Habilidades Da Vida
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1º Trabalho de Campo
Tema do Trabalho
Relação entre Saúde Reprodutivo e HIV/SIDA
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Descrição dos
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objectivos
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objecto do trabalho
Articulação e
domínio do
discurso
académico 2.0
Conteúdo (expressão escrita
cuidada, coerência
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Análise e
Revisão
discussão
bibliográfica
nacional e
2.
internacionais
relevantes na área
de estudo
Exploração dos
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dados
Contributos
Conclusão 2.0
teóricos práticos
Paginação, tipo e
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Aspectos
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gerais
espaçamento entre
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Referências 6ª edição em das
4.0
Bibliográficas citações e citações/referência
bibliografia s bibliográficas
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Índice
Capitulo I: Introdução................................................................................................................. 5
1.1.Objectivos ............................................................................................................................. 6
1.2.Geral ..................................................................................................................................... 6
1.3.Específicos ............................................................................................................................ 6
2.7.Tratamento do Sida............................................................................................................. 12
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Capitulo I: Introdução
Apesar do rápido crescimento económico que se regista em muitos países, as disparidades
dentro dos países nas áreas de educação, saúde e nutrição permanecem muito elevadas e na
maioria dos países, subsistem desigualdades significativas nas dimensões não referentes à
renda, tais como em relação ao género e espaço. Histórica e culturalmente, a reprodução e o
cuidado dos filhos e da família foram estabelecidos como actividades inerentes ao papel social
da mulher. Entretanto, mudanças sociais e económicas, como a inserção e participação
expressivas da mulher no mercado de trabalho, reflectiram em mudanças do seu papel na
sociedade e na família. Essas suscitaram espaços para discussões acerca da descentralização
dos cuidados com os filhos como responsabilidade da mulher, ampliando e valorizando a
participação e envolvimento do homem neste processo.
A legislação respalda a presença do pai durante trabalho de parto, parto e pós-parto e garante
a permanência com a mãe e bebé em Alojamento Conjunto, o que favorece e fortalece o
vínculo afectivo entre pai, mãe e filho. Esse contexto remete a discussões acerca da saúde
sexual e reprodutiva e inclui a problemática decorrente do diagnóstico de infecção pelo HIV.
Essa problemática impõe a necessidade de planejamento com a utilização de biotecnologias,
como a reprodução humana assistida (RHA), bem como a forma de protecção da transmissão
sexual e a profilaxia da transmissão vertical do vírus quando a mulher é seropositiva.
Soma-se ainda a necessidade de conhecer a condição sorológica do casal – soro igual, quando
ambos vivem com VIH ou soro diferente, quando apenas um dos parceiros vive com o vírus,
dentre outros fatos. Diante do exercício da autonomia reprodutiva de casais que vivem com
HIV, seja na condição de soroigual ou soro diferente, determinadas questões exigem uma
resposta, uma vez que os casais desejam a gestação, mas têm medo pela infecção do filho ou
do parceiro/a. Tal intenção manteve associação estatística significativa com o fato de querer
ter filhos antes do diagnóstico de HIV. Na conclusão, o estudo evidenciou que a intenção de
paternidade permanece em muitos homens mesmo após o diagnóstico de HIV.
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1.1.Objectivos
1.2.Geral
Conhecer as causas, as medidas de prevenção e asa formas de tratamento do Hiv-sida.
1.3.Específicos
Definir o conceito de reprodução e de HIV-SIDA;
Descrever os sintomas de HIV-SIDA;
Identificar as causas, as medidas de prevenção e as formas de tratamento.
1.4.Aspectos metodológicos
Para a concretização do presente trabalho, recorreu-se a leitura o modulo que descreve
conteúdos sobre a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis, artigos e manuais que
retratam sobre o HIV, jornais e a pesquisa na Internet.
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Capitulo II: Relação entre saúde sexual reprodutiva e HVI-SIDA.
