segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Da Carne

de João Gollo


Na casa de sempre
Fazia loucuras
Roubava doçuras
De moças ardentes
Que apaixonadas, dementes
Se entregavam ao fim
Com corpo e gosto al dente.

Ele juntava como selos
Paixões, crimes, desejos
Fósforos que, mesmo apagados
Já os via acesos
Sem nenhuma prepotência
(Até porque sem consciência)
Continuava em seus beijos.

Fez uma, duas, três vezes
Como se tivesse razão
Não parecia delito
Pra ele começava a ser são
Um cálculo talvez abominável
Repito – para ele era amável
Ser assim apadrão.

A primeira começou de mãos dadas
Aquela história de calçada
Namoro na sala, beijo na boca
Quando a família não tá acordada
Até que cansou disso tudo
E fez um piquenique absurdo
Onde ele se convidou pra comer o defunto.


Com a segunda foi diferente
Não sentia cosquinha, é evidente
Sentia tesão por ter ali, tão perto
Alguém tão certa de seus desejos.
Porém ela se limitou tanto
Que ele, não sendo tão santo,
Fez um prato ao seu manto.

Com a terceira foi mais sublinhado
Um parto rosa, um pai abobado
Ano após ano manteve-se inerte
No entanto, o desejo que repete, vicia
Então, de baixo de sol que não se fazia
Colheu de sua cria o suspiro da vida
Seguindo adiante rasgou-lhe as peles frias
E a tal hora presenciou o triste
Porém agora era tarde
Mordeu a terceira ainda com vida
Que o grito sibilou pela avenida
E tanto sangue ainda não foi capaz
De acabar com esse desejo

Da carne que lhe satisfaz.

terça-feira, 31 de março de 2015

Outono

de João Gollo


No outono, as folhas caem,
voam e se perdem
vão pra longe de tudo e de todos,
como que em busca
da árvore de onde vieram.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Idas

de João Gollo

O que são idas em tempos de frio
sujeitas aos perigos de viver a vida?
Implacável sentido que se segue a fio
remoendo o moído ar de todo dia.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Segredo da Consciência

de João Gollo

Ele não consegue dormir
porque tem um segredo
Ao mesmo tempo que é bom, é ruim
Porque tem que ser segredo
Se fosse bom, não teria que ser segredo,
Só é segredo por causa da consciência

O que ele pode ou não fazer
é consciência
O que não nasceu com ele
é consciência
O que é moldada enquanto ele crescer
é consciência
O que os pais lhe ensinaram
é consciência

Então ele é o espelho
de seus pais;
Então seus pais são o espelho
da consciência;
Então seus segredos são os
segredos de seus pais;
Então ele é
o segredo da consciência.

terça-feira, 3 de março de 2015

Gurizada

de João Gollo

Os dois guris respiram aqui:
um badagá, o outro nãoE eles seguem zanzando aí:um pé descalço, o outro nãoE brincam de adulto na grama cerrada:um leva a cruz, o outro nãoE correm cantando na rua molhada:um leva a cruz, o outro não
Encontram um outro e conversam comida:um bem negrinho, um mais clarinho, o outro nãoE voltam o caminho da grama crescida:um no sapé, um quase lá, o outro nãoE vem a pratada que salva o dia:um contentíssimo, um gratissíssimo, o outro nãoE voltam pra rua como pra vida:um satisfeito, um tanto faz, o outro não.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Teus Pés

de João Gollo



Olhei teu batom,
olhei teus pés,
olhei teus olhos
e tuas coxas.
Você nem sequer me olhou,
como se não valesse uns poxas

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Delícias de um Carnaval

de João Gollo

Na racha da bituca
Onde o vento fez a curva
Culpado foi o calor
Fumou tudo que encontrou
Pernas, seios, bigodes
Mal queimadas sortes
Virgens até de nome
Da moça que se consome
Nos dois metros quadrados
Insatisfeitos ou frustrados
Estendidos além do curso
Uma paixão pelo camurço
Que, não sendo tão carnal,
Conquistou por um quê tal
Cheiro oso meio insano
Espírito envolto em pano
Salgado, simples, gozoso
Delícias de um carnaval.

