A Eficiencia e Desenvolvimento Do Sistem
A Eficiencia e Desenvolvimento Do Sistem
A Eficiencia e Desenvolvimento Do Sistem
MESTRADO EM FINANÇAS
Orientador:
Professor Doutor José Miguel Aragão Celestino Soares
Co-Orientador:
Professor Doutor Manuel António Ennes Ferreira
Presidente:
Doutora Clara Patrícia Costa Raposo, professora do Instituto Superior de
Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa;
Vogais:
Doutor Renato Telo de Freitas Barbosa Pereira, professor associado da
Universidade Autónoma de Lisboa;
Doutor José Miguel Celestino Soares, professor auxiliar do Instituto Superior de
Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa;
Doutor Manuel António de Medeiros Ennes Ferreira, professor auxiliar do
Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa.
Resumo
O Sistema Bancário Angolano, teve um grande crescimento nos últimos dez anos, em termos de
objectivos económicos que pautam os gestores das organizações. Com a globalização e o aumento da
implementar políticas que permitam uma maior eficiência e solidez no sistema financeiro.
Mediante a aplicação da Análise Envoltória de Dados (DEA), através de dados extraídos nos
Relatórios e Contas dos Bancos, Relatórios do BNA e Deloitte, procurou-se identificar o crescimento
da produtividade dos Bancos ao longo do período em análise (2005 a 2010), utilizando o Método de
apresentados pelo modelo não-paramêtrico DEA, teve como objectivo observar e identificar as
-i-
Abstract
Abstract
This work consists in analyzing the Efficiency and the Development of the Financial System in
Angola – Based, specifically, on the analysis of the Banking System in a period of six years (2005 to
2010).
The banking system has greatly increased over the past ten years, in terms of financial performance
and number of banking institutions, as well as the achievement of economic goals that guide the
management of organizations.
With globalization and increased market competition, the concern of managers is also increasing
forcing them to identify and implement policies that enable greater efficiency and the soundness in
Through the application of Data Envelopment Analysis (DEA)-using data extracted from Banks
Annual Reports, BNA Reports and Deloitte-, it was intended the identification of the productivity
growth of banks over the period under review (2005-2010) using the Malmquist-DEA method to
The analysis of financial institutions in this period, according to the results presented by non-
parametric DEA model, aimed to observe and identify units considered to be efficient and not
- ii -
Índice
Índice
Resumo i
Abstract ii
Índice iii
Agradecimentos v
1. Introdução………………………………………………………………………………………… 1
2. Revisão da Literatura……………………………………………………………………………. 3
4. Aplicação da Metodologia……………………………………………………………………… 18
6. Conclusão do Estudo……………………………………………………………………………. 24
Referências Bibliográficas………………………………………………………………………… 26
- iii -
Lista de Figuras e Tabelas
Lista de Figuras
Lista de Tabelas
- iv -
Agradecimentos
Agradecimentos
Este trabalho representa para mim e com grande satisfação o culminar de uma etapa
preenchida de desafios.
Agradeço ao Professor José Miguel Soares e ao Professor Ennes Ferreira por terem aceitado o meu
pedido para orientação deste trabalho. Um muito obrigado, meus Caríssimos Orientadores pela
Miguel Angelo Westerberg, Celestina (Meu Anjo) obrigada por existirem. Obrigada ao Dr. Zenha
Rela pelo carinho e amizade. Yara Maria e Silvestre Dumbo, meus amigos, um muito obrigado pelo
vosso apoio.
A todos aqueles que participaram desta etapa directa ou indirectamente um muito OBRIGADA!
-v-
Capítulo 1 Introdução
1. Introdução
papel preponderante nas economias em desenvolvimento, como o caso de Angola. A sua principal
particulares e governos.
facto, um sistema bancário diversificado e moderno contribui para uma maior mobilidade das
Esta dificuldade financeira, é conduzida grandemente por elevados níveis de reservas obrigatórias,
programas de afectação de crédito e controlo das taxas de juro, tendo como consequências
A grande preocupação das organizações é fazer face a um mercado competitivo. Desta forma, o
empenho constante dos gestores e administradores traduz-se precisamente na busca de uma melhor
Dado aos últimos acontecimentos que advêm da crise financeira, a economia internacional tem
sofrido grandes transformações. Mesmo não tendo sido afectado de forma significativa o sistema
financeiro angolano ressentiu-se, porque em virtude de estarmos numa economia global, a crise
afectou a todos.