Na perspectiva do homem, os achados revelaram que vivenciar a sorodiferença para o HIV na
vida conjugal conduziu seus desejos e escolhas reprodutivas, que perpassaram por
comportamentos para reduzir a transmissão do HIV. O planejamento reprodutivo e a opção
feita por mulheres está directamente influenciada por questões psicossociais e culturais. Para
os homens deste estudo, isso implicou na aceitação da gestação e adaptação aos cuidados
necessários na gestação no contexto do HIV (Gonçalves, 2009).
O planejamento de acções no serviço de saúde também perpassa a construção de vínculo e
confiança entre usuários e profissionais, visando minimizar as dimensões relacionadas ao
preconceito e estigma ainda presentes nessa relação. Por vezes, dificulta a revelação do
diagnóstico à equipe de saúde e o acesso ao serviço, e implica na culpabilização, quando os
profissionais interpretam que essa gestação poderia ou deveria ser evitada (Gonçalves, 2009).
Informações acerca dos riscos de transmissão do vírus a partir do conhecimento dos valores
de carga viral (detectável ou não detectável) seriam relevantes para minimizar culpa e medo.
A decisão dos homens em não ter mais filhos vai de encontro ao sentimento de paternidade
vivenciado positivamente nas situações em que não há a infecção pelo HIV e reflecte a
expectativa social de manifestação da virilidade masculina ao cumprir seu papel social de
reprodução da espécie.
A equidade entre homens e mulheres é fundamental para tornar realidade os Direitos
Humanos.
Sexo refere-se a um conjunto de características genotípicas e biológicas e Género é um
conceito que se refere a um sistema de atributos sociais – papéis, crenças, atitudes e
relações entre mulheres e homens – os quais não são determinados pela biologia, mas
pelo contexto social, político e económico, e que contribuem para orientar o sentido do
que é ser homem ou ser mulher numa dada sociedade.
Portanto, o género é uma construção social e histórica. Na maioria das sociedades, as relações
de género são desiguais.
Para o pleno desenvolvimento de homens e mulheres, é importante a construção de parcerias
igualitárias, baseadas no respeito entre os parceiros e em responsabilidades compartilhadas.
Portanto, é fundamental o envolvimento dos homens com relação à paternidade responsável, à
prevenção de gestações não desejadas ou de alto risco, à prevenção das DST/HIV/Aids,
dividindo também com as mulheres as responsabilidades no cuidado dos filhos e na vida
doméstica.
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2.1.Práticas educativas em saúde sexual e saúde reprodutiva.
O enfoque educativo é um dos elementos fundamentais na qualidade da atenção prestada em
saúde sexual e saúde reprodutiva (Gonçalves, 2009).
Educar é um processo de construção permanente. Segundo o educador Paulo Freire (1996),
ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a
sua construção (Gonçalves, 2009).
Para o educador embora diferentes entre si, quem forma se forma e reforma ao formar e quem
é formado forma-se e forma ao ser formado. É nesse sentido que ensinar não é transferir
conhecimentos, conteúdos, nem formar é acção pela qual o sujeito dá forma, estilo ou alma a
um corpo indeciso e acomodado (Gonçalves, 2009). A partir dessa concepção, recomenda-se
que as práticas educativas façam uso de metodologia participativa, com abordagem
pedagógica centrada no sujeito. Para se obter bom resultado, no que se refere à saúde sexual e
à saúde reprodutiva, é importante considerar o conhecimento e experiência dos participantes,
permitindo a troca de ideias sobre sexualidade, reprodução, relacionamento humano e sobre
os factores socioeconómicos e culturais que influenciam nessas questões.
