Curso 231786 Aula 09 Bd1b Completo
Curso 231786 Aula 09 Bd1b Completo
Curso 231786 Aula 09 Bd1b Completo
Autor:
Equipe Português Estratégia
Concursos, Felipe Luccas
20 de Fevereiro de 2024
Índice
1) Noções Iniciais de Regência e Crase
..............................................................................................................................................................................................3
2) Regência Verbal
..............................................................................................................................................................................................5
3) Regência Nominal
..............................................................................................................................................................................................
21
4) Crase
..............................................................................................................................................................................................
26
NOÇÕES INICIAIS
Fala, pessoal!
Vamos dar início a uma das aulas mais temidas pelos alunos: Regência e Crase.
Mas você verá que é um assunto que pode ser resolvido em provas com alguns macetes, que vamos trazer
ao longo do estudo.
REGÊNCIA VERBAL
A regência verbal cuida da relação de dependência entre os verbos e seus complementos.
Os verbos que pedem complemento com preposição são transitivos indiretos (VTI): gostar DE,
obedecer A, acreditar EM.
Os que não pedem preposição são transitivos diretos (VTD): Comprar, Ter, Fazer.
Os verbos que não pedem nenhum complemento, geralmente por serem completos de sentido
em si mesmos, são chamados de intransitivos: Morrer, Nascer, Viver, Sair.
Além disso, interessa-nos aqui conhecer a transitividade de alguns verbos, bem como as
preposições que eles regem (exigem). Também temos que entender a regência do pronome
relativo (que, o qual, os quais).
Os pronomes relativos retomam um termo antecedente, substituindo-o sintaticamente. Isso
significa, de forma mais simples, que, se ele se refere a um termo que é sujeito, o pronome
relativo vai ter função de sujeito. Mas sujeito de quem?
Do verbo da oração subordinada adjetiva introduzida por ele.
Ex.: [As alunas que estudam muito] passarão no concurso. (alunas estudam)
Vamos analisar: o verbo lutar é VTI, quem luta, luta por (preposição) alguma coisa. Luto por que
(os ideais). Nesse caso, “que” é o objeto indireto do verbo lutar e se refere a “os ideais”.
Luto por (alguma coisa)
Na segunda lacuna, temos que pensar no verbo Chegar. Quem chega chega “a” algum lugar,
então o pronome relativo que retoma esse lugar deve vir acompanhado da preposição “a”.
Chegamos A + o lugar> O lugar A QUE chegamos era lindo.
Eu usei o “que” como exemplo para mostrar a lógica; porém, outros pronomes relativos
poderiam estar nessa lacuna:
A reunião À QUAL comparecemos foi produtiva. (a + a qual)
O lugar AO QUAL/AONDE chegamos era lindo (a + o qual/a + onde)
Nesse caso acima, o pronome “a qual”, por já ter um “artigo embutido”, vai se unir à preposição
“a” que o verbo pediu. Daí teremos crase. Trocando por outros pronomes que não tenham esse
“a” (“que”, por exemplo), não há crase!
Ressalto também que, em muitos verbos, a mudança da preposição vai alterar o sentido, as
bancas adoram isso! Vamos a eles. Usaremos a legenda tradicional: VTD (verbo transitivo direto);
VTI (verbo transitivo indireto); VTDI (verbo transitivo direto e indireto); VI (verbo intransitivo).
(SEDF / 2017)
Pode-se pensar então que, mesmo antes de entrar para a escola, o aprendiz, graças às práticas
de letramento às quais está exposto cotidianamente, já construiu suas hipóteses no que diz
respeito à segmentação da escrita.
A substituição de “às quais” por à que prejudica a correção gramatical do texto.
Comentários:
Aqui, a regência com pronome relativo tem implicações na crase. Veja:
Na redação original, foi utilizado o pronome relativo “as quais”, que já tem um “artigo feminino
embutido”. Daí, teremos: exposto a + as quais = às quais.
As práticas às quais está exposto o aprendiz.
Se trocarmos esse pronome relativo “as quais” por seu substituto universal “que”, não teremos
mais esse “a” embutido, então também não teremos crase:
As práticas a que está exposto o aprendiz. (exposto a + que = a que)
Portanto, inserir o acento grave da crase prejudica a correção. Questão correta.
Principais Regências
Aqui, veremos os verbos que admitem mais de uma possibilidade de regência e de sentido.
Veremos também alguns que pedem preposições diferentes daquelas que geralmente são
usadas no dia a dia. Vamos a eles.
1. Agradar
Dependendo do sentido, pode ser VTD ou VTI.
Ex.: Eu agradei o gatinho (VTD; acariciar, fazer carinho).
Ex.: Eu agradei aos patrões (VTI: “a”; satisfazer, contentar).
Pessoal, dependendo do contexto, esses sentidos podem ficar muito parecidos. Contudo, a
banca cobra as duas regências. Fique atento, veremos nas questões.
2. Aspirar
O verbo “aspirar” também tem dupla regência, cada uma com um sentido:
Ex.: O aspirador não aspira a poeira do canto. (VTD; sugar, cheirar, inspirar, sorver, inalar)
Ex.: Agrada-me aspirar esse cheiro de gasolina. (VTD; sugar, inspirar, sorver, inalar)
Ex.: Estudo porque aspiro ao cargo de Auditor. (VTI: “a”; desejar, almejar)
Ex: Não aspiro mais àquela glória. (VTI: “a”; desejar, almejar)
(STM–Analista – 2018)
De resto, semelhantes cidadãos são idiotas. É de se supor que quem quer casar deseje que a sua
futura mulher venha para o tálamo conjugal com a máxima liberdade...
Mantendo-se a correção gramatical e os sentidos originais do texto, a forma verbal “deseje” (L.2)
poderia ser substituída por aspire a.
Comentários:
Aspirar, com sentido de desejar, é transitivo indireto e pede preposição A. Então, a troca seria
perfeita. A propósito, “aspirar” também pode ser usado como transitivo direto, com sentido de
“sorver, sugar o ar”: O aspirador aspira a poeira. Questão correta.
(FUB–Ass. Adm. – 2015)
De acordo com pesquisas realizadas em vários países, inclusive no Brasil, especialistas em
recursos humanos identificaram os atributos que um funcionário, ou candidato a emprego, deve
ter para agradar os superiores e ter sucesso em sua carreira profissional.
No que se refere à tipologia textual e às estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item.
Mantém-se a correção gramatical do primeiro período do texto ao se substituir “agradar os
superiores” por “agradar aos superiores”.
Comentários:
Aqui a banca considerou que as duas regências estão corretas, o que é verdade, conforme vimos
acima. De fato, o verbo agradar pode vir com a preposição “a” (=SATISFAZER, CONTENTAR) ou
sem preposição (=FAZER CARÍCIA). A ausência da preposição não causa erro, apenas muda o
sentido.