-1-
Introdução
tecnologias de informação tem sido decisivo na criação de novos cenários de forças competitivas
nestes mercados, com isto, aumentando a preocupação das organizações bancárias, obrigando-as a
identificar e implementar políticas que permitam uma maior eficiência e solidez no sistema
financeiro.
Este trabalho consiste em caracterizar o Sector Bancário Angolano (SBA), através da análise de
indicadores e rácios de actividade – entre eles, depósitos, crédito, total dos activos, nº de
empregados, lucro líquido, custo operativo, valor das imobilizações e aplicações de liquidez.
Posteriormente, a aplicação de um modelo que permite estudar a eficiência dos doze bancos que
operam no mercado angolano num período entre 2005 a 2010, através do Índice de Malmquist,
A metodologia utilizada, irá permitir identificar organizações eficientes e ineficientes, assim como,
identificar as variáveis que podem ser exploradas no sentido de gerar um melhor resultado às
Para que haja sucesso no cumprimento do objectivo pretendido, o trabalho segue a seguinte
estrutura: após a Introdução, será efectuada uma revisão de literatura, cuja intenção é definir
conceitos, e elaborar e sistematizar alguns debates teóricos recentes sobre o sector bancário e sua
angolano, sendo seguido pela aplicação do modelo e pela análise dos resultados. O último capítulo
-2–
Capítulo 2 Revisão da Literatura
2. Revisão da Literatura
A revisão da literatura tem como propósito elucidar alguns conceitos na abordagem do tema em
financeira. 1
Segundo Levine (2002), podemos reconhecer dois tipos de sistema financeiro: sistema bancário,
considerado um dos grandes motores dos níveis globais de desenvolvimento financeiro (temos como
exemplo a Alemanha e Japão) e o sistema dos mercados de capitais que por sua vez confere maior
Marques, Matias e Camargo Júnior (2004), partilham da mesma opinião, acrescentando que os
em que indirectamente colaboram com o Banco Central na oferta de moeda, para além de exercerem
Com base em indicadores consideráveis, Neto (2010), faz uma análise aos bancos e conclui que para
além das limitações existentes quanto a qualidade das informações compreendidas nos relatórios.
1
É importante ter presentes que numa análise efectuada pelo método DEA, as DMU’s deverão ser homogéneas.
-3-
Capítulo 2 Revisão da Literatura
fortes da organização, facilitando ao analista uma avaliação crítica para a organização em análise.
Desta forma, Neto (2010) e Matarazzo (2003) apresentam vários índices de análise e avaliação
Segundo a literatura em análise poderemos concluir que as organizações, neste caso os bancos, são
uma unidade lucrativa que quando analisada numa perspectiva de sistema, revela dados que
-4–
Capítulo 2 Revisão da Literatura
2.2. Eficiência/Produção
O termo eficiência tem sido muito utilizado por economistas e gestores para descrever uma
utilizadas no estudo de uma organização ou empresa que pretendam optimizar os seus recursos tem
Entende-se por eficiência o custo dos inputs necessários à produção de uma unidade de output.
Quando maior o grau de eficiência da organização, menor será o custo dos inputs para a produção de
um output. Ou seja, um maior grau de eficiência permite à organização uma maior vantagem
competitiva em custos. Uma das formas de aumentar a eficiência é ter uma maior produtividade dos
factores produtivos (trabalho e tecnologia), no caso das tecnologias temos um output por unidade de
trabalho e um output por unidade de tempo. O preço dos inputs é igualmente importante para ganhar
Quando se trata de um processo produtivo que envolve apenas um “input” e um único “output”, o
agente mais eficiente é aquele que tem uma maior relação entre quantidade de produto/factor:
Em situações em que o processo produtivo envolve mais do que um factor, isto é, quando utilizados
mais do que um “input” no processo produtivo, sendo o resultado de múltiplos “outputs”, neste caso
o agente mais eficiente é aquele que tem uma maior relação receita/custo.
