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Marcos 14

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24 Mas naqueles dias, depois daquela tribnlação, o .

sol se escurecerá, e a lua não dará o seu resplendor:


25 E cairão_ as estrêlas elo Cén, e se comoverão as
virtudes que estão nos Céus.
26 E então verão o Filho do homem lJUe \"irá sô-
bre as nuvens, com grande poder e majestade.
J 27 E então enviará os seus Anjos, e ajnntará os seus
escolhidos de todos os quatro ventos, desde a extremidade
da terra até à extremidade elo Céu.
: 28 Aprendei pois o que rns digo, ele uma comp:ira-
ção tirada ela figueira. Quando os seus ramos ~5t11c jú
tenros, e nascidas as folhas, conheceis qne está 1,c:i:to o
estio:
29 ·Assim também llUando vós vir<lés c1ue a<:·H1terem
estas coisas, sabei que está perto e já à porta.
30 Na verdade vos digo, que não passarú esta ge-
ração sem que tudo isto seja cumprido.
31 Passará o ·céu e a terra, mas nào passarão as
minhas pal~vras.
32· A respeito porém <lêste dia, ou desta hora, nin-
gu~m sabe quando ha de _ser, nem os Anjos no Céu, nem
o Filho, mas só o Pai : ·
33 Estai de sobreaviso, vigiai, e orai: Porque 11ão
sabeis quando chegará êsse tempo.
34 Assim como um homem que, ausentando-se para
longe, deixou a sua casa, e designou a cada nm de seus
servos a obra que devia fazer, e mandou ao porteiro que
estivesse de vigia. ·
~- 260 -
Evangelho de S. Marcos 13, 35-37; 14, 1
35 Vigiai pois, ( visto que não sabeis quando virá
o Senhor da casa: se de tarde, se à meia-noite, se ao can-
tar do galo, se pela manhã).
36 para que não suceda c1uc quando Yier de repente,
vos ache dormindo. ·
37 O que eu porém vos digo a vós, isto digo a to-
dos: Vigiai. (5)

CAPÍTULO 14
AJUNTA-SÉ O SUPREMO CONSELHO .CONTRA JESUS. UMA
MULHER LHE LANÇA SôBRE A CABEÇA UMA REDOMA DE .
CHEIROS. TRAIÇÃO DE JUDAS, QUE JESUS DESCOBRE.
INSTITUIÇÃO DO SACRAMENTO DA EUCARISTIA. CORTA
PEDRO UMA ORELHA A MALCO. FOGEM OS DISCíPULOS.
JESUS ACUSADO NA PRESENÇA DE CAIFAS, É CONDENADO
,A MORTE E ENTREGUE AOS ULTRAJES DA FAMíLIA.
PEDRO O NEGA TR!l:S VEZES.

1 Faltavam pois dois dias para. chegar .a Páscoa, em


que se começava a comer os pães asmos: ~ os· príncipes
dos sacerdotes, e os escribas andavam buscando modo:
·como prenderiam por traição a Jesus, para o matarem.

(5) VIGIAI - O preceito da vigilância cristã obriga geral- -


mente a todos os .fieis. Cristo nestas palavras não se cingia a
uma só condição de homem, ou de estados, fala com todos, e as-
sim todos devem ter presente e meditar muito esta verdade, que nos
diz Santo Agostinho, que o estado em que a cada um achar o
último momento da sua vida, que ignora quando serã, êsse terá 110
_últ~o dia do mundo, e êste decidirã a sorte que lhe ha-de caber
por tôda a eternidade. É êste e aquele terrlvel momento, de que
-depende e, eternidade.
- 261 -
2 Mas êles diziam: Não convém que isto se faça no
dia da festa, por não suceder que no povo se excite algum
· motim.
3 E estando Jesus em Betânia, cm casa de Simão o
leproso,. e s_entado à mesa: Chegou uma mulher que .trá-
zia uma redoma de alabastro cheia de· precioso bálsamo
feito de espigas de nardo, e quebrada a redoma, lho der-
ramou sôbre a sua cabeça :
4· E alguns dos que estavam presentes indignaram-
se lá entre si do que viam e disseram: Para que foi ê,,;te
desperdício de bálsamo?
S Pois podia êle ~ender-se por mais de trezentos di-
nheiros, e dar-se êste produto aos pobres. E murmuraYam
fortemente contra ela. ( 1)
6 Mas Jesus lhes disse: Deixai-a; por ,que a moles-
tais? ela fez-me uma boa obra.
7 Porque vós sempre tendes convosco os pobres :
Para que quando lhes queirais fazer bem, lho possais fa-
zer: Porém a mim ·não me tendes sempre.
8 Ela: fez o que cabia nas suas fôrças: Foi isto em-.
balsamar-me antecipadamente o corpo para a sepultura:
9 Em verdade vos digo : Onde quer que for pre-
.gado êste Evangelho, que será em todo . o mundo, ser<'!,
também contado para sua memória, o que esta obrou.
. · 10 Então se retirou Judas Iscariotes, que era um
dos doze, a bus·car os príncipes dos sacerdot~s, pará lhes
entregar a Jesus.

