não, não. Eu não cuspi água em mim
mesma na frente do cara que estou tentando fazer com que me
contrate. — Você é o Sr. Reid?
Ele faz uma careta.
— Aiden, por favor. Sr. Reid faz eu me sentir velho.
O que ele não é. Eu acho que não. Quero dizer, ele é mais
velho que eu, mas não velho. Ele não pode ter mais de trinta anos,
aposto. Eu ainda estou meio que encarando ele.
— Certo — digo, tentando me recompor enquanto me afasto
da mesa e estendo minha mão desajeitadamente. — Eu sou Cassie.
Cassie Evans.
Sua boca se curva para minha mão estendida, fazendo-me
imediatamente me arrepender de tê-la estendido como se estivesse
fazendo uma versão o -Broadway do Homem de Lata em O
Mágico de Oz, mas não há como voltar atrás agora. Ele a sacode no
que só posso presumir ser uma tentativa de ser legal, gesticulando
de volta para o meu assento e esperando que eu me sente antes de
tomar o assento à minha frente.
Eu limpo minha garganta, tentando esquecer que um minuto
atrás eu quase cuspi água no homem mais gostoso do mundo, que
eu quero muito que me pague uma quantia ridícula de dinheiro
para cuidar da sua criança. Sua criança, eu me lembro. Esta é uma
entrevista de emprego. O que torna totalmente inapropriado que
eu ainda esteja pensando em suas mãos enormes. Mãos que, meu
cérebro realmente percebeu, não estão usando nenhum tipo de
aliança.
Pare com isso, cérebro.
Eu deveria parar de olhar para as mãos dele, de qualquer
maneira. Mesmo que sejam grandes o su ciente para fazer uma
garota calcular mentalmente quando foi seu último encontro.
— Então — eu tento desajeitadamente. — Você é um
cozinheiro. — Eu gemo, instantaneamente me arrependendo da
minha escolha de palavras. — Desculpe. Quero dizer, um chef.
Você é um chef. Certo?
Milagrosamente, ele não pede para me removerem do
restaurante, mas sorri.
— Sim. Eu cozinho aqui.
Oh, abençoado seja ele por seu humor.
— Isso é… incrível. Realmente incrível. — Eu aceno
apreciativamente enquanto olho ao nosso redor para os
candelabros brilhantes e o pianista em algum lugar atrás de nós. —
É um lugar elegante.
— É — ele concorda. — Sou o chef executivo daqui há alguns
anos.
— Mentira? Que chique.
— Chique — ele ecoa, parecendo divertido. — Certo.
Desculpe por pedir que me encontrasse no trabalho. Eu estive,
ah… bem. Tem sido uma loucura ultimamente.
— Não é grande coisa. Eu pensei que fosse estranho fazer uma
coisa assim durante o jantar, especialmente em um lugar como
este, mas eu imaginei… — Teria sido bom se eu tivesse percebido
antes de começar a gaguejar minhas bobagens, mas, no entanto, a
cha cai. As implicações do que ele disse. Minha boca se fecha
enquanto o calor inunda meu rosto, e eu me abaixo de vergonha
enquanto cubro meus olhos. — Oh meu Deus. Esta não é uma
entrevista com jantar. Você queria falar comigo no seu intervalo.
— Eu deveria ter… sido mais claro em meu e-mail.
Oh Deus. Ele está tentando me defender. Alguém me enterre.
— Eu sou inacreditável.
— Não, não — ele tenta. — Está tudo bem.
— Deus, eu sou uma idiota. Eu usei esse vestido idiota e…
— É um vestido muito bonito.
— Você provavelmente acha que eu sou louca…
— Realmente não.
— Eu posso ser tão estúpida às vezes, me desculpe.
Ele ainda parece divertido. Como se ele estivesse achando meu
colapso mental engraçado. Não sei se isso torna as coisas melhores
ou piores.
— Você pode pedir alguma coisa — ele oferece. — Se você
quiser. Eu não me importo.
— Hum, obrigada, mas talvez eu precise vomitar agora. Eu
deveria ir embora, certo? Isso já é um desastre.
— Espere, não. — Ele estende a mão quando me movi para
car de pé. — Não faça isso.
Eu paro de tentar fugir. Certamente ele não pode ainda estar
me considerando, pode? Talvez ele seja louco também.
— Você ainda quer me entrevistar?
— Para ser honesto — ele suspira — ninguém se inscreveu com
nada perto de suas credenciais. Treinamento em RCP, bacharelado
em terapia ocupacional com especialização em psicologia? Quero
dizer, seu último emprego foi em um hospital infantil. E eles não
tinham nada além de coisas boas a dizer sobre você quando
veri quei suas referências. Quase pareceu que eles odiaram deixar
você ir.
— Sim, quei muito chateada quando eles zeram isso —
admito. — Houve um problema de nanciamento, infelizmente.
Eu amava o trabalho.
— Bem — ele ri — espero que a perda deles seja meu ganho.
Não acreditei quando você me enviou seu currículo.
— Mas agora que você me conheceu, você está começando a
pensar que eu o forjei, certo?
Ele meio que ri, mal abrindo a boca enquanto desvia os olhos
para a mesa, como se estivesse com medo de me fazer pensar que
está rindo de mim, o que estaria dentro do seu direito,
considerando esta primeira reunião terrível.
— Não — diz ele. — Eu não acho que você forjou. No
entanto, estou curioso para saber por que você está procurando
uma posição de babá com seu histórico?
Eu afundo na minha cadeira, soltando um suspiro enquanto
me inclino sobre a mesa.
— Posso ser totalmente honesta com você?
— Eu pre ro que sim — diz ele, inclinando-se e parecendo
intrigado.
— Estou no último ano do programa de pós-graduação em
terapia ocupacional e, como disse em meu e-mail, fui desligada do
meu trabalho devido a redução de pessoal. O aluguel nesta cidade é
ridículo, e, para ser honesta, preciso do dinheiro. E sendo mais
honesta ainda, o quarto e a alimentação de graça também não são
nada para torcer o nariz. Seria ótimo não ter que me preocupar
com isso, acima de tudo.
— Certo. Sobre isso. — Ele franze a testa então, e presumo que
esta seja a parte em que ele me dirá que na verdade não pode
permitir que uma lunática tagarela como eu chegue perto da sua
criança. — É uma posição permanente, mas para esclarecer…
somos só eu e minha lha. Você teria seu próprio quarto, é claro,
praticamente seu próprio andar, até mesmo – total privacidade e
tudo mais, mas… quero ser completamente transparente com você,
caso isso a deixe desconfortável.
Com vinte e cinco anos, e na primeira vez que moro com um
cara bonito, é em um cenário como de Grande Menina, Pequena
Mulher. Estou morrendo de vontade de perguntar sobre a outra
pessoa responsável nesta situação, apenas para limpar minha baba
mental, mas meu cérebro está gritando que este é o movimento
errado. Ainda assim, ele tem um bom emprego, um belo sorriso e
não me dá a impressão de ser um assassino total.
Eu abro meu sorriso mais pro ssional.
— Eu não acho que isso será um problema. No entanto, no
clima de ser transparente… Estou em um programa híbrido na St.
Augustine’s em San Marcos.
— O que isso signi ca?
— Signi ca que a maior parte do meu curso é on-line, o qual
faço à noite depois do trabalho, mas dois ns de semana por mês
tenho que assistir às aulas no campus. Demora mais do que o
programa normal, mas como estou pagando minhas próprias
despesas, torna-se mais fácil ter um emprego. A maioria dos
empregos para os quais me candidatei não conseguiu trabalhar
comigo de acordo com minha agenda, o que é um empecilho. —
Eu solto uma risada. — Parece que você é o único que acha minhas
credenciais impressionantes. Lanchonetes e lojas de
departamento? Não muito.
Aiden franze a testa, pensando.
— Não vou ngir que chego em casa em um horário razoável
todas as noites. Meu trabalho é estressante – na verdade, isso é um
eufemismo. Meu trabalho às vezes é um pesadelo. Tenho folga na
maioria das manhãs e, às vezes, só preciso trabalhar à tarde… mas
minhas noites podem ser longas. Você acha que seria um
problema? Sophie normalmente vai para a cama às nove. Tenho
certeza de que, desde que ela esteja alimentada e pronta para
dormir, você pode fazer seus trabalhos escolares.
— Sophie? Sua lha?
Aiden dá um novo tipo de sorriso, que parece caloroso e
orgulhoso, mas que se choca com o lampejo de tristeza que brilha
em seus olhos.
— Sim. Ela é… muito boa. Ela tem nove anos, mas parece
muito mais velha do que isso. Ela é muito esperta para o seu
próprio bem.
— Meninas geralmente são — eu rio, pensando em mim
mesma. — E os ns de semana que tenho aula? Eu poderia estar
em casa no nal da tarde. Então ainda posso cobrir o jantar, com
certeza.
Aiden considera isso.
— Eu posso fazer funcionar. Quero dizer, eu tenho feito até
agora, de qualquer maneira. Se o pior acontecer, talvez você possa
buscá-la aqui nesses dias? Ela poderia jogar em seu joguinho no
escritório enquanto espera. Ela está, ah, acostumada com isso
agora, infelizmente.
— E sua lha? Ela está bem com tudo isso? Em ter uma babá?
Aiden acena com a cabeça, pensativo.
— Ela já teve antes. Nenhuma realmente… deu certo. Eu…
Posso ser honesto com você de novo?
— Eu pre ro que sim — digo a ele, ecoando seu sentimento
anterior.
Aiden ri novamente, e eu determino que vou ter que fazer
questão de não fazê-lo rir com muita frequência para o bem da
minha própria sanidade, se vou morar com ele. É uma risada
muito boa, ok?
— Eu só… Eu preciso de ajuda, Cassie, sendo direto. Estou
fazendo isso sozinho e é muito mais difícil do que pensei que seria.
Ou talvez seja exatamente tão difícil quanto pensei que seria. Não
sei. Sophie pode ser muito… obstinada, e isso torna difícil
encontrar alguém que esteja disposta a car. Estou procurando
uma substituta para a última babá há semanas, porque queria
encontrar a que melhor se adaptasse a Sophie, e absolutamente
ninguém se candidatou para o emprego com metade das
quali cações que você. Foram semanas de malabarismo com
agendas e, neste momento, estou desesperado.
— Isso é… muito honesto.
— Você pode fugir gritando a qualquer momento.
Estranhamente, não tenho vontade de fazer isso. Algo sobre
esse homem de aparência cansada com seus lindos olhos e sua
risada que me dá borboletas no estômago faz com que seja difícil
dizer não para ele. Sem mencionar que ainda há a quantia ridícula
de dinheiro que ele está oferecendo.
— Então, como seria isso? Se eu disser sim.
— Bem, eu adoraria que você começasse o mais rápido possível
— ele me diz. — Talvez você pudesse ir neste sábado? Eu poderia
apresentá-la a Sophie e mostrar a casa. Onde você caria e tudo
isso… Se você aceitar o trabalho, claro.
Eu seria boba se não aceitasse, certo? Quero dizer, quando é
que algo tão bom vai aparecer? Claro, é assustadora a ideia de ser
diretamente responsável pela lha de alguém, para não falar em
morar na casa deles… especialmente a casa desse cara… Ainda assim.
Não acho que seja uma oferta que eu possa recusar na minha
situação.
— Ok.
Eu aceno para a mesa enquanto tomo uma decisão,
encontrando os olhos de Aiden e mais uma vez estendendo minha
mão de uma forma impensada da qual me arrependo
imediatamente.
Sério, por que continuo fazendo isso?
Felizmente, Aiden suspira de alívio, pegando minha mão
novamente e envolvendo-a na sua muito maior.
— Então você quer o emprego?
— Contanto que você me queira — digo, com o que espero ser
con ança.
Eu tento não pensar sobre a forma como seus olhos se
arregalam com o meu fraseado estranho; agora não adianta
lamentar meu vômito nervoso de palavras. Graças a Deus ele está
tão desesperado.
E de nitivamente não estou pensando em como a mão dele
engole a minha.
Bate papo com @alacarte
@alacarte
te enviou uma gorjeta de $20
@alacarte
te enviou uma gorjeta de $50
Gostou do vídeo?
Era tudo que eu queria.
@alacarte
te enviou uma gorjeta de $50
Obrigado pela conversa.
Capítulo 10
Cassie
— Você se divertiu na casa da amiga de Cassie ontem à noite?
