Baixo Cifrado

Fazer download em pdf ou txt
Fazer download em pdf ou txt
Você está na página 1de 5

www.cliqueapostilas.com.

br

Baixo cifrado

Baixo cifrado, baixo figurado ou baixo contínuo é um tem: as missas de Anton Bruckner, Beethoven, and Franz
tipo de notação musical inteira utilizado para indicar os Schubert, por exemplo, têm uma parte de baixo contínuo
intervalos, os acordes e os enarmônicos em relação a uma para ser interpretada por um organista.
nota do baixo. O baixo cifrado está associado de perto Mais informações no verbete: Baixo contínuo.
com o baixo contínuo, um acompanhamento utilizado em
quase todos os gêneros de música do período barroco.

2 Notação do baixo cifrado


1 Baixo contínuo
Uma notação de baixo cifrado consiste da linha do baixo
As partes de baixo contínuo, prática quase universal no com notas na pauta musical acrescida de números e
barroco (1600-1750) eram, como implica o nome, to- acidentes sob a pauta para indicar em que intervalos
cadas continuamente durante a execução da peça, forne- acima das notas do baixo deve-se tocar e portanto, que
cendo a estrutura harmônica da música. A frase freqüen- inversões, de que acordes, devem ser tocadas. A frase
temente é encurtada para contínuo e os instrumentistas tasto solo indica que apenas a linha do baixo deve ser to-
que executam a parte do contínuo (se forem mais do que cada, sem quaisquer acordes superiores. Usalmente este
um) são chamados grupo do contínuo. procedimento dura até que a próxima indicação apareça.
Frequentemente, a formação do grupo do contínuo é dei- Os compositores foram inconsistentes quanto ao padrão
xada a critério dos executantes e a prática variava bastante de uso descrito a seguir. Especialmente no século XVII
no período barroco. Deveria ser incluído, pelo menos um os números foram omitidos sempre que o compositor
instrumento capaz de tocar acordes, como por exemplo o achava que o acorde era óbvio. Os compositores mais an-
cravo, o órgão, o alaúde, a tiorba, o violão ou a harpa. tigos como, por exemplo, Cláudio Monteverdi freqüente-
Adicionalmente, poderia ser acrescentado qualquer nú- mente especificavam a oitava com intervalos compostos
mero de instrumentos que tocam no registro do baixo, tais como 10, 11 e 15.
como, por exemplo, o violoncelo, o contrabaixo, a viola,
a viola da gamba ou o fagote. A combinação mais co-
mum, pelo menos nas apresentações modernas, é o cravo
e o violoncelo, para as obras instrumentais e vocal, secu- 2.1 Números
lar, como a ópera e o órgão, para a música sacra.
O intérprete do teclado (ou de qualquer dos demais ins- Os números indicam a quantidade de graus da escala mu-
trumentos do baixo) resolve a parte do contínuo tocando sical acima da linha do baixo que uma nota deve ser to-
em adição às notas do baixo indicadas, as notas superio- cada. Por exemplo:
res para completar o acorde quer por determiná-las ante-
cipadamente, quer por improvisar durante a execução. A
notação do baixo cifrado descrita a seguir é um guia ape-
nas, mas espera-se que os intérpretes usem de seu critério
musical e os demais instrumentos e vozes como guia. As
edições modernas das partituras usualmente fornecem a
parte do teclado plenamente desenvolvida para o intér-
prete, eliminando assim a necessidade e improvisação. Aqui a nota do baixo é um Dó e os números 4 e 6 indicam
Com o crescimento das interpretações de época, cresceu que a quarta e a sexta nota acima dele, isto é um Fá e um
também o número de intérpretes que preferem, ao modo Lá, devem ser tocadas. Em outras palavras, isso significa
do barroco, improvisar suas partes. que deve ser tocada a segunda inversão do acorde de Fá
O baixo contínuo, embora um elemento estrutural essen- maior.
cial e identificador da música do barroco continuou a ser Nos casos em que os números 3 e 5 deveriam ser nor-
utilizado em muitas obras, principalmente em obras sa- malmente indicados, usualmente, mas não sempre, eles
cras para coral do classicismo (até cerca de 1800). Exem- são omitidos devido à frequência com que estes interva-
plos de sua utilização no século XIX são raros mas exis- los ocorrem. Por exemplo:

1
www.cliqueapostilas.com.br

2 3 HISTÓRIA

2.2 Acidentes

Quando um acidente é mostrado sózinho, sem estar junto


a um número, ele se aplica à terça do acorde, caso contrá-
rio se aplica à nota que estiver ao lado dele. Por exemplo,
esta notação:
Nesta sequência a primeira nota não tem números a
acompanhá-la – tanto o 3 como o 5 foram omitidos. Isto
significa que a terceira e a quinta nota acima devem ser
tocadas – em outras palavras, um acorde perfeito maior.
A próxima nota tem um 6 indicando que deve ser tocada
a sexta nota acima; o 3 foi omitido, o que significa que
este acorde está na primeira inversão. A terceira nota é
acompanhada por apenas um 7; aqui, como no caso da
primeira nota o 3 e o 5 foram omitidos . O sete indica Equivale a eta execução:
que o acorde é um acorde de sétima. A seqüência toda
equivale a:

Às vezes o acidente é colocado depois do número e não


antes.
embora caiba ao executante escolher em que oitava de- Alternativamente, uma cruz colocada próximo a um nú-
verá tocar as notas e como as trabalhará de alguma ma- mero indica que a altura daquela nota deve ser aumentada
neira, ao invés de simplesmente tocar os acordes, de de um semitom, de modo que se a nota for um bemol ela
acordo com o andamento e a textura da música. deve ser tocada como natural e se for uma nota natural
ela se torna uma nota sustenida. Uma maneira diferente
Algumas vezes outros números também são omitidos: um
de indicar isso é cruzar o número com uma barra. As no-
2 sozinho ou um 42 indicam 642, por exemplo.
tações seguintes, por exemplo, indicam a mesma maneira
Algumas vezes, o número no baixo cifrado muda, mas de tocar as respectivas notas cifradas:
não a nota do baixo. Neste caso, escrevem-se as novas
notas no compasso, no lugar em que devem ser tocadas.
No exemplo a seguir, pretende-se que a pauta superior
seja a melodia e está sendo fornecida simplesmente para
indicar o ritmo (não faz parte do próprio baixo cifrado):

Quando os sustenidos ou bemóis são usado numa parti-


tura com armadura da clave eles podem ter um significado
ligeiramente diferente, especialmente para a música do
século XVII. Um sustenido pode ser utilizado para can-
celar um bemol da armadura ou vice-versa, em vez de ser
usado o símbolo de bequadro.

3 História
Quando a nota do baixo muda, mas as notas do acorde
acima dele são mantém, é desenhada uma linha próxima As origens da prática do baixo contínuo são algo obscu-
ao número (ou números) para indicar isso: ras. Improvisações dos acompanhamentos ao órgão das
obras corais eram comuns por volta do fim do século XVI
e partes separadas para o órgão, mostrando a penas a
linha do baixo datam de, pelo menos, 1587. Em meados
do século XVI, alguns compositores italianos de igreja
começaram a escrever peças policorais. Essas obras para
dois ou mais coros foram criadas para ocasiões especi-
almente festivas ou então para tirar vantagem de certas
A linha se estende pelo período que se deseja que o acorde propriedades da arquitetura dos edifícios nos quais se-
seja mantido. riam apresentadas. Com oito ou mais partes para serem
monitoradas durante uma exibição, peças no estilo poli-
www.cliqueapostilas.com.br