(11 POR MAIS.DE TREZENTOS DINHEIROS:.._ Isto é trinta


mil réis da nossa moeda, aproximadamente.
- 262 -
11 :Êles ouvindo isto se · alegraram, e prnmeteram
dar-lhe dinheiro. E buscava Judas ocasião oportun,i. para
o entregar.
12 E no primeiro dia em que ·se comiam os pães
asmos, quando se imolava o Cordeiro Pascal, disseram-lhe
seus discípulos : Onde que·res tu que nós .vamos preparar-te
o que é necessário para _comeres a Páscoa? ·
13 Enviou ê!e pois a dois ele st:!us discípulos, ·e dis-
se-lhes: Ide à cidade, e lá vos sairá ao encontro um ho-
mem que levará uma bilha de água; ide atrás dêle:
14 E onde quer que êle entrar: Dizei ao dono da
casa que o Mestre diz: Onde é o aposento em que eu po-
derei comer a Páscoa com meus discípulos?
15 E êle vos mostrará um cenáculo, todo mobilado,
e preparai-nos lá o que é necessário .. (2) ·
16 E partiram seus discípulos, e chegaram à cida-
de, e acharam tudo como êle lhes havia dito, e prepararam
a Páscoa. '
17 E chegada a tarde, foi Jesus com os doze'.
18 E quando êles estavam à mesa e ceavam, disse-
lhes Jesus: Em verdade vos digo, que um de vós que
comigÓ come, me há de ent.r.egar. ·

(2) CENACULO - E' o anágaion, compartimento superior on-


de se recebiam os hóspedes. Sôbre o lugar do cenáculo edificou-se
uma igreja, de que dá testemunho S. Epifânio. Em 1551, a
igreja do cenáculo foi convertida em mesquita e passou a ter o
nome que ainda hoje conserva - Nebi-Daví. · Uma antiga tradição
dizia que- o cenáculo pertencera a José de Arlmatéla. Devia ter
dois-andares; no superior ficava o _local onde Jesus Cristo celebrou
a derradeira cela, e Instituiu a Sacrossanta Euca~lstla. A este
desta última sala está a do cenotáflo de Davi.·
-263 -
.19 Então se começar,nn êles ::i entristecer, e c::ida um
ele per si lhe perguntm·a: Sou eu?
20 Respondeu-lhes Jesus: E'_ um dn;; doze q11c mete
comigo a mão no prato.
21 E quanto ao Filho d11 hn111e111, êlc \'ai sL·gundo
o que dêle está escrito: i\f as ai claquêlc homem. por m~io
do qual será entregue o Filho do homem : :\klhnr lhe
fôra, se êsse homem não h011yera nasci d,,.
22 - E quando êles csta\·am co111c11<lo. to11]{)t1 Jesus o
pão, e depois 'ele o benzer, pa1·tiu-,, L' clru-lho. e disSl': To-
mai, êste é o meu Corpo. ( 3)
23 E te11clo tomado n cúlicc. depois que deu g-raças,
lho deu: E todos beberam clêlc.
24 E Je'sus lhes disse: tste é o meu sangue do Noyo
Testamento, que será derramado por muitos. ( 4)
2.5 Etn verdade vos digo. que L'U não heherci _iamai,
clêste fruto ela vicie ·até chegar aq11êle dia t•in que o beba
de novo no reino ele Deus .

. _(3) .TOMAI - Ç) grego acrescenta: comei. - Pereira.


