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TCC Patricia Cuadrado

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UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ

CENTRO DE CIÊNCIAS,TECNOLÓGICAS, DA TERRA E DO MAR


CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS - BIOTECNOLOGIA

Caracterização sócio-ambiental como subsidio


para criação de uma Unidade de Conservação
na Ilha Feia, Penha - Santa Catarina

Patricia Cuadrado Escudero

Itajaí, 07 de dezembro de 2005


UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ
CENTRO DE CIÊNCIAS,TECNOLÓGICAS, DA TERRA E DO MAR
CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS - BIOTECNOLOGIA

Caracterização sócio-ambiental como subsidio


para criação de uma Unidade de Conservação
na Ilha Feia, Penha - Santa Catarina

Patricia Cuadrado Escudero

Trabalho de Conclusão apresentado ao Curso


de Ciências Biológicas, como parte dos
requisitos para obtenção do grau de Bacharel
em Biologia.
Orientadora: Drª. Rosemeri Carvalho Marenzi

Itajaí, 07 de dezembro de 2005


ii

AG R AD E C I M E N T O S

MUITO OBRIGADO !!

A o s m e u s p a i s , p o r s e u a p o io i n c o n d i c io n a l, p o r me e n s i n a r a a c r e d it a r
e l u t a r p o r m e u s s o n h o s e p o r me a j u d a r a r e a l i z á - lo s . T a m b é m p o r me e n s i n a r
a s e r l i v r e e s a b e r a p r o v e it a r t o d a b e l e z a d a v i d a .
A o m e u i r m ã o , q u e m e s m o d e lo n g e , s e m p r e m e a j u d o u a s e g u i r o b o m
ca m in ho .
A o D e d é , p o r s e u a m o r e s e u c o m p a n h e i r i s mo . P o r c o mp a r t ir c o m i g o
s e u m u n d o e m e mo s t r a r t u d o o q u e h o je a mo t a n t o . P o r t o d o s o s mo me n t o s
ju nt o s e t o do s o s q u e est ão po r cheg ar .
À R o s e m e r i p o r t e r m e o r ie n t a d o n e s t a p e q u e n a a v e n t u r a , e t e r m e
mo s t r a d o s u a v i s ã o d e e c o lo g i a p r o f u n d a , f i lo s o f i a d e v i d a , q u e s e t o d o s
p r a t i c á s s e mo s u m p o u c o . . . a ju d a r i a t a n t o .
T a m b é m a o Ad r i a no , p o i s fo i e l e u m d o s “c u l p á ve i s ” p o r e u t e r v i n d o
a o B r a s i l e c o n s e g u i d o c o n c l u ir m e u s e s t u d o s a q u i.
Ao E w e r t o n, p o r se u s c o ns e lho s e su a a miz a d e e m me u s d ia s n e st a
f a c u l d a d e . P o r m e e m p r e s t a r s u a e q u i p e . À t o d o o la b o r a t ó r io d e M e r g u l h o
C i e n t í f i c o p e lo s d i a s d e m a r e á g u a s c l a r a s .
E a t o d o s m e u s c o m p a n h e i r o s , a o s d e G i r o n a , B a r c e lo n a , C a d a q u é s e
t o d o s q u e me aco lh er a m no Br as i l, p o r me a ju d ar a cu mp r ir meu p e q u e no
so n ho : d ar u m p r i me ir o p as so p ar a a co ns er v ação d a nat u r eza.

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


iii

S U M ÁR I O

SU MÁ R IO..................................................................................................................................... iii

LISTA DE A PÊN DICES ................................................................................................................ v

LISTA DE FIG U RA S .................................................................................................................... vi

LISTA DE QU A DRO S ................................................................................................................... viii

RES U MO....................................................................................................................................... ix

1. I N T R O D U Ç Ã O . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1

1.1. CARACT ERI ZAÇÃ O DA FLO RES TA ATL ÂNTI CA.................................................................... 1

1.2. UNI DADES DE C ONSERVA ÇÃO.......................................................................................... 3

1.3. CARACT ERI ZAÇÃ O DE


7
ILHAS..............................................................................................

1.4. TEO RI A DE BI O GEO GRAFI A DE I LHAS............................................................................... 9

2. O B J E T I V O S . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11

2.1. OBJETI VO GE RAL............................................................................................................... 11

2.2. OBJETI VOS ESP ECÍ FI COS.................................................................................................. 11

3. M A T E R I A I S E MÉ T O DO S................................................................................................. 12

3.1. ÁREA DE ES TU DO.............................................................................................................. 12

3.2. REF ER ENCI AL DO MÉTO DO................................................................................................ 13

3.2.1 . A náli se S o cia l d a Á re a d e Es tud o – Pesq uisa Co muni tár ia................................ 13

3 . 2 . 2 . S i t u a ç ã o F u n d i á r i a e L e g a l d a Il h a F e i a – P e s q u i s a D o c u m e n t a l . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

3 . 2 . 3 . C a r a c t e r i z a ç ã o A m b i e n t a l d a Il h a F e i a – P e s q u i s a d e C a m p o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14

3.2.3. 1. Mei o Te rre stre............................................................................................... 14

3.2.3. 2. Mei o A q uát ico................................................................................................. 14

3 . 2 . 4 . Id e n t i f i c a ç ã o d a P r e s e n ç a d e E s p é c i e s B i o i n d i c a d o r a s , E n d ê m i c a s e
A meaçad as d e Ex t inç ão – Pe sq ui sa B ib liog ráf ic a................................................................ 16

3.2.5 . Elab ora ção d e Map a d e Us o d o S ol o d a Ilha Fei a – Map e a me n to..................... 16

3 . 2 . 6 . C a t e g o r i z a ç ã o d a U n i d a d e d e C o n s e r v a ç ã o p a r a a Il h a F e i a – P e s q u i s a
B ib liog ráf i ca e A náli se d e Dad o s............................................................................................ 17

3.3. CRONOGRAMA DAS


17
ATI VI DADES........................................................................................

3.4. DI AGRA MA DA METO DOL OGI A........................................................................................... 19

4. R E S U L T A D O S . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20

4.1. CARACT ERÍ STI CAS SO CI AI S DA Á REA DE ES TU DO.......................................................... 20

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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4.1.1 . Perf i l d os Tu ris tas e Us uári os d a Ilha F eia.......................................................... 20

4 . 1 . 2 . R e l a ç ã o d e V i s i t a ç ã o à Il h a F e i a d o s T u r i s t a s e U s u á r i o s . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21

4 . 1 . 3 . P e r c e p ç ã o A m b i e n t a l d o s T u r i s t a s e U s u á r i o s s o b r e à Il h a F e i a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22

4 . 1 . 4 . U s o d a Il h a F e i a p e l o s U s u á r i o s . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22

4.1.5 . Perf i l d os B a rq uei ro s e Es cune iro s........................................................................ 23

4.1.6 . U so d o s T uri sta s q ue Fa ze m o Pa sse io.................................................................. 25

4.2. SI TUAÇÃO F UNDI ÁRI A E L E GAL DA ILHA FEI A................................................................. 25

4 . 2 . 1 . S i t u a ç ã o F u n d i á r i a d a Il h a F e i a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25

4.2.2 . Leg i sla çã o Pert ine n te............................................................................................... 26

4.3. CARACT ERÍ STI CAS A MBI ENTAI S DA I LHA F EI A................................................................ 30

4.3.1 . Car act erí sti ca s d o Mei o Fí si co................................................................................ 30

4.3.2 . Car act erí sti ca s d o Mei o B ió tic o.............................................................................. 33

4.3.2. 1. E cos si ste mas Ter res tre s................................................................................... 33

4.3.2. 2. E cos si ste mas A q u áti co s.................................................................................... 43

4.3.3 . Car act erí sti ca s d o Mei o A ntr óp i co.......................................................................... 51

4.3.3. 1. Inf l uênc ia A nt róp i ca n os E co ss iste mas Ter res tres...................................... 51

4.3.3. 2. Inf l uênc ia A nt róp i ca n os E co ss iste mas A q uá ti co s....................................... 52

4.3.3. 2. Med id a s C onse rv ac ion ist as.............................................................................. 53

4.4. MAPA DE CARA CTERIZAÇÃO E USO DO SOLO DA ILHA F EI A......................................... 56

4.5. CATEGO RI ZAÇÃO DA UNI DADE DE CONSERVAÇÃO PA RA A ILH A FEI A............................. 58

5. D I S C U S S Ã O . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63

5.1. ANÁLISE SO CIAL DA Á REA D E EST UD O............................................................................. 63

5 . 1 . 1 . T u r i s t a s e U s u á r i o s d a Il h a F e i a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63

5.1.5 . B arq ue iro s e Es cune ir os.......................................................................................... 65

5.2. ANÁLI SE FUN DI ÁRI A E L EGA L DA I LHA F EI A................................................................... 67

5.3. ANÁLI SE A MBI ENTA L DA IL HA FEI A................................................................................. 68

5.4. PRES ENÇA DE ESPÉCI ES BI OI NDI CADO RA S, ENDÊ MI CAS OU AMEA ÇADA S DE
71
EXTI NÇÃO.....................................................................................................................................

5.5. ANÁLISE DA CATE GO RI A DE UC PARA A ILHA


72
FEI A.........................................................

5.5.1 . Frag ilid ad e s................................................................................................................ 73

5.5.2 . Pote nc ialid ad e s.......................................................................................................... 83

5 . 5 . 3 . P r o p o s t a d e C a t e g o r i a d e U C p a r a a Il h a F e i a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89

6. CO NS I DE RA Ç ÕE S F INA I S............................................................................................... 92

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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7. RE CO ME N DA Ç ÕE S............................................................................................................. 94

8. RE FE RÊ N CIA S.................................................................................................................... 95

9. A PÊ N DICE S......................................................................................................................... 102

L I S T A D E AP Ê N D I C E S

A pên d i ce A : L oca li zaç ão G e og ráf ic a d a Á re a d e Estud o................................................ 103

Apênd i ce B: M odelo de Ques tio nári o Info rm ativ o sob re Atividade de Tur ist as na
Reg ião d a I lha Fei a................................................................................................................ 107

Apênd i ce C: Mode lo de Q uest ion ári o Info rma tiv o sob re Atividade de Vi sita nte s na
Reg ião d a I lha Fei a................................................................................................................ 109

Apênd i ce D: Model o de Que sti onár io Inf or mat ivo sob re Atividade de Barq ueir os e
Esc unei ros na Reg iã o d a Ilh a Feia...................................................................................... 111

A pên d i ce E : Mod e l o d e Fi cha d e S aíd a d e Camp o na Ilh a Feia.................................... 113

Apênd i ce F: Model o de Fi cha de Oper açã o de Me rgulho Cien tífi co na Ilha Fe ia....... 115

A pên d i ce G: Pág i nas v i rtu ais mo str and o a v end a d a Ilha Fe ia.................................... 117

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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L I S T A D E F I G U R AS

Figura n° 1: Gráfico do equilíbrio entre a taxa de colonização e de extinção em ilhas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10

Figura n° 2: Localização geográfica da Ilha Feia............................................................................................................................... 12

Figura n° 3: Fotografia mostrando mergulhadores fazendo censo visual em Transecto de Faixa...................... 15

Figura n° 4: Diagrama da metodologia utilizada.............................................................................................................................. 19

Figura n° 5: Representações gráficas do perfil dos entrevistados......................................................................................... 20

Figura n° 6: Representações gráficas sobre visitação à Ilha Feia.......................................................................................... 21

Figura n° 7: Representações gráficas da percepção ambiental dos entrevistados....................................................... 22

Figura n° 8: Representação gráfica da duração média da visita............................................................................................. 22

Figura n° 9: Representação gráfica do principal motivo da visita.......................................................................................... 22

Figura n° 10: Representação gráfica do meio de transporte utilizado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23

Figura n° 11: Representação gráfica do tipo de material vivo coletado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23

Figura n° 12: Representação gráfica do tipo de atividade praticada. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

Figura n° 13: Representação gráfica da freqüência das pescarias. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

Figura n° 14: Representação gráfica das citações de animais avistados. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24

Figura n° 15: Representação gráfica do perfil dos turistas que fazem o passeio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25

Figura n° 16: Bacia hidrográfica Atlântico Sul. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32

Figura n° 17: Fotografias dos ecossistemas terrestres. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37

Figura n° 18: Fotografias dos ecossistemas terrestres – Vegetação. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40

Figura n° 19: Fotografias dos ecossistemas terrestres – Fauna. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42

Figura n° 20: Representação gráfica do gradiente da plataforma na encosta Oeste.................................................. 43

Figura n° 21: Representação gráfica da freqüência de organismos e substratos na plataforma. . . . . . . . . . . . . . . . 44

Figura n° 22: Representação gráfica da freqüência de organismos e substratos na plataforma (por 44


faixas de 10,00 metros) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Figura n° 23: Representação gráfica do perfil de declividade e distribuição de organismos e substratos..... 45

Figura n° 24: Fotografias dos ecossistemas aquáticos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46

Figura n° 25: Representação gráfica da freqüência de espécies de algas na encosta Oeste. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47

Figura n° 26: Fotografias dos ecossistemas aquáticos - Organismos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50

Figura n° 27: Fotografias da influência antrópica nos ecossistemas terrestres. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52

Figura n° 28: Fotografias da influência antrópica nos ecossistemas aquáticos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53

Figura n° 29: Levantamento topográfico. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54

Figura n° 30: Fotos da placa instalada..... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


vii

Figura n° 31: Perfil esquemático da estrutura da paisagem da Ilha Feia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56

Figura n° 32: Mapa de Caracterização e Uso do Solo da Ilha Feia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57

Figura n° 33: Pescador artesanal fazendo translado da equipe de campo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64

Figura n° 34: Vista do costão do Porto da Roça, local de desembarque mais utilizado. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66

Figuras n° 35 e 36: Vista Detalhes de espécies epifitas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70

Figura n° 37: Ramphocelus breselius: tié-sangue. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71

Figura n° 38: Clareira no Porto da Roça. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74

Figura n° 39: Heliconia sp. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76

Figura n° 40: Orquídeas do gênero Cattleya. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76

Figura n° 41: Embarcação pescando à poucos metros da linha de costa. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78

Figura n° 42: Fragata posada em gerivá morto. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80

Figura n° 43: Vegetação coberta de guano. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80

Figura n° 44: Vista da encosta Nordeste, ressaltando a área com vegetação degradada. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80

Figuras n° 45 e 46: Composição mostrando uma clareira aberta pela queda de uma arvore morta. . . . . . . . . 81

Figura n° 47: Vista das Ilhas Itacolomis. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82

Figura n° 48: Impactos da especulação imobiliária no Rio Piçarras. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83

Figura n° 49: Vista da ocorrência de aves marinhas na Ilha Feia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88

Figura n° 50: Vista panorâmica da Ilha Feia e as Baias de Piçarras e Itapocorói. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90

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L I S T A D E QU AD R O S

Quadro n° 1: Cronograma das atividades realizadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

Quadro n° 2: Legislação referente à zona costeira. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26

Quadro n° 3: Legislação referente ao meio ambiente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27

Quadro n° 4: Problemas e ações a serem implantadas no Município de Penha. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28

Quadro n° 5: Planos de Gestão a serem implantados. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29

Quadro n° 6: Capítulos da Agenda 21 relacionados aos problemas regionais ........................................ 30

Quadro n° 7: Espécies vegetais de formação antrópica encontradas na área de estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

Quadro n° 8: Espécies vegetais de formação xerófita, encontradas na área de estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

Quadro n° 9: Espécies vegetais de formação de transição (xerófita - mata densa), encontradas na área
de estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38

Quadro n° 10: Espécies vegetais de formação floresta densa, encontradas na área de estudo. . . . . . . . . . . . . . . . 39

Quadro n° 11: Espécies de aves encontradas na área de estudo. ........................................................ 41

Quadro n° 12: Espécies de borboletas encontradas na área de estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

Quadro n° 13: Espécies de répteis encontradas na área de estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

Quadro n° 14: Espécies de mamíferos encontradas na área de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41

Quadro n° 15: Espécies de algas encontradas na área de estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47

Quadro n° 16: Espécies de peixes encontradas na área de estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48

Quadro n° 17: Espécies de répteis encontradas na área de estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48

Quadro n° 18: Espécies de invertebrados encontradas na área de estudo. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49

Quadro n° 19: Potencialidades e fragilidades da Ilha Feia. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59

Quadro n° 20: Cruzamento de informações a fim de categorizar a U.C. apropriada para a Ilha Feia. . . . . . . . 60

Quadro n° 21: Requisitos das UCs Nacionais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61

Quadro n° 22: Requisitos das UCs Estaduais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61

Quadro n° 23: Requisitos das UCs Municipais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61

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RESUM O

A Ilha Feia, Penha – SC, é uma ilha costeira do litoral centro-norte catarinense e por ser um
ecossistema com acesso relativamente difícil (3 km da costa aproximadamente e com
dificuldade de desembarque), mantém um estado considerável de conservação. Desta forma,
esta pesquisa buscou realizar uma caracterização sócio-ambiental da Ilha feia, considerando o
meio antrópico, físico e biótico, a fim de determinar a sua importância cultural e ecológica,
assim como suas potencialidades e fragilidades na manutenção do ambiente insular. Para a
análise social, foram aplicados questionários a turistas, usuários, barqueiros e escuneiros da
região abrangida (Municípios de Penha, Balneário de Piçarras e Barra Velha) durante a
temporada de verão de 2005. Para a caracterização da vegetação foi utilizado o Método
Expedito de Levantamento não Sistemático de Caminhamento (FILGUEIRAS et al, 1994). A
caracterização do ecossistema aquático envolveu operações de mergulho científico,
utilizando-se duas técnicas de amostragem: o Bell transect ou Transecto de Faixa, a fim de
caracterizar o relevo e biota existente, e o Point Intercept Transect ou Transecto de Ponto, a
fim de determinar o perfil do costão e a distribuição dos organismos (ROGERS et al., 1994).
O mapeamento do uso do solo foi elaborado através da utilização do software ArcMAP para
Windows (ESRI, 2002), realizando o georeferenciamento da área e a delimitação de
diferentes tipologias de vegetação (floresta, estágios sucessionais, e outros) e do uso do solo
(clareiras, trilhas). Foi feita também pesquisa bibliográfica referente à região, aos
ecossistemas existentes no local e as Unidades de Conservação – UCs. Verificou-se que a
comunidade tem grande estima pela Ilha Feia e está conscientizada da necessidade de sua
gestão para a manutenção da biodiversidade hoje presente no local. A caracterização
ambiental determinou que a ilha apresenta formação Floresta Ombrófila Densa em estado
médio à avançado de regeneração na maioria da área e em estado inicial de regeneração na
encosta mais atingida pela influencia antrópica. O ecossistema marinho apresenta
características similares a outros locais do litoral catarinense. Não foi constatada a presença
de espécies bioindicadoras, endêmicas ou ameaçadas de extinção. O conjunto dos resultados
obtidos permitiu elaborar o Mapa de Caracterização e Uso do Solo e determinar a categoria de
Parque Estadual mais adequada a ser implantada a Ilha Feia. Contudo, serão necessários
esforços no sentido de envolver a comunidade no processo de implantação, assim como

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envolver aos órgãos públicos, já que a importância ambiental e sócio-cultural deste


patrimônio insular foi justificada.

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1. INTRODUÇÃO

O Brasil é detentor da maior diversidade que se conhece, sendo que de 1,4 milhão de
organismos conhecidos pela ciência, 10% vivem em território brasileiro (MITTERMEIER et
al., 1992).
É imperativo que a população brasileira se conscientize sobre o valor ambiental e
socioeconômico da biodiversidade que constitui um dos seus maiores patrimônios, o qual,
bem utilizado, faria do Brasil uma potência ao nível mundial. Entretanto, os biomas vêm
sendo destruídos pela ação antrópica, onde grande parte de sua diversidade esta sendo extinta
antes mesmo que se conheça o potencial ecológico, genético e a importância econômica
(ALMEIDA, 2000).
A Ilha Feia, Penha – SC, é uma ilha costeira com vegetação característica do litoral
brasileiro, representada pela Área de Domínio da Mata Atlântica, a qual é alvo das políticas
de conservação ao nível nacional e mundial.
Por ser um ecossistema com acesso relativamente difícil (3 km da costa
aproximadamente e com dificuldade de desembarque), a Ilha Feia mantém um estado
considerável em termos de importância na sua conservação.
Desta forma, esta pesquisa buscou caracterizar a vegetação e fauna da Ilha Feia,
terrestre e aquática, a fim de determinar a sua importância ecológica, assim como suas
potencialidades e fragilidades na manutenção do ambiente insular.
O estudo da área com amplitude sócio-ambiental buscou também somar estratégias de
proteção no sentido de implantação de uma Unidade de Conservação, refletindo sobre a
categoria mais adequada e ao mesmo tempo justificando sua futura inclusão dentro de um
sistema de conservação, conciliando os objetivos de manutenção da biodiversidade, de ações
de educação ambiental, interpretação da natureza e até eco-turismo, envolvendo, então,
benefícios a toda a comunidade local e regional.

1.1. Caracterização da Floresta Atlântica


Segundo Monteiro (2003) a Floresta Atlântica se estendia originalmente do Ceará ao
Rio Grande do Sul e tem essa denominação pelo fato de acompanhar praticamente todo o
litoral brasileiro.
Devido à diversidade de suas formações vegetais, até recentemente possuía diferentes
denominações. A Constituição Federal de 1988 conferiu à Floresta Atlântica o status de

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patrimônio nacional, fato que proporcionou a ampliação da discussão sobre a sua conservação
e uso.
Como resultado do encontro organizado pela Fundação SOS Mata Atlântica (1990),
buscando a sistematização e a divulgação de informações que servissem de base para a
conservação e o uso sustentável da Floresta Atlântica, foi definido o conceito de Domínio da
Mata Atlântica para se referir
[...] a área da Mata Atlântica, dentro de um conceito abrangente
definido pelos participantes do Workshop Mata Atlântica, deve tomar como
base o Mapa de Vegetação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística) de 1989, no que diz respeito à área territorial, que ali abrange a
Floresta Ombrófila Densa, Ombrófila com Araucária, Floresta Estacional
Decidual e Semidecidual, não se atendo à nomenclatura especifica adotada
pelo IBGE e incluindo ecossistemas associados como ilhas oceânicas,
restingas, manguezais, floretas costeiras, campos de altitude e encraves de
campos rupestres e cerrados no sudeste do Brasil.
Justamente por possuir uma variedade de ambientes, a Área de Domínio da Mata
Atlântica abriga uma infinidade de espécies de animais e vegetais, característica que a faz ser
considerada um dos refúgios de biodiversidade mais importante do mundo e, ser declarada
pela UNESCO -Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura- como
Reserva da Biosfera. Essa é uma forma de salvaguardar o patrimônio biológico que ela
apresenta. Através de mecanismos que garantam sua preservação, manutenção e recuperação,
e como forma de estimular a percepção e o reconhecimento de que se trata de um patrimônio
da humanidade.
Em estado crítico, a Área de Domínio da Mata Atlântica acha-se reduzida à cerca de
4%, ou seja, aproximadamente 94.000 km2 de sua cobertura florestal original que ocupava
cerca de 12 % do território brasileiro (MMA, 2000), verificando que na região sul, sudeste e
centro-oeste estão reduzidas a 7,4% de sua área original (SOS MATA
ATLÂNTICA/ISA/INPE, 1998), sendo considerada uma das florestas tropicais com maior
risco de extinção no planeta. Salienta-se que esse percentual não está distribuído
uniformemente para todos os conjuntos florestais que compõem o bioma. Vários deles estão
mal conservados, quase extintos, ou ainda, sub-representados nas unidades de conservação.
Mesmo com a devastação acentuada, a Mata Atlântica ainda abriga uma parcela
significativa da diversidade biológica do Brasil, possuindo mais de 20.000 espécies de
plantas, com um alto endemismo, isto é, cerca de 55% das espécies arbóreas e 40% das
espécies vegetais não arbóreas são exclusivas desse ecossistema (JOLY et al., 1999; LEITÂO
FILHO, 1993; MITTERMEIER et al. , 1999)

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O Estado de Santa Catarina com extensão territorial de 95.985 km2, apresentava


81.587 km2 (85%) originalmente cobertos por ricas e densas florestas. Hoje restam 17,41% de
florestas, incluindo florestas primárias (aproximadamente 3%) e florestas secundárias (estágio
avançado de regeneração). Todas as formações florestais do estado estão inseridas no domínio
do Bioma Mata Atlântica. Este levantamento mostra que de 1990 a 1995 foram desflorestados
70.065 ha em Santa Catarina, o equivalente a 55 campos de futebol por dia (SOS MATA
ATLÂNTICA/ISA/INPE, 1998).
Segundo Schäffer & Prochnow (2002), Santa Catarina é hoje o terceiro Estado com
maior área de Domínio de Mata Atlântica no país. Um elemento importante para esta situação
é o fato de que este havendo significativa regeneração natural das florestas. Segundo os
autores, os parques e reservas nacionais, estaduais, municipais e particulares, existentes em
Santa Catarina, cobrem apenas 2% do território, área insuficiente para garantir a conservação
da biodiversidade existente nas florestas do Estado. A maior parte dos remanescentes
florestais está em propriedades privadas, inclusive em pequenas propriedades. Isto aumenta a
responsabilidade dos proprietários e os torna importantes parceiros na preservação da Floresta
Atlântica.
Recentemente a Floresta Atlântica foi considerada, a partir de estudos realizados por
agências de fomento e grupos de especialistas, a grande prioridade para a conservação de
biodiversidade em todo o continente americano.
O presente projeto visa contribuir ao conhecimento da Floresta Atlântica, analisando
um remanescente insular com o objetivo de realizar um diagnóstico preliminar da área que
justifique a viabilidade da implantação de uma Unidade de Conservação na Ilha Feia.