coral (também chamadas de cori spezzati, já que os coros natureza estrutural, pode diferir da nota mais grave das
eram estruturados algumas vezes de modo musicalmente partes superiores, foi desenvolvido no quarto de século
independente e às vezes com partes musicalmente entre- seguinte. O crédito pela primeira publicação deste tipo
laçadas, podendo mesmo, ser colocados em locais fisica- de contínuo é dado ao compositor Lodovico Viadana,
mente diferentes) surgiu a necessidade de algum tipo de numa coleção de motetos de 1602 que, de acordo com
acompanhamento instrumental. seu próprio relato, foi originalmente escrito em 1594. O
É importante observar que o conceito de ter dois ou mais contínuo do Viadana, entretanto, não incluía os símbolos
corais estruturalmente independentes atuando ao mesmo gráficos.
tempo, quase certamente não teria surgido se já não hou- O exemplo conhecido, mais antigo, do uso de susteni-
vesse uma prática de acompanhamento do coral nas igre- dos e bemóis na pauta, é um moteto escrito por Giovanni
jas. Registros financeiros e administrativos confirmam Crocce, também datado de 1594.
a existência de órgãos nas igrejas desde o século XV e Os baixos seguente e cifrado foram desenvolvidos con-
embora seu uso preciso não seja conhecido, parece ra- juntamente na música secular; compositores de madri-
zoável crer que havia alguma interação com os cantores. gais, como Emilio de' Cavalieri e Luzzasco Luzzaschi co-
De fato existem muitos relatos pessoais dos séculos XV meçaram a escrever, no final do século XVI obras para
e XVI, de serviços religiosos, que indicam o acompa- serem executadas por um solista com acompanhamento,
nhamento de órgão em alguns trechos da liturgia suge- seguindo uma prática já estabelecida de interpretar deste
rindo que a prática do canto apenas a cappella, istoé, o modo madrigais com várias vozes, e também em resposta
canto sem acompanhamento musical (nome que deriva à influência crescente de certos grupos de admiradores de
do local de origem dessa modalidade, a Capela Sistina cantores particularmente populares.
do Vaticano), não era muito usual. No início do século
XVI parece que o uso do acompanhamento com órgão, Esta tendência de solo com textura de acompanhamento
pelo menos em igrejas pequenas, era comum e os críti- na música secular, culminou no gênero de monódia da
cos da época lamentam o declínio da qualidade dos coros mesma maneira que na música vocal religiosa resultou no
das igrejas. Ainda mais impressionante, muitos manus- concerto sacro para várias vozes, inclusive vozes solistas.
critos, especialmente os que datam de meados do século O uso de numerais para indicar o acompanhamento co-
em diante, possuem anotados os acompanhamentos pelo meçou com as antigas óperas compostas por Cavalieri e
órgão. Esta última observação é que nos leva às origens Giulio Caccini.
do contínuo de um modo bastante semelhante chamado
basso seguente. Estes novos gêneros foram possíveis, assim como, prova-
velmente, também o foi o policoral, de fato se tornaram
Com maior freqüência, os acompanhamentos escritos possíveis graças à a existência de uma linha do baixo par-
são encontrados nas obras policorais mais antigas (ob- cial ou totalmente independente. Por outro lado, a linha
viamente aquelas compostas antes de surgir o estilo do baixo separada, com informações gráficas acrescenta-
concertato, com suas linhas instrumentais explícitas) e das para indicar as outras notas do acorde, rapidamente se
geralmente consistem numa redução completa de uma tornou “funcional” à medida que as sonoridades se trans-
das partes do coro àquilo que, mais tarde, seria chamado formaram em harmonias, (ver harmonia e tonalidade) e a
de sistema. Adicionalmente, entretanto, para aquelas música passou a ser considerada em termos de uma melo-
partes da música durante as quais determinado coro de- dia apoiada por progressões de acordes, em vez de um en-
veria pausar, se representava esta situação por uma linha trelaçamento de linhas musicais igualmente importantes,
única com a nota mais grave que tenha sido cantada em como acontece na polifonia. O baixo cifrado, portanto,
qualquer momento da música, nota esta que podia estar foi um recurso para o desenvolvimento do barroco, por
em qualquer das partes vocais. extensão, do classicismo e, ainda por extensão, da maio-
Mesmo nos primitivos arranjos vocais dos Gabieli, ria dos estilos subsequentes.
(Andrea e Giovanni), Monteverdi e outros. A parte mais Muitos compositores e teóricos dos séculos XVI e XVII
grave que os intérpretes modernos na linguagem colo- escreveram manuais instruindo como utilizar o baixo ci-
quial se referem como '"contínuo” é, de fato, um basso frado, incluindo entre eles: Gregor Aichinger, Georg Phi-
seguente, algo ligeiramente diferente do baixo contínuo, lipp Telemann, C.P.E. Bach e Michael Praetorius.
pois possuindo partes instrumentais diferentes, a nota
mais grave no basso seguente, em dado instante, com bas-
tante freqüência é bem mais grave do que qualquer nota
que esteja sendo cantada no mesmo instante.
4 Usos contemporâneos
O primeiros exemplo conhecido da publicação de um
O baixo cifrado, algumas vezes é usado pelos músicos
basso seguente foi num livro sobre Introitos e Aleluias do
clássicos como um modo de abreviado de indicar os acor-
veneziano Placido Falconio, datado de 1575.
des, embora não seja usado nas composições modernas.
O que é conhecido como contínuo “cifrado”, o qual tam-
Um tipo de baixo cifrado é usado na notação musical para
bém possui uma linha do baixo que, por causa de sua
o acordeão; outra forma simplificada é usada na notação
www.cliqueapostilas.com.br

