Crescimento Económico em Cabo Verde e Seu Impacto Na Sustentabilidade Ambiental

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Crescimento Económico em Cabo Verde e seu Impacto na

Sustentabilidade Ambiental.

Aplicação do método de avaliação contingente, através da técnica disposição


a pagar para a valoração ambiental.

Por

Isa Dias Gomes

Dissertação de Mestrado em Economia e Gestão do Ambiente

Orientada por

Profª. Doutora Maria da Conceição Pereira Ramos

Faculdade de Economia da Universidade do Porto

2013
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

“Todos têm direito a um ambiente sadio e ecologicamente equilibrado e o dever de o


defender e valorizar”. Art.º 72º Da Constituição da República de Cabo Verde

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Esta dissertação foi escrita em conformidade com o Novo Acordo Ortográfico da


Língua Portuguesa.

iii
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Biografia
Isa Dias Gomes, Luso-cabo-verdiana e residente permanente na cidade do Porto, aos
19 anos de idade partiu para Portugal para fazer o Curso Técnico de Contabilidade,
nível III, com equivalência ao 12º ano de escolaridade, na Escola Profissional de
Economia Social – Academia José Moreira da Silva. Terminou com sucesso o curso em
Julho de 2008, prosseguiu os estudos na área da Banca e Seguro, (nível IV), no Instituto
Superior de Estudos Financeiros e Fiscais (IESF) e, mais tarde Licenciou-se em
Turismo e Gestão de Empresas Turísticas pela Universidade Lusófona do Porto, onde
foi distinguida como a melhor diplomada do seu curso no ano de 2011.

No ano letivo 2012-13 é finalista do mestrado em Economia e Gestão do Ambiente


na Faculdade de Economia da Universidade do Porto.

Durante vários anos, desempenhou funções em várias empresas no setor privado, foi
estagiária dos cursos de contabilidade, banca e seguros. Na Pousada Palácio do Freixo
Porto, estagiou em todos os departamentos da unidade hoteleira.

Encontra-se inscrita no programa doutoral em Gestão (PhD. Business and


Management Studies – doutoramento em inglês) na Faculdade de Economia -
Universidade do Porto, onde se especializará em Contabilidade e Controlo de Gestão, a
iniciar em Setembro de 2013.

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Agradecimentos
Os meus agradecimentos são dirigidos a todos aqueles que de uma forma ou doutra,
contribuíram para a realização desta dissertação.

Agradeço a Deus e à minha família, em especial aos meus pais e irmãos pelo apoio,
carinho que me têm demostrado ao longo do meu percurso académico; à Professora
Doutora Maria da Conceição Ramos, minha orientadora, manifesto o meu mais
profundo e especial agradecimento.

Não menos importante, quero aproveitar para agradecer ao Professor Doutor


Francisco Vitorino Silva, da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, pelo
apoio à realização deste trabalho.

Endereço ainda um reconhecimento de gratidão a Adérito Barros, pela força e pelo


apoio na realização desta dissertação, e a todos os meus amigos que me apoiaram de
uma forma direta ou indiretamente durante o meu curso de mestrado.

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Resumo
Para que o crescimento económico seja efetivo, importa registar de igual modo o
crescimento real nas outras vertentes que sustentam o próprio crescimento, assim é cada
vez mais importante introduzir variáveis ambientais e sociais quando se procede à
análise efetiva do crescimento económico. O “crescimento económico é um indicador
que revela o bem-estar económico de um país”, (Bürgenmeier, 2005, p.16-17). Só se
pode falar da sustentabilidade ao nível do crescimento económico, se efetivamente os
recursos forem devidamente racionalizados, mas é igualmente muito importante ter em
conta a reutilização de recursos, sobretudo quando são escassos ou quando representam
riscos sérios para o ambiente como também para a economia, entre outros.

O protocolo do Quioto, a Convenção Quadro sobre as Mudanças Climáticas e os


Objetivos Do Milénio (ODM), são apenas alguns exemplos de programas cujos
objetivos visam essencialmente disciplinar a emissão de dióxido de carbono (CO2). Um
dos objetivos é o de tentar “educar” o mundo global para os problemas que decorrem do
uso abusivo e descontrolado de recursos, principalmente aqueles que podem pôr em
causa a sustentabilidade do planeta terra.

Cabo Verde (CV) é um dos poucos países ao nível do continente africano, e único na
sua sub-região, que tem cumprido com os objetivos dos projetos acima listados. Essas
conquistas têm permitido que este país conduza as suas políticas de desenvolvimento,
balizadas em contextos das melhores práticas mundialmente aceites. Têm sido
canalizados investimentos em infraestruturas de elevado valor acrescentado para a
captação e exploração de energias verdes.

A presente dissertação tem como objetivos: identificar os eventuais impactos


ambientais em Cabo Verde que poderão decorrer do crescimento e desenvolvimento
económico; sugerir melhorias ao nível da sustentabilidade.

Conclui-se, por meio de inquéritos conduzidos por nós, que os Cabo-verdianos se


mostram dispostos a colaborar financeiramente para a proteção ambiental em Cabo
Verde.

Palavras – Chaves: Desenvolvimento sustentável, desenvolvimento e crescimento


económico, ambiente e Cabo Verde.

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Abstract
To get an effective economic growth is necessary to note in the equal mode the real
growth of all task that sustain the growth, thus is more important to introduce
environmental and social variables when proceed the effective analysis of economic
growth. The “the economic growth is an indicator that show us the economic welfare of
the country”, (Bürgenmeier, 2005, p.16-17). We only can talk about sustainability at
level of the economic growth, whether resources were optimized in very well manner, it
is very important to take in to account reutilizations of the resources, overcoat when less
or when are represent serious risks for environment and economy as well.

The protocol of Kyoto, a Convention Framework on Climate Change and the goal of
millennium (ODM), are scarcely some examples of the programs whose the main aims
is to discipline the dioxide of carbon (CO2) emission. One of the goals is to try “to
educate” the global world for the problems that emerge for the abusive use and
unbalanced of the resources, mainly that one that deteriorate the sustainability of the
earth planet.

Cape Verde (CV) is one of the few countries in the African Continent, and unique in
it the under-region, that is accomplished with the objectives of the projects above listed.
Those conquests allow the country to drive its development politics, baized in context
of the world best practices. Long and medium-term investments are made by politicians
in some of the most important greens infrastructures.

This dissertation aim to identify the eventual environments impacts in Cape Verde
that will be elapse of the economic growth and development and suggest improvement
measures of sustainability levels as well.

Finally, according to our study, Cape-verdeans show us they are able to financially
support the environment protection in Cape Vert.

Keys - Words: Sustainably development, economics development and growth,


environment and Cape Vert.

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Abreviaturas e acrónimos
BES – Banco Espírito Santo
CQNUAC – Convenção Quadro das Nações Unidas para Alterações Climáticas
CV – Cabo Verde
CVE – Escudo Cabo-verdiano
DAP e DAR – Disposição A Pagar e Disposição A Receber
DH – Desenvolvimento Humano
DS – Desenvolvimento Sustentável
EPANDCGACV - Estratégia e Plano de Ação Nacional para o Desenvolvimento das
Capacidades na Gestão Ambiental em Cabo Verde
FEP – UP – Faculdade de Economia da Universidade do Porto
IDH – Índice de Desenvolvimento Humano
II PANA – Segundo Plano de Ação Nacional para o Ambiente
INE – Instituto Nacional de Estatística
M - Milhões
MVC – Método de Valoração Contingente
OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico
ODM – Objetivos do Milénio
ONU – Organização das Nações Unidas
PEDTCV - Plano Estratégico para o Desenvolvimento do Turismo em Cabo Verde
PIB – Produto Interno Bruto
PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
PP – Pontos Percentuais
PPC - PIB Per Capita
RS – Responsabilidade Social
RSE – Responsabilidade Social Empresarial
TIC – Tecnologia de Informação e Comunicação
UNFCCC - United Nations Frameworks Convention on Climate Change.
V.G. – Verbi Gratia
VIH/SIDA – Vírus de Imunodeficiência Humana/Síndrome da imunodeficiência
Adquirida

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Índice

Biografia ..................................................................................................................... iv

Agradecimentos ............................................................................................................v

Resumo ....................................................................................................................... vi

Abstract ...................................................................................................................... vii

Abreviaturas e acrónimos .......................................................................................... viii

Capítulo I: Enquadramento da Investigação ...................................................................1

1.1. Introdução .......................................................................................................1

1.2. Estrutura da Dissertação ..................................................................................3

1.3. Definição da Problemática ...............................................................................4

1.4. Objetivos da Dissertação .................................................................................4

1.5. Revisão da Bibliografia ...................................................................................5

1.6. Conceitos Relevantes para o Estudo .............................................................. 13

1.7. Situação Ambiental Mundial ......................................................................... 14

Capítulo II: Análise Interna de Cabo Verde e o seu Crescimento Económico ............... 19

2.1. Análise Geográfica de Cabo Verde ................................................................ 19

2.2. Análise Demográfica de Cabo Verde ............................................................. 19

2.3. Economia Cabo-Verdiana.............................................................................. 21

2.4. Índice de Desenvolvimento Humano de Cabo Verde ..................................... 26

2.5. Cabo Verde e os Oito Objetivos do Milénio (ODM) ......................................29

Capitulo III: Análise da Situação Ambiental e Turística em Cabo Verde ..................... 33

3.1. Políticas Ambientais em Cabo Verde............................................................. 33

3.2. Poluição em Cabo Verde ............................................................................... 36

3.3. A política Ambiental do Poder Local e das Instituições em Cabo Verde ........ 37

3.4. Educação Ambiental em Cabo Verde ............................................................ 38

3.5. Contabilidade Ambiental em Cabo Verde ...................................................... 39

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

3.6. Análise S.W.O.T. de Cabo Verde .................................................................. 41

3.7. Turismo em Cabo Verde ............................................................................... 42

3.8. Problemáticas do Turismo em Cabo Verde .................................................... 43

3.9. Sustentabilidade Turística e o Ambiente em Cabo Verde ............................... 44

3.10. Impactos do Turismo – Condicionantes do Turismo ......................................45

3.11. O Crescimento Económico e os seus Impactos sobre o Ambiente .................. 49

Capítulo IV: Hipótese e Metodologia de Investigação ................................................. 53

4.1. Valoração Ambiental..................................................................................... 53

4.2. Modelos e Variáveis de Investigação ............................................................. 56

4.3. Método do Inquérito Via Questionário .......................................................... 60

4.4. Metodologia de Investigação ......................................................................... 61

Capítulo V: Apresentação e Análise dos Resultados .................................................... 64

Capítulo VI: Considerações Finais e Sugestões Futuras ............................................... 83

Bibliografia ................................................................................................................. 88

Anexos ........................................................................................................................ 96

Anexo I: Lista das Partes da CQNUAC “UNFCCC” e da OCDE ............................. 97

Anexo II: Questionário ............................................................................................ 99

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Outros índices:

Ilustração

Ilustração 1: Mecanismos de implementação do Protocolo de Quioto ............................................... 15


Ilustração 2: Ranking dos 10 países mais poluidores do mundo (ton. de emissões de CO2) ............. 17
Ilustração 3: Evolução da taxa de crescimento do PIB real de Cabo Verde (2000-2014) .................. 22
Ilustração 4: Principais setores de desenvolvimento de Cabo Verde ................................................. 25
Ilustração 5: Plano ambiental intersectorial (PAIS) de Cabo Verde................................................... 35
Ilustração 6: Entradas e dormidas dos turistas em Cabo Verde (2000-2012) ..................................... 43
Ilustração 7: Tipos de Valores Ambientais ......................................................................................... 56
Ilustração 8: Formas de licitação do inquérito na técnica da DAP e DAR ......................................... 58

Tabela

Tabela 1: Balança de pagamentos de Cabo Verde, 2010 – 2013, (em milhões de CVE) ................... 24
Tabela 2: IDH de Cabo Verde comparado com o resto do mundo ..................................................... 26
Tabela 3: Cabo Verde e os oito (8) Objetivos do Milénio .................................................................. 31
Tabela 4: Evolução do Orçamento do Estado Cabo-Verdiano (2011-2013) ...................................... 39
Tabela 5: Análise S.W.O.T. de Cabo Verde ....................................................................................... 41
Tabela 6: Impactos do Turismo nos três pilares da sustentabilidade .................................................. 46
Tabela 7: Vantagens e Desvantagens da certificação ambiental ........................................................ 48
Tabela 8: Média da DAP dos Turistas e Cabo-verdianos ................................................................... 74
Tabela 9: Estimação da variável dependente com a variável independente ....................................... 75
Tabela 10: Estimação bivariada da variável dependente com as variáveis independentes ................. 76
Tabela 11: Estimação da variável dependente (DAP) com a variável independente (Idade) ............. 77
Tabela 12: Estimação da variável dependente (DAP) com a variável independente (Rendimento)... 78
Tabela 13: Estimação da variável dependente (DAP) com a variável independente (Sexo) .............. 79
Tabela 14: Estimação da variável dependente (DAP) com a variável independente (Estudante) ...... 80

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Capítulo I: Enquadramento da Investigação

1.1. Introdução

A sustentabilidade ambiental tem vindo a despertar uma grande preocupação


sobretudo nos países mais desenvolvidos, mas também nos países com menores
performances económicas. Grande parte dos países ao nível global têm vindo a delinear
estratégias conducentes à sustentabilidade ambiental, com vista a usufruir dos recursos
sem que estes se esgotem dando um principal enfoque à sua preservação e utilização
racional.

O arquipélago Cabo-verdiano está em franco crescimento, embora apresente poucos


recursos naturais (e.g.: petróleos, diamantes, etc.), ainda assim, com fortes
possibilidades de desenvolvimento em várias áreas. Aliás, tem vindo a atrair
significativos investimentos diretos estrangeiros (IDE), sendo uma boa fatia direcionada
para o sector imobiliário e do turismo.

O governo de Cabo Verde está a trabalhar no sentido de cumprir todas as metas


propostas no âmbito dos 8 (oito) objetivos preconizados no programa do Milénio
(ONU) em curso. Erradicar a extrema pobreza e a fome, alcançar a educação primária
universal, promover a igualdade de género e empoderamento da mulher, reduzir a
mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater o VIH/SIDA, malária e outras
doenças, garantir a sustentabilidade ambiental, e desenvolver a parceria global para o
desenvolvimento, são algumas áreas de intervenção que terão que ser atingidas nos
próximos anos. O país definiu as suas estratégias de desenvolvimento pela valorização
do ambiente, aliás a valorização do ambiente constitui uma das principais artérias.

Sensibilizar os cidadãos de forma a respeitar, cumprir as políticas ambientais e


reforçar a ideia de garantir um futuro melhor, constitui uma das grandes preocupações
daquele país insular. Políticas essas, que, a partir de 1993, foram introduzidas na
vertente ambiental dos programas do Governo, bem como, mais tarde, a elaboração do
II PANA em 2003, que estabeleceu objetivos de desenvolvimento sustentado projetado
para um horizonte temporal de 10 (dez) anos (2004-2014), orientado para a gestão

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

sustentável e eficiente dos recursos ambientais, que nomeadamente passou a ser uma
obrigação para várias instituições nacionais.

Com um forte potencial de crescimento, Cabo Verde define vários objetivos a serem
cumpridos, combatendo assim, as falhas que o mercado apresenta de forma a garantir
que as gerações vindouras possam vir a satisfazer as suas necessidades, garantindo a
sustentabilidade ambiental.

Com esta dissertação, cuja finalidade é estudar o “Crescimento Económico em Cabo


Verde e seu Impacto na Sustentabilidade Ambiental”, pretende-se debruçar sobre os
impactos que o crescimento económico poderá ter sobre o ambiente. Para responder às
necessidades ambientais, propõe-se um conjunto de questões, de forma a saber as
opiniões dos entrevistados no que diz respeito à preservação ambiental em Cabo Verde.
Propõe-se também algumas medidas úteis para o crescimento e desenvolvimento da
economia Cabo-verdiana.

Pela primeira vez na história de CV, é feito um estudo cujo objetivo é saber a opinião
dos turistas e dos cidadãos Cabo-verdianos no que diz respeito à preservação do meio
ambiente, e quanto estariam dispostos a pagar. Recorde-se que, a partir de Maio de
2013, foi introduzida uma taxa turística pelo governo de CV.

Serão abordados alguns documentos científicos relacionados com o


desenvolvimento, crescimento económico, sustentabilidade e entre outros, ao longo
desta dissertação. Podendo-se referenciar obras de alguns autores, e.g. Matos &
Rovella, “do crescimento económico ao desenvolvimento sustentável: conceitos em
evolução”; Conceição Ramos, Professora da FEP - UP, “ambiente, educação e
interculturalidade”; Jacinto Rodrigues, Professor da Universidade do Porto,
“crescimento, decrescimento sustentável e desenvolvimento ecologicamente
sustentável”; José Eli da Veiga, “meio ambiente e desenvolvimento”, etc.

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

1.2. Estrutura da Dissertação

A dissertação conta com 6 (seis) capítulos, e subdivide-se por vários temas, por
forma a garantir que seja coerente, sistematizada e percetível possível. Sendo assim, os
capítulos da dissertação encontram-se estruturadas da seguinte forma:

(i) Enquadramento da investigação; (ii) análise interna de Cabo Verde e o seu


crescimento económico; (iii) análise da situação ambiental e turística em Cabo Verde;
(iv) hipótese e metodologia de investigação; (v) apresentação e análise dos resultados
(vi) considerações finais e sugestões futuras.

No primeiro capítulo, faz-se essencialmente a introdução, apresenta-se o tema, o


objetivo, a problemática e a revisão bibliográfica. De seguida são apresentados alguns
conceitos relevantes para o estudo, bem como uma curta análise ambiental ao nível
global, abordam-se as iniciativas na preservação ambiental e as medidas que são
tomadas para a internalização do impacto ambiental.

No segundo capítulo, faz-se uma análise interna de Cabo Verde, i.e., a demografia, a
economia e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - índice esse que mede o
desenvolvimento do capital humano no país, bem como os 8 (oito) Objetivos do
Milénio (ODM).

A análise da situação ambiental e turística em Cabo Verde é o capítulo seguinte,


foca-se em aspetos turísticos, ambientais e os impactos sobre o ambiente decorrentes do
crescimento económico.

No quarto capítulo, é feito um estudo de caso que envolve um pequeno questionário,


com objetivo de tentar saber qual é o comportamento dos turistas e dos Cabo-verdianos
quanto à preservação ambiental e quanto estariam dispostos a pagar para a sua proteção.

O penúltimo capítulo é reservado para a apresentação dos resultados obtidos com a


investigação.

O último capítulo servirá oportunamente para apresentarmos as sugestões de


melhorias conducentes à proteção do ecossistema e toda a envolvente ambiental Cabo-
verdiana.

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

1.3. Definição da Problemática

A economia Cabo-verdiana tem vindo a mostrar sinais evidentes de crescimento.


Cabo Verde aposta sistematicamente na sua modernização e competitividade da sua
economia (registou um crescimento médio anual de 4,5% nos últimos 5 anos), porém
devido ao facto de ter poucos recursos naturais e porque é extremamente dependente do
mercado externo (sobretudo da Europa e da China), pois importa mais de 80% de todos
os produtos e serviços primários que consome, revela-se muito importante que o país
aposte na redução da importação ao mesmo tempo que aumenta a exportação de
produtos com elevado valor acrescentado.

A grande questão que se coloca é a de saber de que forma é que o país deve
posicionar-se com vista a internalizar efeitos negativos que decorrem do
desenvolvimento económico sobre a plataforma do ambiente. À medida que o país
avança rumo ao desenvolvimento, levantam-se questões sobre a proteção do ambiente;
na verdade, vários países hoje desenvolvidos, também tiveram, de uma forma, ou
doutra, que ultrapassar este problema (ou pelo menos mitigar os seus efeitos sobre o
ambiente), pois o crescimento económico pressupõe que haja mais empresas no circuito
económico, logo o comportamento dessas “ mais empresas” presentes no mercado pode
ter efeitos nefastos sobre o ecossistema. Recorde-se que aqui pressupõe-se que não haja
uma intervenção direta do Governo, pese embora a existência de leis, mas que com
raras exceções são aplicadas.

1.4. Objetivos da Dissertação

A presente dissertação tem como um dos propósitos identificar e discutir as falhas


que decorrem da evolução económico-social em Cabo Verde, com efeito focam-se em
três pontos fundamentais:

1. Identificar os impactos que o crescimento económico poderá ter na


sustentabilidade ambiental e os constrangimentos ambientais em Cabo Verde;
2. Avaliar o comportamento dos turistas e dos cidadãos Cabo-verdianos quanto à
preservação ambiental do país;
3. Apresentar sugestões de melhorias para a qualidade ambiental em Cabo Verde.

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Utiliza-se um questionário para captar e avaliar qual é a opinião dos turistas e dos
cidadãos Cabo-verdianos relativamente à proteção do ambiente.

1.5. Revisão da Bibliografia

Crescer significa mudar e a mudança envolve riscos. Riscos esses, que podem ser
quantificados ou não. Para desenvolver é necessário que haja crescimento. É
fundamental, que, com o desenvolvimento, os recursos alocados sejam utilizados
eficientemente, de modo que as estruturas que o rodeiam, não sejam deterioradas. De
acordo com Veiga (2006, p. 51) “O processo de desenvolvimento leva a mudanças
estruturais naquilo que as economias produzem”.

Ter um crescimento económico requer um trabalho árduo e contínuo. Um trabalho


eficiente capaz de gerar resultados positivos. Desenvolvimento surge após o
crescimento e são várias as melhorias que se podem obter, e uma delas é a
sustentabilidade ambiental. Veiga (2006, p. 85), ainda na sua dissertação, afirma
convicto, de que a “ligação do crescimento económico com a conservação ambiental
seja qual for o futuro de ambos, mesmo com atividades realizadas em locais próprios
não ocorre num curto prazo”.

O crescimento económico é a condição que garante, em parte, o desenvolvimento,


segundo Smith; para Schumpeter é uma característica apenas expansiva; para Sousa
(1999) ocorreria através da presença de inovações tecnológicas (citados por Matos &
Rovella, 2010, p. 2). Os mesmos autores criticaram a observação feita pelo Shumpeter
ao analisar o conceito do desenvolvimento de forma estritamente económica, definição
esta, diferente de Smith.

O crescimento económico e o desenvolvimento sustentado constituem alguns dos


objetivos da maioria dos países, entretanto apenas alguns conseguem o resultado ótimo.
Mais importante do que o crescimento económico é a forma como é partilhado com as
demais stakeholders (e.g., ambiente, saúde, educação etc..).

É importante saber diferenciar a palavra crescimento do desenvolvimento. A


primeira é vertida em termos de quantidade e a segunda como a melhoria da qualidade.
Entende-se que, o crescimento económico é o incremento da capacidade produtiva que

5
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

normalmente é reconhecida através de alguns indicadores, a título de exemplos o PNB e


o PIB; e o desenvolvimento é a utilização desse crescimento para beneficiar outros
recursos.

