Lei de Tortura - PDF
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Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do
Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes princípios:
(...)
II - prevalência dos direitos humanos;
Art. 5° - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e
aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e
à propriedade, nos termos seguintes:
Art. 5º, XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles
respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;
Conceito – Segundo Cleber Masson, os mandados de criminalização indicam matérias sobre as quais o
legislador ordinário não tem a faculdade de legislar, mas a obrigatoriedade de tratar, protegendo determinados
bens ou interesses de forma adequada e, dentro do possível, integral. Salienta-se, assim, que os mandados
constitucionais de criminalização são normas de eficácia limitada. Isto porque não define a conduta incriminada,
nem muito menos estabelece sanção, vindo apenas a definir, de forma nem sempre a especificar, a conduta por
incriminar.
2.1. NATUREZA HEDIONDA – O crime de tortura tem natureza de crime equiparado a hediondo. Não é
hediondo, e sim equiparado.
I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico
ou mental:
1. Sujeito Ativo –
2. Se praticado por funcionário público – Aumento de Pena de um sexto até um terço.
3. Núcleo do tipo –
4. Meios de execução –
5. Causando –
6. Finalidade específica (Dolo Específico) –
7. Ausência do dolo específico -
8. Momento consumativo -
9. Crime formal -
10. Não obtenção do resultado pretendido -
TORTURA CONFISSÃO – TORTURA PROVA – TORTURA PROBATÓRIA –
Art. 1º, I, a – Constitui crime de tortura constranger alguém com emprego de violência ou grave
ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental com o fim de obter informação, declaração ou
confissão da vítima ou de terceira pessoa;
• Natureza da informação.
• Crime de abuso de autoridade – Lei N. 13.869 de 2019 –
Art. 13. Constranger o preso ou o detento, mediante violência, grave ameaça ou redução de sua
capacidade de resistência, a:
TORTURA CRIME–
Art. 1º, I, b – Constitui crime de tortura constranger alguém com emprego de violência ou grave
ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental para provocar ação ou omissão de natureza
criminosa;
TORTURA RACIAL –
Art. 1º, I, c – Constitui crime de tortura constranger alguém com emprego de violência ou grave
ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental para em razão de discriminação racial ou
religiosa;
Classificação do crime
• Rol taxativo –
• Sujeito passivo –
• Ação direta de inconstitucionalidade por Omissão – ADO 26 – STF;
ADO 26/DF –
1. Até que sobrevenha lei emanada do Congresso Nacional destinada a implementar os mandados de
criminalização definidos nos incisos XLI e XLII do art. 5º da Constituição da República, as condutas
homofóbicas e transfóbicas, reais ou supostas, que envolvem aversão odiosa à orientação sexual ou à
identidade de gênero de alguém, por traduzirem expressões de racismo, compreendido este em sua
dimensão social, ajustam-se, por identidade de razão e mediante adequação típica, aos preceitos
primários de incriminação definidos na Lei nº 7.716, de 08/01/1989, constituindo, também, na hipótese de
homicídio doloso, circunstância que o qualifica, por configurar motivo torpe (Código Penal, art. 121, § 2º,
I, “in fine”);
TORTURA CASTIGO (Art. 1º, II) –
Art. 1º, II – Constitui crime de tortura submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com
emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar
castigo pessoal ou medida de caráter preventivo.
Classificação do crime
1. Núcleo do tipo –
2. Sujeito Ativo –
3. Sujeito Passivo
4. Meios de execução –
5. Causando –
6. Finalidade específica (Dolo Específico) –
7. Diferença entre tortura castigo (Art. 1º, II) e Maus-tratos (Art. 136, CP)
Maus-tratos
Art. 136 - Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de
educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer
sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina:
§ 2º - Se resulta a morte:
São várias as diferenças entre a Tortura castigo (Art. 1º, II) e Maus-tratos (Art. 136, CP). De início, podemos
apontar as principais: “elemento subjetivo”, “meios de execução” e “intensidade do sofrimento da vítima”.
Nesse mesmo sentido, temos a jurisprudência do STJ.
I. A figura do inc. II do artigo 1º, da Lei nº 9.455/97 implica na existência de vontade livre e consciente do
detentor da guarda, do poder ou da autoridade sobre a vítima de causar sofrimento de ordem física ou
moral, como forma de castigo ou prevenção.
II. O tipo do artigo 136, do Código Penal, por sua vez, se aperfeiçoa com a simples exposição a perigo a
vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, em razão de excesso nos meios de
correção ou disciplina.
III. Enquanto na hipótese de maus-tratos, a finalidade da conduta é a repreensão de uma indisciplina, na
tortura, o propósito é causar o padecimento da vítima.
