Referencial Curricular de Morro Do Chapéu

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REFERENCIAL

CURRICULAR

. .
Ensino Fundamental
ANOS INICIAIS

Morro do Chapéu . BA
REFERENCIAL
CURRICULAR

.
Ensino Fundamental
ANOS INICIAIS .

PREFEITURA MUNICIPAL DE MORRO DO CHAPÉU - BA

ADE CHAPADA DIAMANTINA E REGIÕES


2020
Referencial Curricular . Ensino Fundamental . Anos Iniciais

Sumário

7
Apresentação ..........................................................................................................................................................

Os frutos de um trabalho coletivo ............................................................................................................ 8

Tradição e inovação de mãos dadas ....................................................................................................... 10

Compromisso com um ensino de qualidade ..................................................................................... 14

1 Fundamentos da Educação Municipal .................................................................................. 18


1.1 Concepção de infância e criança .......................................................................................................................... 20
1.2 A equidade como princípio ................................................................................................................................... 22
1.3 Currículo e transversalidade entre Cultura e Educação .................................................................................. 24
1.4 Currículo e sustentabilidade ................................................................................................................................ 27
1.5 Currículo para a paz .............................................................................................................................................. 29
1.6 Educação e diversidade ........................................................................................................................................ 31
1.6.1 Educação Especial e Educação Inclusiva ................................................................................................. 32
1.6.2 Educação e as relações étnico-raciais ..................................................................................................... 38
1.6.3 Povos e comunidades tradicionais ........................................................................................................... 40
1.6.4 Educação do Campo .................................................................................................................................. 42
1.6.5 Educação Quilombola ................................................................................................................................ 45
1.7 Currículo e a formação continuada de educadores .......................................................................................... 47
1.8 O ensino e a aprendizagem na era das mídias digitais ...................................................................................... 49
1.9 A construção do conhecimento na Educação de Jovens e Adultos ................................................................ 50
1.10 Os ciclos de aprendizagem e o desafio do trabalho docente ......................................................................... 53

2 Pressupostos teórico-metodológicos das práticas pedagógicas ...................... 55


2.1 A organização do trabalho pedagógico, a gestão do tempo e o engajamento dos estudantes ................... 57
2.2 O ensino da leitura e da escrita em todas as séries ........................................................................................... 62
2.3 A leitura e a escrita a serviço do estudo e da pesquisa ..................................................................................... 64
2.4 O ensino nas classes multisseriadas .................................................................................................................... 66
2.5 Avaliação como processo formativo .................................................................................................................... 74
Sumário

3 Componentes curriculares ....................................................................................... 76


Q Língua Portuguesa ........................................................................................................................... 77
Q Arte ................................................................................................................................................... 193
Q Educação Física ............................................................................................................................... 211
Q Matemática ..................................................................................................................................... 232
Q Ciências da Natureza ..................................................................................................................... 297
Q Geografia ......................................................................................................................................... 315
Q História ............................................................................................................................................ 339
Q Ensino Religioso .............................................................................................................................. 356

4 Educação de Jovens e Adultos ........................................................................... 368


Q Língua Portuguesa ......................................................................................................................... 372
Q Arte ................................................................................................................................................... 382
Q Educação Física ............................................................................................................................... 385
Q Matemática ..................................................................................................................................... 389
Q Ciências da Natureza ..................................................................................................................... 400
Q Ciências Humanas .......................................................................................................................... 405
Q Ensino Religioso .............................................................................................................................. 407

Referências ........................................................................................................................... 408

6 REFERENCIAL CURRICULAR
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Carta do Icep

Os frutos de um
trabalho coletivo
O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria, aperta
e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem!

Guimarães Rosa

Queridas educadoras e queridos educadores! na, Curaçá, Ibitiara, Marcionílio Souza, Morro do Cha-
Fortes, comprometidos, competentes e corajosos! péu, Mucugê, Oliveira dos Brejinhos, Santo Estêvão,
São Félix do Coribe, Seabra, Souto Soares, Wagner e
A história que marca a produção colaborati- Xique-Xique.
va deste Referencial Curricular, construído a muitas Gestores escolares, coordenadores pedagógi-
mãos, resgata o desejo desta Rede Municipal de En- cos, professores e estudantes de todas essas localida-
sino de vir a público mostrar e traduzir a sua prática, des reuniram-se sob a orientação de especialistas em
além de apontar as direções para a sequência da cami- cada um dos componentes curriculares, de pareceris-
nhada. Os textos que fazem parte deste documento – tas e das equipes de edição e editoração e de gestão
e que pretendem ser um norte para o fazer pedagógico pedagógica do Instituto Chapada de Educação e Pes-
– começaram a ser elaborados muitos meses antes da quisa (Icep), num trabalho também muito formativo,
sua publicação e estão longe de ser finalizados. O con- que pode ser comparado a um bordado feito a várias
teúdo aqui apresentado constitui apenas um pretexto mãos. Pode-se dizer que os profissionais que com-
para gerar encontros, discussões, formações continu- põem o Icep forneceram o tecido – a base para que a
adas e estudos. Ao mesmo tempo, já traz no seu corpus obra acontecesse; as linhas, os pontos e as cores esco-
os subsídios básicos necessários para a qualificação de lhidas, contudo, são das educadoras e dos educadores
cada escola e, em especial, de cada sala de aula. Este municipais, que, tomados de entusiasmo, possibilita-
material nada mais é do que uma referência curricu- ram a concretização de um documento multicor!
lar fundamentada no princípio da laicidade do Estado A elaboração desta proposta surge da necessi-
brasileiro, ou seja, entendendo que o ensino público dade de sistematizar os fundamentos teórico-metodo-
não pode basear-se em dogmas religiosos ou crenças lógicos subjacentes à formação continuada realizada
específicas. pelo Icep e apontar as aprendizagens esperadas e os
Este é, antes de mais nada, um registro plural, indicadores de avaliação para todos os anos de esco-
composto de narrativas elaboradas conjuntamente larização e para todas as áreas do conhecimento, da
pelas equipes técnicas das secretarias de Educação de Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Para tan-
15 municípios – a saber: Andaraí, Cafarnaum, Canara- to, considera os avanços didático-científicos ocorridos

8 REFERENCIAL CURRICULAR
Grupos de Trabalho Territorial reuniram educadores dos 15 municípios
do Arranjo de Desenvolvimento Educacional da Chapada e Regiões
para discutir os referenciais (Fotos: Dill Santos)

nos últimos anos e atende às demandas da Base Nacio- construir. Um reconhecimento especial aos prefeitos e
nal Comum Curricular (BNCC), publicada pelo gover- secretários de Educação, que acreditaram que, juntos,
no federal, e ao currículo estadual da Bahia. Com base podemos elaborar algo grande e denso.
neste Referencial Curricular, cada escola vai, a partir Gratidão também é a palavra dedicada à equipe
de agora, elaborar ou revisar o próprio projeto políti- do Icep, que idealizou esse sonho e que segue fomen-
co-pedagógico, destacando as especificidades locais tando e apoiando tantos outros para que as crianças,
no seu currículo. os jovens e os adultos do nosso país possam, de fato,
Agradecemos imensamente aos que, represen- inserir-se na cultura escrita, local e universal e apren-
tando seus pares, compareceram às reuniões dos Gru- der com qualidade, adquirindo o conhecimento de que
pos de Trabalho Territorial (GTT) e com eles contribuí- precisam para ter uma vida digna e cidadã.
ram e aos que participaram dos Grupos de Trabalho Por fim, parabéns a todos que, direta ou indireta-
Municipal (GTM). Em ambos os fóruns, foi possível que mente, participaram desta construção histórica e iné-
todos lessem e relessem, minuciosamente, as propos- dita – uma inspiradora e frutífera vitória!
tas aqui apresentadas, opinando, acrescentando ideias
e textos e colaborando para que este documento ga-
nhasse qualidade a cada encontro. Graças também aos Elisabete Monteiro
jovens que, nos espaços das oficinas de estudantes, Diretora-presidente do Icep
expressaram, de forma tão peculiar, vozes e desejos
sobre a escola que precisamos, progressivamente,

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 9


%HLMDćRUFRQKHFLGRFRPR
besourinho-do-bico-vermelho
e casario da Rua do Fogo (Fotos:
Roberto Furtado)

Cachoeira do Ferro Doido


e voo livre na Rampa
do Cruzeirinho, riqueza natural
e esporte radical em
Morro do Chapéu

10 REFERENCIAL CURRICULAR
Morro do Chapéu

No friozinho da montanha

Q uem primeiro chegou à região onde habitavam os


Payayá, hoje município de Morro do Chapéu? Os
padres jesuítas, para catequizá-los, ou os bandeiran-
tes, à procura de pedras preciosas? As pesquisas não
são conclusivas e as duas versões são difundidas. BAHIA
Também não há consenso em relação à origem
Morro do Chapéu
do nome. Alguns afirmam que os exploradores – jesu-
ítas ou bandeirantes – avistaram uma pedra no sopé
Salvador
de um morro em forma de chapéu. Segundo o escritor Parque Nacional da
Chapada Diamantina
Jubilino Cunegundes (1899-1989), no livro Morro do
Chapéu, um pouco da sua história, sua vida político-ad-
ministrativa, suas belezas e sua gente, essa formação
seria decorrente de um abalo sísmico. Outra versão,
relatada no mesmo livro, é a de que os Payayá usavam
cabelos grandes amarrados no alto da cabeça, em um
formato que lembraria um chapéu.
Já em torno do povoamento do município há mais Morro do Chapéu
documentação, que não deixa dúvidas. A começar pela
Área (IBGE Cidades) ........................................ 5.745 km²
concessão de uma grande área de terras feita por Dom
Fernando José de Portugal (1752-1817) ao VI Con- Distância de Salvador (Google Maps) ............ 394 km

de da Ponte, João Saldanha de Melo e Torres (1773- População (Censo 2010) ........................... 35.164 hab.
1809). Com a impossibilidade de criar gado no Recôn-
cavo Baiano, por causa do cultivo da cana-de-açúcar, o
conde doou parte das terras para o povoador Manoel como o Piemonte da Chapada. É rica em belezas natu-
Ferreira dos Santos, onde surgiu assim a Fazenda Ga- rais, com cachoeiras, grutas, sítios históricos e arque-
meleira, que, com a expansão da pecuária, fez com que ológicos, além de ter clima privilegiadíssimo com uma
surgissem currais em torno dela, deixados pelas tropas temperatura média anual de 20 graus Celsius, chegan-
que seguiam os cursos dos rios rumo aos sertões. do a 8 graus Celsius em períodos de inverno (de abril
Outro aspecto de grande importância para o a agosto).
crescimento e reconhecimento da Vila Morro do Cha- Infelizmente, a flora local é pouco estudada e bas-
péu foi a influência de Francisco Dias Coelho (1864- tante devastada. Algumas das espécies já classificadas
1919), comerciante de diamantes, líder político da Cha- são o angiquinho, o alecrim-de-vaqueiro, o mulungu, o
pada Diamantina e primeiro coronel negro da história marmeleiro, o umbuzeiro, o coco-ariri, o pau-de-rato, o
baiana. Ele contribuiu para que a vila, por meio da Lei pau-de-colher e o pau-ferro. O clima ameno permite o
Estadual nº 751, de 8 de agosto de 1909, sancionada cultivo de flores: há quase duas décadas existem pro-
em 7 de setembro no mesmo ano, fosse elevada à cate- dutores especializados em rosas e lírios, entre outras
goria de cidade. espécies. Recentemente, por iniciativa do casal Júlio
Vilar e Damares Rodrigues, agrônomos e professores
Clima privilegiado e flores aposentados da Universidade Federal de Pernambu-
Morro do Chapéu está localizado na região conhecida co (UFPE), iniciou-se o cultivo e a comercialização das

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 11


raras rosas do deserto, originárias de regiões secas de durante um curto período, a economia local.
países da costa leste da África e da Península Arábica. O turismo ecológico desponta como um dos ca-
Apesar do nome, essa flor não se parece com a rosa tra- minhos para fomentar a economia local. O município é
dicional e o produto de venda não é a flor, mas a planta, palco para esportes de aventura como o rapel, o moun-
que pode ser comercializada em mudas ou vasos. tain bike e o trekking. Contudo, ainda é esperada a me-
Entre as flores mais exuberantes destacam-se as lhoria da infraestrutura – principalmente das estradas
orquídeas. O seu cultivo é um passatempo que atrai mui- que dão acesso aos pontos turísticos – e a capacitação
tos morrenses. Há também uma grande diversidade de de moradores como guias para levar os visitantes às
cactos – e isso é atribuído à grande extensão de hábitats diversas cachoeiras, aos morros, às grutas e às serras
disponíveis para a colonização de plantas suculentas. presentes na região.
A variedade de clima e de vegetação é respon- Morro do Chapéu apresenta uma riqueza cultural
sável pela fauna diversificada. Além do beija-flor dou- com manifestações de dança, música, poesia, teatro, ar-
rado – que por muito tempo foi tido como endêmico, tesanato e patrimônio arquitetônico. São destaques:
mas que já foi visto em Vitória da Conquista –, há o pa- OJornal Correio do Sertão Fundado em 1917 por Honó-
pagaio baiano (Arara canaan, encontrado na Serra das rio de Souza Pereira (1811-1892), é o segundo mais an-
Araras, do Badeco e Salgado), o periquito, o cardeal, a tigo do estado da Bahia e o primeiro de todo o interior.
capivara, o coelho, o lagarto, o gavião, o araquã (ou ara- OBiblioteca Pública Municipal Carneiro Ribeiro
cuã), o jacu, o pato, o veado e a onça. Aberta em 1915, começou a ser idealizada em 1902,
O município faz parte da bacia dos rios Paragua- quando o professor Antônio Gabriel de Oliveira (1860-
çu e São Francisco. O Rio Jacuípe, o mais importante 1945) fundou o Grêmio Literário da Vila de Morro do
da Bacia do Paraguaçu, nasce na Fazenda Areia Bran- Chapéu, do qual foi o primeiro presidente. Nesse grê-
ca, a 4 quilômetros da sede do município, e recebe os mio, além da biblioteca, funcionava também uma filar-
rios Preto, Ventura, Das Flores e Yu-Yu, além de outros mônica e um salão de jogos. O coronel Francisco Dias
riachos. Outro afluente de grande destaque nas terras Coelho, então intendente municipal, transformou a
morrenses, com extensão de 333 quilômetros, é o Rio biblioteca do grêmio em Biblioteca Pública Municipal.
Salitre, que faz parte da Bacia do São Francisco e nasce O Grêmio Artur Azevedo Apesar de as atividades te-
na Boca da Madeira, em Morro do Chapéu. atrais datarem do final do século XIX, a fundação do
Apesar da sua grande extensão, o território é grêmio, em agosto de 1919, foi um marco no desen-
pouco povoado, possuindo uma densidade demográfi- volvimento da arte dramática e na organização de co-
ca de 6,12 habitantes por quilômetro quadrado. memorações diversas.
OSociedade Filarmônica Minerva Entidade civil sem
Ecoturismo e cultura fins lucrativos, fundada em 21 de outubro de 1906 por
A exploração mineral sempre apareceu como carro- Francisco Dias Coelho, é o mais importante espaço de
-chefe da economia local. Porém, após o declínio desse formação da identidade cultural do povo morrense,
setor, a agricultura passou a predominar, mas sem força abrigando várias gerações de músicos, além de grupos
para estimular o desenvolvimento da cidade. Recente- amadores de teatro e dança.
mente, houve um impacto com a chegada de multinacio- O Sociedade Filarmônica Lira Morrense Fundada em
nais investindo na construção de parques eólicos. Du- 25 de dezembro de 1984 por Jomarito Bagano Gui-
rante o período de instalação dos aerogeradores, houve marães, o objetivo foi incentivar os talentos musicais,
aumento na oferta de postos de trabalhos, alavancando, manter uma banda e uma escola de música e realizar

12 REFERENCIAL CURRICULAR
ou patrocinar eventos desportivos, sociais e culturais. Morro do Chapéu tem uma diversidade de festas
O Associação de Bordadeiras e Artesãos Morrenses populares, sendo uma tradição que se manifesta anual-
(Abam) Criada por profissionais do bordado em janei- mente, destacando-se as seguintes:
ro de 2001, incorporou no seu estatuto a participação O Festas do Divino Espírito Santo e de São Benedito
de artesãos de outras áreas da expressão visual, in- Realizadas entre maio e junho (data móvel, sempre 50
cluindo artistas plásticos. dias após a Páscoa), tiveram seu início em 1901.
O Arquitetura secular Destacam-se a Igreja Matriz de O Festa junina Realizada de 12 a 24 de junho, com os
Nossa Senhora da Graça, a Capela da Soledade e a famosos eventos de rua, no centro e nos bairros.
sede da prefeitura. Destaque para a fogueira dos rapazes, na Rua do
O O reisado e o terno Com origem nas festas popula- Fogo.
res da Europa dedicadas aos três Reis Magos, esses O Micareta Realizada em abril, maio ou agosto, com a
eventos foram registrados pela primeira vez em Mor- apresentação de bandas, trios elétricos e artistas fa-
ro do Chapéu em 1918. mosos na cena musical regional, baiana e brasileira.
O Samba de roda Tipo de dança embalada por cantigas Mais uma riqueza de Morro, esta para os aman-
rimadas ou não, sempre em roda e com uso de poucos tes do vinho: a cidade produz espumantes e vinhos
instrumentos. tintos das uvas Shiraz (cultivadas na França e, recen-
O Jogo das argolinhas Hoje denominado festa da argoli- temente, na Austrália) e Chardonnay (da qual são fa-
nha, tem um local específico para sua prática, o Parque bricados vinho branco e espumante). Há também cul-
Manito Rocha, tendo como idealizador e primeiro pre- tivo de morangos, pêssegos e maçãs, graças ao clima
sidente, Gleydistone Modesto Barberino, o Guegueu frio e seco.
(in memoriam). A estrutura turística conta com hotéis, restau-
O Tradição oral Lendas que permanecem vivas na rantes, bares e uma culinária rica e variada, que ofe-
cultura oral das comunidades, entre elas Demétrio, O rece desde os sofisticados pratos da comida regional
beco da rua que fecha na quaresma, O Cavalheiro da rua até iguarias tipicamente caseiras, que têm como ingre-
do Ventura, O lobisomem, A sereia do Pó-Só e O vaqueiro dientes básicos o andu, o mangalô e o feijão-de-corda,
da mata do Pó-Só. grãos cultivados na região.

Barriguda, árvore típica, e inscrições rupestres


em Gruta dos Brejões, um dos sítios arqueológicos
do município (Fotos: Roberto Furtado)

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 13


Educação municipal de Morro do Chapéu

Qualidade e equidade
para todas e todos

ve um crescimento nas atividades profissionais da rede,


Dados da Educação da por meio da formação continuada. Um avanço sentido
Rede Pública Municipal por todos os educadores foi o amadurecimento de
práticas que, antes de tornarem-se políticas públicas,
Número de escolas ....................................................... 41
foram experimentadas como projetos institucionais ou
Matrículas na Educação Infantil ....................... 1.131
como projetos pedagógicos. Entre elas, destacam-se
Matrículas nos anos iniciais
as bibliotecas de classe, a leitura colaborativa e as ter-
do Ensino Fundamental ........................................ 2.487
túlias dialógicas literárias.
0DWU¯FXODVQRVDQRVĆQDLV
do Ensino Fundamental ......................................... 1.952
Número de professores ............................................ 291 Planejamento e avaliação
Outro avanço significativo foi o alinhamento dos planos
Fonte: Inep, 2019 de ensino de diversas áreas e segmentos. Por causa da
grande extensão territorial do município, é sempre um
desafio tratar da diversidade de conteúdos em áreas
específicas do currículo. Portanto, o investimento em

A Educação municipal de Morro do Chapéu garan-


te aos munícipes todos os níveis de ensino e to-
das as etapas e modalidades da Educação Básica sobre
planejamentos elaborados pelas professoras e pelos
professores para que as alunas e os alunos tenham
equidade na aprendizagem é o maior ganho, ainda que
responsabilidade constitucional dos municípios (Edu- haja demandas e dificuldades para mobilizar todos os
cação Infantil, anos inicias e finais do Ensino Funda- docentes.
mental e Educação de Jovens e Adultos), tanto na zona A prática de avaliação da rede municipal ainda
urbana como na rural. Por ter um território extenso, as é um desafio. Há crescimento em alguns processos e
características das unidades escolares são bem varia- transformação da concepção de avaliação, como a rea-
das – algumas com estruturas precárias e outras que lização de pré-conselhos e conselhos de classe por uni-
atendem ao padrão mínimo estabelecido pelo Ministé- dade, nos quais são analisadas as dificuldades das alu-
rio da Educação (MEC). nas e dos alunos e elaboradas estratégias para saná-las
Os processos de ensino e aprendizagem pressu- nos aspectos cognitivo, afetivo e social. A elaboração e
põem compromisso, dedicação e conhecimento para a definição de critérios avaliativos nos diferentes anos,
garantir os avanços almejados. Nos últimos anos, hou- áreas e disciplinas, apesar de ainda não acontecer de

14 REFERENCIAL CURRICULAR
Crianças da Educação Infantil em brincadeira de (VSD©RSDUDDLQYHVWLJD©¥RFLHQW¯ĆFD
faz de conta (Foto: Elian Amador do Nascimento) na pré-escola (Foto: Vera Andrade)

forma efetiva em 100% das escolas, garante uma ava-


liação processual e contínua do ensino e da aprendi-
zagem. Para isso, contribuiu a formação continuada
de todos os educadores da rede, que tem acelerado a
implantação dessa política.
O sistema de avaliação da rede municipal não
se restringe a questões que envolvem o ensino e a
aprendizagem escolares. Ele requer o envolvimento e
o conhecimento de toda a comunidade educativa, por
meio de fóruns, conselhos, formações e reuniões para
promover a autonomia da unidade e favorecer uma
Alunas dos anos iniciais do Ensino Fundamental
melhor qualidade educacional. com roupas de papel, no projeto Lixo Nosso de
Essas premissas da avaliação municipal estão des- Cada Dia (Foto: Roberto Furtado)
critas na Resolução nº 1, de 16 de dezembro de 2016.
o contato com a língua e as outras linguagens e com o
Educação Infantil conhecimento acumulado é oferecido. Com isso, cada
Morro do Chapéu vem traçando novos caminhos para uma e cada um começam a perceber o mundo ao redor
a Educação Infantil em consonância com a legislação usando a imaginação, o pensamento, a fala, a memória,
nacional e atendendo às demandas da população, que as expressões, as explorações, o brincar, os sentimen-
hoje já tem uma melhor compreensão sobre a impor- tos, os desejos e os valores.
tância dessa primeira etapa da Educação Básica. As Essas práticas agora serão norteadas por este Re-
propostas de trabalho oferecidas nas instituições são ferencial Curricular, construído de forma democrática
embasadas nos princípios do cuidar, do educar e do e participativa, em conformidade com a Base Nacional
brincar. O processo de aprender acontece como re- Comum Curricular (BNCC) e as Diretrizes Nacionais
sultado de uma construção pessoal, com os bebês e para a Educação Infantil.
as crianças interagindo entre eles, com adultos e com Uma ação marcante na Educação Infantil do
elementos das culturas com as quais têm contato. O município foi ser o polo de formações presenciais re-
desenvolvimento se dá à medida que o relacionamento alizadas pelo governo federal, fato que assegurou a
com as pessoas e seus hábitos e costumes acontece e participação de todas as professoras e de todos os

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 15


professores desse segmento nos encontros formati- Ensino Fundamental
vos ocorridos com o apoio técnico-pedagógico da Uni- Sendo o Ensino Fundamental de obrigatoriedade do
versidade Federal da Bahia (UFBA). município, a rede municipal de ensino de Morro do
O município oferece acompanhamento dado pe- Chapéu configura sua organização e funcionamento
los coordenadores pedagógicos aos docentes, por meio buscando a consolidação na implantação de políticas
de orientação no planejamento e nas práticas pedagó- educacionais que atendam aos pressupostos teórico-
gicas significativas, como também a realização de for- -metodológicos da contemporaneidade.
mação continuada. Os conteúdos discutidos abordam Alinhada às demandas do século XXI, a rede de
o aprofundamento em práticas necessárias para acom- ensino tem como foco a formação de todas e todos,
panhar o trabalho desses profissionais ao mesmo tem- iniciando pelos profissionais da própria Secretaria Mu-
po que se aprofunda a qualificação das ações. Nessas nicipal de Educação e chegando no foco principal de
práticas, o desenvolvimento integral é observado por trabalho, que são as alunas e os alunos. Formar sujeitos
instrumentos e critérios sistematizados e preestabele- críticos, autônomos e responsáveis consigo mesmos e
cidos pela equipe técnico-pedagógica da rede de ensi- com o mundo pode parecer clichê, mas é uma das mais
no, promovendo uma política de formação docente e de árduas tarefas da Educação.
avaliação contínua do ensino e da aprendizagem. Para garantir a equidade – nossa segunda mis-
Na área rural, as crianças até 3 anos são aten- são –, todas as atividades pedagógicas são alinhadas
didas em regime de tempo integral nas creches Joa- ao princípio de reconhecer o direito de todas e todos
quim Valois (Fedegosos) e Vovó Deijaci Maia (Icó), e de aprender e de acessar oportunidades educativas
as de 4 e 5 anos (pré-escola) nas escolas de Ensino diferenciadas e diversificadas com base na interação
Fundamental, geralmente formando uma ou duas tur- com múltiplas linguagens e diversos recursos, espaços,
mas em cada localidade. saberes e agentes. Só assim é possível que crianças e
Na sede do município, há três escolas (Secundina adolescentes morrenses tenham condição fundamen-
Miranda, Elizabeth Vasconcelos Gama e Creche Tio tal para o enfrentamento das desigualdades sociais.
Lauro) que recebem exclusivamente o público de cre- Desse modo, tomar os resultados dos diagnósti-
che e uma (Dr. Reinaldo Moreira) que atende somente cos das estudantes e dos estudantes de cada unidade
pré-escola, configurando-se como Centros Munici- escolar tornou-se ponto de partida para tratar com
pais de Educação Infantil (CMEI). Isso representa um mais especificidade as necessidades de aprendizagens
avanço significativo, visto que, em outros anos, essas de cada uma e de cada um. Com as avaliações internas
turmas estavam inseridas em escolas de Ensino Funda- e externas, espera-se garantir que todas e todos sin-
mental, causando impactos negativos às crianças me- tam proximidade com a escola, evitando a exclusão.
nores, que não eram atendidas nas suas necessidades Diminuir o abandono escolar tornou-se meta de
intra e extraclasse. Para ampliar a oferta a esse público todas as gestoras e todos os gestores das escolas mu-
sem comprometer a qualidade do atendimento, ainda nicipais. As estratégias para possibilitar que as alunas e
há necessidade de ampliar e adequar outros espaços os alunos não abandonem a escola estão materializa-
na área urbana e rural. das no Plano de Gestão.
Há 16 turmas de pré-escola em escolas da área A defasagem idade/série e os dados de reprova-
rural onde também funcionam os anos iniciais do En- ção e abandono escolar são as maiores preocupações
sino Fundamental. Em seis delas também são ofereci- da rede municipal, pois são dados que, quando altos,
dos os anos finais, demonstrando ainda a necessidade acarretam problemas nos âmbitos educacionais e so-
de medidas voltadas para um atendimento adequado. ciais. Grande é o investimento na formação continuada

16 REFERENCIAL CURRICULAR
de gestores escolares, coordenadores pedagógicos e escolar, em continuidade, a rede municipal de ensino
professores da Educação Infantil e do Ensino Fun- instituiu o Ciclo de Alfabetização, amparado pelo Pa-
damental para reverter esse quadro e assegurar que recer CNE/CEB nº 4, de 20 de fevereiro de 2008. Os
todas as alunas e todos os alunos aprendam, de modo princípios aí apresentados seguem as orientações da
que nenhum fique para trás. Nos dados acadêmicos LDB nº 9.394/96 no seu Art. 23 e propõem organização
dos três últimos anos, é observável a redução das taxas da escolaridade em ciclos para minimizar a repetência e
de reprovação e evasão. a evasão escolar e garantir um avanço na qualidade da
Outro desafio que impulsiona a rede é a busca de aprendizagem.
estratégias eficazes para a alfabetização inicial. Parte- Assim, iniciaram-se, em 2005, os estudos de
-se do princípio de que saber ler e escrever é, acima de grupos com a equipe pedagógica focando em currí-
qualquer coisa, uma oportunidade para que a pessoa culo, habilidades e competências. O objetivo foi fun-
se sinta cidadã. Por esse motivo, é fundamental para damentar as práticas pedagógicas desenvolvidas nas
a rede de ensino de Morro do Chapéu dar condições escolas da rede por meio da realização de jornadas e
para que a maior parte da população possa ser alfabe- seminários de estudos internos e as práticas de apoio
tizada da melhor forma possível. realizadas pelos pré-conselhos e conselhos de classe
Para garantia da continuidade do desenvolvimen- por unidade. Foi esse trabalho que culminou com a
to da criança na alfabetização inicial e do sucesso na vida elaboração deste Referencial Curricular.

Educadores de Morro do Chapéu


em reunião para discussão dos
referenciais curriculares
(Fotos: Josué Alves)

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 17


1 Fundamentos da
Educação municipal
O Arranjo de Desenvolvimento da Educação (ADE)
da Chapada Diamantina e Regiões, constituído
pela união de municípios com interesses educacionais
a atuação cada vez mais qualificada das equipes esco-
lares e seu compromisso com a elevação dos índices de
aprendizagem de todas as alunas e de todos os alunos.
semelhantes, pactuou a construção de um Referencial Impulsionados pela homologação da Base Nacio-
Curricular comum ao território. Diante da necessida- nal Comum Curricular (BNCC) em 2017, e diante da
de de elaborar tal documento, os municípios contaram necessidade de qualificar e atualizar seus documentos
com a parceria técnica do Instituto Chapada de Edu- curriculares, os municípios do ADE Chapada Diaman-
cação e Pesquisa (Icep), cuja experiência de formação tina e Regiões buscaram o Icep com esse fim, uma vez
continuada na região remonta há 22 anos. que, como afirma seu comitê executivo, “a construção
O ADE formado na perspectiva da colaboração não poderia acontecer fora da experiência que já vinha
intermunicipal tem como propósito criar mecanismos sendo construída há mais de duas décadas com o insti-
de governança que aumentem a capacidade do grupo tuto”. Em 2019, a parceria para a elaboração deste Re-
de municípios de combater seus problemas educacio- ferencial Curricular foi firmada entre 15 municípios. O
nais com base em ações conjuntas, apostando num trabalho adotou a metodologia participativa e a escuta
processo de mobilização que desenhe e implemente direta das educadoras e dos educadores e dos demais
processos de formação continuada, tendo como foco atores do processo pedagógico.

18 REFERENCIAL CURRICULAR
Educação é prioridade no ADE
Chapada Diamantina e Regiões
(Foto: Bruno Viana/Canarana)

O Referencial Curricular do ADE Chapada Dia- Os membros das equipes técnico-pedagógicas e ou-
mantina e Regiões tomou como base o diagnóstico das tros representantes dos municípios, em conjunto com
fragilidades referentes à definição curricular para o toda a equipe docente de cada rede, buscaram a com-
Ensino Fundamental no âmbito dos municípios, prin- preensão sobre a concepção das áreas do currículo e,
cipalmente em relação aos preceitos apresentados na com isso, se lançaram à produção do texto-base, con-
BNCC. O documento nacional induz a construção das tendo as unidades temáticas, os objeto do conheci-
propostas curriculares de cada território, de modo a mento, as habilidades e as aprendizagens esperadas.
empreender a identidade, a cultura e o sujeito na sua COMPILAÇÃO DAS PROPOSTAS DOS MUNICÍPIOS PARA
O

integralidade, entre outros elementos de contexto local. A CONSTRUÇÃO DO REFERENCIAL CURRICULAR Diante
Logo, sendo o desenvolvimento profissional das da produção da equipe docente de cada município,
educadoras e dos educadores a maneira mais efetiva a equipe técnico-pedagógica compilou as propostas,
de proporcionar a desejada transformação da Educa- que foram analisadas em trabalho colaborativo com
ção, a proposta do ADE abrange não somente a forma- os demais municípios. O documento resultante foi
ção continuada em contexto de trabalho desses profis- enviado ao formador especialista, que fez as devidas
sionais, como também a produção de documentos que considerações quanto ao processo de construção.
alicercem a autonomia pedagógica dos municípios no PRODUÇÃO INICIAL DO REFERENCIAL CURRICULAR PARA
O

que se refere à gestão, à avaliação e ao monitoramento ANÁLISE DO FORMADOR ESPECIALISTA Os estudos cul-
de suas redes de ensino. A finalidade é construir co- minaram na produção de um documento inicial com
nhecimento por meio da reflexão, da análise e da pro- as manifestações das educadoras e dos educadores
blematização de situações vivenciadas no âmbito do sobre os elementos do currículo, no âmbito de cada
exercício profissional. município-território, considerando as áreas de atu-
Assim, com o envolvimento da equipe técnico- ação na escola, documento que foi analisado pelo
-pedagógica, das coordenadoras e dos coordenado- formador especialista e finalizado pela equipe par-
res, das professoras e dos professores, a construção ticipante, de modo que este se configura enquanto
deste Referencial Curricular se deu com o plane- Referencial Curricular nas redes de ensino dos mu-
jamento e a orientação dos formadores externos nicípios parceiros.
especialistas nas áreas do currículo, num processo Para vencer as barreiras da distância geográfica
colaborativo entre os municípios, liderado pelo Icep, – dificultadas pelo difícil acesso entre todos os municí-
conforme as seguintes etapas: pios – e do financiamento que uma ação dessa magni-
GRUPOS DE ESTUDOS SOBRE O CURRÍCULO Constitui-
O tude requer, entre outras, o ADE Chapada Diamantina
ção de grupos de estudos entre os formadores es- e Regiões, sob a organização intermunicipal com apoio
pecialistas, as equipes técnico-pedagógicas e outras técnico do Icep, acredita no processo de construção
representações de cada município (podendo ser di- dos referenciais curriculares alicerçado nos pressu-
retora, ou diretor escolar, coordenadora, ou coorde- postos do contexto de suas próprias realidades e ne-
nador pedagógico, professoras, ou professores) para cessidades, a fim de desenvolver ações educativas cujo
orientação sobre a condução dos trabalhos no âmbi- foco é a melhoria da Educação em seus municípios e no
to de cada município. território colaborativo. Desafio vencido brilhantemen-
COMPREENSÃO SOBRE OS ELEMENTOS DO CURRÍCULO
O te pelos 15 municípios.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 19


Fundamentos da Educação municipal

ção, da pureza do coração e, sobretudo, de dedicar-se


a fazeres de criança, distintos de fazeres de adultos.
Com a institucionalização da Educação, no sécu-
lo XIX, o conceito de infância definitivamente passou
a ser ligado à escola e, até hoje, assim se compreende:
nas culturas ocidentais, lugar de criança é na escola.
Na Educação brasileira, em especial, a obrigatoriedade
da matrícula aos 4 anos foi estabelecida pela Emenda
Constitucional nº 59, aprovada em 2009.
No ordenamento jurídico brasileiro, entende-se
por infância o período cronologicamente determinado
entre o nascimento e a puberdade, mais precisamen-
te até os 12 anos de idade, segundo a Lei nº 8.069, de
13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA). Entretanto, se reco-
As crianças são seres pulsantes e pensantes nhece que essa definição diz muito pouco sobre a real
(Foto: Marco Athayde/São Félix do Coribe) condição da infância em todo o território nacional. Di-
ferentes realidades produzem determinadas circuns-
tâncias para o exercício de viver a infância. As infâncias

1.1 Concepção de
na favela, no campo e nos grandes centros urbanos
são absolutamente distintas entre si. Embora todas as

infância e criança
crianças possam viver o mesmo período cronológico
de vida, não desfrutam da mesma forma do tempo li-
vre, da condição de brincar e de frequentar uma boa
A ideia de infância resulta de um longo processo de escola. Certamente, não deixam de ser crianças, mas
construção social. Etimologicamente, a palavra deriva não têm a garantia de viver a infância. Hoje, em muitas
do latim infans, ou indivíduo que ainda não fala. Duran- sociedades, a infância corre risco de desaparecimento,
te a maior parte da história, essa concepção não carre- dado o apelo precoce do mundo contemporâneo por
gava valores e significados otimistas nem o sentido de introduzir os pequenos no mundo do consumo e em
promessa de um futuro. Ao contrário, era frequente- um frenético ritmo de produtividade que mais se asse-
mente associada à falta, à ignorância ou parvalhice e, melha ao trabalho adulto (POSTMAN, 1999).
não raramente, andava lado a lado com a ideia da mor- Enfrentar essa triste realidade desigual e a ame-
te. Isso porque, até o final da Idade Média e ainda no aça do esvaziamento da infância é o desafio da Edu-
início da Idade Moderna, a taxa de mortalidade infantil cação no século XXI, o que exige do poder público e
era, de fato, muito alta. das instituições – família e escola – ações eficazes e
Foi na Idade Moderna, pelos interesses da reale- urgentes para a garantia do direito de todas as crian-
za, por um lado, e pelo humanismo cristão, por outro, ças serem crianças e viverem a plenitude da infância,
que a infância passou a ser considerada a idade de ouro desfrutando do cuidado e da proteção que a legislação
da vida, período distinto e destinado à vivência de ex- lhes assegura.
periências singulares e à expressão de um modo pró-
prio de ver o mundo, diferente daquele dos adultos. Um ser cultural
O filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) A criança é um sujeito em construção, pessoalmente
foi um dos mais importantes precursores da concep- envolvida com o próprio processo de aprender e de se
ção de infância como tempo de ser criança, de dedicar- desenvolver na interação com a cultura, representada
-se ao contato profundo com a natureza, à formação pelo outro, o adulto responsivo que a introduz no mun-
moral, ao desenvolvimento livre do corpo, da imagina- do da linguagem e lhe apresenta o mundo. Ela é um ser

20 REFERENCIAL CURRICULAR
diferente do adulto no que diz respeito à singularidade que não existia até determinado momento da história e
do pensamento, ao desenvolvimento físico, emocional, que, num futuro possível, pode deixar de existir.
ao modo de ver o mundo, atravessado pela brincadei- Como já citado, o modo de compreender a crian-
ra, sua principal forma de interação, de transmissão e ça hoje – sujeito singular, com modos próprios de pen-
de produção de culturas. sar e de ver o mundo, que age sobre ele atravessado
Por cultura, pode-se compreender a realização pela brincadeira, sua principal forma de explorar e
cotidiana que renova e recria valores, normas, compor- conhecer – tem origem no Renascimento, fortemente
tamentos e bens (DE CERTEAU, 1995) a que cada in- desenvolvido no ideário da Modernidade. Essa ideia,
divíduo teve acesso em sua trajetória de vida. Tomando atualmente, em muitas realidades, já é contestada:
por base essa ideia, pode-se conceber que as crianças, existem crianças que trabalham e consomem como
nos seus diferentes contextos e pertencimentos – ci- adultos, vivem num mundo regido não apenas pela
ganas, quilombolas, indígenas, do campo, dos centros liberdade do brincar mas pelo compromisso dos re-
urbanos etc. –, por meio da sua atividade brincante e sultados e da produtividade. Como consequência, se
produtora de significados, são também produtoras de fortalece o papel da escola na proteção da infância e
culturas infantis, que não são independentes das cul- do espaço educacional como próprio para a criança
turas adultas. Ao contrário, elas se relacionam. E as ser criança na sua singularidade, atendida nas neces-
crianças delas se apropriam para reestruturá-las de sidades de brincar e imaginar, de conviver, participar,
outras maneiras (BARBOSA, 2007), condizentes com explorar, expressar e conhecer-se.
suas perspectivas existenciais, percepções do entorno Assumir a criança como sujeito de direitos impli-
e das relações interpessoais. ca, em primeiro lugar, reconhecê-los como balizas do
A criança é, portanto, sujeito produtor de cultu- currículo, em especial os direitos de aprender e de se
ra e, desse lugar, contribui para o avanço do mundo, desenvolver. Isso exige da instituição de Educação In-
trazendo a perspectiva do novo, que revigora o olhar fantil organizar tempos, espaços, materiais e promover
dos adultos e os faz constantemente renovar seu com- interações que enriqueçam as experiências das crian-
promisso ético e sua responsabilidade não só com a ças como forma de garantia desses direitos. Implica,
Educação mas com a própria renovação do mundo sobretudo, reconhecer que o direito à Educação de
(ARENDT, 2003). qualidade é, em primeira mão, das próprias crianças,
antes que de suas famílias, e que, portanto, são os inte-
Currículo garantidor de direitos resses das crianças que precisam ser assegurados por
A ideia de criança como sujeito singular, distinto dos meio dos direitos conquistados.
adultos e produtor de cultura, é assimilada pelas Dire- Assumir que a criança, desde muito cedo, cons-
trizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, trói a identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina,
de 2009, que assim define: fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, nar-
ra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e
Criança é sujeito histórico e de direitos que, nas intera- a sociedade – produzindo cultura – requer promover
ções, relações e práticas cotidianas que vivencia, cons- um currículo que dê voz a ela e se organize não ape-
trói sua identidade pessoal e coletiva, brinca, imagina, nas em torno do que os adultos pensam ser importan-
fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, nar- te mas sobre a riqueza de cada momento, do que ela
ra, questiona e constrói sentidos sobre a natureza e a elabora e reapresenta por meio de suas interações,
sociedade, produzindo cultura (BRASIL, 2009). brincadeiras e experiências no mundo. Envolve assu-
mir, de acordo com a BNCC, a centralidade de seus
Tal definição acarreta importantes impactos na fazeres e experiências nos planejamentos pedagógi-
concepção do trabalho pedagógico e na organização das cos, tanto no plano institucional quanto no plano pe-
instituições educativas. Afirmar a criança como sujeito dagógico mais restrito aos diferentes agrupamentos
histórico implica reconhecer que sua inscrição na cultu- de crianças. Implica, ainda, compreender que toda a
ra é resultado da construção de um conceito de infância experiência escolar está centrada não na transmissão

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 21


Fundamentos da Educação municipal

do conhecimento, mas na constituição das subjetivi- a especificidade do trabalho com o bebê, a criança bem
dades infantis, sendo o próprio conhecimento, os sa- pequena e a criança pequena, exige atenção a alguns
beres e o patrimônio de sua cultura os principais ins- princípios, como a indissociabilidade entre os gestos de
trumentos do processo de subjetivação. A linguagem, cuidar e de educar em relação às crianças; a necessária
os conhecimentos matemáticos, os saberes sobre a articulação das instituições de Educação Infantil com
natureza e a sociedade e as artes existem no currícu- as famílias, considerando a Educação uma ação com-
lo porque há crianças, e elas precisam aprender e se partilhada; e a centralidade das interações e da brin-
desenvolver. Essas áreas estão ali para as crianças, e cadeira como principais ações das crianças e, não por
não o contrário. menos, o eixo das propostas curriculares.
Assumir que todas as construções próprias das
experiências das crianças se dão nas interações, nas
relações e nas práticas cotidianas que vivenciam exige

1.2 A equidade
empenho coletivo de ampliação das possibilidades des-
sas interações com outras crianças de mesma idade e

como princípio
de idades diferentes, com adultos educadores, com
familiares, com pessoas da comunidade, com pessoas
mais jovens e mais velhas, detentoras de saberes que
importam a elas e à construção das identidades. Essa A diversidade é uma condição humana e, como tal, deve
circulação de vozes fortalece a certeza de que ninguém ser compreendida, respeitada e valorizada em todas as
aprende sozinho e que o papel do outro é fundamental suas dimensões. Afinal, ser humano é ser diverso. Na
à construção de subjetividades. Educação escolar, os saberes são inerentes à formação
Assumir que o próprio cotidiano é fonte de de- de indivíduos, que trazem de seu ambiente sociocultu-
senvolvimento e de aprendizagem e, portanto, bastan- ral referências, memórias, experiências, histórias, mar-
te formativo, torna necessário vê-lo com mais rigor pe- cas e representações que constroem e reconstroem
dagógico, de modo a aproveitar cada situação do dia a sua identidade no percurso da vida.
dia na sua potência, como possibilidade de apropriação Sendo assim, é fundamental que, em todos os
das práticas sociais da cultura, dos valores e da estética níveis escolares, os saberes e as experiências sobre
do entorno e de outros contextos culturais, ampliando diversidade e pluralidade cultural estejam presentes
os saberes das crianças. Não apenas o momento da no trabalho docente, identificando, reconhecendo, en-
atividade é pedagogicamente valioso mas todos os de tendendo e respeitando as pessoas e seus repertórios
convívio na creche ou na escola: banho, trocas de fral- construídos dentro e fora da escola. Essa concepção
das, sono, alimentação, brincar, conversar etc. representa uma forma justa e menos desigual de se
Por fim, é importante compreender que as subje- construir a Educação.
tividades infantis são formadas em diferentes contex-
tos e ambientes culturais e que reconhecer a origem A riqueza da diversidade
das crianças, seus laços afetivos, suas culturas e per- Mas o que significa ser justo numa sociedade desi-
tencimentos é o ponto de partida de qualquer ação gual e assimétrica em direitos, modos de vida e per-
educativa, sobretudo na Chapada Diamantina e nos cepções? Há justiça na efetivação dos direitos de
territórios do interior da Bahia, constituídos pela con- aprendizagem? São muitos e antigos os desafios que
vivência de uma enorme diversidade de povos, entre o sistema educacional enfrenta ao longo da jornada
indígenas de diversas etnias, quilombolas, ciganos e de formar cidadãs e cidadãos críticos da sua realida-
moradores do campo. Conhecer os direitos das crian- de. Muitos também são os avanços alcançados por
ças nesses contextos é o desafio e a principal respon- meio de políticas públicas forjadas nas lutas sociais,
sabilidade do currículo de Educação Infantil. nos enfrentamentos e nas resistências constantes
Ver as crianças e a infância dessa maneira, com dos diversos grupos que compõem a rica e diversa
todas essas implicações, respeitando a singularidade e sociedade brasileira.

22 REFERENCIAL CURRICULAR
O direito ao reconhecimento e a valorização da Cultura como ação
diversidade devem ser compreendidos como condição Uma concepção de cultura mais abrangente e diversa
humana, e os saberes escolares precisam incorporar é defendida por alguns estudiosos que a entendem
essa noção. É também fundamental reconhecer no como ação; ou seja, o indivíduo torna-se sujeito das
diálogo a condição para que o conhecimento seja refle- relações socioespaciais (BERDOULAY, 2012). Desse
xivo, e não apoiado em um modo único de ver, ler, viver modo, a cultura deve “transformar realidades sociais e
e compreender o mundo. contribuir para o desenvolvimento humano em todos
Como garantir que essa diversidade seja res- os seus aspectos” (BRANT, 2009).
peitada? Seria necessário homogeneizar os sujeitos e Entender cultura como ação permite ressignifi-
oferecer-lhes iguais possibilidades de construir sabe- car o processo educacional de forma equitativa para
res? Tais questionamentos demonstram, por si só, sua além da oferta de ferramentas e possibilidades iguais
contradição. Numa sociedade assimétrica e profunda- aos indivíduos. Trata-se, nesse caso, de considerar a
mente marcada pela desigualdade estrutural, igualar a historicidade contida na reprodução cultural como
todas e a todos, além de impossível, seria cruel. Afinal, uma ação social e pensar que, nos distintos lugares de
em um processo de homogeneização, muitas vozes são fala, há muito a ser considerado além dos critérios bá-
silenciadas e vidas invisibilizadas. Para Santos (2003), sicos de letramento. É preciso valorizar as singularida-
des e reconhecer a igualdade nas diferenças para que a
[...] temos o direito a ser iguais quando a nossa dife- alteridade se estabeleça como prioridade.
rença nos inferioriza; e temos o direito a ser diferen- Educar, nesse sentido, é verbo de ação em bus-
tes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. ca da afirmação das múltiplas identidades e do forta-
Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça lecimento de grupos historicamente invisibilizados e/
as diferenças e de uma diferença que não produza, ou excluídos dos textos que contam a história social
alimente ou reproduza as desigualdades. brasileira. Ampliar as vozes que contam e recontam a
história é estabelecer processos equitativos na Educa-
Considerar a pluralidade como propulsora da ção, permitindo que diferentes falas, sotaques, corpos
formação social é entender a contribuição de cada su- e vidas alcancem seus objetivos respeitando suas par-
jeito na formação socioespacial, com suas referências ticularidades e costurando semelhanças.
históricas, suas experiências e modos de vida e suas São muitas as possibilidades e estratégias que
formas de representar os espaços vividos. Significa, as unidades escolares podem promover dentro e
também, compreender que o conceito de equidade fora da escola, como assembleias, rodas de diálogo,
deve permear e fundamentar as ações em prol de uma cine-debates e gincanas. Todas precisam ter como
sociedade mais justa. centralidade as chamadas questões socialmente vi-
Tomar a equidade como princípio na Educação é vas (QSVs) locais. O interessante, no entanto, é que
estabelecer o enfrentamento às hegemonias e colocar diferentes vozes apareçam no direcionamento das
o respeito às diferenças como ponto de partida, con- atividades e que os temas sejam diversos e selecio-
siderando-as como riquezas, e não como obstáculos. nados com base nos anseios locais envolvendo toda
Cada escola pode promover, por exemplo, ações de a comunidade escolar.
valorização à diversidade por meio de projetos que,
além de diagnosticar o perfil sociodemográfico das Simetria em vez de igualdade
estudantes e dos estudantes, incentivem as manifes- A equidade distancia-se do conceito de igualdade,
tações artísticas e culturais no sentido de reconhecer por muito tempo sustentado como possibilidade de
as mais diversas identidades e representatividades ali transformação social, e se aproxima da concepção de
existentes. Para isso, é necessário ter como parâme- simetria, ou seja, condições diferentes para sujeitos
tro uma ideia ampla e diversa de cultura, levando em diferentes (DUBET, 2008). Sendo assim, “a missão
consideração o público que prevalece nas escolas em primeira do sistema escolar é, com efeito, que todos
toda sua diversidade e pluralidade. os alunos possuam os conhecimentos e competên-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 23


Fundamentos da Educação municipal

cias julgados como indispensáveis ou fundamentais” Com isso, ao definir os objetivos de aprendizagem
(BOLÍVAR, 2005) e que desenvolva estratégias de e desenvolvimento, o currículo vai considerar o direito
reparação às condições desproporcionais que os de todas e todos a aprender e participar do processo
grupos hegemônicos da sociedade brasileira vêm educativo e valorizará a função social do professor e a
impondo historicamente aos demais agentes sociais. função formativa das escolas da rede. Nesse sentido,
Romper com o processo de reprodução desigual o conjunto das educadoras e dos educadores da rede
no ambiente escolar permanece um desafio, que será tem papel fundamental quando se reconhecem suas
superado somente por meio de um currículo plural e capacidades críticas e criadoras para potencializar os
diverso, possibilitando uma efetiva transformação do recursos culturais de todas as estudantes e de todos os
contexto social. estudantes, indistintamente, ao considerar e valorizar
os elementos que os constituem como humanos e cida-
Currículo vivo dãos (SÃO PAULO, 2019).
Partindo dos pressupostos elencados até aqui, é im-
portante garantir que a construção desse currículo
tenha a participação de toda a comunidade escolar.

