Barbosa Moreira - Processo Civil
Barbosa Moreira - Processo Civil
Barbosa Moreira - Processo Civil
Isto até aqui foi uma ligeira recapitulação do que fôra dito da
outra vez. Vamos acrescentar umas breves observações ainda sobre o
problema da legitimação ad causam, ou legitimatio ad causam, ou
legitimidade para causa - tudo isso é a mesma coisa.
Esse problema tem sido alvo de grande interesse por parte dos
estudiosos nos últimos tempos, não tanto no Brasil onde as idéias
geralmente quando chegam depressa chegam com mais ou menos 50 anos
de atraso, mas em sociedades que pensam mais em certas coisas, e
diversas soluções foram estudadas.
Depois nós vamos ver que nós não estamos tão atrasados
assim nesse particular, porque temos um instrumento legal que até certo
ponto ajuda a resolver essas situações. Mas é curioso: nós temos a lei mas
ninguém se ocupa dela, e nem se usa a Lei, usa-se pouco, usa-se menos do
que seria de esperar. Outros países não têm a lei e vivem se preocupando
com o assunto.
1) Processo de Conhecimento
1.1.1 - positiva
1.1.2 - negativa
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2) Processo Executivo
3) Processo Cautelar
O P R O C E S S O
OBS.: Todo ato que o Juiz pode fazer de ofício, quer dizer, que ele pode
fazer independentemente de provocação das partes, as partes podem
solicitar a ele que faça. Não seria lógico que nós impedíssemos as partes
de pleitear uma providência que o Juiz, de ofício, pudesse conceder. O
problema é o oposto - é saber se sem provocação do réu, no caso de
abandono pelo autor, o Juiz poderia tomar essa providência, determinar a
intimação do autor para que em 48 horas praticasse o ato e se ele não
praticar nesse prazo, encerrar o processo. Não necessariamente em
benefício do réu, o réu pode ter interesse em que o mérito seja julgado, ele
pode estar confiante nas suas razões. O caso do inciso II refere-se à
negligência de ambas as partes, quer dizer ambos revelam desinteresse
pelo processo. Há quem entenda que esse nº II é inaplicável porque ou a
omissão é do autor e nesse caso em 30 dias estaria caracterizado o
abandono da causa, ou é do réu e em regra a inatividade do réu é
irrelevante para o prosseguimento do processo. Eu ainda tenho a
esperança, para salvar o nº II, de achar um caso em que a omissão do réu
seja relevante. Mas reconheço que não é fácil encontrar uma hipótese de
aplicação do nº II. Primeiramente, o processo só pode estar parado ou por
omissão do Juiz, do autor, ou do réu. Do Juiz, evidentemente, a solução não
estaria em extinguir o processo. Do autor, em 30 dias já teria ficado
caracterizado. E realmente a regra geral é que a inatividade do réu é
irrelevante para o desfecho do processo.
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Então: 30 dias deixando de praticar o autor um ato que lhe
compete, caracteriza-se o abandono da causa e com aquela providência
estabelecida no § 1º, o Juiz vai poder extinguir o processo sem julgar o
mérito. O outro caso é o do processo ficar paralisado por mais de uma ano
por negligência das partes, autor e réu. É essa a diferença entre ambos.
No nº II a negligência seria de ambas as partes, é o que está lá, de uma ou
de outra ou de ambas. No nº III o prazo é menor porque supõe-se que o
autor tenha maior interesse em alcançar o desfecho do processo e a opção
é dele, autor.
SUJEITOS DO PROCESSO
Ora, para que o Juiz, ou melhor, para que esse órgão possa
desempenhar sua função, é preciso que ele se revista de certos atributos,
certos requisitos, e a doutrina nos falará da capacidade, num sentido bem
diverso daquele em que fala de capacidade do Direito Civil. Costuma
distinguir entre a capacidade genérica, que é a aptidão que a pessoa tem
para ser investida na condição de Juiz, para o que ela deve preencher certos
requisitos que estão indicados em parte na própria Constituição, e a
capacidade específica, que é a possibilidade de atuar em relação a uma
determinada causa, para praticar um determinado ato.