1.2. Unidades de Conservação (UCs)


Segundo Schäffer & Prochnow (2002), áreas protegidas são áreas criadas para garantir
a sobrevivência da biodiversidade e também para proteger locais de grande beleza. Além de
contribuir para regular o clima, abastecer os mananciais de água e proporcionar qualidade de
vida as populações humanas.
As Unidades de Conservação são áreas protegidas, delimitadas e instituídas
legalmente, passando a ter um tratamento diferenciado de acordo com as suas categorias de
manejo (MARENZI & FRIGO, 2003).
A Lei nº. 4.771 do Código Florestal (BRASIL, 1965) estabeleceu os critérios que
tornam florestas e demais formas de vegetação natural de preservação permanente e criou,

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ainda, a figura de Parque Nacional. Outras leis estabeleceram a existência de outras categorias
de Unidades de Conservação.
No entanto, somente em 2000, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) promulgou a
Lei n°. 9.985 do Sistema Nacional de Unidades de Conservação –SNUC- (BRASIL, 2000)
sendo, dois anos depois, estabelecido o Decreto nº. 4.340, de 22 de agosto de 2002, que
regulamentou esta lei.
De acordo com o SNUC (BRASIL, 2000) os progressos alcançados com a publicação
desta lei são consideráveis,
[...] trazem benefícios aos órgãos públicos responsáveis por
unidades de conservação federais, distritais, estaduais e municipais e para a
sociedade civil, oferecendo os dispositivos legais adequados à preservação
de significativos remanescentes dos ricos biomas brasileiros.

Em Santa Catarina, a Lei n° 11.986 / 01, institui o Sistema Estadual de Unidades de


Conservação – SEUC.
Entre os objetivos definidos pelo SNUC (BRASIL, 2000) e SEUC (SC, 2001),
destaca-se a manutenção da diversidade biológica, a proteção das espécies ameaçadas de
extinção, a proteção de paisagens naturais de notável beleza cênica, a proteção e recuperação
dos recursos hídricos, a promoção da educação ambiental e do ecoturismo, o incentivo à
pesquisa cientifica e a proteção dos recursos naturais necessários à sobrevivência das
populações tradicionais.
O SNUC (BRASIL, 2000) e SEUC (SC, 2001) são constituídos por um conjunto de
Unidades de Conservação federais, estaduais e municipais. Sendo dividido em dois grupos
com características específicas: as Unidades de Proteção Integral e as Unidades de Uso
Sustentável.
As Unidades de Proteção Integral tem como objetivo básico a preservação da natureza,
sendo admitido o uso indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos nas
leis supracitadas. Este grupo é composto pelas seguintes categorias de unidades de
conservação:
I – Estação Ecológica:
Tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas. É
proibida a visitação pública, exceto com objetivo educacional e a pesquisa científica depende
de autorização prévia do órgão responsável.
II – Reserva Biológica:
Tem como objetivo a preservação integral da biota e demais atributos naturais existentes em
seus limites, sem interferência humana direta ou modificações ambientais, excetuando-se as

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medidas de recuperação de seus ecossistemas alterados e as ações de manejo necessárias para


recuperar e preservar o equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos ecológicos.
III – Parque Nacional (Parque Estadual ou Parque Natural Municipal):
Tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância
ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o
desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em
contato com a natureza e de turismo ecológico.
As unidades dessa categoria, quando criadas pelo Estado ou Município, serão denominadas,
respectivamente, Parque Estadual e Parque Natural Municipal.
IV – Monumento Natural:
Tem como objetivo básico preservar sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza
cênica.
V – Refúgio de Vida Silvestre:
Tem como objetivo proteger ambientes naturais onde se asseguram condições para a
existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora local e da fauna residente ou
migratória.

As Unidades de Uso Sustentável tem como objetivo básico compatibilizar a


conservação da natureza com o uso direto de parcela dos seus recursos naturais. O Grupo das
Unidades de Uso Sustentável divide-se nas seguintes categorias:
I – Área de Proteção Ambiental:
É uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos
abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e
o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade
biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos
recursos naturais.
II – Área de Relevante Interesse Ecológico:
É uma área em geral de pequena extensão, com pouca ou nenhuma ocupação humana, com
características naturais extraordinárias ou que abriga exemplares raros da biota regional, e tem
como objetivo manter os ecossistemas naturais de importância regional ou local e regular o
uso admissível dessas áreas, de modo a compatibilizá-lo com os objetivos de conservação da
natureza.

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III – Floresta Nacional (Floresta Estadual ou Floresta Municipal):


É uma área com cobertura florestal de espécies predominantemente nativas e tem como
objetivo básico o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e a pesquisa científica, com
ênfase em métodos para exploração sustentável de florestas nativas.
As unidades dessa categoria, quando criadas pelo Estado ou Município, serão denominadas,
respectivamente, Floresta Estadual e Floresta Municipal.
IV – Reserva Extrativista:
É uma área utilizada por populações locais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e,
complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte,
e tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, e
assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade.
V – Reserva de Fauna:
É uma área natural com populações animais de espécies nativas, terrestres ou aquáticas,
residentes ou migratórias, adequadas para estudos técnico-científicos sobre o manejo
econômico sustentável de recursos faunísticos.
VI – Reserva de Desenvolvimento Sustentável:
Conforme definição do SNUC, é uma área natural que abriga populações tradicionais, cuja
existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos recursos naturais,
desenvolvidos ao longo de gerações e adaptados às condições ecológicas locais e que
desempenham um papel fundamental na proteção da natureza e na manutenção da diversidade
biológica.
VII – Reserva Particular do Patrimônio Natural:
É uma área privada, gravada com perpetuidade, com o objetivo de conservar a diversidade
biológica. Considerada como Unidade de Proteção integral pelo SEUC (SC, 2001).

A consolidação destes Sistemas busca a conservação in situ da diversidade biológica a


longo prazo, centrando-a em um eixo fundamental do processo conservacionista. Estabelece
ainda a necessária relação de complementariedade entre as diferentes categorias de unidades
de conservação, organizando-as de acordo com seus objetivos de manejo e tipos de uso:
Proteção Integral e Uso Sustentado.
Proteger a diversidade biológica de um país é um compromisso de todos os setores da
sociedade e não simplesmente uma ação do governo. Isto está bem claro no capítulo VI
(artigo 225) da Constituição Federal (BRASIL, 1988). Ali está explícito que cabe ao poder

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público e à coletividade o dever de defender e preservar o ambiente para as presentes e futuras


gerações
Segundo a Guia de Chefe (IBAMA/GTZ, 2001), manual de apoio ao gerenciamento de
Unidades de Conservação Federais, uma vez escolhida uma área, objeto de estudo, o seguinte
passo consiste em avaliar no campo a viabilidade da criação de uma nova unidade de
conservação, pesquisando os seguintes dados:
o Localização, descrição dos limites, e área;
o Estado de conservação da área;
o Presença de espécies raras, endêmicas ou ameaçadas de extinção;
o Representatividade da região ecológica natural;
o Complementaridade ao atual sistema de unidades de conservação;
o Diversidade de ecossistemas e de espécies;
o Área disponível para a implantação de uma unidade de conservação;
o Valor histórico, cultural e antropológico;
o Grau das pressões humanas sobre a área;
o Situação fundiária ou viabilidade de regularização fundiária.

Somente a partir da análise destas informações é que se poderá tomar uma decisão sobre
a criação ou não da nova unidade de conservação e qual será a categoria mais indicada para
ela.
No nível federal, a atribuição de realizar estudos para a criação, monitorar e
administrar as unidades de conservação pertence ao IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), um órgão subordinado ao Ministério do
Meio Ambiente. Nos níveis estadual e municipal, a criação e manutenção de unidades de
conservação é uma atribuição da Secretaria de Estado ou do Município incumbida das
questões ambientais.
O presente projeto centrou-se no estudo das informações requeridas pela legislação,
visando justificar a viabilidade de criação de uma UC na Ilha Feia e tendo como objetivo final
a elaboração de um diagnostico da área de estudo que permita sugerir a melhor categoria a ser
implantada, buscando dar maior agilidade ao processo de criação.

1.3. Caracterização de Ilhas


Suguio (1992) define uma ilha como uma área de terra emersa, menor que um
continente, circundado por um corpo de água em um oceano, mar, lago ou rio e, ainda segue a

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clássica distinção entre ilhas continentais e oceânicas, dada por Wallace (1990, apud Salm &
Clark, 1989). Segundo esta distinção, ilhas continentais ou costeiras estão geologicamente
ligadas ao continente pela crosta continental (SIAL) e tem conexões freqüentes com o
continente (incluem uma representação quase completa, tanto taxonômica quanto ecológica,
da fauna do continente); enquanto as ilhas oceânicas erguem-se do fundo oceânico ligado ao
vulcanismo e a crosta oceânica (SIMA) e sua biota reflete sua idade (endemismo), topografia
e distância do continente (com predominância de aves, entre os vertebrados terrestres, e de
morcegos, entre os mamíferos).
Ingram (1992) aponta que existem no mínimo três tipos de Ilhas no Oceano Pacifico,
classificadas quanto a sua idade, isolamento e processos. Podem ocorrer solitárias, em grupos,
em arquipélagos ou em arco de ilhas.
Ilhas são encontradas em todas as latitudes e em todos os tipos climáticos. Existem
desde ilhas com grandes altitudes a ilhas planas, de características continentais, ilhas
vulcânicas, atóis coralinos e ilhas arenosas. As ilhas podem ser populosas ou inabitadas,
independentes politicamente ou parte de um estado continental, ainda podendo ser ricas ou
pobres quanto a recursos naturais (UNESCO, 1975).
O tamanho de uma ilha varia assim como sua constituição, a UNESCO (1992) através
de um estudo dos recursos hídricos e de hidrologia, classificou ilhas em “Grande” quando sua
área excede 2.000 Km2, “Pequena” quando varia entre este valor até 200 Km2, e “Muito
Pequena” para ilha com áreas inferiores a 100 Km2 .
Segundo Cox & Moore (1985) o isolamento é um dos principais fatores que
caracterizam a porção biótica das ilhas, pois, segundo os autores, é através desta que são
permitidas mudanças evolutivas. Pelo isolamento, o “pool” gênico de uma população torna-se
diferente de outro de outra população. Em grandes áreas, o isolamento é variável em sua
natureza e em efeitos sobre a biota como um todo.
Ilhas são claros exemplos de isolamento, considerado como áreas restritas por outras
onde os organismos não apresentem condições de sobrevivência, podendo, entretanto, se tiver
condições psicológicas, morfológicas e fisiológicas, ultrapassá-las. Uma vez que a ilha foi
colonizada, a composição de sua biota pode ser controlada por alguns fatores: distância do
continente (matriz); topografia; altitude e tamanho da ilha.
Os autores Temple & Wilcox (1985); Wilcox & Murphy (1985); Harris (1985) e
Lovejoy et al (1984) apud Ingram (1992) sugerem que a vulnerabilidade de fragmentação em
ilhas pode ser prevista segundo:

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o Tamanho da ilha (conforme a teoria de Biogeografia de Ilhas - MAC ARTHUR &


WILSON, 1963, 1967);
o Padrões espaciais dos ecossistemas e comunidades;
o Tipos de feições geomorfológicas;
o Freqüência e tamanhos de manchas naturais e clareiras na floresta como registro de
regime de distúrbio;
o Tipologias de vulnerabilidade de comunidades e espécies como registro de mudanças
correntes e passadas;
o “Modelos espaciais de paisagens” das respostas de populações particulares e sub áreas
das comunidades para as mudanças na floresta.

1.4. Teoria de Biogeografia de Ilhas


Os trabalhos de R.H. MacArthur & E.O. Wilson com a sua contribuição sobre a Teoria
de equilíbrio da biogeografia de ilhas foi a uma grande revolução na biogeografia ecológica.
Seus estudos estimularam uma ressurgência da pesquisa em ilhas e da biogeografia ecológica
no anos 60 (FERNANDEZ, 2000).
Segundo Cox & Moore (1995), ilhas interessam em três aspectos principais;
necessitando de monitoramento freqüente, desde sua origem:
1. observação da biota que lá ocorre; o quão diferente esta biota é da área-fonte; a natureza
das adaptações dos imigrantes que chegaram a ela e a colonizaram.
2. identificação e quantificação dos fatores que controlam os 3 fenômenos: a taxa das
novas espécies que chegam a ilhas; a taxa de extinção; e o número de espécies que a
ilha pode suportar.
3. estudo dos processos evolutivos pelos quais a biota torna-se um ecossistema integrado,
cada organismo adaptado a viver na ilha, ocupando seu nicho ecológico, o qual no
continente normalmente é ocupado por outros grupos.
McArtthur & Wilson, citados por Ricklefs (1996) produziram uma teoria simples para
explicar o que eles consideravam as três características básicas das biotas insulares:
1. o número de espécies aumenta com o aumento do tamanho da ilha;
2. o número de espécies diminui com o aumento da distância para o continente ou outra
fonte de espécies;

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10

3. ocorre uma contínua mudança na composição de espécies como um resultado de


colonizações recorrentes e extinções, mas o número de espécies fica aproximadamente
o mesmo.

A Teoria de Biogeografia de Ilhas propõe que o número de espécies habitando uma


ilha representa um equilíbrio entre taxa de colonização e de extinção. Isto pode ser analisado
no gráfico representado na Figura n° 1.

Figura n° 1: Gráfico do equilíbrio entre a taxa de colonização


e de extinção em ilhas (Fonte: FERRI, 1974).

O número de espécies pode potencialmente ir de zero ao máximo P, que é o número de


espécies que estão disponíveis para colonizar uma ilha a partir de um continente próximo ou
outra fonte de espécies. A velocidade de colonização deve declinar de um valor máximo
quando a ilha está vazia para zero quando a ilha contém todas as espécies. Por outro lado, a
velocidade de extinção deve aumentar de zero quando não existem espécies para serem
extintas para o valor máximo quando todas as espécies do continente mais próximo (ou outra
fonte de espécies) estão supostamente habitando a ilha. Em um ponto, representando o
número de espécies intermediário entre zero e P, as linhas se cruzam, representando as taxas
opostas de colonização e extinção. Neste ponto, as duas taxas são exatamente iguais (T),
resultando em um equilíbrio no número de espécies encontrado na ilha (S). Este é um
equilíbrio estável porque se o número de espécies é alterado, mudando este valor, ele sempre
retorna.

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11

2. OBJETIVOS

2.1. Objetivos Gerais

Analisar a viabilidade sócio-ambiental para a implantação de uma Unidade de


Conservação na Ilha Feia, Penha – SC.

2.2. Objetivos Específicos

A. Conhecer o perfil e a percepção da comunidade local e turista em relação à Ilha


Feia;
B. Caracterizar a situação fundiária e legal da área de estudo;
C. Caracterizar a situação ambiental da área de estudo;
D. Identificar a possível presença de espécies bioindicadoras, endêmicas ou
ameaçadas de extinção;
E. Elaborar um mapa de uso do solo da área.
F. Identificar a categoria de Unidade de Conservação mais adequada a área de estudo;

3. MATERIAIS E MÉTODOS

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12

3.1. Área de Estudo


A área em estudo, Ilha Feia, situada no litoral centro-norte de Santa Catarina, a 110
quilômetros da Capital do Estado, Florianópolis, está localizada na Baia de Piçarras, formada
pelos municípios de Penha, Balneário de Piçarras e Barra Velha (Figura n°. 2 e Apêndice A).

N
BARRA VELHA

Santa Catarina

Figura n°. 2: Localização geográfica da Ilha Feia.

O Município de Balneário de Piçarras limita ao norte com Barra Velha, ao sul com
Penha, a oeste com Luiz Alves e Navegantes e a leste com o oceano Atlântico. Segundo dados
do IBGE (1981), a área de Piçarras é de 154 Km2, com uma topografia que se eleva
suavemente de leste para oeste, até atingir altitudes de cinco e sete metros, formando uma
planície entre o mar, o rio Piçarras e a BR-101. Balneário de Piçarras tem uma característica
geográfica rara: é um município litorâneo com grande parte de seu território acima do nível do
mar. Está a 26° 45' 30'' de latitude e 48° 40' 40'' de longitude. O clima predominante é quente
e úmido. A temperatura chega a atingir 40°C no verão, descendo a menos de 10°C no inverno,
com ventos mais freqüentes do quadrante norte.
O Município de Penha está contido na folha topográfica Itajaí (IBGE, 1981), nas
coordenadas médias de latitude 26º 46’ 10“ S e de longitude 48° 38’ 45” W de Greenwich.
Possui 46 km2, de acordo com SEPLAN et al. (1990), limitando-se ao norte com o município
de Piçarras, ao sul e a oeste com o município de Navegantes e a leste com o Oceano
Atlântico. A situação demográfica atual, segundo informações da Secretaria Municipal de
Turismo de Penha, encontra-se em torno de 17.000 habitantes, sendo que na temporada, em
função da procura por turistas, chega a 100.000 habitantes.
O Município de Barra Velha está localizado no litoral norte de Santa Catarina, na
região Sul do Brasil, tendo as seguintes coordenadas geográficas referenciais para o

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Município de estudo (sede): Latitude 26º37'45 S e Longitude 49º38'19 W. Pode-se chegar ao


Município pela BR 101, sua principal via de acesso. O Município possui uma área de 278
Km², com população de 16.986 habitantes, conforme dados recentes do IBGE.

3.2. Referencial do Método

3.2.1. Análise Social da Área de Estudo - Pesquisa Comunitária


Consistiu na elaboração de questionários/entrevistas (Apêndices B, C e D), os quais
foram aplicados durante a temporada de verão, época que a região aumenta a sua população
com a visita de muitos turistas.
Estas entrevistas foram feitas a três grupos de população: turistas da região, usuários
da Ilha Feia e barqueiros (pescadores e escuneiros). Turistas considerou-se a comunidade
local e visitantes de outras cidades que estavam de férias quando entrevistados e, usuários, os
turistas que desembarcaram à área de estudo pelo menos uma vez. Foram entrevistados 2
escuneiros e 13 barqueiros proprietários de pequenas embarcações que oferecem traslado na
Ilha Feia, passeios e pescarias pela região.
As entrevistas foram feitas nas praias de Balneário de Piçarras, Penha e Barra Velha
onde os turistas se concentram na época de verão. Eram abordadas pessoas ou grupos de
pessoas, de todas as idades e em varias atividades (caminhando, lendo na praia, etc.),
escolhendo os entrevistados de forma aleatória. Também foram feitas entrevistas nos locais de
desembarque das escunas e na beira-rio, onde os pescadores artesanais guardam suas
embarcações.
As entrevistas foram adaptadas de questionários elaborados no Plano de Manejo da
Reserva Biológica de Arvoredo (IBAMA, 2004).

3.2.2. Situação Fundiária e Legal da Ilha Feia - Pesquisa Documental


A pesquisa documental consistiu na pesquisa junto as Prefeituras Municipais de
Balneário de Piçarras e Penha, SPU (Secretaria de Patrimônio da União), Capitania dos
Portos, SDM (Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social, Urbano e Meio Ambiente
SC), e Laboratório de Georeferenciamento da UNIVALI – CTTMar; a fim de analisar a
situação fundiária da área, tamanho e distância do continente.

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14

3.2.3. Caracterização Ambiental da Ilha Feia - Pesquisa de Campo


Foi realizado um levantamento de dados da área, objetivando conseguir informações
dentro dos contextos terrestre e aquático, para conhecer suas potencialidades e fragilidades,
com vistas a subsidiar a proteção da área.

3.2.3.1. Meio Terrestre


Como esta pesquisa visou à caracterização das tipologias existentes com base nas
espécies dominantes fisionomicamente, sem encerrar a identificação de espécies vegetais e
animais ocorrentes, foi utilizado o Método Expedito de Levantamento não Sistemático de
Caminhamento (FILGUEIRAS et al, 1994).
Foram percorridas trilhas já traçadas, sendo que para o reconhecimento das espécies
arbóreas em campo, no caso de identificações duvidosas, foram feitas fotografias com câmara
digital CANON A85, detalhando parte da ramificação, de preferência fértil, para confirmação
comparativa com a literatura. Foram feitas saídas de campo com a presença de Engenheiros
Agrônomo e Florestal, ajudando na identificação de varias espécies. Também foram feitas
saídas com especialistas em Aves Marinhas do Laboratório de Biologia da UNIVALI -
CTTMar permitindo um levantamento das espécies presentes na Ilha Feia.
Foram observados problemas de desflorestamento e extração de espécies animais e
vegetais, considerados como ameaças para a conservação da área, assim como as
oportunidades de uso da área com fins de educação e interpretação ambiental, pesquisa e
turismo ecológico. Todas as informações eram anotadas nas fichas de campo (ver Apêndice
E).

3.2.3.2. Meio Aquático


Foram feitas operações de mergulho para inventariar, por meio de censos visuais,
informações sobre espécies animais e vegetais.
Foram programadas dez operações de mergulho, que seguiram um roteiro pré-
estabelecido, considerando-se a habilidade dos mergulhadores, os objetivos a serem atingidos
e a segurança das pessoas envolvidas (WEGNER & SANTOS, 2003). Devido as condições
metereológicas somente 4 das operações foram exitosas conseguindo seguir o plano previsto,
possibilitando as atividades.
Cada jornada era executada por uma equipe de três ou quatro mergulhadores e foram
utilizados equipamentos de mergulho autônomo.

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15

A metodologia seguida, segundo Hill & Wilkinson (2004), consiste basicamente em


vários mergulhadores percorrendo uma determinada área transect (ou quadrat quando se
amostra uma determinada área quadrada), durante um determinado tempo, contando peixes ou
outros organismos avistados, conforme a Figura nº 3.

Figura n°. 3: Fotografia mostrando mergulhadores fazendo censo visual em Transecto de Faixa.

Neste projeto foram utilizadas duas técnicas de amostragem: o Bell transect ou


Transecto de Faixa, a fim de caracterizar o relevo e bioma existente, e o Point Intercept
Transect ou Transecto de Ponto, a fim de determinar o perfil do costão e a distribuição dos
organismos (ROGERS et al., 1994).
O Transecto de Faixa consistiu em percorrer uma linha transect de 50,00 metros,
definida por uma trena. Foi determinada uma distancia de 1,00 metro da trena para direita e
esquerda, dentro da qual, e ao longo da linha, foram observados os organismos. Em cada
operação de mergulho foram feitas duas amostragens: uma transect perpendicular à linha de
costa para constatação do gradiente, e uma transect paralelo à linha de costa a fim de
caracterizar o bioma.
O Transecto de Ponto consistiu em percorrer uma linha transect de 50,00 metros
definida por uma trena, em sentido perpendicular à linha de costa. A trena foi posicionada
sobre o substrato e ao longo desta, foram anotadas as categorias de cobertura do substrato
(algas, rocha exposta, invertebrados ou areia) encontradas sob a trena, a cada 0,5 metros.
Somando em quantos pontos cada categoria apareceu, pode-se estimar a cobertura do
substrato de cada uma das categorias. A relação entre o número de pontos de uma
determinada categoria encontrada e o número total de pontos da linha do transect fornecerá a
estimativa de cobertura (HILL & WILKINSON, 2004). Também foram observadas as

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16

profundidades a cada 5 metros, ao longo de todo o comprimento do transect, para determinar


a declividade da plataforma.
Todas as informações das jornadas de mar foram anotadas em pranchetas de PVC e
depois transferidas para as fichas de saídas de mar (ver Apêndice F).
As mesmas operações serviram para obter registros fotográficos das principais
espécies de organismos presentes e coletar os organismos que não tinham identificação
assegurada. Como recurso fotográfico foi utilizado uma câmara fotográfica digital CANON
A85 com caixa estanca.
Algumas operações de mergulho foram planejadas para a coleta de determinados
organismos. Para isso, foram utilizados, além do equipamento de mergulho, equipamento de
coleta biológica composto por facas, sacos, baldes e etiquetas. Estes dados foram levados ao
Laboratório de Mergulho Científico da UNIVALI – CTTMar, para identificação com ajuda de
material bibliográfico.
Outras informações sobre a transparência e temperatura da água, tipo de substrato de
fundo, profundidade, distância e direção entre pontos de referência e coordenadas em Datum
SAD-69, também foram registradas durante as operações de mergulho.
Os equipamentos utilizados para estas operações de mergulho foram: uma embarcação
para transporte dos pesquisadores, equipamentos de mergulho livre e autônomo, bússolas de
mergulho, trena plástica de 50,00 metros, equipamento de fotografia submarina, prancheta de
mergulho, prancheta de identificação de organismos, e material de coleta biológica.

