Materiais I - Primeira Prova
Materiais I - Primeira Prova
Materiais I - Primeira Prova
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Materiais dentários I
flexão ocorrem em PPF de dois ou de três elementos. Módulo de elasticidade = rigidez. O material
- Três elementos: a prótese é submetida à aplicação de restaurador deve ter o módulo de elasticidade
carga em três pontos, onde os pontos finais são fixos e compatível com a estrutura dentária. Se for menor, o
uma força é aplicada entre eles. As tensões de tração material quebra e se for maior, o dente quebra. Isso
se desenvolvem na porção gengival da prótese e as promove o desgaste fisiológico da restauração.
tensões de compressão na região oclusal.
- Dois elementos: a prótese é suportada apenas em • Limite de proporcionalidade (P)
uma extremidade; há uma carga ao longo de qualquer É o ponto final da reta; limite no qual as tensões são
parte da seção sem suporte. A tensão máxima de diretamente proporcionais às deformações. Até o
tração se desenvolve na superfície de oclusão ou na limite de proporcionalidade, as deformações são
superfície que se torna mais convexa indicando uma elásticas ou reversíveis. Dá-nos a carga máxima que o
ação de alongamento. A tensão de compressão se material suporta uma tensão sendo que ao cessar a
desenvolve na porção gengival a prótese. tensão, o material retorna ao seu estado inicial.
A tensão elástica é proporcional à deformação elástica,
por isso no gráfico tensão-deformação, a curva se inicia
como uma linha reta; ao longo desta linha, o material
se comporta elasticamente e retorna à sua forma e
tamanho inicial no instante que a força é removida.
Quando certo valor de tensão aplicada,
correspondente ao ponto P, é excedido, o gráfico deixa
e ser linear e o valor da tensão deixa de ser
proporcional à deformação.
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elástica que é produzida.
FATORES DE CONCENTRAÇÃO DE TENSÕES
• Tenacidade (T) A causa na redução da resistência é a presença de
Quantidade de energia de deformação elástica e pequenos defeitos microscópicos ou microestruturais
plástica necessária para fraturar um material. É a na superfície ou na estrutura interna. Esses defeitos
medida da energia requerida para causar trincas localizados em áreas sujeitas a tensões de tração são
críticas em um material. A tenacidade é a área total críticos em materiais friáveis. A intensidade de tensão
sob a curva tensão-deformação, da tensão zero até o aumenta de acordo com o comprimento do defeito,
limite de fratura. Quanto maior a tenacidade, maior é a especialmente quando ele está orientado
resistência de um material. perpendicularmente à direção das tensões de tração;
os defeitos na superfície induzem maiores tensões do
• Limite elástico que os defeitos de mesmo tamanho nas regiões
Se uma pequena tensão de tração for aplicada em um internas. Todo local onde se concentra tensões tem
fio, ele retornará ao seu comprimento original quando mais riscos de fratura. As áreas de concentração de
a carga for removida. Se a carga for progressivamente tensões podem ser causadas por:
aumentada em pequenos incrementos e então - Defeitos microscópicos ou microestruturais na
liberada após cada aumento de tensão, em dado superfície (pior de todos) ou na estrutura interna do
momento obteremos um valor de tensão em que o fio corpo.
não retorna ao seu comprimento original após a - Porosidades
remoção da carga. Este é o ponto onde foi atingido o - Rugosidades
limite elástico. É a maior tensão a que um material - Vazios ou inclusões internas
pode ser submetido de tal modo a retornar às suas - Bruscas alterações de formato
dimensões originais quando a força é removida. - Interface de união – diferença no módulo elástico ou
coeficiente de expansão térmica
• Fadiga * As forças de tração tem maior influência na
O material fraturar-se abaixo da resistência máxima concentração de tensões do que as forças de
que ele possui. Falha por produção de fratura compressão.
prematura de um objeto por tensões muito abaixo da
resistência à tração devido a defeitos microscópicos
causados por cargas cíclicas. Valores de tensão muito
abaixo da resistência máxima à tração podem produzir
a fratura prematura da prótese dental, uma vez que
defeitos microscópicos crescem lentamente após
vários ciclos de tensões.
Para materiais frágeis com superfície rugosa, o limite
de resistência à fadiga é menor do que os materiais
com superfícies polidas.
• Fragilidade
É o material que se fratura próximo ao limite de
proporcionalidade. Incapacidade relativa de sofrer
deformação plástica antes de sofrer fratura. Um
material frágil não é necessariamente um material
fraco, pois ele pode ter um limite de proporcionalidade
muito elevado.
• Ductilidade e Maleabilidade
- Ductilidade: capacidade de suportar uma grande
deformação permanente sob carga de tração, antes de
sofrer fratura.
- Maleabilidade: capacidade de o material suportar
uma deformação permanente considerável sem
ruptura sob compressão, tal como ocorre durante a
laminação de uma chapa. PROPRIEDADES FÍSICAS DOS MATERIAIS
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Materiais dentários I
A intensidade da luz refletida e as imensidades
• Viscosidade combinadas dos comprimentos das ondas presentes na
É a resistência ao escoamento. A resistência ao luz incidente e refletida determinam as propriedades
escoamento é controlada pelas forças de atrito interno visuais (matiz, luminosidade e croma).
entre os átomos dentro do liquido. A viscosidade é a Pelo fato de a resposta neural estar envolvida na
medida de consistência de um fluido e sua visibilidade da cor, o constante estímulo de uma única
incapacidade de escoamento. Ex.: materiais de cor pode resultar em fadiga da cor e diminuição do
moldagem. poder de resposta do olho.
- Fatores que influenciam a viscosidade: Para descrever de modo preciso a percepção de um
- Temperatura: normalmente seu aumento diminui a raio de luz refletido de um dente ou superfície
viscosidade restaurada, três variáveis devem ser consideradas:
- Deformações anteriores/tixotropia: material que - Matiz: descreve a cor dominante de um objeto.
escoa frente à aplicação de uma força sobre o mesmo. (vermelho, azul... normalmente designado por uma
Ex.: poliéter. letra). Isso se refere às ondas de comprimento
- Tempo de trabalho dominantes presentes nas distribuições espectrais.
→ Materiais pseudoplasticos: a viscosidade diminui - Luminosidade ou brilho: quantidade de claro ou
com o aumento da taxa de deformação até alcançar escuro que a cor possui, pode ser medida
um valor praticamente constante. independentemente do matiz.
→ Materiais dilatantes: tornam-se mais rígidos à - Croma ou saturação: intensidade da cor.
medida que a taxa de deformação aumenta. Os fatores que interferem na percepção real das cores,
→ Materiais plásticos: comportam-se como um corpo de um modo geral, incluem baixa ou elevada
rígido até que um valor mínimo de tensão de intensidade de luz, fadiga dos receptores de cor, sexo,
cisalhamento seja aplicado sobre eles. Ex.: Ketchup. idade, memória e aspectos culturais.
→ Materiais tixotrópicos: líquido que se torna menos
viscoso e mais fluido sob a aplicação repetida de Seleção de cores e fluorescência:
pressão é denominado tixotrópico. - metamerismo: objetos que aparentam ter uma cor
* A viscosidade determina a forma como se trabalha sob um tipo de luz podem aparentar diferenças sob
com o material. outra fonte de luz.