Sophie acena com a cabeça em torno de uma colherada de seu
cereal.
— Ela é tão estranha.
— Estranha? — Aiden olha para mim com curiosidade. —
Estranha é algo bom?
Eu concordo.
— Na linguagem de Sophie… eu acredito que seja.
— Ah — Aiden ri. — Claro.
É uma manhã normal de domingo. Acordamos como de
costume, tomamos café da manhã como sempre e tudo parece
fácil, adorável e sem preocupações. E é, em grande parte. Exceto
para mim.
Fico me perguntando se ele vai notar que tenho di culdade em
olhar para ele, se em algum momento ele vai perceber a forma
como o calor invade minhas bochechas e minhas orelhas quando
eu o olho por muito tempo. Toda vez que isso acontece, toda vez
que meu olhar se xa nele e permanece lá por mais de um punhado
de segundos, eu me lembro de tudo que Aiden viu, o quanto ele
nem percebe que viu… tudo de mim. Lembro-me de conversas
sussurradas e palavras doces e sujas, todas murmuradas em um
quarto escuro do qual ele provavelmente não se lembra.
Todo aquele tempo eu me perguntava como ele era, e agora
que tenho uma boca para combinar com as palavras, mãos para
combinar com todas as coisas que ele disse que queria fazer com
elas… É difícil pensar em outra coisa quando olho para ele.
— O que você acha, Cassie?
Eu pisco de volta para Aiden, com a colher a meio caminho da
minha boca, não tendo ouvido nenhum dos últimos segundos de
sua conversa.
— Desculpe, o quê?
— Perguntei a Sophie o que ela queria fazer no aniversário dela
— ele me conta. — É na quinta-feira.
Sophie se levanta de sua banqueta.
— Eu quero ir para a Disneylândia!
— Oh, uau — eu digo com surpresa. — Disneylândia?
— Objetivos bem distantes com a minha agenda — Aiden diz,
confuso.
Eu rio.
— Sim, como você organizaria isso?
— Vamos — Sophie choraminga. — Por favor?
— Pode ser difícil, com o quão ocupado o restaurante tem
estado — diz Aiden com pesar. — Talvez em um mês ou mais?
O rosto de Sophie cai, seu rosto voltando-se para a tigela de
cereal enquanto ela empurra a colher no leite, desanimada.
— Oh.
— Sophie — Aiden suspira. — Você sabe que eu adoraria…
— Mamãe iria me levar — ela interrompe baixinho. — No
meu aniversário no ano passado.
Eu encontro os olhos de Aiden, vendo a culpa lá enquanto ele
me dá um olhar desamparado. Dou de ombros, sem saber o que
dizer, acenando para Sophie no que espero ser um gesto
encorajador. Aiden solta um suspiro antes de passar os dedos pelos
cabelos, alcançando a cabeça de Sophie.
— Acho que podemos… fazer funcionar.
Sophie se ilumina imediatamente.
— Sério?
— Acho que consigo tirar um dia de folga — ele diz a ela. —
Anaheim ca a uma hora de carro…, poderíamos passar um dia no
parque e voltar no dia seguinte antes do meu horário de trabalho…
Eu irei resolver isso. — Ele lança a ela um olhar severo. — Mas você
terá que perguntar ao seu professor se ele pode enviar para casa
suas atividades escolares para os dias que você faltar.
— Posso entrar e falar com ele quando levá-la para a escola
amanhã — ofereço.
Aiden me dá um sorriso agradecido que faz meu estômago
revirar. Maldição.
— Isso seria bom.
— E Cassie pode ir também, certo? — Sophie pergunta com
expectativa.
Aiden e eu olhamos um para o outro, Aiden parecendo
inseguro.
— Eu não sei se Cassie quer participar…?
— Ela quer ir — a rma Sophie, olhando para mim. — Não
quer?
— Eu… eu odiaria me intrometer em seu tempo em família.
Sophie faz beicinho.
— Não vai ser tão divertido sem você.
— Eu… — Eu olho para Aiden, procurando ajuda. — Não sei
se…
— Você é bem-vinda para ir — Aiden me assegura. — Se você
quiser. — Ele me dá um sorriso meio tímido. — Não seria tão
divertido sem você.
— Oh. — Eu posso dizer pelo olhar no rosto de Sophie que
não há como recusar isso. — Bem… Se vocês tem certeza de que
querem que eu vá.
— Talvez possamos ir na quarta de manhã? — Aiden pega seu
telefone para veri car algo. — É um dia antes, mas o meio da
semana costuma ser nosso horário mais lento. Provavelmente será
melhor. Isso funcionaria? Você tem algum plano?
— Parece perfeito — digo com rmeza, calculando o custo em
minha cabeça. — Se você me disser quanto custam os ingressos…
— Oh, não — diz Aiden com um aceno de cabeça. — Não se
preocupe com nada. Eu cuidarei disso. Posso fazer reservas hoje à
noite no meu intervalo.
— Eu não poderia deixar você…
— Eu quero — diz ele com rmeza. — Não se preocupe com
isso.
— Ok.
Sophie sacode o braço do pai.
— Tia Iris pode ir também?
— Oh, eu… — Aiden parece inseguro. — Não sei se ela
gostaria. — Ele compartilha um olhar comigo e, novamente, eu
aceno encorajadoramente. Aiden dá a Sophie um sorriso no. —
Vou ligar para ela e perguntar.
Sophie já está cantando de emoção, seu cereal esquecido
quando ela me pergunta se ela pode ligar para Wanda e contar a ela
sobre a viagem. Aiden parece confuso depois que dou a ela meu
celular e ela sai correndo com ele.
— Não consigo descrever o quanto ela e Wanda se deram bem.
Aiden sorri.
— Claramente.
— Elas são praticamente melhores amigas agora — brinco. —
Estou sendo deixada de lado enquanto conversamos.
— Estou feliz que você a levou — diz ele. — Ela só falou sobre
isso esta manhã. Parece que ela se divertiu muito.
— Espere até conhecer Wanda — eu rio. — Você vai entender.
— Algo pelo qual esperar — observa ele. Ele parece
preocupado então. — Convidar Iris é uma péssima ideia?
Eu dou de ombros.
— Desconfortável, talvez, mas não péssima. Pode ser uma boa
oportunidade para vocês se entenderem.
— Certo — diz ele distraidamente, balançando a cabeça. —
Você tem razão.
Eu dou outra colherada no meu cereal apenas para não ter que
olhar mais para ele, cada segundo olhando para seu rosto signi ca
mais algumas batidas que meu batimento cardíaco acelera. Era
estranho assim antes? Pergunta estúpida. Claro que era. É
de nitivamente mais agora que eu sei que ele me viu nua.
— Eu não te agradeci direito — ele continua.
Eu olho para ele.
— Pelo quê?
— Apenas… por car com a gente. Quero dizer, com Sophie, é
isso. Ela ama você.
Esta parte é fácil, sem ansiedade ligada aos meus sentimentos
pela garotinha.
— Eu também a amo. Ela é uma ótima criança.
Aiden acena com a cabeça, parecendo aliviado.
— Estou feliz que foi você que respondeu ao anúncio.
— Ah, bem… — Engulo em seco, sentindo aquele calor
familiar nas pontas das orelhas. — Eu também. Tem sido ótimo.
— Nós dois temos sorte de ter você, Cassie — ele continua, me
fazendo corar ainda mais. — Eu espero que você saiba disso.
Ele está feliz por você ser tão boa com a filha dele. Não fique fora
de si.
— Eu… Obrigada — digo, esperando que meu cabelo esteja
pelo menos cobrindo meu pescoço, que está cando mais quente a
cada segundo que passa. — De verdade.
— Eu espero que você ainda esteja… feliz aqui? Você parece
meio quieta ultimamente.
Bem, merda.
— Eu pareço?
— Talvez eu esteja vendo coisas a mais — diz ele, encolhendo
os ombros. — Parece que você esteve… Não sei. Pensei que talvez
você estivesse chateada comigo.
— O quê? — Isso me pega de surpresa. — Eu não estou
chateada com você.
— Oh. É que… parece que você está me evitando desde que
conversamos.
— Eu não estou chateada — asseguro-lhe. — Tenho muitas
coisas na cabeça ultimamente.
Aiden franze a testa, algo em sua expressão parecendo que ele
quer perguntar mais, porém não consegue descobrir como. Há
uma ruga em sua testa e uma expressão em sua boca que não me dá
a menor ideia do que ele está pensando, e eu me preocupo neste
momento que ele de alguma forma saiba o que eu estou pensando,
que ele possa ver através da minha frágil mentira sobre o real
motivo.
Não tem como ele saber. Você está bem.
— Eu realmente sinto muito — diz ele. — Por despejar tudo
isso em você.
— Sério, está tudo bem. — Tento sorrir, mas, por mais nervosa
que esteja agora, só consigo imaginar como parece forçado. — Eu
acho que é um efeito colateral de se preocupar com Sophie.
— Certo. — Ele concorda. — Espero que você saiba o quanto
eu… aprecio você.
Prendo a respiração.
É apenas por causa do trabalho que você está fazendo. Pare de ver
coisas onde não tem.
— Estou feliz — eu consigo dizer. — Estou feliz aqui. Com
vocês.
Há um momento em que nenhum de nós diz nada, e eu sei
que deveria desviar os olhos, que é estranho sentar aqui e
continuar olhando para ele, mas o problema é… ele também não
desvia o olhar. Mais uma vez me pego desejando poder saber o que
ele está pensando.
— Bom — diz ele nalmente, sua expressão ainda difícil de ler.
— Fico feliz.
Estou abrindo a boca para dizer algo, exatamente o quê, não
sei, mas Sophie escolhe aquele momento para se juntar a nós, e isso
acaba não sendo um problema.
— Wanda disse para tirar fotos — Sophie me diz. — E para
trazer de volta um copo de dose para ela.
A sobrancelha de Aiden se ergue.
— Um copo de dose?
— Sim. — Sophie assente. — É esse tipo de copo minúsculo.
Eu não sei o que você bebe com eles. Elas não queriam me dizer.
Ela tem um do Alasca!
— Ela tem um de quase todos os lugares — eu rio.
— E ela viu um alce — Sophie diz.
— Eu sei — diz Aiden, divertido. — Você me contou sobre o
alce. Várias vezes.
Sophie me devolve o telefone, olhando para mim com
expectativa.
— Então, o que vamos fazer hoje?
— Bem — começo. — Eu pensei que talvez pudéssemos voltar
para aquele parque que você gostou. Foi divertido, certo? A
previsão é que será um bom dia hoje.
— Sim! Isso parece incrível. — Ela olha para o pai com
entusiasmo. — Você pode vir? Por favor? Só por um tempinho?
Eu posso balançar super alto. Você tem que ver.
— Ah, eu… — Aiden olha para mim impotente, e eu só posso
encolher os ombros. — Sim — ele suspira, e posso dizer por sua
expressão que isso vai deixá-lo atrasado, mas estranhamente isso
torna tudo muito mais doce. — Eu adoraria ver o parque. Por que
você não sobe as escadas e se veste enquanto eu tomo banho?
Sophie grita de alegria antes de ir direto para as escadas, Aiden
abaixa a cabeça cansadamente antes de inclinar o rosto para trás
para encontrar o meu.
— Tenho que dizer… aquele sorriso faz as noites de merda que
terei valerem a pena.
— Super pai — eu elogio.
O canto de sua boca se levanta, e acho que são momentos
como esse que me deixam mais insegura. Vê-lo tão despreocupado,
com seu sorriso fácil, seus olhos bonitos e seu cabelo ainda
espetado em várias direções da mesma forma que o de Sophie faz
quando ela acorda… torna muito mais difícil ngir que não estou
mais interessada do que deveria. Que eu não estou imaginando
como seria o cabelo dele sob meus dedos ou como seria o sorriso
dele contra a minha pele.
— Acho que é melhor eu dar um pulo no chuveiro — ele diz,
deslizando para fora de sua banqueta.
Eu dou a ele um aceno conciso enquanto ele se dirige para as
escadas, não relaxando até que ele esteja fora de vista e eu esteja
sozinha. Eu solto um suspiro, deixando meu rosto cair contra a
bancada de granito e deixando esfriar o rubor em minhas
bochechas.
Não estou pensando em Aiden no chuveiro. Absolutamente
não.