1.3 Currículo e
Os atores escolares precisam assumir a posição ética
e democrática de reconhecer e respeitar a diversida-

a transversalidade
de cultural e social das estudantes e dos estudantes
demonstrando que a equidade é a base e o princípio

entre Cultura
de todo o processo educacional. Assim, os currículos
devem ser construídos tendo suporte na realidade lo-

e Educação
cal, dialogando com outras escalas de atuação, ofere-
cendo nas aprendizagens esperadas o estímulo para
que cada estudante possa se reconhecer e trazer vi-
vências de forma plural e diversa. Entre 2003 e 2010, o governo federal trabalhou para
Uma forma interessante de concretizar essa pro- a ampliação do conceito de cultura, compreendendo-a
posta é promover atividades pedagógicas (seminários, como produção de bens simbólicos. Além do tradicio-
enquetes, mostras culturais, projetos de ciência etc.) nal campo das artes e do patrimônio, essa área incor-
que tragam a ancestralidade dos estudantes como obje- pora também modos de vida, saberes e identidades
tos de conhecimento a ser valorizados e reconhecidos. – configurada nas dimensões cidadã e econômica. Am-

Territorialização da
cultura também é papel
da escola (Foto: Marcela
de Amorim Thomas/
Curaçá)

24 REFERENCIAL CURRICULAR
pliado, o conceito de cultura não só impacta de forma te, este Referencial Curricular propõe, explícita e
positiva a operação e o funcionamento das estruturas subliminarmente, dar ênfase especial à possibilidade
e relações entre Estado e sociedade como revigora as de trabalho conjunto e articulado entre a cultura e a
noções e a abrangência das políticas públicas vigentes. Educação, identificando potencialidades e demandas
Desde 2007, na Bahia, a proposição e o apro- observáveis e latentes dos municípios e dos territó-
fundamento do processo de territorialização da cul- rios de identidade.
tura estabeleceram a promoção de políticas públicas, A aproximação gradual é um princípio adotado
aproximando e comprometendo tanto agentes públi- como uma estratégia para a compreensão de espaços,
cos quanto comunidades das cidades do interior e das contextos e culturas. Nessa forma de agir estão pre-
áreas periféricas de Salvador. A partir de 2011, com sentes o respeito, a atenção e a aceitação da diversida-
a sanção da Lei Orgânica da Cultura e das diretrizes de e o cuidado com o outro e com o ambiente que cerca
estabelecidas pela Secretaria de Cultura, o estado da os indivíduos e os constitui.
Bahia foi organizado em 27 territórios de identidade, Segundo Boaventura de Sousa Santos (1989)
agrupados em seis macroterritórios. Essa aglutinação, “cada contexto é um espaço e uma rede de relações
constituída de acordo com as especificidades de cada dotadas de uma marca específica de intersubjetivida-
região, objetiva identificar as prioridades de ação com de que lhes é conferida pelas características dos vários
base nas realidades locais, possibilitando o desenvol- elementos que o constituem”. Nesse viés, a classifica-
vimento equilibrado entre as regiões. Os critérios de ção, de “contexto da cidadania”, também sugerida pelo
agrupamento estão relacionados não somente à ques- teórico, propicia que os elementos se relacionem e se
tão geográfica mas também à coesão social e cultural, estruturem em práticas sociais, estabelecendo, assim,
coerentes para a construção de uma gestão estadual o exercício das relações entre os cidadãos e o Estado.
da cultura. Os espaços reconhecidos como contextos de
Nesse sentido, foram desenhadas diretrizes para cidadania e de cultura vêm ampliando suas funções
nortear políticas e ações culturais que pudessem atin- enquanto construtores de ambientes de práticas so-
gir os 27 territórios de identidade. Dessas diretrizes, ciais, educacionais e culturais, propiciando o desenvol-
destacam-se três que estabelecem e possibilitam vimento de uma formação cidadã e a constituição de
maiores fronteiras com a Educação: uma Educação emancipada.
CONSTRUÇÃO DE UMA CULTURA CIDADÃ
O Componente Pensar nos contextos da ação educativa signifi-
essencial do processo de transformação e de desen- ca amplificar o olhar desde a sala de aula e o ambiente
volvimento, que marca a predominância de novos escolar em direção ao entorno – comunidade, municí-
valores democráticos, solidários e fraternos, de paz e pio e território. Para o geógrafo baiano Milton Santos
de respeito à diversidade, imprescindíveis a uma nova (1926-2001), o território
sociedade e a um novo modelo de desenvolvimento.
APROFUNDAMENTO DA TERRITORIALIZAÇÃO DA CULTURA
O [...] não é apenas o resultado da superposição de um
Com base na identidade, faz com que políticas públi- conjunto de sistemas naturais e um conjunto de sis-
cas deem atenção à diversidade de manifestações temas de coisas criadas pelo homem. O território é o
culturais de todos os territórios. Esse item relaciona- chão e mais a população, isto é, uma identidade, o fato
-se diretamente com a iniciativa e a parceria entre o e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence
Icep e o ADE Chapada Diamantina e Regiões. (SANTOS, 2000).
ALARGAMENTO DAS TRANSVERSALIDADES DA CULTURA
O

Com respaldo na contemporaneidade, aparece a Ou seja, o território funda o sentido de per-


impossibilidade de desenvolvimento da cultura sem tencimento e realiza a noção de cidadania. É por isso
considerar a articulação, o diálogo e a interface com que, como espaço vivido e de experiência sempre re-
campos afins, como a Educação. Não existem políti- novada, a relação com o ADE Chapada Diamantina e
cas culturais e/ou educacionais sem a transversali- Regiões permite, ao mesmo tempo, a reavaliação das
dade entre esses campos e saberes. Por conseguin- heranças e a indagação sobre o presente e o futuro,

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 25


Fundamentos da Educação municipal

exercendo um papel revelador sobre o mundo. Nesse ção alinhado à cultura e às artes como um passo que
sentido, favorece a passagem “de uma situação críti- marca a sintonia com a contemporaneidade.
ca para uma visão crítica, constituindo uma forma de Morin (2000) afirma que o ser humano é reve-
existência que é produtora de sua própria pedagogia” lado em sua complexidade, pois é, ao mesmo tempo,
(SANTOS, 2000). totalmente biológico e cultural. Com isso, o conceito
de homem tem dupla entrada: uma biofísica e outra
Cultura, arte e Educação psicossociocultural, em que a cultura é responsável pe-
No pensamento contemporâneo, a cultura ganha uma los conhecimentos, valores e símbolos que orientam e
outra compreensão com os novos conceitos apreendi- guiam as vidas humanas.
dos, que incluem as dimensões simbólica, econômica e Para atender a essa característica multidimensio-
cidadã. As artes, enquanto linguagens, assumem outro nal, é fundamental haver inter e multidisciplinaridade,
lugar e, como a cultura, são potencializadas no diálogo tendo professoras e professores como mediadores
com outros campos do conhecimento – em especial, desses processos. Nessa perspectiva, os municípios
com a Educação. Algumas políticas públicas emancipa- da Chapada Diamantina e demais regiões são convo-
doras ousam propor a cultura como eixo prioritário da cados, de forma continuada, a repensar os currículos e
Educação e da própria economia. as perspectivas pedagógicas perante a complexidade
A evolução do conceito de cultura como domínio do contexto em que as relações acontecem, conceben-
e acúmulo de um conhecimento diferenciado é alte- do um projeto pedagógico fundamentado, prioritaria-
rada, ampliando o foco para dimensões subjetivas e mente, no sujeito e na cultura, na sociedade e na rea-
individuais, convocando o sujeito a ocupar o seu lugar lidade econômica. Essa nova forma de ser e conviver,
na sociedade e assumir um caráter e um compromis- que se delineia como estilo de se relacionar com a vida
so social e político. Em qualquer instância, a cultura contemporânea, tendo a cultura como eixo a ser reco-
traz a ideia de uma experiência em transformação, nhecido, impulsiona os sujeitos a uma relação dialógica
um processo de construção que varia o seu significa- com o outro, entendendo que as semelhanças e as dife-
do dependendo da relação do contexto histórico do renças passam a produzir uma diversidade de referên-
sujeito. cias e de conhecimentos.
Compreende-se a Educação como eixo prioritá-
rio do desenvolvimento humano, enquanto a cultura e Currículo como itinerários
as artes trariam em si próprias a missão de inclusão e Com esse pensamento, o conceito de currículo foge
participação social com base na estética e na ética. do modelo “grade”, que tão somente oferece sustenta-
Assim sendo, a Educação e a cultura assumem ção para a organização de disciplinas isoladas. Ele vai
uma parceria potente como elementos mobilizadores, ser montado com itinerários formativos que incluem,
agregadores de inúmeras dinâmicas sociais transfor- como ponto de partida, um processo que deve guardar
madoras e de produções criativas e inovadoras, além em seu corpo o sentido da complexidade, articulando
de impulsionadores do crescimento individual, social, a parte e o todo, e com a capacidade de equacionar
econômico e político. três centros de orientação: a estudante, ou o estudan-
Com o pensamento e a revisão de paradigmas em te – corpo-sujeito, cidadã e cidadão, social e político na
franca evolução nas últimas décadas, as políticas públi- perspectiva do artista educador; o conhecimento, em
cas têm sido convocadas – em especial, as de Educa- seus aspectos conceitual e operacional, avaliado em
ção – a reagir diante das mudanças, trazendo para si cada situação educacional em sintonia com o ambiente
a responsabilidade de coordenar processos coletivos que o circunda; e os paradigmas artísticos e educacionais
de revisão de projetos pedagógicos e currículos, que da contemporaneidade.
se proponham a dar respostas às escutas e demandas Os currículos, vistos como itinerários formativos,
da sociedade alinhadas ao contexto vigente. Pensar um são entendidos continuamente como processos de en-
projeto político-pedagógico requer repensar um currí- sino e de aprendizagem que oferecem caminhos a ser
culo que reafirme e traga um pensamento de Educa- construídos de forma dialógica.

26 REFERENCIAL CURRICULAR
Um dos desafios dessa construção é evitar a próprio, como inteligência da complexidade e da tem-
fragmentação e a visão disciplinar no tratamento de poralidade”. Para o autor, é importante reconhecer os
questões fundamentais ao indivíduo, ao contexto cul- contextos, a cultura do sujeito e a sua cotidianidade,
tural e à sociedade contemporânea. Nesse sentido, a compreendendo, desse modo, o currículo vivo como
interdisciplinaridade surge, fundamentalmente, como metáfora básica, alertando também para a compre-
uma necessidade natural de atuação compartilhada ensão de quem pensa e propõe currículo por meio de
na construção de um conhecimento complexo e plu- perspectiva institucional.
ral, pressupondo uma visão de globalização na busca A missão da Educação e do ensino alarga-se para
da compreensão, do questionamento, da intervenção garantir o saber e também para trazer uma cultura que
e da transformação da realidade por meio do diálogo permita compreender a complexidade da vida, nas re-
com a contemporaneidade. lações estabelecidas entre sujeitos, contextos e conhe-
cimentos. A cultura e as artes possibilitam em diálogo
Arte e cultura como eixos com a vasta experiência da Educação uma leitura de
A proposta é utilizar o conceito de arte como tecno- si próprio e do mundo de maneira sensível, criativa e
logia educacional (BRANDÃO, 2014), mediadora de flexível.
processos de ensino; instigadora da compreensão de Referenciando novamente Morin (2017), “a esté-
conceitos, princípios, métodos e técnicas para tratar tica constitui um elemento fundamental da sensibilida-
questões da prática educativa; e criadora de dinâmicas de humana” e, assim sendo, cabe a todas as educadoras
da aprendizagem. Esse conceito apresenta-se como e a todos os educadores comprometidos com a arte
estratégia de contaminação para possível articulação nos processos de Educação trabalhar no sentido de
e complementaridade, com vestígios de ensinamentos enxergar, no prosaico da vida, a capacidade de trans-
da arte e da Educação e possibilidade de diálogos com formação e o olhar poético.
outras teorias científicas e sociais.
Pensar numa Educação que tenha o contexto cul-
tural como eixo central de aprendizado tem sido inspi-

1.4 Currículo e
rador para novas incursões educacionais. Um caminho
interdisciplinar que tem nas palavras redes e conexões

sustentabilidade
as bases para entender o trabalho com a arte enquanto
área de conhecimento constituída pelo enlace das suas
linguagens artísticas.
A sociedade atual está marcada por inúmeros cenários
A multirreferencialidade se configura numa epistemo- de degradação, tanto no campo ambiental quanto no
logia da pluralidade que, criticando os sistemas que se social. Os avanços tecnológicos e o consumo desenfre-
querem monorreferenciais, convoca olhares diversos ado são dois elementos, entre outros, que têm relação
para compreendermos situações e objetos complexos, direta com essa desordem. Ademais, as problemáticas
através de operações dialógicas e dialéticas. Parte da socioambientais incluem preocupações com saúde
premissa de que, em realidade, somos seres de lingua- e justiça social, a exemplo do consumo de alimentos
gem, do âmbito da heterogeneidade irredutível e que a processados e ultraprocessados, do uso de medica-
falta e o inacabamento marcam de forma ineliminável mentos, das diversas biotecnologias, dos produtos quí-
nossas itinerâncias e errâncias na relação com o co- micos tóxicos para tarefas cotidianas e das práticas
nhecimento (MACEDO, 2004). agrícolas insustentáveis (BENCZE et al., 2018).
Diante disso, são importantes o engajamento em
Macedo (2004) sinaliza que, para instituir cur- atitudes de colaboração para mudanças e a proposta
rículos multirreferenciais, é necessário estabelecer de ações de Educação ambiental nas escolas, envol-
reflexões sobre os objetos “como revisão epistemo- vendo as comunidades do entorno; a participação em
lógica, como postura de escuta do outro e de mim fóruns que debatam as atuais desordens ambientais;

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 27


Fundamentos da Educação municipal

e a redução do uso de produtos tóxicos à saúde, buscan- promova a melhoria da qualidade de vida do ser hu-
do alternativas para uma alimentação mais saudável. mano e do planeta.
Nesse sentido, visando a sustentabilidade e a Destacam-se os ODS relacionados diretamente
concretização dos direitos humanos, incluindo a pa- às aprendizagens previstas neste Referencial Curri-
cificidade entre as sociedades, foram estabelecidos cular. São eles:
em 2015 os 17 Objetivos Globais para o Desenvolvi- ODS 3 Assegurar uma vida saudável e promover o
O

mento Sustentável (ODS), na Agenda 2030, pelos pa- bem-estar para todos, em todas as idades.
íses-membros das Organizações das Nações Unidas ODS 4 Assegurar a Educação Inclusiva e equitativa e
O

(ONU). Tais objetivos são integrados e indivisíveis e de qualidade, e promover oportunidades de apren-
equilibram as três dimensões propostas para o de- dizagem ao longo da vida para todos.
senvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ODS 5 Alcançar a igualdade de gênero e empoderar
O

ambiental (veja o quadro abaixo). todas as mulheres e meninas.


Os ODS são assumidos pelas nações signatá- ODS 6 Assegurar a disponibilidade e gestão susten-
O

rias, incluindo o Brasil, como temas estratégicos e ins- tável da água e o saneamento para todos.
piradores a ser trabalhados de forma articulada com ODS 11 Tornar as cidades e os assentamentos huma-
O

os objetivos de aprendizagem e o desenvolvimento nos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis.


dos diferentes componentes curriculares, conforme ODS 12 Assegurar padrões de produção e de consu-
O

prevê a BNCC. mo sustentáveis.


Essa iniciativa visa a construção de uma propos- ODS 13 Tomar medidas urgentes para combater a
O

ta inovadora que inspire o desenvolvimento de prá- mudança do clima e seus impactos.


ticas curriculares conectadas com a dinâmica da so- ODS 15 Proteger, recuperar e promover o uso sus-
O

ciedade contemporânea, que atenda aos interesses e tentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma
às demandas dos sujeitos e, consequentemente, que sustentável as florestas, combater a desertificação,

Objetivos Globais para o Desenvolvimento Sustentável (ODS)

28 REFERENCIAL CURRICULAR
1.5 Currículo
deter e reverter a degradação da terra e deter a per-
da de biodiversidade.

para a paz
ODS 16 Promover sociedades pacíficas e inclusivas
O

para o desenvolvimento sustentável, proporcionar


o acesso à justiça para todos e construir instituições
eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis. A Educação, para ser integral, precisa ser centrada no
ODS 17 Fortalecer os meios de implementação e
O ser humano, um dos entes que habitam a Terra e fa-
revitalizar a parceria global para o desenvolvimento zem dela sua morada, transformando-a para poder
sustentável. coexistir com ela. O ser humano se constitui dessa for-
Justifica-se balizar os currículos escolares nos ma – humano – justamente nas relações e interações
ODS, uma vez que eles podem ser trabalhados nas que estabelece com os outros semelhantes a ele, numa
salas de aula em todos os componentes curriculares. convivência social que se dá em diversos espaços, in-
Essa articulação permite o uso de metodologias de clusive na escola.
ensino que priorizem uma Educação Integral, em con- Nesse sentido, pode-se afirmar que não há Edu-
sonância com a proposta de Educação para o Desen- cação sem comunidade, sem coletividade que ajude o
volvimento Sustentável da ONU. sujeito a se perceber como pertencente a um tempo
Dentro do contexto das salas de aula, isso signi- e um espaço, a uma determinada cultura que, por sua
fica criar estratégias que potencializem o trabalho in- vez, convive com outras culturas e está imersa em um
terdisciplinar, trazendo para a realidade escolar ques- contexto maior. Promover a visão e o entendimento
tões contextualizadas globais e locais. Algumas ações do local e do global, do pontual e do entorno é uma
podem ser planejadas pelo corpo pedagógico com o maneira de educar para o convívio social harmônico e
apoio da comunidade e do poder público: oficinas de para o respeito à diversidade e aos outros que consti-
higiene corporal e dental, realização de palestras so- tuem a humanidade dos seres. Dessa forma, educar-
bre prevenção de acidentes em casa e na escola, dro- -se para a paz.
gas, doenças sexualmente transmissíveis e vacinação A complexidade do entendimento da sociedade e
(ODS 3); implantação de projetos de leitura e escrita, da Educação como um de seus componentes é funda-
palestras sobre respeito à diversidade, utilização de mental para não cair na tentação de procurar soluções
jogos para auxiliar a aprendizagem (ODS 4); aborda- fáceis e receitas infalíveis que possam ser usadas com
gens sobre o papel da mulher na sociedade, destacan- todos os grupos, indistintamente, como se houvesse
do a sua importância nas mais diversas áreas de co- homogeneidade entre eles. O que há é exatamente o
nhecimento (ODS 5); atividades que levem à reflexão oposto disso: uma diversidade que leva as educadoras
sobre o uso consciente da água, exibição e discussão e os educadores a, cada vez mais, olhar para as especi-
de filmes sobre a temática (ODS 6); construção de ficidades, as individualidades, as inúmeras possibilida-
maquetes (ODS 11); promoção de campanhas para des de ser e estar no mundo; a pensar no múltiplo e
doação de roupas e brinquedos, oficina de brinque- na convivência desses seres únicos, que, na individuali-
dos feitos com materiais reutilizáveis, organização de dade, lidam com outras individualidades para viver em
feira de ciência sustentável (ODS 12); utilização de comunidade. Essas comunidades podem ser próximas
texto, com linguagem adequada à faixa etária, dife- ou distantes, reais ou imaginárias, construídas e re-
renciando os desastres naturais dos provocados pelo construídas a todo momento.
ser humano (ODS 13); visita a reservas ambientais, Nas complexidades de gênero e sexualidade,
trilhas interpretativas para reconhecimento do bioma etnia, cor/raça, territorialidade, cultura do ser e dos
local (ODS 15); caminhadas contra a violência, pro- outros, o espaço escolar aparece como aglutinador,
dução de cartilhas diferenciando carinho de assédio respeitador e acolhedor das diferenças, individuais e
(ODS 16); elaboração de cartas para governos e ór- coletivas, com vistas a constituir o espírito coletivo e,
gãos competentes a fim de buscar unidade na imple- portanto, uma Educação cidadã. É desse compromisso
mentação de ações sustentáveis (ODS 17). que a comunidade escolar precisa imbuir-se, possibili-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 29


Fundamentos da Educação municipal

tando o máximo de oportunidades de aprendizagens, Enfim, a necessidade de o currículo contemplar


apresentando cada vez mais um leque de conhecimen- o real e, portanto, a complexidade dos elementos que
tos produzido por vários pontos de vista, em seus as- envolvem a realidade recai invariavelmente sobre a
pectos físicos, matemáticos, de linguagens, científicos, responsabilidade de quem com ele atua. A observância
geográficos e históricos. Uma visão ampliada de si para da legislação, das orientações regimentais, das refe-
um fortalecimento das diferenças e das potencialida- rências curriculares e das políticas públicas educacio-
des de produção de novos conhecimentos. nais precisa estar alicerçada nas relações estabeleci-
O ser homem ou mulher ou gênero possuído, ser das entre as pessoas que constituem a comunidade
negro ou não negro, ser quilombola ou não quilombola, escolar. O respeito e a história de vida que permeiam
morar na zona urbana ou rural, conviver com diferen- esse ambiente não podem prescindir dos direitos indi-
tes arranjos familiares, morar em periferia, ser jovem, viduais e coletivos como pressuposto básico.
criança ou idoso, enfim toda gama de subjetividade que Chega-se, então, ao currículo como emancipató-
constitui a identidade do ser humano precisa ser consi- rio, construtor de autonomia e demarcador de iden-
derada na escola e no arcabouço teórico do currículo. tidades individuais e coletivas, como possibilidade de
Nessa perspectiva, torna-se importante repen- ampliação do número de narrativas sobre si mesmo e o
sar o currículo para fazer dele um instrumento que, ao mundo. Afirma Tomas Tadeu da Silva (2011):
mesmo tempo, atenda às especificidades e possibilite
uma visão crítica. O objetivo deve ser dotar as estu- O currículo tem significados que vão muito além da-
dantes e os estudantes de um arcabouço de conhe- queles aos quais as teorias tradicionais nos confina-
cimentos que permita a construção de ferramentas ram. O currículo é lugar, espaço, território. O currículo
pessoais consistentes e leve a escolhas conscientes e é relação de poder. O currículo é trajetória, viagem,
assertivas na produção de novos conhecimentos com percurso. O currículo é autobiografia, nossa vida, cur-
base nos já existentes. riculum vitae: no currículo se forja nossa identidade.
Dialogar, refletir, construir e reconstruir, criar e O currículo é texto, discurso, documento. O currículo é
recriar o conhecimento produzido no sentido de con- documento de identidade.
seguir conviver com diferentes aspectos que a natu-
reza impunha são desafios que perpassaram a história Sendo documento de identidade, possui uma di-
da humanidade. Hoje cabem outros desafios ao ser hu- gital única, que se constitui ao longo da relação com o
mano, mas deve-se aprender com as experiências de outro. Cabe aos profissionais da Educação o compro-
quem veio antes e ter ciência de que o conhecimento misso de apresentar possibilidades e momentos for-
produzido serve de base, como aspectos formativos, mativos com base na visão multirreferencial, interdisci-
para a formulação de outros conhecimentos que pos- plinar e dialógica, presentes no cotidiano da escola, em
sibilitarão, cada vez mais, o bem-estar da humanidade. cada planejamento, gesto, ação e atividade. Ou seja,
O currículo deve valorizar a experiência vivida do viver a cidadania em seu aspecto mais ativo e pleno, fa-
ser diverso e promover, em seu exercício cotidiano, a zer dela uma forma de ser; daí a integralidade e a com-
equidade étnico-racial, bem como a de gênero e sexua- plexidade de ensinar e aprender com base nas diferen-
lidade, vistas estas, entre outras, como tensões vividas ças no atendimento aos direitos dos seres humanos no
tanto no âmbito local, individual, como em seu aspecto espaço social e socializante da escola.
mais amplo, no social. Portanto, em se tratando da A ação coletiva expressa no currículo escolar
deve se manifestar nas ações educativas presentes em
[...] Educação concebida como processo permanente toda comunidade escolar no sentido de respeitar as
de ação transformadora, tanto individual quanto cole- diferenças e individualidades, mas também de possibi-
tiva, como instrumento capaz de resgatar a dignidade litar a reflexão do ser social. Ao escolher os conteúdos,
de todo ser humano, qualquer que ele seja, esteja onde as metodologias e os percursos formativos, é preciso
estiver. [...] precisamos de uma política de Educação proporcionar a participação das estudantes e dos estu-
Integral de natureza complexa (MORAES, 2015). dantes nesse processo, ouvir suas ideias e sonhos, con-

30 REFERENCIAL CURRICULAR
frontá-las com outras existentes e (re)construir o co- apropriam dessas informações de formas distintas e
nhecimento com novos elementos, possibilitando assim nelas se reconhecem ou não, lutando por respeito às
outros pontos de vista com base nesse ato dialógico. diferenças nos campos pessoal, individual e coletivo.
Esse diálogo deve, fundamentalmente, existir en- O que antes era utilizado para discriminar, apar-
tre todos os profissionais, em todas as áreas de conhe- tar e reforçar preconceitos e estereótipos construídos
cimento, para que a professora e o professor, em sala socialmente hoje são temas empregados como ban-
de aula, apresentem o confronto entre o conhecido e deiras de luta das minorias sociais – em muitos casos,
introduzam novos elementos, criem o desequilíbrio e maiorias numéricas –, no sentido de reivindicar direitos
incentivem a reflexão e a construção de novos conhe- sociais. Legislações próprias vêm surgindo para asse-
cimentos. Enfim, que fomentem a visão crítica da rea- gurar melhores condições sociais e reais oportunida-
lidade. O fluxo de produção de novos conhecimentos des de igualdade. As diferenças geracionais, de gênero,
pode ser facilitado, por exemplo, por meio de sequên- sexuais, de classe, étnico-raciais, culturais, geográficas
cias didáticas. e tantas outras em que são assentadas as diversas for-
Sendo assim, pergunta-se: como contribuir para mas da existência humana são elementos que agluti-
que a Educação para a paz esteja presente no currículo nam indivíduos.
escolar? O que é a paz quando ela não depende somen- Considerando a multiplicidade de olhares e pen-
te de si, mas também do outro? Em que ponto ela se samentos científicos e pessoais para o entendimento
encerra? Como cultivá-la sem entender, compreender do ser e estar no mundo, podem-se inferir inúmeras
e praticar o respeito? possibilidades e a complexidade dessas explicações.
É preciso refletir sobre os parâmetros da paz que Em sua existência, o ser humano é, em essência, diver-
se quer propagar e verbalizá-los. “Qual a paz que eu so. A ciência buscou em minúcias a explicação do mun-
não quero conservar para tentar ser feliz [...] pois paz do, o que culminou em categorizações e classificações
sem voz, paz sem voz não é paz, é medo”1. A paz inicia que, por fim, recaíram na tentativa de entender a exis-
no conhecimento de si mesmo, de suas capacidades e tência humana.
potencialidades, do entorno, do ambiente, da comu- A professora livre-docente de psiquiatria Iracy
nidade, das tradições, do respeito e cuidado consigo Doyle (1911-1956), em seu artigo Estudo da norma-
mesmo e com tudo que está no entorno. São esses os lidade psicológica (disponível em bit.ly/normalidade-
elementos que os profissionais da Educação devem psicologica, acesso em 13/5/2020), explicou que “nor-
objetivar na construção, no planejamento e na execu- malidade vem do grego norma, que significa medida,
ção do currículo para a paz e a cidadania. com a acepção de perfeição, de máximo, de protótipo,
que não corresponde ao uso atual da palavra”. Buscam-
-se, no espaço escolar, estudantes que atendam ao pa-
drão estabelecido relativo à normalidade expressa na

1.6 Educação
cultura atual, respeitando-se tempo e local. Portanto,
tudo o que não atenda a esses padrões parece fora de

e diversidade
contexto e de propósito.
O que se apresenta, no entanto, é a singularidade
das especificidades individuais. As diferenças formam
A sociedade se apodera cada vez mais de conhecimen- a identidade pessoal, e os indivíduos, como seres emi-
tos acerca do mundo que a envolve. Temas circulam e nentemente sociais, organizam-se em arranjos familia-
bombardeiam as pessoas com multiplicidades de opi- res, comunitários e territoriais, articulados com as for-
niões convergentes e divergentes. Os indivíduos se mas de ser e de pensar, com os conhecimentos locais,

1. Minha alma (A paz que eu não quero) é uma música do grupo O Rappa, integrada no disco Lado B Lado A, de 1999. Com letra de Marcelo
Yuka, a composição aborda temas sociais, como a desigualdade e as discriminações que dividem o povo brasileiro. Disponível em:
www.culturagenial.com/musica-a-minha-alma-de-o-rappa/. Acesso em 20/3/2020.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 31


Fundamentos da Educação municipal

com as estruturas espaciais organizadas para harmo- potencializados para o entendimento e a melhoria da e
nizar a forma de viver. As diferenças individuais e co- na coletividade.
letivas devem ser vistas, observadas e estudadas com O respeito, fundamental na Educação, está na
base na realidade local e no conhecimento produzido ação de ouvir o outro. Ele manifesta-se, por exemplo,
no cotidiano, que se evidencia na expressão artística, no diálogo entre os profissionais de diversas áreas ao
musical, gestual e vocabular e constitui a cultura local e considerar o conteúdo a ser ministrado no ano letivo,
diversa em cada município do ADE Chapada Diamanti- ao pensar em conjunto e ao refletir sobre o currículo.
na e Regiões. Esse acervo não pode ser desprezado em Está também na abertura das várias possibilidades de
detrimento daquilo que é universal e que foi e é produ- ouvir as estudantes e os estudantes no processo, valori-
zido pela humanidade. A cultura local precisa ser vista zar sua voz, dar espaço às expectativas e hipóteses para
como potência, força e permanência a ser preservadas a solução de problemas locais. Ouvir opiniões durante
em diálogo com o geral. o fazer escolar em diversas instâncias e, sobretudo, na
As possibilidades de discutir e refletir sobre as sala de aula, pode levar à construção do respeito pelo
diversidades estão presentes nos conteúdos dos com- diverso. Por meio do diálogo, chega-se a uma Educação
ponentes curriculares de Artes, Ciências, Ensino Re- que valoriza as diferenças e a vários caminhos para a
ligioso, Matemática, Língua Portuguesa e Educação produção de conhecimento. O normal é ser diferente.
Física, assim como no exercício profundo da Educação
Inclusiva e no atendimento aos povos e comunidades
tradicionais. As diversidades se impõem também no 1.6.1 Educação Especial
entrelaçamento dos conteúdos no atendimento das
e Educação Inclusiva
aprendizagens esperadas, no respeito ao indivíduo em
seu tempo de aprendizagem, nas habilidades apresen- A Educação Especial na perspectiva da Educação Inclu-
tadas e nos conhecimentos adquiridos na área urbana siva é um modelo educacional baseado na concepção
e na zona rural. O que se busca não é tolerância, mas, dos direitos humanos, que conjuga igualdade e diferen-
sim, o profundo respeito ao outro, diferente de si, com ça como valores indissociáveis e que defende a ideia de
conhecimentos que precisam e podem ser trocados e equidade formal ao contextualizar as circunstâncias

Estratégias
GLYHUVLĆFDGDV
e o respeito às
singularidades (Foto:
Acervo pessoal/
Marcionílio Souza)

32 REFERENCIAL CURRICULAR
históricas da produção da exclusão dentro e fora da es- O papel docente
cola2. Adotá-la implica uma transformação que convoca No trabalho sob a perspectiva da Educação Inclusiva,
a escola a envolver-se totalmente, da gestão à política a professora e o professor precisam considerar muitos
pública, dos professores aos estudantes e famílias, dos aspectos. Além de providenciar ferramentas pedagógi-
voluntários aos parceiros. Enfim, de todos que de algu- cas diversificadas, é preciso dispensar um olhar atento
ma forma participam da trajetória educacional. às aprendizagens alcançadas pelas estudantes e pelos
Influenciada pelos princípios da Declaração de Sa- estudantes, reforçar positivamente cada ganho e pon-
lamanca (UNESCO, 1994), que reiterou, entre outros derar quanto estão sendo beneficiados pelas ações
princípios, o direito de todos à Educação, independen- educativas. É fundamental lembrar que o universo da
temente das diferenças individuais, a Educação Inclusi- sala de aula é heterogêneo e que todas e todos têm
va propõe que todas as pessoas com deficiência sejam possibilidades de aprender, em tempos diferentes e
matriculadas na escola regular, procurando um educar não necessariamente da mesma forma. É importante
conjunto e incondicional para todas as estudantes e to- também registrar as ações salientando o que, na práti-
dos os estudantes, com deficiência ou não. Esse modelo ca, foi positivo ou negativo, para posterior reflexão no
reconhece a necessidade de caminhar rumo a uma esco- sentido de torná-las ainda melhores.
la para todos, que celebre a diferença e apoie a aprendi-
zagem respondendo às necessidades individuais. Processo histórico
A Educação Especial, ainda sem a perspectiva inclu-
O respeito às singularidades siva, estruturou-se pelo viés do atendimento educa-
A Educação Especial na perspectiva da Educação In- cional especializado equivalente ao ensino comum,
clusiva abre espaço para o respeito ao desenvolvimen- apresentando diferentes compreensões, modalida-
to de cada estudante, entendendo que todas e todos, des e terminologias que conduziram à criação de ins-
indistintamente, são capazes de aprender no seu limite tituições especializadas, escolas especiais e classes
e no seu tempo, sem classificação e comparação, assu- especiais.
mindo a singularidade do processo de aprendizagem No Brasil, a referência nesse processo foi a
de cada pessoa. Nela, abre-se espaço para a criativi- fundação do Instituto dos Meninos Cegos (atual
dade, as diferenças, os erros, as contradições e a cola- Instituto Benjamin Constant, o IBC), em 1854, e do
boração mútua produzida no coletivo das salas de aula Instituto dos Surdos-Mudos (atual Instituto Nacio-
com o objetivo de gerar sentido para a estudante, ou o nal de Educação de Surdos, o Ines), em 1857, ambos
estudante, contemplar a sua subjetividade. na cidade do Rio de Janeiro. Criadas por meio da
Na Educação Inclusiva, são promovidas ações intervenção de pessoas próximas ao imperador – o
educativas para despertar e desenvolver competências que aponta para a prática do favor e da caridade nas
e sugeridos conteúdos conciliáveis com as experiências relações com as pessoas com deficiência –, essas ins-
vividas pelas alunas e pelos alunos, o que faz com que tituições evidenciaram o caráter assistencialista que
atribuam significado a esses aprendizados. Além disso, marcou a atenção dispensada à pessoa com deficiên-
são oferecidas oportunidades iguais para todas e todos, cia desde sua origem.
mediante estratégias diversificadas e compatíveis com Nessa caminhada, também foi fundado, em 1926,
as possibilidades de cada uma e de cada um. Dessa for- o Instituto Pestalozzi, especializado no atendimento às
ma, todas e todos têm participação ativa no processo pessoas com deficiência mental. Quase duas décadas
de construção do conhecimento e, assim, sentem-se depois, em 1945, por intermédio da socióloga Hele-
parte do grupo. Portanto, todas as ações da e na escola na Antipoff, a instituição foi agraciada com o primeiro
inclusiva precisam ser pensadas pela via do respeito às atendimento educacional especializado às pessoas com
singularidades individuais. superdotação. Em 1954, surgiu a primeira Associação

2. Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva, Brasília. 2008. Disponível em < http://portal.mec.gov.br/
arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf>. Acesso em 15/11/2019.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 33


Fundamentos da Educação municipal

de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Nesse de- No contexto brasileiro, a Política Nacional de
correr, várias leis, decretos e convenções foram institu- Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclu-
ídos, viabilizando a ascensão da Educação Especial. siva (2008) assegura a inclusão escolar de estudan-
tes com deficiência, transtornos de espectro autista e
Deficiência ontem e hoje com altas habilidades/superdotação, público-alvo da
O conceito de deficiência se alterou ao longo da histó- Educação Especial. A política visa “promover o bem
ria. No início, prevaleceu a segregação e a exclusão, re- de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor,
gra que seguiu até a Idade Média; o segundo enfoque, idade e quaisquer outras formas de discriminação”
da integração, estendeu-se até o final do século XIX, (Art. 3º, inciso IV) e orienta os sistemas de ensino
quando se reconheceu que as pessoas com deficiência, para garantir acesso ao ensino regular desde a Edu-
embora com limitações, tinham capacidade de apren- cação Infantil até a Educação Superior. O marco legal
der, impulsionando o surgimento dos asilos e abrigos; e reformula o papel da Educação Especial, que passa a
o terceiro conceito, o da inclusão, derivou da valoriza- integrar a proposta pedagógica da escola certifican-
ção dos direitos das pessoas (Unicef, 1990), o que de- do-lhe um caráter transversal que perpassa todos os
terminou a necessidade de incluir a Educação Especial níveis e modalidades de ensino. Além disso, determi-
na Educação Básica regular. na o atendimento educacional especializado (AEE),
No tocante à terminologia, os avanços também um serviço especializado que tem como meta identi-
são notórios. No Brasil, a partir da década de 1980, ficar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de
mais especificamente por interferência do Ano Inter- acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena
nacional das Pessoas Deficientes, começou-se a utili- participação das alunas e dos alunos, considerando
zar a expressão “pessoa deficiente”. A combinação da suas necessidades específicas.
palavra “pessoa”, na função de sujeito, e do adjetivo É importante salientar que as atividades desen-
“deficiente” causou reações de surpresa e, aos poucos, volvidas no AEE não são as mesmas realizadas na sala
entrou em uso a expressão “pessoa portadora de de- de aula comum, não sendo substitutivas à escolariza-
ficiência”, frequentemente reduzida a “portadores de ção. O AEE complementa e/ou suplementa a forma-
deficiência”. Por volta da metade da década de 1990, ção das alunas e dos alunos com vistas à autonomia e
entrou em uso a expressão “pessoa (ou estudante) com independência na escola e fora dela. O AEE, portanto,
deficiência”, que permanece até os dias atuais. não é tampouco uma proposta pedagógica isolada.
Sendo um serviço de apoio, ele deve ser inserido no
Uma vida sem barreiras projeto político-pedagógico (PPP) para que possa ser
A Educação Especial é considerada pela Constituição conhecido e discutido por toda a comunidade escolar.
brasileira de 1988 parte inseparável do direito à Edu- De acordo com a Resolução nº 4/2009, Art. 5º, o AEE
cação. Diante desse panorama, a escola se define como é realizado, preferencialmente, na sala de recursos
instituição social com o dever de atender a todas as multifuncionais da própria escola, no turno inverso da
estudantes e a todos os estudantes, sem exceção, su- escolarização. Na ausência dessa sala, pode ser reali-
gerindo, assim, os tópicos primordiais para a edificação zado em outra escola de ensino regular ou em centro
de uma proposta inclusiva. Essa determinação legal de atendimento educacional especializado público ou
exige que a deficiência seja percebida com base em um privado sem fins lucrativos, conveniado com a Secre-
modelo social inclusivo. É preciso entender que, quan- taria de Educação. As ações realizadas no AEE devem
do uma criança com ou sem deficiência “não aprende”, ser estabelecidas pelo Plano de Desenvolvimento
a origem da questão não está em suas características Individual (PDI), documento elaborado pela professo-
intelectuais, mas, sim, em possíveis barreiras presentes ra, ou pelo professor, do AEE com o suporte da co-
na escola. Senão, o modo de entender e fazer Educação ordenação ou da orientação pedagógica, constituído
continuaria fundamentado na lógica do normal/anor- de uma parte destinada a avaliação diagnóstica e in-
mal, contrariando o princípio básico da inclusão, de que formes específicos da estudante, ou do estudante, e
todas e todos são diferentes, singulares e únicos. outra para a proposta de intervenção individualizada.

34 REFERENCIAL CURRICULAR
Entre as ações do AEE, inclui-se a necessidade de A escola inclusiva e o afeto
a escola e o corpo docente identificarem as diferenças A escola de Educação Básica, na concepção da Educa-
dos estudantes para atendê-los adequadamente, com a ção Inclusiva, é um espaço que privilegia as trocas, o
finalidade de promover o seu pleno desenvolvimento, acolhimento e respeita as diferenças, visando garantir
com base nas habilidades e competências deles e tendo o bem-estar de crianças, adolescentes, jovens e adultos
em conta a condição específica de cada um para reali- no relacionamento entre todas as pessoas. No contex-
zar determinadas tarefas. Nesse sentido, é importante to do Ensino Fundamental, a conexão com a Educação
que as professoras e os professores entrevistem pais Especial tem como finalidade educacional o desenvolvi-
ou responsáveis para conhecer o histórico das estu- mento global da estudante e do estudante. Especifica-
dantes e dos estudantes, além de manter contato com mente na fase voltada para a alfabetização, a atenção
os profissionais que os atendem (psicólogos, fisiotera- dispensada àquelas e àqueles com deficiência poderá
peutas, fonoaudiólogos, entre outros), com o intuito evitar sérios problemas em seu processo de aprendiza-
de estabelecer estratégias conjuntas para fortalecer o gem escolar, desde desajustes acadêmicos até uma futu-
desenvolvimento e a socialização. Esse contato vai ofe- ra evasão escolar.
recer os subsídios para que profissionais da Educação A inclusão da estudante e do estudante depende
conheçam aspectos sociais, familiares, emocionais e es- do desenvolvimento do processo afetivo, da inter-re-
colares. Com os dados coletados, de acordo com o Art. lação entre professor/aluno e da cumplicidade estabe-
9º da Resolução nº 4/2009, será possível elaborar um lecida no fortalecimento da autoconfiança e da auto-
planejamento pedagógico especializado e individualiza- estima de ambos para a construção do conhecimento,
do e colocá-lo em prática com o objetivo de atender às bem como a contextualização desse conhecimento na
demandas individuais, de forma a superar ou compen- cultura da estudante e do estudante, transformando-os
sar as barreiras de aprendizagem diagnosticadas, tanto significativamente dentro e fora da escola.
no âmbito da escola, da sala de aula e da família como A afetividade no processo de aprendizagem é va-
também da própria criança. liosa. Crianças e jovens precisam sentir-se parte do gru-
po, e a professora, ou o professor, é quem delibera isso.
Avaliação Uma intervenção eficaz e uma mediação coesa entre as
Nesse caminhar, ao final de cada período, a avaliação situações ocorridas e as atitudes desenvolvidas pela es-
deve descrever as conquistas da criança, os objetivos tudante, ou pelo estudante, é uma ponte para a aprendi-
alcançados, bem como de que forma as ações do AEE zagem e permanência na escola.
agiram no desempenho escolar. Percebe-se, portanto, Desse modo, é imprescindível que a professora,
que planejamento, intervenção e avaliação requerem ou o professor, olhe para cada estudante e valorize suas
um trabalho colaborativo constante entre o serviço de conquistas, por mínimas que sejam. Agindo assim, esta-
apoio e a sala regular. No entanto, é importante frisar rá respeitando as diferentes formas de ser e aprender,
que, apesar da importância do trabalho do AEE, a res- entendendo a complexidade e a não linearidade desse
ponsabilidade por todas as estudantes e todos os estu- desenvolvimento, rompendo com visões reducionistas
dantes na sala regular é da professora, ou do professor, que privilegiam ou a dimensão intelectual (cognitiva) ou
regente da turma. a dimensão afetiva (BNCC, 2017) e contribuindo para
Quem leciona na Educação Especial deve ter a formação e o desenvolvimento global dos indivíduos.
como base, além da sua formação inicial, a formação
continuada envolvendo conhecimentos específicos da BNCC é a base
área. Essa capacitação não apenas possibilita trabalhar A BNCC (2017), marco baseado no princípio da equi-
no AEE como permite aprofundar o caráter interativo dade, determina o conjunto de competências gerais que
e interdisciplinar da atuação nas salas comuns do en- as alunas e os alunos dos anos iniciais do Ensino Funda-
sino regular, ampliando elos com a professora, ou o mental devem desenvolver ao mesmo tempo que reite-
professor, regente e apoiando o acesso ao currículo de ra a necessidade de envolver todas e todos no mesmo
forma integrada, adaptada e não diferenciada. ambiente e em todas as atividades, de modo a promover

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 35


Fundamentos da Educação municipal

o diálogo, a valorização, o acolhimento e o respeito às Recursos acessíveis


diferenças e a favorecer que cada uma e cada um de- Oferecer material diversificado a todas as estudan-
senvolvam habilidades e competências, tendo em vista tes e a todos os estudantes, tais como livros, revistas,
as propriedades do aprender. De acordo com o referi- imagens, impressos, jogos, brinquedos e brincadeiras3,
do marco, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a amplia o espaço de aprendizagem, de relacionamento
proposta é a progressão das múltiplas aprendizagens, e parceria na sala de aula. A relação direta professor-
articulando o trabalho com as experiências anteriores -estudante é ampliada, tornando possível a interação e
e valorizando as situações lúdicas de aprendizagem, in- cooperação. No entanto, é importante frisar que, para
dicando a necessidade de conexão com as experiências que esses recursos tenham uma ligação com os bene-
vivenciadas na Educação Infantil. fícios, a professora, ou o professor, precisa definir os
Nesse decurso, o desenvolvimento do conheci- objetivos a ser alcançados e atentar para a organiza-
mento dá-se devido ao alicerce solidificado nas apren- ção do ambiente, além de preparar a aluna, ou o aluno,
dizagens anteriores, aliado à ampliação das práticas antecipadamente, a fim de evitar que o momento seja
de linguagem e da experimentação agradável e inter- visto apenas como lazer, e não como mais uma chance
cultural das crianças, levando em consideração os in- de construção do conhecimento.
teresses e as expectativas com relação ao que ainda
precisam aprender. Nessa etapa, também se alarga a Transição na escola e na vida
autonomia intelectual, a compreensão de regras e con- Além dos aspectos relativos à aprendizagem e ao de-
venções e o interesse pela vida social, o que viabiliza senvolvimento, é importante considerar ações que
a possibilidade de enfrentar sistemas mais complexos possibilitem a todos um percurso contínuo de apren-
relacionados às interações das pessoas entre si com o dizagens entre as duas fases do Ensino Fundamen-
ambiente, com a história, com a cultura, com a natureza tal, que garanta maior integração entre ambas. Essa
e com as tecnologias. transição implica mudanças pedagógicas na estrutura
É significativo que a professora e o professor educacional, consequência, especialmente, da dife-
conheçam seu público, reflitam sobre meios e modos renciação dos componentes curriculares. Conforme
de trabalhar os objetos de conhecimento de forma a salienta o Parecer CNE/CEB nº 11/2010, “os alunos,
considerar diferentes tipos de aprendizagem e, assim, ao mudarem do professor generalista dos anos ini-
incluir todas as estudantes e todos os estudantes, en- ciais para os professores especialistas dos diferentes
tendendo que uma sala de aula pode abrigar pessoas componentes curriculares, costumam se ressentir
com diferentes capacidades visuais, auditivas e cines- diante das muitas exigências que têm de atender,
tésicas, com questões de aprendizagem ou atenção, feitas pelo grande número de docentes dos anos fi-
culturalmente diferentes ou que preferem se expres- nais” (BRASIL, 2010). Portanto, efetivar as essenciais
sar oralmente – e todas e todos precisam ser atendi- adaptações e articulações, tanto no 5º quanto no 6º
dos. Um exemplo é o trabalho com a Matemática, no ano, para dar suporte às estudantes e aos estudantes
qual, às vezes, é possível utilizar diferentes estratégias nesse processo de transição, pode evitar interrupção
para chegar a um mesmo resultado. Ou seja, a profes- no processo de aprendizagem.
sora, ou o professor, terá a possibilidade de privilegiar Na fase da adolescência, que coincide com os
diferentes pontos de vista sobre um mesmo problema, anos finais do Ensino Fundamental e o Ensino Médio,
de forma colaborativa. Assim, a estudante e o estudan- a Educação Básica tem como finalidade educacional
te com deficiência estarão apoiados pelos demais, já a abordagem pedagógica direcionada para a intenção
que sua forma de pensar e ver o mundo será acolhida, de aguçar a autonomia e o protagonismo das estudan-
e todas e todos terão a oportunidade de desenvolver tes e dos estudantes. Em conexão com a Educação
as suas competências e habilidades. Especial, os fins devem ser os mesmos, inclusive pre-

3. Neste endereço é possível encontrar exemplos de brincadeiras inclusivas. https://diversa.org.br/relatos-de-experiencia/alunos-com-


sem-deficiencia-criam-brincadeiras-inclusivas-ensino-fundamental/

36 REFERENCIAL CURRICULAR
parar para o ingresso no Ensino Médio. No entanto, Inclusão na EJA
por tratar-se de uma fase de intensas combinações e Caso não tenha havido oportunidade ou continuidade
composições, que exigem um novo posicionamento de inclusão escolar na idade adequada, as adolescen-
diante das demandas pessoais e sociais, as professo- tes e os adolescentes devem ser inseridas e inseridos
ras e os professores devem esclarecer dúvidas sobre na Educação de Jovens e Adultos (EJA), não havendo
a sexualidade para conduzir de forma natural as ma- limite etário para tal, conforme define a Lei de Diretrizes
nifestações de adolescentes com e sem deficiência. e Bases (LDB), nos artigos 37 e 38. Já o parecer CNE/
Deve-se, portanto, respeitar sonhos, desejos e an- CEB nº 11/2000, da Câmara de Educação Básica do
gústias, numa construção dinâmica e perene. Conselho Nacional de Educação, interpreta a norma
Em toda a Educação Básica, as professoras e os do Art. 38 da LDB no sentido de que “os estudantes da
professores devem estabelecer, em sala de aula, um EJA também devem se equiparar aos que sempre tive-
clima propício e aberto ao pensar e à formulação de ram acesso à escolaridade e nela puderam permanecer”.
ideias. Para isso, vale usar procedimentos em que se- Portanto, trata-se de um grupo heterogêneo de jovens
jam mediadoras e mediadores do desenvolvimento da e adultos que lança para a professora e para o professor
criatividade da estudante e do estudante, propiciando o desafio de ensinar, por exemplo, o conhecimento cien-
oportunidades e concedendo tempo necessário para tífico para jovens e adultos com deficiência intelectual e
que ela e ele questionem, elaborem e testem suas hi- múltipla que avançam no tempo e apresentam acentua-
póteses, discordando e propondo soluções alterna- dos déficits em sua área cognitiva, com consequentes
tivas. É importante estimular a reflexão sobre o que déficits de aprendizagem no que se refere à apropriação
gostariam de aprender ou aprofundar, incentivando a dos conteúdos acadêmicos.
produzir prosa e poesia, a desenvolver trabalhos e di- O trabalho com estudantes com deficiência na
vulgá-los, nutrindo o desejo de arriscar e experimen- EJA deve ter foco na autonomia e na profissionaliza-
tar sem temor da opinião dos pares. A valorização da ção. Nesse caso, é indicada a prática pedagógica com
aluna e do aluno representa um elo para a aprendiza- atividades funcionais significativas, fundamentadas
gem e o desenvolvimento. na teoria educacional da psicologia histórico-cultural.

