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FAMÍLIA: UM ESTUDO SOBRE A PARCERIA COM A COMUNIDADE ESCOLAR

PARA DESENVOLVIMENTO DE UMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA DE QUALIDADE.

FAMILY: A STUDY ON PARTNERSHIP WITH THE SCHOOL COMMUNITY TO


DEVELOP AN INCLUSIVE QUALITY EDUCATION.

Myllena Náthally Silva¹

RESUMO:
Palavras-chaves: Família, Comunidade escolar, educação inclusiva.

ABSTRACT:
Keywords: Family, school community, inclusive education.

1. INTRODUÇÃO

Compreendendo a família como constituinte da primeira relação social da criança


capaz de promover um ambiente saudável de crescimento e desenvolvimento de habilidades,
principalmente quando falamos de crianças com deficiência é prudente afirmar que essa
relação é capaz de desenvolver de forma significativa a aprendizagem quando esta é
acompanhada adequadamente em parceria com os espaços educativos. A educação especial
articulada à colaboração das famílias pode não somente facilitar os processos de
aprendizagem, desenvolvendo no sujeito habilidades que poderão ser generalizadas para
outros espaços de convivência, como também propiciar um espaço de maior inclusão nas
práxis educativas.
O acompanhamento familiar é de vasta importância para o desenvolvimento cognitivo
de qualquer criança, tratando-se de crianças com deficiência o impacto dessa participação
acarreta em uma intervenção colaborativa que dinamiza os processos de assimilação de
aprendizagem da criança.
A integração dos familiares com a escola é primordial para que a proposta de inclusão seja
desenvolvida juntamente com as intervenções oferecidas à criança. Desta forma, concebemos
o lócus educativo como fundamental para generalizar os processos de socialização e
aprendizado da criança com deficiência, implicando não apenas na integração desse estudante
em espaços coletivos, mas provendo à ele o apoio para que possa aprender e desenvolver
traquejos sociais, gerando autonomia e preparando-o para a exercer suas funções em sociedade de
forma independente.
Investigando a relação família-escola nos oportuniza entender quais são as
circunstâncias que influenciam a melhora no processo de aprendizagem do aluno e o papel
que a família desempenha para estimular o desenvolvimento do potencial da criança. Para tal,
a escola deve estar presente operando para sanar as necessidades dos educandos, realizando
mudanças em suas práticas pedagógicas e curriculares visando atender as especificidades de
cada sujeito e assim constituindo um processo de ensino-aprendizagem satisfatório.
Certamente essa parceria se constitui de forma benéfica, no entanto, deve-se observar
qual a percepção que os pais têm sobre o papel que a escola exerce no desenvolvimento das
crianças e qual o apoio que eles devem oferecer para a escola de forma que não dificultem os
métodos de ensino-aprendizagem e se tornem parceiros nas intervenções que são propostas.
Levando em consideração a escassa discussão sobre a temática e considerando a
importância dessa relação, esta pesquisa tem por objetivo responder o seguinte
questionamento: De que forma a participação da família pode influenciar nos processos de
aprendizagem das crianças com deficiência? O objetivo principal da pesquisa é compreender
a influência da família nos processos de ensino-aprendizagem, partindo disso delineiam-se os
seguintes objetivos específicos: Identificar qual o papel da família nos processos de
intervenção e analisar a relação entre a participação e o processo de ensino
aprendizagem.
A metodologia se norteará por intermédio de uma pesquisa qualitativa que segundo
Moresi (2003, p.69) “deve ser usada quando você deseja entender detalhadamente porque um
indivíduo faz determinada coisa. [...] A pesquisa qualitativa é particularmente útil como uma
ferramenta para determinar o que é importante”, tornando o investigador um instrumento
capaz de ocasionar uma maior proximidade com o campo pesquisado.
As informações sistematizadas serão coletadas a partir de uma pesquisa bibliográfica
“que se realiza a partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em
documentos impressos, como livros, artigos, teses e etc. Utiliza-se de dados ou de categorias
teóricas já trabalhadas por outros pesquisadores e devidamente registrados” (Severino, 2007,
p. 122), essa modalidade de pesquisa permite ao pesquisador contato com uma maior
quantidade de informações acerca do problema em ambientes controlados o que poderá
facilitar diretamente na construção dos dados analisados.
Os procedimentos metodológicos serão realizados por meio de revisões de obras
publicadas no Programa de Pós-Graduação em Educação Especial - UFSCar (PPGEEs) no
período de 2019 a 2023 totalizando 5 anos, o período foi considerado levando em
consideração publicações mais recentes sobre a temática e a Lei Brasileira de Inclusão n°
13.146/2018, visando descobrir se após sua promulgação houve alguma alteração no cenário
da educação inclusiva. Para esta pesquisa serão consideradas teses e dissertações que
abordem a temática analisada buscando evidências que possam constatar a efetividade entre
as relações de parceria família-escola.
A análise de dados será encaminhada por etapas partindo de uma busca inicial sobre o
tema no repositório do (PPGEEs), a partir dos resultados será executada uma pré-análise para
identificar se contemplam as categorias propostas nesta pesquisa, os documentos que forem
selecionados para a análise, se pertinentes ao objetos desta pesquisa irão compor a discussão
de dados e serão categorizados passando por uma análise documental que a luz de Gomes
(2009) se volta para a descrição objetiva e sistemática de um conteúdo buscando descobrir o
quê está sendo comunicado.
Para o autor existem diversas formas de se realizar uma análise documental, essa pesquisa
partirá de uma análise temática onde o foco principal será o tema discutido, nessa análise
serão pesquisados e descobertos os núcleos de sentido que integram o objetivo escolhido. Os
documentos estruturados nessa etapa serão analisados em partes e distribuídos em categorias,
onde de forma descritiva serão expostos os resultados e interpretados a partir dos objetivos e
categorias elencados indo além do material encontrado.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O presente estudo traz como marcos teóricos 1. A família da criança com deficiência.
2.Família - escola: generalizando saberes. 3. Práticas curriculares de acesso à educação
inclusiva.