Prato Quente

de João Gollo

A paixão é um prato que se come quente
Sem colher ou garfo, quase fervente.
Se lambuza os dedos, mastiga e morde:

Lamba os beiços!
É, a paixão incandescente

Fervilha impiedosa
Mesmo quando ausente.





sábado, 21 de fevereiro de 2015

Zuza

de João Gollo



O Zuza zá era
Zem ele zó zobra converza
Xe bem que xempre xamamox converza
O que Xabemox de menox
O que interexa:
Conbencer nozotrox da voxta quizeramox

Zó Zuza zabia
Ze valávamox converza ou
Converzávamox zozinhox
Zobre a voxta que quizéramox.

De cara no vão

de João Gollo


Ontem caminhava pela tarde de uma avenida, ao meio dia, sol a pino, em conflito com uma multidão indiferente a andar apressada e absurdamente enviesada.
Ia-me ao despropósito dos rumos, absorto nas lembranças quando pensei ter visto um antigo amor no meio da massa incaracterizável.


_ Não, não era. Só parecia - insisti enganando a mim mesmo.


Passados anos, quando dei por mim, tinha andado trilhômetros, e seguia pressentindo caminhar incessante rumo ao ponto abissal, donde não haveria escapatória. Tremia por dentro mas, inerente ao homem como deve transparecer, fingia rígido. 
Pisava com toda a certeza das doutrinas o próximo passo, dizendo a mim mesmo o quão absurdo era aquilo mas, ao mesmo tempo, ouvindo o ruído das pisadas alheias, dos ferros tilintando, das respirações constantes, percebi: não tinha saída.
Chafurdando-me na poeira dos calços, coberto pela aca mais repugnante, enfim varei à margem do são e caí, como vários que vi caírem. 

Gozado. Alguns, sem perceber que caiam, mantinham a caminhada. Outros, tentando alcançar algo sobre, algo que não se via, imploravam sozinhos.
E caí, como todos, de cara no vão.

Absmudo

de João Gollo

Eu te via como alguém
que não perdesse um segundo
Agora vejo que se perde
todo tempo do mundo
é por não ter respeito
ao seu próprio peito
que obedece ao meu jeito
de ser assim tão absmudo.

Arrependimentos

de João Gollo

Se nas poucas frações de segundo
Tivesse agido como realmente quisera
Não passaria milhões de impulsos
Aquecendo infrações que não cometera.

O almoço dos retratos

de João Gollo

Sentada em frente às fotografias da família, Ana Vitória almoçava só.
Nunca fazia sua refeição ali, mas por sentir que aquele era o canto mais fresco da casa àquela hora, abriu exceção empurrando três fotografias: uma dela, uma de seus bisavós e outra da mamãe, e se preparou para consumir o ato. Soprou seu macarrão e olhou diretamente a foto de seus bisavós. Nesta se via o casal sentado lado a lado, em cadeiras diferentes onde a bisa sorria satisfeita, como quem posa para a bisneta. O biso e sua postura relaxada, exibia um sorriso de Monalisa. Ao fundo, um televisor coberto por um pano de prato. Vai ver que não se deixava mais ver nem escutar! Ou talvez este fosse o prêmio do casal por já ter vivido tanto. Ainda mais por haver, em frente ao televisor, uma planta folhosa e espirituosa. Já atrás da bondosa senhora figurava uma cristaleira antiga digna de casa de novela das seis.

Largando mão dessa, passou a admirar a foto de si própria. Fitou-se como sendo outra pessoa. Olhou as rugas que faltavam, os olhos que ainda brilhavam, os cabelos que viviam vorazes, e comparou aos da mãe, que sorria em outra moldura ao lado. Não conseguiu mirar seus olhos por muito tempo. Passou a observar outros retratos que a observavam. Difícil tarefa essa de fazer uma refeição em frente a tanta gente (repetida ou não) que nem sequer pisca - pensou.