O direito à Educação
é constitucional
e não tem idade
(Foto: Semec/Wagner)

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 37


Fundamentos da Educação municipal

É preciso considerar que, principalmente na EJA, as por alguns elementos que possibilitem ver criticamen-
atividades práticas trazem mais envolvimento, signifi- te a Educação brasileira relacionada às relações étni-
cado e, consequentemente, aprendizagens. No entan- co-raciais que se estabelecem no país.
to, o trabalho somente com repetição não contribui O Brasil tem em sua história dois grandes marcos
satisfatoriamente para promover a autonomia, a inde- fundadores: a colonização portuguesa e a escravidão,
pendência de vida e a inclusão social das alunas e dos inicialmente de indígenas e posteriormente de negros.
alunos com deficiência intelectual e múltipla. Esses marcos históricos vão definir a construção do
Embora exista uma variedade relevante de bons país e, consequentemente, os rumos da cultura e da
materiais organizados pelo Ministério da Educação Educação brasileiras.
(MEC), o conjunto de aprendizagens essenciais que A legislação educacional tinha uma visão muito
estudantes da EJA vão desenvolver deve ser pensa- específica acerca da população negra4 utilizada como
do e discutido entre o corpo docente e a coordenação massa escrava, oriunda do continente africano. Ela era
pedagógica de acordo com o perfil das alunas e dos vista apenas como objeto de produção, destituída de
alunos. alma e de direitos – um deles, a proibição de ingresso
A fim de garantir a qualidade educacional à ado- nos espaços escolares oficiais públicos. Cruz (2005)
lescente e ao adolescente com deficiência que curse enfatiza:
a EJA, sobretudo na escola regular, são necessários
o acompanhamento e a parceria entre pais, escola e Os mecanismos do Estado brasileiro que impediram
poder público. Dessa forma, chega-se à pedagogia o acesso à instrução pública dos negros durante o
centralizada em cada uma e em cada um, respeitando Império deram-se em nível legislativo, quando se
a dignidade e as diferenças presentes na escola. proibiu o escravo e, em alguns casos, o próprio negro
Ao trabalhar com estudantes com deficiência, liberto, de frequentar a escola pública, e em nível prá-
é imprescindível não se fixar na síndrome ou no pro- tico quando, mesmo garantindo o direito dos livres de
blema individual. Em vez disso, o foco deve ser todo estudar, não houve condições materiais para a reali-
direcionado ao desenvolvimento, e não às limitações. zação plena do direito.
Fica clara a necessidade de dar vez e voz a elas e a eles
e perceber suas ânsias com base em suas próprias pa- Apesar da negação do direito à Educação de es-
lavras e, desse modo, precisar até que ponto, de fato, cravizadas e escravizados e libertas e libertos, houve
está acontecendo a aprendizagem. E ir além intensifi- inúmeras iniciativas individuais e coletivas para mu-
cando a adequação de valores culturais como alicerce danças tanto na legislação quanto na condição da po-
de uma aprendizagem de fato eficiente. pulação para assegurar às negras e aos negros o direi-
to à “instrução pública”. Não se deve esquecer que a
história não é um caminho reto. Há um fio condutor,
1.6.2 Educação e as mas também há muitas costuras, tessituras, composi-
ções, resistências, tensões e negociações.
relações étnico-raciais
Uma marca profunda, contudo, persiste na so-
Como entender a realidade do cotidiano sem conhecer ciedade brasileira, que, mesmo após mais de 130 anos
o processo histórico que a constituiu? Por vezes, de- da Lei Áurea, ainda mantém, de forma estrutural, uma
cisões são tomadas e fenômenos sociais são julgados visão inferiorizada da população negra. Embora nume-
apenas pela forma como são reportados, mas seria ne- ricamente seja maioria, ela é apresentada como mino-
cessário mais estudo ou pesquisa para que as pessoas ritária no atendimento aos direitos enquanto cidadãs e
se manifestassem com segurança e com base em fatos cidadãos brasileiros.
que lhes ampliasse a visão. Por isso, é importante ex- Seguindo a linha cronológica da legislação e das

4. População negra entendida como o número de pessoas que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
se autodeclara preta ou parda e que compõe, oficialmente, os beneficiários de políticas públicas de ações afirmativas.

38 REFERENCIAL CURRICULAR
teorias educacionais brasileiras, houve a política euge- gislação e do processo histórico da população negra no
nista de 1929, com ênfase demarcada entre os objeti- Brasil para refletir sobre o papel da comunidade escolar
vos que cabiam à Educação: os que deveriam aprender na mudança desse processo de invisibilidade. Como os
para mandar e os que deveriam aprender para se apri- profissionais da Educação pertencentes ao Arranjo de
morar no trabalho. “Segundo as teorias vigentes, os Desenvolvimento da Educação da Chapada Diamanti-
filhos da elite teriam uma tendência natural à virtude, na e Regiões vão aceitar esse desafio? Como inserir, no
enquanto os filhos da maioria, das ‘classes perigosas’, âmbito de todo currículo escolar, a discussão da temá-
seriam propensos à vagabundagem, ao crime, ao alco- tica étnico-racial com uma abordagem que contemple
olismo, à ignorância” (XENOFONTE, 2017). a diversidade existente no espaço geográfico em que
As iniciativas dos movimentos sociais negros ao estão inseridas as unidades de ensino? Incluindo:
longo de 500 anos sempre foram de combate às injusti-
ças e de luta para a melhoria da condição da população [...] aspectos da história e da cultura que caracterizam
negra. Vale destacar a Frente Negra Brasileira (FNB), a formação da população brasileira, a partir desses
em São Paulo, nos anos 1930, e o Teatro Experimental dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da
do Negro (TEN), no Rio de Janeiro, em 1944. Ambos África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos in-
tinham a Educação como base de suas atividades. A dígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira
iniciativa individual ou de instituições sempre teve a e o negro e o índio na formação da sociedade nacio-
alfabetização e a Educação escolar e profissional como nal, resgatando as suas contribuições nas áreas social,
atividades fundamentais. econômica e política, pertinentes à história do Brasil
Por volta dos anos 1960, houve uma amplia- (BRASIL, 2008).
ção do número de vagas nas escolas públicas (CRUZ,
2005), o que possibilitou o ingresso de um grande con- Todo referencial é um norteador, e não uma
tingente de pessoas de classes menos favorecidas. Na receita a ser aplicada. Portanto, é importante ter co-
década seguinte, foi promulgada a Lei nº 5.692/71, de nhecimento sobre a constituição populacional. É dele
Diretrizes e Bases da Educação, que apresenta a obri- que virão os subsídios culturais orientadores para a
gatoriedade da Educação para crianças a partir dos 7 elaboração dos documentos que norteiam a proposta
anos. A universalização efetiva-se na Constituição de curricular do município e das escolas, com atenção aos
1988, que estabelece que a Educação é um direito de conhecimentos produzidos que emergem no cotidiano
todos. A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 – das comunidades. Nele aparecerão as contradições,
também Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacio- as desigualdades e as questões individuais e coleti-
nal (LDB) –, teve os artigos 26 e 26A regulamentados vas marcadas pelos preconceitos, estereótipos e pelo
pela Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, alterada racismo estruturante da sociedade brasileira. Esses
pela Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Esses dis- momentos de tensão servirão de material para a ela-
positivos tornaram obrigatória a inclusão da história e boração de questões socialmente vivas – ou seja, abor-
da cultura afro-brasileira e indígena no currículo oficial dagens contextualizadas de problemas reais e comple-
das redes de ensino. xos, que levarão a uma formação crítica da realidade e
Essa obrigatoriedade possibilitou o aumento de devem ser tratados de forma interdisciplinar, deman-
oferta de formações específicas lato e stricto sensu, dando uma integração entre as professoras e os pro-
bem como a produção de uma enorme quantidade de fessores e um planejamento conjunto.
materiais didáticos que enfatizam essa temática. Após Os conteúdos do componente Educação Física
17 anos em vigor, o país ainda encontra-se na tenta- propõem discussões de questões de cunho psicológico,
tiva de implementar essas diretrizes, pois há vários cultural, ambiental, afetivo e social e o conhecimento e
desafios nesse processo, alguns de cunho estrutural, a elucidação da realidade, numa perspectiva de trazer
outros de cunho político-administrativo – e muitos de à tona histórias de vida socialmente silenciadas, en-
cunho pessoal. quanto o Ensino Religioso propõe a superação de pre-
Neste momento, deixa-se de lado a esfera da le- conceito, bem como mostrar que existem diferentes

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 39


Fundamentos da Educação municipal

modos de encontrar sentido para a vida, para a morte Os povos e comunidades tradicionais são grupos cul-
e para o transcendente. A Matemática aponta que não turalmente diferenciados, que têm condições sociais,
há apenas um meio de resolver um problema, pois exis- culturais, econômicas e ambientais próprias. Organi-
tem várias estratégias que podem ser utilizadas. Já no zam-se, total ou parcialmente, por seus próprios cos-
componente História, além de conhecer e tentar en- tumes e tradições, ou por legislação específica. O seu
tender os processos que ocorreram desde tempos re- modo de vida e suas instituições são distintos dos da
motos até a atualidade, há a proposta do diálogo entre sociedade em geral, o que faz com que estes grupos se
a escola, o currículo e a realidade social, enfatizando as autorreconheçam portadores de uma identidade pró-
categorias como o tempo, a memória, o passado e a cul- pria. Assim é que os membros do povo ou comunidade
tura, apenas para citar alguns exemplos de diálogo com geralmente se referem “aos de dentro” e “aos de fora”
o conteúdo apresentado e a temática em foco. É bom e, não raro, possuem línguas e costumes específicos.
enfatizar que essa temática perpassa toda a Educação, Na maioria dos casos, a identidade das populações
da Educação Infantil aos ensinos Fundamental e Médio tradicionais está associada também a uma identidade
e à Educação de Jovens e Adultos. étnico-racial negra ou indígena.
Portanto, a ação da professora e do professor em
sala de aula é de uma escuta sensível, de uma busca de Os povos e comunidades tradicionais mantêm rela-
materiais didáticos que contemplem a pluralidade de ções específicas com o território e o meio ambiente.
visões de mundo. Uma pesquisa de materiais didáticos, O modo de vida tradicional respeita o princípio da
textos e história em fontes diversas, que possibilitem a sustentabilidade, assegurando a sobrevivência da ge-
ampliação do conhecimento, poderá levar a estudante ração presente sob os aspectos físico, cultural e eco-
e o estudante a saber que a história do povo negro no nômico e oferecendo as mesmas possibilidades às ge-
Brasil não tem início com a vinda deles na condição de rações futuras. Os povos e comunidades tradicionais
escravizados, mas que o continente africano, enquan- também ocupam áreas de modo não exclusivo, para a
to “berço da humanidade”, encerra em si uma gama de realização de atividades tradicionais e de subsistência,
saberes e que muitos foram empregados e recriados tendo o direito de acesso assegurado pela Convenção
em solo brasileiro. Certamente, precisam ser apresen- 169 da OIT (Art. 14, parágrafo 1º, grifo do autor).
tados e visibilizados no cotidiano escolar.
Produzir conhecimento foi e sempre será um de- O entendimento e a apropriação dos elementos
safio. Cabe às educadoras e aos educadores estudar e que constituem os povos tradicionais e suas comunida-
pesquisar para conhecer novos elementos que subsi- des são importantes para reconhecer a perpetuação do
diem sua atuação em sala de aula. O Referencial Curri- fazer, do elaborar e do reelaborar tecnologias e formas
cular tem essa função: apontar direções. de modificação da realidade, bem como a manutenção
e permanência dos seres humanos com base no conhe-
cimento e manejo do ambiente onde estão inseridos.
1.6.3 Povos e comunidades Esses elementos culturais precisam ser visibilizados
para entrar no cotidiano e no currículo escolar. Para
tradicionais
que isso ocorra, é necessário conhecer a legislação que
Cada ancião que morre ampara e protege esses conhecimentos.
é uma biblioteca que queima. No saber de como são constituídos os povos tra-
Amadou Hampâté Bâ (1901-1991), dicionais e as comunidades, há uma ênfase no espaço
escritor malinês por eles habitados.

Tradição pressupõe conhecimentos transmitidos de As relações específicas que os povos e comunidades


geração para geração, plasmados na comunidade que tradicionais mantêm com as áreas que ocupam e os
os constituiu. A Cartilha dos Direitos dos Povos e Comu- recursos ambientais que utilizam fazem com que essas
nidades Tradicionais (Bahia, 2012) assim os define: terras passem a ter a qualificação específica de terri-

40 REFERENCIAL CURRICULAR
A tradição dos povos
como conteúdo
educacional
(Foto: Semec/Wagner)

tório. Constituem território tradicional as áreas uti- rurais e do MST; os movimentos migratórios campo-ci-
lizadas de forma permanente ou temporária, ou seja, dade; as organizações do terceiro setor; a violência e
ocupadas e tradicionalmente utilizadas, incluindo-se as drogas no espaço rural; os impactos ambientais; o
as quais os povos e comunidades tradicionais não têm turismo e a sustentabilidade; o agronegócio e seus im-
acesso exclusivo e de cujos recursos ambientais de- pactos; o garimpo e seus impactos; a energia eólica e
pendem, compreendendo porções de terra, mangue, seus reflexos na região; as cerâmicas, as carvoarias, a
rio e mar (BAHIA, 2012, grifo do autor). extração de areia e seus impactos na região; os quilom-
bos na região; o processo de alfabetização geográfica;
Na Comissão Estadual para a Sustentabilidade as experiências individuais e coletivas em diferentes
dos Povos e Comunidades Tradicionais (CESPCT), há contextos espaço-temporais que irão influenciar sig-
representações de povos indígenas (com legislação nificativamente a forma de leitura, interpretação e
própria disponível em portal.mec.gov.br/educacao-indi- compreensão da realidade. É importante incluir o es-
gena), povos de terreiros, povos ciganos, comunidades tudo de obras de autoras negras e autores negros e de
quilombolas, comunidades de fundo e fechos de pasto, figuras de destaque da história local para que as alunas
comunidades de pescadores e marisqueiras, comunida- e os alunos se sintam representados de forma positiva.
des extrativistas e comunidades de geraizeiros. Mas não se pode esquecer que a maior representação
Em dados informados pelos municípios que com- deve ser das pessoas que, em seu cotidiano, mantive-
põem o ADE Chapada Diamantina e Regiões, consta- ram as tradições vivas. É imprescindível a ênfase na
ta-se a existência de traços remanescentes de povos questão das mulheres na manutenção e preservação
indígenas na população, bem como forte tradição de dessas tradições. Pode-se observar mais diretamente
povos de terreiros. Há a presença de povos ciganos em esse fator nas comunidades de terreiros – incluindo as
vários municípios e comunidades quilombolas certifi- rezadeiras, as parteiras e as manipuladoras de ervas –
cadas ou não. Há comunidades de fundo e fechos de e nas comunidades das marisqueiras.
pasto, assim como comunidades de marisqueiras, pes- CIÊNCIAS A discussão contemporânea sobre as re-
O

cadores e assentados, que podem estar diretamente lações de gênero, feminicídios, violências no espaço
relacionados à Educação do Campo. privado e coletivo, lgbtfobia.
Nos componentes curriculares apresentados EDUCAÇÃO FÍSICA As questões culturais, ambientais,
O

neste Referencial Curricular, há inúmeras possibilida- psicológicas, afetivas e sociais.


des de constituição dos currículos escolares que con- EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS As vozes dos edu-
O

templem essa temática. Por exemplo: candos e das educandas; o fortalecimento da rela-
GEOGRAFIA E HISTÓRIA A discussão de assentamentos
O ções sociais, o respeito à identidade local, a Educação

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 41


Fundamentos da Educação municipal

voltada para o cotidiano, a valorização da diversidade Campo. Em se tratando de um território formado por
e das contribuições das culturas ancestrais e sua reli- municípios que têm grande parte da população resi-
giosidade; as histórias de vida socialmente silenciadas dindo em localidades rurais, as reflexões e constru-
e o conhecimento que emerge do grupo sociocultural. ções sobre seus processos educacionais precisam ter
MATEMÁTICA A aprendizagem por meio da resolução
O lugar de destaque.
de problemas. Para início de conversa, é importante consi-
ENSINO RELIGIOSO O respeito à diversidade religiosa
O derar que, nas últimas décadas, o Brasil vivenciou o
do Brasil; os valores culturais da sociedade e supe- surgimento do conceito da Educação do Campo em
ração de preconceitos. É importante demonstrar às contraposição à Educação Rural. A questão vai além
educandas e aos educandas e às profissionais e aos da nomenclatura, perpassa por uma mudança de pa-
profissionais da Educação que existem diversos e di- radigma e de concepção de Educação, fruto de mui-
ferentes modos de encontrar sentido para a vida, para ta luta dos movimentos sociais do campo. Com isso,
a morte, para o transcendente e, indubitavelmente, o levanta-se a bandeira de uma Educação voltada para
respeito ao conhecimento presente nos indivíduos de um território eminentemente diverso nas diferentes
cada grupo. dimensões: cultural, étnico-racial, de gerações, de co-
Cada comunidade tradicional desenvolveu e de- nhecimentos e saberes construídos e reconstruídos
senvolve a própria tecnologia, aqui entendida como pelo seu povo. Esse entendimento é muito diferente
um conjunto de técnicas, habilidades, métodos e pro- daquela ideia de Educação Rural vivenciada historica-
cessos usados na produção de bens ou serviços. Sua mente pelo país, que se referia apenas à localização
forma mais simples é o desenvolvimento e a utilização geográfica, rural, e à ideia de que nesse espaço rei-
de ferramentas. Ou seja, formas de resolver e solucio- nava o atraso e tudo o que era oposição ao sentido
nar problemas do cotidiano, elaboradas no exercício da do propagado desenvolvimento urbano. Entende-se,
sobrevivência. Essas tecnologias precisam ser valori- então, a Educação do Campo como aquela:
zadas e preservadas.
A apropriação de conceitos e perspectivas legais [...] construída num espaço de lutas dos movimentos
que embasam a discussão dos povos e comunidades sociais e sindicais do campo, é traduzida como uma
tradicionais, bem como o respeito às especificidades concepção político-pedagógica, voltada para dinami-
de suas organizações, tradições e conhecimentos, pos- zar a ligação dos seres humanos com a produção das
sibilitará que a escola dialogue com os indivíduos per- condições de existência social, na relação com a terra
tencentes a esses grupos, inserindo seus conhecimen- e o meio ambiente, incorporando os povos e o espaço
tos no currículo. A exemplo do que ocorre na Educação da floresta, da pecuária, das minas, da agricultura, os
de Jovens e Adultos, é possível perceber que, na coe- pesqueiros, caiçaras, ribeirinhos, quilombolas, indíge-
xistência de gerações distintas e com visões diferentes nas e extrativistas (CNE/MEC, 2002).
da realidade, há a possibilidade de um diálogo entre as
tradições desses povos, desde que sejam estimulados O direito à igualdade de oportunidades é uma
a respeitar a história de vida de cada um, dos conheci- bandeira defendida pelos movimentos que lutam pela
mentos e aprendizagens ao longo da vida. Essa troca Educação do Campo. O que seria esse direito em um
enriquecerá o próprio currículo. mundo em constantes transformações e mudanças,
principalmente em uma era pautada por tecnologias
digitais da informação e da comunicação? Quais as
1.6.4 Educação do Campo diversidades de cenários das localidades rurais dos
municípios da Chapada Diamantina e demais regiões?
Tecer a muitas mãos os referenciais curriculares do Quais os seus anseios e especificidades? Por quais difi-
ADE Chapada Diamantina e Regiões requer pensar culdades ainda passam? Quais marcos legais ancoram a
sobre as memórias e histórias desse lugar, bem como perspectiva da Educação do Campo?
sobre as bases em que se assentam a Educação do Essas são questões importantes para reflexão,

42 REFERENCIAL CURRICULAR
investigação e pontos de partida ao pensar nos refe- Comum Curricular (BNCC), homologada em dezem-
renciais que sustentam a Educação do Campo dessa bro de 2017, que destaca que, ao elaborar os currí-
região. Considerar esses aspectos significa tomar pé culos, os sistemas ou redes de ensino e as instituições
da situação e possibilitar produções que façam sentido escolares precisam contextualizar os conteúdos dos
para as suas populações. componentes curriculares tornando-os significativos,
considerando a realidade do lugar e do tempo em que
O campo na lei as aprendizagens se situam; decidir sobre formas de
Com relação às implementações da Educação do organização interdisciplinar dos componentes curri-
Campo, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Na- culares fortalecendo a gestão do ensino e da apren-
cional, nº 9394/96 (LDB), anuncia no seu Art. 28 que: dizagem, com estratégias mais dinâmicas, interativas
“Na oferta de educação básica para a população rural, e colaborativas; e selecionar e aplicar metodologias
os sistemas de ensino promoverão as adaptações ne- diversificadas que atendam às especificidades dos di-
cessárias à sua adequação às peculiaridades da vida ferentes grupos de alunas e alunos, suas famílias e suas
rural e de cada região, especialmente: I – conteúdos comunidades.
curriculares e metodologias apropriadas às reais ne- Para que, cada vez mais, o trabalho pedagógico
cessidades e interesses dos alunos da zona rural; II das escolas do campo seja qualificado, é importante
– organização escolar própria, incluindo adequação considerar as dificuldades e os desafios enfrentados
do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às nesse âmbito. Um deles é romper com o isolamento
condições climáticas; III – adequação à natureza do em que muitas educadoras e muitos educadores se
trabalho na zona rural”. encontram tanto geograficamente quanto pedagogi-
Este Referencial Curricular defende que a Edu- camente, possibilitando momentos para compartilhar
cação do Campo precisa ter sentido e relação com as experiências, diálogos e reflexões acerca das especi-
vivências e saberes construídos no território dos estu- ficidades do trabalho nas suas escolas. Outro ponto é
dantes e da comunidade, conforme afirma a LDB, mas buscar alternativas para superar a escassez de recur-
sem perder de vista o diálogo com os saberes cientifi- sos pedagógicos e acervo literário nessas localidades.
camente construídos historicamente. Também vale destacar que as educadoras e os educa-
Quanto a isso, a Resolução CNE/CEB 1, de abril dores precisam ser apoiados quanto à organização do
de 2002, que instituiu as Diretrizes Operacionais para planejamento de ensino em todas as áreas do conheci-
a Educação Básica nas Escolas do Campo, afirma em mento considerando as especificidades dos conteúdos
seu parágrafo único que: e a proposta pedagógica construída.
Todas essas questões levantadas perpassam a
A identidade da escola do campo é definida pela sua construção de uma política de formação continuada
vinculação às questões inerentes à sua realidade, an- em que os municípios organizem propostas de traba-
corando-se na temporalidade e saberes próprios dos lho prevendo momentos de encontro e partilha de ex-
estudantes, na memória coletiva que sinaliza futuros, periências entre os profissionais da rede que atuam em
na rede de ciência e tecnologia disponível na socieda- diferentes contextos, bem como momentos de inter-
de e nos movimentos sociais em defesa de projetos câmbio com a realidade do contexto da Educação do
que associem as soluções exigidas por essas questões Campo. A proposta de formação continuada precisa
à qualidade social da vida coletiva no país. favorecer, nesses encontros, os diálogos, os estudos e
a exploração de material, em articulação com a realida-
Vale destacar ainda a Resolução nº 2, de abril de do trabalho experienciado, da gestão da sala de aula
de 2008, que estabelece diretrizes complementa- e das aprendizagens das estudantes e dos estudantes.
res, normas e princípios para o desenvolvimento de É importante refletir que ainda encontram-se
políticas públicas de atendimento da Educação Bási- pelo país muitos problemas quanto à alfabetização ple-
ca do Campo. na das pessoas. O Plano Nacional da Educação (PNE)
Outro referencial a considerar é a Base Nacional estabelece como meta 9 “elevar a taxa de alfabetização

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 43


Fundamentos da Educação municipal

Conteúdos e organização
adequados ao campo
(Foto: Gabriela Astete/
Andaraí)

da população com 15 (quinze) anos ou mais para 93,5% Uma condição importante para a implementa-
(noventa e três inteiros e cinco décimos por cento) até ção dos referenciais curriculares é que as educadoras,
2015 e, até o final da vigência deste PNE, erradicar o os educadores e a comunidade conheçam os marcos
analfabetismo absoluto e reduzir em 50% (cinquenta legais que sustentam e dão diretrizes à Educação do
por cento) a taxa de analfabetismo funcional”. Vale a Campo. Parece óbvio, porque não é possível definir as
reflexão colocada pelo Anuário Brasileiro da Educação bases e cobrar com segurança o que não se conhece,
Básica de 2013: mas esse ainda é um desafio a ser encarado de frente,
possibilitando espaços e tempos para estudo e análise
A erradicação, até 2024, do analfabetismo absoluto dos aparatos legais, até para que as lutas por melhorias
no Brasil, meta estabelecida no PNE, ainda é um ob- aconteçam de forma mais substancial.
jetivo distante. Segundo as informações mais recentes Analisando a legislação, observa-se que muitos
da Pnad Contínua, 6,9% da população com 15 anos ou passos foram dados rumo à regulamentação e ao re-
mais ainda não está alfabetizada no Brasil. Nos últimos conhecimento do direito à Educação do Campo como
cinco anos, a média nacional não chegou a evoluir dois modalidade de ensino. Mas o fato é que ainda há muito
pontos percentuais. No Nordeste, o índice de alfabetiza- o que fazer no sentido do cumprimento da legislação,
ção é ainda inferior e 14,5% desse recorte populacional da garantia da infraestrutura básica e da qualificação
é incapaz de ler ou escrever o próprio nome. O desafio do trabalho pedagógico. No ADE Chapada Diamanti-
é maior no campo. O Brasil rural tem apenas 82,3% da na e Regiões, há políticas públicas e práticas docentes
população de 15 anos ou mais alfabetizada. muito satisfatórias com bons resultados de aprendi-
zagem na Educação do Campo, mas é preciso seguir
É preciso encarar que aumentar o tempo de es- investindo para que as qualificações aconteçam de for-
colarização e a garantia da alfabetização na idade certa ma geral, com eficiência e eficácia.
são direitos que precisam ser assegurados. Para o cum- Aliado ao conhecimento da legislação, é preciso
primento dos objetivos e metas do PNE, são necessá- que os documentos curriculares estejam pautados em
rias políticas públicas de âmbito nacional, estadual e premissas básicas como o respeito à diversidade cultu-
municipal de forma mais equitativa, evitando as desi- ral, social e geográfica do espaço em que a escola está
gualdades sociais que o sistema escolar brasileiro ainda inserida. Escolas reais se inserem em um dado lugar e
reproduz. Uma delas é a diferença de anos de escolari- tempo com suas memórias e histórias que precisam ser
dade média entre a população urbana e rural. consideradas e respeitadas. Como ensinam as lições de

44 REFERENCIAL CURRICULAR
Paulo Freire, que propôs uma pedagogia libertadora, as aprendizagens aconteçam de forma significativa.
a Educação se constrói sobre a autonomia do sujeito Tais considerações serão fundantes na elaboração de
com base na sua realidade e visão de mundo. planos que evidenciem as aprendizagens esperadas,
Freire (1996) também ensina que deve fazer par- os objetos de ensino e as situações didáticas voltadas
te da formação docente a discussão sobre as qualida- para a Educação do Campo.
des indispensáveis para uma prática pedagógico-pro-
gressista, que vai além de ciência e técnica, quais sejam:
1.6.5 Educação Quilombola
[...] amorosidade, respeito aos outros, tolerância, hu-
mildade, gosto pela alegria, gosto pela vida, abertura A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
ao novo, disponibilidade à mudança, persistência na (LDB), nº 9.394, de 1996, foi alterada pelas leis nº
luta, recusa aos fatalismos, identificação com a espe- 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que determinaram
rança, abertura à justiça [...]. a inclusão no currículo da rede oficial de ensino o es-
tudo da história da África e dos africanos e a luta dos
Tudo isso convoca a refletir sobre a compreen- povos negros e indígenas no Brasil. Decorrente da
são do perfil da educadora e do educador do campo, primeira alteração, foram emitidas pelo Conselho Na-
que, como bem coloca Molina (2011), “tem como pano cional de Educação (CNE) as resoluções CNE/CEB
de fundo a compreensão da educação como prática nº 8, de 20 de novembro de 2012, e nº 68, de 30 de
social; da necessária inter-relação do conhecimento; julho de 2013, que estabelecem normas e diretrizes
da escolarização; do desenvolvimento; da construção nacionais e no sistema estadual de ensino da Bahia,
de novas possibilidades de vida e permanência nesses respectivamente, para implantação e funcionamento
territórios pelos sujeitos do campo”. E sinaliza, ainda, das Diretrizes Curriculares para a Educação Escolar
que tais possibilidades demandam estratégias de cons- Quilombola na Educação Básica.
trução que contem com a atuação desses profissionais A Educação Escolar Quilombola (EEQ) é, portan-
comprometidos com as suas comunidades do campo. to, uma modalidade de ensino que modifica não apenas
É urgente, portanto, considerar tais possibilida- os conteúdos das escolas com esse perfil (situadas em
des elencadas anteriormente na implementação da territórios quilombolas), mas também das escolas que
política de formação da rede. Assim, a formação con- recebem estudantes oriundos dessas comunidades. A
tinuada será construída de forma a considerar os sa- mudança é estabelecida em toda a estrutura da esco-
beres das pessoas, possibilitar a construção e revisão la, tais como gestão, currículo, merenda, material pe-
de documentos curriculares que respeitem as diversi- dagógico e calendário escolar, que deve ser adequado
dades e identidades daqueles que constituem o terri- ao clima, à economia e às atividades socioculturais. É
tório e revisitar concepções e propostas pedagógicas. imprescindível que essas mudanças figurem na docu-
O objetivo é seguir avançando nos investimentos que mentação norteadora do funcionamento da escola,
mobilizem as aprendizagens docentes para que avan- como o projeto político-pedagógico (PPP) e o regi-
cem as práticas de sala de aula e, consequentemente, mento escolar, além de constar em todos documentos
haja progressão nas aprendizagens das estudantes e orientadores da gestão educacional municipal.
dos estudantes. A EEQ deve atender à realidade e às especifici-
Para tanto, é essencial a construção coletiva e dades presentes nas comunidades quilombolas tendo
colaborativa de projetos político-pedagógicos (PPP) como foco os marcos civilizatório e ancestral desses
que partam de diagnósticos, considerando a realidade grupos onde a escola está inserida. A legislação enfati-
em que a escola do campo está inserida, tendo clare- za o cuidado especial em relação ao transporte escolar,
za acerca da sua missão, visão, sociedade que quer se ao currículo, à gestão democrática – que precisa ser
formar, concepção de ensino e aprendizagem que se colaborativa e dialógica –, bem como à formação inicial
quer implementar. Essa construção convoca a organi- e continuada de docentes – que devem ser, preferen-
zação do plano de ação buscando estratégias para que cialmente, pertencentes à comunidade.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 45


Fundamentos da Educação municipal

A efetivação dessa modalidade de ensino está da sociedade brasileira e baiana (BAHIA,2013).


assentada em uma necessária e importante mudança Essa modalidade de ensino deve se articular com
de paradigma educacional. Ela se sustenta no diálogo as etapas e com outra modalidades, a saber: Educação
constante e proponente com as comunidades quilom- Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação
bolas, povos com tradições e conhecimentos ances- do Campo, Educação Especial, Educação Profissional
trais recriados e reconstituídos no fazer e na existên- Técnica de Nível Médio, Educação de Jovens e Adultos
cia da própria comunidade. Portanto, o conhecimento e Educação a Distância.
subjacente da comunidade é a matéria-prima para a As concepções apresentadas nos referenciais
constituição do fazer escolar em todas as suas ações. dos componentes curriculares estão diretamente as-
As profissionais e os profissionais das escolas inseri- sociadas às competências e habilidades presentes na
das no espaço quilombola ou que recebam estudantes Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as quais
oriundos delas precisam refletir, nos diversos segmen- podem ser constatadas em vários temas e conteúdos
tos da rede municipal de ensino (da Educação Infantil apresentados neste Referencial Curricular, tais como:
aos anos finais do Ensino Fundamental, incluindo a ARTES
O Fortalecimento dos sujeitos, dos contextos
Educação de Jovens e Adultos), a Educação estabele- e dos conhecimentos, como indica Milton Santos
cida tradicionalmente por e em cada comunidade. Vale (2000): “[...] uma identidade, o fato e o sentimento de
a pena ressaltar que cada comunidade tem sua espe- pertencer àquilo que nos pertence”.
cificidade, seus valores e seus conhecimentos preser- GEOGRAFIA A necessidade de articular o conhecimen-
O

vados ao longo de gerações. A escola precisa dialogar to da estudante e do estudante quando se propõe que
com essa cultura específica no intuito de preservá-la o espaço geográfico em que se vive é transformado
e dar importância aos elementos que diferenciam uma por meio das técnicas e do trabalho ao longo do tem-
comunidade das demais. po; e a reflexão acerca do espaço geográfico resultado
A EEQ dialoga diretamente com os princípios das inter-relações entre sociedade e natureza em sua
da Educação das relações étnico-raciais expressos no totalidade e complexidade, em um contexto historica-
Parecer CNE/CEB nº 16/2012, que apresenta ampla mente construído com base no estudo de categorias
discussão sobre a modalidade, analisando conceitos, como lugar, paisagem, território, religião e natureza.
aspectos históricos e a relação com as questões étni- CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO FÍSICA Postura investigativa
O

co-raciais dos povos tradicionais (disponível em bit.ly/ para o conhecimento de si mesmo e da comunidade,
cne-quilombola, acesso em 13/5/2020). De acordo o que leva à elucidação da realidade com base no co-
com a diretriz estadual derivada do parecer do CNE, nhecimento do próprio corpo e do corpo social, ou
a EEQ deve perpassar o conteúdo de todos os com- seja, como esse corpo é visto pela sociedade em seus
ponentes curriculares, alimentando-se da “memória vários aspectos – como se expressa em gênero, gera-
coletiva; das línguas reminiscentes; dos marcos civili- ção, religiosidade, sexualidade e culturalmente.
zatórios, da territorialidade, das práticas culturais; das HISTÓRIA, MATEMÁTICA E LÍNGUA PORTUGUESA Nas
O

tecnologias e formas de produção do trabalho; dos categorias de tempo, memória, passado e cultura;
acervos e repertórios orais; dos festejos, usos, tradi- na experiência de vida; na resolução de problemas
ções e demais elementos que conformam o patrimônio e no conhecimento do cotidiano; no contexto edu-
cultural das comunidades quilombolas de todo o país”. cativo que proporcione raciocinar, analisar, deduzir,
É importante assegurar as especificidades, as criar, resolver situações e buscar estratégias ado-
práticas socioculturais, políticas e econômicas, bem tadas por sujeitos leitores, escritores e falantes.
como os processos próprios de ensino e de apren- Essas são algumas das muitas articulações pos-
dizagem, as formas de produção e de conhecimento síveis e necessárias que podem ser realizadas para
tecnológico das diversas comunidades. A EEQ está elaborar um currículo interdisciplinar e multirrefe-
fortemente alicerçada na preservação do patrimônio rencial para efetivar a EEQ nas diferentes comuni-
da cultura afro-brasileira, cujo conhecimento é funda- dades dos municípios que compõem o ADE Chapada
mental para o entendimento da história e da formação Diamantina e Regiões.

46 REFERENCIAL CURRICULAR
1.7 Currículo
A partir de 2000, esse cenário transformou-se,
favorecendo a ideia de produção de conhecimentos de

e formação
forma colaborativa. Almejava-se um professor reflexivo,
pesquisador de sua própria prática e produtor de co-

continuada de
nhecimento e não mais um mero reprodutor de técnicas
– o que já vinha se buscando desde os anos 1990. Essa

educadores
maneira de conceber a formação docente, de modo
mais dialógico e reflexivo, toma como referência a ideia
da professora e do professor como sujeitos em constan-
Em 2017, a BNCC foi homologada no Brasil. Com te aprendizagem, o que significa compreender a forma-
isso, a elaboração ou reelaboração dos currículos mu- ção continuada como um processo com características
nicipais e estaduais tornou-se uma necessidade, jun- e finalidades próprias e não mais como um meio de su-
tamente com o processo de formação continuada dos prir as deficiências da formação inicial.
diferentes profissionais das redes para implemen- Nesse sentido, nas palavras do pesquisador es-
tação das novas diretrizes nas escolas. Essas duas panhol em formação docente Francisco Imbernón
demandas se inter-relacionam diante do desejo e da (2011) a formação :
necessidade em fazer com que os currículos sejam, de
fato, orientadores da prática docente e cheguem efe- [...] assume um papel que transcende o ensino que pre-
tivamente às salas de aula. O documento chamado de tende uma mera atualização cientifica, pedagógica e
currículo pode ser bem elaborado, envolver autoras e didática e se transforma na possibilidade de criar es-
autores com grande experiência na docência ou com paços de participação, reflexão e formação para que as
muito conhecimento no conteúdo e ancorar-se em pessoas aprendam e se adaptem para poder conviver
aportes teóricos reconhecidos. Mas, se professoras com a mudança e a incerteza. Enfatiza-se mais a apren-
e professores, coordenadoras pedagógicas e coorde- dizagem das pessoas e as maneiras de torná-la possível
nadores pedagógicos, diretora, ou diretor, e membros que o ensino e o fato de alguém (supondo a ignorância
da equipe técnica da Secretaria de Educação não se do outro) esclarecer e servir de formador ou formadora.
apropriarem e validarem o currículo via processos
formativos, ele tenderá a ser mais um entre tantos Por fim, mais recentemente, ao se compreender a
documentos já produzidos que acabaram esquecidos escola como um espaço intenso de formação e lugar de
nos arquivos e depósitos das instituições. vida, ampliou-se o foco da formação continuada passan-
Em uma rápida retrospectiva sobre a formação do a envolver outros profissionais da instituição, além
continuada no Brasil, é importante relembrar que a de professoras e professores. Percebeu-se que, para
principal corrente que circulava nos anos 1970 tinha tornar os espaços coletivos e colaborativos como poten-
como característica o oferecimento de atividades e cur- tes para a produção do conhecimento pedagógico, era
sos centrados basicamente na figura da professora, ou preciso olhar também para a coordenação pedagógica,
do professor. As propostas da época ofertavam proce- a diretoria e as equipes técnicas das secretarias e outros
dimentos, técnicas e modos de desenvolver processos profissionais que atuam direta ou indiretamente nas es-
educativos ditos de maior qualidade para que os pro- colas, atendendo às suas necessidades formativas.
fissionais “aplicassem” nas turmas. Ações como essas É nesse contexto que se insere a discussão sobre
se pautavam nas ideias de treinamento e capacitação a relação entre elaboração e implementação de currí-
como caminho para qualificar a docente, ou o docente, culos e a formação continuada. No entanto, ainda há
para sua atuação na prática, já que a formação inicial grandes desafios, resistências e obstáculos para que
era considerada insuficiente. As técnicas transmitidas essa perspectiva de formação dialógica e reflexiva as-
pouco se articulavam ao contexto, ao tempo, ao espaço suma de vez seu lugar nas redes de ensino.
e às relações sociais singulares. Professoras e professo- A concepção de formação continuada assumida
res eram considerados reprodutores de técnicas. neste documento considera as profissionais e os pro-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 47


Fundamentos da Educação municipal

fissionais da Educação como sujeitos produtores de ganham força e tornam-se um documento de apoio ao
conhecimentos que, enquanto atuam, refletem sobre fazer pedagógico. Para tanto, é preciso bem mais que
suas ações e interações com as alunas e os alunos e compreender o texto escrito do documento: é neces-
com os demais parceiros. Diante disso, sentem neces- sário estudá-lo para estabelecer as relações possíveis
sidade e desejo em partilhar as experiências vividas e entre a teoria e a prática; pensar em como fazer, e não
problematizar os desafios e dilemas enfrentados no apenas o que fazer; e considerar o que é esperado que
dia a dia, transformando a escola em um lugar de vida as crianças e os jovens aprendam de modo coerente à
– muito além, portanto, de ser apenas um lugar de concepção em que o currículo se apoia.
aprender (FRAUENDORF; PRADO, 2017). Um trajeto árduo, que certamente não se dará
Na perspectiva de formação continuada dialógi- em poucos encontros ou em palestras de profissionais
ca, a produção deste Referencial Curricular, realizado renomados em grandes auditórios, mas, sim, num cami-
em cooperação, é uma opção de algumas redes. Nessa nhar marcado por idas e vindas, pelo descrédito inicial
elaboração, participaram professoras e professores para a validação posterior diante das boas respostas
dos diferentes segmentos, coordenadoras e coorde- das alunas e dos alunos; um percurso em que o conhe-
nadores pedagógicos, diretoras e diretores e membros cimento vai se dando em colaboração e interação en-
das equipes técnicas, todos apoiados e orientados por tre todas e todos que participam do processo – equipe
um parceiro externo. Esse é o formato de trabalho gestora, docentes, alunas e alunos; um itinerário que
defendido pelo Instituto Chapada de Educação e Pes- compreende os sujeitos envolvidos como aprendizes,
quisa (Icep) que, ao longo de sua experiência em dife- que se arriscam a experimentar uma outra prática que
rentes territórios, compreendeu a importância da co- contribua para a melhoria dos processos de ensino e
autoria de documentos e de materiais didáticos como de aprendizagem das estudantes e dos estudantes da
uma estratégia metodológica de formação. Tomar rede. Ou seja, como afirma Soligo (2007)
decisões, por exemplo, sobre o que propor em sala de
aula, como organizar o documento e quais informações [...] o sujeito se forma a partir das oportunidades que
incluir são atividades formativas, uma vez que os parti- tem, aquelas que se convertem em experiências de
cipantes, com base no seu lugar de fala, precisam colo- aprendizagem de fato, a partir de sua história anterior,
car em jogo conhecimentos, rever ideias e concepções, do que valoriza e deseja, das relações que estabelece
refletir sobre a prática e interagir com os pares. Trata- com o outro.
-se de um movimento e uma mobilização na busca de
um denominador comum que reflita o que a rede dese- Enfim, é preciso criar uma cultura de formação
ja e entende ser necessário para que crianças e jovens que nasça do chão da escola, por uma real necessida-
aprendam e para que se formem cidadãs e cidadãos. de interior em comunhão à demanda de implementa-
É por meio de ações da formação continuada, ção de currículos e do ressignificar das práticas nas
articulada ao contexto da prática, que os currículos salas de aula.

Equipe docente dos


anos iniciais do ADE
Chapada Diamantina
e Regiões discute
o Referencial Curricular
GH*HRJUDĆD
(Foto: Dill Santos)

48 REFERENCIAL CURRICULAR
1.8 Ensino
fluência em moldar a opinião pública do que apelos à
emoção e a crenças pessoais”.

e aprendizagem
Há a solidificação de um ambiente social de cada
vez mais desconfiança, provocado pela quantidade de

na era das
informações diárias que qualquer pessoa recebe pe-
las mídias digitais, criando uma atmosfera promissora

mídias digitais
para a proliferação desenfreada de notícias falsas – ex-
pressão que acabou se consagrando em inglês, as cha-
madas fake news.
As reflexões que aqui se apresentam estão ancoradas É nesse contexto que as escolas estão inseridas e
em três tópicos importantes para ajudar a pensar os é dele que deverão ser extraídos os antídotos que virão
processos de ensino e aprendizagem na era das mí- por meio de uma prática pedagógica que priorize a for-
dias digitais: mação de crianças, jovens e adultos com base na lógica
o contexto social em que vivemos;
O da aprendizagem significativa e da ética verdadeira.
as dimensões de ensino e aprendizagem; e
O O segundo tópico – as dimensões de ensino e
as condições objetivas para a promoção
O
aprendizagem – pode ser analisado tanto pelo lado da
de um processo educativo atualizado. objetividade como pelo da subjetividade. A objetivida-
de relaciona-se com os processos de ensino, envolven-
O primeiro – o contexto social – tem várias abor- do práticas, didáticas, concepções, experimentos, ex-
dagens possíveis, mas aqui ficarão em destaque os periências e o fazer pedagógico, estruturados em uma
notórios avanços tecnológicos que acontecem em formação consistente, com clareza dos objetivos em
praticamente todas as áreas do conhecimento huma- que se deseja desenvolver a práxis pedagógica. Assim,
no. Com eles, nunca houve tantas condições materiais uma rede de ensino, uma escola e uma professora, ou
para que uma sociedade mais igualitária e confortável um professor, especificamente, têm condições concre-
fosse construída. As tecnologias de informação e co- tas de garantir um bom ensino.
municação (TICs) são o braço desse avanço que tem A subjetividade, por sua vez, relaciona-se com
estado em maior evidência, caracterizando, inclusive, a aprendizagem. Primeiramente, porque diz respeito
a era atual – a da informação. Contudo, os efeitos ge- àquele ou àquela que participa dos processos de en-
rados por essa revolução na área da comunicação são sino. O modo como cada sujeito internaliza e reelabo-
controversos, tanto que, em um contexto de muitas ra as informações é pessoal e envolve diretamente a
informações, emerge um mundo de desinformações leitura de mundo, o contexto social e o ambiente em
proporcionadas, principalmente, pelo modus operandi que cada um está inserido. Não há garantia de apren-
de lidar com as tecnologias digitais de comunicação. dizagem só com base no ensino. O que deve haver é
Vale esta analogia: a criação plural de ações para que cada uma e cada
um possa encontrar o ritmo e o modo de aprender
Um dos personagens mais queridos de nosso teatro próprios. Na era das tecnologias digitais, mais do que
é o Chicó, de O Auto da Compadecida, de Ariano nunca essa diversidade se faz imperial, pois o público
Suassuna. Sua marca é contar as histórias mais es- das escolas é formado pelos nascidos na era digital,
tapafúrdias e inverossímeis. Quando lhe perguntam pessoas familiarizadas com a velocidade e o dinamis-
como aquilo é possível, responde: “Não sei, só sei que mo no modo de pensar e viver, em que tempo e espa-
foi assim”. Mais pós-verdade impossível (D’ANCONA, ço parecem se encurtar.
2018). A promoção de um processo educativo atualiza-
do – o terceiro tópico – exige investimentos em vários
Pós-verdade é o conceito da vez. Segundo Priolli aspectos. Primeiramente, é necessário equipar as es-
(2017), trata-se de uma expressão que “denota cir- colas com aparatos tecnológicos, uma sala de aula em
cunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos in- que educandas, educandos e docentes tenham acesso

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 49


Fundamentos da Educação municipal

a tablets, smartphones, quadro digital e internet. Em protagonista dos processos educativos. A professora
nenhuma hipótese, o acesso a esses bens significa o e o professor, diante delas, vão incorporar a cultura, a
abandono de todo o arsenal analógico, como parques, história, a criatividade e a iniciativa, fazendo de cada
bolas, bonecas, tabuleiros de xadrez etc. A intenção equipamento um instrumento importante enquanto
é apenas enfatizar a necessidade de atualização dos suporte humano para o bom desenvolvimento dos
acervos escolares. Nesse sentido, esta reflexão anco- processos de ensino e de aprendizagem.
ra-se na quinta competência geral da Base Nacional
Comum Curricular (BNCC), que diz:

1.9 A construção
Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de
informação e comunicação de forma crítica, signifi-

do conhecimento
cativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais
(incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e

na Educação de
disseminar informações, produzir conhecimentos, re-
solver problemas e exercer protagonismo e autoria na

Jovens e Adultos
vida pessoal e coletiva (MEC, 2019).

Por isso, o acesso isolado não é suficiente. Para


processos de ensino e de aprendizagem atualizados, é Os documentos legais nacionais (BRASIL, 1988; 1996
necessário um bom investimento em formação docen- e 2010) explicitam o direito à Educação para todos,
te para que professoras e professores se familiarizem determinando que a Educação de Jovens e Adultos
com os aparatos; tenham capacidade de retroalimentar (EJA) deve ser ofertada como modalidade da Educa-
as informações, transformando-as em possibilidades ção Básica, favorecendo o respeito às especificidades
de aprendizagens; lidem com as infinitas possibilidades sócio-históricas daquelas e daqueles que sofreram
proporcionadas pela dinâmica das mídias digitais; inte- descontinuidade no acesso à escolarização ou a per-
rajam pedagogicamente com as educandas e os edu- manência nela nas temporalidades pertinentes.
candos num processo em que todas e todos aprendem Atualmente, a reflexão sobre a EJA e as condi-
de forma horizontal, criando as condições necessárias ções para a produção do conhecimento em seu con-
para que sintam-se pertencentes ao contexto e à reali- texto demandam às educadoras e aos educadores uma
dade que as alunas e os alunos trazem de casa. reconexão com concepções de mundo, sociedade, tra-
Dessa forma, promover processos de ensino e balho e escola – insumos que impactam o currículo e
de aprendizagem na era das mídias digitais exige uma devem ser concretizados na escola como experiência
ampla leitura tanto do mundo, que identifique concre- de Educação ao longo da vida (ARROYO, 2010).
tamente o ambiente social em que cada instituição está O entendimento adotado neste Referencial Cur-
inserida, como dos movimentos do pensamento huma- ricular considera o mundo mutável, dinâmico e contra-
no. Assim será tecida a configuração de um novo modo ditório. Com essa compreensão, os sujeitos são perce-
de ser na sociedade contemporânea. bidos como responsáveis por produções históricas e
Claro que isso só se dará se houver uma atuali- suas consequências reverberam em novas formas de
zação das práticas pedagógicas. Os aparatos tecno- organizações, leis, políticas, linguagens e práticas.
lógicos, então, servirão apenas para confirmar o pro- Contudo, ao construírem a existência, mulheres e
tagonismo da escola enquanto espaço educativo no homens produzem saberes e identidades, reinventam-
qual se ensina e se aprende de forma dinâmica e atua- -se e transformam a natureza, geram, retêm e/ou com-
lizada. Para tanto, as necessidades básicas de acesso partilham riquezas. Nesses emaranhados, elaboram
e formação permanente voltadas à nova tecnologia práticas produtivas em seus diversos níveis de com-
são fundamentais. plexidade, inventando o trabalho e o mercado além das
Vale lembrar que nenhuma tecnologia pode ser diversas estratégias inerentes ao mundo produtivo.

