0% acharam este documento útil (0 voto)
21 visualizações12 páginas

Manancial Captação 4

Fazer download em doc, pdf ou txt
Fazer download em doc, pdf ou txt
Fazer download em doc, pdf ou txt
Você está na página 1/ 12

4- Mananciais/Captações

4.1- Mananciais

Toda a formação dos mananciais utilizados nos sistemas de abastecimento d'água


pode ser compreendida a partir do estudo do ciclo hidrológico, já mostrado anteriormente.
Ali pode ser visto que uma parte considerável da água da chuva escoa superficialmente
enquanto uma outra parte infiltra no terreno. Um balanço quantitativo aproximado desse
ciclo está mostrado na figura abaixo:

Esses volumes escoados e infiltrados no terreno é que dão origem aos mananciais
de superfície e subterrâneos, respectivamente. Em escala domiciliar (habitações
isoladas), a própria chuva pode ser considerada como fonte de abastecimento, pois suas
águas podem ser captadas pela superfície de telhados e encaminhadas para cisternas
que armazenam a água para o abastecimento individual. Essas cisternas são
reservatórios utilizados para o armazenamento da água da chuva e, eventualmente, para
sua filtração. A sua capacidade é função dos usos da água no local, da população e
abastecer e do período de estiagem. Em pequenas comunidades, essas águas são
captadas por superfície especialmente preparadas e encaminhadas para reservatórios
destinados ao seu abastecimento.

Nos sistemas de abastecimento de áreas urbanas mais definidas, os mananciais


normalmente utilizados são os denominados superficiais e os subterrâneos. São
considerados mananciais de superfície:

 Rios ou lagos com capacidade adequada, permitindo a captação direta.


 Cursos d’água com vazões de estiagem insuficientes mas com vazões
médias anuais adequadas; o suprimento é assegurado pela construção
de uma barragem criando um reservatório de acumulação.
No caso dos mananciais subterrâneos, as principais unidades consideradas em
projetos são:

 Fontes naturais – de encosta


– de fundo de vale
 Poços – poços escavados (de pequeno e grande diâmetro)
– Poços cravados
– Poços perfurados
 Galerias de infiltração – Galerias de encostas
– Galerias fluviais (com ou sem reservatório de
água)

O poço, que é o tipo mais freqüente de captação subterrânea, pode ser perfurado
em um aqüífero freático ou em um aqüífero artesiano, conforme a pressão atuante na
superfície superior do lençol seja a atmosférica ou superior a ela, respectivamente.

4.2- Captações

4.2.1- Superficiais

Uma captação de águas superficiais deve atender a requisitos que dizem respeito,
principalmente, a:

- Garantia de funcionamento
- Qualidade das águas, e
- Economia da instalação

Para garantir o funcionamento de uma captação superficial com um risco aceitável,


é necessário que seja feito um estudo hidrológico da bacia considerada, o qual deverá
verificar se o curso d'água em questão poderá fornecer uma vazão suficiente nas épocas
de estiagem (vazões mínimas superiores à vazão de adução), caso em que a tomada de
água poderá ser colocada diretamente no curso d’água. Quando a vazão prevista durante
as estiagens se mostrar insuficiente, mas vazão média anual for superior à demanda
(vazões mínimas inferiores à vazão de adução), a solução indicada é a construção de um
reservatório de acumulação. Se, no entanto, a vazão média anual for inferior à vazão de
adução deve-se procurar um outro manancial que forneça toda a água necessária, ou que
complemente o volume requerido pelo abastecimento da cidade.

Um estudo hidrológico completo deverá indicar ainda a posição do nível mínimo do


manancial, para localizar a tomada d'água em cota abaixo desse mínimo, e a posição do
nível máximo devido a requisitos de segurança estrutural e contra inundações.

No projeto de uma captação deve prever a proteção contra ações danosas diversas
de ondas, ação da correnteza, impacto de corpos flutuantes, assim como contra
obstruções, desmoronamentos e inundações.

No que diz respeito à localização da captação em planta, devem ser observados os


seguintes aspectos, referentes ao regime de escoamento dos cursos d’água onde ela é
feita:

- Rios de pequena oscilação de nível – junto à margem


- exemplos:
- canal de derivação
- muro de retenção
- portos abertos próximo à margem
- proteção simples do tubo de tomada
- flutuantes.

- Rios com grande oscilação de nível – afastado da margem


- exemplos:
- caixas de tomada simples
- tubos perfurados assentes sobre estacas
- torres de tomada (grandes instalações)
- flutuantes.

- Reservatórios de acumulação – junto à barragem


- exemplos
- torres de tomada
- tubo de tomada com proteção simples
- tubos perfurados assentes sobre estacas
- flutuantes.

As figuras apresentadas a seguir mostram, de forma esquemática, alguns desses


tipos de captação.