Por outras palavras, Catteli (2001) define eficiência como um processo pelo qual a organização
maximiza os seus fins com a menor utilização dos recursos. A eficiência define-se pela relação entre
os volumes produzidos/recursos consumidos. Um banco eficiente é aquele que consegue uma maior
-5–
Capítulo 2 Revisão da Literatura
Para Lima (2002), a eficiência bancária traduz-se naquilo que o banco gasta com despesas
administrativas e com o pessoal para cada unidade resultante das receitas de serviços e intermediação
financeira.
Segundo Neto (2010), na análise dos bancos, tem sido bastante utilizado o Indicador de Eficiência
intermediação financeira:
Despesas Operacionais
IEOperacional 2
Re ceitasde Intermediação Financeira
Esta é apenas uma noção básica de eficiência, normalmente designada na literatura como eficiência
tecnológica.
O conceito de eficiência apresentado nas equações (1) e (2), torna-se restrita, porque, num processo
único de produção, poderão concorrer múltiplas entradas (“inputs”) e saídas (“outputs”). Deste modo
Fare, Grosskopf e Knox Lovell (1985) definem um Índice de Eficiência, onde pretendem mostrar a
u y j jk
Eficiência k j
3
v xi
i ik
Onde:
y jk x u
= Saídas (“output”) j da unidade k ; ik = Entrada (“input”) i da unidade k ; j = Peso de cada
v
saída j ; i = Peso de cada entrada j
-6–
Capítulo 2 Revisão da Literatura
Muitas das vezes o conceito de eficiência tem a mesma compreensão. Como podemos verificar nas
equações (1) e (3), a definição não é exactamente a mesma. A produtividade é definida pelo
eficiência permite a comparação daquilo que foi produzido com o que poderia ter sido produzido
O Índice de Malmquist foi criado por Caves, Christensen e Diewert (Caves, Christensen e Diewert,
1982), para avaliar a evolução das produtividades de cada unidade de produção relativamente ao
O índice de Malmquist permite medir nos diferentes períodos a mudança de produtividade dos
Fare, Grosskopf, Norris e Zhang (1994) procuraram medir o índice de Malmquist com a média
M 0 x t 1 , y t 1 , x t , y t 0 t t t
D x , y 5
D t x t 1 , y t 1 t 1 t 1
0
t 1 2
D0 x , y D x , y
t 1 t
0
t
-7–
Capítulo 2 Revisão da Literatura
Em que:
de tempo
Este índice apresenta funções de distância de dois diferentes períodos ou tecnologias, D0 .,. e
t
D0t 1 .,. , e dois pares de vectores insumo-produto, x t , y t e x t 1 , y t 1 . Segundo Fare et al. (1994),
M 0 x t 1 , y t 1 , x t , y t
t 1
D
0 x , y
t 1 t 1
D x , y
D0t x t 1 , y t 1 t 1 t 1
0
t 1
2
6
D x , y
t
0
t t t
D0 x , y
t
t
D x , y
t 1 t
0
t
O coeficiente que se encontra fora da raiz (ou fora dos parênteses) identifica-se como o índice de
variação na eficiência relativa (eficiência técnica) sob retornos constantes à escala, entre o período
t 1 t 1 t
t e t 1 , enquanto a média geométrica T x , y , x , y
t
é identificada como a variação técnica
(progresso tecnológico), que representa o deslocamento da fronteira tecnológica entre dois períodos
t t 1
de tempo avaliado sob os seguintes vectores x e x .
do seu desempenho na economia, auxiliando estas ferramentas os gestores de topo, na explicação das
tomadas de decisão.
O estudo da eficiência tem sido para as organizações, uma prática usual nos últimos anos. Nas
pesquisas realizadas, foram constatados alguns estudos efectuados sobre a eficiência nos vários
-8–
Capítulo 2 Revisão da Literatura
financeiro existem alguns estudos que explicam a eficiência do sector bancário no enquadramento
Índice de Malmquist: Este índice é definido por uma função distância – produto, (Caves
et al., 1982, Bjurek, 1996), que permite medir a evolução da produtividade entre períodos,
com base no cálculo da distância que separa cada observação da tecnologia de referência
Data Envelopment Analysys (DEA): Trata-se de um Método Não Paramétrico, que recorre
inputs com base no desempenho de várias unidades produtivas. Esta técnica de análise foi
desenvolvida e melhorada por um vasto número de autores, tais como Charnes, Cooper e
Rhodes (1978), Banker, Charnes e Cooper (1984) e Fare et al. (1985). A principal
eficiência.
arredondada em que as DMU’s3 em função desta podem definir-se como unidades eficientes ou
Minimizar 0
3
É importante ter presentes que numa análise efectuada pelo método DEA, as DMU’s deverão ser homogéneas.