Porém, pela leitura do texto, seria estranho pensar que temos a primeira acepção de agradar, no
sentido de fazer carinho, como quem faz carinho num gato. Podemos então entender que mudou
o sentido ao mudar a regência, do sentido de “agradar” para o sentido de “satisfazer”, mas não
foi afetada a correção gramatical. A banca somente perguntou sobre a correção. Questão
correta.
3. Implicar
O verbo “implicar”, a depender do sentido, pode vir com a preposição “com”, “em” ou até
mesmo vir sem preposição.
Ex.: Mãe, ele está implicando com! (VTI: “com”; provocar, hostilizar, zombar)
Ex.: Lula foi implicado em um esquema. (VTI: ”em”; se envolver, se comprometer, se
associar)
Ex.: Estudar implica sacrifícios. (VTD; gerar, resultar, acarretar, ter como efeito)
4. Preferir
O verbo preferir é muito fácil, só aceita a preposição “a” e tem a seguinte estrutura: Preferir uma
coisa A outra. O problema é que quase todo mundo usa esse verbo com outras preposições. A
banca sabe que todo mundo erra aqui!
Ex.: Assiste razão ao réu. (VTI: caber; pertencer um direito; ser da competência de)
Ex.: Ela assiste em outro bairro. (VI; sentido arcaico de residir, o termo “em outro bairro” é
adjunto adverbial de lugar.)
Ex.: A enfermeira assiste o idoso. (Preferencialmente VTD; auxiliar; apoiar; ajudar; dar
assistência). Obs.: Nesse caso também é aceita a preposição “a”.
Aproveito este verbo para explicar um aspecto muito importante: O USO DO PRONOME
OBLÍQUO “LHE” COMO OBJETO INDIRETO.
O pronome “lhe” substitui a ele; a ela; a eles; a elas; para ele, para ela... nele, neles... Portanto,
não pode ser usado como objeto direto. Os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos
podem exercer função de objeto direto ou indireto.
✔ Ex.: Assiste-lhe razão (sentido de pertencer o direito).
✔ Ex.: Entregou-lhe o pacote.
==2bf7bb==
7. Atender
(VTD ou VTI; acolher ou receber alguém com atenção, responder a alguém que se dirige a nós;
ouvir, conceder, deferir um pedido, levar em consideração o que alguém diz; considerar,
satisfazer)
Ex: O diretor atendeu os alunos.
Ex: O médico sempre os atende bem e lhes dá remédios.
Ex: A tenista não atendeu o repórter. Ela não quis atendê-lo.
OBS: Caso o complemento venha em forma de pronome, só serão aceitas as formas diretas “o, a,
os, as”
Ex: Deus atendeu a/às súplicas de seu servo.
Ex: Não atendera aos amigos verdadeiros, entregou-se a impostores.
Ex: Atenderemos ao apelo [ou ao chamado, aos conselhos, aos interesses, às exigências,
às reivindicações].
Ex: "O Corpo de Bombeiros atendeu a doze pedidos de socorro."
Ex: O novo método atende perfeitamente às exigências do moderno ensino.
(VTI; atentar, prestar atenção a)
Atenda bem ao [ou para o] que lhe digo.
8. Chamar
Ex.: Ele chamou os alunos ontem. (VTD; convocar, convidar)
Ex.: Energia negativa só chama pessoas tristes. (VTD: atrair)
Ex.: Na hora do sufoco, não chame por mim. (VTI: “por”; invocar ajuda)
Nesse caso, em entendimento minoritário, Cegalla o considera VTD: “o objeto direto pode vir
regido da preposição de realce por: "Chamou por um escravo." (MACHADO DE Assis)”
Ex.: Ele chamou a moça/à moça de estúpida. (VTI: “a”; ou VTD; nomear; qualificar)
Aproveito para explicar o conceito de “verbo transobjetivo”, que são aqueles que exigem um
objeto + predicativo do objeto, com preposição ou não.
Geralmente tem sentido de classificar, nomear, atribuir qualidade. Por exemplo: acusar, chamar,
considerar, declarar, tachar, supor, servir de:
Não se assuste com a nomenclatura, a estrutura é simples: o verbo tem um objeto e esse objeto
vai ter uma qualificação, um predicativo:
Ex.: Acusou o filho de corrupto.
Ex.: Eles nos supunham incapazes.
Ex.: Declarou-se culpado.
Ex.: Considero-me um vencedor.
Ex.: Tacharam o menino (de) maluco.
Ex.: Não o/lhe chame (de) lagartixa! (este verbo pode ser VTD ou VTI)
Essa preposição “de” é facultativa em tais verbos.
Também é importante comentar os verbos pronominais, que são aqueles acompanhados
obrigatoriamente por pronomes oblíquos átonos como me, te, se, nos, vos... Esses pronomes
acompanham o verbo ao longo de sua conjugação. Os principais que caem em prova são:
“suicidar-se”; “queixar-se”; “esforçar-se”; “atrever-se”; “arrepender-se”; “candidatar-se”.
Esses verbos se tornam relevantes para o nosso estudo, pois a regência pode mudar quando um
verbo não pronominal é usado como pronominal, como ocorre com os verbos lembrar e
esquecer.
Ex.: Lembrei/Esqueci aquela estrofe da música. (VTD)
Ex.: Lembrei-me/Esqueci-me do seu rosto. (VTI: “de”)
Ex.: Vou defender sua honra. (VTD)
Ex.: Vou defender-me de seus ataques. (VTI: “de”)
9. Chegar
Ex.: O Natal chegou cedo! (VI)
O verbo chegar funciona como o verbo ir, é intransitivo. Contudo, por seu sentido de
deslocamento, vem acompanhado com uma circunstância de lugar (adjunto adverbial de tempo).
A FCC, porém, já considerou esse verbo como transitivo indireto, regido pela preposição “a”,
embasada na obra de Celso Pedro Luft. Veremos essa questão logo abaixo. Então, pode ser
também transitivo indireto, regendo a preposição “a”.
Ex.: Sua paciência chegou ao extremo.
Ex.: A produtividade pode chegar a limites improváveis.
Saliento que o verbo chegar deve utilizar a preposição “a”, não “em”. Embora soe comum na
coloquialidade, estaria errada a expressão “chegou em Brasília”.
10.Caber
O verbo caber pede preposição “a”, no sentido de que algo deve ser feito por alguém.
Geralmente traz um sujeito oracional, representando uma ação.
Ex.: Cabe a nós aproveitar nosso tempo. (VTI: “a”; competir, ser de direito)
O verbo caber também pode ser intransitivo.
Ex.: No seu caso, não cabe recurso. (VI; convir, ter admissibilidade, cabimento)
11.Constar
“Constar” pode ter várias regências; seu sentido geralmente envolve composição ou
conhecimento.
