Dotações Seguras, Salvam Vidas
Dotações Seguras, Salvam Vidas
Dotações Seguras, Salvam Vidas
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Copyright 2006 do ICN International Council of Nurses, 3, place JeanMarteau, CH1201 Genebra (Sua) ISBN: 9295040449
ndice
Introduo Captulo 1 Enquadramento sobre as dotaes seguras Captulo 2 Por que so importantes as dotaes seguras? Captulo 3 Oportunidades Captulo 4 Obstculos Captulo 5 Como fazer? 5 8 10 15 18 22
Captulo 6 O papel das associaes nacionais de enfermagem 26 Captulo 7 Recomendaes ANEXOS Anexo 1: Instrumento de avaliao para as dotaes de enfermeiros 32 28
Anexo 2: Dotaes seguras: o que podem fazer os enfermeiros 35 Anexo 3: Exemplo de Comunicado de imprensa Anexo 4: Sabia que? Factos sobre as dotaes seguras Anexo 5: P rincpios da Associao Americana de Enfermeiros para as dotaes de enfermeiros Anexo 6: E stimativa da dimenso e combinao das equipas de enfermagem Anexo 7: E nunciado de posio: segurana, higiene e sade no trabalho para os enfermeiros 37 39 42 44 51
Anexo 8: Enunciado de posio: segurana dos doentes Anexo 9: Exemplos de rcios enfermeiro-doente Anexo 10: Exemplo de apresentao em PowerPoint Referncias
55 59 61 65
Introduo
A prestao de cuidados de sade encarada pela maior parte dos pases como sendo uma prioridade. O grau de responsabilidade pelos servios de sade e o conceito de prestao de cuidados esto na linha da frente da maior parte das discusses polticas. No entanto, a responsabilidade torna-se difcil quando h um fornecimento inadequado em pessoal de cuidados de sade, tal como no caso dos enfermeiros. Em frica, por exemplo, a falta de enfermeiros uma questo continuamente debatida em jornais e revistas, mas h pouca resoluo ao nvel nacional. O conceito das dotaes seguras emergiu em resultado das alteraes ao sistema de cuidados de sade em todo o mundo. Durante os ltimos 20 anos, houve crises importantes, tais como a pandemia da SIDA, surtos potenciais de gripe, recesses econmicas que levaram falta de enfermeiros e escalada de custos nos cuidados de sade. H agora uma melhor compreenso do impacto das dotaes de enfermeiros na segurana, morbilidade e mortalidade dos doentes.
O conceito das dotaes seguras emergiu em resultado das alteraes ao sistema de cuidados de sade em todo o mundo.
Este conjunto de instrumentos foi concebido para ser utilizado por enfermeiros e associaes de enfermagem. Descreve as informaes de fundo essenciais para apoiar a argumentao relativamente a nveis adequados de dotaes. Os anexos contm materiais de apoio que incluem um instrumento de avaliao das dotaes de enfermeiros, uma lista de actividades para os enfermeiros melhorarem as dotaes seguras, uma folha informativa, um exemplo de comunicado de imprensa, um exemplo de apresentao em PowerPoint e exemplos de rcios enfermeirodoente.
International Council of Nurses
3 place Jean-Marteau CH-1201 Geneva Switzerland Telephone 41 (22) 908 0100 Fax 41 ( 22) 908 0101 e-mail icn@icn.ch Website: www.icn.ch
O documento principal inclui um enquadramento sobre as dotaes seguras com informaes relevantes que essencial ter em considerao ao discutir as questes das dotaes seguras. So fornecidas evidncias de que os nveis das dotaes tm impacto sobre os resultados de morbilidade e mortalidade. So enfatizadas a importncia da combinao de competncias e da clarificao dos papis. A seco intitulada Como fazer? descreve a legislao e estruturas existentes e enfatiza o papel do juzo profissional na promoo de estratgias para as dotaes seguras. Alm disso, so apresentados enunciados de posio para fornecer mais enquadramento. As recomendaes iro orientar as associaes de enfermagem no exerccio da sua influncia no sentido de fazer ajustes no ambiente de trabalho e de conseguir nveis adequados para os enfermeiros poderem proporcionar cuidados seguros. As faltas de pessoal, bem como as transferncias de pessoal de pases com grandes necessidades para pases com capacidade para manter e sustentar nveis mais elevados de profissionais deram origem a preocupaes sobre a sade da fora de trabalho. Tornaram-se progressivamente mais importantes as questes relacionadas com ambientes de trabalho saudveis, a sade dos enfermeiros e as dotaes adequadas para manter e apoiar populaes saudveis. Tem havido um aumento na investigao que demonstra que o nvel das dotaes tem um impacto nos resultados dos doentes, tal como a mortalidade. Ainda que esta investigao esteja apenas no incio, seja frequentemente efectuada num contexto ocidental e se concentre nos ambientes de cuidados hospitalares, destaca uma relao positiva entre as dotaes de enfermeiros e os resultados globais de cuidados dos doentes.
No h um consenso generalizado na literatura relativamente ao significado das dotaes seguras.
No h um consenso generalizado na literatura relativamente ao significado das dotaes seguras e poucas definies se adequam a todos os ambientes internacionais. No entanto, os autores reconhecem efectivamente que grande parte das dotaes seguras se relacionam com a situao dos cuidados e que h elementos
que incluem a existncia de nmeros adequados de pessoal para ir de encontro complexidade das necessidades dos clientes num determinado espectro de ambientes. Os enfermeiros constituem um componente crtico nas equipas multidisciplinares e frequentemente prestam cuidados em conjunto com prestadores alternativos de cuidados, tais como membros da famlia. Ao examinar o conceito das dotaes seguras atravs de uma lente internacional, reconhece-se que os enfermeiros trabalham lado a lado com diversos prestadores de cuidados. No entanto, tal no exclui a importncia da disponibilidade de pessoal profissional. Dado que h frequentemente restries econmicas e uma falta de acesso ao ensino superior, alguns pases (p. ex. ndia, Paquisto e China) tm utilizado, ao longo da Histria, uma diversidade de pessoal para a prestao de cuidados. Por exemplo, as visitadoras de sade, os mdicos de p descalo e as doulas constituem todos categorias de trabalhadores de sade que prestam cuidados em regies onde existe pouco ou nenhum acesso aos profissionais de sade.
Dado que h frequentemente restries econmicas e falta de acesso ao ensino superior, alguns pases tm utilizado uma diversidade de pessoal de sade para a prestao de cuidados.
Nalgumas reas, os enfermeiros trabalham em estreita relao com as visitadoras de sade, um grupo de trabalhadores de sade que existe no Paquisto desde 1951. Esto em alinhamento com a medicina e prestam cuidados bsicos de enfermagem, servios de sade materno-infantil e formao de trabalhadores comunitrios (Upvall & Gonsalves 2002). As visitadoras de sade distinguem-se dos enfermeiros por serem prestadoras de cuidados de sade que trabalham na comunidade e no no hospital (Upvall & Gonsalves 2002). Na China, os mdicos de p descalo desempenharam um papel importante na prestao de cuidados. Tiveram a sua origem na dcada de 1960, durante a Revoluo Cultural. Era dada uma intensa formao mdica a milhares de agricultores em apenas alguns meses, aps o que continuavam o seu trabalho como agricultores nos campos comunitrios e prestavam cuidados
bsicos de sade. O programa tencionava expandir a ideia de sade para as massas para alm das doenas infecciosas e prestar cuidados de sade suficientes para o povo chins. Ainda que o programa tenha fracassado nas dcadas de 1980 e 1990 devido a cortes financeiros, teve sucesso na reduo da incidncia de doenas, tais como a esquistosomase. H pases que ainda encaram este modelo como uma soluo para a falta de pessoal necessrio para a prestao de cuidados adequados em reas de sade rurais (Valentine 2005). Winslow (2005) descreve um exemplo recente de prestao alternativa de cuidados utilizando pessoal leigo numa remota comunidade americana. Um membro da comunidade, localizada a 80 km do hospital mais prximo, recebeu um corao mecnico (tambm conhecido como Dispositivo de Assistncia Ventricular Esquerda Left Ventricular Assist Device [LVAD]). Dada a distncia, havia a necessidade de existir uma rede com formao completa, capaz de responder rapidamente a situaes de emergncia com o corao mecnico. Como parte desta iniciativa, foi dada formao alargada ao doente, sua esposa, vizinhos e trabalhadores de emergncia sobre como prestar apoio de reserva em caso de emergncia. Uma considerao importante na maximizao de todo o potencial da fora de trabalho consiste na criao de progresso na carreira (degraus) para os trabalhadores envolvidos nos cuidados de sade; desta forma, capitalizam-se o interesse inicial e a experincia do pessoal de sade aliado. Tal importante para o recrutamento de trabalhadores de sade e para a sua reteno em nmero suficiente.
A progresso na carreira um factor importante na reteno do pessoal de sade.
captulo 1
Enquadramento sobre as
dotaes seguras
Foi demonstrado que os cuidados de enfermagem so essenciais prestao de cuidados de sade num vasto espectro de ambientes. Em resultado disso, tem-se prestado muita ateno aos nveis das dotaes seguras e s variveis necessrias para a prestao de cuidados de sade seguros e eficazes. Por exemplo, examinando a adequabilidade e disponibilidade dos enfermeiros. Uma Diversos autores importante definio inicial do termo dotaes comearam a a seguinte: as quantidades e tipos de aperceber-se de pessoal necessrios para a prestao de que as dotaes cuidados a doentes ou clientes (Giovannetti seguras iam para 1978, tal como citado em McGillis Hall 2005, alm dos nmeros. p. 2). Desde ento, os autores tm-se apercebido de que as dotaes vo para alm das quantidades e incluram outras variveis que afectam as dotaes e a prestao de cuidados seguros, tais como: carga laboral, ambiente de trabalho, complexidade dos doentes, nvel de qualificao do enfermeiros, combinao do pessoal de sade, eficincia e eficcia em termos de custos e ligao aos resultados dos doentes e de enfermagem. Os autores comearam ento a relacionar os nveis das dotaes com indicadores chave (p. ex. taxas de mortalidade), introduzindo assim o elemento da segurana dos doentes.