“Na problemática do desenvolvimento local sustentável há que satisfazer


necessidades essenciais e qualidade de vida, economia e emprego, inclusão social,
organizações democráticas e administração territorial, que evitem o êxodo das
populações”, (Ramos, 2012, p. 29).

Poderá um país crescer economicamente e não se desenvolver? Sim, é possível!


Basta, por exemplo, não registar melhoria ao nível da qualidade de vida, criação,
transformação ou modernização de infraestruturas básicas (ex. transportes, criação de
redes de acessibilidades etc.).

Carlos Henrique Silva (2012, p. 1), autor do artigo intitulado Desenvolvimento


Sustentável: Viabilidade Económica, Responsabilidade Ambiental e Justiça Social
afirma que, “a palavra desenvolvimento não pode ser considerada como uma crença,
mito ou manipulação ideológica. Ainda, utiliza a palavra proferida pelo professor
economista José Eli da Veiga quando descreve o crescimento económico como
“amesquinhado”.

Ramos (2012, p. 29) disserta que, “estimulando o emprego em baixo conteúdo de


importação visa o desenvolvimento endógeno, e promove emprego de forma a assegurar
a sustentabilidade social e crescimento económico”. Ainda exemplifica algumas
políticas como “o incentivo ao emprego em atividades de conservação de energia e de
recurso à reciclagem de materiais, a afirmação da agricultura familiar, pluriatividade e o
estímulo do desenvolvimento rural”.

Matos & Rovella (2010, p. 5) afirmam que “a evolução do desenvolvimento deixou


de ser apenas da dimensão económica e avança para as dimensões social, política e
ambiental, tornando-se mais completo, complexo e intangível”. Os autores vão mais
além ao afirmar que “o crescimento económico não necessariamente seja capaz de
garantir o desenvolvimento”, com base na citação de Sachs (2004) quando diz que “ os
objetivos do desenvolvimento vão bem além da mera multiplicação da riqueza material.
O crescimento é uma condição necessária, mas de forma alguma suficiente (muito

6
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

menos é um objetivo em si mesmo), para se alcançar a meta de uma vida melhor, mais
feliz e mais completa para todos”. Ainda no artigo (p.5), são citadas as palavras de
Furtado (1983), “distingui o conceito de crescimento e desenvolvimento, em que o
primeiro é um conjunto de estruturas complexas, essa complexidade traduz a
diversidade das formas sociais e económicas e criada pela divisão do trabalho social,
enquanto o segundo, compreende a ideia de crescimento, superando-a”.

Silva (2012, p. 4) faz uma síntese, que, “o crescimento e o desenvolvimento estão


interligados mas que não são sinónimos”. E, descreve à base das palavras de Sachs
(2002), que “o crescimento económico deve ser recetivo e implementado por métodos
favoráveis à proteção do meio ambiente, em vez de favorecer a exploração predatória do
capital humano e natural”. Para Bürgenmeier (2005, p. 16-17) “o crescimento
económico é um indicador de bem-estar económico e um reflexo do desenvolvimento
de um país, e muitas das vezes não é considerado um instrumento, mas sim um objetivo
de qualquer atividade económica. Ainda salienta que embora o desenvolvimento seja
mais vasto incluindo não apenas aspetos relativos à distribuição de rendimentos da
riqueza, mas também diferenças culturais significativas, muitas vezes é reduzido
exclusivamente ao crescimento económico”.

“São dois fatores que estão na origem do crescimento económico: a intensidade


capitalística e o progresso técnico. Estes são também utilizados para debater a poluição
em que, (1) a poluição pode ser controlada pelo progresso técnico; (2) o objetivo do
crescimento é compatível com a proteção do ambiente; (3) a poluição só pode ser
controlada se for aplicada uma política ambiental voluntarista”, (Bürgenmeier, 2005, p.
20).

O crescimento económico fez despertar novas necessidades e melhorias da qualidade


de vida do Homem; por outro lado, levantam-se preocupações ao nível da sua interação
dinâmica com o ambiente (v.g.: Poluição).

O ecossistema sadio e equilibrado pressupõe, em parte, que haja um


desenvolvimento económico sustentável, e portanto, duradouro. Para Pereira & Curi
(2012, P. 44) ecodesenvolvimento “visa basicamente uma mudança com relação ao
modo de produção e consumo empregado pelo sistema capitalista (…) ”.

7
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

O efeito que nós sofremos hoje sobre os problemas ambientais, desenvolveu-se a


partir do momento em que houve um crescimento económico mais acentuado e o seu
desenvolvimento. A utilização dos recursos poluentes começou a ser mais frequente à
medida que a população mundial começou a crescer e adquirir novos hábitos. A
preocupação em combater as falhas criadas no meio ambiente é recente, podendo-se
citar no tempo, constatamos que o primeiro debate em torno do futuro ambiental
aconteceu em Estocolmo em 1972.

Pereira & Curi (2012, p. 37) citam Ely (1998) afirmando que “os problemas de
poluição e degradação do meio ambiente levaram o ser humano a reconhecer que a
qualidade do meio em que vivem é a consequência do desenvolvimento económico e
tecnológico do país”.

“A reflexão da curva ambiental de kuznets refere, que para alguns, o crescimento


económico numa primeira fase contribui sem dúvida para a poluição, mas numa
segunda fase consegue reduzi-la graças ao avanço técnico. Para outros, a prossecução
do crescimento económico só contribui para agravar a degradação ambiental, o
progresso técnico não consegue por si só resolver os problemas ambientais que são
originados por ordem demográfica, social e ecológica”, (Bürgenmeier, 2005, p. 21).

Entende-se que, a palavra sustentável significa gerir eficientemente os recursos, de


modo que sejam reutilizados para outros fins. Veiga (2006, p. 62) acrescenta que a
sustentabilidade “corresponde a administração mais ou menos eficiente de uma
dimensão específica da escassez, e se os mercados dos recursos naturais trabalhassem, a
preocupação com a sustentabilidade não teria surgido”. Para Ramos (2012, p. 28),
sustentável é “todo o processo de transformação humana ou material que garante
reprodução, sobrevivência e melhor qualidade de vida num horizonte temporal longo,
pelo que também, a economia terá de ser sustentável, sendo o social um dos atributos
intrínsecos, de modo a gerir, permanentemente a inclusão. A sustentabilidade deve ser
entendida nas suas múltiplas vertentes, ambiental, económica e social, atingindo um
desenvolvimento social e económico e preservando os recursos naturais e culturais”.

Citado por Silva (2012, p. 2), Sachs (2002) afirma, que “o desenvolvimento
sustentável é caracterizado por três sustentáculos, a viabilidade económica, relevância

8
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

social e a prudência ecológica”, usando os termos mais habituais, económico, social e


ambiental como os três pilares da sustentabilidade.

Satisfazer as necessidades da geração atual sem comprometer as das gerações futuras


é a definição proposta pelo relatório de Brundtland. Veiga (2006, p. 86) critica que a
definição do desenvolvimento sustentável “só foi aceite universalmente porque agrupou
posições contrárias e só foi possível porque não nasceu definida e o seu sentido é
decidida no debate teórico e na luta política”. Ainda afirma, que “ a sustentabilidade
nunca será discreta, precisa e analítica ou aritmética como qualquer positivista gostaria
que fosse”.

Bürgenmeier (2005, p. 50) cita a frase proferida por Beaud (1989) quando diz que “a
pressão sobre os recursos é real e complexa e não tem portanto muito a ver com a
pressão demográfica em si” e responde dizendo que “a citação feita, capta o essencial da
polémica que envolve a noção da sustentabilidade: o modo de vida, a industrialização
nos países ocidentais e a explosão demográfica nos países em desenvolvimento são
identificados como as principais causas da degradação do ambiente”.

Para ter um desenvolvimento sustentável é necessário desenvolver uma estreita


relação de parceria entre os países. Trabalhar em rede, o resultado que daí decorre é sem
margem para dúvidas melhor e eficaz, e sabendo que o efeito poderá ser maior, foi
proposto como um dos ODM, desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento.
E ainda, de forma a colmatar os níveis da poluição, foram propostos três mecanismos
(Sistema de Comércio Internacional de Emissões, Mecanismo de Desenvolvimento
Limpo e Implementação Conjunta), em que, conjuntamente, os países com algum poder
económico, poderão ajudar seus congéneres na redução das emissões. “A conquista do
desenvolvimento sustentável requer estratégias complementares entre países ricos e
pobres”, (Silva, 2012, p. 6).

O desenvolvimento sustentável apresenta as seguintes características nas três


dimensões, segundo o quadro infra.

9
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Dimensões Características
Ecológica (i) Complexidade; (ii) horizonte temporal alargado; (iii) incerteza;
Económica (i) Precaução; (ii) valor intrínseco do ambiente; (iii) Avaliação não monetária;
Social (i) Equidade; (ii) Responsabilidade inter-geracional.
Fonte: Bürgenmeier (2005, p. 273)

Para Andrade & Romeiro (2011, p. 12), “o desenvolvimento sustentável pressupõe a


igualdade de oportunidades económico-sociais e ecológicas entre a geração corrente e
futuras”. Matos & Rovella (2010, p. 9) acrescentam, que, “para alcançar o
desenvolvimento sustentável, depende do planeamento a longo prazo, e de
reconhecimento de que os recursos naturais do planeta são finitos e de todos”.
Bürgenmeier (2005, p. 265-266) diz que, “Apenas se pode classificar como
desenvolvimento sustentável as atividades económicas que a longo prazo não reduzam o
capital natural atual, e qualquer utilização do capital natural deve ser substituída pelo
capital reproduzível. A procura do crescimento económico está em contradição com o
objetivo do desenvolvimento sustentável”.

“A noção da sustentabilidade tem obrigatoriamente raízes nas reflexões de duas


disciplinas consideradas científicas, a ecologia e a economia, e a sustentabilidade ecos-
sistémica corresponderia a um suposto equilíbrio, e um ecossistema se sustenta se
continuar resiliente, por mais distante que esteja do equilíbrio imaginário”, (Veiga,
2010, p. 39). Veiga ainda distingue sustentabilidade “forte” da “fraca”, em que, “a
primeira destaca a obrigatoriedade, de que pelo menos os serviços do capital natural
sejam mantidos constantes, e a segunda é o somatório de três tipos de capital que são
inter substituíveis: o propriamente dito, o natural/ecológico e o humano/social”.

Para Rodrigues (2007 p. 66), “o desenvolvimento ecologicamente sustentado só pode


implantar-se com o decrescimento sustentado ou seja, a progressiva eliminação das
fontes de energia fóssil e da produção de materiais esgotantes contaminantes. Ainda
afirma que o decrescimento sustentável é um meio, um processo imprescindível para
fazer surgir, duma forma saudável, o desenvolvimento ecologicamente sustentável”.

À medida que a economia se desenvolve, maior é o impacto que esta terá sobre o
ambiente. “Os impactos gerados sobre o meio ambiente são função da escala (tamanho
e dimensão) do sistema económico e do modo pelo qual se dá o crescimento económico,

10
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

que é a forma pela qual o sistema se expande”, (Andrade & Romeiro, 2011, p. 6). Para
Ramos (2012, p. 31), “a mudança climática é vivida de forma diferente, e a
vulnerabilidade ambiental é o resultado de fatores socioeconómicos, culturais e
geográficos, e as suas consequências variam de diversas formas, entre eles, a idade, o
sexo, classes sociais, os níveis de rendimento, etc., afetando sobretudo os mais
desfavorecidos”.

Com base na teoria de Millennium Ecosystem Assessment (2005), “as alterações


sofridas nos ecossistemas não são comparadas a nenhum período desde a história
humana, embora tenha contribuído para o crescimento e desenvolvimento económico,
esses ganhos foram sobretudos alcançados através da degradação dos serviços
ecossistemas”. Andrade & Romeiro (2011, p. 8) afirmam, que “a elevada atividade
humana tem provocado rápidas e extensivas alterações nos ecossistemas”.

Ao interpretar o conceito de capital natural, utilizado pelos autores Berkes e Folke


(1994), com “ um carácter multidimensional, no qual dimensões, ecológica, económica
e socioculturais, estão relacionadas e se interagem para a promoção do bem-estar
humano”. Andrade & Romeiro (2011, p. 10) afirmam que o capital natural são “todos os
fluxos de benefícios tangíveis ou intangíveis prominentes de todos os recursos naturais
e que são direta ou indiretamente apropriáveis pelo homem”.

Veiga (2010, p. 41-44) cita a ideia de Nordhaus & Tobin, de que “o aumento
populacional sobre o crescimento da produção e a inevitabilidade da perda (waste) de
recursos naturais são causados pelo crescimento económico. Tornando assim a essa
reflexão a primeira referência obrigatória sobre os indicadores da sustentabilidade”.
Ainda afirma que “ usar algum dos indicadores de bem-estar em dueto com algum outro
mais focado na pressão dos recursos, talvez pudesse mostrar se o país estaria a
aproximar-se ou exceder o seu nível macroeconómico ótimo, e a que distância ele
estaria do seu ponto máximo de sustentabilidade. A comparação de dois indicadores
como esses, talvez fosse até capaz de revelar possibilidades de declínio económico e de
catástrofe ecológica”.

Praticar um turismo sustentável é, hoje, umas das principais preocupações dos


turistas. “Há que promover o turismo sustentável e o eco negócio, respeitando a herança

11
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

cultural, os recursos naturais, o modo de vida e o desenvolvimento económico,


mantendo, ao mesmo tempo, a coesão social e a sua identidade”, (Ramos, 2012, p. 34).

Embora apresente característica de sazonalidade para muitos países/região, o turismo


é um dos sectores que mais contribui para a economia. Além de abrir oportunidades a
novos investimentos, permite geração de empregos, aumento do PIB, maior preservação
do ambiente e das biodiversidades, etc. O turismo sustentável pressupõe que algumas
condições sejam melhoradas. “O conceito do turismo sustentável aplicado ao turismo
funciona como uma estratégia saudável para a procura de uma integração entre uso
turístico, melhoria das condições de vida das comunidades locais e preservação do meio
ambiente”, (Marujo & Carvalho, 2010, p. 150 - 151).

A existência de turismo sustentável requer que os turistas sejam mais responsáveis,


de forma a estar em harmonia tanto com os fatores ambientais, sociais e culturais.
Marujo & Carvalho (2010, p. 150) descrevem a ideia de Ruschmam (2008), segundo a
qual “o turismo sustentável deve englobar existência de turistas mais responsáveis, que
a sua interação com as comunidades recetoras no campo social, cultural e ambiental seja
de forma equilibrada”. “Para que o turismo possa beneficiar importantes setores da
sociedade e seja sustentável, ele deve criar um equilíbrio nas áreas económicas,
ambientais, socias e culturais”, (Cooper & al, 2007, p. 214).

É imprescindível fazer um planeamento do turismo, de forma que os recursos


utilizados, (infraestruturas, ambiente, acesso a água, etc.) não se degradam, e sejam
reutilizados. A sua preservação torna-se vital para a economia e possível
desenvolvimento, beneficiando toda a população, país/região.

Apoiando nas palavras do Gunn (1994) ao afirmar que “o planeamento deve ser
estratégico, integrador, participativo e pluralista do sentido de envolver as dimensões
sociais, económicas e físicas”, Marujo & Carvalho (2010, p. 148) afirmam, que “sendo
considerado o turismo como um dos mais importantes agentes da mudança, não pode
deixar de evoluir sem um planeamento e este é indispensável para o desenvolvimento
do turismo sustentável. Frisam ainda (p. 158), que “o turismo é um consumidor
intensivo, e que exige planeamento do seu desenvolvimento, na qual deve evidenciar as
causas sociais e económicas que se pretende alcançar, bem como os espaços que devem

12
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

ser explorados e protegidos”. Marujo & Carvalho (2010) salientam ainda, através das
palavras de Araújo e Bramwell (2004), que “os planeadores governamentais admitem
que o turismo pode ser utilizado como uma atividade revitalizadora para as economias
regionais, e que pode incentivar o desenvolvimento socioeconómico e a promoção de
benefícios à população de uma região ou localidade”.

Sinónimo de turismo sustentável seria ecoturismo, mas seria necessário que as


preocupações ambientais estivessem presentes. “O turismo e o meio ambiente devem
construir uma forte aliança para que essa coexistência seja futuramente saudável.
Simplesmente rotular como ecológico não é suficiente” (Cooper & al, 2007, p. 215).

1.6. Conceitos Relevantes para o Estudo

Sustentabilidade: A palavra sustentabilidade é hoje usada quase em todas as áreas,


quer sociais, económicas, culturais e, naturalmente, ambientais. O Relatório Brundtland
ou “ O Nosso Futuro Comum” (1997) define sustentabilidade como “atendimento das
necessidades da geração atual, sem comprometer as futuras gerações na satisfação das
suas necessidades” (Cooper, 2007, p. 269). Atualmente este conceito é utlizado para
definir uma das palavras mais ditas quando se fala das questões ambientais, o
Desenvolvimento Sustentável.

Ecossistemas: Unidade funcional onde comunidades de plantas, animais e


microrganismos interagem de forma dinâmica com o meio abiótico, (Pereira, 2009, p.
721).

Turismo: A expressão turismo é muito remota, e é expressa como viagens e


permanências de pessoas fora do seu local habitual com período correspondente entre
um dia a um ano por quaisquer fins. A expressão mais utilizada para descrever a palavra
turismo foi elaborada pela Organização Mundial de Turismo que o define como
“conjunto das atividades desenvolvidas por pessoas durante as viagens e estadas em
locais situados fora do seu ambiente habitual por um período consecutivo que não
ultrapasse um ano, por motivos de lazer, de negócios e outros”, (Cunha, 2007, p.30).

Turismo Sustentável: A Organização Mundial do Turismo refere que o


desenvolvimento do turismo sustentável vai ao encontro das necessidades atuais dos

13
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

turistas e das regiões anfitriãs e, ao mesmo tempo, garante oportunidades para o futuro.
É a gestão de todos os recursos de tal forma que as necessidades económicas, sociais e
estéticas possam ser satisfeitas mantendo-se ao mesmo tempo, a integridade cultural, os
processos ecológicos essenciais, a diversidade biológica e os sistemas de apoio à vida,
(Cooper, 2007, p. 271).

Biodiversidade: “Integra toda a variabilidade existente entre os organismos vivos,


incluindo os ecossistemas terrestres, marinhos e ouros ecossistemas aquáticos, e os
complexos ecológicos do qual fazem parte. Inclui a diversidade dentro de cada espécie
(a nível genético), entre espécies e entre ecossistemas, (Pereira, 2009, p. 720 ).

Responsabilidade Social Empresarial é traduzida como diversas ações voluntárias


tomadas por empresas, com objectivo de promover uma sociedade melhor. Elaborado
pela Comissão das Comunidades Europeias, no ano 2002, o Livro Verde (p. 5) define
RSE, como “a integração voluntária de preocupações sociais e ambientais por parte das
empresas nas suas operações e na sua interação com outras partes interessadas”.

1.7. Situação Ambiental Mundial

A preservação ambiental é, hoje, um dos temas mais discutidos a nível planetário. A


definição de “Satisfazer as nossas necessidades sem prejudicar a geração futura”
suscitou grande interesse na preservação ambiental. Com as frequentes preocupações
dos desequilíbrios ambientais, em 1987 foi produzido um documento intitulado de
Nosso Futuro Comum, ou o mais usado “Relatório de Brundtland”, nome, que surgiu do
apelido da Ex- primeira-ministra Norueguesa, Go Harlem Brundtland, que chefiou a
Comissão Mundial sobre o Ambiente e Desenvolvimento. O documento Brundtland
surgiu a partir de várias iniciativas para manter um ambiente mais sadio e equilibrado.

Posteriormente, noutra conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente e


desenvolvimento, que teve lugar em 1992 no Rio de Janeiro (Brasil), intitulada “A
Cúpula da Terra” mais conhecida como “Agenda 21”, iniciativa que surgiu devido
aos altos riscos ambientais e ao excessivo uso dos recursos naturais e descargas sobre o
ambiente provocando riscos para os ecossistemas e alterações climáticas. Esse
documento analisa não só as preocupações ambientais, mas também o desenvolvimento
económico e social. Cinco anos após esta iniciativa, foi adotado no Japão a 11 de

14
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

dezembro de 1997, um acordo internacional de UNFCCC, “com objetivo inicial de


reduzir 5% aos níveis de 1990 (período de 2008-2012) da emissão de gases com efeito
de estufa”, denominado de Protocolo de Quioto, (UNFCCC, Protocolo de Kyoto, 2013).

Sabendo que os maiores níveis de gases com efeito de estufa são emitidos sobretudo
pelos países industrializados, o protocolo de Quioto propõe que estes países sejam
responsáveis e que assumam a liderança no combate à meta proposta de reduzir os
níveis de emissão de modo a combater as alterações climáticas. De forma a cumprir
com a meta proposta, a implementação deste protocolo é feita através de três
mecanismos:

Ilustração 1: Mecanismos de implementação do Protocolo de Quioto

Mecanismo de
Implemetação
Conjunta (MIC)
Mecanislmo de – “Joint
Desenvolvimento Implementation
Limpo (MDL) – (JI)”
“Clean
Development
Mechanism
(CDM)" Sistema de
Internacionalizaç
ão de Comércio
de Emissões

Fonte: UNFCCC, Protocolo de Kyoto, 2013

Fazem parte deste acordo segundo o UNFCCC (2013), os países1 que integram os
seguintes grupos:

Países do “Anexo I CQNUAC”: países industrializados que eram membros da


OCDE em 1992 e países de economia em transição (incluindo a Rússia, Estados
Bálticos e países da Europa Central e Oriental) que deviam reduzir os seus níveis de
emissão no período de 2008 a 2012 em 5% a menos registados no ano de 1990.

Países do “Anexo II da CQNUAC”: países que fazem parte da OCDE, que constam
no Anexo I. Estes países devem disponibilizar recursos financeiros de forma a ajudar os
países em desenvolvimento a reduzir o impacto das mudanças climáticas.

1
No anexo I, estão definidos, segundo UNFCCC, os países do Anexo I, Não Anexo I, Anexo B e os da
OCDE.

15
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Países Não-Anexo I: são países não incluídos no Anexo I e países em


desenvolvimento que não tiveram grandes emissões de gases com efeitos de estufa e
não possuem compromissos para a sua redução.

Anexo A: lista dos gases com efeito de estufa listada no protocolo são: “óxido nítrico
(N20), dióxido de carbono (CO2), hexafluorido de sulfato (SF6), metano (CH4),
hidrofluorocarbonos(HFCs) e plurocarbonos(PFCs)” segundo United Nations (1998).

Anexo B: são os países que aceitaram a redução de gases com efeito de estufa.

Sistema Internacional de Comércio de Emissões é um mecanismo que permite aos


países do anexo I (Países desenvolvidos e membros de OCDE) cumprir os seus
objetivos a um preço mínimo através da negociação de emissões. Sendo assim, segundo
UNFCCC, Comércio Internacional de Emissões (2013), os países que têm unidades de
emissões de excedentes possam vender aos países com elevados níveis de
industrialização, possibilitando, assim, necessidades de comprar emissões. Contudo, só
poderão fazer negociações, os países que fazem parte do anexo I e aqueles que
aceitaram reduzir os seus níveis de emissão, no período de 2008 a 2012.