■□■
Eu não sei quem está se divertindo mais no parquinho – Aiden ou
Sophie. A última hora foi preenchida com os gritos dela e as risadas
dele, Aiden satisfazendo todas as vontades de Sophie, seja
empurrando-a no balanço ou seguindo-a pela escada do trepa-
trepa que é consideravelmente pequena demais para ele, seu corpo
acima da média tentando manobrar através de cada seção é muito
divertido de assistir.
Eu mantenho uma distância, sentada no banco, contente em
vê-los passar um tempo juntos. De vez em quando, Aiden sorri
para mim como se estivéssemos compartilhando um segredo, algo
que parece irônico, considerando que estamos compartilhando um
segredo, ele simplesmente só não sabe. Não sei quanto tempo se
passa antes que ele se jogue no banco ao meu lado enquanto
Sophie se ocupa no carrossel com algumas outras crianças que
chegaram esta manhã, com as bochechas coradas e a respiração
ofegante.
— Acho que estou cando velho — ele ri.
— Me poupe. — Reviro os olhos. — Você mal passou dos
trinta anos.
— Vou fazer trinta e dois em quatro meses — ressalta. — Já
passei da data de validade.
— Vou começar a escolher seu quarto na casa de repouso.
Aiden me dá uma expressão de falso alívio.
— Bem, isso é uma coisa a menos para me preocupar, eu acho.
— É o meu grande plano — eu digo séria. — Levar você para
fora da casa e criar Sophie como minha ajudante supervilã.
— Boa sorte com isso — Aiden bufa. — Sophie briga comigo
para escovar os dentes algumas manhãs. Algo me diz que ela não
terá paciência para o crime organizado.
— Bem, merda. — Eu balanço minha cabeça. — Lá se vai meu
plano de cinco anos.
O sol está subindo no céu, e Aiden levanta o rosto, cobrindo os
olhos enquanto franze a testa.
— Talvez eu devesse ter trazido protetor solar para Sophie.
— Ela vai car com fome em breve, de qualquer maneira. Ela
vai car bem.
— Você tem razão. Vou deixá-la brincar mais um pouco e
depois podemos ir. Não quero que ela tenha insolação.
— Você sabia que os porcos podem sofrer queimaduras
solares?
Aiden de alguma forma parece incrédulo e divertido ao mesmo
tempo.
— Onde você guarda isso, exatamente?
— Você me pegou. — Eu levanto meu punho para bater no
meu próprio crânio. — Esses fatos provavelmente estão ocupando
todo o espaço extra que eu deveria economizar para algo mais
importante. Como lei tributária, talvez.
Percebo que sua boca se contrai com o canto do meu olho, e
tenho que conter meu próprio sorriso para não parecer muito
boba. Nós dois sentamos em silêncio por um tempo, observando
Sophie se divertir, e eu nem percebo que ainda estou sorrindo para
mim mesma até que pego Aiden me observando com o canto do
olho.
— Desculpe — digo timidamente. — Ela parece tão feliz.
Ele ainda está me observando, aquela mesma coisa ilegível em
sua expressão que me faz desejar poder ler seus pensamentos.
— Não, é… Não há nada para se desculpar.
— Eu sei que passei dos limites quando conversamos pela
última vez, mas… realmente fez a diferença, eu acho. Ela poder
passar mais tempo com você.
— Você não… — Ele contesta, nalmente desviando o olhar
para observar Sophie. — Passou dos limites. Você não disse nada
que não fosse verdade.
— Ainda assim. Tenho certeza de que é irritante para alguém
que está por perto há menos de um mês agindo como se soubesse
de tudo.
Aiden ri baixinho.
— Isso é tão estranho. Parece que já faz mais tempo do que
isso.
— Sério?
— Talvez seja porque você e Sophie se deram tão bem.
— Ela nunca colocou lixo na minha cama, pelo menos.
Ele sorri suavemente, ainda observando Sophie.
— Estou feliz que você não está com raiva de mim.
— Eu juro, nunca quei.
Estou tentando ngir que não estou lançando olhares furtivos
para ele, sem perceber a maneira como o vento bagunça seu cabelo
ou a maneira como seu jeans se ajusta ou como sua camisa cinza-
escuro abraça seu peito – mas é difícil fazer isso quando Aiden
continua percebendo que estou fazendo isso, quando ele mesmo
está roubando olhares.
— Bom — diz ele nalmente. — Foi estranho. Como se você
estivesse me evitando.
— Sim, bem… você me evitou primeiro.
O rosto de Aiden se abre em um sorriso.
— Não somos muito bons em lidar com nossas emoções, não
é?
— Eu não sei do que você está falando. Evitar situações
vergonhosas é a melhor maneira de lidar com elas, na minha
experiência.
— Então você admite que foi uma experiência vergonhosa —
ele brinca.
Mais do que você pode imaginar, penso amargamente.
— Quero dizer, eu nunca tive uma conversa signi cativa com
meu chefe enquanto ele estava seminu, então acho que lidei bem
com isso, considerando todas as coisas.
— Sim… não tenho certeza do que me levou a acreditar que
minha camisa era a melhor opção para limpar minha cerveja.
— Havia toalhas de mão perfeitamente boas na gaveta.
— Eu estava muito cansado, ok?
É um momento que parece muito fácil, que quase me faz
esquecer todas as outras merdas que estão acontecendo em minha
cabeça e que me deixam ansiosa se eu car pensando nisso por
muito tempo. Ele tem que ser tão legal? Isso torna muito mais
difícil fazer a coisa certa e guardar todos os meus sentimentos.
Decido que é melhor mudar de assunto.
— Então… Disneylândia?
— É — Aiden suspira. — Já consigo ouvir meu chefe
reclamando.
— Mas pense em como ela cará feliz — eu indico.
— Você está certa — diz ele. — Ela vai perder a cabeça.
— Você já foi?
Ele faz uma careta.
— Absolutamente não.
— Oh, garoto. Isso vai ser ainda mais divertido.
— O quanto eu vou me arrepender disso?
— Não se preocupe, estarei lá para lidar com todas as coisas
difíceis.
— As coisas difíceis?
— Ah, você sabe… Tirar fotos com as princesas, Castelo da
Bela Adormecida – você percebe que ela vai querer se fantasiar,
certo? O que você acha das montanhas-russas?
Aiden parece estar se sentindo enjoado.
— Quais são as chances de ela querer passar boa parte do dia na
atração de Star Wars?
— Eu não apostaria nisso — eu rio. — Eu acho que você vai
encontrar muita diversão com as princesas. Talvez possamos
assistir a um des le! — O olhar no rosto de Aiden só me faz rir
ainda mais. — Isso vai ser muito divertido.
— Estou feliz que você está ansiosa por isso — ele murmura.
Estendo a mão para dar um tapinha na sua.
— Vou garantir que você não se perca, não se preocupe.
Foi um gesto inocente colocar minha mão sobre a dele, mas
quando minha risada diminui, percebo que ela ainda está lá, e
Aiden está olhando para onde minha mão está tocando a dele de
uma forma que me faz perder minha linha de pensamento. Não sei
quanto tempo camos assim antes de me lembrar da minha
posição, limpando a garganta antes de me afastar o mais rápido
que posso sem parecer estranha.
— Desculpe.
— Está tudo bem — diz ele muito rapidamente. — Estou feliz
que você também vai.
— Sim?
Ele balança a cabeça, sem olhar para mim.
— Por Sophie, quero dizer. Tenho certeza que ela vai se divertir
muito mais com você lá.
— Oh. Bem… — Por Sophie. Por que isso dói? É a única razão
pela qual estou aqui, a nal. — Acho que vai ser muito divertido.
Aiden limpa a garganta.
— Eu liguei para Iris.
— Você ligou?
— Ela não conseguiu ninguém para cobrir a loja por dois dias
— ele me diz. — Já que vamos car em um Airbnb depois.
Por favor, não me lembre, penso lamentavelmente. Embora,
por que dividir uma casa alugada com Aiden me faz contorcer
quando moramos juntos está além de mim.
— Isso é muito ruim — digo, falando sério, estranhamente. —
Eu sei que Sophie vai car chateada.
Aiden acena com a cabeça.
— Ela vai passar por lá antes do trabalho na sexta-feira.
— Bem, pelo menos isso é bom. Foi estranho? O telefonema?
— Eu… — Ele franze os lábios por um momento antes de
balançar a cabeça. — Ela soou… grata. Por eu ter perguntado. Pode
ter sido uma das conversas mais fáceis que tivemos nesse ano.
— Talvez ela veja que você está tentando encontrá-la no meio
do caminho.
— Talvez. — Ele olha para mim. — Obrigado por sugerir.
— Ah, bem… — Eu tento parecer indiferente. — Estou apenas
cuidando de Sophie.
E de você, eu não digo.
Acho que talvez nós dois quemos sem coisas para dizer; um
silêncio se estabelece sobre nós dois enquanto observamos Sophie,
que se mudou para as barras de trepa-trepa. Ficamos assim até que
uma mulher empurrando um carrinho passa por nós para sentar
no banco ao nosso lado, bufando ao deixar cair uma sacola de
fraldas no chão ao lado dela.
— Vocês se importam se eu sentar aqui?
— Não, claro que não — Aiden diz a ela. — Por favor.
A mulher parece estar a alguns dias longe de uma boa noite de
sono, o cabelo jogado em um coque bagunçado e os olhos
marcados com olheiras.
— Graças a Deus pelo parque, certo? — Ela ri enquanto se
preocupa com o laço da menina no carrinho. — Eu enlouqueceria
se não pudesse trazer o irmão dela aqui para gastar um pouco de
sua energia.
Eu me inclino para ter uma visão melhor da sua bebê.
— Ela é adorável. Quanto tempo?
— Seis meses — ela nos diz. — Ela dá trabalho, mas pelo
menos ela é quieta. — Ela acena com a cabeça em direção a um
garotinho de cabelos escuros que atualmente sobe a escada para o
trepa-trepa. — Aquele parece nunca se cansar. — Ela nos dá um
sorriso gentil então. — Qual é o seu?
— Minha lha — Aiden oferece, apontando para as barras do
trepa-trepa. — Ela está ali.
— Ela é uma gracinha.
Aiden sorri com gratidão.
— Obrigado.
— Vocês formam uma família tão bonitinha — ela diz, minhas
bochechas instantaneamente cando mais quentes.
— Ah, nós não somos…
— Daniel! O que foi que eu disse? — Ela nos dá um olhar de
desculpas. — Desculpe. Preciso garantir que ele não quebre
alguma coisa.
Ela nos deixa lá, empurrando seu carrinho com pressa para
veri car seu lho, que agora está pendurado de cabeça para baixo
na escada, e quando nalmente encontro coragem para olhar para
Aiden, ele parece tão envergonhado quanto eu.
— Acho que isso iria acontecer em algum momento — diz ele
com uma espécie de risada tímida. — Não é nada demais.
— Certo. — Estendo a mão para colocar uma mecha de cabelo
atrás da orelha, olhando para o concreto. — Mas é ridículo.
Aiden inclina a cabeça para mim de lado.
— O que você quer dizer?
— Quero dizer… — Acho que, na minha tentativa de tornar as
coisas menos estranhas, estou cavando um buraco mais fundo. —
Bem, obviamente você está fora do meu alcance. Em um outro
planeta, na verdade. Portanto, duvido que muitas pessoas
cometam o mesmo erro.
— Você acha que eu estou fora do seu alcance?
Jesus Cristo, o que eu fiz? Ainda é tarde para fugir?
— Quero dizer… falando objetivamente, é óbvio que você é…
— Eu não acho que seja tão óbvio — ele diz categoricamente.
— Falando objetivamente.
A respiração que eu estava prestes a tomar ca presa em meus
pulmões, e quando encontro coragem para olhar para Aiden, sua
expressão parece totalmente séria.
— O quê?
— Se qualquer coisa — diz Aiden — você estaria fora do meu.
Minha boca se abre em surpresa.
— O quê? Não tem como…
— Cassie, você tem que saber… — Ele pisca então, parecendo
perceber o conteúdo da conversa que estamos tendo. — Ok. Acho
que talvez seja eu quem esteja passando dos limites agora.
— Não, tudo bem, eu não queria…
— Só acho que você nunca deveria insinuar que não é boa o
su ciente para alguém — diz ele com naturalidade. — Muito
menos para mim.