- Fontes de luz: a seleção de cores de resina deve ser
• Creep e escoamento feita sob duas ou mais fontes de luz, sendo uma delas
Quando um metal é mantido à temperatura próxima a luz do dia e os procedimentos laboratoriais devem ser
sua temperatura de fusão e fica submetido a uma feitos sob as mesmas condições de luminosidade.
carga constante, a deformação resultante aumenta - Fluorescência: a estrutura dental natural absorve luz
com o tempo. Deformação plástica dependente do de comprimentos de onda muito curtos para serem
tempo de um material sob carga estática ou tensão visíveis ao olho humano. Esses comprimentos de onda
constante. O material escoa permanentemente. Ex.: são referidos como radiação quase ultravioleta. A luz
restaurações de amalgama. do sol, lâmpadas de flash fotográfico, certos tipos de
lâmpadas a vapor e luzes ultravioletas utilizadas em
• Abrasão e resistência a abrasão iluminações decorativas são fontes de luz que contêm
A abrasão constitui um complexo mecanismo no quantidades substanciais de radiação quase
ambiente oral que envolve a interação de vários ultravioleta.
fatores. Abrasão é o desgaste. A dureza de um material A energia que o dente absorve é convertida em luz
constitui apenas um dos muitos fatores que afetam o com comprimentos de ondas maiores, e nesse caso, o
desgaste das superfícies do esmalte dos dentes em dente se torna uma verdadeira fonte de luz. O
contato. Outros fatores importantes que influenciam fenômeno é chamado de fluorescência. A luz emitida,
no desgaste são: força de mordida, frequência de uma cor branco-azulada. A fluorescência dá uma
mastigação, abrasividade da dieta, composição dos contribuição definitiva para a luminosidade e a
líquidos intra-orais, variações da temperatura, aparência vital do dente humano. Uma pessoa com
rugosidade da superfície, propriedades físicas dos próteses unitárias cerâmicas ou restaurações de resina
materiais, irregularidades superficiais, presença de composta sem agentes fluorescentes aparenta não ter
partículas de impureza duras, pequenos sulcos tais dentes, quando vista sob uma luz negra em uma
anatômicos, sulcos ou cristas. boate.
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catodo.
Em restaurações, a corrosão é contínua. Normalmente, Amalgama → liga que contém mercúrio como um de
o aumento da concentração de íons no meio previne a seus componentes. Como o mercúrio é líquido à
corrosão por saturação. Na cavidade oral, os íons temperatura ambiente, ele pode ser misturado a
dissolvidos são constantemente dissolvidos pela saliva metais sólidos.
e fluidos, alimentos e escovação. Amalgama dental → liga de Ag, Sn, Cu, e outros
Vários tipos de corrosão eletroquímica são possíveis no elementos (Zn, Pd, etc)
meio oral, porque a saliva, apesar de ser um eletrólito * As ligas para amalgama usadas na odontologia
fraco, contem sais. As propriedades eletroquímicas da contem predominantemente Ag e Sn.
saliva dependem da concentração de seus
componentes, pH, tensão superficial e da sua • Causas de insucesso do amalgama: preparo incorreto
capacidade de tamponamento. da cavidade, preparo incorreto do amalgama ou
→ Proteção contra a corrosão: polimento das alterações pulpares, fraturas ou outras patologias.
restaurações, hábitos de higiene, controlar a dieta,
evitar drogas e fumo. VANTAGENS DO AMALGAMA
- adaptabilidade às paredes cavitárias
• Solubilidade - resistência aos esforços mastigatórios
Propriedade do material que se dissolve na presença - tempo de avaliação clinica
de um liquido. Medida simples do grau que um - insolúvel no meio bucal
material se dissolve em um dado fluido. - alterações dimensionais toleradas pelos dentes
- superfície brilhante
• Erosão - fácil manipulação
O desgaste erosivo é causado por partículas duras se - escultura fácil e imediata
chocando contra a superfície do substrato, carregadas - polimento final satisfatório
por uma corrente de líquido ou de ar. Processo que - tolerância pelo tecido gengival
associa eventos químicos de dissolução e uma ação - durabilidade
mecânica moderada. O aumento da solubilidade - bom custo-beneficio
diminui a resistência à erosão e diminui a vida útil do - simplicidade técnica
material. - condutibilidade menor que metais puros
- fácil eliminação quando necessária sua remoção na
• Liberação de componentes cavidade
- Materiais em ambiente aquoso absorvem água por
difusão LIMITAÇÕES DO AMALGAMA
- Componentes do material podem ser perdidos para - estética
os fluidos orais por um processo de lixiviação. - fragilidade
Desvantagens: alterações nas propriedades do material - corrosão e à ação galvânica
e liberação de componentes tóxicos - defeitos marginais
Vantagens: efeito bactericida, liberação de fluoretos, - não reforça a estrutura dental enfraquecida
etc. - toxicidade e difícil descarte
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de cobre (convencionais). A especificação 1 da ADA
exige que as ligas contenham predominantemente
prata e estanho. Pode haver quantidades menores de
cobre, zinco, ouro, e mercúrio. A composição das ligas
convencionais era:
Prata: no mínimo 65%
Estanho: no máximo 27 a 29%
Cobre: no máximo 6%
Zinco: no máximo 2%
Mercurio: no máximo 3%
• In
- aumento da resistência e à compressão e à fratura
- diminui o creep do amalgama
- diminui a quantidade de Hg necessária para a
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amalgamação Cu6Sn5, devido ao baixo teor de cobre, a maior parte da
- sua presença pode reduzir o brilho e aumentar a fase γ2 permanece na matriz. A adição de mais de 6%
rugosidade superficial de cobre em peso pode reduzir ou eliminar a fase γ2
pela formação da fase Cu-Sn.
- Necessita de mais Hg para a reação
- A adição de cobre: melhoria nas propriedades
mecânicas, resistência à corrosão e redução na fase γ2
- Propriedades mecânicas: γ > γ1 > γ2
- Escoamento: γ2 > γ1 > γ
- Corrosão: γ2 > γ1 > γ
Ag3Sn + Hg → Ag2Hg3 + Sn7-8Hg + Ag3Sn não reagida
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paládio nessas ligas. Várias fases são encontradas em propriedades.
cada partícula de ligas de composição única, incluindo → as ligas de composição única, cada partícula tem a
a fase β (Ag-Sn), fase γ (Ag3Sn) e fase ε (Cu3Sn). mesma composição química. Geralmente são
Algumas ligas podem conter uma porção de fase η’. partículas esferoidais e sem zinco. Presentes apenas a
Quando trituradas com o mercúrio, prata e estanho fases γ (Ag3Sn) e ε (Cu3Sn).
das fases Ag-Sn se dissolvem. Os cristais da fase γ1
crescem, formando uma matriz que agrega as • Tamanho das partículas
partículas da liga parcialmente dissolvidas. Os cristais Partículas menores tem maior área de superfície e
de η’ formam redes de cristais prismáticos nas requer maior quantidade de mercúrio. O tamanho das
superfícies das partículas de liga, dispersas na matriz. partículas pode afetar o acabamento, pois durante a
Pouca ou nenhuma γ2 é formada escultura, partículas maiores podem ser puxadas para
[Ag3Sn + Cu3Sn] + Hg → Ag2Hg3 + Cu6Sn5 + Ag3Sn e fora da matriz, produzindo uma superfície bastante
Cu3Sn não reagidas rugosa. Menores tamanhos médios de partícula
tendem a produzir endurecimento mais rápido, com
OBS.: a fase γ2 é a fase mais frágil do material. É valor de resistência inicial mais alto.
responsável pela formação dos produtos de corrosão e
pelo creep. Tem menor resistência aos esforços da MANIPULAÇÃO CLÍNICA DO AMÁLGAMA
mastigação e está relacionada ao manchamento da • Relação mercúrio/liga
estrutura dentária. A quantidade de mercúrio presente deve ser o
suficiente para produzir uma massa coesa e plástica
LIGAS A BASE DE GÁLIO depois da trituração, mas deve ser baixa o suficiente
Tentativa de substituir o mercúrio. para que a quantidade de mercúrio na restauração
final seja aceitável e não precise ser removido.
