Vivendo a incerteza: Escritos sobre a Pandemia
De Helio Hintze
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Vivendo a incerteza - Helio Hintze
PREFÁCIO
O ano de 2020 ficará marcado na história deste século XXI. Em março desse ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou estado de pandemia por conta da covid-19 – doença transmitida por um novo coronavírus.
A obra que a leitora e o leitor têm em mãos é fruto de um trabalho conjunto que objetivou afirmar a fundamental importância das Ciências Sociais e das Humanidades neste momento de pandemia. Procuramos, cada um de nós, autoras e autores, a seu modo, produzir cartografias para o enfrentamento das incertezas contemporâneas deste nosso momento histórico dramático. Com este trabalho, não tratamos de eliminar a incerteza, mas de afirmá-la e de aprendermos a conviver com ela.
Este estudo teve, para sua concepção, algumas perguntas norteadoras:
Quais as possíveis contribuições das Ciências Sociais e das Humanidades para que possamos lançar olhares construtivos sobre a névoa do contemporâneo em seu momento pandêmico?
Como as perspectivas sociológicas podem nos ajudar a entender o que passou, o que está passando e nos ajudar com o que virá?
Desta forma, construímos uma rede de reflexões em torno de temas sociais diversos, mas sempre a partir da intenção de produzir conhecimento social crítico, o qual entendemos ser fundamental para o exercício da cidadania e o enfrentamento da incerteza, característica marcante de nosso tempo.
Abro a coletânea com o texto Vivendo a incerteza
– um texto-reflexão, em tom pessoal, no qual busco fazer uma síntese de como eu pude perceber os primeiros momentos dos tempos estranhos produzidos pela pandemia do coronavírus no ano de 2020. Neste relato de front de minhas batalhas na educação, busco incentivar as pessoas a encararem a incerteza e dela tirar proveito pedagógico como uma ótima oportunidade de aprendizados
. Uma vez que abordamos a incerteza, a Pedagogia da Pergunta está presente e costura todo o texto. Como curiosidade para quem nos lê, são feitas 82 perguntas para as quais não temos respostas prontas ou genéricas. Tento, com isso, incentivar as pessoas a retomarem a corajosa atividade de perguntar: penso que este é um excelente caminho para vivermos plenamente nossa incerteza, assumirmos nossas ignorâncias e construirmos uma sociedade mais equânime e emancipada das ilusões da certeza!
No texto Divulgação de informações sobre a pandemia da covid-19 na televisão: um estudo na perspectiva da Análise Institucional
, Jandesson Mendes Coqueiro, Amanda Cipriano Torquato, Daniel Vieira Fernandes e Flávia Adriane Mapa procuraram abordar a questão central de nosso estudo a partir da análise das informações veiculadas sobre a covid-19 pela mídia televisiva. O estudo busca investigar as relações de poder que o jogo social mantém com o sistema manifesto e oculto das instituições, em especial, no caso analisado pelos autores, a televisão. Sabemos que o complexo sistema midiático é responsável por produzir aquilo que, para o senso comum, é indiferente, proibido ou permitido, produzindo
o sentido de determinados acontecimentos e relegando outros à invisibilidade. Como a mídia e, em especial, a televisão podem contribuir para uma sociedade mais justa, informando com a qualidade e a transparência que a democracia dela exige?
No capítulo seguinte, intitulado Iconoclastia contemporânea – monumentos e intolerância frente à emergência sanitária covid-19
, Rita de Cássia Lana se pergunta:
se o velho deve dar lugar ao novo sempre pela violência ou se as sociedades contemporâneas serão capazes de lidar com suas heranças problemáticas de formas positivas e que não impliquem na mera destruição e busca de apagamento das existências que antecederam a atualidade.
A partir da investigação da conflituosa relação do direito à memória
, a autora investiga diversas relações do patrimônio e da memória, abordando a temática dos museus e seus papéis – especialmente agora com as demandas de distanciamento social impostos pela covid-19 –, incluindo aí as possibilidades de novas formas de exercício de cidadania que ainda não se fazem compreender por inteiro.