Não tenho ideia do que dizer sobre isso, deixada sentada no
banco com a boca aberta e lutando para dar algum tipo de
resposta. Ele está dizendo que está ao meu alcance? Como se ele
tivesse considerado isso? Ou ele está apenas sendo legal? Estou
com muito medo de perguntar; tudo sobre esta conversa está
gritando perigo.
Nós dois olhamos um para o outro pelo que parece muito mais
do que os dez segundos que provavelmente são. Percebo a forma
como os olhos de Aiden mergulham para a minha boca, a forma
como sua garganta balança com um gole e seu peito sobe e desce
mais pesado do que um momento atrás.
— Ei, pai! Venha me empurrar!
Aiden vira a cabeça, ainda respirando mais forte do que deveria
quando encontra Sophie acenando para ele do outro lado do
parquinho. Ele olha dela para mim e para ela novamente,
nalmente balançando a cabeça antes de se levantar do banco.
— Desculpe. Isso foi… Eu não deveria… — Ele respira fundo
pelas narinas, apenas para expelir pela boca. — Apenas esqueça
que eu disse alguma coisa.
Eu não digo nada, porque não tenho ideia do que começar a
dizer, observando suas costas enquanto ele se afasta de mim. Mais e
mais, minha mente está separando e juntando cada coisa que ele
acabou de dizer, para tentar descobrir o signi cado, chegando a
todos os tipos de conclusões, cada uma fazendo menos sentido que
a anterior. Aiden realmente acabou de me dizer de uma maneira
estranha e indireta que estou bem ao seu alcance? Que ele está no
meu?
E o que diabos signi ca se ele estiver?
Levo muito tempo para me mover do banco enquanto meus
pensamentos correm, sabendo que estarei fazendo o oposto
absoluto do que ele me pediu para fazer.
Apenas esqueça que eu disse alguma coisa.
Certo. Com certeza isso vai acontecer.
Bate papo com @alacarte
@alacarte
te enviou uma gorjeta de $75
É bobo ainda estar sorrindo sobre isso, mas não posso evitar.
Eu me pergunto se devo dizer a ele que eu meio que gosto dele
sendo mandão.
Camila está me olhando estranhamente quando eu olho para
cima, e rapidamente disfarço meu sorriso em uma expressão mais
casual.
— Vocês estão prontas para seguir em frente? Acho que
estamos perto de algumas cafeterias. Podemos pegar um pouco de
comida.
— Estou morrendo de fome — lamenta Lucia.
— Sim, sim — eu rio. — Vamos alimentar vocês, pestinhas.
Eu intencionalmente ignoro o jeito que Camila ainda está me
olhando.
■□■
Camila felizmente espera até depois do almoço para comentar,
quando as crianças estão distraídas com os pandas.
— Então… como é o pai da Sophie?
— Hum? — Eu tento usar um rosto neutro. — Ah, Aiden?
Ele é… ótimo. Muito legal.
Ele também tem uma boca suja e um pau que desafia a ciência,
mas provavelmente não é bom mencionar isso agora.
— Uh-huh.
— O quê?
— Você disse que ele é solteiro, certo?
Reviro os olhos.
— O que isso importa?
— Ah, não sei… — Seu sorriso é malicioso. — A maioria das
pessoas não dá risadinhas das mensagens de texto do seu chefe. Me
deixou curiosa.
— Eu não dei risadinhas — eu protesto.
— Claro que não.
Ela caminha na minha frente para seguir as garotas no Panda
Trek, e eu me inquieto nervosamente enquanto a sigo. É realmente
tão óbvio? Eu tenho que fazer um trabalho melhor para manter as
coisas sob controle. Eu me aproximo de Camila, sem olhar para
ela.
— Não é o que você pensa — eu digo.
Quero dizer, é, mas duvido que seja algo que eu deva
compartilhar abertamente com as pessoas.
Camila me dá um olhar inocente.
— Eu não estava pensando em nada.
— Ah, sim, você estava — eu bufo.
— Ele é gostoso?
— Shh. — Eu olho para para onde Lucia e Sophie ainda estão
conversando animadamente, alguns metros a frente. — O que isso
importa?
— Então, ele é — Camila ri. — Uau. E você está morando com
ele? Por favor, me diga que você está dando para ele.
— Oh meu Deus — eu assobio. — Você pode falar mais alto?
— Eu não tenho um encontro há meses — diz ela. — Você
sabe como é a nossa agenda. Honestamente, bom para você por
encontrar pau com nossa carga de trabalho.
— Não é assim — digo novamente, mas soa mais fraco desta
vez.
— Ei, sem julgamentos aqui — Camila me garante. — Sophie
é uma criança legal. O pai dela também deve ser muito legal.
Eu mordo o interior do meu lábio, virando minha cabeça para
ver o sorriso de Sophie, sorrindo quando ela me pega olhando e me
dá um pequeno aceno, que eu retribuo.
— Ela é uma criança muito legal — eu concordo.
— Muito menos pestinha do que Lucia.
Dou uma cotovelada em Camila.
— Lucia é ótima.
— Sim, sim, ela é boa.
Hesito por um momento, lutando contra o desejo de contar
algo a alguém e sabendo que devo manter minha boca fechada.
Deixo vários outros passos passarem em silêncio enquanto isso
pesa sobre mim, e então solto uma respiração lenta.
— O pai dela é realmente ótimo — eu digo baixinho.
O sorriso de Camila é lento, mas ela se inclina para mim de
forma conspiratória, roubando meu movimento enquanto me dá
uma cotovelada no lado.
— Sim, eu aposto que ele é.
■□■
No nal do dia, todo o grupo está exausto. Vimos mais leões, tigres
e ursos (oh meu Deus) do que seria normal para um ser humano, e
às sete horas, estamos todas prontas para ir para casa.
— Tem certeza que não quer que eu leve vocês para casa?
Eu balanço minha cabeça para Camila.
— É tão fora do seu caminho. Aiden disse que viria nos buscar.
— Ele está atrasado — Sophie resmunga ao meu lado.
— Sério — Camila tenta novamente. — Não é grande coisa.
Só mandar uma mensagem para ele e dizer que…
— Oh, lá está ele — eu digo, avistando seu carro se
aproximando do ponto de desembarque.
— Finalmente — Sophie bufa.
O carro de Aiden para no meio- o e ele o estaciona antes de
sair do lado do motorista para se apoiar no capô.
— Desculpe o atraso — ele oferece. — Trânsito.
Ele ainda está com seu casaco de chef, então eu sei que ele veio
direto do trabalho e que provavelmente terá que voltar – e por que
me aquece completamente, que ele colocaria tudo em espera por
nós?
Lucia e Sophie estão se despedindo com um abraço, e posso
ouvi-las falando sobre trocar códigos de amizade no Switch, mas
ca de lado quando Camila se inclina para murmurar em meu
ouvido:
— Jesus Cristo, Cassie. Se você não está dando para ele, então
você deveria ser presa.
Eu solto uma risada.
— Isso nem faz sentido.
— É um crime contra a humanidade. Pense no resto de nós.
Largada às traças. Cheias de trabalho. Sem pau.
— Ok, estamos indo agora.
— Estou apenas dizendo…
Eu jogo meus braços em volta do pescoço dela para um abraço.
— Obrigada por hoje. Foi ótimo.
— Aparentemente, as crianças estão grudadas agora, então
teremos que fazer isso de novo.
— Certo.
Camila abaixa a voz novamente.
— E eu sinceramente espero que você tenha conseguido aquele
pa…
— Ok, meninas! — Eu me afasto de Camila. — É hora de
Sophie e eu irmos. Mas vamos sair de novo em breve, ok?
As duas acenam com a cabeça e se despedem novamente,
Sophie acenando de volta para Lucia enquanto eu a ajudo a entrar
no carro.
— Eu realmente sinto muito por ter atrasado — Aiden diz
novamente enquanto todos nós colocamos o cinto. — Eu deveria
ter saído um pouco mais cedo.
— Está tudo bem — asseguro-lhe. — Não camos esperando
muito.
— Vou ter que voltar para o trabalho depois de deixar vocês.
— Eu imaginei — eu digo.
Aiden olha pelo espelho retrovisor enquanto se afasta do meio-
o.
— Você teve um dia divertido?
— Tão divertido — Sophie fala. — Você sabia que os
hipopótamos matam pessoas?
Eu gemo, e Aiden me dá um olhar estranho de lado.
— Não pergunte — eu digo. — Não pergunte.
■□■
Eu ajudo Sophie a sair do carro quando paramos do lado de fora
da casa, certi cando-me de que ela está com a sua sacola de
lembrancinhas antes de começar a andar. Ela se vira para olhar para
mim no meio do caminho.
— Você vem?
— Só um segundo — eu falo depois dela. — Preciso contar
uma coisa para o seu pai.
— Tudo bem, mas você prometeu fazer o quebra-cabeça do
canguru comigo.
— Sim, sim, vamos fazer o quebra-cabeça.
Espero até que ela desapareça pela porta da frente antes de
rastejar de volta para o lado do passageiro na frente, passando pelo
console no meio e colocando minhas mãos em concha no rosto de
Aiden para puxá-lo para um beijo. Há um momento de surpresa
da parte dele que se dissolve rapidamente, e então sinto seus dedos
em meu cabelo e sua língua em meu lábio inferior antes de
mergulhar para dentro para tocar a minha.
Eu o beijo com força, com muito mais do que parece
apropriado para dentro de um carro no meio da rua, mas decido
que não me importo. Tive um dia fenomenal com uma criança
fenomenal, e agora estou sendo levada para casa por um homem
fenomenal que me deixa atacá-lo com beijos do nada.
As coisas poderiam ser muito piores.
Ele parece um pouco atordoado quando eu me afasto.
— Para o que foi isso?
— Porque você é ótimo.
Ele pisca.
— Eu sou?
— Muito.
— Você está tentando me seduzir para desistir do trabalho?
Porque está funcionando.
Meus lábios se curvam contra os dele e pressiono outro beijo
suave ali.
— Mais tarde — eu prometo. Eu me arrasto para fora do carro
e percebo que ele está franzindo a testa quando meus pés tocam a
calçada, minha mão na porta. — O quê?
— Você pode ser realmente má — ele resmunga.
Eu dou a ele um sorriso malicioso.
— Ainda bem que você sabe onde eu moro, Sr. Reid.
Acho que ainda consigo ouvi-lo resmungando mesmo depois
de fechar a porta.
Bate papo com @lovecici
Porra, A.
O que mais?
Capítulo 20
Aiden
Eu estou muito atordoado para dizer qualquer coisa. De tudo que
eu poderia ter imaginado encontrar ao voltar para casa, isso não
estava nem nas malditas possibilidades.
Sei que ela está esperando que eu abra a boca e diga alguma
coisa, olhando para o chão com uma derrota resignada, como se já
tivesse decidido que vou afastá-la por causa disso. Não posso ngir
que não estou com raiva por ela ter escondido de mim, mas
provavelmente não pelas razões que ela deve achar. Eu
simplesmente odeio a ideia de ela ter se colocado no inferno de
preocupação quando ela poderia ter sido honesta comigo. Eu até
entendo, eu acho, todas as razões pelas quais ela não o fez. Depois
de tanto tempo me perguntando para onde ela foi, mesmo agora,
eu também hesitaria em arriscar que ela desaparecesse novamente?
Achei que você realmente gostasse de mim e que realmente
quisesse me encontrar.
Essa é a parte que está se destacando para mim. Todo esse
tempo presumi que fui eu quem havia entendido mal as coisas. Ela
passou todo esse tempo pensando a mesma coisa?
Eu não queria ter que passar por isso de novo. Especialmente
agora que eu… conheço você.
Ela se sentiu tão desapontada quando me afastei quanto
quando pensei que ela tinha feito o mesmo?
— Cassie, eu… — Eu me sinto um pouco mais calmo agora,
mas não menos atordoado. — Eu gostava de você. Eu queria te
encontrar.
Ela nalmente olha para mim, e eu odeio que seus olhos
estejam úmidos por minha causa.
— O quê?
— Eu não queria desaparecer — eu explico. — Quando
aconteceu… eu tinha acabado de descobrir que Rebecca morreu.
Aquele mês foi intenso. Eu estava preocupado com Sophie,
fazendo arranjos e tentando descobrir como reestruturar toda a
minha vida. Quando consegui colocar a cabeça no lugar e respirar
novamente, semanas se passaram sem que eu percebesse. E quando
voltei para me desculpar…
— Eu excluí minha conta — ela sussurra.