Símbolos das fases Composição - Proporcionamento do mercúrio e da liga: hoje
γ Ag3Sn usamos cápsulas pré preparadas e descartáveis,
γ1 Ag2Hg3 contendo alíquotas pré proporcionadas de mercúrio e
γ2 Sn7-8Hg liga, que ficam separados fisicamente no interior da
ε Cu3Sn capsula. Deve-se ativar a capsula para que o mercúrio
entre em contato com a liga, antes de colocar no
η e η’ Cu6Sn5
triturador. Não se deve adicionar mercúrio depois do
termino da trituração.
CONFIGURAÇÃO DO PÓ
A reação começa na interface partícula/mercúrio. A
• Trituração
configuração física e condições da partícula
Objetiva permitir a amalgamação apropriada do
influenciam o processo de presa.
mercúrio e da liga. Sempre há uma camada de óxidos
formada na superfície das partículas que dificulta a
• Partículas de limalha X Partículas esféricas
difusão do mercúrio na liga. A camada de óxidos é
- Limalha: Um lingote da liga é recozido para reter uma
removida por abrasão quando as partículas de liga e o
fase uniforme, então é colocado numa máquina de
mercúrio são triturados.
moagem equipada com pontas ou brocas de corte. O
pó é lavado com solução ácida para aumentar a
• Tempo de mistura e consistência da mistura
reatividade das superfícies da partícula.
Definido de acordo com a consistência desejada.
- Esférica: O metal liquefeito é atomizado e adquire o
- Supertrituração resultante de velocidade ou tempo
formato de gotas bem finas em uma câmara
de trituração maior que o recomendado, resulta em
preenchida com gás inerte.
uma mistura amolecida que fica aderida à superfície da
→ amalgamas compostos de limalha, apresentam
cápsula. Superfície mais brilhante, formato da massa
maior resistência do que amalgamas de partículas
achatado e tempo de trabalho mais curto com maior
esféricas. Os amalgamas de partículas esféricas são
contração de cristalização. Menor tempo de trabalho;
bem plásticos e escoam sob o condensador, sendo
Fratura das fases recém-formadas; Menor resistência
difícil de compactar. Ligas esféricas requerem menos
coesiva do material.
mercúrio que limalhas porque o pó de partículas
- Subtrituração resulta em uma mistura endurecida e
esféricas apresenta menor área de superfície por
esfarelada. O amalgama vai resultar em uma
volume do que a limalha. Amalgamas com menores
restauração enfraquecida e sua superfície ficará com
quantidades de mercúrio apresentam melhores
uma consistência granulosa depois da escultura,
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aumentando a possibilidade de corrosão e PROPRIEDADES DO AMALGAMA
manchamento. Distribuição ineficiente do mercúrio na
liga. Partículas não molhadas pelo Hg; Redução da • Estabilidade dimensional
resistência coesiva do material. O amalgama pode se contrair ou se expandir
- Amalgama corretamente triturado: devido à fricção dependendo da sua manipulação. Contração pode
entre as partículas durante a trituração, a mistura de levar a infiltração, acumulo de placa e caries ou a
amalgama deve estar morna quando é removida da protrusão da restauração. Expansão excessiva pode
cápsula. Forma arredondada, superfície brilhante e lisa. causar pressão pulpar e sensibilidade.
- Quando a liga e o mercúrio são misturados, ocorre
• Condensação contração, conforme as partículas são dissolvidas. O
Objetiva compactar a liga dentro da cavidade volume final da fase γ1 é menor do que a soma das
preparada de modo que a maior densidade possível ligas e do mercúrio na mistura inicial (a contração se
seja alcançada, com mercúrio suficiente para assegurar desenvolve durante a fase γ1). Conforme os cristais de
a continuidade da fase de matriz (Ag2Hg3) ao redor das γ1 crescem, eles se chocam uns contra os outros. Se
partículas de liga remanescentes. Isso resulta na houver mercúrio liquido o suficiente para que a matriz
diminuição da concentração de mercúrio e da continue plástica, o choque entre os cristais de γ1 gera
porosidade no amalgama cristalizado. expansão. Depois que a matriz de γ1 endurece, o
A condensação na cavidade deve ser iniciada logo. O crescimento dos cristais não é mais capaz de forçar a
campo operatório deve ser mantido completamente matriz a se expandir. A reação continua com os cristais
seco durante todo o procedimento. A condensação de γ1 crescendo em direção aos interstícios contendo
requer a presença de quatro paredes e um assoalho, mercúrio.
sendo necessário o uso de matriz em alguns casos. - A expansão vai acontecer se houver mercúrio
- Procedimento: a condensação se inicia no centro do suficiente presente quando a alteração dimensional
preparo, e então a ponta do condensador é inclinada começa.
para as paredes da cavidade. A força necessária - A manipulação com quantidade insuficiente de
depende do formato das partículas. Após a mercúrio favorece a contração, como ocorre para
condensação de cada incremento, a superfície deve ter relações mercúrio/liga menores e forças de
uma aparência brilhante, indicando que há mercúrio condensação maiores.
suficiente presente na superfície para difundir-se e - Os procedimentos de manipulação que aceleram a
promover a adesão entre diferentes incrementos. presa e o consumo rápido de mercúrio também
Quanto maior o tempo decorrido entre a mistura e a favorecem a contração (maior tempo de trituração e
condensação, mais fraco o amalgama se torna. A partículas menores). Da mesma forma, partículas
condensação de um material que já começou a maiores favorecem a expansão.
cristalizar leva a fratura e desintegração da matriz em - Quando amalgamas contendo zinco ou cobre são
formação. Além disso, quando a mistura já perdeu uma contaminados com umidade durante a trituração ou
parte da sua plasticidade, fica fisicamente mais difícil condensação, ocorre uma expansão significativa de 3 a
de condensar o material, e o resultado é uma maior 5 dias depois da inserção, e pode continuar por meses
quantidade de poros e camadas não coesivamente – expansão tardia. Essa expansão é causada pelo
aderidas. hidrogênio, produzido pela ação eletrolítica
- Pressão de condensação: governada pela área da envolvendo zinco na água. O hidrogênio não se
ponta do condensador e a força exercida pelo combina com o amalgama formando depósitos na
operador. Quanto menor a ponta, maior a pressão. massa, aumentando a pressão interna e causando o
- Escultura: deve começar quando o amalgama estiver creep do amalgama, produzindo a expansão.
suficientemente cristalizado, de modo a oferecer certa
resistência ao instrumento cortante. A superfície • Resistencia mecânica
esculpida da restauração é rugosa e fosca, podendo O amalgama é muito mais fraco sob tração do que sob
apresentar corrosão com o tempo. Por isso há a compressão. A resistência do amalgama é uma função
necessidade do polimento final, para que a superfície do volume de partículas de liga não consumidas e fases
fique lisa e uniforme. contendo mercúrio, e da densidade e profundidade de
* Excesso de mercúrio na manipulação altera as defeitos.
propriedades mecânicas, aumenta a quantidade de - subtrituração ou supertrituração levam à diminuição
fase γ2, aumenta o tempo de cristalização da liga, da resistência de ligas convencionais e de alto teor de
dificuldade de adaptar o material na cavidade. cobre.