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), “Clean Development Mechanism


(CDM), este mecanismo permite que os países de Anexo I invistam em projetos de
redução de emissão nos países de Não-Anexo I, obtendo assim CERs (Certified
Emission Reduction).

Mecanismo de Implementação Conjunta (MIC), “Joint Implementation (JI)”,


permite aos países de Anexo I, investir noutros países de Anexo I, obtendo assim
créditos de forma a reduzir os níveis de emissões de gases com efeitos de estufa através
de ERUs (Emission Reduction Units).

Entre os anos 2008 a 2012, segundo o relatório do Banco Mundial, no ranking dos 10
países mais poluentes do mundo em termos de dióxido de carbono (CO 2) emitido, a
China lidera o ranking apresentando nos dois anos consecutivos, 2008 e 2009, como o
país com mais emissões, aumentando de 7037710 em 2008 para 7687114 ton. de CO2.

Segundo a ilustração infra, em 2008, a República da Coreia aparece em décimo lugar


com 508052 ton. CO2 e um ano mais tarde mudou de posição, passando a ser a África
do Sul com 499016 ton. CO2 em décimo lugar e o Reino Unido (UK), uma vez que

16
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

reduzindo os seus níveis de emissão para 474579 ton. CO2 passa a ficar em décimo
primeiro lugar (The World Bank, 2013).

Ilustração 2: Ranking dos 10 países mais poluidores do mundo (ton. de emissões de


CO2)

Ano 2008 Ano 2009


8000000 10000000
6000000 8000000
4000000 6000000
4000000
2000000 2000000
0 0
Reino…
United…

África do…
United…
Rússia

Alemanha

Canadá
Índia

Japão

Coréia, Rep.
China

Irão

Irão
Canadá
China

Japão
Índia

Alemanha

Coréia, Rep.
Rússia

Fonte: The World Bank (2013)

Cabo Verde com os seus baixos níveis de emissão, registando 308 ton. de CO 2 em
2008 e cuja posição foi de 176º, um ano mais tarde aumenta os seus níveis de emissão
em mais de 7 toneladas passando a registar 315 ton. de CO2. Os níveis de emissões de
gases com efeito de estufa em Cabo Verde, ainda não são uma questão muito
preocupante no que se refere às tendências mundiais, mas é uma questão que deverá
estar sempre presente nas tendências do país. Sendo que os maiores poluidores são os
países industrializados e desenvolvidos, estes, deverão arranjar alternativas de mitigar o
impacto ambiental porque os países em desenvolvimento e os países pobres são os que
mais saem em desvantagem quanto ao maior flagelo, o aquecimento global, ou mesmo
as alterações climáticas.

17
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Futuro do ambiente

Num dos encontros realizados em 2010, alguns dos países não chegaram a um
consenso generalizado no que diz respeito à redução efetiva dos gases com efeitos de
estufa. Mais tarde, no dia 8 de dezembro de 2012, na cidade de Doha em Qatar,
realizou-se a mais recente encontro, com o objetivo de debater as questões ambientais.
Desta reunião saiu outra meta iniciada em 1 de janeiro de 2013, cujo fim está previsto
para 31 de dezembro de 2020. Durante estes oito anos os países comprometem-se a
reduzir os níveis de emissão dos gases com efeito de estufa em pelo menos 18% abaixo
dos níveis registados em 1990. (UNFCCC, Protocolo de Kyoto, 2013).

Conclusão:

Esperemos, assim, que o compromisso assumido pelas partes na redução dos níveis
de emissões sejam cumprido eficientemente, trabalhando em parceria, segundo os três
mecanismos propostos e que os países indicados em Não Anexo I, que são constituídos
por países em desenvolvimento, possam reduzir os seus níveis de emissão, arranjando
alternativas para mitigar as alterações climáticas.

18
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Capítulo II: Análise Interna de Cabo Verde e o seu


Crescimento Económico
Introdução

Cabo Verde é um arquipélago insular com alguma dispersão geográfica entre as


ilhas, cuja população residente ronda meio milhão de habitantes 2, com potencial de
crescimento e desenvolvimento económico, está situado em pleno oceano atlântico,
ficando na encruzilhada entre os três continentes: Africano, Europeu e Americano.

Neste capítulo focaremos alguns pontos principais de modo a conhecer melhor o país
no seu crescimento, tanto da sua população, economia, bem como, também, o IDH e os
seus desafios para reduzir/ eliminar os obstáculos surgidos.

2.1. Análise Geográfica de Cabo Verde

Cabo Verde é localizado em pleno oceano atlântico, na costa ocidental Africana, a


650 kms, integrado no grupo de países de Sahel, de clima tropical seco, cujas ilhas são
de origem vulcânica e a maioria são montanhosas. É constituído por 15 (quinze) ilhéus,
todos desabitados, e 10 (dez) ilhas, nove das quais habitadas e 1 (uma) constitui a
reserva natural do país. Divide-se em dois grupos: o Barlavento, que agrupa as ilhas de
Santo Antão, São Vicente, Santa Luzia, São Nicolau, Sal e Boavista e o grupo de
Sotavento que inclui as ilhas de Maio, Santiago Fogo e Brava.

Em termos de densidade populacional, a ilha de Santiago é a maior do arquipélago,


com cerca de 992 km2. Nesta ilha situa-se a capital – cidade da Praia. A ilha da Brava é
geograficamente a menor, com 65km2. A Ilha do Fogo, de origem vulcânica, é a mais
proeminente devido a altitude do vulcão, com 2829 metros de altitude.

2.2. Análise Demográfica de Cabo Verde

Cabo Verde caracteriza-se por ter uma população jovem, cuja idade média se situa
nos 26 anos. Em 2010, a população Cabo-verdiana residente era de 491.875 habitantes.
Nas últimas 4 (quatro) décadas cresceu a um ritmo desequilibrado, passando de uma

2
De acordo com o INECV, censo de 2010 com 491.875 habitantes.

19
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

taxa de crescimento médio anual de 1,5% na década de 80 a 90 do século passado, para


2,4% no ano 2000 e diminuído para 1,2 na última década (2010), (INECV, População e
Condição de Vida). A baixa taxa de crescimento populacional está ligada à baixa taxa
de natalidade, fruto do desenvolvimento do país e devido a maior reorganização
familiar, porém a tendência é de diminuição à medida que as famílias vão tendo maior
controlo sobre o planeamento.

Segundo ainda os dados disponíveis no mesmo portal, entre os anos 1900 a 2010, a
maioria da população concentrava-se no meio urbano, com cerca de 303979 habitantes e
as restantes (187896) no meio rural; em 16 dos 22 concelhos do país, a população rural
é mais expressiva do que a população urbana. A maioria da população reside na ilha de
Santiago, com 274.044 pessoas, a ilha da Brava continua a ser a ilha com menos
residentes. Quanto ao género, a população Cabo-Verdiana manifesta uma pequena
inclinação para o sexo feminino, 50,5%.

Umas das principais causas da emigração continua a ser a procura de melhores


condições de vida, embora hoje já se fala de outras influências, nomeadamente o
reagrupamento familiar. Estima-se, a diáspora Cabo-verdiana corresponde mais de 500
mil pessoas, número superior à população residente em Cabo Verde. Segundo os dados
do IAPE3 (1998) e do censo de 2000 estima-se que a população emigrante era de
518.180 pessoas, em que os principais países de acolhimento foram os Estados Unidos
da América (264.900 pessoas de acordo com IC:2010) e a Europa - Portugal continua a
ser o principal mercado recetor da comunidade, acolhendo perto de 80.000
(Organização Internacional para as Migrações, 2010), e a embaixada de CV em Lisboa
refere que a população é muito mais do que consta nos relatórios oficiais publicados,
dado a existência de dupla nacionalidade e a situação de irregularidade.

3
Anteriormente designado por Instituto de Apoio ao Emigrante (IAPE) foi substituído por Instituto das
Comunidades que tem como objetivo atender as necessidades da emigração.

20
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

2.3. Economia Cabo-Verdiana

A água potável apresenta-se como uma das maiores preocupações do país na medida
em que o período da chuva dura apenas três meses (agosto a outubro). Com uma
economia frágil e orientada sobretudo para o terceiro setor: focada especialmente no
turismo que, aliás “representa mais de 70% do PIB Cabo-verdiano” (Banco Espírito
Santo, 2012), permitindo maior crescimento económico do país.
A balança comercial é altamente deficitária, que é, no entanto financiada, em parte,
pelas remessas dos emigrantes, turismo e apoios concessionais de países parceiros,
incluindo Portugal, que é, de resto, um dos principais financiadores. Embora
condicionada pela conjuntura externa (com uma forte dependência dos países externos),
a economia Cabo-Verdiana tem vindo a registar melhorias significativas.
Ao longo dos 12 (doze) anos (2000-2012), o crescimento do país não só se reflete na
demografia como também no crescimento do PIB, e tudo isso foi, em parte, devido à
boa conjuntura económica dos seus parceiros internacionais, boa gestão dos recursos e
uma política económica eficiente. Uma das áreas impulsionadoras da economia Cabo-
Verdiana é o turismo, que cresce a um ritmo bastante favorável, ultrapassando pela
primeira vez, em 2012, meio milhão de visitas, um valor equivalente à sua população
residente.
O desemprego vem manifestando tendências de crescimento de ano após ano.
Registou-se um decréscimo do ano 2007 para o ano de 2008 de 15,2% para 13,0%. Em
2010, houve uma ligeira subida de 0,3 p.p. e verificando nos anos subsequentes, uma
descida semelhante. Estima-se que no ano de 2012 foi de 10,0%, e para o ano 2013 terá
a mesma percentagem, mas decresce para 9% em 2014 4. Quanto à taxa média de
inflação, verificaram-se tendências para a descida a partir do ano 2001, manifestando
uma subida no ano 2006 fruto da subida dos preços dos bens de consumo e
combustíveis e, em 2011, resultado da conjuntura económica externa e devido à forte

4
Segundo as informações do órgão responsável pela produção dos indicadores do emprego e do
desemprego, INE, a taxa do emprego e do desemprego são calculadas para os indivíduos com 15 anos ou
mais de idade ou 15 – 64 anos de idade, deixando a escolha aos diferentes países. Em termos de indicador
de desemprego, é considerado desempregado todo indivíduo que não exerceu qualquer atividade
económica no período de referência, estando ele disponível para trabalhar e tendo procurado ativamente
um trabalho. As referências para cálculo da taxa de emprego e de desemprego são calculadas conforme as
recomendações da OIT, de forma a permitir a comparabilidade internacional.

21
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

exposição do país ao exterior, (INECV, Indicadores Económicos e Banco de Portugal -


2011/2012).

Segundo o relatório do IDH, no ano 2011, O PIB Per Capita Cabo-verdiano situou-
se no 3309$ americano. Quanto ao Rendimento Nacional Bruto Per Capita foi de 3402$
e o índice de rendimento 0.505$.

Ilustração 3: Evolução da taxa de crescimento do PIB real de Cabo Verde (2000-


2014)

Taxa de crescimento do PIB real

10,1
8,6
7,3 6,5
6,1 6,2
5,3 4,7 5,2 5 4,5
4,3 3,7 4,3 4,4

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012E 2013E 2014E

Fonte: Banco Espírito Santo (2012); INECV, Indicadores Económicos e Banco de Portugal( 2011/2012).

O gráfico 3 mostra nos últimos 14 anos a evolução da economia desde o ano 2000 a
2014 (previsão). Houve um aumento significativo do ano 2005 para 2006 de 6,5 para
10,1%, e uma queda na taxa de desemprego de 21,4 a 13,4% (uma das explicações para
esta queda abrupta é que o país adotou uma nova fórmula de cálculo, igual aquela que é
aplicada na UE). A partir do ano 2009 registou-se uma pequena quebra do crescimento
no PIB, explicada em parte pela conjuntura económico-financeiro externa com o início
em 2007.

Como consequência dessa conjuntura económica externa, registou-se aumento do


desemprego, diminuição das remessas dos emigrantes, aumento dos preços dos produtos
transacionáveis, e entre outros. Estima-se um crescimento económico de 4,5% anual
entre o ano 2012 e 2014.

22
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Segundo o Economist Intelligence Unit – EIU “Cabo Verde é o país mais estável da
África em termos dos indicadores económicos, políticos, sociais e para investimentos”.
Com projeções para o ano 2013 e ano seguinte, o EIU prevê um défice orçamental de
8,4% do PIB no ano corrente (2013) e para o ano 2014. Este organismo prevê ainda, um
crescimento económico em 2013, de 4,3%, e de 4,7% em 2014.

A conta corrente poderá apresentar um défice ainda maior de 9,9% em 2014 e devido
às dificuldades orçamentais dos principais mercados externos do qual o país é
extremamente dependente, nomeadamente Portugal e Espanha, estarão, provavelmente
a recuperar da crise económico-financeira.

Mesmo com a crise económica que começou em 2008, Cabo Verde mantém o seu
ritmo para o crescimento económico. Um dos méritos desse trabalho, com base na
informação do BES, foi o “segundo contrato assinado com Millenium Chalenge
Corporation em Fevereiro de 2012, que reconhece os progressos do país na redução dos
custos de transporte, no desenvolvimento do sector privado, na redução da pobreza, no
desenvolvimento do mercado interno e no aumento da produção agrícola (Banco
Espírito Santo, 2012, p.5).

2.3.1. Balança de pagamentos Cabo-verdiana

Por ser um país muito dependente da importação, pois importa produtos alimentares,
combustíveis e entre outros, Cabo Verde, viu também, as suas receitas a afundar-se,
motivado pela crise económica internacional e flutuações no mercado em vários setores
de atividade.

Analisando os dados de 2010 até ao primeiro trimestre do ano de 2013, a balança de


pagamento Cabo-verdiano teve os seguintes resultados:

23
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Tabela 1: Balança de pagamentos de Cabo Verde, 2010 – 2013, (em milhões de


CVE)

Ano Ano Ano 1º Trim.


Rúbricas
2010 2011 2012 2013
Balança Corrente e de Capital -14.568,2 -22.957,9 -16.847,8 808,4
Balança Corrente ‐17.879,0 ‐23.943,0 ‐17.954,5 688,02
Bens ‐56.821,8 ‐67.206,1 ‐61.629,5 -11.158,85
Exportações 11.282,3 16.758,9 15.776,6 3.263,8
Importações ‐68.104,1 ‐83.964,9 ‐77.406,1 -14.422,6
Serviços 17.132,3 20.449,0 25.907,2 7.865,03
Exportações 42.173,9 45.749,4 51.275,5 13.719,2
Transporte aéreo 14.444,0 11.250,4 10.627,2 2.721,8
Viagens de turismo 22.023,4 27.850,8 33.752,9 8.965,1
Importações ‐25.041,6 ‐25.300,4 ‐25.368,3 ‐5.854,2
Rendimentos ‐6.479,5 ‐5.797,9 ‐5.105,4 ‐959,4
Rend. de Invest. Diretos ‐4.537,1 ‐3.254,7 ‐1.961,1 ‐266,7
Juros da dívida externa pública ‐667,5 ‐851,5 ‐1.150,6 ‐351,1
Juros da dívida externa privada ‐2.083,2 ‐2.262,2 ‐2.644,0 ‐435,4
Transferência Corrente e de capital 31.600,8 29.453,8 23.979,9 5.061,6
Transferências oficiais 11.967,2 6.414,1 6.378,8 948,8
Remessas dos Emigrantes 10.467,0 13.529,1 14.694,7 2.945,4
Balança Financeira 22.325,1 19.538,8 21,700,5 4.289,2
Investimento Direto 9.282,1 8.087,3 6008,8 1.396,9
IDE excluindo Outro Capital 7.562,0 7.120,4 8.325,8 2.498,1
Divida Externa Pública 14.656,7 14.265,7 17.206,9 2.422,8
Divida Externa Privada ‐714,5 1.680,0 145,2 (‐558,7
Ativos de Reserva ‐2.217,8 ‐3.484,2 ‐4.059,2 1.177,8
Fonte: BCV, 1º trimestre de 2013, p. 39

No primeiro trimestre de 2013, a balança de pagamentos revelou melhorias


relativamente aos períodos homólogos, com ativos de reservas situadas em 1.177,8
milhões de CVE. Esta melhoria deveu-se, principalmente, ao aumento do saldo da
balança comercial e da diminuição do saldo da balança financeira, ou seja, a balança
comercial apresentou reduções dos valores da rúbrica dos bens, mas apresentou
melhorias nas rúbricas dos serviços e rendimentos, o que permitiu apresentar um
superavit de 688,02 milhões de CVE. A balança financeira teve a sua redução devido à
diminuição das dívidas externas, principalmente a dívida pública.

A remessa dos emigrantes, que constitui uma das principais fontes da receita
económica de Cabo Verde, tem vindo a aumentar desde o ano 2010, segundo o Banco
de Cabo Verde, no primeiro trimestre de 2013 diminuiu para CVE 2.422,8 milhões

24
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

tanto em divisas, como também em bens. As remessas dos emigrantes provêm, em


maior fatia dos EUA e da Europa, nomeadamente, Portugal e Países Baixos, onde a
concentração dos Cabo-verdianos é maior.

Ilustração 4: Principais setores de desenvolvimento de Cabo Verde

A principal receita do arquipélago de Cabo Verde advém dos serviços, incluindo o


turismo, com 77% do PIB, no ano 2011. O gráfico infra mostra os principais setores do
desenvolvimento e o peso que estes têm na economia Cabo-verdiana.

Indústria; Agricultura;Construção;
7,10% Pesca;4,60%
0,70% 6,70%

Serviços; 77%

Fonte: (BES 2012)

O sector com maior peso são os serviços, com 77% incluindo turismo, seguido da
indústria com 7,10%, da construção, 6,70%, da agricultura, 4,60% e finalmente da
pesca, com 0,70%.

Quanto à importação e exportação, Cabo Verde importa quase tudo, tanto para o
consumo como também para o investimento. Exporta essencialmente mercadorias
transformadas e tradicionais, como conservas de peixe, peixe, medicamentos, bebidas
alcoólicas, roupas, e partes de calçado, (BCV 2012, p. 9). Segundo o INE, 2013, no
primeiro trimestre de 2012, as importações e as exportações diminuíram em (-8,8%) e (-
10,9%) respetivamente.

No ranking dos países importadores de produtos nacionais, em 2012, Portugal foi o


principal (com 45,6%), seguido da Espanha (11,0%) e dos países baixos (9,7%), Brasil
(4,7%), China (4,3%), Bélgica (3,1%) Japão (3,0%) e restantes países (18,7%). No
ranking dos países exportadores estão a Espanha em primeiro lugar, com 74,1% seguido

25
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

de Portugal, Estados Unidos, Guiné Bissau e restantes países, com 25,1%, 0,6%, 0,1% e
0,1% respetivamente, (INE, 2013, p. 10-13).

2.4. Índice de Desenvolvimento Humano de Cabo Verde

Incluído na categoria de país de Desenvolvimento Humano Médio, no ano de 2011,


Cabo Verde situava-se na posição 133º no ranking do IDH, mais tarde, em 2012, sobe
uma posição, passando de 0, 584 para 0,586 pontos.

Tabela 2: IDH de Cabo Verde comparado com o resto do mundo

Fonte: PNUD, 2013

Segundo a tabela 2, é de referir que desde 1980 a 2012, Cabo Verde vem melhorando
a sua performance, a título de exemplo do índice de desenvolvimento humano, a partir
do ano de 2010, posiciona-se à frente de todos os países da África-subsariana, no
ranking dos países lusófonos ficou apenas atrás de Portugal (43º) e do Brasil (85º)
(PNUD, 2013), e à frente de vários países que apresentam uma economia mais
dinâmica, como a Índia (economia emergente).

Cabo Verde e os indicadores do IDH

 Saúde

A esperança média de vida em Cabo Verde no ano de 2012 foi de 74,3 anos. Este
resultado poderá ser explicado pela melhoria acorrida pela educação alimentar, melhoria
de cuidados de saúde, entre outros fatores, etc..
Quanto à taxa de mortalidade infantil que analisa a probabilidade de morte entre o
nascimento a 5 anos de idade expresso por mil nascidos vivos, registou-se uma taxa de
23%, no ano de 2011, o que significa que por cada 1000 nascimentos até 5 anos de
idade morreram 23 crianças. As principais causas de morte são, as afeções perinatais,

26
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

infeciosas e parasitárias, anomalias congénitas, afeções respiratórias, traumatismo e


envenenamento etc., (Relatório Estatístico, Ministério da Saúde Cabo Verde, 2010).

Quanto à taxa de mortalidade materna, o indicador que analisa a relação entre o


número de mortes por cada 100.000 nascidos vivos, Cabo Verde registou no ano de
2011, 48,4% óbitos, (Relatório Estatístico, Ministério da Saúde Cabo Verde, 2010).

 Educação

A despesa pública com a educação, em 2009, correspondeu a 5,6% do PIB (PNUD,


2013), o que constitui um valor bastante significativo, o que significa que o país tem-se
mostrado eficiente na redução do número de analfabetos. Quanto à taxa de alfabetização
(ambos os sexos) é de 84.3% segundo o ano de 2012 (PNUD, 2013), o que quer dizer
que em cada 100 habitantes, 85 sabem ler e escrever e 15 são analfabetos.

 Demográficas

Quanto à taxa de fecundidade na adolescência (mulheres com idade entre 15 a 19


anos), registou-se em 2009, 94.9% (PNUD, 2012), o que quer dizer que, por cada 1000
mulheres com idades compreendidas entre os 15 a 19 anos, a probabilidade de
fecundação ronda os 95%. Quanto ao rácio total da fertilidade por mulher, foi registado,
2,6% no ano 2010, taxa essa inferior à da África, 4,4%, dos países em desenvolvimento,
2,7%, e superior aos países desenvolvidos 1,7%. Abordando a taxa de mulheres que
usaram contracetivos em 2006, foram de 30,8%, segundo o African Development Fund
(2011).

 Desigualdade

Na educação, a perda em média de anos de escolaridade devido à desigualdade, em


2011, Cabo Verde registou 30,7%, valor inferior aos níveis dos países com baixo IDH,
39, 2%, superiores aos do DH muito elevado, 6,2%, alto DH, 18,9% e DH médio de
29,4%. (PNUD, 2012).

Devido a falta de informações disponibilizadas por Cabo Verde, não foram


encontrados dados referentes a desigualdade de rendimento.

27
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

 Sustentabilidade

As questões ambientais são fulcrais para o desenvolvimento de um país. São vários


trabalhos efetuados e em curso para garantir a sustentabilidade ambiental em Cabo
Verde.

No que se refere às emissões de dióxido de carbono per capita, no ano de 2007 e


2008, Cabo Verde registou 0,6 toneladas de CO2. Em termos do seu crescimento médio
anual de total das emissões entre os anos 1970 a 2008, foram de 8,8% em 2007 e 4,1%
em 2008 e a principal fonte de emissão de CO2 são provenientes de consumo de
energias poluentes e, consumo de setores de transportes e residenciais, (PNUD 2012).