Ex.: O Código Civil consta de mais de 2045 artigos. (VTI: “de”; conter, consistir em; ser
constituído de)
Ex.: “Consta nos autos, consta no mundo”... (VTI: “de” ou “em”; estar incluído; estar
contido em)
Ex.: Não constava a ele que tinha outro filho. (VTI: “a”; saber, ter ciência)
Ex.: Consta a mim que o papa ficou preocupado com a crise. (VTI: “a”; ser do
conhecimento de; ser sabido; ter ciência; geralmente traz sujeito oracional: aquilo que
consta tem formato de uma oração)
12.Referir-se
Esse verbo é pronominal e tem preposição “a”. A banca gosta de sugerir a troca por um
sinônimo. Cai bastante!
Ex.: O texto refere-se ao atentado de 11 de setembro. (VTI, “a”; mencionar, aludir a algo)
Pense também no verbo “aludir”, que pede preposição “a”, e em seu sinônimo “mencionar”,
que não pede.
Ex.: Mencionei a questão/Aludi à questão. (há preposição, por isso há crase)
13.Contribuir
Ex.: Não vou mais contribuir para a Igreja. (VTI: “para”; ajudar; doar)
Ex.: Não vou mais contribuir com dinheiro. (VTI: “com”; ajudar, doar)
14.Obedecer e Desobedecer
(VTI: “a”; (não) seguir ordens, acatar; VTI especial, que aceita voz passiva)
Ex: O brasileiro obedece a leis absurdas.
Ex: O servidor não deve obedecer a ordens ilegais.
Ex: Ele obedecia ao pai e à mãe.
Ex.: Desobedeci ao patrão e à patroa.
Ex.: O decreto foi obedecido pelos cidadãos.
OBS: Alguns verbos transitivos indiretos admitem voz passiva (obedecer, atender, pagar, perdoar,
apelar, abusar)
As leis não são obedecidas.
Os alunos foram atendidos.
Os funcionários foram pagos/perdoados pelo patrão.
15.Lembrar e esquecer
MUITA ATENÇÃO AQUI!!
Esses verbos podem ser usados como pronominais, ou seja, com um pronome “colado” nele.
Nesse caso, opera-se em par: OU é VTI pronominal e traz as duas partes –SE + DE ou é só VTD.
É tudo (pronome + preposição) ou nada.
Esses verbos acima são muito importantes e mostram a lógica dos verbos
pronominais! Ou trazem pronome + preposição ou nada!!
(SEDF – 2017)
Considerando-se as regências do verbo esquecer prescritas para o português, estaria correta a
seguinte reescrita para a oração “Já esqueci a língua”: Já esqueci da língua.
Comentários:
O verbo “esquecer” muda de regência dependendo de seu uso. Como verbo não pronominal, é
transitivo direto, isto é, pede complemento sem preposição. Se for usado como pronominal, é
um verbo transitivo indireto e exige o uso da preposição “de”. Portanto, temos duas
possibilidades:
“Já esqueci a língua” (uso não pronominal, como VTD)
“Já me esqueci da língua” (uso pronominal, como VTI)
A sugestão da banca está errada, pois usou o verbo como pronominal, sem utilizar paralelamente
a preposição. Questão incorreta.
(INSS – 2016)
Mas lembrei-me de que, ao ir ali pela primeira vez, observara que, apesar de ficar em frente ao
do Mário, havia uma diferença na numeração.
A correção gramatical e o sentido do texto seriam preservados, caso se substituísse o trecho
“lembrei-me de que” por “lembrei que”.
Comentários:
O verbo lembrar é VTD. Se estiver sendo usado em sua forma pronominal (lembrar-se), passa a
ser VTI. Saiu o pronome, sai a preposição também: ou escrevemos ambos, ou nenhum. Questão
correta.
16.Proceder
Ex.: Suas alegações não procedem. (VI; ter cabimento, ter fundamento)
Ex.: Você procedeu bem nessa situação. (VI; agir; se comportar)
Ex.: De qual país procede essa fortuna? (VI + adj. Adv. Lugar; ter origem)
Ex.: Procedam à citação das partes. (VTI: “a”; executar ato; fazer)
17.Simpatizar e Antipatizar
Pede a preposição “com”. Não aceita a preposição “por” nem aceita uso com pronome me, te,
se, nos... Não diga “eu me simpatizo”!
Ex.: Simpatizo com ela, antipatizo com o pai. (VTI: “com”; gostar; ter afinidade; não aceita
pronome “se”, não é pronominal).
18.Visar
Geralmente tem sentido de objetivo, finalidade; porém, pode significar assinatura ou mira.
Ex.: Estudo visando ao primeiro lugar (VTI: “a”; ter como objetivo)
Ex.: Vise o cheque, por favor. (VTD; dar um visto; rubricar)
Ex.: O policial visou o alvo distante. (VTD; apontar, mirar)
Obs.: Embora essa acima seja a regra consagrada, também tem sido aceito por alguns
gramáticos o uso do verbo visar com sentido de “objetivo” sem a preposição, especialmente
diante de verbos, formando uma espécie de “locução verbal”: Visando estudar, visar aprimorar...
(DPU – 2016)
Seria mantida a correção do texto caso o trecho ‘para que seus direitos sejam garantidos’ fosse
reescrito da seguinte forma: visando à garantia de seus direitos.
Comentários:
Não precisamos do texto aqui. Visar é VTI e pede a preposição “a”, com sentido de ter como
objetivo. Visando “a” + “a” garantia = visando à garantia. Questão correta.
(STJ / ANALISTA JUDICIÁRIO)
"... todos os grupos, classes, etnias visam o controle do poder político..."
Mantendo-se as ideias originalmente expressas no texto, assim como a sua correção gramatical, o
complemento da forma verbal "visam" poderia ser introduzido pela preposição a: ao controle.
Comentários:
Rigorosamente, o verbo Visar é transitivo indireto, regendo complemento introduzido pela
preposição “a”, quando tem sentido de “almejar, desejar, ter como objetivo”. Então, a
preposição não foi usada no texto original e certamente a sua inserção deixaria o texto correto.
Pela redação do texto, a banca sugere que o uso sem preposição é correto e não altera o
19.Precisar
Pode ter sentido de necessidade ou de precisão, exatidão.
Ex.: Preciso de você, estou cansado de sofrer... (VTI: “de”; ter necessidade; carecer)
Ex.: Acertei 8 ou 9 questões, não sei precisar quantas nem quais. (VTD; indicar com
precisão; especificar, quantificar, detalhar)
20.Informar
Informar é um típico verbo bitransitivo: pede um objeto direto e um indireto.
Ex.: Informei o passageiro da notícia. (VTDI: “a” ou “de”)
Ex.: Informei a notícia ao passageiro. (VTDI: “a” ou “de”)
Para o verbo informar, tanto faz o objeto direto ou o indireto ser coisa ou pessoa. Tal regra vale
também para os verbos semelhantes, como notificar, avisar, certificar, informar, cientificar,
proibir, permitir, prevenir, aconselhar.