50 REFERENCIAL CURRICULAR
Em confluência com esses aportes sobre mundo, encaminhadas pela professora, ou pelo professor, ou
sociedade e trabalho, encontra-se a escola e o seu pa- pelas colegas e pelos colegas de turma.
pel social. Ela é concebida como locus de cidadania e de Nessa relação, discente e docente se articulam
produção/socialização de saberes; um contexto pre- para inventariar o já sabido, discuti-lo, problematizá-lo e
enchido pelos sonhos e pelas práticas dos que amam, ampliá-lo. Há um compromisso com aprendizagens mú-
leem, lutam, descobrem, brigam, superam injustiças e tuas e com o fortalecimento de cenários propícios para
apostam em uma vida melhor com projeto, direção, no- a criação de atitudes éticas na construção de uma au-
vas possibilidades e contribuições advindas, também, tonomia intelectual. Essa é a premissa dos fundamentos
das vivências escolares. para uma nova vivência reflexiva das relações sociais,
Nesse cenário, a EJA se apresenta como uma na qual o sujeito enfrentará os determinismos das con-
conquista dos movimentos sociais que lutam histori- dições sociais excludentes apropriando-se do conheci-
camente por políticas públicas de equidade para estu- mento que lhe permitirá melhores escolhas e ampliação
dantes de todas as idades e condições sociais; homens de participação social de forma transformadora.
e mulheres; adolescentes e jovens; adultos e idosos; Para que a efetividade de uma prática pedagógi-
população carcerária, comunidades indígenas e qui- ca implicada e ética aconteça, é necessário haver um
lombolas; pessoas com deficiência; trabalhadores e diálogo entre os referenciais curriculares específicos
seus descendentes e demais sujeitos de origem popu- para EJA com o projeto político-pedagógico da escola,
lar que foram alijados, na infância e em outras etapas documento que representa a identidade e os anseios
da vida, do direito à Educação escolar. da comunidade escolar. Também envolve a adoção
de uma gestão participativa e democrática da escola,
Construção do conhecimento na EJA com interação colaborativa entre os pares, e um forte
Quando se adota uma abordagem crítica (FREIRE, investimento na formação inicial e continuada das pro-
1987 e 1997; GADOTTI, 2013) e sociointeracionista fessoras e dos professores que atuam nesse segmento.
(REGO, 1999) de compreensão sobre a aprendizagem, Todavia, merece prioridade a elaboração de um
reconhece-se a importância do papel ativo do sujeito, fazer pedagógico que propicie a construção do conhe-
de suas relações com o contexto sócio-histórico e da cimento na EJA, valorizando as histórias de vida de seus
necessária qualidade da atuação intencional docente sujeitos, gerando fortalecimento da autoestima das alu-
para que as apropriações cognitivas aconteçam. nas e dos alunos, nutrindo de significados novos todos
Para atender ao perfil heterogêneo de estudan- os projetos de vida. Para isso, alguns desafios devem ser
tes nessa modalidade de ensino, as propostas para EJA tratados com sensibilidade e eficácia, tornando as con-
– delineadas no Documento Curricular Referencial da dições de aprendizagens mais favoráveis e, consequen-
Bahia (BAHIA, 2019), aprovado com a finalidade de temente, diminuindo fenômenos como a frequência in-
nortear a organização dos currículos das escolas pú- termitente, desmotivação e até a evasão.
blicas e privadas, no âmbito do Ensino Fundamental – Sobre os desafios didáticos para a promoção de
visam assegurar condições pedagógicas fomentadoras aprendizagens na EJA, com viés emancipatório, pode-
de apropriações conceituais, técnicas, literárias e so- -se salientar alguns aspectos inerentes às injunções
ciopolíticas aos quadros da EJA, valorizando intensa- curriculares, elencados a seguir.
mente sua diversidade.
Na perspectiva crítica de trabalho pedagógico, o Cuidado na seleção de conteúdos
currículo é vívido. Ele nasce da experiência, incorpo- e produção de materiais
rando os relatos, os silêncios e os saberes de todos os O trabalho na EJA requer sensibilidade e competência
participantes. Aprender se opera por meio de constru- técnica para extrair do cotidiano e do acervo científi-
ções interdisciplinares, de interações com os pares e co questões socialmente representativas, integrando
de indagações acerca do objeto do conhecimento, no conteúdos de distintas áreas do conhecimento com os
entanto, se potencializa com as mediações eficazes fei- saberes das estudantes e dos estudantes, superando
tas com boas escolhas didáticas e perguntas potentes as práticas disciplinares que apelam para a memória,

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 51


Fundamentos da Educação municipal

desprovidas de capital problematizador e reduzidas a Gestão do tempo em sala de aula


fatos, fórmulas ou informações. A proposta de vivências das temporalidades na EJA
Além de bons conteúdos, boas temáticas e situ- deve considerar os ritmos e tempos próprios de
ações-problema, propostas de indagações instigantes aprendizagens e de imersão nos ritos da escola por
e projetos de aprendizagem desafiadores, faz-se ne- seus sujeitos. Desse modo, o tempo pedagógico
cessário uma atenção especial à produção de materiais pode ser um grande aliado da aprendizagem na EJA.
com abordagens pertinentes aos interesses do público A integração de momentos distintos, que englobem
da EJA, superando escolhas desprovidas de sentido oportunidades diferentes para valorizar a heteroge-
que infantilizam a turma. Jovens e adultos possuem neidade mencionada, deve ser cuidadosamente con-
acervos pessoais complexos, com vivências culturais, siderada no planejamento de cada encontro ou turno
religiosas, familiares, laborais e outras que influenciam de atividade didática.
a atração por abordagens que permitem a reflexão so- Ao planejar, a docente, ou o docente, pode va-
bre diversos aspectos do cotidiano, a poesia, a música, lorizar a gestão do tempo, dosando, distribuindo ou
as tecnologias, as condições de trabalho e os direitos combinando atividades mais leves com propostas
do trabalhador, entre outros, com enfoques que po- mais complexas. Exemplos:
dem envolver gênero, sexualidade, usos autorais das escuta dos sujeitos, valorizando seus
O

tecnologias e descobertas realizadas dentro e fora da conhecimentos prévios;


sala de aula. apresentação de casos ou situações-problema;
O

leitura ou momento para pensar individualmente


O

Organização da sala de aula sobre o que está posto;


Na EJA, é fundamental a proposição de oportunidades escrita das ideias selecionadas/elaboradas;
O

variadas de situações de aprendizagem nas quais os su- apresentação dos achados individuais às colegas
O

jeitos se encontrem, interajam e escutem. Por isso, a po- e aos colegas, na roda de partilhas; e
sição do mobiliário escolar deve assegurar esse contato. mediação docente com a recomendação dos
O

Assim, as estudantes e os estudantes vivenciam posi- próximos procedimentos de estudo para


ções, deslocamentos e perspectivas diferentes sobre o contextualização/descontextualização e
ambiente de aprendizagem e seus pares. É possível or- aprofundamento nas aulas seguintes.
ganizar as carteiras de formas diferentes dependendo
do planejamento das aulas. Por exemplo: para práticas Processos de avaliação
leitoras em todas as áreas, com leitura em voz alta pela Não poderia faltar um cuidado especial com a avalia-
docente ou pelo docente, as carteiras podem ser organi- ção da aprendizagem na EJA, considerando o caráter
zadas em forma de U; estudos em duplas ou em grupos, sociointeracionista adotado nesta proposição, pois a
com carteiras agrupadas com duas, três ou quatro uni- concepção de aprendizagem se expressa como recons-
dades; compartilhamento de aprendizagens, em roda. truções contínuas. Logo, a ideia de avaliação deve ser di-
Além disso, a sala de aula pode conter as memó- ferenciada, qualificadora e não excludente, valorizando
rias e as produções autorais elaboradas pela turma: as experiências de autoavaliação discente e a promoção
paredes, cantos, estantes com periódicos, avisos, pro- de práticas avaliativas nas quais se recolhem evidências
vocações, pinturas, notícias, “correios de bilhetes ou por meio de observações, falas das estudantes e dos
zaps impressos”, banner com resultados de pesquisas estudantes, participações, produções escritas e artís-
e receitas partilhadas; armários com objetos visuais, ticas, entrevistas e apresentações verbais. As formas
vasos de flores, livros clássicos acessíveis para leitura convencionais de coleta de informação baseadas em
e vivências de tertúlias literárias. Esses são apenas al- erros e acertos não combinam com essa proposta mais
guns exemplos que podem qualificar o locus de apren- complexa, com um público diferenciado. A avaliação re-
dizagem na EJA com uma estética que favoreça “o quer ousadia de investimento científico e pedagógico
querer ficar na escola”, tornando-a atrativa para novas para ajudar jovens e adultos a avançar com aprendiza-
explorações e aprendizagens. gens mais significativas, relevantes e emancipatórias.

52 REFERENCIAL CURRICULAR
Com os aspectos apresentados neste texto, pro-
cura-se atrair para a centralidade a discussão sobre a
construção do conhecimento na EJA. Buscou-se tam-
bém contemplar estudos contemporâneos (ARROYO,
2010) que apontam a necessidade de promover uma
Educação Integral, que articule distintas dimensões do
desenvolvimento dos sujeitos. Um conjunto de ações
institucionais, individuais e sociais que perpassa o cur-
rículo deve transformar-se em prática comprometida
com as estudantes e os estudantes socialmente mais
vulneráveis, que carregam marcas de enfretamentos O trabalho docente aposta na capacidade
e invisibilidade ao longo de sua história – característi- das estudantes e dos estudantes
(Foto: Bruno Viana/Canarana)
cas que antecedem a matrícula em uma classe de EJA
(ARROYO, 2010) –, desafiando a sociedade a lhes res-
tituir um pouco do que fora subtraído em seus percur- escola é um lugar que agrega muitas possibilidades re-
sos de vida e na produção do conhecimento. Com isso, ais de trocas com intencionalidades pedagógicas, favo-
espera-se que esses percursos sejam reconstruídos recendo a criação de formas de aprender.
com mais subsídios, para que todas e todos possam Nessa perspectiva, os ciclos de aprendizagem
romper, com êxito, as muitas assimetrias sócio-históri- são apresentados como conjuntos de manifestações
cas às quais foram submetidas e submetidos. singulares e individuais dos sujeitos sobre percursos
de apropriação do conhecimento, derivados de inte-
rações sociocognitivas e de novas sistematizações. Ao
percorrer um ciclo de aprendizagem, o sujeito se habi-

1.10 Os ciclos de
lita em escalada ascendente a viver um próximo ciclo
mais desafiador, no qual vai testar estratégias conhe-

aprendizagem e
cidas e/ou construir outras mais adequadas às neces-
sidades do contexto.

os desafios do
Quando a escola considera a importância de res-
significar as concepções de tempo, espaço e relações

trabalho docente
socioeducativas, além de valorizar em cada sujeito as
especificidades cognitivas, sociais, emocionais, entre
outras dimensões, ela está exercendo sua função social
Abordar os ciclos de aprendizagem implica conside- inclusiva. A instituição reconhece, assim, que todas e to-
rar as contribuições do pensamento de teóricos como dos aprendem, mas em ritmos, condições e expressões
Vygotsky (1991 e 2000), que ajudam educadoras e distintos, admitindo que os tempos de aprendizagem
educadores a compreender a aprendizagem como são diferentes para cada pessoa. Cabe à escola, desse
resultado de percursos de apropriação e construção modo, garantir que as estudantes e os estudantes vi-
do conhecimento. A concepção de aprendizagem que venciem ciclos de aprendizagem (BARRETO e MITRU-
orienta uma escola apostando nas capacidades das es- LIS, 2001) que, por sua vez, favoreçam a progressão
tudantes e dos estudantes e valorizando os processos por meio de condições de apropriação que possibilitem:
construídos por suas interações com o meio e com ou- elaborar um conhecimento com base em outro
O

tros indivíduos se pauta em trocas, em mediação e em já conhecido;


desenvolvimento da autonomia. compartilhar sua experiência com as dos colegas;
O

A obra de Vygotsky (1991 e 2000) destaca a im- reagir às questões de mediação formuladas
O

portância das interações sociais, culturais e históricas pela docente, ou pelo docente; e
nos processos de aprendizagem. Nessa concepção, a elaborar as próprias questões e estratégias.
O

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 53


Fundamentos da Educação municipal

Assim, é preciso considerar que as classes es- O papel da mediação docente


colares são heterogêneas e que, mesmo em escolas A mediação docente é essencial na qualificação das
com currículos organizados em bimestres, trimestres relações que promovem aprendizagens. Ela contribui
e anos, os sujeitos vivenciam ciclos próprios de apren- como a passagem das estudantes e dos estudantes de
dizagem, que compreendem experiências anteriores ciclos menos complexos para aqueles de compreensão
à entrada na escola, assim como vivências inerentes à mais profunda ou com relações mais refinadas.
própria escolarização. A docente, ou o docente, ao mediar, faz perguntas,
intervenções, reorganiza abordagens, promove agru-
Acompanhamento da estudante pamentos produtivos, orienta leituras, cria trilhas desa-
e do estudante nos ciclos fiadoras de estudo e coloca as crianças como agentes
O acompanhamento dos percursos das estudantes e que investigam, descobrem e se apropriam do conheci-
dos estudantes consiste em uma etapa muito impor- mento. A mediação docente faz o mapeamento do que
tante para a aprendizagem. Isso requer reconheci- deve ser melhorado, identifica a realidade como des-
mento e valorização dos conhecimentos prévios das contínua, opera nas necessidades dos sujeitos, conecta
alunas e dos alunos. o currículo escolar às histórias, linguagens e expectati-
Considerando como ponto de partida o que já se vas de cada uma e cada um, favorecendo trocas e cons-
sabe, as experiências e o que se quer alcançar, o diá- trução de atitudes colaborativas de pesquisa.
logo entre professoras e professores para a proposi-
ção colaborativa de projetos comuns, institucionais e Parceria professor/coordenador
específicos torna-se mais significativo e um bom cami- Com a importante parceria entre professor e coorde-
nho para a construção do conhecimento, uma vez que nador, o acompanhamento e o monitoramento de pro-
construir percursos com base no que já se sabe e re- cessos e resultados podem ser reveladores, respon-
alizar ampliações possibilita novas aprendizagens em dendo conjuntamente a questões como:
todos os ciclos. Quais aprendizagens devem ser conquistadas em
O

No acompanhamento, é muito importante a do- leitura, em escrita, em cálculo, em resolução de pro-


cente, ou o docente, identificar o que foi conquistado blemas?
pela estudante e pelo estudante, assim como o que Estudantes e famílias percebem a aprendizagem
O

ainda deve ser alcançado. Cada sujeito expressa sua como trajetória?
compreensão acerca dos objetos do conhecimento e A equipe pedagógica olha a aprendizagem como per-
O

as habilidades inerentes às propostas. Garantir o espa- curso?


ço para essa fala torna a aluna e o aluno mais seguros e Como organizar uma proposta para a promoção, su-
O

autônomos no uso de determinadas informações. perando a cultura da retenção?


O trabalho na perspectiva dos ciclos de apren- Os ciclos das aprendizagens, portanto, transcen-
dizagem pressupõe que as crianças sempre avançam, dem a organização escolar, seja ela seriada ou ciclada.
mas precisam de atenção pedagógica direcionada para Eles são inerentes aos sujeitos e devem ser conside-
realizar conquistas de apropriação conceitual e desen- rados na proposta de progressão continuada para
volvimento de habilidades. Nesse sentido, a avaliação aprender. Com esses pressupostos, avalia-se para con-
deve ser utilizada para identificar as necessárias mu- quistar a aprendizagem e possibilitar à estudante e ao
danças de rota no trabalho docente de modo a ajudar estudante um fluxo de promoção, com consistência, de
as estudantes e os estudantes em suas elaborações. maneira contínua e formativa.

54 REFERENCIAL CURRICULAR
Concepção de escola

2 Pressupostos
norteia o trabalho
pedagógico (Foto: Gillian
Medeiros/Souto Soares)

teórico-metodológicos
das práticas pedagógicas
A prática pedagógica é configurada por decisões
que resultam em ações concretas ligadas à ges-
tão do tempo, à seleção de conteúdos, à relação com
Tais decisões são tomadas por agentes perten-
centes a diferentes instâncias da esfera educativa
(professoras e professores, gestoras e gestores das
as alunas e os alunos, à utilização dos espaços, aos en- escolas, equipes técnicas e representantes do poder
caminhamentos e à escolha de materiais. público) e refletem, invariavelmente, os objetivos edu-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 55


Pressupostos teórico-metodológicos das práticas pedagógicas

cacionais, sejam eles explícitos ou latentes. Em outras Em concordância com Gómez (1998), acrescenta-
palavras, os mecanismos e os procedimentos adotados -se às funções anteriormente descritas a de compensa-
trazem uma concepção sobre a função da escola. tória, que consiste em atenuar os efeitos da discrimina-
Por isso, refletir sobre os pressupostos teóricos e ção, da desigualdade e da injustiça. Para que isso ocorra,
sobre as metodologias deles decorrentes é crucial para é crucial que a escola desempenhe este outro papel: o
que as educadoras e os educadores se conscientizem, de reconstruir conhecimentos, atitudes e formas de
analisem o fazer pedagógico e façam escolhas coeren- conduta assimiladas direta e acriticamente pelas alu-
tes com o tipo de cidadão que pretendem formar. nas e pelos alunos nas práticas sociais anteriores e pa-
Uma reflexão consistente sobre os pressupostos ralelas à escola. O acesso à informação pelos meios de
teórico-metodológicos demanda olhar para diferentes comunicação e as interações sociais vão arraigando no
aspectos do currículo, para além da seleção e da orga- indivíduo concepções ideológicas. Cabe à escola, imersa
nização dos conteúdos: organização das tarefas aca- na tensão dialética entre reprodução e mudança, reela-
dêmicas; participação das alunas e dos alunos em sua borar crítica e reflexivamente o conhecimento público.
configuração, no processo de avaliação e na formula- Tal reconstrução crítica de conhecimentos, atitu-
ção de propostas; organização do tempo e do espaço des e formas de conduta requer maneiras específicas
escolares; formas de valorização das atividades discen- de organizar o espaço, o tempo, as atividades e as re-
tes; definição da finalidade das avaliações (diagnóstica, lações sociais na aula e na escola. É preciso vivenciar
formativa, classificatória); estabelecimento e controle práticas sociais e intercâmbios acadêmicos que indu-
das normas de convivência; e permanente análise do zam à solidariedade, à colaboração, à experimentação
clima das relações sociais (individualismo e competiti- compartilhada e a outro tipo de relação com o conheci-
vidade ou colaboração e solidariedade). mento e a cultura que estimule a busca, a comparação,
Autores e correntes da sociologia concordam em a crítica, a iniciativa e a criação.
dois pontos sobre a função da escola: ela precisa formar Nessa perspectiva, não há espaço para o ensino
cidadãs e cidadãos para que elas e eles se incorporem como transmissão cultural, tradicional, passivo e cen-
à vida pública, intervenham nela e estejam preparados trado em conteúdo nem como treinamento de habili-
para se inserir no mundo do trabalho. O que significa dades e capacidades formais sem atenção ao contexto
essa preparação, como se realiza esse processo e se ela cultural no qual as habilidades adquirem significado. O
promove oportunidades e mobilidade social ou reafir- ensino não pode ser um fomento do desenvolvimento
ma as diferenças sociais são os pontos que diferenciam natural, segundo o qual o papel da escola seria o de
as concepções. simplesmente aprimorar as disposições naturais do in-

A escola promove o desenvolvimento


de comportamento leitor também
com sessões simultâneas de leitura
(Foto: Adailza Santana/Santo Estevão)

56 REFERENCIAL CURRICULAR
divíduo, limitando-se, para isso, a respeitar o desenvol- para que a educadora e o educador façam os ajustes
vimento espontâneo da criança. necessários ao percurso futuro, de modo a ajustar o
Para que a escola promova a reconstrução críti- desafio aos conhecimentos prévios da turma.
ca de conhecimentos, atitudes e formas de conduta, e Diante de tudo isso, fica evidente a urgência de se
para que combata a discriminação, a desigualdade e a contar com profissionais reflexivos, capazes de plane-
injustiça, é preciso colocar a aluna e o aluno no lugar jar, observar, avaliar e replanejar.
de ativos processadores da informação; e a professora
e o professor no papel de instigadores desse processo
dialético por meio do qual os pensamentos e as crenças

2.1 Organização
de cada estudante se transformam.
Isso leva à necessidade de garantir a aprendiza-

do trabalho
gem significativa – ou seja, criar as condições neces-
sárias para que a estudante e o estudante elaborem

pedagógico,
uma representação pessoal do objeto de conheci-
mento que será incorporada e modificará os esque-

gestão do tempo
mas prévios de conhecimento que ela e ele possuíam.
Os conhecimentos prévios de cada criança e jovem

e engajamento
sempre atuam na aprendizagem como requisitos in-
dispensáveis, não um obstáculos (Mauri, 1998), como

dos estudantes
podem crer muitos educadores.
Também será necessário dosar o grau de dificul-
dade da tarefa proposta, de forma que não seja nem
demasiadamente fácil nem demasiadamente difícil, Uma das tarefas fundamentais da prática educativa é a
mas que represente um desafio superável com a ajuda organização do trabalho pedagógico. Mas em que con-
da professora, ou do professor, das colegas e dos cole- siste esse trabalho? Qual sua abrangência em relação
gas e de materiais, situando-se, assim, na zona de de- às ações desenvolvidas pela escola? Quem são os res-
senvolvimento proximal – conceito desenvolvido pelo ponsáveis por sua organização? Qual o papel do tempo
psicólogo russo Lev Vygotsky (1896-1934) para deno- nessa organização?
minar a distância entre o que uma criança sabe e aquilo O trabalho educacional, por sua natureza com-
que é possível a ela aprender com alguma assistência. plexa e seu caráter essencialmente interativo – profes-
Cumprir a função compensatória da escola im- sor/aluno, professores/gestores/funcionários, alunos/
plica substituir a lógica da homogeneidade pela da alunos, entre outras possibilidades –, exige esforço
diversidade. A uniformidade no currículo nos ritmos compartilhado e participação integrada de todos os
e nos métodos favorece os grupos sociais que neces- segmentos no planejamento e na execução do projeto
sitam menos da escola para desenvolver habilidades e político-pedagógico.
adquirir conhecimentos – os privilegiados no ambien- Autores como Lück (2006) conceituam gestão
te familiar e social. Por outro lado, prejudica aqueles como um movimento de maximização de processos
cuja cultura é diferente da acadêmica, intensificando a sociais que trazem em si a ideia de participação e de
discriminação e criando as condições propícias para o trabalho colaborativo entre pessoas na análise dos
fracasso escolar. Por isso, o atendimento à diversida- problemas, na tomada de decisão e na ação conjunta,
de desempenha, para além da função pedagógica, um com base na definição de objetivos claros e abraça-
compromisso político. dos por todos.
A avaliação formativa ou reguladora é ingredien- Considerando que a colaboração é um dos prin-
te fundamental para o atendimento à diversidade, uma cípios fundamentais da construção deste Referencial
vez que coloca a avaliação a serviço do avanço de to- Curricular, acredita-se que a organização do trabalho
das as alunas e de todos os alunos, fornecendo indícios pedagógico, igualmente, precisa acontecer de modo

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 57


Pressupostos teórico-metodológicos das práticas pedagógicas

colaborativo e participativo. Esse movimento pode en- conjuntos dos atores educacionais. Entre os esforços,
volver todo o território e a comunidade em que a esco- está a necessidade de um diagnóstico claro das neces-
la está situada e no âmbito mais restrito da estrutura sidades de aprendizagem das estudantes e dos estu-
escolar e dos membros que a compõem com todos os dantes, bem como das professoras e dos professores,
setores e salas de aula presentes. tendo em vista as expectativas definidas no Referen-
O que dá identidade à colaboração, no contexto cial Curricular do ADE Chapada Diamantina e Regiões.
educacional, são os processos de ensino e de aprendi- A literatura sobre diagnósticos é ampla, espe-
zagem, o que significa que a organização e a gestão do cialmente no que se refere ao papel da gestora, ou
trabalho escolar se traduz na gestão das aprendizagens. do gestor, que precisa conhecer melhor a escola que
Assim sendo, é preciso pensar em como realizar essa ta- dirige. De uma perspectiva macro, é com base em
refa e quais são as finalidades e os sujeitos envolvidos. uma avaliação que a diretora, ou o diretor, terá condi-
ções de definir metas a curto, médio e longo prazos,
Materialização da colaboração estabelecer parcerias com os equipamentos locais,
O caminho escolhido para a escrita deste documento conhecer a cultura das estudantes e dos estudantes
começou com a construção colaborativa das expecta- para, com isso, usar os recursos físicos e financeiros
tivas de aprendizagens esperadas para diversos níveis de maneira racional.
territoriais: inicialmente, para o ADE Chapada Diaman- Do ponto de vista da gestão das aprendizagens,
tina e as regiões que a ele se somaram para este proje- ter no município e/ou na escola um número alto de es-
to; depois para cada rede municipal, e, dentro dela, para tudantes que não compreenderam o sistema de escrita
cada ciclo, ano e sala de aula. A materialização, para no final do 2º ano exige uma intervenção, um plano de
além desta publicação, será feita também com a mobi- ação emergente, para evitar ter um número inadequa-
lização construtiva e conjunta de todas as envolvidas e do de alunas e alunos que chegarão ao final dos anos
todos os envolvidos na implementação do currículo e iniciais do Ensino Fundamental sem saber ler nem es-
na gestão para o alcance das expectativas definidas. crever de modo proficiente.
A orientação é constituir, em cada território, uma Um diagnóstico claro sobre o que as crianças e os
gestão participativa das aprendizagens, compreen- jovens da região e da escola sabem e o que ainda preci-
dendo que sam aprender dá à equipe gestora condições de avaliar
a qualidade do trabalho pedagógico realizado, contri-
[...] o alcance dos objetivos educacionais, em seu senti- bui para a definição de metas de aprendizagem a curto
do amplo, depende da canalização e do emprego ade- e médio prazos, indica a necessidade de planos de ação
quado da energia dinâmica das relações interpessoais emergenciais e pode, sobretudo, alimentar programas
ocorrentes no contexto de sistemas de ensino e esco- de formação docente tanto do ponto de vista dos con-
las, em torno de objetivos educacionais, concebidos e teúdos dos diferentes componentes quanto em rela-
assumidos por seus membros, de modo a constituir ção aos conhecimentos didáticos.
um empenho coletivo em torno de sua realização. As equipes gestoras regionais e locais devem
Esse tipo de organização participativa dá às pessoas acompanhar o processo educativo para construir ajudas
a condição de participantes ativos do processo, o que pontuais para professoras e professores no seu fazer
permite a ampliação progressiva da competência, a cotidiano e, principalmente, para observar a aprendiza-
assunção da autoria do trabalho e a crescente cons- gem das alunas e dos alunos com olhar atento para o tipo
trução da autonomia (LÜCK, 2006). de resposta que fornecem, os conhecimentos prévios e
os eventuais “erros” que apresentem – fontes inesgotá-
Para Gouveia (2012), a perspectiva colaborativa veis de aprendizagem (LUCKESI, 2011). O olhar atento
na Educação, especialmente no que se refere à forma- para o processo de aprendizagem fornece pistas valio-
ção das professoras e dos professores, diferentemente sas para a reorganização de um percurso de ensino, a
da individualizada, implica a criação de condições que indicação de conteúdo para a formação continuada no
favoreçam o trabalho coletivo, o que requer esforços território e intervenções pontuais necessárias.

58 REFERENCIAL CURRICULAR
Como fazer o acompanhamento Cada um desses tópicos permite ampliações e
Os registros são os principais instrumentos que as detalhamentos. Em relação ao envolvimento das estu-
gestoras e os gestores têm para a tomada de deci- dantes e dos estudantes, por exemplo, pode-se citar a
sões. Portfólios, diagnósticos de leitura, escritas, preocupação com a participação de todas e todos nas
anotações relativas aos diferentes componentes atividades propostas, a organização de duplas produti-
curriculares são documentos que as professoras e os vas ou grupos colaborativos, a organização e a dispo-
professores produzem no seu trabalho diário. Esse nibilização de informações sobre o ponto em que cada
material pode gerar planilhas com o levantamento do estudante se encontra em relação aos objetivos pro-
processo de aquisição do sistema de escrita ao longo postos para o período, de modo a cada vez mais deixar
dos anos iniciais e delinear as expectativas que devem a aluna e o aluno como corresponsáveis pela própria
ser alcançadas num determinado período em relação aprendizagem. A lista também pode ser acrescida de
à leitura, escrita e compreensão de conceitos das outros itens quando se pensa no atendimento a estu-
diferentes áreas. Tais informações, organizadas por dantes com deficiência e nas relações interpessoais es-
estudante, turma e escola, permitem aos envolvidos tabelecidas na administração dos conflitos.
acessá-las com facilidade e tomar decisões que levem Nesse sentido, são diversas e complexas as ta-
ao avanço na aprendizagem. refas docentes, que exigem um saber que vai além do
Ao lado da análise de registros, a observação da objeto de ensino e das especificidades de cada compo-
sala de aula e do dia a dia das escolas, no caso das ges- nente curricular. Envolve conhecimentos sobre a didá-
toras e dos gestores regionais, também constitui-se tica, o sujeito que aprende e as práticas de linguagem
numa valiosa fonte de informações sobre o trabalho (impressas e digitais) mobilizadas por ele, como ele
pedagógico em curso para organizar o processo de en- aprende, quais são seus saberes e não saberes etc.
sino e a gestão das instituições de ensino. Na organização do trabalho da sala de aula, a pro-
Com informações e dados concretos, é possível fessora, ou o professor, vai se valer de alguns instru-
pensar projetos institucionais que favoreçam as apren- mentos como a elaboração de pautas de observação,
dizagens em toda a rede ou apenas em uma determina- de planejamento de atividades diagnósticas, da organi-
da unidade que tenha necessidades específicas. Essas zação da rotina de trabalho e da realização de rodas de
iniciativas podem ajudar a resolver um problema social, conversa e de assembleias gerais sobre o processo de
indicar um recorte para a reflexão sobre sustentabili- ensino e aprendizagem para citar alguns.
dade no município ou ampliar os espaços de adesão às
práticas de leitura na escola, na comunidade e no mu- Práticas contemporâneas
nicípio, apenas para citar alguns exemplos. Indepen- de linguagem
dentemente da abrangência da ação pedagógica ou do A ideia de protagonismo juvenil vem sendo discutida
componente disciplinar em questão, toda intervenção no contexto de Educação Integral, conforme consta na
didática deverá estar articulada à gestão das aprendi- Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e no Docu-
zagens em situações significativas. mento Curricular Referencial da Bahia.
Nesse sentido, as competências gerais da Educa-
Gestão da sala de aula ção Básica são indicadores da formação discente que
A gestão da sala de aula efetiva-se em situações com- vão além dos conteúdos de cada disciplina e, como in-
plexas e, muitas vezes, demanda ações e respostas dica o currículo estadual, perpassam todos os compo-
imediatas a situações inesperadas. Contudo, é possível nentes, assumindo caráter transversal:
prever alguns aspectos como a gestão do tempo e do
espaço, a rotina, os projetos e as sequência didáticas Essas competências são aqui apropriadas como trans-
a ser trabalhados, as estratégias usadas para engajar versalidades que podem emergir em todos os argu-
a turma no processo de aprendizagem, o acompanha- mentos do Currículo do Estado da Bahia. Ou seja,
mento das aprendizagens coletivas e individuais e o re- compreendidas como saberes em uso, nos quais sabe-
gistro desse processo, entre outros aspectos. res, habilidades e valores compõem as competências

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 59


Pressupostos teórico-metodológicos das práticas pedagógicas

transversais a serem desenvolvidas, entretecidas à de conhecimentos de todos os componentes curricu-


formação política, ética, estética, cultural, espiritual lares; ter uma opinião sobre os problemas que afetam
e religiosa, configuram-se como uma continuidade a a comunidade local, nacional e mundial, de modo a in-
ser cultivada pelos atos de currículo durante toda a tervir na sociedade fazendo escolhas e utilizando os
Educação Básica, respeitando e acolhendo as especi- conhecimentos para viver melhor e participar da cons-
ficidades de cada etapa. As transversalidades pontu- trução de um país e um mundo com boas condições de
am e atravessam como espirais as etapas formativas, vida para o planeta e todos os seres que o habitam.
produzindo conexões diversas com as competências, Para vislumbrar objetivos tão ousados, é impor-
seus componentes e todo e qualquer conteúdo ou ati- tante que, no âmbito de cada sala de aula e de cada
vidades vinculadas à formação como um todo. São, escola, seja possível saber quem são as alunas e os
em realidade, macroconcepções que acolhem e tam- alunos e quais as necessidades de aprendizagem de
bém se conectam a todos os atos de currículos e, por cada uma e cada um. A construção desse perfil permi-
consequência, às experiências formativas (Documen- tirá planejar ações pedagógicas que possam atender
to Curricular Referencial da Bahia, 2019). aos anseios daquele público nas dimensões cognitiva,
cultural e social, além de planejar intervenções de
O engajamento das alunas e dos alunos é com- modo colaborativo.
preendido como parte integrante de todo o processo Quem são as alunas e os alunos? A que culturas
colaborativo da organização do trabalho na escola e se pertencem? Que diversidades são contempladas nos
construirá em cada unidade de modo articulado com o grupos da sala de aula e da escola? Do que gostam e
território e as vivências culturais presentes no âmbito do que não gostam na escola? Participam de trabalhos
local, regional, nacional e mundial, dadas as vantagens colaborativos ativamente? Estão engajados na vida pú-
de acesso à informação possíveis no mundo contem- blica da escola, discutindo problemas em assembleias
porâneo e à riqueza cultural presente nos municípios e sugerindo soluções? São ativos na comunidade em
envolvidos no Referencial Curricular do ADE Chapada que vivem? De que maneira? Estão conscientes dos
Diamantina e Regiões. principais problemas sociais que afligem a humanida-
A tarefa das educadoras e dos educadores é for- de? Acompanham os avanços nas artes e na cultura em
mar alunas e alunos para atuar de modo consciente e geral? Utilizam o meio ambiente, preservando-o? De
crítico na realidade. Para tanto, é fundamental conhe- que práticas de linguagem costumam participar? Com
cer e utilizar com proficiência as práticas contemporâ- que finalidade? Usam as tecnologias? De que maneira e
neas de linguagem, o que pode contribuir na aquisição com que finalidade? O que leem e o que não leem?

A atuação consciente
dos jovens na sociedade
depende de um enfoque
transversal do currículo
(Foto: Acervo pessoal/
Morro do Chapéu)

60 REFERENCIAL CURRICULAR
Esses são alguns dos questionamentos que uma Lerner (2002) explica que não se trata de ampliar
gestora, ou um gestor, poderá fazer para traçar um pa- o tempo ou reduzir os conteúdos, mas de transformar
norama dos sujeitos que estão na escola e, com base o modo como se utiliza o tempo, produzindo uma mu-
nele, desenvolver políticas públicas que favoreçam a par- dança qualitativa. Essa mudança está intrinsecamente
ticipação nas práticas de linguagem contemporâneas e o relacionada à articulação dos propósitos comunicati-
alcance das competências gerais e das expectativas de vos aos didáticos. Na escola, é fundamental que as ati-
aprendizagem previstas nos documentos curriculares. vidades didáticas para aprender os conteúdos dos di-
ferentes componentes curriculares ocorram de modo
[...] vivenciamos, com a internet, um cenário polêmico significativo e com propósitos comunicativos claros.
em relação à leitura, no que diz respeito a esta como A autora sugere o rompimento com a abordagem
promotora de reflexão. Pesquisas apontam que nunca linear dos conteúdos e propõe o cuidado com a dura-
se leu tanto quanto na contemporaneidade, conforme ção das situações didáticas, prevendo a retomada dos
os estudos de Canclini (2008) e Chatier (2001), por conteúdos em diferentes oportunidades, o que pode
exemplo. [...] A Bahia é, reconhecidamente, um celeiro acontecer de perspectivas diversas numa organização
cultural importante, principalmente no cenário musi- curricular em espiral.
cal e literário brasileiro. A diversidade de ritmos, letras Bräkling (2012), concordando com Lerner (2002),
e temas do nosso cancioneiro e da nossa arte literária indica que três princípios são importantes na organiza-
promove reflexões identitárias importantes, haja vista ção do tempo didático:
nossa constituição histórica permeada pela mistura de a organização do currículo em espiral, para que as
O

povos, etnias e crenças. A diversidade sociocultural e alunas e os alunos tenham contato com os conteúdos
econômica, principalmente do nosso estado, apresen- em diferentes momentos do processo de aprendiza-
ta contextos heterogêneos que exigem do professor do, de maneira a dele se apropriarem melhor;
um olhar inquieto e mobilizador de reflexões linguís- a natureza de cada conteúdo e suas especificidades
O

ticas importantes para o cotidiano dos estudantes, de abordagem; e


que vivenciam modos de vida diferentes, como, por a necessidade de haver uma seleção dos objetos de
O

exemplo, o urbano e rural. Isso se torna importante, aprendizagem em função do tempo de que se dis-
uma vez que agropecuária é uma das atividades mais põe para ensinar e das expectativas colocadas para
significativas da economia do estado (Documento os alunos.
Curricular Referencial da Bahia, 2019). Com base na pesquisa de Lerner (2002), consi-
derar esses princípios e criar as condições para um uso
Desse modo, reitera-se que a organização do qualificado do tempo didático requer que os conteú-
trabalho pedagógico, em todos os âmbitos, deve acon- dos estejam organizados em diferentes modalidades
tecer de modo a fortalecer a colaboração a fim de a di- de gestão do tempo propostas pela autora – como
versidade cultural baiana e a especificidade da região e projetos didáticos, atividades habituais, atividades in-
de cada escola sejam contempladas na implementação dependentes e sequências de atividades.
deste Referencial Curricular. Os projetos didáticos são atividades planejadas
de maneira sequenciada e em etapas articuladas para
Organização do tempo didático atingir um determinado objetivo. Trata-se de uma mo-
Falar em organização do trabalho pedagógico im- dalidade que possui um nível alto de contextualização,
plica pensar nos tempos de ensino e de aprendiza- pois todos os estudos são orientados para a elabora-
gem, que acontecem por aproximações sucessivas. ção de um produto final destinado a interlocutores
Ela sempre ocorre em situações complexas, em que definidos e a lugares de circulação especificados desde
se colocam bons problemas para as estudantes e o início. Todas as etapas são compartilhadas entre a
os estudantes resolverem. Por isso, é fundamental turma, inclusive a definição de cada uma delas. As mo-
pensar na melhor maneira de organizar o tempo no dalidades que vêm a seguir podem ser articuladas no
trabalho pedagógico. desenvolvimento de um projeto.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 61


Pressupostos teórico-metodológicos das práticas pedagógicas

As atividades habituais ou permanentes são buscam necessariamente a construção de um produto


aquelas com periodicidade frequente e previsível (uma final, mas o aprofundamento de determinado aspecto
vez por semana, uma vez por quinzena, ao longo do dos estudos.
ano ou por um determinado período a definir). Elas têm Tanto no projeto como na sequência de ativida-
como finalidade criar hábitos – como o comportamento des, mantém-se os propósitos comunicativos e didáti-
leitor e o de observador da realidade –, pois permitem cos. Pode-se, por exemplo, organizar uma sequência
às estudantes e aos estudantes interagir intensamen- para estudar o gênero textual – biografia – que inte-
te com determinada ação, tais como ouvir a leitura em grará um projeto maior, cuja finalidade seja conhecer
voz alta pelo professor, diariamente; compartilhar as a trajetória de afrodescendentes no Brasil. O produto
produções literárias com outros colegas; e frequentar final será uma instalação, na qual serão inseridos ob-
ou acessar ambientes para trocar informações sobre jetos de arte e de família, vídeos, outras produções e
leitura com outras pessoas. Essas atividades não estão também a biografia de pessoas da comunidade e/ou
orientadas para a construção de um produto final, mas personalidades, escritas na sequência de atividades
precisam, necessariamente, ser articuladas entre elas para estudar aquele gênero.
para que um comportamento seja criado ou mantido. O trabalho com as diferentes modalidades orga-
A organização do tempo na sala de aula também nizativas exige levar em conta o grande propósito edu-
pode dar lugar ao inesperado. São as atividades inde- cativo: colocar as crianças como praticantes da leitura
pendentes, que se dividem em ocasionais e de siste- e da escrita em todas as áreas e “formar alunos como
matização: cidadãos da cultura escrita” (LERNER, 2002).
ocasionais – não regulares, são levadas à sala de
O

aula para tratar de conteúdo eventual e acabam por


brindar as professoras e os professores com a opor-

2.2 Ensino da
tunidade de ler uma notícia – um texto sobre um fós-
sil recentemente encontrado, um fato ocorrido com

leitura e da escrita
um povo indígena que luta contra a ocupação de suas
terras, uma lei recém-promulgada, uma enchente em

em todas as áreas
larga escala. São situações que não foram previstas
nas sequências didáticas nem nos projetos, mas que
não podem deixar de ser tratadas, pois carregam pro-
pósitos comunicativos e didáticos claros; e É função social da escola a formação básica da cida-
de sistematização – guardam estreita relação com os
O dã e do cidadão, garantindo-lhes o pleno domínio da
propósitos didáticos e com o que se pretende que as competência leitora e escritora para uma participação
estudantes e os estudantes aprendam, pois permitem consciente e ativa na sociedade. Para que isso ocorra,
sistematizar os conteúdos estudados e construídos é fundamental que a escola possibilite variados meios
em outras modalidades. Caracterizam-se por reto- para acesso à escrita e às culturas do escrito, supe-
mar e passar a limpo os conhecimentos adquiridos rando o desafio de erradicar o analfabetismo pleno e
numa sequência ou num projeto. Exemplo: depois de funcional.
estudar uma sequência sobre as características da Considerado esse contexto, vale refletir que a
água ou sobre a narrativa de aventura, é possível pro- responsabilidade pelo ensino da leitura e da escrita não
por uma sistematização cujo objetivo é saber o que foi é apenas da área de Língua Portuguesa. A formação de
apropriado pela turma e o que precisa ser retomado. leitores e escritores autônomos é propósito de toda a
As sequências de atividades, ou sequências di- escola e não apenas de uma área do conhecimento. É
dáticas, são organizadas para trabalhar um determi- preciso considerar o papel da leitura e da escrita no de-
nado conteúdo e têm uma duração limitada de tempo, senvolvimento da capacidade de aprender a resolver
sendo possível, assim, realizar várias sequências ao questões da Matemática, assim como no desenvolvi-
longo do ano. Diferentemente dos projetos, elas não mento da compreensão do ambiente natural e social,

62 REFERENCIAL CURRICULAR
do sistema político, da tecnologia, das artes e dos va- Artística. Em Ciências, vale a análise de que a leitura do
lores que assentam a sociedade. Será possível, porém, mundo “pode significar apropriar-se das diversas for-
vislumbrar todas essas aprendizagens que idealizam mas de pensar que ecoam neste planeta e das diversas
a formação básica do cidadão, segundo a Lei de Dire- formas de explicar os fenômenos que ocorrem em nos-
trizes e Bases (LDB nº 9.394/96), sem um trabalho de so cotidiano, assim como estabelecer relações entre os
leitura e escrita realizado por todas as áreas do conhe- diferentes saberes que fazem parte da nossa cultura”
cimento? Certamente, não. (LOPES; DULAC, 2004).
Um pressuposto dessa concepção de ensino é o As práticas de linguagem (ler/escrever/ouvir/
de que “ler e escrever são construções sociais. Cada falar) em contexto de estudo serão imprescindíveis
época e cada circunstância histórica dão novos senti- também nas aulas de História e Geografia para ensinar
dos a esses verbos” (FERREIRO, 2009). A abordagem a grifar informações importantes nos textos estuda-
atual da leitura e da escrita na escola demanda um olhar dos, ler diversos documentos históricos e geográficos,
para a sociedade da informação, para a importância de tomar notas de informações significativas, organizar
conhecimentos instrumentais que possibilitem auto- registros para apoiar a fala no momento de comparti-
nomia no processamento das ideias amplamente vei- lhar o que se aprendeu, organizar debates e textualizar
culadas por várias mídias e posicionamentos que con- análises, entre outros.
tribuam para a construção do próprio conhecimento É essencial considerar quais propósitos orientam
sobre um determinado assunto. a leitura e a escrita em cada área do conhecimento,
Portanto, é evidente a importância dos espaços tendo em vista os investimentos em práticas sociais
de diálogo na escola com professoras e professores com propósitos didáticos e comunicativos claros.
para a construção de projetos comuns, institucionais e Tudo isso se materializa no momento da cons-
específicos de cada área do conhecimento. Nesse pro- trução e/ou da revisão do projeto político-pedagó-
cesso colaborativo, pode-se tomar decisões, por um gico (PPP), em que se evidenciam a missão e a visão
lado, sobre o que a área de Língua Portuguesa vai con- da escola, bem como a tomada de posição sobre o
templar no ensino da leitura e escrita, já que tem mais currículo, considerando o diagnóstico da instituição e
tempo da agenda semanal de aulas, tendo em vista os as propostas de trabalho (plano de ação). Com base
objetivos e as modalidades organizativas propostos no PPP, a construção dos projetos de ensino da es-
para cada ano de escolaridade. Por outro, é necessário cola precisa considerar entrelaçamentos que favore-
definir quais situações de leitura e escrita serão ensi- çam a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade,
nadas pelas demais áreas no tempo de que dispõem, contribuindo para uma visão mais sistêmica e menos
considerando as situações didáticas e os conteúdos fragmentada do saber. Mas nem tudo pode ser arti-
planejados. Por exemplo, é possível organizar uma se- culado. Há conteúdos específicos que também preci-
quência didática em Matemática para ensinar a ler de sam receber investimento pontual. Um bom exercício
forma mais crítica as situações-problema propostas, de reflexão é pensar sobre o que é ler e escrever em
analisando os enunciados para verificar e destacar os cada área do conhecimento e, diante disso, organizar
dados necessários para a resolução. as situações didáticas considerando o tempo de que
Nesse movimento, uma importante atividade é cada uma dispõe.
levantar e garantir as condições didáticas para que as Essa dedicação à qualificação dos documentos
estudantes e os estudantes avancem na autonomia lei- curriculares da escola é um compromisso de toda a
tora e escritora visando progredir nos estudos e, con- comunidade escolar, que precisa ser pautado pela
sequentemente, nos conhecimentos de cada área. equipe gestora, assumindo a formação de uma comu-
A leitura e a escrita são ferramentas importan- nidade leitora e escritora. Ações isoladas de cada sala
tes para o processo de compreensão e apropriação de aula não vão contribuir com aprendizagens signifi-
de diversos conhecimentos. Ensinar a fazer leituras, cativas dos estudantes, mas, sim, a visão do todo e do
releituras, intertextualidades e escrita em artes visuais coletivo, favorecendo a progressão, a continuidade e a
contribui para apropriações importantes na Educação diversidade dos conteúdos de ensino.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 63


Pressupostos teórico-metodológicos das práticas pedagógicas

2.3 Leitura e
Por isso, como enfatiza Delia Lerner (2002), vale
considerar que, para formar leitoras, leitores, escrito-

escrita a serviço
ras e escritores autônomos, é preciso produzir uma
mudança qualitativa na gestão do tempo didático, con-

do estudo
ciliar a necessidade de avaliar com as prioridades de
ensino e da aprendizagem, redistribuir as responsabi-

e da pesquisa
lidades e desenvolver, na sala de aula e na instituição,
projetos que deem sentido à leitura e promovam o fun-
cionamento da escola como uma microssociedade de
leitores e escritores de que todas e todos participem A pesquisa na Educação Básica como método pedagó-
efetivamente. gico é comumente utilizada. Do Ensino Fundamental
A tão desejada autonomia leitora e escritora não ao Ensino Médio, encontra-se nos planejamentos edu-
será alcançada por esforços individuais, pois a força do cacionais o ato de pesquisar como importante forma
coletivo é que fará a diferença. Então, além das condi- de dar dinâmica aos processos de ensino e de aprendi-
ções didáticas que cada professora e cada professor zagem, incentivando as alunas e os alunos a aprender
devem oferecer em sua sala de aula, a escola deve im- de forma autônoma e participativa.
plementar condições institucionais para que as apren- As etapas que compõem uma pesquisa escolar
dizagens aconteçam com efetiva equidade. Isso implica deveriam envolver leituras sistemáticas e procedimen-
pensar os espaços de diálogo coletivo e colaborativo, tais que, ao mesmo tempo que produziriam o conheci-
implementar projetos institucionais e disponibilizar ma- mento pesquisado, proporcionariam o desenvolvimen-
teriais para acesso a diferentes fontes de informação. to de habilidades e competências na função leitora e
Esse exercício de olhar para dentro e, com isso, rever escritora do aprendiz.
as práticas tem sentido quando cada instituição escolar Entretanto, o que se observa, em geral, é que o
considera sua realidade, seus dados e aponta para onde caminho da pesquisa no espaço escolar é truncado e
quer chegar, tendo claras as suas metas. Dessa forma, se restringe a cópia de dados que, nos tempos digitais
o ensino de comportamentos, procedimentos e capaci- contemporâneos, foi associada à expressão “recortar/
dades de leitura e escrita são conteúdos assumidos por copiar e colar”, numa alusão às tecnologias utilizadas.
cada área de conhecimento diante de demandas e pro- Observa-se o uso contínuo desse tipo de estratégia
pósitos bem definidos, considerando o objetivo maior nos segmentos da Educação Básica sem a garantia
que é a formação da autonomia leitora e escritora de de uma aprendizagem consistente da metodologia de
todas as estudantes e todos os estudantes. pesquisa. As habilidades de analisar, comparar, refletir,

Ler para fruir, mas


também para estudar
e seguir aprendendo
(Foto: Semec/Xique-Xique)

64 REFERENCIAL CURRICULAR
levantar hipóteses, estabelecer relações, sintetizar, ge- consideração aspectos como a adequação linguística,
neralizar etc., via de regra, não são desenvolvidas. a adequação à faixa etária, a adequação ao contexto
Para que essas aprendizagens ocorram, faz-se sociocultural do grupo e os gêneros discursivos orais e
necessário encarar o ensino do ato de pesquisar como escritos que circulam socialmente.
um desenvolvimento de conhecimento por meio de um No entanto, elaborar uma proposta assim ajus-
exercício crítico-reflexivo que garanta a aprendizagem tada não garante o sucesso. É importante que as es-
dessas habilidades. Ao recorrer à pesquisa como estra- tudantes e os estudantes apropriem-se também de
tégia pedagógica, professoras e professores precisam procedimentos e estratégias específicas que os instru-
ensinar a: localizar; selecionar e compartilhar informa- mentalizam a realizá-la. Segundo Isabel Solé:
ções; ler, compreender e interpretar textos com maior
grau de complexidade; consultar, de forma crítica, fon- [...] é necessário ensinar a ler para aprender, ou seja,
tes de informação diferentes e confiáveis; formar e de- ensinar a ler de maneira que as estratégias que men-
fender opiniões; argumentar de forma respeitosa; sin- cionamos [...] sejam postas a serviço de objetivos de
tetizar; expor oralmente o que aprendeu apoiando-se aprendizagem. Isso significa ensinar essas estratégias
em diferentes recursos; generalizar conhecimentos; e no âmbito do trabalho de projetos, mais restritos ou
produzir gêneros acadêmicos. mais globais, vinculados a uma ou a várias áreas cur-
Nessa lista, destacam-se a leitura e a escrita de riculares. Significa buscar informação, lê-la, tratá-la,
textos como caminhos fundamentais para os estudos, resumi-la, tirar conclusões dela etc. para saber coisas
em consonância com o desenvolvimento do pensamen- sobre um tópico concreto; significa aprender a fazer
to crítico. Essas aprendizagens envolvem o desenvolvi- isso com a ajuda de outras pessoas e poder fazer de
mento e a maturação das habilidades de comunicação. maneira independente quando convier” (SOLÉ, in:
A linguagem ocupa um papel importante nas relações TEBEROSKY, 2003).
que o indivíduo estabelece com o mundo. Essas rela-
ções, mediadas por sistemas simbólicos, permitem que Ao dedicar tempo didático para ensinar essas
o sujeito abstraia e generalize o pensamento. Tal pro- estratégias e esses procedimentos, coloca-se a aluna
cesso de internalização da linguagem se dá de forma e o aluno no centro do processo de aprendizagem e
gradual e vai se complementando no avançar da aqui- permite-se que se autorregulem, monitorem o próprio
sição da linguagem. Segundo Santos e outros (2016): aprendizado e assumam uma postura ativa e autôno-
ma perante as propostas e desafios. Essa regulação
À medida que o ser humano se desenvolve, o signifi- interativa ao longo do processo é um aspecto essencial
cado das palavras evolui, assim como o pensamento; da avaliação formativa e traz à tona dados e elemen-
as transformações são dinâmicas e não estáticas. O tos importantes tanto para quem aprende quanto para
sentido das palavras representa a percepção concre- quem ensina.
ta que se tem das coisas. Quando a criança já possui A importância dessa regulação metacognitiva
esse grau de maturidade, começam a surgir por trás durante o processo de leitura e escrita e, consequente-
das palavras os sistemas complexos, tornando possí- mente, da autorregulação, dá-se pelo fato de que as es-
vel não só perceber as coisas, como também refletir, tudantes e os estudantes se capacitam a explicitar seu
tirar conclusões, deduções das impressões imediatas, processo metacognitivo, a analisar como se relacionam
com base no raciocínio. os vários elementos da atividade cognitiva e a concei-
tualizar e estabelecer regras ou estratégias que podem
É por isso que a orientação de estudos deve ser generalizadas. Toda essa reflexão interna leva a
promover o aprofundamento e o aperfeiçoamento da controlar e regular as próprias atividades. Hadji (2001)
escuta dos estudantes por meio da expressão oral, da exemplifica essa reflexão e ação da seguinte forma:
leitura e da escrita.
Dessa forma, ao elaborar propostas de leitura e Haverá, por exemplo, a realização consciente de uma
escrita, cabe à professora, ou ao professor, levar em estratégia de resumo de texto: “Bom, eu vou começar

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 65


Pressupostos teórico-metodológicos das práticas pedagógicas

por [...], depois farei [...] etc.” Essa utilização, no âmbito fazendas afora. Em 15 de outubro de 1827, a Lei Geral
de uma regulação concreta, permite validar ou descar- do Ensino foi instituída pelo governo imperial. O Art. 1º
tar e/ou modificar as estratégias ou os conhecimentos afirmava que deveria haver em todas as cidades, vilas
metacognitivos mobilizados. O sujeito efetua, de fato, e lugares mais populosos escolas de primeiras letras.
uma avaliação concreta da utilidade e da pertinência Na ocasião, o sistema educacional adotou o chamado
operacional de tais conhecimentos e estratégias. Método Lancaster, que consistia em permitir que pes-
soas de diferentes idades estudassem juntas. A partir
Sendo assim, a formação que visa o protagonis- da década de 1920, surgiram outras ideias baseadas
mo da aluna e do aluno no processo de aprendizagem em países com forte ascensão industrial e, com elas, di-
não apenas propicia momentos de regulação e de re- fundiram-se os grupos escolares nas cidades, em que
flexão metacognitiva por meio da leitura, da escrita e as crianças eram separadas em salas organizadas por
da pesquisa como também incita o pensamento crítico série, idade e sexo, o que também ganhou espaço em
e forma cidadãs e cidadãos conscientes das próprias vilas e povoados. Porém a multisseriação permaneceu
escolhas e perspectivas. em muitas localidades da zona rural.
Desde então, a organização escolar brasileira
têm sido pautada em um modelo seriado urbanocên-
trico, como se fosse a “salvação da lavoura”, relegando

2.4 Ensino
as classes multisseriadas ao símbolo do atraso e do
fracasso. Como afirmam Pinho e Santos (2004), “se o

em classes
rural vem sendo tratado como predominantemente re-
sidual, o mesmo ocorre com as classes multisseriadas

multisseriadas
que, quando referidas pelas políticas educacionais, são
vistas como algo a ser superado no decorrer do tempo”
(apud RIOS, 2011).
Qual a realidade da Educação brasileira em pleno sécu- Propostas importadas de outros países também
lo XXI? Quais os avanços e desafios enfrentados pela são uma tônica no nosso cenário educacional, havendo
Educação do Campo? Essas questões levam a refletir pouco diálogo e produção que considere a realidade
sobre os passos dados até aqui nessa modalidade de em que as escolas multisseriadas estão inseridas. Em
ensino e projetar ações que a legitimem como um es- muitas dessas salas, a ideia que pauta a proposta peda-
paço de garantia de direitos. gógica acaba sendo a da organização do planejamento
Ao discutir a Educação do Campo, é preciso anali- por série, desconsiderando a heterogeneidade como
sar a situação das classes multisseriadas e os contextos uma vantagem pedagógica.
em que estão inseridas. Essas turmas, também chama- Vale destacar que uma diretriz do Plano Nacional
das de unidocentes, ocorrem principalmente nas es- de Educação (2014-2024) é a erradicação do analfa-
colas do meio rural, frequentadas por estudantes de betismo no Brasil. Faltando quatro anos para o final de
diferentes idades e níveis educacionais. Elas existem, vigência do plano, ainda registra-se 5,1% de analfabe-
sobretudo, porque as escolas situadas em localidades tismo na população de 15 anos ou mais nas áreas ur-
afastadas contam com pequeno número de matrículas banas e 17,5% em áreas rurais – em escolas seriadas e
em cada série ou ano de escolaridade e o transporte multisseriadas –, segundo dados do Instituto Brasileiro
para outras localidades nem sempre é possível, viável de Geografia e Estatística (IBGE).
ou de interesse da comunidade. Não se pode esquecer que, como afirmam Mou-
ra e Santos (2012), são as classes multisseriadas “as
Na origem da Educação responsáveis pela iniciação escolar de grandes contin-
A realidade de classes multisseriadas no Brasil vem gentes de brasileiros. Não fossem elas, os altos índices
desde os tempos posteriores à expulsão dos jesuítas, de analfabetismo, que sempre marcaram a história da
quando professoras ensinavam a ler e escrever pelas Educação nacional, seriam ainda mais alarmantes”.