Ou que não piscava, pois Ana Vitória assustou-se ao reparar, de rabo de olho, o movimento de uma das imagens até então, inerte. E a imagem era a dela própria! Uma pequena foto de aniversário onde aparecia acompanhada de uma amiga. Nesse relance a amiga havia escapado para uma foto ao lado, onde seu irmão mais velho, então adolescente, posava desavisado na mureta da varanda. Não podendo acreditar no que via, Ana Vitória tirou os óculos, esfregou os olhos com força e voltou a ocular-se quando, para surpresa maior, não mais se viu na foto. Agora o que era uma foto dela com a amiga na festa de aniversário de nove anos, se tornara apenas um cenário vazio. Atentou-se para uma movimentação formigosa no centro da mesa. Um palco povoado de docinhos e um enorme bolo de chocolate com cobertura de suspiro. Parecia claramente ser a peregrinação a um templo monumental onde alguns tinham seus cabelos granulados e vestes azuis, outros, mais mulatos, pareciam ter feito um coque especial para o dia. E as mais branquinhas, andavam com uma espécie de rabo de cavalo muito preso às suas cabecinhas.

No lapso de tentar encontrar-se nas muitas molduras ali presentes, notou a ausência dos bisavós que, há pouco, sorriam hipinoticamente. Foi aí que notou, nesta foto, um objeto que, até então, passara desapercebido: uma geladeira. Uma geladeira azul celeste, modelo antiga, difícil de não ser notada, daquelas que tem uma alavanca tipo freezer de açougue. E estava aberta. “Provavelmente alguém andou mexendo onde não devia. Com certeza, não foram meus bisavós. Quantas e quantas broncas não recebi na infância, quando abria essa geladeira por nada. Ainda mais deixá-la aberta... com certeza não foram eles!” – pensou deixando a comida de lado e debruçando-se, intrigada, sobre a mesa com apoio dos cotovelos.

Abstendo-se do absorto consciente, abismou-se ao ver que nenhuma fotografia estava pessoalizada. Todas as repetidas imagens do primogênito e do caçula, todas as mamães, os papais, as “Ana Vitórias”, todos haviam desaparecido. O único movimento persistente ocorrendo nas imediações dos retângulos era dos doces rumo ao bolo, na fotografia do aniversário. Tentando cientificar a coisa, pensou que tudo havia se originado a partir de seus sentimentos. Deixou o prato de lado. Recuperando novamente a consciência, notou o crescimento exagerado do carismático templo (bolo). E era tão rápida a progressividade da massa que logo já passava de sua altura. Foi quando um rasgo surgiu ali, outro aqui até que, ao deflorar o bolo, Ana Vitória se viu diante das imagens das pessoas que deveriam estar presas às duas dimensões. Todos estavam logo a sua frente. Não concebia que tudo aquilo fosse real, mas, ao mesmo tempo, não podia contrariar o que seus próprios olhos assistiam. A de nove anos encarou-a seriamente e disse:

_ Mais parece que depois de tanto tempo não conhece a si mesma!? – e voltando-se para uma mãe - ou o que foi dela.

_ Como pode ser... isso não é possível! – questionou abismada.
Surgindo por detrás da menina, exclamou um avô jamesdeano:
_ Rodar, rodar, rodar... Se prestar atenção, tudo se repete.
_ Enquanto vocês continuam, nós só observamos – completou a menina.

Ana Vitória não assimilava aquilo. Sentia-se num episódio de Além da Imaginação, com o pânico gelando-lhe o rosto, secando-lhe o estômago, a petrificação consumindo-lhe os braços, a nuca espinhando-se feito gato assombrado, os joelhos trêmulos como vara verde, quando a aterrorizante pressão que esmagava seu corpo se fez completa e a desmaiou.

Acordou só e debilitada. Levantou-se e viu todas as fotografias intactas. Seu prato também. Passou a vida inteira sobre a incerteza do ocorrido. E morreu sem saber se desmaiara naquela ocasião por não suportar a explosão do medo ou se pela incapacidade de olhar pro passado.

Teor e Arte

de João Gollo

Teor e Arte é um estilo cultural,
É o traço literário, é a rima teatral;
Teor e Arte é a mordida no irreal,
É o drama esculturado, o gárgula musical;
Teor e Arte é a bíblia sexual,
Sinfonia dançarina, balet audiovisual;
Teor e Arte é espiritual,
A filmagem mais pintada,
É o abalo social.