A perda da biodiversidade é um dos problemas ambientais nacionais mais


preocupantes para Cabo Verde. Quanto às espécies em vias de extinção calculadas em
percentagem de todas as espécies de animais, classificadas como criticamente em
perigo, ou em situação vulnerável pela União Internacional para a Conservação da
Natureza, no ano 2011 Cabo Verde registou 13%, (PNUD, 2012).

Quanto ao esgotamento dos recursos naturais calculado através da expressão


monetária do esgotamento mineral, energia e florestas em percentagem do rendimento
nacional bruto, Cabo Verde registou 0,7% no ano 2000 e 0,1 % no ano de 2008 (PNUD,
2012). A percentagem é bastante reduzida pelo facto de o país possuir poucos recursos
naturais e frágeis, apresentando vantagens competitivas e comparativas perante outros
países na produção e acesso a energias verdes.

A área florestal5, em Cabo Verde encontra-se num número bastante reduzido devido
ao clima, e a densidade do país, apresentando em 1990, 58 mil hectares por cada 1000
habitantes, passando para 82 mil no ano 2000. A partir do ano 2005 até ao ano 2008, os
valores mantiveram-se constantes em 84 mil hc por cada 1000 hab, (PNUD, 2012).

5
Área florestal é a terra que abrange mais de 0,5 hectares com árvores de mais de 5 metros e não inclui a
área sob uso agrícola ou urbano. As Áreas sob reflorestamento que ainda não atingiram, mas devem
chegar a uma cobertura de 10 por cento e uma altura de 5 m são incluídas, como são áreas
temporariamente sem estoque, decorrentes da intervenção humana ou causas naturais, que são esperadas
para se regenerar. Exclui árvore que está em sistemas de produção agrícola, por exemplo, em plantações
de frutas e sistemas agroflorestais e árvores em parques urbanos e jardins (PNUD, 2012).

28
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

No passado recente Ortet (2011)6, afirmou numa entrevista dada pela Televisão
Cabo-Verdiana (TCV) que, “o perímetro da área florestal tem vindo a diminuir segundo
os resultados que o ministério tem disponíveis das 4 ilhas (Santo Antão, São Vicente,
Fogo e Brava), estimando que Cabo Verde deverá ter 60% da área estimada dos 80 mil
hectares e as principais causas da diminuição da área florestal advém das novas
construções públicas e privadas, parcelas florestais que foram reintroduzidas para a
produção agrícola”. Para melhor sustentabilidade ambiental a nível das florestas os
órgãos responsáveis deverão trabalhar arduamente na sua gestão de modo a garantir os
mesmos.

2.5. Cabo Verde e os Oito Objetivos do Milénio (ODM)

Desafiando e aceitando os objetivos criados pela ONU, assinado por 189 chefes do
estado e do governo que participavam na assembleia das Nações Unidas no ano 2000,
com o objetivo de garantir um desenvolvimento sustentado a 3 (três) níveis, ou seja, nos
pilares da sustentabilidade, social, económico e ambiental, com a meta até 2015, Cabo
Verde aceita este projeto, contribuindo para uma sociedade mais justa, fraterna e mais
sustentada e com elevada possibilidade de cumprir a maior parte destes oito objetivos.
Para cumprir estes objetivos serão necessários que todas as áreas e países trabalhem em
redes, ou seja os países mais desenvolvidos deem a sua contribuição, ajudando os países
menos desenvolvidos e em desenvolvimento de forma a arrecadar um melhor resultado
deste trabalho que beneficiará as nossas e as gerações futuras.

Cabo Verde apresentou três relatórios que avalia o progresso destes objetivos, o
primeiro em 2004, o segundo em 2008 e o último em 2010 que avalia os progressos
para alcançar os objetivos (Nações Unidas Cabo Verde, 2010).

Numa entrevista ao jornal A Semana, Petra Lantz7 compara Cabo Verde com muitos
outros países com elevado poder de recursos naturais não têm a mesma iniciativa que
Cabo Verde tem e que é um exemplo a seguir. “Cabo Verde é um “case study devido à

6
Eva Ortet, Ministra de Desenvolvimento Rural em Cabo Verde.
7
Coordenadora residente do sistema das Nações Unidas em Cabo Verde.

29
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

sua inexistência de recursos naturais e problemas e está no caminho correto. Muitos


outros, com recursos naturais, estão longe de alcançar os resultados Cabo-verdianos”.
Estas palavras vão ao encontro do artigo Científico “Natural Resources and Economic
Development; The curse of natural resources” (Sachs & Warner, 2001, p. 827-828), em
que os autores afirmam, que os países ricos com intensidade dos recursos naturais têm
uma pior performance, ou seja, os países ricos em recursos naturais mostram um lento
crescimento. Pelo facto de terem poder de recursos há um aumento da divergência de
opiniões, violência, o que constitui uma maldição e repercutirá para o país, e umas das
consequências do poder dos recursos será o seu lento crescimento.

Segundo os 8 objetivos fixados pela ONU, até ao ano de 2009, Cabo Verde
apresentou os seguintes resultados:

30
Tabela 3: Cabo Verde e os oito (8) Objetivos do Milénio

Objetivos Metas definidas Valores conseguidos Final da meta OBS


Reduzir para metade da população que vive na pobreza extrema. Redução de 39% em 1990 para 26 % em 2009. Em 2015, 24,5% da população será Possibilidade de cumprir a
pobre. Em 1999, 49% da população meta.
era pobre.
Erradicar a extrema Reduzir para metade da população em situação de insegurança Ano 2000: 6% das crianças menores de 5 anos estavam Espera-se uma redução de 11,5%
pobreza e fome alimentar. malnutridas; 16% da população tinha insuficiência quanto à insuficiência calórica no
calórica. Em 2009, 43.560 pessoas estavam em situação final
de insegurança alimentar e 37.130 em risco de
insegurança alimentar.
Proporcionar condições a todas as crianças de terminar o ensino Ano 2000: taxa líquida do ensino primário, 96%, no ano A estimativa é de 98%. Meta cumprida.
Alcançar a educação primário. letivo 2007/08 foi de 91,7%. Taxa de alfabetização dos 15
primária universal - 24 anos, no ano 2000 foi de 95%, no ano 2015 será de
98%.
Promover a Eliminar a disparidade dos géneros em todas as fases do ensino A igualdade do género no ensino primário está Em 2010, este objetivo
igualdade entre os até 2015. assegurada. Elevada disparidade na ocupação das ainda não tinha sido
géneros e autonomia mulheres no parlamento nacional, na justiça e no poder atingido segundo o relatório.
da mulher local.

Reduzir a Entre os anos 1990 e 2015, reduzir em 2/3 a mortalidade das Ano 2000 a taxa foi “26,8% e 20,1% em 2009”. Deverá reduzir mais 4.3 p.p. Possibilidade de
mortalidade infantil crianças com idades inferiores a 5 anos. cumprimento deste objetivo.

Reduzir ¾ a mortalidade materna. No ano 2000 foi de 86,3%, diminuindo para 53,7% em Para cumprir este objetivo CV terá de Se a taxa de 2002 em 8,1%
Melhorar a saúde
2009. reduzir a sua taxa para 17,3%. for considerada, este
materna
objetivo já foi cumprido.
Travar a propagação do VIH/SIDA e controlar a malária e outras Taxa de incidência da malária: 28% no ano 2000 e 1,3% Os cidadãos estão cientes que podem Cabo Verde terá de fazer um
Combater o doenças infecto-contagiosas. no ano 2009. A Tuberculose foi de 51% em 2000 e 62,7% fazer algo para evitar a transmissão do trabalho mais rigoroso na
VIH/SIDA, malária em 2009. HIV/SIDA. A tuberculose tem-se (in) formação dos cidadãos
e outras doenças mantido imóvel nos últimos 10 anos. sobre as doenças
transmissíveis.
Garantir a Desenvolvimento de planos nacionais para sustentabilidade de 21% Das terras são cobertas por florestas; O acesso a água Cabo Verde tem a decorrer projetos Em 2002 foi atingida a
sustentabilidade forma a diminuir os recursos naturais; Reduzir para metade o potável nas redes públicas foi de 21,1% no ano 2000 e de p.e. de Construção de ETAR, percentagem máxima da
ambiental número da população sem acesso a água potável; Melhoria das 42,9% no ano de 2009;Construção de habitação e ETAR. projetos ambientais em todos setores, área vegetal coberta.
condições de vidas para os desfavorecidos. Casa para todos, Etc.
Cumprimento das dívidas nacionais e internacionais dos países No ano 2008, para cada 100 hab. a taxa de penetração foi Benefício para Cabo Verde na sua
Desenvolver parceria em desenvolvimento; implementar medidas de forma que os de: telefone fixo (14,8%) assinaturas do telemóvel (55,6 entrada à Organização Mundial do
global para o jovens tenham ocupação digna; negociação acessível nos preços %) e internet (ADSL) 7380 assinantes”. Comércio.
desenvolvimento de modo que toda a população tenha acesso a medicamentos,
TICs; desenvolver um comércio aberto.

Fonte: Nações Unidas Cabo Verde, Objetivos Do Milénio - Relatório de Progresso de Execução dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio – Cabo Verde, 2009
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Conclusão

Cabo Verde está a crescer e os indicadores que analisam o crescimento mostram um


ritmo bastante interessante, que ao longo dos últimos dez anos vem-se verificando uma
economia em desenvolvimento, permitindo melhorias notáveis no setor da educação,
em que 85% da população é alfabetizada, o que quer dizer que em cada 100 pessoas, 85
sabem ler escrever e 98% têm acesso ao ensino primário universal. No setor da saúde
verifica-se uma redução notável na taxa de mortalidade infantil (morrendo 23 crianças
para cada mil nascimentos vivos no ano de 2011), mortalidade materna (morrendo 48
mães para cada cem mil nascidos vivos no ano de 2011) e o aumento da esperança
média de vida. Quanto aos objetivos do milénio o país apresenta trabalhos bastantes
interessantes e com possibilidades no cumprimento de muitos objetivos propostos pela
ONU. No caminho certo já foram cumpridos o 1º, 2º objetivos e o 4º não está longe de
ser cumprido, faltando apenas 4,3PP para se cumprir.

32
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Capitulo III: Análise da Situação Ambiental e Turística em


Cabo Verde
Introdução

A sustentabilidade ambiental é hoje uma preocupação de todos os países e a


população tem demonstrado vontade de garanti-la. Cabo Verde mostra muito interesse
na proteção e gestão futura do ambiente. O problema ambiental em Cabo Verde é
comum a todas as ilhas e está na origem da má utilização e gestão dos recursos naturais
e ordenamento do território inadequado.

Neste capítulo serão abordados os planos ambientais que Cabo Verde tem em dia,
como é feita a sua gestão e como as (in) formações chegam à comunidade local.

3.1. Políticas Ambientais em Cabo Verde

A gestão dos recursos naturais é fundamental para garantir a sua sustentabilidade, e


Cabo Verde é um país que deve seguir o exemplo de sustentabilidade ambiental, devido
à sua vulnerabilidade das ameaças ambientais que tem sofrido, através da perda de
biodiversidade, efeitos de aquecimento global, um deles, a subida do nível do mar.

Os organismos competentes vêm trabalhando na gestão dos recursos que Cabo Verde
possui, desta forma alinharam um plano ambiental de modo a colmatar os desvios que
nos são impostos, sintetizar e gerir os recursos da melhor forma possível de modo a
garantir um ambiente mais sustentável.

Já no segundo plano alinhado, denominado de Plano de Ação Nacional para o


Ambiente, com projeção estabelecida de 2004 a 2014, este plano define a situação
ambiental do país e as prioridades para a resolução dos problemas, e tem como objetivo
fundamental “dotar uma utilização dos recursos naturais e uma gestão sustentada das
atividades económicas”. Segundo o relatório, o II PANA, foi estruturado em duas fases,
em que “a primeira integra as preocupações ambientais para o desenvolvimento
nacional e a segunda assegura o envolvimento de integrar os responsáveis nos
desequilíbrios ambientais (sectores públicos, privados e sociedade civil) na

33
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

implementação da política ambiental Cabo-verdiana”. Com vista a gerir os recursos que


o país possui este plano foi traçado com os seguintes objetivos de forma a responder às
necessidades ambientais: (1) Definir as principais políticas para a gestão dos recursos
naturais e a sua intervenção no seu uso; (2) Identificar as oportunidades que o ambiente
nos oferece bem como as prioridades do desenvolvimento; (3) Trabalhar em prol da
melhoria das condições de vida das populações; (4) Tornar as questões ambientais nos
planos de desenvolvimento socioeconómico e (5) Definir mecanismos estruturais
institucionais, (Ministério do Ambiente, Agricultura e Pescas, 2004, p. 3).

Com o enfoque dos problemas ambientais prioritários em Cabo Verde, os que


constituem as mais graves, segundo Rocha & Neves, (2007, p. 17) são: elaboração e
implementação de um plano nacional de ordenamento do território mais eficiente, perda
da biodiversidade, degradação e poluição das zonas costeiras e diminuição da qualidade
do ar.

Com este plano ainda a decorrer, o II PANA apresenta uma visão ou estratégia de
forma a garantir que no final desta meta as preocupações ambientais sejam mínimas,
através da: (i) Intervenção e proteção na conservação dos recursos naturais e todo o
envolvente; (ii) Assegurar a educação ambiental; (iii) Trabalhar em rede no combate à
pobreza; (iv) Delinear um planeamento para os três pilares da sustentabilidade (social,
ambiental e económica), dando prioridades às questões ambientais sobretudo as que
constituem um risco para a população; (v) Reforçar as responsabilidades dos
contribuintes nas questões ambientais; (vi) Assegurar as políticas ambientais em toda a
atividade; (vii) Disponibilização de meios para o desenvolvimento da investigação
científica e tecnológica e (viii) Aumento de parcerias e o papel do setor privado nas
questões ambientais, (Ministério do Ambiente, Agricultura e Pescas, 2004, p. 11-12).

Alguns resultados obtidos com o PANA II

Nove anos após a sua implementação, o segundo plano que visa reforçar as questões
ambientais na utilização de recursos naturais eficientes e a promoção de atividades
económicas sustentadas, pode-se dizer que o plano está a funcionar no ritmo certo, e
com vista a preservar o ambiente, foi criada a taxa ecológica que entrou em vigor em 23
de outubro de 2010, aplicada sobre as embalagens biodegradáveis importadas ou de

34
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

produção nacional que varia entre, CVE 2,00 a 100,00, consoante o peso dos bens, e a
taxa turística que entrou em vigor no passado mês de maio de 2013.

Para além destas taxas, segundo a entrevista dada no canal televisivo, Televisão de
Cabo Verde (2013), Moisés Borges8 afirma que está prevista a criação da taxa de inertes
na luta contra a desertificação, permitindo a conservação das florestas, solo e água, etc.
O outro projeto está na origem do planeamento urbanístico, que permitirá um
planeamento e melhoramento da oferta e acesso a água potável para a população da
capital do país. Ainda nesta reportagem, Antero Veiga9 afirma que este projeto
permitirá melhor ligação das redes de água o que beneficiará várias zonas da capital do
país.

Outros planos e projetos no foco da sustentabilidade ambiental.

São vários os projetos que Cabo Verde tem em foco para garantir um ambiente mais
sadio e equilibrado. Projetos desde governamentais, instituições públicas, privadas,
associativismo e outros. O setor Ambiental é transversal a todas as áreas sociais. Desta
forma o II PANA integra um plano Ambiental Intersectorial denominado de PAIS
composto por 9 temas conforme a ilustração 6 infra demostrada.

Ilustração 5: Plano ambiental intersectorial (PAIS) de Cabo Verde

Educação, (In )
formação e
Recursos Sensiblização
Turismo
Hídricos

Ordenamento
de território,
Agricultura, infraestruturas
Silvicultura e e construção
Pecuária Ambiente e civil

Saneamento
Biodiversidade Básico e
Saúde

Pescas Indústria,
Energia e
Conércio

Fonte: Ministério do Ambiente, Agricultura e Pescas, 2004, p. 12

8
Direção geral do Ambiente
9
Ministro do Ambiente, Habitação e Ordenamento do Território

35
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Para além dos planos supra, Cabo Verde também disponibiliza outros projetos
intitulados como:

 Estratégia e Plano de Ação Nacional para o Desenvolvimento das


Capacidades na Gestão Ambiental Global em Cabo Verde;

 Plano Nacional da Luta contra a desertificação;

 Pano de ação Florestal Nacional;

 Perfil Temático na área das mudanças climáticas em Cabo Verde;

 Etc.

Surgiram também alguns projetos associativos de muita relevância para o país como
é o caso do “Projeto Cabo Verde” e “Projeto de educação ambiental em Cabo Verde”.

 O projeto Cabo Verde é de caráter voluntário com a estratégia de atuação a 3


níveis, educação e formação, saúde e sustentabilidade.

 O projeto de educação ambiental em Cabo Verde é um projeto dedicado à


preservação do ambiente intitulado “de lixo ao luxo”, enfatizando os 3R’s
(redução, reutilização e reciclagem), com trabalhos elaborados em oficinais na
construção de diversas peças para o usufruto da população.

Para além desses projetos, muitas empresas atualmente em Cabo Verde apresentam
numa das suas missões, contribuir para um ambiente mais equilibrado, compartilhando
ações de caráter voluntário para a sustentabilidade ambiental. Hoje a responsabilidade
social é frequente, encontrada em muitas instituições/empresas com enfoque não só na
redução da probreza mas também na proteção ecológica.

3.2. Poluição em Cabo Verde

Alguns dos recursos naturais são finitos, outras não, há uma capacidade de absorção
dos limites do ambiente, e quando é sobrecarregado esse efeito torna-se recíproco.

A poluição em Cabo Verde é ainda reduzida e menos preocupante, principalmente a


do ar, mas não uma questão de se esquecer ou de limitar a ser pensado. Conforme os
dados do IDH de 2012, no ano de 2008, Cabo Verde registou no total 0,6 toneladas de

36
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

emissões de CO2. Os aerossóis, mais conhecido por “Bruma Seca”, nuvens de poeiras
arrastadas do deserto de Sahara, constitui um problema para Cabo Verde e cada vez
mais tem aumentado, prejudicando a saúde humana e trazendo prejuízos para as
companhias aéreas.

O II PANA refere que a poluição da água está normalmente ligada à sobre-exploração


da água subterrânea e à má gestão da extração da área das praias. Quanto ao
derramamento de óleos ainda não existe nenhum plano, o que deverá ser introduzido
devido a localização geográfica, ainda que recebe constantemente tráfegos nacionais e
internacionais. A poluição dos solos nas áreas urbanas, está na origem da falta de
informação da população, ineficiência de infraestruturas de saneamento básico, e de
normas ambientais reguladas, (Ministério do Ambiente, Agricultura e Pescas, 2004, p.
7).

3.3. A política Ambiental do Poder Local e das Instituições em


Cabo Verde

Ter um plano nacional ambiental é importante, melhor ainda quando é distribuído


localmente, e constitui um objeto fundamental para desenvolvimento e sustentabilidade
ambiental.

O arquipélago de Cabo Verde é constituído por 22 municípios10 e todos têm um


plano ambiental denominado de PAM – Planos Ambientais Municipais. Na elaboração
do PAM, foram considerados três fases, divididas pelos seguintes municípios: (1ª) São
Vicente, São Filipe, Praia, Ribeira Grande, Boavista e Santa Cruz, (2ª) Maio, Porto
Novo, São Nicolau, Paúl e Sal e (3ª) Santa Catarina, Tarrafal, São Miguel, Mosteiros,
Brava e São Domingos, em que o problema do ordenamento do território, educação e
formação ambiental, estariam como base essencial na elaboração do plano, bem como
os critérios ambientais nacionais e a capacidade técnica institucional disponível dos
municípios. Os seis municípios que constituíam a primeira fase, afirmaram que a gestão
dos recursos naturais e dos resíduos são de caráter prioritários no plano de atuação,
(Ministério do Ambiente, Agricultura e Pescas, 2004, p. 15).

10
À data da elaboração II PANA (2004) Cabo Verde era constituído por 17 municípios.

37
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Todas as ilhas apresentam particularidades nas questões ambientais, umas que


precisam de mais atenção, outras menos, as características são diferenciadas, sabendo
que o reduzido ordenamento do território é comum a todas as ilhas merecendo um
enfoque principal. Quanto às instituições, pode-se dizer que têm cooperado quanto se
fala da sustentabilidade ambiental, garantindo um trabalho eficiente verificado através
da responsabilidade social e muitas empresas ainda não o fazem. Talvez porque há falta
de iniciativas, falta de meios ou até falta de informação, sensibilização ou
consciencialização das pessoas. Cada vez mais a responsabilidades social empresarial
com vertente ambiental tem surgido em Cabo Verde, por exemplo a empresa CV
Móvel, Sociedade Cabo-verdiana de Tabacos, Shell Cabo Verde, SARL, Cabeólica,
entre outra.

Para completar o rigor no plano, o II PANA espera que as organizações tenham um


desenvolvimento notável quanto às políticas ambientais, desta forma contribuindo e
espalhando trabalhos de responsabilidade ambiental, criando parcerias na preservação
da biodiversidade e entre outros, de forma a contribuir para um ambiente mais eficiente
e sustentável.

3.4. Educação Ambiental em Cabo Verde

A educação é fundamental para qualquer tipo de aprendizagem. Não só no governo,


mas também encontramos várias instituições que hoje trabalham para garantir uma
qualidade ambiental.

O governo também disponibiliza um plano com o horizonte temporal de 2004 a


2014, para a sensibilização e formação da população, intitulado como Plano
Intersectorial Ambiente e Educação, Formação, Informação e sensibilização. Constitui
um dos temas prioritários no II PANA e vem sendo instruída desde o ano de 1990 no
ensino formal. A (in) formação ambiental é disponibilizada a todos os níveis escolares
com o início no ensino pré-escolar até ao ensino superior, bem como para a educação de
adultos, formação profissional, e a população em geral. Além destes meios, utiliza
também a comunicação social nomeadamente programas televisivas, publicidades,
reportagens, etc., de forma a sensibilizar a população para a preservação do ambiente,

38
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

(Ministério do Ambiente, Agricultura e Pescas - Gabinete de Estudos e Planeamento


Cabo Verde, p. 18-25).

Muitas das ações tomadas a cabo por empresas, associações e entre outros com
carácter social estão ligadas às atividades de recolha de lixo, limpeza das praias,
plantação de árvores, palestras, workshops, proteção e defesa das biodiversidades, ex.
proteção das tartarugas careta-careta (espécie endémica), e além disso, disciplinas
lecionadas nas escolas que compõem a educação ambiental.

O Plano intersectorial Ambiente e Educação, Formação, Informação e sensibilização


com objetivo de formar e informar a população na preservação ambiental e os riscos
associados à sua má gestão, este plano tem como meta definida de que a ação proposta,
tanto em todos os níveis do ensino, bem como nos outros órgãos de comunicação (ex.
professores, jornalistas animadores comunitários), sirva para mudanças de atitudes e
comportamentos das populações, (Ministério do Ambiente, Agricultura e Pescas -
Gabinete de Estudos e Planeamento Cabo Verde, p. 31).