Eu aceno solenemente.
— Achei que eu tinha entendido errado.
Observo sua boca se abrindo de surpresa, todas as peças se
encaixando, e percebo que nada disso havia ocorrido a ela antes
deste momento. Que ela realmente passou a maior parte do ano
pensando que, depois de tudo o que dissemos, tudo tinha sido
momentâneo, a nal. Que eu nunca me importei com ela como a
z acreditar. Ela estava com tanto medo, que mesmo agora, mesmo
depois de eu não conseguir passar um dia sem tocá-la ou sem estar
perto dela, acha que eu a jogaria de lado.
Não posso evitar; é a pergunta que está em minha mente desde
que entrei no site novamente para descobrir que a conta dela foi
apagada.
— Para onde você foi?
— Eu…
Eu observo seus dentes morderem seu lábio enquanto suas
bochechas cam vermelhas. Seus olhos se desviam como se ela
estivesse envergonhada.
— Eu não conseguia mais. Depois que você sumiu. Eu sei que
provavelmente é bobagem, mas… senti sua falta e pensei que você
tivesse sumido da face da terra, e eu simplesmente… — Ela suga
uma respiração, seus olhos ainda molhados. — Eu não podia mais
fazer aquilo.
Tudo parece surreal. A qualquer momento vou acordar na
minha cama e nada disso terá acontecido. Como é possível que de
todas as pessoas nesta cidade que poderiam ter respondido ao meu
anúncio, fosse ela? Que a pessoa de quem Sophie mais precisava,
também poderia ser a pessoa de quem eu mais precisava, mesmo
sem perceber?
— Eu entendo se você precisar que eu vá embora — diz Cassie
estoicamente, com os lábios tremendo. — Mas eu não queria
esconder isso de você assim. Eu só… não sabia como te contar.
Talvez pedir a ela para ir embora seja a maneira mais sensata.
Talvez um homem mais racional me repreendesse por nem mesmo
considerar o pensamento. Mas, independentemente do nosso
estranho passado, nosso estranho presente e tudo mais, o
pensamento que mais me incomoda é Cassie saindo pela minha
porta e nunca mais voltando. Provavelmente não faz sentido para
mim me sentir assim; não sabemos nada um sobre o outro que
justi que que eu me sinta tão possessivo com ela, como se não
pudesse deixá-la ir, mas…
Isso não me impede de me sentir assim.
— Eu não… — digo a ela nalmente, minha voz grossa. —
Quero que você vá embora.
Seus olhos estão arregalados quando encontram os meus
novamente.
— Você não está bravo?
— Sim, eu estou — eu a rmo, e quando ela começa a parecer
desanimada novamente, acrescento — mas não porque você
manteve isso em segredo.
— O quê?
— Estou com raiva por você ter lidado com isso sozinha. Estou
com raiva que você passou todo esse tempo se preocupando se eu
iria afastá-la sem me dar a chance de te dizer que de jeito nenhum
eu vou deixar você sumir de novo.
Sua respiração prende, e ela parece tão doce neste momento;
seu cabelo está caindo de seu coque bagunçado em mechas ao
redor de seu rosto, sua boca está entreaberta de um jeito suave e
quieto que implora para eu beijá-la, e seus olhos – seus olhos
carregam tanto alívio que faz algo em meu peito doer.
Sou cuidadoso quando estendo a mão para ela, aproximando-
me como se ela fosse um animal assustado que pode correr, e para
todos os efeitos, ela ainda pode fazer isso. Percebo que ela ainda
está tremendo um pouco quando minhas mãos seguram seu
queixo, seus cílios tremulam e fecham enquanto seus dedos
envolvem meu punho. Talvez seja imprudente da minha parte car
tão feliz quanto estou por saber que é ela – que a pessoa pela qual
me encontro perdendo todos os meus sentidos hoje é a mesma
pessoa que me deixou louco naquela época. Seus olhos estão
fechados quando me inclino, e posso sentir aquela leve umidade
em seus cílios contra minha bochecha quando meus lábios tocam
os dela.
Ela tem um gosto doce. Como vinho e algo que é inerentemente
Cassie, e me pego puxando-a para mais perto para tentar provar
mais, algo que está se tornando um hábito sempre que a toco.
Como se não importasse o quanto eu tenha dela, de alguma forma
nunca é o su ciente.
Sinto seus dedos se esgueirando por baixo da minha camisa,
encontrando a pele em alto relevo perto do meu umbigo enquanto
ela brinca com a minha cicatriz. Isso me faz estremecer, seu toque
emparelhado com o conhecimento de tudo ligado a essas marcas
em nossos corpos – a compreensão de tudo que eu disse a ela e
tudo que eu vi dela caindo sobre mim como uma onda. Quantas
vezes eu desejei poder tocá-la assim? Quantas vezes eu desejei
poder descobrir se seus lábios eram tão macios quanto pareciam?
Como é possível que depois de todo esse tempo eu encontraria
a resposta para todas essas perguntas de forma tão inesperada?
Eu deveria levá-la para o quarto dela, eu sei disso, mas não
consigo parar de tocá-la por tempo su ciente para fazer isso. Quase
como se eu a soltasse por um segundo, ela poderia escapar por
entre meus dedos. Eu a empurro mais fundo na alcova atrás da
escada, minhas mãos em sua cintura, quadris e em todos os outros
lugares que posso alcançar enquanto sua língua toca a minha me
deixando um pouco frenético.
Eu inclino minha cabeça para descansar meus lábios em seu
ombro enquanto a incito a se virar, e há apenas uma pitada de
hesitação quando ela obedece, me dando as costas à medida que
suas mãos se apoiam contra a parede. Eu deixo minha boca vagar,
provocando a pele em alto relevo entre suas omoplatas de uma
forma que eu não tive a chance de fazer ainda. Eu a sinto tremer
enquanto minha língua traça a forma de sua cicatriz, sua coluna
curvando-se para dobrar na pressão insistente da minha boca,
mesmo quando meus dedos encontram o fecho de seu sutiã para
abri-lo. Suas costas nuas só facilitam a exploração, e se eu não me
sentisse tão inquieto agora, talvez até seria algo que eu poderia
passar a noite toda fazendo. Digo a mim mesmo que terei tempo
mais tarde.
Ela parece sem fôlego quando eu a viro para mim novamente,
me ajudando quando eu puxo seu sutiã e o deixo cair no chão. Sua
respiração é pesada e, por um segundo, co hipnotizado pela
subida e descida de seus seios, como se me implorassem para tocá-
los. Eu seguro seu olhar quando me inclino para deslizar meus
lábios contra o inchaço, fechando os olhos e me concentrando na
batida de sua pulsação contra a minha boca.
— Seu coração está batendo tão rápido.
Ela morde o lábio, passando os dedos pelo meu cabelo para
afastá-lo da minha testa.
— Você sabia que, em média, o coração das mulheres bate mais
rápido que o dos homens?
— Oh? — Meus lábios se curvam contra seu seio enquanto
deixo outro beijo ali, mais lambuzado desta vez para que eu possa
saboreá-la. — Snapple simplesmente nunca escutou o meu
quando estou tocando você.
Ela engasga quando envolvo minha boca em torno de seu
mamilo, e co encantado com a forma como seus lábios rolam
juntos, a maneira como ela olha para mim com os olhos
semicerrados. Estou me perguntando se houve sinais que eu
deveria ter percebido; quantas vezes eu a observei gozando da
segurança do meu monitor? Parece que eu a vi de todas as
maneiras possíveis, todas aquelas noites, mas algo sobre o tempo
que passamos juntos parece diferente do que era naquela época, e
não posso deixar de me perguntar se é porque sou eu a tocando, ao
invés de ela mesma. Eu gostaria de me iludir pensando assim.
Sua pele tem um gosto doce também, o sabor persistente do
vinho que ela derramou cobrindo minha língua enquanto eu a
deixo girar em torno de um bico tenso. Eu belisco o outro entre
meus dedos enquanto deixo uma mão deslizar por sua barriga,
passando por seu short para en ar dentro de sua calcinha para que
eu possa ver como ela está molhada.
Porra, ela já está encharcada.
— É estranho?
Eu a libero fazendo um som molhado, inclinando minha
cabeça para cima para vê-la mais claramente.
— O quê?
— Não sei… com tudo o que aconteceu… — Ela solta uma
risada nervosa. — Quero dizer, teve… um monte de coisas que
você me pediu para fazer.
Meus lábios se inclinam quando pressiono meus dedos mais
profundamente entre suas pernas, curvando-os para deixá-los
deslizar para dentro dela enquanto sua boca forma um O
silencioso.
— Eu me lembro de tudo que eu pedi para você fazer, Cassie.
— Mm. — Seus quadris se inclinam em direção à minha mão
enquanto seus olhos se fecham. — Eu gostava.
— Você gostou quando eu disse a você o que fazer?
Ela acena com a cabeça preguiçosamente.
— Mm-hmm.
— Eu posso fazer isso — eu digo meio rouco. — Por que você
não começa tirando isso?
Deixo meus dedos deslizarem para fora dela para agarrar a
frente de seus shorts, dando um puxão. Quando retiro minha mão
completamente, erguendo-me em toda a minha altura para ver se
ela vai obedecer, sinto uma emoção familiar correndo por mim.
Uma coisa era assistir do outro lado da tela enquanto ela fazia tudo
o que eu pedia, mas isso é diferente. Esta não é uma mulher sem
rosto por quem estou nutrindo uma paixão imprudente, esta é
Cassie – quente, suave, real. Uma mulher que invade meus
pensamentos cada vez mais a cada dia que passa.
Observo enquanto ela estende a mão para rolar o short pelas
coxas, a calcinha indo junto com ele até que ela os chuta para
deixá-los cair no chão. Está mais escuro aqui neste canto, a luz
sobre a porta da frente não é su ciente para iluminá-la
completamente, mas posso distinguir cada suave ondulação e
curva, desde a plenitude de seus seios até a leve inclinação de sua
barriga e a redondeza de seus quadris que fazem minhas palmas se
contraírem com a necessidade de tocá-los. A cor rosada de seus
lábios combina com os pontos rmes de seus mamilos, e eu sei por
experiência que ambos complementam o lindo rosa entre suas
pernas.
Tudo sobre Cassie parece ser projetado para me deixar louco.
— Não acredito que passei todo esse tempo me perguntando
— meus dedos roçam o topo de suas coxas enquanto ela estremece,
e deslizo meus dedos entre elas, curvando minha mão e arrastando-
a para cima — como seria tocar em você. — Seus lábios se abrem
em um suspiro silencioso quando meus dedos deslizam para frente
e para trás entre suas dobras molhadas, e posso sentir meu pau
pressionando insistentemente contra o meu zíper. — Eu não fazia
ideia de como a realidade seria muito melhor.
— Aiden — ela suspira, seus dedos nos provocando a frente
do meu jeans. — Tire isso.
— Aqui? — Empurro mais fundo, sentindo-a apertar meus
dedos. — Você quer que eu te foda aqui?
Seu dedo en ou na minha cintura, puxando insistentemente.
— Aiden.
Parece que estamos em um momento diferente no tempo, em
que ela está esperando que eu dê uma deixa, como se a única coisa
que importasse fosse o que eu estou prestes a pedir a ela. Isso me
faz sentir inebriante e um pouco fora de mim.
Ela me aperta através do jeans, e eu assobio por entre os dentes.
— Porra.
— Eu gosto quando você xinga — ela diz com uma risada
ofegante.
— Gosta?
Ela acena com a cabeça.
— Sério. — Eu continuo bombeando meus dedos para dentro
e fora dela, apoiando minha outra mão em sua cabeça enquanto a
vejo me tocar. — Você quer meu pau, Cassie?
Há um arrepio perceptível que passa por ela, e ela mal
consegue dar um aceno trêmulo.
Eu inclino meus quadris ainda mais em sua mão.
— Bem.
Ela morde o lábio enquanto abre meu zíper, estendendo as
duas mãos para abaixar minha calça antes de provocar a minha
extensão através da minha cueca boxer. Eu tenho que fechar meus
olhos quando ela me puxa para fora, suas mãos quentes e macias
enquanto ela arrasta o punho da base à ponta. Ela ca na ponta
dos pés para deixar seus lábios roçarem os meus, acariciando-me
em um vai e vem lento que está me deixando louco.
— Me diga o que você quer que eu faça — ela murmura em
minha boca. — Você sabe que eu farei o que você quiser.