(4) QUE SÉRA DERRAMADO POR MUITOS - O grego diz:
que é derramado. S. Marcos diz aqui, por antecipação, que bebe-
ram todos do cálice e lhes ·disse: Jl:ste é o meu sangue, etc. E
assim é necessário ajuntar estas palavras: ll:ste é o meu sangue,
com estas outras; ,bebei todos .dele, como se lê em Mt . 26,
27. 28, em S. Paulo, 1 ,Cor 11, 25. Com êste sangue se estabele-
ceu a all"'nça entre Deus, e o homem, e se declarou a última von-
tade de Jesus Cristo neste Testamento. Tudo o que aceitaram em
nome da Igreja os Apóstolos, que ali estavam. tste é o Novo 'I'es-
tamento, que se selou depois 'na Cruz, e _se confirmou com a morte
do Salvador.
-2M-
26 E depois de cantado o hino, sairam para o :\fonte
das Oliveiras. ( 5) ·
27 Entüo lhes disse Jesus: .\ todos ,·ós serei eu
esta noite uma ocasião ele escândalo: Pois está escrito: Eu
ferirei o pastor, e as ovelhas se porão em desarranjo.
28 Mas depois que cu ressurgir, ir-vos-ei esperar em
Galiléia.
29 Disse-lhe então Pedro: Ainda r1uando todos se
escandalizarem a teu respeito. cu contudo me não hei de
escandalizar. '
30 E Jesus lhe respondeu: Enr verdade te digo, que
hoje, nesta mesma noite; antes que o gala cante a segunda
vez, me has de tu ,negar três vezes.
31 Mas Pedro, insistindo no mesmo, acrescentava:
Ainda no caso de eu me. ver precisado a rilorrcr contigQ,
não te hei eu de negar. E n mesmo disseram também todos
os mais.
32 Vieram depois para uma herdade chamada Get-
sêmane. Então Jesus disse a. seus discípulos: Assentai-
vos aqui, enquanto eu oro.
33 E levou ·consigo a Pedro, e a Tiago, e ;i João: E
começou a ter P,avor, e angustiar-se cm extremo.
34 Então n1es disse: A minha alma ~e ai::ha ,mm"
tristeza mortal: Detende-vos aqui. e ,,igiai.

(5) 'CANTADO o· HINO _. Assim os de Moa,s, Sacy e ·Hu1'é;


seguindo o texto grego. Porque a Vulgata diz simplesmente, dito
o hino, tanto em S. Marcos, como em S. Mateus.
- 265 -
Evangelho de S. Marcos 14, 35-43
35 E tendo-se adiantad~· alguns passos, prostrou-se
em terra: E orava que, se era possível, passasse dele aque-
la hora: (6)
36 E disse: Abba, Pai, tôdas as coisas te são possí-
veis; traspassa de mim êste cálice, porém não se faça o
que eu quero senão o que tu queres. (7}
37 Depois veio, e achou-os dcinninclo. Entfo disse
a Pedro: Simão, dormes? não pudeste vigiar uma hora?
38 'Vigiai, e orai, para que não entreis em tentação.
O espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca.
39 E foi outra vez a orar, dizen~o as mesmas pa-
lavras.
40 E tornando a vir, ·achou-os outra vez dormindo,
(porque tinham carregados os olhos) e não sabiam que
lhe respondessem.
41. E. veio teréeira vez, e disse-lhes: Dormi agora,
e descansai. Basta: E' chegada a hora: Eis aqui vai o Fi-
lho do homem a ser entregue em mãos de pecadores.
42 ·Levantai-vos, vamos: Eis aí vem chegando
quem me há de entregar.
43 Ainda bem Jesus não tinha acabado de falar,
quando chega Judas Iscariotes, um dos d'oze, e com êle

'(6) AQUELA HORA. - Em que havia de padecer. No verso


seguinte lhe chama cálice.
(7) ABBA, PAI - Em hebreu e em aramaico abba,quer dizer
pai; palavra terna, e carinhosa, com que os filhos pequeninos
chamavam a seus pais, e .que ao depois se usou nas orações que se
dirigiam a Deus .cheias de afeto, Rom ~• ·15; Gal 4, 6. · ··
___: 266-'-
uma grande tropa de gente armada ele espadas e de Yara-
paus, da parte cios príncipes · dos sacerdotes, e dos escri-~
bas, e cios· anciãos.
44 Ora, o traidor tinha-lhes dado~uma senha, di-
zendo: Àquele a quem eu der um ósculo, esse é que é, pren-
dei-o e levai-o com cuidado.
45 E tanto que chegou, indo logo ter com Jesus,
lhe disse: Deus te salve, Mestre: E deu-lhe um ósculo.
46 Então êles lhe lançaram as mãos, e o prenderam.
47 E üm certo dos circunstantes, tirando âa espa-
da, feriu a um servo do sumo sacerdote, e lhe cortou uma
orelha.
48 E respondendo Jesus lhes disse : Como se eu· fô-
ra algum ladrão viestes com espadas, e varapaus a pren-
der-me?
49 Todos os dias estava eu convosco ensinando no
templo e não me prendestes. Mas isto acontece para que
que se cumpram as Escrituras.•
50 Então desamparando-o os seus discípulos, fu-
giram todos. ·
51 Ia-o, porém, seguiÍ1clo um mancebo, coberto com
um lençol sôbre .o corpo nu: E Ô pre11deraÍ11. ( 8)