DEVERES DO JUIZ:
A COMPETÊNCIA
COMPETÊNCIA DO FORO
Vejam que o art. 106 tem elementos que o 219 não tem. Nós
podemos perfeitamente entender, e a doutrina se tem orientado nesse
sentido, que o art. 219 tem característica geral, em relação ao qual o art.
106 é uma regra especial que só se aplica às hipóteses do ações conexas
perante juízes que tem a mesma competência territorial. Se os juízes não
tiverem a mesma competência territorial não seria o despacho que
determinaria a prevenção, mas sim a citação, por força do art. 219. Quer
dizer, o art. 219 estabeleceria o momento em que ocorreria a prevenção
fora dessas hipóteses especificadas no art. 106. Seria uma regra geral, e o
art. 106 em relação a ela uma regra especial que tem um âmbito de
incidência mais restrito, e que conduz a um resultado diferente. Não é
unânime a opinião, mas é a predominante.
DAS PARTES
2ª - Art. 9º,I CPC. Se a parte for incapaz e não tiver representante legal,
p.ex., um menor que não tenha pai vivo nem que esteja sob tutela, então o
Juiz deve nomear um curador especial. Em certas comarcas existem órgãos
especializados, órgãos públicos, destinados a cumprir essa função. E esse
então seria o curador. Mas quando não houver, o Juiz nomeia qualquer
pessoa idônea para zelar, para representar o menor naquele processo. Já
que ele não pode ficar com a sua incapacidade não suprida, o Juiz nomeia
um representante ad hoc. O curador ali é um representante ad hoc.
LITISCONSÓRCIO
INTERVENÇÃO DE TERCEIROS
1º) imaginemos aqui na capital um processo correndo por uma das varas
cíveis. A competência era de uma das varas cíveis realmente. E a partir de
um determinado momento no processo o Estado do Rio de Janeiro (que
dispõe aqui de um juízo privativo para os processos dos quais ele participe,
que é a Vara de Fazenda Pública - uma delas) intervenha no processo. Ora,
a vara cível não tem competência para processar causas das quais participe
o Estado do RJ, e a incompetência dela será absoluta, de tal maneira que,
ocorrendo a intervenção do Estado num processo que esteja pendendo
perante uma das varas cíveis, a conseqüência da intervenção vai ser
deslocar aquele processo para um juízo privativo do Estado, porque
a vara cível é incompetente para processar causas de que participe
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o Estado do RJ, e mais: como se trata de incompetência estabelecida em
função da pessoa, a incompetência é absoluta.
ASSISTÊNCIA
QUESTÕES DE PROVA
R. Por uma combinação dos arts. 87 e 263 do CPC, o primeiro dizendo que
a competência se fixa no momento em que a ação é proposta, e o segundo
esclarecendo que a ação se considera proposta ou quando a petição inicial é
despachada ou então, onde houver mais de uma vara, simplesmente no
momento em que seja distribuída. Ora, no dia 20/01 Tício fez distribuir
ação na comarca desta cidade e todos nós sabemos que na comarca desta
cidade existe mais de uma vara, logo a data decisiva como ponto de
referência para apurar-se a competência era o dia 20/01, e irrelevante
portanto o fato de que a 25/01 Tício houvesse transferido seu domicílio do
Rio para Niterói, uma vez que a competência se fixara no dia 20/01 e nessa
data ele era domiciliado no Rio. Logo a resposta devia ser negativa. A
mudança não teve o efeito de deslocar a competência.
R. Vejam: a petição trazida por Ticio depois de citado o réu, é uma petição
em que, sem alterar os fatos narrados na inicial, ele afirma que o vício do
contrato era o dolo, e não de coação. Já havia narrado o acontecimento,
dando-lhe o nome, qualificando-o na sua inicial como coação. Ora, na
petição trazida depois, ele, sem modificar essa narrativa, diz o seguinte:
"aquele defeito verificado na narrativa que eu fiz, aquele vício do
consentimento que se extrai dos acontecimentos que eu narrei, não é
coação e sim dolo." Como quem dissesse: "eu me enganei ao chamar aquilo
de coação, devia ter chamado de dolo, e agora chamo de dolo." Então
vejamos, é necessário consentimento do réu para que o Juiz possa apreciar
o pedido à luz desta nova qualificação dada pelo autor? Vejamos o art. 264,
que é o que nos serve de base para esse problema nas três perguntas
subseqüentes. Muito bem, então a citação já tinha sido feita, logo nós
precisamos tentar saber se o fato de o autor dar uma nova qualificação
jurídica ao fato narrado constitui ou não alteração da causa de pedir. A
causa de pedir consiste em um fato ou um conjunto de fatos, o autor sequer
é obrigado a qualificá-los juridicamente. Ele pode dizer apenas "o contrato
foi assinado nas seguintes circunstâncias: a outra parte, o réu, ameaçou-me
de conseguir que eu fosse demitido do meu único emprego, ele é muito
amigo do meu patrão, então me fez esta ameaça de que eu ficaria
desempregado se não assinasse aquele contrato, e havia todas as razões
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para crer que a ameaça era verdadeira, meu próprio patrão me deu a
entender que atenderia a esse pedido do réu para me por no olho da rua.