4
Este modelo sofreu várias extensões, não deixando de ser um dos modelos mais importantes e referenciados na medição das
eficiências de escala. Para um maior detalhe sobre o modelo, consultar Varian (1990).
-9–
Capítulo 2 Revisão da Literatura
y
n
Sujeito a: xij j xi 0 .0 ;
j 1 j 1
x .0 sendo que, 0 , 1,2,..., m; r 1,2,..., s; j 1,2,..., n
rj j i 0
efectuado por Moreira (2008), em que através da aplicação DEA analisou a eficiência dos hospitais.
Esta análise permitiu concluir que os hospitais-empresas apresentam ganhos de eficiência face aos
hospitais públicos. Os níveis de eficiência apresentavam-se como menos eficiente antes da reforma,
tendo melhorado nos anos seguintes a sua posição. Contudo, é de salientar que os efeitos estão longe
de ser expressivos.
- 10 –
Capítulo 3 Enquadramento Económico e Financeiro Angolano
Após um período conturbado na economia mundial, o efeito provocado pela crise financeira, que
começou a fazer-se sentir em finais de 2008, faz com que o preço das matérias-primas nos mercados
internacionais sofra uma descida acentuada. Angola sendo uma economia grandemente dependente
do petróleo, não escapou aos reflexos da crise com uma desaceleração registada em 2009 (o PIB teve
um decréscimo de 0.1% face ao ano anterior). Já em 2010 verifica-se uma ligeira subida (o PIB tem
Fonte: Elaboração própria com base nos dados do BNA- Boletim Estatístico 2002-Setembro 2010 (www.bna.ao)
5
FONTES: www.inf.org e www.bna.ao
- 11 -
Capítulo 3 Enquadramento Económico e Financeiro Angolano
Fonte: Elaboração própria com base nos dados do BNA- Boletim Estatístico 2002-Setembro 2010 (www.bna.ao) e
www.imf.org
Segundo dados, registados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), os países
do Congo, Guiné Equatorial, Gabão e Nigéria) registaram um crescimento acima dos 6%.
Em 2010, Angola regista um crescimento económico, sustentado pelo aumento das receitas
petrolíferas e um maior dinamismo nos sectores não petrolíferos (construção, serviços, agricultura,
Após acordo celebrado em 2009 com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia Angola
entra numa fase mais estável, tendo-se verificado em 2010 a recuperação das reservas internacionais
publica, a criação de um novo enquadramento legal, para aprovação de projectos de obras publicas e
a proposta para a criação de um fundo soberano que possibilite uma adequada gestão a longo prazo
6
www.inf.org; BPI - Estudos Económicos e Financeiros
- 12 –
Capítulo 3 Enquadramento Económico e Financeiro Angolano
A estabilidade do país tem sido acompanhada pelo crescimento económico verificado nos últimos
anos. As políticas económicas levadas a cabo pelo governo angolano, tem promovido uma
desaceleração da inflação assim como a estabilização do mercado câmbial. Embora se tenha aplicado
todos os esforços no controlo da inflação, foi registada (Figura 1) em 2008 uma ligeira aceleração da
inflação, atingindo os 13.3%. Em 2009 estimou-se uma inflação na ordem dos 14%, prevendo-se no
ano seguinte uma retoma ao ciclo de desaceleração. Este cenário, advém da apreciação da moeda
negativamente o custo das importações e as reservas cambiais do país. Face a esta situação, o Banco
Nacional de Angola restringe a oferta dos dólares nos leilões câmbiais, levando ao aumento da
procura do dólar e como consequência em finais de 2009 a taxa de câmbio sofre reajustamentos na
Após uma análise macroeconómica, e depois da revisão efectuada acerca do sistema financeiro,
pode-se afirmar que depois do sector petrolífero, a banca é de momento o sector mais eficiente na
- 13 –
Capítulo 3 Enquadramento Económico e Financeiro Angolano
Segundo, Relatório do Banco de Negócios Internacional (BNI), o mercado bancário em 2010 cresceu