66 REFERENCIAL CURRICULAR
O fato é que a Educação do Campo e as classes Já as Diretrizes Operacionais para a Educação
multisseriadas fazem parte do cenário educacional bra- Básica nas Escolas do Campo (2002) direcionam, no
sileiro e precisam ser encaradas com responsabilidade, Art. 5º, que “as propostas pedagógicas das escolas do
principalmente pelas políticas públicas. Em vez de con- campo, respeitadas as diferenças e o direito à igualda-
siderar que a salvação é a extinção das multisseriadas, de, e cumprindo imediata e plenamente o estabelecido
é preciso oferecer melhores condições para o trabalho nos artigos 23, 26 e 28 da Lei nº 9.394, de 1996, con-
nessa modalidade e proporcionar, às professoras e aos templarão a diversidade do campo em todos os seus
professores, instrumentos que tragam mais clareza so- aspectos: sociais, culturais, políticos, econômicos, de
bre o fazer pedagógico – que é diferente do realizado gênero, geração e etnia”.
nas classes seriadas. As multisseriadas precisam ser Esses marcos legais, agora reforçados pela Base
geridas atentando às suas especificidades. Nacional Comum Curricular (BNCC), regem a Educa-
O Movimento Todos Pela Educação sinaliza que ção brasileira e orientam a elaboração de documentos
cerca de 60% dos estudantes do campo estudam em curriculares quanto ao trabalho em todas as modali-
turmas multisseriadas. Dados do Censo Escolar 2017 dades, especificando também a Educação do Campo.
apontam a existência de 97,5 mil turmas do Ensino Porém, há uma lacuna quanto a orientações voltadas
Fundamental com essa composição pelo país, sinali- para o trabalho nas classes multisseriadas, ficando a
zando, ainda, que esse quantitativo está praticamente cargo das instituições escolares, nesses casos, organi-
inalterado nos últimos dez anos. zar os componentes curriculares, a gestão do ensino e
Então, não pode haver silenciamento nem dis- da aprendizagem e as estratégias metodológicas.
tanciamento quanto a essa realidade. As estudantes
e os estudantes que vivem em localidades rurais têm Currículo
o direito a uma Educação que os envolva e tenha sen- Os documentos curriculares precisam, antes de qual-
tido e significado, e as professoras e os professores quer coisa, contemplar a realidade da comunidade em
que atuam em escolas com classes multisseriadas que as escolas e classes multisseriadas estão inseridas
precisam ser apoiados no seu fazer. e favorecer o diálogo entre os conhecimentos da locali-
dade e aqueles construídos historicamente pela huma-
Marcos legais nidade. Dessa forma, professoras e professores, coor-
A Lei nº 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educa- denadoras pedagógicas e coordenadores pedagógicos
ção Nacional (LDB) – no Art. 26 determina que: – nas realidades que contam com esse profissional –
poderão planejar a organização do trabalho com base
Os currículos da Educação Infantil, do Ensino Funda- na premissa de que a diversidade de idades e níveis de
mental e do Ensino Médio devem ter base nacional aprendizagem é marcante e precisa ser considerada
comum, a ser complementada, em cada sistema de como vantagem pedagógica.
ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma O planejamento deve ser entremeado pela ques-
parte diversificada, exigida pelas características regio- tão da formação docente que, como bem ensinou Frei-
nais e locais da sociedade, da cultura, da economia e re (1996), deve acontecer “ao lado da reflexão sobre a
dos educandos (BRASIL, 1996). prática educativo-progressista em favor da autonomia
do ser dos educandos”. Essa autonomia é fundamental
Mais adiante, no Art. 28, acrescenta que será pre- para que a concepção pedagógica, os planejamentos e
ciso que os sistemas de ensino promovam adaptações os encaminhamentos cotidianos sejam realizados com
necessárias para a adequação às peculiaridades da maior intencionalidade.
vida rural e de cada região, quando da oferta da Educa-
ção Básica para a população rural. Especifica que essas O contexto no ADE
adaptações se referem aos conteúdos curriculares e às Chapada Diamantina e Regiões
metodologias, à organização do calendário escolar e à Os municípios desse arranjo contam com a modalida-
adequação à natureza do trabalho nessas localidades. de Educação do Campo e escolas com classes multis-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 67


Pressupostos teórico-metodológicos das práticas pedagógicas

seriadas espalhadas pela vasta extensão territorial das cípios parceiros do Icep que apoiam e inspiram práticas
localidades rurais. No processo de construção coletiva de educadoras e educadores de todo o Brasil.
e colaborativa de referenciais curriculares, torna-se Esses trabalhos premiados e/ou publicados ins-
fundamental ter um olhar cuidadoso para a realida- piram propostas possíveis em que a heterogeneidade,
de dessas escolas, para o trabalho desenvolvido pelas principalmente de idade e de níveis educacionais, é
professoras e pelos professores nessas classes e para tida como um valor. Mas há inúmeras outras práticas
o nível de aprendizagem das estudantes e dos estudan- cotidianamente realizadas, fruto de parceria entre for-
tes. Isso contribui para que as ajudas sejam oferecidas mação externa e interna de professoras e professores
no sentido de pensar as propostas pedagógicas de um e coordenadoras e coordenadores pedagógicos, que
trabalho que não é fácil, mas que pode ser realizado de também geram bons resultados.
forma cada vez mais intencional e com qualidade. Práticas pedagógicas focalizadas na aprendi-
No Território Chapada, está circunscrito o tra- zagem de todas as estudantes e todos os estudantes
balho ganhador do Prêmio Victor Civita Educador em uma classe multisseriada favorecem o intercâmbio
Nota 10 de 2011, desenvolvido por Adriana Almeida entre as diferentes faixas etárias e a interação grupal
Oliveira, professora de uma classe multisseriada da co- como uma potente fonte de aprendizagem. Por meio
munidade rural Caimbongo, em Ibitiara. Sua proposta delas, pode-se observar ganhos significativos tanto
consistiu na realização de um projeto didático com prá- por parte das professoras e dos professores, que a
ticas de linguagem em contexto de estudo sobre ani- cada dia aprendem sobre como ensinar numa classe
mais em extinção. Com ele, Adriana mobilizou impor- em que a heterogeneidade e a diversidade são as cau-
tantes aprendizagens em toda a turma. Como principal sas da sua existência, como por parte das estudantes e
resultado, conseguiu alfabetizar os menos experientes dos estudantes. Isso é possível devido ao compromisso
na linguagem escrita e garantir a proficiência leitora e das docentes e dos docentes que participam de pro-
escritora dos mais experientes, num processo de cola- gramas de formação continuada internos e externos
boração entre toda a turma. em manter-se atentos aos saberes e às dificuldades de
Vale destacar também a coleção Classes multis- cada estudante e investir em autoformação e no com-
seriadas em escolas do campo, idealizada pela Fundação prometimento com a comunidade escolar.
Telefônica Vivo e publicada com o apoio do Instituto Os desafios ainda são muitos, tais como a escas-
Chapada de Educação e Pesquisa (Icep). Os cadernos sez de recursos pedagógicos, de acervo literário, de co-
abordam questões específicas de salas de aulas mul- nhecimento sobre como gerir uma classe multisseriada
tisseriadas. Entre as experiências apresentadas, estão e de organização do currículo em todas as áreas do
práticas de docentes da Chapada Diamantina de muni- conhecimento. Além disso, há déficits no saneamento

Material exclusivo para classes multisseriadas


A coleção Classes multisseriadas em escolas do campo é composta dos
seguintes cadernos: Entendendo suas origens, Gestão da sala de aula,
Jogos e brincadeiras, Leitura e escrita, Matemática e Projeto de pesquisa.
As propostas de trabalho contemplam práticas de leitura e escrita em
torno dos livros literários, uso de jogos como instrumento para propor
problemas matemáticos, projetos de pesquisa para estudar sobre
determinado assunto, como os animais em extinção, árvores da região
e história da localidade. Os cadernos estão disponíveis em
bit.ly/classes-multisseriadas, acesso em 26/5/2020.

68 REFERENCIAL CURRICULAR
básico e no oferecimento de energia elétrica e registra- de dispositivos e dinâmicas formativas que facilitem a
-se a ausência de bibliotecas, de laboratórios e de pro- transformação das experiências vividas no cotidiano
fissionais de apoio escolar. Essas questões precisam, profissional, em aprendizagens a partir de um proces-
cada vez mais, ser encaradas pelos governos nas es- so autoformativo, marcado pela reflexão e a pesquisa,
feras federal, estadual e municipal, mas também pelos a nível individual e coletivo. Essa articulação entre no-
programas de formação inicial e continuada no sentido vos modos de organizar o trabalho e novos modos de
de não ignorar o multisseriamento. É urgente debater organizar a formação (centrada no contexto organiza-
essa temática para favorecer um olhar para o currículo cional) facilita e torna possível a produção simultânea
e para os projetos político-pedagógicos, possibilitando de mudanças individuais e coletivas. Os indivíduos
às professoras e aos professores refletir e tomar deci- mudam mudando o próprio contexto em que traba-
sões sobre suas práticas, tendo em vista a aprendiza- lham (CANÁRIO, 2006).
gem significativa de todas as alunas e todos os alunos.
Muitos municípios da Chapada Diamantina já de- A formação docente continuada deve incluir a
ram importantes passos até aqui, o caminho é seguir dimensão do trabalho nas classes multisseriadas, que
qualificando ainda mais! não pode ser vista como um problema, mas como uma
importante possibilidade de perceber quanto a hetero-
Organização do tempo didático geneidade ensina. Essa inclusão é desafiadora porque,
Um dos principais desafios de profissionais que atuam ao mesmo tempo que buscam romper com a barreira
em classes multisseriadas é organizar o tempo didático da série, as escolas multisseriadas são marcadas pela
– ou seja, planejar os momentos das situações didáti- seriação e classificação dos estudantes.
cas que compõem as aulas, antecipando as propostas A organização do trabalho demanda reflexão
que ocorrerão no coletivo e aquelas que serão foco de sobre questões importantes: como as professoras e
investimento para as estudantes e os estudantes me- os professores dessas turmas organizam o tempo di-
nores (menos experientes), intermediários e maiores dático e a gestão da sala de aula? Como lidam com a
(mais experientes). Tudo isso dentro de uma proposta formatação específica da turma, considerando as di-
pedagógica ampla inserida no currículo escolar. ferentes idades e os níveis educacionais numa mesma
Para enfrentar esse desafio, é preciso considerar sala? Como lidam com os tempos de aprendizagem?
uma premissa importante colocada por Nóvoa (2009), De que forma o planejamento pedagógico é organi-
de que “é na escola e no diálogo com os outros profes- zado nessa configuração? Por quais dificuldades pas-
sores que se aprende a profissão. O registro das práti- sam? Quais os níveis da turma e quais as expectativas
cas, a reflexão sobre o trabalho e o exercício da avalia- de aprendizagem?
ção são elementos centrais para o aperfeiçoamento e Formular perguntas e buscar respostas de acor-
a inovação”. Nesse sentido, a reflexão permanente so- do com o contexto são importantes pontos de partida
bre a prática é fundamental, sem perder de vista a im- a ser considerados para que a inovação e o aperfeiçoa-
portância do aprofundamento teórico-metodológico. mento propostos por Nóvoa aconteçam.
Passos importantes têm sido dados no sentido da te- Claudia Molinari, em entrevista a Gentile (2009),
matização da prática, definida por Weisz (2002) como coloca a dificuldade que as professoras e os profes-
retirar algo do cotidiano, fazer um recorte da realidade, sores enfrentam ao ver o trabalho numa classe mul-
para transformá-lo em objeto de reflexão. Teorizar por tisseriada como “um problema que prejudica princi-
meio dessa estratégia é um importante princípio que palmente o ensino dos menores – os que demandam
contribui para que a prática da sala de aula seja um ob- mais atenção –, mas que também dificulta o dos maio-
jeto sobre o qual se pensa e se discute. Nesse sentido, res, que acabam não tendo tarefas ou atividades es-
é preciso considerar que: pecíficas que os ajudem a progredir”.
Atualmente, considera-se fundamental a inser-
A otimização do potencial formativo dos contextos de ção de práticas sociais no cotidiano escolar. É preciso
trabalho passa, em termos de formação, pela criação mobilizar ações para aproximar as alunas e os alunos

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 69


Pressupostos teórico-metodológicos das práticas pedagógicas

dos saberes necessários para interagir na sociedade, com grau de conhecimento equivalente da língua
colocando-os no papel de leitores desde cedo e inte- estivessem envolvidas na mesma tarefa para que le-
ragindo com questões locais e globais. Então, como fa- vantassem hipóteses e discutissem sobre elas sem a
zer para que os mais novos e os mais velhos aprendam, presença de um membro que já tivesse se apropriado
sem forçar demais para uns ou simplificar demais para do modelo convencional de escrita. O agrupamento
outros? Essa é uma questão cotidiana que as docentes com crianças do mesmo nível também foi usado nos
e os docentes de classes multisseriadas enfrentam. momentos em que o professor precisava intensificar o
De forma geral, as Diretrizes Operacionais para ensino de um aspecto específico, como a elaboração
a Educação Básica nas Escolas do Campo (2002) nor- de notas sobre os aspectos mais relevantes dos textos
matizam, no seu Art. 13, que: lidos e a revisão conjunta dos escritos. Sozinhos, os
estudantes leram parte do material de pesquisa, fize-
Os sistemas de ensino, além dos princípios e diretrizes ram anotações sobre o tema e elaboraram os primei-
que orientam a Educação Básica no país, observarão, ros textos, que posteriormente foram compartilhados
no processo de normatização complementar da for- com toda a turma.
mação de professores para o exercício da docência
nas escolas do campo, os seguintes componentes: Um importante aliado desse trabalho consiste
I - estudos a respeito da diversidade e o efetivo pro- em considerar as modalidades organizativas do tempo
tagonismo das crianças, dos jovens e dos adultos do didático – os modos de organizar as ações educativas
campo na construção da qualidade social da vida indi- e as situações didáticas – de forma a “construir um fio
vidual e coletiva, da região, do país e do mundo; condutor ao longo do tempo [...] [Elas] não estão con-
II - propostas pedagógicas que valorizem, na organi- figuradas por atividades separadas que se iniciam no
zação do ensino, a diversidade cultural e os processos começo do dia e têm que terminar no final da aula, para
de interação e transformação do campo, a gestão de- depois começar outras atividades” (LERNER, em en-
mocrática, o acesso ao avanço científico e tecnológico trevista para a série Grandes diálogos, do site de Nova
e respectivas contribuições para a melhoria das con- Escola, www.novaescola.org.br).
dições de vida e a fidelidade aos princípios éticos que Esse planejamento intencional favorece a anteci-
norteiam a convivência solidária e colaborativa nas pação das sequências didáticas, das atividades ocasio-
sociedades democráticas. nais, das atividades permanentes e dos projetos didáti-
cos que serão implementados e a definição dos tempos
Não basta ter clareza acerca dos componentes dedicados a cada uma deles na semana, no bimestre ou
colocados pelas diretrizes. É preciso compreender sua no trimestre letivo.
organização e distribuição no tempo didático. Quanto A lógica de trabalho numa classe multisseriada
a isso, Molinari (2009) traz importantes contribuições tem encaminhamentos comuns a quaisquer turmas,
com a experiência de um trabalho que a autora acom- como a organização por modalidades organizativas, o
panha e que tem gerado importantes resultados: planejamento de situações coletivas, colaborativas e
individuais. O diferencial é que esse planejamento será
Tínhamos um só planejamento, no qual foram previs- organizado tendo em vista a composição heterogênea
tas tarefas individuais, coletivas e em grupos, menores do grupo quanto a idades e níveis de aprendizagem. O
ou maiores, que estavam sempre se alternando. Esses planejamento considera o que as estudantes e os estu-
últimos poderiam se organizar por ciclo (ou série, de dantes menos experientes, os intermediários e os mais
acordo com a escola) ou por níveis de conhecimento, experientes sabem e precisam aprender e, com isso,
parecidos ou não, dependendo dos objetivos de cada instauram-se as situações didáticas.
etapa. [...] Em algumas ocasiões, foi interessante juntar O trabalho é desafiador, principalmente, por
alunos em diferentes fases de aprendizagem, nas quais romper com a lógica da homogeneidade e da seria-
um ajudava o outro a avançar em um determinado ção. Assim, reitera-se que é no cotidiano que ele vai se
aspecto. Noutras, era mais conveniente que crianças constituindo como prática habitual, com segurança e

70 REFERENCIAL CURRICULAR
Nas classes
multisseriadas,
a diferença de idades
pode virar uma
vantagem pedagógica
(Foto: Juciene Bernarda
da Silva/Curaçá)

clareza acerca do que realizar. Com isso, a ideia não é der a estabelecer, com a ajuda de colegas, expecta-
que as professoras e os professores façam vários pla- tivas em relação ao texto que vai ler ou ouvir (pres-
nejamentos, um para cada ano de escolaridade, porque suposições antecipadoras dos sentidos, da forma e
essa prática, além de sofrida, não é significativa. Era da função social do texto), apoiando-se nos conheci-
bastante comum encontrar professoras e professores mentos prévios que têm sobre as condições de pro-
que dividiam a sala, usavam dois quadros e faziam um dução e recepção desse texto, o gênero, o suporte e o
plano de aula para cada grupo organizado por série. universo temático, bem como sobre saliências textu-
Esses profissionais ficavam na correria para dar conta ais (aspas, negrito, itálico, destaques gráficos, forma-
de todo o trabalho, dividindo-se entre várias atividades tação especial de letra), recursos gráficos, imagens e
simultâneas e sem conexão. Mas as estudantes e os es- dados da própria obra (índice, prefácio etc.). Já quem
tudantes, com toda essa diversidade, estão juntos em está nos níveis intermediários e avançados na leitura
um mesmo espaço e isso precisa ser olhado e conside- e escrita terá de aprender a estabelecer tais expecta-
rado, principalmente do ponto de vista do que pode-se tivas em relação ao texto com autonomia.
aprender uns com os outros. As expectativas de aprendizagem sinalizarão os
É fundamental definir expectativas de aprendi- caminhos a ser trilhados e, com base neles, a definição
zagem para as classes multisseriadas, explicitando o dos objetos de ensino ficará mais evidente. Vale, com
essencial a ser alcançado a fim de atender ao direito isso, pensar sobre quais as situações didáticas que po-
de aprender das crianças e dos jovens. dem ser planejadas para toda a turma e quais precisa-
Quanto às estratégias de leitura, por exemplo: rão ser organizadas agrupando estudantes por ciclo ou
Numa classe multisseriada, todas e todos precisam
O por conhecimentos próximos.
aprender a localizar informações explícitas em um Uma mesma proposta pode ser instaurada com
texto. Porém, quem está no início da escolaridade duas situações simultâneas. Por exemplo: um trabalho
(que ainda não lê nem escreve convencionalmente), para conhecer mais o perfil e a produção de determi-
poderá fazê-lo, em textos simples, com a ajuda da nados autores, em que um grupo lê diferentes livros
professora ou do professor, das colegas e dos cole- com poemas de Cecília Meireles e outro lê crônicas de
gas. Já que é mais experiente na leitura e escrita lo- Carlos Drummond de Andrade – quem não sabe ler
calizará informações explícitas, com autonomia, em convencionalmente deve ser agrupado com quem já
textos com maior complexidade. o faz. Ao finalizar, eles trocam impressões entre si em
Estudantes no início da escolaridade precisam apren-
O uma situação coletiva de exposição oral.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 71


Pressupostos teórico-metodológicos das práticas pedagógicas

Numa situação de biblioteca de classe, por sua guagem escrita e o processo redacional, contando com
vez, uma possibilidade de organização do trabalho as intervenções de alguém mais experiente – a profes-
pode ser seguido de acordo com o modelo apresenta- sora, ou o professor.
do na Tabela 1 (abaixo). Já nas situações didáticas em pequenos grupos
Nesse exemplo, é possível observar que toda a ou em duplas, a professora, ou o professor, define o
classe aprenderá sobre a organização do cantinho com papel de cada estudante. Por exemplo, enquanto um
livros, como é feito socialmente em uma biblioteca, as ajuda recuperando oralmente as ideias do texto, o ou-
formas de catalogação para uma boa organização dos tro registra, pois pode escrever com mais autonomia
livros a ser disponibilizados para empréstimo, bem naquele momento.
como sobre o sistema de escrita e a linguagem escrita As escritas cotidianas contribuem com as alunas
no processo de construção coletiva da agenda de leitu- e os alunos que ainda precisam se apropriar do sistema
ra. Para além disso, os que ainda não sabem ler e escre- alfabético de escrita de forma individual, em pequenos
ver convencionalmente aprenderão sobre as letras do grupos ou em duplas, com algumas propostas tais como:
alfabeto no contexto de leitura e de escrita de nomes produção de listas de títulos de livros do cantinho de lei-
próprios e dos próprios nomes e farão relações quanti- tura, trabalho com nomes próprios no registro de em-
tativas e qualitativas. Os que estão no processo inter- préstimo de livros e lista de responsáveis por uma ati-
mediário desenvolverão a leitura e a escrita ampliando vidade, agendas de leitura que possibilitarão situações
as relações qualitativas. Quem já lê e escreve com cer- de escrita ou cópia dos títulos dos livros já lidos com
ta autonomia avançará na ortografia ao escrever lista comentário sobre a obra e, com isso, ter controle na or-
de títulos de livros, na leitura das obras literárias e na ganização das leituras. Estudantes mais avançados, que
produção de texto. produzem com maior autonomia, podem resolver pro-
Com isso, pode-se organizar projetos didáticos blemas relacionados a ortografia, a separação entre as
que possibilitem o planejamento, a textualização, a re- palavras, aos usos da letra maiúscula etc.
visão e a edição das produções textuais tendo em vis- Em Matemática, para citar outro exemplo, o tra-
ta os propósitos didáticos e comunicativos elencados balho com resolução de problemas precisa envolver
para a turma, conhecendo bem o seu perfil. toda a turma. Mas, para que o trabalho seja desafiador,
Coletivamente, as produções de texto oral com é preciso atuar considerando o conhecimento real e a
destino escrito favorecem a aprendizagem sobre a lin- zona de desenvolvimento proximal, conceito proposto

Tabela 1 – Organização de biblioteca de classe

Toda a classe Estudantes que não Estudantes que leem e Estudantes que leem
leem e escrevem escrevem com pouca e escrevem com
convencionalmente autonomia autonomia

Biblioteca de classe (uma Leitura de capas Leitura de capa de livros, Leitura e escrita de títulos
vez por semana). dos livros, cópia das escrita para catalogação. de livros.
informações da capa dos
Organização do acervo
O Escrita na lista de
O Organização em
O
livros para catalogação.
da classe e catalogação empréstimo. ordem alfabética na
dos livros. Escrita na lista de
O
catalogação.
Relação entre palavras
O
empréstimo com apoio
Registro de empréstimo.
O
iniciadas e terminadas Registro da agenda de
O
das fichas.
com a mesma leitura.
Escrita das listas de
O
Relação entre títulos e
O
sonoridade.
livros. Produção de indicações
O
nomes próprios da turma
literárias dos livros de
Agenda de leitura
O – relações quantitativas
que a turma mais gostou.
coletiva. e qualitativas.

72 REFERENCIAL CURRICULAR
por Vygotsky (2007), que considera que “o desenvol-
vimento [...] se dá não em círculo, mas em espiral, pas-
sando por um mesmo ponto a cada nova revolução,
enquanto avança para um nível superior”.
Para tanto, é fundamental um mapeamento com
os saberes da turma e o que cada estudante precisa
Mais sobre
avançar, com base nos conhecimentos de que dispõe e
alfabetização inicial
do que é fundamental que aprenda. É importante fazer
um levantamento do que será explorado com toda a
Para se aprofundar mais no tema, consulte
classe, com estudantes dos primeiros anos de escolari-
o capítulo Práticas cotidianas de leitura e
dade e com os mais experientes. Uma possibilidade de
escrita da publicação Situações didáticas na
organização do trabalho com resolução de problemas
alfabetização inicial, coleção Educar em Rede,
em um bimestre letivo pode ser seguido de acordo com
publicada pelo Icep.
o apresentado na Tabela 2 (abaixo). Com isso, toda a
classe será desafiada a continuar aprendendo sobre o
campo aditivo (adição e subtração), alguns na perspec-
tiva de iniciar as construções de conhecimento e outros Os princípios norteadores do trabalho precisam
na sistematização de procedimentos e algoritmos. ser considerados também nas demais áreas do co-
No campo multiplicativo, as estudantes e os es- nhecimento ligadas às Ciências Naturais e às Ciências
tudantes dos primeiros anos se aproximam da ideia de Sociais. O passo importante é sempre organizar as
proporcionalidade e de organização retangular, com expectativas de aprendizagem para a turma, identifi-
problemas práticos, enquanto os mais experientes cando o que precisará ser coletivo, colaborativo e es-
avançam no conhecimento de multiplicação e divisão, pecífico para determinados grupos. Esse planejamento
desenvolvendo estratégias pessoais e procedimentos considera que a configuração das aulas pode se dar de
que expliquem os algoritmos. Essa organização pode diversas maneiras, pois não há uma forma única de or-
ser feita em todo o trabalho com a Matemática e suas ganização. Conforme o avanço nas aprendizagens, os
unidades temáticas: Números, Álgebra, Geometria, planejamentos vão sendo revistos e modificados ao
Grandezas e Medidas, Probabilidade e Estatística. longo do tempo didático.

Tabela 2 – Organização do trabalho com resolução de problemas

Toda a classe 1º e 2º ano de escolaridade Do 3º ao 5º ano de escolaridade

Resolução de situações-problema.
O Resolução de problemas
O Cálculo mental e algorítmico de
O

que envolvem a produção e a operações de adição e subtração


Jogo de tabuleiro, envolvendo as
O
comparação de quantidades. que envolvem sistematização
ações de juntar, acrescentar, tirar e
de procedimentos de cálculos
comparar. Resolução de problemas que
O
que possam ser utilizados com
envolvem os primeiros sentidos
autonomia pelos alunos.
de unir e acrescentar por meio da
utilização de estratégias pessoais
diversificadas e eficientes.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 73


Pressupostos teórico-metodológicos das práticas pedagógicas

Estabelecidas as expectativas de aprendizagem, próprios em geral e o nome das alunas e dos alunos
outro passo importante é a seleção dos conteúdos considerando as hipóteses de escrita; e por níveis
que serão ensinados ao longo dos bimestres ou tri- distintos, a leitura com autonomia por quem já lê com
mestres letivos. autonomia e fluência para aqueles que ainda não o fa-
Por exemplo: numa classe seriada, é possível fazer zem convencionalmente. Uma opção em que os me-
um planejamento de um projeto didático de reescrita de nores ajudam os maiores é, ao ouvir a leitura com au-
conto de assombração para o 4º ano no primeiro bimes- tonomia, sinalizar sobre a entonação, o volume da voz
tre; já numa classe multisseriada, esse projeto contem- e as partes da história que não foram contempladas.
plaria a todos? O trabalho ocorreria de forma produtiva Situações individuais Uma estratégia é todos faze-
O

considerando as crianças mais novas e aquelas com ida- rem a mesma atividade de maneira individual, como
de maior? Ao analisar a configuração da classe, é possí- os diagnósticos para saber como estão a leitura, a
vel, por exemplo, considerar que o trabalho com contos compreensão do sistema de escrita, a produção de
clássicos da literatura universal, como Chapeuzinho Ver- texto e a resolução de situações-problema de um
melho e Os três porquinhos, favorece uma aproximação mesmo campo. Outra estratégia é a situação com
maior da linguagem para os menores (menos experien- atividades diferentes realizadas individualmente, tais
tes nas práticas sociais de leitura e escrita), mas pode ser como a escrita por alguns de um texto que todas e
considerado simples e não interessar aos maiores. Já os todos sabem de memória, como uma parlenda, e por
contos de aventura, como O rei Artur e os cavaleiros da outros a escrita da resenha do livro de parlendas; en-
Távola Redonda, podem ser difíceis demais para os me- quanto uns resolvem problemas do campo aditivo,
nores e instigante para os maiores. outros resolvem do campo multiplicativo.
Considerando que as situações didáticas devem Diante de todo o diálogo proposto neste texto,
ser desafiadoras e é preciso atuar na zona de desenvol- a ideia é continuar refletindo sobre o trabalho que
vimento proximal, pode-se planejar o projeto de rees- vem sendo realizado nas classes multisseriadas. É im-
crita de contos na classe multisseriada, desde que um portante levantar questões e procurar respondê-las
grupo leia contos clássicos e outro contos de aventura. elegendo as ferramentas que são favoráveis a uma
Todos estarão envolvidos num mesmo projeto, com construção cada vez mais colaborativa, usando um
propósitos comunicativos compartilhados e construí- currículo que considere a realidade em que a escola se
dos com a turma, mas com especificidades para que o encontra. Isso possibilitará a elaboração de planos de
projeto seja significativo e possibilite avanço de cada ensino igualmente baseados na realidade, que contem-
estudante diante do nível de maturidade e desenvolvi- plem as expectativas de aprendizagem dos diferentes
mento em que se encontre. estudantes como cidadãos de direito que precisam se-
Assim, no planejamento anual de ensino das situ- guir aprendendo com cada vez mais qualidade.
ações bimestrais ou trimestrais é importante constar
três tipos:
Situações coletivas Avaliar e definir os conteúdos
O

2.5 Avaliação como


comuns para toda a turma, tais como a linguagem
escrita própria dos contos, construção e aperfeiçoa-

processo formativo
mento do sistema alfabético de escrita nas situações
de escritas cotidianas e comunicação oral em situa-
ções formais e informais de uso.
Situações em grupos Antecipar os conteúdos que
O A avaliação é parte integrante do processo de interação
serão tratados nos agrupamentos produtivos, que que se desenvolve entre professor e aluno.
devem ser organizados por proximidade de nível Do ponto de vista do aluno, a avaliação se funde
mas também por níveis distintos. Assim, os maiores com a aprendizagem quando a valida ou reorienta.
ajudam os menores e vice-versa. Um exemplo de pro- Do ponto de vista do professor, a avaliação atua como
posta por níveis próximos é a escrita de listas, nomes reguladora do processo de ensino (CAMILLONI, 1998)

74 REFERENCIAL CURRICULAR
O papel da avaliação nos processos de ensino e determinados saberes. Ao elaborar o desencade-
de aprendizagem está fortemente vinculado à finali- ador, deve-se considerar as condições para que
dade do sistema escolar. Com base no pressuposto todas e todos o realizem, oferecendo tempos, ma-
de que é preciso levar alunas e alunos a adquirirem teriais, interações, referências etc., a fim de que
competências para participarem ativamente da so- a falta dessas condições não gere distorção no
ciedade, é preciso instituir processos de avaliação resultado da avaliação.
que contribuam para a aprendizagem dos saberes 2. Observar e interpretar A professora, ou o pro-
necessários para esse objetivo. Como afirma Alicia fessor, cria maneiras de registrar a produção da
Camilloni no trecho citado, a avaliação deve aten- turma que sejam, ao mesmo tempo, isentas de sua
der a todos os protagonistas do processo de apren- intervenção e facilmente recuperável para interpre-
dizagem: às aprendizes e aos aprendizes, oferecer tação. É preciso elaborar previamente códigos para
devolutivas sobre suas conquistas e necessidades; registro em tabelas ou outras formas que permitam
às professoras e aos professores, dar devolutivas uma visão objetiva dos saberes demonstrados pelas
sobre a eficácia de suas propostas de ensino; e à co- alunas e pelos alunos sem a “contaminação” do olhar
munidade, fornecer informações sobre os conheci- docente, que pode ser influenciado, por exemplo,
mentos das alunas e dos alunos para definir se eles pelo comportamento disciplinar.
precisam de ajuda ou desafios ou se estão prontos 3. Analisar Definir previamente rubricas que in-
para aprender o que está no programa curricular da- diquem como cada desempenho representa a
quele momento. Cada um desses aspectos influen- aquisição dos saberes avaliados. A comparação
ciará a forma de avaliar e o instrumento a ser usado. da produção das alunas e dos alunos com as rubri-
Perrenoud (1999) afirma: “É formativa toda cas vai permitir às professoras e aos professores
avaliação que auxilia o aluno a aprender e a se de- identificar quais atingiram os objetivos e em que
senvolver, ou seja, que colabora para a regulação das grau e aquelas e aqueles que não os alcançaram.
aprendizagens e do desenvolvimento no sentido de Ou, ainda, se há algum grupo que não se apro-
um projeto educativo”. Essa definição está intima- priou de alguns saberes e precisa de intervenção
mente ligada ao seu propósito. Será formativo todo específica.
processo de avaliação que for usado no sentido de 4. Remediar Depois da análise, é hora de pensar nas
promover maior aprendizagem às alunas e aos alu- intervenções a favor da aprendizagem de todas e
nos. Assim, uma avaliação somativa, elaborada para todos. As ações podem ser voltadas ao processo de
identificar como elas e eles chegaram ao final de um ensino – sequências didáticas se a maior parte da
processo de aprendizagem, poderá ser considerada turma não se apropriou dos saberes almejados, ou
formativa se os resultados gerarem ações a favor do novos desafios, caso todas e todos estejam além das
aprendizado tais como decisões sobre agrupamen- metas estabelecidas – ou voltadas ao processo de
tos diferentes, reformulação do programa de ensino, aprendizagem, oferecendo ajudas específicas a uma
elaboração de materiais complementares e outros. aluna, ou a um aluno, ou a um grupo.
Ao contrário, se a avaliação somativa for usada ex- Colocar a aluna e o aluno no centro do proces-
clusivamente para classificar e, talvez, excluir, não so de aprendizagem implica compartilhar com ela e
terá caráter formativo. com ele a responsabilidade pelo aprendizado por meio
Definem-se quatro etapas fundamentais no da avaliação formativa. Fornecer mecanismos para a
processo de avaliação formativa: autorregulação derivados das devolutivas precisas,
1. Desencadear Criar um dispositivo para levar as acompanhadas de apoios e revisão dos processos de
alunas e os alunos a ativar os saberes que se quer ensino, é parte essencial de processos educacionais
avaliar; são as perguntas de uma prova, as ativida- que visam a formação de estudantes cada vez mais au-
des a realizar, as tarefas complexas a cumprir, os tônomos e conscientes tanto de sua aquisição dos con-
jogos coletivos, enfim, as propostas que só pode- teúdos como do desenvolvimento de suas estratégias
rão ser realizadas se cada uma e cada um ativarem de estudo e aprendizagem.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 75


A garantia do direito à aprendizagem está atrelada às concepções de ensino
em cada área do conhecimento (Foto: Marco Athayde/São Félix do Coribe)

3 Componentes
curriculares
E ste capítulo é reservado aos componentes curri-
culares dos anos iniciais do Ensino Fundamental e
são acompanhados das tabelas com as aprendizagens
temáticas, assim como os principais conteúdos que
serão abordados nesta etapa da escolaridade.
O objetivo desses textos é dar às professoras
esperadas e os respectivos indicadores de avaliação. e aos professores todas as referências necessárias
Eles estão organizados na ordem apresentada para situar e embasar a sua atuação em sala de aula.
pela BNCC e agrupados em áreas (nesta publica- Há também tabelas – uma para cada ano – organiza-
ção, representadas por cores diferentes): Linguagem das em duas colunas. Na da esquerda estão listadas
(Língua Portuguesa, Arte e Educação Física) em azul; as aprendizagens esperadas. Na da direita, os indica-
Matemática em roxo; Ciências da Natureza em verde; dores de avaliação referentes às aprendizagens, que
Ciências Humanas (Geografia e História) em laranja; apontam o que precisa ser observado ao final de uma
e Ensino Religioso em cinza. sequência didática ou de um período de estudo e apa-
Cada componente curricular apresenta os mar- recem em forma de pergunta. Com isso, pretende-se
cos teóricos que sustentam as propostas aqui apre- orientar as docentes e os docentes na hora de avaliar
sentadas e trazem a contextualização das unidades a sua turma.

76 REFERENCIAL CURRICULAR
Língua Portuguesa

LÍNGUA PORTUGUESA

Marcos da concepção
Para evidenciar a base teórica que embasa este com- As referências assumidas neste documento
ponente, o texto tratará da concepção de linguagem abarcam tanto a pertinência dos estudos da área a res-
verbal e língua e os textos que circulam socialmente peito do objeto nas últimas décadas quanto as discus-
(o contexto de produção e os gêneros) como unidade sões acadêmicas sobre o ensino da linguagem verbal
de ensino. na atualidade. Além disso, considera os documentos
de referência resultantes das políticas educacionais
federais e estaduais, sobretudo os Parâmetros Curri-
Concepção de linguagem culares Nacionais (PCN), de 1997/98, a Base Nacional
verbal e língua Comum Curricular (BNCC), de 2017, e o Currículo da
Bahia, de 2018.
[...] o modo como se concebe a natureza fundamental A concepção de linguagem verbal, tanto na mo-
da língua altera em muito o como se estrutura o traba- dalidade oral quanto na escrita, que orienta o trabalho
lho com a língua em termos de ensino. A concepção de com o componente de Língua Portuguesa no currículo
linguagem é tão importante quanto a postura que se do ADE Chapada Diamantina e Regiões reconhece o
tem relativamente à educação (TRAVAGLIA, 2002). caráter histórico e dialógico da linguagem, que surgiu
da necessidade humana de organizar e significar sua
Assumir uma concepção de língua e linguagem experiência. Essa significação vai além do reconheci-
tendo clareza de suas implicações para o processo de mento dos objetos que materializam a vivência humana.
ensino e aprendizagem é fundamental na elaboração A construção da linguagem revela-se em um pro-
de documentos curriculares. cesso de significação dinâmico do mundo e do próprio
Além disso, é preciso ter a clareza de que todo homem, que continua a acontecer dia a dia. Isso signi-
documento carrega em si uma opção política: fica dizer que a linguagem é uma forma de ação inte-
rindividual que, ao se transformar, também age sobre
De certa forma, uma proposta pedagógica nunca é o sujeito que a produz, modificando tanto os modos
meramente técnica. Ela é principalmente política, por- como este a utiliza, como ele próprio e as práticas de
que propõe rupturas, sugere escolhas, incita a tomada linguagem de que faz uso.
de novas posturas pedagógicas e de decisões movidas No que se refere à concepção de língua, Geraldi
pelas circunstâncias históricas. Por isso mesmo ela é explica que:
sempre uma proposta político-pedagógica conside-
rando, inclusive, que o próprio trabalho educacional a) a língua pode ser compreendida como uma das va-
jamais é neutro: sempre se orienta por certos princípios riedades linguísticas utilizadas por determinada co-
e concepções de Educação, escola, homem e mundo” munidade, a chamada língua-padrão ou norma culta;
(Grupo de Trabalho Territorial, 2019). b) a língua pode ser concebida como uma construção

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 77


Componentes curriculares

teórica, abstrata, que não prevê variações no siste- é pequena. Quando a palavra está descontextualizada,
ma, um instrumento de comunicação. quando está apenas disponível na língua, representa
um conjunto de possibilidades de significação. Mas,
O autor explica que essas conceitualizações de quando está inserida em um texto, em um discurso, o
língua são excludentes, por tratar a língua como unifor- seu significado é redefinido, é atualizado.
me, por não levar em conta as outras formas de falar da Compreende-se, assim, que a linguagem verbal é
população, desconsiderando, assim, tanto os falantes a língua em funcionamento: a língua, portanto, é cons-
que se manifestam de outra maneira por utilizar uma titutiva da linguagem. Nesse sentido, reafirma-se o ca-
variedade local, quanto os sujeitos falantes que não se ráter histórico, social e dialógico da linguagem.
manifestam verbalmente sempre da mesma maneira, A linguagem é histórica porque, ao longo do tem-
por analisar a adequação da sua fala à situação comu- po, cada idioma vai se modificando. Isso ocorre, por
nicativa, ajustando-a. exemplo, quando novas palavras são incorporadas ao
Para Geraldi ([1984] 2004), a língua pode ser vis- léxico (como bullying) ou quando diferentes formas de
ta como “o conjunto de variedades utilizadas por uma organizar os enunciados vão se constituindo (como
determinada comunidade, reconhecidas como heterô- “Partiu Salvador”).
nimas. Isto é, formas diversas entre si, mas pertencen- Do mesmo modo, o registro gráfico do idioma
tes à mesma língua”, que se influenciam mutuamente. de diferentes povos foi se constituindo de maneiras
Nesse sentido, concordando com o autor, é pos- distintas: inicialmente por desenhos, assumindo pos-
sível dizer que a concepção que se tem de língua estará teriormente a forma de hieróglifos, de registros cunei-
diretamente relacionada aos sujeitos, os falantes que, formes, chegando à constituição de sistemas ideográ-
como já dito, não falam uma língua uniforme, padrão, ficos, silábicos ou, ainda, alfabéticos.
sempre do mesmo jeito. A linguagem é social porque sua construção se
Pode-se dizer que a língua é o idioma, um siste- dá em decorrência das necessidades dos grupos so-
ma complexo de referir o mundo, com uma gramática ciais nos diferentes momentos da sua história, e não de
própria – regras de organização interna dos elementos modo individual. Um exemplo disso é a incorporação,
dos enunciados – e com sentidos dicionarizados, que aos diferentes idiomas, de expressões originárias de
se encontra à disposição dos falantes. países que detêm e desenvolvem determinada tecno-
Esse idioma se atualiza na produção dos discur- logia, como a da informática (as palavras “deletar” e
sos, dos enunciados, ou seja, quando entra em fun- fazer “download”).
cionamento. Nesse momento, o idioma se torna lin- Outro exemplo é o surgimento de novos gêneros.
guagem. Dito de outra maneira, a linguagem verbal é A crônica, por exemplo, não circula em todos os países;
considerada a língua em funcionamento. Explicando: é só naqueles cuja necessidade social apresentou a de-
na produção dos textos – sejam orais, escritos ou mul- manda de tratar situações do cotidiano – ou apresen-
timodais – que os sentidos das palavras se atualizam, tar reflexões sobre elas – de modo mais rápido, com
tanto de acordo com o contexto sócio-histórico no linguagem mais coloquial, para ser publicada, original-
qual o texto foi produzido quanto no contexto interno mente, nos jornais.
ao texto, analisando a sua construção linear. Por exem- O caráter dialógico da linguagem refere-se ao
plo, ao perguntar qual o sentido da palavra dançar, cer- fato de que o discurso que faz uma pessoa – seja ele es-
tamente o primeiro significado que virá à mente será crito ou oral – nunca é inaugural, mas relaciona-se com
algo como “movimentar-se ritmicamente ao som de os discursos produzidos por outros acontecidos antes
determinada música”, mas sabe-se que num contexto dele. Isso nada tem a ver com ser um discurso origi-
de conversa informal sobre uma situação de desem- nal, inédito. O fato é que todas e todos vivem e circu-
prego, dizer “ele dançou” assume outro sentido. lam em grupos sociais em que certas ideias vão sendo
Como se pode notar, é no uso da língua – portan- veiculadas e se modificando justamente pelo contato
to, na linguagem – que o sentido das palavras se atua- que acontece entre elas. Assim, essas ideias se aperfei-
liza. No dicionário, a lista de significados possíveis não çoam e se organizam com base no conhecimento que

78 REFERENCIAL CURRICULAR
Língua Portuguesa

vai sendo produzido sobre o assunto naquele espaço Uma decorrência importante dessa concepção
ou naquela esfera. Por exemplo, a ideia de que o voto enunciativo-discursiva de linguagem para o ensino da
deveria ser também um direito das mulheres, e não só língua materna é o seu caráter não transmissível, isto
dos homens, não nasceu pronta; ao contrário, foi fruto é, “os indivíduos não recebem a língua pronta para ser
de muita discussão e luta ao longo de décadas. usada”. Dado o processo contínuo de evolução, só lhes
No Brasil, só com a Constituição de 1934 as mu- resta “penetrarem na corrente de comunicação ver-
lheres passaram a ser eleitoras, embora a discussão bal” (Bakhtin/Volochinov, [1929] 1997), sendo impres-
já estivesse colocada na Constituição Monárquica de cindível um processo de integração por imersão na
1824 (que não proibia expressamente o voto feminino) língua (sistema) e na linguagem (língua em uso), ou seja,
e, em 1927, o Rio Grande do Norte já tivesse saído na no processo de interlocução que acontece nas práticas
frente reconhecendo o direito das mulheres ao voto no sociais de leitura, de produção de textos orais, escritos
Art. 17 da Lei Eleitoral, sendo a primeira mulher a votar e multissemióticos.
uma professora1. Para tanto, a indicação é que a unidade-base do
Lutas como essa evidenciam uma característica trabalho em sala de aula seja o texto, que inevitavel-
fundamental da linguagem verbal: ela é ideológica. mente se organiza em gêneros, tendo como conteúdo
Isso quer dizer que, ao falar, as pessoas expressam as práticas de linguagem:
inevitavelmente – quer tenham consciência ou não –
os valores que têm e que as orientam a respeito do Na esteira do que foi proposto nos Parâmetros Cur-
assunto em pauta. riculares Nacionais, o texto ganha centralidade na
A construção da linguagem revela-se, portanto, definição dos conteúdos, habilidades e objetivos, con-
um processo dinâmico e cotidiano de significação do siderado a partir de seu pertencimento a um gênero
mundo e do próprio homem. Nesse sentido, é funda- discursivo que circula em diferentes esferas/campos
mental a escola acompanhar as mudanças implicadas sociais de atividade/comunicação/uso da linguagem.
na atualização constante dos diferentes modos de co- Os conhecimentos sobre os gêneros, sobre os textos,
municar e na maneira como as pessoas dão sentido à sobre a língua, sobre a norma-padrão, sobre as dife-
experiência de significar a si mesmas, ao mundo e ao rentes linguagens (semioses) devem ser mobilizados
outro – e se preparar para essas transformações. em favor do desenvolvimento das capacidades de lei-
A BNCC resgata a concepção de linguagem pre- tura, produção e tratamento das linguagens, que, por
sente nos PCN e elucida a esse respeito: sua vez, devem estar a serviço da ampliação das pos-
sibilidades de participação em práticas de diferentes
Assume-se aqui a perspectiva enunciativo-discursiva de esferas/campos de atividades humanas.
linguagem, já assumida em outros documentos, como
os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), para os Ao componente Língua Portuguesa cabe, então, pro-
quais a linguagem é “uma forma de ação interindividual porcionar aos estudantes experiências que contribuam
orientada para uma finalidade específica; um processo para a ampliação dos letramentos, de forma a possibi-
de interlocução que se realiza nas práticas sociais exis- litar a participação significativa e crítica nas diversas
tentes numa sociedade, nos distintos momentos de sua práticas sociais permeadas/constituídas pela oralida-
história” (BRASIL, 1998: apud BNCC, 2017). de, pela escrita e por outras linguagens (BNCC, 2017).

1. Para saber mais sobre esse assunto, consulte o site do Tribunal Superior Eleitoral em http://www.tse.jus.br/eleitor/glossario/termos/
voto-da-mulher, acesso em 28/3/2020.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 79


Componentes curriculares

Os textos como unidade não é, portanto, o mesmo que texto. Este é a concre-
de ensino, o contexto de produção tude do discurso produzido, a sua realidade material, o
e os gêneros objeto sobre o qual devem se concentrar as atividades
de ensino e de aprendizagem. Para compreender me-
[...] toda palavra comporta duas faces. Ela é determi- lhor a diferença entre as duas ideias, é só pensar que
nada tanto pelo fato de que procede de alguém, como conto é um gênero, mas existem milhares de contos
pelo fato de que se dirige para alguém. Ela consti- disponíveis para apreciação. Mesmo quando se trata
tui justamente o produto da interação do locutor e de um conto específico, ainda é possível encontrar vá-
do ouvinte. Toda palavra serve de expressão a um em rias versões; ou seja, nesse caso, há um único conteú-
relação ao outro. Através da palavra defino-me em re- do temático – uma única história – e textos diferentes
lação ao outro, isto é, em última análise, em relação à para dizê-lo.
coletividade (BAKHTIN; VOLOCHINOV, 2006). Os gêneros foram sendo criados pelos diferentes
grupos sociais para atender às necessidades que foram
Com base na definição de texto como atividade surgindo ao longo da história, que são responsáveis
verbal, na compreensão de língua como forma de inte- pelas distintas esferas de conhecimento humano ou
ração entre os sujeitos, e na escrita como um sistema campos de atuação, como foi denominado na BNCC e
de notação gráfica da língua e da linguagem, o estudo neste documento.
de ambas começa a ir além das relações referenciais do É preciso considerar, também, que os gêneros
texto em si, passando a se conectar com os propósitos circulam pelas diferentes esferas/campos de atuação
comunicativos, com as situações em que os textos se humana. Um exemplo disso são os artigos científicos,
inserem. Sendo assim, os textos devem estar sempre característicos do campo acadêmico-científico, que
articulados ao seu contexto de produção, seja na leitu- também circulam na esfera jornalística. Nessa condi-
ra/escuta – quando se recuperam as características da ção, em virtude das modificações que sofrem em ter-
situação na qual foi produzido para realizar uma leitura mos de registro linguístico e grau de aprofundamento
com maior compreensão –, seja na escrita/fala – quan- da discussão científica que apresentam (sejam eles
do o produtor orienta o texto para o contexto definido, para uma revista destinada a crianças, a adolescentes
buscando ajustá-lo às possibilidades de compreensão ou a técnicos, por exemplo), passam a ser denomina-
do leitor, ao gênero, ao portador no qual será publica- dos de artigos de divulgação científica. As resenhas,
do, ao espaço de circulação previsto e às finalidades por sua vez, também circulam no campo jornalístico
pretendidas. (tratando de diferentes produtos culturais: livros, fil-
Tal como afirma a BNCC, a proposta de trabalho mes, espetáculos teatrais e de dança etc.), acadêmico-
aqui apresentada -científico e escolar.