- Pouco mercúrio, gera uma massa seca e granulosa,
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com superfície rugosa e cheia de irregularidades - sempre que uma restauração de ouro é colocada
susceptível à corrosão. junto com uma de amalgama, a corrosão do amalgama
- Muito mercúrio promove a formação de maior fração pode ser esperada como resultado da diferença de
de fase γ2, aumentando a susceptibilidade à fratura. força eletromotriz dos dois materiais. O processo de
- Boas técnicas de condensação devem causar o corrosão pode liberar mercúrio livre que pode
afloramento do mercúrio e resultam em menores contaminar e enfraquecer a restauração de ouro.
frações volumétricas da fase de matriz. Maiores - um amalgama de alto teor de cobre é catódico em
pressões de condensação são necessárias para relação ao amalgama convencional
minimizar porosidades e fazer aflorar o excesso de - Responsável por alterações estéticas nos dentes
mercúrio de amalgamas de limalha. As ligas esféricas (manchamento);
devem ser condensadas com menor pressão para - Não uso do verniz cavitário, em caso de ligas
alcançarem resistência adequada. convencionais;
- Vazios e porosidades reduzem a resistência à - Superfícies não polidas: retenção de placa e mais
compressão depois da presa. Causada por falta de propensas à corrosão;
plasticidade decorrente de condensação tardia ou - Pode comprometer a resistência à fratura e a
subtrituração, que leva à formação de porosidades no integridade marginal.
amalgama final.
• Flow
• Creep - deformação progressiva do amalgama sob constante
Ocorre quando um material sólido sofre deformação aplicação de uma força progressiva.
plástica sob pressão
- Relaciona-se com a degradação marginal de • Porosidades do amalgama
amalgamas com baixo teor de cobre. Quanto maior o Em qualquer material, a presença de porosidades
valor do creep, maior o valor de deformação marginal reduz suas propriedades;
observado. - Podem surgir em função de falhas:
- o creep leva o amalgama a escoar com o tempo, - No proporcionamento, com excesso de Hg
protraindo na margem da restauração se não estiver - no processo de manipulação manual
suportado. Quando um amalgama escoa, é a fase γ1 - pressão insuficiente na condensação
que sofre deformação plástica. - pressão insuficiente na brunidura
- maiores taxas de creep são esperadas para - porosidades superficiais na escultura
amalgamas de baixo teor de cobre com maiores - polimento inadequado.
frações volumétricas da fase γ1
- a presença da fase γ2 aumenta a taxa de creep * Se o amalgama é condensado de forma apropriada, a
- a presença de zinco reduz o creep infiltração diminui conforme a restauração envelhece
- Além da ausência da fase γ2, as taxas reduzidas em na boca. Isso pode ser causado pelos produtos de
amalgamas de alto teor de cobre de composição única corrosão que se formam na interface entre o dente e a
se relacionam aos bastonetes da fase η’ agirem como restauração, selando a interface e prevenindo a
barreiras à deformação da fase γ2. infiltração. A presença de cálcio e fósforo e a
desmineralização da estrutura dental adjacente à
• Resistência a corrosão e ao manchamento restauração de amalgama também sugerem
- a tendência de manchamento da formação de sulfato fortemente a existência de uma interação biológica
de prata na superfície não afeta as propriedades com o processo de corrosão. A acumulação de
mecânicas do amalgama produtos de corrosão é mais lenta para ligas de alto
- a corrosão tem efeitos negativos nas propriedades do teor de cobre.
amalgama. Os produtos de corrosão mais comuns são
óxidos e cloretos de estanho, encontrados na interface Alterações dimensionais do amalgama
dente-amalgama e no meio do corpo da restauração. - Expansão: trituração e condensação insuficientes;
- a fase η’ é menos suscetível a corrosão do que a fase expansão tardia em razão da contaminação tardia por
γ2 dos amalgamas convencionais, por isso o processo umidades em ligas contendo zinco. A restauração pode
de corrosão das ligas com alto teor de cobre são mais protruir ficando as margens sem apoio e suscetíveis a
limitadas, apesar de serem encontrados produtos de fratura.
corrosão. A fase γ2 está implicada em falhas marginais
e corrosão ativa em ligas convencionais, mas isso não - Escultura e acabamento não adequados da
ocorre em ligas com alto teor de cobre. restauração e a remoção inadequada da camada de
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mercúrio da superfície pode resultar em bordas finas Materiais Biocompatíveis:
de amalgama estendendo sobre o esmalte que podem • Não devem ser prejudiciais à polpa e aos tecidos
fraturar. moles
• Não devem conter substâncias tóxicas dispersíveis
- a ausência da fase γ2 suscetível a corrosão na que possam ser liberadas e absorvidas pelo sistema
microestrutura de ligas de alto teor de cobre é tida circulatório causando reação tóxica sistêmica
como o principal fator de resistência à degradação • Devem ser livres de agentes potencialmente
marginal. sensibilizantes que possam causar reações alérgicas
• Não devem ter potencial carcinogênico
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dentes cerca de 1/5 do volume aos 25.
• Dentina Secundária: se forma devido a estímulos de - Pacientes jovens: câmara pulpar e túbulos dentinários
baixa intensidade, decorrentes da função biológica mais amplos
normal
• Dentina Terciária: desenvolve-se na presença de 3. Condição pulpar
irritações mais intensas como cárie e preparo cavitário Testes de sensibilidade pulpar.
- POLPA
• Tecido conjuntivo frouxo altamente especializado,
MATERIAIS PARA A PROTEÇÃO DO
inervado e vascularizado, responsável pela vitalidade COMPLEXO DENTINOPULPAR
do dente
• Efeito de confinamento na câmara pulpar coronária e - Vernizes Cavitários
canais radiculares - Materiais à Base de Ca(OH)2
•Funções: nutritiva e protetiva - Cimentos Ionômero de Vidro
- Cimentos à Base de ZnO / Eugenol
MATERIAIS RESTAURADORES - Cimentos à Base de ZnO sem Eugenol
Devem ser compatíveis com os tecidos dentários e - Sistemas Adesivos
devem ter ótima capacidade de vedamento, pois os
seguintes fatores são prejudiciais: FORRADORES CAVITARIOS
Agentes protetores aplicados em espessura mínima
H3PO4 (ácido fosfórico) (menor que 0,5 mm). O hidróxido de cálcio é o
monômeros residuais Danos ao dente ingrediente principal em vários materiais para
estímulos termoelétricos forramento e na formulação base de cimentos porque
é antimicrobiano, tem alto pH, e estimula a formação
PROTEÇÃO DO COMPLEXO DENTINOPULPAR de dentina terciária ou reacional sobre a polpa
A indicação de agentes de proteção é determinada por: traumatizada para protegê-la a longo prazo.
