APOSTILA - TEMA 5 - Introdução À Antropologia Cultural
APOSTILA - TEMA 5 - Introdução À Antropologia Cultural
APOSTILA - TEMA 5 - Introdução À Antropologia Cultural
DESCRIÇÃO
A construção da Antropologia como campo científico, seu objeto e suas abordagens nas
ciências humanas.
PROPÓSITO
Compreender a construção da Antropologia como área e a cultura como seu objeto principal,
identificando o percurso histórico e as teorias cunhadas nesse campo científico. Conhecer uma
abordagem antropológica aplicada à cultura brasileira contemporânea.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
MÓDULO 2
INTRODUÇÃO
O que é Antropologia?
De uma forma bem simples, podemos dizer que Antropologia é a ciência cuja finalidade é, por
meio do método comparativo, descrever e analisar as características culturais do homem. A
Antropologia, portanto, estuda a cultura.
Existem incontáveis definições de cultura, mas aqui adotaremos uma bem ampla e
compreensível para todos.
MÓDULO 1
A ANTROPOLOGIA E O TRABALHO DE
CAMPO
No final do século XIX e início do século XX, os estudos dos antropólogos nas chamadas
sociedades “primitivas” foram determinantes para o desenvolvimento das técnicas de pesquisa
que permitem recolher diretamente observações e informações sobre a cultura nativa. Esses
sujeitos, também conhecidos como antropólogos de gabinete, pensavam o mundo pelo olhar
de suas sociedades, como algo estranho.
As sociedades estudadas diretamente por esses antropólogos eram sociedades sem escrita,
longínquas, isoladas, de pequenas dimensões, com reduzida especialização das atividades
sociais, sendo classificadas como “simples” ou “primitivas” em contraste com a organização
“complexa” das sociedades dos pesquisadores.
FRANZ BOAS
Nos primeiros trinta anos do século XX, o trabalho de campo passou a orientar as pesquisas
antropológicas. Franz Boas, um geógrafo de formação, crítico radical dos antropólogos
evolucionistas, ensinou que no campo tudo deveria ser anotado meticulosamente e que um
costume só tem significado se estiver relacionado ao seu contexto particular. Ensinou também
que, no “relativismo cultural”, o pesquisador deveria estudar as culturas com um mínimo de
preconceitos etnocêntricos.
Para Boas, o que constitui o “gênio próprio” de um povo é o que se dá nas experiências
individuais e, portanto, o objetivo do pesquisador é compreender a vida do indivíduo dentro da
própria sociedade em que vive.
SAIBA MAIS
Boas foi o grande mestre da antropologia americana na primeira metade do século XX. Formou
uma geração de antropólogos, como Ralph Linton, Ruth Benedict e Margaret Mead,
considerados representantes da antropologia cultural americana, caracterizada por métodos e
técnicas de pesquisa qualitativa somados a modelos conceituais próximos da Psicologia e da
Psicanálise.
Essa longa convivência com os nativos teve uma influência decisiva na inovação do método de
pesquisa antropológica. Os argonautas do Pacífico Ocidental, publicado em 1922, é um
verdadeiro tratado sobre o trabalho de campo.
A convivência íntima com os nativos passou a ser considerada o melhor instrumento de que o
antropólogo dispunha para compreender “de dentro” o significado das lógicas particulares
características de cada cultura. Malinowski demonstrou que o comportamento nativo não é
irracional, mas se explica por uma lógica própria que precisa ser descoberta pelo pesquisador.
Colocou em prática a observação participante, criando um modelo do que deve ser o trabalho
de campo:
O PESQUISADOR, POR MEIO DE UMA ESTADA DE LONGA
DURAÇÃO, DEVE MERGULHAR PROFUNDAMENTE NA
CULTURA NATIVA, IMPREGNANDO‐SE DA MENTALIDADE
NATIVA. DEVE VIVER, FALAR, PENSAR E SENTIR COMO OS
NATIVOS.
Malinowski é considerado o pai do funcionalismo, pois acreditava que cada cultura tem como
função a satisfação das necessidades básicas dos indivíduos que a compõem, criando
instituições capazes de responder a essas necessidades. A conduta de observação
etnográfica, assim como a apresentação dos resultados sob a forma monográfica, obedece aos
pressupostos do método funcional.
SAIBA MAIS
A análise funcional consiste em analisar todo fato social do ponto de vista das relações de
interdependência que ele mantém, sincronicamente, com outros fatos sociais no interior de
uma totalidade.