Esses verbos admitem as preposições a/de/sobre. Os complementos devem ser diferentes, um
OD e um OI, não pode haver dois do mesmo tipo.
21.Perguntar
Perguntar é também verbo bitransitivo: pede um objeto direto e um indireto. Esses objetos
podem assumir forma de “coisa” ou “pessoa”.
Então teremos: perguntar alguém sobre algo/perguntar algo a alguém.
Ex.: Perguntei as testemunhas sobre o crime. >>> perguntei-as sobre o crime.
Ex.: João perguntou a reposta ao irmão. >>> Perguntou-lhe a reposta.
Ex.: Perguntei ao irmão o que desejava. >>> Perguntei-lhe o que desejava.
(SEDF – 2017)
Quando nos perguntamos o que é a consciência, não temos melhor resposta que a de Louis
Armstrong quando uma repórter perguntou-lhe o que era o jazz: “Moça, se você precisa
perguntar, nunca saberá”
Seriam mantidos o sentido e a correção gramatical do texto caso fosse introduzida a preposição
sobre imediatamente após “perguntou-lhe”.
Comentários:
Para o verbo perguntar (VTDI), temos duas combinações: perguntar alguém sobre algo/perguntar
algo a alguém.
Então, o erro da questão é querer inserir dois complementos preposicionados para o verbo
“perguntar”. Se já tínhamos o “lhe” na função de objeto indireto, não manteria a correção inserir
outra preposição (sobre). Questão incorreta.
(TCE-RN / CONHECIMENTOS BÁSICOS / 2015)
Mantém-se a correção gramatical do texto se o trecho “informar ao Tribunal de Contas do Estado
do Rio Grande do Norte (TCE/RN) os atos ilegítimos” for reescrito da seguinte forma: informar ao
Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN) sobre os atos ilegítimos.
Comentários:
Aqui, temos um verbo transitivo direto e indireto, também chamado de “bitransitivo”, com um
complemento sem preposição e outro com preposição:
Ex: Informei o passageiro da/sobre a notícia. (VTDI: “a” ou “de”)
Ex: Informei a notícia ao passageiro. (VTDI: “a” ou “de”)
Então, temos duas formas corretas:
“informar ao Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN) os atos ilegítimos”
Ou
“informar o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Norte (TCE/RN) dos/sobre os atos
ilegítimos”
A redação da banca é incorreta porque os dois complementos possuem preposição; eles
precisariam ser de tipos diferentes, um direto e outro indireto.
Tal regra vale também para os verbos semelhantes, como notificar, avisar, certificar, cientificar,
proibir, permitir, prevenir, aconselhar. Questão incorreta.
22.Servir
Ex.: Servidores públicos ganham para servir. (VI; prestar um serviço)
Ex.: Servidores públicos ganham para servir ao/o país. (VTI ou VTD; prestar um serviço)
Ex.: Servidores públicos ganham para servir ao país. (VTI; prestar um serviço)
Ex.: Lá eles servem peixe cru aos clientes. (VTDI; levar algo a alguém)
Ex.: A farda não serve mais em você (VTI: “a”, “em”; ser útil; vestir)
Ex.: A pobreza não lhe pode servir de desculpa. (VTI; ter a função de)
(Diplomata – 2014)
A crônica não é um “gênero maior”. Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas,
que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se
pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece
mesmo que a crônica é um gênero menor.
“Graças a Deus”, seria o caso de dizer, porque, sendo assim, ela fica mais perto de nós. E para
muitos pode servir de caminho não apenas para a vida, que ela serve de perto, mas para a
literatura.
As formas verbais “imagina”, “atribuir” e “servir” foram utilizadas como verbos transitivos
indiretos.
Comentários:
O verbo “imaginar” está sendo usado como transitivo direto, veja que não há preposição: “Não
se imagina uma literatura feita de grandes cronistas”. O item já está errado por esse primeiro
verbo.
Quem atribui, atribui alguma coisa a alguém. O verbo “atribuir” é transitivo direto e indireto, pois
tem um complemento sem preposição (o que é atribuído) e um com preposição (a que/quem é
atribuído): “atribuir o prêmio Nobel a um cronista”.
O verbo “servir” aqui é transitivo indireto seguido de predicativo, regendo a preposição “de”.
“Servir de” tem sentido de desempenhar a função de; veja como a gramática analisa esse verbo:
“e para muitos (a crônica) pode servir de caminho (predicativo) não apenas para a vida (à
vida—OI)...”. Questão incorreta.
23.Concernir
Ex.: Seu argumento não concerne ao tema (VTI “a”; ter relação com, dizer respeito a;
quanto a)
Ex.: No que concerne ao seu estudo, você agiu bem! (VTI “a”; ter relação com, dizer
respeito a; quanto a)
24.Querer
Ex.: Toda mãe quer bem aos filhos. (VTI “a”; amar, estimar, querer bem a)
Ex.: Quero tudo o que mereço e mais. (VTD; desejar, almejar posse)
25.Prescindir
Ex.: A vida dos ricos não prescinde de trabalho (VTI “de”; passar sem, pôr de parte (algo);
renunciar a, dispensar)
Esse verbo basicamente significa “dispensar” e demanda a preposição “de”. Atenção à grafia
preSCindir.
REGÊNCIA NOMINAL
Os nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) também podem ter transitividade e demandar um
complemento preposicionado. Por exemplo, quem é obediente (adjetivo), é obediente “a” alguma
coisa/alguém, ou tem obediência (substantivo) “a” alguma coisa/alguém. Quem age contrariamente
(advérbio), age contrariamente “a” alguma coisa. Quando esses complementos regidos pela preposição
“a” trazem um artigo feminino “a(s)”, ocorre o fenômeno da crase (a + a = à).
No nosso estudo de regência nominal teremos que aprender a preposição correta ligada a cada nome
desses, não há uma regra muito lógica para o uso dessas preposições e muitos verbos aceitam várias delas,
com ou sem mudança de sentido. Veremos os principais por meio de questões para evitarmos a decoreba
de listas enormes de nomes e suas regências.
Regência é vivência. Não é possível decorar as preposições de tantos nomes, só a reiterada experiência de
se deparar com esses nomes e suas respectivas preposições vai solidificar esse entendimento. No entanto,
recomendo a leitura e consulta de uma importante lista de regências nominais mais cobradas, retirada do
livro “A gramática para concursos públicos”, da Editora Método.
Várias dessas regências vão aparecer nas questões de crase que resolveremos adiante.