3.2.4. Identificação da Presença de Espécies Bioindicadoras,


Endêmicas ou Ameaçadas de Extinção - Pesquisa Bibliográfica
Envolveu um estudo da bibliografia voltada aos dados obtidos em campo, a fim de
confirmar a presença/ausência de espécies bioindicadoras, endêmicas ou ameaçadas de
extinção. A esta bibliografia foram incluídos livros, teses, materiais cartográficos, periódicos,
documentos, entre outros. A pesquisa bibliográfica é importante para que o pesquisador
possa elaborar uma fundamentação de seu estudo (LAKATOS & MARCONI, 2001).

3.2.5. Elaboração de Mapa de Uso do Solo da Ilha Feia - Mapeamento


O mapeamento do uso do solo foi elaborado a partir de 1 fotografia aérea vertical,
pancromática, em escala 1:25.000, de 1978, disponibilizada pela Secretaria de Planejamento
do Estado de Santa Catarina, com base em Florianópolis - SC. A fotografia foi scannerizada

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em scaner de mesa a fim de ser trabalhada em meio digital. Através da utilização do software
ArcMAP para Windows (ESRI, 2002), foi realizado o georeferenciamento da área por base
cartográfica realizada em escala 1:25.000, com ajuda de especialistas do Laboratório de
Georeferenciamento da UNIVALI – CTTMar.
No intuito da elaboração de um mapa temático de fitofisionomia e uso do solo, foram
digitalizados diferentes polígonos, que delimitam as diferentes tipologias de vegetação
(floresta, estágios sucessionais, e outros) e do uso do solo (clareiras, trilhas).

3.2.6. Categorização da Unidade de Conservação para a Ilha Feia -


Pesquisa Bibliográfica e Análise de dados
No presente trabalho foram utilizadas bibliografias a fim de se obter revisão sobre
Unidades de Conservação, abordando aspectos como: princípio e objetivos das diversas
categorias, maneira de implantação prevista pelo órgão competente, dificuldades encontradas,
entre outras informações.Também foi realizada uma revisão sobre informações já existentes
da área, objeto de estudo.
Para a identificação da Unidade de Conservação mais adequada a ser implantada na
área, foram analisados dados sobre as características, restrições e objetivos de cada categoria
de Unidade de Conservação por meio de consulta sobre a temática. Estas características e
objetivos foram cruzados com dados que consideraram a situação fundiária, dimensão,
potencialidades e ameaças ou fragilidades na área.

3.3. Cronograma das atividades


ATIVIDADES Saída de mergulho Saída de campo Saída de campo Pernoite
DIA, MÊS - Censo visual - - Inventario Florestal - Inventario Avifauna - - “Busca intensiva” -
e Faunístico -
VERÃO / 2005
14, Janeiro
15, Janeiro
12, Fevereiro
23, Março
24, Março
OUTONO / 2005
28, Abril
02, Junho
PRIMAVERA/ 2005
29, Outubro
04, Novembro*
Quadro n°. 1: Cronograma das atividades realizadas.
(* visita de reconhecimento)

Foram realizadas 7 visitas à Ilha Feia, incluindo 2 pernoites (Quadro n° 1) e uma visita
de reconhecimento. Outras seis saídas foram programas e abortadas devido às condições do

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mar impossibilitar a chegada até a Ilha Feia. Cabe ressaltar que o nome da ilha refere-se
precisamente à dificuldade de desembarque e navegação nesta área.

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19

3.4. Diagrama da Metodologia

PESQUISA PESQUISA PESQUISA DE


COMUNITÁRIA DOCUMENTAL CAMPO

ANÁLISE ANÁLISE ANÁLISE


SOCIAL FUNDIÁRIA E LEGAL AMBIENTAL

MAPEAMENTO PESQUISA
BIBLIOGRÁFICA

MAPA DE ANÁLISE DE
USO DO SOLO ESPÉCIES RARAS

FRAGILIDADES POTENCIALIDADES

LEGENDA:
PESQUISA
BIBLIOGRÁFICA
METODOLOGIA

ANÁLISE DA CATEGORIA DE UC
PARA A ILHA FEIA RESULTADO
Figura n°. 4: Diagrama da metodologia utilizada.

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20

4. RESULTADOS

4.1. Características Sociais da Área de Estudo


As entrevistas foram aplicadas durante o período de verão, de dezembro de 2004 até
fevereiro de 2005, com o intuito de atingir a população local e turística, uma vez que a região
de estudo (Penha, Balneário de Piçarras e Barra Velha), aumenta a sua população em até 10
vezes durante a temporada alta.
O tamanho amostral foi de 46 turistas, 50 usuários e 15 barqueiros (13 pescadores e 2
escuneiros) que oferecem passeios à Ilha Feia.

4.1.1. Perfil dos Turistas e Usuários da Ilha Feia


A Figura n° 5 mostra o perfil dos turistas e usuários da Ilha.

TURISTAS USUÁRIOS
FAIXA ETARIA

4; 11%
4; 10%
14; 39%
16; 40%

18; 50% 20; 50%

Até 18 anos 18 - 30 anos Mais de 30 anos Até 18 anos 18 - 30 anos Mais de 30 anos

ESCOLARIDADE

10; 28% 10; 29%


13; 36%
15; 43%

6; 17% 4; 11% 6; 17%


7; 19%
1º grau 2º grau 1º grau 2º grau
superiorincompleto superiorcompleto superiorincompleto superiorcompleto

LOCAL DE HOSPEDAGEM

16; 36%
14; 37% 20; 46%
18; 47%

8; 18%
6; 16%
Casa/apto proprio Alugado Amigos/parentes Casa/apto proprio Alugado Amigos/parentes

Figura n°. 5: Representações gráficas do perfil dos entrevistados (n° ; % entrevistados).

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4.1.2. Relação de Visitação à Ilha Feia dos Turistas e Usuários


A relação de visitação à área de estudo dos turistas e usuários entrevistados, é
mostrada na Figura n° 6.

TURISTAS USUÁRIOS
ACESSO A MATERIAL EDUCATIVO / INFORMATIVO

2; 6% 0; 0%

40; 100%
34; 94%
Não Sim Não Sim

PASSEIO DE ESCUNA
1; 3%
1; 3% 0; 0%
11; 31% 12; 33%

16; 40%

23; 57%
12; 33%
Não Somente 1 vez 1 vez/ano Trabalha Não Somente 1 vez 1 vez/ano Trabalha

FREQÜÊNCIA DE VISITA

6; 17%
14; 39% 17; 43%
4; 11%

22; 54%

1; 3%
12; 33%
Não visitou Somente 1 vez 1 vez 1 vez/ano outros (3-4 vezes/ano)
1 vez/ano 3-4 vezes/ano

Figura n°.6: Representações gráficas sobre visitação à Ilha Feia (n° ; % entrevistados).

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22

4.1.3. Percepção Ambiental dos Turistas e Usuários sobre à Ilha


Feia
Na Figura n° 7, pode-se observar a percepção dos entrevistados sobre a área de estudo.

TURISTAS USUÁRIOS
ACREDITA NAS POSSIBILIDADES DA ILHA FEIA

2; 6% 1; 3%

34; 94%
39; 97%

Não Sim Não Sim

TEM INTERESSE NA CONSERVAÇÃO DA ILHA FEIA

1; 3% 1; 3%

35; 97% 39; 97%

Não Sim Não Sim

Figura n°. 7: Representações gráficas da percepção ambiental dos entrevistados (n° ; % entrevistados).

4.1.4. Uso da Ilha Feia pelos Usuários


As principais informações obtidas sobre o uso da área de estudo pelos usuários
entrevistados estão representadas nas Figuras n° 8, 9 e 10.

5; 13% 0; 0% 8; 20%

27; 67%
1 dia 2 dias/1 noite 1 semana outros

Figura n°. 8: Representação gráfica da duração média da visita (n° ; % entrevistados).

8; 20% 0; 0%

6; 15%
26; 65%

atrativos naturais passeio pesca outros

Figura n°. 9: Representação gráfica do principal motivo da visita (n° ; % entrevistados).

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23

4; 10% 2; 5%
0; 0%

34; 85%
barco próprio passeio escuna
passeio serviço outros (barco amigos)

Figura n°. 10: Representação gráfica do meio de transporte utilizado (n° ; % entrevistados).

Somente 3 entrevistados, ou 8%, afirmaram praticar caça e captura de animais; mas 33


entrevistados, ou 82%, afirmaram coletar material vivo. O tipo de material vivo coletado é
representado na figura a seguir:

1; 3% 2; 6%

30; 91%
plantas nativas plantas ornamentais marisco

Figura n°. 11: Representação gráfica do tipo de material vivo coletado (n° ; %. entrevistados)

Os resultados dos questionários refletiram que 11 usuários, o 28% dos entrevistados,


acostumam plantar vegetais comestíveis na Ilha Feia.

4.1.5. Perfil dos Barqueiros e Escuneiros


Na região estudada, existem somente 2 escunas turísticas que oferecem passeios e
pescarias, sendo que muitos pescadores artesanais oferecem os mesmos serviços para
aumentar a renda familiar, porém não regularizados nesta atividade.
Foram entrevistados responsáveis por cada uma das escunas e 13 pescadores
proprietários de pequenas embarcações que oferecem traslado à Ilha Feia, passeios e pescarias
pela região.
As duas escunas trabalham diariamente durante a temporada alta de verão (de 20 de
dezembro até Carnaval) e fazem passeios e pescarias agendadas durante o restante do ano. A
escuna Vô Nica, faz 4 passeios diários com capacidade para 173 pessoas e a escuna Capitão
Gato faz 5 passeios com capacidade para 55 pessoas1.
Constatou-se que somente os funcionários das escunas oferecem informações sobre
educação ambiental aos turistas. Já informações sobre a Ilha Feia são oferecidas pelas escunas

1
Depois da realização das entrevistas, o dia 06 de agosto de 2005, a Escuna Capitão Gato naufragou.

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24

e também por dois dos pescadores artesanais, representando 27% dos barqueiros
entrevistados.
Todos os barqueiros entrevistados afirmaram praticar atividades na Ilha Feia. Os tipos
de atividades são mostrados na Figura n° 12.

8; 54% 5; 33%

2; 13%

Pesca Banho (Porto da Rosa) Translado

Figura n°. 12: Representação gráfica do tipo de atividade praticada (n° ; %. entrevistados)

As escunas não permitem desembarque dos turistas na área de estudo, mas 10 dos 13
pescadores sim, representando 67% das embarcações.
Todos os pescadores artesanais afirmaram fundear as embarcações a distancia menor
de 10 metros da costa. As escunas acostumam fundear mais longe para evitar que os turistas
nadem até a ilha.
A maioria dos barqueiros entrevistados (80%) oferece pescarias, com a freqüência que
pode ser observada na Figura n° 13.

3; 20%

8; 53%
4; 27%

1 vez/mês 1 vez/semana 2 vezes /semana

Figura n°. 13: Representação gráfica da freqüência das pescarias (n° ; %. entrevistados)

Durante os passeios e pescarias os entrevistados afirmaram avistar diferentes animais


marinhos. A Figura n° 14 mostra as principais espécies avistadas com a freqüência das
citações.
Tartaruga

4; 14% Boto
8; 28%

Pinguins
11; 37%
6; 21%
Outros (leão
marinho,
cação...)

Figura n°. 14: Representação gráfica das citações de animais avistados (n° ; %. entrevistados)

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25

4.1.6. Uso dos Turistas que Fazem o Passeio


A Figura n° 15 mostra o perfil dos turistas que fazem o passeio.

2; 13% 2; 13%

11; 74%
Familias Jovens Pessoas de Idade

Figura n°. 15: Representação gráfica do perfil dos turistas que fazem o passeio (n° ; %. entrevistados)

Segundo os barqueiros entrevistados, todos os turistas que fazem o passeio de escuna,


pescaria ou visita à Ilha Feia, voltam; e a maioria, 87% tem conduta ambientalmente correta.
Foram escolhidos sociais a fim de fazer uma análise comunitária da área de estudo,
pressupondo que estes são as pessoas que melhor conhecem a Ilha Feia. Os atores
institucionais deverão ser entrevistados no futuro, numa continuidade do processo de
implantação de uma UC, com outro objetivo: a análise do diagnóstico preliminar da Ilha Feia
que será apresentado como resultado final deste projeto.

4.2. Situação Fundiária e Legal da Ilha Feia

4.2.1. Situação Fundiária da Ilha Feia


A Ilha Feia, como ilha costeira, é Terreno da Marinha, pertencente à União, segundo o
art. 20°, inciso IV da Constituição do Brasil de 1998. Segundo informações do órgão
responsável pela posse de Terrenos da Marinha Secretaria do Patrimônio da União (SPU -
SC), com sede em Florianópolis, a Ilha Feia esta registrada como pertencente ao Município de
Penha e , uma pessoa física tem a posse desde 1993. A posse é um contrato que a pessoa faz
com a União, que se chama Aforamento, e no qual a pessoa passa a adquirir o Domínio Útil
do imóvel, ou seja, o direito de utilizar o terreno, pagando o Foro (imposto referente à posse).
O Aforamento está vigente desde o ano 1993 até atualmente, com a situação do Foro em dia.
Duas imobiliárias estaduais estão atualmente vendendo a Ilha Feia como pode ser
confirmado no Apêndice G. A descoberta deste fato ocorreu em Janeiro de 2005, durante
navegação pela internet, quando o valor da Ilha era de R$ 950.000,00, sendo que em Abril de
2005 o valor da mesma diminuiu para R$ 700.000,00, preço que se mantém atualmente.

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26

Sabe-se que as duas imobiliárias não estão vendendo o terreno, neste caso a ilha, e sim
a sua posse, mesmo que na internet não seja informado. Ou seja, nesta venda o atual
proprietário vende a concessão da posse da Ilha Feia para outra pessoa física ou jurídica.

4.2.2. Legislação Pertinente


Considerando a zona costeira e os ecossistemas observados, os Quadros n° 2 e 3
listam a principal legislação correlacionada, uma vez que na área de estudo incidem uma
variedade de leis ambientais (FATMA, 2005a; SDM-SC, 2002a; MEDAUAR, 2004). O
Quadro n° 2 apresenta a legislação referente à zona costeira e o Quadro n° 3 a referente aos
ambientes observados na Ilha Feia.

LEGISLAÇÃO RESUMO DO CONTEÚDO


Decreto n° 24.643/34 – Estabelece como águas públicas os mares territoriais.
Código de águas
Resolução CNTUR n° Institui como locais de Interesse Turístico áreas localizadas na orla marítima do
1.913/82 Estado de Santa Catarina. Os locais situados nos municípios de (...) Barra Velha,
Piçarras, Penha, (...).
Portaria n° 12/83 – Considera que “o mar e as praias são bens públicos de uso comum do povo”, e
Ministério da Marinha dispõe sobre a necessidade de parecer prévio do Ministério da Marinha para a
realização de obras em terrenos de marinha.
Constituição Federal de Considera a Orla Marítima como toda a Zona Costeira, Patrimônio Nacional,
1988 (Art. 225, § 4) estabelecendo que sua utilização se fará “dentro de condições que assegurem a
preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.
Lei n° 7.661/88 – PNGC Institui o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, destacando a prioridade na
conservação e na proteção de bens ambientais costeiros, como praias e ilhas.
Lei n° 8.617/93 Dispõe sobre o mar territorial, a zona contígua, a zona econômica exclusiva e a
plataforma continental brasileira.
Lei n° 9.433/97 Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos – PNRH.
Resolução CIRM n° 05/97 Aprova e detalha os aspectos operativos do PNGC II
Resolução CIRM n° 05/98 Institui o Plano de Ação Federal para a Zona Costeira.
Lei nº 9.636/98 Dispõe que cabe ao SPU (Serviço de Patrimônio da União) identificar, cadastrar,
registrar, regularizar, as ocupações e promover a utilização ordenada dos bens
imóveis da união, podendo firmar convênios com o estados ou municípios. No
art. 3º é destacada a incumbência deste órgão de fiscalizar e zelar pela integridade
física destas áreas.
Portaria n° 583/98. Estabelece os critérios para inscrição da ocupação.
Decreto n° 2.972/99 Institui o Projeto de Gestão Integrada dos Ambientes Costeiro e Marinho no
âmbito do MMA.
Decreto n° 2.956/99 Institui o V Plano Setorial para os Recursos do Mar (PSRM) - 1999 - 2003,
aborda articulação com o GERCO.
Projeto de Lei n° 150/05 Projeta o Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro.

Quadro n°. 2: Legislação referente à zona costeira.

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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LEGISLAÇÃO RESUMO DO CONTEÚDO


Lei n° 4.771/65 – Código Estabelece como área de preservação permanente o topo de morros, montes,
Florestal montanhas e serras, encostas de morro com declividade = 45°, margens de rios,
vegetação fixadora de dunas e estabilizadora de mangues.
Lei n° 6.505/77 Dispõe sobre as atividades e serviços turísticos; estabelece condições para seu
funcionamento e fiscalização.
Lei n° 6.938/81 Dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente
Decreto Estadual n° Regulamenta dispositivos da Lei n° 5.793/80, referentes a proteção e melhoria da
14.250/81. qualidade ambiental.
Resolução CONAMA n° Dispõe sobre Reservas Ecológicas e dá outras providencias.
004/85
Leis Municipais nos Institui o Plano Diretor Físico Territorial Urbano do Município de Penha.
825/86, 826/86, 827/86 e
828/86.
Decreto n° 750/93 Proíbe o corte, a exploração e a supressão de vegetação primaria ou nos estágios
médio e avançado de regeneração de Mata Atlântica.
Resolução CONAMA n° Estabelece os parâmetros básicos para a analise dos estágios de sucessão da
10/93 Floresta Atlântica.
Lei Estadual n° 9.428/94 Dispõe sobre a Política Florestal do Estado de Santa Catarina.
Lei n° 9.605/98 – Lei de Considera crime destruir ou danificar florestas, nativas ou plantadas, ou
Crimes Ambientais vegetação fixadora de dunas ou protetora de mangues.
Resolução CONAMA n° Estabelece os parâmetros básicos para a analise dos estágios de sucessão da
261/99 Restinga.
Lei n° 9.795/99 Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação
Ambiental e dá outras providências.
Lei n°9.985/00 – SNUC Regulamento o art 225, § 1°, incisos I, II, III e VII da Constituição Federal, e
institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação.
Lei n° 11.986 / 01 - SEUC Institui o Sistema Estadual de Unidades de Conservação.
Lei 10.275/01 Institui o Estatuto das Cidades. Objetiva legislar sobre normas de direito
urbanístico, buscando o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar nacional.
Quadro n°. 3: Legislação referente ao meio ambiente.

Para a fiscalização e cumprimento das leis apresentadas é necessário articular o projeto


de criação da UC na Ilha Feia, de forma a reforçar os instrumentos legais disponíveis na área
de atuação. Os principais planos, programas e projetos que podem ter maior relação positiva
com a Ilha Feia, são:

a) Programa Estadual de Gerenciamento Costeiro - GERCO


Administrado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social, Urbano e do
Meio Ambiente de Santa Catarina (SDS), atua em todo o litoral catarinense, é vinculado ao
Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, Lei nº 7661 (BRASIL, 1988) e expressa um
importante compromisso como o desenvolvimento sustentável da zona costeira. Tem como
finalidade primordial, promover o ordenamento do uso dos recursos naturais e da ocupação

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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dos espaços costeiros, objetivando, ainda, internalizar os instrumentos de gerenciamento,


identificando suas potencialidades, vulnerabilidades e tendências existentes. O programa
GERCO/SC envolve os municípios do litoral centro e centro-norte catarinense, desde
Bombinhas até Penha, sendo que a proposta de lei, já prevê a inclusão do Município de
Piçarras. O artigo 3º do Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro – PNGC prevê a
realização de zoneamento de usos e atividades na Zona Costeira e dar prioridades na
conservação e proteção de ilhas costeiras e oceânicas, além de outros ecossistemas.
O Zoneamento Ecológico-Econômico Costeiro – ZEEC (SDM-SC, 2002b) é
instrumento balizador do processo de ordenamento territorial necessário para a obtenção das
condições de sustentabilidade ambiental do desenvolvimento da Zona Costeira, em
consonância com a legislação ambiental e com as diretrizes do Zoneamento Ecológico-
Econômico do território nacional.
São listados no Quadro n° 4 os problemas e ações contatados no ZEEC no Município
de Penha.
PROBLEMAS AÇÕES A SEREM IMPLANTADA S
Ausência de critérios de usos do Aumentar o rigor na exigência da aplicação da legislação e atualização
solo do Plano Diretor.
Ausência de uma política publica Ordenar de forma participativa e integrada as atividades econômicas
sócio-ambiental do município: maricultura, turismo, urbanização e conservação
ambiental.
Falta de interesse em relação à Entrar em consenso com a população e poder publico da importância
criação de uma UC de conservação de varias áreas no Município.
Atividades irregulares: caça, pesca Fiscalização efetiva, aliada a conscientização da população, criação de
irregular, desmatamento. alternativas de sustento.
Degradação dos ecossistemas Criação de U.C. de maior fiscalização por parte da prefeitura e órgãos
ambientais, criação de conselho de meio ambiente.
Fiscalização ambiental Conscientização da comunidade, denuncias e educação ambiental
Conflito com uso de espaço marinho Identificação, delimitação das áreas propensas para atividades,
zoneamento.
Quadro n°. 4: Problemas e ações a serem implantadas no Município de Penha
(Fonte: SDM-SC, 2002a).

Segundo o Zoneamento Ecológico-Econômico realizado em Santa Catarina, a Ilha


Feia é Zona de Preservação Permanente (SDM-SC, 2002b).
No Quadro n° 5, são listados Planos de Gestão previstos no PEGC, a serem
implantados no litoral centro-norte catarinense, no Município de Penha, e em Zonas de
Preservação Permanente, que estão relacionados com o presente projeto de criação de uma
UC na Ilha Feia.

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LITORAL NORTE-CATARINENSE MUNICÍPIO DE PENHA ZPP


Programa sócio-ambiental Implantação do Circuito Cultural- Programa de implantação de uma
Ecológico-Rural rede interinstitucional
Programa de biodiversidade Plano Diretor Turístico Programa de articulação comunitária
Programa de fiscalização integrada Zoneamento Marinho Programa de diagnostico sócio-
ambiental participativo
Progama Educação Ambiental Projeto de Capacitação de Guias Programa de definição do plano de
Turísticos gestão
Programa de restauração dos Programa de divulgação
ecossistemas
Programa de desenvolvimento local Programa de monitoramento e
fiscalização
Programa de criação e implantação
de U.C.s
Quadro n°. 5: Planos de Gestão a serem implantados
(Fonte: SC, 2005).

b) Projeto de Gestão Integrada da Orla Marítima - Projeto Orla


O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Secretaria do Patrimônio da União, do
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (SPU/MP), em parceria com a SDS, através
do GERCO/SC, vêm desenvolvendo esforços para a implantação do Projeto de Gestão
Integrada da Orla Marítima - PROJETO ORLA -, cujo objetivo é ampliar o conceito de gestão
do patrimônio costeiro, buscando compatibilizar os interesses coletivos com os de proteção
ambiental de um espaço que constitui a sustentação natural e econômica da zona costeira, a
Orla Marítima.
Espera-se que a aplicação dos instrumentos e procedimentos técnicos do Projeto Orla,
em especial aqueles resultantes do diagnóstico e implementação dos planos de intervenção,
promovam o alcance de benefícios nos três níveis de gestão territorial: permitindo com que o
uso adequado da orla potencialize esse ativo natural, como elemento para o desenvolvimento
do turismo, para a manutenção de recursos estratégicos e para a implantação de infra-estrutura
de interesse para o crescimento econômico regional.

c) Agenda 21
A preocupação com o gerenciamento integrado das zonas costeiras encontra suporte
no âmbito internacional na Agenda 21.
Analisando os principais problemas dos municípios de Penha, Balneário de Piçarras e
Barra Velha, foram escolhidos os capítulos listados no Quadro n° 6, nos quais o planejamento
da agenda 21 deveria se concentrar.

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PROBLEMAS CAPITULO RELACIONA DO


- Falta de Plano Diretor; Cap. 07 - Promoção do Desenvolvimento Sustentável
- Ocupação desordenada na orla marítima. dos assentamentos humanos

- Falta de Secretaria e/ou Fundação de Meio Cap. 08 - Integração entre meio ambiente e
Ambiente. desenvolvimento na tomada de decisões
- Falta de Fiscalização.
- destruição da restinga para construção de acessos à Cap. 10 - Abordagem integrada do planejamento e do
praia com vegetação exótica (grama e palmeiras);
gerenciamento dos recursos terrestres.
- desmatamento de áreas de floresta sem
licenciamento, nem planejo de áreas verdes, etc.

- pesca de arrasto a poucos metros da linha de costa; Cap. 17 - Proteção de oceanos, de todos os tipos de
- desconsideração do potencial eco-turístico de Ilha mares - inclusive mares fechados e semifechados - e
Feia. das zonas costeiras e proteção. Uso racional e
desenvolvimento de seus recursos vivos
- construções a beira rio com desmatamento de Cap. 18 - Proteção da qualidade e do abastecimento
mangue; dos recursos hídricos: aplicação de critérios
- despejo de resíduos no rio. integrados no desenvolvimento, manejo e uso dos
recursos hídricos

Quadro n°. 6: Capítulos da Agenda 21 relacionados aos problemas regionais.