1. Profundidade da cavidade - o pó de hidróxido de cálcio é suspenso em um
• Determinada pela dentina remanescente após a solvente com agente espessante; quando aplicado no
remoção da cárie e preparo cavitário soalho da cavidade, o solvente evapora, e deixa uma
• Dentina: excelente isolante térmico, barreira físico- camada fina de hidróxido de cálcio.
química contra a penetração de bactérias e toxinas. - o forramento não tem resistência mecânica suficiente
• 0,5mm de dentina = redução de 75% da toxicidade ou capacidade isolante térmica, mas pode neutralizar
do material ácidos que poderiam migrar em direção à polpa.
•1,0mm de dentina = redução de 90% da toxicidade do - o hidróxido de cálcio forma carbonato de cálcio e se
material torna inativo, como resultado da exposição ao dióxido
* Cavidades superficiais: aquém, ao nível ou de carbono no sangue e nos fluidos orais, causando o
ultrapassando ligeiramente a junção amelodentinaria. decréscimo de sua atividade antimicrobiana.
Remoção de defeitos estruturais do esmalte. - o hidróxido de cálcio é solúvel em água e não pode
** Cavidades rasas: lesões incipientes onde a parede ser deixado nas margens de uma cavidade preparada,
de fundo está localizada de 0,5 a 1,0mm além da senão esta perderá o selamento com a dissolução do
junção amelodentinária. material
*** Cavidades médias: 1 a 2mm além da junção - muitas formulações de forramento são baseadas na
amelodentinária. adição de hidróxido de cálcio a oxido de zinco eugenol
**** Cavidades profundas: ultrapassam metade da de baixa viscosidade, cimento ionômero de vidro ou
espessura da dentina. Apenas 0,5mm de dentina cimentos resinosos.
remanescente. - materiais de forramento a base de hidróxido de cálcio
***** Cavidades bastante profundas: assoalho são muito usados para capeamento pulpar e como
dentinario a menos de 0,5mm da polpa. Tonalidade curativos
rósea e presença de microexposições pulpares.
BASES PROTETORAS
2. Idade do paciente Camadas mais espessas (0,5 a 2,0mm) de um ou mais
- Pacientes idosos: câmara pulpar com volume agentes protetores para forrar e reconstruir assoalhos
diminuído, devido à formação de dentina secundaria. cavitários. São aplicadas abaixo de materiais
O volume de tecido pulpar aos 55 anos de idade é restauradores para proteger a polpa de traumatismos
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Materiais dentários I
térmicos, choques galvânicos e irritação química. metálicas indiretas com cimento fosfato de zinco
- Cimentos de fosfato de zinco e oxido de zinco • Sobre restaurações metálicas para evitar
eugenol são os melhores isolantes por apresentarem temporariamente a sensibilidade devida ao galvanismo
baixa condutividade térmica. As capacidades isolantes Contra Indicações:
dos materiais à base de policarboxilato, ionômero de • Sob restaurações em Resina Composta.
vidro e hidróxido de cálcio também se encontram • Sob restaurações ou preenchimentos de Cimentos
nessa faixa. Ionoméricos
- o baixo pH do cimento de fosfato de zinco pode
forçar o uso de um material para forramento para Modo de Aplicação:
proteger a polpa • Aplicar com pincel descartável em duas camadas,
- hidróxido de cálcio, oxido de zinco eugenol, esperando o tempo de evaporação do solvente
policarboxilato e cimento de ionômero de vidro forma • Evitar margens cavitárias
barreiras efetivas contra a penetração de constituintes
irritantes de materiais restauradores. Quando o CIMENTOS
ionômero de vidro é aplicado como base, deve ser Cimentação: é o uso de uma substância modelável que
aplicado um forramento de hidróxido de cálcio antes. tem como objetivo selar ou cimentar duas partes.
- os materiais restauradores devem ser aplicados Cimento é a substância que une duas superfícies. Em
depois da presa inicial da base. Odontologia, os cimentos são usados como agentes de
- para restaurações de amalgama, hidróxido de cálcio e cimentação, material restaurador estético, isolante
oxido de zinco eugenol são boas opções. térmico, restaurador temporário, protetor pulpar.
- para restaurações de ouro indica-se fosfato de zinco,
policarboxilato e cimento de ionômero de vidro. Podem ser apresentados na forma pó-líquido e na
forma pasta-pasta, de forma que a mistura dos dois
VERNIZES CAVITÁRIOS componentes da início a uma reação química.
- Composição: Os líquidos são ácidos (doadores de prótons) e os pós
Resina natural Copal / Colofônia são bases (alcalinos), compostos de vidros ou óxidos
metálicos.
Resina sintética A reação entre o pó e o líquido é uma reação ácido-
Clorofórmio base.
Solvente orgânico Éter
Acetona CIMENTOS PARA CIMENTAÇÃO
Provêm adesão mecânica, como os usados para
Os vernizes são compostos de gomas naturais – tais próteses fixas, restaurações temporárias e pinos e
como o copal, rosin ou resina sintética – dissolvidas em núcleos usados para retenção de restaurações.
solventes orgânicos. O verniz forma uma camada bem Microscopicamente, as superfícies do dente e da
fina no dente conforme o solvente evapora. Vernizes prótese são rugosas e o cimento preenche as
tem alta concentração de solventes, por isso devem ser irregularidades entre ambas as superfícies para formar
aplicadas pelo menos duas camadas para que forme uma camada contínua e livre de espaços vazios, o que
uma película contínua. A aplicação de verniz reduz a microscopicamente leva ao travamento de uma
infiltração de fluidos irritantes através de pequenas superfície contra a outra para resistir as forças de
fendas marginais e diminui a irritação pulpar. Os cisalhamento que podem deslocar a peça.
vernizes também protegem o dente da penetração de Para escolher um cimento para uma aplicação
produtos de corrosão do amalgama nos túbulos específica, o clínico deve considerar as propriedades
dentinários. Vernizes são contraindicados quando são físicas e biológicas do cimento e as características de
usados materiais adesivos tais como o cimento de manipulação do cimento, tais como tempo de
ionômero de vidro ou agentes de união adesivos para trabalho, tempo de presa, consistência e facilidade de
restaurações de compósito. remoção de excessos de material.
- Interface de cimentação
Indicações: Os agentes de cimentação são desenvolvidos para
• Sob as restaurações de Amálgama, mesmo em ligas preencher os espaços microscópicos entre uma peça
com alto conteúdo de cobre protética e o dente preparado. Cada superfície
• Sobre materiais de presa lenta como os cimentos apresenta uma rugosidade microscópica com picos e
ionoméricos vales, e apenas contatos pontuais são observados
• Em preparos antes da cimentação de restaurações entre os picos. As áreas que não estão em contato
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Materiais dentários I
devem ser preenchidas pelo cimento para prevenir o - Composição:
fluxo de fluidos orais e invasão bacteriana. O cimento Hidróxido de Cálcio
deve escoar sob pressão e molhar as superfícies. Um Sulfato de Bário
agente de cimentação deve formar um filme continuo Resina Dimetacrilato de Uretana
sem formar vazios. Iniciadores ativados por luz visível
- Retenção friccional: quanto menores os vales, e mais
contatos nos picos, maior será a retenção friccional e - Propriedades:
menor o numero de cimento gasto para cimentação. A •Aumento da resistência à compressão
ação do cimento é de interposição nesses pequenos •Redução da solubilidade em água
espaços. O cimento precisa de fluidez e escoamento •Resistência à dissolução em ácido
para cumprir esses requisitos. Ele tem que formar •União com materiais restauradores fotoativados
entre as duas superfícies uma película fina, •Não aderem à dentina
característica essencial. Se tiver um mau escoamento - Indicações:
não forma a película fina e se não tiver fluidez, não Limpeza de cavidades
consegue preencher os espaços entre os picos e vales. Proteção pulpar direta ou indireta
Ao tomar presa, o cimento vai dificultar o Cimentação de provisórias
deslocamento das superfícies.