3.5. Contabilidade Ambiental em Cabo Verde

A proposta do orçamento geral do Estado (OGE) em 2012 foi de CVE 25.919


milhões (€235.061 milhões) menos CVE 6.609 milhões previstos para o 2013. Este
aumento deve-se ao facto do governo prever aumentar os seus gastos em investimentos
essenciais para melhorar a sua competitividade, mas também, porque prevê aumentar as
receitas na sede fiscal. O OGE (orçamento geral do estado) seguiu a seguinte
distribuição:

Tabela 4: Evolução do Orçamento do Estado Cabo-Verdiano (2011-2013)

Em milhões de CVE
Ministérios
2011 2012 2013
Gabinete do Ministro de Reforma do Estado 616 154 390
Gabinete do Primeiro-Ministro 216 290 211
Ministro-Adjunto do Primeiro-Ministro 52 12 27
Ministro da Presidência Conselho Ministro 42 21 36
Secretaria do Estado de Administração Pública 131 105 118
Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro 20
Ministro Assuntos Parlamentares 11 10 24
Ministério do Desenvolvimento Rural 2.269 2.316 3.219

39
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Ministério das Finanças e Planeamento 620 1.361 2.043


Ministério das Infraestruturas e Economia Marítima 10.120 8.346 10.073
Ministério da Administração Interna 494 331 266
Ministério da Cultura 66 43 96
Ministério da Defesa Nacional 106 49 67
Ministério da Educação e Desporto 910 1.225 1.422
Ministério da Justiça 484 428 469
Ministério da Juventude, emprego e Desenvolvimento RH 1.636 1.442 1.657
Ministério da Saúde 653 509 295
Ministério das Comunidades 20 16 21
Ministério das Relações Exteriores 21 5 6
Ministério de Ensino superior, Ciência e Inovação 97 43 121
Ministério do Ambiente, Habitação e Ordenamento do Território 592 689 1.814
Ministério do Turismo, Industria e Energia 871 1.502 3.529
Comissão Nacional de eleições 69 77
Presidência da República
Tribunal de Contas 24 33 15
Total 20.141 19.017 25.919
Fonte: Ministério das Finanças e do Planeamento, 2012, p. 110

De acordo com a tabela supra citada, note-se que o plano ambiental tem estado a
progredir nas questões da preservação ambiental e do ordenamento do território, através
do aumento dos gastos. Com um orçamento de CVE 592 milhões em 2011, ECV 689
milhões em 2012, em 2013 o valor orçamental para o MAHOT é quase três vezes mais
do que aquilo que foi orçado no ano transato. Ainda se pode constatar na tabela, no ano
de 2013, o MAHOT é o quinto com o maior orçamento ficando atrás do Ministério das
Infraestruturas e Economia Marítima, Ministério do Turismo, Indústria e Energia,
Ministério do Desenvolvimento Rural e Ministério das Finanças e do Planeamento.

Com vista a reforçar as políticas para preservar o meio ambiente e o seu envolvente, o
valor orçado em CVE 1.814M, será repartido para os seguintes programas do MAHOT:
“ CVE 917M destinado para a Mobilização da Água e Reforço da Capacidade de
Abastecimento; CVE 357M para a consolidação e Requalificação Ambiental e ECV
238M para o Sistema Nacional do Cadastro Predial”, (Ministério das Finanças e do
Planeamento, 2012, p. 113).

40
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

3.6. Análise S.W.O.T11. de Cabo Verde

Na perspetiva de analisar e validar quais os impactos que o crescimento económico


poderá ter sobre o meio ambiente, será importante fazer uma breve análise interna e
externa de Cabo Verde de forma a conhecer melhor o país nos quatros pontos: forças,
fraquezas, oportunidades e ameaças.

Tabela 5: Análise S.W.O.T. de Cabo Verde

Pontos Fortes Pontos Fracos

 Posição geoestratégica entre os três  Dependência dos mercados externos


continentes; e dos combustíveis fósseis;

 População jovem;  Taxa de desemprego: 16,8% - ano


2012, segundo o INECV;
 Economia em franco crescimento;
 Burocracias na administração
 Mercado dinâmico para atrair pública;
investimentos em diferentes áreas;
 Insularidade;
 Ilhas com grande potenciais e atrações
turísticas (vulcão, sol e mar, montanhas,  Sistema de abastecimento da
etc.); eletricidade e da água deficiente;

 Estabilidade Política, económica e social;  Consumo excessivo dos recursos


naturais sem a sua regeneração;
 Boas condições climatéricas (clima
tropical);  Insuficiência no tratamento de
resíduos e falta de incentivos para o
 Ambientes favoráveis para investimentos processo de reciclagem;
em energias renováveis;
 Insuficiência de ecopontos, existindo
 Presença de diferentes empresas apenas numa escola secundária;
multinacionais;
 A informação e a sensibilização
 Ambiente de negócio propício.
sobre as práticas ambientais poderão
não chegar a todos os residentes.

11
Sigla Inglesa que descreve os quatros pontos: S – Strenghts, W – Weaknesses, O – Opportunities, T –
Theats, traduzindo para português, as forças, as fraquezas, as oportunidades e as ameaças.

41
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Oportunidades Ameaças

 Investimentos em energias verdes;  Aumento dos níveis de poluição;

 Possibilidade de desenvolvimento de  Crise económica internacional;


turismo ecológico;
 Aquecimento global;
 Abertura de novos mercados;
 Forte exposição económica face ao
 Políticas fiscais atrativas. exterior;

 Corrupção.

No âmbito desta análise, devemos retirar o máximo benefício dos pontos fortes, atuar
no melhoramento dos pontos fracos que constituem a análise interna do país, ver as
oportunidades e internalizar as ameaças para que possamos ganhar margem para
mantermos mais competitivos e atrativos, reduzindo ou eliminando os potenciais riscos
que daí decorrem.

3.7. Turismo em Cabo Verde

O turismo é um dos principais motores da economia Cabo-verdiana e tem vindo a


ganhar cada vez mais peso na economia do país.

Nos últimos doze anos (2000-2012) verificou-se um aumento de entradas e


dormidas, passando 145.076 para 533.877 e de 162.095 para 3.334.275 respetivamente,
chegando a atingir pela primeira vez na nossa história em 2012, 533.877 mil hóspedes,
número este, maior do que a população Cabo-verdiana residente, o que se traduz numa
contribuição económica bastante importante. Apresentando também ligeiras quedas nos
anos 2002, 2004 e 2009. A partir do ano 2010, já se pode constatar um aumento maior
de entradas e dormidas dos turistas, muito embora, os principais países emissores têm
sido bastantes fustigados pela atual crise económico-financeira.

No primeiro trimestre de 2013, o número de hóspedes foi de 165.099, dormidas


970.272 e a estada média de 5,6 noites. Registou-se portanto um aumento face ao
primeiro trimestre de 2012 em que se tinha verificado respetivamente 139.334, 901.888
e 6,2 noites nas unidades hoteleiras, (INE – Estatísticas do Turismo, 1º Trimestre de
2013, p. 9).

42
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Ilustração 6: Entradas e dormidas dos turistas em Cabo Verde (2000-2012)

3.500.000
3.000.000
2.500.000
2.000.000
Entradas
1.500.000
Dormidas
1.000.000
500.000
0 2002

2007

2012
2000
2001

2003
2004
2005
2006

2008
2009
2010
2011
Fonte: INE - Estatísticas Económicas – Turismo (2012); INE – Estatística do Turismo 2012 –
Movimentação de Hóspedes, 2013, p. 7.

Os hotéis continuam a ser o estabelecimento mais procurado, representando 85%. A


ilha do Sal foi a mais procurada pelos turistas em quase todos os anos com exceção dos
anos de 2011 e 2012, pois a ilha da Boavista foi a mais preferida. Reino Unido é o
principal mercado emissor do turismo Cabo-verdiano e lidera já há alguns anos tanto
nas entradas, como nas dormidas e estadias. No ano de 2012 continuou a liderar como o
principal mercado emissor “com 21,6%, seguindo a França (13,0), Portugal (12,7) e
Alemanha (12,6) ”, (INE – Estatística do Turismo 2012 – Movimentação de Hóspedes,
2013, p. 9). No primeiro trimestre de 2013, a França passou a ser o líder com “16,5%,
Reino Unido com 15,8%, Alemanha com 13,6%, Países Baixos com 9,3% e Portugal
com 7,6%. Quanto à entrada e dormidas dos residentes Cabo-verdianos foram de 8,7% e
5,6% respetivamente”, (INE – Estatística do Turismo, 1º Trimestre de 2013, p.11).

3.8. Problemáticas do Turismo em Cabo Verde

Embora o turismo é o principal impulsionador para a economia Cabo-verdiana,


existem ainda muitos constrangimentos neste setor. Um dos principais problemas que
este setor vem enfrentando é a dificuldade sistemática no abastecimento regular quer da
eletricidade ou da água, embora as cadeias hoteleiras reduziram esse risco ao investirem
na auto produção de energia (energia verde). Pode-se identificar alguns problemas como
por exemplo: i) insuficiência da capacidade instalada da energia e da água para

43
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

satisfazer as unidades hoteleiras, uma vez que a procura é superior à oferta, e ii) os
preços praticados são elevados.

O PEDTCV (2010-2013, p. 62 – 93) estruturou alguns problemas com o turismo em


Cabo Verde, nomeadamente: (1) acessos, existindo assim, uma insuficiência de ligação
entre as ilhas e países emissores; (2) problemas de infraestruturas (e.g.: saúde, água e
energia, saneamento, educação, infraestruturas turísticas, etc.); (3) problema da
sustentabilidade, com uma política desenhada para a preservação ambiental e (4)
problemas da monotorização do turismo.

Pensamos que para solucionar o problema do fornecimento da eletricidade e da água,


e para obter um desenvolvimento do turismo de qualidade e sustentável seria necessário
que, (1) na elaboração do orçamento do estado deveria disponibilizar-se um valor
superior (3.529 milhões de escudos) para o Ministério do Turismo, Indústria e Energia
de forma a colmatar/minimizar os problemas com a eletricidade, permitindo assim a
satisfação das necessidades não só para os estabelecimentos hoteleiros, mas também,
para as restantes empresas e consumidores; (2) o Ministério do Turismo, Indústria e
Energia, juntamente com a empresa de fornecimento de energia e água, conseguir um
plano mais eficiente no fornecimento de energia; (3) a Electra e as unidades hoteleiras
deveriam estabelecer um contrato mais eficiente para aumentar a capacidade instalada
para o fornecimento de energia e água, de forma a satisfazer a procura. A outra solução
seria recorrer às energias verdes de forma a colmatar os desvios que a Electra apresenta.

3.9. Sustentabilidade Turística e o Ambiente em Cabo Verde

Um dos principais constrangimentos surgidos no ambiente advém do turismo e


outros fatores associados a ele, e, para colmatar estes desvios o governo Cabo-Verdiano
estabeleceu algumas diretivas de forma a proteger o ambiente, como é o caso da criação
da lei que define as Bases da Política do Ambiente; decreto-lei para regime jurídico das
áreas protegidas, para o património, para o impacto ambiental dos projetos, para
proteção dos ecossistemas, etc. Foram criadas algumas legislações de forma a proteger
todos os ecossistemas, criando assim, 47 áreas protegidas, 10 parques naturais, 19
reservas naturais, 6 monumentos naturais, 10 paisagens e 2 reservas integrais em todo o
país, (PEDTCV, 2009-2013, p. 85 - 86).

44
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Cabo Verde não está longe de ter um turismo sustentável, existindo ofertas para
turismo ecológico e algumas ilhas já o pratica. O país deverá ainda reavaliar os seus
objetivos delineados e colmatar os problemas do turismo. Desta forma, foi elaborado o
Plano Estratégico de Desenvolvimento do Turismo de Cabo Verde (PEDTCV) com
meta de 2010 a 2013, com vista a ter um turismo sustentável e que forneça uma
qualidade de vida melhor para os seus cidadãos sem pôr em causa os recursos para a
sobrevivência das gerações futuras, na qual utilizou três eixos de intervenção: “ (1)
aumentar a competitividade do destino Cabo Verde; (2) garantir a sustentabilidade da
atividade turística e (3) maximizar interiorização e democratização dos benefícios do
turismo”, (PEDTCV, 2010-2013, P. 107).

Ainda de forma a proporcionar um turismo de qualidade e sustentável o PEDTCV –


2010-2013, p. 116-117, estabeleceu alguns programas, divididos em quatro dimensões,
acesso, infraestruturas, sustentabilidade e monotorização. Na dimensão da
sustentabilidade com fins de garantir um turismo sustentável e uso dos recursos de uma
forma racional, o programa foi delineado nas duas vertentes da sustentabilidade, social e
ambiental e acrescentando a cultura à vertente, intitulados como: “ mais ambiente, para
mais turismo; mais cultura para o turismo e para um turismo com rosto social”.

As preocupações dos turistas, residentes e empresas turísticas, estão cada vez mais
assentes em questões de índoles ambientais, desta forma surgem novas motivações para
atividade turística: (1) turismo sustentável, (2) turismo responsável, (3) Ecoturismo, (4)
turismo de natureza, etc.

3.10. Impactos do Turismo – Condicionantes do Turismo

O turismo como qualquer outra atividade empresarial pode desencadear impactos


negativos para o sistema do ambiente, quer direta ou indiretamente. São várias as
atividades turísticas que se podem praticar em Cabo Verde, umas mais procuradas do
que outras, desde turismo sol e praia, turismo desportivo, negócios, natureza, eventos,
religioso, saúde e bem-estar e entre outros.

A preocupação constante na preservação do meio ambiente veio alterar os hábitos


dos consumidores. Desta forma, o turismo de natureza ou ecoturismo, nos últimos anos

45
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

tem vindo a ser muito procurado pelos consumidores verdes e os novos consumidores
ecológicos e a oferta é cada vez maior.

Analisando os três pilares da sustentabilidade, económico, social e ambiental, a


tabela infra mostra alguns dos benefícios e inconveniências que o turismo apresenta.

Tabela 6: Impactos do Turismo nos três pilares da sustentabilidade

Pilares da Impactos
sustentabilidade Positivos Negativos

 Aumento de indústrias e  Dependência excessiva


serviços de turismo; do turismo;
 Criação de novos postos de  Sazonalidade da procura
empregos; turística;
 Crescimento e desenvolvimento  Aumento do custo de
Económico da economia; vida;
 Criação e modernização de  Degradação de
infraestruturas de apoio ao infraestruturas.
turismo;
 Modificação positiva da
estrutura económica.
 Sensibilização e preocupação  Aumento dos níveis de
dos turistas e residentes na poluição e produção de
preservação do ambiente; resíduos;
 Criação de programas, projetos  Maior consumo da água
para a preservação ambiental; e da energia;
 Criação dos parques naturais;  Congestionamento;
Ambientais  Maiores incentivos aos  Destruição paisagística,
empreendedores investirem em da fauna e da flora;
medidas de proteção do  Degradação dos
ambiente; monumentos históricos.
 Convívio direto com a natureza;
 Incentivos à criação de pacotes
turísticos com produtos verdes.
 Aumento da responsabilidade  Alterações no modo de
social das empresas; vida da população;
Sociocultural  Aumento dos níveis culturais e  Geração de conflitos
profissionais da população e religiosos, crime,
autoestima; prostituição, tráfico de
 Valorização cultural e droga, etc.;

46
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

preservação do património  Desvalorização cultural


histórico. e destruição do
património;
 Mudança da população
(efeito da migração).

Para além dos impactos supra citados, existem também outras vantagens para o
turismo, que também influenciarão positivamente a preservação do ambiente e vice-
versa.

Existem também outras vantagens do turismo para o ambiente, em que poderá existir:

 Maior procura de transportes públicos e menos poluentes para a deslocação dos


turistas;

 O aumento da prática do turismo ecológico apresenta as vantagens de minimizar


o impacto nefasto sobre todo o sistema ambiental, i) favorece a interação
cultural, e para além de proporcionar benefícios económicos, cria um maior
incentivo à população local no sentido de preservarem o ambiente, ii) Turistas
mais responsáveis; iii) Os empreendedores turísticos terão maior preocupação (e
devem ser sistematicamente incentivados pelo governo) em investir ou consumir
produtos de baixas emissões de CO2.

Além das vantagens que o turismo tem para o meio ambiente, este também apresenta,
por seu lado, algumas vantagens em sentido oposto. Com o surgimento de novos
consumidores ecológicos a oferta é cada vez maior e diversificada, o que permitirá: i) a
diversidade da oferta turística, com a vantagem de combater a sazonalidade turística de
um país/região; ii) desenvolvimento região/país, o que poderá tornar-se num destino
verde e contribuirá para o desenvolvimento da economia rural, o que também favorece
o turismo rural; iii) com a preservação das áreas naturais protegidas, a atração dos
visitantes será ainda maior e possivelmente, incentivar a procura do destino para a
prática deste tipo de turismo.

47
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Soluções para um turismo sustentável.

Com o surgimento de novos consumidores, produtores verdes e sucessivas


preocupações com os danos ambientais, cada vez mais surgem alternativas para um
consumo mais racional e sustentável dos recursos. Desta forma, a crescente
responsabilidade social das empresas, as auditorias ambientais voluntárias, os rótulos
ecológicos que defendem a compatibilidade ecológica dos produtos e a expansão do
Eco-business, podem possibilitar, uma preocupação no que respeita à qualidade
ambiental. Algumas das soluções apontadas para um turismo sustentável estão na
utilização dos produtos certificados ecologicamente, rótulos ecológicos, certificação dos
estabelecimentos hoteleiros, etc.

No quadro infra destaca-se algumas vantagens e inconveniências no âmbito da


certificação.

Tabela 7: Vantagens e Desvantagens da certificação ambiental

Diminuição excessiva do consumo da água, energia e outros recursos


naturais;

Aumento da autoestima e motivação dos colaboradores e melhoria da


organização interna;
Vantagens
Possível aumento ou não dos turistas no destino e na unidade hoteleira;

Melhoria da imagem perante a opinião pública;

Possível eliminação ou melhoria perante os concorrentes;

Necessidade de alterar hábitos no interior e exterior da empresa;

Desvantagens A própria rapidez na preocupação da certificação poderá atingir os


consumidores (ex. reduzir a qualidade do serviço/produto; consumidores
insatisfeitos, etc.);

48
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

3.11. O Crescimento Económico e os seus Impactos sobre o


Ambiente

O impacto ambiental é toda a alteração ocorrida no ambiente provocado pela ação


humana. “Qualquer mudança no ambiente, seja adversa ou benéfica, resultantes total ou
parcialmente das atividades, produtos e/ou serviços de uma organização” (ISO 14001)12

Podemos indicar alguns exemplos dos impactos ambientais que poderão surgir com o
crescimento económico e vice-versa:

Impactos positivos

i. Com o crescimento e desenvolvimento económico haverá maior preservação do


ambiente, caso houver um plano eficiente na sua proteção;
ii. Com o crescimento económico, a produção e o poder de compra serão maiores,
poderá assim a preservação ambiental ser uma das preocupações dos cidadãos e
das partes envolvidas;
iii. Aumento das preocupações por parte das empresas, criando projetos
sustentáveis;
iv. Menor consumo dos recursos naturais escassos permitindo a sua regeneração;
v. Tendo em linha de conta as preocupações ambientais do país, poderá possibilitar
que os novos e os habituais consumidores verdes frequentem com mais
facilidade o destino, permitindo assim, o seu crescimento e desenvolvimento
económico;
vi. Geração de empregos verdes;
vii. Melhor qualidade de saúde dos cidadãos e visitantes, quando os projetos
ambientalmente sustentáveis implementados forem eficientes;
viii. Maior preservação dos recursos naturais e construídos (monumentos, arquitetura
paisagística, etc.);
ix. Reabilitação urbana e a preservação do espaço valorizado;
x. Maior preservação da biodiversidade e das espécies em extinção, bem como a
criação de áreas protegidas para a sua proteção;
12
ISO – Internacional Organization for Standardization é uma norma internacional, atua de diversas
formas de modo a ajudar que as organizações sejam mais eficientes e eficazes. 14001 é a norma
ambiental, denominada de Gestão ambiental, que tem como objetivo procurar ferramentas de forma a
identificar e controlar o impacto ambiental.

49
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

xi. Maior consciencialização do cidadão para as questões de preservação ambiental;


xii. O aumento do turismo permite o crescimento da economia e o seu
desenvolvimento.

Impactos negativos:

i. Perda, ou perigo para a biodiversidade, na medida em que os planos e as leis


básicas do ambiente não se intercedam na preservação do ambiente nacional;
ii. Aumento dos resíduos e poluição;
iii. Não possuindo um plano de ordenamento do território eficiente, o tal
crescimento e desenvolvimento económico poderá destruir a organização do
país bem como a biodiversidade e os seus habitats;
iv. Aumento do consumo da água e de energias fósseis;
v. Degradação paisagística;
vi. Aumento dos níveis de poluição;
vii. A elevada procura do turismo poderá provocar danos ambientais se o plano
nacional para o desenvolvimento do turismo não for executado
eficientemente;
viii. Consumo excessivo dos recursos naturais, bem como a sua degradação e
degeneração.

Alguns constrangimentos ambientais em Cabo Verde

Pensamos que alguns dos problemas ambientais existentes em Cabo Verde infra
alistados, possivelmente, tiveram origem com o crescimento e desenvolvimento
económico, nomeadamente:

 Aumentos dos resíduos;

 Aumento dos níveis da poluição;

 Aumento das infraestruturas turísticas, criadas nas orlas costeiras, que


tendencialmente provocam a degradação dos ecossistemas, e a sua principal
causa é a ineficiência do plano de ordenamento do território;

 Consumo excessivo da água, provocando assim a sua escassez em algumas


das ilhas;

50
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

 Degradação da flora e da fauna e riscos para os animais e plantas endémicas


e em vias de extinção;

 Elevado consumo dos combustíveis fosseis;

 Plano ineficiente para o saneamento, bem como a deficiência dum plano para
recolha, tratamento e eliminação dos resíduos;

 O aumento dos preços dos combustíveis permitiu numa boa parte, que a
confeção das refeições a gás (botija) fosse substituída pela biomassa (lenha),
que é utilizada sobretudo pelos residentes do meio rural, provocando assim a
degradação e a degeneração das árvores. Em Cabo Verde, o gasóleo é o
combustível fóssil com maior peso no consumo, com 41%, seguido da lenha
com 19,4% e o fuel com 16%, (Ministério da Economia, Crescimento e
Competitividade, 2008, p.8).