4.3. Características Ambientais da Ilha Feia

4.3.1. Características do Meio Físico

a) Clima
O estudo da caracterização do clima e condições meteorológicas concentrou-se na
região dos Municípios de Penha e Balneário de Piçarras – SC, uma vez que a área de estudo
Ilha Feia não apresenta estudos específicos anteriores e considerando também à proximidade
da área de estudo em relação aos Municípios (3 km).
Na região da AMFRI (Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí),
predomina, segundo Köppen, o clima mesotérmico úmido, sem estação seca, com verões
quentes. Segundo Thomthwaite, prevalece o clima úmido, com temperatura média anual de
20ºC. A umidade relativa do ar anual é menor que 85% a oeste de Luís Alves, Ilhota, Piçarras
e Navegantes. As estações meteorológicas estão localizadas nos municípios de Itajaí e
Camboriú.

b) Geologia
Segundo análise de mapa geológico da folha de Itajaí (CARUSO & ARAÚJO, 1999),
a Ilha Feia tem solos característicos do Complexo Granulítico Metamórfico de Santa Catarina,
também chamado de Luiz Alves.

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31

Sob esta denominação incluem-se os gnaisses e outras litologias metamorfizadas na


fácies granulito, retromorfizadas ou não, nas fácies anfibolito e xisto-verde, que ocorrem na
porção norte do Escudo Catarinense, fazendo contato tectônico com os metamorfitos do
Complexo Brusque e sedimentos da Bacia do Itajaí, situados em sua borda sul. Corresponde
ao que foi definido como Complexo Granulítico de Santa Catarina por Hartmann et al. (1979)
e compõem quase que a totalidade do denominado “Maciço Mediano” de Joinville de Hasui et
al. (1975).
Segundo Silva (1987), esta unidade como entidade geotectônica mantém suas
características estruturais e petrológicas até as proximidades de Garuva, próximo à divisa com
o estado do Paraná onde, através de extensiva zona de transcorrência, limita-se com terrenos
de natureza granítico-migmatítica. Além dos limites setentrional e meridional citados,
estende-se a oeste sob a cobertura da Bacia do Paraná, limitando-se a leste com o Oceano
Atlântico.
A ampla faixa que cobre a Ilha Feia no litoral das encostas sudeste e nordeste mostram
feições erosivas, decorrentes tanto dos processos intempéricos subaéreos quanto por abrasão
realizada pela ação marinha. Segundo Mazzer (1998) o tipo de rocha, milonito-gnaisse,
apresenta milonitização2 que obedecem ao sentido E-O e NO-SE. Estas por sua vez são
retrabalhadas pela ação marinha formando grutas, ou furnas, com distintos graus de
aprofundamento na rocha. Tais feições são comuns nesta porção mais exposta ao litoral e
geralmente estão associadas com plataformas de abrasão e com deslizamentos e queda de
material das partes superiores do costão, em função da pressão das ondas.

c) Geomorfologia
A Geomorfologia da Ilha Feia constitui a unidade, Serra do Tabuleiro/Itajaí, sendo que
a principal característica do relevo é dada pela seqüência de serras de forma sub-paralela.
Estas serras se dispõem, predominantemente, no sentido NE - SW, e se apresentam
gradativamente mais baixas em direção ao litoral, terminando em pontais, penínsulas e ilhas.
Esta unidade é caracterizada por encostas íngremes e vales profundos, favorece a
atuação dos processos erosivos, principalmente das encostas desflorestadas, podendo
inclusive ocorrer movimento de massa, uma vez que o manto de material fino resultante de
alteração da rocha espessa, podendo atingir até 20,00 metros. Em muitas vertentes da área

2
Fenômeno de microbrechificação e cominuição de minerais e rochas durante o movimento das superfícies de
falhas existentes na própria rocha

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abrangida por esta unidade há anfiteatros de erosão ocasionados por movimentos de massa, na
maioria das vezes sub-atuais, o que é comprovado pela cobertura de gramíneas e arbustos.

d) Recursos Hídricos
Pertencentes ao sistema da Vertente do Atlântico, os rios da região da AMFRI
possuem, em sua maioria, perfil longitudinal com declividades pouco acentuadas,
caracterizando-os como, rios de planície.
A área objeto de estudo está inserida na Bacia Hidrográfica Atlântico Sul – Sudeste.
Esta é entrecortada pelos Rios Ribeira do Iguape, Itajaí, Tubarão e Jacuí (que se denomina
Guaíba em Porto Alegre).
A Região Hidrográfica Atlântico Sul, representada na
Figura n° 16, destaca-se por abrigar um expressivo contingente
populacional, pelo desenvolvimento econômico e por sua
importância para o turismo. A região se inicia ao norte,
próximo à divisa dos estados de São Paulo e Paraná, e se
estende até o arroio Chuí, ao sul. Possui uma área total de
187.535 quilômetros quadrados, o equivalente a 2,2% do país.

Figura 16. Bacia hidrográfica Atlântico Sul


(Fonte: Agencia Nacional das águas).

A Ilha Feia está inserida na Microbacia Hidrográfica do Rio Piçarras.


Sabe-se, através de informações de usuários, que até há aproximadamente 3 anos
existia uma única nascente na ilha, próxima a um plantio de cana de açúcar existente na
encosta Oeste. Hoje em dia não existe nenhuma fonte de água natural na Ilha Feia
Foi verificado mediante imagens de satélite da área de estudo, que a pluma do Rio
Piçarras afeta diretamente à Ilha Feia (ver Apêndice A-2). Também é influente a qualidade
das praias do Município de Penha, uma vez que no Estado de Santa Catarina predominam
correntes marítimas em direção Norte, o que significa que qualquer contaminação nestas
praias tem tendência a atingir a Ilha Feia, devido a sua situação geográfica.
A pesquisa de Balneabilidade é um trabalho realizado sistematicamente pela FATMA
(Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina) desde 1976, seguindo as normas da
Resolução CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Quando o resultado obtido é
Impróprio, indica que há o risco de contaminação naquele local. A água contaminada pode

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causar diversas doenças ao homem ao tempo que impactar os ecossistemas marinhos e


costeiros.
Na praia do Município de Balneário de Piçarras existem dois pontos de coleta, os
quais são considerados próprios desde dezembro de 2003. No Município de Penha, devido à
sua geomorfologia, existem atualmente 11 pontos de coleta: dois destes pontos estão situados
na Praia Alegre, praia que corresponde à Baia de Piçarras, separada da Praia de Piçarras pela
Foz do Rio Piçarras e os quais também são classificados como próprios desde 2003. A Praia
de Armação de Itapocorói tem 4 pontos de coleta, sendo que a praia toda tem tendência a ser
imprópria. A Praia da Saudade, Praia de São Miguel, Praia Grande e Praia Vermelha tem um
ponto de coleta nos seus pontos críticos; sendo que somente a praia de São Miguel tem
tendência a ser imprópria. Assim, pode-se concluir que os pontos mais próximos á Ilha Feia
indicam Balneabilidade Própria (FATMA, 2005b).

e) Marés
Pode-se caracterizar as marés meteorológicas como sobre-elevações do nível do mar
associadas a variações no campo de pressão atmosférica e à tensão do vento sobre a superfície
oceânica. Fatores como a configuração da linha de costa e da Plataforma Continental
adjacente e sua orientação geral em relação aos ventos atuantes podem condicionar a maior ou
menor ação dos efeitos meteorológicos (CARUSSO, 2004).
O quadro geral de circulação atmosférica atuante na área de estudo pode ser
caracterizado pela dominância de ventos do quadrante norte, com intensidades da ordem de 2
a 4 m/s, seguido de ventos do quadrante sul, mais intensos, associados à passagem de frentes
frias na região. A análise efetuada por Trucollo (1998) indicou, para as proximidades da Ilha
de São Francisco do Sul, o aumento do nível do mar sob a ação de ventos do quadrante sul e
seu rebaixamento sob condições de vento norte.

4.3.2. Características do Meio Biótico


4.3.2.1. Ecossistemas Terrestres
a) Recursos Paisagísticos
A ilha possuí forma de semi-circulo e pode ser descrita como tendo três encostas com
faces voltadas para as direções Sul-Sudeste, Oeste e Nordeste. A linha de costa da ilha
também obedece este padrão de direção com as mesmas três direções (ver Figura n° 17).

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A proporção de terras interiores é claramente maior que a zona litorânea, adicionado


ao fator altitude (60 metros) e boa formação de solo, a formação floresta densa cobre o núcleo
da ilha e encontra-se em adiantado estado de regeneração, apresentando uma variedade de
recursos para organismos terrestres típicos deste ambiente como pássaros, répteis e pequenos
mamíferos. Na zona mais litorânea destaca-se a presença de formação xerófita, a qual forma
um cordão continuo rodeando a ilha.
A encosta Oeste é onde encontra-se o acesso mais fácil para o desembarque na ilha, o
Porto da Roça, sendo também a mais vulnerável a presença antrópica. Possibilita o acesso por
estar situado na zona de abrigo do embate das ondas e ventos predominantes, conforme pode
ser constatado pela observação da batimetria adjacente (em relação às ondas).
A formação xerófita da encosta Oeste apresenta-se diferente com a ocupação de espécies que
toleram menos a salinidade como aroeira- vermelha, capororocão, maria mole, entre outros. A
faixa exclusiva de xerófitas dominados por bromeliáceas, aráceas, cactáceas, algumas
gramíneas, encontra-se reduzida à uma estreita faixa nesta encosta, mostrando nítido avanço
de alguns gerivás (Arecastrum romanzoffianum) em direção ao litoral.
Adentrando-se mais na floresta foi observada uma formação floresta densa, bastante
alterada nesta encosta. A presença elevada de rochas aflorando na superfície sugerem uma
ação pluvial e fluvial mais significativas nesta encosta do que nas outras. As declividades
médias nesta encosta ficam em torno de 30% a 40%, com alguns pontos onde a declividade já
ultrapassa 47% (MAZZER, 1998).
A encosta Nordeste da ilha possuí a maior área entre as outras, ocupa uma grande
porção de topo da ilha com declividades médias entre 12% e 30%. Segundo Mazzer (1998)
em direção ao litoral, encontra-se uma declividade abrupta (> 47%), que encerra-se em
algumas reentrâncias do litoral, esta já mais exposta ao embate das ondas e ventos
predominantes que a anterior. Esta encosta abrange um pequeno platô em seu topo, que passa
a aumentar a declividade suavemente até formar uma encosta abrupta que cai para o litoral.
Nestas encostas foram encontrados, freqüentemente, feições de escorregamentos e
deslizamentos de terra em direção ao mar. A vegetação passa a apresentar árvores de tamanho
maiores, na formação floresta densa, enquanto a influência antrópica passa a não ter
representatividade, sendo encontrado, apenas um indivíduo de laranjeira do mato (Citrus sp.).
Observa-se um aumento na faixa ocupada pela formação xerófita, talvez devido a maior
exposição do litoral, mas, o predomínio nesta encosta é a da primeira formação que passa a ter
alguns elementos diferenciados.

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A parte superior constituída por um topo apresenta-se com sombreamento intenso e


está ocupada pela formação floresta densa, onde passam a ocorrer espécies de Mirtáceas
associadas à Família das Lauráceas como a canela-tamanco (Nectandra sp.). A vegetação
forma nesta encosta uma floresta de difícil penetração devido a grande presença de lianas e
troncos de árvores caídos que fecharam seu ciclo de vida como o capororocão (Rapannea
umbellata).
É observado também o epifitismo de espécies como os cactos aéreos, orquídea-da-
rocha (Epidendrum nosenhi) e banana-imbé (Philodendrum imbe), além de outras orquídeas
do gênero Catlleya, Pleurothallis e Oncidium.
Nesta encosta há ocorrência freqüente de tocas de animais silvestres habitantes da ilha,
geralmente localizando-se entre troncos de árvores e solo e entre rochas e fragmentos.
Na metade leste desta encosta, encontramos grande degradação da vegetação causada
pela presença massiva de aves marinhas, o que resulta em acumulo de guano3 acima da
vegetação e o solo, que com alto teor de acidez, impede a existência de diversas plantas. Nesta
área utilizada como abrigo para as aves, encontram-se grandes clareiras sem regeneração
natural, resultantes da queda de arvores. Desde 2002, quando já vinham sendo feitas visitas a
área de estudo, a situação só piora, não encontrando regeneração nestas áreas e observando o
aumento de número de clareiras no passar do tempo.
A encosta Sudeste tem uma continuidade da paisagem que observamos na encosta
anterior à porção do topo da ilha. A morfologia se assemelha ao possuir uma área com
declividades menores (média de 30%) próximo ao topo e declives acentuados no litoral, às
vezes associados com pequenas reentrâncias na costa, mas, em menor intensidade que a
anterior. Observamos também um parcel na zona frontal a este costão, chamado Pedra de
Fora, que serve de atenuador da energia das ondas que atingem a ilha. Esta encosta, a parte
mais leste, também é utilizada pelas aves marinhas para local de abrigo.
As encostas nordeste e sudeste são dominadas por estratos altos da formação floresta
densa, predominando umidade elevada no interior da floresta, indicado pela presença de Ficus
organensis, epifitismo acentuado, além da abundante presença de caetés (Calathea sp.). Os
camboatás dominam e encontram-se bem desenvolvidos (com a maior parte de indivíduos
atingindo 15 a 20 metros de altura), bem como espécies medianamente desenvolvidas da
família das Myrtaceas, além de algumas espécies de Ficus organensis. Estas últimas

3
Guano: fezes das aves marinhas. Rico em fosfato, é considerado um fertilizante natural para o fitoplâncton que
constitui a base da cadeia alimentar na maioria dos ambientes marinhos. É, as vezes, vendido como adubo.

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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encontram-se bem desenvolvidas, recobertas de diversas espécies epífitas, incluindo a


orquídea do gênero Pleurothalis..
Na porção litorânea desta encosta, a formação xerófita ocupa uma larga faixa, em
decorrência da sua vantagem frente às espécies de outras formações à influência salina dos
ventos vindo do oceano e condições de ausência ou solo raso. A vegetação é bem
representada pelos guamirins (Calyprantes sp.), aroeira-vermelha (Schinus terenbintifolius),
capororocão (Rapanea umbellata) e maria-mole (Guapíra opposita), entre outros. O estrato
mais baixo é dominado por espécies de gramíneas, cactos, bromélia-da-rocha (Aechmea
naudiucaulis) e samambaia-de-praia (Polystichum sp.).
As condições desta área quanto ao solo, altitude (mais afastado do “spray” salino
direto), topografia favorável (apresentando as menores declividade cerca de 20%), além de
outros como uso antrópico, propiciaram tal cobertura vegetal, constituindo um importante
hábitat para espécies da fauna de Floresta Ombrófila Densa, sejam residentes ou visitantes.
Abriga diversas espécies vegetais (ver lista de espécies em Quadros n° 7, 8, 9 e 10), ou seja,
recursos para outros organismos da floresta, constituindo-se do “núcleo” da ilha.

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37

ECOSSISTEMAS TERRESTRES
RECURSOS PAISAGÍSTICOS

A. VISTA DE ENCOSTA OESTE B. VISTA DE ENCOSTA NO RDESTE

C. VISTA DE ENCOSTA SUDESTE D. VISTA DESDE A PEDRA DE FORA

E. REENTRÂNCIAS NA COSTA F. PISCINA NATURAL


Figura n°. 17: Fotografias dos ecossistemas terrestres.

b) Flora
As espécies vegetais observadas e identificadas durante as saídas de campo, foram
classificadas por ambientes, com o objetivo de facilitar a caracterização das diferentes

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formações vegetais encontradas na área de estudo (ver Quadros n° 7, 8, 9 e 10 e Figura n°


18).
FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO NOME COMUM
Carycaceae Caryca papaya Mamão
Chenopodiaceae Spinacia oleracea Espinafre
Gramineae Saccharum officinarum Cana-de-açucar
Myrtaceae Eugenia sp. Pitanga
Musaceae Musa sp. Banana
Passifloraceae Passiflora edulis Maracujá
Rutaceae Citrus sp. Laranja-azeda
Quadro n°. 7: Espécies vegetais de formação antrópica encontradas na área de estudo.

FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO NOME COMUM


Bromeliaceae Aechmea nudicaulis Bromélia-de-rocha
Billbergia pyramidalis Bromélia
Dyckia encholirióides Gravatá
Cactaceae Opuntia arechevaletae Cactus
Piloterus sp. Cactus
Dryopteridaceae Polystichum sp. Samambaia-de-praia
Myrsinaceae Rapanea umbellata Capororoca
Myrtaceae Calyptrantes sp. Guamirim-de-praia
Psidium sp. Araçá
Orchidaceae Cyrtopodium paniculatum Orquídea
Epidendrum sp. Orquídea-de-restinga
Poaceae Paspalum vaginatum Grama
Stenotaphrum secundatum Grama
Quadro n°. 8: Espécies vegetais de formação xerófita, encontradas na área de estudo.

FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO NOME COMUM


Anacardiaceae Schinus terenbintifolius Aroeira-vermelha
Araceae Philodendrum imbe Banana-imbé
Marantaceae Calathea sp. Caeté
Mimosaceae Ingá marginata Ingá-feijão
Ingá sessilis Ingá-macaco
Ingá edulis Ingá-cipó
Nyctaginaceae Guapira opposita Maria mole
Quadro n°. 9: Espécies vegetais de formação de transição
(xerófita- mata densa), encontradas na área de estudo.

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39

FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO NOME COMUM


Aracaceae Arecastrum romanzoffianum Gerivá
Bactris lindmaniana Tucum
Euterpe edulis Palmito
Astroemeriae Bomaria edulis Gloriosa
Bromeliaceae Thillandia stricta Bromélia
Caesalpinaceae Bauhinia sp. Pata-de-vaca
Cactaceae Epidendrum nosenii Cactus
Cecropiaceae Cecropia pachystachya Embaúba
Celastraceae Maytenus ilicifolia Espinheira-Santa
Flacourtiaceae Casearia silvestris Chá de Bugre
Heliconaceae Heliconia sp. Bico-de-papagaio
Lauraceae Nectandra sp. Canela tamanco
Ocotea sp. Canela
Meliaceae Trichilia pallens Baga-de-morcego
Moraceae Coussapoa schotti Figueira Mata Pau
Fícus organensis Figueira de folha miúda
Myrtaceae Campomanesia guaviroba Gabiroba
Eugenia uniflora Pitanga-silvestre
Orchidaceae Cattleya sp. Orquídea
Oncidium sp. Chuva-de-oro
Pleurothalis sp. Orquídea
Vanilla planifólia Baunilha
Palmae Genoma schottiana Palmeirinha
Sapindaceae Allophylus edulis Baga-de-morcego
Cupania vernalis Camboatá
Dodonea viscosa Vassoura-vermelha
Solanaceae Solanum inadequale Canemeira
Quadro n°. 10: Espécies vegetais de formação floresta densa, encontradas na área de estudo.

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40

ECOSSISTEMAS TERRESTRES
FLORA

A. FOTOGRAFIA PARA IDENTIFICAÇÃO B. ORQUÍDEA DO GÉNERO Cattleya

C. FUNGOS DECOMPOSITORES D. Bomaria edulis: gloriosa

E. Opuntia arechevaletae: cactus-de-restinga F. Heliconia sp.: bico-de-papagaio


Figura n°. 18: Fotografias dos ecossistemas terrestres – Vegetação.

c) Fauna
Quanto à fauna terrestre observada, as informações são resumidas nos Quadros n° 11,
12, 13 e 14, e ilustradas na Figura n° 19.

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41

CLASSE AVES
FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO NOME COMUM
Accpitridae Leucopternis albicollis Gavião-branco
Rupornis magnirostris Gavião carijó
Catharidae Coragyps atratus Urubu
Columbidae Leptotila verreauxi decipiens Juriti-pupu
Emberizidae Coereba flaveola Cambacica
Thraupis p. palmarum Sanhaço do coqueiro
Elaeniinae Serpophaga subcristata Alegrinho
Fregatidae Fregata magnificens Fragata
Laridae Larus dominicanus Gaivota
Muscicapidae Turdus leucomelas Sabia branco
Parulidae Parula pitiayumi elegans Mariquita
Thraupidae Ramphocelus breselius dorsalis Tié-sangue
Tachyphonus coronatus Tié-preto
Trogloditídae Troglodytes aedon Curreca
Trochilidae Colibri serrirostris Beija flor de orelha violeta
Quadro n° 11: Espécies de aves encontradas na área de estudo.

CLASSE INSECTA – ORDEM LEPIDOPTERA


FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO NOME COMUM
Brassolidae Caligo beltrao Borboleta-coruja
Ithomidae Methoma themisto Borboleta-do-manacaná
Heliconiidae Heliconius erato phyllis Castanha-vermelha
Heliconius ethilla narcaea Maria-boba
Agraulis vanillae Pingos-de-prata
Nymphalidae Diatheria clymena 88
Pieridae Phoebis philea philea Gema
Quadro n°. 12: Espécies de borboletas encontradas na área de estudo.

CLASSE REPTILIA – ORDEM SQUAMATA


FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO NOME COMUM
Teiidae Tupinambis merianae Lagarto-Teiú
Quadro n°.13: Espécies de répteis encontradas na área de estudo.

CLASSE MAMALIA – ORDEM MARSUPIALIA


FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO NOME COMUM
Didelphidae Didelphis albiventris Gambá
Quadro n°. 14: Espécies de mamíferos encontradas na área de estudo.

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42

Também foram constatados indivíduos de morcegos (Classe Mamalia – Ordem


Chiroptera) na floresta, nos costões e uma grande concentração destes na gruta, mas não foi
possível determinar a taxonomia.

ECOSSISTEMAS TERRESTRES
FAUNA

A. Fregata magnificens: fragata B. Didelphis albiventris: gambá

C. Tupinambis merianae: lagarto-teiú D. BORBOLETA NÃO IDENTIFICADA

E. Phoebis philea philea: borboleta-gema F. Agraulis vanillae: borboleta-pingos-de-oro


Figura n°. 19: Fotografias dos ecossistemas terrestres - Fauna.

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43

4.3.2.2. Ecossistemas Aquáticos

a) Recursos Paisagísticos
A Ilha Feia possui um porto natural, conhecido como Porto da Roça. A encosta Oeste
apresenta a formação de uma pequena baia que protegida dos ventos predominantes é
utilizada para desembarques na Ilha e até de refúgio de embarcações, tanto durante condições
adversas como para pernoite de pescaria no local.
Foi nesta baia onde concentraram-se as atividades subaquáticas, sendo que na
totalidade das saídas de mergulho os outros pontos foram descartados por condições
metereológicas que impediam as atividades, devido à fortes marés e ondas causando alta
concentração de materiais em suspensão que impossibilitaram o censo visual.
A própria milonitização e cizalhamento do solo influenciam no retrabalhamento
marinho. O que nas zonas de fraquezas a abrasão chega a formar pequenos canais que se
adentram na terra. No perímetro da Ilha Feia são encontradas diversas reentrâncias que
formam pequenas piscinas naturais e até pequenos pontes de pedra formados pela ação
erosiva das ondas.
O litoral da encosta Sudeste é o mais retificado e possuí plataformas de abrasão em
toda sua porção voltada a leste e sud este, ocupando uma faixa mais larga que nas demais
encostas, por ser a zona principal de embate das ondas. Observamos também um parcel na
zona frontal a este costão, que serve de atenuador da energia das ondas que atingem a ilha,
sendo que a profundidade nesta área é de 5 a 10 metros no parcel, passando abruptamente
para 20 metros na plataforma interna subseqüente.
Durante as atividades de mergulho cientifico, constatou-se que na encosta Oeste o
gradiente da plataforma é muito suave atingindo uma media de 9,00 de profundidade a uma
distancia de 55 metros da linha de costa (Figura n° 20).

0
-1
-2
-3
Profundidade -4
(m) -5
-6
-7
-8
-9
5 10 15 20
25 30 35 40 45 50 55
Distância da linha de costa (m )

Figura n°. 20: Representação gráfica do gradiente da plataforma na encosta Oeste.

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44

Observou-se também que não há uma linha definida que limite o costão rochoso,
sendo que são encontradas áreas de pedras e pequenos parceis, entre áreas de pradeiras de
algas marinhas e o fundo arenoso (Figura n° 24). Na Figura n° 21 está representada a
estimativa de cobertura na área amostral, uma faixa de 50 metros de extensão a partir da linha
de costa na plataforma da encosta Oeste.

Invertebrado Areia Alga Rocha

Figura n°. 21: Representação gráfica da freqüência de organismos e substratos na plataforma.

Encontramos estes três habitats distribuídos aleatoriamente, mas seguindo uma


predominância: desde a linha de costa, perpendicular a esta, encontramos primeiro aglomero
de pedras e parceis, com grande quantidade de algas e invertebrados, chegando a uma
distancia de 10,00 à 15,00 metros; seguidamente encontramos predominância das pradeiras de
algas onde habitam a maioria de invertebrados e peixes; seguida de uma faixa com
predominância de parceis com rochas lisas; chegando a uma distancia de 30,00 metros; onde
encontramos então o fundo arenoso característico do litoral catarinense (Figura n° 22).