Os cuidados de enfermagem so considerados como essenciais prestao de cuidados de sade numa diversidade de ambientes. H poucas definies que aliem o conceito de segurana com as dotaes.
interessante, contudo, que haja poucas definies que aliem o conceito de segurana com as dotaes. A Federao Americana de Professores (1995) declara: As dotaes seguras significam est disponvel em todas as alturas uma
quantidade adequada de pessoal, com uma combinao adequada de nveis de competncia, para assegurar que se vai ao encontro das necessidades de cuidado dos doentes e que so mantidas condies de trabalho isentas de riscos. A Associao de Enfermagem do Estado da Carolina do Norte (North Carolina Nurses Association, NCNA 2005) declarou mais recentemente: As dotaes seguras reflectem a manuteno da qualidade dos cuidados aos doentes, das vidas profissionais dos enfermeiros e dos resultados da organizao. As prticas de dotaes seguras incorporam a complexidade das actividades e intensidades de enfermagem; os nveis variveis de preparao, competncia e experincia dos enfermeiros; o desenvolvimento do pessoal de cuidados de sade; apoio da gesto de sade aos nveis operacional e executivo; ambiente contextual e tecnolgico das instalaes; apoio disponvel dos servios; e a prestao de proteco a quem comunique situaes anmalas.
NT:
whistleblower no original; este termo geralmente aplicado para identificar profissionais de uma instituio que comunicam superiormente as situaes anmalas (erros, negligncia, abuso de poder) que foram do seu conhecimento ou nas quais participaram.
captulo 2
Liderana e conhecimentos para a segurana dos doentes; Sistemas de relato de erros; Proteco para os enfermeiros que relatam eventos adversos e questes relacionadas com as dotaes; Estabelecimento de padres de desempenho e expectativas para a segurana dos doentes; e Criao de sistemas de segurana em organizaes de cuidados de sade. Para conseguir atingir os aspectos mencionados acima, tm de existir dotaes adequadas. Diversos artigos de investigao descreveram uma relao directa entre as dotaes seguras e os resultados dos doentes (p. ex. morbilidade e mortalidade). Comeam a acumular-se evidncias em apoio das dotaes adequadas em diversas condies e ambientes. Ainda que esta investigao seja efectuada a partir de uma perspectiva ocidental e se concentre nos cuidados prestados nos hospitais, fornece efectivamente um bom enquadramento para apoiar decises que promovam as dotaes adequadas. J em 1998, Blegen, Goode, e Reed estudaram o efeito das dotaes de enfermeiros sobre a mortalidade e morbilidade dos doentes. Verificaram que uma combinao de competncias com maior incidncia de enfermeiros (no original: registered nurse, RN) correspondia a uma menor incidncia de erros de medicao e de lceras de presso, bem como a uma maior satisfao dos doentes. Um estudo adicional, tambm desse ano, examinou os nveis de dotaes de enfermeiros e os resultados dos doentes e verificou que os erros de administrao de medicamentos eram reduzidos com uma maior incidncia de enfermeiros (no original: registered nurse, RN) na combinao de pessoal (Blegen & Vaughn 1998).
Comeam a acumular-se evidncias em apoio das dotaes adequadas.
Kovner and Gergen (1998) encontraram uma relao entre os equivalentes-a-tempo-inteiro (ETI) de enfermeiros (no original:
registered nurse, RN) por dia-doente e as infeces do tracto urinrio, pneumonia, trombose e comprometimento pulmonar aps grande cirurgia. Num estudo efectuado com mais de 68.000 doentes com enfarte agudo do miocrdio, verificou-se que as horas de enfermeiro (no original: registered nurse, RN) por dia-doente eram inversamente proporcionais mortalidade (Schultz, van Servellen, Chang, McNeeseSmith & Waxenberg 1998). No seu estudo de comparao da qualidade dos cuidados prestados aos doentes com SIDA, Aiken, Sloane, Lake, Sochalski e Weber (1999) verificaram que um enfermeiro adicional por dia-doente estava associado a uma diminuio de 50% na mortalidade aos 30 dias. Um aumento de 0,25 enfermeiros por dia-doente esteve associado a uma reduo de 20% na mortalidade aos 30 dias. Verificou-se o aumento do risco de complicaes pulmonares no ps-operatrio no caso de um enfermeiro cuidar de mais do que dois doentes submetidos a esofagectomia por noite (Amaravadi, Dimick, Pronovost & Lipsett 2000). Kovner (2001) examinou o impacto das dotaes e da organizao do trabalho sobre os resultados dos doentes e os profissionais de sade. A investigao sobre as dotaes verificou-se ser especfica a nvel de disciplina (ou seja, enfermagem). A maior parte dos autores encontrou uma relao inversa entre a mortalidade e o nmero de enfermeiros (no original: registered nurse, RN) por diadoente, os enfermeiros (no original: registered nurse, RN) como percentagem do total de enfermeiros, e os enfermeiros (no original: registered nurse, RN) por hospital. Alguns autores relataram uma relao inversa entre os enfermeiros (no original: registered nurse, RN) por dia-doente e os eventos adversos. Num estudo de observao de coortes, conduzido por Dimick, Swoboda, Pronovost e Lipsett (2001), encontrou-se uma associao entre um menor nmero de enfermeiros durante a noite e um risco aumentado de complicaes pulmonares especficas no ps-operatrio. Observaram-se menores taxas de quedas e nveis mais elevados de satisfao dos doentes com o tratamento da dor nas situaes
Os autores encontraram uma relao inversa entre a mortalidade e o nmero de enfermeiros por dia-doente.
em que havia um nmero aumentado de horas de trabalho por enfermeiros (no original: registered nurse, RN) por doente (Sovie & Jawad 2001). Num estudo de grande influncia, efectuado por Aiken, Clarke, Sloane, Sochalski e Silber (2002), foram recolhidos e analisados dados de 10.184 elementos de enfermeiros e 232.342 doentes submetidos a cirurgia. Os autores verificaram que cada doente adicional por enfermeiro com uma carga de quatro doentes estava associado a um aumento de 7% na probabilidade de morte no intervalo de 30 dias aps a admisso e um aumento de 7% na probabilidade de insucesso no salvamento. No Canad, um estudo retrospectivo efectuado por Tourangeau, Giovannetti, Tu e Wood (2002) investigou as taxas de mortalidade aos 30 dias em doentes hospitalizados. Foram recolhidos dados sobre 46.941 doentes diagnosticados com enfarte agudo do miocrdio, AVC, pneumonia ou septicmia aos quais havia sido dada alta de 75 urgncias em hospitais do Ontrio, no Canad. Os resultados encontrados apoiam uma relao entre uma menor mortalidade aos 30 dias e uma combinao mais rica em enfermeiros (no original: registered nurse, RN), bem como com mais anos de experincia na unidade clnica. Uma anlise transversal efectuada por Needleman, Buerhaus, Mattke, Stewart e Zelevinsky (2002) examinou a relao entre a quantidade de cuidados prestados por enfermeiros no hospital e os resultados dos doentes. Os dados foram analisados, incluindo os dados de 5 milhes de doentes mdicos e 1,1 milhes de doentes cirrgicos. Os autores verificaram que uma proporo mais elevada de horas de cuidados por enfermeiros (no original: registered nurse, RN) por dia e um nmero mais elevado do horas de cuidados por enfermeiros (no original: registered nurse, RN) por dia estiveram associados a: estadias mais curtas; taxas mais baixas de infeces do tracto urinrio; hemorragias do tracto gastrointestinal superior; pneumonia; choque a paragem cardaca; e casos reduzidos de insucesso no salvamento. A pneumonia e as lceras por presso nos doentes acamados so resultados bem documentados da imobilidade. Um estudo conduzido por Cho, Ketefian, Barkauskas e Smith (2003) verificou
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que um aumento de uma hora de trabalho por um enfermeiro (no original: registered nurse, RN) por dia-doente estava associado a uma diminuio de 8,9% na probabilidade de pneumonia e que um aumento de 10% na proporo de enfermeiros (no original: registered nurse, RN) estava associada a uma diminuio de 9,5% na probabilidade de pneumonia. Bostick (2004) verificou que um aumento no tempo de trabalho por enfermeiros (no original: registered nurse, RN) poder reduzir a prevalncia de lceras de presso. Uma anlise sistemtica conduzida num outro estudo confirmou que as dotaes adequadas esto associadas a uma menor mortalidade dos doentes internados e a estadias mais curtas no hospital (Lang, Hodge, Olson, Romano & Kravitz 2004). Person et al. (2004) avaliaram a associao entre as dotaes de enfermeiros e a mortalidade de doentes internados com enfarte agudo do miocrdio. Verificaram que os doentes tratados em ambientes com dotaes mais elevadas de enfermeiros (no original: registered nurse, RN) tinham uma menor probabilidade de morrer durante o internamento. Lankshear, Sheldon e Maynard (2005) analisaram 22 estudos que confirmavam que as dotaes adequadas e a combinao de competncias estavam associadas a resultados melhorados dos doentes. Por ltimo, um resumo da literatura efectuado pelo Sindicato da Federao Canadiana de Enfermeiros (Canadian Federation of Nurses Union, CFNU, 2005) assinala uma forte evidncia emprica a demonstrar a ligao entre as dotaes inadequadas de enfermeiros e um espectro de resultados adversos dos doentes, incluindo: lceras de presso; infeces do tracto urinrio; pneumonia; infeces de feridas no ps-operatrio; erros de medicao; comprometimento pulmonar; trombose; tratamento da dor; hemorragias do tracto gastrointestinal superior; quedas, choque e paragem cardaca; insucesso na ressuscitao; e readmisso. A satisfao dos doentes, por outro lado, diminua com dotaes reduzidas de enfermeiros. Mostra tambm uma reduo nos eventos adversos quando os nveis de dotaes de
A literatura demonstra que h uma relao entre os nveis de dotaes de enfermeiros e os resultados dos doentes. 11
enfermeiros so adequados para o nvel requerido de cuidados aos doentes. Para terminar, a literatura demonstra que h uma relao entre os nveis de dotaes de enfermeiros e os resultados dos doentes. No entanto, importante a investigao adicional numa diversidade de ambientes internacionais para apoiar as dotaes adequadas. Esta investigao est a ser incentivada pelo Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN) atravs dos seus Fruns Internacionais e Regionais da Fora de Trabalho (International and Regional Workforce Forums).
O papel da concorrncia
Os hospitais nos Estados Unidos da Amrica (EUA) publicam detalhes precisos sobre indicadores de qualidade em instalaes individuais. As organizaes com um nmero adequado de enfermeiros e mdicos esto a utilizar a dimenso do seu pessoal para aumentar o seu factor competitivo relativamente a outros hospitais. Os ambientes de trabalho apelativos destas organizaes, por vezes referidas como hospitais-man, permitem-lhes recrutar e manter o pessoal. Estes hospitais partilham caractersticas tais como uma liderana forte, uma representao de enfermagem nas comisses de adopo de medidas, um estilo de gesto participativa, uma melhoria contnua na qualidade, boas relaes interdisciplinares e oportunidade para o desenvolvimento (Lash & Munroe 2005).