A
abrigado de; aceito a; acessível a; acostumado a, com; adaptado a, de, para; adequado a;
admiração a, por; afável com, para com; afeição a, por; afeiçoado a, por; aflito com, para,
por; agradável a, de, para; alheio a, de; aliado a, com; alienado de; alternativa a, para;
alusão a; amante de; ambicioso de; amigo de; amizade a, com, por; amor a, por; amoroso
com, para com; analogia com, entre; análogo a; ansioso de, para, por; anterior a;
antipatia a, contra, por; apaixonado de, por; aparentado com; apto a, para; atencioso
com, para, para com; atentado a, contra; atentatório a, de; atento a, para, em; atinar
com; avaro de; aversão a, para, por; avesso a; ávido de, por
B
bacharel em; baseado em, sobre; bastante a, para; bem em, de; benéfico a; benevolência
com, em, para, para com; benquisto a, de, por, com; boato de, sobre; bom de, para, para
com; bordado a, com, de; briga com, entre, por; brinde a; busca a, de, por
C
capacidade de, para; capaz de, para; caritativo com, de, para com; caro a; cego a;
certo(eza) de; cessão de... a; cheio de; cheiro a, de; circunvizinho de; cobiçoso de;
coerente com; coetâneo de; comemorativo de; compaixão de, para com, por; compatível
com; compreensível a; comum a, de; conceito de, sobre; condizente com; confiante em;
conforme a, com; consciente de; cônscio de; constante de, em; constituído com, de, por;
contemporâneo a, de; contente com, de, por, em; contíguo a; contraditório com;
contrário a; convênio entre; cruel com, para, para com; cuidadoso com; cúmplice em;
curioso a, de, para, por
D
dedicado a; depressivo de; deputado a, por; desagradável a; desatento a; descontente
com; desejoso de; desfavorável a; desgostoso com, de; desleal a; desprezo a, se, por;
desrespeito a, contra; dever de; devoção a, para com, por; devoto a, de; diferente de;
difícil de; digno de; diligente em, para; direito a, contra, de, em, para, sobre; disposto a;
dissemelhante de; ditoso com; diverso de; doce a; dócil a, para com; doente de;
domiciliado em; dotado de; doutor em; duro de; dúvida acerca de, de, em, sobre
E
embaraçoso a, para; empenho de, em, por; êmulo de; encarregado de; entendido em;
envio
de... a; estendido a, de... a, até, em, para, sobre; equivalente a; eriçado de; erudito em;
escasso de; essencial a, em, para; estéril de; estranho a; estreito de, para; estropiado de;
exato em
F
fácil a, de, em, para; falha em; falho de, em; falta a, contra, de, para com; falto de;
fanático por; farto em; favorável a; fecundo em; feliz com, de, em, por; fértil de, em; fiel
a; firme em; forte de, em; fraco de, em, para com; franco de, em, para com; frouxo de;
fundado em, sobre; furioso com, de
G
generoso com; gordo de; gosto por; gostoso a; grande de; gratidão a, por, para com;
gravoso a; grosso de; guerra a, com, contra, entre
H
hábil em, para; habilidade de, em, para; habilitado a, em, para; habituado a; harmonia
com, entre; hino a; homenagem a; hora de, para; horror a; horrorizado com, de, por,
sobre; hostil a, com, contra, em, para com
I
ida a; idêntico a; idôneo a, para; imbuído de, em; imediato a; impaciência com;
impaciente com; impedimento a, para; impenetrável a; impossibilidade de; impossível de;
impotente contra, para; impróprio para; imune a, de; inábil para; inacessível a; inapto a,
para; incansável em; incapaz de, para; incerto de, em; incessante em; inclinação a, para,
por; incompatível com; incompreensível a; inconsequente com; inconstante em; incrível
a, para; indébito a; indeciso em; independente de, em; indiferente a; indigno de; indócil
a; indulgente com, para com; inepto para; inerente a, em; inexorável a; infatigável em;
inferior a, de; infiel a; inflexível a; influência em, sobre; ingrato com, para com; inimigo
de; inocente de; insaciável de; insensível a; inseparável de; insípido a; interesse em, por;
intermédio a; intolerância a, contra, em, para, para com; intolerante com, para com; inútil
a, para; investimento de, em; isento de
J
jeito de, para; jeitoso para; jogo com, contra, entre; jubilado em; juízo sobre; julgamento
T
tachado de; talentoso em, para; tardo a, em; tarjado de; tédio a, de, por; temente a, de;
temerário em; temeroso de; temido de, por; temível a; temperado com, de, em, por;
tenaz em; tendência a, de, para; teoria de, sobre; terminado em, por; terno de; terror de,
por, sobre; testemunha de; tinto de, em; tolo de, em; traidor a, de; transido de;
transversal a; trespassado de; triste com, de
U
último a, de, em; ultraje a; unânime em; união a, com, entre; único a, em, entre, sobre;
unido a, a favor de, contra, entre; unificado em; urgente a, para; useiro em; útil a, para;
utilidade em, para; utilizado em, para
V
vacina contra; vaga de, para; vaia a, contra, em; vaidade de, em; vaidoso de; valioso a,
==2bf7bb==
para; valor em, para; vantagem a, de, em, para, sobre; vantajoso a, para; vassalagem a;
vazado em; vazio de; vedado a; veleidade de; venda a, de, para; vendido a; veneração a,
de, para com, por; verdade sobre; vereador a, por; vergonha de, para; versado em; versão
para, sobre; vestido com, de, em; veterano em; vexado com, de, por; viciado em; vidrado
em; vinculado a, com, entre; visível a; vital a, para; viúvo de; vizinhança com, de; vizinho
a, com, de; vocação a, de, para; voltado a, contra, para, sobre; vontade de, para;
vulnerável a
X
xeque a; xingado com, de; xodó com
Z
zangado com, por; zelo a, com, de, para com, por; zeloso com, para com; zombaria com;
zonzo com, de
(PF–Escrivão – 2018)
A supressão da preposição “de” empregada logo após “ferocidade”, no trecho “acostumando os
espectadores a uma ferocidade de que todos queriam vê-los afastados”, manteria a correção gramatical do
texto.
Comentários:
A preposição “DE” é obrigatória pela regência do adjetivo “afastados”: afastados de algo > afastado de uma
ferocidade. Como foi utilizado o pronome relativo, a preposição obrigatória aparece normalmente antes
desse pronome:
a uma ferocidade de que todos queriam vê-los afastados. Questão incorreta.
CRASE
A crase é uma união de sons vocálicos iguais. O acento correspondente se chama acento grave. Na
expressão: Ele e eu almoçamos ocorre crase, pela união do “e” final da palavra ele e do e conjunção, que
são pronunciados como /i/. Leia em voz alta para você ouvir... Ouviu? Aqui usaremos crase como sinônimo
do acento grave (à), para facilitar, ok?