a taxas de dois dígitos. Este crescimento deve-se em grande parte aos bancos portugueses presentes
depósitos. 8
Mesmo assim, o sector bancário angolano tem revelado provas de dinamismo e crescimento,
resultantes do facto do número de instituições bancárias ter passado de 19 em 2008 para 22 em 2009
ANO DE ANO DE
SIGLA NOME INICIO DE SIGLA NOME INICIO DE
ACTIVIDADE ACTIVIDADE
BPC Banco de Poupança e Crédito, S.A.R.L 1976 B BMF Banco BAI Micro Finanças S.A. 2004
BCI Banco de C. e Industria S.A.R.L 1991 BIC Banco BIC S.A 2005
BCGTA Banco Caixa Geral Totta Angola, S.A. 1993 BNI Banco Negócios Internacional S.A 2006
BFA Banco de Fomento Angola S.A.R.L 1993 BPA Banco Privado do Atlântico S.A 2006
BMA Banco Millennium Angola SA 1993 BDA Banco de Desenvolvimento de Angola E.P 2006
BAI Banco Africano de Investimento S.A 1997 VTB VTB Angola S.A 2007
BCA Banco Comercial Angolano S.A.R.L 1999 BANC Banco Angolano de Negócios e Comercio S.A 2007
SOL Banco Sol S.A.R.L 2001 FNB Finibanco Angola S.A 2008
BESA Banco Espírito Santo Angola S.A.R.L 2002 BQC Banco Quantum Capital S.A 2008
KEVE Banco Regional do Keve S.A.RL 2003
FONTE: www.bna.org e Relatório da KPMG
De acordo com as informações do Banco Nacional de Angola (BNA), o total de depósitos de clientes
na banca angolana em 2009 teve um crescimento de 65% em relação ao ano anterior, tendo sido de
2.357 milhões de AKZ (Kuanzas). Continua-se a dar preferência aos depósitos em moeda
estrangeira, com 54% do valor total de depósitos de clientes, em contrapartida dos 46% dos
(AKZ), por parte dos agentes económicos, advém da descida do preço do petróleo no final de 2008 e
início de 2009.
8
Dados revelados pela Delloitte
- 14 –
Capítulo 3 Enquadramento Económico e Financeiro Angolano
Segundo a análise exposta na Tabela 3.4, relativamente aos depósitos, os cinco maiores bancos (BAI,
BFA, PBC, BIC e BESA) no seu conjunto agregam 81.5% da quota de mercado em 2009, valor
inferior ao ano 2008 (85.5%). Este mesmo grupo de bancos lidera o ranking de Captação de Fundos
de clientes, sem alterações das posições ocupadas, com respectivamente, BAI (25.7%), BFA
Em 2009 o grupo dos cinco maiores bancos mantém o crédito a clientes inalterado, embora com
posições diferentes relativamente a 2008. O BAI assume a liderança com uma quota de 21.4%,
seguindo o BPC com 18.9%, o BESA 16.7%, o BIC com 12.9% e o BFA com 12.2%.
No que se refere aos resultados em 2009, os cinco lugares de liderança são ocupados pelo BAI
Na Tabela 3.5 podemos constatar em 2009 uma redução na rendibilidade dos capitais próprios
médios (ROAE), que se situaram nos 39.9%, em baixa relativamente aos 41.9% obtidos em 2008.
Esta evolução é explicada, pela redução da rendibilidade dos activos (ROAA) e pela redução na
9
FONTE: www.bna.ao
- 15 –
Capítulo 3 Enquadramento Económico e Financeiro Angolano
Supervisão Bancária
comportamentais, impostas por um governo ou agências externas ou auto imposta por acordo
implícito dentro da instituição, que limitam as actividades e operações das instituições financeiras.
Esta teoria define a regulamentação como um papel compensador das “imperfeições” de mercado
que actuam em detrimento dos utilizadores, se for permitido aos mecanismos actuarem livremente no
mercado. Por outro lado, a Regulamentação e Supervisão são entendidos como instrumentos que
Por este motivo, o sistema financeiro angolano também é objecto de uma legislação e supervisão
capaz e eficiente, de forma a evitar que a economia do país seja “contaminada”, por falhas existentes
dentro das próprias instituições financeiras. Neste sentido no início da década de 90, criou-se a
Direcção de Supervisão Bancária Angolana que passou a adoptar em 1993 uma estrutura bancária
administrativo de um secretário.