As organizaes com um nmero adequado de enfermeiros e mdicos esto a utilizar a dimenso do seu pessoal para aumentar o seu factor competitivo relativamente a outros hospitais.
Este conceito de competitividade encontra-se sobretudo no sector privado e poder no ser relevante em pases com sistemas de cuidados de sade alternativos, tais como o Canad, o Japo, a Alemanha, a China e a Holanda. Ainda que possa existir uma prestao do sector privado nestes pases, no existe o mesmo foco na concorrncia entre organizaes.
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Em termos da tentativa de recrutamento ou reteno de pessoal, houve estudos que mostraram que existe uma relao entre os nveis das dotaes e a satisfao profissional (Aiken, Clarke & Sloane 2002; Aiken, Clarke, Sloane, Sochalski & Silber 2002). Um estudo efectuado no Reino Unido por Sheward, Hunt, Hagen, Macleod e Ball (2005) verificou que os rcios elevados doenteenfermeiro estavam associados a um risco aumentado de exausto emocional e insatisfao com o emprego actual. Os enfermeiros que trabalham continuamente em horas extraordinrias ou que trabalham sem apoios adequados tendem a ter um maior absentismo e pior sade.
Responsabilidade profissional
Os enfermeiros sentem-se frequentemente comprometidos em situaes de cuidados aos doentes nas quais no existe pessoal
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adequado. Nos pases onde h uma tradio de processos legais, a responsabilidade profissional uma preocupao constante. O Oxford English Dictionary (1989) define o termo responsvel [liable] como: A condio de ser responsvel ou de poder responder por lei ou equidade; a condio de ser responsvel por, ou estar sujeito a algo, estar apto ou ter a probabilidade de fazer algo; aquilo por que algum responsvel; um atributo ou trao que coloca algum em desvantagem; por conseguinte, algum ou algo que constitui um fardo ou uma desvantagem, uma dificuldade. Houve casos de enfermeiros que foram considerados como culpados pelos resultados dos cuidados que prestaram. A questo da responsabilidade concentra-se em aspectos de cuidados que incluem o indivduo, bem como a equipa. Portanto, independentemente da situao (ou seja, do contexto em que os erros ocorrem), o enfermeiro responsvel. As dotaes seguras constituem portanto um elemento crtico para os enfermeiros, j que tm impacto sobre a sua capacidade para efectuar cuidados adequados. A responsabilidade aumenta num contexto clnico no qual haja infraestruturas e dotaes inadequadas. Em muitos ambientes de cuidados de sade, a falta de pessoal pode ser uma questo de fornecimento (ou seja, o pas no estar a produzir profissionais de sade em nmero suficiente para suportar o sistema). Ocorre uma situao alternativa quando os profissionais esto a migrar a um ritmo mais rpido do que aquele ao qual o pas est a produzir novos enfermeiros. O dilema crtico realado num relatrio de sntese da Organizao Mundial de Sade (OMS) (Awases et al. 2004), que apresenta os resultados de um estudo sobre a migrao dos profissionais de sade a partir de diversos pases africanos. Dado que muitos profissionais de sade esto a migrar, os enfermeiros que ficam so confrontados com nveis muito baixos de dotaes, o que constitui um entrave sua capacidade para prestar cuidados seguros.
Houve casos de enfermeiros que foram considerados como culpados pelos resultados dos cuidados que prestaram.
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captulo 3
Oportunidades
Segundo a Associao de Enfermeiros da Califrnia (California Nurses Association, CNA; n.d.), os hospitais com nveis seguros de dotaes podem conseguir poupanas financeiras considerveis. Os resultados das dotaes inadequadas relativamente aos custos adicionais decorriam das maiores taxas de rotao de enfermeiros (no original: registered nurse, RN) e na necessidade de contratar enfermeiros (no original: registered nurse, RN) a ttulo temporrio. O investimento a longo prazo no pessoal a tempo inteiro origina poupanas de custos tanto no recrutamento como na reteno (Baumann & Blythe 2003a; Baumann & Blythe 2003b). As dotaes seguras mostraram repetidamente contribuir para melhores resultados dos doentes, o que, em ltima instncia, se manifesta em custos reduzidos de sade para os indivduos, as famlias e as comunidades e em receitas aumentadas de impostos, uma vez que os doentes regressam fora de trabalho activa.
Os hospitais com nveis seguros de dotaes podem conseguir poupanas financeiras significativas.
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existentes para guiar a combinao adequada de pessoal, mas no h uma soluo nica que sirva para todos. Apesar disso, a determinao da combinao certa de pessoal importante. Os erros na combinao de enfermeiros podero levar a erros clnicos, que podero por sua vez resultar em resultados adversos para o doente e para a organizao (Associao Canadiana de Enfermagem; Canadian Nurses Association 2003). necessria uma maior colaborao aos nveis local e nacional para aumentar a compreenso das contribuies de diversos profissionais e voluntrios de sade. Est presentemente em decurso no Canad uma colaborao interessante para desenvolver uma estrutura conjunta de avaliao para a tomada de deciso no que respeita combinao de pessoal em relao aos enfermeiros (no original: registered nurse, RN), auxiliares de enfermagem (no original: licensed practical nurses, LPNs) e enfermeiros em psiquiatria (no original: registered psychiatric nurses) (Associao Canadiana de Enfermagem 2003). A Associao Canadiana de Enfermagem (2005) publicou um recurso destacando questes importantes relativas tomada de deciso no que respeita combinao de enfermeiros e segurana dos doentes com foco nos enfermeiros (no original: registered nurse, RN) e auxiliares de enfermagem. So includos suportes para a tomada de deciso no que respeita combinao de pessoal. O documento procura enderear: indicaes de medidas no que respeita investigao para a combinao de pessoal; estruturas e instrumentos para a tomada de deciso; rcios legislados de dotaes; e desafios nas tomadas de deciso adequadas no que respeita combinao de pessoal.
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CAPTULO 4
Melhorar a reteno do pessoal actual; Melhorar a utilizao das competncias dos enfermeiros e a combinao com o restante pessoal; Encorajar o regresso de enfermeiros que no estejam a praticar actualmente; e Examinar o mbito do recrutamento tico internacional. Outras formas de aumentar o fornecimento incluem o exerccio de presso sobre os governos no sentido de subsidiar adequadamente o sistema de ensino, de forma a ir de encontro s necessidades internas, e melhorar os ambientes de trabalho para recrutar e manter os enfermeiros em condies de trabalho estimulantes. Qualquer conjunto de medidas ter de incluir intervenes a todos os nveis. As medidas nacionais e locais tm de ser criadas de forma a assegurar uma abordagem que abranja todo o sistema no sentido de conseguir recursos humanos suficientes.
Outras formas de aumentar o fornecimento de enfermeiros incluem o exerccio de presso sobre os governos.
A procura de uma populao de cuidados de sade diferente nas vrias partes do mundo. Nalguns pases devastados pela doena, o fornecimento de enfermeiros gravemente comprometido pela migrao e por necessidades de sade esmagadoras. O fornecimento local de enfermeiros pode sofrer o impacto da migrao. Nas ltimas quatro dcadas, o nmero de migradores internacionais mais do que duplicou (192 milhes por ano). Os enfermeiros fazem, cada vez mais, parte do fluxo migratrio que circula pelo globo. Os profissionais de sade formados noutros pases constituem agora at 25% das foras de trabalho mdica e de enfermagem da Austrlia, Canad, Reino Unido e EUA.
A procura de uma populao de cuidados de sade diferente nas vrias partes do mundo.
A distribuio dos enfermeiros expandiu-se com a introduo de um mercado de trabalho global e a guerra pelo talento ou as
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competncias escassas. Recrutar enfermeiros de outros pases, no entanto, no resolve as questes iniciais de recrutamento/ reteno que provocam faltas de pessoal nos pases de destino (Kingma 2006). Existe, no entanto, uma grande variao regional intra e inter pases no que respeita aos enfermeiros e cada pas tem de ter uma diversidade de estratgias dirigidas s faltas de pessoal locais.
Restries econmicas
Os sistemas de cuidados de sade so dispendiosos. H muitos interesses que competem pelo dinheiro destinado sade e os pases diferem no seu investimento nas questes de sade. Em larga medida, os custos esmagadores incluem os servios farmacuticos, tecnologia e medicina. O dinheiro que resta vai para instituies e cuidados comunitrios nos quais esto inseridos os cuidados de enfermagem e as dotaes seguras. Porque o contexto de dotaes seguras est inserido num vasto espectro de preocupaes com custos, as dotaes seguras podero no receber a ateno adequada a menos que sejam emparelhadas com a segurana dos doentes.
As dotaes seguras podero no receber a ateno adequada.
Segundo Spetz (2005), a principal razo pela qual os hospitais nos EUA no atingem os nveis ptimos de dotaes de enfermeiros consiste no facto de os enfermeiros no serem pagos de acordo com a qualidade dos cuidados que prestam. Os hospitais recebem poucos benefcios por aumentarem a sua qualidade nos cuidados, mas o resultado disso poder consistir em gastos elevados. Em resultado, ainda que maiores dotaes de enfermeiros possam beneficiar o cuidado dos doentes, os custos associados a ter mais enfermeiros ultrapassam os ganhos para os hospitais. No entanto, fontes de custos, tais como o absentismo, rotao de pessoal e morbilidade e mortalidade mais elevadas tm de ser consideradas como um custo global e contnuo para o sistema e a sociedade.
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Ainda que os instrumentos tenham sido teis na identificao das tarefas dos enfermeiros, a maior parte no foi capaz de capturar os aspectos cognitivos/intelectuais do seu papel. Funes importantes, tais como a coordenao, a facilitao e a tomada de deciso, no foram descritas ou quantificadas de forma adequada. Portanto, ainda que tenham sido utilizados instrumentos de medio da carga laboral no debate sobre as dotaes seguras, estes no constituem de forma alguma uma soluo completa na determinao das dotaes seguras. Um documento recente do ICN (2004) resumiu as questes sobre o esforo de medio do trabalho dos enfermeiros. No h dvida de que questes tais como a do trabalho em equipas multidisciplinares de cuidados de sade e a questo em evoluo das contribuies do doente e da famlia contribuem ainda mais para aumentar a indefinio na discusso de quem faz o qu. Tendo dito isto, a importncia de ter uma enfermagem profissional como componente essencial dos cuidados de sade tem sido bem documentada (Baumann, Deber, Silverman & Mallette 1998).