2.1 A família da criança com deficiência

A família pode ser caracterizada por um núcleo social que se modifica de acordo com
as alterações do meio em que se encontra, na antiguidade sua origem poderia ser conceituada
como a relação consanguínea entre indivíduos que estabeleciam uma convivência e
executavam papeis distintos dentro dessa organização, Engels (1984), discute sobre como
cada sujeito em sua representação familiar “pai”, “mãe”, irmão”, “irmã”, tem uma função
definida dentro daquele espaço social ao qual estão inseridos e de como esses papeis possuem
uma fluidez temporal a medida em que a própria sociedade evolui. Estes papeis tem por
definição gerir esse núcleo e estabelecer costumes e tradições vigentes naquela época e
unidade familiar.

Sob o núcleo familiar incidem a constituição de novos organismos, a família segue


sendo a instituição mais antiga reconhecida socialmente que se multiplica e passa por
constantes transformações, sob uma ótica conservadora podemos definir família pelo sistema
patriarcal onde um homem e uma mulher criam laços conjugais a fim de manter seus filhos.

O “pai” tem por definição prover a moradia e sustento familiar e a “mãe” está
encarregada de serviços domésticos e a criação dos filhos, no entanto, como dito
anteriormente a condição temporal da família é fluída e segue os parâmetros sociais, ao passo
que o Estado se regulamenta para coexistir com essa unidade, nesse sentido Alves (2014,
p.13) nos confirma que,

A sociedade se desenvolve de acordo com o momento histórico, até que os fatos e


situações tornem-se tão evidentes que nada reste ao legislador senão regulá-los¹³, e a
família, dentro do conceito jurídico, “foi um dos organismos que mais sofreu
alterações, justamente em virtude da mutabilidade natural do homem (ALVES,
2014, p.13).