51
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Conclusão:

O desenvolvimento sustentável requer a existência de um plano de ação eficiente e


efetivo para o meio ambiente, como aliás também nas outras vertentes da
sustentabilidade. Cabo Verde vem revelando políticas em várias frentes no sentido de
garantir a sustentabilidade ambiental dos seus recursos, atuando, por isso, em frentes
como, por exemplo, agricultura, pescas, recursos hídricos, educação, turismo e entre
outras. A educação ambiental tem interesse inquestionável na formação e sensibilização
da população local, sobretudo quando focada no comportamento socio-ambiental, i.e.,
compreender, enquanto agentes da mudança, quais devem ser as nossas atitudes no
melhoramento de todo o sistema que envolve o ambiente. Nota-se entretanto, que
devida à pouca industrialização e, portanto, fraca competitividade do país, tem sido
dada muito pouca atenção às questões da poluição, porém entende-se que devem
priorizar esta matéria no sentido de prevenir futuras perturbações ambientais.

Pensamos que o governo deverá ter um plano mais eficiente relativamente à


educação dos turistas, nacionais e estrangeiras, não só para a prática do turismo e os
benefícios que este poderá ter sobre a economia mas também para o uso racional dos
recursos, o seu impacto e naturalmente, a sua valorização.

Podendo também encontrar vários impactos, quer positivos ou negativos, ligados ao


turismo, de forma a ter um turismo sustentável é necessário cumprir normas ambientais,
proteger os recursos naturais, escolher produtos/serviços com cariz sustentável, e entre
outros.

52
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Capítulo IV: Hipótese e Metodologia de Investigação


Introdução:

A preservação ambiental é hoje a preocupação de muitas pessoas, inclusive a das


empresas e do estado. Cada vez mais surgem variáveis económicas que estudam
comportamentos humanos e os valores que se atribuem para a valoração ambiental.

Neste capítulo desenvolvemos o modelo da nossa investigação, ou seja a


apresentação dos 2 (dois) métodos utilizados neste trabalho: o Método da Valoração
Contingente e o método do inquérito através de questionário e posteriormente,
apresentamos os resultados obtidos.

4.1. Valoração Ambiental

À medida que se procuram melhores condições de vida, deve-se também preocupar


com o consumo dos recursos públicos (v.g.: ver tragédia do comum) e do seu
envolvente. A valoração exprime a atribuição de um valor a um determinado bem em
termos monetários. Poderemos então dizer que, a valoração ambiental, exprime o valor
monetário atribuído a um bem ambiental.

4.1.1. Modelos da economia ambiental

São vários os modelos utilizados para estudar a economia ambiental, modelos como,
por exemplo, o dilema do prisioneiro da teoria de jogos, direitos de propriedades de
Ronald Coase, e tragédia dos comuns.

O Jogo do dilema do Prisioneiro implica interação dinâmica e estratégica entre dois


ou mais agentes “jogadores”, cujo objetivo é “jogar” a melhor estratégia (e obter o
maior payoff que daí decorre), ou seja, tomar uma decisão individual mais racional. Um
dos exemplos mais evidenciados na literatura moderna é o caso de 2 (dois) indivíduos
suspeitos de terem roubado (qualquer coisa) e são ambos presos postos em celas
separadas. Se ambos os suspeitos confessarem, então apanham o mesmo ano de prisão
(ex. 5 anos); se, pelo contrário, nenhum confessar, cada um dos prisioneiros apanha (ex.

53
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

2 anos), se um tentar violar unilateralmente o acordo para ser solto, o outro suspeito
apanha (ex.7 anos).

Este jogo pode ser estrategicamente desenhado da seguinte forma:

Ex1:

C NC O resultado ótimo seria que ambos não confessassem,


no que resultaria no Ótimo do Pareto, afirmando que é
C 5;5 0;7
possível melhorar o bem-estar de um indivíduo sem
NC 7;0 2;2 diminuir o bem-estar do outro indivíduo.

Ex 2: É então referido no jogo do Dilema do Prisioneiro que,


“This is a perfectly symmetric game that has only one
A/B High Low Nash equilibrium (low, low). First, note that the game is
very particular because each player has a dominant
High 10;10 5;15
strategy. Whether its rival plays high or low, a player
Low 15;5 6;6 always prefers to play low. Second the outcome of the
game is Pareto inferior: both players would be better off
Fonte: Motta (2004, p. 544) if they player (high high)”, (Motta, 2004 p. 544-545).

Bürgenmeier (2005, p. 138) afirma, segundo a interpretação do teorema de Coase,


que nos direitos de propriedade os bens são privados. Ainda salienta nas ps. 88 - 93, que
“os direitos de propriedade referem-se muitas vezes à terra que durante muito tempo foi
considerada um bem acessível a todos, e já não se trata de punir o poluidor ao exigir-lhe
um pagamento, mas sim de aceitar a poluição como um fato reconhecido. A atribuição
do direito da propriedade implica negociação entre as partes envolvidas, e se os custos
ultrapassassem os benéficos esperados numa negociação não haveria transferência de
um direito de propriedade”. Ainda cita a tese de Hardin quando diz que “a ausência do
direito de propriedade leva à sobre-exploração da natureza”.

54
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

A tragédia dos comuns é entendida como a subexploração dum recurso comum. No


caso ambiental, torna-se uma tragédia quando há um consumo excessivo do recurso
ambiental, sabendo-se que este é limitado.

Elinor Ostrom, a nobel da economia, define recursos comuns, como recursos de livre
acesso e deu a sua principal contribuição ao afirmar que existe rivalidade de acesso aos
recursos, nomeadamente recursos ambientais. Ainda afirma, que os recursos estão a ser
aproveitados de forma desproporcionados e que é possível encontrar mecanismos que
regulam a sua utilização e de uma forma racional, ECOCE (2009, p. 4 - 6).

4.1.2. Características dos bens públicos

São algumas das características que se podem encontrar quando se tratam dos bens
públicos, características como: (1) a rivalidade - em que, mesmo com adição de novos
consumidores ao serviço, não reduz o nível de utilidade para os consumidores, (ex.
pacotes de televisão); (2) a exclusão - quando os consumidores não têm capacidade de
excluir os novos consumidores, (ex. Pesca); (3) e a rejeição - quando o bem é
consumido por todos, mesmo que não o desejam, (ex. qualidade do ar), (ECOCE –
Boletim da Sociedade Brasileira da Economia Ecológica, 2009, p. 4).

4.1.3. Valores ambientais

Valor Económico Ambiental = Valor de Uso + valor de não-uso

Um dos requisitos na escolha do método a utilizar, é saber qual o valor do


bem/serviço ambiental a avaliar (podendo este ser de valor de existências, opção e uso).
Podemos então traduzir a equação do valor económico ambiental total, segundo Garrod
& Willis, (1999, p. 6) como:

55
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Ilustração 7: Tipos de Valores Ambientais

O valor de não uso subdivide-se pelo


Valor de não Valor de valor da existência que caracteriza o
- uso existencias
Valor valor de um bem ambiental. O valor
Económico Valor de
Ambiental opção de uso é utilizado para referenciar o
Total
Valor de uso
momento da utilização de um
Valor de uso
actual
bem/recurso ambiental, podendo este
Valor de ser no presente como no futuro, e
quase opção
subdivide-se em: valor de opção,
valor de uso atual e valor de quase opção, (Garrod & Willis, 1999 p. 10-11).

4.2. Modelos e Variáveis de Investigação


4.2.1. Métodos de valoração ambiental

São hoje utilizados alguns métodos económicos de modo a responder às necessidades


ambientais e cada um apresenta particularidade na sua utilização e aplicação.

Os métodos de valoração ambiental têm como objetivo analisar os custos e os


benefícios ambientais sobre o bem-estar da população e dividem-se em: Método de
Custo de Viagem, Método de Preços Hedónicos e Método de Valoração Contingente.

O Método Custo de Viagem ou Deslocação (MCT, sigla em inglês) é aplicado ao


espaço de recreação, analisa os custos proporcionados pela deslocação, e os benefícios
que o local oferece. O termo em ingles é the Travel-Cost Metho: “is primarily employed
to estimate the demand or marginal valuation curve for recreation sites” (Garrod &
Willis, 1999 p. 7).

O Método dos Preços Hedónicos (MPH) examina o valor que os bens ambientais
têm sobre os preços dos imóveis. Para Garrod & Willis, (1999 p. 7), “the Hedonic Price
Method (HPM) is based on consumer theory which postulates that every good provides
a bundle of characteristics of attributes”.

56
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

O Método de Avaliação Contingente (MAC) avalia o comportamento dos


indivíduos na sua Disposição A Pagar (DAP) e a Disposição A Receber (DAR), para
valoração ambiental, através da aplicação de metodologia de questionários.

4.2.2. Apresentação do Método de Avaliação Contingente (MAC)

O Método de Avaliação Contingente, que examina as atitudes dos indivíduos perante


as questões ambientais é aplicado a todos os bens ambientais e apresenta característica
de uma situação hipotética, em que se oferecem diferentes valores, o inquirido escolhe a
melhor situação. Segundo Bürgenmeier (2005, p. 104), os dados recolhidos permitem
calcular um preço fictício de um bem ambiental, interpretado como um valor monetário
teórico. Para Garrod & Willis, (1999 p. 125) o MAC, em inglês, CVM (Contingent
Valuation Methods), “responses are sought from individuals as to their action
contingent on the occurrence of a particular hypothetical situation”, e ainda assegura
que o “CVM is an important tool in environmental valuation because revealed
preference, or behavior in the market place, cannot value all environmental good”.

Bürgenmeier (2005, p. 104) afirma que este método levanta objeções pelo facto de
ser possível haver um desvio sistemático entre o preço fictício e real, o que pode
originar em enviesamento em diversas categorias: (i) permite o enviesamento
estratégico, em que o valor declarado tem de ser pago; (ii) o enviesamento do valor
inicial influencia também a vontade de pagar; (iii) As respostas obtidas são muito
sensíveis à ordem pela qual as informações são apresentadas tanto pela sua qualidade
como pela sua quantidade e (iv) o enviesamento hipotético não permite afirmar se o
valor determinado é o que efetivamente a sociedade atribuía numa situação concreta.

Segundo Garrod & Willis (1999 p. 126 - 127), O MAC apresenta duas técnicas
mensuráveis na sua aplicação: Técnica de Disposição A Receber (DAR) e Técnica da
Disposição A Pagar (DAP).

 A Técnica da Disposição a Receber (DAR) pretende saber quanto é que os


indivíduos estariam dispostos a receber em termos monetários por uma
compensação ou para aceitar um dano ambiental;

57
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

 A Técnica da Disposição a Pagar (DAP) analisa a disposição dos indivíduos em


pagar um determinado valor em termos monetários para proteção ou melhoria no
meio ambiente ou para evitar um dano ambiental.

 Formas de licitação da DAP e da DAR

Segundo Garrod & Willis, (1999, p. 134), no Método de Avaliação Contingente a


licitação é feita de duas formas, através de:

 Questões abertas (Open-ended), não são oferecidas nenhum valor, e é pedida o


valor máximo que o indivíduo estaria disposto a pagar;
 Questões fechadas (Closed-ended) são oferecidas os valores e o indivíduo teria
de escolher um valor, que melhor se adequa ao seu nível de bem-estar.

Ainda nas questões fechadas são feitas outras licitações, em que o indivíduo teria de
especificar os valores, conforme a figura infra representada, através de:

Ilustração 8: Formas de licitação do inquérito na técnica da DAP e DAR

Payment card (Cartão de Pagamento), é


Questões Abertas oferecido um conjunto de valores e é pedido
o valor máximo da DAP.
Formas de (Open Ended)
Licitação Bidding Games (Jogos de Leilão), é uma
Qestões
Fechadas questão dicotómica. Para determinar o valor
mais peciso, a soma do valor é repetida de
(Closed Ended) forma a determinar se o indivíduo estaria
disposto a pagar ou não.

Escolha dicotómica, é oferecido um valor e


o inquerido teria de escolher se pagaria ou
não.

Fonte: Garrod & Willis, 1999 p.134-136

 Formas de inquirição

Existem várias formas de inquirir um determinado público-alvo, através de:


entrevistas pessoais ou entrevista no local, entrevistas por telefone, questionário enviado
por e-mail ou online, e questionário para preencher sozinho deixados num local público,
(Garrod & Willis, 1999 p.136-137).

58
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

 O tamanho da amostra

É importante que no MVC, se define o tamanho da amostra com precisão. Em termos


estatísticos, a amostra é chamada de população, ou seja, o número de população que
respondeu ao questionário. Quanto maior for o tamanho da amostra, menor é a variação
nos valores médios da DAP e o erro, (Garrod & Willis, 1999 p.138-139).

 A estimativa da média e da Mediana e da DAP e da DAR

O Método de Valoração Contingente permite que os valores estatísticos sejam


calculados de diferentes formas, através da média, mediana, dos estimadores aparados
(trimmed), dos estimadores modificados, do desvio padrão e de outras medidas de
dispersão. A média na Disposição a Pagar e a Receber é mais fácil de ser calculada,
enquanto a mediana é a mais recomendada. Os estimadores aparados (trimmed) são
empregues quando há um enviesamento, de forma a saber o porquê das observações
estarem erradas e quais os valores que devem ser excluídos dos cálculos dos valores
médios. Os estimadores modificados provêm da aceitação das estimativas corretas e
eliminação das respostas enviesadas ou ilegítimas quando há tendência em seguir a
estratégia de free-riding, (Garrod & Willis, 1999 p.139-140).

 Verificação da validade do estudo do MVC

Para Garrod & Willis (1999 p.141-150), a validade do estudo da Valoração


Contingente é feita de três formas: Validade do Conteúdo, Validade de Critério e
Validade de Construção.

 A Validade do Conteúdo faz um enquadramento do estudo ao bem a ser


valorizado; é difícil de medir, depende muito da experiência e do julgamento
intuitivo de quem avalia, analisa-se os seguintes critérios: na análise do bem,
foram fornecidas detalhes suficientes? O veículo do pagamento é realista? Os
inquiridos aceitam o formato da DAP e tiveram tempo suficiente para pensar? O
estudo foi bem endereçado?

 Na Validade de Critério, a questão é hipotética o que pode produzir respostas


hipotéticas, porque induz o indivíduo a pensar muito sobre o valor dos bens e o
valor que estão dispostos a pagar, comparando com o preço do mercado.

59
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

 A validade de Construção requer que em algumas circunstâncias o resultado da


DAP na Valoração Contingente seja semelhante aos outros métodos, o do Custo
de Transportes e dos Preços Hedónicos.

4.3. Método do Inquérito Via Questionário

A metodologia de inquéritos via questionários, é uma das ferramentas mais utlizadas


para recolher, processar e agregar informações. O inquérito é entendido como um
conjunto de questões dirigidas a um determinado público-alvo. “É uma interrogação
particular acerca de uma situação englobando indivíduos, com o objetivo de
generalizar” (Ghiglione & Matalon,1992, p. 8).

4.3.1. Objetivos dos questionários

Qualquer metodologia utilizada para investigação comporta objetivos. São quatros


objetivos contemplados na metodologia de inquéritos via questionários: (1) Estimar
certas grandezas absolutas; (2) elaborar uma estimativa das grandezas relativas; (3)
descrever uma população ou subpopulação e (4) verificar hipóteses sob a forma de
relações entre duas ou mais variáveis. E é considerado este último como o mais
importante, segundo os autores (Ghiglione & Matalon, 1992, p. 106).

4.3.2. Escalas de Medidas

Quanto à escala de medidas do questionário, segundo Hill & Hill (1998, p. 25-34),
existem quatros: escalas nominais, ordinais, intervalos e de rácio.

A escala nominal é um conjunto de categorias de respostas qualitativamente


diferentes e mutuamente exclusivas. A escala ordinal admite uma ordenação numérica
das respostas alternativas. A escala de intervalo apresenta característica ordinal e
adicional, em que o primeiro, o valor numérico mais elevado na escala indica uma
quantidade maior da variável medida, e o segundo as diferenças nos valores numéricos
indicam diferença na quantidade da variável medida. A escala de rácio tem todas as
características das escalas do intervalo, mas tem uma característica adicional, em que o
valor zero não é arbitrário, ou é absoluta ou real.

60
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

4.3.3. Tipo de Questões

Existem 4 tipos de questões, segundo os autores Ghiglione & Matalon (1992 p. 114-
121): (1) questões que se debruçam sobre opiniões, atitudes, preferências, etc., (2)
questões que se debruçam sobre os factos; (3) questões abertas, em que o inquirido
responde abertamente, dando comentários, opiniões, etc., e 4) questões fechadas,
colocadas uma lista de respostas pré estabelecidas e o inquirido terá de escolher a
resposta mais adequada.

4.4. Metodologia de Investigação

Introdução

No início do mês de maio de 2013, entrou em vigor a taxa turística a aplicar sobre a
entrada dos turistas nas unidades hoteleiras Cabo-verdianas. Taxa esta, no valor de CVE
220,00 (€2,00), aplicada para as estadias até 10 dias, liquidada em moeda local, e
aplica-se apenas aos turistas com idade superior a 16 anos. O montante arrecadado será
canalisado nos investimentos do sector do turismo, nomeadamente na proteção do
ambiente, na estruturação da oferta turística, na sua promoção, na segurança e na
formação.

4.4.1. Objeto e objetivo do Estudo

O objeto deste estudo é a proteção ambiental em Cabo Verde, foi elaborado através
de questionário e tem como objetivo avaliar o comportamento dos turistas e dos
cidadãos Cabo-verdianos sobre o ambiente e o valor que estão dispostos a pagar para a
sua preservação.

Este questionário permitiu-nos, numa primeira fase, traçar o perfil socioeconómico


dos inquiridos, nomeadamente a idade, o sexo, a habilitação académica, a profissão, o
rendimento, a nacionalidade e o país de residência. Na segunda fase, permitiu-nos saber
um pouco mais sobre os turistas e os cidadãos Cabo-verdianos, quanto às suas opiniões
sobre a taxa aplicada aos turistas nas unidades hoteleiras em Cabo Verde e o
comportamento perante a proteção ambiental, através duma contribuição financeira.

61
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

4.4.2. Utilização do método e formas de licitação

Para a valoração ambiental em Cabo Verde, foi utilizado o Método da Valoração


Contingente (MVC), através da técnica “Disposição A Pagar” (DAP) dos turistas e dos
cidadãos Cabo-verdianos. Este método visa determinar um valor que os indivíduos
estariam dispostos a pagar para a preservação ambiental em Cabo Verde. O valor médio
estabelecido deveria ser utilizado como o preço do mercado a pagar para a preservação
ambiental. Foi também utilizado o método de inquérito via questionário.

Na aplicação do questionário, através da técnica DAP, foi utilizada a técnica binária,


cuja resposta é “sim ou não”, e a licitação de closed Ended (Questões fechadas), através
de Payment card, onde foram dados um conjunto de valores, e o inquirido teria de
escolher um valor no qual consideraria a sua disposição máxima a pagar para a
preservação de um bem ambiental.

4.4.3. Formas de Inquirição

O questionário foi realizado online, através do e-mail dinâmico da FEP – UP,


(enviado para 5715 pessoas, incluem-se os funcionários, estudantes, de diferentes graus
de ensino e de diferentes cursos e nacionalidade) e através da rede social Facebook
(para 797 pessoas de diferentes nacionalidades), tornando estes o público definido.

4.4.4. Parâmetros Adotados

A primeira fase do questionário sobre a Disposição A Pagar (DAP), conta com a


hipótese do pagamento da taxa turística nas unidades hoteleiras para a preservação
ambiental. Já na segunda fase foram oferecidos os seguintes valores como a DAP para a
proteção ambiental:

 Para os turistas: €1,00; €2,00; €3,00; €5,00 e mais de €5,00.


 Cidadãos Cabo-verdianos (em Escudo de Cabo Verde13): CVE 50,00
(correspondente a €0,45); CVE 100,00 (€0,90); CVE 200,00 (€1,81); ECV
300,00 (€2,72); e mais de CVE 500,00 (€4,53).

13
A moeda Cabo-verdiana, o escudo, tem uma taxa de referência fixa, em que CVE 100,00 corresponde a
€0,90.

62
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Então podemos resumir que os parâmetros adotados, que constituem as nossas


variáveis, são: a idade, o sexo, a habilitação académica, a profissão, o rendimento, a
nacionalidade, o país de residência e a DAP.

4.4.5. Aplicação do Questionário

Após a fixação dos parâmetros, deu-se a realização do questionário a 6241 pessoas. Até
à data da análise do resultado (11/06/2013), obtivemos o tamanho da amostra de 263
respostas, sendo que 5 (cinco) respostas constituem o enviesamento, dado à sua
repetição, e o não fornecimento da DAP pelo que não serão considerados.

63
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Capítulo V: Apresentação e Análise dos Resultados

O tamanho da amostra do questionário é de 258, obtivemos as seguintes respostas,


das quais iremos desenvolver por ordem das questões colocadas:

Caracterização Socioeconómica

1. Idade

37 - 65 Mais de
Os indivíduos que responderam ao
Anos; 65 anos; 0
inquérito têm idades entre os 16 e 65
54 inquirido
inquiridos anos, embora fosse utilizada mais de
16 - 25 65 anos de idade como parâmetro,
26 - 36 Anos; 144
Anos; 60 inquiridos mas não tivemos quaisquer
inquiridos resultados.

É de notar que a maior parte dos nossos inquiridos têm idade situada entre os 16 e os
26 anos, com 144 respostas. Utilizamos a idade a iniciar dos 16 anos, dada que a taxa
aplicada nos estabelecimentos hoteleiros são para os turistas com idades superiores aos
16 anos.

2. Sexo

A maioria dos nossos inquiridos é do sexo feminino, com 152 respostas, e 106 é do
sexo oposto.

64
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

3. Habilitação Académica

Quanto ao grau do ensino, a maioria dos nossos inquiridos possuem a licenciatura


seguida de 12º ano, frequentam mestrados e doutoramentos. Esta questão divide-se pelo
seguinte:

150
100
50 118
65 47
0 1 2 1 22 2

Nível de Habilitação

Podemos dizer então, que os nossos inquiridos possuem um grau de ensino elevado,
o que poderá muito influenciar nas respostas e o melhor tratamento do questionário,
uma vez que possuem maior responsabilidade em responder às questões.

4. Profissão

No que concerne à situação profissional dos nossos inquiridos, podemos encontrar:


estudantes, desempregados, aposentados, estagiários, e empregados. Os empregados são
de diferentes áreas, tais como: Administrativa, gestor, analista, advogado, assistente,
auditor, bancário, condutor, consultor, contabilista, cozinheira, empresário, engenheiro,
economista, professor, diretor, e entre outros. Quanto à posição dos nossos inquiridos na
maioria são estudantes, com 140, em segundo lugar estão os professores, com 17, e em
terceiro lugar os gestores, com 10 inquiridos.