Os instrumentos para a medio da carga laboral no so uma soluo completa para a determinao das dotaes seguras.
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Captulo 5
Como fazer?
As iniciativas relativas s dotaes seguras podem ser encorajadas de diversas maneiras.
Legislao
Alguns pases conseguiram decretar legislao para melhorar as dotaes seguras para os enfermeiros. Nos EUA, por exemplo, a Associao Americana de Enfermeiros (American Nurses Association, ANA) props legislao relativa s dotaes seguras para os enfermeiros (The ANA Talks 2001). A necessidade de uma tal legislao surgiu em resultado de uma falta de enfermeiros nos EUA e nas consequncias da resultantes (p. ex. horas extraordinrias e comprometimento dos cuidados e da segurana dos doentes). A legislao, que foi introduzida na Cmara dos Representantes em Dezembro de 2003, inclui: Proteco para os enfermeiros que relatam condies inseguras; Recolha e relatrio pblicos de dados de qualidade sensveis para a enfermagem (p. ex. nveis de dotaes necessrios para cuidados seguros e de qualidade); e A necessidade de melhores instrumentos para o clculo dos nveis adequados de dotaes e da combinao adequada de competncias.
Foram implementados rcios legislados enfermeiro-doente no estado americano da Califrnia e em Victoria, na Austrlia.
Uma outra abordagem para assegurar as dotaes adequadas para a enfermagem consiste na legislao de rcios de dotaes seguras (ICN n.d.). Ainda que tenham sido recomendados rcios de dotaes na Blgica,
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utilizando um conjunto de dados mnimo (ICN 2004), os rcios enfermeiro-doente legislados s foram implementados no estado americano da Califrnia e no estado australiano de Victoria (consulte o Anexo 9). No entanto, h pelo menos outros 14 estados americanos que esto a considerar uma legislao semelhante (CFNU 2005). Os rcios consistem no nmero mximo de doentes que podem ser atribudos a um enfermeiro (no original: registered nurse, RN) durante um turno e variam segundo as unidades de cuidados de emergncia (CNA 2003). Os rcios especficos na Califrnia baseiam-se na Lei 394 da Assembleia e incorporam os princpios da ANA para as dotaes de enfermeiros (ANA 1999). A lei foi originada para gerir a crise doente-cuidados, procurar resolver a falta de enfermeiros, proteger a segurana dos doentes e melhorar a situao da enfermagem na Califrnia (CNA 2003). Alguns autores tentaram quantificar o pessoal necessrio para o espectro de problemas dos doentes, mas este clculo considerado complexo. Hurst (2002) sugere outras abordagens para a estimativa da dimenso e combinao das equipas de enfermagem (consulte o Anexo 6). Rev um algoritmo que se baseia no julgamento profissional, uma frmula para calcular o nmero de enfermeiros por turno, o mtodo do nmero de enfermeiros por cama ocupada, o mtodo da qualidade da acuidade, o mtodo tempotarefa/actividade e o mtodo de anlise de regresso. Todos estes mtodos requerem dados e documentao considerveis e podero ser difceis em ambientes que j esto comprometidos em termos de dotaes adequadas. Hurst analisa os pontos fortes e fracos de cada abordagem. Tem havido algum trabalho interessante de discusso dos prs e contras da utilizao dos rcios de dotaes seguras.
Alguns autores tentaram quantificar o pessoal necessrio para o espectro de problemas dos doentes, mas este clculo considerado complexo.
Prs: H estudos que indicam que um rcio enfermeiro-doente mais elevado desempenha um papel importante nos resultados para os
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cuidados dos doentes (Dimick, Swoboda, Pronovost & Lipsett 2001; Sasichay Akkadechanunt, Scalzi & Jawad 2003); Melhoria na qualidade dos cuidados prestados aos doentes (CFNU 2005); Recrutamento e reteno melhorados dos enfermeiros (CFNU 2005; CNA 2003); Melhoria no bem-estar dos enfermeiros, moral mais elevado, diminuio nas leses no local de trabalho, aumento na satisfao profissional e reduo no stress (CFNU 2005); Capacidade aumentada de prestao de servios ao pblico (CFNU 2005); Confiana aumentada no sistema de sade pblica (CFNU 2005); Dependncia diminuda das agncias de enfermagem (CFNU 2005); e Falta de provises para a aplicao de planos de dotaes voluntrias (CFNU 2005). Contras: H estudos que verificaram a existncia de poucas evidncias clnicas para apoiar a introduo de rcios enfermeiro-doente mnimos para os hospitais com urgncias (Bolton et al. 2001; Lang, Hodge, Olson, Romano e Kravitz 2004); Os rcios de dotaes consistentes so dispendiosos e qualquer legislao tem de ser acompanhada de acordos financeiros para as subsidiar adequadamente; No reflectem com exactido as necessidades dos doentes ou a complexidade dos cuidados requeridos (CFNU 2005); Servem apenas como medida grosseira para os requisitos de dotaes; Geralmente, no tm em conta as alteraes no nvel de acuidade dos doentes, disposio da unidade de enfermagem,
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presena de pessoal auxiliar, prestadores de cuidados para alm dos enfermeiros(no original: registered nurse, RN), ou presena de tecnologia (CFNU 2005); Podem no estar dirigidos s questes endmicas do local de trabalho e no ser relevantes em muitos contextos internacionais. Como devem ser determinadas as dotaes seguras? Um estudo demonstrou a eficcia em termos de custos de rcios doenteenfermeiro de dotaes que iam dos 8:1 aos 4:1. Os autores verificaram que, ainda que o rcio de oito doentes por enfermeiro fosse o menos dispendioso, estava associado a uma mortalidade mais elevada dos doentes. Concluram que, como interveno para a segurana dos doentes, os rcios de 4:1 eram razoavelmente eficazes em termos de custos (Rothberg, Abraham, Lindenauer & Rose 2005). No entanto, os rcios dependem de muitos factores, tais como a acuidade dos doentes e os cuidados requeridos. As consideraes relativas aos custos podero variar dependendo da perspectiva do pagador, p. ex. hospital, sistema de sade ou sociedade.
Um estudo verificou que rcios doenteenfermeiro de 4:1 so eficazes em termos de custos e esto associados a menor mortalidade dos doentes.
Juzo profissional
Ao invs de legislar rcios de dotaes seguras, alguns autores sugerem que as organizaes deveriam identificar a sua prpria definio de dotaes seguras.
Ao invs de legislar rcios de dotaes seguras, alguns autores sugerem que as organizaes deveriam identificar a sua prpria definio de dotaes seguras, com base em variveis tais como a acuidade dos doentes os valores dos rcios e a combinao do pessoal. A ANA apoia tambm o juzo profissional na determinao das dotaes seguras, tal como demonstrado na sua legislao para as dotaes seguras que culminou na Lei para
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a Qualidade dos Cuidados de Enfermagem (Quality Nursing Care Act) de 2004. Esta lei baseia-se nos Princpios para as Dotaes Seguras da ANA (ANAs Principles for Nurse Staffing), que advogam que os sistemas de dotaes seguras requerem a contribuio de enfermeiros (no original: registered nurse, RN) para os cuidados directos, juntamente com a considerao do nmero de doentes, experincia dos enfermeiros na unidade, gravidade do estado dos doentes e disponibilidade dos sistemas e recursos de apoio (ANA 1999; Artz 2005; Donnellan 2003; Safe Staffing Initiatives 2004). Esta abordagem permitiria a considerao da diversidade de prestadores de cuidados que possam estar disponveis em ambientes distintos.
Estruturas profissionais
Os enfermeiros, individualmente, podem encontrar-se numa situao na qual no disponham de uma estrutura adequada no pas para suportar a procura de dotaes adequadas. H organizaes, tais como o ICN, que efectivamente proporcionam estruturas de enquadramento para a prestao de cuidados (ICN 2004). Estes documentos incentivam os ambientes de trabalho saudveis e quantidades adequadas de enfermeiros para a prestao de cuidados (ICN 2000). Numa situao ideal, poder haver estruturas regulamentares, linhas de orientao para a prtica profissional e linhas de orientao para as melhores prticas ao nvel local; todas estas reforam a importncia dos cuidados de enfermagem e a necessidade de suportes adequados, ambientais e de pessoal (Pan American Health Organization 2004; OMS 2002). Na ausncia destes suportes, os enfermeiros tm que contar com a documentao externa para reforar a sua argumentao para dotaes mais seguras. Os stios na Web de diversas organizaes contm uma multiplicidade de informaes em diversos idiomas.
Os enfermeiros podem encontrar-se numa situao na qual no disponham de uma estrutura adequada no pas para suportar a procura de dotaes adequadas.
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Captulo 6
Investigao
As associaes nacionais de enfermagem (ANEs) tm influncia no estabelecimento de agendas locais, nacionais e internacionais. Identificam reas prioritrias de preocupao e falhas na informao. Estabelecem contactos com instituies de ensino e investigao, servindo assim como fonte inestimvel de dados ou de especializao e por vezes liderando o esforo de investigao. As associaes de enfermagem so parceiros sociais credveis, bons candidatos a bolsas de financiamento para a recolha de dados e a anlise da situao.
Tomada de medidas
Os lderes de enfermagem com iniciativa tm conhecimento sobre as realidades no campo e so peritos na resoluo de problemas. As partes interessadas no sector da sade e os enfermeiros procuram nas ANEs orientaes e estratgias eficazes para procurarem enderear a falta crtica de enfermeiros sentida em muitos sistemas de sade em todo o mundo. As ANEs introduziram processos de acreditao para as organizaes de cuidados de sade, tendo as dotaes seguras como um dos critrios. A sua tomada de medidas gerou uma nova funo para as ANEs, que desempenham agora um papel mais alargado no sector da sade. Os representantes das ANEs tendem a ser membros activos da direco do organismo nacional de regulamentao. Nalguns casos, as ANEs podero funcionar como organismos nacionais de regulamentao para os enfermeiros e a enfermagem. Nesta qualidade, desenvolvem estruturas que apoiam a segurana dos doentes, que devero incluir as dotaes adequadas e estabelecer
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mecanismos de monitorizao e aplicao de medidas para dotaes adequadas. Podem ser recolhidos do registo dados valiosos sobre os fluxos de entrada e de sada nesta qualidade, no caso de este ser um registo ao vivo.