IV. Para a configuração da segunda figura do crime de tortura é indispensável a prova cabal da intenção
deliberada de causar o sofrimento físico ou moral, desvinculada do objetivo de educação.
V. Evidenciado ter o Tribunal a quo desclassificado a conduta de tortura para a de maus tratos por entender
pela inexistência provas capazes a conduzir a certeza do propósito de causar sofrimento físico ou moral à
vítima, inviável a desconstituição da decisão pela via do recurso especial. (REsp 610.395/SC, Rel. Min.
Gilson Dipp, Quinta Turma, julgado em 25.05.2004, DJ 02.08.2004 p. 544).
Pessoa sob sua guarda, poder ou Pessoa sob sua autoridade, guarda ou
autoridade; vigilância.
Com o fim de aplicar castigo pessoal ou Para fim de educação, ensino, tratamento ou
medida de caráter preventivo. custódia; quer abusando de meios de correção
ou disciplina.
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a
sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante
de medida legal.
Classificação do crime
1. Núcleo do tipo –
2. Sujeito Ativo –
3. Sujeito Passivo –
4. Meios de execução –
5. Causando –
6. Finalidade específica (Dolo Específico) –
7. Desnecessidade de finalidade específica –
Aqui não há qualquer finalidade específica, ou seja, não é exigido para seu aperfeiçoamento o especial fim
de agir por parte do agente, bastando, para a configuração do crime, o dolo de praticar a conduta descrita
no tipo objetivo. Desta forma, a submissão de pessoa presa a sofrimento físico ou mental a atos não
previstos em lei não exige o dolo específico configura o crime em análise. Nesse sentido:
Art. 1º,§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-
las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos.
Classificação do crime
1. Núcleo do tipo –
2. Sujeito Ativo –
3. Pena –
4. Finalidade específica (Dolo Específico) –
5. Natureza não hedionda –
CF/88 – Art. 5º - XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática
da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos,
por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;
Prevaricação
Art. 319 - Retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição
expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal:
§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de quatro a dez
anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos.
Classificação do crime
1. Crime qualificado pelo resultado – O crime qualificado pelo resultado é aquele em que o legislador,
após descrever uma conduta típica, com todos os seus elementos, acrescenta-lhe um resultado cuja
ocorrência acarreta o agravamento da sanção penal.
2. Crime preterdoloso – O crime preterdoloso é uma espécie de crime agravado pelo resultado, no qual o
agente pratica uma conduta anterior dolosa, e desta decorre um resultado posterior culposo. Há dolo no
fato antecedente e culpa no consequente.
3. Tortura qualificada pela morte – Ocorre quando da tortura resulta morte, a reclusão é de oito a
dezesseis anos.
CP – Art. 121, § 2°, III – Se o homicídio é cometido: com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia,
tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum:
Pena - reclusão, de doze a trinta anos.
Crime Progressivo – Crime progressivo é aquele realizado mediante um único ato ou atos que compõem
único contexto. Em outras palavras, ocorre quando o agente, para alcançar um resultado mais grave,
passa por uma conduta inicial que produz um evento menos grave. No crime progressivo o agente, desde
o início, tem a intenção de praticar um crime mais grave, mas, para concretizá-lo, passa pelo menos
grave. Nesse caso, o dolo continua o mesmo.
• Motivação da majorante –
• Motivação da majorante –
§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição para seu
exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.
• Efeito automático da condenação – “A perda do cargo, função ou emprego público é efeito automático
da condenação pela prática do crime de tortura, não sendo necessária fundamentação concreta para a sua
aplicação" (AgRg no Ag 1388953/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA
TURMA, julgado em 20/06/2013, DJe 28/06/2013):
• STJ: “Isso porque, conforme dispõe o § 5º do art. 1º deste diploma legal, a perda do cargo, função ou
emprego público é efeito automático da condenação, sendo dispensável fundamentação concreta. (REsp
1.044.866-MG, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 2/10/2014.)
– A natureza da infração penal não constitui, só por si, fundamento justificador da decretação da prisão
cautelar daquele que sofre a persecução criminal instaurada pelo Estado. Precedentes.
STF – Impende assinalar, por isso mesmo, que a gravidade em abstrato do crime, qualquer que
seja, não basta para justificar, só por si, a privação cautelar da liberdade individual de
qualquer paciente.
§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da
pena em regime fechado.
O condenado por crime de tortura iniciará o cumprimento da pena em regime fechado, nos
termos do disposto no § 7º do art. 1º da Lei 9.455/1997 - Lei de Tortura. (....)