Grande parte da renovação das ciências sociais se deve às influências diretas ou indiretas dos
métodos de pesquisa de Malinowski. Os argonautas do Pacífico Ocidental, uma obra seminal,
provocou uma verdadeira ruptura metodológica na Antropologia, priorizando a observação
direta e a experiência pessoal do pesquisador no campo.
Por meio do contato íntimo com a vida nativa, exaustivamente registrado no diário de campo,
Malinowski buscou as respostas para essas questões preocupando‐se em compreender o
ponto de vista nativo.
Vamos assistir ao vídeo em que a professora Miriam Goldenberg, autora de diversos livros de
Antropologia, explica um pouco mais sobre isso.
WEBERIANA
Weber (1864-1920) foi um intelectual alemão que figura entre os fundadores da Sociologia.
Seu trabalho abordou particularmente a relação entre capitalismo, protestantismo e burocracia,
sendo a obra A ética protestante e o espírito do capitalismo, de 1904, um livro seminal para as
ciências sociais.
HERMENÊUTICO
Hermenêutica é a filosofia que estuda a interpretação dos textos.
Fonte: dicio
ANTROPOLOGIA REFLEXIVA
Conhecida também como pós‐interpretativa, ela propõe uma autorreflexão a respeito do
trabalho de campo nos seus aspectos morais e epistemológicos. Essa antropologia questiona a
autoridade do texto antropológico e propõe que o resultado da pesquisa não seja fruto da
observação pura e simples, mas de um diálogo e de uma negociação de pontos de vista entre
pesquisador e pesquisados.
ESCOLA DE CHICAGO
Em 1930, o termo Escola de Chicago foi utilizado pela primeira vez por Luther Bernard, em
Schools of Sociology. Por esse termo, designa‐se um conjunto de pesquisas realizadas, a partir
da perspectiva interacionista, particularmente depois de 1915 na cidade de Chicago. Um de
seus traços marcantes é a orientação multidisciplinar, envolvendo, principalmente, a Sociologia,
a Antropologia, a Ciência Política, a Psicologia e a Filosofia.
Enfatizando a natureza simbólica da vida social, Mead aponta que são as atividades interativas
dos indivíduos que produzem as significações sociais.
ROLE‐TAKING
O self representa o outro incorporado ao indivíduo. É formado por meio das definições feitas
por outros que servirão de referencial para que o indivíduo possa ver a si mesmo.
ATENÇÃO
Uma consequência importante disso é que o pesquisador só pode ter acesso a esses
fenômenos particulares, que são as produções sociais significantes dos indivíduos, quando
participa do mundo que se propõe a estudar.
DURKHEIMIANA
Interacionismo simbólico
Teoria dos fatos sociais
ESTRUTURALISMO E OLHAR DE LÉVI-
STRAUSS
Enquanto os principais debates buscavam compreender o papel dos códigos culturais ou suas
dinâmicas de compreensão, Strauss vai no sentido de reaproximá-lo da Sociologia; não à toa o
autor é classificado como inaugurador ou principal nome da antropologia estrutural.
Toda sociedade é composta por “prédios”, composições próprias e singulares. O olhar de Lévi-
Strauss, mais do que perceber o papel da cultura, percebe a cultura como um elemento imerso
na estrutura, sendo ora interpretativo, ora representativo ou ainda legitimador de determinados
fenômenos sociais. A tensão entre a proposta da antropologia estrutural e da antropologia
cultural reside no entendimento da relação entre natureza e cultura.
Cultura
ATENÇÃO
Para Lévi-Strauss, essa é a base da própria ideia de vida social, e exemplifica com a proibição
do incesto, que marca uma obrigação da troca das mulheres e expressa a passagem do fato
natural da consanguinidade para o fato cultural da aliança (DESCOLA, 2011).
RESUMINDO
Cultura é parte importante de sociedades humanas. Sempre foi objeto de interesse das
pessoas, no entanto, a partir do século XX, ela passou por um processo de organização como
campo de pesquisa e conhecimento. Esse processo gerou debate de autores, ajudando-nos a
perceber que lidar com cultura, antropologia e sociedade não tem nada de fácil ou automático.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 2
Para abrir o módulo, vamos recuperar algumas ideias que perpassaram o que vimos até aqui.