Essa mutabilidade do sujeito transforma a vida ao seu redor e o conceito de família não seria
diferente, nos últimos tempos o núcleo familiar sofreu grandes influências do meio social e
com estas algumas mudanças foram acrescidas, entre eles podemos citar o papel da mulher
que socialmente ganhou mais notoriedade e suas conquistas influenciaram a dinâmica e seu
papel outrora definido como “cuidadora do lar”, as famílias já não se limitam ao laços
consanguíneos podendo agregar a afetividade e o pluralismo nas relações que estabelecem
novos modelos familiares.

Contudo, se tratando da família de uma pessoa com deficiência tais padrões de


organização são mantidos? As tradições e costumes estabelecidos em sociedade são
preservados? Nesta seção busco responder esses questionamentos enquanto destrincho a
unidade familiar de uma pessoa com deficiência, seus aspectos e desafios.
Ao constituir uma família é natural do ser humano planejar a concepção de um filho,
essa idealização gera uma expectativa para a criança e seu futuro que pode ser quebrada com
a chegada de um diagnóstico, visto que a família é o ambiente responsável pelas primeiras
experiências sociais e emocionais da criança, a partir dela ocorrem os primeiros estímulos,
desenvolvem-se os sentimentos, experimentam-se as sensações e compreendem- se hábitos e
costumes culturais.

A descoberta de uma deficiência altera a dinâmica familiar habitual, modificando suas


funções e iniciando uma constante adaptação do modo de viver tradicional e planejado. Nas
palavras de Glat (1996) a forma como a família recebe essa notícia influi sobre os processos
de integração da criança, de modo que possa facilitar ou impedir sua inclusão na sociedade,
sob estes dois ângulos a família pode atenuar o processo de inclusão social da criança com
deficiência auxiliando no desenvolvimento da autonomia em viés das limitações, articulando
recursos que as permitam integrar não somente o espaço familiar como também a
comunidade, em contrapartida, a família pode experienciar sentimentos de culpa, rejeição
pela ausência de uma criança outrora idealizada.

Após a descoberta do diagnóstico a família inicia a fase da aceitação, esse processo


varia entre os familiares iniciando-se gradualmente pela contestação médica, nesse período a
família ainda está ligada ao fato idealizado e há uma recusa ao parecer médico, neste ponto
cabe discutir sobre a imperícia médica quanto ao repasse de informações aos familiares que
podem contribuir para o surgimento de dúvidas.

Frequentemente, os profissionais de saúde se esquecem de que o nascimento de uma


criança com deficiência não altera a realidade de que esses pais são apenas humanos
e que tem sentimentos, medos e incertezas.[...] Tal quadro torna-se mais sério
quando os profissionais de saúde enfatizam os aspectos limitantes da deficiência,
em vez de mostrar as possibilidades de desenvolvimento, as possíveis formas de
superação das dificuldades, os locais de orientação familiar, os recursos de
estimulação precoce e os centros de referência de atendimento às crianças com
deficiência (Lemes & Barbosa, 2007, p. 442).

Neste ponto os familiares iniciam uma caminhada em busca de novos pareceres, opiniões
divergentes aquelas que já foram recebidas anteriormente até que encontrem um diagnóstico
médico coerente e possam finalmente chegar a etapa da compreensão e adaptação.
Ao longo desse processo podem surgir conflitos de natureza pessoal e familiar
relacionados à adaptação da criança e sua deficiência, alterando não apenas a dinâmica como
a unidade familiar, Glat (1989) destaca para como o padrão de normalidade oculta na
sociedade afeta os relacionamentos interpessoais causando uma instabilidade e separação dos
pais o que retoma as perguntas feitas no início desta seção sobre os padrões de organização
da família e as tradições e costumes da sociedade.