Em O bolsonarismo, o ódio e a crise da covid-19
, Bruna Brandão de Faria Chistoni e Antonio Carlos Lopes Petean abordam o atual contexto político e social brasileiro para além da leitura de uma simples onda conservadora
, analisando criticamente este movimento e tecendo diálogos com outros movimentos conservadores na história recente. Abordam a novidade das fake news na construção discursiva e delirante
dos inimigos da nação e estudam os discursos presidenciais e de suas [nefastas] consequências. Os autores buscam compreender como, ao exaltar suas ideias homofóbicas, racistas, preconceituosas e patriarcais, o atual presidente conquistou uma parcela da sociedade brasileira e um círculo íntimo de colaboradores
e os desdobramentos disto, em especial no que diz respeito aos [à falta de] cuidados necessários com a saúde durante a pandemia da covid-19.
O texto Reflexões sobre mobilizações sociais em rede na contemporaneidade: novos exercícios de agência e cidadania
, escrito por Gustavo Souza Santos, busca refletir sobre a produção de novos exercícios de cidadania, democracia e fazer político diante do ciberespaço. Este estudo se baseia na interlocução entre insurgências on-line e off-line e na comunicação em rede como indumentária popular para a ação política. A reflexão presente neste capítulo investigou a emergência das mobilizações em rede e as transformações e provocações sociopolíticas desencadeadas por estas.
O estudo aborda diversas mobilizações e seus significados no sentido das transformações da esfera pública. Discute aproximações entre as emergências contemporâneas de mobilizações sociais em rede e as questões que trazem à tona ao debate sociopolítico, além das novidades trazidas à noção de esfera pública. E, por fim, reflete-se o papel da comunicação em rede nesse prospecto.
Encerramos este livro – e não à toa – com Emerson Meneses – parceiro de outras obras – o qual escreve a interessante reflexão Estalqueando Verónica: artivismo e mediação sociocultural da transgeneridade em meio à pandemia
.
O autor busca lançar um olhar sobre artistas travestis brasileiras e suas práticas on-line durante a pandemia de covid-19. Com isso, ele objetiva discutir a maneira como tais artistas têm desenvolvido práticas ciberculturais (em substituição aos palcos presenciais), de cunho ao mesmo tempo artístico e político, por meio de plataformas digitais. O caso eleito para sua análise é o de Verónica Valenttino, cantora e atriz, a qual transferiu para o ambiente virtual suas práticas de artivismo e mediação sociocultural anteriormente desempenhadas no palco.
1. VIVENDO A INCERTEZA
Helio Hintze
Cena 1: em 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara pandemia da Covid-19, doença causada pelo Coronavírus (Sars-cov-2). No mesmo dia, o site G1 traz a notícia na qual a OMS declara que o número de pacientes infectados, de mortes e de países atingidos deve aumentar nos próximos dias e semanas
¹.
Cena 2: às 08:15min do dia 19 de abril de 2021, o site da OMS² nos indica a seguinte situação planetária: 140.886.773 casos confirmados da doença Covid-19, incluindo 3.012.251 mortes. Em 15-04-21, o site G1³ notificou que o Brasil tem mais de 365 mil mortos por Covid; estados registram 3.774 mortes em 24 horas. O país já contabilizou 13.758.093 casos e 365.954 óbitos por Covid-19 desde o início da pandemia, segundo balanço do consórcio de veículos de imprensa
. A situação tornou-se gravíssima e o que temos é um panorama assustador. Podemos conferir a sequência da semana entre 09 e 15 de Abril de 2021, na média móvel de mortes diárias temos:
Sexta (9): 2.938
Sábado (10): 3.025
Domingo (11): 3.109
Segunda (12): 3.125 (recorde)
Terça (13): 3.051
Quarta (14): 3.012
Quinta (15): 2.952