Afinal, essas ideias são importantes para não perdermos de vista alguns conceitos-chaves que
trataremos mais daqui por diante:
ETNOCENTRISMO
RELATIVISMO
ETNOCENTRISMO
Quando acreditamos que existe uma forma correta, uma cultura correta, baseada em nossas
experiências e todas as outras ou são “estranhas” ou “erradas”.
RELATIVISMO
Quando buscamos entender a formulação de uma outra lógica, ou outra cultura, entendendo
que podem adotar referenciais diferentes. Isso, no entanto, não deve servir para apagar
qualquer comportamento.
Vamos assistir ao vídeo em que a professora Miriam Goldenberg, autora de diversos livros de
Antropologia, explica um pouco mais sobre isso.
O INTERACIONISMO SIMBÓLICO:
OS PROBLEMAS SOCIAIS E A
ANTROPOLOGIA URBANA
O interacionismo simbólico destaca a importância do indivíduo como intérprete do mundo
que o cerca e, consequentemente, desenvolve métodos de pesquisa que priorizam os pontos
de vista dos indivíduos com o propósito de compreender as significações que os próprios
indivíduos põem em prática para construir seu mundo social.
Como a realidade social só aparece sob a forma de como os indivíduos veem este mundo, o
meio mais adequado para captar a realidade é aquele que propicia ao pesquisador ver o
mundo “através dos olhos dos pesquisados”.
A pesquisa da Escola de Chicago tem a marca do desejo de produzir conhecimentos úteis para
a solução de problemas sociais concretos que enfrentava a cidade de Chicago.
Grande parte de seus estudos refere‐se aos problemas da imigração e da integração dos
imigrantes à sociedade americana, bem como delinquência, criminalidade, desemprego,
pobreza, minorias e relações raciais.
Al Capone, famoso gângster de Chicago,
United States Bureau of Prisons, 1931.
Devido à sua forte preocupação empírica, uma das contribuições mais importantes da Escola
de Chicago foi o desenvolvimento de métodos originais de pesquisa qualitativa: a utilização
científica de documentos pessoais, como cartas e diários íntimos, a exploração de diversas
fontes documentais e o desenvolvimento do trabalho de campo sistemático na cidade –
antropologia urbana.
EXEMPLO
O estudo de W. I. Thomas e F. Znaniecki sobre a vida social dos camponeses poloneses nos
EUA é um ótimo exemplo da sociologia praticada pela Escola de Chicago. O camponês
polonês na Europa e na América, 1918‐1920, é um estudo da imigração de camponeses
poloneses e dos seus problemas de assimilação nos EUA. Os dois pesquisadores reuniram
dados coletados na Polônia e nos Estados Unidos: artigos de jornais diários, arquivos de
tribunais e de associações americano‐polonesas, fichários de associações de assistência
social, cartas trocadas entre famílias que viviam nos Estados Unidos e na Polônia, além do
longo relato autobiográfico de um imigrante polonês.
Thomas e Znaniecki dedicaram todo um volume da obra a uma autobiografia escrita por um
imigrante polonês em Chicago. Essa autobiografia foi cotejada com outras fontes, como cartas
familiares, jornais diários e arquivos. Aplicando um dos princípios do interacionismo simbólico,
os dois pesquisadores acreditavam que por meio do registro da vida de um imigrante poderiam
penetrar e compreender “por dentro” o seu mundo.
Grande parte da produção da Escola de Chicago foi orientada por Robert Park, que, antes de
se tornar professor de Sociologia em Chicago de 1914 a 1933, foi jornalista durante vários
anos, atividade que influenciou seus métodos de pesquisa e de seus discípulos. Park
considerava a cidade como o laboratório de pesquisas sociológicas por excelência.
Muitas pesquisas de Chicago voltaram‐se para um problema candente nos EUA: os conflitos
étnicos e as tensões raciais. Pesquisas sobre as comunidades de imigrantes, sobre os
conflitos raciais entre brancos e negros, sobre criminalidade, desvio e delinquência juvenil,
tornaram a sociologia de Chicago famosa em todo o mundo.
Vamos a alguns exemplos de pesquisa e que mudam o campo da Antropologia com o seu olhar
para as novas relações humanas.
FREDERIC THRASHER
JOHN LANDESCO
CLIFFORD SHAW
EDWIN SUTHERLAND
FREDERIC THRASHER
Sociólogo americano, membro da Escola de Chicago, que inaugura uma nova linha de objetos
antropológicos pensando em algo muito perto de seu cotidiano. Publicou, em 1923, sua tese de
doutorado sobre as gangues de Chicago.
