Unidade 7
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EDUCAÇÃO
Introdução
Você já refletiu sobre o seu trabalho, identificando o propósito de suas
funções? E como você descreveria as atividades que exerce e a importância
do trabalho na sociedade?
Neste capítulo, você vai estudar o conceito de alienação. Esse conceito
estabelece preliminarmente que o trabalhador não tem consciência do
processo de suas atividades profissionais, pois esse processo pertence
aos proprietários das organizações, ou seja, aos empregadores.
Conceito de alienação
Para iniciar seus estudos sobre o conceito de alienação, é necessário primeira-
mente que você conheça as possíveis relações desse conceito com a concepção
de trabalho. Afinal, a alienação se apresenta até os dias atuais como uma
ameaça para a consciência humana, principalmente se você considerar as
relações sociais e também os aspectos econômicos demandados na atualidade.
Para Aranha (1993), a natureza é transformada pelo trabalho do homem.
Nesse sentido, há aspectos que diferenciam os homens dos animais. Os homens,
por exemplo, realizam uma ação intencional, ou seja, dirigida por um projeto.
Além disso, eles antecipam suas ações por meio do pensamento.
Para que você entenda o contexto do sujeito e suas relações com o trabalho,
é primordial que compreenda seus papéis e status na sociedade. É possível
afirmar que todas as pessoas se encontram em diversas posições, dependendo
de seu status, conforme ressalta Vila Nova (2000). Elas ocupam diferentes
2 Trabalho e alienação
papéis: na família, podem ter o status de pais, filhos, entre outros; já na empresa,
ocupam determinada função e determinado cargo, que estão relacionados à
sua atividade profissional.
Saiba mais sobre esse assunto no livro Fundamentos da Sociologia (SCHAEFER, 2016).
https://goo.gl/PEvTeq
Como você viu, o ser humano, durante a sua trajetória de vida, assume
diversos papéis e conquista diferentes status com base em suas relações so-
ciais, transformando ainda a natureza por meio do seu trabalho. Assim, é
importante você considerar agora algumas definições acerca da consciência,
especialmente diante dos estudos da teoria do conhecimento, em que se dife-
renciam o eu, a pessoa, o cidadão e o sujeito. Há também diferentes graus de
consciência (passiva, vivida, reflexiva), e o sujeito do conhecimento seria o
centro da consciência de si (reflexiva ou racional), que conhece e se reconhece
(CHAUÍ, 1995).
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Você viu até aqui alguns dos principais conceitos, definições e elementos
que constituem os pressupostos básicos para o uso do termo “alienação”,
considerando os mais diversos campos do saber. Além disso, viu as relações
desse termo com a teoria do conhecimento, o entendimento sobre consciência
e inconsciência do sujeito, seu status na sociedade e suas relações sociais.
Consequentemente, verificou como a alienação se relaciona com a atividade
profissional, ou seja, o trabalho.
uma vez que altera a relação deste com o seu produto. Esse produto passa a
pertencer ao capitalista e o trabalho se conserva exterior ao operário, ou seja,
não faz mais parte de sua personalidade. Dessa forma, o sujeito não mais se
afirma, não mais se constrói; ao contrário, ele se nega, se desconecta e torna-se
insatisfeito; mesmo “[...] junto de si mesmo, sente-se fora de si no trabalho”
(ABBAGNANO, 2007, p. 26).
Você pode ainda considerar que Marx, segundo Aranha (1993, p. 170):
[...] não se interessou apenas pela alienação religiosa, mas investigou sobretudo
a alienação social. Interessou-se em compreender as causas pelas quais os
homens ignoram que são os criadores da sociedade, da política, da cultura
e agentes da História. Interessou-se em compreender por que os humanos
acreditam que a sociedade não foi instituída por eles, mas por vontade e
obra dos deuses, da natureza, da razão, em vez de perceberem que são eles
próprios que, em condições históricas determinadas, criaram as instituições
sociais — família, relações de produção e de trabalho, relações de troca,
linguagem oral, linguagem escrita, escola, religião, artes, ciências, filoso-
fia — e as instituições políticas — leis, direitos, deveres, tribunais, Estado,
exército, impostos, prisões. A ação sociopolítica e histórica chama-se práxis
e o desconhecimento de sua origem e de suas causas, alienação.
A partir dessas análises, você deve se questionar sobre o que leva o ser humano
a não se reconhecer como sujeito de uma sociedade e como agente criador de tal
realidade. Você deve se questionar também sobre o motivo que induz os seres
humanos a se submeterem às condições impostas pela sociedade, transformando
estas em figuras, em seres dotados de vida própria (ARANHA, 1993).
Ainda é possível refletir sobre a definição de alienação social entendendo-a
como a percepção do sentido incógnito das condições histórico-sociais reais,
relacionadas elas próprias a reflexos de acontecimentos passados.
Retomando ainda alguns pontos concernes ao capitalismo, é possível afir-
mar que num sistema capitalista o trabalho não é considerado voluntário, e
sim exclusivamente obrigatório. Afinal, ele não atende à satisfação de uma
necessidade, consolidando-se apenas como um meio de satisfazer outras
necessidades (ABBAGNANO, 2007).
Trabalhos alienantes
Como você viu, o homem sofre modificações sob a influência do trabalho,
isto é, o trabalho modifica a perspectiva do homem sobre o mundo e ainda
altera o seu entendimento sobre si mesmo. Agora, cabe estabelecer que, pri-
meiramente, a natureza exprime-se enquanto destino para o homem e, diante
disso, o trabalho corresponde à condição da superação dos determinismos.
Com base nisso, a transcendência do homem está relacionada à liberdade
(ARANHA, 1997).
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“[...] a liberdade não é alguma coisa que é dada ao homem, mas o resultado de sua
ação transformadora sobre o mundo, segundo seus projetos” (ARANHA, 1997, p. 9).
O século XVIII foi marcado pelo início da Revolução Industrial, na Inglaterra, a partir da
mecanização dos sistemas de produção. Enquanto na Idade Média o artesanato era
a maneira mais usual relacionada à produção, na Idade Moderna ocorreram muitas
transformações. A burguesia industrial, que buscava maiores lucros, menores custos e
produção acelerada, procurou maneiras de melhorar a produção de mercadorias. Nesse
período também houve crescimento populacional e maior demanda por produtos.
Outros impactos também foram percebidos nesse contexto. Houve elevada burocra-
tização da vida social, além da potencialização de um formalismo nas relações, o que
se refletiu no enfraquecimento das ações individuais e autônomas, tendo em vista
a necessidade de um comportamento padronizado das pessoas. Esses elementos
provocaram ainda um processo de fragilização das culturas tradicionais, uma vez que
as pessoas foram submetidas a um controle alienante e massificador, caracterizado
por um processo de aculturação (OLIVEIRA, 2018).
Leituras recomendadas
REVOLUÇÃO industrial. [2018]. Disponível em: <https://www.suapesquisa.com/in-
dustrial/>. Acesso em: 7 jun. 2018.
SCHAEFER, R. T. Fundamentos de sociologia. 6. ed. Porto Alegre: McGraw-Hill, 2016.