O caso que nos interessa é a crase que ocorre na contração da preposição “a” com artigos femininos ou
com o “a” em alguns pronomes demonstrativos e relativos:
Ex.: Assisti ao jogo. (assistir “a” + “o” jogo = ao)
Ex.: Assisti à novela. (assistir “a” + “a” novela = à)
Ex.: Estou visando a este cargo. (visar “a” + Este)
Ex.: Estou visando àquele cargo. (visar “a” + aquele = àquele)
Ex.: Estou visando à remuneração. (visar “a” + “a” remuneração = à)
Ex.: Esse é o livro ao qual me referi. (se referir “a” + “o” qual – livro)
Ex.: Essa é a apostila à qual me referi. (se referir “a” + “a” qual – apostila)
Os principais modos de identificar se há crase ou não é perguntar se aquele substantivo após a preposição
“a” aceita artigo feminino. Um macete famoso é imaginar aquele substantivo na função de sujeito de uma
frase qualquer. Veja:
Ex.: Aludi ( ) + ( ) crianças. Será que tem preposição? Será que tem artigo?
Aludir (referir-se) é VTI e pede a preposição “a”. Vamos colocar crianças na posição de sujeito e ver se
aceita artigo:
Crianças gritam muito. As crianças gritam muito.
Foi fácil perceber que o substantivo crianças aceita esse artigo feminino. Logo:
Aludi ( a ) + ( as ) crianças Aludi às crianças.
Usaremos esse teste para alguns outros casos. Agora vamos seguir...
Aproveito para relembrar que esse assunto depende de um bom conhecimento do uso do artigo. É
fundamental lembrar que o artigo definido é utilizado para se referir especificamente a uma entidade, seja
porque ela é determinada no texto, por ter aparecido antes, por ser de conhecimento do leitor, ou por ter
uma referência clara que se possa inferir do contexto em geral. A ausência do artigo indica que o termo
está sendo utilizado de forma mais genérica, vaga, imprecisa, indefinida. Se o artigo for obrigatório, a crase
será consequência.
Crase Obrigatória
Esses são os casos mais importantes, pois, sabendo quando é obrigatória a crase, você elimina, por
exclusão, os casos proibidos e os facultativos.
É importante também entender que o artigo definido “a” tem o efeito de determinar o nome, dar um
sentido de familiaridade.
Ex.: Na praça sempre havia crianças. Após o atentado, as crianças não ficam mais lá.
Observe que na primeira ocorrência, “crianças” não tem artigo, pois é genérico. Na segunda ocorrência,
essas crianças já são definidas, familiares, específicas, são conhecidas porque já foram mencionadas; por
isso há o artigo definido “as”. Os substantivos que são determinados (conhecidos/especificados), por essa
razão, devem ter artigo definido.
(TRE TO / 2017)
No trecho “em uma época anterior à dos dinossauros”, o emprego do sinal indicativo de crase decorre da
regência do adjetivo “anterior” e presença do artigo feminino antes do termo elíptico “época”.
Comentários:
Questão correta. Temos crase pela fusão entre “anterior A+A (época) dos dinossauros. Esse A foi
considerado artigo diante de substantivo elíptico.
Locuções Femininas
Essas expressões têm um “núcleo feminino” e sempre vêm com acento grave!
Ex.: Vire à direita depois à esquerda. (locução adverbial)
Ex.: Chegue às duas horas por favor. (locução adverbial)
Ex.: A menina gostava de ficar à toa. (locução adjetiva)
Atenção às locuções adverbiais com sentido de meio ou instrumento: a (à) mão, a (à) caneta, (à) a vista, (à)
a prestação. Nesses casos, há controvérsia entre os gramáticos; então você deve presumir na prova que
ambas as formas são aceitas, a crase é facultativa. No entanto, a preferência é usar a crase, para eliminar
ambiguidades:
Desenhei à mão (meio/instrumento) x Desenhei a mão (a mão foi desenhada?)
Apesar da controvérsia, guarde também que a expressão “a distância” não tem crase, salvo se vier
especificada esta distância.
Ex.: Estudo a distância porque a universidade pública mais próxima da minha casa fica à distância de
40 km.
crase.)
(BNB – 2018)
Sendo assim, precisamos aumentar ao máximo o balanço de situações apresentadas à máquina para não
pesar um lado mais do que o outro”, detalha.
O emprego do sinal indicativo de crase em ‘à máquina’ (L.2) é facultativo; portanto, sua eliminação não
prejudicaria a correção gramatical do trecho.
Comentários:
Não é facultativo, temos fusão de preposição exigida por “apresentadas” com artigo diante de “máquina”:
situações apresentadas A + A máquina. Temos crase obrigatória. Questão incorreta.
(MP-PI / ANALISTA MINISTERIAL / 2018)
O alferes eliminou o homem. Durante alguns dias as duas naturezas equilibraram-se; mas não tardou que a
primitiva cedesse à outra; ficou-me uma parte mínima de humanidade.
É facultativo o emprego do acento indicativo de crase em “à outra”, de modo que sua supressão não
comprometeria a correção gramatical e os sentidos originais do texto.
Comentários:
Por isso é que muita decoreba pura às vezes não funciona. Pronomes indefinidos normalmente não
aceitam crase; mas se for possível usar artigo, pode haver crase sim. É o que ocorre aqui, temos artigo
antes de “a (natureza) primitiva” e “a outra (natureza)”. Então, por haver artigo antes de cada uma das
unidades, vai haver crase: cedesse A + A outra (a outra natureza)
Portanto, temos crase obrigatória. Questão incorreta.
Crase Proibida
Para haver crase, temos duas condições simultâneas. Se não houver preposição “a” ou não houver artigo
“a” ou um “a” inicial dos pronomes vistos acima, não há como haver crase. As proibições derivam dessa
noção.
Cuidado: o fato de haver essa possibilidade não significa que toda e qualquer crase diante de palavra
feminina no singular vai ser “dispensável”, a possibilidade de usar substantivo como “genérico” deve ser
vista com muita ressalva; quase sempre, se ocorreu crase é porque o substantivo estava determinado no
contexto. Veja também que o fato de o substantivo estar acompanhado de algum adjetivo ou
determinante não garante que seja um substantivo “determinado e específico”, como percebemos no
terceiro exemplo: “Nunca doei dinheiro a entidade filantrópica. (qualquer entidade, genericamente
considerada)”. É o contexto que dirá se o autor usou o substantivo como específico, familiar, conhecido.
Após preposição
Ex.: Liberaremos o curso mediante a comprovação do pagamento.
Ex.: Fui contra a máfia dos sindicatos desde a inauguração.
Obs: é possível haver crase após a preposição “até”, inclusive esse é um dos casos facultativos.
Antes de “uma”
Ex.: Leve-me a uma unidade desse curso.
Se já existe um artigo indefinido não pode haver um segundo artigo definido ligado ao mesmo nome. Logo,
falta uma condição para a crase.
Contudo, é possível usar crase antes de “uma” em locução adverbial indicativa de hora exata:
Ex: Sairei daqui à uma hora da tarde, sem atrasos.