JOHN LANDESCO
Sociólogo americano que continua a apropriar os olhares trabalhados com um forte destaque
para a metodologia a ser desenvolvida e que muda a história da Ciência. Publicou, em 1929,
uma obra com vasta pesquisa sobre a criminalidade de Chicago a partir de histórias de vida de
gângsteres.
CLIFFORD SHAW
Uma das obras mais famosas da Escola de Chicago, The Jack‐Roller: A delinquent boy’s own
story, publicada em 1930, é baseada na história de vida de um jovem delinquente de dezesseis
anos, Stanley, que Clifford Shaw acompanhou durante seis anos, dentro e fora da prisão. Logo
depois, em 1931, Shaw publicou The natural history of a delinquent career, sobre um
adolescente acusado de estupro.
EDWIN SUTHERLAND
ATENÇÃO
É preciso destacar que a sociologia da Escola de Chicago abriu caminhos para a Sociologia
como um todo, principalmente no que diz respeito à utilização de métodos e técnicas de
pesquisa qualitativa. O trabalho de campo tornou‐se uma prática de pesquisa corrente também
na Sociologia e não apenas na Antropologia, além de proporcionar vários temas de pesquisa à
sociologia contemporânea e desenvolver novas correntes teóricas, como as teorias do rótulo e
do desvio.
HOWARD BECKER
ERVING GOFFMAN
HOWARD BECKER
Outsiders: estudos de sociologia do desvio (1963), sobre músicos profissionais fumantes de
maconha, discute os processos pelos quais os desviantes são definidos como tais pela
sociedade que os cerca, mais do que pela natureza do ato que praticam.
ERVING GOFFMAN
DEMANDAS DISRUPTIVAS
ATENÇÃO
Baseada na ideia de seleção natural de Charles Darwin, entendia que os grupos marginais e o
crime seriam resultados da estrutura desorganizada das cidades.
FENOMENOLOGIA SOCIOLÓGICA E A
ETNOMETODOLOGIA:
OUTRAS POSSIBILIDADES
A Escola de Chicago abriu caminho para correntes teóricas que, mesmo não podendo ser
diretamente associadas a ela, não deixam de apresentar certa influência de sua abordagem
metodológica, como a fenomenologia sociológica e a etnometodologia.
FENOMENOLOGIA SOCIOLÓGICA
Busca sua fundamentação na filosofia de Husserl, que faz uma crítica radical ao objetivismo da
ciência. Seu argumento é o mesmo de W. Dilthey e Max Weber: os atos sociais envolvem uma
propriedade – o significado – que não está presente em outros setores do universo abarcados
pelas ciências naturais. Proceder a uma análise fenomenológica é substituir as construções
explicativas pela descrição do que se passa efetivamente do ponto de vista daquele que vive a
situação concreta.
W. DILTHEY
Wilhelm Dilthey foi um filósofo alemão caracterizado com a corrente historicista. Uma de suas
obras mais conhecidas é Vida de Schleiermacher, de 1883, em que advoga pela
independência do método para as ciências humanas em distinção às ciências naturais.
ETNOMETODOLOGIA
A teoria aborda uma forma de compreender a prática artesanal da vida cotidiana, interpretada
já numa primeira instância pelos atores sociais. Ela procura descobrir as práticas e
representações segundo as quais as pessoas negociam, cotidianamente, a sua inserção nos
grupos. A sociologia de Garfinkel repousa sobre o reconhecimento da capacidade reflexiva e
interpretativa de todo ator social.
RESUMINDO
Essas duas escolas, a fenomenologia e a etnometodologia, inserem‐se na tradição
metodológica qualitativa ao tentar ver o mundo através dos olhos dos atores sociais e dos
sentidos que eles atribuem aos objetos e às ações sociais que desenvolvem.
VERIFICANDO O APRENDIZADO
MÓDULO 3
Mais longe, dentro de realidades urbanas, grupos que eram tremendamente limitados a um,
dois ou três espaços de interações passam a estar multiplicados de sentidos e meios. Cada um
hierarquizado e marcado por novos conjuntos culturais.
Não são dinâmicas determinantes, mas aspectos em que estamos imersos de forma tão
profunda que simplesmente não conseguimos perceber que as chaves, os debates
antropológicos aqui apresentados estão dialogando com a nossa condição de sujeito e os
objetos dessa análise somos nós. Para que isso fique mais claro, passamos a pensar sobre
olhares da Antropologia brasileira e como ela tem aberto debates fundamentais para você.