Advocacia
As ANEs desempenham um papel crucial na advocacia para os ambientes de trabalho saudveis e para as prticas de dotaes seguras. Tal poder ocorrer a nvel nacional ou na qualidade de grupo de interesse/ especialidade. Por exemplo, Adkinson (2004) discute o enunciado de posio da Sociedade de Enfermeiros com especializao em Pediatria (Society of Pediatric Nurses, SPN) relativamente s dotaes seguras. Advogam nveis adequados de dotaes nas unidades peditricas. As suas recomendaes baseiam-se em estudos que demonstram taxas aumentadas de morbilidade e mortalidade dos doentes quando no esto disponveis dotaes adequadas. A NCNA (2005) tem tambm um artigo de posio sobre as dotaes seguras. Apoiam os esforos de promoo de dotaes seguram para os enfermeiros e aprovam a Lei de Dotaes Seguras para os enfermeiros (no original: registered nurse, RN) e os Princpios da ANA para as Dotaes de Enfermeiros (consulte o Anexo 5). Sublinham a necessidade de uma definio clara dos resultados para as dotaes seguras no que diz respeito aos cuidados dos doentes, vida profissional na enfermagem e categorias de organizao.
As ANEs desempenham um papel crucial na advocacia para os ambientes de trabalho saudveis e para as prticas de dotaes seguras.
Representao
Num ambiente no qual o litgio est a aumentar, os enfermeiros vem-se legalmente e por vezes financeiramente responsveis por eventos adversos originados por sistemas de sade deficientes
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Algumas associaes tm sido capazes de introduzir legislao relativa aos informantes proteco legal para o pessoal que denuncia prticas inseguras quando as tentativas internas para a correco de problemas no local de trabalho no tiveram sucesso prestando assim assistncia antes da ocorrncia de uma crise.
As ANEs tm a responsabilidade de representar e defender os seus membros, quer no tribunal, quer no organismo de regulamentao.
(p.ex. com falta de pessoal), e no por negligncia ou pelo erro de qualquer indivduo em particular. As ANEs tm a responsabilidade de representar e defender os seus membros, quer no tribunal, quer no organismo de regulao.
Negociao
Em termos das faltas de enfermeiros crticas, o planeamento dos recursos humanos frequentemente citado como sendo uma das primeiras medidas necessrias para mudar a situao. As ANEs tm um papel crtico a desempenhar ao darem voz aos enfermeiros e enfermagem, negociando um fornecimento adequado de enfermeiros a entrarem na prtica activa (p. ex. estgios, subsdios e bolsas para estudantes) e fazendo presso no sentido da existncia de condies de trabalho que retenham os enfermeiros competentes no sector da sade (p. ex. dotaes seguras). Em todo o mundo, as ANEs esto envolvidas, quer directa quer indirectamente, na negociao da vida profissional dos enfermeiros. Os acordos colectivos em apoio de nveis de dotaes seguras constituem instrumentos de vinculao legal que conduzem a cargas laborais viveis, bem como segurana dos doentes. A negociao tem lugar no apenas no contexto do trabalho mas tambm a nvel do parlamento. Tal como mencionado, a legislao a nvel regional e do estado introduziu medidas para o assegurar das dotaes seguras. Tal, no entanto, no teria sido possvel sem a negociao contnua e eficaz das
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ANEs interessadas. As dotaes seguras exigem claramente uma abordagem multifacetada, com as ANEs a mobilizarem os seus recursos, bem como todos os seus contactos.
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Captulo 7
Recomendaes
As dotaes inadequadas nalguns ambientes atingiram propores de crise. A nfase nas dotaes seguras destacou muitas questes relacionadas com o cuidado dos doentes. Acumulam-se as evidncias em apoio da exigncia de pessoal de sade adequado para a prestao de cuidados de sade polivalentes. Os ambientes de cuidados de sade variam, mas a necessidade de dotaes adequadas partilhada. Esta necessidade vai alm do mnimo necessrio para a prestao de cuidados de padres inferiores e reflecte a necessidade das dotaes seguras para a prestao de cuidados ptimos. Abaixo, descreve-se um guia para o aumentar o apoio para as dotaes seguras. As recomendaes destinam-se s associaes profissionais. 1. Determinar a extenso do problema; 2. Definir o que so as dotaes seguras no contexto das necessidades dos doentes; 3. Recolher quaisquer dados relevantes; 4. Utilizar um instrumento de avaliao para refinar mais as questes; 5. Preparar um plano de comunicao que influencie a tomada de deciso; 6. Utilizar o conjunto de instrumentos para fornecer dados de enquadramento para apoiar as iniciativas relativas s dotaes seguras; 7. Participar no planeamento dos recursos humanos para a sade e no desenvolvimento de medidas ao nvel governamental; 8. Apoiar estudos de avaliao de impacto, de forma a que as consequncias das alteraes potenciais ou efectivas nas
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medidas sejam conhecidas em termos do pessoal ou das condies de trabalho, bem como em termos da segurana dos doentes; 9. Exercer presso junto das entidades empregadoras no sentido de estas proporcionarem ambientes de trabalho saudveis e dotaes adequadas; 10. Educar o pblico relativamente importncia dos servios de enfermagem; e 11. Trabalhar em iniciativas locais que promovam ambientes de trabalho saudveis para os enfermeiros.
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CONJUNTO DE INSTRUMENTOS
PARA O TEMA
Anexo 1
Os enfermeiros esto envolvidos nas decises relativas s dotaes? Os enfermeiros monitorizam a sua sade pessoal? Governo As polticas do governo esto dirigidas no sentido de um fornecimento adequado de enfermeiros para ir de encontro s necessidades das populaes de doentes? Existe um conjunto de medidas para os recursos humanos na sade? Existe uma combinao de pessoal de sade regulamentada e exercem em conjunto? Existem polticas de reteno e imigrao de forma a assegurar que no ocorra carncia de enfermeiros? O governo est envolvido no financiamento e administrao do sistema de cuidados de sade? O governo fornece uma estrutura de regulamentao para o assegurar das prticas de dotaes seguras em enfermagem? O governo conduz uma poltica de avaliao do impacto antes de introduzir alteraes legislao que tenham impacto sobre a procura da fora de trabalho? Os enfermeiros recebem uma compensao adequada pelo seu trabalho? Associao Nacional de Enfermeiros (ANE) Os processos de acreditao para organizaes de sade que tenham as dotaes seguras como critrio so apoiados pela ANE? A ANE advoga e promove ambientes de trabalho saudveis para os enfermeiros? A ANE est envolvida na educao das partes interessadas no
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sector da sade, incluindo as entidades empregadoras, relativamente s prticas de dotaes seguras para os enfermeiros? A ANE encoraja e proporciona o desenvolvimento profissional para os enfermeiros? Procuram-se alianas com organizaes de doentes ou com outros grupos profissionais para assegurar uma resposta focada nas questes da carga laboral? A ANE contribui para a formulao da agenda de investigao, bem como para a avaliao da capacidade e competncia da fora de trabalho de enfermagem? Instituio de ensino As instituies de ensino desempenham um papel completo, ao assegurar que os currculos equipam os enfermeiros com as competncias necessrias para avaliar necessidades em cuidados de enfermagem, planear, implementar e avaliar os cuidados, de maneira a que tal d origem a informaes sobre a carga laboral e a acuidade como produto secundrio? As instituies de ensino oferecem um acesso flexvel educao para apoio das iniciativas de recrutamento e reteno? Os educadores participam da discusso sobre o fornecimento local e do dilogo relativo poltica global? Organismo de regulao Os organismos de regulao analisam regularmente os mbitos da prtica e as competncias necessrias para conseguir cuidados de enfermagem contemporneos? Os dados dos registos so utilizados de forma rotineira para informar das decises de planeamento relativas fora de trabalho e para avaliar o sucesso das iniciativas concebidas para recrutar ou reter o pessoal?
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O organismo de regulao analisa de forma rotineira as tendncias das reclamaes e os resultados de sade e conduz recomendaes para informar as entidades empregadoras e o governo das questes emergentes relativas fora de trabalho? Os responsveis pela regulao renem-se regularmente com sectores tais como a educao, a sade e o trabalho?
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Anexo 2
sentido de uma anlise regular dos mbitos da prtica e das competncias necessrias para conseguir produzir cuidados de enfermagem ptimos. Obter apoio de no enfermeiros. Formar parcerias com outros profissionais de sade. Organizar eventos sobre os doentes e a segurana pblica e fornecer educao pblica sobre os nveis de dotaes seguras. Fazer uma apresentao no seu centro religioso, grupo de mulheres ou grupo comunitrio sobre a forma como as dotaes seguras afectam a todos. Informar os doentes e os grupos de consumidores sobre a importncia dos nveis de dotaes seguras e os rcios enfermeiro/doente adequados. Comprar espao publicitrio no seu jornal local para educar o pblico sobre a importncia das dotaes seguras de enfermeiros. Tal ir atrair a ateno do pblico, do governo local e da administrao hospitalar. Divulgue panfletos e psteres e organize eventos para a comunicao social, tal como entrevistas para a rdio ou a televiso. Apoiar a investigao e recolha dados para as melhores prticas. Divulgue investigaes eficazes em termos de custos sobre os nveis de dotaes seguras de enfermeiros (no original: registered nurse, RN). Efectue estudos de avaliao de impacto na fora de trabalho e na segurana dos doentes quando forem planeadas ou estabelecidas polticas relacionadas com o sector da sade. Entregar prmios a instalaes de cuidados de sade que implementem dotaes seguras. Advogar pelo acesso flexvel educao em enfermagem e pelo melhoramento dos currculos, de forma a assegurar que os enfermeiros tm as competncias necessrias para avaliar, planear, implementar e avaliar os cuidados. Apoiar o reforo de capacidades dos gestores na rea do planeamento, gesto e desenvolvimento dos recursos humanos.
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Divulgar o conjunto de instrumentos para as dotaes seguras atravs do stio da ANE na Web, teleconferncias e workshops. Partilhe-o com outras organizaes interessadas. Podem ser enviados alertas atravs da Web ou de e-mail para avisar as audincias pretendidas da disponibilidade do conjunto de instrumentos nos stios da Web.