[...] assume a centralidade do texto como unidade de Mas por que gêneros de texto?
trabalho e as perspectivas enunciativo-discursivas na Os estudos na área de língua evidenciaram que a su-
abordagem, de forma a sempre relacionar os textos perestrutura2 dos discursos, ou seja, os tipos textuais
a seus contextos de produção e o desenvolvimento conhecidos como narrativo, descritivo e argumenta-
de habilidades ao uso significativo da linguagem em tivo, pode até ser considerada, mas não é suficiente
atividades de leitura, escuta e produção de textos em para a formação de leitores e produtores de textos
várias mídias e semioses (BNCC, 2017). competentes. Ter conhecimento de que a narrativa
apresenta um cenário (que inclui a descrição das per-
Todo texto se organiza em um gênero. Gênero sonagens, do lugar e a determinação do tempo, além da

2. O conceito de Van Dijk sobre a superestrutura da narrativa, proposto como um esquema (cenário, complicação, resolução...), no início da
década de 1970 (Van Dijk, 1977), contribuiu para o aprimoramento do trabalho com textos.

80 REFERENCIAL CURRICULAR
Língua Portuguesa

situação inicial, um conflito e sua resolução e desfecho) Produzir um texto, oral ou escrito, supõe – ainda que
não permite que a estudante, ou o estudante, construa não de maneira consciente – a articulação de diferen-
uma representação do seu interlocutor, da situação em tes imagens construídas sobre o contexto da situação
que o texto irá circular e da finalidade que tem ao ser comunicativa (BRÄKLING, 2001)3.
produzido para escolher como organizar seu discurso.
Ter esse conhecimento do que é uma narrativa não aju- Definir as características do contexto em que os
dará a saber como descrever um personagem/herói ao textos serão produzidos na escola permite que a es-
criar uma narrativa no gênero conto de fadas ou se a tudante, ou o estudante, tenha clareza de: para quem
produção for uma narrativa de aventura ou, ainda, um escreverá, com qual finalidade, em qual gênero será
romance policial. organizado, onde circulará, em qual portador e em que
Atualmente, compreende-se que, “[...] apesar veículo será publicado.
de sermos capazes de reconhecer essas categorias Desse modo, considerando que todo texto ou
numa fábula, num conto de fadas, numa crônica literá- discurso é produzido por alguém que fala de um lugar
ria, num romance policial, num romance de aventura social (mãe, professora, responsável pela merenda,
etc., sabemos que esses gêneros possuem diferenças diretora etc.), pode-se dizer que o lugar de onde se
entre si” (BARBOSA, 2002) que devem ser tematiza- fala é uma das características do contexto de produ-
das em sala de aula. ção textual.
Assim, é indicado considerar que todo discurso Outra característica é a finalidade que se tem
– oral ou escrito – se manifesta por meio de um texto para elaborar o texto – que já carrega em si um indi-
– oral ou escrito – que, inevitavelmente, se organiza cador de qual será o gênero mais adequado para atin-
em diferentes gêneros. Esses são enunciados relati- gi-la. Além disso, saber ou definir o portador (livro,
vamente estáveis (BAKHTIN, 1997), formas de dizer jornal, revista, almanaque, blog, videoblog, outdoor,
criadas com base nas necessidades comunicativas do flyer, entre outros) e o lugar de circulação (escola,
indivíduo que se encontram disponíveis na cultura cidade, bairro, seminário de uma faculdade, redes
para que possam ser utilizadas e para que os discur- sociais, por exemplo) já antecipa muitas das repre-
sos sejam organizados. sentações que o escritor possui sobre o interlocutor
Os gêneros são caracterizados por três elemen- (pessoa a quem o texto se destina), as quais também
tos: o conteúdo temático, que corresponde ao que são definidoras do conteúdo e da linguagem do texto
é dizível por meio daquele gênero, o tema geral que (mais ou menos formal, escolhas de expressões lexi-
todo texto daquele gênero tem (as cartas de amor, cais, exemplos apresentados, entre outros aspectos).
por exemplo, apresentam um conteúdo ligado às re- Todas essas características se articulam no pro-
lações amorosas, diferentemente do conteúdo das cesso de produção de um texto, pois um bom escritor
cartas de solicitação); a organização composicional, sabe que a clareza de suas ideias depende das possi-
que é a forma como se estruturam internamente os bilidades de atribuição de sentido colocadas no texto
textos; e o estilo, que são as marcas linguísticas típi- para o leitor, as quais se sustentam em todas as es-
cas do gênero em questão. colhas realizadas no processo de escrita. Nesse sen-
Os gêneros estão, portanto, sempre vincula- tido, levar essas características em conta coloca para
dos a um domínio de atividade humana orientado o escritor uma possibilidade maior de ter o seu texto
pelo contexto de sua produção. Considerá-los nas compreendido pelo leitor.
propostas de ensino e aprendizagem supõe ir além É importante esclarecer que o conceito de con-
da estrutura dos textos e considerar o contexto de texto de produção dos textos é imprescindível também
produção. nas situações de leitura e escuta de textos, atividades

3. In Oficina Cultura 4 – Momento 1; SEE/Fundação Vanzolini. PEC – Formação Universitária; 2001.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 81


Componentes curriculares

em que o exercício será de recuperação desse contex- um livro em que o sentido está na articulação das várias
to. Nesse caso, assumindo papel de leitor, a professo- linguagens nele contidas (imagens, fotos e ilustrações;
ra, ou o professor, deverá recuperar os aspectos que cores; gráficos; esquemas; texto verbal etc.).
orientaram a produção do texto de modo a permitir Por causa das ferramentas digitais hoje empre-
que o leitor/ouvinte possa, com a recuperação dessas gadas nas atividades de comunicação, muitos textos,
características, construir os sentidos do texto, apro- organizados nos gêneros já existentes, têm se apresen-
ximando-se das intenções do produtor/autor. Quanto tado de modo multimodal, como os jornais e as revistas
melhor o leitor/ouvinte conseguir recuperar esse con- digitais. Nessa nova versão, os textos podem contar
texto e articulá-lo no processamento dos sentidos do com recursos como imagens que se movimentam – ou
texto, maiores serão as possibilidades de reconstrução não; gráficos e infográficos sonorizados e com movi-
de sentidos adequados. mento; e hiperlinks para outros textos que introduzem
novas e mais detalhadas informações ao texto verbal
de base.
Por outro lado, novos gêneros também vão sur-
Multiletramentos e gindo, como os comentários opinativos sobre as repor-
multimodalidade da linguagem tagens apresentadas em blogs de jornalistas (políticos,
de meio ambiente, de notícias sociais, das áreas da saú-
Muitas crianças e adolescentes de hoje em dia estão de e beleza, entre outras) e os posts – ou as postagens –,
profundamente comprometidos com as redes sociais que são as mensagens publicadas na internet, sobretu-
e são participantes ativos nelas, mas isso não significa do nas redes sociais.
que tenham o conhecimento ou as habilidades ine- Esses gêneros carregam, em si, as características
rentes para aproveitar ao máximo suas experiências do ambiente em que circulam e das ferramentas ofe-
on-line. A retórica dos “nativos digitais”, longe de ser recidas por eles ao usuário. Assim, em postagens no
útil, muitas vezes é uma distração para compreen- Facebook e em outras redes sociais, é possível utilizar
der os desafios que as crianças e jovens enfrentam cores, emojis, memes, figurinhas, fotografias, tipos de
em um mundo interconectado (BOYD, 2014, apud letras diferenciados, gifs, vídeos, entre outros recur-
PERELMAN, em palestra proferida no Instituto de sos. O mesmo ocorre no WhatsApp e no Messenger,
Ensino Superior Vera Cruz, 2019). aplicativos de comunicação rápida, nos quais é possível
saber se a mensagem foi encaminhada para o destina-
As práticas de linguagem contemporâneas tive- tário; se ele a recebeu; e se está digitando a resposta.
ram grande impacto na produção e circulação de in- Além disso, também é possível, em tais aplicativos, en-
formações. Hoje, além das mídias impressa, televisiva e viar mensagens gravadas em áudio e realizar chamadas
radiofônica, conta-se com a tecnologia digital, que tem com vídeo e fazer encontros ao vivo para um maior nú-
provocado uma modificação significativa nos modos mero de pessoas.
atuais de interação verbal, em especial os que se re- A presença de recursos organizados em diferen-
ferem às características dos textos. Eles não têm sido tes sistemas semióticos (ou de significação), a maioria
mais organizados apenas com a linguagem verbal oral típicos da comunicação digital, coloca possibilidades e
ou escrita. Juntaram-se a ela imagens estáticas (fotos, tarefas muito distintas para o leitor e para o produtor
ilustrações, gráficos, infográficos), em movimento (ví- dessas mensagens. Se, até então, gravar uma mensa-
deos), variados sons (sonoplastias, músicas), como o que gem em áudio era recurso específico de um aparelho
se vê nas notícias televisivas ou nos vídeos do YouTube. chamado gravador ou gravar uma mensagem em vídeo
Esses textos em que se articulam distintos e vários sis- era recurso típico de uma tecnologia denominada câ-
temas de significação têm sido denominados de multi- mera, hoje é possível fazer tudo isso no ato de enviar
modais. Isso porque a constituição dos seus sentidos uma única mensagem para um interlocutor utilizando
se dá por meio de um processo de fusão dos sentidos um único aparelho – o celular, por exemplo – e um úni-
trazidos pelos diferentes sistemas semióticos, como em co aplicativo (Messenger, Facebook, WhatsApp, Ins-

82 REFERENCIAL CURRICULAR
Língua Portuguesa

tagram, Snapchat, entre outros). Quais as implicações que são solicitados atualmente aos leitores e produ-
disso para a proficiência do produtor e do receptor de tores de textos. Na contemporaneidade, as práticas
textos como esses? sociais são muito mais complexas por causa dos avan-
Não é difícil compreender que os procedimentos ços tecnológicos alcançados e das possibilidades que
de produção e de leitura/escuta dos textos digitais são eles representam para a consolidação e criação de
muito distintos daqueles que devem ser mobilizados situações de comunicação verbal que legitimam di-
para ler um texto unicamente verbal. Nesse caso, é versas vozes, inclusive as de grupos sociais de maior
preciso estar alfabetizado, conhecendo tanto as carac- vulnerabilidade, em especial os das regiões urbanas
terísticas da escrita enquanto registro gráfico (ou seja, periféricas.
a direção da grafia: da esquerda para a direita e de cima Essa legitimação acontece pelo domínio de no-
para baixo) quanto as características da linguagem ver- vos meios de produzir e divulgar informação; meios
bal (sinais de pontuação, paragrafação e os efeitos de que vão diminuindo as distâncias entre as práticas
sentido decorrentes do seu uso, por exemplo), assim reconhecidas pela academia/sociedade e a cultura
como as especificidades de um texto escrito na relação popular, rompendo com dicotomias como o erudito e
com o gênero no qual foi organizado (a relação do texto o popular, o culto e o inculto, o central e o marginal – e
com o título e eventuais subtítulos, epígrafes, citações, criando, por exemplo, gêneros e práticas sociais híbri-
entre outros aspectos possíveis). dos de efetiva circulação, gêneros e práticas frontei-
Quando se trata de um texto tipicamente impres- riços e impuros. São exemplos disso: “animações, stop
so, dependendo do gênero e do portador, é possível motions, machinemas, animes, remixes, mashups, vide-
encontrar – além dos já apontados para um texto uni- oclipes, fanclipes” (ROJO, 2012) e slams, nos quais é
camente verbal – recursos de imagem (fotografias, le- possível enxergar elementos de um tipo de produção
gendas, ilustrações); gráficos e infográficos; storytelling cultural e de outro também.
para, por exemplo, resumir fatos de um episódio que Como afirma Garcia Canclini (apud Rojo, 2012)
vem sendo acompanhado ao longo do tempo, entre acontece uma
outros.
Quando se trata de textos digitais, é preciso [...] apropriação múltipla de patrimônios culturais
acrescentar a todos os elementos característicos [que] abre possibilidades originais de experimentação
dos textos anteriores aqueles típicos das mídias digi- e de comunicação, com usos democratizadores.
tais nas quais circularão: hiperlinks para vídeos, para
podcasts, para gráficos com movimento e som, para Dessa forma, é possível afirmar que as novas fer-
textos que aprofundem e/ou complementem infor- ramentas de acesso à comunicação acabam por apro-
mações, entre outros. ximar culturas, estando a multiculturalidade cada vez
Evidentemente, o sentido de cada um desses mais presente nas sociedades globalizadas.
tipos de texto constitui-se no reconhecimento e na Conclui-se que o conceito de multiletramento
articulação de todos os elementos que os compõem vai, portanto, muito além do uso das novas tecnologias,
no processamento da leitura. Aqui entra uma ideia apontando dois tipos de multiplicidades presentes na
fundamental para compreender o que está implicado sociedades atual: “a multiplicidade cultural das popula-
na leitura de textos multimodais: o conceito de multi- ções e a multiplicidade semiótica de constituição dos
letramento 4. textos por meio dos quais ela se informa e se comuni-
Considerando essa ideia, as práticas sociais de ca” (ROJO, 2012).
comunicação verbal anteriores à revolução tecnoló- Quais as implicações dessas ideias para o ensino
gica requeriam procedimentos muito diferentes dos de língua portuguesa na escola?

4. Este conceito deriva de outro – o de letramento, definido por Kato (1986) e Kleiman (1991) como “conjunto de práticas sociais que usam
a escrita, enquanto sistema simbólico e enquanto tecnologia” (cf. Scribner e Cole, 1981; apud Kleiman,1995).

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 83


Componentes curriculares

A escola da contemporaneidade é caracterizada tribui somente para uma participação mais efetiva e
tanto pela presença da diversidade cultural local quan- crítica nas práticas contemporâneas de linguagem por
to pela conectividade global, duas questões cada vez parte das estudantes e dos estudantes. Permite, tam-
mais críticas, as quais, sem nenhum tratamento na sala bém, que se possa pensar em mais do que apenas um
de aula, acabam contribuindo para o aumento da vio- usuário da língua ou das linguagens e que se tenha em
lência social, internamente à escola e externamente mente a formação de um designer da linguagem: alguém
também. É necessário, portanto, produzir respostas que toma algo que já existe (inclusive textos escritos)
para esses conflitos culturais. e mescla, remixa, transforma, redistribui, produzindo
Isso implica considerar, fundamentalmente, que novos sentidos, processo que alguns autores associam
os saberes que envolvem os multiletramentos reque- à criatividade (BNCC, 2017).
rem da aluna, ou do aluno, a mobilização de conheci- Além disso, considerar os multiletramentos na
mentos vários para interagir tanto com a diversidade escola envolve compreender e acolher a diversidade
de culturas e línguas existentes hoje na sociedade cultural de povos do Brasil, que, refletida na presen-
quanto com a diversidade de tecnologias da comuni- ça de povos indígenas, imigrantes, festejos realizados
cação presentes, especialmente, nos meios urbanos. nas diferentes regiões, textos literários canônicos
Além disso, como já foi dito, o acesso a essas formas de e os da literatura marginal-periférica, entre outras
comunicação implica outros modos de ler e compreen- possibilidades, permite a construção de um modo
der textos, o que impacta diretamente a organização de conviver que respeite o outro. Possibilita também
dos processos de ensino e de aprendizagem das práti- uma formação para lidar com situações cada vez mais
cas de leitura e escrita. complexas que exigem dos sujeitos capacidades de
Em concordância com Rojo (2012), este docu- resolver conflitos, de ler textos mais intrincados, de
mento defende a necessidade de se incluir no currí- se posicionar de modo ético e crítico, com respeito e
culo escolar a ampla multiplicidade das novas culturas autocontrole.
e práticas de leitura e escrita dos textos que surgem
do mundo globalizado, visto que já fazem parte da vida
das alunas e dos alunos, embora ainda não estejam
presentes na escola. Defende, ainda, a importância de Concepção de escrita
uma pedagogia para os multiletramentos, tal como o
proposto em 1996 pelo grupo de Nova Londres, teó- A escrita é uma construção social, coletiva, tanto na
ricos norte-americanos, britânicos e australianos que história humana como na história de cada indivíduo.
se reuniram para debater problemas do sistema de en- (GARCEZ, 2010).
sino anglo-saxão.
Nessa mesma linha, a BNCC sinaliza a importân- A escrita é um sistema de notação complexo, e
cia da consideração do conceito de multiletramento na sua aquisição é concebida como um processo conceitu-
organização dos currículos pois al e não como uma técnica, por meio da qual os apren-
dizes tentam compreender o que ela representa e de
[...] uma parte considerável das crianças e jovens que que maneira (Ferreiro; Teberosky, 1985).
estão na escola hoje vai exercer profissões que ainda Nessa perspectiva, concordando com Teberosky
nem existem e se deparar com problemas de diferen- (1990, 2002 e 2015), é possível afirmar que a escrita é,
tes ordens e que podem requerer diferentes habilida- por um lado, uma notação gráfica da linguagem falada
des, um repertório de experiências e práticas e o domí- que mantém uma relação direta entre os sons da fala e
nio de ferramentas que a vivência dessa diversificação os sinais que podem representá-los. Por outro lado, é
pode favorecer. um sistema simbólico, dado que os sinais gráficos não
são quaisquer sinais, mas marcas convencionais dispo-
Essa consideração dos novos multiletramentos níveis na cultura, as quais não conservam nenhuma das
e das práticas da cultura digital no currículo não con- características do objeto que representariam (os sons

84 REFERENCIAL CURRICULAR
Língua Portuguesa

da fala, os fonemas que constituem a palavra falada). siderando a escolha de critérios que contribuam para a
criação dos efeitos de sentido pretendidos; empregar
Um sistema de notação como o alfabético não trans- recursos gráficos e textuais para manifestar – ou suge-
creve os fonemas, mas analisa a linguagem para iden- rir – intenções de sentido, como negrito, itálico, aspas
tificá-los e, assim, poder simbolizá-los notacional- e maiúsculas; valer-se de recursos linguístico-discur-
mente. Tampouco os representa porque não conserva sivos e estilísticos relativos aos gêneros nos quais os
nenhuma de suas propriedades. Na escrita, portanto, textos serão organizados, como a estrutura interna,
se faz uma análise, não uma transcrição e nem uma as marcas linguísticas específicas e os aspectos típicos
representação (GOODMAN, 1976; TOLCHINSKY, da esfera de atividade humana/campo de atuação, do
19895; TEBEROSKY, 1990). portador e do lugar de circulação do texto/discurso
(contexto de produção).
Compreender essa relação entre os fonemas e os Levando em conta os processos de ensino e de
grafemas é fundamental para a compreensão da base aprendizagem, evidentemente, a pergunta que fica é:
alfabética do sistema de escrita e imprescindível para como organizar as atividades de ensino, considerando
grafar as palavras. No entanto, não é suficiente para essas duas aprendizagens indispensáveis para regis-
registrar o discurso. trar graficamente um texto?
Nesse sentido, a escrita é mais do que um sistema A essa questão dedica-se o próximo item, fo-
alfabético de registro da língua: ela registra a linguagem calizando a necessidade de compreender que a alfa-
também – a língua em funcionamento. Ou seja, registra betização é um processo discursivo. Portanto, não
o texto, que é a materialidade de um discurso realizado pode acontecer à revelia da produção do texto e da
em um tempo particular, em um contexto com carac- experiência com bons textos escritos, seja ouvindo
terísticas específicas (interlocutor, finalidade, gênero, a leitura feita em voz alta por leitores experientes –
portador, lugar de circulação, campo de atuação/espe- como a professora, ou o professor –, seja produzindo
ra de atividade humana). textos oralmente, ditando para que sejam grafados.
Portanto, para utilizar a escrita com proficiência, Antes, porém, é preciso recuperar um aspecto
é necessário, por um lado, compreender a natureza do importante da atividade linguística de registrar grafi-
registro que ela implica – ou seja, que se trata de um camente a linguagem: a obtenção de um produto – o
sistema que representa não o objeto, mas o nome dele texto grafado. Esse objeto permite ao escritor um dis-
(representa, portanto, a fala) – e entender que essa re- tanciamento de sua obra de modo a possibilitar que
presentação ocorre de modo alfabético, por meio de ele a analise com maior criticidade e com maior grau
símbolos gráficos que correspondem a cada fonema de de consciência das questões linguístico-discursivas,
uma palavra. tornando viável que aprenda a monitorar sua própria
É preciso esclarecer que não é suficiente ter com- competência. Nesse processo, coloca-se a possibili-
preendido a base alfabética do sistema para produzir dade de recuperar o texto posteriormente para um
um texto. Registrar esse discurso implica saber, além eventual replanejamento, para fazer a revisão e a
da ortografia, que há um conjunto de recursos gráficos edição – ou seja, torna-se viável ao produtor o exer-
e discursivos que podem – ou devem – ser emprega- cício de apropriação da linguagem escrita e o aperfei-
dos para tentar garantir as intenções de significação çoamento da proficiência escritora decorrente desse
do produtor do texto. exercício.
Registrar esse discurso implica saber utilizar a Para finalizar, é preciso ressaltar que, assim como
pontuação mais adequada para as intenções de signifi- a língua e a linguagem, a escrita também é uma cons-
cação do autor; organizar um texto em parágrafos con- trução social (Geraldi [1984], 2004; Garcez [1998],

5. Texto original: “Un sistema de notación tal como el alfabético no transcribe los fonemas sino que analiza el lenguaje para identificarlos y
así poder simbolizarlos notacionalmente. Tampoco los representa porque no conserva ninguna de sus propiedades. En la escritura, por lo
tanto, se hace un análisis, no una transcripción ni una representación” (GOODMAN, 1976; TOLCHINSKY, 1989).

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 85


Componentes curriculares

2010) e, da mesma forma, sua apropriação não se dá produzir um livro de contos preferidos, reescritos cole-
por transmissão ou simples demonstração, mas por tivamente; assistir a mãe, ou o pai, conferir de onde é a
aproximações sucessivas e reconstrução desse objeto carta que chegou pelos Correios e qual será o assunto
conceitual e complexo. (conta de luz, telefone, notícias de um familiar distante,
Em decorrência disso, é fundamental rever as por exemplo); ler uma receita médica; ler a bula do re-
práticas de ensino para que se encontre a coerência médio receitado; seguir as instruções de um texto para
didático-metodológica com esse pressuposto. montar um móvel, ou fazer um bolo; ler as manchetes
de jornais nas bancas de revistas; ler revistas; ler a Bí-
blia; ouvir o evangelho lido em um culto ou missa; parti-
cipar de um debate na escola e no bairro onde vive por
Concepção de alfabetização melhorias na saúde; estudar determinado conteúdo
em um livro ou site da internet; apresentar um semi-
As crianças – todas as crianças, garanto – estão dis- nário na aula de uma determinada disciplina, na esco-
postas para a aventura da aprendizagem inteligente. la; responder a um e-mail; comunicar-se por meio de
Estão fartas de serem tratadas como infradotadas ou cartas, de aplicativos de celular, como o WhatsApp ou
como adultos em miniatura. São o que são e têm direi- o Messenger; conversar com pessoas por meio das re-
to a ser o que são: seres mutáveis por natureza, porque des sociais; assistir a vídeos que circulam na internet;
aprender e mudar é seu modo de ser no mundo (FER- participar de saraus, tertúlias, visitar bibliotecas e ex-
REIRO, 2002). posições, entre outras práticas.
Para a professora alfabetizadora, ou o professor
Com base no que já foi apresentado sobre a alfabetizador, atuar com os conhecimentos envolvi-
concepção de língua, linguagem e escrita, é possível dos na alfabetização, garantindo a simultaneidade do
reconhecer que a alfabetização acontece no interior trabalho com a língua e a linguagem, é fundamental
das práticas sociais de leitura e escrita existentes, organizar propostas em que o trabalho com a lingua-
sendo uma construção que, apesar de realizada por gem escrita aconteça, ainda que veiculada oralmente,
um aprendiz, acontece pela interação com os outros desenvolvendo situações de leitura e produção de tex-
aprendizes, com a professora, ou o professor, e com os tos mesmo antes de a criança saber grafar o texto de
diferentes textos que circulam nessas práticas. modo convencional. Tais propostas referem-se à práti-
Desse modo, o processo de alfabetização é com- ca de escuta de textos lidos em voz alta pela professo-
preendido como dialógico, visto que, por meio dele, o ra, ou pelo professor, e à prática de produção de textos
aprendiz apropria-se não só do sistema de escrita e das ditando-os à professora, ou ao professor.
práticas sociais de que participa na escola e fora dela Paralelamente a elas, as crianças também preci-
como também do mundo, significando-o e ressignifi- sam participar de situações de reflexão sobre o sistema
cando-se nesse processo (FREIRE, 1987). de escrita. Nessas ocasiões – reiterando o fato de que
É importante esclarecer que a alfabetização en- o sujeito possui papel ativo no processo de construção
volve dois tipos fundamentais e simultâneos de co- de conhecimento –, é importante considerar que:
nhecimento: a compreensão do modo de representa-
ção da fala, ou seja, o sistema de escrita alfabético, e a) durante a apropriação do sistema de escrita, as
a compreensão sobre o funcionamento da linguagem crianças colocam questões legítimas ao pensar so-
escrita. Esses conhecimentos são constituídos por bre o que é a escrita e o que ela representa (Ferreiro,
meio da participação nas práticas sociais de linguagem, 1985/2005, 2013);
nas quais se dão a leitura e a produção de textos orais, b) nesse processo, conseguem tanto interpretar os
escritos e multissemióticos coerentes com as situações textos que escutam quanto elaborar discursivamen-
comunicativas em que estão inseridos. te o texto que ditam à professora, ou ao professor.
Essas práticas se referem a: ouvir histórias lidas Isso implica considerar que não é preciso esperar
pela professora, ou pelo professor, ou por um familiar; que saibam grafar os textos para permitir que lidem

86 REFERENCIAL CURRICULAR
Língua Portuguesa

com – e que aprendam – os aspectos textuais (coe- áreas do conhecimento. [...] Ensinar a aluna, ou o alu-
são e coerência) e discursivos (impressão de valores no, a ler e escrever textos que circulam no meio social
na fala de personagens, por exemplo) da linguagem é uma condição que precisa ser oferecida pela escola
verbal. para que a jovem, ou o jovem, aprenda por meio da
compreensão dos textos a fazer uma leitura da reali-
Nesse sentido, é fundamental que o trabalho de dade (Documento de construção colaborativa dos su-
alfabetização aconteça em situações significativas, in- pervisores técnicos das séries iniciais do Ensino Fun-
corporando, como já dito, as práticas sociais de lingua- damental. Instituto Chapada de Educação e Pesquisa,
gem e também favorecendo a interação entre os pares. BA, 2018).
Trata-se de um trabalho que precisa ser planeja-
do com objetivos claros e atividades desafiadoras, nas Além disso, com o surgimento de práticas con-
quais as crianças possam articular o oral ao escrito. É temporâneas de leitura e escrita, a alfabetização ganha
necessário prever momentos de sistematização e re- mais uma importante aliada: as tecnologias da informa-
gistros coletivos, em grupos, em duplas e individuais. ção e da comunicação (TICs) e, para além de ensinar a
Esses registros não podem ser confundidos com situa- enfrentar o teclado com as duas mãos ou alguns dedos,
ções de cópia descontextualizadas e desprovidas de é fundamental ter em conta que
reflexão sobre as características da escrita. Ferreiro
(2008), enfatizando a importância de uma prática alfa- [...] precisamos de crianças e jovens que saibam dizer
betizadora com textos, repleta de materiais que façam suas palavras por escrito, de maneira mais convincen-
sentido para ler e não para aprender a ler, afirma que: te (tão mais fácil com a internet!); que não se comu-
niquem porque “têm que estar em comunicação per-
Em cada classe de alfabetização deve haver um “can- manente”, mas que tenham algo para comunicar [...]
to ou área de leitura” onde se encontrem não só livros Porque as novas gerações deverão ser particularmen-
bem editados e bem ilustrados como qualquer tipo te criativas. Terão ao seu cargo nada mais nem menos
de material que contenha escrita (jornais, revistas, que a invenção de uma nova ordem mundial, onde a
dicionários, folhetos, embalagens e rótulos comer- vida valha a pena ser vivida (FERREIRO, 2013).
ciais, receitas) [...] Quanto mais variado esse material,
mais adequados, para realizar diversas atividades de
exploração, classificação, busca de semelhanças ou
diferenças. A construção colaborativa
da escrita
O objetivo a ser alcançado desde a Educação
Infantil é formar leitores e produtores de textos que Pesquisas realizadas por Ferreiro e Teberosky (1985)
sejam praticantes da leitura e da escrita e, para tanto, e Ferreiro (1986, 2013)6 na divulgação e/ou ampliação
é preciso que os textos estejam nas classes de alfabeti- da teoria conhecida como psicogênese da língua escri-
zação para ser lidos, ouvidos, cantados, acessados, es- ta – uma descrição sobre as ideias infantis no processo
critos nas inúmeras possibilidades de ação das crianças de construção do sistema de escrita – mudaram total-
sobre esse objeto. mente o que se sabia até então sobre alfabetização.
Esses estudos redirecionaram o olhar sobre a al-
A diversidade textual [e de gêneros] também é con- fabetização, que antes focalizava o processo de ensino
dição fundamental para alfabetizar levando em conta e os métodos a ser utilizados pela docência para o pro-
a quantidade e a qualidade dos textos nas diferentes cesso de aprendizagem. A teoria proposta por Ferreiro

6. A pesquisa é extensa e aqui citamos apenas as principais obras.___ ___

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 87


Componentes curriculares

e Teberosky, por sua vez, considera o aprendiz como formas dos grafismos não reproduzem as formas dos
sujeito ativo e investiga o que ele pensa e como repre- objetos.
senta graficamente a linguagem, que critérios utiliza O segundo período envolve a busca de dois tipos
para justificar suas escritas, entre outros aspectos. de diferenciação: as internas, chamadas intrafigurais, e
Ferreiro (1985/1993) explica que, no processo externas às palavras, denominadas pelas autoras como
de apropriação do conhecimento sobre o sistema alfa- interfigurais. As diferenciações intrafigurais (internas)
bético, as escritas infantis podem ser organizadas em se relacionam a propriedades que um texto escrito
três grandes períodos: deve ter para poder ser interpretável. Por exemplo, a
diversidade de letras numa palavra. Já as diferencia-
1. A distinção entre o modo de representação icônico ções interfigurais (externas) remetem à distinção entre
e o não icônico. as palavras, ou seja, são feitas para garantir a diferença
2. A construção de formas de diferenciação. de interpretação que poderá ser atribuída a uma escri-
3. A fonetização da escrita. ta e outra. Nesse período, as crianças geralmente não
aceitam como escritas válidas as letras que se repetem
Ao longo desses períodos, as crianças constroem (AAA) e constroem a compreensão de que coisas dife-
diferenciações em situações de escuta, leitura e escrita rentes grafam-se de modo diferente. Nesse momento,
em que, colaborativamente, possam analisar e compa- ainda que com um repertório pequeno de letras, as
rar suas produções com outras escritas “estáveis” que produções das crianças apresentam diferenciações
funcionam como referenciais, refletindo sobre as ca- como a feita por um aluno de nome Fábio que produziu
racterísticas do sistema alfabético de escrita. uma lista de comidas de festas apenas recombinando
De modo resumido, definem-se a seguir algumas as letras do seu nome, garantindo a cada escrita a dife-
características das escritas infantis nesses períodos, renciação tanto interna às palavras quanto entre cada
mas com um alerta: o fato de haver uma classificação item da lista produzida.
não significa que a evolução da escrita entre as crian- Ferreiro e Teberosky (1985) explicam que, nes-
ças aconteça de modo espontâneo e linear. É preciso ses dois períodos, os registros produzidos pelas crian-
propor situações de escrita espontânea em pares para ças não se relacionam à fala, nomeando-os de escrita
que, valendo-se da colaboração entre as crianças, seja pré-silábica.
possível problematizar as escritas considerando os O terceiro período é marcado pela fonetização
saberes de cada uma, intervindo para que a reflexão da escrita. Nesse processo, as crianças (ou adultos) em
ocorra. processo de compreensão do sistema de escrita reco-
No primeiro período, a diferenciação se traduz nhecem que há uma relação entre a fala e a escrita. A
entre o modo icônico e o não icônico de representa- análise dos escritos das estudantes e dos estudantes
ção do nome do objeto. Há, segundo Ferreiro (1985), indica que a quantidade de letras que utilizam para
a compreensão de que a escrita pode ser um objeto grafar uma palavra pode corresponder à quantidade
substituto, o que se materializa com a distinção entre de partes pronunciadas na emissão oral dessa palavra.
as marcas gráficas figurativas e as não figurativas. Há, portanto, a garantia de um valor sonoro para
Trata-se da diferença entre o que é desenhar e o que as produções, que podem ter, ou não, marcas con-
é escrever. A compreensão de que, ao escrever, se vencionais desde o início (escrita silábica com ou sem
está fora do domínio do icônico é fundamental para as valor sonoro convencional). As reflexões produzidas
conceitualizações posteriores e se traduz com produ- nesse período permitem construir “um critério geral
ções em que as formas dos grafismos não seguem as para regular as variações de quantidades de letras que
formas do objeto. Exemplo: uma criança que usa gara- devem ser escritas, e centram a atenção da criança
tujas ao escrever cabelo e o faz como se fosse um fio nas variações sonoras entre as palavras” (FERREIRO,
e outra que acredita que para escrever formiguinha 1985/1993).
usam-se poucas letras e para escrever cão são neces- As autoras da investigação indicam a ocorrência
sárias mais letras ainda não compreenderam que as das seguintes maneiras de grafar, no terceiro período:

88 REFERENCIAL CURRICULAR
Língua Portuguesa

Escrita silábica sem valor sonoro convencional


O Ensinar e aprender
A criança relaciona cada parte da escrita com a quan- Língua Portuguesa
tidade de partes reconhecidas na emissão oral, uti-
lizando quaisquer letras. Para a palavra COCADA, O ensino de Língua Portuguesa deve se basear em três
escreve, por exemplo, VUR ou TLM. ideias. Em primeiro lugar, as atividades humanas são
Escrita silábica com valor sonoro convencional
O orientadas a uma finalidade que não é particular de um
A criança compreende o valor sonoro das letras uti- indivíduo, mas é social. Em segundo, é preciso lembrar
lizadas para escrever uma palavra, podendo usar da importância da palavra e do diálogo nas relações hu-
as vogais ou as consoantes. No caso da palavra manas. Em terceiro, o fato de que os entornos sociais
COCADA, escreve, por exemplo, OAD ou CAD. dão lugar a formas específicas de usar a linguagem, que
são os gêneros discursivos (CAMPS, 2006).
Nesse período, há escritas que podem ser classi- Por isso, faz-se necessário preservar, na escola,
ficadas como silábico-alfabéticas. Elas são marcadas o sentido das práticas sociais de leitura, escrita e ora-
por um sistema misto em que acontece a transição en- lidade. Como totalidades indissociáveis, tais práticas
tre a escrita silábica e a alfabética. Podem ser comuns resistem ao seu parcelamento, caminho que comu-
escritas como FOIG ou OMIA para a palavra FORMI- mente segue o ensino de muitos objetos de conhe-
GA, pois a grafia representa ora a sílaba, ora os seg- cimento. A aprendizagem das práticas de linguagem
mentos menores que a sílaba (os fonemas). supõe aproximações simultâneas ao objeto de conhe-
Nesse processo, em situações de leitura e escri- cimento com base em diferentes perspectivas. Por
ta e em interação com os pares e com a professora, ou tudo isso, seu ensino representa um desafio. Para dar
o professor, a criança compreende que a sílaba pode conta dele, a didática da língua aponta algumas dire-
ser reanalisada e que não pode ser considerada como trizes importantes. Antes de mais nada, é preciso ter
unidade, passando a acrescentar letras a seus escritos. clareza a respeito dos conteúdos de ensino e expli-
Escritas alfabéticas são aquelas em que a reanáli- citá-los, incluindo as tarefas do leitor e do escritor e
se da sílaba é intensificada e a criança passa a produzir também os saberes linguísticos.
escritas com todos os segmentos da fala (os fonemas), As sequências didáticas nas quais se produzem
utilizando de modo consistente o sistema alfabético. textos orais ou escritos com um propósito comunicati-
Nesse processo, as crianças enfrentam problemas or- vo permitem, ao mesmo tempo, a atribuição de sentido,
tográficos como o fato de que uma letra nem sempre uma vez que docente, alunas e alunos orientam suas
representa o mesmo fonema – por exemplo, os sons ações para uma finalidade compartilhada, e a articula-
do X em XERIFE (/x/), EXEMPLO (/z/) e TEXTO (/s/) ção com os propósitos didáticos. Além disso, essa mo-
– e que um mesmo fonema pode ser representado por dalidade organizativa propicia a corresponsabilização da
diferentes letras – por exemplo, os sons de /s/ em EX- aluna, ou do aluno, pela gestão do tempo e da aprendi-
TERIOR e em ESPETÁCULO. zagem, favorecendo o desenvolvimento da autonomia.
Saber quais são as ideias infantis nos diferentes É importante articular temporalidades diferen-
períodos, como as crianças compreendem o que é a tes, propondo atividades habituais, como a leitura
escrita e o que ela representa permite à professora, de textos para promover a familiaridade com certos
ou ao professor, entender os esforços realizados por gêneros e consolidar hábitos de leitura, e atividades
elas na construção de formas de diferenciações de pontuais.
suas escritas, ajustar intervenções a ser realizadas Também é preciso garantir a diversidade de agru-
para que avancem nas conceitualizações, planejar e pamentos. Atividades individuais dão a oportunidade a
propor situações desafiadoras em que os sujeitos te- cada estudante de se deparar com a tarefa proposta;
nham bons problemas a resolver (Weisz, 2001), além atividades em dupla ou em pequenos grupos permitem
de se valer da diversidade de saberes em circulação que todas e todos compartilhem pontos de vista, sa-
para organizar um trabalho colaborativo e reflexivo beres e dúvidas e que uns possam contar com a ajuda
em sala de aula. dos outros; atividades coletivas propiciam o comparti-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 89


Componentes curriculares

lhamento de conhecimento e favorecem a atuação da é preciso dizer que a revisão é absolutamente essen-
professora, ou do professor, como modelo de leitor e cial, por ser uma etapa que constitui o processo de
escritor proficiente. A articulação entre os diferentes produção e porque é nesse momento que as questões
agrupamentos constitui um movimento metodológico ligadas à convenção da escrita, ajustadas às situações
que potencializa as aprendizagens, uma vez que a do- comunicativas, farão sentido.
cente, ou o docente, tem a oportunidade de manejar o O foco nas práticas de linguagem não quer dizer
grau de desafio das propostas. que basta ler e produzir textos para se tornar um bom
No que se refere ao ensino e à aprendizagem da leitor e escritor e não implica uma desvalorização dos
leitura, a oferta de diferentes espaços de leitura tem saberes linguísticos.
como objetivo promover o desenvolvimento de estra- O ensino e a aprendizagem no componente de
tégias, a ampliação do repertório cultural sobre as di- Língua Portuguesa organiza-se em dois tipos de ativi-
ferentes situações comunicativas em que se pode ler, dades: as de uso da linguagem e as de reflexão sobre o
a construção de um percurso individual e colaborativo uso e sobre a linguagem.
de formação de comportamentos comuns entre os lei- As atividades de uso são aquelas que permitem
tores e o desenvolvimento de capacidades leitoras di- às estudantes e aos estudantes exercer as práticas
versas. Além disso, objetivos relacionados à formação de linguagem, sejam elas de leitura, de escrita ou de
de leitores podem ser atingidos se forem garantidos oralidade: lendo, ouvindo, escrevendo, produzindo
momentos de leitura colaborativa/compartilhada, na textos orais etc.
qual a professora, ou o professor, planeja boas per- As atividades de reflexão são aquelas de estudo
guntas para um texto selecionado com a intenção de dos recursos e procedimentos linguísticos utilizados
ensinar a ler; lê em voz alta o texto que é acompanha- nas situações de leitura, fala e escrita para compreen-
do pelas crianças e faz intervenções promovendo dis- são dos efeitos de sentido decorrentes do uso desses
cussões coletivas acerca dos sentidos possíveis de ser procedimentos e recursos. Denominadas no documen-
construídos com base na leitura. Em outros momentos, to como atividades de análise linguística e semiótica,
pode ocorrer a leitura individual e o intercâmbio sobre de acordo com a BNCC, elas devem ser desenvolvidas
as leituras em situações de roda de leitores. de modo articulado às práticas de leitura e produção
No que diz respeito ao ensino e à aprendizagem de textos, com base na unidade mínima de análise que,
da produção textual, seja ela escrita, oral ou multisse- como já apresentado, é o texto, sempre relacionado a
miótica, além de assegurar que os textos produzidos seus contextos de produção.
tenham um propósito comunicativo genuíno, é neces- Para inserir a aluna, ou o aluno, na cultura do
sário articular leitura e produção em idas e vindas nas escrito, é imprescindível começar pelas práticas, mas
quais a estudante, ou o estudante, recorre a leitores de igualmente fundamental é promover a reflexão sobre
seus escritos e textos-modelo para dar conta de resol- elas e a sistematização de conhecimentos que possi-
ver problemas detectados. Aqui, importa lembrar que bilitarão à estudante, ou ao estudante, fazer escolhas
a leitura faz a todas e a todos melhores escritores, mas não apenas acertadas mas conscientes, tornando-se
também a escrita faz melhores leitores. leitor e produtor de textos de modo proficiente, crítico
Ainda no tocante ao ensino da produção textual, e cada vez mais autônomo.

90 REFERENCIAL CURRICULAR
Língua Portuguesa

Os direitos de aprendizagem

A BNCC define dez competências gerais que se arti-


culam às específicas para cada uma das áreas do co- Competências de Língua Portuguesa
nhecimento – no caso, a área da linguagem – e para
para o Ensino Fundamental
cada um dos componentes curriculares que integram
as áreas – no caso, o componente Língua Portuguesa. 1. Compreender a língua como fenômeno cultural,
As competências gerais se concretizam nos direitos histórico, social, variável, heterogêneo e sensível
de aprendizagem e buscam o desenvolvimento huma- aos contextos de uso, reconhecendo-a como meio
no integral das estudantes e dos estudantes. de construção de identidades de seus usuários e da
comunidade a que pertencem.
Incorporar todas e todos à cultura do escrito e
torná-los “membros plenos da comunidade de leitores 2. Apropriar-se da linguagem escrita,
e escritores” (LERNER, 2002) é tarefa primordial da reconhecendo-a como forma de interação nos
diferentes campos de atuação da vida social e
escola. O acesso aos conhecimentos historicamente
utilizando-a para ampliar suas possibilidades
construídos, à ciência, às manifestações artísticas e cul-
de participar da cultura letrada, de construir
turais, às diferentes linguagens, às normas e leis exige o conhecimentos (inclusive escolares) e de se
domínio da linguagem. Da mesma forma, para explicar envolver com maior autonomia e protagonismo na
a realidade, exigir direitos, colaborar para a construção vida social.
de uma sociedade mais justa, colocar seu ponto de vis- 3. Ler, escutar e produzir textos orais, escritos e
ta, argumentar, compartilhar experiências, criar e dialo- multissemióticos que circulam em diferentes
gar é imprescindível dominar a linguagem. campos de atuação e mídias com compreensão,
É também por meio da linguagem que se dá a DXWRQRPLDćX¬QFLDHFULWLFLGDGHGHPRGRDVH
expressar e partilhar informações, experiências,
aprendizagem, uma vez que “aprender pressupõe
ideias e sentimentos, e continuar aprendendo.
construir conhecimento, construir critérios sobre a
validade deste conhecimento e apropriar-se de uma 4. Compreender o fenômeno da variação linguística,
demonstrando atitude respeitosa diante de
linguagem para expressá-lo e construí-lo. Para fazê-lo
variedades linguísticas e rejeitando preconceitos
possível, é preciso aprender a falar sobre os significa-
linguísticos.
dos que se elaboram” (JORBA et al., 2000).
5. Empregar, nas interações sociais, a variedade
Mais do que isso, o domínio da linguagem permite
e o estilo de linguagem adequados à situação
a transformação do mundo interno e a formação e de-
comunicativa, ao(s) interlocutor(es) e ao gênero do
senvolvimento de processos psicológicos superiores, discurso/gênero textual.
como a memória voluntária e a atenção consciente. O
6. Analisar informações, argumentos e opiniões
uso da linguagem permite controlar e regular o próprio manifestados em interações sociais e nos meios de
comportamento e realizá-lo de forma intencional. comunicação, posicionando-se ética e criticamente
Pode-se concluir não apenas que o ensino da em relação a conteúdos discriminatórios que ferem
Língua Portuguesa é crucial mas também que o tra- direitos humanos e ambientais.
balho com a linguagem deve ser uma responsabilida- 7. Reconhecer o texto como lugar de manifestação e
de compartilhada por professoras e professores de negociação de sentidos, valores e ideologias.
todas as áreas. 8. Selecionar textos e livros para leitura integral,
O que cabe ao componente curricular Língua de acordo com objetivos, interesses e
Portuguesa pode ser sintetizado pelas dez compe- projetos pessoais (estudo, formação pessoal,
tências a ser desenvolvidas ao longo do Ensino Fun- entretenimento, pesquisa, trabalho etc.).
damental, indicadas a seguir.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 91


Componentes curriculares

No caso dos anos iniciais do Ensino Fundamental,


9. Envolver-se em práticas de leitura literária que
possibilitem o desenvolvimento do senso estético a importância de relacionar os textos aos contextos se
para fruição, valorizando a literatura e outras faz presente em várias das orientações do documento
manifestações artístico-culturais como formas nacional e nas habilidades. Além disso, a valorização
de acesso às dimensões lúdicas, de imaginário dos conhecimentos historicamente construídos se ma-
e encantamento, reconhecendo o potencial terializa pela consideração dos conhecimentos prévios
transformador e humanizador da experiência
das estudantes e dos estudantes, pela valorização da
com a literatura.
diversidade cultural, pelo respeito a diferentes pontos
10. Mobilizar práticas da cultura digital, diferentes
de vista e formação para a leitura crítica e cidadã, as-
linguagens, mídias e ferramentas digitais para
pectos que podem ser observados em várias habilida-
expandir as formas de produzir sentidos (nos
processos de compreensão e produção), des expressas na BNCC, como:
aprender e refletir sobre o mundo e realizar
diferentes projetos autorais. (EF05LP24) Planejar e produzir texto sobre tema de
interesse, organizando resultados de pesquisa em
fontes de informação impressas ou digitais, incluindo
imagens e gráficos ou tabelas, considerando a situa-
Cada uma delas, juntamente com as das demais ção comunicativa e o tema/assunto do texto.
áreas, contribui para o desenvolvimento das dez com- (EF15LP15) Reconhecer que os textos literários fazem
petências gerais. O domínio de uma competência en- parte do mundo do imaginário e apresentam uma di-
volve saberes (conhecimentos, habilidades, atitudes mensão lúdica, de encantamento, valorizando-os, em
e valores) e a capacidade de mobilizá-los, ou o saber sua diversidade cultural, como patrimônio artístico da
fazer (mobilização desses conhecimentos, habilidades, humanidade.
atitudes e valores para resolver demandas complexas (EF35LP11) Ouvir gravações, canções, textos falados
da vida cotidiana, do pleno exercício da cidadania e do em diferentes variedades linguísticas, identificando
mundo do trabalho). Tais saberes se traduzem nas ha- características regionais, urbanas e rurais da fala e
bilidades e, mais especificamente, nas aprendizagens respeitando as diversas variedades linguísticas como
esperadas. características do uso da língua por diferentes grupos
Por exemplo, espera-se, como competência geral, regionais ou diferentes culturas locais, rejeitando pre-
que as alunas e os alunos valorizem e utilizem os conhe- conceitos linguísticos.
cimentos historicamente construídos sobre o mundo (EF05LP19) Argumentar oralmente sobre aconteci-
físico, social, cultural e digital para entender e explicar mentos de interesse social, com base em conhecimen-
a realidade, continuar aprendendo e colaborar na cons- tos sobre fatos divulgados em TV, rádio, mídia impres-
trução de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. sa e digital, respeitando pontos de vista diferentes.
Cabe ao componente curricular Língua Portugue-
sa garantir que todas e todos compreendam a língua Em relação aos anos finais do Ensino Fundamen-
como fenômeno cultural, histórico, social, variável, hete- tal, a articulação dos textos aos contextos é proposta
rogêneo e sensível aos contextos de uso, reconhecen- com ampliação de gêneros e do tipo de reflexão rea-
do-a como meio de construção de identidades de seus lizada, como se pode observar nas seguintes habilida-
usuários e da comunidade a que pertencem. des da BNCC:
Para isso, é importante que sejam valorizados
os contextos em que foram produzidos os textos uti- (EF69LP29) Refletir sobre a relação entre os contex-
lizados em sala de aula, seja para relacioná-los com a tos de produção dos gêneros de divulgação científica
construção composicional e as marcas linguísticas, – texto didático, artigo de divulgação científica, repor-
para identificar a presença de valores sociais, culturais tagem de divulgação científica, verbete de enciclopé-
e humanos e de diferentes visões de mundo ou para dia (impressa e digital), esquema, infográfico (estático
reconhecer a variedade linguística. e animado), relatório, relato multimidiático de campo,

92 REFERENCIAL CURRICULAR
Língua Portuguesa

podcasts e vídeos variados de divulgação científica etc. Considerar o foco no exercício da curiosida-
– e os aspectos relativos à construção composicional e de intelectual, como está proposto na competência
às marcas linguísticas características desses gêneros, de geral 2, relaciona-se diretamente com a opção pela
forma a ampliar suas possibilidades de compreensão (e proposição de expectativas de aprendizagem e pela
produção) de textos pertencentes a esses gêneros. metodologia de trabalho por meio da resolução de
(EF69LP44) Inferir a presença de valores sociais, cul- problemas. Nesse caso, o foco incide na considera-
turais e humanos e de diferentes visões de mundo em ção dos conhecimentos prévios das estudantes e dos
textos literários, reconhecendo nesses textos formas estudantes, na mobilização de saberes pelo questio-
de estabelecer múltiplos olhares sobre as identidades, namento, na proposição de situações complexas que
sociedades e culturas e considerando a autoria e o levem à reflexão e construção de sistematizações
contexto social e histórico de sua produção. com base em experimentação e na interpretação de
(EF69LP55) Reconhecer as variedades da língua fa- informações. Tudo isso, é claro, sempre consideran-
lada, o conceito de norma-padrão e o de preconceito do critérios científicos e éticos, o que perpassa todo o
linguístico. Ensino Fundamental.

Campos de atuação, práticas de


linguagem e objetos de conhecimento
O desenho do componente curricular Língua Por- Campos de atuação humana
tuguesa deve tomar como parâmetro as práticas de
leitura, produção textual e oralidade e os conheci- Se a linguagem é uma atividade intencional e social e
mentos linguísticos necessários para desenvolver o texto um lugar de interação entre sujeitos sociais,
as competências relacionadas a essas práticas. Ler a reflexão sobre leitura, produção textual, oralidade
e produzir textos orais ou escritos não constituem e análise linguística/semiótica não pode prescindir da
ferramentas aplicáveis em qualquer situação. Tais consideração do contexto, constituído pelos interlo-
práticas de linguagem se concretizam por meio de cutores, conhecimentos compartilhados, propósito
textos específicos, situados em determinados con- da comunicação, lugar e tempo, papéis sociais e as-
textos, envolvendo interlocutores reais, propósitos pectos histórico-culturais (KOCH; ELIAS, 2017).
e portadores e com gêneros textuais adequados à As práticas de linguagem que organizam o com-
situação. ponente curricular Língua Portuguesa são situadas. A
Isso tem reflexos tanto no ensino como no dese- organização das habilidades em campos de atuação
nho curricular. As habilidades de Língua Portuguesa, “aponta para a importância da contextualização do
na BNCC, não estão organizadas por unidades te- conhecimento escolar, para a ideia de que essas prá-
máticas, como os outros componentes, mas, sim, em ticas derivam de situações da vida social e, ao mesmo
campos de atuação, nas práticas de linguagem e nos tempo, precisam ser situadas em contextos significa-
objetos de conhecimento. tivos para os estudantes” (BNCC, 2017).