Se tratando da família de uma pessoa com deficiência os padrões que anteriormente


eram tidos como cerne da humanidade são ressignificados e adaptados à nova realidade que
ali está sendo vivenciada, no entanto, ainda é dentro da família que a criança irá experienciar
as primeiras estimulações, para Glat (1996, p. 113),

é por meio do relacionamento familiar que desde os primeiros tempos de vida a


criança começa a aprender até que ponto ela é um ser aceitável no mundo (isto é, se
ele é considerado “normal” em comparação com os outros membros do grupo
social) , que tipo de concessões e ajustes deverá fazer para ser aceito, e a qualidade
das relações humanas que encontrará (GLAT, 1996, p. 113).

À vista disso, para que a família possa dar esse suporte à criança se faz necessário que ela
esteja inicialmente integrada a sua própria família, assim se torna importante inicialmente o
cuidado da família pelos profissionais especializados, iniciando uma intervenção
psicoeducativa para que primeiramente possam compreender e se adaptar à nova rotina
familiar.

Ao passo que vão se adaptando os familiares podem trabalhar a ansiedade gerada


sobre o desenvolvimento do filho, tal qual toda rotina atípica o cuidado com a criança com
deficiência se desenrola ao longo de sua vida, tais demandas assim como em uma família
típica recai para a figura materna, em razão de socialmente o homem ser visto como o
provedor da casa, ou quando a figura materna está no contexto de monoparentalidade (com a
ausência do cônjuge na unidade familiar) algumas mães passam a viver a vida do filho e
desse modo não priorizam suas próprias necessidades. Como caracteriza (Pereira, 2018, p.4),
“assim os aspectos emocionais das famílias, em especial das mães, são negligenciados,
ficando para estas apenas a função de cuidadora e de executora das ordens dos profissionais”
a qual realiza o seu maternar cuidadoso enquanto se torna oculta ao seu próprio esgotamento.
As relações afetivas concebidas dentro do contexto familiar são marcos para
desenvolver na criança interações de natureza positiva ou negativa, o apoio parental que é
fornecido a criança em seus primeiros anos de vida se tornam repertórios de como irão
enfrentar a vida cotidiana, Para Dessen e Polonia (2007) essa influência exercida pela família
é importante para construção de conceitos que serão generalizados para outros ambientes. O
vínculo familiar se torna um reflexo em relação a percepção que a criança terá de si e como
será sua interação com o mundo tendo um importante função na educação e socialização, é
nesse convívio que serão aprendidas as primeiras habilidades e a partir desses ensinamentos a
criança irá ressignificar suas demais vivências em outros espaços que vier a frequentar

Conforme referido a unidade familiar de uma criança com deficiência sofre alterações
em sua composição e funcionamento, ainda que a prática seja particular as vivências de cada
sujeito, em alguns momentos os costumes e tradições sociais estão presentes nessa
organização principalmente na definição dos sujeitos familiares e suas atribuições no cuidado
do outro. A prática do cuidado exercida pela família dentro desse ambiente se tornará o ponto
principal para o desenvolvimento da criança visto que os pais nesse sentido possuem o papel
de conexão com o meio social tornando sua adaptação ao meio mais acessível.

2.2 Família - escola: generalizando saberes

Se é na família que a criança inicia suas primeiras interações e experiências com o


mundo, o segundo local no qual a criança pode continuar a construção desses saberes e
generalizar os conhecimentos adquiridos da sua unidade familiar é a escola. No ambiente
escolar a criança passa a maior parte do seus dias, nesse espaço ela constroi uma rotina e
aprende a seguir as diretrizes sociais, o mesmo ocorre quando uma criança com deficiência
inicia sua trajetória escolar.

A Constituição Federal do Brasil em 1988 estabeleceu o direito à educação para


todos os cidadãos onde em seu art. 205 determina que a educação deve ser promovida e
incentivada com a colaboração da sociedade, sendo assegurado a todos a igualdade em
condições de acesso e permanência no ambiente escolar (BRASIL, 1988). A inclusão escolar
como um compromisso social deve se compreender como o respeito à diferença e acolhida
desses sujeitos havendo a necessidade da desconstrução de pensamentos estereotipados e
incapacitantes.