As acções educativas devem estimular as mulheres e os homens, adultos e adolescentes ao
conhecimento e ao cuidado de si mesmos, fortalecendo a auto-estima e a autonomia,
contribuindo para o pleno exercício dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos. Para que
esses valores e conceitos sejam incorporados, é fundamental que os profissionais aprendam a
acolher o discurso do outro, interagindo sem expressar juízo de valor – escuta activa – e a
reconhecer a subjectividade – que deve ser entendida como um conjunto de características
pessoais, emocionais e culturais que permitem a identidade própria e fazem do indivíduo
sujeito de suas acções (Paiva, 2012).
As estratégias educativas devem ser implementadas a partir da problematização das realidades
dos usuários, o que significa reflectir sobre as situações, questionando os fatos, fenómenos e
ideias, para compreender os processos e construir propostas e soluções no colectivo. E nesse
processo de problematização deve-se buscar envolver todos, ou seja, tanto os usuários quanto
os trabalhadores do serviço de saúde.
É necessário que se considere que cada pessoa envolvida no processo educativo tem
determinado conceito de saúde, visão de mundo, de corpo, de sexualidade, orientação sexual
etc. Além disso, também carrega diversos conhecimentos sobre sua saúde, autocuidado,
doenças e como evitar ou tratá-las. E cada um desses conceitos e conhecimentos deve ser
considerado no processo educativo, pois o reconhecimento e o acolhimento, por parte do
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grupo, de todos esses conceitos prévios são determinantes na construção da possibilidade de
um diálogo educativo, produtor de novos conhecimentos e novas práticas. As práticas
educativas tradicionais, tais como as “palestras”, não se mostram efectivas por não levarem
em conta as concepções prévias e situações de vida dos sujeitos envolvidos. A aprendizagem
significativa acontece quando aprender uma novidade faz sentido para nós. Geralmente isso
ocorre quando a novidade responde a uma pergunta nossa e/ou quando o conhecimento novo
é construído a partir de um diálogo com o que já sabíamos antes. Isso é bem diferente da
aprendizagem mecânica, na qual retemos conteúdos (Paiva, 2012).
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inclusive para pessoas que vivem com HIV/Aids. No início da epidemia de Aids, o risco de
transmissão vertical do HIV elevado impediu que profissionais de saúde e a sociedade
aceitassem o direito reprodutivo das mulheres infectadas pelo HIV.
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De acordo com Gonçalves (2009), existem dois vírus denominados genericamente HIV que
podem causar a aids:
HIV-1 e HIV-2
O HIV-1 é o mais frequente em todo o mundo, já o HIV-2 é menos comum e produz menor
quantidade de partículas virais no organismo do que o HIV-1. No entanto, o HIV-2
apresenta maior resistência a anti-retrovirais do tipo não nucleosídeos, uma classe de
medicamentos utilizada no tratamento da infecção por HIV no Brasil. É importante destacar
que um mesmo indivíduo pode apresentar uma infecção causada pelos dois tipos de vírus, os
quais se replicam simultaneamente no organismo, causando a chamada infecção conjunta ou
superinfecção (Gonçalves, 2009).
2.4.Transmissão do HIV.
A transmissão do HIV ocorre devido ao contacto com fluídos corporais (Gonçalves, 2009).
Nas relações sexuais (sémen e secreções vaginais);
No compartilhamento de materiais perfurocortantes que entram em contacto com o
sangue, como agulhas, alicates de unha, entre outros;
Na transfusão de sangue, embora, actualmente, o sangue a ser utilizado em transfusões
passe por rigorosos testes para evitar esse tipo de transmissão;
Da mãe para o filho (transmissão vertical) pela gestação, pelo parto ou aleitamento materno;
No manuseio de materiais contaminados e sua possível contaminação por parte dos
profissionais de saúde (transmissão ocupacional).
Infecção aguda
Ocorre de cinco a 30 dias após a exposição ao vírus. Nessa fase surgem sintomas que se
assemelham à gripe ou à mononucleose e duram cerca de 14 dias. Entre eles estão: febre,
fadiga, aumento dos gânglios linfáticos (adenopatia), faringite, cefaléia, suores nocturnos,
úlceras orais e genitais.