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 93


Componentes curriculares

São cinco os campos de atuação a ser abordados téticos e no exercício da sensibilidade. Aqui situa-se
ao longo do Ensino Fundamental: da vida cotidiana, o trabalho com textos literários e sua relação com as
artístico-literário, das práticas de estudo e pesquisa, demais artes. Alguns exemplos: poemas, romances,
jornalístico-midiático e de atuação na vida pública. mitos, narrativas de aventura, livros de literatura,
Os dois últimos são abordados nos anos iniciais como além da participação em práticas de recepção e pro-
campo da vida pública. A distribuição proposta pela dução de obras literárias como saraus, slams, rodas
BNCC visa a progressão exposta na Tabela 3 (abaixo). de leitura, resenha crítica sobre obras de referência e
Os campos de atuação contemplam dimensões comentário em blog ou vlog culturais.
formativas importantes de uso da linguagem e criam O campo das práticas de estudo e pesquisa
condições para a atuação em atividades do dia a dia abrange a pesquisa, recepção, apreciação, análise,
em uma diversidade de domínios sociais de comuni- aplicação e produção de textos expositivos, analíti-
cação. Desse modo, eles constituem-se num organi- cos e argumentativos das esferas escolar, acadêmica,
zador didático que reconhece que os textos circulam de pesquisa e do jornalismo de divulgação científica.
dinamicamente na sociedade, orientando, de certa Nesse campo, situa-se o trabalho com as práticas de
maneira, a progressão da aprendizagem tanto pela se- linguagem em contexto de estudo, no qual são colo-
leção de gêneros que circulam em cada campo quanto cados em ação fazeres necessários para operar com
pelo tipo de prática de linguagem mais presente em diversas fontes de informação, registrar e reelaborar
cada campo. a informação obtida, compartilhar o conhecimento
O campo da vida cotidiana inclui gêneros mais construído e confrontar outras opiniões, posicionan-
familiares às alunas e aos alunos, que circulam nos es- do-se diante da informação. Nesse campo, ao longo
paços vivenciados no dia a dia pelas crianças e jovens do Ensino Fundamental, as estudantes e os estu-
como o doméstico, o escolar e o cultural. Os textos e dantes terão contato com gêneros como: verbete
gêneros que circulam nesse campo serão explorados de curiosidade do tipo “você sabia que”, verbetes de
especialmente nos primeiros anos do Ensino Funda- enciclopédia, artigo de divulgação científica, artigo de
mental. São eles: cantigas de roda, receitas, regras de opinião, debate e exposição oral.
jogo, bilhetes, avisos, cardápios, regras de brincadei- O campo jornalístico-midiático engloba textos
ras, entre outros. publicitários e textos da mídia informativa organiza-
O campo artístico-literário é aquele no qual dos nos gêneros notícia, reportagem, charges, en-
circulam as manifestações artísticas em geral. O con- trevistas, artigos de opinião, editorial, blogs, comen-
tato com ele deve propiciar às alunas e aos alunos o tário de leitor, cartazes, folhetos, anúncios etc. “Sua
reconhecimento, a valorização, a fruição e a produ- exploração permite construir uma consciência crítica
ção de tais manifestações, com base em critérios es- e seletiva em relação à produção e circulação de in-

Tabela 3 – Campos de atuação de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental

Anos iniciais Anos finais

Campo da vida cotidiana

Campo artístico-literário Campo artístico-literário

Campo das práticas de estudo e pesquisa Campo das práticas de estudo e pesquisa

Campo jornalístico-midiático
Campo da vida pública
Campo de atuação na vida pública

94 REFERENCIAL CURRICULAR
Língua Portuguesa

formações, posicionamentos e induções ao consumo Ao tomar a linguagem como forma de intera-


(BNCC).” ção e constituição dos sujeitos, espaço de produção
O campo de atuação na vida pública contem- de sentido, e o texto como unidade básica do ensino,
pla textos normativos, legais e jurídicos que regulam como indicam as orientações curriculares nacionais
a convivência em sociedade e textos propositivos e há quase três décadas, é fundamental reconhecer
reivindicatórios, que costumam ser organizados nos que os processos de ensino e de aprendizagem da lín-
gêneros estatuto, lei, folheto, carta de reclamação, gua e da linguagem só podem ocorrer no interior das
carta de solicitação, petição pública. Por meio do práticas de linguagem (GERALDI, 1984; LERNER,
contato com eles, espera-se que a aluna, ou o aluno, 2002; DOLZ, 2010), visto que são elas que permitem
possa refletir sobre a vida pública e participar dela de às alunas e aos alunos ler, escutar, escrever e falar. É
modo crítico, responsável e ético. em função delas que a escola se organiza.
Os campos de atuação devem orientar a seleção A linguagem verbal (oral e escrita) se realiza por
de gêneros, práticas, atividades e procedimentos. Ao meio das práticas de linguagem. Essas práticas – lei-
longo do Ensino Fundamental, as alunas e os alunos tura e escuta de textos, produção de textos orais, es-
devem ter contato com textos dos diversos campos critos e multissemióticos – e a análise linguística são
de atuação pertencentes a gêneros textuais cada vez as grandes organizadoras do currículo de Língua Por-
mais desafiadores. É preciso lembrar, no entanto, que tuguesa. Os campos de atuação agrupam os gêneros
a fronteira entre os campos é tênue. Alguns gêneros tratados em cada uma das práticas procurando pos-
podem se situar em mais de um campo, como é o caso sibilitar um estudo equilibrado das diferentes formas
da reportagem científica, que circula tanto no jorna- de dizer e considerando a constituição da proficiência
lístico-midiático quanto no de divulgação científica. para a atuação na vida cidadã.
De qualquer forma, a organização do componente Autores como Geraldi (1984/2004) e Lerner
por campos de atuação se justifica pela perspectiva (2002) há algum tempo defendem que o conteúdo
situada nas práticas de linguagem. de ensino deva ser as práticas de linguagem: leitura,
Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, os tex- escrita e produção oral, escrita e multissemiótica. Por
tos/gêneros do campo jornalístico e midiático apare- mais que essa afirmação soe óbvia, ainda hoje muitas
cem no campo da vida pública. pesquisas indicam que na aula de Língua Portuguesa
a prática de linguagem é tão fatiada que chega a ser
descaracterizada.
Considerando a relevância das práticas de lin-
Práticas de linguagem e guagem como um dos eixos organizadores do currícu-
objetos de conhecimento lo, este Referencial Curricular reafirma a necessidade
de que a versão escolar das práticas de leitura e escri-
Pode-se afirmar que o grande propósito educativo do ta em sala de aula mantenha-se em sintonia com a ver-
ensino da leitura e da escrita no curso da educação são que essas práticas assumem fora da escola. Essa
obrigatória é o de incorporar as crianças à comuni- orientação está em consonância com a BNCC, que,
dade de leitores e escritores; é o de formar os alunos logo no primeiro parágrafo da introdução do com-
como cidadãos da cultura escrita. Se esse é o propó- ponente Língua Portuguesa, menciona a ampliação
sito, então está claro que o objeto de ensino deve-se ocorrida nas práticas de linguagem a partir do século
definir tomando como referência fundamental as XX com a criação de gêneros e textos multissemióti-
práticas sociais de leitura e escrita (LERNER, 2002). cos em razão das tecnologias digitais e, mais adiante,
enfatiza a demanda que se coloca para a escola:
Como já foi amplamente discutido nos estudos
sobre ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa, [...] contemplar de forma crítica essas novas práticas
um dos objetivos centrais da escola é formar leitores de linguagem e produções, não só na perspectiva de
e escritores. atender às muitas demandas sociais que convergem

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 95


Componentes curriculares

para um uso qualificado e ético das TDIC – neces- multissemióticos e de sua interpretação. Esse relacio-
sário para o mundo do trabalho, para estudar, para namento com o texto, como afirma a BNCC, ocorre
a vida cotidiana etc. –, mas de também fomentar o com finalidades e propósitos definidos, como ler para
debate e outras demandas sociais que cercam essas fruição estética e literária, ler para pesquisar/estudar,
práticas e usos. É preciso saber reconhecer os discur- obter uma informação precisa ou aprofundar um de-
sos de ódio, refletir sobre os limites entre liberdade terminado tema escolar ou acadêmico, ler para seguir
de expressão e ataque a direitos, aprender a debater instruções, para comunicar um tema a uma audiência,
ideias, considerando posições e argumentos contrá- para discutir ou debater um tema social controverso
rios (BNCC, 2017). num debate, para sustentar uma reivindicação num
contexto de atuação na vida pública e para desenvol-
Reconhecendo a urgência de um ensino que for- ver projetos pessoais (BNCC, 2017; SOLÉ, 1998).
me leitores e escritores que possam ser praticantes Na BNCC, a leitura é tomada em um sentido
da leitura e da escrita (LERNER, 2002), sugere-se mais amplo, dizendo respeito não somente ao texto
que as atividades a ser realizadas pelas estudantes e escrito mas também a aspectos relacionados à mul-
pelos estudantes estejam inseridas em situações co- timodalidade dos textos atuais, que trazem imagens
municativas que de fato façam sentido para todas e estáticas (foto, pintura, desenho, esquema, gráfico,
todos. diagrama), imagens em movimento (filmes, vídeos
A seguir, são apresentados os objetos de conhe- etc.) e som (música). Ler também significa compreen-
cimento ligados a cada uma das práticas de lingua- der a multiplicidade da linguagem presente nos textos
gem. Na BNCC, as habilidades listadas situam-se em em função das diferentes situações de produção e de
diferentes campos de atuação e dizem respeito a uma recepção marcadas pelo mundo contemporâneo.
ou mais práticas de linguagem. Além disso, elas colo- O tratamento das práticas leitoras compreende
cam em jogo objetos de conhecimento diversos, que dimensões inter-relacionadas às práticas de uso e re-
correspondem a conteúdos, conceitos e processos. flexão, indicadas no documento nacional como obje-
Cada objeto de conhecimento se relaciona a um tos de conhecimento, tais como:
número variável de habilidades. Dessa forma, é pos-
sível identificar alguns objetos de conhecimento liga- 1. Reconstrução e reflexão sobre as condições de pro-
dos a cada prática de linguagem. Na maioria, os ob- dução e recepção dos textos pertencentes a diferen-
jetos são elementos generalizáveis aos mais diversos tes gêneros e que circulam nas diferentes mídias e
campos de atuação. Por exemplo, em leitura, apre- campos de atividade humana.
senta-se como objeto de conhecimento a adequação 2. Dialogia e relação entre textos.
do texto à construção composicional e ao estilo de gê- 3. Reconstrução da textualidade, recuperação e análise
nero, que deve ser objeto de ensino no trabalho com da organização textual e da progressão temática e es-
textos de quaisquer gêneros e campos de atuação. tabelecimento de relações entre as partes do texto.
Os objetos revelam a natureza do conhecimento 4. Reflexão crítica sobre as temáticas tratadas e valida-
e sintetizam os conteúdos, conceitos e processos cen- de das informações.
trais do componente curricular. 5. Compreensão dos efeitos de sentido provocados pe-
los usos de recursos linguísticos e multissemióticos
em textos pertencentes a gêneros diversos.
6. Estratégias e procedimentos de leitura.
Prática de leitura e escuta 7. Adesão às práticas de leitura.
de textos 8. Formação do leitor literário.
9. Leitura multissemiótica.
Atualmente, a leitura compreende as práticas de lin- 10. Apreciação estética/estilo.
guagem que resultam da interação ativa do leitor/ 11. Aprimoramento de comportamentos7 típicos de lei-
ouvinte/espectador com os textos escritos, orais e tores (BNCC, 2017).

96 REFERENCIAL CURRICULAR
Língua Portuguesa

Compreender que o tratamento das práticas lei- As capacidades de apreciação e réplica do leitor
toras acontece, na escola, de modo articulado com as em relação ao texto – que compõem o bloco de conhe-
práticas de uso e reflexão implica realizar a análise de cimentos linguísticos-discursivos – a ser desenvolvi-
textos considerando todas as dimensões citadas an- das pelos leitores de modo a ampliar a compreensão
teriormente, para compreender os efeitos de sentido dos textos orais, escritos e, especialmente, os multis-
provocados pelos recursos utilizados pelos autores, semióticos são:
de acordo com as condições de produção e de recep-
ção, o que amplia a ideia de compreensão que se tinha Recuperação do contexto de produção do texto.
O

anteriormente. Definição de finalidades e metas da atividade de


O

Do ponto de vista das teorias sobre leitura, esse leitura.


ato de ler de modo compreensivo, conforme o expos- Percepção de relações de intertextualidade (no nível
O

to na BNCC, requer a construção e a apropriação de temático).


três tipos de conhecimentos: capacidades, procedi- Percepção de relações de interdiscursividade (no ní-
O

mentos e comportamentos leitores. vel discursivo, relacionado aos gêneros).


As capacidades leitoras podem ser de natureza Percepção de outras linguagens (imagens, sons, ima-
O

cognitiva, como as capacidades de compreensão ou gens em movimento, diagramas, gráfico, mapas etc.).
estratégias de leitura, envolvidas na compreensão do Elaboração de apreciações estéticas e/ou afetivas.
O

texto, e de natureza linguístico-discursiva, denomina- Elaboração de apreciações relativas a valores éticos


O

das por Rojo (2004) como capacidades de réplica e e/ou políticos.


apreciação que compreendem aspectos perceptuais,
práxicos (relacionados às situações comunicativas), Os procedimentos leitores8 , definidos por Rojo
cognitivos, afetivos, sociais, discursivos e linguísticos (2004) como um conjunto de fazeres e de rituais rela-
envolvidos no ato de ler. Assim como aspectos decor- cionados às práticas de leitura, envolvem reconhecer
rentes da situação e das finalidades da leitura, mobi- a direção da escrita – que, no caso da Língua Portu-
lizadas no processo de reconstrução dos sentidos de guesa, é da esquerda para a direita; folhear o livro da
um texto. direita para a esquerda e de maneira sequencial e não
As capacidades de compreensão, de natureza salteada; fazer uma leitura rápida das manchetes de
cognitiva, também conhecidas como estratégias de jornal para selecionar os textos que são interessantes
leitura, são: (para o leitor); usar caneta marca-texto para destacar
informações relevantes numa leitura voltada ao estu-
Ativação de conhecimentos previamente construídos.
O do ou ao trabalho.
Antecipação ou predição de conteúdos ou proprieda-
O Os comportamentos leitores, de acordo com
des dos textos, com base em pistas como título. Delia Lerner (2002), dizem respeito à relação que
Conferência ou checagem de hipóteses levantadas.
O
existe entre os leitores e os valores construídos no
Localização e /ou cópia de informações.
O
ato de ler e depois da leitura. Trata-se de um tipo de
Comparação de informações.
O
conhecimento leitor que diz respeito às práticas leito-
Generalização (conclusões gerais sobre fato, fenôme-
O
ras presentes na comunidade em questão e envolve
no, situação, problema etc.). atitudes como indicar obras lidas aos colegas, partici-
Produção de inferências locais e globais (perceber as-
O
par de rodas de leitores, frequentar espaços e even-
pectos implícitos do texto). tos em que a leitura seja o mote etc.

7. Conforme o conceito de comportamentos leitores proposto por Lerner (2002).


8. Lerner (2002) fala em comportamentos da esfera mais privada citando práticas como reler um fragmento para verificar o que aprendeu,
saltar o que não se entende, ou não interessa no momento para compreender melhor, adequar a modalidade de leitura (exploratória ou
detalhada, pausada ou rápida, cuidadosa ou descompromissada) aos propósitos que se perseguem ou ao texto que se está lendo.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 97


Componentes curriculares

Prática de produção de textos paços ele irá circular, em que portador ou suporte, qual
gênero é mais adequado em função do interlocutor e
Produzir um texto é uma atividade extremamente das intenções comunicativas.
complexa que demanda múltiplas capacidades e ne-
cessita de uma aprendizagem lenta e prolongada. Elaboração e tratamento do conteúdo temático
Pode-se dizer, inclusive, que é uma situação proble- Refere-se ao levantamento do conteúdo do texto a
mática que não deve ser resolvida de maneira sim- ser produzido.
ples nem repetitiva. Em outras palavras, escrever
demanda um pensamento estratégico que requer o Por criação (invenção) quando se trata da produção/
O

domínio de técnicas e a capacidade de modificá-las de criação de conteúdo para produção de textos do


modo que se adaptem a situações mutantes (SOLÉ; campo artístico-literário, contemplando discussões
TEBEROSKY, 2004). como qual será o gênero (fábula, crônica, capítulo
A competência linguística corresponde à capa- para um romance); o tipo de narrador; em que con-
cidade de formular enunciados sintaticamente e lexi- texto a trama será desenvolvida; e quais serão os
camente adequados. É papel da escola, no entanto, ir personagens.
além e investir no desenvolvimento da competência Por pesquisa. Por exemplo, buscar em reportagens
O

comunicativa, que envolve, além da linguística, as e artigos de divulgação científica informações sobre
competências discursivas (capacidade de escolher o determinado tema para produzir um verbete de en-
tipo de texto adequado à situação ou circunstância), ciclopédia ou participar de um debate.
textual (capacidade de construir um texto bem orga-
nizado dentro do tipo escolhido), pragmática (capa- Planificação Corresponde à organização parte a par-
cidade de obter um determinado efeito intencional te. Sua função é contribuir para que a estudante, ou o
mediante o texto construído) e enciclopédica (co- estudante, entenda quais serão as partes do texto, em
nhecimento de mundo e de saberes mais particulares que ordem elas virão, de que maneira se articularão
que permitem um intercâmbio comunicativo eficaz) e quais as relações estabelecidas entre elas. No caso
(MARÍN, 2008). da reescrita, essa organização acontece apoiada no
Todo texto, ao ser produzido, deve ser pautado texto-fonte. Como o conteúdo temático já está dado,
por um contexto, o que resultará em características cabe à estudante, ou ao estudante, apenas recuperar
específicas que se referem aos diferentes interlocu- esse conteúdo do texto completo ou de um trecho do
tores aos quais o texto se destina, à finalidade com texto-fonte (quando se tratar de reescrever um final
que será escrito, ao lugar em que circulará e aos dis- para um conto, por exemplo).
tintos portadores.
Além disso, há de se considerar as estratégias Textualização Consiste na produção do texto em si.
colocadas em jogo no processo de produção textual Essa operação se articula diretamente com a contex-
e que consistem, por si sós, em objetos de conheci- tualização e a planificação, pois cada escolha textual
mento: planejamento, textualização, revisão e edição. exige a recuperação do interlocutor e da situação co-
Dolz, Gagnon e Decândio (2010) afirmam que “o municativa, para conferir se a escolha é adequada e
objeto a ensinar e a aprender, a escrita, é uma ativida- se o leitor do texto o compreenderá. Essa operação
de complexa, que vai do gesto gráfico à planificação, envolve questões como pontuação, paragrafação e
que envolve a textualização e a revisão”. Os autores presença de organizadores textuais imprescindíveis
indicam cinco operações fundamentais envolvidas no para a articulação das partes do texto, garantindo a
ensino e na aprendizagem da produção escrita. coesão. Trata-se de uma das operações mais comple-
xas do processo de produção de texto, exigindo, nos
Contextualização Diz respeito à definição ou à recu- processos de ensino e de aprendizagem, a modeliza-
peração do contexto de produção textual: para que lei- ção por meio de situações de produção coletiva em
tor o texto será escrito, com que finalidade, em que es- que as crianças ditam o texto e a professora, ou o pro-

98 REFERENCIAL CURRICULAR
Língua Portuguesa

fessor, grafa discutindo coletivamente as possibilida- Normalmente, o ensino da oralidade está atre-
des e escolhas linguísticas articuladas às operações lado a apresentações orais, debates e leitura em voz
citadas anteriormente. alta. Pouca atenção se dedica, no entanto, à consi-
deração das situações comunicativas, das etapas de
Revisão A quinta operação, que perpassa todo o pro- produção do texto oral e das estratégias de produção.
cesso e se articula às demais, é a revisão processual e Muitas vezes, inclusive, a apresentação oral é apenas
final do texto produzido. a etapa final de um projeto ou sequência, sem que se
ensine de fato a produzir um texto oral.
A revisão processual ocorre durante a produção,
O Alguns estudos sobre o ensino da linguagem oral
quando se retoma o que foi escrito para continuar na tradição escolar (SCHNEUWLY, 2004) revelaram,
escrevendo. ainda, que ela passa por situações de livre expressão
A revisão final ou posterior é feita depois da produ-
O das alunas e dos alunos, por emissão de opinião sobre
ção de uma primeira versão e é seguida da reescrita, a aula e por exposições sobre temas estudados. Além
aqui compreendida como refazimento do texto. disso, ela é vista em um contexto de oposição à lingua-
gem escrita que pode ser resumido na representação
Essas operações devem ser tematizadas na sala de que a linguagem oral tem um suporte fônico, é infor-
de aula, pois são as habilidades básicas para que um mal, não utiliza a variedade padrão da língua, não é pla-
texto seja produzido. O trabalho deve envolver mo- nejada e apoia-se na linguagem gestual. Já a linguagem
mentos coletivos em que a professora, ou o professor, escrita tem um suporte gráfico, é formal, planejada.
modeliza o uso de procedimentos escritores (opera- Hoje, sabe-se que há discursos orais pouco pla-
ções) avançando para o trabalho em grupos até che- nejados, que contam com a presença física do interlo-
gar ao individual. cutor e se realizam por meio de um registro informal
Os objetos de conhecimento relativos à produ- como uma conversa entre amigos num encontro ca-
ção textual constantes na BNCC (2017) abarcam os sual ou uma conversa entre crianças num horário li-
aspectos discursivo, textual, intertextual, temático e vre. Contudo, há discursos na modalidade fônica que,
linguístico e as operações de produção de texto: apesar de acontecerem na presença do interlocutor,
apresentam um elevado grau de formalidade e têm
1. Consideração e reflexão sobre as condições de um registro mais acadêmico, na variedade padrão da
produção e circulação de diferentes gêneros nas língua, como é o caso das exposições orais realizadas
diferentes mídias e campos de atividade humana. em eventos como seminários, mesas-redondas, deba-
2. Dialogia e relação entre textos. tes temáticos etc. A linguagem escrita também pode
3. Alimentação temática. ser menos formal em alguns contextos, como é o caso
4. Construção da textualidade. das cartas pessoais e de algumas mensagens em de-
5. Aspectos notacionais e gramaticais. terminadas redes sociais.
6. Estratégias de produção. Nesse sentido, este Referencial Curricular di-
ferencia o que se conhece por oralidade no geral da
prática de produção de textos orais e da oralização de
textos, atividades que, apesar de terem em comum o
Prática de oralidade suporte fônico, realizam-se em situações comunicati-
vas distintas e guardam especificidades. A oralidade,
O ensino das práticas de leitura e de produção textual portanto, conforme apresentada na BNCC (2017),
conta com um corpus mais extenso de pesquisas so- envolve um conjunto de práticas de linguagens que
bre os objetos de conhecimento, sobre a aprendiza- ocorrem na modalidade oral como conversas em
gem e sobre o ensino. No que diz respeito às práticas roda, gravação de notícias produzidas, exposição oral
de oralidade, é preciso começar pela reflexão sobre o em seminários e debates, entre outras práticas de lin-
que ensinar. guagem, abarcando tanto as realizadas com base em

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 99


Componentes curriculares

um texto escrito sendo lido (a oralização) quanto em linguagem que as estudantes e os estudantes chega-
situações comunicativas formais, em que o texto está rão a participar, de modo cada vez mais autônomo, de
sendo produzido ao mesmo tempo que é comunicado situações comunicativas em que tenham que produ-
(linguagem oral). zir textos orais e possam compreender a relação de
Ampliando e aprofundando o conceito de lin- imbricação entre a prática de produção escrita e oral
guagem oral e pensando no processo de aprendiza- nas diferentes situações em que elas ocorrem.
gem, é possível dizer que a produção de textos orais No caso da oralização de textos escritos, muito
é uma prática de linguagem que, a exemplo da produ- comum na situação em que se lê um texto produzido
ção de textos escritos, requer, como já dito, processos previamente para a audiência (sarau literário, jornal
de ensino e de aprendizagem sistematizados e orga- falado, em algumas situações de leitura em voz alta de
nizados no currículo com objetivos claros e de modo contos), também é preciso um preparo em relação a
espiral, ou seja, permitindo uma progressão que ga- compreender o texto a ser lido, garantindo uma ento-
ranta avanços e retomadas ao longo de todo o Ensino nação adequada. Contudo, essas atividades não são
Fundamental. caracterizadas como trabalho de linguagem oral, em
A complexidade do ensino e da aprendizagem da que, como já foi explicitado, o texto é produzido na
prática de produção de textos orais consiste na natu- presença do interlocutor, a interação regulará as es-
reza da simultaneidade das operações de produção colhas linguísticas e o que e como será dito, ou seja, o
que precisam ser desenvolvidas pelas alunas e pelos planejamento e a textualização serão concomitantes.
alunos quando se encontram nessas situações (pla- Portanto, as situações de leitura em voz alta de tex-
nejar a fala, comunicá-la, rever, replanejar realizando tos, em geral, e a apresentação de notícias lidas são
ajustes). Dito de outro modo, no processo de produ- de oralização de textos escritos, em que o foco é na
zir um texto oral, seja em um debate, exposição oral, prática de leitura e compreensão do texto.
seja em uma entrevista, ainda que o produtor tenha A BNCC apresenta os seguintes objetos de co-
se preparado para a fala trazendo um esquema es- nhecimento relativos à prática de oralidade:
crito com o que e como dizer, dada a natureza fônica
da prática, no momento da oralização – na interação 1. Consideração e reflexão sobre as condições de
–, ele terá de replanejar em função do contexto, de produção dos textos orais que regem a circulação
acordo com a intervenção dos ouvintes, e esse pla- de diferentes gêneros nas diferentes mídias e cam-
nejamento ocorrerá no mesmo momento em que ele pos de atividade humana.
comunica suas ideias ao interlocutor. 2. Compreensão de textos orais.
Nesse sentido, é importante que as estudantes e 3. Produção de textos orais.
os estudantes vivenciem momentos de aprendizagem 4. Compreensão dos efeitos de sentidos provocados
de como se planeja, por exemplo, um debate. Para pelos usos de recursos linguísticos e multissemióti-
isso, precisam dedicar tempo a observar debates e cos em textos pertencentes a gêneros diversos.
analisar como se dá a tomada da palavra, identificar 5. Relação entre fala e escrita.
os operadores argumentativos que contribuem para
dar maior força e sustentação à opinião, entre outros
aspectos. Mais uma situação de aprendizagem a ser
proporcionada é o estudo do conteúdo temático a ser Análise linguística e semiótica
utilizado em uma apresentação oral, garantindo tem-
po para assistir a exposições e compreender a articu- Ser um usuário competente da língua em toda a sua
lação entre o suporte escrito (slides, por exemplo), a complexidade implica participar das práticas de lin-
postura corporal, o modo de colocar a voz e a consi- guagem, ou seja, ler compreensivamente e produzir
deração da audiência, o encadeamento das ideias que textos (orais, escritos e multissemióticos) adequados
assegurem a coesão e a coerência do que será dito. às diferentes situações comunicativas da contempo-
Enfim, é pela análise e uso dessas práticas de raneidade.

100 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa

Para isso, o enunciador/falante precisa ter com- Para exemplificar, é possível citar a afirmação de
petência comunicativa que permita a ele avaliar se Mendonça (2016):
determinado uso linguístico é mais ou menos adequa-
do à finalidade prevista para a situação em que seu Diferentemente do trabalho das aulas convencionais
discurso está inserido e que efeitos de sentido pode de gramática, que privilegiam as classificações e a
produzir utilizando um ou outro recurso. correção linguística, a análise linguística se preocupa
Trata-se de um conhecimento amplo e interli- em auxiliar os alunos a dominar recursos linguísticos
gado a muitos outros que, com as contribuições de e a refletir sobre em que medida certas palavras, ex-
autores como Bräkling (2008), Marín (2008) e Antu- pressões, construções e estratégias discursivas po-
nes (2017), envolve saberes de diferentes naturezas dem ser mais ou menos adequadas ao seu projeto
como: discursivo (capacidade de escolher o texto/ de dizer, auxiliando na ampliação das capacidades
gênero adequado à situação comunicativa), textual de leitura e na produção textual dos alunos.
(capacidade de construir um texto bem organizado,
sintaxe, pontuação), pragmático (relacionado às prá- É possível dizer que o trabalho com gramática
ticas de linguagem e às situações de comunicação: privilegiava apenas um dos aspectos envolvidos nos
capacidade de obter um determinado efeito intencio- conhecimentos sobre língua e linguagem, já o traba-
nal com o texto produzido, nas diferentes situações lho de análise linguística e semiótica envolve conheci-
comunicativas em que circule), enciclopédico (co- mentos de diferentes naturezas, além do gramatical.
nhecimento dos padrões culturais, acumulados pelas O trabalho nesse viés acontece pela análise de
experiências de mundo), linguístico/gramatical (ca- recursos utilizados por autores (para constituição de
pacidade de formular enunciados sintática e lexical- repertório entre as alunas e os alunos) e pela análise
mente adequados) e conhecimento notacional (rela- dos recursos utilizados pelas crianças nas atividades
tivos à compreensão do sistema de escrita). de produção oral e escrita. Todo tipo de análise rea-
A orientação da BNCC é que o trabalho de aná- lizada requer uma sistematização, que pode ser ma-
lise linguística e semiótica seja interligado aos seguin- terializada por um cartaz coletivo, quando for o caso
tes eixos: leitura/escuta e produção oral, escrita e dos primeiros anos do Ensino Fundamental, por uma
multissemiótica. tomada de notas em duplas, chegando a registros
mais autônomos e individuais nos anos posteriores.
O eixo da Análise Linguística/Semiótica envolve os Como já dito, além da análise de texto, as situa-
procedimentos e as estratégias (meta)cognitivas de ções de revisão são fundamentais para aprender a es-
análise e avaliação consciente, durante os processos crever cada vez melhor; estas se constituem em um
de leitura e de produção de textos (orais, escritos e trabalho de análise linguística e reelaboração cons-
multissemióticos), das materialidades dos textos, res- tante do texto.
ponsáveis por seus efeitos de sentido, seja no que se O estudo dos aspectos convencionais da língua
refere às formas de composição dos textos, determi- deve acontecer também com os textos orais (exposi-
nadas pelos gêneros (orais, escritos e multissemióti- ção, debate, roda de jornal) e multissemióticos (pod-
cos) e pela situação de produção, seja no que se refe- cast, vídeos, vlogs etc.), em que a análise linguística e
re aos estilos adotados nos textos, com forte impacto semiótica de aspectos convencionais da língua – ca-
nos efeitos de sentido (BNCC, 2017). racterísticas das situações comunicativas em que o
texto produzido irá circular, forma dos gêneros, pon-
Considerar o aspecto multissemiótico na análise tuação, concordâncias verbal e nominal, ortografia,
linguística significa, portanto, sempre relacionar o uso multimodalidade dos textos (uso de linguagem ges-
das estratégias e dos procedimentos linguísticos aos tual, música, recursos de imagem, tipo de enquadra-
efeitos de sentido provocados. Por isso, a orientação mento, infográficos etc.) – está imbricada à conside-
é que as atividades de ensino e de aprendizagem ocor- ração dos efeitos de sentido que o uso produz.
ram de modo articulado às práticas de linguagem. Além disso, a BNCC explicita, tanto nas compe-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 101


Componentes curriculares

tências gerais quanto na específica do componente e recursos de referenciação (pronominal, verbal) e pela
em algumas das habilidades, a importância de articu- pontuação; e a gramatical, que envolve a oração e as
lar o estudo da língua de modo a levar a estudante, ou escolhas lexicais e a pragmática, entre outros aspec-
o estudante, a conhecer a língua-padrão, dominando tos já mencionados, sendo o conhecimento gramati-
as práticas de linguagem em que ela se faz necessá- cal necessário, mas não o único.
ria, e reconhecer que a língua é construída histori- É importante lembrar que as ações nessa prá-
camente, sendo um produto cultural em constante tica têm início no 1º ano do Ensino Fundamental, em
mudança. Portanto, na escola, é preciso não só reco- situações de reflexão sobre o sistema de escrita e
nhecer as variedades do português falado no Brasil sobre os textos em geral. Em todos os anos de estu-
como estudar situações comunicativas que permitam do, é preciso conhecer o que as estudantes e os es-
à aluna, ou ao aluno, conhecer e respeitar o aspecto tudantes já sabem sobre a língua e a linguagem, bem
das variedades linguísticas, ou seja, os modos de falar como as fontes de suas dificuldades, para organizar
presentes no país. o trabalho com análise linguística. Isso porque, lon-
ge de repreender os erros produzidos, é necessário
Os conhecimentos sobre a língua, as demais semio- considerá-los, pois fornecem pistas preciosas sobre
ses e a norma-padrão não devem ser tomados como o estado do conhecimento, sendo fundamentais para
uma lista de conteúdos dissociados das práticas de a tomada de decisões na organização do processo de
linguagem, mas como propiciadores de reflexão a ensino e de aprendizagem.
respeito do funcionamento da língua no contexto Os objetos de conhecimento referentes à aná-
dessas práticas. A seleção de habilidades na BNCC lise linguística/semiótica articulam-se com algumas
está relacionada com aqueles conhecimentos funda- dessas instâncias:
mentais para que o estudante possa apropriar-se do
sistema linguístico que organiza o português brasilei- 1. Fono-ortografia.
ro (BNCC, 2017). 2. Morfossintaxe.
3. Sintaxe.
Resumidamente, é possível dizer que a varieda- 4. Semântica.
de de conhecimentos envolvidos no desenvolvimento 5. Variação linguística.
da competência comunicativa revela, assim, que é ne- 6. Elementos notacionais da escrita.
cessário transitar por diferentes instâncias relaciona-
das ao texto: a discursiva, que se refere ao texto em Outros objetos de conhecimento, listados com
seu contexto de produção e circulação, envolvendo as habilidades, mostram que a análise linguística/se-
mecanismos de coerência em relação ao gênero e miótica, além dos níveis textual e gramatical, se rela-
ao contexto; a textual, que envolve a estruturação ciona com aspectos discursivos do texto: construção
do texto e os mecanismos de coesão, marcados pelo composicional, estilo, efeitos de sentido, modalização,
uso de organizadores textuais, pela adequação dos intertextualidade e argumentação.

102 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa

Progressão belecer relações intertextuais. Fazer uma reescrita é


bem diferente de escrever um texto de autoria. Pro-
Pensar um currículo tendo claro que a construção do duzir coletivamente é bem diferente de escrever indi-
conhecimento ocorre por aproximações sucessivas vidualmente.
exige considerar em que condições se dará a constru- Desse modo, a progressão da aprendizagem e a
ção da autonomia das estudantes e dos estudantes construção da autonomia do sujeito em determinada
nas diferentes práticas de linguagem. Como já expli- prática de linguagem começa pela realização das ta-
citado, desde o primeiro ano a orientação é que as refas coletivamente com o apoio da professora, ou do
crianças estejam em contato com a cultura escrita e professor, depois em grupos/duplas para, finalmente,
inseridas nas práticas de linguagem: lendo e produ- realizar por conta própria.
zindo textos orais, escritos e multissemióticos. Retomando o exemplo da produção de texto,
As competências e os objetos de conhecimen- que no 1º ano ocorre pelo ditado à professora, ou
to apresentam de forma ampla e sintetizada o que se ao professor, avançando para a autonomia escritora
deve ensinar em Língua Portuguesa. Para desenvol- nos anos subsequentes, devemos considerar que –
ver tais competências e dominar conteúdos, concei- dependendo do nível de complexidade do objeto de
tos e processos, é preciso estabelecer um percurso conhecimento ou do texto a ser produzido, depen-
ao longo das séries e dos segmentos, que contemple dendo da familiaridade da estudante, ou do estudan-
desafios e complexidade crescentes. te, com o gênero no qual será organizado (um capítulo
Alguns dos parâmetros para a progressão das a mais para uma obra literária) – a prática de ditar à
aprendizagens estão explicitados na própria BNCC, professora, ou ao professor, poderá ter lugar, mesmo
como os campos de atuação em cada segmento, que depois que a proficiência escritora já ganhou contor-
partem de práticas mais cotidianas, com maior circu- nos de fluência em alguns textos e gêneros.
lação de gêneros orais e menos institucionalizados Outro importante aspecto é considerar as con-
(campo da vida cotidiana), e seguem em direção a prá- dições didáticas que precisam ser oferecidas para que
ticas e gêneros mais institucionalizados, com predo- as estudantes e os estudantes realizem leitura de tex-
mínio da escrita e do oral público. tos e pensem sobre os sentidos postos pelos autores.
A escolha de gêneros textuais para trabalhar ao No caso de um 1º ano, a restrição da tarefa de ler po-
longo do Ensino Fundamental é inevitável e condição derá variar de situações em que lê de modo autôno-
necessária para formar membros plenos da comuni- mo um texto da tradição oral (adivinha, parlenda) ou
dade de leitores e escritores. Alguns gêneros são mais ouvir textos lidos pela professora, ou pelo professor,
propícios ao trabalho de sala de aula por ter grande cir- e discutir os sentidos produzidos.
culação social ou por sua familiaridade para as crianças Assim, a progressão das aprendizagens poderá
e jovens. No entanto, é importante que o currículo per- prever o trabalho com um conteúdo em determinado
mita uma flexibilidade de escolha, porque o objetivo ano e a retomada do mesmo em anos posteriores ade-
último não é o domínio deste ou daquele gênero, mas quando o tratamento a ser dado, o texto, ou o gênero.
da capacidade de identificá-los, escolhê-los e relacio- Considerando esses aspectos, alguns dos crité-
ná-los com a situação comunicativa em questão. rios que podem ser utilizados para selecionar e pen-
A demanda cognitiva crescente também é de- sar a progressão dos conteúdos na escola são:
terminada pela diversidade de gêneros textuais, pela
complexidade textual, pelas habilidades de leitura a) o tipo de conteúdo – capacidades, procedimentos,
cada vez mais demandantes e pela ampliação da di- comportamentos e aspectos constitutivos da lin-
versidade cultural. guagem verbal (oral, escrita e multissemiótica);
Além disso, há de se considerar as possibilida- b) o nível de complexidade e a natureza do conteú-
des cognitivas e o nível de autonomia da aluna, ou do do que estará sendo desenvolvido; e
aluno. Identificar uma informação explícita no texto c) o nível de autonomia com que se espera que a estu-
é bem diferente de fazer uma inferência ou de esta- dante, ou o estudante, realize as tarefas propostas.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 103


Componentes curriculares

Avaliação
A avaliação, no contexto escolar, apresenta duas finali- um conto em meio a um projeto pode revelar à profes-
dades: identificar o que as crianças sabem para ajudá- sora, ou ao professor, que a turma utiliza poucos marca-
-las a aprender e certificar o resultado das aprendiza- dores temporais, levando à inclusão, em aulas futuras,
gens. A primeira, se realizada no início de uma unidade de uma proposta de revisão voltada para esse aspecto.
didática, é conhecida como diagnóstica e, se realizada Ao mesmo tempo, as dificuldades encontradas
durante o processo, é conhecida como formativa. A pelas crianças ao produzir essa primeira versão fará
segunda é conhecida como avaliação somativa e tem com que elas tenham mais consciência dos desafios
a função de certificar aprendizagens, de atestar o pro- que precisam enfrentar para produzir bons contos.
gresso para que a aluna, ou o aluno, avance em sua Dessa forma, tal situação de produção desempenha
escolaridade. As duas finalidades – ajudar na apren- as funções orientadora e reguladora. Já a produção
dizagem e certificar – têm lógicas antagônicas e fre- da versão final do conto desempenhará uma função
quentemente entram em conflito, pelo fato de serem certificativa.
realizadas pela mesma pessoa: a professora, ou o pro- Há diferentes formas de realizar a avaliação. Se-
fessor, que precisa avaliar para guiar a aprendizagem e, gundo Ribas, com relação ao procedimento, ela pode
ao final do período, avaliar para certificar ou selecionar ser somativa, descritiva ou hermenêutica. A somativa
as alunas e os alunos. usa dados numéricos; a descritiva aponta elementos
Compreender a função da avaliação no contexto observados, descrevendo seu domínio pela aluna, ou
escolar, como ela pode ser feita e exatamente o que é pelo aluno; e a hermenêutica integra indícios recolhi-
avaliado é um caminho importante para analisar a prá- dos por diferentes procedimentos.
tica pedagógica e fazer escolhas mais conscientes e Por exemplo, a nota atribuída à versão final de um
adequadas aos propósitos educacionais. conto é obtida por meio de um procedimento somati-
Antes de mais nada, faz-se importante um escla- vo. Já um comentário da professora, ou do professor,
recimento com relação à classificação mais usual da sobre os aspectos que a aluna, ou o aluno, compreen-
avaliação. A definição de cada tipo se dá com parâme- deu em relação às características do gênero utiliza pro-
tros diferentes: a formativa é definida com base em sua cedimento descritivo. E um portfólio no qual a criança
função; a somativa, de acordo com o procedimento; e escolha duas produções textuais realizadas ao longo
a diagnóstica também em relação à sua função, porém de um período letivo e reflita sobre elas (quais dificul-
costuma ser atrelada a um momento do processo edu- dades enfrentou, quais conquistas realizou, comentá-
cativo – no caso, o início. rios autoavaliativos sobre a qualidade da produção,
Teresa Ribas (2010) propõe uma classificação reflexão sobre o processo de aprendizagem, autoava-
mais ampla para a avaliação na área linguística, o que liação sobre sua participação nas diferentes etapas de
permite uma análise mais abrangente e uma escolha produção etc.) utiliza procedimento hermenêutico.
mais consciente dos instrumentos de avaliação. Com relação ao objeto da avaliação, ele pode ser
Para que serviria a avaliação? Para a autora, com o produto da escrita, o processo de composição ou o
relação à função, a avaliação pode ser orientadora, processo de aprendizagem. No primeiro caso, o que é
reguladora ou certificativa. A orientadora permite avaliado é o texto; no segundo, as operações que per-
coletar informação para antecipar itinerários futuros mitiram chegar ao texto final; no terceiro, em que me-
e tomar decisões ligadas ao processo de ensino; a re- dida avançam as aprendizagens.
guladora corresponde à avaliação formativa, ou seja, A produção textual pode ser avaliada com base
tem seu foco no processo de aprendizagem; e a certifi- no progresso da criança (processo de aprendizagem)
cativa classifica os estudantes no final de um período. e na realização das etapas de produção (processo de
Por exemplo, a produção da primeira versão de composição), e não apenas no resultado final (produ-

104 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa

to da escrita). Dois textos com qualidade semelhante, Alguns dispositivos se provaram bastante úteis
produzidos por dois diferentes estudantes, podem ter para a avaliação reguladora ou formativa: as pautas de
avaliações distintas se o primeiro tiver apresentado um avaliação, a auto e a coavaliação e o portfólio. As pautas
progresso muito maior do que o segundo, por exemplo. permitem uma avaliação mais confiável porque explici-
Esse dilema é comumente enfrentado por professoras tam os critérios de excelência e o que significa a nota
e professores que desejam reconhecer o progresso da recebida, facilitando a ação posterior. A autoavaliação
criança mas se sentem limitados pelo resultado final e a coavaliação requerem a implicação da aluna, ou do
do texto produzido. Sabendo que o objeto da avaliação aluno, como avaliadora, ou avaliador, das próprias pro-
não é apenas o texto final mas também a aprendiza- duções ou das dos colegas e favorecem a compreen-
gem, e compartilhando esses critérios com a turma, a são dos objetivos educativos. O portfólio consiste na
professora, ou o professor, pode fazer uma avaliação seleção e organização de trabalhos pela aluna, ou pelo
mais coerente com esses princípios. aluno, de acordo com critérios de qualidade, dando
Uma nota não aporta informação sobre os pro- sentido às atividades sistemáticas de autoavaliação.
gressos ou sobre os problemas que precisam ser su- Construir e compartilhar com a turma os crité-
perados, ela atribui um grau de êxito ou fracasso, mas rios de avaliação e, em última instância, a própria ava-
tem baixo valor formativo. No entanto, considerando liação não serve apenas para diminuir a sensação de
a classificação mais ampla proposta por Ribas (2010), arbitrariedade, mas para promover a autorregulação
a nota de uma prova pode deixar de ser uma avaliação da aprendizagem, que consiste em “operações meta-
exclusivamente certificativa e passar a ter também cognitivas do sujeito e de suas interações com o meio
função reguladora, se a professora, ou o professor, que modificam seus processos de aprendizagem no
promover uma reflexão sobre os erros e os acertos, sentido de um objetivo definido de domínio” (PERRE-
uma análise de boas respostas ou de respostas com NOUD, 1999).
problemas. Além disso, ela terá uma função orientado- Em outras palavras, a estudante, ou o estudan-
ra na medida em que for utilizada para redefinir o per- te, torna-se cada vez mais consciente de suas apren-
curso pedagógico. dizagens e cada vez mais capaz de geri-las. Em última
Com relação à avaliação da leitura, é possível instância, é esse o indivíduo que se quer formar, pois
considerar as mesmas funções (reguladora, orienta- terá autonomia para seguir aprendendo pelo resto de
dora e certificativa) e procedimentos (somativo, des- sua vida.
critivo e hermenêutico). Quanto ao objeto avaliado, é
importante considerar tanto a compreensão do que
foi lido quanto os processos, tanto as características
do texto quanto as tarefas que o leitor deve realizar.
Há de se verificar se a aluna, ou o aluno, domina ha-
bilidades leitoras importantes para a vida, ou seja, se
sabe interpretar e resolver problemas comunicativos
em situação de leitura de textos autênticos. Por isso, é
importante usar nas avaliações – e nas aulas também,
evidentemente – textos que circulam nos diferentes
campos de atuação.
De maneira geral, a avaliação com função regu-
ladora ou formativa deve constar de quatro tarefas a
ser realizadas pela professora, ou pelo professor: de-
sencadear comportamentos a observar, interpretar
os comportamentos observados, comunicar os re-
Autoavaliação e coavaliação como ferramentas
sultados da análise e remediar os erros e dificuldades para compreeder os objetivos educativos
(HADJI, 2001). (Foto: Enéias Alencar/Mucugê)

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 105


Componentes curriculares

Indicadores de aprendizagem e avaliação


1º ano – Língua Portuguesa
TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Identificar, com a mediação da professora, ou do Participa de situações de leitura, escuta, produção de


professor, a função social de textos que circulam em textos orais, escritos e multissemióticos que circulam
campos da vida social dos quais participa cotidianamente em diferentes campos de atuação e mídias de modo a
(a casa, a rua, a comunidade, a escola) e nas mídias expressar e partilhar informações, experiências, ideias e
impressa, de massa e digital, reconhecendo para que sentimentos com base nos textos lidos/produzidos?
foram produzidos, onde circulam, quem os produziu e a
Identifica, com a ajuda das colegas e dos colegas e da
quem se destinam.
professora, ou do professor, no processo de escuta de
A. Explorar, com a mediação da professora, ou do textos, o contexto de produção e a função social do
professor, textos de diferentes mídias e campos de texto lido?
atuação, conhecendo suas possibilidades.
Faz perguntas durante as leituras em voz alta, ou
B. Estabelecer, com a ajuda das colegas e dos colegas colaborativas, explicitando dúvidas, apresentando
e da professora, ou do professor, relações entre os contribuições e identificando recursos utilizados
textos dos diferentes campos de atuação, no que se no texto para responder aos questionamentos da
refere à sua finalidade, a valores veiculados, crenças, professora, ou do professor? Por exemplo, pede
entre outros. para reler o trecho que provoca dificuldades, resolve
as dúvidas ou consulta outras fontes, entre outros
Estabelecer, com a ajuda das colegas e dos colegas,
procedimentos?
expectativas em relação ao texto que vai ler/ouvir
(pressuposições antecipadoras dos sentidos, da forma Antecipa as informações com base nas pistas dadas nos
e da função social do texto), apoiando-se em seus textos?
conhecimentos prévios sobre as condições de produção
Busca, seleciona e lê, com a mediação da professora,
e recepção desse texto, o gênero, o suporte e o universo
ou do professor (leitura compartilhada), textos que
temático, bem como sobre saliências textuais (aspas,
circulam em meios impressos ou digitais de acordo com
negrito, itálico, destaques gráficos, formatação especial
as necessidades e os interesses?
de letra), recursos gráficos, imagens, dados da própria
obra (índice, prefácio etc.).
A. Confirmar, com a ajuda das colegas e dos colegas e da
professora, ou do professor, antecipações realizadas
antes e durante a leitura de textos, checando a
adequação das hipóteses realizadas.

Localizar informações explícitas em textos. Localiza nomes em listas para copiar e/ou organizar o
cotidiano?
A. Localizar palavras num texto que se sabe de memória
pelo ajuste e uso de indícios (letras do nome das Localiza informações explícitas em listas e/ou textos
colegas e dos colegas, primeira e última letra) para conhecidos ajustando o escrito ao falado e utilizando
antecipar, inferir e validar o que está escrito. indícios?
B. Localizar um nome, ditado pela professora, ou pelo
professor, ou colega, em listas de campos semânticos
diversos para copiar e/ou organizar o cotidiano (fichas
de empréstimos de livros, identificação de pertences,
divisão da turma em grupos, entre outros).

106 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 1º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Relacionar, com a ajuda das colegas e dos colegas e Identifica a presença de outras linguagens como
da professora, ou do professor, textos verbais e não constitutivas do sentido dos textos impressos ou
verbais, identificando o efeito de sentido produzido pelo digitais, como quadro de complementação, infográfico,
uso de recursos expressivos gráfico-visuais em textos. negrito, nota de rodapé, cores?
Articula, com a ajuda das colegas e dos colegas e da
professora, ou do professor, informações de outras
linguagens (desenhos, fotografias, cores, tamanho da
letra etc.) com o texto verbal?

Reconhecer que textos são lidos e escritos da esquerda Arrisca-se a ler em voz alta materiais impressos e
para a direita e de cima para baixo da página. digitais, expostos na sala, indicando a direção da escrita?
A. Acompanhar a leitura realizada pela professora, Acompanha a leitura feita pela colega, ou pelo colega,
ou pelo professor, ou colega ajustando o falado ao pela professora, ou pelo professor, com precisão no
escrito em materiais impressos e digitais. ajuste do falado ao escrito?
B. Ler de modo colaborativo e, mais tarde, com Localiza palavras em textos da tradição oral que se sabe
autonomia, textos da tradição oral regional e nacional de memória (parlendas, cantigas, adivinhas), quando
(parlendas, adivinhas, poemas, canções, cantigas e solicitado pela professora, ou pelo professor?
trava-línguas, entre outros, cuja organização facilite
a memorização) ajustando o falado ao escrito com
progressiva autonomia e precisão no ajuste.

Buscar, selecionar e ler, com a mediação da professora, Busca, seleciona e lê, com a mediação da professora,
ou do professor, e das colegas e dos colegas, textos que ou do professor (leitura compartilhada), textos que
circulam em meios impressos ou digitais de acordo com circulam em meios impressos ou digitais de acordo com
as necessidades e interesses. as necessidades e interesses?
A. Participar de situação de escolha de livros e outros Solicita os livros que compõem o acervo da sala para
materiais de leitura consultando títulos, sumários, folheá-los, observar as ilustrações e/ou ler as histórias?
quarta capa, com a ajuda da professora, ou do
Escolhe livros e outros materiais de leitura com a
professor, e das colegas e dos colegas.
ajuda das colegas e dos colegas e da professora, ou do
professor?

Ler textos que circulam em meios impressos e/ou Compreende os textos lidos pela professora, ou pelo
digitais, relacionando aspectos verbais e não verbais na professor, e, mais tarde, por si mesmo, apoiando-se nos
construção dos sentidos, com a ajuda das colegas e dos conhecimentos sobre a temática e as características do
colegas e da professora, ou do professor. gênero, do portador e do campo de atuação?
A. Ouvir a leitura de textos das diversas áreas do Articula, com a ajuda das colegas e dos colegas e da
conhecimento para estudar temas relacionados a uma professora, ou do professor, informações de outras
finalidade determinada. linguagens (desenhos, fotografias, cores, tamanho da
letra etc.) com o texto verbal?