CIMENTOS À BASE DE ÓXIDO DE ZINCO E EUGENOL
MATERIAIS À BASE DE Ca(OH)2 Usado para cimentação e restaurações provisórias
- Tipos: devido à suas qualidades terapêuticas e pH neutro.
Hidróxido de Cálcio P. A. (Suspensão e Solução) (NÃO - Pode ser apresentado na forma pó/líquido ou
SÃO CIMENTOS) pasta/pasta. No sistema de pasta/pasta, o pó de óxido
Cimentos de Hidróxido de Cálcio (Auto Ativados e Foto de zinco faz parte da pasta base e o eugenol faz parte
Ativados) da pasta catalisadora.
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Materiais dentários I
óxido de zinco eugenol reforçado (maior plasticidade e 5. Espatulação vigorosa até obter consistência de
resistência a abrasão, pela adição de polímeros). massa de vidraceiro – o po é levado ao líquido
- Cimentação endodôntica: para obturar o canal - O uso da placa grossa como base ajuda na dissipação
radicular, o material precisa de uma fluidez grande e do calor gerado pela atrição durante a espatulação.
tempo longo de trabalho, de 20 a 40 minutos. É um
cimento definitivo. CIMENTOS À BASE DE ÓXIDO DE ZINCO SEM EUGENOL
- Composição:
- Pasta-pasta: agente cimentante provisório, material Pó: Óxido de Zinco
de moldagem, cimento cirúrgico. Cera de Abelha
Líquido: Azeite de Oliva
* O eugenol tem ação analgésica desde que não entre Vaselina
em contato com tecido conjuntivo, porque em contato Ácido Oléico
com o tecido conjuntivo é caustico, causando necrose. - O eugenol inibe a polimerização de resinas
compostas.
Eugenol livre residual interfere com a polimerização de - Indicações:
resinas compostas ou cimentos resinosos Pacientes sensíveis ao eugenol
- Indicações: Restaurações Adesivas
•Restaurações temporárias e intermediárias (duram
apenas algumas semanas) •Cimentação Provisória quando a intenção é fazer uma
•Bases para isolamento térmico (caiu em desuso cimentação adesiva
porque não tem espessura suficiente) •Cimentos Periodontais
•Cimentação temporária e permanente (permanente •Restaurações Temporárias
só cimentação endodôntica)
•Obturação de canais radiculares CIMENTO FOSFATO DE ZINCO
•Cimentos periodontais Constituído de um pó e líquido que são misturados. O
•Materiais de moldagem pó contem 75% de oxido de zinco e 13% de oxido de
* Os atributos antimicrobianos são uma vantagem magnésio, na forma de um pó muito fino misturado a
deste cimento. São excelentes para cimentar coroas componentes radiopacos. O líquido é composto por
acrílicas e próteses fixas provisórias. Restaurações 38% de ácido fosfórico, 2% de fosfato de alumínio e em
provisórias duram apenas algumas semanas. Elas alguns casos, fosfato de zinco. O líquido controla o pH
selam os túbulos dentinarios contra a invasão de e a taxa de reação ácido-base com o pó.
substancias e microorganismos e sedam a polpa, Composição:
porém podem causar necrose pulpar não devendo ser Pó: Óxido de Zinco 90%
diretamente usados sobre a polpa. Não devem ser Óxido de Magnésio
usados para cimentação provisória de próteses fixas Óxido de Silício (carga)
definitivas. Quando é misturado até uma consistência Líquido: Ácido fosfórico
de massa de vidraceiro, serve efetivamente como Água
material restaurador com duração de até um ano. Fosfato de
Alumínio
- Manipulação Fosfato de Zinco
A espatulação em placa de vidro resfriada retarda a - sofre reação acido-base formando um sal. O fosfato
presa e permite a obtenção de consistência mais de zinco esta presente no liquido para facilitar a
espessa, mas a placa não deve apresentar temperatura mistura das partes.
abaixo do ponto de orvalho, caso contrário, a - a alta acidez inicial fez esse material cair em desuso
condensação de água no cimento pode acelerar a como base.
reação. - quanto maior a espessura, menor a resistência desse
- Dispensação do material imediatamente antes do material. Por isso não é uma boa base, além da alta
uso. acidez. Também não é usado para cimentação de
1. Proporcionamento do pó em uma placa de bandas ortodônticas pela acidez.
vidro Com a devida colher medida
2. Compactação do pó formando um retângulo - Reação de presa:
3. Divisão do pó em 2 partes iguais O ácido fosfórico dissolve o óxido de zinco, que então
4. Proporcionamento do líquido reage com o fosfato de alumínio para formar um gel de
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aluminofosfato de zinco ao redor das partículas de dos incrementos subsequentes. O calor gerado pela
óxido de zinco que permaneceram não dissolvidas. O reação pode ser suficientemente dissipado durante a
cimento endurecido contém oxido de zinco que não espatulação. Se uma grande quantidade de calor é
reagiu encapsulado numa matriz amorfa de liberada de uma vez, acelera a reação.
aluminofosfato de zinco. A perda de água do líquido > prolongar o tempo de espatulação do ultimo
aumenta o tempo de presa, enquanto a incorporação incremento de pó, destruindo a matriz em formação
de água adicional durante a mistura acelera a presa. > temperatura de mistura mais baixa, que retarda a
Reação ácido–base que produz um sal e acontece em reação entre o pó e o líquido, atrasando a formação da
meio aquoso. matriz. A temperatura da placa deve estar acima do
H3PO4 -libera íons de Zinco para o meio ponto de orvalho, para que a água da condensação não
AlPO4-reage com o Zinco produzindo um gel de Fosfato reduza a resistência à compressão e à tração do
de Alumínio e Zinco sobre a superfície das partículas cimento fosfato de zinco. O processo de resfriamento
não reagidas da placa resulta em um cimento com menos
- quanto mais precipitação de sal, maior a viscosidade ao fim da espatulação.
neutralização da porção ácida. A reação é lenta e tende
a total neutralidade 72h após a reação. - Retenção:
Não apresenta retenção química às estruturas dentais
- Manipulação: ou protéticas; sua adesão é exclusivamente mecânica.
A reação entre o óxido de zinco e o ácido fosfórico é
exotérmica e requer mistura cuidadosa para minimizar - Probriedades:
o efeito da geração de calor. O pó de óxido de zinco Baixa solubilidade em água, mistura acídica, resistente
deve ser dispensado numa placa de vidro e dividido em e rígido.
diversas porções. O líquido só deve ser dispensado na •Consistência e Espessura de Película:
placa depois de o pó estar dispensado, dividido e Peliculas de consistência fluida apresentam pH baixo e
pronto para mistura, porque a água do liquido pode podem causar injuria pulpar. Porém, películas espessas
evaporar, aumentando o tempo de presa. não são bem adaptadas levando ao insucesso do
Recomenda-se o resfriamento da placa de vidro. tratamento.