Como afirmou Marcel Mauss (1974), é através da “imitação prestigiosa” que os indivíduos de
cada cultura constroem seus corpos e comportamentos. Para Mauss:
IMITAÇÃO PRESTIGIOSA
Qual é o corpo que é imitado (ou desejado) pelas mulheres e, também, pelos homens?
Em Nu & Vestido (2002), Goldenberg reuniu resultados de uma ampla pesquisa realizada com
1.279 moradores da cidade do Rio de Janeiro, analisando seus valores e comportamentos; e
analisa os arranjos conjugais em nossa sociedade por meio da categoria de corpo.
No Brasil, e mais particularmente no Rio de Janeiro, o corpo trabalhado, cuidado, sem marcas
indesejáveis (rugas, estrias, celulites, manchas) e sem excessos (gordura, flacidez) é o único
que, mesmo sem roupas, está decentemente vestido.
Pode-se pensar, assim, que, além do corpo ser muito mais importante do que a roupa, ele é a
verdadeira roupa:
A beleza
O corpo
A inteligência
“O que você mais inveja em um homem?”
A inteligência
O poder econômico
A beleza
O corpo
Já cerca de 40% dos homens pesquisados disseram não invejar “nada” nas mulheres;
Os poucos homens que disseram invejar algo apontaram maternidade, capacidade de
engravidar e sensibilidade.
Também com relação à atração entre os sexos, o corpo tem um papel fundamental. Ao
perguntar:
A inteligência
O corpo
O olhar
“O que mais te atrai em uma mulher?”
A beleza
A inteligência
O corpo
O tórax
O corpo
As pernas
“O que mais te atrai sexualmente em uma mulher?”
As respostas masculinas foram:
A bunda
O corpo
Os seios
“bonito”
“forte”
“definido”
“malhado”
“trabalhado”
“sarado”
“saudável”
“atlético”
“Eu sou magra, jovem, cabelos louros, longos e lisos, bunda e seios grandes, linda, sensual e
carinhosa”
A “DOMINAÇÃO MASCULINA” E A
CONJUGALIDADE
Em uma pesquisa cujo objetivo principal era compreender a convivência, muitas vezes
conflituosa, de novas e tradicionais formas de conjugalidade, é de certa forma surpreendente a
centralidade que a categoria corpo adquiriu para determinado segmento social. Tanto nas
respostas sobre inveja, admiração e atração, como nas que procuravam um parceiro amoroso,
o corpo aparece como um valor fundamental.
Ao responder o que inveja, atrai ou admira, o corpo aparece sem nenhum adjetivo, é
simplesmente “O corpo”. Ele só passa a ser adjetivado nas respostas dos anúncios. Só então
ficamos sabendo de que tipo de corpo está se falando quando os pesquisados se referem
abstratamente ao corpo. Não é um corpo indistinto dado pela natureza, mas trabalhado,
paradoxalmente uma “natureza cultivada”, uma cultura tornada natureza.
(RODRIGUES, 1979)
Desde o início deste século, os dados mostram que a brasileira é campeã na busca de um
corpo perfeito.
EXEMPLO
A revista Time chamou a atenção para esse fato na capa que trouxe Carla Perez com a
seguinte legenda: “The plastic surgery craze: latin american women are sculping their bodies as
never before – along California lines. Is this cultural imperialism?”. A Veja confirmou com a capa
“De cara nova: com operações mais baratas, alternativas de conserto para quase tudo e
grandes médicos em atividade, o Brasil passa a ser o primeiro do mundo em cirurgia plástica”.
No Brasil, esta última motivação é a que mais cresce: a busca de um corpo perfeito.
O sociólogo francês Pierre Bourdieu (1999) criticou a “dominação masculina”, que estipula:
Daí a ênfase com que os homens pesquisados falam da altura, da força física, do tamanho do
tórax e do pênis.
Mulheres são obrigadas a serem delicadas, submissas, apagadas
ATENÇÃO
A anorexia parece ter evoluído da condição de patologia para a categoria de “estilo de vida”.
Inúmeras páginas pessoais na internet divulgam dicas para aquelas que desejam aderir a um
estilo de vida que tem a magreza como modelo a ser seguido.
Homens tendem a se mostrar insatisfeitos com as partes de seu corpo que consideram
“pequenas demais”.