É o sentimento que queima todo sangue
É a erupção constante de criação do intenso
É o calor forte e expressivo,
É um talho decisivo no sentido do senso
É um tic-tac em progressão geométrica
É o inflar de idéias, é um segundo denso
É a anarquia criada no consciente
É o grito resistente contra o que é tenso.

É o tesão ao experimental
Marca d’água nacional
Explosão cultural

É o amor às manifestações de arte
De uma grande mocidade
Que grita: Teor e Arte!

Menos não é pouco

de João Gollo

Me inscrevi certo dia,
num festival de poesia
dizia lá quem ganhasse
levava pra casa 4 milhas,
ganhava também passagem
hospedagem e crachá-alforria


Depois de muito atrasar
faltar informação e nexo,
lançaram os dez diletos
que os jurados escolheram,
o meu tava na lista
já me animei satisfeito


- Vou mandar é muito e-mail
vou twitar, vou orkutar,
facebookar quem desconheço,
quem sabe consigo chegar
dos lugares, o primeiro,
ou segundo ou terceiro?

Porém, logo que vi meu video
com dois votos apenas,

e vi o das quatro velas
com pra lá de setecentas,
senti que seria difícil,
empolguei na onda alheia

Cliquei uma, duas, dez vezescom cada dedo da mão,
cliquei a cada segundo
e nunca chegava, não
de tanto clicar perdi
o tato nas duas mãos.

Depois do primeiro dia
o clique passou a ser punheta

e nem na mais tenra idade
o fiz com tanta destreza
era clique de frente,
de lado e de ponta-cabeça.

Mas, mesmo com esse afinco,
forçando a minha crença

de que chegaria lá,
pelas mãos com que nascera
via também escapar
o sentimento que brinco
de confundir as palavras,
de palavriar os sentidos,
de propor a alguém
o que tenho percebido.

E o que tenho percebido
é que menos não é pouco

menos pode ser mais denso
do que vencedor de Fliporto,
e são vários desses menos
que compõem o nosso todo.

Enfim, valeu a pena
chorar não traz leite, não

só quero mesmo saber,
depois de toda confusão
se receberei aqui em Brasília,
meus dois catálogos de poesia
que o regulamento previa
quando fiz minha inscrição.

Obrigado, Cláudia Cordeiro,
obrigado de verdade,
mas é forte o dilema,
e fácil de ser sanado,
sobre essa votação e
seu peso no resultado,
um grande abraço a todos,
poetas e poetaços.

Luiza

de João Gollo


Ela me veio olhando, curiosa
me pediu um cigarro, 
quis saber do meu trago
se era forte ou fraco,
comentou seus males
em detalhes,

seus azares.



Perguntou porque eu tremia

"Isso é coisa de família"

esperava o Planaltina e saía
de um trabalho num hotel
como guia turístico

Elogio meus olhos
riu pouco fazendo modos
disse o que idealiza.

Quando o ônibus chegou
apenas alertou:
- me chamo Luiza.

Enibas

de João Gollo

Poderia comparar seu rosto
às asas do pensamento
poderia comparar sua boca
a um arco-iris de mel
poderia comparar sua pele
a sois brincando ao vento
poderia comparar seus olhos
a duas gotas de céu

Porém, se comparo, desmistifico
alguém que reparo por reparar
além de retardo, me petrifico
sem um retrato para admirar.


Dedal

DEDAL from joao gollo on Vimeo.

Nano curta em dez segundos sobre o prazer da agulha em ser penetrada pelo fio.


atriz: MÁRCIA AMARAL
produção e assistente de direção: MATEUS DE MEDEIROS
montagem: JOÃO GOLLO
roteiro e direção: DUDA AFFONSO