> Mistura: deve ser iniciada pela incorporação da Pressão de espatulação
menor parte do pó ao líquido, usando uma espátula •Resistência à compressão = 104 MPa
fina e movimentos de espatulação rápidos. Uma •Resistência à tração diametral = 5 MPa
grande área da placa deve ser usada para dissipar o •Módulo de Elasticidade = 13 GPa
calor. Cada incremento deve ser misturado de 15 a 20
segundos antes de misturar o próximo. O tempo de CIMENTO POLICARBOXILATO DE ZINCO
mistura total deve ser de 1,5 a 2 minutos. Depois de Exibe adesão química ao dente. Não são usados para
terminada a espatulação, o cimento deve ser recolhido procedimentos restauradores pela sua opacidade.
na placa e a espátula usada para puxar um fio de São apresentados como sistema pó-líquido e tomam
cimento que deve alcançar 12 a 19mm antes de presa por meio de uma reação ácido-base.
quebrar. O líquido é uma solução aquosa de ácido poliacrilico ou
um copolímero de acido acrílico com outros ácidos
carboxílicos tais como o ácido itacônico.
O pó contém principalmente oxido de zinco com um
pouco de oxido de magnésio, oxido de estanho, oxido
de bismuto e/ou alumina.
Pó: Óxido de Zinco
Óxido de Magnésio
Fluoreto Estanoso
- usar a espátula número 24 flexível Líquido: Ácido Poliacrílico 40%(aq)
Ácido Itacônico
- Controle do tempo de trabalho (retardar a presa):
> reduzir a proporção pó/líquido para produzir uma - Reação de presa:
mistura mais fina. O problema é que essa alteração A presa começa com a dissolução das partículas de pó
gera um pH inicial mais baixo. pelo ácido, que libera íons de zinco, magnésio e
> porções menores de pó devem ser aglutinadas nos estanho; esses se ligam aos grupos carboxílicos
primeiros incrementos: isso retarda a taxa de reação formando ligações cruzadas. Como resultado, uma
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Materiais dentários I
matriz tridimensional com fase policarboxilato é do acido nos túbulos dentinários, contribuindo para a
formada, encapsulando a porção não reagida das excelente biocompatibilidade e baixa sensibilidade pós
partículas. O cimento endurecido de policarboxilato de operatória do cimento de policarboxilato.
zinco é uma matriz de gel amorfa na qual as partículas •Adesão: grupos carboxílicos + Ca2+ (quelação)
de pó que não reagiram estão dispersas, como •Espessura de película: maior viscosidade que o
também ocorre com o cimento de fosfato de zinco. O Fosfato de Zn, mas são tixotrópicos (espessura
pH do líquido do cimento é baixo (1,7). O pH aumenta adequada)
rapidamente de 3 para 6 enquanto a reação de presa •Resistência à Compressão: 55MPa
progride. •Resistência à tração: 30 à 40%> que Fosfato de Zn
O tempo de presa demora de 6 a 9 minutos. •ME<< Fosfato de Zn
Ácido Poliacrílico: dissolução e liberação de íons de Zn, •Menos friável que o Fosfato de Zn
Mg e Sn
Os íons unem-se à cadeia polimérica através dos Tempo de Trabalho e Tempo de Presa:
grupos carboxílicos formando um sal de ligação Tempo de Trabalho: 2,5 min
cruzada Tempo de presa: 6 a 9 min
Biocompatibilidade:
- Adesão: pH = 1,7 ( rapidamente neutralizado pelo pó)
Adere-se quimicamente à estrutura dental. O ácido Ácido Poliacrílico = moléculas maiores = < difusão
poliacrílico se liga aos íons cálcio da superfície do
esmalte e da dentina. A adesão ao esmalte é melhor CIMENTO IONÔMERO DE VIDRO
do que à dentina, devido à maior concentração de íons Estética do cimento de silicato somado ao fato de
cálcio no esmalte. conter flúor na sua composição + a biocompatibilidade
e adesão química à estrutura dental do policarboxilato.
- Manipulação:
O líquido deve ser dispensado apenas na hora da Cimento ionômero de vidro é o nome genérico para
mistura para não evaporar água e aumentar muito sua materiais que tomam presa por meio da reação entre o
viscosidade. O pó deve ser rapidamente aglutinado no pó de vidro e o ácido poliacrílico. O uso do acido
líquido. Um tempo de manipulação muito longo pode poliacrílico torna o cimento de ionômero de vidro
resultar em um cimento muito viscoso. O cimento deve capaz de aderir à estrutura dental. O cimento de
ser usado antes de perder o brilho superficial, porque ionômero de vidro é translúcido
isso significa que ainda há grupos de ácido carboxílico - Cimentos de ionômero de vidro são usados para
livres na superfície para garantir boa adesão ao dente. restaurações estéticas de dentes anteriores, por
exemplo cavidades classe III e V, como cimentos para
•Resfriamento da placa de vidro ou do pó cimentação, como adesivos para aparelhos
•Adicionar o pó ao líquido em grandes quantidades ortodônticos e restaurações provisórias, como selantes
•Espatular em 30s de fossulas e fissuras, material para forramento e base
•Usar a menor área de placa possível e como material de preenchimento.
•Usar a mistura enquanto apresentar brilho superficial
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Materiais dentários I
Indicações gerais do ionômero de vidro: selamento, - Mecanismo de adesão
forramento, restaurações classe III e V, restaurações Ionômeros de vidro aderem à estrutura dental por
classe I e II incipientes (interproximal sem meio da quelação dos grupos carboxílicos dos ácidos
comprometimento da crista marginal), erosão e poliacrilicos com o cálcio na apatita do esmalte e da
abrasão, cimentação, núcleos de preenchimento, ART dentina, de maneira semelhante ao cimento de
(tratamento restaurador atraumatico). policarboxilato.
O acido poliacrilico não pode promover a
- Composição do vidro: desmineralização, ele tem baixo poder de penetração.
A composição do vidro pode variar, mas alguns Isso se explica pelo fato de que o CIV usa os íons cálcio
elementos como sílica, calcia, alumina (óxidos de para se aderir na superfície do dente.
silício, cálcio e alumínio, respectivamente) e flúor estão Para adesão adequada, a superfície deve estar limpa e
sempre presentes. A proporção de alumina/sílica é deve-se aumentar a energia de superfície para o
crucial para a reatividade com o ácido poliacrílico. cimento molhar completamente as paredes.
Óxidos de metais de alta massa atômica como o bário, O coeficiente de expansão térmica linear deve estar
estrôncio e outros são adicionados para aumentar a próxima ao esmalte e dentina (diz respeito às
radiopacidade. contrações e retrações que o material sofre com
mudanças de temperatura. O coeficiente de expansão
- Composição do líquido: linear do cimento de ionômero de vidro é quase igual
Soluções aquosas de ácido poliacrílico eram usadas, ao da dentina.
mas tais líquidos apresentavam alta viscosidade e Apesar do pH acido inicial, é biocompativel, porem em
pequeno prazo de validade, ao fim do qual formavam cavidades profundas, para não causar resposta pulpar,
um gel espesso. colocar primeiro cimento de hidróxido de cálcio.