4 5 LIGAÇÕES EXTERNAS

para violão (ver verbete Cifra (música))


Atualmente, o uso mais comum do baixo cifrado é
para indicar uma inversão, escrito freqüentemente sem
a pauta, com a letra do nome da nota seguida do símbolo,
por exemplo, a nota do baixo Dó com o baixo cifrado 64
seria escrito: C46 . Os símbolos também podem ser anali-
sados com algarismos romanos para analisar a harmonia
funcional um uso que foi chamado de cifra romana” (ver
en:chord symbol, em inglês).

5 Ligações externas
• Simbologia usada no baixo cifrado (em inglês) por
Robert Kelley (em inglês).
• Acordes no baixo que podem estar contidos nos
graus (principais) das escalas por Robert Kelley (em
inglês.
www.cliqueapostilas.com.br

6 Fontes, contribuidores e licenças de texto e imagem


6.1 Texto
• Baixo cifrado Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Baixo_cifrado?oldid=40919114 Contribuidores: Alexg, LijeBot, He7d3r, Erreve, Mi-
guel Couto, Francisco Leandro, Quiumen, RafaAzevedo, FilRB, Lucia Bot, Eamaral, Escoria79, Alch Bot, MerlIwBot, Legobot, Addbot e
Anónimo: 5

6.2 Imagens
• Ficheiro:C-B_with_6-line_in_figured_bas.png Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a2/C-B_with_6-line_in_
figured_bas.png Licença: CC-BY-SA-3.0 Contribuidores: Wikipédia anglófona Artista original: Camembert
• Ficheiro:CBG_with_-_6_7_figured_bass.png Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2d/CBG_with_-_6_7_
figured_bass.png Licença: CC-BY-SA-3.0 Contribuidores: Wikipédia anglófona Artista original: Camembert
• Ficheiro:C_with_6-5_in_figured_bass.png Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2c/C_with_6-5_in_figured_
bass.png Licença: CC-BY-SA-3.0 Contribuidores: Wikipédia anglófona Artista original: Camembert
• Ficheiro:C_with_64_figured_bass.png Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/00/C_with_64_figured_bass.png
Licença: CC-BY-SA-3.0 Contribuidores: Wikipédia anglófona Artista original: Camembert
• Ficheiro:Chords_C-B63-G7.png Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/81/Chords_C-B63-G7.png Licença: CC-
BY-SA-3.0 Contribuidores: Wikipédia anglófona Artista original: Camemvert
• Ficheiro:Cs_with_natural6,_6_and_barred6.png Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/91/Cs_with_natural6%
2C_6_and_barred6.png Licença: CC-BY-SA-3.0 Contribuidores: Wikipédia anglófona Artista original: Camembert
• Ficheiro:E_with_sharp_and_C_with_b6b_figured_bass.png Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/71/E_with_
sharp_and_C_with_b6b_figured_bass.png Licença: CC-BY-SA-3.0 Contribuidores: Wikipédia anglófona Artista original: Camembert
• Ficheiro:Emaj_and_Abmaj_chords.png Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c4/Emaj_and_Abmaj_chords.
png Licença: CC-BY-SA-3.0 Contribuidores: Wikipédia anglófona Artista original: Camembert

6.3 Licença
• Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0

Você também pode gostar