100%

80%

60%
Frequencia
(%) 40%

20%

0%
05.-15 15,50-25 25,50-35 35,50-40 45,50-55

Faixas do perfil (m)

Invertebrado Alga Rocha Areia

Figura n°. 22: Representação gráfica da freqüência de organismos


e substratos na plataforma (por faixas de 10,00 metros).

A análise destas informações permitiu a elaboração de um perfil do gradiente de


profundidade e distribuição de organismos e substratos na plataforma da encosta Oeste
(Figura n° 23).

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45

PROFUNDIDADE (mETROS)

DISTÂNCIA DA LINHA DE COSTA (mETROS)

Figura n°. 23: Representação gráfica do perfil de declividade e distribuição de organismos e substratos.

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46

ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS

A. REENTRÂNCIAS NO COSTÃO ROCHOSO B. COSTÃO ROCHOSO COBERTO DE A LGAS E


INVERTEBRADOS

C. PRADEIRA DE ALGAS D. FUNDO ARENOSO CO M PRESEN ÇA DE ALGAS


Figura n°. 24: Fotografias dos ecossistemas aquáticos.

b) Flora
O material ficológico observado relacionou 13 gêneros de algas representadas por
algas verdes, as clorófitas; algas pardas, as feófitas; e algas vermelhas, as rodófitas (Quadro
n° 15).

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47

FILO FAMÍLIA NOME CIENTIFICO


Scytosiphonaceae Colpomenia sinuosa
Lobophora variegata
Padina gymnospora
PHAEOPHYTA Dictiotaceae Dictiopteris delicatula
Spatoglossum sp.
Dictyopteris delicatula
Sargasseceae Sargassum sp.
Cladophoraceae Cladophora sp.
CHLOROPHYTA
Codiaceae Codium sp.
Hypneaceae Hypnea musciformes
Gelidium floridanum
Gelidiaceae
RHODOPHYTA Gelidium pusillum
Ceramium dawsonii
Ceramiaceae
Centroceras clarulatum
Quadro n°. 15: Espécies de algas encontradas na área de estudo.

A realização de operações de mergulho científico, utilizando a metodologia de


Transecto de Ponto, permitiu fazer uma análise da freqüência das espécies de flora marinha,
constatando-se uma predominância de Sargassum sp. (Figura n° 25).

Sargassum Padina
Coralinacea incrustante Dictyopteris delicatula
Sem identificar

Figura n°. 25: Representação gráfica da freqüência de espécies de algas na encosta Oeste.

c) Fauna
A ictiofauna avistada durante as operações de mergulho são apresentados no Quadro
n° 16. Também foram avistados diferentes indivíduos de Blenio e Gobideo, duas grandes
famílias de peixes muito similares, não podendo se afirmar gênero ou espécie.

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48

FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO NOME COMUM


Blenio - -
Chaetodontidae Chaetodon striatus Borboleta
Gobideo - -
Fistulariidae Fistularia tabacaria Trombeta
Haemulidae Haemulon aurolineatum Cocoroca
Mugilidae Mugil platanus Tainha
Mugil sp. Parati
Mullidae Pseudupeneus maculates Trilha
Pomacentridae Abudefduf saxatilis Sargentinho
Stegastes fuscus Donzelinha
Chromis multilineata Tesourinha
Ogcocephalidae Ogcocephalus vespertilio Peixe-morcego
Scaridae Sparisoma viride Budião
Sciaenidae Equetus acuminatus Peixe gato
Scorpaenidae Scorpaena plumieri Peixe pedra
Serranidae Mycteroperca microlepsis Badejo
Sparidae Diplodus argentus Marimbau
Syngnathidae Anarchopterus criniger Cachimbo
Synodontidae Synodus intermedius Peixe-lagarto
Tetraodontidae Spheroides testudineus Baiacú
Quadro n°. 16: Espécies de peixes encontradas na área de estudo.

Vários indivíduos de tartarugas marinhas foram avistados durante visitas à Ilha Feia.
Devido à situação de observação não foi possível identificar a espécie, mas a predominância
da presença da tartaruga verde é constatada nas praias de Penha, Balneário de Piçarras e Barra
Velha (Quadro n° 17 e Figura n° 26-E).

FAMÍLIA NOME CIENTÍFICO NOME COMUM


Cheloniidae Chelonia mydas Tartaruga verde
Quadro n°. 17: Espécies de répteis encontradas na área de estudo.

Os invertebrados identificados durante as operações de mergulho são apresentados


no Quadro n° 18. As espécies de alguns invertebrados não foram identificadas devido à
variedade ocorrente. Foi feito uma análise da freqüência das espécies de invertebrados no
local e não foi constatada a predominância de nenhuma espécie.

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FILO NOME CIENTÍFICO NOME COMUM


Arthropoda Callinectes sp Siri azul
Megabalanus coccopomus Craca
Stenorhynchus secticornis Caranguejo aranha
* Siri
Chordata * Ascidia branca
* Ascidia laranja
* Ascidia marrom
Cnidária Budonossoma caissarum Anêmona vermelha
Carijoa Risei Telestacea
Cerianthus Ceriantus
Palythoa calibaeorum Baba-de-boi
Phyllactis flosculifera Anêmona de areia
Zooanthus sp. Zoantus
* Poliqueta
Echinodermata Arbacia lixula Ouriço preto espinho-
ponta-branca
Asterina stellifera Estrela-cinza-azulada
Echinaster brasiliensis Estrela-vermelha
Encope emarginata Bolacha grande
Echinometra lucunter Ouriço preto espinho-fino
Lytechinus variegatus Ouriço verde
Holothuria grisea Pepino de mar
Ophiura sp. -
Tropiometra carinata carinata Lírio-do-mar
Molusca Crassostrea sp. Ostra
Cyprea zebra Cyprea
Octopus vulgaris Polvo
Perna perna Marisco
Thais (Stramonia) haemastoma Buzo
Porífera Aplysina caissara Esponja-amarela
Dragmacidon reticulatus Esponja-vermelha
Polymastia janeirensis Esponja-tubinho
Protosuberites aurantiaca -
Petromica citrina Esponja-amarela
Quadro n°. 18: Espécies de invertebrados encontradas na área de estudo
(*Nomes científicos não identificados devido à variedade ocorrente).

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ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS

A. Aplysina caissara B. Sargassum sp.

C. Palythoa calibaeorum: baba-de-boi, e Arbacia D. Pseudupeneus maculates: Trilha


lixula: ouriço-preto-de-ponta-branca

E. Tropiometra carinata carinata: Lírio-do-mar F. Chelonia mydas: tartaruga verde,


ENCONTRADA MORTA NA PRAIA DE PIÇARRAS, AO FUNDO
ILHA FEIA
Figura n°. 26: Fotografias dos ecossistemas aquáticos - Organismos.

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51

4.3.3. Características do Meio Antrópico

4.3.3.1. Influência Antrópica nos Ecossistemas Terrestres


Na faixa de costão encontramos uma trilha que rodeia a metade oeste da ilha passando
por trilhas naturais (vertentes), trilhas abertas e passagens por entre as rochas. Na trilha há
diversas piscinas naturais formadas pelas próprias rochas. Ressalta-se que esta trilha é
praticável somente na maré baixa. No interior da ilha, existem duas novas trilhas, partindo do
Porto da Roça, na encosta Oeste. Uma delas encontra-se impraticável por falta de manutenção
e a outra foi aberta recentemente (verão de 2005) numa área de alta declividade, dificultando
o acesso. As duas trilhas encontram-se no topo da Ilha, onde há existência de uma trilha
principal permanente, a qual começa no topo da encosta Oeste e atravessa a ilha até uma
grande figueira que situa-se no ponto do topo mais Leste da ilha. Esta trilha foi chamada
Trilha Norte porque percorre a encosta Nordeste e dá acesso às encostas Sudeste e Nordeste.
Segundo entrevistas aplicadas, os impactos antrópicos mais agravantes parecem ter
acontecido a cerca de 20 a 30 anos, quando aparentemente era retirada madeira da ilha, para o
manufaturamento de embarcações pesqueiras, destacando o camboatá-vermelho. Atualmente,
os principais impactos estão na encosta Oeste, e constituem-se de manchas de vegetação
exóticas, tendo o plantio de cana-de-açucar, como a principal cultura que modifica as
propriedades do solo. O desflorestamento para estabelecimento de barracas de camping,
parece acelerar o escoamento superficial ocasionando erosão, ainda que não acentuada. E por
último, a presença de resíduos sólidos, que se espalham por quase toda a área adjacente à
trilha principal, no costão rochoso e até na grutas, gerando impacto visual.
Na porção de meia encosta Oeste, é encontrada uma área de formação antrópica com
várias espécies introduzidas, para seu beneficio de extração de alimento. Desta forma são
encontrados árvores frutíferas e provedoras de alimento como o mamão (Caryca papaya), a
laranja do mato (Cytrus sp.), bananeiras (Musa sp.), além do plantio de cana-de-açucar com
cerca de 100,00 m2. A presença antrópica é percebida na área de desembarque pela presença
de áreas desflorestadas (cerca de 20,00 m2 medidas em campo), com sinais de acampamento e
fogueira, além de detritos.
Influência antrópica na encosta Sudeste não foi observada na formação floresta densa,
no entanto na faixa litorânea o uso para pesca e retirada de marisco (Perna perna), foi
constatada através de vestígios de equipamentos de pesca e cascas do molusco supracitado. O
marisco é retirado adulto para venda e consumo, e também são retiradas sementes para
utilização nos cultivos de maricultura da região.

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52

INFLUÊNCIA ANTRÓPICA DOS ECOSSISTEMAS TERRESTRES

A. MEIO UTILIZADO PARA DESEMBARQUE - KAIAQUE B. LIXO DEIXADO NA ILHA FEIA

C. VESTÍGIOS DE FOGUEIRA NO PORTO DA ROÇA D. RESTOS DE A CAMPAMENTO E TRILHA ABERTA

E. VISTA DA TRILHA NORTE F. TRILHA SEM PLAN EJAMENTO ABERTA EM VERAO DE 2005
Figura n°. 27: Fotografias da influência antrópica nos ecossistemas terrestres.

4.3.3.2. Influência Antrópica nos Ecossistemas Aquáticos


Durante as saídas de mergulho foram encontrados diversos tipos de dejetos na área
submersa como latas de refrigerante, velas de barco (usadas como chumbo provavelmente), e

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53

material de pesca (facas, linha, anzóis, chumbo) e até 1 bateria de barco .Todo o material
antrópico encontrado durante as saídas foi fotografado, recolhido e levado para depositar em
locais adequados em terra firme.
Também durante as saídas, verificou-se que as embarcações passam a poucos metros
da Ilha Feia e a altas velocidades, ao tempo que verificou-se que estas ancoram a poucos
metros do costão rochoso. Ressalta-se ainda que em todas as saídas em que houve pernoite na
Ilha Feia, varias embarcações passam a noite pescando a poucos metros da linha de costa, em
media 2 a 3 embarcações por noite.
Durante as visitas a área de estudo houve evidencias de vários grupos de pessoas
pernoitando na ilha, em ocasiões pescando e outras, retirando marisco (Perna perna).
INFLUÊNCIA ANTRÓPICA DOS ECOSSISTEMAS AQUÁTICOS

A. BATERIA DE BARCO B. VELA

C. VELAS E FACAS A DEPOSITAR EM LIXO D. ESCUNAS COM TURISTAS NO PORTO DA ROÇA


Figura n°. 28: Fotografias da influência antrópica nos ecossistemas aquáticos.

4.3.3.3. Medidas Conservacionistas


A Ilha Feia apresenta diversos impactos antrópicos os quais são discutidos a seguir no
item de fragilidades da área.

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54

Ao mesmo tempo, a Ilha Feia é um lugar que sempre causou curiosidade e


preocupação da população local. É considerada o cartão postal dos Município de Penha e
Balneário de Piçarras. Dois projetos e um estudo foram desenvolvidos na área, objeto de
estudo, com o objetivo de preservação; ressaltando-se a importância de criação e consolidação
de uma UC na Ilha Feia, sendo:

a) Levantamento Topográfico da Ilha Feia – Prefeitura Municipal de


Penha – SC, 1997: Segundo depoimento do Engenheiro responsável pela Secretaria de
Planejamento de Penha, em 1997, a Prefeitura Municipal junto à SPU começaram um projeto
de levantamento de dados da Ilha Feia, com o intuito de conservação da área, dentro de um
programa ecoturístico planejado pelo município, foram demarcadas as coordenadas
geográficas da ilha. Estes dados resultaram numa planta da área de estudo em escala 1:1.000
(Figura n° 29).

Figura n°. 29: Levantamento topográfico (PMP, 1997).

Segundo pessoa responsável pelo projeto, quando começaram a divulgar o trabalho,


houve discordâncias entre as Prefeituras dos Municípios de Penha e Balneário de Piçarras, a
respeito da dependência política da Ilha Feia e não chegando a nenhum acordo, o projeto
simplesmente parou.

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55

b) Projeto Linda Ilha – Associação Ambientalista Curupira Ambiental,


1998: Em 1998 a Associação Ambientalista Curupira, o Curupira Ambiental, com base no
Município de Penha, comprometeu-se com a execução do Projeto Linda Ilha. O projeto
realizado a partir do convite da Prefeitura Municipal de Penha com intenção de iniciar um
programa de conscientização dos habitantes locais quanto à preservação da Ilha Feia
Neste projeto foram planejadas vistorias na ilha a cada 3 meses com o objetivo de
retirar lixo e colocar placas educativas de preservação da Ilha Feia. Durante este período
também estavam previstas palestras em colônias de pescadores, escolas e na comunidade,
alertando a população quanto ao cuidado com a natureza e o Meio Ambiente e educando
sobre o correto tratamento com o lixo doméstico (Figura n° 30).

Figura n°. 30: Foto da placa instalada na Ilha Feia.

Na Gruta da Encantada, um dos lugares mais poluídos pelo homem, foram


encontrados ninhos de agulhão, ave marinha comum da região, e formações de calcário
(estalactites e estalagmites), com idade superior a quinhentos anos, justificando a necessidade
de preservação da ilha.

c) Análise de Ecologia da Paisagem em Ilhas do Litoral do Estado de


Santa Catarina – MAZZER, 1998: Segundo Mazzer (1998) o ambiente litorâneo
exposto da Ilha Feia, apresenta feições paisagísticas muito interessantes do ponto de vista da
estrutura da paisagem. Apresentando feições como as grutas e plataformas de abrasão
associadas a exuberante vegetação xerófita, que abruptamente passa para a mata densa,
gerando um forte gradiente na estrutura vertical. O estudo resultou num perfil esquemático da
estrutura da paisagem da Ilha Feia (Figura n° 31).

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56

A presença deste forte gradiente na estrutura vertical gera fluxos verticais de matéria e
energia realizados pelos organismos marinhos e terrestres. Ingram (1992) havia discorrido
sobre a grande importância da zona litorânea em ilhas que possuem florestas tropicais na
interação entre organismos marinhos, terrestres e costeiros, como sendo um dos pontos vitais
para a conservação ambiental.

Figura n°. 31: Perfil esquemático da estrutura da paisagem da Ilha Feia.


(Fonte: Mazzer, 1998)

4.4. Mapa de Caracterização e Uso do Solo da Ilha Feia


Segundo observações e diagnósticos realizados durante as visitas à Ilha Feia, elaborou-
se uma mapa de caracterização e uso do solo da área, representado na Figura n° 32.

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57

Trilha Costão

ENCOSTA
OESTE ENCOSTA NORDESTE

ENCOSTA SUDESTE

Figura n°. 32: Mapa de Caracterização e Uso do Solo da Ilha Feia.


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58

4.5. Categorização da Unidade de Conservação para a Ilha


Feia
Muitas convenções e acordos tem como objetivo a proteção, conservação e manejo de
espécies marinhas. O Plano de Implementação da Cumbe Mundial sobre o Desenvolvimento
Sustentável propõe a gestão integrada dos oceanos como principio guia para alcançar o
desenvolvimento sustentável dos mesmos (IUCN, 1982).
As Áreas Marinhas Protegidas (AMPs), incluindo todas as categorias de áreas
protegidas do SNUC (BRASIL, 2000), são amplamente reconhecidas pelas nações costeiras
como una ferramenta valiosa e flexível para um manejo integrado e baseado sobre a ciência.
Se estendem desde reservas marinhas altamente protegidas a áreas manejadas para usos
múltiplos, ajudando a conservar habitas críticos, fomentar a recuperação de espécies marinas
sobre-explotadas, manter comunidades marinhas e promover o uso sustentável. De maneira
geral, a implantação de AMPs tem demonstrado ser responsável por um elevado número de
benefícios não só ecológicos, mas também sociais, econômicos e culturais (AGARDY, 1997).
A diferença das Áreas Protegidas estabelecidas em ecossistemas continentais (ou seja,
terrestres e de água doce), no mar existe uma conectividade natural dada pelos processos
hidrodinâmicos (correntes, etc) e biológicos (dispersão e movimentos migratórios de
espécies) que conduzem à necessidade de integrar as ações entre países para a conservação e
manutenção destes processos. As ações de conservação marina, por tanto, devem ser
enfocadas em zonas oceânicas, incluso zonas de águas internacionais, além das regiões
costeiras de cada país. Desta maneira, a proteção ao meio marinho se faz mais efetiva através
de ações integradas entre as mesmas e o estabelecimento de redes (IUCN, 2005).
Para cumprir tal meta, é importante ressaltar que as AMPs são um componente
integral da ordenação sustentável da pesca e do manejo das zonas marinhas e costeiras, a fim
de: assegurar benefícios socioeconômicos sustentáveis as comunidades e a industria locais e
tradicionais; proteger os habitas importantes e as áreas sensíveis as repercussões de
determinadas artes de pesca e reduzir ao mínimo as repercussões negativas sobre a trama
alimentaria; restabelecer os recursos de pesca esgotados; e, estabelecer um marco
biogeográfico para o manutenção da estrutura e a função dos ecossistemas mediante uma rede
de AMPs (BIO-RIO et al., 2002).
Segundo Fournier & Panizza (2003) para a proteção da vida marinha, é possível
distinguir quatro níveis que conduzem aos poucos à restrição das atividades antrópicas, sendo
o nível 1 o menos restritivo e o 4 o mais.

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59

A fim de analisar o estado de conservação e propor uma gestão do local,


potencialidades e fragilidades da Ilha Feia são listadas no Quadro n° 19.

FRAGILIDA DES POTENCIALIDADE S


I. Fragmentação I. Ecoturismo
II. Abertura de trilhas II. Adequação de trilhas interpretativas
III. Abertura de clareiras III. Educação ambiental e pesquisa científica
IV. Retirada de marisco IV. Bancos naturais de marisco
V. Retirada de plantas nativas V. Interesse da comunidade na conservação
VI. Caça de animais silvestres VI. Conservação da biodiversidade
VII. Introdução de espécies VII. Geração de emprego e incentivo ao comercio local
VIII. Pesca predatória VIII. Pesca esportiva
IX. Proliferação massiva de aves IX. Mergulho recreativo
X. Interesse político e especulação imobiliária X. Riqueza de aves
Quadro n°. 19: Potencialidades e fragilidades da Ilha Feia.

Baseando-se nestes aspectos, apresentam-se como requisitos da UC proposta, os


seguintes usos e restrições:
o Proibir a exploração de recursos naturais;
o Permitir a visitação pública com fins recreativos e educacionais, e até ecoturismo;
o Permitir a pesquisa científica;
o Permitir o manejo para adequação da área à visitação (implantação de trilhas e placas
informativas, entre outros);
o Permitir a participação social com a criação de um Conselho Consultivo para a criação
e planejamento da UC.
Cabe ressaltar que na criação de uma Unidade de Conservação - UC, todas estas
atividades seriam permitidas ao tempo que sujeitas às normas e restrições estabelecidas no
Plano de Manejo da UC, às normas estabelecidas pelo órgão responsável pela sua
administração e àquelas previstas em regulamento.
Para a escolha da Categoria de UC mais adequada foi feito um cruzamento de
informações entre as restrições de uso de cada uma das categorias segundo a legislação
pertinente e os usos a serem permitidos na UC proposta (Quadro n° 20).

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EXPLORAÇÃO DOMÍNIO VISITAÇÃO EDUCAÇÃO PESQUISA MANEJO – OCUPAÇÃO A ÇÃ O
PARTICIP60
DOS PÚBLICA E AMBIENTAL CIENTÍFICA USO HUMANA SOCIAL
RECURSOS R E CR E A ÇÃ O PÚBLIC O COMPATÍVEL
ILHA FEIA NÃO PRIVADO SIM SIM SIM SIM NÃO SIM
UNIDADE S DE PROTEÇÃO INTEGRAL
I. ESTAÇÃO ECOLÓGICA NÃO PÚBLICO4 NÃO SIM5 SIM5 NÃO NÃO SIM
II. RESERVA BIOLÓGICA NÃO PÚBLICO4 NÃO SIM5 SIM5 NÃO NÃO SIM
4 6 5 5 5
III. PARQUE NAC./EST./MUN. NÃO PÚBLICO SIM SIM SIM SIM NÃO SIM
IV. MONUMENTO NATURAL NÃO PÚBLICO E SIM6 SIM
7
PRIVA DO
V. REFUGIO DE VIDA SILVESTRE NÃO PÚBLICO E SIM6 SIM6 SIM5 SIM
7
PRIVA DO
UNIDADE S DE USO SUSTENTÁVEL
I. Á RE A DE PROTEÇÃO PÚBLICO E SIM9 SIM9 SIM SIM
AMBIENTAL PRIVA DO8
II. ÁREA DE RELEVANTE PÚBLICO E SIM9 SIM9 SIM9 SIM SIM
INTERESSE ECOLÓGICO PRIVA DO8
III. FLORESTA NAC./EST./MUN SIM4 PÚBLICO4 SIM6 SIM6 SIM5 SIM6 SIM6 SIM
IV. RESERVA EXTRATIVISTA A Ilha Feia não é uma área utilizada por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e,
complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte.
V. RESERVA DE FAUNA PÚBLICO4 SIM6 SIM6 SIM6 SIM6
VI. RESERVA DE DESEN. A Ilha Feia não é uma área que abriga populações tradicionais, cuja existência baseia-se em sistemas sustentáveis de exploração dos
VOLVIMENTO SUSTENTÁVEL recursos naturais.
VII. RPPN PRIVA DO SIM6 SIM6 SIM6 SIM6 NÃO

REQUIS ITO NÃO CUMPRIDO CATEGORIA DESCARTADA CATEGORIA APROVADA


Quadro n°. 20: Cruzamento de informações a fim de categorizar a U.C. apropriada para à Ilha Feia. (Fonte:Adaptado do SNUC, 2000)

4
É de posse e domínio públicos, sendo que as áreas particulares incluídas em seus limites serão desapropriadas, de acordo com o que dispõe a Lei.
5
Sujeita à prévia autorização do órgão responsável pela administração da Unidade e às condições e restrições por este estabelecidas e aquelas previstas em regulamento
6
Sujeita às normas e restrições estabelecidas no Plano de Manejo de Unidade, às normas estabelecidas pelo órgão responsável pela sua administração e àquelas previstas em regulamento.
7
Pode ser constituído por áreas particulares desde que seja possível compatibilizar os objetivos da Unidade com a utilização da terra e dos recursos naturais do local pelos proprietários.

Havendo incompatibilidade entre os objetivos da área e as atividades privadas, a área deve ser desapropriada, de acordo com o que dispõe a Lei.
8
Respeitados os limites constitucionais, devem ser estabelecidas normas e restrições para a utilização das propriedades privadas.
9
Nas áreas de domínio público serão estabelecidas regras pelo órgão gestor da Unidade e no caso das áreas privadas, autorizadas pelos proprietários, observadas as exigências e restrições.

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


61

Segundo a Guia de Chefe (IBAMA/GTZ, 2001), para uma área ser considerada como
apropriada para a criação de uma unidade de conservação federal, estadual ou municipal, ela
deve ter duas ou mais das seguintes características, listadas nos Quadros n° 21, 22 e 23, onde
os requisitos para cada categoria são cruzados com as características da Ilha Feia:

REQUISITOS – NÍVEL FE DERAL ILHA FEIA


1. Seus limites devem incluir um ou mais Estados NÃO
2. Possuir grande extensão em relação a área ainda intacta do bioma NÃO
3. Proteger bacia hidrográfica de importância nacional NÃO
4. Ter a presença confirmada de espécies de animais ou plantas ameaçadas de
extinção protegidas por legislação federal NÃO 10

5. Incluir ecossistemas relevantes a nível nacional SIM


6. Atuar como corredor ecológico conectando duas ou mais unidades de conservação
já existentes NÃO

7. Abrigar elementos de valor histórico, cultural ou antropológico de interesse


NÃO 11
nacional ou de beleza cênica
Quadro n°. 21: Requisitos das UCs Nacionais.