Fase assintomática: após a fase de infecção oral, surge uma fase de estabilização, na
qual as manifestações clínicas são mínimas ou ausentes. No entanto, alguns indivíduos
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podem apresentar linfoadenopatia generalizada persistente, “flutuante” e indolor, que é
o aumento dos linfonodos em várias regiões do corpo, podendo ser persistentes ou
desaparecerem e voltarem de tempos em tempos, não causando dor.
Fase sintomática inicial: surgem sinais e sintomas inespecíficos que podem durar mais
de um mês, os quais são conhecidos como complexos relacionados a aids (ARC), além
de ocorrer um aumento da carga viral e queda na contagem dos linfócitos T-CD4+.
Dentre os sinais e sintomas, podemos citar: sudorese nocturna, perda de peso, diarreia, fadiga,
linfoadenopatia generalizada, candidíase oral e vaginal, herpes simples recorrente, herpes
zóster, úlceras aftosas, gengivite, SIDA/Doenças oportunistas.
2.6.Diagnóstico do Sida.
O diagnóstico da infecção por HIV é realizado por meio de exames específicos, para realizá-
los, é necessária a colecta de sangue ou fluído oral. Os exames devem ser feitos, no mínimo,
30 dias após a exposição à situação de risco, como sexo desprotegido. Isso se deve ao fato de
que o exame busca detectar anticorpos produzidos pelo organismo contra o vírus, os quais
podem não ser detectados nesse período, denominado janela imunológica, resultando assim
em falso negativo (Gonçalves,2009).
Existem dois tipos de exames que podem ser realizados para o diagnóstico de HIV,
os laboratoriais e os testes rápidos. Os chamados testes rápidos são capazes de detectar
anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutos.
2.7.Tratamento do Sida.
A infecção causada pelo HIV não tem cura, no entanto, o tratamento reduz a carga viral no
organismo portador de forma a garantir uma melhor qualidade de vida e diminuindo também
as chances de transmissão da doença (Barbosa, 2011).
Existem dois tipos de medicamentos, chamados de anti-retrovirais, utilizados no tratamento
da doença no Brasil:
Inibidores da transcriptase reversa
Inibidores da protéase
Os inibidores da transcriptase reversa atuam inibindo a replicação do HIV, bloqueando
a acção da enzima transcriptase reversa, a qual converte o RNA viral em DNA.
Os inibidores da protease inibem a acção da enzima protease, a qual atua na clivagem das
cadeias proteicas, produzidas pela célula infectada, em proteínas virais estruturais e enzimas
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que formarão cada partícula dos novos vírus. O tratamento apresenta melhores resultados
quando utilizados dois ou mais medicamentos de uma mesma classe farmacológica, o que se
denomina terapia combinada (Barbosa, 2011).
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Terá poder de decidir se, quando e com que frequência engravidar; terá um parto
seguro em um hospital ou clínica sob os cuidados de um profissional de saúde. Por
outro lado, uma mulher pobre, pouco instruída e vivendo em uma área rural
provavelmente terá poucas opções para evitar a gravidez, se manter saudável durante a
gravidez ou dar à luz com a ajuda de um profissional qualificado.
E, ao buscar exercer seus direitos reprodutivos, ela pode encontrar obstáculos sociais e
institucionais que sua contraparte abastada, instruída e urbana talvez nunca encontre, ou possa
superar facilmente. As desigualdades em saúde sexual e reprodutiva estão relacionadas à
desigualdade económica. Na maioria dos países hoje o acesso à assistência à saúde sexual e
reprodutiva é geralmente menor entre os domicílios dos 20% mais pobres, e mais alto entre os
20% mais ricos. As pesquisas demográficas e de saúde sobre mulheres e homens em países
em desenvolvimento e alguns países desenvolvidos colectaram muitos dados sobre acesso à
saúde sexual e reprodutiva. Esses dados indicam diferentes níveis de desigualdade, embora
em alguns casos o acesso e os resultados tenham melhorado (Nweti, 2004).