- Canal de Derivação

Canal aberto paralelamente ao eixo do curso de água, funcionando


simultaneamente como poço de sucção e caixa de areia. A água atravessa uma grade G
(proteção contra a entrada de substâncias grosseiras, geralmente formada de barras
metálicas de ¼” a ½” de espessura com passagens de 5 cm. O tubo de tomada tem em
sua extremidade uma peça – o crivo – com aberturas reduzidas para limitar a entrada de
substâncias sólidas e de pequenos peixes, com dimensões entre ⅛”e ¼”. A limpeza do
canal que funciona com caixa de areia é facilitada pela abertura das comportas “C”
durante os períodos de grande vazão.

Para o funcionamento efetivo como caixa de areia é necessário um certo


comprimento útil L e fixar o tamanho mínimo da partícula de areia que se quer remover.
Nos casos de correntes é comum a remoção de partículas com diâmetro D = 0,2 mm, cuja
velocidade de sedimentação é v = 2,5cm/seg. Sendo V a velocidade da água, H a
profundidade do canal e L o seu comprimento, tem-se:
L=

Na prática adotam-se velocidades V ≤ 0,35 m/s e um comprimento total percurso


da água acrescido de 50%; L1 = 1,50 L.

O registro R só será aberto quando se tornar necessário limpar o canal de


derivação para remover as substâncias depositadas.

- Poço aberto próximo à margem

- Tomada protegida por muro

- Proteção simples do tubo de tomada


O tubo de tomada é protegido por uma caixa de tomada simples, constituída de
pequenas vigas de concreto superpostas. O exemplo desta figura é o da captação
construída no rio Ohio (E. Unidos), para a cidade de Stenbenville.

- Caixa de tomada simples

- Tubos perfurados sobre estacas


- Torre de tomada para grandes instalações
- Captação flutuante
Em termos de qualidade, deve-se procurar captar sempre a melhor água possível,
localizando adequadamente a tomada e protegendo sanitáriamente a região. Observa-se
que qualquer água superficial, sob o ponto de vista da possibilidade de poluição ou
mesmo contaminação, é sempre considerada como suspeita.

No caso de tomada d’água em rios, são os seguintes os cuidados a serem


tomados:

- Ponto de tomada livre de focos de poluição e localizado a montante da


cidade;
- Proteção adequada contra peixes, corpos flutuantes e substâncias
grosseiras em suspensão (emprego de crivos, grades e caixas de areia);
- Localização da tomada, de preferência em trechos retilíneos – se certas
condições indicarem ser conveniente a localização em trecho curvo,
coloca-la no lado externo (côncavo) da curva.

Para as tomadas d’água em reservatórios de acumulação os cuidados são:

- Localização de tomada a uma profundidade que evite a ação das ondas


e de correntezas no transporte de sedimentos;
- Estudo da ação do vento, sua direção e sua influência sobre o transporte
de sedimentos e no revolvimento do lodo do fundo do reservatório.
- Em barragens profundas a tomada d’água deve ser provida de aberturas
providas de comportas para se poder captar a água em diferentes
profundidades, evitando:
o Micro-organismos que vivem próximo à superfície e que se
proliferam sob a ação da luz solar; exemplo: algas que podem
causar mau gosto e mau odor e sérios transtornos nas estações
de tratamento de água;
o Água superficial com temperatura elevada no verão;
o Turbidez da água superficial devida ao vento;
o Elevado teor de CO2 das águas próximas à superfície;
o Teor elevado de Fe, Mn, cor, dureza se captado próximo à
superfície;
- Estudar o plankton (conjunto dos micro-organismos de vida aquática);
- Evitar captar próximo ao fundo (sedimentos, Fe, etc)

Entre as soluções que são recomendáveis do ponto de vista sanitário, deve-se


escolher, evidentemente, a de menor custo. Para isto, deve-se observar:

- Quanto ao curso d’água:


o permanência do canal
o natureza do leito
o velocidade da corrente

- Quanto ao local da captação:


o natureza das margens
o custo dos terrenos adjacentes
o facilidade para a ilustração de estações de recalque e outras obras.
O estudo que se faz para definir a capacidade desses mananciais de superfície é
baseado na equação da continuidade, a qual aplicada ao ciclo hidrológico dá origem ao
que se denomina de Balanço Hidrológico de uma determinada área, cuja expressão
básica é a seguinte:

P – E – T – I – D = V,

onde: P = precipitação;
E = evaporação;
T = transpiração;
I = infiltração;
D = deflúvio (escoamento superficial);
V = volume acumulado.

Na prática o balanço hidrológico é feito por meio de modelos de simulação


matemática, normalmente do tipo chuva-deflúvio. O estudo completo de uma bacia para
efeito de definição de vazões é objeto da hidrologia e, por isto, não será aqui enfocado.
Seu desenvolvimento, no entanto, é baseado nos seguintes conceitos básicos:

 Bacia Hidrográfica: é uma área topograficamente definida, drenada por


um curso d’água.