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Anexo 3
Comunicado de imprensa
EXEMPLO DE COMUNICADO DE IMPRENSA As dotaes seguras nos cuidados de sade salvam vidas e poupam dinheiro A enfermagem de todo o mundo dirige-se aos legisladores e responsveis pela tomada de medidas no sentido de procurarem enderear a necessidade de recursos humanos suficientes e adequados nos ambientes de cuidados de sade Genebra, 12 de Maio de 2006 As dotaes inadequadas nos ambientes de cuidados de sade esto a atingir propores de crise em todas as regies. As evidncias indicam que tal resultado de um aumento crtico na durao das estadias no hospital, na morbilidade e mortalidade dos doentes e nos eventos adversos prevenveis. Um estudo verificou que o aumento na carga laboral de um enfermeiro, de quatro para seis doentes submetidos a cirurgia, resultou num aumento de 14% na probabilidade de um doente ao cuidado desse enfermeiro morrer no intervalo de 30 dias aps a admisso. A realidade que muitos enfermeiros so desafiados diariamente com cargas laborais muito maiores. Por ocasio do Dia Internacional do Enfermeiro, os enfermeiros de toda a parte pedem um conjunto de medidas que assegure que seja dada uma ateno sria ao planeamento polivalente dos recursos humanos de sade, bem como a um rcio adequado de dotaes enfermeiro-doente em todos os ambientes de cuidados de sade. No h dvida. O nmero de profissionais de sade faz a diferena. A evidncia verifica-se pelo seguinte: essencial um fornecimento adequado em enfermagem para os resultados de sade das naes. As dotaes melhoradas em enfermagem
Aiken L, Clarke S, Sloane D, Sochalski J & Silber J (2002). Hospital Nurse Staffing and Patient Mortality, Nurse Burnout, and Job Dissatisfaction, JAMA. 288: 19871993
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(tanto nas quantidades como na combinao de competncias) esto associadas com taxas de mortalidade mais baixas para os doentes internados e estadias mais curtas no hospital salvando vidas e poupando dinheiro, declarou Hiroko Minami, Presidente do Conselho Internacional de Enfermagem (ICN). As dotaes seguras levam a menores incidncias de erros de medicao, infeces do tracto urinrio ps-interveno, hemorragias do tracto gastrointestinal superior, quedas, pneumonia e choque. A falta global de enfermeiros sentida hoje em dia ameaa claramente o atingir dos Objectivos de Desenvolvimento para o Milnio. Os rcios doente-enfermeiro elevados no s tm um impacto negativo nos resultados dos doentes como afectam tambm os enfermeiros, que esto em maior risco de exausto emocional, stress, insatisfao profissional e burnout. Os enfermeiros que trabalham continuamente em horas extraordinrias ou sem apoios adequados esto sujeitos a um maior absentismo e a pior sade, enfraquecendo assim as respostas dos sistemas de sade s necessidades de sade da comunidade. Os ambientes de cuidados de sade variam em todo o mundo, mas a necessidade de dotaes adequadas partilhada. Esta necessidade vai para alm do mnimo requerido para os cuidados sub-padro potenciais. Os enfermeiros, as suas associaes de enfermagem e as partes interessadas no sector da sade esto a ser desafiados para determinarem nveis de dotaes seguras no contexto das necessidades dos doentes, recolher dados clnicos e relativos fora de trabalho relevantes, divulgar e demonstrar a importncia das dotaes seguras, formar alianas para apoiar medidas para as dotaes seguras, efectuar estudos de avaliao de impacto e preparar um plano de comunicaes que influencie eficazmente a tomada de deciso. Para ajudar os enfermeiros, os administradores hospitalares, o governo e o pblico em geral a compreender este assunto complexo e crtico, o ICN preparou um conjunto de instrumentos sobre as dotaes seguras, Dotaes seguras salvam vidas, que est disponvel no stio na Web do ICN, www.icn.ch.
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Nota do editor
O Conselho Internacional de Enfermagem (ICN) uma federao de 129 associaes nacionais de enfermagem, que representam milhes de enfermeiros em todo o mundo. Operado por enfermeiros e para enfermeiros desde 1899, o ICN a voz internacional da enfermagem e trabalha para assegurar a qualidade dos cuidados para todos, bem como polticas de sade sensatas a nvel global.
Para mais informaes, contacte Linda CarrierWalker Tel: +41 22 908 0100 Fax: +41 22 908 0101 Email: carrwalk@icn.ch Stio na Web do ICN: www.icn.ch
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Anexo 4
doentes estava associado a um aumento de 7% na probabilidade de morte no intervalo de 30 dias aps a admisso e um aumento de 7% na probabilidade de insucesso no salvamento. Uma anlise transversal dos doentes mdico-cirrgicos verificou uma proporo mais elevada de horas de cuidados por enfermeiros por dia e um nmero mais elevado do horas de cuidados por enfermeiros por dia estiveram associados a: estadias mais curtas; taxas mais baixas de infeces do tracto urinrio; hemorragias do tracto gastrointestinal superior; pneumonia; choque a paragem cardaca; e casos reduzidos de insucesso no salvamento. As dotaes seguras so eficazes em termos de custos para os indivduos, os sistemas de sade e a sociedade. As organizaes com um nmero adequado de enfermeiros e mdicos esto a utilizar a dimenso do seu pessoal para aumentar o seu factor competitivo relativamente a outros hospitais. Em perodos crticos de carncia de enfermeiros, as dotaes seguras constituem um incentivo poderoso para os enfermeiros permanecerem ou regressarem prtica activa, sendo portanto uma estratgia eficaz de recrutamento e reteno. A responsabilidade aumenta num contexto clnico no qual haja infra-estruturas e dotaes inadequadas. Os conjuntos de medidas relativos aos recursos humanos na sade so essenciais para orientar as decises relativas s dotaes de enfermeiros.
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Anexo 5
Contexto
Especializao
Princpios para as dotaes de enfermeiros Os nove princpios abaixo foram identificados por um painel de peritos sobre as dotaes de pessoal em enfermagem e adoptados pelo Conselho de Direco da ANA a 24 de Novembro de 1998: Relacionados com a unidade de cuidados aos doentes 1. Os nveis adequados de dotaes para uma unidade de cuidados aos doentes reflectem a anlise das necessidades individuais e conjuntas dos doentes.
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2. Existe uma necessidade crtica de retirar ou questionar seriamente a utilidade do conceito de horas de enfermagem por dia-doente. 3. Na determinao dos nveis de dotaes, tm tambm de ser consideradas as funes de unidade necessrias para apoiar a prestao de cuidados de qualidade aos doentes. Relacionados com o pessoal 4. As necessidades especficas de diversas populaes de doentes devero determinar as competncias clnicas apropriadas requeridas do enfermeiro que exerce a sua prtica nessa rea. 5. Os enfermeiros devem ter apoio de gesto de enfermagem, bem como uma representao tanto aos nveis operacional como executivo. 6. O apoio clnico por parte de enfermeiros com experincia dever encontrar-se facilmente disposio dos enfermeiros menos versados. Relacionados com a instituio/organizao 7. A poltica da organizao dever reflectir um clima na organizao que valorize os enfermeiros e os restantes empregados como valores estratgicos e mostrem um verdadeiro compromisso no preenchimento de cargos oramentados de forma oportuna. 8. Todas as instituies devero ter competncias documentadas para o enfermeiros, incluindo enfermeiros de agncias, suplementares ou viajantes, para as actividades que tiverem sido autorizados a efectuar. 9. As polticas da organizao devero reconhecer a mirade de necessidades tanto dos doentes como do enfermeiros.
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Anexo 6
Mtodo do juzo profissional Esta tcnica ajud-lo- simplesmente a converter as suas rotas de servio em equivalentes de tempo inteiro (ETIs; no original: Whole Time Equivalents, WTE). Este mtodo, tal como demonstrado pelo algoritmo abaixo, simples de utilizar e um excelente ponto de partida antes de abordar os mtodos mais sofisticados que vm a seguir. Ver que este mtodo inestimvel para ajustar rapidamente a distribuio dos enfermeiros aps alteraes nas polticas ou prticas, tais como emendas aos tempos de transio entre turnos ou aos tempos de intervalo. No seguinte exemplo de uma ala de cirurgia com 15 camas, tomada uma deciso para fazer uma escala de servio com trs enfermeiros para os turnos da manh e da tarde, e dois enfermeiros para o turno da noite. So includos tempos de transio entre turnos de 30 minutos na passagem do turno da manh para o turno da tarde, e de 15 minutos na passagem do turno da tarde para o da noite, dado que tal faz parte do padro habitual de trabalho. Poder substituir os tempos locais e as suas quantidades preferidas de pessoal para diferentes contextos. Tabela 1: Escala de sete dias para uma ala Frmula de dotaes segundo o Juzo Profissional Passo 1. Calcule o nmero de horas de trabalho necessrias:
Turno da manh: 07h00 s 14h30 Turno da tarde: 14h00 s 21h30 Turno da noite: 21h15 s 07h15 Total = 7,5 h x 3 enfermeiros x 7 dias = 7,5 h x 3 enfermeiros x 7 dias = 10 h x 2 enfermeiros x 7 dias = 157,5 h 157,5 h 140 h 455 h
No entanto, este nmero de horas parte do princpio de que os enfermeiros nunca esto doentes nem tm frias, etc. Portanto, necessrio um ajuste de tempo de folga para cobrir as ausncias de todos os tipos. A tolerncia de 22% utilizada na frmula abaixo foi obtida a partir de um estudo de tempo de folga efectuado em mais de 300 alas no Reino Unido. No entanto, se o desejar, poder substituir esse valor por um valor local (que poder obter junto do seu departamento de pessoal).
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Um padro de dotaes com trs enfermeiros de manh, trs enfermeiros para a tarde e dois enfermeiros para a noite requer quase 15 enfermeiros a tempo inteiro para esta pequena ala de cirurgia. Pontos fortes utilizao rpida, simples e no dispendiosa; pode ser aplicado a qualquer especialidade, independentemente do nmero de horas de funcionamento do servio por dia; os resultados so fceis de actualizar; so necessrios poucos ajustes para outros grupos de cuidados; Os efeitos do ajuste das dotaes de enfermeiros sobre a qualidade dos cuidados podem ser medidos atravs de um ou mais inquritos de qualidade de enfermagem e de satisfao profissional dos enfermeiros.
Este mtodo funciona como uma excelente rampa de lanamento para mtodos mais sofisticados e frequentemente utilizado para verificar os resultados de outros mtodos, numa espcie de abordagem cuidadosa gesto do funcionamento. Ao obter resultados semelhantes com dois ou mais mtodos (naquilo que conhecido como triangulao) ter uma maior confiana relativamente s suas decises. Pontos fracos as relaes entre os nveis de dotaes e a qualidade da enfermagem difcil de explicar (ou seja, como saber se 25,5 ETI enfermeiros ser suficiente para manter um padro de cuidados aceitvel, ou para assegurar cargas laborais
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equitativas, satisfao profissional e, por conseguinte, o desejo de permanecer no cargo?); menos flexvel quando a quantidade de doentes e sobretudo quando a combinao do grau de dependncia dos doentes se alteram (ou seja, a ala ficar frequentemente com pessoal a mais ou a menos); Demasiado subjectivo (ou seja, devero ser os prprios profissionais a determinarem os seus nveis de dotaes sem uma verificao independente?); os clculos tornam-se algo estranhos quando se trabalha em turnos pouco habituais, tais como em turnos alargados. No entanto, as folhas de clculo em computador facilitam a tarefa.