REQUISITOS – NÍVEL ESTADUAL ILHA FEIA


1. Estar dentro dos limites de dois ou mais municípios SIM
2. Ter a presença confirmada de espécies de animais ou plantas raras ou ameaçadas de NÃO 10
extinção e protegidas por legislação estadual e/ou federal
3. Incluir ecossistemas relevantes em nível regional ou estadual SIM
4. Proteger bacias hidrográficas importantes para um conjunto de municípios NÃO
5. Atuar como corredor ecológico conectando duas ou mais unidades de conservação NÃO
já existentes
6. Abrigar elementos de valor histórico, cultural ou antropológico de interesse SIM
estadual ou grande beleza cênica
Quadro n°. 22: Requisitos das UCs Estaduais
.
REQUISITOS – NÍVEL MUNICIPAL ILHA FEIA
1. Proteger ecossistemas relevantes em nível municipal SIM
2. Proteger cursos de água e nascentes de interesse do município NÃO
3. Atuar como corredor ecológico conectando duas ou mais unidades de conservação NÃO
já existentes
4. Abrigar elementos de valor histórico, cultural ou antropológico de interesse SIM
municipal ou grande beleza cênica
Quadro n°. 23: Requisitos das UCs Municipais.

ITEM A DEFIN IR ITEM NÃO CUMPRIDO ITEM CUMPRIDO

10
Não foi confirmada a presença destas espécies, não descartando-a, a espera de levantamento completo.
11
Requisito a ser analisado por os órgãos competentes.

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62

Constatou-se que a UC a ser implantada tem características para ser estadual e


municipal.

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63

5. DI S C U S S ÃO

5.1. Análise Social da Área de Estudo


5.1.1. Turistas e Usuários da Ilha Feia
De acordo com Harrick & Rudis (1997) apud Freitas et al. (2000), o conhecimento do
perfil do visitante das unidades de conservação permite o estabelecimento de medidas
administrativas sob a luz do uso sustentável dos recursos naturais. O maior conhecimento do
perfil do visitante permite uma melhor qualidade de decisões, possibilitando a aplicação de
medidas e técnicas com maior objetividade, racionalizando e otimizando os recursos materiais
financeiros e humanos (FREITAS et al., 2000).
Da população amostrada, menos da metade é local e o restante são turistas, mostrando
assim, que foi atingida uma população representativa da situação real nos municípios durante
o período das entrevistas.
O perfil dos turistas e usuários da Ilha Feia é na maioria, homens adultos, com
escolaridade variada, sendo quase a metade com curso superior completo e com residência
própria na região, visitando o local 1 vez ou mais de 3 vezes ao ano. Por tanto, o ordenamento
de uso de atividades na Ilha Feia deve estar voltado, principalmente a este público (Figura n°
5).
A relação entre a quantidade de uso e os impactos ecológicos e sociais causados pelos
visitantes de áreas naturais não é linear e depende tanto das características do uso quanto da
quantidade de uso (COLE, 1992, apud TAKAHASHI, 1998). A aplicação de questionários
pode ser uma ferramenta útil na obtenção de dados como números de pessoas, período de
estadia e tamanho dos grupos. De acordo com Takahashi (1998), informações sobre o uso e
usuários são pré-requisitos para preparar planos de manejo corretos, e até para escolher a
categoria de unidade de conservação mais adequada a ser criada.
Quase a totalidade de turistas e usuários entrevistados acredita que a Ilha Feia oferece
possibilidades (Figura n° 7). Dos turistas que responderam que não, varias não sabiam o que
dizer por não conhecer a área. Um entrevistado (pescador, 43 anos) justificou que “o melhor é
não fazer nada, se não estraga”, sendo também a única pessoa que não gostaria de ajudar na
conservação da Ilha Feia.
As entrevistas realizadas na pesquisa da Morraria da Praia Vermelha, em Penha,
próximo à área de estudo, mostraram que a maioria das pessoas estão preocupadas com o

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64

futuro dos recursos naturais da região e a grande maioria acredita que preservar a natureza é o
melhor caminho. Também apontaram o turismo ecológico, a educação ambiental e a
colocação de leis mais rígidas quanto a construções ilegais e fiscalização, como objetivos a
atingir na região (MEDINA, 2002).
A maioria das visitas a Ilha Feia ocorrem como programa de final de semana, em
forma de acampamento, tendo como motivo o passeio, o acampamento, a pesca e os atrativos
naturais.. 13% das visitas ocorrem com duração de 1 semana, o que indica que a área de
estudo oferece recursos e potencialidades para visitação (Figuras n° 8 e 9).
O meio de transporte majoritário, segundo a Figura nº. 10, é o passeio, serviço no qual
o usuário contrata alguém para levar e retornar da Ilha Feia. As 2 escunas existentes na região
que oferecem passeios até a ilha, não permitem o turista descer na mesma, por questões de
segurança. Por este motivo, os passeios serviço são feitos por pequenas embarcações de
pescadores artesanais que utilizam este serviço para aumentar a renda familiar (Figura n° 33).
10% dos entrevistados chegou à ilha em embarcações de amigos e somente um 5% com
embarcação própria.

Figura n°. 33: Pescador artesanal fazendo translado da equipe de campo.

Constata-se a necessidade de regularização das atividades feitas pelos pescadores


artesanais, podendo ser incentivado este potencial como alternativa econômica local.
Não há captura nem caça de animais pelos usuários entrevistados, sendo que uma
minoria afirmou capturar pássaros para ter como animal de estimação e/ou vender e somente
um entrevistado afirmou ter caçado gambá (Didelphis marsupiais) “por diversão”.
Não entanto, é sabido que a caça é praticada na Ilha Feia, fato que representa um ponto
de fragilidade no ecossistema. Mazzer (1998) encontrou dois tipos de armadilhas, que
segundo informações concedidas pelos moradores da Enseada de Itapocorói, em Penha,

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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serviam para caçar gambás e lagartos. Na pesquisa feita da relação da comunidade sobre a
biodiversidade e conservação na Morraria da Praia Vermelha, Medina (2002) apontou o
Gambá como o animal mais caçado, sendo constatado que o animal era utilizado com fins
alimentícios, e o seu couro para fins diversos. Diversos pássaros também são caçados na
Morraria, como o sabiá, e o Tié-sangue, sendo que este ultimo já não é mais encontrado nas
matas continentais, segundo levantamento faunístico realizado em 2003 (MARENZI, 2004).
A maioria dos usuários, 33 pessoas - 82%, coleta material vivo da área de estudo.
Ressalta-se na que a grande porcentagem desta coleta corresponde à extração de marisco
(Figura n° 11), tanto para consumo domiciliar (indivíduos adultos) como para utilização nos
cultivos de mitilicultura próximos a área (indivíduos jovens e sementes).
Os outros tipos de materiais coletados na Ilha Feia correspondem a plantas
ornamentais (orquídeas, bromélias, entre outras) e plantas nativas (frutíferas nativas na
maioria). Medina (2002) constatou que a retirada de orquídeas da mata é uma atividade
realizada com baixa incidência, mais existente na Morraria da Praia Vermelha.
Segundo respostas dos usuários entrevistados, somente 25% destes, plantam vegetais
na Ilha Feia, sendo que a totalidade afirmou que se tratava de plantas comestíveis para suprir
necessidades de futuras visitas, como maracujá, limão e outras.

5.1.2. Barqueiros e Escuneiros


Na região da Baia de Piçarras, 2005, durante o período das entrevistas, existem
somente 2 escunas turísticas que oferecem passeios e pescarias, sendo que muitos pescadores
artesanais oferecem os mesmos serviços para aumentar a renda familiar.
As duas escunas trabalham diariamente durante a temporada alta de verão e fazem
passeios e pescarias agendadas durante o restante do ano. A escuna “Vô Nica”, faz 4 passeios
diários com capacidade para 173 pessoas e a escuna “Capitão Gato” fazia 5 passeios com
capacidade para 55 pessoas, pois afundou em agosto de 2005 (Figura n° 28-D).
Somente nas escunas são oferecidas informações sobre educação ambiental e sobre a
Ilha Feia durante os passeios, sendo que alguns barqueiros também contam histórias sobre a
Ilha Feia: lendas dos parceis, grutas e tesouros.
As escunas são as únicas que levam os visitantes para tomar banho, sendo que tem
como norma não deixar ninguém descer na Ilha Feia, por questões de segurança, obrigando a
quem quiser tomar banho usar um colete salva-vidas e ficar próximo à embarcação.
A grande maioria de barqueiros entrevistados oferecem translados para a ilha e o
restante oferece pescarias (Figura nº. 12), destes 1/3 oferecem desembarques no local.

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


66

Quando estes ocorrem são freqüentemente no Porto da Roça, encosta Oeste da ilha onde
existe uma pequena baia normalmente protegida dos ventos, tornando-se o ponto mais
accessível da Ilha Feia (Figura n° 34). Por este motivo, este ponto é o comumente utilizado
tanto pelas escunas para oferecer o banho aos visitantes como pelos barqueiros que ficam
pescando e fundeiam perto, sendo que as escunas não fundeia tão perto.

Figura n°. 34: Vista do costão do Porto da Roça, local de desembarque mais utilizado.

Podemos observar a dominância de um público jovem, com presença de grupos


familiares e pessoas de idade. A totalidade do público retorna, confirmando as potencialidades
da área de estudo. Quase a totalidade dos barqueiros entrevistados afirmam que o público tem
uma conduta ambiental correta quando embarcado.
A maioria dos barqueiros entrevistados (80%) oferece pescarias. As pescarias
agendadas das pequenas embarcações ocorrem majoritariamente com freqüência mensal,
sendo que outras ocorrem semanalmente e até 2 vezes por semana (Figura nº. 13). Entende-se
que as pescarias aqui referidas são as contratadas por pessoas como atividade esportiva e não
as pescarias que diariamente fazem os barqueiros como pescadores artesanais e/ou
profissionais.
Segundo os barqueiros diversos animais são avistados durante as saídas na região.
Segundo citações, representadas na Figura nº. 14, constatou-se a presença de tartarugas, botos
e cações durante o ano todo; e pingüins e leões marinhos durante o inverno.

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67

5.2. Análise Fundiária e Legal da Ilha Feia


Até hoje, o atual proprietário tem respeitado a ilha e seus recursos naturais, sendo que
o fato da venda trás a incerteza do futuro da Ilha Feia. No entanto a Ilha Feia está sobre a
instituição de diversas leis como apresentado sucintamente nos Quadros n° 2 e 3.
A proteção da Ilha Feia está contemplada pela lei n° 9.985/00, que institui o SNUC
(BRASIL, 2000), no seu artigo 44, determina que “As ilhas costeiras e oceânicas destinam-se
prioritariamente à proteção da natureza e sua destinação para diversos fins deve ser precedida
de autorização do órgão ambiental competente”.
De acordo com a Constituição do Brasil de 1988, no capitulo que dispõe sobre bens da
União (art. 20, inciso IV) as ilhas costeiras, oceânicas e fluviais são pertencentes à União bem
como o mar territorial e os terrenos de marinha e seus acrescidos. A respeito do inciso IV,
esclarece Meirelles (2000):
As ilhas marítimas classificam-se em costeiras e oceânicas. Ilhas costeiras são as
que resultam do relevo continental ou da plataforma submarina; ilhas oceânicas são
as que se encontram afastadas da costa e nada têm a ver com o relevo continental ou
com a plataforma submarina.
As ilhas costeiras, por se encontrarem no mar territorial, sempre foram consideradas
domínio da União, porque este mar e tudo o que nele se encontra é bem federal.

A situação fundiária atual, em posse de pessoa física, não impede a proteção da área,
uma vez que a Portaria nº 583/98 – do Ministério do Estado da Economia, Fazenda e
Planejamento, defende no seu artigo 3º que “ressalva-se os casos especiais, onde é vedada a
ocupação, ou a reintegração da posse para a União quando ocorre comprometimento da
integridade de áreas que são de preservação ecológica, vias de navegação ou de uso comum
do povo”.
Uma vez caracterizada a Ilha Feia, constatou-se que varias áreas dentro da ilha são
consideradas Áreas de Preservação Permanente pelo Código Florestal (BRASIL, 1965).

Também cabe ressaltar que o Decreto Estadual n° 14.250/81, referente à proteção e


melhoria da qualidade ambiental, ressalta no seu artigo 42 que “são consideradas áreas de
proteção especial: ...II – as ilhas costeiras...”; e ainda, no seu artigo 48 que “nas ilhas fica
proibido o corte raso da vegetação nativa e outras atividades que degradem os recursos
naturais e a paisagem”.
No entanto, referente à região, objeto de estudo, nenhum dos municípios está inserido
no Projeto Orla, nem tem implantada a Agenda 21 Local, ressaltando-se a importância do
presente projeto que visa à divulgação e implantação destes programas na região, articulando
os instrumentos legais com a vontade de conservação ambiental da população local. A

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68

implantação destes projetos e aplicação dos seus instrumentos no planejamento de um novo


desenvolvimento local é essencial para a melhora da qualidade de vida regional.

5.3. Análise Ambiental da Ilha Feia


A Ilha Feia é constituída predominantemente pela Floresta Ombrófila Densa, sendo
que a característica ombrotérmica está presa a fatores climáticos tropicais de elevadas
temperaturas (médias de 25º) e de alta precipitação, bem distribuídas durante o ano (de 0 a 60
dias secos), o que determina uma situação bioecológica praticamente sem período
biologicamente seco (IBGE, 1993).
O conhecimento atual sobre a diversidade biológica do planeta é extremadamente
escasso, isso é especialmente preocupante quando se considera o ritmo atual de destruição de
ecossistema naturais, aliado a altas taxas de extinção de espécies (WILSON, 1997). O
desenvolvimento de programas de conservação e uso sustentado de recursos biológicos, a
única forma conhecida para desacelerar a perda de biodiversidade global, exige uma
ampliação urgente dos conhecimentos nessa área.
Entretanto, o tempo para obtenção desses dados, bem como os recursos logísticos e
humanos disponíveis, são muitos escassos, especialmente em paises pobres e com grande
diversidade (CRACRAFT, 1995).
Segundo Santos (2003) inventariar a fauna e flora de uma determinada porção de um
ecossistema é o primeiro passo para sua conservação e uso racional. Sem um conhecimento
mínimo sobre quais organismos ocorrem neste local, e sobre quantas espécies podem ser
encontradas nele, é virtualmente impossível desenvolver qualquer projeto de preservação.
Porém, devido à altíssima diversidade de plantas, animais e microorganismos que podem ser
encontrados em qualquer ambiente, por pequeno e aparentemente simples que seja, é
praticamente impossível determinar a sua riqueza total.
Nesta pesquisa foi obtida uma caracterização a partir de um levantamento qualitativo
da área de estudo, que objetiva conhecer a riqueza (número de espécies) numa área. Esses
levantamentos são muito utilizados na elaboração de diagnósticos ambientais em um período
limitado de tempo.
Assim foi possível caracterizar a área de estudo, considerando que próximo ao mar, a
vegetação é rastejante e herbácea, tolerante ao sal e xerofitica, rodeando a totalidade da ilha,
como pode ser observado no Mapa de Caracterização e Uso do Solo (Figura n° 32). Em solos
um pouco mais afastados e elevados as bromélias são dominantes, sendo a maioria de chão.

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


69

Conforme a vegetação vai aumentando de porte em direção ao interior, estas mesmas espécies
adquirem habito de epífitas (ADAMS, 2000).
A encosta Oeste, antropicamente alterada, é constituída de floresta secundária em
estágio inicial e médio de regeneração. A dominância do estrato superior é claramente das
espécies de gerivás (Arecastrum romanzoffianum) e camboatá (Cupania vernalis), com altura
média em tomo de 10 a 12 metros, no estrato inferior é dominado por caétes (Calathea sp.).
Os camboatás desta área destacam-se, além da sua abundância, também pela maioria
apresentar rebrotos nas cepas, indicando a presença de exploração desta espécie com grande
intensidade naquela área. A baixa quantidade de epífitas e lianas e a grande ocorrência de
indivíduos jovens de camboatás (com cerca de 1 metro de altura) vêm a corroborar com o
estado alterado que esta porção se apresenta, além de indicar recuperação natural. A presença
abundante de gerivás confirma a pouca profundidade do solo, já que segundo POMPÉJA et al
(1992), esta espécie é típica colonizadora de solos rasos. À medida que nos aproximamos dos
divisores de água das encostas, na floresta densa passam a ocorrer indivíduos mais altos, com
copas grandes e dossel mais fechado.
As encostas Nordeste e Sudeste apresentam continuidade da paisagem. O alto grau de
epifitismo desta floresta que ocupa as duas encostas supramencionadas indica um estado de
regeneração avançada, talvez beneficiada pela umidade maior desta área, classificada como
Floresta Secundária em médio à avançado estágio de regeneração (Figuras n° 35 e 36).
Destaca-se nestas encosta, na parte leste, a área utilizada como abrigo pelas aves marinhas
(ver Mapa de Caracterização e Uso do Solo na Figura n° 32), a qual encontra-se degradada, e
será foco de analise posterior no planejamento de gestão da Ilha Feia.

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


70

Figuras n°. 35 e 36: Detalhes de espécies epífitas: orquídeas, a esquerda e bromélias, a direita.

A flora marinha constitui uma parte significativa da estrutura do ambiente marinho da


ilha como produtores primários. Representa o primeiro degrau da escala trófica, a partir da
qual se inicia o aproveitamento dos nutrientes e da luz solar, transformados em biomassa para
serem utilizados por níveis tróficos superiores. No costão rochoso do Porto da Roça,
constatou-se uma predominância do gênero Sargassum, a qual representa a alga mais
importante em termos de abundância, em diversas localidades da costa do Brasil. Além de
fonte alternativa para as indústrias de alginato, como vem acontecendo na Índia, essa
macroalga tem sido aproveitada também para fins medicinais, como ração para animais
domésticos e como meio de incrementar a produção de pescado em regiões costeiras. No
entanto, até o momento, os bancos brasileiros de Sargassum não são explotados (PAULA,
1989).
A ictiofauna da região está representada por espécies de peixes típicos da zona nerítica
da costa brasileira, com representantes de espécies pelágicas como os xereletes, espécies
nectônicas como as garoupas, salemas e budiões e também por espécies bentônicas como o
peixe morcego e a trilha (WEGNER, 2004).
A análise do perfil da plataforma do Porto da Roça (Figura n° 31) permitiu constatar
uma grande variedade de organismos, o que evidencia um equilíbrio no ecossistema aquático,
justificando a implantação de sistemas de monitoramento e fiscalização a fim de mante-lo.
Cabe ressaltar que os recursos marinhos são de vital importância para a região, dependente

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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economicamente das atividades: pesqueira, maricultora e turística; as três interdependentes da


qualidade ambiental.
O núcleo de floresta densa, próximo a zona litorânea, encontrado na ilha, gera um
maior potencial de interação entre organismos terrestres e aquáticos, o que lhe confere um
status importante dentro da diversidade de ecossistemas (INGRAM, 1992).
Portanto, verificou-se o avançado estado de conservação da Ilha Feia, como
ambiente insular, equilibrado entre os ecossistemas terrestres e marinhos, ressaltando-se a
importância do seu estudo, monitoramento e gestão a fim de manter os níveis de regeneração
natural, impedindo que fatores antrópicos ou desequilíbrios ambientais venham impactá-la.

5.4. Presença de Espécies Bioindicadoras, Endêmicas ou


Ameaçadas de Extinção
A Ilha Feia, sendo uma ilha costeira, segundo Suguio (1992) caracteriza-se por incluir
uma representação quase completa, tanto taxonômica quanto ecológica, da fauna do
continente.
O tié-sangue (Figura n° 37), observado na ilha, é espécie endêmica da floresta
atlântica, da Paraíba a Santa Catarina, e considerada rara (NAKA e RODRIGUES, 2000). É
apontada como espécie caçada na Morraria da Praia Vermelha, região continental próxima a
Ilha Feia onde não foi observada em levantamentos feitos nesta área (MARENZI, 2004), mas
sim em levantamentos anteriores de ACAPRENA (1994).

Figura n°. 37: Ramphocelus breselius: tié-sangue (Foto: FSB, 2005).

Segundo Adams (2000), várias ilhas ao longo do litoral possuem taxas endêmicas de
répteis florestais, que aparecem também na restinga.

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


72

Na lista vermelha (IUCN, 2004) constatou-se que existem 26 espécies do gênero


Ocotea e 50 espécies do gênero Nectandra, conhecidos como grupo das canelas, em estado
vulnerável e em perigo de extinção, sendo que em campo não foi possível determinar as
espécies destes gêneros encontrados na Ilha Feia.
A listagem de espécies vegetais e animais observadas na Ilha Feia (Quadros n° 7 à 18)
não revela nenhuma espécie bioindicadora, endêmica ou ameaçada de extinção. No entanto,
um esforço amostral maior poderia ser efetuado. Ressalta-se que precisamente estas últimas
são encontradas em pequenos números de indivíduos, justificando ainda mais futuros estudos.

5.5. Análise da Categoria de UC para a Ilha Feia


A existência de objetivos de conservação em um país evidencia a necessidade das
unidades de conservação, em seu conjunto, sendo estruturadas em um sistema, tendo por
finalidade organizar, proteger e gerenciar estas áreas protegidas (BRASIL, 2000).
Variada é a natureza, variada também pode ser a forma de manejá-la. Esta abordagem
leva, a fazer uma distinção entre os recursos que são passíveis de uma medição monetária,
chamados naturais, e os que, via de regra, não se amoldam às regras da valoração,
denominados recursos ambientais. Desta forma colocamos de um lado os minérios, as
madeiras e a água. Do outro lado, os chamados bens livres, as belezas cênicas, as
oportunidades de recreação, o ar, o silêncio, o ambiente como um todo. Nos recursos
ambientais está a maior potencialidade das regiões litorâneas, como é o caso específico da
Ilha Feia, com seus atributos marinhos.
Algumas categorias de UCs representam uma oportunidade de desenvolvimento de
modelos de utilização sustentável dos recursos naturais. Quanto aos recursos ambientais,
valores estéticos e culturais, oferecem condições para sua proteção e conservação.
Para indicar a categoria mais adequada a ser implantada na Ilha Feia, foram analisadas
as fragilidades e potencialidades determinadas na área, a fim de cruzar o manejo desejado
com o manejo permitido e preferencial de cada categoria de UC aprovada pelas determinações
legais, segundo metodologia descrita na Guia de Chefe (IBAMA/GTZ, 2001), como foi
apresentado no Quadro n° 20.

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


73

5.5.1. Fragilidades
I. Fragmentação e Biogeografia de Ilhas
Segundo a classificação de Ingram (1992), a Ilha Feia, é uma ilha solitária, “Muito
Pequena” (área inferior a 100 km2) e classificada como inabitada e rica em recursos naturais
segundo classificação da UNESCO (1975).
Cox & Moore (1993), defendem a importância de levantamento e monitoramento da
biota das ilhas a fim de compreender a área e conseguir um melhor planejamento de
conservação.
A Teoria de Biogeografia de Ilhas defende que a área das ilhas é muito mais
importante que o seu grau de isolamento para determinar a quantidade de espécies. Na Ilha
Feia podemos esperar, então, um número pequeno de espécies, uma vez que tem área reduzida
o que comporta maiores taxas de extinção. Pode-se esperar uma boa taxa de colonização
devido à proximidade da ilha ao continente; mas segundo a teoria, essa relação negativa com
isolamento é mais fraca que a relação positiva com a área, como representado na Figura n°1.
Portanto, a situação insular, aliada a fragmentação de habitats pelo uso desordenado na
Ilha, principalmente a abertura de clareiras, torna o ambiente susceptível a perda de
biodiversidade, fato que justifica medidas voltadas a sua conservação.

II. Abertura de trilhas sem planejamento


O estudo realizado monitorou a área de estudo de outubro de 2004 até outubro de
2005, mas diversas visitas vinham sendo feitas desde junho de 2002, já com o intuito de um
futuro projeto de conservação no local.
Durante este período observou-se a abertura de novas trilhas em todos os verãos. No
inverno são poucas as pessoas que visitam a ilha, por isso os primeiros visitantes que chegam
na época de verão encontram a floresta fechada e costumam abrir trilhas na procura de
madeira para fogueiras ou até para chegar em outros locais distantes do ponto de desembarque
(Figuras n° 27-D, E e F).
As novas trilhas são sempre abertas desde o Porto da Roça, ou locais perto, até a
Trilha Norte, como representado no Mapa de Caracterização e Uso do Solo (Figura n° 32).
Assim é na encosta Oeste, onde as trilhas abertas são cobertas pela vegetação durante o
inverno, ficando impraticáveis de uso. Também é esta a encosta mais atingida pela extração
de madeira para fazer fogueiras nos acampamentos, e também onde encontramos espécies

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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invasoras como cana-de-açúcar (Saccharum officinarum) e maracujá (Passiflora edulis), entre


outras.
Portanto, a implantação de uma UC por meio da determinação de seu zoneamento e
normas de uso, pode minimizar esses problemas.