De sorte que, diante dessa emergência, eu assinei o contrato. Diante disso
peço que o contrato seja anulado."
Vejam bem ele pode fazer esta narrativa toda sem usar o
termo jurídico COAÇÃO, não é necessário nem indispensável. O próprio Juiz
verifica que essa narrativa descreve um fato perpetrado sob tais condições,
que se configuraria o vício de coação. Não é preciso que o autor dê esse
nome. Então, se não é preciso, tanto faz que o autor dê esse nome ou
outro. Se o autor contar isso e disser "como se vê, houve dolo",
suponhamos, "o contrato foi viciado por dolo" a qualificação está errada,
pois o que ele contou caracterizaria uma coação e não um dolo, mas é
irrelevante porque tanto faz que ele chame de dolo ou de coação. O que é
importante é saber se como o nome certo ou errado aquilo basta para que o
contrato seja anulado. Isso é o que interessa, tanto a coação quanto o dolo
são causas de anulabilidade, então não é exigido que o autor use o nome
correto, se ele usar o nome errado isto não impede o Juiz de acolher o
pedido. Para o réu se defender, e é isso que importa - vejam bem, a razão
pela qual o autor deve narrar os fatos com clareza, minuciosamente, de
maneira correta, e depois não pode modificá-los sem o consentimento do
réu, é não atrapalhar, não prejudicar a defesa do réu, o réu tem que saber
do que lhe compete defender-se, do contrário ele prepara sua defesa para
uma narrativa, daqui a pouco a narrativa muda, aquela defesa não serve.
Então, a razão de ser é essa. Mas se o autor conta tudo isso, que estava
ameaçado de ficar desempregado, o réu tem todos os elementos para
preparar a sua defesa, pouco importando que ele tenha chamado de coação
ou de dolo. Então a mudança da qualificação jurídica não é relevante, a
qualificação jurídica não integra a causa de pedir, não mudou o motivo,
mudou só o rótulo. Então não era necessário o consentimento do réu.
A) Como deve o Juiz decidir esta questão? A ação era referente a um bem
que integrava o dote, então nos termos do CC, o legitimado para as ações
referentes ao dote é o marido. O réu alega isso na sua contestação. A ação
devia ter sido proposta pelo marido e não pela mulher. Como deveria o Juiz
apreciar a questão? Devia acolher ou não essa preliminar levantada pelo
réu?
B) Que base lhe fornece para isso o CPC? Quer dizer, onde o Juiz deveria
fundamentar sua decisão? Achem aí. No art. 267, VI, segundo o qual se
extingue o processo sem julgamento do mérito quando etc. Faltava a
legitimidade da parte, portanto era esse o fundamento da sentença que
extinguiria o processo sem julgamento do mérito.
D) Que figura jurídica ocorreria se a ação fosse proposta por Caio, i.e., pelo
marido? Há um nome específico para os casos em que o legitimado
extraordinário propõe a ação, figura como parte principal, em vez de figurar
o titular da relação jurídica material. O tipo de legitimação é
extraordinária, mas o nome desta figura jurídica qual é? Chama-se
substituição processual. Vejam que eu não perguntei como se qualifica a
legitimação, perguntei o nome deste fenômeno, deste acontecimento que
consiste no seguinte: uma pessoa, que não é titular da relação jurídica
substantiva, aparece no processo como parte legitimada, em vez de outra
que era a titular; quer dizer o legitimado extraordinário figura no processo
em vez de figurar aquele que seria legitimado ordinário, mas que não é
legitimado nenhum porque a lei não lhe concede qualidade para propor a
ação. Notem que às vezes quando a lei dá a alguém legitimação
extraordinária, nem por isso elimina a possibilidade de que o titular da
relação material proponha a ação. Às vezes co-existe a legitimação
ordinária com a extraordinária, eles podem até propor em litisconsórcio.