Mtodo do nmero de enfermeiros por cama ocupada. O nmero mdio de enfermeiros por cama ocupada (EPCO; no original: Nurses per Occupied Bed, NPOB) um outro mtodo simples e popular para determinar ou avaliar a quantidade e combinao de pessoal na ala. Pontos fortes pode tambm ser utilizado para verificar os resultados obtidos com o mtodo do juzo profissional; til sobretudo quando o seu complemento de camas na ala se altera e tem necessidade de modificar a distribuio dos enfermeiros; honrado o mtodo de manter um sistema simples de planeamento das exigncias da fora de trabalho; as frmulas para as principais especialidades so nicas porque so derivadas de dados recolhidos em alas da mesma especialidade; facilita a determinao das distribuies e a gerao do grau de combinao das alas, dado que as frmulas so separadas por grau de enfermagem;
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Pontos fracos parte do princpio de que as dotaes de base foram determinadas de forma racional; no garante que as mdias de outras fontes provenham de alas que prestem um padro de cuidados aceitvel; insensvel s alteraes no grau de dependncia dos doentes (ou seja, as frmulas recomendam o mesmo nmero de enfermeiros para populaes de doentes internados que tenham um grau de dependncia quer baixo quer elevado; as frmulas so de actualizao dispendiosa; os dados recolhidos de forma rotineira, tais como a ocupao das camas utilizada nas frmulas de dotaes esto mais sujeitos a erros do que os dados recolhidos de forma deliberada e sistemtica, j que neste caso os dados empricos so geralmente confirmados de alguma forma; contm estruturas e processos ocultos, que precisam de ser tornados explcitos; os dados podero ser provenientes de alas geograficamente distintas das suas; insensvel considerao das contribuies dos enfermeiros em formao ou, em alternativa, naquilo que exigem do tempo do pessoal qualificado.
Mtodo da qualidade-acuidade. Um terceiro mtodo de estimar ou avaliar a dimenso ou combinao de equipas de enfermagem nas alas o mtodo da dependncia-actividade-qualidade. Este mtodo de determinao das dotaes ultrapassa muitos dos pontos fracos destacados para os mtodos do juzo profissional e de EPCO. til para alas nas quais a quantidade e combinao de doentes flutuam. Por esse
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motivo, os gestores das unidades de admisso mdica e cirrgica acham este mtodo inestimvel. As frmulas no s so sensveis quantidade e combinao de doentes internados como tm tambm um patamar abaixo do qual os padres de cuidados de enfermagem no devero descer. As frmulas so, por conseguinte, mais complexas de elaborar e aplicar. A anlise requer geralmente a utilizao de folhas de clculo em computador, sobretudo quando se colocam questes do tipo e se?, tais como o que fazer na caso de a ala ter um influxo sbito de doentes com um elevado grau de dependncia. Pontos fortes a alterao das variveis da ala, sobretudo no que respeita quantidade e grau de dependncia dos doentes, facilmente acomodada pelo algoritmo da acuidade-qualidade; pode inverter o mtodo da acuidade-qualidade e ajustar a ocupao e combinao do grau de dependncia dos doentes de forma a que sejam adequados aos recursos de enfermagem disponveis; assim que um computador estiver configurado, possvel calcular a quantidade de pessoal para turnos individuais; os marcos na enfermagem e os indicadores de desempenho (tais como o custo em enfermeiros por cama ocupada) so um produto secundrio natural do mtodo de acuidadequalidade.
Pontos fracos o mtodo da acuidade-qualidade complexo; tm de ser aceites os minutos de cuidado directo para cada categoria de dependncia a menos que possam ser obtidos valores locais para a actividade de enfermagem; o sentido de propriedade que originado pela utilizao de informaes locais poder perder-se quando se utilizam dados externos;
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colapsar o nmero de doentes e os dados de actividade de enfermagem relacionados em grupos de dependncia ignora as caractersticas individuais dos doentes; a actividade de enfermagem, utilizada para obter a quantidade de tempo de enfermagem requerida, por vezes falha em medir a componente psicolgica do cuidado dos doentes. No entanto, a maior parte dos mtodos alternativos so ainda menos sensveis a estas questes; nalgumas situaes, pode recomendar uma distribuio insuficiente dos enfermeiros de forma a fornecer pelo menos um enfermeiro qualificado por turno, dado que a frmula se baseia tanto na carga laboral como na taxa de ocupao; as populaes com menos de 12 doentes (sobretudo se forem doentes com um grau de dependncia baixo) criam o problema da chamada "ala pequena"; aumenta a carga laboral dos enfermeiros das alas, j que so requeridas informaes adicionais sobre os doentes; a obteno de dados actualizados pode ser dispendiosa, p. ex. a obteno de dados representativos da actividade de enfermagem e da qualidade da enfermagem requerem que dois observadores dos enfermeiros, independentes e noparticipativos, passem vrios dias na ala; as configuraes com combinao de graus podero no ser adequadas ao contexto da sua ala, p. ex. poder no estar de acordo com a poltica local empregar assistentes de cuidados de sade de nvel 3 ou 4. A reconfigurao da combinao de graus de acordo com a poltica local e o ajuste do algoritmo de acuidade-qualidade ao mesmo tempo requer um trabalho de campo e competncias considerveis; presta-se menos bem previso da quantidade de pessoal do que alguns dos mtodos seguintes.
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Mtodo das tarefas/actividades cronometradas Este mtodo de estimativa ou avaliao da dimenso e combinao das equipas de enfermagem surgiu sobretudo da crena de que os mtodos de acuidade-qualidade para as dotaes, por exemplo, eram inferiores aos previsores de dotaes. Considera-se que o tipo e frequncia das intervenes de enfermagem requeridas pelos doentes constituem um melhor previsor do que a dependncia dos doentes. Se os enfermeiros se sentirem confortveis com a elaborao de planos de cuidados dos doentes, ento o mtodo das tarefas/actividades cronometradas requer apenas que sejam adicionados minutos para cada interveno ao plano, dando assim origem ao nmero de horas de enfermagem necessrias. Este mtodo ser adequado a alas nas quais os planos sejam elaborados de forma sistemtica, bem como para alas nas quais as necessidades de enfermagem dos doentes possam ser previstas com confiana; nomeadamente aquelas que admitem doentes a partir de listas de espera. Na prtica, as necessidades dirias de cuidados directos de enfermagem de cada doente so registadas quer manualmente quer electronicamente numa lista de verificao desenvolvida localmente para as intervenes de enfermagem. O nmero de intervenes de enfermagem por onde escolher varia de sistema para sistema. Dado que cada interveno est associada a um tempo localmente acordado para ser completada, o plano de cuidados dos doentes e a necessidade de tempo de enfermagem so elaborados de forma sistemtica. O valor associado a cada interveno geralmente a quantidade de tempo necessria para prestar esse cuidado a um doente ao longo de um perodo de 24 horas. Tal como acontece com o mtodo da acuidade-qualidade, necessrio acrescentar um extra por ala para servir os cuidados indirectos e outros aspectos do tempo dos enfermeiros. Da mesma forma, tm de ser considerados os intervalos e o tempo de folga e, idealmente, o mtodo deveria ser computorizado. Pontos fortes gera resultados que podem ser facilmente corroborados por outros mtodos;
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facilmente computorizado, de tal forma que o mtodo se torna parte do sistema de informao em enfermagem; possvel adoptar o sistema noutro ambiente de cuidados sem destruir a sua integridade.
Pontos fracos o mais dispendioso de todos os mtodos descritos; moroso; a reduo dos cuidados de enfermagem a uma lista do tipo estudo de trabalho horroriza alguns enfermeiros.
Mtodo da anlise de regresso Em termos gerais, os mtodos de regresso prevem o nmero necessrio de enfermeiros para um dado nvel de actividade. O previsor chamado a varivel independente e o resultado ou nvel de pessoal conhecido como a varivel dependente. Ainda que a anlise estatstica constitua um desafio, uma vez completada, s necessrio conhecer o valor da varivel independente para poder prever a quantidade de pessoal (varivel dependente). Por exemplo, um estudo desenvolveu um modelo de dotaes de enfermeiros a partir de uma anlise das distribuies de enfermeiros nas alas e da ocupao das camas. A anlise de regresso mostrou que o nmero de enfermeiros (varivel dependente) aumentava medida que a taxa de ocupao das camas (varivel independente) subia, permitindo assim fazer estimativas das dotaes. Outras variveis independentes na literatura incluem o nmero de sesses por dia no bloco operatrio e o nmero de casos de cirurgia ambulatria. Em resumo, assim que os dados de base estejam recolhidos, os clculos so to directos como no mtodo de EPCO. Pontos fortes til em situaes nas quais sejam possveis previses, tal como no nmero de admisses planeadas; ajuda os gestores a prever e preparar exigncias adicionais;
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tende a ser o mtodo menos dispendioso, porque os dados so mais fceis de recolher e podem ser agregados a partir de alas semelhantes; particularmente til aos gestores com recursos limitados, e que no tm meios para efectuar estudos completos de dependncia-actividade-qualidade ou de tarefas/actividades cronometradas; os resultados tendem a ser corroborados por evidncias independentes; as frmulas das dotaes so consideradas vlidas e tambm mais utilizveis do que os mtodos pormenorizados e dispendiosos da acuidade qualidade e das tarefas/ actividades cronometradas; fcil de utilizar as recomendaes das dotaes so relativamente fceis de testar no que respeita exactido, verificando at que ponto o tempo de enfermagem bem utilizado na sequncia da decretao das recomendaes de dotaes retiradas de modelos de regresso.