III. Abertura de clareiras


Diversas clareiras foram abertas nos laterais da Trilha Norte, constatadas desde 2002 e
até hoje degradadas. Também há existência de diversas clareiras na restinga da encosta Oeste,
as quais são abertas em temporada de verão pelo acampamento de grupos de visitantes.
A área mais impactada pelos acampamentos é o Porto da Roça, local preferencial,
devido à situação resguardada dos ventos, a proximidade com a praia e as pequenas
“infraestruras” já presentes. Nesta área encontram-se diversos locais para acender fogueiras
(Figura n° 21-C), uma grande clareira plana e coberta de grama comum, com uma área de
100 m2, ideal para a instalação das barracas (Figura n° 38). Também é o ponto de encontro de
todas as trilhas existentes na ilha, provavelmente porque todas foram abertas iniciando neste
local.

Figura n°. 38: Clareira no Porto da Roça..

Segundo a Associação Ambientalista Curupira, que realizou vistorias na área de


estudo em 1998, existia uma clareira de aproximadamente 15 x 30 metros aberta em 1996,
adjacente à trilha.
Diversos entrevistados afirmaram que em 1996 uma pessoa desmatou uma grande área
e chegou a construir uma casa de madeira, onde instalou-se. A invasão durou pouco tempo,

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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sendo que pescadores locais se reuniram e foram até o local destruindo a casa e estruturas
construídas. Essa área continua degradada até hoje devido a ser usada para acampamento por
usuários da ilha, o que retarda a sua recuperação natural. A organização e mobilização dos
pescadores locais frente a essa situação demonstra a preocupação e estima da população
tradicional pela Ilha Feia, reafirmando assim mais um requisito necessário para a
determinação de área prioritária à conservação.

IV. Retirada desordenada de marisco (Perna perna)


Segundo Cuadrado & Marenzi (2004) a atividade de mitilicultura na região tem
sofrido muitas limitações econômicas e produtivas, pela falta de sementes de marisco Perna
perna para abastecimento de seus cultivos. Mediante monitoramento e estudo de impacto foi
constatado que os maricultores ainda recorrem basicamente dos bancos naturais de marisco
existentes nos costões rochosos da região da Penha, o que tem levado a sobre-exploração dos
estoques, causando o empobrecimento do ecossistema e das populações tradicionais.
Na Ilha Feia há diversos bancos naturais de marisco, concentrados na encosta
Nordeste e na frente leste da encosta Sudeste. Poucos são os maricultores que retiram as
sementes da ilha, devido à dificuldade de carregamento e transporte da carga, mas durante as
vistorias à área observou-se diversos vestígios desta prática, como rochas expostas em faixas
e sacos plásticos. Em uma das saídas realizadas, em maio de 2005, constatou-se uma operação
de coleta: uma embarcação encontrava-se ancorada à aproximadamente 30 metros do costão,
um pequeno barco de assistência percorria o caminho do costão até a embarcação e 5 pessoas
no costão carregavam sacos de sementes na batera, foram contados 20 sacos de 50 kg.
Segundo a portaria n° 9 / 2003, esta atividade ocorreu fora da época de defeso.
A importância da existência de bancos naturais na Ilha Feia será apresentada ao avaliar
as potencialidades da área.

V. Retirada de plantas nativas


Na Ilha Feia a extração concentra-se nas espécies ornamentais: orquídeas, bromélias e
outras espécies com alto valor econômico (Figuras n° 18-B, D e F e Figuras n° 39 e 40).
Estas espécies concentra-se atualmente na região Este da ilha devido a ser a menos visitada
pelos visitantes.

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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Figura n°. 39: Heliconia sp. Figura n° 40: Orquídeas do gênero Cattleya.

Além da própria degradação causada por esta atividade, é dificultado o processo de


regeneração natural da floresta nativa. Impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas
e demais formas de vegetação é condenada pela Lei de Crimes Ambientais (BRASIL, 1998).

VI. Caça de animais silvestres


As diferentes espécies de aves caçadas são utilizadas para alimentação, além de
aprisionamento para vendas e apreciação ao tempo que suas penas também são utilizadas para
diversos fins e comercializadas por um alto valor comercial. A caça de fauna silvestre é
condenada pela Lei de Crimes Ambientais (BRASIL, 1998).

VII. Introdução de espécies exóticas


Há indícios de que plantas exóticas, geralmente, ao encontrarem condições favoráveis
nas novas regiões, podem ter estabelecimento e propagação favorecidos. Além disso, em
alguns casos podem desenvolverem-se melhor, reproduzirem-se mais e viver mais tempo do
que nos locais de origem. Isto porque nos novos ambientes, tais plantas em geral encontram-
se livres de patógenos e herbívoros reguladores de suas populações, além dos inimigos
naturais das plantas nativas estarem presentes regulando as populações destas (IUCN, 2005).

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Assim sendo, teoricamente por exclusão competitiva, as plantas exóticas podem atingir
grandes densidades ao excluir plantas nativas.
Em bordas, por exemplo, é freqüente encontrar espécies exóticas, uma vez que estes
locais teoricamente estão mais sujeitos a invasão (PRIMACK & ROS, 2002). Dentre os
problemas causados por plantas exóticas nos ambientes invadidos destacam-se as alterações
dos recursos disponíveis, a co-introdução de agentes patogênicos, a alteração do estado dos
nutrientes do solo e a maior susceptibilidade do solo a queimadas.
A introdução de espécies exóticas é condenada pelo mesmo artigo que a retirada de
plantas nativas: impedir o dificultar a regeneração natural de florestas e demais formas de
vegetação (BRASIL, 1998).
A criação de uma UC na Ilha Feia, permitiria um monitoramento e fiscalização
articulado com programas de conscientização e educação ambiental o que contribuiria à
diminuição dos impactos causados pela retirada de plantas nativas, pela caça de animais
silvestres e pela introdução de espécies exóticas na área, objeto de estudo.

VIII. Pesca predatória


A Portaria n° 143/1994 proíbe a pesca subaquática, na faixa de 500 metros a partir de
costões e ilhas do litoral de Santa Catarina e a pesca com rede de emalhar fixa e de tresmalho
(feticeira) na faixa de 50 metros. Também é proibida na faixa de 50 metros a partir dos
costões a pesca com redes de cerco, emalhar, cerco flutuante, fisgas, garateias, farol manual e
tarrafas, entre 1° de maio e 15 de julho, anualmente.
Durante todas as visitas feitas a Ilha Feia, encontrou-se embarcações fundeadas a
menos de 50 metros, o que é legal sempre que pescando com isca, mas não deixa de gerar
vários impactos negativos, como: a degradação do fundo subaquático no arrasto da ancora
para fundeio, o impacto na biodiversidade marinha na pesca de indivíduos de pequeno
tamanho e a poluição por óleo dos motores (Figura n° 41).

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Figura n°. 41: Embarcação pescando a poucos metros da Ilha Feia.

Mesmo que a legislação apresente restrições que possam privilegiar a conservação da


biodiversidade, sem uma fiscalização e monitoramentos eficientes, sempre haverá o risco de
atividades ilegais que incorram em impactos ambientais, justificando-se a implantação de uma
U.C. na Ilha Feia.

IX. Proliferação massiva de aves


A atividade pesqueira pode afetar as aves marinhas de várias maneiras, causando
mortalidade acidental no estoque explorado, competição por recurso alimentar ou provisão de
uma nova fonte de alimento através do rejeito (HUDSON & FURNESS, 1989; THOMPSON
& RIDDY, 1995).
Com exceção de Rezende (1987) e Sick (1997), a literatura científica nacional
disponível, não contempla a utilização dos peixes descartados na pesca de arrasto de camarões
como fonte de alimento para aves marinhas. Entretanto, é consenso geral entre os pescadores
das regiões Sudeste e Sul, que as aves marinhas das ordens: Pelecaniformes (atobás, fragatas)
e Charadriiformes (gaivotas, trinta-réis) aproveitam eficientemente esse valioso recurso.
A pesca artesanal do camarão sete-barbas na Armação do Itapocorói, no Município de
Penha, inicia as atividades ao amanhecer e encerra antes do poente. A pesca de arrasto
praticada pela frota artesanal e dirigida ao camarão-sete-barbas (Xiphopenaeus kroyeri)
apresenta baixa seletividade e captura grande contingente da fauna demersal e bentônica,
agrupado sob a denominação de fauna acompanhante (geralmente, exemplares de pequeno
porte ou juvenis de espécies de interesse econômico). Devido ao reduzido valor de

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comercialização, principalmente os peixes são descartados mortos no mar e utilizados como


alimento pelas aves marinhas (BRANCO,2001).
Em estudos feitos na UNIVALI, para cada kg da espécie-alvo, foram capturados
aproximadamente 17,3 kg de fauna acompanhante. 13 espécies marinhas utilizaram os
descartes da fauna acompanhante com alimento. Estima-se que, em média, a frota artesanal do
camarão-sete-barbas que atua na Armação de Itapocorói possa capturar 1.227,9 toneladas de
peixes em 8 meses de atividade (verão e outono) por ano. Subtraendo-se desse volume 103,3
toneladas que poderiam ser aproveitadas para consumo humano, cada ave poderia dispor,
teoricamente de 2,8 kg de peixes por dia, nos 8 meses de atividade da frota (BRANCO, 2001).
Furness (1982) considera a fonte adicional de alimento proveniente da atividade
pesqueira, como um fator importante para explicar o acréscimo do número de aves marinhas e
sua distribuição no nordeste do Atlântico e Mar do Norte, neste século.
A conservação da Ilha Feia tem uma relação direta com o planejamento das aves
marinhas encontradas nela. Levantamentos qualitativos e quantitativos são necessários para
avaliar a capacidade de suporte destes animais na ilha.
Como pode ser observado na figura abaixo e no Mapa de Uso do Solo (Figura n° 32),
a encosta Nordeste está comprometida, tendo sua vegetação degradada, devido que esta área
serve de habitat para as aves, causando um acúmulo de matéria orgânica, devido a que o
guano torna o solo altamente ácido, o que restringe as espécies vegetais existentes no local.
Também o acúmulo de guano recobre a superfície da vegetação impedindo a fotossíntese,
levando a morte das poucas espécies que crescem no solo ácido (Figuras n° 42 e 43).

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Figura n°. 42: Fragata posada em gerivá morto. Figura n° 43: Vegetação coberta de guano.

Na Figura n° 44 observa-se uma mudança da vegetação, com cor mais amarelada,


menos densa. Pode-se chegar a esta área pela trilha principal que atravessa a Ilha, e é
constatado em campo, o efeito das aves na vegetação. Observamos predominância de
palmeiras gerivás (Arecastrum romanzoffianum), os quais são utilizadas para construção dos
ninhos e varias espécies de cactus. Na revisão bibliográfica foi observada a grande
importância da formação xerófita para as aves marinhas (pela formação de ambientes
propícios para o aninhamento), numa relação semelhante à encontrada por Abbot (1978) &
Krul et al. (1994).

Figura n° 44: Vista da encosta Nordeste, ressaltando a área com vegetação degradada.

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Também constatou-se que várias áreas de aproximadamente 10,00 metros quadrados,


encontram-se sem nenhuma vegetação, aparentemente pela queda de árvores e com grande
quantidade de matéria orgânica em decomposição na superfície do solo (Figuras n.° 45 e 46).

Figuras n° 45 e 46: Composição mostrando uma clareira aberta pela queda de um arvore morta.

A espécie predominante é a fragata (Fregata magnificens), mas não foram encontrados


filhotes pequenos, o que levou a considerar que não é uma área de reprodução desta ave.
Mesmo assim, em comparação com outras ilhas costeiras com presença desta ave marinhas,
pode-se afirmar que a encosta Nordeste da Ilha Feia, oferece todas as condições para, no caso
de ficar sem vegetação, se tornar área de reprodução, devido às características necessárias de
uma área de aprendizado de vôo dos filhotes (encosta côncava com declividade média e
atingida por ventos).
Segundo entrevistas realizadas, a grande presença de aves marinhas na Ilha Feia é
recente. As Ilhas Itacolomis (da etimologia indígena, pedras irmãs) são duas ilhas costeiras,
formadas por dois promontórios rochosos em forma de cone, separadas por um canal com 12
metros de largura e situadas à aproximadamente 8 km da costa e 4 km da Ilha Feia em direção
Nordeste, entre as coordenadas Datum SAD-69 26°42´36”S e 48°37´06”O. Apresentavam
características paisagísticas bem similares à área de estudo, recobertas no topo por gramíneas
e vegetação arbustiva, até 5 anos atrás, quando ficaram quase desprovistas de vegetação.
Segundo BRANCO (2001) nas Ilhas Itacolomis duas espécies nidificam: Larus dominicanus,
a Gaivota (encontrada na Ilha Feia) e Sterna hirundinacea, o Trinta-réis de bico vermelho.

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Nenhum estudo foi feito ao respeito, mas a população local atribui esta degradação à
presença das aves, relacionando os fatos que aconteceram: quando não existia muita atividade
pesqueira na região, as três ilhas eram cobertas por vegetação e com presença moderada de
aves marinhas; quando começou a pesca de arrasto, a população de aves começou à aumentar
e estas estavam concentradas nas Ilhas Itacolomis, sendo que na Ilha Feia continuava uma
presença moderada; gradativamente a vegetação das Ilhas Itacolomis foi sendo degradada, “só
cactus tinha e o resto ficou amarelo”, até aproximadamente 2000, quando restaram rochas
expostas quase na totalidade das ilhas, cobertas de guano (Figura n° 47); paralelamente a este
fato, as aves começaram a habitar a Ilha Feia e a aumentar em número.

Figura n° 47: Vista das Ilhas Itacolomis.

X. Conflitos políticos e especulação imobiliária


A dependência política da Ilha é uma discussão histórica entre os Municípios de Penha
e Piçarras, devido à proximidade da ilha com ambos os municípios. Esta discussão já
provocou o abandono de diversos projetos no local, apontando a necessidade de uma gestão
técnica e comunitária, a fim de conseguir alcançar interesses maiores que os interesses
políticos: a conservação dos recursos naturais regionais.
O litoral de Santa Catarina possui uma das áreas mais belas e privilegiadas da
região Sul do Brasil, com praias, estuários, ilhas, lagoas, manguezais, costões e dunas. Ela
concentra 68% da população do estado, resultado do processo intenso de migrações
internas (COMITÊ DO LITORAL CENTRO-NORTE DE SANTA CATARINA, 1996). O
fluxo de milhões de turistas na época de verão leva à especulação imobiliária, destruindo
ou alterando a qualidade da paisagem causando a perda da beleza cênica, e
comprometendo o turismo da região (Figura n° 48). Diante desse quadro é preciso não só
aprofundar as pesquisas dos problemas ambientais dessas áreas, para sua conservação e

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manejo sustentáveis, como também desenvolver um processo de Educação Ambiental


(EA) como forma de alcançar esse fim.

Figura n° 48: Impactos da especulação imobiliária no Rio Piçarras.

5.5.2. Potencialidades

I. Ecoturismo
A atividade do turismo representa um dos segmentos de mercado que mais crescem, e,
segundo Rodrigues (1997), o turismo é uma das atividades que demonstram maior
desenvolvimento no Brasil nas ultimas décadas. Em virtude desse incremento, pode-se esperar
que também ocorra um aumento nos impactos, decorrentes desta atividade. Segundo a
EMBRATUR (1998) apud Moreira (2002), o turismo gerou uma receita de U$ 3,768 bilhões
em ingressos de divisas para o país.
O tipo de turismo praticado dentro de unidades de conservação é conhecido como
ecoturismo, sendo que para Lundeberg (1995) objetiva provocar e satisfazer o desejo que
temos de estar em contato com a natureza, além de explorar o potencial turístico, visando à
sua conservação e seu desenvolvimento. Segundo IUNC (1998) “Ecoturismo é uma viagem
responsável para áreas naturais que conserva o meio ambiente e promove o bem-estar da
comunidade local”
Entretanto, muitos são os impactos negativos causados pela falta de planejamento de
atividade ecoturística: fuga de fauna, compactação dos solos em trilhas, exposição das raízes
dos vegetais tornando-os vulneráveis as pragas, acúmulo de lixo e poluição de mananciais
devido ao uso de sabonetes e detergentes. Por estes motivos, nos últimos anos muitos paises
desenvolvidos vem realizando um grande número de estudos para analisar a influência da
atividade recreativa sobre o ambiente (TAKAHASHI, 1998).

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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A criação de UCs representa uma forma de diminuir o impacto sobre o ambiente,


contribuindo, assim, para uma melhor qualidade de vida na região. Mas somente a criação de
parques não quer dizer que a área estará protegida, já que, se não houver um manejo
adequado, estas áreas também podem ser deterioradas.
Segundo Cândido (2003) para garantir o desenvolvimento do ecoturismo e a
conservação da Natureza são necessárias algumas atitudes tanto ambientais quanto humanas e
sociais.
Nas questões ambientais é fundamental relacionar o planejamento do ecoturismo com
a conservação do ambiente natural que será visitado. O trabalho de planejar e desenvolver o
ecoturismo deve prioritariamente visar à questão ambiental e, depois, a econômica.
Nas questões humanas e sociais, o trabalho deverá atender às necessidades básicas dos
residentes, reduzindo a pobreza e incrementando bens e serviços disponíveis, prevendo a
manutenção da diversidade cultural, as instituições e tradições da comunidade, assegurando a
justiça social e garantindo a participação total da mesma nas tomadas de decisão, empregos e
entretenimento.
Acredita-se que, com os resultados obtidos neste estudo, seja possível fornecer
subsídios suficientes para a aplicação de uma gestão da Ilha Feia. Este gerenciamento,
atuando de forma controlada e harmoniosa com o ambiente natural, tem como objetivo
estimular a prática do ecoturismo pelos visitantes que procuram à ilha, promovendo
desenvolvimento de novas formas de turismo na região.

II. Adequação de trilhas interpretativas


Hoje em dia, especialistas (ecólogos, biólogos e ambientalistas) detém conhecimentos
que transformam a abertura de trilhas em um trabalho científico, pedagógico e paisagístico.
Desta forma, trilhas são caminhos existentes ou estabelecidos, com diferentes formas,
comprimentos e larguras, que possuam o objetivo aproximar o visitante ao ambiente natural,
ou conduzi-lo a um atrativo específico, possibilitando seu entretenimento ou educação
através de sinalizações ou de recursos interpretativos.
Podem ser estabelecidas diversos tipos de trilhas, que podem ser classificadas quanto
à função (vigilância, recreativa, educativa, interpretativa e de travessia), quanto à forma
(circular, oito, linear e atalho), quanto ao grau de dificuldade (caminhada leve, moderada e
pesada) e quanto à declividade do relevo (ascendentes, descendentes ou irregulares). Quanto

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aos recursos utilizados para a interpretação ambiental da trilha, elas podem ser classificadas
de duas maneiras: guiadas (monitoradas) ou autoguiadas (SILVA, 1996).
Na criação de uma UC na Ilha Feia, estudos deverão ser feitos para a escolha e
adequação dos tipos de trilhas mais interessantes a serem praticadas na ilha, assim como a
capacidade de carga das mesmas (TAKAHASHI, 1998).

III. Educação ambiental e pesquisa científica


Educação ambiental é o processo dirigido a todos os níveis e que, através de
diferentes meios, visa obter a tomada de consciência, o desenvolvimento de valores, de
atitudes e técnicas, relacionadas ao meio ambiente, com o fim de contribuir para a solução
dos problemas ambientais. Segundo Cândido (2003), o desenvolvimento da atividade
ecoturística deve necessariamente envolver a educação ambiental e toda UC deve possuir
programas, pois um dos objetivos das áreas protegidas é desenvolver uma consciência
ecológica através da interpretação e educação ambientais.
As pesquisas científicas nas UCs são de grande importância porque aumentam o
conhecimento da área, possibilitando assim um melhor entendimento dos ecossistemas
presentes e consequentemente uma melhor gestão (MARENZI, 2003).
A Ilha Feia apresenta potencial para estas duas atividades, sendo objetivos de uma
UC, que deverão ser planejadas através das normas e regulamentos estabelecidas no Plano de
Manejo da unidade.

IV. Bancos naturais de marisco (Perna perna)


É interessante a manutenção dos bancos naturais de marisco em zonas adjacentes aos
cultivos artificiais a fim de garantir uma troca genética e manter a biodiversidade das
populações naturais e cultivadas (MARENZI, 2002).
O Decreto n° 2.869, de 09 de dezembro de 1998, condiciona a extração de sementes de
moluscos em substratos naturais à autorização do Ministério do Meio Ambiente e a Portaria
do IBAMA n° 09, de 20 de março de 2003, proíbe, nos estados das regiões Sudeste e Sul, a
extração de mexilhão de bancos naturais nos períodos de defesa e regulamenta ainda a
extração de sementes de mexilhão para fins de aqüicultura.
A criação de uma UC na Ilha Feia possibilitaria o monitoramento e regularização desta
atividade na área, garantindo a conservação dos bancos naturais e conseqüentes benefícios.

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V. Interesse da comunidade em conservar


A gestão de UCs, aliada a outras ações de conservação da biodiversidade, tem
historicamente dependido quase exclusivamente do Poder Público. Entretanto, experiências
em diversos paises demonstram que a conservação da biodiversidade requer a participação da
sociedade que, quanto mais informada estiver, melhor e mais intensamente poderá contribuir
(BRITO, 1995).
Foi constatado nas entrevistas e em fatos ocorridos anteriormente, que a população
tem uma grande estima pela Ilha Feia. A população referida abrange os moradores dos
Municípios de Balneário de Piçarras, Penha e Barra Velha, incluindo os turistas que
veraneiam nesta região.
A preocupação comunitária frente à conservação da Ilha Feia, foi também constatada
pelo impacto que provocou um artigo referente à venda da ilha, publicado num jornal
regional. A partir deste fato, foi publicado outro artigo referente à degradação causada na ilha
pelas aves marinhas, e até foi feita uma visita de reconhecimento junto a repórteres do RBS
TV, que realizaram uma reportagem com a mesma temática.
Assim, ressalta-se a importância de criação de uma UC na região, incentivando-se às
ações ambientais a fim de criar uma consciência ambiental na população e conseguir a
mobilização e participação desta no processo de gestão.

VI. Conservação da biodiversidade


As áreas protegidas são de relevante interesse no que diz respeito aos recursos naturais
e ambientais, principalmente em termos de preservação de habitat e da diversidade genética e
de espécies. Estas áreas contribuem, também, para a manutenção do equilíbrio dinâmico dos
ecossistemas, que, por sua vez, evita catástrofes climáticas e, por isso, devem ser preservadas
integralmente, em cuja forma mais adequada são as UCs. Mas não são apenas os recursos
naturais e ambientais que possuem relevância, os fatores socioeconômicos e culturais também
devem ser considerados no processo de preservação da natureza, afinal o ser humano é parte
dela, interagindo e afetando diretamente o meio em que vive (CÂNDIDO, 2003).
Para Franklin (1993), a implantação de reservas naturais e de corredores é uma
intervenção humana necessária para a conservação da biodiversidade. ACAPRENA (1994)
ressalta a importância do estabelecimento de um corredor vegetacional, possibilitando a
ligação da área da Morraria da Praia Vermelha com outras áreas representativas da flora e
fauna regionais.

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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A Ilha Feia poderia atuar como unidade dentro de um corredor ecológico regional,
entres as unidades da Morraria da Praia Vermelha, em Penha, e a unidade do novo Parque
Natural Municipal de Barra Velha.

VII. Geração de emprego e incentivo ao comercio local


A proteção dos recursos terrestres e marinhos gera maior disponibilidade destes
recursos na região a curto-longo prazo e beneficia o desenvolvimento local.
O turismo baseado em natureza e na vida selvagem pode-se tornar uma peça
importante no crescimento econômico e na geração de empregos em paises em
desenvolvimento. Em adição ao turismo, as áreas protegidas podem também prover serviços
ecológicos valiosos, sem os quais o governo deveria investir dinheiro. Os serviços incluem a
proteção de locais de desova de peixes, para garantir sua posterior coleta comercial; a
conservação de plantas e recursos genéticos, que podem ser a base para o desenvolvimento de
novos e valiosos remédios; e conservar florestas que podem seqüestrar e armazenar as
emissões de carbono dos paises industrializados, sobre o qual os paises em desenvolvimento
se tornam elegíveis para receber compensação financeira (SPERGEL, 2002).

VIII. Pesca esportiva


A pesca esportiva ocorre nos costões rochosos, principalmente na porção próxima à
Pedra de Fora, no encontro das encostas Nordeste e Sudeste e também no Porto da Roça.
Nestes locais foi encontrado muito lixo deixado pelos pescadores, como anzóis, linhas, sacos
plásticos e de malha, e restos de moluscos utilizados como isca. Cabe ressaltar que a pesca
esportiva também ocorre no mar, à poucos metros da linha de costa, onde as embarcações
acostumam permanecer durante horas ou até pernoitar.
Uma gestão adequada permitiria a prática desta atividade de forma a não impactar os
locais utilizados (contaminação por lixo e degradação da pesca predatória) e permitiria a
fiscalização da pesca.

IX. Mergulho recreativo


A encosta Oeste apresentou características boas para a prática de mergulho recreativo,
com uma plataforma de gradiente suave, no qual numa faixa de 35,00 à 40,00 metros desde à
linha de costa, concentra grande diversidade de organismos. Provavelmente as outras encostas
também apresentam boas condições dos recursos, mas não são apropriadas para esta pratica,

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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devido à predominância de embate de ondas e presença de correntes marinhas. Esta pratica é


o principal atrativo das escunas que fazem o passeio pela região, justificando-se a necessidade
de regularização e adequação da área à atividade pesqueira, a fim de conservar a beleza cênica
local e evitar conflitos causados pelo perigo de mergulhar na área, uma vez que as
embarcações costumam passar muito perto da linha de costa.