Quando, porém, a lei só considera legitimado o extraordinário, impedindo
que o titular da relação jurídica seja parte legítima, aí aparece um e não
pode aparecer o outro, então há substituição processual, que não se
confunde com a representação, porque na representação o representante
age em nome de outrem, em nome do representado, ao passo que o
substituto processual age em nome próprio embora defendendo direito
alheio.
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OPOSIÇÃO
Acha-se regulada no art. 56 e seguintes do CPC.
Efeitos da Oposição
NOMEAÇÃO À AUTORIA
Art. 62 e seg. do CPC.
Então nesses dois casos a lei impõe àquele que foi citado no
processo o dever de indicar o terceiro que tem legitimação passiva. Trata-
se de um dever. E mais, o Código estabelece uma sanção para aquele que
deveria nomear à autoria e não o fez, ou para aquele que deveria nomear à
autoria e o fez inadequadamente, nomeando pessoa diversa daquele que é
passivamente legitimado. Art. 69 - "Responderá por perdas e danos..."
DENUNCIAÇÃO DA LIDE
Art. 70 e seguintes do CPC
Ex.: aquele que adquire um bem e que depois se vê privado desse bem por
força de uma ação em que alguém reivindica a coisa, dizendo que não
pertencia na realidade a quem lhe vendeu. O caso é que ele comprou mal,
comprou de quem não era dono. Admita-se que esse comprador seja
derrotado e com isso se veja na contingência de ter que entregar aquela
coisa que ele havia comprado de quem não era dono ao verdadeiro dono.
Ele não fica totalmente no "ora veja", a lei lhe concede o direito regressivo
de exigir daquele vendedor, que não era dono, a indenização do prejuízo
sofrido.
Segundo pondto capital: Quando, p.ex., A denuncia a lide a B, ele não está
negando, nem pode estar negando, que ele, A, possa eventualmente ser
responsabilizado perante C. Ele não está dizendo assim: "quem deve
responder perante C não sou eu e sim ele B." Isto é outra coisa, não tem
nada que ver com a denunciação da lide. Se ele denuncia a lide a B, o que
ele quer é, eventualmente, no caso de sua derrota em face de C, se
reembolsar, à custa de B. Mas ele, portanto, admite, em tese, que possa
ser condenado em face de C.
E pode ser que C não tenha razão, mas ele não está negando
que se C tiver razão, é ele, B, quem deve ser condenado. Portanto, um
caso como este que vou agora descrever, digam-me se seria cabível a
denunciação da lide:
3º) Pode acontecer que não haja o direito regressivo, que B seja obrigado a
pagar a A, mas não tenha direito regressivo. Então o Juiz julga procedente
o pedido de A, mas não julga procedente a denunciação da lide.
CHAMAMENTO AO PROCESSO
Art. 487, III - ação rescisória. Pode ser proposta pelo M.P., em
certos casos a saber, quando a sentença tenha sido proferida num processo
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do qual ele deveria participar obrigatoriamente e não participou, ou quando
a sentença for efeito de colusão entre as partes, a fim de fraudar a lei.
ATOS PROCESSUAIS
3) E há ainda uma terceira opinião, que exige que o ato, para ser
processual, seja praticado dentro daquela série procedimental que se inicia
com a instauração do processo, com o ajuizamento da ação e vai terminar,
normalmente, com o trânsito em julgado da sentença. Seria um critério, por
assim dizer, filiado à localização do ato, o ato tem que estar embutido
naquela seqüência que forma o processo, de maneira que o ato praticado
fora dali, embora produza efeitos diretamente sobre o processo, não seria
um ato processual. Por exemplo: a convenção das partes sobre o foro (em
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certas matérias é possível às partes convencionarem a escolha de um foro
competente). Esse ato tem efeitos principais diretos no processo. Ele só
realmente vai interessar, se tornar relevante, no dia em que um processo
for instaurado. Pelo critério dos efeitos ele seria um ato processual, mas
segundo alguns não, e, porque ele não está dentro da série de
procedimentos, ele foi praticado antes de existir qualquer processo. Então
seria ato processual aquele pelo qual a parte alegasse, quando fosse
demandada: "existe uma convenção sobre o foro". Isso é que seria o ato
processual, mas não a convenção sobre o foro, em si mesma.