As desigualdades regionais descritas anteriormente no que diz respeito à pobreza e ao acesso
à educação interagem claramente com o acesso à saúde, incluindo a saúde reprodutiva. O
acesso e a utilização de qualquer forma de contracepção são comparativamente baixos,
embora o inquérito mais recente revele melhorias em termos de rendimento e região no acesso
e utilização de métodos modernos de controlo de natalidade (Nweti, 2004).
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faixa etária mais jovem (15-19) apresenta a taxa de infecção mais baixa de 4,3% (Gonçalves,
2009).
Este número aumenta sucessivamente pelos intervalos etários, atingindo o seu pico de 21,2%
no grupo etário 35-39 anos antes de reduzir lentamente e apresentar uma taxa de infecção de
12% nos da faixa etária de 50-59 anos (Mattos, 2010).
O HIV/SIDA tem uma importante dimensão de género na África Subsaariana, pois as
mulheres apresentam taxas de infecção significativamente mais elevadas. Na verdade, as
mulheres têm taxas de infecção vários pontos percentuais mais elevados que os homens. As
taxas de infecção dos jovens reflectem o mesmo padrão, embora felizmente em níveis de
infecção muito mais baixos. A taxa de infecção das mulheres jovens em 2015 foi de 6,5%,
enquanto para os homens jovens era de 1,5%. Na faixa etária mais seriamente infectada, 35-
39 anos, as taxas de infecção foram de 23,4 para mulheres e 17,5 para homens (Nweti, 2004).
É claro que a questão não é simplesmente a relativa falta de conhecimento das raparigas e
rapazes, mas sim a relativa falta de conhecimento dos pobres e não escolarizados, tanto
rapazes como raparigas. Também é importante notar que em nenhuma categoria o
conhecimento esteve acima dos 50%.
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Valores Culturais: São os valores que dão sentido à vida individual e colectiva dos
seres humanos de uma determinada sociedade regulando de forma padronizada os seus
comportamentos e relações (Nweti, 2004).
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2.9.4.Direitos sexuais e reprodutivos
Segundo Paiva (2012), os direitos sexuais e reprodutivos estão consagrados na Constituição
da República e outra legislação do nosso país e incluem os seguintes aspectos:
Todos os cidadãos têm direito à assistência médica e sanitária e o dever de promover e
defender a saúde pública (Artigo 89 da Constituição);
Todos os cidadãos têm direito à igualdade de acesso à assistência médica através do
Serviço Nacional de Saúde, nos termos do artigo 116 da Constituição da República;
Todos os cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos direitos e estão sujeitos
aos mesmos deveres, independentemente da cor, raça, sexo, origem étnica, lugar de
nascimento, religião, grau de instrução, posição social, estado civil dos pais, profissão
ou opção política (artigo 35 da Constituição da República).
Igualdade de Género.
O Homem e a Mulher são iguais perante a lei em todos os domínios da vida política,
económica, social e cultural, nos termos do artigo 36 da Constituição da República (Paiva,
2012).
A maternidade é dignificada e protegida nos termos da Constituição e demais
legislação ordinária em vigor no Ordenamento Jurídico Moçambicano (artigo 120 da
Constituição da República);
A Lei do Trabalho e o Estatuto Geral dos Funcionários do Estado, garante a protecção
da mulher trabalhadora nas situações de gravidez e de amamentação, nos termos do
previsto na Lei nº 8/98 de 20 de Julho (Artigos 74 e 75) da Lei do Trabalho; A lei
garante a gratuitidade dos cuidados médicos durante a gravidez, parto, transferência e
internamento (artigo 5, Lei nº 4/87 de 19 de Janeiro e Lei nº 2/77 de 19 de Janeiro -
Lei da socialização da medicina). A lei também garante a gratuitidade dos cuidados
preventivos, que inclui o planeamento familiar e atenção à criança até aos 5 anos;
Política da população, aprovada pela resolução nº 5/99 de 13 de Abril, que estipula
como objectivo prioritário contribuir para o aumento da esperança de vida ao nascer
dos Moçambicanos, adoptando como estratégia a redução da mortalidade materna e
infantil;
A Resolução nº 4/96 de 20 de Março do Conselho de Ministros aprovou a Política
Nacional da Juventude, que reconhece o direito dos jovens à informação, educação e
acesso aos serviços integrados de Saúde Sexual e Reprodutiva.