(IMBEL / 2021)
No texto a seguir há dois casos de acento grave indicativo da crase:
“Pedimos desculpas às esposas americanas. ABC apresenta o futebol das segundas-feiras à noite.”
Assinale a opção que indica a frase em que o acento está empregado corretamente.
A) Nas Bermudas, você está à 700 milhas de tudo que o chateia. E a apenas 90 minutos de Nova York.
(American Airlines)
B) Carta aberta à doce senhora que se perdeu tentando chegar à avenida Dakabay de metrô, na última
semana. (Departamento de Trânsito de Nova York)
C) Circe faz você tão tentadora quanto à mais bonita sobremesa. (Circe lingerie)
D) O navio que trouxe para à América seu gosto por scotch. (Cutty Sark whisky)
E) Você não precisa ir à Paris para comprar Chanel nº 5. Mas seria melhor se fosse. (Air France)
Comentários:
Ocorre crase em " Carta aberta à doce senhora que se perdeu", pela fusão de preposição com artigo: carta
A+A doce senhora ...
Corrijamos as demais:
A) Nas Bermudas, você está a 700 milhas de tudo que o chateia. E a apenas 90 minutos de Nova York.
(American Airlines)
Não ocorre crase porque temos apenas preposição, sem artigo.
C) Circe faz você tão tentadora quanto a mais bonita sobremesa. (Circe lingerie)
Não ocorre crase porque temos apenas artigo.
D) O navio que trouxe para a América seu gosto por scotch. (Cutty Sark whisky)
Não ocorre crase porque temos apenas artigo.
E) Você não precisa ir a Paris para comprar Chanel nº 5. Mas seria melhor se fosse. (Air France)
Não ocorre crase porque temos apenas preposição, sem artigo.
Gabarito letra B.
Comentários:
Não há crase antes de palavra masculina: à a nosso dispor... Questão incorreta.
==2bf7bb==
Palavra em
sentido
genérico, Entre palavras
Antes de
indefinido repetidas
Masculino,
verbo, "uma" e após
Pron. Tratam. preposição
Crase
Proibida
Crase Facultativa
Em essência, a crase é facultativa quando o artigo for facultativo.
Até a
antes de
antes de
nome
Possessivos
próprio
Crase
Facultativa
um aprendizado automático que culminou com escolhas equivocadas realizadas pelo próprio
sistema. Há evidentes situações em que se pode vislumbrar a existência de culpa do operador do
sistema, como naquelas em que não foram realizadas atualizações de software ou, até mesmo, de
quebra de deveres objetivos de cuidado, como falhas que permitem que hackers interfiram no
sistema. Entretanto, excluídas essas situações, estará ausente o juízo de censura necessário para a
responsabilização com base na culpa.
Em “culminou com escolhas” (segundo período do segundo parágrafo), a substituição da
preposição “com” por em resultaria em incorreção gramatical no texto.
Comentários:
Não haveria incorreção. Tanto faz: culminar em ou culminar com. Pessoal, não tem jeito, quando
não se conhece a regência de um verbo ou nome, é necessário consultar. Aqui, destacamos as
mais importantes, mas é impossível prever todas que podem cair em prova.
Questão incorreta.
No que concerne às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item a
seguir.
A substituição da expressão “das quais” (linha19) por que preservaria tanto o sentido quanto a
correção gramatical do período.
Comentários:
O verbo ENTENDER apresenta três regências distintas, que alteram, inclusive, seu sentido:
1. Transitivo direto: significa "compreender, captar":
2. Transitivo indireto: indica "conhecer, estar a par".
3. Transitivo direto e indireto: "comunicar-se, concordar com".
Desta forma, ao mudarmos sua regência, de transitivo indireto para transitivo direto (uma vez que
o pronome QUE não vem antecedido de preposição), alteraríamos o seu significado. Questão
incorreta.
Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto CB3A1-I, julgue o item a seguir.
A correção gramatical do texto seria preservada caso se inserisse a preposição a imediatamente
após “atende” (Linha.19) — atende a.
Comentários:
O verbo ATENDER apresenta regência facultativa.
Segundo Bechara, esse verbo alterna entre complemento direto e indireto: Atender o telefone /
Atender ao telefone.” (BECHARA, E. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira; Lucerna, 2009, p. 512).
Questão correta.
Comentários:
Ao usar a forma com crase, “às mulheres” passa a ser complemento de “garantir”: garantir Algo
A alguém
As medidas previstas visam garantir o gozo dos direitos humanos e das liberdades fundamentais
às mulheres. Questão correta.
No contexto, “responder” e “atender” são sinônimos, no sentido de oferecer uma reação, uma
resposta a algo. Além disso, compartilham a mesma regência, pois pedem a preposição “a”.
Portanto, não há prejuízo na substituição. Questão correta.
vantagens ou desvantagens por conta da raça. Assim, a discriminação pode ser direta ou indireta.
A discriminação direta é o repúdio ostensivo a indivíduos ou grupos, motivado pela condição
racial, exemplo do que ocorre em países que proíbem a entrada de negros, judeus, muçulmanos,
pessoas de origem árabe ou persa, ou ainda lojas que se recusam a atender clientes de
determinada raça. Já a discriminação indireta é um processo em que a situação específica de
grupos minoritários é ignorada — discriminação de fato — ou sobre a qual são impostas regras
de “neutralidade racial” sem que se leve em conta a existência de diferenças sociais significativas
— discriminação pelo direito ou discriminação por impacto adverso. A discriminação indireta é
marcada pela ausência de intencionalidade explícita de discriminar pessoas. Isso pode acontecer
porque a norma ou prática não leva em consideração ou não pode prever de forma concreta as
consequências da norma.
A supressão da preposição “a”, em “lojas que se recusam a atender clientes de determinada
raça” (quarto período do último parágrafo), prejudicaria a correção gramatical do texto.
Comentários:
Aqui, o verbo é “recusar-se A”, transitivo indireto e pronominal. Então, a preposição “a” é
obrigatória.
Questão correta.
Com relação às propriedades linguísticas do texto apresentado, julgue o item que se segue.
No trecho “pequenos ofícios necessários ao bom andamento de sua produção” (L. 12 e 13), o
emprego de “ao” indica a presença de preposição a, exigida pela regência de “necessários”, e
artigo definido masculino singular o, que antecede “bom andamento”.
Comentários:
O que é necessário é necessário A algo ou alguém (necessários a + o bom andamento = ao bom
andamento). Questão correta.
Como temos pronome possessivo adjetivo, o artigo é opcional, o que faz que o acento grave seja
facultativo:
submeter os europeus às suas leis (certo!)
submeter os europeus a suas leis (certo!)
Questão correta.
sinal indicativo de crase no vocábulo ‘à’, em suas duas ocorrências, resultaria em incorreção
gramatical no texto.
