4 - Fato e Negocio Juridico (5)

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DIREITO

CIVIL
Professor: Wander Gomes
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1) FATO JURÍDICO
É todo acontecimento natural ou humano apto a criar, modificar ou extinguir
relações jurídicas”.

O fato material ou comum é aquele que não tem relevância para o direito.

Os fatos jurídicos dividem-se em dois grandes grupos: o grupo dos fatos naturais
e o grupo dos fatos humanos:

a) FATOS NATURAIS

São aqueles provenientes de fenômenos naturais, sem a intervenção da vontade


humana, e que produzem efeitos jurídicos. E são subdivididos em ordinários ou
extraordinários:

• Ordinários – São fatos da natureza de ocorrência comum, costumeira,


cotidiana: o nascimento, a morte, a maioridade.

• Extraordinários – São fatos inesperados, às vezes imprevisíveis: um


terremoto, uma enchente, um tsunami.

b) FATOS HUMANOS

São acontecimentos que dependem da vontade humana, abrangendo tanto os


atos lícitos como os ilícitos. Os atos lícitos também são chamados de atos
jurídicos em sentido amplo. Os fatos humanos podem ser atos ilícitos ou atos
lícitos:

• ATOS ILÍCITOS - São os que têm relevância para o direito por gerarem
obrigações e deveres para quem os pratica e na esfera cível são tratados nos
arts. 186 e 187 do CC.

• ATOS LÍCITOS - A consequência da prática de um ato lícito é a obtenção do


direito, o que acarreta a produção de efeitos jurídicos desejados pelo agente.
Dividem-se no ato jurídico em sentido estrito e no negócio jurídico.
- ATO JURÍDICO EM SENTIDO ESTRITO - gera consequências jurídicas
previstas em lei e não pelas partes interessadas, não havendo regulamentação
da autonomia privada. (Ex.: tirar CPF, alistamento militar, reconhecimento de
filhos). Não há liberdade na escolha dos efeitos desses atos, estes já são
previstos em lei.

2) - NEGÓCIO JURÍDICO
Conceito de negócio jurídico - é o ato jurídico pelo qual uma ou mais pessoas,
em virtude de declaração de vontade, instauram uma relação jurídica, cujos
efeitos, quanto a elas e às demais, se subordina à vontade declarada, nos limites
consentidos pela lei. (ex.: contrato de compra e venda, fazer um testamento,
locar uma casa, etc.).
Os negócios jurídicos podem ser unilaterais e bilaterais.
Unilaterais são aqueles para os quais é suficiente e necessária uma única
vontade para a produção de efeitos jurídicos, como é o caso típico do
testamento, doação pura e simples. Nessa modalidade, a regulamentação dos
interesses ocorre para apenas uma das partes.
Bilaterais são negócios que dependem sempre da manifestação de duas
vontades, existindo também atos plurilaterais, com manifestação de mais de
duas vontades.

O Negócio jurídico, portanto, trata-se de uma declaração de vontade dirigida à


provocação de determinados efeitos jurídicos, que deve ser analisado por três
planos:
a) Plano de existência – Um negócio jurídico não surge do nada, exigindo-se,
para tanto que seja considerado como tal, o atendimento a certos requisitos
mínimos (sujeito, objeto, declaração, forma). Neste plano “não se cogita de
invalidade ou eficácia do fato jurídico, importa, apenas, a realidade da
existência. (agente, objeto, forma, manifestação)
b) Plano de validade – O fato de um negócio jurídico ser considerado
existente não quer dizer que ele seja considerado perfeito, ou seja, com
aptidão legal para produzir efeitos. O C.C. no art. 104 enumera os
pressupostos de validade do negócio jurídico: a) agente capaz; b) objeto
lícito, possível, determinado ou determinável; c) forma prescrita ou não
defesa em lei.
c) Plano de eficácia – Ainda que um negócio jurídico existente seja
considerado válido, ou seja, perfeito para o sistema que o concebeu, isto não
importa em produção imediata de efeitos, pois estes podem estar limitados
por elementos acidentais de declaração (TERMO – evento futuro e certo,
CONDIÇÃO – evento futuro e incerto, ENCARGO – impõe ao beneficiário um
ônus a ser cumprido).

– Defeitos do negócio jurídico

Trata-se dos defeitos dos negócios jurídicos, que se classificam em vícios de


consentimento –aqueles em que a vontade não é expressa de maneira
absolutamente livre – e vícios sociais – em que a vontade manifestada não tem,
na realidade, a intenção pura e de boa fé que enuncia.

São vícios de consentimento:

a) Erro ou ignorância – Trata-se de uma falsa percepção da realidade. (Ex. Pessoa


compra um anel acreditando ser de ouro, mas não é.)
b) Dolo – Costuma-se afirmar que o dolo é o erro provocado por terceiro, e não
pelo próprio sujeito enganado. Trata-se de um artifício ou expediente astucioso,
empregado para induzir alguém à prática de um ato jurídico que o prejudica,
aproveitando ao autor do dolo ou a terceiro.
c) Coação – Trata-se da violência apta a influenciar a vítima a realizar negócio
jurídico que a sua vontade interna não deseja efetuar, daí a possibilidade de sua
anulação. São dois tipos de coação: física e moral.
d) Lesão – Trata-se de um vício que permite a obtenção de lucro exagerado por
se valer uma das partes da inexperiência da outra.
e) Estado de perigo - Identifica-se quando alguém na necessidade de salvar-se
ou pessoa de sua família assume obrigação excessivamente onerosa.
São vícios sociais:
a) Simulação – É uma declaração enganosa de vontade, visando produzir efeito
do ostensivamente indicado. É um defeito que não vicia a vontade do declarante,
uma vez que este se mancomuna de livre vontade para atingir fins espúrios, em
detrimento da lei ou da própria sociedade. Importante observar que a simulação
é uma das hipóteses de nulidade do ato jurídico.
b) Fraude contra credores – Consiste no ato de alienação ou oneração de bens,
assim como de remissão de dívidas, praticado pelo devedor insolvente, ou à
beira da insolvência, com o propósito de prejudicar credor preexistente, em
virtude da diminuição experimentada pelo seu patrimônio.

- Invalidade do negócio jurídico

O negócio jurídico que se apresenta de forma irregular, defeituosa, é ineficaz;


isto é, não produz os efeitos que produziria caso fosse perfeito. Quando o
negócio defeituoso é declarado judicialmente como tal, dada a sua ineficácia, é
anulado e torna-se INVÁLIDO

A invalidade é gênero de anulação para suas duas espécies: a NULIDADE e a


ANULABILIDADE. Na mais branda, a ANULABILIDADE, o ato é admitido ainda que
defeituoso, pois seu defeito é leve e interessa apenas às partes envolvidas; este
prosseguirá válido a menos que um interessado demande sua anulação.
Já a NULIDADE é mais grave, com a lei removendo o ato do mundo jurídico, dado
o interesse público de que este não tenha produzido efeitos.

O Código Civil de 2002, em seus arts. 166 e 167, considera nulo o negócio jurídico
quando:
a) for celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
b) for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto;
c) o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito;
d) não revestir a forma prescrita em lei;
e) preterir alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade;
f) tiver por objeto fraudar a lei imperativa;
g) a lei taxativamente o declarar nulo, ou proibir-lhe a prática, sem cominar
sanção;
h) tiver havido simulação.

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