Gato na Escadaria

de João Gollo

Numa casa bem bonitinha, mas bem bonitinha mesmo, vivia um gato. Ele adorava morar ali onde reinava gatuno, respirando os ares do amor de seus donos em meio à refeições saborosas e demoradas carícias. Assim, desfrutava da mordomia que todo gato queria. Tinha o hábito de dormir tarde porque sabia que não tinha hora pra acordar. Malandro, aprendeu a ligar a televisão e a mudar de canal para assistir ao programa que mais gostava, um que mostrava pessoas e quinquilharias. O gato achava engraçado ver como os objetos pareciam com as pessoas e vice-versa. Era rotina desligar a TV e se aninhar no cobertor que lhe servia de cama, e assim o fez mais uma noite.
No dia seguinte, após lambiscar umas migalhas de torrada caídas da mesa do café, seguiu para o sofá para o ritualístico banho matinal, lambendo-se do rabo ao pescoço, com o ritmo constante da experiência felina. A dona da casa sentou-se ao seu lado. Cativado pelo colo quente, ele parou com as lambidas, se levantou lentamente como que posando para uma sessão interminável de fotos e apoiou as patas dianteiras sobre a pele crua das coxas da patroa. Foi então que, de dentro dele, emergiu aquela vontade devastadora e imediata de se espreguiçar, incontrolável para qualquer felino. Ergueu as patas traseiras, espichou o rabo, contorceu as costas e apontou as patas dianteiras pra frente. Quando fez isso, suas unhas cravaram na coxa da mulher, que revidou escorraçando o gato pra fora de casa. Sem ter pra onde ir, parou numa escadaria pouco usada pelas pessoas.
Algum tempo depois, apareceu uma gata preta de barriga branca e se acomodou num degrau acima. Não demorou muito, trocaram miados e logo o gato sentiu uma coisa que ele nunca havia sentido antes crescer dentro de si, uma coisa que gelava a barriga, sufocava a garganta, fazia suas patas tremerem e a vista encher de floquinhos de luz. Foi enfeitiçado.
Por sete dias e sete noites, vagou com a gata para lugares que nunca tinha ido. Foram às montanhas, de onde viram as luzes da cidade; ao Cerrado, onde passavam as tardes quentes estirados um ao lado do outro; nos prédios da cidade, onde o conforto era relativo e arriscado; e sobre os carros, quando não havia tempo e a chuva os surpreendia de súbito. Aliás, a chuva foi a única cúmplice constante do encontro entre os dois. Choveu nos sete dias em que os dois estiveram juntos. “Quando estiar, vou seguir meu rumo” – avisava a voz felina e macia para o gato apaixonado. E tanto falou que assim fez. Quando o ar secou, ela seguiu seu caminho. Ele sabia que ela iria embora mais cedo ou mais tarde, e pensou até numa maneira de congelar o tempo, mas logo percebeu que o tempo, insaciável, come tudo que vê pela frente, deixando pra trás o passado imutável, incorrigível.
Passando o tempo, o gato voltou a sua rotina de afagos, carinhos e mesa farta. Parou de observar a janela à noite, de olhar em baixo dos carros, de procurar nos edifícios, nas picadas no Cerrado e deixou de ir às montanhas. Percebeu, dentro daquelas paredes, o quanto todo aquele amor ofertado a ele era fundamental, como aquelas pessoas – seres humanos! – eram importantes pra ele. Passaram dias, semanas, meses, e seu peito foi se curando da ferida.

Num dia de chuva, sem nenhuma previsão ou por que, o gato se viu diante da gata preta de barriga branca. Gelou. Suas patas estremeceram, a garganta secou e um raio frio passou pela coluna. Correram em direção um do outro e deram um forte e acarinhado abraço, como só os felinos sabem dar. , saíram da cidade felizes, sob as lágrimas cúmplices da chuva de outubro - pelo menos foi o que eu ouvi falar.

domingo, 18 de setembro de 2011

Entre Outros


ENTRE OUTROS from joao gollo on Vimeo.

Curta documentário sobre como a Daniela, portadora de mielomeningocele, e o Ailton, deficiente visual, encaram a vida num mundo que lentamente se torna mais adaptado às pessoas com dificuldade de locomoção.

Documentário criado para o Projeto Integrador do curso de Cinema e Mídias Digitais do Instituto de Educação Superior de Brasíla, IESB, 1º semestre de 2010.

depoimentos
DANIELA CAROLINA ROSAES
AILTON TELES DOS SANTOS

imagens

JOÃO GOLLO
MARINA RAMOS

produção
MARINA RAMOS
LUÍSA RIBEIRO

argumento
ARTUR CRUVINEL
MARINA RAMOS
edição
MARINA RAMOS
LUÍSA RIBEIRO
ARTUR CRUVINEL
JOÃO GOLLO


roteiro e finalização
JOÃO GOLLO
 

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Jimi Hendrix - Are you experienced?