65
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

5. Rendimento Médio Líquido Mensal do Agregado Familiar

Quanto a esta questão supra colocada, foram agrupadas e cambiadas em duas moedas
nacionais, o Euro (€) e o Escudo Cabo-verdiano (CVE). Desta forma, obtivemos as
seguintes respostas quanto ao rendimento do agregado familiar:

Rendimento Médio mensal do Agregado Familiar

< = €500,00 / CVE 55.132,5


17%
43% €501,00 a €750,00 / CVE
11% 55.242,765 a CVE 82.698,75
€751,00 a €1.100,00 / CVE
18% 82.809,015 a CVE 121.291,5
11% €1.101,00 a €1.500,00 / CVE
121.401,765 a CVE 165.397,5
Acima dos €1.501,00 / CVE
165.507,765

É possível verificar neste gráfico, que a maioria do agregado familiar dos nossos
inquiridos possui um rendimento médio mensal líquido acima dos €1.501,00 que
correspondem a 111 inquiridos. Nas escalas dos rendimentos, a primeira corresponde ao
número de 45 inquiridos, a segunda de 27, a terceira de 47 e a quarta de 28 inquiridos.

6. País de residência e Nacionalidade

A maioria dos nossos inquiridos reside em Portugal com 243, e 11 residem em Cabo
Verde, encontramos também residentes no Brasil, nos Estados Unidos da América e na
Holanda. Quanto à nacionalidade, uma vez que o inquérito foi aplicado na FEP, a
maioria dos inquiridos são portugueses, com 233, 18 são Cabo-verdianos, também
encontramos nacionalidade Brasileira (3), Italiana (2) e Americana (2).

Turismo em Cabo Verde

Passando para a questão do turismo em Cabo Verde, com objetivo de saber, quantas
pessoas já visitaram Cabo Verde e com que regularidade obtivemos as seguintes
respostas: 32 inquiridos referiram que já visitaram Cabo Verde e 208 ainda não o
visitaram. Na maioria, só fizeram uma visita a Cabo Verde nos últimos cinco anos.

66
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Tivemos também, inquiridos que visitaram este país com alguma frequência cinco, três
e duas vezes.

Dos 208 que afirmaram que nunca visitaram Cabo Verde, 162 têm interesse em
visitar e 46 não têm. Pensamos que o motivo que se associa do não interesse na visita a
Cabo Verde está na origem da situação financeira, uma vez que, o rendimento médio
mensal do agregado familiar desses inquiridos são baixos, situados entre, </= €500,00
aos €1.500,00. Na visita a Cabo Verde, todos os inquiridos responderam que se
hospedaram nos estabelecimentos hoteleiros.

Resumo:

Através da tabela infra, podemos analisar melhor a questão da viagem dos inquiridos
a Cabo verde.

Visitou Caso não visitou, Hospedou-se nas


Com que
Nº de Inquiridos Cabo tem Interesse em unidades hoteleiras
frequência?
Verde? visitar? em CV?
1X – 26
2X – 3
Sim 32 162 32
240 3X – 2
5X - 1
Não 208 46 0

67
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Preocupação Ambiental dos Turistas

As questões que fazem parte do tema infra têm como objetivo avaliar a preocupação
dos turistas e quanto estariam dispostos a pagar para a valorização ambiental em Cabo
Verde e foram feitas as seguintes questões:

1. Considera importante que o governo Cabo-verdiano imponha um custo diário de


estadia para os turistas para criar um fundo para financiar o sector do turismo?

Importância da taxa Uma vez que a taxa a aplicar servirá para


turística financiar o setor do turismo e em parte o

Não ambiente, 142 inquiridos de diferentes


41% nacionalidades, exceto Cabo-verdianos,
Sim responderam que sim e 98 responderam que
59%
não.

2. Está disposto a pagar a taxa turística nos estabelecimentos hoteleiros em Cabo


Verde, sabendo que esta se destina em parte para a preservação ambiental?

DAP da taxa Quanto a esta questão 197 inquiridos


turística responderam que sim e 43 responderam que não.

Sim

Não

2.1. Os inquiridos que responderam que não estariam dispostos a pagar a taxa
aplicada nas unidades hoteleiras, propuseram as seguintes medidas alternativas
de forma a resolver a situação:

Que as empresas de todo o sector contribuíssem, para o fundo do turismo;

Que a taxa fosse incluída nos preços dos pacotes de modo a que os turistas não sentissem
esse efeito;

As empresas que lucram com o turismo, os estabelecimentos hoteleiros, os operadores


turísticos e o comércio, pagassem uma taxa para o fundo do turismo;

O estado Cabo-verdiano deveria obter fundos através dos impostos cobrados à população
Cabo-verdiana;

68
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Sensibilizar e educar os habitantes para a preservação ambiental;

Deveria ser aplicado uma taxa em certos serviços prestados aos turistas;

A taxa deveria ser paga pelos residentes e a partir de um certo número de visitas, os
turistas poderiam pagar a taxa.

3. Quanto é que estaria disposto a pagar (DAP) para a preservação ambiental em


Cabo Verde?

Esta questão evidencia o valor disposto a pagar pelos turistas para a preservação do
ambiente em Cabo Verde. Foram colocados à disposição da população os seguintes
valores e o inquirido aceitava o valor que melhor se adequa ao seu bem-estar: €0,00;
€1,00; €2,00; €3,00; €5,00 e mais de €5,00. Tendo em conta os 240 inquiridos, os
resultados da DAP foram os seguintes:

O valor mais procurado como o


valor máximo para a proteção
DAP ambiental em Cabo Verde foi
80
de €1,00.
60 71
61
40 Podemos também ver, que os
39
20 32
22 valores superiores a €1,00€ são
0 15
Nada 1,00 € 2,00 € 3,00 € 5,00 € Mais de também muito aceites, o que
5,00€ significa que o ambiente tem
um preço elevado.

Podemos então concluir, que uma boa parte dos indivíduos (39), não estão dispostos
a pagar para a proteção ambiental em Cabo Verde. A maior parte dos inquiridos (71)
estão dispostos a pagar €1,00; 61 inquiridos com €2,00; 22 com €3,00; 32 com €5,00 e
15 inquiridos estão dispostos a pagar mais do que €5,00, para a preservação ambiental
em Cabo Verde.

69
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Preocupação Ambiental dos Cabo-verdianos

Com o objetivo de conhecer o comportamento e a opinião que os Cabo-verdianos


formulam sobre o ambiente e o preço que estão dispostos a pagar para a sua
preservação, esta parte do questionário foi estruturada da seguinte forma: a primeira e a
segunda pergunta da fase da preocupação ambiental dos Cabo-verdianos foram iguais à
primeira e segunda pergunta da fase da preocupação ambiental dos turistas, de forma a
obter opiniões dos Cabo-verdianos sobre a taxa turística nas unidades hoteleiras.

Tivemos as mesmas respostas na pergunta 1 e 2. Na primeira questão, se os cabo-


verdianos consideram importante que o governo imponha um custo diário sobre os
turistas com objetivo de financiar o fundo do turismo, 17 inquiridos responderam que
sim e 1 inquirido respondeu que não. Na pergunta que referia se estariam dispostos a
pagar essa taxa, 17 inquiridos responderam que sim e 1 inquirido respondeu que não.

3. Se é Cabo-verdiano residente na diáspora, na sua viagem ao país de origem


tenciona contribuir financeiramente para a preservação ambiental?

Dos 18 inquiridos Cabo-verdianos, 9 residem fora de Cabo Verde, dos quais 8


vivem em Portugal e 1 na Holanda. Dos 9 inquiridos que residem na diáspora, todos
disseram que tencionam contribuir para a proteção ambiental quando forem de viagem a
Cabo Verde.

3.1. Caso afirmativo, por favor indique qual é a sua Disposição a Pagar-DAP (em
Escudo Cabo-verdiano – CVE).

Foram dados os seguintes valores como a DAP, e o indivíduo teria de escolher um


valor que mais se adequa ao seu nível do bem-estar: CVE 200,00; CVE 300,00, CVE
500,00 e mais de CVE 500,00, obtivemos os seguintes resultados:

70
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

7 Dos 9 inquiridos que residem na


Valor da DAP
6 diáspora Cabo-verdiana, 6 estão
5
dispostos a pagar CVE 220,00
4
3 6 (€2,20); 1 inquirido CVE 300,00
2 (€3,30) e 2 inquiridos CVE 500,00
1 2
0
1
0
(€5,50). Quanto ao último valor
CVE CVE CVE Mais de oferecido, não obtivemos
200,00 300,00 500,00 CVE
500,00 quaisquer resultados.

4. Caso estivesse a residir em Cabo Verde gostaria de contribuir com um montante


mensal para a proteção ambiental?

Com uma situação hipotética, dos dezoito (18) inquiridos Cabo-verdianos, todos
responderam que estão dispostos a contribuir com um valor mensal para a proteção
ambiental em Cabo Verde.

4.1. No caso afirmativo da Disposição A Pagar, foram oferecidos os seguintes


valores: CVE 50,00; CVE 100,00; CVE 200,00; CVE 300,00 e mais de CVE 500,00 e
obtivemos os seguintes resultados:

Valores da DAP Dado o baixo salário mínimo


nacional no valor de 110.000 ECV
(99,75€), os valores mais
8 escolhidos pelos inquiridos foram
5
3 2
0 100,00 ECV e 50,00 ECV.
ECV 50,00 ECV ECV ECV Mais de
100,00 200,00 300,00 ECV Pensamos que os valores escolhidos
500,00
são razoáveis, e se todos os
contribuintes dispensassem pelo menos ECV 50,00 do seu rendimento teríamos um
ambiente mais sustentável.

71
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

4.2. No caso da não Disposição A Pagar, foram solicitadas que propusessem alguma
medida alternativa para resolver a situação.
Nesta questão não tivemos nenhum resultado, porque dos 18 inquiridos todos
responderam que estão dispostos a contribuir financeiramente para a proteção ambiental
em Cabo Verde.
5. Na sua opinião, qual seria a prioridade na utilização das verbas para a proteção
ambiental?

Antes de mais, podemos referir que, as opiniões facultadas foram muito interessantes
para o tratamento de dados e propostas de melhoria para o país. As opiniões foram as
seguintes:

Proteção das espécies marinhas, das árvores, e de toda a biodiversidade em extinção;

Valorização dos serviços prestados pelo setor do ambiente e de saneamento público


através do aumento salarial;

Criação de um centro de tratamento e reciclagem do lixo;

Recolhas do lixo;

Proteção das praias;

Campanhas de mobilização e sensibilização sobre a proteção ambiental;

A verba arrecadada se destinasse para o orçamento do governo;

Mais segurança no parque natural;

Limpeza e manutenção das praias;

Conservação e expansão dos espaços verdes;

Educação ambiental nas escolas primárias, para que possamos vir a ter uma geração
mais preocupada com a conservação do meio ambiente e dos ecossistemas.

72
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Média da DAP

O valor da Disposição A Pagar (DAP) neste questionário é meramente hipotético,


servindo só, para auferir dados sobre os valores aceites na preservação ambiental em
Cabo Verde.

Com os dados obtidos do questionário, foi aplicado no programa E-views,


disponibilizado na FEP, com o objetivo de calcular a máxima Disposição A Pagar para
a preservação ambiental em Cabo Verde para as duas subpopulações: preocupação
ambiental dos turistas e preocupação ambiental dos Cabo-verdianos.

Foram utilizadas as seguintes variáveis:

 Variável dependente – DAP


 Variáveis independentes com as seguintes designações: Idade (ID); Rendimento
(RD); Sexo (SEX) e ocupação como Estudante (DST).

As variáveis idade e rendimento foram distribuídas por categorias. O sexo é uma


variável dummy, sendo 1 se é mulher e 0 se é homem, bem como a dummy DST
(estudante) = 1 quando a ocupação é estudante.

73
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Tabela 8: Média da DAP dos Turistas e Cabo-verdianos

Média da DAP para os turistas Média da DAP para os Cabo-verdianos

Sample: 1 261 IF NAC=0


Sample: 1 261 IF NAC=1

DAP DAP

Mean 2.045833 Mean 1.334444


Median 0.910000
Median 2.000000 Maximum 4.530000
Maximum 5.000000 Minimum 0.450000
Minimum 0.000000 Std. Dev. 1.247445
Skewness 1.918135
Std. Dev. 1.679928
Kurtosis 5.453505
Skewness 0.713013
Kurtosis 2.312029 Jarque-Bera 15.55249
Probability 0.000420
Jarque-Bera 25.06857 Sum 24.02000
Probability 0.000004 Sum Sq. Dev. 26.45404

Sum 491.0000 Observations 18


Sum Sq. Dev. 674.4958

Observations 240

14
Quanto à DAP dos turistas, obtivemos os seguintes resultados: média, €2,04;
mediana, €2,00; valor máximo, €5,00 e o valor mínimo €0; quanto à dos Cabo-
verdianos obtivemos €1,33 (CVE 146, 65) como a média, €0,91€ (CVE 100) como a
mediana, €4,53 (CVE 499,5) como o valor máximo e €0,45 (CVE 49,62) como o valor
mínimo. Apesar da maioria do agregado familiar dos nossos inquiridos ter um
rendimento elevado, a média neste estudo para as duas subpopulações foi baixa porque,
embora o indivíduo tenha um rendimento elevado, este tem o comportamento igual ao
dos outros indivíduos, no que diz respeito à questões ambientais, e, não estaria disposto
a pagar um valor mais elevado ou por algum motivo não paga para a sua proteção, o que
muitas das vezes é conduzido à questão de free-riding, em que, tem a preferência por,
um ambiente mais sadio mas não participam nos respetivos custos para a sua melhoria.
Pode-se constatar nas DAP aceites que os valores mais procurados foram €1,00 e CVE
100,00.
14
Na DAP pelos turistas, o valor mais de €5,00 foi considerado também €5,00 e na DAP dos Cabo-
verdianos foi considerada que ECV 100,00 correspondia a €0,91.

74
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Tabela 9: Estimação da variável dependente com a variável independente

A tabela infra, mostra a estimação da variável dependente (DAP) face às varáveis


Independentes.

Dependent Variable: DAP


Method: Least Squares
Sample: 1 261
Included observations: 258

Variable Coefficient Std. Error t-Statistic Prob.

C 1.848343 0.532553 3.470719 0.0006


ID -0.199786 0.188660 -1.058974 0.2906
RD 0.149944 0.069432 2.159585 0.0317
SEX -0.234456 0.211923 -1.106325 0.2696
DST 0.163532 0.301328 0.542706 0.5878

R-squared 0.031570 Mean dependent var 1.996202


Adjusted R-squared 0.016259 S.D. dependent var 1.661446
S.E. of regression 1.647884 Akaike info criterion 3.856051
Sum squared resid 687.0273 Schwarz criterion 3.924907
Log likelihood -492.4306 Hannan-Quinn criter. 3.883738
F-statistic 2.061884 Durbin-Watson stat 2.131831
Prob(F-statistic) 0.086309

De forma a analisar se as variáveis independentes utilizadas para a explicação da


DAP são significativas ou não, percebemos através da tabela supra, que a única variável
relevante para o estudo é o rendimento, é estatisticamente significativa para o nível de
segnificancia (n.s.) de 5% (pvalue igual 0,0317). Foi utilizado de seguida o método
stepwise regression (backward), de forma a eliminar 1 a 1 as variáveis não
significativas (DST e SEX), tendo obtido a regressão final com duas variáveis
significativas, a idade e o rendimento, (ao nível de significância de 10%, sendo RD
significativa também a 5%). Note-se ainda que as duas variáveis são conjuntamente
significativas para o n.s. de 5% (p-value = 0,036088), conforme a tabela 8.

Foi feita a associação bivariada da variável dependente (DAP) com as variáveis


independentes (idade, sexo, rendimento e ocupação estudantes). Com o objetivo de
analisar as associações propostas foram efetuados testes paramétricos e não
paramétricos recorrendo ao E-views.

75
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Tabela 10: Estimação bivariada da variável dependente com as variáveis


independentes

Dependent Variable: DAP


Method: Least Squares
Sample: 1 261
Included observations: 258

Variable Coefficient Std. Error t-Statistic Prob.

C 1.876559 0.299195 6.272018 0.0000


ID -0.250545 0.132033 -1.897589 0.0589
RD 0.151709 0.068977 2.199403 0.0287

R-squared 0.025717 Mean dependent var 1.996202


Adjusted R-squared 0.018075 S.D. dependent var 1.661446
S.E. of regression 1.646362 Akaike info criterion 3.846573
Sum squared resid 691.1795 Schwarz criterion 3.887886
Log likelihood -493.2079 Hannan-Quinn criter. 3.863185
F-statistic 3.365453 Durbin-Watson stat 2.127324
Prob(F-statistic) 0.036088

Com o obcetivo

76
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Tabela 11: Estimação da variável dependente (DAP) com a variável independente (Idade)

Test for Equality of Means of DAP Test for Equality of Medians of DAP
Categorized by values of ID Categorized by values of ID
Sample: 1 261 Sample: 1 261
Included observations: 258
Included observations: 258
Method df Value Probability
Method df Value Probability
Anova F-test (2, 255) 3.021150 0.0505
Welch F-test* (2, 119.573) 3.689579 0.0279
Med. Chi-square 2 7.523257 0.0232
*Test allows for unequal cell variances Kruskal-Wallis 2 6.727841 0.0346

Category Statistics Category Statistics


.
> Overrall
Std. Err of
ID Count Median Median Mean Rank Mean Score
ID Count Mean Std. Dev. Mean
1 144 2.187361 1.709186 0.142432 1 144 2.000000 48 138.9896 0.116524
2 60 1.566000 1.380910 0.178275 2 60 1.000000 9 109.5083 -0.241084
3 54 1.964444 1.752338 0.238463 3 54 2.000000 13 126.4074 -0.051797
All 258 1.996202 1.661446 0.103437 All 258 2.000000 70 129.5000 -0.001871

A variável idade foi distribuída por categorias, 1, 2 e 3, para as idades (16-25 anos), (26-36 anos) e (37-65 anos), respetivamente,
sabendo que para mais de 65 anos de idade, não obtivemos nenhuma observação. Assumindo que o nível de significância é de 5%, pode-se
dizer que essa variável é significante através dos vários testes (com exceção do teste Anova). Rejeita-se a hipótese nula (H0) de igualdade
de valores da DAP para as 3 categorias de idade, o que quer dizer que para cada categoria da idade, os indivíduos estão dispostos a pagar
valores diferentes para a proteção ambiental em Cabo Verde.

77
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Tabela 12: Estimação da variável dependente (DAP) com a variável independente (Rendimento)

Test for Equality of Means of DAP Test for Equality of Medians of DAP
Categorized by values of RD Categorized by values of RD
Sample: 1 261 Sample: 1 261
Included observations: 258 Included observations: 258

Method df Value Probability Method df Value Probability

Anova
Test forF-test
Equality of Medians of DAP(4, 253) 0.918299 0.4538 Med. Chi-square 4 8.016409 0.0910
Welch F-test*by values of RD (4, 88.9793)
Categorized 0.898438 0.4685 Adj. Med. Chi-square 4 6.190445 0.1854
Kruskal-Wallis 4 3.674406 0.4519
*Test allows
Sample: for unequal cell variances
1 261 Kruskal-Wallis (tie-adj.) 4 3.845106 0.4274
Included observations: 258 van der Waerden 4 3.242326 0.5181
Category Statistics
Method df Value Probability Category Statistics
Std. Err.
> Overall
Med.RD
Chi-square Count Mean4 Std. Dev.
8.016409 of0.0910
Mean
Adj. Med. RD Count Median Median Mean Rank Mean Score
1 Chi-square 45 1.7222224 6.190445
1.513087 0.1854
0.225558
Kruskal-Wallis
2 27 1.8988894 3.674406
1.792105 0.4519
0.344891 1 45 1.000000 8 115.4000 -0.152138
Kruskal-Wallis
3 (tie-adj.) 47 1.8814894 3.845106
1.563199 0.4274
0.228016 2 27 1.000000 9 120.1481 -0.118645
van der4 Waerden 28 1.8539294 3.242326
1.270618 0.5181
0.240124 3 47 1.810000 11 126.2979 -0.043188
5 111 2.215405 1.806649 0.171480 4 28 2.000000 4 131.8214 0.038130
5 111 2.000000 38 138.2613 0.094858
All 258 1.996202 1.661446 0.103437
Category Statistics All 258 2.000000 70 129.5000 -0.001871

> Overall
OsRD
rendimentos também
Count foram distribuídos
Median por categoria.
Median Mean Rank FoiMean
conservada
Score a hipótese nula, com o nível de significância de 5%, o que
1 45 1.000000 8 115.4000 -0.152138
quer dizer,
2 que embora
27 com1.000000
classe de rendimentos
9 diferentes os
120.1481 indivíduos têm comportamentos ambientais iguais, aceitam o valor
-0.118645
3 47 1.810000 11 126.2979 -0.043188
oferecido
4 como a DAP28e estão dispostos a pagar4 os mesmos
2.000000 131.8214 valores. Apesar de um indivíduo possuir um rendimento elevado, este não
0.038130
estaria5 disposto a pagar
111um valor
2.000000 38 a proteção
mais elevado para 138.2613 ambiental.
0.094858
All 258 2.000000 70 129.5000 -0.001871

78
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Tabela 13: Estimação da variável dependente (DAP) com a variável independente (Sexo)

Test for Equality of Means of DAP Test for Equality of Medians of DAP

Categorized by values of SEX Categorized by values of SEX

Sample: 1 261 Sample: 1 261

Included observations: 258 Included observations: 258

Method df Value Probability


Method df Value Probability

Wilcoxon/Mann-Whitney 0.519752 0.6032


t-test 256 0.995645 0.3204
Wilcoxon/Mann-Whitney (tie-adj.) 0.531688 0.5949
Med. Chi-square 1 0.406509 0.5237
Satterthwaite-Welch t-test* 208.7674 0.975202 0.3306
Adj. Med. Chi-square 1 0.245305 0.6204
Anova F-test (1, 256) 0.991310 0.3204
Kruskal-Wallis 1 0.271025 0.6026
Welch F-test* (1, 208.767) 0.951018 0.3306
Kruskal-Wallis (tie-adj.) 1 0.283615 0.5943
van der Waerden 1 0.233808 0.6287
*Test allows for unequal cell variances
Category Statistics
Category Statistics

SEX Count Mean Std. Dev. Std. Err of Mean


> Overall
0 106 2.119528 1.773668 0.172274 SEX Count Median Median Mean Rank Mean Score
1 152 1.910197 1.578766 0.128055 0 106 2.000000 31 132.3962 0.030012
All 258 1.996202 1.661446 0.103437 1 152 1.000000 39 127.4803 -0.024105
All 258 2.000000 70 129.5000 -0.001871
Test for Equality of Means of DAP
Categorized by values of DST

Sample: 1 261
Included observations: 258
79
Method df Value Probability

t-test 256 -1.242535 0.2152


Satterthwaite-Welch t-test* 248.2019 -1.241957 0.2154
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Pode-se dizer que a variável sexo não influencia a disposição em pagar para a proteção ambiental, de acordo com os testes estatísticos,
paramétricos e não paramétricos efetuados (ao n.s de 5%).