- 16 –
Capítulo 3 Enquadramento Económico e Financeiro Angolano
das Instituições Financeiras (DSI) do Banco Nacional de Angola no âmbito da sua função de
supervisão do sistema financeiro, combina na sua actuação as técnicas de inspecção “in loco” (“on
Basileia.
Num mercado caracterizado pela liberdade e pela inovação financeira, compete ao Banco Nacional
de Angola verificar o cumprimento dos requisitos mínimos de informação das condições financeiras
praticadas nas várias operações e serviços, bem como sobre os respectivos riscos no âmbito da defesa
do consumidor.
- 17 –
Capítulo 4 Aplicação da Metodologia
4. Aplicação da Metodologia
Tendo em conta ao desenvolvimento do Sistema Financeiro Angolano verificado nos últimos anos, e
Os dados necessários para a realização deste trabalho, foram retirados nos relatórios do Banco
Nacional de Angola, nas Demonstrações de Resultados e Balanços dos 12 bancos em análise que se
Os indicadores financeiros são ferramentas utilizadas pelos analistas (gestores) na avaliação da saúde
financeira das organizações, permitindo detectar os pontos fortes e fracos relacionados com a
Segundo Perez Jr. e Begalli (1999), a forma de avaliar os desempenhos passados, presentes e futuros
Foram escolhidas oito indicadores financeiros para estudar a eficiência dos 12 bancos em análise.
Destes oito indicadores, quatro representam as variáveis de entrada (input) e as restantes quatro,
- 18 -
Capítulo 4 Aplicação da Metodologia
INPUT OUTPUT
Este indicador assenta na transformação das
NÚMERO Representa o número total de pessoas com vínculo a
captações em créditos, com vista a garantir a
instituição financeira. Não estão contemplados CRÉDITO
instituição as sua continuidade no mercado cada vez
EMPREGADOS trabalhadores externos (contractos temporários)
mais competitivo.
Indica a proporção d Capital Próprio investido em
activo permanente. É obtido pela divisão do activo
É o conjunto de todos os bens e direitos, tangíveis e VALOR permanente pelo património líquido. Indica a
TOTAL
intangíveis, detidos pela organização e que pode ser MOBILIÁRIO proporção do capital próprio da instituição, aplicado
ACTIVO
atribuído um valor monetário em activos permanentes. Quanto maior for este
numero melhor, haverá mais recursos disponíveis no
desenvolvimento da actividade.
Indica a eficiência operacional da instituição. O custo
operacional é obtido pelo somatório das despesas do
São todas as operações efectuadas no mercado
pessoal e administrativas, pela soma do resultado
CUSTO APLICAÇÃO financeiro, operações de compra e venda de títulos a
bruto da intermediação financeira mais receitas de
OPERATIVO DE LIQUIDEZ terceiros com acordo de revenda. Valor declarado nos
prestações de serviços. Esta medida permite comparar
balaços.
gastos operacionais com principais fontes de recursos
gerados na própria operação.
Representa o resultado final do exercício, apurado de
acordo com as regras legais, sem considerar os efeitos
LUCRO da inflação, depois de descontado a provisão para o
DEPÓSITOS Representam os recursos captados pela organização.
LIQUIDO imposto de renda e a contribuição social e ajustados
os juros sobre o capital próprio, considerados como
despesas financeiras.
Cada banco será observado num período de seis anos permitindo obter 72 observações (12 bancos x
proporcionalidade requerida pelo DEA, (Vassiloglou e Giokas, 1990 e Dyson et al., 2001).
A tabela seguinte (Tabela 4.2) apresenta toda a informação estatística das variáveis utilizadas, assim
- 19 –
Capítulo 4 Aplicação da Metodologia
- 20 –
Capítulo 5 Análises dos Resultados
Partindo do pressuposto que o conjunto de bancos em análise actua num mercado competitivo
(Khumbhakar, 1987; Zellner, Kmenta e Dréze. 1966), será calculada a eficiência da produção através
do Índice de Malmquist com base na Análise Envoltória de Dados (DEA). Este modelo permite-nos
A Tabela 5.1 espelha toda a informação estatística das variáveis, sendo esta análise interpretada da
seguinte forma:
Para valores iguais à unidade (valores neutros), não se verificam nem perdas, nem ganhos de
produtividade.