Ela está deslizando para o passado comigo agora, sussurrando
coisas que eu não ouvia desde que ela as disse em um quarto
escuro com o rosto escondido. Apenas ouvir é quase o su ciente
para me fazer gozar em sua mão, mas não é isso que eu quero.
— Coloque seus braços em volta do meu pescoço — lamento a
perda de sua mão no meu pau quando ela obedece imediatamente,
mas sei que dentro dela vai ser muito melhor. — Segure-se em
mim.
Ela faz o que eu peço, e eu deslizo minha mão entre suas coxas
para agarrá-la pelos quadris, levantando-a contra mim e
pressionando-a contra a parede enquanto ela envolve as pernas em
volta da minha cintura. Estamos perto o su ciente para que meu
pau se encaixe entre suas pernas, cobrindo-me com seu calor
escorregadio enquanto inclino meus quadris apenas o su ciente
para senti-la. Eu a prendo contra a parede e sussurro para ela
segurar rme, alcançando minhas costas para puxar minha
camiseta antes que eu a jogue no chão. Seus braços estão
imediatamente de volta para segurar meu pescoço, e quase preciso
de nada para me inclinar o su ciente para deslizar para dentro dela.
Ela faz um som, algo entre um choramingo e um gemido, e eu
me inclino para mais perto para deixar meus lábios sussurrarem em
seu ouvido:
— Shh. — Eu a ajusto para que eu possa empurrar mais fundo.
— Você tem que car quieta, lembra? Seja boa.
— Sim… Oh. — Seus calcanhares cavam em minha bunda, seus
dedos en ados em meu cabelo. — Eu prometo. — Ela está
sussurrando agora como se para provar seu ponto. — Continua.
Leva apenas um leve movimento para entrar completamente
dentro dela, seus quadris alinhados com os meus enquanto ela
treme. Eu tenho que tomar um momento para me recompor para
que eu não goze imediatamente dentro dela – é sempre um perigo,
por melhor que ela seja – deixando minha testa cair em seu ombro
enquanto eu a seguro com minhas mãos em seus quadris.
— Você não acreditaria o quanto eu pensei sobre isso — eu
bufo. — Eu queria tanto tocar em você, Cassie. Antes… agora…
sempre, porra.
Ela beija meu pescoço, sua língua lambendo depois.
— Você pode me tocar quando quiser.
— Sim? — Inclino minha cabeça para trás para olhar para ela.
Minhas mãos deslizam para segurar sua bunda, deslizando para
fora dela apenas para empurrar de volta. — Quando eu quiser?
— Sim — ela sussurra.
Eu a levanto para puxá-la para longe de mim, o su ciente para
que eu esteja apenas um pouco dentro dela antes de deixá-la cair de
volta.
— Bem assim?
— Ah. — Sua cabeça cai para trás contra a parede. — O que
você quiser.
— Eu só — grunho enquanto a puxo para cima e para baixo
em meu pau com mais força — quero você.
— Assim — Cassie ofega. — Mmm.
— Você consegue gozar assim? Me diga o que você precisa.
— Eu acho… Se você…
Ela arqueia para se inclinar contra a parede, tanto que tenho
que segurar seus quadris com mais força para mantê-la ereta. Isso
signi ca que toda vez que eu a penetro, eu bato naquele lugar que
a faz ofegar, seu corpo se sacudindo a cada batida de meus quadris
e suas pernas apertando ainda mais minha cintura.
— Bem aí — ela geme, lutando para manter a voz baixa agora.
— Ah, não pare.
Como se isso fosse realmente uma opção agora.
Eu posso sentir suas unhas cavando em meus ombros, fundo o
su ciente para deixar uma marca, mas a dor mal é registrada pelo
jeito que ela começou a car tensa. Eu posso ouvir os estalos nos
dedos dos pés e sentir o tremor de seu corpo, evidência de que ela
está chegando ao limite. É difícil abaixar minha cabeça para que eu
possa chupar a curva suave de seus seios, mas preciso de minha
boca nela, onde quer que eu consiga alcançar. Sinto aquela pressão
crescendo profundamente enquanto eu empurro para dentro dela
de novo e de novo e de novo, minhas pernas fracas e meu pulso
latejando sob cada centímetro da minha pele.
— Cassie, eu… Porra.
Eu a seguro perto enquanto estremecemos, sua respiração
quente contra minha orelha enquanto eu enterro meu rosto em
seu pescoço. Meus dentes afundam na pele exível na curva de seu
pescoço para abafar meu gemido, e ela pressiona beijos febris
contra minha mandíbula enquanto tento descer da euforia. Eu a
seguro perto durante tudo isso, incapaz de soltá-la. Só me ocorre
que ainda a estou segurando com força, enterrado dentro dela,
quando sinto seus dedos passando pelo meu cabelo enquanto ela
acaricia meu ombro com círculos suaves.
Quando eu nalmente me afasto para olhar para ela, a sensação
que me dá ao vê-la devassa, desarrumada e satisfeita, sorrindo para
mim como se eu tivesse dado a ela um maldito presente, é
indescritível.
— Por favor, considere deixar uma gorjeta — ela sussurra.
Eu solto uma risada, atordoado com a ideia de que isso está
acontecendo, que ela está aqui e que tantas coisas se juntaram para
nos colocar de novo na vida um do outro. Ainda parece que pode
ser um sonho, e talvez eu realmente me preocupasse que fosse, se
ela não estivesse tão quente e tão real em meus braços. Fico
imaginando quantos dias precisaremos passar juntos para que seja
socialmente aceitável alimentar a ideia de que eu possa estar
perdido por causa dessa mulher. Certamente mais do que
passamos, eu acho.
E o que é ainda mais inacreditável é que mesmo agora, mesmo
tendo acabado de ter ela… eu já a quero de novo.
— Quantas horas de sono você precisa?
Ela levanta uma sobrancelha para mim.
— Sério? De novo?
— Você pediu uma gorjeta — eu digo seriamente.
Sua boca se abre quando ela bate no meu ombro, mas seus
olhos dizem que ela está mais do que feliz em sacri car suas oito
horas de sono. Sei razoavelmente que em algum momento terei
que deixá-la dormir; eu estou ciente disso.
Mas isso não vai acontecer tão cedo.
Bate papo com @alacarte
@alacarte
te enviou uma gorjeta de $100
Eu menti.
Eu definitivamente me sinto mais magoada do que tola.
Capítulo 27
Cassie
— O que você está fazendo aqui?
Sophie ainda está de pé no tapete desbotado do corredor do
apartamento. Eu acho que estou realmente muito atordoada para
sequer pensar em convidá-la a entrar primeiro, presa na porta
enquanto ela esfrega o braço com sentimento de culpa.
— Sophie — eu pressiono, segurando seu braço gentilmente e
puxando-a para dentro do apartamento antes de fechar a porta. —
Como você chegou aqui?
— De Uber — ela me diz com naturalidade.
— De Uber — eu ecoo estupidamente. — Você pegou um
Uber?
— Sim.
— Sozinha?
Ela segura um celular que eu reconheço.
— Eu usei o telefone do meu pai.
— Você usou o telefone do… — Eu pisco, tentando entender o
que ela está dizendo. — Onde está seu pai?
— Trabalhando — ela me diz. — Eu escapei do escritório.
— Sophie, isso foi extremamente perigoso. Você me entende?
Você é muito jovem para entrar em Ubers e atravessar a cidade.
Como você conseguiu o endereço?
— Papai tinha no telefone.
Tudo o que ela está dizendo parece perfeitamente razoável e
lógico, mas nada faz sentido. Eu sei que Sophie é uma garotinha
incrivelmente inteligente, mas isso parece impossível, mesmo para
ela.
— O que você está fazendo aqui, Sophie?
Ela olha para o chão.
— Eu precisava ver você.
— Você precisava me ver.
— Sim. Papai não deixou que eu ligasse para você.
Meu estômago revira. Ela queria me ligar? A culpa que sinto
por não ter me despedido dela aumenta como se fosse recente.
— Sophie… seu pai provavelmente está surtando.
— Não, ele não está — ela murmura. — Ele vai me entregar.
— O quê?
Ela olha para mim com uma expressão de desamparo.
— Ele vai me entregar! À tia Iris!
— Venha aqui. — Eu puxo sua mão, levando-a para o sofá, e
dou um tapinha no espaço ao meu lado para que ela possa se
sentar. — O que você está falando?
— Eu o ouvi conversando com ela — Sophie me conta. — No
telefone. Ele estava falando sobre eu ir para a casa dela. Ele não
quer mais car comigo porque eu z você ir embora.
— Ah, Sophie. — Meu coração se parte um pouco mais. —
Você não me fez ir embora.
— Mas eu sempre faço as babás irem embora. Eu… — Seus
olhos cheios de lágrimas. — Eu não pude ajudar Wanda. Foi por
isso? Papai não quis me contar, mas deve ser por isso que você foi
embora, certo?
— Oh, querida. — Eu a puxo contra mim, esmagando-a em
meus braços enquanto o cheiro familiar de seu shampoo de
melancia atinge minhas narinas. Eu respiro, minhas emoções se
alojando em minha garganta. Achei que nunca mais sentiria o
cheiro. — Não foi por isso que eu fui embora. Você não fez nada
errado. Nada.
Ela vira o rosto para pressionar mais fundo contra o meu peito,
seus braços envolvendo minha cintura.
— Então por que você foi embora?
— Isso é… complicado.
— Você estava com raiva do meu pai?
— Não. Não. Eu não estava. Eu não estava com raiva de
ninguém.
— Papai sente sua falta — ela murmura contra minha camisa.
— Ele nunca fala sobre você, mas parece tão triste o tempo todo.
Preciso fechar os olhos para não chorar de novo.
— Eu também sinto falta dele — eu admito baixinho. — Sinto
saudades de vocês dois.
— Então, volte! Talvez, se você voltar, papai não me entregue!
— Soph… — Eu a incentivo a recuar, olhando-a nos olhos. —
Seu pai não vai entregá-la. De jeito nenhum ele faria isso. Ele te
ama.
— Então por que ele estava falando com tia Iris sobre eu ir para
a casa dela?
Minha conversa com Iris utua em meus pensamentos, e não
posso ter certeza de que o que quer que esteja acontecendo entre
Iris e Aiden signi que progresso, mas espero que seja esse o caso.
Eu sei que Aiden nunca desistiria de Sophie. Em hipótese alguma.
— Tenho certeza que não é o que você está pensando — digo a
ela. — Talvez eles estejam tentando parar de brigar tanto. Tenho
certeza de que ambos querem te fazer feliz.
— Eu não quero sair da casa do papai — ela diz
lamentavelmente. — Quero car com ele.
— Claro que sim — eu a acalmo. — E eu sei que ele quer que
você que lá também. Ele te ama tanto, Sophie, e é por isso que
tenho certeza de que ele está louco de preocupação agora.
— Talvez — ela murmura.
— Tenho certeza disso — insisto — e é por isso que temos que
levar você de volta.
— Mas mesmo que eu que com meu pai — Sophie continua
— você não vai voltar.
Tudo no meu peito parece estar sendo esmagado com muita
força, meus olhos ardem enquanto seu olhar penetrante segura o
meu. Seus olhos verdes são tão parecidos com o verde do olho
direito de Aiden, e sua expressão agora é como olhar para uma
versão menor dele. Isso me faz sentir falta dele ainda mais.
— Eu não acho que seu pai iria querer que eu voltasse, Sophie.
Eu disse… um monte de coisas terríveis quando eu saí.
— Por quê?
— Porque… achei que tinha que fazer. Achei que precisava sair
para proteger vocês.
O nariz de Sophie enruga.
— Isso é besteira. Você não pode nos proteger. Você é muito
pequena. Meu pai é bem maior que você. Você deveria deixá-lo nos
proteger.
Eu não posso deixar de rir; sua lógica de dez anos é tão simples
e, no entanto, completamente precisa de uma maneira indireta.
Estendo a mão para correr meus dedos por seu cabelo, tirando-o de
seu rosto antes de segurar sua bochecha.
— Não sei se é tão simples assim — digo a ela. — Tenho
certeza de que sou a última pessoa que seu pai quer ver.
— Mas você não o ama?
Isso me pega completamente desprevenida.
— O quê?
— Vocês foram a encontros — ela insiste. — E vocês estavam
— ela faz uma careta — se beijando e tal. Isso signi ca que você o
ama, certo?