(8) UM MANCEBO - O grego tem adolescentulus, que denota


um moço ainda muito rapaz. Com que se desvanei:e a opinião de
alguns, que cuidaram que êste móço fôra um dos dois. irmãos,
Tiago, ou João. O mais verossímil é que era algum dos que ali
.moravam perto, e que ouvindo o reboliço de tanta gente armada,
se levantou da cama coberto somente de um lençol: e como tam-
bém o quiseram prender, o qu~ mosti:a bem qual era o furor com
· - 267 -
,
52 Mas êle. largando o lençol. lhes escapou nu.
53 E levaram Jesus à casa do sumo sacerdote. E se
aju11taram todos os sacerdote~, e os escribas, e os anciãos.
54 Mas Pedro o foi seguindo de longe até dentro
do pátio do sumo sacerdote: E estava assentado ao fogo
com os oficiais, e ali se aquentava.
55 E os príncipes dos sacerdotes, e todo o conselho
buscavam algum testemunho contra Jesus, para o faze-
rem morrer, e não o achaYam.
56 Porque muitos, sim, depunham falsamente con:
tra êle: Mas nã~ concordavam os seus depoimentos.
57 E levantando-se uns. atestavam falsamente con-
tra êle, dizendo:
58 Nós outros lhe ouvimos dizer: Eu destruirei ês-
te templo, obra ele mãos, e em três dias edificarei outro,
que não será obra de mãos.
59 Mas esta sua mesma deposição não era coerente.
60 Então levantando-se no meio do conselho o su-
mo sacerdote, perguntou a Jesus, dizendo: Não respondes
alguma coisa ao que estes atestam contra ti?
61 Mas êle estava cm silêncio, e nada respondeu.
Tornou a perguntar-lhe o sumo sacerdote, e lhe disse:
E's tu o Cristo, Filho ele Deus bendito?

que vinham.os Judeus, largou o lençol para fugir. Alguns qu~r:~


que fo,ose o próprio S. Marcos. - Glaire. · - ·
- 268-
62 E Jesus lhe disse: Eu o sou: E vós vereis o Fi-
:ho do homem assentado à destra do poder de Deus, e vir
sôbre as nuvens do Céu.
63 Então o sumo sacerdote, .rasgando as suas vesti-
duras, disse: Para que desejamos nós ainda mais teste-·
. munhas?
64 V ás acabais de ouvir a blasfêmia: Que vos pa-
rece? A sentença qu~ todos êles der:1111 foi cme era rr-u
de morte. -
65 Então começaram alguns a cuspir nele· e a tr.par-
lhe o rosto, e a dar-lhe punhadas, e a dizer-lhe: ~\<lhi-
nha: E os oficiais lhe davam bofetadas.
66 E estando Pedro em baixo no páteo, chegou uma
. das criadas elo sumo sacerdote: '
67 E quando viu a Pedro, que se aquentava, enca~
ranclo nele, disse-lhe: Tu também estavas com Jesus. Na-
zareno.
68 Mas êle o negou, dizeÍ1clo: Nem o conheço, nem
sei o que dizes. E saiu fora onde era a entrada do p*teo,
e neste tempo cantou o galo. ·
69 E tendo-o visto outra vez a criada, começou a
dizer aos que estavam presentes: Êst.e é lá daqueles.
70 Mas êle o negou segunda vez. E pouco depois
ainda os que ali estavam,· diziàm a Pedro: · Verdadeira-
mente tu és daqueles; porque és também galileu. .
71 E êle começou a praguejar-se, e a jurar: Não
·conheço êsse homem. de quem falais.
· 72 E no mesmo ponto catltot1 o galo a segunda vez.
E ei1tão se lembrou Pedro da palavra que Jesus lhe ha,:ia
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