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Capitulo: Conclusão
Conclui-se com esse trabalho que o Homem e a Mulher são iguais perante a lei em todos os
domínios da vida política, económica, social e cultural, nos termos do artigo 36 da
Constituição da República de Moçambique. Na perspectiva do homem, a ocorrência do
processo reprodutivo na situação de sorodiferença para o VIH mobiliza sentimentos que o
desencorajam e promovem o pensamento de impossibilidade de ter filhos, o que decorre da
desinformação ou informações equivocadas a respeito do tema. O planejamento reprodutivo e
a opção feita por mulheres está directamente influenciada por questões psicossociais e
culturais. Para os homens deste estudo, isso implicou na aceitação da gestação e adaptação
aos cuidados necessários na gestação no contexto do HIV.
O planejamento de acções no serviço de saúde também perpassa a construção de vínculo e
confiança entre usuários e profissionais, visando minimizar as dimensões relacionadas ao
preconceito e estigma ainda presentes nessa relação. Por vezes, dificulta a revelação do
diagnóstico à equipe de saúde e o acesso ao serviço, e implica na culpabilização, quando os
profissionais interpretam que essa gestação poderia ou deveria ser evitada.
As acções educativas devem estimular as mulheres e os homens, adultos e adolescentes ao
conhecimento e ao cuidado de si mesmos, fortalecendo a auto-estima e a autonomia,
contribuindo para o pleno exercício dos direitos sexuais e dos direitos reprodutivos. Para que
esses valores e conceitos sejam incorporados, é fundamental que os profissionais aprendam a
acolher o discurso do outro, interagindo sem expressar juízo de valor – escuta activa – e a
reconhecer a subjectividade – que deve ser entendida como um conjunto de características
pessoais, emocionais e culturais que permitem a identidade própria e fazem do indivíduo
sujeito de suas acções.
É também evidente que Moçambique enfrenta grave epidemia de HIV dado o alto nível médio
de incidência e o fato de factores estruturais, como pobreza, desigualdade de gênero,
condições culturais e altos níveis de mobilidade da mão-de-obra, contribuíram todos para um
rápido e contínuo aumento de infecções de HIV no país.
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3.1.Referências Bibliográficas.
Barbosa R. (2011).Sida envelhecimento e vulnerabilidades: uma nova agenda no
campo da Saúde Colectiva. In: Belkis T, Rosa TEC, organizadores. Nós e o Outro:
envelhecimento, reflexões, práticas e pesquisa. São Paulo: Instituto de Saúde; p.297-
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Gonçalves (2009).Vida reprodutiva de pessoas vivendo com HIV/aids: revisando a
literatura. Psicol. Soc.21(2):223-232.
Mattos RS. (2010).Dimensões qualitativas na produção científica, tecnológica e na
inovação em Saúde Colectiva. Ciência. Saúde Coletiva.15(4):1945-1953.
Ministério da Saúde (BR) (2008).Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de
Atenção Integral à Saúde do Homem. Brasília: Ministério da Saúde.
Nweti (2004). Análise de Documentação sobre o Estigma e Discriminação
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Rodrigues, C. (2016). Estratégias de Resposta ao VIH/SIDA no Local de Trabalho.
Universidade Politécnica, Maputo. 27. Santos, João dos. 2014. Prevenir a Doença e
Promover a Saúde. Edição Digital Atlântico Press.
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