1. foxy lady
2 . manic depresion
3 . read house
4 . can you see me
5 . love or confusion
6 . i don't live today
7 . may this be love
8 . fire
9 . third stone from the sun
10. remember
11. are you experienced?
12. hey joe
13. stoned free
14. purple haze
15. 51st anniversary
16. the wind cries mary
17. highway chile


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Fogo de Monturo - 50 anos de mamulengo em Brasília




A comemoração aos cinquenta anos de mamulengo em Brasília, realizado pela ONG A Casa Verde em parceria com a Associação Candanga de Teatro de Bonecos contou com as apresentações e oficinas de mamulengueiros como Paulo de Tarço, Zé de Vina, Zé Lópes, rodas de debates, muita diversão e alegria.
E aqui vai um convite: assistam ao video do projeto!



Edição: João Gollo
Realização: A Casa Verde
Parceria ACTB - Associação Candanga de Teatro de Bonecos

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Abismo de Plumas




Música DAVI MASCARENHAS
Vídeo e Poesia JOÃO GOLLO
Interpretação MARIÁ POPOV

domingo, 11 de outubro de 2009

Semana Câmara


Síntese de uma semana comum na Câmara dos Deputados.

Imagens: Suzi Ramos e João Gollo
Edição e Direção: João Gollo

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Michael Jackson - Dance Zuza


Seleção das mais dançantes do Rei do pop, Michael Jackson.


01 - Don't Stop 'Til You Get Enough
02 - Speed Demon
03 - Smooth Criminal
04 - Bad
05 - Beat It
06 - Thriller
07 - Billie Jean
08 - Leave Me Alone
09 - Dirty Diana
10 - Give In To Me
11 - Dangerous
12 - Black Or White
13 - Will You Be There
14 - Man In The Mirror


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Lucy and the Popsonics - Garota Rock Inglês




Música de Lucy and the Popsonics
Edição e Direção: Zepedro Gollo
Produção: Fernanda Popsonic e João Gollo
Personagem "garota": Tawana Yung 

domingo, 28 de junho de 2009

Cuba Abierta


Seleção da mais alta qualidade. De ouvir dançando o tempo inteiro.

01. Anda – Bebo Valdés
02. El Adios de este Momento – Septeto Nacional de Ignacio Pinero
03. Son De La Loma – Tito Puente
04. De Camino A La Vereda – Buena Vista Social Club
05. Lamento Cubano – Bebo Valdés Trio con Cachao y Patato
06. Oye Mi Guaguanco – Tito Puente
07. Lagrima Negras - Bebo Valdés & Diego El Cigala
08. Buena Vista Social Club – Buena Vista Social Club
09. Veinte Años – Bebo Valdés
10. Tacos - Mongo Santamaria
11. Campina - Afro-Cuban Jazz Project
12. Patria Querida – Los Guaracheros de Oriente
13. Manana – Mongo Santamaria Y Justo Betancourt
14. Pierre Jamballah – Bebo Valdés

15. El Guajeo De Rickard – Bebo Valdés

terça-feira, 23 de junho de 2009

Samba



Esse disco ficou maneiro. Bom pra quem gosta!
Pra não perder a veia, um apanhado só.


01. Bezerra da Silva - Meu bom juiz
02. Adoniran Barbosa - Saudosa maloca
03. Dona Ivone Lara - Andei só pra distrair
04. Guilherme de Brito - A canoa virou
05. Clementina de Jesus e Clara Nunes - Embala Eu
06. Aniceto e Campolino - Segredo da Tia Romana
07. Partido em Cinco - Pombo correio
08. Adoniran Barbosa - Aguenta a mão, João
09. Paulo César Pinheiro e João Nogueira - Banho De Manjericão
10. Clara Nunes - Canto das três raças
11. Martinho Da Vila - Quem é do mar não enjoa
12. Zeca Pagodinho - O Feijão de Dona Neném
13. Paulinho da Viola e Elton Medeiros - 14 Anos
14. Elza Soares e Miltinho - Todo dia é dia
15. Chico Buarque - O malandro (Die Moritat von Mackie Messer)


Baixe pra você



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Piano Mundi


Estava em casa a selecionar pianos variados no estoque do computador, de forma completamente aleatória, quando se deparou na minha frente a presente seleção. Gostei tanto, que formulei o PIANO MUNDI, confira!