Pontos fracos necessita dos conhecimentos e competncias de em especialista em estatstica para o ajudar a conceber e implementar o trabalho de campo que recolha os dados mais apropriados para a anlise de regresso; a transferncia das frmulas de dotaes derivadas a partir de coeficientes de regresso de um ambiente para outro no encorajada devido existncia de variveis nicas (tais como a disposio da ala). No entanto, os testes de validade e fiabilidade ajudam a verificar se essa transplantao ser segura; algumas variveis independentes so qualitativas, ao passo que outras so consideradas subjectivas, tais como as percepes do gestor da ala relativamente s dotaes ideais;
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por vezes, os dados nominais tm de ser atribudos a variveis, mas este modelo geralmente baseado em dados de intervalos ou de rcios; parte-se do princpio de que as alas que fornecem os dados para a anlise de regresso funcionam de forma eficiente e eficaz, ou seja, que as alas que fornecem os dados de distribuio dos enfermeiros e da taxa de ocupao das camas sofreram alteraes nas dotaes segundo a exigncia dos doentes; a incluso de dados de alas com excesso de absentismo ou fraca qualidade de cuidados pode distorcer e invalidar os resultados; no seguro prever os nveis de dotaes fora da gama de observaes do modelo de regresso, ou seja, se os seus dados so provenientes de alas com no mais de 25 camas, ento a extrapolao para alas com p. ex. 30 camas ocupadas pode levar a erros, porque no podemos ter a certeza de que existam relaes lineares entre as variveis dependentes e independentes para alm das 25 camas; a imposio de tcnicas estatsticas de regresso excluiu alguns enfermeiros devido a falta de compreenso e de sentido de propriedade.
Para mais informaes: O relatrio completo efectuado pelo Dr. Hurst est disponvel em linha, em: http://www.nuffield.leeds.ac.uk/downloads/nursing_teams_ summary_published.pdf
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Anexo 7
Sensibilizar o enfermeiros, entidades empregadoras e o pblico para os riscos ocupacionais no sector da sade, incluindo a violncia ou a agresso. Aumentar a consciencializao dos enfermeiros relativamente ao seu direito (como trabalhadores) a terem um ambiente seguro e relativamente s suas obrigaes para proteger a sua segurana e promover a segurana dos outros. Convencer os governos e as entidades empregadoras a adoptarem e implementarem todas as medidas necessrias para salvaguardar a segurana e o bem-estar dos enfermeiros em risco no decurso do seu trabalho, incluindo a vacinao, quando apropriada. Apelar aos governos / entidades empregadoras que assegurem o acesso do enfermeiros a medidas de proteco (p. ex. vesturio) e equipamento sem custos adicionais para o pessoal; Encorajar os enfermeiros a submeterem-se s vacinaes relevantes para a sua segurana, higiene e sade no local de trabalho. Cooperar com as autoridades competentes no sentido de assegurar a exactido da Lista do Doenas Ocupacionais e avaliar periodicamente a sua relevncia para o enfermeiros. Apoiar as reivindicaes dos enfermeiros relativamente a compensaes por doenas e/ou danos ocupacionais. Obter e divulgar informaes relativas incidncia de acidentes relacionados com o trabalho, leses e doenas dos enfermeiros. Cooperar com outras organizaes que apoiem o direito dos trabalhadores a um ambiente de trabalho seguro. Reconhecer as importantes relaes entre os trabalhadores e as suas famlias no desenvolvimento de medidas de
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segurana, higiene e sade no trabalho e de planos de tratamento. Apoiar os enfermeiros a no se sentirem intimidados no seu papel de advocacia pelos doentes. Pedir sistemas adequados de monitorizao a todos os nveis, que assegurem a implementao apropriada das medidas. Divulgar informaes sobre a introduo de novos riscos no local de trabalho. Divulgar informaes de no cumprimento por parte das entidades empregadoras relativamente legislao de segurana, higiene e sade no trabalho, incluindo mecanismos de relato dessas violaes.
Enquadramento: O ICN reconhece o papel da maior importncia que a segurana, higiene e sade desempenham na promoo da sade. Alm disso, o ICN reconhece o conhecimento especializado que os enfermeiros tm adquirido na rea da segurana, higiene e sade no trabalho e a eficcia em termos de custos dos servios prestados aos trabalhadores. O ICN apoia o papel em expanso do enfermeiro especializado em segurana, higiene e sade no trabalho em ir de encontro s necessidades primrias de cuidados de sade dos trabalhadores e exige uma remunerao justa e estruturas de carreira adequadas, que apoiem o desenvolvimento profissional. O ambiente de trabalho do enfermeiro frequentemente inseguro em resultado de: Contaminao ambiental por resduos resultantes de actividades humanas e industriais. Riscos (p. ex. qumicos, biolgicos, fsicos, rudo, radiaes, trabalho repetitivo).
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Tecnologia mdica falta de manuteno, formao insuficiente na utilizao da tecnologia. Acesso inadequado a vesturio de proteco e equipamento seguro. A perturbao dos padres da vida do dia-a-dia, associada ao trabalho por turnos. As exigncias crescentes feitas sobre os recursos emocionais, sociais, psicolgicos e espirituais do enfermeiro, a trabalhar em ambientes polticos, sociais, culturais, econmicos e clnicos complexos. Incidentes de violncia, incluindo o assdio sexual. Ergonomia inadequada (engenharia e concepo de equipamento, materiais e instalaes relacionados com a medicina). Distribuio inadequada de recursos, p. ex. humanos, financeiros. Isolamento.
Os cuidados dos doentes beneficiam de um ambiente de trabalho seguro para o pessoal de sade. O ICN assinala que a maior parte dos governos no tem no tem sucesso na recolha de informaes exactas e actualizadas sobre a incidncia de acidentes, leses e doenas no enfermeiros, como base para uma formulao razovel de medidas. A falta de dados relevantes um assunto de grande preocupao. Em certos pases, no existe legislao de segurana, higiene e sade no trabalho. Noutros, os meios para monitorizar a respectiva implementao e a maquinaria para disciplinar as entidades empregadoras que cometem ofensas ineficaz ou no existente. No entanto, outros pases adoptaram legislao que exclui os hospitais e outras agncias de sade. A Conveno 149 da Organizao Internacional do Trabalho relativamente ao Emprego e Condies de Vida e de Trabalho do
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Enfermeiros pede aos estados-membro que melhorem as leis e regulamentaes existentes sobre a segurana, higiene e sade no trabalho, adaptando-as natureza especial do trabalho de enfermagem e ao ambiente no qual desempenhado. A Seco IX da Recomendao (157)1 que acompanha a Conveno desenvolve ainda mais as medidas consideradas necessrias para garantir a segurana, higiene e sade dos enfermeiros no local de trabalho. Adoptado em 1987 Revisto e actualizado em 2000
Posies relacionadas do ICN: Reduo dos riscos de sade relacionados com o ambiente e o estilo de vida Os enfermeiros e o ambiente natural O tabagismo e a sade
International Labour Organization, Convention 149 and Recommendation 157 concerning the Employment and Conditions of Work and Life of Nursing Personnel, Geneva, ILO, 1977.
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Anexo 8
Informar os doentes e as famlias acerca dos riscos potenciais. Relatar prontamente os eventos adversos s autoridades apropriadas. Desempenhar um papel activo na avaliao da segurana e qualidade dos cuidados. Melhorar a comunicao com os doentes e com outros profissionais de sade. Exercer presso no sentido de conseguir nveis adequados de dotaes. Apoiar medidas que melhorem a segurana dos doentes. Promover programas rigorosos de controlo da infeco. Exercer presso no sentido das polticas padronizadas de tratamento e de protocolos que minimizem os erros. Criar ligaes com organismos profissionais de representao de farmacuticos, mdicos e outros, de forma a melhorar a embalagem e rotulagem dos medicamentos. Colaborar com sistemas nacionais de relato para registar, analisar e aprender com os eventos adversos. Desenvolver mecanismos, por exemplo atravs da acreditao, para reconhecer as caractersticas dos prestadores de cuidados de sade que ofeream um marco de excelncia na segurana dos doentes. Enquadramento: Ainda que as intervenes de cuidados de sade se destinem a beneficiar o pblico, h um elemento de risco de que ocorram erros e eventos adversos devido complexa combinao de processos, tecnologias e factores humanos relacionados com os cuidados de sade. Um evento adverso pode ser definido como um dano ou leso provocados pelo tratamento de uma doena ou estado de um doente por profissionais de sade e no pela doena ou estado em
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si. As ameaas comuns segurana dos doentes incluem os erros de medicao, infeces contradas no hospital, exposio a elevadas doses de radiao e utilizao de medicamentos falsificados. Apesar de os erros humanos desempenharem um papel nos eventos adversos graves, h geralmente factores inerentes ao sistema que, se tivessem sido apropriadamente dirigidos, teriam prevenido os erros. H uma evidncia crescente de que os nveis institucionais inadequados de dotaes esto correlacionados com o aumento nos eventos adversos, tais como quedas dos doentes, lceras por presso, erros de medicao, infeces hospitalares e taxas de readmisso que podem levar a estadias mais prolongadas no hospital e taxas de mortalidade hospitalar aumentadas. As faltas de pessoal e o fraco desempenho do pessoal devido a pouca motivao ou a competncias tcnicas insuficientes so tambm determinantes importantes na segurana dos doentes. Os cuidados de sade de fraca qualidade provocam um nmero substancial de eventos adversos com um srio impacto financeiro nas despesas com os cuidados de sade. Adoptado em 2002
Declaraes de posio do ICN relacionadas: Proteco do ttulo de "enfermeiro" Regulamentao da enfermagem mbito da prtica de enfermagem Publicaes do ICN: Patient Safety, WHPA, Fact Sheet (2001).
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O Conselho Internacional de Enfermagem (ICN) uma federao de 120 associaes nacionais de enfermagem, que representam milhes de enfermeiros em todo o mundo. Operado por enfermeiros e para enfermeiros desde 1899, o ICN a voz internacional da enfermagem e trabalha para assegurar a qualidade dos cuidados para todos, bem como polticas de sade sensatas a nvel global.
Anex
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Anexo 9
Fonte: California Nurses Association. (n.d). Ratio basics. Acedido a 2 de Novembro de 2005, a partir de http://www.calnurse.org/files.calnurse.org/assets/ finratrn7103,pdf
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Pr/Ps-natal
Todos os nveis
1:5 + responsvel
1:6 + responsvel
Sala de operaes
3 enfermeiros por sala (1 enfermeiro circulante, 1 enfermeiro instrumentista e 1 enfermeiro de anestesia).Este valor poder aumentar ou diminuir dependendo de factores pr-determinados.
Unidade de cuidados ps-anestesia / Todos os turnos 1:1 para doentes inconscientes Sala de recobro Fonte: Canadian Federation of Nurses Union. (2005). Enhancement of patient safety through formal nursepatient ratios: A discussion paper. Acedido a 2 de Novembro de 2005, a partir de http://www.nursesunions.ca/en/Docs/20051003Nurse PatientRatioEN.pdf
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Anexo 10
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