Nos 404 dias que separam a suspeita inicial de que ‘deve aumentar o número de pacientes infectados’ para a catástrofe vivida até abril de 2021, o que aconteceu? Os anos de 2020 e 2021 certamente ocuparão um lugar histórico e triste no século XXI. E, o pior, a história não tem qualquer previsão de desfecho. Neste momento, vivemos os fortíssimos resultados dessa ‘segunda onda’ do aumento de casos de contaminação no país⁴. Em 30-11-20⁵, o governador do estado de São Paulo, Sr. João Dória (PSDB) havia decretado o retrocesso de todo o estado à fase amarela do plano de flexibilização⁶ de retorno das atividades do estado de São Paulo. Num gigante avanço da doença, em 15-04-21, o estado de São Paulo decretou a fase emergencial⁷ na tentativa de frear o aumento de casos e de mortes pela Covid-19. Atualmente, os hospitais estão em suas capacidades físicas e de recursos materiais no limite. Leitos de UTI abarrotados, filas de espera, gente morrendo asfixiada pela doença e pela falta de estrutura do Brasil para atender tais situações. Os profissionais da saúde estão em seu limite físico e psicológico por estarem expostos a tamanha pressão há mais de um ano. A doença foi politizada, o (des)governo atual tem a pior gestão planetária da pandemia do século XXI. Novamente, o site do G1⁸ aponta a seguinte situação:
Brasil é pior país do mundo na gestão da epidemia de Covid-19, aponta estudo australiano. A Nova Zelândia ficou em primeiro lugar no levantamento, que foi elaborado pelo Lowy Institute, da Austrália. A Transparência Internacional divulgou seu índice de percepção de corrupção, e afirma que a resposta à pandemia está relacionada ao problema da corrupção.
Paralelamente a isso, a vacinação começou no Brasil⁹. Ela ainda é incerta, desorganizada e profundamente politizada¹⁰ - falta matéria-prima, contratos com fornecedores são feitos e desfeitos, calendários são alterados à revelia, corrupção, tentativa de desvio de material, vacinação de privilegiados – mostram que a pandemia escancarou o Brasil, quando deveria por-lhe a máscara, o ocorrido foi justamente o contrário, as máscaras sociais que velavam os piores fantasmas brasileiros (machismo e racismo estruturais, culto à ignorância, etc.) foram arrancadas. Prova disso são os fortíssimos movimentos de negacionismo frente à pandemia (‘isolamento é coisa de comunista...’), frente à vacina (‘a vacina é coisa do governo para ‘nos’ controlar...’), frente ao uso das máscaras (‘não adianta nada, veja o caso do Texas’ que retirou o uso obrigatório da máscara em plena pandemia).Para todos nós, a pandemia ‘teve um começo’ em algum momento. As percepções foram diferentes. Para mim, ela começou no dia 13 de março de 2020 eu estava na cidade de São Paulo, com dois trabalhos a serem realizados nos dias 14 e 15 com aproximadamente 100 famílias de responsáveis de crianças que frequentam um programa de educação não-formal de um cliente meu. Ambos encontros foram cancelados – via WhatsApp – meu cliente precisou fechar as ‘portas por tempo indeterminado’ e eu fui ‘enviado’ de volta para minha casa com a orientação de ‘não sair até sabermos o que está acontecendo’. Assim, como muitos, fui tomado por uma vertigem que se seguiu aos próximos dias...
O que se instalou aí? Um período de medos e de profundas incertezas. Primeira incerteza: não sabemos a duração deste período. É sobre isso que eu gostaria de escrever. Sobre as incertezas, mas principalmente sobre como podemos aprender, apesar delas, com elas! Como educador dedico minha vida ao estudo da convivência. Este texto é um relato pessoal, não abordo os temas com nenhuma intenção de generalização para uma visão mais panorâmica do social, embora o ‘mote’ do livro seja a sociologia – o texto que a leitora e o leitor tem em mãos é o relato do meu front. Gosto sempre de deixar isso claro, pois é necessário que saibamos: vemos o mundo a partir de nossas perspectivas. E é a partir delas que falarei aqui, portanto, será muito nítida a quase ausência de referências em bibliografias, citações, etc.
Tempo estranho
Quer queiramos, quer não queiramos, vivemos este período de incertezas. Minha aposta? Podemos transformá-lo num tempo de possibilidades de aprendizados.