Assim segundo Sassaki (1997, p.61),


Educação inclusiva significa provisão de oportunidades eqüitativas a todos os
estudantes, incluindo aqueles com deficiências severas, para que eles recebam
serviços educacionais eficazes, com os necessários serviços suplementares de
auxílios e apoios, em classes adequadas à idade em escolas da vizinhança, a fim de
prepará-los para uma vida produtiva como membros plenos da sociedade (1997,
p.61).

Nessa perspectiva temos a modalidade da educação especial que atua na escola como
Atendimento Educacional Especializado (AEE) que traz como público alvo os alunos com
deficiência seja ela física, intelectual ou sensorial e transtornos globais do desenvolvimento
que estejam preferencialmente matriculados em uma escola de ensino regular.

O trabalho realizado no AEE tem por finalidade auxiliar o aluno com deficiência a
atingir os objetivos educacionais e sociais que foram previstos para ele em seu plano
individual de desenvolvimento, utilizando-se de estratégias multissensoriais que permitem ao
aluno o estímulo necessário para o seu progresso escolar. Nesse ambiente o aluno será
acompanhado em atividades que estimulem suas habilidades nas áreas do conhecimento e na
aquisição de novas habilidades e comportamentos, em parceria com o(a) professor(a) e a
coordenação pedagógica serão estabelecidos marcos de desenvolvimento a serem trabalhados
durante o ano letivo.

No entanto, esse processo não se limita apenas ao lócus educativo, na Lei Brasileira
de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) em seu cápitulo IV dos direitos à educação Art. 27,
parágrafo único aponta que, “é dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da
sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de
toda forma de violência, negligência e discriminação” (BRASIL, 2015). Sendo assim, tanto a
escola quanto a família representam importantes papeis na inclusão desse sujeito no ambiente
escolar garantindo seu acesso aos conteúdos em paridade com os demais alunos e
promovendo a ele uma educação de qualidade e conquista da autonomia.

A escola tem uma importante função de educar, ensinar conteúdos e construir o


conhecimento do aluno sob os ideais sociais, morais e éticos da sociedade, assegurando que
os alunos sejam incluídos em todos os níveis, vivenciando o exercício das relações sociais
em suas práticas e atividades, garantindo seu aprendizado ao longo da vida em um ambiente
de convivência harmonioso.

Já na família é ensinada a socialização de modo afetivo, a proteção, os valores


culturais e sociais de cada unidade, é na família que os comportamentos são moldados com
base nas relações e são definidos os papeis sociais. Na experiência familiar o sujeito adquire
maior confiança e autonomia o que permite à escola trabalhar a formação da cidadania
garantindo conscientização e entendimento sobre seus direitos e deveres a partir das suas
práticas pedagógicas. Dessen e Polonia (2007) afirmam a importância da relação família e
escola, no sentido que a escola compreenda como utilizar as experiências que a criança
vivencia em casa para provocar no ambiente escolar respostas essenciais para o processo de
ensino aprendizagem do aluno.

Existem nesses dois grupos simultaneamente o alicerce para o desenvolvimento


humano tornando imprescindível a colaboração entre si, esse laço torna-se cada vez mais
necessário pois permite ao sujeito a flexibilidade em lidar com as situações problemas que
vierem a ocorrer entre os dois espaços (casa/escola) e o favorecimento na construção integral
do sujeito na sociedade, embora seus papeis sejam definidos socialmente não são difusos a
partir do momento em que se encarregam de seus papeis na formação do outro.

Ainda segundo Dessen e Polonia (2007, p. 27-28),

Os laços afetivos, estruturados e consolidados tanto na escola como na família


permitem que os indivíduos lidem com conflitos [...] dependendo do nível de
desenvolvimento e demandas do contexto, é possibilitado à criança, quando entra na
escola, um maior grau de autonomia e independência comparado ao que tinha em
casa, o que amplia seu repertório social e círculo de relacionamento.