Tabela 14: Estimação da variável dependente (DAP) com a variável independente (Estudante)

Test for Equality of Means of DAP Test for Equality of Medians of DAP
Categorized by values of DST Categorized by values of DST
Sample: 1 261 Sample: 1 261
Included observations: 258 Included observations: 258

Method df Value Probability Method df Value Probability

t-test 256 -1.242535 0.2152 Wilcoxon/Mann-Whitney 1.481268 0.1385


Satterthwaite-Welch t-test* 248.2019 -1.241957 0.2154 Wilcoxon/Mann-Whitney (tie-adj.) 1.515284 0.1297
Anova F-test (1, 256) 1.543892 0.2152 Med. Chi-square 1 2.858493 0.0909
Welch F-test* (1, 248.202) 1.542458 0.2154 Adj. Med. Chi-square 1 2.403054 0.1211
Kruskal-Wallis 1 2.196635 0.1383
*Test allows for unequal cell variances Kruskal-Wallis (tie-adj.) 1 2.298683 0.1295
van der Waerden 1 2.612772 0.1060
Category Statistics
Category Statistics
Std. Err.
DST Count Mean Std. Dev. of Mean
> Overall
0 118 1.856356 1.664579 0.153237
DST Count Median Median Mean Rank Mean Score
1 140 2.114071 1.655565 0.139921
0 118 1.810000 26 122.0000 -0.099035
All 258 1.996202 1.661446 0.103437 1 140 2.000000 44 135.8214 0.080025
All 258 2.000000 70 129.5000 -0.001871

Quanto à variável ser binária estudante ou não, mostra-se que não é significativa ao n.s. de 5% para os vários testes. Sendo jovens e
estudantes, parecem não estar muito preocupados em proteger o ambiente, através da taxa tal como ela é imposta.

80
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Segundo a tabela da mediana, pode-se constatar que quase todas as probabilidades


(p-value) são superiores a 10%, exceto a Med. Chi-Square com 0.0909, assumindo um
nível de significância de 10%, rejeita-se a H0, o que quer dizer que os estudantes estão
dispostos a pagar valores diferentes para a proteção ambiental, o que só se verifica para
este teste e ao nível de significância de 10%.

Conclusão

Podemos concluir que as únicas variáveis significativas para o tratamento da DAP


para a proteção ambiental em Cabo Verde são a idade e o rendimento. A idade
desencadeia um papel muito importante no comportamento da pessoa na preservação do
ambiente; independentemente do nível do rendimento do indivíduo, este estaria sempre
disposto a contribuir financeiramente para a preservação ambiental, seja através do
pagamento ou não de uma taxa.

Segundo o censo do INE relativo ao inquérito multiobjectivo contínuo IMC 2012 das
famílias e condições de vida, (p.7), a população Cabo-verdiana no ano de 2012 era de
505.848 habitantes, agregado familiar, 124.377 e dimensão do agregado familiar de 4.1.

Se fosse aplicada a taxa mensal para a preservação ambiental em Cabo Verde no


valor de CVE 146,65, (valor da média da DAP) arredondado para CVE 150,00, pago
pelos agregados familiares, o valor mensal a arrecadar seria de CVE 18.656.550,00 e o
valor anual seria de CVE 223.878.600,00 (€169.197.38,00), valor este, muito favorável
para a proteção ambiental em Cabo Verde.

Através da análise qualitativa dos resultados do nosso inquérito, podemos referir que,
quanto à fase da preocupação ambiental dos turistas, a maioria dos nossos inquiridos
que se dispuseram a pagar para a proteção ambiental em Cabo Verde, tem idade situada
entre os 16-25 anos. As mulheres demostraram sempre serem as que mais têm maior
preocupação em pagar valores superiores a €1,00, em todas as categorias dos
rendimentos.

Os maiores resultados deste inquérito foram obtidos através das mulheres, com
idades compreendidas entre os 16-25 anos, o valor mais procurado foi €1,00 em todas
as categorias do rendimento. €1,00 foi também o valor mais procurado pelos jovens do

81
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

sexo masculino. Para os inquiridos com idades situadas entre os 26 - 36 anos, a grande
parte possuem um rendimento do agregado familiar situado entre €751,00 a €1.100,00 e
€1.101,00 a €1.500,00. O valor mais escolhido para os homens foi €1,00 e para as
mulheres foi de €1,00 e €2,00. Para as idades situadas entre 37 - 65 anos, a maioria dos
inquiridos de ambos os sexos, possuem um rendimento do agregado familiar acima dos
€1.501,00, e os valores mais aceites foram €2,00 e €5,00.

Quanto à ocupação estudante, com a habilitação/frequência da licenciatura, para


ambos os sexos, a maioria tem idade entre os 16 e 25 anos, com o rendimento do
agregado familiar (média mensal) situado acima dos €1.501,00 e o valor mais escolhido
foi de €1,00. Também encontramos 5 mulheres inquiridas com idades entre os 26 - 35
anos e ofereceram o mesmo valor para a proteção ambiental em Cabo Verde. Quanto à
habilitação/frequência do mestrado, a grande parte dos inquiridos de ambos os sexos
têm idades entre os 16 - 25 anos e os 26 - 36 anos, com o rendimento do agregado
familiar baixo, situado entre <= €500€ a €750,00. Os valores mais escolhidos pelos
homens foram de €1,00, €2,00 e €3,00 e para as mulheres foi de €1,00 em todas as
categorias do rendimento.

Os inquiridos com rendimentos situados entre os €751,00 a €1.100 foram os que se


dispuseram a pagar um valor mais elevado para a proteção ambiental em Cabo Verde,
têm idade situada entre 37 - 65 anos, são do sexo masculino e os valores mais
escolhidos foram €2,00 e €5,00.

Para a fase da preocupação ambiental dos Cabo-verdianos, a maioria dos inquiridos


tem idade compreendida entre os 26 - 35 anos, são do sexo masculino com qualificação
académica da licenciatura, a seguir o mestrado, e o valor mais procurado foi CVE
100,00. O rendimento da maioria dos inquiridos varia entre <= €500,00 / CVE 55.132,5,
e os valores superiores a ECV 100,00, foram também mais procurados pelos homens.

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Capítulo VI: Considerações Finais e Sugestões Futuras


Nos últimos 5 (cinco) anos, alguns países viram as suas economias a estagnar ou em
recessão, fruto da mais recente crise financeira internacional, a qual terá começado,
provavelmente, no início de 2008. Cabo Verde, fortemente dependente do exterior, é
um desses países que viu o abrandamento do seu crescimento económico, provocando
aumento do nível de desemprego, aumento dos preços em bens alimentares e de
consumo (commodities), e significativos aumentos do custo de vida, etc., devido à
estreita relação com os países Europeus, nomeadamente Portugal e Espanha que têm
sofrido muito com esta crise. Pese embora o facto de o país apresentar o nível de
crescimento acima dos 4% (foi revisto em baixo por agência de notação financeira),
estimativas do Governo apontavam para o crescimento de 4,5 a 5% para o ano de 2013.
O crescimento e desenvolvimento económico poderão ter o efeito positivo ou
negativo sobre o ambiente, criando alternativas conducentes a colmatar os desvios sobre
o ambiente. Quando as medidas não são tomadas de forma eficazes, poderão surgir
constrangimentos ambientais, e.g. aumento do nível de poluição, risco ou perda da
biodiversidade, aumento do consumo da água, dos combustíveis fósseis, etc.

Embora enfrenta ainda constrangimentos maiores em torno ambiental, Cabo Verde


tem apresentado um nível de crescimento e desenvolvimento económico interessante. A
dois anos da meta proposta pelas Nações Unidas para o cumprimento dos 8 Objetivos
do Milénio, à data da elaboração do último relatório apresentado em 2010, Cabo Verde
tinha cumprido dois (2) dos oito (8) objetivos e com possibilidade de cumprir a maioria
deles.

Trabalhando em prol da sustentabilidade ambiental, Cabo Verde dispõe de um plano


ambiental intersectorial, em várias atividades, desde a saúde, a educação, o turismo, a
biodiversidade, a agricultura e a pesca, a indústria e a energia, e entre outros.

A aplicação do questionário, através do Método da Valoração Contingente (MVC)


permitiu-nos observar, que dos 258 dos nossos inquiridos, a maioria (219,
correspondente a 85% da observação), demonstraram a preocupação em preservar o
ambiente, (embora os valores utilizados seriam meramente hipotéticos), o que é muito
bom, porque a sua proteção é fundamental e é da nossa inteira responsabilidade.

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Ainda que, com a crise económica que estes dois países têm enfrentado (Portugal e
Cabo Verde), os valores mais aceites com a DAP foram €1,00€ e CVE 100,00, valores
estes que demonstram que a preservação ambiental constitui de certa forma as
preocupações dos cidadãos/turistas. Quanto à subpopulação Cabo-verdiana, verificamos
que todos os inquiridos, (18), demostraram preocupação em preservar o meio ambiente
do país.

Ainda, de acordo com o nosso estudo sobre a DAP para a proteção ambiental em
Cabo Verde, tendo em conta as cinco (5) variáveis, idade, sexo, rendimento, ocupação
estudante e o valor da DAP, podemos afirmar que, na fase da preocupação ambiental
dos turistas, tivemos maiores resultados com os inquiridos do sexo feminino, com
idades situadas entre os 16 a 25 anos e o valor mais procurado foi de €1,00. Os homens
com idades entre os 37-65 anos oferecem valores maiores (€2,00 e €5,00) para a
proteção ambiental em CV. As mulheres foram as que sempre demonstraram, maior
preocupação em pagar valores mais elevados para a proteção ambiental, embora o valor
mais procurado foi de €1,00. Quanto à ocupação estudante, a maioria
possuem/frequentam a licenciatura, com idades entre os 16-25 anos, o rendimento situa-
se acima dos €1.501,00, a maioria é do sexo feminino e o valor mais procurado foi de
€1,00.

Podemos aqui reafirmar, que o indivíduo com um elevado rendimento não está
disposto a pagar um valor mais elevado para a proteção ambiental, e este
comportamento é igual ao do indivíduo com rendimentos inferiores.

A situação é inversa na preocupação ambiental dos Cabo-verdianos, pois a maioria já


são adultos com idade entre os 26 - 36 anos e foram os homens que se dispuseram a
pagar um valor mais elevado para a proteção ambiental do país, embora o valor mais
escolhido foi de CVE 100,00.

Com o objetivo de atenuar os constrangimentos ambientais, mencionados no


penúltimo capítulo, a solução encontrada para proteger o ambiente, com uma gestão
adequada dos resíduos, um saneamento básico eficiente, de forma que o
desenvolvimento económico não gerasse maiores impactos (negativos) sobre o

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

ambiente, seria necessária que fosse criada uma taxa única que se destinasse
exclusivamente para à preservação ambiental em Cabo Verde.

De acordo com o questionário, verificamos que a média da DAP dos Cabo-verdianos


é de CVE 146,65 (€1,33). Nós propúnhamos que a taxa mensal aplicada fosse de CVE
150, (€1,36), aplicada a todos os agregados familiares, taxa essa que serviria para a
criação de uma Agência Nacional do Ambiente (ANA), gerida pela MAHOT. Uma vez
que nem toda a população tem acesso a água canalizada e acesso a eletricidade, a
Agência Nacional do Ambiente deveria estabelecer um acordo com as agências dos
Ministérios do Desenvolvimento Rural (MDR) ou associações locais para receber os
valores mensais da taxa.

O valor da taxa arrecadado destinava-se para os seguintes atos:

 Preservação dos animais em risco de extinção e do seu habitat;

 Preservação das plantas endémicas e em vias de extinção;

 Melhoria no saneamento básico, disponibilizando contentores para a reciclagem


em todas as localidades e cidades do país;

 Disponibilização de transporte adequado para recolha e tratamentos de resíduos


(aterros) em todas as ilhas;

 Sensibilização das empresas para a utilização de materiais recicláveis, bem


como a sua reciclagem, uso de energias verdes para incentivar a uma
responsabilidade ambiental mais ativa;

 Criação de um plano de ordenamento do território eficiente para a proteção das


zonas costeiras;

 Formação e informação à comunidade local sobre a preservação do ambiente e


sensibilização para o uso de energias verdes e redução do consumo excessivo de
energia e água, bem como a utilização de equipamentos com baixo consumo de
energia;

85
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

 Aumento do número de guardas florestais, de forma, a combater a


desflorestação.

Outras sugestões de melhorias futuras para o governo Cabo-verdiano que


consideramos relevantes para a preservação ambiental em Cabo Verde são:

 Sensibilizar a comunidade local para a prática de reciclagem;

 Os estabelecimentos hoteleiros empreendidos perto ou na orla marítima


deveriam pagar uma taxa aceitável que se destinasse para a preservação dos
ecossistemas;

 Proibir ruídos a partir de uma certa hora da noite, combatendo assim a poluição
sonora;

 Plantação de árvores com resistência à seca;

 Reduzir o consumo de veículos, sensibilizando para o uso de transportes


públicos;

 Investir na formação de profissionais qualificados;

 Reduzir os desperdícios e incentivando as empresas a reduzir as importação de


produtos com muitas embalagens evitando assim o aumento de resíduos.

Devido à escassez dos recursos naturais, e se não foram tomadas medidas eficientes
hoje, poderemos sofrer no futuro maiores dificuldades do que aquilo que temos
atualmente.

Se as medidas e as sugestões forem aceites tanto pelo governo, pelos cidadãos, como
também pelas empresas, teremos um ambiente mais sadio e equilibrado e caminharemos
para um desenvolvimento sustentável.

Limitações do estudo

Nesta dissertação encontramos algumas limitações que fazem com que este trabalho
tenha menos informação, mais do que aquilo que tínhamos previsto inicialmente,
nomeadamente:

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Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

 Falta de informações estatísticas e material de estudo disponibilizado pelo


governo de Cabo Verde, Instituto Nacional de Estatística de Cabo Verde,
Bancos de Cabo Verde, empresas, entre outros;
 Reduzido número de observações registados nos inquéritos por parte dos
inquiridos Cabo-verdianos, o que muito favorecia o resultado da análise
prática sobre a taxa ambiental em Cabo Verde.

87
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

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United Nations (1998), "Kyoto Protocol to the United Nations Framework Convention
on Climate Change", http://unfccc.int/resource/docs/convkp/kpeng.pdf, acedido em 17
de Março de 2013.

Veiga, J. E. (2010). "Indicadores de Sustentabildade", Estudos Avançados, 24 (68), São


Paulo, p. 39 -52), http://www.revistas.usp.br/eav/article/view/10465/12196, acedido em
15 de Maio de 2013.

Veiga, J. E. (2006), Meio Ambiente e Desenvolvimento, São Paulo: Senac.

95
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Anexos

Anexo I: Lista das Partes da CQNUAC “UNFCCC” e da OCDE ................................. 97

Anexo II: Questionário ................................................................................................ 99

96
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Anexo I: Lista das Partes da CQNUAC “UNFCCC” e da OCDE

Países de Não
Anexo I
Quantified
emission Países
Países de
Limitation or Países Não Anexo I da
Anexo I
reduction OCDE
commitment (%
of base year or
period)
Micronésia Aleman
Austrália Austrália 108 Afeganistão Egito (Estados ha
Federados da) Sudão
Austráli
Áustria Áustria 92 Albânia El Salvador Mongólia
Suriname a
Belarus Bélgica 92 Argélia Guiné Equatorial Montenegro Áustria
Suazilândia
República Bélgica
Bélgica Bulgária 92 Andorra Eritreia Marrocos Árabe
da Síria
Bulgária Canada 94 Angola Etiópia Moçambique Canadá
Tajiquistão
Canadá Croácia 95 Antígua e Barbuda Fiji Mianmar Chile
Tailândia
Antiga Coreia
Republica República
Croácia 92 Argentina Gabão Namíbia
Checa Jugoslava da
Macedónia
Dinama
Chipre Dinamarca 92 Arménia Gâmbia Nauru
Timor-Leste rca
Repúblic Eslováq
Estónia 92 Azerbaijão Geórgia Nepal
a Checa Togo uia
Dinamarc Comunidade Eslovén
92 Bahamas Gana Nicarágua
a Europeia Tonga ia
Trinidad e Espanh
Estónia Finlândia 92 Bahrein Granada Níger
Tobago a
União Estados
France 92 Bangladesh Guatemala Nigéria
Europeia Tunísia Unidos
Turquemenist Estónia
Finlândia Alemanha 92 Barbados Guiné Niue
ão
Finlândi
França Grécia 92 Belize Guiné Bissau Omã
Tuvalu a
Alemanh França
Hungria 94 Benim Guiana Paquistão
a Uganda
Emirados Grécia
Grécia Islândia 110 Butão Haiti Palau Árabes
Unidos
República Hungria
Hungria Irlanda 92 Bolívia Honduras Palestina Unida
Da Tanzânia
Islândia
Islândia Itália 92 Bósnia e Herzegovina Índia Panamá
Uruguai
Papua Nova Irlanda
Irlanda Japão 94 Botswana Indonésia
Guiné Uzbequistão
Irão (República Israel
Itália Latvia 92 Brasil Paraguai
Islâmica do) Vanuatu
Venezuela Itália
(República
Japão Liechtenstein 92 Brunei Darussalam Iraque Peru
Bolivariana
da)
Japão
Latvia Lituânia 92 Burkina Faso Israel Filipinas
Vietname
Liechtens Luxemb
Luxemburgo 92 Burundi Jamaica Catar
tein Lémen urgo
República da México
Lituânia Mónaco 92 Camboja Jordânia
Coreia Zâmbia

97
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Luxembu República da Norueg


Holanda 92 Camarões Cazaquistão
rgo Moldávia Zimbabué a
Nova
Nova
Malta 100 Cabo Verde Quênia Ruanda Zelândi
Zelândia
a
República Central São Cristóvão e Países
Mónaco Noruega 101 Kiribati
Africana Nevis Baixos
Holanda Polónia 94 Chade Kuwait Santa Lúcia Polónia

Nova São Vicente e Portuga


Portugal 92 Chile Quirguistão
Zelândia Granadinas l
Repúbli
República Democrática
Noruega Roménia 92 China Samoa ca
Popular de Laos
Checa
Federação da Reino
Polónia 100 Colômbia Líbano San Marino
Rússia Unido
São Tomé e Suécia
Portugal Eslováquia 92 Comores Lesoto
Príncipe
Roménia Eslovénia 92 Congo Libéria Arábia Saudita Suíça

Rússia Espanha 92 Ilhas Cook Líbia Senegal Turquia

Eslováqu
Suécia 92 Costa Rica Madagáscar Sérvia
ia
Eslovénia Suíça 92 Cuba Malavi Seychelles

Espanha Ucrânia 100 Côte d’ Ivore Malásia Serra Leoa


Reino Unido
da Grã-
República Popular
Suécia Bretanha e 92 Maldivas Singapura
Democrática da Coreia
Irlanda do
Norte
República Democrática
Suíça EUA 93 Mali Ilhas Salomão
do Congo
Turquia Djibouti Ilhas Marshall Somália

Ucrânia Dominica Mauritânia África do sul


Reino
Unido e
República Dominicana Maurício Sudão do Sul
Irlanda
do Norte
EUA Equador México Sri Lanka
Fonte: UNFCCC, Lista das Partes de Anexo I e Não anexo I da Conveção, (2013); United Nations,
Kyoto Proocol to the United Nations Framework (1998); OECD (2013).

98
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

Anexo II: Questionário

Preenche os campos assinalados

* Preenchimento obrigatório

I. Caracterização Sócio Económica

1. Idade*

16 – 25 Anos ------ 26 – 36 Anos ------

37 – 65 Anos ------ + De 65 Anos ------

2. Sexo*

Masculino ------ Feminino ------

3. Qualificação académica*

9º Ano ------ 10º Ano ------ 11º Ano ------ 12º Ano ------

Licenciatura ------ Mestrado ------ Doutoramento ------ Outro: ------

4. Profissão*

----------------------------------------------------------

5. Rendimento médio mensal líquido do agregado familiar* Expresso em moeda


Euro (€) e Escudo de Cabo Verde (ECV)
 <= 500,00€ / 55.132,5 ECV ------
 501,00€ a 750,00€ / 55.242,765 a 82.698,75 ECV ------
 751,00€ a 1100,00€ / 82.809,015 a 121.291,5 ECV ------
 1101,00€ a 1500,00€ / 121.401,765 a 165.397,5 ECV ------
 Acima dos 1501,00€ / 165.507,765 ECV ------
6. País de residência*
-------------------------------------
7. Nacionalidade*
Portuguesa ------ Brasileira ------ Cabo-verdiana ------ Italiana ------

São-Tomense ------ Espanhola ------ Angolana ------ Outra: ------

99
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

II Turismo em Cabo Verde

1. Já visitou Cabo Verde? *

Sim ------ Não ------

1.1. Caso afirmativo, indique quantas vezes nos últimos 5 anos

1.2. Caso não, pretende visitá-lo?

Sim ------ Não ------

2. Na sua viagem de turismo, hospedou-se em estabelecimento hoteleiro?

Sim ------ Não ------

III Preocupação ambiental dos turistas

1. Considera importante que o governo Cabo-verdiano imponha um custo diário de


estadia aos turistas para criar um fundo para financiar o sector do turismo? *

Sim ------ Não ------

2. Está disposto a pagar a taxa turística nos estabelecimentos hoteleiros em Cabo


Verde, sabendo que esta se destina em parte à preservação ambiental? *

Sim ------ Não ------

2.1. Se não, queira propor medidas alternativas para solucionar esta questão.

----------------------------

3. Quanto é que estaria Disposto A Pagar (DAP) para a preservação ambiental em


Cabo Verde? *

Nada. ------ €1,00 ------ €2,00 ------

€3,00 ------ €5,00 ------ Mais de €5,00 ------

IV Preocupação ambiental dos Cabo-verdianos

1. Considera importante que o governo Cabo-verdiano imponha um custo diário de


estadia aos turistas para criar um fundo para financiar o sector do turismo? *

Sim ------ Não------

100
Crescimento económico em Cabo Verde e seu impacto na sustentabilidade ambiental

2. Está disposto a pagar a taxa turística nos estabelecimentos hoteleiros em Cabo


Verde, sabendo que esta se destina em parte à preservação ambiental? *

Sim ------ Não ------

3. Se é Cabo-verdiano residente na diáspora, na sua viagem ao país de origem


tenciona contribuir financeiramente para a preservação ambiental? (Responda apenas e
só, no caso de residir fora de Cabo Verde).

Sim ------ Não ------

4.5. Caso afirmativo, por favor indique qual é sua Disposição A Pagar - DAP (em
Escudo Cabo-Verdiano - ECV) (Responda apenas e só no caso de residir fora de
Cabo Verde).

CVE 200,00 ------ CVE 300,00 ------ CVE 500,00 ------ + De CVE 500,00 ------.

5. Caso estivesse a residir em Cabo Verde gostaria de contribuir com um montante


mensal para a proteção ambiental? *
Sim ------ Não ------
5.1. Caso afirmativo, por favor indique a sua Disposição A Pagar (DAP)

CVE 50,00 ------ CVE 100,00 ------ CVE 200,00 ------


CVE 300,00 ------ Mais de CVE 500,00

5.2. Se não está disposto a pagar, propõe alguma medida alternativa para resolver a
situação?
----------------------------------------------------

6. Na sua opinião, qual seria a prioridade na utilização das verbas para a proteção
ambiental? *

------------------------------------------------------------------------------------------------------

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