EXEMPLOS
2) Os lícitos
Quando a lei não fixa o prazo, quando não há prazo legal, diz o
art. 177 que o Juiz determinará o prazo. Agora, pode acontecer, e acontece
praticamente, que nem a lei estabeleça nem o Juiz tenha fixado,
hipótese que é solucionada pelo art. 185, que tem caráter
subsidiário, mas que é importantíssimo - não há atividade processual
que não esteja subordinada a prazo - porque se a lei não fixa e se o Juiz não
determina, diz o art. 185: "Não havendo preceito legal, nem assinação pelo
Juiz será de 5 dias..."
Contagem do prazos
ATENÇÃO: O mesmo vício pode, às vezes, ser considerado pela lei como
muito grave e noutros casos como menos grave, ou até sem gravidade
nenhuma, depende do contexto. Então isso leva à seguinte conclusão:
dependendo de onde se situa o ato, nós podemos ter 2 ou 3 ou mais atos
jurídicos com vícios perfeitamente análogos, dos quais um é válido, o outro
pode ser anulável e o terceiro é nulo. Isso pode acontecer, porque a
valoração da gravidade dos vícios é feita livremente pelo
legislador, tendo em vista razão de conveniência . Então, ele pode
achar que no terreno do D.Civil, p.ex., um determinado vício é gravíssimo e
deve sempre acarretar a nulidade do ato; ao passo que o mesmo vício no
plano do D.Administrativo já não seria tão grave, e no campo do D.
Processual poderia não ter gravidade nenhuma aos olhos da lei. Quer dizer,
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o mesmo tipo de defeito pode acarretar, portanto, conseqüências diversas
conforme o ramo do direito que regula o ato.
Art. 246 - Se o M.P. não for intimado para atuar como fiscal da
lei, o processo é nulo. Então o caso é de nulidade do processo e não de
atos isolados.
PROBLEMAS
2) Até que momento deve C utilizar-se dela se quiser ter a certeza de que o
seu pedido será julgado na mesma sentença que julgar a ação de A contra
B?
R.: É aquele problema que nós vimos. O Código trata, na seção dedicada à
oposição, da oposição como modalidade de intervenção de terceiro e de
uma outra oposição, que não constitui modalidade de intervenção de
terceiro, porque dá ensejo à formação de um outro processo,
descaracterizando, portanto, a intervenção de terceiro. Para que fique
seguro de que o seu pedido será apreciado conjuntamente com o pedido
formulado pelo autor primitivo, ele tem de intervir no processo pendente. E
isso ele só pode fazer até o início da audiência de instrução e julgamento.
O art. 59 do CPC diz que a oposição oferecida antes da audiência será
apensada aos autos principais e correrá simultaneamente com a ação,
sendo ambas julgadas pela mesma sentença. Eu perguntaria o seguinte:
caso C, ao invés de formular o seu pedido antes da audiência, formulasse
depois, existiria alguma possibilidade de que os pedidos venham a ser
apreciados conjuntamente, concomitantemente? Desde que ainda não
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tenha havido julgamento do primeiro pedido, desde que o processo
originário ainda esteja correndo em primeira instância (porque pode
acontecer que quando C vai formular o seu pedido o processo já se encontre
em grau de recurso, hipótese em que seria inconcebível o julgamento
simultâneo em primeira instância), desde que ainda não haja sentença em
relação ao processo primitivo, existe a possibilidade, a despeito de C propor
a sua ação depois do início da audiência, de os dois pedidos serem
apreciados simultaneamente. É justamente para alcançá-la que o Código,
no art. 60, permite ao Juiz sobrestar o andamento do primeiro processo por
90 dias (prazo máximo), a fim de que se verifique se os dois podem acertar
o passo e conseqüentemente se os dois pedidos podem se julgados
concomitantemente.