A escola será responsável por ampliar os mecanismos de desenvolvimento do aluno e


estabelecer novos padrões de comportamento e desenvolvimento cognitivo, físico e social.

Família e escola são realidades opostas que se complementam na construção do sujeito,


quando estabelecidas numa relação plural facilitam o sucesso escolar do aluno. O
envolvimento de ambas as partes nesse processo trará maior acessibilidade ao contexto
pessoal do aluno, enriquecendo as práticas pedagógicas e tornando o processo mais
interativo.

A efetividade dessa relação se dá quando existe entre ambas as partes comunicação


clara e acessível, a família deve se provar participativa nas atividades e reuniões escolares
destinadas ao desenvolvimento e planejamento do currículo, a unidade escolar deve se
mostrar aberta a essa participação e diálogo, assim estas ações em parceria permitem que o
aluno atinja com maior facilidade a autonomia nas suas tarefas aumentando seu repertório de
habilidade acadêmicas e sociais.
2. 3 Práticas curriculares de acesso a educação inclusiva

Ao pensar educação inclusiva como um campo que confere à escola a viabilidade de


atribuir aos alunos com deficiência uma vivência significativa em consonância com suas
habilidades, temos como precursor dessas práxis o currículo que se torna uma ferramenta
capaz de articular os saberes pedagógicos e prover ao estudante uma maior aquisição dos
princípios que são propostos para construção do conhecimento escolar, nesse enfoque,
quando abordamos as especificidades trazidas em razão de uma deficiência ou transtorno é
previsto na Declaração de Salamanca publicada em 1994 onde,

toda criança tem direito fundamental à educação, e deve ser dada a


oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem,
aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à
escola regular, que deveria acomodá-los dentro de uma Pedagogia
centrada na criança, capaz de satisfazer a tais necessidades
(SALAMANCA, 1994).

Considerando as práticas atualmente realizadas no campo educacional do nosso país


observamos as lacunas que se encontram nesse meio quanto a integração desses alunos no
sistema, a inflexibilidade curricular gera um engessamento que não oportuniza
aprimoramento das políticas de inclusão atuantes na escola, posto isto, é sabido pensar que
uma reformulação da estrutura escolar que garanta as condições de aprendizagem de forma
equânime para todos é o primeiro passo para consumar um sistema educacional inclusivo.

Quanto ao processo de reestruturação das práxis pedagógicas o planejamento


curricular se torna a ferramenta de apoio para que o professor possa desempenhar suas ações
dentro da realidade do estudante, firmar um ensino flexível e ajustável que não esteja focado
apenas na simbologia do saber, trabalhando autonomia e habilidades socioemocionais que o
farão desempenhar seu papel como um cidadão atuante. Segundo Leite et al, (2001, p. 92)
apud Stainback, et al (1999):

os principais elementos a serem considerados nessa perspectiva são o uso


de objetivos de ensino flexíveis, considerando as necessidades de cada
aluno no acompanhamento da proposta educacional e a realização de
adaptações de atividade, de modo que o professor tenha possibilidade de
mudar as atividades ou a maneira como ele atinge os objetivos
educacionais, ou ainda, realizar diferentes adaptações que possam ser
implementadas simultaneamente (STAINBACK et al, 1999).

Estas modificações que a escola deve realizar dentro do currículo podem estar pautadas em
modificações ou arranjos de atividades que tornem viáveis a contemplação do aluno dentro
dessa área do conhecimento, os processos de reelaboração devem estar relacionados a
promoção da educação de forma geral “o currículo deveria ser adaptado às necessidades das
crianças, e não viceversa. As escolas deveriam, portanto, prover oportunidades curriculares
que sejam apropriadas a criança com habilidades e interesses diferentes.” (SALAMANCA,
1994).