Mulheres dirigem suas críticas às regiões de seu corpo que lhe parecem “grandes demais”.
Bourdieu acreditava que a dominação masculina, que constitui as mulheres como objetos
simbólicos, tem por efeito colocá-las em permanente estado de insegurança corporal, ou
melhor, de dependência simbólica:
Elas existem primeiro pelo, e para, o olhar dos outros, como objetos receptivos, atraentes,
disponíveis. Delas se espera que sejam “femininas”, ou seja, sorridentes, simpáticas,
atenciosas, submissas, discretas, contidas ou até mesmo apagadas. Nesse caso, ser magra
contribui para esta concepção de “ser mulher”.
EXEMPLO
A preocupação com a altura, força física, potência, poder, virilidade e, particularmente, com o
tamanho do pênis, pode ser vista como exemplo dessa dominação que o dominante também
sofre.
A FEBRE DA “BELEZA-MAGREZA-
JUVENTUDE” E O CASO BRASILEIRO
Gilles Lipovetsky (2000) analisou a febre da “beleza-magreza-juventude” que exerce uma
“tirania implacável sobre a condição das mulheres”.
(LIPOVETSKY, 2000)
Lipovetsky acrescentou, ainda, que, de forma contraditória, quanto mais se impõe o ideal de
autonomia individual, mais se aumenta a exigência de conformidade aos modelos sociais de
corpo.
Senhores
Doutores
Masoquistas
Escravos
Analfabetos
(FREYRE, 2002)
Pode-se enxergar melhor o paradoxo apontado por Lipovetsky com a ideia de “contrários em
equilíbrio” de Gilberto Freyre. No Brasil, o desenvolvimento do individualismo e a intensificação
das pressões sociais das normas do corpo caminham juntas.
De outro, encontra-se, atualmente, submetido a coerções estéticas mais regulares, mais
imperativas e mais geradoras de ansiedade do que antigamente.
RESUMINDO
VERIFICANDO O APRENDIZADO
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O que a Antropologia pode ensinar sobre a nossa cultura?
Como escreveu Malinowski, a Antropologia é a ciência que pode propiciar uma maior
compreensão dos nativos e assim ajudar a compreender melhor a nossa própria cultura.
Neste tema, abordamos a importância de comparar, compreender, observar e relativizar os
valores da nossa cultura e aprender a respeitar as diferenças e diversidades culturais que
existem no Brasil.
PODCAST
Agora com a palavra os professores Miriam Goldenberg e Rodrigo Rainha, relembrando alguns
pontos importante sobre a Antropologia cultural. Vamos ouvir!
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, L. O. A influência dos pressupostos da teoria da ecologia criminal da Escola
de Chicago para a elaboração das ações de segurança pública para o Centro Histórico
de Salvador. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal da Bahia, Faculdade de Direito,
Salvador, Bahia. 2013.
BERNARD, L. L. Schools of Sociology. In: The Southwestern Political and Social Science
Quarterly, v. 11, n. 2, p. 117-134. Washington University, 1930.
GOLDENBERG, M.; RAMOS, M. S. A civilização das formas: o corpo como valor. In: Nu &
Vestido. Rio de Janeiro: Record, 2002.
EXPLORE+
Algumas sugestões de livros:
Ensino de antropologia no Brasil, de Miriam Pillar Grossi, Antonella Tassinari e Carmen Rial.
Exu do brasil, tropos de uma identidade afro-brasileira nos trópicos, de Vagner Gonçalves da
Silva.
A tese de doutorado de Douglas Mansur Silva, cujo nome é Intelectuais Portugueses Exilados
no Brasil. Formação e transferência Cultural, Século XX.
Sugestões de filmes:
O documentário registra o cotidiano e as histórias dos moradores da pequena São João do Rio
do Peixe, na Paraíba. Através de depoimentos, o filme retrata o sentimento de uma população
humilde que esbanja alegria e esperança, além de apresentar as nuances de um nordeste de
alma densa e fecunda.
Documentário de 1964 sobre o povo Dani da Nova Guiné. Weyak e sua família, membros de
uma tribo, lutam para sobreviver e proteger seu território ainda não colonizado pelos europeus.
Curta-metragem de 1955, dirigido por Jean Rouch, um conhecido diretor de cinema e etnólogo
francês. É uma docuficção, sua primeira etnoficção, um gênero que ele considera ter criado.
CONTEUDISTA
Mirian Goldenberg
CURRÍCULO LATTES