X. Riqueza de aves
O bioma Floresta Atlântica concentra o maior número de aves ameaçadas de extinção
(83 de 160 taxons), constituindo a região prioritária para ações que visem evitar a extinção de
espécies (MMA, 2000).
Segundo Paglia et al (2004) as espécies ameaçadas (especialmente as com status mais
critico) estão concentradas em maior número na Floresta Atlântica. Unidades de conservação
de proteção integral (federais e estaduais) em 2004 protegiam apenas 2% da área
remanescente e a maioria das espécies ameaçadas de todos os grupos (não apenas aves) não
ocorrem em UCs ou ocorrem em um número de áreas protegidas pequeno demais para
garantir sua segurança. Na Ilha Feia a grande ocorrência pode ser constatada na Figura n° 49.

Figura n° 49: Vista da ocorrência de aves marinhas na Ilha Feia.

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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A grande ocorrência de aves marinhas, com predominância de Fragata, deve ser


monitorizada, a fim de garantir o equilíbrio e conservação da Ilha Feia. Cabe ressaltar que
com um controle e manejo pode ser um atrativo turístico ou até um importante ponto de
aninhamento desta espécie, o que justificaria ainda mais a necessidade de implantação de uma
UC no local.

5.5.3. Proposta de Categoria de UC para a Ilha Feia


A Ilha Feia se mostra com um forte potencial turístico, intensificado pela proximidade
do continente e pela exuberância de sua vegetação e costões.
Analisando os usos e impactos da área, determinou-se que a Ilha Feia é uma área
própria para visitação recreativa e educacional, prática de ecoturismo e pesquisa cientifica na
qual deveria ser feito um manejo de maneira a restaurar áreas degradadas e a adequar a área à
visitação. Também é preciso apontar a importância da participação da comunidade nas
tomadas de decisão referentes à criação e manejo da Unidade de Conservação – UC
(BRASIL, 2000).
Através da análise das potencialidades e fragilidades da ilha, foi possível estabelecer
que se poderia ter maior controle nos impactos mediante alguma medida administrativa, que
passa-se a reconhecê-la como uma unidade de conservação.
Na classificação das categorias de AMPs, é sugerido o Nível 1 de restrição, definindo
acesso livre na totalidade do espaço, autorização de pesca profissional mas com um controle
regular em relação ao tamanho das capturas e navegação de lazer tolerada mas ancoragens
selvagens proibidas
As categorias Parque Nacional, Monumento Natural, Refúgio de Vida Silvestre e
Reserva de Fauna, foram selecionadas entre todas as categorias do SNUC (BRASIL, 2000) e
SEUC (SC, 2001) segundo suas restrições de uso. Outras categorias ou são muito restritivas,
impedindo a visitação, o que ocasionaria uma resistência da população frente ao potencial da
área, ou são pouco eficientes quanto a efetividade na conservação (grupo de uso sustentável).
Determinadas as medidas a serem tomadas para uma melhor gestão da Ilha Feia, foi
possível fazer um novo cruzamento de informações visando a escolha da categoria de U.C.
mais adequada a ser implantada, segundo seus objetivos, conforme sugere ACAPRENA
(1994).
O presente projeto ressaltou e justificou a importância de conservação da área marinha
adjacente à ilha, para a conservação de o ambiente insular. A categoria Monumento Natural

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visa à proteção do local de interesse, que poderia se referir a Ilha Feia como beleza cênica,
mas não abrange o entorno deste local, aumentando a fragmentação (Figura n° 50). Assim a
categoria de Monumento Natural, não permite a gestão requerida na área.

Figura n° 50: Vista panorâmica da Ilha Feia e as Baias de Piçarras (ao fundo) e Itapocorói (no centro).
(Fonte: PMP, 2005)

A categoria de Refugio de Vida Silvestre objetiva proteger ambientes naturais onde se


asseguram condições para a existência ou reprodução de espécies ou comunidades da flora
local e da fauna residente ou migratória. As Reservas de Fauna são áreas naturais com
populações animais de espécies nativas, terrestre ou aquática, residentes ou migratórias
adequadas para estudos técnico-científicos sobre o manejo econômico sustentável de recursos
faunístico. Observa-se que estas duas categorias são mais enfocadas na conservação de fauna
característica, o que leva à maior restrição de usos na área. Estudos mais profundos das aves
marinhas na ilha podem constatar a necessidade de manejo a fim de declarar a área como
importante na reprodução das espécies, mas até o momento, a proteção da fauna, não é um
objetivo principal na gestão e planejamento proposto e sim a conservação do ambiente
insular, como um todo.
O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais
de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas
científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, na
recreação em contato com a natureza e ecoturismo. Esta categoria é a mais adequada a ser
implantada segundo avaliação das potencialidades e fragilidades da área, permitindo uma
gestão e adequação à visitação recreativa e educacional ao tempo que permitindo a
conservação ambiental da Ilha Feia. As unidades dessa categoria, quando criadas pelo Estado

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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ou Município, serão denominadas, respectivamente, Parque Estadual e Parque Natural


Municipal.
A presente proposta defende a criação de um Parque Estadual, abrangendo os
Municípios de Penha, Balneário de Piçarras e Barra Velha, considerando os seguintes
aspectos:
o Mais pessoas poderia usufruir dos atrativos e atividades educacionais do Parque;
o Mais pessoas, com diferentes enfoques, participaria do processo de criação, consulta
publica e gestão através de um Conselho;
o Mais recursos poderiam ser obtidos para o gerenciamento da UC;
o Mais municípios, seriam beneficiados com os recursos atraídos pelas UCs;
o Gestão integrada com o Parque Natural Municipal a ser criado no Município de Barra
Velha; e,
o Inicio de gerenciamento costeiro integrado da região.

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6. CO N S I D E R AÇ Õ E S F I N AI S

Os ambientes costeiros possuem importância estratégica em três principais aspectos


interdependentes: econômicos, ambientais e socioculturais. Os fatores econômicos e
socioculturais fazem pressão sobre os ambientais. É necessário encontrar caminhos para
conciliá-los, reduzindo os problemas existentes.
Para sincronizar estes fatores de forma sustentável, faz-se urgente a utilização de
ferramentas de planejamento e gestão que minimizem conflitos e potencializem a utilização
dos recursos oferecidos pela zona costeira. Existem leis, resoluções e documentos, como os
apresentados neste trabalho, que dão suporte e indicam caminhos para o poder público e a
sociedade civil atuarem nesta questão.
Na prática, teremos que buscar a participação das pessoas por meio da conscientização
ambiental, despertando o interesse e a motivação pela vida. A vida do indivíduo que é
preciosa, mas também, à da sociedade que o acolhe como integrante, resultando no bem-estar
para o maior número de pessoas, sem desperdiçar os recursos naturais e culturais,
minimizando custos à qualidade de vida.
A caracterização sócio-ambiental permitiu analisar a viabilidade de criação de uma
nova unidade de conservação, concluindo-se que a Ilha Feia é uma área prioritária de
conservação.
A análise do perfil e percepção ambiental da comunidade local e turista revelou
grandes oportunidades de uso público, ao tempo que alertou sobre as fragilidades da ilha.
Também revelou que o local tem valor cultural e antropológico a nível regional.
O fato da Ilha Feia estar sob posse de uma pessoa física, não impede a criação de uma
UC, sendo possível cancelar a posse através de meios legais, uma vez que, diversas leis,
planos e projetos almejam sua conservação, bem como justificam um uso indireto (comum de
UC de proteção integral) e um interesse coletivo.
A análise ambiental apontou relativo grau de conservação nos ecossistemas terrestres,
ressaltando vários desequilíbrios devido à presença massiva de aves marinhas e à influência
antrópica, principalmente considerando a sua situação de ilha, cuja fragmentação tende a
intensificar a perda de biodiversidade. Também apontou uma diversidade no ambiente
marinho, indicador de equilíbrio no ecossistema, além de riqueza de recursos paisagísticos.
Assim, conclui-se que a Ilha Feia apresenta características apropriadas para a implantação de

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uma UC: ecossistema insular conservado e representativo, integridade ecológica, significativa


biodiversidade e beleza cênica.

Não foram identificadas espécies bioindicadoras, endêmicas ou ameaçadas de


extinção, não se descartando a presença destas. Estudos com maior esforço amostral deverão
ser realizados, para afirmar a presença de tais espécies, podendo reforçar a necessidade de
medidas de conservação na área.
A elaboração do Mapa de Uso de Solo definiu a localização, os limites e o perímetro
da área da Ilha Feia, sendo que este mapeamento, além de representar graficamente as
diversas tipologias ambientais e os impactos existentes neste ambiente insular, pode auxiliar
na interpretação global do local e contribuir com dados sobre a área, uma vez a dificuldade na
obtenção deste tipo de material, mais concentrado na zona costeira terrestre ou próxima a ela.
O diagnóstico realizado a partir da análise conjunta das informações obtidas, permitiu
sugerir o Parque como a categoria de UC mais adequada a ser implantada, sendo que foi a
mais compatível quanto às características da área, às restrições de uso e objetivos de manejo.
Pesou, ainda, o fato de não existir necessidade de desapropriação e indenização, o que
viabiliza financeiramente esta categoria. Também foi eleito o nível estadual, sugerindo um
Parque Estadual, considerando minimizar os conflitos administrativos municipais existentes
quanto ao domínio político da ilha, além de vislumbrar mais possibilidades de investimentos
financeiros.
Por fim, para atender ao que dispõe o SNUC (BRASIL, 2000) e SEUC (SANTA
CATARINA, 2001) sobre que a “a criação de uma unidade de conservação deve ser precedida
de estudos técnicos e de consulta pública que permitam identificar a localização, a dimensão e
os limites mais adequados para a unidade, conforme se dispuser em regulamento”, entende-se
a necessidade de completar estudos principalmente para a definição de demarcação de área,
incluindo o ambiente marinho. No entanto, este trabalho poderá subsidiar informações, sendo
possível avançar no processo referente ao estudo técnico. Assim como, para a consulta
pública, contribuiu despertando o interesse sobre ao assunto em parte da comunidade,
somando, ainda ações de comunicação com reportagens que ocorreram durante o
envolvimento deste trabalho.
Contudo, serão necessários esforços no sentido de envolver a comunidade no processo
de implantação, assim como despertar a vontade política, já que a importância ambiental e
sócio-cultural deste patrimônio insular foi justificada.

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7. RE C O M E N D AÇ Õ E S

Foi possível determinar algumas medidas a serem tomadas e projetos a serem


desenvolvidos quanto à conservação, voltadas à recuperação das porções impactadas e
regularização de uso na Ilha Feia, independente da implantação de uma unidade de
conservação, sendo:
o Levantamento florístico e faunístico, terrestre e aquático da Ilha Feia;
o Monitoramento florístico e faunístico, terrestre e aquático da Ilha Feia;
o Definição e adequação de uma trilha única, e estudo das áreas adjacentes com
planejamento das atividades educativas e recreativas a serem realizadas;
o Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas nas porções mais alteradas;
o Monitoramento e regularização das atividades de pesca e retirada de marisco na região
do entorno da ilha;
o Estimular a educação ambiental aos moradores locais e turistas;
o Divulgar e regularizar o turismo ecológico na ilha, criando-se cadastros de barqueiros,
centro de informação, e material educativo da área.
o Estudo da capacidade de suporte da Ilha Feia.

Ainda, especificamente, considerando a viabilidade de implantação de Unidade de


Conservação na Ilha Feia e definida a categoria de Parque Estadual como a mais adequada,
sugere-se:
o Estudo ambiental sobre a demarcação da UC considerando a inclusão de ambiente
marinho;
o Realização de Consulta pública;
o Anutação de posse individual na Ilha;
o Decretação de Parque Estadual Ilha Feia;
o Criação de um Conselho Gestor;
o Elaboração do Plano de Manejo da Unidade de Conservação;
o Definição de zoneamento para discriminar áreas com diferentes restrições de uso;
o Programas e Projetos para atender os objetivos voltados a pesquisa científica,
educação ambiental, ecoturismo e preservação, associados a categoria, incluindo,
ainda programas de recuperação de áreas.

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


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Paraná. Curitiba, 1998.

THOMPSON, K.R. & RIDDY, M.D. Utilization of affal and discards from “finfish” trawlers
around the Falkland Islands by the black-browed albatross Diomedea melanophris. Ibis. 137,
1995.

TRUCCOLO, E.C. Maré meteorológica e forçantes atmosféricas locais em São Francisco


do Sul – SC. 1998. Dissertação (Mestrado em Engenharia Ambiental) - Departamento de
Engenharia Sanitária e Ambiental / CTC, UFSC. Florianópolis, 1998.

UNESCO. Ecology and Rational use os Islands Ecossystems. Programme on Man and the
Biosphere, 1975.

________. Small tropical islands: Water resources of paradise lost. IHP Humids Tropics
Programme, n.2, 1992.

WEGNER, E.; & SANTOS, M. I. F. dos. Regulamento do mergulho cientifico.


Universidade do Vale do Itajaí; Pró-reitoria de ensino, Itajaí: UNIVALI, 2003.

WEGNER, E. Guia de mergulho: Florianópolis – Ilha de Santa Catarina. Itajaí: UNIVALI,


2004.

WILSON, E. O. A situação atual da diversidade biológica. In: Wilson E.O. & Peter, F.M.
(eds.) Biodiversidade. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


102

9 . AP Ê N D I C E S

o APÊNDICE A:LOCA LIZAÇÃ O GEOGRÁFI CA DA Á REA DE ESTU DO

o APÊNDICE B: MO DE LO DE QUES TI ONÁRI O INFORMA TIVO SOB RE ATIVI DA DE DE

TURIS TAS NA REGIÃO DA ILHA FEIA

o APÊNDICE C: MO DE LO DE QU ESTIONÁRI O IN FORMA TIVO S OBRE ATIVIDA DE DE

VISITANTES NA REGIÃO DA ILHA FE IA

o APÊNDICE D: MODE LO DE Q UES TIONÁR IO IN FORMA TIVO SOBRE ATIV IDA DE DE

BARQUEI ROS E ESCUNEIR OS NA REGIÃO DA ILH A FEIA

o APÊNDICE E: MODELO DE FICHA DE SAÍDA DE CAMPO NA ILHA F EIA

o APÊNDICE F: MO DE LO DE FI CHA DE OPERA ÇÃO DE MERGU LH O CIEN TÍFI CO NA

ILHA FEIA

o APÊNDICE G: PÁGINAS VIR TUAIS M OSTRANDO A VENDA DA ILHA FEIA

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


103

APÊNDICE A. LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA DA ÁREA DE ESTUDO


1. MONTAGEM COM IMAGEM SATÉLITE (FONTE: DIGITAL GLOBE, 2005)

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


104

2. IMAGEM SATÉLITE (FONTE: LANDSTAT TM/1997)

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


105

3. IMAGEM SATÉLITE (FONTE: DIGITAL GLOBE, 2003)

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


106

4. FOTOGRAFIA AÉREA (FONTE: MINISTÉRIO DA FAZENDA, 1978)

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


107

APÊNDICE B. MODELO DE QUESTIONÁRIO INFORMATIVO SOBRE


ATIVIDADE DE TURISTAS NA REGIÃO DA ILHA FEIA
Caracterização sócio-ambiental da Ilha Feia, Penha– SC, como subsidio para futura
implantação de Unidade de Conservação.
Acadêmica: Patricia Cuadrado Escudero
Instituição: Curso de Ciências Biológicas – CTTMar / UNIVALI – Itajaí –SC -
Brasil

Procedência: _______________________ Idade: _____ anos

Sexo: ____ Profissão: ________________________________

Salário estimado: ______________Reais

Data da entrevista:
Local de hospedagem:
( ) hotel/pousada( ) casa/apto alugado ( ) casa/apto próprio ( ) amigos/parentes
( ) camping ( ) outro: ______________________

Tempo de estada: _____________________

Escolaridade:
( ) 1° grau ( ) 2° grau ( ) superior incompleto ( ) superior completo

Principal motivo da viagem:


( ) atrativos naturais/culturais/históricos ( ) visita amigos parentes ( ) negócios
( ) passeio ( ) outro: ________________________

Quais são os maiores atrativos da zona Piçarras/Penha?


_____________________________________________________________________

Recebeu algum material educativo da zona? ( ) Sim ( ) Não


Quais?________________________________________________________________

Fez o passeio de escuna? ( ) Não


( ) Sim : ( ) Somente 1 vez ( ) 1 vez /ano ( ) Outras: _____________________

¿Visitou a Ilha Feia? ( ) Não


( ) Sim : ( ) Somente 1 vez ( ) 1 vez /ano ( ) Outras: _____________________

No seu parecer.... A Ilha Feia oferece possibilidades? ( ) Sim ( ) Não


Quais?________________________________________________________________

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


108

Gostaria ajudar na conservação da Ilha Feia? ( ) Sim ( ) Não


Como?________________________________________________________

Comentários / Sugestões

_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________

Obrigado pela colaboração

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


109

APÊNDICE C. MODELO DE QUESTIONÁRIO INFORMATIVO SOBRE


ATIVIDADE DE VISITANTES NA REGIÃO DA ILHA FEIA
Caracterização sócio-ambiental da Ilha Feia, Penha – SC, como subsidio para futura
implantação de Unidade de Conservação.
Acadêmica: Patricia Cuadrado Escudero
Instituição: Curso de Ciências Biológicas – CTTMar / UNIVALI – Itajaí –SC -
Brasil

Procedência: _______________________ Idade: _____ anos

Sexo: ____ Profissão: ________________________________

Salário estimado: ______________Reais

Data da entrevista:

Local de hospedagem:
( ) hotel/pousada( ) casa/apto alugado ( ) casa/apto próprio ( ) amigos/parentes
( ) camping ( ) outro: ______________________

Tempo de estada: _____________________

Escolaridade:
( ) 1° grau ( ) 2° grau ( ) superior incompleto ( ) superior completo

Recebeu algum material educativo da zona? ( ) Sim ( ) Não


Quais?________________________________________________________

Fez o passeio de escuna? ( ) Não


( ) Sim : ( ) Somente 1 vez ( ) 1 vez /ano ( ) Outras:
_____________________

Com que freqüência visita a Ilha Feia?


( ) Somente 1 vez ( ) 1 vez /ano ( ) outro: _____________________

Duração media da visita na Ilha Feia?


( ) 1 dia ( ) 2 dias ( ) 1 semana ( ) outro: _______________________

Principal motivo da visita:


( ) atrativos naturais/culturais/históricos ( ) passeio ( ) pesca
( ) outro:_____________________________________________________________

Quais são os maiores atrativos da Ilha Feia?

Como chega na Ilha?

( ) barco próprio ( ) passeio escuna ( ) passeio serviço


( ) outro:_____________________________________________________________

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


110

Qué atividades realiza na Ilha Feia?

_____________________________________________________________________

Pratica caça/captura de animais? ( ) Não


( ) Sim - Quais?: ( ) gambá ( ) lagartos ( ) pássaros: ___________________
( ) outro:_____________________________________________________________

Coleta material vivo da Ilha Feia? ( ) Não


( ) Sim - Quais?: ( ) plantas nativas ( ) plantas ornamentais ( ) marisco
( ) outro:______________________________________________________________

Planta vegetais na Ilha Feia? ( ) Não


( ) Sim - Quais?: ( ) plantas comestíveis ( ) plantas ornamentais
( )
outro:_________________________________________________________________

No seu parecer.... A Ilha Feia oferece possibilidades? ( ) Sim ( ) Não


Quais?____________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
_____________

Gostaria ajudar na conservação da Ilha Feia? ( ) Sim ( ) Não


Como?______________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________

Comentários / Sugestões

_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
______________

Obrigado pela colaboração

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


111

APÊNDICE D. MODELO DE QUESTIONÁRIO INFORMATIVO SOBRE


ATIVIDADE DE BARQUEIROS E ESCUNEIROS NA REGIÃO DA ILHA FEIA
Ca Caracterização sócio-ambiental da Ilha Feia, Penha – SC, como subsidio para futura
implantação de Unidade de Conservação.
Acadêmica: Patricia Cuadrado Escudero
Instituição: Curso de Ciências Biológicas – CTTMar / UNIVALI – Itajaí –SC -
Brasil

Nome da Escuna:

Capacidade:

Período de visitação:

Saídas / dia:

Passageiros / Dia:
Data da entrevista:

¿Quê tipo de passageiro é comum...

( ) Famílias ( ) Jovens ( ) Pessoas de Idade ( ) Outros:_________________

( ) Residentes ( ) Turistas – Procedência: ____________________________

¿Qual é o recorrido do passeio?


_____________________________________________________________________

¿Quais são os maiores atrativos?


_____________________________________________________________________

¿É feita uma explicação cultural e/ou ambiental durante a saída?


_____________________________________________________________________

¿É repartido algum material educativo? ( ) Sim ( ) Não

Qual?_________________________________________________________________

¿Quais são as informações oferecidas sobre a Ilha Feia?


_____________________________________________________________________

¿Quê atividades são feitas na Ilha Feia?


_____________________________________________________________________

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


112

¿Os visitantes descem na Ilha Feia? ( ) Sim ( ) Não

Em que local?__________________________________________________________

São estabelecidas regras? _________ Quais?_________________________________

_____________________________________________________________________

¿Os visitantes Mergulham na Ilha Feia? ( ) Sim ( ) Não

Em que local?__________________________________________________________

São estabelecidas regras?__________Quais?_________________________________

_____________________________________________________________________

No seu parecer.... ¿Quê possibilidades oferece a Ilha Feia?

Gostaria ajudar na conservação da Ilha Feia? Como?

Sugestões

Obrigado pela colaboração

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


113

APÊNDICE E. MODELO DE FICHA DE SAÍDA DE CAMPO NA ILHA FEIA

Caracterização sócio-ambiental da Ilha Feia, Penha – SC, como subsidio para futura
implantação de Unidade de Conservação.
Acadêmica: Patricia Cuadrado Escudero
Instituição: Curso de Ciências Biológicas – CTTMar / UNIVALI – Itajaí –SC -
Brasil

Data/Hora:

Localização de estudo:

Coordenadas:

Direção Transect:

Observadores:_________________________________________________________

__________________________________________________________

__________________________________________________________

Fatores Físicos:

Condição do Tempo: Vento: Temperatura: Umidade:

Declividade da trilha Dificuldade da Tipo de solo: Fragilidade


trilha: ambiental:

Observações:

Fatores Bióticos:

o Rela tório das observações de Vegetação:

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


114

o Relatório das observações de Aves:

o Relatório das observações de Vertebrados:

o Relatório das observações de Invertebrados:

o Relatório das observações de Impactos Antrópicos:

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


115

APÊNDICE F. MODELO DE FICHA DE OPERAÇÃO DE MERGULHO


CIENTÍFICO NA ILHA FEIA
Caracterização sócio-ambiental da Ilha Feia, Penha – SC, como subsidio para futura
implantação de Unidade de Conservação.
Acadêmica: Patricia Cuadrado Escudero
Instituição: Curso de Ciências Biológicas – CTTMar / UNIVALI – Itajaí –SC -
Brasil

Mergulho nº:

Data/Hora:

Local:

Coordenadas:

Direção Transecto:

Mergulhadores:__________________________________Certificação:_____________

__________________________________Certificação:_____________

__________________________________Certificação:_____________

__________________________________Certificação:_____________

Fatores Físicos:

Condição do Tempo: Vento: Corrente: Visibilidade:

Facilidade para Condição de abrigo: Temperatura da Melhor visibilidade:


ancorar: água:

Profundidade Tipo de fundo: Fragilidade Declividade do


Máxima: ambiental: costão:

Observações:

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


116

Fatores Bióticos:

o Rela tório das observações de Peixes:

o Relatório das observações de Algas:

o Relatório das observações Bentônicas:

o Relatório das observações de Impactos Antrópicos:

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


117

APÊNDICE G. PÁGINAS VIRTUAIS MOSTR ANDO A VENDA DA ILHA FEIA

15 de fevereiro

TEV001641

Linda ilha c/ 71.851,50 metros quadrados no Municipio de Penha.

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JANEIRO

TCC (Graduação). Curso de Biologia. UNIVALI. Itajaí, 2005. Cuadrado, P.


118

Imóvel
Código do imóvel: 4568

Sobre o imóvel: Linda ilha c/ 71.851,50 metros quadrados.

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Serviço: Venda
Categoria do Imóvel: Praias
Tipo do Imóvel: Terreno
2
Área total: 71.851 m
Valor: R$ 950.000,00
Estado: SC
Cidade: Penha
Bairro: Armação

Código do imóvel: 4568

Sobre o imóvel: Linda ilha c/ 71.851,50 metros quadrados. **O VALOR DA VENDA EM DOLARES**

Imagens ...
Serviço: Venda
Categoria do Imóvel: Praias
Tipo do Imóvel: Terreno
2
Área total: 71.851 m
Valor: R$ 700.000,00
Estado: SC
Cidade: Penha
Bairro: Armação

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ABRIL

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