Dentro dessas modificações é importante salientar a importância do Plano de Ensino


Individualizado (PEI) que contempla os alunos público alvo da educação especial que
apresentam dificuldades na aprendizagem e que necessitam de estratégias flexibilizantes no
currículo com o objetivo de evidenciar as capacidades do aluno, a elaboração desse currículo
deve ser capaz de desenvolver outras habilidades através de estratégias que compreendam os
componentes curriculares e habilidades do cotidiano, os objetivos de ensino devem ser
adaptadas para que o aluno dentro do seu campo de conhecimento possa atingir os critérios
avaliativos.

O PEI é uma ação viabilizadora dessa prática, visto que é um planejamento


de ações específicas para um determinado estudante, considerado em seu
“patamar atual de habilidades, conhecimentos e desenvolvimento, idade
cronológica, nível de escolarização já alcançado e objetivos educacionais
desejados em curto, médio e longo prazo” (BARBOSA, 2019, p.16 apud
GLAT, VIANNA; REDIG, 2012, p. 84).

Nesse conjunto de ações o PEI proporciona ao estudante oportunidade de


aprendizagem em paridade aos demais dentro de um espaço coletivo, identificando as
barreiras que possam impossibilitar o desenvolvimento do aluno, servindo como auxílio para
o currículo tradicional estimulando o processo de ensino-aprendizagem. Para Barbosa
(2019, p.19),

[...] no PEI devem ser registradas as suas necessidades educacionais


especiais, suas habilidades e dificuldades, os objetivos e metas esperados
e como alcançá-los, os métodos e critérios de avaliação destinados a
garantir ao estudante o direito à educação, incentivando sua inclusão,
autonomia, melhoria das habilidades sociais e desenvolvimento de
aprendizagem. (BARBOSA, 2019, p.19.)

O professor responsável pelas modificações deve estar preparado para promover pequenas
alterações nos objetivos de ensino, no conteúdo e na metodologia de ensino aplicada
promovendo ao estudante uma experiência completa da escolaridade, se utilizando dos
saberes já formulados como ponto de partida para a aquisição de novos, estimulando a
comunicação interpessoal e promovendo uma comunicação assertiva, oportunizando
momentos de participação em atividades do cotidiano que desenvolva no aluno o sentimento
de pertencimento ao ambiente escolar.

A utilização de recursos como forma de engajar a criança em uma demanda também


pode ser utilizada como aparato para edificação curricular dessas práticas,como por exemplo
a utilização de objetos de interesse pessoal como reforçadores. É notório que os reforços
positivos trazem grandes benefícios para a aquisição de novos conhecimentos e estimulação
do aluno na tarefa a qual ele precisa despender tempo e atenção, como aponta Cabeleira
(2013), uma atitude ou um desempenho, quando reforçado positivamente reveste-se de uma
importância extrema no contexto escolar, no sucesso dos alunos e, por conseguinte, no
processo de aprendizagem e evolução escolar.

A busca em interesses pessoais do aluno como objetos reforçadores podem garantir a ele a
curiosidade e o interesse nas atividades propostas, manter um determinado comportamento
social e até mesmo engajar em novas habilidades, as estratégias de ensino devem ser
voltadas para que o aluno possa dentro do espaço escolar adquirir maior autonomia em suas
atividades ao passo que desenvolve habilidades acadêmicas e sociais,

Posto isto, devemos considerar que a inclusão escolar não é sinônimo de inserção do
aluno dentro do espaço escolar, as propostas diferenciais devem estar concomitantes ao
arranjo de atividades e saberes que irão proporcionar ao estudante o progresso educacional,
levando-o a experienciar novos conhecimentos e atribuir sentido ao fazer pedagógico
abordando questões pertinentes à educação inclusiva que devem estar pautadas nas
habilidades individuais de cada sujeito buscando atender as demandas sociais e pessoais que
possam ser generalizadas fora dos ambientes escolares.

3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS


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