— Eu… uau. Você realmente sabe como colocar alguém contra
a parede.
— O que isso signi ca?
Eu belisco a ponte do meu nariz, suspirando.
— Deixa para lá. Eu não acho que importa se eu o amo.
— Sim, importa. Minha mãe sempre dizia que você pode
consertar qualquer coisa com amor.
Pressiono meus lábios, algo puxando meu coração.
— Ela dizia?
— Sim. — Sophie acena com entusiasmo. — Então, se você o
ama, podemos consertar isso! Você pode voltar, e então ele não vai
me mandar embora, e tudo cará bem de novo!
— Sophie, não é tão simples assim.
— Mas se você…
— Apenas con e em mim — eu bufo, interrompendo-a. —
Gostaria que as coisas fossem diferentes, mas não são.
Sophie abaixa a cabeça e sinto aquele buraco em meu peito –
aquele que eu tinha tanta certeza de que estava começando a
cicatrizar – pulsar com uma nova dor, como se tivesse sido aberto
momentos atrás. Eu daria qualquer coisa para que as coisas fossem
tão simples quanto ela pensa que são; eu adoraria levá-la de volta,
pedir desculpas e me jogar nos braços de Aiden ou até mesmo a
seus pés, mas sei que não é assim que o mundo funciona. Ela não
viu o olhar em seu rosto quando eu disse a ele que eles eram mais
do que eu conseguia lidar. Peguei cada momento caloroso que
tivemos juntos durante meu tempo lá e joguei de volta na cara
dele. Acho que não há nada que eu possa dizer para desfazer isso.
— Mas eu tenho que levar você de volta para ele — eu digo
resignada. — Então, vou precisar que você ligue para o restaurante
e veja se ele ainda está lá ou se foi para casa.
Não consigo nem imaginar o nível de pânico em que Aiden
está agora; ele provavelmente colocou toda a força policial de San
Diego nas ruas agora. Sophie parece abatida, e sei que nada disso é
o que ela queria ouvir, e eu gostaria de ter respostas melhores para
ela. Gostaria de poder fazer tudo car bem para ela, mas não acho
que seja possível. Nem para mim, e nem para nós.
Ajudo Sophie a discar o número do restaurante e passo o
telefone, porque sou covarde demais para ligar eu mesma. Eu
prendo a respiração enquanto ela disca, percebendo que em alguns
minutos serei forçada a ver Aiden novamente. Não consigo
imaginar que tipo de discurso Aiden terá para Sophie quando ela
voltar para ele, e posso ver que ela está pensando a mesma coisa, a
julgar pelo olhar nervoso em seu rosto, mas acho que eu tenho
mais motivos para estar com medo.
Porque duvido que Aiden vá falar comigo.
■□■
Aiden já havia saído do restaurante – seus colegas de trabalho
disseram que ele saiu imediatamente após descobrir que Sophie
havia escapado e voltou para sua casa para tentar procurá-la lá. Eu
estava certa sobre seu nível de pânico; é evidente pelas luzes
piscantes que encontramos do lado de fora da casa da cidade
quando paramos na rua. Sophie olha para mim com medo em seus
olhos quando estaciono em frente ao portão, obviamente
arrependida de sua decisão, pois sem dúvida está ansiosa sobre
como seu pai reagirá quando ela entrar.
— Você vai entrar comigo?
Eu franzo a testa, olhando dela no meu banco do passageiro
para a porta da frente que está inundada com luzes vermelhas e
azuis.
— Não sei se é uma boa ideia…
— Mas ele quer ver você — ela insiste. — E talvez se você vier
comigo, ele não cará tão bravo.
— Oh, eu acho que ele ainda vai car bravo — eu a advirto. —
Você fez uma coisa boba, Soph.
Ela abaixa a cabeça.
— Eu sei.
A ideia de ver Aiden novamente é algo que estou dividida entre
querer terrivelmente e querer terrivelmente evitar, mas o olhar
desamparado no rosto de Sophie aperta meu coração, e sei que,
apesar do meu desconforto, devo isso a ela. Provavelmente mais.
— Ok — eu concedo. — Eu irei com você. Só para te levar para
dentro, ok? Então eu irei embora.
Ela balança a cabeça ansiosamente, parecendo um pouco
aliviada.
— Ok.
Sinto como se eu fosse a menina de dez anos em apuros
quando ando atrás dela pelo portão, minha mão gentilmente entre
suas omoplatas à medida que a incito a subir. A porta da frente
está entreaberta e todas as luzes da casa estão acesas, mas o
primeiro andar está vazio quando entramos. Posso ouvir vozes no
andar de cima, uma cacofonia de pessoas diferentes falando umas
sobre as outras, mas acima de todas, posso ouvir uma que
reconheço. Uma que faz meu estômago revirar, mesmo agora.
Sophie pega minha mão no nal da escada, me dando outro
olhar preocupado enquanto eu envolvo minha mão na dela. Não a
solto enquanto subimos e, a princípio, quando chegamos ao topo,
ninguém nos nota. Eles estão muito ocupados tomando notas e
fazendo ligações, e lá, no meio de tudo isso, está um Aiden Reid de
aparência frenética. Ele ainda está com seu casaco de chef, os
braços cruzados sobre o peito enquanto fala acaloradamente com
um policial, e posso ver que seu cabelo está bagunçado como se ele
tivesse passado os dedos por ele repetidamente. Ele parece louco de
preocupação.
Eu posso dizer quando ele nalmente nos vê; ele para no meio
da frase e vira o rosto com os olhos arregalados e a boca aberta,
como se tivesse esquecido completamente o que estava prestes a
dizer. Observo enquanto ele olha de Sophie para mim e vice-versa,
tentando entender o fato de ela estar de volta, especialmente
comigo.
— Sophie — ele respira, pisando duro pelo tapete e caindo de
joelhos para puxá-la contra ele. — Onde você estava? Você tem
alguma ideia de como eu estava preocupado com você? Você não
pode desaparecer assim. — Ele a empurra para trás, olhando por
seu corpo. — Você está machucada? Você está bem?
Ela acena com a cabeça debilmente.
— Estou bem.
— Onde você foi?
— Para a casa da Wanda — eu ofereço baixinho.
Aiden olha para mim então, e mesmo assim – esgotado,
confuso e ligeiramente atordoado – parte meu coração olhar para
ele. Eu posso sentir cada beijo e cada toque de uma vez, tudo
voltando com apenas um olhar. Ele engole em seco enquanto se
levanta para car de pé, olhando para mim como se eu fosse um
fantasma.
— Da Wanda?
Eu concordo.
— Ela pegou um Uber.
— Um Uber — ele repete categoricamente. Ele olha para ela
com uma sobrancelha franzida. — Você pegou um Uber?
Ela puxa o telefone do bolso, entregando-o de volta para ele
timidamente.
— Encontrei o endereço no seu telefone.
— Você encontrou o… Jesus Cristo, Sophie. Ela mora do outro
lado da cidade. Você tem alguma ideia de como isso foi perigoso?
Ela olha para os pés, mudando o peso de um para o outro.
— Desculpa.
— Por que você fez isso?
— Porque… achei que você ia me entregar.
Isso o pega visivelmente de surpresa.
— O quê? Por que diabos você pensaria isso?
— Eu ouvi você conversando com tia Iris esta manhã — ela
murmura. — Você disse que ia me levar para a casa dela.
Aiden suspira, passando as mãos pelo rosto.
— Para visitar, Soph. Não para car. Sua tia e eu… estamos
tentando encontrar um terreno comum com você. Estamos
tentando não brigar tanto. — Ele se abaixa para segurar o queixo
dela gentilmente. — Eu nunca te entregaria. Você entende?
Nunca.
— Isso foi o que Cassie disse — Sophie responde, com a voz
trêmula. — Mas eu estava com medo.
— Sinto muito — diz Aiden, cansado. — Eu ia falar com você
sobre isso amanhã. Eu não tinha ideia de que você tinha escutado a
conversa. Mas você tem que entender que não há nada que você
possa fazer ou dizer que me leve a mandá-la embora. Ok?
Eu posso dizer que é difícil para ele me reconhecer. Eu posso
ver isso na maneira como ele olha por cima da cabeça de Sophie
por um momento ou dois antes de nalmente se virar rigidamente
em minha direção.
— Obrigado — diz ele. — Por trazê-la de volta.
— Claro — eu digo sem jeito. — Eu queria ter certeza de que
ela chegaria em casa com segurança.
— Certo. — Sua mandíbula mexe sutilmente. — Claro.
Eu esfrego meu braço, ainda me sentindo estranha.
— Ok. Bem. Acho melhor deixar vocês com isso então.
Começo a me virar na direção da escada, achando
incrivelmente difícil continuar olhando para ele. Espero que, com
o tempo, meu cérebro possa pelo menos borrar a memória de seu
rosto, porque se eu tiver que me lembrar de seu rosto perfeito dia
sim, dia não, poderei enlouquecer.
Aiden me surpreende quando sua mão corre para agarrar meu
pulso, puxando-me para trás.
— Isso é realmente tudo o que você quer dizer?
— O quê? — Eu olho para baixo, para sua mão me segurando
antes de encontrar seus olhos. — O que você quer dizer?
Seus olhos parecem queimar enquanto seguram os meus, o
marrom é um mel escuro e quente e o verde é uma espuma rica e
brilhante. Acho que meu cérebro não conseguiria esquecê-los se
tentasse, infelizmente.
— Iris e eu tivemos uma longa conversa esta manhã — diz ele.
— Ela tinha muitas coisas interessantes para dizer.
— O-oh. — Meu pulso acelera. — Sério?
— Sim. Sério. Aparentemente, alguém sentou-se em sua frente
numa cafeteria e a convenceu a me ligar e resolver as coisas.
— Ah bem… Achei que era o mínimo que podia fazer.
— Mas o que eu não entendo é…, por quê?
— Como assim, por quê?
— Quero dizer, se você quisesse nos deixar de lado, se éramos
mais do que o que você se candidatou, por que você se importaria
com o que acontece entre Iris e nós? Por que você insistiria para
que ela tentasse resolver as coisas comigo?
— Eu…
— E por que você contaria a ela como eu era maravilhoso com
Sophie e o quanto merecíamos a felicidade?
— Oh, bem, eu…
— Por que alguém que queria nos deixar de lado se importaria
com isso?
— Aiden, é só…
— Porque ela te ama — Sophie fala.
Nós dois olhamos para ela com surpresa, sua expressão
indiferente e, francamente, irritada. Como se ela estivesse cansada
dessa discussão.
Aiden olha para mim com uma expressão esperançosa, e
mesmo esse pequeno brilho de necessidade em seus olhos é o
su ciente para fazer meu estômago revirar com antecipação.
Nenhum de nós diz nada, e acho que talvez ele esteja esperando
que eu con rme ou negue isso, mas não consigo encontrar minha
voz. Abro a boca para deixá-la aberta enquanto tento formar
palavras, mas Sophie, mais uma vez, decide nos ajudar.
— Não se preocupe — diz ela no mesmo tom entediado. —
Papai também te ama.
Imagino que minha expressão pareça tão surpresa quanto a
dele quando nossos olhos se encontram novamente, e percebo a
maneira como seus olhos procuram nos meus por qualquer sinal
de mentira.
— Isso é verdade?
— Eu… — Engulo em seco, sentindo minha boca seca. — Sim.
— Você me ama?
Tento parecer mais segura do que me sinto.
— Sim, eu amo.
Ele me pega de surpresa quando me puxa contra ele, meu
choque se dissipa em apenas um momento quando sua boca cobre
a minha. Há desespero em seu beijo que se mistura com alívio, e
meus braços envolvem seu pescoço como se por instinto, tentando
me aproximar dele o máximo que posso. Meus dedos se en am em
seu cabelo enquanto suas mãos se curvam contra minha coluna
para me puxar mais forte, e não é até ouvirmos alguém limpar a
garganta atrás de nós que um de nós parece se lembrar da situação
em que estamos.
Sinto minhas bochechas corarem quando percebo o policial
demorando desajeitadamente por perto, tentando olhar para
qualquer lugar menos para nós enquanto chama nossa atenção.
— Acho que podemos encerrar esse assunto então, certo?
— Oh. — Aiden olha atordoado entre mim e sua lha antes
que o riso saia dele. — Acho que podemos. Desculpe, policial.