 Rendimento: é a quantidade de água precipitada sobre a bacia que aflui


na seção considerada.
Fatores que afetam o rendimento de uma bacia.
- Quantidade de água precipitada
- Freqüência das precipitações
- Características da bacia:
1. Topográficas (declividade, forma)
2. Pedológicas (vegetação)
3. Geológicas (tipos de solo)
4. Térmicas (temperatura, umidade)
- Coeficiente de escoamento superficial

Os dados básicos utilizados nesses estudos são os seguintes:

- Dados Pluviométricos
- Dados Evaporimétricos
- Curvas cota-área e cota-volume
- Área da bacia hidrográfica
- Coeficiente de escoamento superficial

Como resultado, normalmente são fornecidas séries de vazões mínimas mensais


disponíveis, projetadas para períodos que podem chegar a 300 anos ou mais. Daí são
determinados os períodos críticos de abastecimento e estabelecidas as respectivas
probabilidades de ocorrência desses períodos, o que define os riscos de colapso do
sistema.

4.2.2- Subterrâneas

Serão dados aqui dois exemplos de com tipos característicos de captação


subterrânea:
a) captação por galerias de infiltração – Captação do lençol de água de pequena
espessura ou de fontes de emergência (de fundo de vale), neste caso captando à meia
encosta se evita a região do vale, geralmente pantanosa. Em planta, as canalizações
coletoras devem ter o seu eixo colocado transversalmente à direção do escoamento do
lençol d’água.

- Numa faixa de 20 m (10 para cada lado) do eixo das canalizações


coletoras deve-se retirar toda a vegetação e evitar a presença de certos
animais, cercando o local.
- Construir paralelamente às canalizações, e a uma certa distância delas,
valetas que evitem a passagem das enxurradas.
- Colocação de poços de visita para inspeção, a distância de 100 m uns
dos outros (200 m para grandes diâmetros), em todas as mudanças de
direção, diâmetro e declividade, no início das canalizações e nas junções
entre os condutos.

Em corte é recomendável dar ao poço de visita uma profundidade adicional, que


possa funcionar como caixa de areia, permitindo a retirada de parte das substâncias
minerais (areias) eventualmente transportadas pela água.

A captação é feita por tubos tipo dreno (tubos com perfurações em sua parede) que
são envolvidos por material de granulometria relativamente grande (pedregulho grosso).
Sobre a camada de pedregulho grosso são colocadas camadas sucessivas de pedregulho
fino, areia, argila e terra natural. A água coletada pelos drenos é encaminhada,
geralmente, para um reservatório ou para um poço de sucção de onde se fará o recalque
para a unidade de reservação. Como medida sanitária final é necessário apenas
desinfetar a água antes da sua utilização, para o que é utilizado o cloro ou um de seus
compostos.

b) poços perfurados – A perfuração é um método de construção comum aos poços


profundos. Há dois processos que podem ser empregados:
- sondas hidráulicas rotativas
- sondas de percussão.

Nos projetos de poços, tanto a sua localização quanto sua capacidade de produção
de água devem ser definidas a partir de estudo específico, da área da hidrogeologia. Para
a definição completa da unidade, os seguintes elementos devem ser considerados:

- Posição do N.E. e do N.D.


- Diâmetro útil do
poço
- Profundidade de
perfuração
- Tipos de tubos de
revestimento quando
necessário
- Posição e
características dos
filtros
- Materiais de
envolvimento dos
filtros
- Posição de colocação da
bomba.

As características
geométricas do poço envolvidas no problema estão mostradas na figura acima. Com
relação aos outros elementos, podem ser feitas as seguintes considerações:

- Diâmetro útil do poço – valores indicados

Q (m3/h) D (mm)
Até 40 150
60 200
100 250
150 300
220 350
300 400

-Tubos de Revestimento.

Esses tubos têm a função principal de suportar formações desmoronantes e de


impedir a entrada no poço de água com características indesejáveis. Podem ser de: aço,
ferro fundido modular plástico (PVC).
- Filtros

Funções:
 Suportar a pressão das camadas do solo.
 Permitir a fácil passagem da água, com baixa perda de carga.
 Evitar o arrastamento de grande quantidade de areia.
Elementos que definem o filtro
 Tipo de orifícios ou fendas
 Material de fabricação
 Sistema de conexão com o tubo

Para proteger o poço de possível poluição, normalmente são tomados os seguintes


cuidados na sua extremidade superior:

- Prolonga-se o revestimento acima do nível do piso de 0,15 m, no mínimo;


- Constrói-se um piso circundando-o;
- Emprego de dispositivos para o desvio de águas superficiais;
- Uso de cobertura adequada;
- Se necessário, prevê-se a colocação de bombas para o esgotamento de
águas poluídas.

A proteção contra a penetração de águas poluídas que se infiltram na parte externa


do poço faz-se com a colocação, em certas profundidades, de argamassa de cimento e
areia.

Você também pode gostar