01. Nina Simone - Samson And Delilah Theme
02. Arthur Moreira Lima - Batuque (de Ernesto Nazareth)
03. Ennio Morricone - Nocturne With No Moon
04. David Peña Dorante - Semblanzas de un río
05. Ernesto Lecuona - San Francisco
06. Brad Mehldau - Things Behind the Sun
07. Yann Tiersen - Amelie Polain Theme
08. Huberal Herrera - ¿por qué te falta (de Ernesto Lecuona
09. Moondog - Sea horse
10. Pedro Ricardo Miño - Tio Beni (alegrías)

domingo, 21 de junho de 2009

Intro Rocks





INTRO ROCK é uma viagem no tempo, desde Beatles, passando por Stones, Velvet, Pink Floyd até Led Zeppelin, Jimi Hendrix, Pearl Jam e outros menos comportados.

Tem uma boa saída!

01. The Beatles - Come Together
02. Rolling Stones - Guime Shelter
03. The Doors - Love me two times
04. Velvet Underground - I can't stand it
05. The Commitments - Mustang Sally
06. The Allman Brothers - Southbound
07. Pink Floyd - When you're in
08. Led Zeppelin - Heartbraker
09. Joe Cocker - Sandpaper Cadillac
10. Jimi Hendrix - Hey Joe
11. Pearl Jam - Not for you
12. Air - Dead bodies
13. Fiona Apple - Fast as you can
14. Nine Inch Nails - Complication
15. The Prodigy - Mindfields
16. Radiohead - The National Anthem
17. Portshead - Undenied
18. Massive Atack - Angel




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Casa do Jazz




CASA DO JAZZ é um apanhado da mais boa música. Entra de sola pedindo agitação e corre por vários campos do jazz.

É uma seleção que escuto bastante, recomendo para desbaratar.



01. Summertimes - Earl Hines
02. Changin' the Blues - Earl Hines
03. I've got my fingers crossed - Fats Waller
04. Wild man blues - Johnny Dodds
05. Moonglow - Art Tatum n' Fats Waller
06. Dardanella - Art Tatum
07. Tin Tin Deo - Dizzy Gillespie
08. Lazy Bird - John Coltrane
09. Five spot blues - Thelonious Monk
10. Bye bye blackbird - Miles Davis
11. Let my people go - Louis Armstrong
12. Saturday Night Fish Fry - Louis Jordan
13. Learnin' the Blues - Ella Fitzgerald n' Louis Armstrong
14. Soul Bossa Nova - Quincy Jones
15. Summer in the city - Quincy Jones

sábado, 20 de junho de 2009

Brasil na Mesa



BRASIL NA MESA é uma coletânia musical que não tem muito sentido. A única semelhança entre elas é o fato de serem todas brasileiras, umas novas e outras mais conhecidas... experimentem!



BRASIL NA MESA



01. Ilê Ayê (que bloco é esse) - Daúde
02. Refazenda - Mart'nália & Marcelinho da Lua
03. Tá como o diabo gosta - Silvério Pessoa
04. Gaiola do som - Wado
05. Rio Lounge - Moreno+2
06. Carne de pescoço - Motorama
07. S.O.S. - Funk como le gusta
08. Baile Muderno - Chico Correa e Eletronic Band
09. Napoleão - Ney Matogrosso e Pedro Luís e a Parede
10. Cada macaco no seu galho - Caetano e Gilberto Gil
11. Menino das laranjas - Mariana Aydar
12. Mão na Luva - Fino Coletivo
13. Bala com bala - Mariana Baltar
14. Todas elas juntas num só ser - Lenine
15. Rap do Real - Pedro Luís e a Parede
16. O hierofante - Secos e Molhados
17. Quando a maré encher - Cássia Eller
18. Vem morena - Alceu Valença
19. Xiquexique - Tom Zé


QUER OUVIR?


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