Comentários:
O acento grave é obrigatório, pois ocorre fusão da preposição "a" com o artigo antes de
compreensão e resolução:
Diz respeito A + A compreensão
Diz respeito A + A resolução
Questão correta.
Acerca das ideias, dos sentidos e das propriedades linguísticas do texto anterior, julgue o item a
seguir
A retirada do acento indicativo de crase em “às vezes” (L.19) não comprometeria a correção
gramatical do texto.
Comentários:
O sinal indicativo de crase em “às vezes” é OBRIGATÓRIO, pois trata-se de uma locução
adverbial feminina. A crase nessa expressão também serve como um acento diferencial (às vezes
= de vez em quando / as vezes = as ocasiões). Questão incorreta.
Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto, julgue o item a seguir.
A inserção do sinal indicativo de crase em “a quem” (Linha.3) não comprometeria a correção
gramatical do texto.
Comentários:
A inserção do acento grave comprometeria a correção gramatical, pois não ocorre crase
(preposição + artigo). Em "a quem", temos apenas a preposição "a" e o pronome "quem", sem
a presença de um artigo feminino (acessível a + quem = acessível a quem). Questão incorreta.
Comentários:
Veja que não há que se perder tempo com essa questão. Bastava observar que não há crase
antes de “um”, pois “olhar” é substantivo masculino. Isso já anula o item. Questão incorreta.
pronome possessivo sempre foi facultativa. Bem, é facultativa sim, mas a banca também não
disse que não era. Entenda:
Aqui, temos crase na fusão da preposição “a” exigida pelo objeto indireto de “dar”—dar algo A
algo/alguém— com o artigo antes de “peregrinações”:
dando viço A+As suas peregrinações.
dando viço Às suas peregrinações.
Então, é obrigatório sim o acento grave, porque temos preposição e artigo. Se você retirar o
acento grave (que é o que banca pergunta), você fica sem a preposição, restando só o artigo:
dando viço as suas peregrinações. (ficou só o artigo, errado, a preposição é obrigatória)
Então, está aí o problema, não é possível retirar a preposição, seria possível retirar o artigo, aí,
nesse caso, SAIRIAM ARTIGO PLURAL E ACENTO GRAVE JUNTOS!
dando viço a suas peregrinações. (ficou só a preposição, está correto)
Então, o acento grave era obrigatório mesmo porque já havia ali um artigo e não seria possível
retirar simplesmente o acento. Moral da história, crase facultativa não significa que você possa
tirar o acento grave sem nenhum ajuste, a crase é facultativa porque o artigo é facultativo; se o
artigo sai, sai também o “S” indicativo de plural do artigo, não é possível ficar apenas “as” sem
acento grave, pois isso indicaria supressão da preposição obrigatória. É impossível suprimir o
acento assim, “a seco”, sem adaptações. O artigo teria que sair junto. Entenderam? Esse tipo de
questão faz o candidato preparado deixar milhares para trás. Questão correta.
Como no texto, temos preposição e artigo só no primeiro item da lista. Questão correta.
==2bf7bb==
No que concerne às ideias e aos aspectos linguísticos do texto apresentado, julgue o item a
seguir.
A substituição da expressão “das quais” (linha19) por que preservaria tanto o sentido quanto a
correção gramatical do período.
Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto CB3A1-I, julgue o item a seguir.
A correção gramatical do texto seria preservada caso se inserisse a preposição a imediatamente
após “atende” (Linha.19) — atende a.
de “neutralidade racial” sem que se leve em conta a existência de diferenças sociais significativas
— discriminação pelo direito ou discriminação por impacto adverso. A discriminação indireta é
marcada pela ausência de intencionalidade explícita de discriminar pessoas. Isso pode acontecer
porque a norma ou prática não leva em consideração ou não pode prever de forma concreta as
consequências da norma.
A supressão da preposição “a”, em “lojas que se recusam a atender clientes de determinada
raça” (quarto período do último parágrafo), prejudicaria a correção gramatical do texto.
GABARITO
1. CORRETA
2. INCORRETA
3. CORRETA
4. CORRETA
5. INCORRETA
6. CORRETA
7. INCORRETA
8. INCORRETA
9. CORRETA
10. INCORRETA
11. CORRETA
12. CORRETA
13. CORRETA
14. CORRETA
15. CORRETA
16. INCORRETA
17. INCORRETA
18. INCORRETA
19. INCORRETA
20. CORRETA
21. CORRETA
Com relação às propriedades linguísticas do texto apresentado, julgue o item que se segue.
No trecho “pequenos ofícios necessários ao bom andamento de sua produção” (L. 12 e 13), o
emprego de “ao” indica a presença de preposição a, exigida pela regência de “necessários”, e
artigo definido masculino singular o, que antecede “bom andamento”.
GABARITO
1. CORRETA
2. CORRETA
3. CORRETA
4. INCORRETA
5. CORRETA
6. INCORRETA
7. CORRETA
8. CORRETA
possível atender todos os alunos” na educação pública. “Os dados indicam um baixo número de
participação dos estudantes, somado à impossibilidade de os familiares acompanharem a
resolução das tarefas”, afirma. Mas não fica apenas nisso. “Em termos de aprendizagem, os
dados também mostram dificuldades no que diz respeito à compreensão e à resolução das
tarefas.”
No trecho ‘à compreensão e à resolução das tarefas’ (final do quarto parágrafo), a supressão do
sinal indicativo de crase no vocábulo ‘à’, em suas duas ocorrências, resultaria em incorreção
gramatical no texto.
Acerca das ideias, dos sentidos e das propriedades linguísticas do texto anterior, julgue o item a
seguir
A retirada do acento indicativo de crase em “às vezes” (L.19) não comprometeria a correção
gramatical do texto.
Com relação aos aspectos linguísticos e aos sentidos do texto, julgue o item a seguir.
A inserção do sinal indicativo de crase em “a quem” (Linha.3) não comprometeria a correção
gramatical do texto.
políticos.
O paralelismo sintático do último parágrafo do texto seria prejudicado se fosse inserido sinal
indicativo de crase em “a cassação”.
GABARITO
1. CORRETA
2. CORRETA
3. INCORRETA
4. CORRETA
5. CORRETA
6. CORRETA
7. CORRETA
8. INCORRETA
9. CORRETA
10. CORRETA
11. INCORRETA
12. CORRETA
13. INCORRETA
14. INCORRETA
15. INCORRETA
16. INCORRETA
17. INCORRETA
18. CORRETA
19. CORRETA
20. INCORRETA
21. INCORRETA
22. INCORRETA
23. INCORRETA
24. INCORRETA
25. INCORRETA
26. LETRA A
27. CORRETA
28. CORRETA
29. INCORRETA
30. INCORRETA
31. INCORRETA
32. INCORRETA
33. INCORRETA
34. CORRETA