Atualmente o componente líquido é formado de A biocompatibilidade é devida ao alto peso molecular
copolímeros dos ácidos itaconico, maleico ou do ácido poliacrílico que faz com que ele seja um ácido
tricarboxilico mais fraco e menos irritante; baixa capacidade de
O acido tartarico é adicionado ao liquido para penetração; menor potencial desmineralizante.
controlar a taxa de reação e permitir a utilização de
uma maior gama de tipos de vidro, além de melhorar - Manipulação
as características de manipulação, diminuir a Para fazer uso do ionômero de vidro como agente
viscosidade, aumentar o prazo de validade antes que o cimentante, toda a superfície deve estar limpa e seca,
espessamento do liquido aconteça, aumentar o tempo a superfície interna da prótese deve estar preparada
de trabalho, e diminuir o tempo de presa. com um agente cimentante com os excessos
removidos.
- Reação de presa Para restaurações, a superfície do ionômero de vidro
Quando o pó e o líquido são misturados, o acido deve estar protegida para evitar desidratação ou
começa a dissolver o vidro liberando íons de cálcio, exposição prematura à saliva
alumínio, sódio e flúor. A água serve como meio de - superfícies dentais limpas são essenciais para a
reação. Os íons cálcio formam ligações cruzadas entre adesão prolongada. A limpeza pode ser feita com uma
as cadeias do ácido poliacrílico; no decorrer de 24h, os pasta de pedra pomes.
íons cálcio são substituídos por íons alumínio. Íons - O condicionamento pode ser feito com ácido
sódio e flúor não participam de ligações cruzadas no fosfórico (34% a 37%) ou o ácido poliacrílico (10% a
cimento. Alguns dos íons sódio podem substituir os 20%) por 10 a 20 segundos, seguido de enxague com
íons hidrogênio nos grupos carboxílicos, e íons flúor agua por 20 a 30 segundos.
são dispersos na matriz tridimensional do cimento. A - o dente deve ser seco, e se a dentina residual até a
fase com ligações cruzadas se forma hidratada com o polpa tiver espessura menor que 0,5mm, é
tempo conforme a maturação progride. As porções recomendado forrar com hidróxido de cálcio.
não dissolvidas das partículas de vidro são recobertas - A consistência do cimento é muito variada de acordo
por um gel rico em sílica que se forma na superfície das com o fabricante podendo ter viscosidades altas e
partículas. Assim, o cimento endurecido consiste de viscosidades baixas, em função da variação do
partículas de vidro não dissolvidas recobertas com uma tamanho de partícula e do proporcionamento pó-
camada de gel de sílica, por sua vez embebidas em líquido. Partículas maiores são usadas para indicações
uma matriz de polissais de cálcio e alumínios restauradoras e partículas menores são usadas para
hidratados, contendo flúor. cimentação.
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Materiais dentários I
cavidade bucal, não quando é usado como cimento
- Seguir o proporcionamento pó-liquido recomendado forrador.
pelo fabricante Tem capacidade de absorver flúor do meio, “efeito
- usar placa de vidro resfriada e seca para retardar a esponja”. Ocorre em maior intensidade nas primeiras
reação e estender o tempo de trabalho, porém, a placa 24-48h. Promove a remineralização e aumenta a
não deve estar abaixo do ponto de orvalho. resistência à desmineralização. Diminui a viabilidade de
- o pó e o líquido devem ser dispensados na hora da bactérias. Atua como reservatório de flúor, fonte
manipulação, para não ocorrer a evaporação da água e permanente, liberando níveis bem baixos e muito
o aumento da relação ácido-água. frequentes. O fenômeno de captação e liberação de
- o pó é incorporado ao liquido rapidamente usando flúor no meio é chamado lixiviação.
espátula firme. Metade do pó é misturado ao líquido
por 5 a 15 segundos ; o restante do pó é incorporado - Sinérese e embebição
com movimentos de espatulação até ser atingida A reação acontece no meio aquoso, então se altera a
aparência uniforme e com brilho. (o brilho indica quantidade de água, a reação é deslocada,
poliácido disponível para reação com o dente na comprometendo a reação do sal. Incorporação e
superfície do material; a perda de brilho indica que o evaporação de água. O período mais crítico é a
acido reagiu excessivamente com o vidro) primeira hora.
- o preparo cavitario deve ser preenchido com ligeiro Esses fenômenos não devem ocorrer nas primeiras 24h
excesso de material. para que não haja prejuízos. As propriedades
- a mistura recém-preparada é higroscópica, mecânicas são alteradas, com baixa resistência à
absorvendo água facilmente do ambiente ao seu redor. compressão, trincas na superfície, manchamento e
Depois da inserção, a superfície do material deve ser redução na adesão em cimentos desidratados.
recoberta com uma matriz de poliéster em torno de 5 Compromete as propriedades físicas finais e a estética.
minutos para proteger o material de ganho ou perda - O controle desses fenômenos de balanço hídrico só é
de água durante a presa inicial. A água dilui os cátions controlado se fizermos uma proteção superficial.
e os ânions da matriz em formação, impedindo a
formação de uma matriz hidratada - Propriedades
- quando a matriz de poliéster é removida, a superfície - Promovem maior reação pulpar do que os cimentos
deve ser protegida com uma camada de verniz. O de oxido de zinco eugenol, mas menor do que
cimento continua vulnerável à desidratação até a cimentos de fosfato de zinco.
maturação completa que pode levar semanas - os agentes de cimentação representam maior risco à
- se esses procedimentos não forem seguidos, a polpa do que os restauradores porque são
superfície se torna branca, opaca e quebradiça manipulados com uma proporção pó-liquido menor, o
- para cimentação de próteses, é necessário proteger que leva o pH a se manter mais baixo por mais tempo.
as margens cimentadas com verniz - Para qualquer cimento de ionômero de vidro deve ser
- usar espátula rígida e pequena área da placa. usado um agente de forramento, como o hidróxido de
Espatular por 30 a 45 segundos cálcio, se o assoalho do preparo estiver a menos de
0,5mm da polpa.
* Após a manipulação, reunir o material na placa de - o cimento de ionômero de vidro é indicado para
vidro, e com a espátula, pressionar e levantar o suportar restaurações totalmente cerâmicas por ser
material. Observar a formação de fio indicando menos rígido e mais suscetível a deformações elásticas.
viscosidade: para cimentação, deve se formar um fio Dessa forma, maiores valores de tensão de tração
de 3 a 4cm; para restauração deve se formar um fio de podem se desenvolver na coroa que é suportada por
mais ou menos 1cm; para forramento deve se formar cimento de ionômero de vidro sob cargas
um fio de 3 a 4cm; para usar como base deve se formar mastigatórias.
um fio de 1 a 2cm. - são mais vulneráveis ao desgaste
- menor tenacidade á fratura do que resinas
-O acabamento e polimento final é feito após 24 horas. compostas.
Usar ponta diamantada de granulação fina e discos
Soft Lex. * quanto menores as partículas, maior a fluidez do
material; resistência mecânica tem a ver com
- Liberação de flúor partículas maiores, alem da composição e da
Os cimentos de ionômero de vidro liberam flúor depois manipulação
da presa. Isso é importante quando está exposto na
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