O Ministro Marco Aurélio (relator) denegou a ordem. Considerou que, no caso, a dosimetria e
o regime inicial de cumprimento das penas fixadas atenderiam aos ditames legais. Asseverou
não caber articular com a Lei de Crimes Hediondos, pois a regência específica (Lei 9.455/1997)
prevê expressamente que o condenado por crime de tortura iniciará o cumprimento da pena
em regime fechado, o que não se confundiria com a imposição de regime de cumprimento da
pena integralmente fechado. Assinalou que o legislador ordinário, em consonância com a CF/1988,
teria feito uma opção válida, ao prever que, considerada a gravidade do crime de tortura, a execução da
pena, ainda que fixada no mínimo legal, deveria ser cumprida inicialmente em regime fechado, sem
prejuízo de posterior progressão.
Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não tenha sido cometido em território
nacional, sendo a vítima brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira.
Art. 4º Revoga-se o art. 233 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do
Adolescente.
Art. 233. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a tortura: (Revogado pela
Lei nº 9.455, de 7.4.1997)
QUESTÕES –
(VUNESP -PC-CE - Inspetor de Polícia Civil de 1a Classe) Sobre a Lei n o 9.455/97, que dispõe sobre a
TORTURA, é correto afirmar que
a. os casos de tortura com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa e
para provocar ação ou omissão de natu- reza criminosa, o crime somente se consuma quando o agente obtém
o resultado almejado.
b. o crime de tortura é próprio, uma vez que só pode ser cometido por policiais civis ou militares.
c. privar de alimentos pessoa sob sua guarda, poder ou autoridade é uma das formas de tortura previstas na lei,
na modalidade “tortura-castigo”.
d. se o agente tortura a vítima para com ele praticar um roubo, responderá por crime único, qual seja, o crime
de roubo, por este ter penas maiores.
e. quando o sujeito ativo do crime de tortura for agente público, as penas são aumentadas de um sexto a um
terço
01. (NUCEPE - PC-PI - Delegado de Polícia Civil) Após a Segunda Guerra Mundial, adotada e
proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos, os direitos inerentes à pessoa
humana passam a ser protegidos mundialmente. No Brasil, os atos de tortura e as tentativas de
praticar atos dessa natureza são coibidos. Marque abaixo a alternativa CORRETA quanto ao
crime de tortura.
b. Se o crime de tortura é cometido contra maior de 60 (sessenta) anos aumenta-se a pena em de 1/3 (um
terço) até à metade.
c. Se o crime de tortura é cometido por agente público, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) até à metade.
d. Não se constitui crime de tortura o constrangimento de alguém com o emprego de violência ou grave
ameaça, causando-lhe sofrimento físico, em razão de discriminação racial ou religiosa.
e. Constitui crime de tortura: constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe
sofrimento físico ou mental com o objetivo de obter alguma informação, declaração ou confissão.
02. (UERR - SEJUC - RR - Agente Penitenciário) Em relação ao crime de tortura tipificado na Lei n.
9.455/97 (Lei da Tortura) o sofrimento físico ou mental ao qual foi submetida a vítima:
(Concurso SJC-SC - 2019 - Agente Penitenciário) Analise as afirmativas abaixo com fundamento na
Lei no 9.455, de 7 de abril de 1977, que define os crimes de tortura e dá outras providências.
1. Aumenta-se a pena do crime de tortura de um sexto até um terço se o crime é cometido mediante sequestro.
2. A pena para o crime de tortura, quando resulta morte, é de reclusão de oito a doze anos.
3. O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou anistia.
4. O condenado por crime de tortura, quando resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, iniciará o
cumprimento da pena em regime fechado.
(IADES - 2019 - SEAP-GO - Agente de Segurança Prisional) A respeito da Lei no 9.455/1997 (Lei da
Tortura), assinale a alternativa correta.
a. A consumação se dá com o emprego de meios violentos, ocasionando sofrimento físico ou mental, englobando,
inclusive, o mero aborrecimento, o qual é apto a configurar o crime de tortura.
b. A tortura-castigo exige uma relação de guarda, poder ou autoridade entre o sujeito ativo e o passivo.
d. O objeto jurídico tutelado pela norma penal no crime de tortura é apenas a integridade corporal e a saúde
física.
e. O dolo específico não constitui elementar fundamental para a configuração das modalidades do crime de
tortura previstas no art. 1o da Lei no 9.455/1997.
(FCC - 2019 - SEFAZ-BA - Auditor Fiscal - Administração, Finanças e Controle Interno - Prova I )
Lindomar é agente público e foi condenado à pena de reclusão de quatro anos pela prática de
tortura. De acordo com a Lei federal nº 9.455/1997, que define os crimes de tortura e dá outras
providências, a condenação de Lindomar acarretará a