O Índice de Malmequist (PTF), no período de 2005 a 2010, apresenta a variação total da produção
das instituições bancárias em análise. Como poderemos verificar, o valor médio da produção é
inferior a unidade (0,970), o que nos permite dizer que durante o período em análise se verificaram
- 21 -
Capítulo 5 Análise dos Resultados
Esta situação advém do facto de mais de 50% das instituições bancárias terem sofrido perdas de
produtividade. O BAI, BPC, BMA, BCGTA apresentam uma subida mínima nos ganhos de
produtividade que se situa na ordem dos 4% a 8%. O BAI BMF evidencia-se perante as outras
instituições, com um crescimento da sua produtividade em 16%, não sendo porém suficiente para
O Índice de Malmequist (PTF) sofre duas desagregações: variação na eficiência técnica (EFFCH) e a
variação na tecnologia (TECH). Como podemos constatar na anterior Tabela 5.1, a eficiência técnica
das instituições apresenta uma variação média negativa (perdas) de 2%, o mesmo se verificando na
A variação na eficiência Pura e de Escala estão agregadas na eficiência técnica. Através destes dois
perdas).
O resultado das médias anuais (Tabela 5.2) vem complementar a análise efectuada n tabela de
O Índice de Malmquist (PTF) apresenta um total de produtividade negativa, isto é, um valor inferior
a unidade de 3%. Apenas no ano 2007 o resultado é positivo, com um crescimento de 31%. No ano
seguinte dá-se uma grande quebra no crescimento da produção e nos anos que se seguem verifica-se
- 22 –
Capítulo 5 Análise dos Resultados
um crescimento progressivo da produtividade, mas não o suficiente para ultrapassar a unidade. Até
A variação na eficiência técnica também se apresenta negativa, com a excepção do ano 2007.
As tabelas anteriormente analisadas (Tabelas 5.1 e 5.2) permitem assim dizer que nos anos em
- 23 –
Capítulo 6 Conclusões do Estudo
6. Conclusões do Estudo
A globalização dos mercados e a liberalização das trocas, tornou o sistema económico mais
competitivo, sendo uma das grandes preocupações de cada país. Perante o actual processo de
globalização, a economia angolana não está imune às constantes alterações da envolvente económica
e social. Assim sendo, o incremento da produção de bens invisíveis e das mutações tecnológicas
Com base no modelo aplicado (modelo não-parametrico DEA-Malmquist, Fare et al., 1994),
2010.
Esta tem sido uma técnica bastante eficiente na medição do índice de produtividade de Malmquist.
variações da eficiência técnica e eficiência tecnologia, permitindo desta forma obter uma informação
Segundo Charnes et al., (1978), Banker et al., (1984) e Fare et al., (1985), a principal vantagem na
Através dos resultados obtidos podemos concluir que no período compreendido entre 2005 a 2010 o
índice de produtividade apresenta-se ineficiente (negativo). Nos 12 bancos sujeitos a análise, apenas
7 bancos foram considerados eficientes pelo índice de Malmquist: o BAI com um crescimento de
8%, o BPC 3,9%, o BMA 7,7%, o BCGTA 4,6% e principalmente o BAI BMF com 16%. Todas as
outras instituições foram consideradas ineficientes. Esta mesma ineficiência é constatada pela
variação da eficiência técnica (TECH). Já a eficiência tecnológica (EFCH) indica uma variação
produtiva nula para oito das instituições, apenas apresentando o BAI um crescimento de 0,6 % e o
- 24 -
Capítulo 6 Conclusões do Estudo
BIC de 0,1%. Em termos comparativos, é o BAI BMF que apresenta um melhor desempenho, que se
Tendo em conta aos resultados, podemos citar como principais factores de ineficiência, o facto de
Por outro lado, esta ineficiência poderá ser explicada pela demora de algumas instituições em
acompanhar as frequentes mudanças ocorridas no mercado, como as variações das taxas de juros,
assim como a tendência de associação com empresas de outros sectores, com a finalidade de
expandir a oferta de crédito, para além da venda de outros produtos e serviços bancários a novos
clientes.
- 25 –
Referências Bibliográficas
Referências Bibliográficas
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