— Bem, uh. Vamos sair do seu caminho. — O policial faz um
círculo com o dedo, reunindo seus colegas policiais antes de lançar
um olhar penetrante para Sophie. — Da próxima vez, talvez diga a
alguém para onde você está indo, mocinha.
Sophie empalidece.
— Sim, senhor.
— Certo. — A boca do policial se inclina com um sorriso
quando saímos do caminho da escada, e ele nos dá um aceno de
cabeça. — Vocês tenham uma boa noite.
Acho que nenhum de nós se mexeu até ouvirmos a porta da
frente fechar no andar de baixo, Aiden ainda olhando para mim
como se eu pudesse desaparecer a qualquer momento antes que ele
dê atenção à lha.
— Você e eu temos muito o que conversar, Sophie.
— Sim. — Ela abaixa a cabeça. — Eu sei.
Ele me solta então, inclinando-se para pressionar os lábios no
cabelo de Sophie.
— Mas estou feliz que você esteja bem.
— Sinto muito — diz ela novamente.
— Por que você não vai para o seu quarto? — Ele diz a ela. —
Estarei lá em um minuto.
Sophie faz uma careta.
— Vocês vão se beijar de novo?
— Sim — diz Aiden. — Nós vamos. — Ele sorri quando ela
mostra a língua. — Mas acho que você nos deve essa.
— Tudo bem — ela geme.
Ela caminha em direção às escadas que levam até seu quarto, e
Aiden espera até ouvir a porta do quarto dela fechar antes de me
olhar novamente.
— Você sabe que não deveria ter mentido para mim — ele
repreende. — Foram semanas de merda.
— Eu sei. — Eu inclino meu rosto para baixo. — Para mim
também.
Ele estende a mão para erguer meu queixo, a junta do seu dedo
permanecendo abaixo dele enquanto ele me força a olhar para ele.
— Eu senti sua falta — ele admite. — Pra caralho, Cassie. —
Ele zomba enquanto balança a cabeça. — Até seus malditos fatos
de Snapple.
Um lado da minha boca se inclina para cima.
— Você sabia que não há duas impressões de tampas iguais?
— Parece algo que eu gostaria de testar.
Eu co na ponta dos pés, fechando os olhos enquanto roço
minha boca contra a dele.
— Também senti sua falta.
— Se você quer me compensar — ele diz enquanto me puxa
para mais perto — volte para cá.
Eu não posso nem ngir que meu coração não para por um
momento enquanto meus lábios se curvam em um sorriso.
— Você está me oferecendo outro emprego?
— Não. — Ele balança a cabeça, inclinando-se para que seus
lábios quem a centímetros dos meus. — Estou lhe oferecendo
toda a minha maldita vida, se você quiser.
Tudo dentro de mim se ilumina como uma bomba de glitter
explodindo em um sinalizador, minha pele formigando e meu
coração batendo forte e todos os meus sentidos entrando em ação
no que só posso descrever como pura felicidade. Sei que há mais
para conversar, mais a dizer, mas acho que haverá tempo para isso
mais tarde. Acho que agora posso me deleitar com o fato de que
estamos aqui e que ele ainda me quer, mesmo depois de tudo. No
momento, isso é mais do que su ciente.
Eu njo considerar.
— Você vai fazer panquecas?
— Eu não vou fazer panquecas.
— Hum. Bem, nesse caso…
Ele sorri enquanto me puxa para outro beijo, e eu me derreto
nele, meu coração fazendo uma dancinha feliz enquanto sinto
aquele buraco em meu peito fechar silenciosamente, como se
nunca tivesse existido. Percebo então que não era tanto um buraco,
mas um pedaço que faltava – e estava bem aqui, com eles, só
esperando que eu pegasse de volta.
— Oh — ele murmura, ainda meio que me beijando. — Caso
não tenha cado claro… — Seus lábios pressionam contra o canto
da minha boca, e posso sentir seu sorriso ali, como se estivesse
impresso em minha pele. — Eu também te amo.
Estou afundando em seu beijo novamente, calculando
mentalmente quanto tempo podemos nos beijar aqui embaixo
antes que Sophie venha nos repreender e, com esse pensamento,
sinto uma leve pontada de pânico. Eu empurro Aiden para longe,
olhando para ele seriamente.
— Nós nunca, nunca podemos contar a Sophie como nos
conhecemos.
Aiden ri, já me puxando de novo.
— Tudo o que você disser, Cici.
Tenho certeza de que mais tarde teremos que resolver toda essa
coisa de beijo; sei que Sophie vai insistir em reduzir ao mínimo,
como é o jeito dela, mas acho que esta noite temos passe livre. Não
é todo dia que você encontra o amor por causa de uma chamada de
peitinhos. Acho que isso justi ca alguns beijos comemorativos. Já
posso ouvir as piadas que Wanda fará. Não há como ela parar de
falar sobre isso.
Estranhamente… acho que realmente não me importo.
Já atualizei a página mil vezes.
Parece exagero, mas tem que ser verdade.
Mas meu cérebro não consegue compreender a ideia de que ela
apenas… sumiu. Sem deixar vestígios.
Eu calculo mentalmente o número de dias entre hoje e quando
eu falei com ela pela última vez – e isso faz meu peito doer,
percebendo quantos foram. Todos eles se misturaram neste
último mês e com tudo o que aconteceu…
Eu deveria ter dito algo.
Eu poderia ter dito qualquer coisa, qualquer coisa para deixá-
la saber que eu não queria dar um bolo nela.
Mas eu não fiz, e agora ela se foi.
E eu nem sei o nome verdadeiro dela.
Epílogo
Aiden
um ano depois
— Para de car atualizando — eu rio. — Não vai mudar em cinco
segundos.
Cassie me lança um olhar da bancada da cozinha, um beicinho
adorável em sua boca enquanto ela olha para a tela do notebook
novamente.
— Eles disseram que os resultados seriam publicados hoje.
— Certo, mas não temos ideia de exatamente que horas. Você
vai enlouquecer checando obsessivamente. — Ela leva o polegar à
boca para morder a unha ansiosamente, e dou um tapinha no sofá
ao meu lado. — Venha aqui e sente-se comigo.
Ela está se esgotando com os resultados pendentes de sua banca
de avaliação; o obstáculo nal que ela tem que superar em sua
longa jornada de pós-graduação. Eu entendo completamente a
ansiedade dela, já que este teste dirá se todo o seu trabalho duro
valeu a pena e se ela será uma terapeuta ocupacional totalmente
licenciada, mas eu odeio vê-la estressada como ela está. Ela arrasta
os pés quando vem da cozinha, e eu agarro seu pulso antes que ela
possa passar por mim, puxando-a para o meu colo.
— Vai car tudo bem — asseguro-lhe, puxando seu rosto para
o meu peito. — Você vai passar.
Ela faz um som frustrado.
— E se eu não passar?
— Então você irá tentar de novo. Não será o m do mundo.
Mas… não importa, já que você de nitivamente passará.
— Tenho medo de falhar — ela admite calmamente. — Já
recebi tanta ajuda de vocês, e se não puder começar a contribuir
logo, então…
— Você não tem que contribuir — eu rio. — Eu não me
importo com o que você faz. Contanto que você faça isso aqui
comigo.
— Por que isso soa pervertido?
— Eu acho que você está projetando.
Ela zomba.
— Claro que estou.
— Pare de se preocupar ou eu vou ligar para Wanda.
Ela geme.
— Não faça isso. Ela virá aqui.
— E?
— Ela vai trazer Fred com ela.
Eu rio.
— Bem, eles estão casados agora.
— Certo. Mas eles são muito grudados. Já se passaram três
meses desde o casamento. Eles têm que parar de se beijar o tempo
todo em algum momento, certo?
— Você parece a Sophie — eu provoco.
Ela faz uma careta.
— Deve ser assim que ela se sente quando nos pega nos
beijando.
— Wanda diria para você parar de ser boba.
— Sim, bem. Wanda não teve que fazer um exame
cronometrado questionando tudo o que aprendeu.
— Você está bem, Cassie. — Eu beijo seu cabelo. — Tudo
cará bem.
— Você pode não dizer isso depois que sua namorada arruinar
o futuro dela.
Eu seguro seu queixo para levantar seu rosto, sorrindo para sua
expressão descontente. Eu esfrego meu polegar ao longo de seu
lábio inferior. É incrível que, depois de um ano com ela aqui, eu
ainda esteja tão impressionado com ela. Seus olhos azuis brilhantes
são como um céu claro no qual eu poderia me perder, e eu me
perco, com frequência – e pelo que deve ser a milésima vez, estou
apenas grato por ela estar aqui.
Eu me inclino para beijá-la, apreciando a maneira como parte
da tensão deixa seu corpo.
— Faça o que quiser com o seu futuro. Desde que eu faça parte
dele.
— Deus. — Ela sorri contra a minha boca. — Você cou
brega.
— Você gosta de brega.
— Talvez um pouco.
— Pare de se preocupar — eu insisto.
— Mas e se…
Eu a beijo novamente.
— Pare.
— Mas eu poderia…
Eu a beijo com mais força.
— Pare.
— Aiden, mas o que…
— Ei — uma voz chama da cozinha. — Você passou.
Nós dois nos separamos, notando uma garota de onze anos
muito irritada nos julgando. Ela balança a cabeça enquanto aponta
para o computador.
— Você passou — diz Sophie novamente.
— O quê? — Cassie olha de Sophie para mim e para Sophie
novamente. — Eu passei?
Sophie veri ca a tela novamente.
— Isso é o que diz aqui.
— Oh meu Deus. — O rosto de Cassie se ilumina quando ela
joga os braços em volta do meu pescoço. — Eu passei!
Ela me puxa para um beijo que me faz fechar os olhos e desejar
muito que estivéssemos sozinhos, e eu mantenho meus braços
apertados em torno de seu corpo para mantê-la contra mim.
— Ugh — Sophie grunhe. — Vocês prometeram parar de
beijar tanto.
Eu sorrio contra a boca de Cassie.
— Estamos comemorando.
— Bem, façam algo menos nojento para comemorar — Sophie
bufa.
— Na verdade, essa é uma ótima ideia — eu digo, inclinando-
me para trás para atirar a ela um sorriso. — É por isso que z
reservas hoje à noite.
Sophie se anima.
— Nós vamos sair?
— Mm-hmm. — Eu esfrego um círculo lento nas costas de
Cassie. — Convidei Iris e sua nova namorada. Wanda e Fred
também.
Cassie ainda parece surpresa.
— Você fez reservas?
— Sim.
— Mas e se eu não tivesse passado?
Passo meus dedos em sua têmpora, afastando uma mecha solta
de seu cabelo para prendê-la atrás da orelha. Minha palma
permanece em sua bochecha, e naquele céu azul claro de seus
olhos, posso ver toda a minha vida olhando de volta para mim.
— Eu sabia que teríamos algo para comemorar — digo a ela
baixinho.
Seu sorriso é lento, seus lábios se inclinam para um lado e
depois para o outro até que ela está radiante, e quando ela se
inclina para me beijar de novo, mal consigo ouvir os gemidos
indiferentes de Sophie. Acho que ela vai nos deixar escapar com
este, provavelmente. Eu deixo minha mão vagar para o meu bolso
onde a pequena caixa de veludo está, sorrindo contra a boca de
Cassie, porque nós temos muito o que comemorar.
E estamos apenas começando.
Provavelmente é uma ideia estúpida.
Quando Marco sugeriu que eu desse uma olhada, acho que ele
quis dizer isso como uma piada. Apenas outra maneira de me
zoar por não namorar.
Então, por que estou sentado aqui, olhando para o meu
computador com uma conta recém-criada no OnlyFans?
Dou uma olhada rápida e, honestamente, não consigo ver a
diferença entre este e qualquer outro site pornô. Isso me traz de
volta à pergunta: Por que estou aqui?
Estou prestes a sair e esquecer que isso aconteceu, porque Marco
nunca saberia… mas então vejo a conta dela como uma
sugestão.
Não sei o que é sobre ela; seu rosto está coberto, seu cabelo é de
um lavanda brilhante que deve ser algum tipo de peruca –
mas algo sobre sua foto me atrai.
Clico em seu perfil, percorrendo o conteúdo gratuito apenas por
curiosidade.
Cici.
Talvez eu não saia no fim das contas…
Notas
[←1]
A frase faz referência a uma fala do personagem Duende
Verde no lme Homem-Aranha: Sem Volta para Casa.