PRODUÇÃO DE TEXTOS (COLABORATIVA E AUTÔNOMA)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar, com a ajuda da professora, ou do professor, Participa de planejamento de recontagens de histórias


o texto que será produzido, considerando a situação e outros textos considerando a situação comunicativa e
comunicativa (o que requer construir imagens sobre os a finalidade do texto, opinando e aceitando as ideias dos
interlocutores), pesquisando em meios impressos ou participantes?
digitais, sempre que preciso, informações necessárias à
produção do texto, organizando em tópicos os dados e
as fontes pesquisadas.
A. Organizar, de modo colaborativo, parte a parte e na
ordem, o texto que será produzido.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 107


Componentes curriculares

1º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
PRODUÇÃO DE TEXTOS (COLABORATIVA E AUTÔNOMA)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Participar de produções coletivas de textos, ditando Dita texto à professora, ou ao professor, respeitando
para a professora, ou para o professor, e para a turma. os temas do texto-fonte e características da linguagem
escrita, com a ajuda das colegas e dos colegas e da
professora, ou do professor?

Reler e revisar o texto produzido com a ajuda da Dispõe-se a reler o texto produzido e/ou ouvir sua
professora, ou do professor, e a colaboração das colegas releitura para aprimorá-lo?
e dos colegas para corrigi-lo e aprimorá-lo, fazendo
cortes, acréscimos, reformulações, correções
e considerando a situação comunicativa (interlocutores,
finalidade etc.).

Editar a versão final do texto produzido em colaboração Participa da edição do texto produzido e da construção
com as colegas e os colegas e com a ajuda da professora, do produto final dando ideias, ilustrando e organizando
ou do professor, ilustrando-o, quando for o caso, em o material produzido?
suporte adequado, manual ou digital.

Utilizar software, com a ajuda das colegas e dos colegas Utiliza, com a mediação da professora, ou do professor,
e da professora, ou do professor, inclusive programas programas de edição (softwares de edição de texto, de
de edição de texto, para editar e publicar os textos desenho e de edição de áudio, entre outros aplicativos,
produzidos explorando os recursos multissemióticos que possam ajudar no processo de edição de textos
disponíveis. produzidos)?

ORALIDADE1
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Expressar-se em situações de intercâmbio oral com Participa de situações de intercâmbio oral do cotidiano
clareza, preocupando-se em ser compreendido pelo escolar, usando a palavra com tom adequado,
interlocutor e usando a palavra com tom de voz audível, formulando perguntas e fazendo comentários sobre o
boa articulação e ritmo adequado. tema tratado?
Escutar, com atenção, falas de professores e colegas, Ouve os colegas e respeita os turnos de fala em situação
formulando perguntas pertinentes ao tema e solicitando de rodas, discussões temáticas etc.?
esclarecimentos sempre que necessário.
Compreende e faz uso dos aspectos não linguísticos
Reconhecer, progressivamente, as características da utilizados na fala?
conversação espontânea presencial, respeitando os
Nas rodas:
turnos de fala, selecionando e utilizando, durante a
conversação, formas de tratamento adequadas de O Faz comentários de forma espontânea e de modo
acordo com a situação e a posição do interlocutor. coerente?
O Faz comentários após solicitações da professora, ou do
Atribuir significado a aspectos não linguísticos
professor?
(paralinguísticos) observados na fala, como direção O Ouve a professora, ou o professor, as colegas e os
do olhar, riso, gestos, movimentos da cabeça (de
colegas?
concordância ou discordância), expressão corporal e tom
de voz.
Participar de rodas de leitura e rodas de conversa no
contexto escolar, fazendo perguntas sobre o tema
tratado e se expressando de maneira audível.

108 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 1º ano

ESCRITA/ALFABETIZAÇÃO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Escrever, com autonomia, o próprio nome. Escreve convencionalmente o próprio nome e o utiliza
como referência para a escrita de outras palavras?
Escrever o próprio nome e o das colegas e dos
colegas, de modo convencional, em situações de Escreve usando sua hipótese de escrita?
organização escolar em que se fizerem necessárias essa
A. Se a hipótese for silábica, escreve controlando a
identificação.
produção pela hipótese silábica, com valor sonoro
Escrever, de acordo com sua hipótese de escrita, listas convencional e justificando a forma de escrever?
de palavras de um mesmo campo semântico (títulos
B. Se a hipótese for silábico-alfabética ou alfabética,
de livros lidos, nomes de lanches preferidos etc.),
considera, ao escrever, quais e quantas letras, bem
adivinhas, quadrinhas, trava-línguas, entre outros textos,
como a ordem delas, para grafar as palavras,
consultando referenciais estáveis (como a lista de nomes
utilizando-se do procedimento de análise fonológica
da turma) e justificando a forma de escrever.
das mesmas?
Escrever controlando a produção pela hipótese silábica,
Revisa suas escritas com base nas intervenções realizadas
com valor sonoro convencional.
pela turma e pela professora, ou pelo professor,
Escrever, espontaneamente ou por ditado, palavras/ incorporando suas contribuições, se for o caso?
textos alfabeticamente – utilizando letras/grafemas que
Consulta o material exposto na sala para revisar o que
representem fonemas, ainda que escreva com algumas
escreveu com base na intervenção da professora, ou do
falhas no valor sonoro convencional (“HATO” para
professor?
“gato”, “KAZA” para “casa” ou “AHUA” para “água”).
Escreve compreendendo progressivamente a base
alfabética do sistema?

Observar escritas convencionais (listas de nomes da Identifica semelhanças gráficas em partes de textos que
classe, textos expostos, títulos de livros etc.) como se relacionam, do ponto de vista sonoro, como as rimas
apoio à escrita, comparando-as às suas produções, de um poema?
percebendo semelhanças e diferenças e ajustando
Busca pistas em escritas estáveis presentes na sala de
quando preciso.
aula para escrever/revisar suas produções?
Discute, em dupla ou nos grupos, a sua produção escrita,
ouvindo os colegas opinando e ajustando sua produção?

Copiar textos breves, observando aspectos como Reproduz pequenos textos observando aspectos como
espaçamento entre as palavras, distribuição gráfica de pontuação, acentuação, presença de letra maiúscula,
suas partes e uso da pontuação, voltando para o texto- paragrafação e distribuição gráfica de suas partes?
-fonte sempre que tiver dúvidas.

ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA (ALFABETIZAÇÃO)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Nomear as letras do alfabeto e recitá-lo na ordem Recita o alfabeto e utiliza-o nas situações de escrita para
alfabética. localizar letras?
Distinguir as letras do alfabeto de outros sinais gráficos Recorre ao alfabeto e a textos estáveis, entre outros
com base no contato com material impresso e/ou referenciais, nas situações de leitura e escrita para rever
digital, tanto pela prática de acompanhar a leitura da suas produções?
professora, ou do professor, quanto pelo exercício da
Conhece e diferencia letras de outros sinais gráficos?
leitura, em colaboração com a turma.
Utiliza a lista de nomes da classe como referencial de
Analisar, com progressiva autonomia, semelhanças e
escrita?
diferenças entre os nomes das colegas e dos colegas,
considerando indícios como extensão do nome, Apoia-se na letra inicial, medial, final ou outros indícios
quantidade de palavras, letras iniciais e finais e presença para localizar nomes em listas, validar ou descartar as
ou ausência de alguma letra medial. antecipações realizadas?
Reconhece partes iguais de duas palavras (na lista de
nomes: MARIANA e MARIA)?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 109


Componentes curriculares

1º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA (ALFABETIZAÇÃO)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Reconhecer o sistema de escrita alfabética como Apoia-se na letra inicial, medial, final ou outros indícios
representação dos sons da fala. para validar ou descartar as antecipações realizadas na
análise de textos e palavras?
A. Analisar palavras e suas partes, com base no trabalho
com textos da tradição oral (cantigas, parlendas do Compara palavras, identificando semelhanças e
repertório local, regional e nacional, poemas etc.), diferenças entre a emissão sonora e o registro escrito?
progredindo para uma análise cada vez mais ajustada de
Localiza palavras em lista, com base na solicitação da
partes menores da palavra (quais letras correspondem a
professora, ou do professor, e/ou na definição de um
quais sons; quantas letras e sons a compõem).
critério?
B. Comparar palavras identificando semelhanças
e diferenças entre sons iniciais, mediais e finais,
ajustando o escrito ao falado.
C. Analisar inventário de palavras, organizando-as por
aproximação de campo semântico (separar da lista o
nome dos alunos que faltaram, separar as frutas dos
legumes, descobrir os brinquedos infiltrados na lista
de material escolar etc.)

Relacionar elementos sonoros (partes de palavras e Produz escritas com certa preocupação de quais letras
sílabas) com sua representação escrita. usar para grafar as palavras?
A. Realizar, de modo colaborativo e autônomo, análises
fonológicas de palavras identificando semelhanças
e diferenças entre sons iniciais, mediais e finais,
avançando para análise da relação fonema-grafema,
até o final do ano, em situações de reflexão sobre a
grafia correta.

Conhecer e identificar letras em formato imprensa Identifica letras em formato imprensa e cursiva,
e cursiva, maiúsculas e minúsculas em situações de maiúsculas e minúsculas, no caso das situações do
consulta a materiais impressos, digitais e manuscritos. cotidiano que requeiram esse tipo de identificação
(rótulos, internet, cartas manuscritas, crachás, livros
de receitas, livros etc.), além das situações de leitura e
escrita do cotidiano escolar?

Reconhecer a separação das palavras, na escrita, por Reconhece a separação das palavras na escrita?
espaços em branco
Segmenta textos conhecidos em palavras, ainda que com
A. Ler e acompanhar a leitura de textos conhecidos de algumas falhas?
modo a compreender a segmentação entre as palavras.
Participa de produção coletiva, em duplas, observando
B. Segmentar o texto em palavras nas situações de modos de segmentar as palavras no final da linha?
escrita espontânea, ainda que com algumas falhas.
C. Utilizar, em situação de produção coletiva, as regras
de translineação.

Analisar, com a ajuda da turma e da professora, ou do Observa o uso de outros sinais no texto e contribui com
professor, os efeitos de sentido produzidos pelo uso análises realizadas a respeito do sentido produzido pelo
de outros sinais no texto, além das letras: pontuação, uso desses sinais?
acentuação e outras saliências (aspas, negrito, itálico,
Utiliza, com a ajuda da colega, ou do colega, a pontuação
destaques gráficos, formatação especial de letra).
adequada em situação de escrita de textos conhecidos?
Selecionar e utilizar, de modo colaborativo, em situações
de produção de textos, a pontuação mais adequada às
intenções de significação.

110 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 1º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Reconhecer relações de sinonímia e antonímia por Agrupa palavras pelo critério de aproximação de
comparação de palavras, com base em uma determinada significado?
relação presente em texto.
Realiza, com a ajuda das colegas e dos colegas e da
professora, ou do professor, análise e agrupamento de
palavras por aproximação de significado em situação
que requer esse procedimento?

CAMPO DA VIDA COTIDIANA


LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Ler e compreender, em colaboração com as colegas e os Lê de modo compreensivo, com a colaboração das
colegas e com a ajuda da professora, ou do professor, ou, colegas e dos colegas, textos do campo da vida
mais tarde, com autonomia, listas, agendas, calendários, cotidiana?
avisos, convites, bilhetes, receitas, instruções de
Lê e compreende, de modo autônomo, textos do campo
montagem (digitais ou impressos), entre outros gêneros
da vida cotidiana (bilhetes, convites, receitas ou parte
do campo da vida cotidiana que circulem na região,
delas, listas etc.)?
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto
do texto, relacionando sua forma de organização à sua Lê, por si mesmo, quadrinhas, parlendas, trava-línguas,
finalidade. entre outros, apoiando-se no conhecimento da temática,
da estrutura do texto, além de indícios sobre sonoridade
das letras?
Ler e compreender, em colaboração com a turma
e com a ajuda da professora, ou do professor, com
progressiva autonomia, quadras, quadrinhas, parlendas,
trava-línguas, entre outros gêneros do campo da vida
cotidiana, considerando a situação comunicativa e o
tema/assunto do texto, relacionando sua forma de
organização à sua finalidade.
A. Acompanhar a leitura de cantigas, quadras,
quadrinhas, parlendas, trava-línguas, entre outros
gêneros do campo da vida cotidiana versificados de
modo a ajustar o falado ao escrito.

PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar, em colaboração com a turma e com a ajuda da Participa do planejamento interagindo com a turma e a
professora, ou do professor, listas, agendas, calendários, professora, ou o professor, e opinando?
avisos, convites, cartão-postal, receitas, instruções
Participa do planejamento interagindo com a turma e a
de montagem de brinquedos e legendas para álbuns,
professora, ou o professor, dando ideias pertinentes de
fotos ou ilustrações (digitais ou impressos), relatos de
acordo com a situação comunicativa?
experiência vivida, entre outros gêneros do campo da
vida cotidiana, considerando a situação comunicativa e o
tema/assunto/finalidade do texto.

Registrar, em colaboração com a turma, com a ajuda Escreve textos que sabe de memória de modo
da professora, ou do professor, e pelo autoditado, colaborativo e de acordo com sua hipótese de escrita?
cantigas, quadras, quadrinhas, parlendas, trava-línguas,
Escreve alfabeticamente textos que sabe de memória,
entre outros gêneros do campo da vida cotidiana,
com autonomia, fazendo uso do autoditado?
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto/
finalidade do texto.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 111


Componentes curriculares

1º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DA VIDA COTIDIANA
PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Produzir, em colaboração com os colegas e com a Participa da produção fazendo sugestões, ditando
ajuda da professora, ou do professor, e, mais tarde, à professora, ou ao professor, ou escrevendo com
com autonomia, listas, agendas, bilhetes, calendários, autonomia, de acordo com a situação comunicativa?
avisos, convites, cartão-postal, receitas, instruções
Conhece gêneros textuais como bilhetes, convites,
de montagem de brinquedos e legendas para
agendas, legendas para álbuns, avisos, entre outros
álbuns, fotos ou ilustrações (digitais ou impressos),
que forem estudados, utilizando-os em situação do
entre outros gêneros do campo da vida cotidiana,
cotidiano?
considerando a situação comunicativa e o tema/
assunto/finalidade do texto.

Produzir, em situação de ditado à professora, ou ao Elabora relatos ou diário (pessoal e da classe), ditando
professor, relatos de experiência vivida ou diário à professora, ou ao professor, situando as ações no
(pessoal e da classe) situando as ações no tempo tempo da vida cotidiana e considerando a situação
de modo coerente de acordo com a situação de comunicativa?
comunicação.
Contribui dando ideia para revisar o texto produzido?
Produzir, em colaboração com a turma e a professora, ou
Produz textos instrucionais, ditando à professora, ou
o professor, regras de brincadeiras e de jogos e receitas
ao professor, à colega, ou ao colega, de acordo com as
de acordo com o gênero selecionado e respeitando as
características do gênero estudado?
características da situação comunicativa.
Produz instruções de brincadeiras conhecidas, em
parceria com a colega, ou o colega, ainda que na hipótese
de escrita em que se encontra?
Contribui dando ideia para revisar o texto produzido?

ORALIDADE
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar, em colaboração com a turma e com a ajuda da Contribui com o planejamento da produção de textos
professora, ou do professor, recados, avisos, convites, orais, do campo cotidiano, respeitando as ideias das
receitas, instruções de montagem, entre outros gêneros colegas e dos colegas e fazendo sugestões coerentes
do campo da vida cotidiana, que possam ser repassados com a situação de comunicação?
oralmente por meio de ferramentas digitais, em áudio ou
vídeo, considerando a situação comunicativa e o tema/
assunto/finalidade do texto.

Produzir avisos, recados, convites, receitas, instruções Oraliza textos produzidos, com entonação e fluência,
entre outros gêneros da vida cotidiana por meio de considerando a compreensão dos ouvintes, de acordo
ferramentas digitais, em áudio ou vídeo, considerando a com a situação comunicativa, preocupando-se, quando
situação comunicativa. for o caso, em revisar no processo?
Recitar, para colegas da sala ou de outras turmas, Recita textos versificados para uma audiência com
cantigas, parlendas, quadras, quadrinhas, trava-línguas, entonação e respeito às rimas?
com entonação adequada e observando as rimas.
Acompanha a leitura/recitação de textos versificados
ouvindo com atenção e prestigiando as colegas e os
colegas?

112 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 1º ano

ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA (ALFABETIZAÇÃO)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Analisar situações comunicativas em que circulam Tem disponibilidade para retomar as produções/
gêneros orais do campo da vida cotidiana com a oralizações realizadas, revisando-as?
finalidade de compreender as características e a forma
Retoma as produções realizadas fazendo ajustes que
dos gêneros, de modo a constituir um repertório de
consideram os interlocutores?
recursos e condições que permitam um desempenho de
melhor qualidade.
A. Ouvir/retomar o texto recitado (por meio de gravações,
por exemplo) para incluir elementos prosódicos que
favoreçam a compreensão da audiência.
B. Identificar e (re)produzir – em cantigas, quadras,
quadrinhas, parlendas, trava-línguas e canções
– rimas, aliterações, assonâncias, o ritmo de fala
relacionado ao ritmo e à melodia das músicas e seus
efeitos de sentido.

Identificar e reproduzir – em listas, agendas, calendários, Produz textos no gênero estudado, ditando à
regras, bilhetes, avisos, convites, receitas, instruções de professora, ou ao professor e, mais tarde de modo
montagem, cartas, relatos e legendas para álbuns, fotos autônomo, respeitando a formatação?
ou ilustrações (digitais ou impressos) – a formatação
e diagramação específica de cada um dos gêneros (em
situação coletiva).

CAMPO DA VIDA PÚBLICA (GÊNEROS QUE CIRCULAM NAS ESFERAS JORNALÍSTICA E MIDIÁTICA)
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Ler e compreender, em colaboração com a turma e com Escuta, com atenção, a leitura realizada pela professora,
a ajuda da professora, ou do professor, fotolegendas em ou pelo professor?
notícias, manchetes e lides em notícias, álbum de fotos
Lê, em parceria, fotolegendas, manchetes e títulos em
digital noticioso e notícias curtas para o público infantil,
geral ajustando o falado ao escrito, com base em indícios
entre outros gêneros do campo jornalístico, considerando
(pistas orais, imagens, campo semântico etc.) para
a situação comunicativa e o tema/assunto do texto.
arriscar-se a ler, ainda que sem saber?
A. Participar de leitura colaborativa de fotolegendas em
Comenta textos lidos, justificando suas ideias?
notícias, manchetes e lides em notícias, álbum de fotos
digital noticioso e notícias curtas destinadas ao público Reconhece a finalidade dos textos publicitários,
infantil e/ou de interesse do momento, colaborando na relacionando-os com campanhas de consumo
construção de sentidos dos textos lidos. consciente?
Ler e compreender, em colaboração com a turma e com Comenta os textos lidos pela professora, ou pelo
a ajuda da professora, ou do professor, slogans, anúncios professor, em situação de leitura colaborativa, emitindo
publicitários e textos de campanhas de conscientização opinião sobre os temas veiculados e explicitando os
destinados ao público infantil, entre outros gêneros recursos utilizados para localizar, inferir, comparar
do campo publicitário, considerando a situação informações etc.?
comunicativa e o tema/assunto do texto.
Comenta, no ambiente escolar e familiar o conteúdo dos
A. Participar de rodas de leitores de textos publicitários textos lidos (saber o conteúdo dos bilhetes enviados/
para refletir sobre as relações de consumo tal como recebidos às/das famílias, dos eventos anunciados em
estão constituídas na sociedade atual, relacionando- cartazes na escola etc.)?
-as com a sustentabilidade e as campanhas de
conscientização.
B. Participar de leitura colaborativa de textos
publicitários destinados ao público infantil,
colaborando na construção de sentidos dos textos
lidos e identificando sua finalidade.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 113


Componentes curriculares

1º ano – Língua Portuguesa

Ler/ouvir e compreender, em colaboração com a turma


e com a ajuda da professora, ou do professor, cartazes,
avisos, folhetos, regras e regulamentos que organizam
a vida na comunidade escolar, entre outros gêneros
do campo da atuação cidadã, considerando a situação
comunicativa e o tema/assunto e finalidade do texto.

ESCRITA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar, em colaboração com a turma e com a ajuda da Produz, ditando à professora, ou ao professor,
professora, ou do professor, fotolegendas em notícias, fotolegendas em notícias, manchetes e lides em notícias,
manchetes e lides em notícias, álbum de fotos digital slogans, anúncios entre outros gêneros do campo
noticioso e notícias curtas para o público infantil, jornalístico considerando a situação comunicativa e o
digitais ou impressos, entre outros gêneros do campo tema/assunto do texto?
jornalístico, considerando a situação comunicativa.
Contribui com ideias para rever o escrito avançando na
Escrever, em colaboração com a turma e com a ajuda da qualidade do texto?
professora, ou do professor, fotolegendas em notícias,
manchetes e lides em notícias, álbum de fotos digital
noticioso e notícias curtas para o público infantil,
digitais ou impressos, entre outros gêneros do campo
jornalístico, considerando a situação comunicativa e o
tema/assunto do texto.
A. Observar o uso de procedimentos escritores, como
reler o que está escrito para continuar, consultar o
planejamento para tomar decisões na escrita e revisar
no processo e ao final.
B. Participar de visitas orientadas a ambientes digitais
para observação dos gêneros citados, explorando
as características desses ambientes e construindo
registros que possam repertoriar a produção de
modo colaborativo.

Escrever, em colaboração com a turma e com a ajuda Participa da produção dando ideias sobre o que e como
da professora, ou do professor, slogans, anúncios escrever?
publicitários e textos de campanhas de conscientização
Identifica a necessidade de rever trechos do texto
destinados ao público infantil, entre outros gêneros
produzido para garantir maior legibilidade?
do campo publicitário, considerando a situação
comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto.
A. Acompanhar e sugerir o uso de procedimentos
escritores como reler o que está escrito para continuar,
consultar o planejamento para tomar decisões no
momento da escrita e revisar no processo e ao final.

Escrever em colaboração com a turma e com a ajuda Contribui com a produção dos regulamentos de
da professora, ou do professor, listas de regras e convivência (em forma de lista) organizando as ideias
regulamentos que organizam a vida na comunidade e utilizando a consciência do que significa viver em
escolar, entre outros gêneros do campo da atuação comunidade?
cidadã, considerando a situação comunicativa e o tema/
Orienta-se pelos combinados recorrendo ao texto de
assunto do texto.
regulamentos ou indicando recurso a ele sempre que
A. Analisar de forma colaborativa leis como o Estatuto necessário?
da Criança e do Adolescente de modo a constituir
repertório temático.

114 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 1º ano

ORALIDADE
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar a fala, com a ajuda da turma e da professora, ou Ouve a opinião das colegas e dos colegas, contribuindo
do professor, adequando-a a diferentes interlocutores com suas ideias?
e temas/assuntos em situações comunicativas do
Participa de situações de intercâmbio oral do cotidiano,
cotidiano escolar, como rodas de conversas sobre temas
ouvindo e planejando a fala, adequando-a a diferentes
estudados, rodas de estudos de um texto, entre outras.
interlocutores e situações comunicativas?
Participar de discussões (rodas) sobre regras de
convivência e outros assuntos relacionados a leis
e regulamentos que se façam necessários para o
momento, ouvindo com atenção e emitindo opinião.

ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Identificar e reproduzir a formatação e a diagramação Identifica a formatação e diagramação específicas dos


específica de gêneros como fotolegendas de notícias gêneros estudados, considerando-as na produção
e álbum de fotos noticioso digital ou impresso com a dos textos, participando de registro-síntese de tais
ajuda das colegas e dos colegas e da professora, ou do características?
professor.
Participa da elaboração de lista com síntese de registro
Estudar os recursos de expressão que constituem os de estudos realizados sobre as características do gênero
gêneros previstos na modalidade oral para analisar, de selecionado, reconhecendo os sentidos produzidos pelo
forma colaborativa, a adequação dos textos produzidos uso dos recursos?
e dos recursos utilizados, como o uso do imperativo, de
Reconhece algumas marcas do gênero estudado, em
metáforas, do modo como explica a foto etc. e de outras
parceria com a turma e ajuda da professora, ou do
linguagens (cores, negritos, tamanho da letra).
professor, identificando a finalidade do uso desses
Identificar, de modo colaborativo, a formatação e recursos e os efeitos de sentido provocados pelo uso?
diagramação específica, inclusive o uso de imagens,
de gêneros como anúncios publicitários e textos de
campanhas de conscientização destinados ao público
infantil (orais e escritos, digitais ou impressos).
A. Comparar textos de anúncios para identificar a
formatação, os recursos gráficos próprios dos
gêneros mencionados, bem como o efeito de sentido
provocados pelo uso desses recursos.

CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDO E PESQUISA


LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Ler e compreender, em colaboração com a turma e com Realiza falas pertinentes ao tema/assunto estudado?
a ajuda da professora, ou do professor, enunciados de
Lê pequenos enunciados de tarefas, com a ajuda das
tarefas escolares, diagramas, curiosidades, pequenos
colegas e dos colegas, identificando o que deve fazer?
relatos de experimentos, entrevistas, verbetes de
enciclopédia infantil, entre outros gêneros do campo Ouve, com atenção, a leitura de textos expositivos,
investigativo, considerando a situação comunicativa e o verbetes, artigos de revistas infantis, entre outros
tema/assunto do texto. gêneros do campo investigativo, fazendo perguntas e
explicitando suas ideias a respeito do tema/assunto lido?
A. Participar de leitura colaborativa dos textos do
gênero estudado, explicitando compreensão do que
está sendo lido.
B. Acompanhar a leitura de textos expositivos, verbetes,
artigos de revista infantil, entre outros textos de
estudo, destacando, de modo colaborativo, informação
importante para a compreensão do texto.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 115


Componentes curriculares

1º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDO E PESQUISA
PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar, em colaboração com a turma e com a ajuda Reconhece a função de textos utilizados para
da professora, ou do professor, diagramas, entrevistas, apresentar informações coletadas em atividades de
indicações de livros, verbetes de curiosidades, entre pesquisa (enquetes, pequenas entrevistas, registros de
outros gêneros do campo investigativo, digitais ou experimentações, entre outros definidos para o estudo
impressos, considerando a situação comunicativa. no período)?
Explorar, com a mediação da professora, ou do Participa do planejamento e da produção de textos,
professor, textos informativos de diferentes gêneros ditando à professora, ou ao professor, expondo suas
em ambientes digitais de pesquisa, conhecendo as ideias?
possibilidades desses ambientes.
Utiliza, com a mediação da professora, ou do professor,
Utilizar, de modo colaborativo, procedimentos de no processo de estudo ou de informar-se para produzir
consulta a materiais impressos e a ambientes digitais outro texto, procedimentos como copiar a informação
em colaboração (consultar índices, títulos e subtítulos, que interessa, grifar trechos, fazer anotações e acessar
página de abertura de sites, plataformas etc.). um link?
Escrever indicações para livros, legendas para imagem, Escreve, em parceria com colegas, de acordo com
verbetes de curiosidades, notas, diagramas sobre temas sua hipótese de escrita, textos no gênero estudado,
estudados, respeitando as características da situação respeitando as características do mesmo (se for verbete
comunicativa, além de realizar as diferentes operações de curiosidade: pergunta/título, corpo do verbete com a
de produção de texto, ditando à professora, ou ao resposta e a fonte da pesquisa, por exemplo)?
professor, ou em parceria com colegas.

ORALIDADE (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar, em colaboração com a turma e com a ajuda da Participa do planejamento do texto a ser produzido,
professora, ou do professor, entrevistas (autoridade preocupando-se com o interlocutor/ouvinte,
local, mais velhos etc.), verbetes de curiosidades, entre considerando as características da situação
outros gêneros do campo investigativo, que possam comunicativa?
ser repassados oralmente por meio de ferramentas
Identifica, em situação de estudo coletivo, recursos
digitais, em áudio ou vídeo, considerando a situação
expressivos que ampliam a qualidade da entrevista/
comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto.
exposição do verbete?
A. Ouvir áudios ou assistir a vídeos de gêneros
Participa da produção de áudios ou vídeos para divulgar
investigativos a ser produzidos para conhecer os
estudos realizados, ouvindo as falas das colegas e dos
recursos de expressão próprios do gênero em estudo.
colegas, contribuindo com a produção e respeitando os
B. Colaborar para a pesquisa e estudos temáticos estudos realizados?
realizados com busca de materiais, ideias etc.
Traz materiais de casa ou da biblioteca da escola com os
C. Produzir áudios ou vídeos de gêneros investigativos temas estudados?
a ser veiculados em mídias digitais da comunidade
escolar.

ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Identificar em enunciados de tarefas escolares, Identifica as características do gênero estudado em


diagramas, entrevistas, curiosidades, verbetes, digitais situação de estudo colaborativo?
ou impressos, a formatação e diagramação específica de
Participa da elaboração de sínteses de estudo das
cada um desses gêneros, inclusive em suas versões orais.
características dos gêneros?
A. Analisar, de modo colaborativo, no processo de
leitura, recursos linguísticos e discursivos que
constituem os gêneros previstos no período de forma
que seja possível empregá-los adequadamente nos
textos a ser lidos/produzidos.

116 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 1º ano

CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Ouvir a leitura de textos narrativos de maior porte Escuta com atenção a leitura realizada pela professora,
como contos (populares, de fadas, acumulativos, de ou pelo professor, participando dos momentos de
assombração etc.) e crônicas. comentários, explicitando sua apreciação quando for o
caso?
Apreciar textos literários, observando os efeitos
de sentido criados pela articulação das diferentes Comenta com a turma e com a professora, ou o
linguagens (verbal, imagética, gráfica) quando for o caso. professor, os contos lidos em outros momentos da
rotina?
A. Relacionar texto com ilustrações e outros recursos
gráficos. Solicita a releitura de alguns contos?
Relaciona texto verbal com as ilustrações, reconhecendo
a articulação e complementaridade das linguagens
na construção do sentido (comentando aspecto da
imagem durante a leitura, antecipando a continuidade de
determinado trecho com base na imagem, entre outros)?

Apreciar poemas e outros textos versificados, lidos Acompanha a leitura comentando suas impressões
pela professora, ou pelo professor, observando rimas, sobre o que foi lido e ouvindo as colegas e os colegas?
sonoridades, jogos de palavras, reconhecendo seu
pertencimento ao mundo imaginário e sua dimensão de
encantamento, jogo e fruição.
A. Acompanhar a leitura de poemas, canções, cordéis e
outros textos versificados, realizada pela professora,
ou pelo professor, participando de intercâmbios orais
durante e/ou posteriores a leitura, contribuindo para
a construção dos sentidos possíveis com base no
texto.

Apreciar textos literários e participar de rodas de leitura, Nas rodas de leitores e tertúlias
trocando ideias e opiniões com outros leitores.
Comenta após solicitação da professora, ou do professor,
Escolher livros em rodas de leitura e disponíveis em ouve com atenção a exposição e apreciação das colegas e
meios digitais, com base em diferentes critérios e dos colegas e explicita critérios de apreciação:
informações, justificando a escolha e compartilhando O em relação ao conteúdo temático;
opiniões e descobertas após a leitura. O em relação à linguagem literária (beleza, estilo do
Apreciar livros com imagens observando efeitos de autor); e
O em relação à qualidade do material gráfico?
sentido criado pela articulação entre as linguagens.

Comenta de modo espontâneo, ouve com atenção a


exposição e apreciação das colegas e dos colegas e
explicita critérios de apreciação:

O em relação ao conteúdo temático;


O em relação à linguagem literária (beleza, estilo do
autor); e
O em relação à qualidade do material gráfico?

Escolhe livros e leva para casa para lê-los, com a ajuda


da família, justificando sua escolha.
Solicita os livros disponíveis na sala para folheá-los,
observar as ilustrações e/ou ler as histórias.
Cuida dos textos, dos livros de uso pessoal e do acervo
da sala.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 117


Componentes curriculares

1º ano – Língua Portuguesa


CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar, em colaboração com a turma e com a ajuda da Participa dando ideia para planejar o que vão reescrever?
professora, ou do professor, (re)contagens de contos
Participa das situações de reescrita ditando trechos dos
tradicionais, populares, entre outros contos do campo
contos conhecidos à professora, ou ao professor?
artístico-literário, considerando a situação comunicativa.
Pesquisa com a turma e a professora, ou o professor,
Recontar2 histórias conhecidas, lidas pela professora, ou
em textos informativos aspectos da história (castelos,
pelo professor, para recuperar a sequência dos episódios
duendes, fadas, piratas, princesas etc.)?
essenciais e algumas características da linguagem do
texto lido pela professora, ou pelo professor. Considera no texto ditado à professora, ou ao professor,
as ideias do texto-fonte?
Reescrever textos conhecidos, seja ditando à
professora, ou ao professor, ou, mais tarde, em parceria Usa algumas características da linguagem escrita nos
com colegas, respeitando a progressão temática, textos que dita à professora, ou ao professor?
considerando as ideias principais do texto-fonte, assim
Dita o texto à professora, ou ao professor, considerando
como algumas características da linguagem orientando-
as especificidades do gênero?
-se pelo planejamento/planificação do texto.
Dita o texto à professora, ou ao professor, considerando
Reler e revisar o texto produzido com a ajuda da
quem vai ler?
professora, ou do professor, e a colaboração das colegas
e dos colegas para corrigi-lo e aprimorá-lo, fazendo Dita o texto à professora, ou ao professor, considerando
cortes, acréscimos, reformulações. onde o texto vai circular?

Editar a versão final do texto produzido, em colaboração Opina na edição do texto e do suporte escolhido (livro,
com a turma e com a ajuda da professora, ou do capa, cores, ilustrações, entre outros)?
professor, ilustrando, quando for o caso, em suporte
Busca exemplos de ilustrações em livros, internet?
adequado, manual ou digital.
Ouve a opinião da colega, ou do colega, discutindo as
possibilidades de edição final do texto/livro ou mídia
digital?

ORALIDADE (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Recontar oralmente, com e sem apoio de imagem (neste Reconta textos literários ouvidos, respeitando as
último caso, usando as obras ilustradas, os livros- características do gênero, os recursos expressivos de
-álbum3), textos literários lidos pela professora, ou pelo modo que o ouvinte compreenda o que está sendo
professor, e/ou ouvidos em contextos familiares, entre contado?
outros, respeitando as características do gênero e o
registro literário.

118 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 2º ano

2º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Identificar, com a mediação da professora, ou do Participa de situações de leitura e escuta de textos orais,
professor, que os textos têm funções relacionadas escritos e multissemióticos que circulam em diferentes
aos diversos campos de atuação da vida social e às campos de atuação e mídias de modo a expressar e
diferentes mídias – impressa, de massa e digital –, partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos
reconhecendo para que foram produzidos, onde com base nos textos?
circulam, quem os produziu e a quem se destinam.
Com a ajuda da turma e da professora, ou do professor,
Explorar, com a mediação da professora, ou do identifica o contexto de produção e a função social do
professor, textos de diferentes mídias e campos de texto lido no processo de leitura e escuta de textos?
atuação, conhecendo suas possibilidades.
Busca, seleciona e lê, com a mediação da professora,
Estabelecer, com a ajuda da turma e da professora, ou ou do professor (leitura compartilhada), textos que
do professor, relações entre os textos dos diferentes circulam em meios impressos ou digitais de acordo com
campos de atuação, no que se refere à sua finalidade, a as necessidades e os interesses?
valores veiculados, crenças, entre outros.
Faz perguntas durante as leituras em voz alta, ou
colaborativas, explicitando dúvidas, contribuições
e recursos utilizados para responder aos
questionamentos da professora, ou do professor?
Por exemplo, pede para reler o trecho que provoca
dificuldades, resolve as dúvidas ou consulta outras
fontes, entre outros procedimentos?

Reconhecer4 que os textos são lidos e escritos da Lê4, em voz alta, materiais impressos e digitais, expostos
esquerda para a direita e de cima para baixo da página. na sala, respeitando a direção da escrita?
Acompanhar4 a leitura realizada pela professora, ou pelo Acompanha4 a leitura, feita pela colega, ou pelo colega,
professor, ou pela colega, ou pelo colega, ajustando o ou pela professora, ou professor, com precisão no ajuste
falado ao escrito em materiais impressos e digitais. do falado ao escrito?

Ler4, de modo colaborativo e, mais tarde, com Lê para uma audiência textos da tradição oral de modo
autonomia, textos da tradição oral regional e nacional autônomo e fluente?
(parlendas, adivinhas, poemas, canções, cantigas e trava-
Localiza palavras em textos da tradição oral (parlendas,
línguas entre outros) com precisão no ajuste.
cantigas, adivinhas) quando solicitado pela professora,
ou pelo professor?

Buscar, selecionar e ler, com a mediação da professora, Busca, seleciona e lê, com a mediação da professora,
ou do professor, e da turma, textos que circulam ou do professor (leitura compartilhada), textos que
em meios impressos ou digitais de acordo com as circulam em meios impressos ou digitais de acordo com
necessidades e os interesses. as necessidades e os interesses?
Participar de situação de escolha de livros e outros Solicita os livros que compõem o acervo da sala para
materiais de leitura, consultando títulos, sumários, folheá-los, observar as ilustrações e/ou ler os textos?
quarta capa, com a ajuda da professora, ou do professor,
Escolhe livros e outros materiais de leitura com a ajuda
e colegas.
da turma e da professora, ou do professor?
Ler textos que circulam em meios impressos e/ou
Articula, com a ajuda da turma e da professora, ou do
digitais, relacionando aspectos verbais e não verbais
professor, informações de outras linguagens (desenhos,
na construção dos sentidos, com a ajuda da turma e da
fotografias, cores, tamanho da letra etc.) com o texto
professora, ou do professor.
verbal?
A. Ouvir a leitura de textos das diversas áreas do
Compreende os textos lidos pela professora, ou pelo
conhecimento para estudar temas relacionados a uma
professor, e, mais tarde, por si mesmo, apoiando-se
finalidade determinada.
nos conhecimentos prévios sobre a temática e nas
características do gênero, do portador e do campo de
atuação?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 119


Componentes curriculares

2º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Estabelecer, com a ajuda das colegas e dos colegas, Explicita, durante a escuta de textos lidos pela
expectativas em relação ao texto que vai ler/ouvir professora, ou pelo professor, conexões realizadas com
(pressuposições antecipadoras dos sentidos, da forma seus conhecimentos prévios?
e da função social do texto), apoiando-se em seus
Antecipa as informações com base nas pistas dadas nos
conhecimentos prévios sobre as condições de produção
textos?
e recepção desse texto, sobre o gênero, o suporte e o
universo temático, bem como sobre saliências textuais Verifica, de modo colaborativo, as informações
(aspas, negrito, itálico, destaques gráficos, formatação antecipadas antes e durante a leitura, confirmando-as
especial de letra), recursos gráficos, imagens e dados da ou não?
própria obra (índice, prefácio etc.).
Localiza4 informações explícitas em listas e/ou textos
Confirmar antecipações realizadas antes e durante conhecidos ajustando o escrito ao falado e utilizando
a leitura de textos, conferindo, com progressiva indícios?
autonomia, a adequação das antecipações realizadas.
Localiza, de modo autônomo, informações explícitas nos
Localizar informações explícitas em textos. textos?
Localizar4 palavras num texto que se sabe de memória Realiza inferências com base na leitura e/ou escuta de
pelo ajuste e uso de indícios (letras dos nomes dos textos com a ajuda da turma e da professora, ou do
colegas, primeira e última letra) para antecipar, inferir e professor?
validar o que está escrito.
Identifica a presença de outras linguagens como
Localizar4 um nome ditado pela professora, ou pelo constitutivas do sentido dos textos impressos ou digitais
professor, ou por uma colega, ou um colega, em listas em quadros de complementação, infográficos, negrito,
de campos semânticos diversos para copiar e/ou notas de rodapé, cores, por exemplo?
organizar o cotidiano (fichas de empréstimos de livros,
Articula, com a ajuda da turma e da professora, ou
identificação de pertences, divisão da turma em grupos,
do professor, e, mais tarde, de modo autônomo,
entre outros).
informações de outras linguagens (desenhos,
Inferir, em situação de leitura colaborativa, informações fotografias, cores, tamanho da letra etc.) com o texto
implícitas nos textos. verbal?
Relacionar, com a ajuda da turma e da professora, ou do Reconhece, gradativamente, os efeitos de sentido
professor, textos multissemióticos, identificando o efeito provocados pelo uso de recursos expressivos gráfico-
de sentido produzido pelo uso de recursos expressivos -visuais em textos multissemióticos?
gráfico-visuais.
Realiza inferências locais e/ou globais em textos lidos ou
Inferir, com a ajuda da turma e da professora, ou ouvidos?
do professor, o sentido de palavras ou expressões
desconhecidas em textos com base no contexto da frase
ou do texto.

PRODUÇÃO DE TEXTOS (COLABORATIVA E AUTÔNOMA)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar, com a ajuda da professora, ou do professor, Participa de planejamento dos textos a ser produzidos
o texto que será produzido, considerando a situação considerando a situação comunicativa e a finalidade
comunicativa5, pesquisando em meios impressos ou deles, opinando e aceitando as ideias dos participantes?
digitais, sempre que preciso, informações necessárias à
produção do texto, organizando em tópicos os dados e
as fontes pesquisadas.
Organizar, de modo colaborativo e na ordem, o texto
que será produzido parte a parte.

120 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 2º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Participar de produções coletiva de textos, ditando para Dita texto à professora, ou ao professor, respeitando os
a professora, ou para o professor, e/ou para a turma. temas do texto-fonte e as características da linguagem
escrita, com a ajuda da turma e da professora, ou do
professor?

Reler e revisar o texto produzido com a ajuda da Dispõe-se a reler/ouvir a releitura do texto produzido
professora, ou do professor, e a colaboração da para aprimorá-lo?
turma, para corrigi-lo e aprimorá-lo, fazendo cortes,
Sugere acréscimos, cortes, reformulações etc. no
acréscimos, reformulações e correções, considerando a
processo de revisão dos textos?
situação comunicativa (interlocutores, finalidade etc.).

Editar a versão final do texto produzido, em colaboração Participa da edição do texto produzido e da construção
com a turma e com a ajuda da professora, ou do do produto final dando ideias, ilustrando e organizando
professor, ilustrando, quando for o caso, em suporte o material?
adequado, manual ou digital.

Utilizar software, com a ajuda da turma e da professora, Utiliza, com a mediação da professora, ou do professor,
ou do professor, inclusive programas de edição de texto, programas de edição de texto e imagens, como o Word
para editar e publicar os textos produzidos, explorando ou Docs, e de áudio, como o Audacity, no processo de
os recursos multissemióticos disponíveis. edição de textos produzidos?

ORALIDADE/ORALIZAÇÃO1
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Expressar-se em situações de intercâmbio oral com Participa de situações de intercâmbio oral do cotidiano
clareza, preocupando-se em ser compreendido pelo escolar, usando a palavra com tom adequado,
interlocutor e usando a palavra com tom de voz audível, formulando perguntas e fazendo comentários sobre o
boa articulação e ritmo adequado. tema tratado?

Escutar, com atenção, falas de professores e colegas, Ouve os colegas e respeita os turnos de fala em situação
formulando perguntas pertinentes ao tema e solicitando de rodas, discussões temáticas etc.?
esclarecimentos sempre que necessário.

Reconhecer, progressivamente, as características da Nas rodas de apreciação literária


conversação espontânea presencial, respeitando os O Faz comentários de forma espontânea, de modo
turnos de fala, selecionando e utilizando, durante a
coerente?
conversação, formas de tratamento adequadas, de
acordo com a situação e a posição do interlocutor. O Faz comentários após solicitações da professora, ou do
professor?
Participar de rodas de leitura, rodas de conversa no
contexto escolar, fazendo perguntas sobre o tema O Ouve a professora, ou o professor, as colegas e os
tratado, expressando-se de maneira audível. colegas?

Atribuir significado a aspectos não linguísticos Compreende e faz uso dos aspectos não linguísticos
(paralinguísticos) observados na fala, como direção utilizados na fala?
do olhar, riso, gestos, movimentos da cabeça (de
concordância ou discordância), expressão corporal e
tom de voz.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 121


Componentes curriculares

2º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
ESCRITA (ALFABETIZAÇÃO)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Escrever, com autonomia, o próprio nome. Escreve convencionalmente o próprio nome e o utiliza
como referência para escrever outras palavras?
Escrever o próprio nome e o das colegas e dos colegas,
de modo convencional, em situações de organização Consulta o material exposto na sala, dicionários e livros
escolar em que se fizer necessária essa identificação. para escrever e revisar o que escreveu com base na
intervenção da professora, ou do professor?
Escrever, com autonomia, listas de palavras de um
mesmo campo semântico (títulos de livros lidos, nomes Escreve controlando a produção pela hipótese silábica
de lanches preferidos etc.), adivinhas, quadrinhas, trava- com valor sonoro convencional, avançando para a
-línguas, entre outros textos, consultando referenciais escrita alfabética?
estáveis (como a lista de nomes da turma e textos da
Escreve compreendendo a base alfabética do sistema de
tradição oral) e justificando a forma de escrever.
escrita?
Escrever controlando a produção pela hipótese silábica
Revisa suas escritas, com base nas intervenções
com valor sonoro convencional, progredindo para a
realizadas pela turma e pela professora, ou pelo
escrita alfabética.
professor, aproximando-se da escrita convencional?
Escrever espontaneamente ou por ditado palavras/
Busca pistas em escritas estáveis presentes na sala de
textos alfabeticamente – utilizando letras/grafemas que
aula para escrever/revisar suas produções?
representem fonemas, ainda que escreva com algumas
falhas no valor sonoro convencional (“HATO” para Discute, em dupla/grupos, a escrita da palavra, ouvindo
“gato”, ou “KAZA” para “casa” ou “AHUA” para “água”). a turma, opinando e ajustando suas produções?
Revisar as suas escritas, procurando aproximar-se das
convenções em colaboração com a turma e a professora,
ou o professor.
Observar escritas convencionais (listas de nomes da
classe, textos expostos, títulos de livros etc.) como
apoio à escrita, comparando-as às suas produções,
percebendo semelhanças e diferenças e ajustando
quando for preciso.

Copiar textos breves, observando aspectos como Reproduz, em situação de cópia significativa, pequenos
espaçamento entre as palavras, distribuição gráfica de textos observando aspectos como pontuação,
suas partes, uso da pontuação entre outros aspectos, acentuação, presença de letra maiúscula, paragrafação e
voltando para o texto-fonte sempre que tiver dúvidas. distribuição gráfica de suas partes?

ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA (ALFABETIZAÇÃO)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Nomear as letras do alfabeto e recitá-lo na ordem Conhece as letras e as diferencia de outros sinais
alfabética em situação de construção de listas que gráficos?
ajudem a organizar o cotidiano.
Recita o alfabeto e utiliza-o nas situações de escrita para
organizar o cotidiano?
Recorre ao alfabeto móvel e a listas estáveis, entre
outros referenciais, nas situações de leitura e escrita?

Conhecer, diferenciar e relacionar letras em formato Conhece letras em formato imprensa e cursiva,
imprensa e cursiva, maiúsculas e minúsculas em maiúsculas e minúsculas, utilizando-as nas situações que
situações de consulta a materiais impressos, digitais e se fizerem necessárias?
manuscritos e em eventuais escritas.

122 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 2º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Analisar6, com autonomia, semelhanças e diferenças Utiliza a lista de nomes da classe como referencial de
entre os nomes das colegas e dos colegas, considerando escrita?
indícios como: extensão dos nomes, quantidade de
Apoia-se na letra inicial, medial, final ou outros indícios
palavras, letras iniciais e finais, presença ou ausência de
para localizar nomes em listas, validar ou descartar as
alguma letra medial, entre outros aspectos.
antecipações realizadas?
Reconhecer o sistema de escrita alfabética como
Reconhece partes iguais de duas palavras (na lista de
representação dos sons da fala.
nomes: MARIANA e MARIA)?
Analisar palavras e suas partes, com base no trabalho
Produz escritas preocupando-se com quais letras usar
com textos da tradição oral (cantigas, parlendas
para grafar as palavras?
do repertório local, regional e nacional, poemas
etc.), progredindo para uma análise cada vez mais Apoia-se na letra inicial, medial, final ou outros indícios
ajustada de partes menores da palavra (quais letras para validar ou descartar as antecipações realizadas na
correspondem a quais sons; quantas letras e sons a análise de textos e palavras?
compõem).
Localiza palavras em lista, quando solicitado pela
Comparar palavras, identificando semelhanças e professora, ou pelo professor, e/ou com base na
diferenças entre sons iniciais, mediais e finais, ajustando definição de um critério, realizando uma análise cada vez
o escrito ao falado. mais ajustada da correspondência entre sons e letras?
Analisar inventário de palavras, organizando-as pelo Compara palavras, identificando semelhanças e
critério de aproximação de campo semântico (separar os diferenças entre a emissão sonora (palavras/sílabas) e
nomes dos alunos que faltaram da lista, separar as frutas registro escrito?
dos legumes, descobrir os brinquedos infiltrados na lista
Identifica semelhanças e diferenças entre sons iniciais,
de material escolar etc.)
mediais e finais, reconhecendo a relação fonema-
Relacionar elementos sonoros (partes de palavras) com -grafema, em situações de reflexão sobre a grafia
sua representação escrita. correta?
Realizar, de modo colaborativo e autônomo, análises
fonológicas de palavras identificando semelhanças
e diferenças entre sons iniciais, mediais e finais,
avançando para análise da relação fonema-grafema,
até o final do ano, em situações de reflexão sobre a
grafia correta.

Utilizar, ao produzir o texto, grafia correta de palavras Escreve corretamente palavras de uso frequente?
de uso frequente (letras maiúsculas em início de frases e
Conhece e faz uso da grafia convencional das palavras
em substantivos próprios).
com correspondência regulares diretas entre letras e
Escrever corretamente palavras com correspondências fonemas (P, B, T, D, F, V)?
regulares diretas (pares mínimos F, V, T, D, P, B).
Mostra preocupação com a grafia correta da nasalidade
Compreender, progressivamente, que há diferentes ao produzir textos?
maneiras de grafar a nasalidade, observando banco de
Consulta bancos de referência para decidir pela grafia
palavras com as ocorrências que se fizerem necessárias
correta da nasalização?
estudar, como M,N,NH, ~ (til) entre outras formas de
nasalização. Escreve corretamente palavras classificadas como
regulares contextuais, em situação de ditado, progredindo
Escrever corretamente palavras com correspondências
para a escrita correta nas demais situações de escrita?
regulares contextuais.
Reconhece que a escrita de algumas palavras não
Analisar, com a ajuda da turma e da professora, ou do
é regida por regras, demonstrando preocupação
professor, inventário de palavras classificadas como
e interesse em consultar fontes confiáveis (livros,
regulares contextuais para compreender que o contexto
dicionários, sites da internet, professora, ou professor)?
determina diferenças no modo de grafar, como G e GU,
C e Q, E e O (em posição átona e final de palavra) entre Escreve convencionalmente palavras de uso frequente
outras ocorrências contextuais estudadas. com H inicial, L/LH e C/S iniciais?
Escrever convencionalmente palavras de uso frequente, Participa de situação de ditado interativo e leitura com
não regidas por regras (H inicial, L/LH, C /S iniciais) focalização, apresentando preocupações ortográficas e
sugestões/ideias para lembrar a grafia correta, tomando
nota de descobertas?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 123


Componentes curriculares

2º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA (ALFABETIZAÇÃO)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Analisar, com a ajuda da turma e da professora, ou do Identifica a diferença de sentido de pequenos textos,
professor, as diferenças de sentido de algumas palavras, considerando a acentuação das palavras?
decorrentes do uso da acentuação. Por exemplo, é/e;
Utiliza, em palavras de uso frequente, acento agudo e
está/esta; baba/babá; carne/carnê; aí/ai; vovô/vovó etc.,
circunflexo?
comumente designadas por parônimos ou homógrafos
imperfeitos.
Identificar a presença e, progressivamente, utilizar os
acentos em palavras de uso frequente presentes
em textos conhecidos (agudo e circunflexo).

Analisar textos conhecidos, com a ajuda da turma e da Identifica, com apoio da professora, ou do professor, e
professora, ou do professor, para observar os efeitos de das colegas e dos colegas, a presença da pontuação nos
sentido provocados pelo uso da pontuação. textos, reconhecendo os efeitos de sentido e entonação
provocados pelo uso da mesma?
Selecionar e utilizar, de modo colaborativo, em situações
de produção de textos, a pontuação mais adequada às Segmenta o texto em frases, separando-as graficamente?
intenções de significação.
Segmenta o texto em frases, utilizando algum sinal de
pontuação ainda que não convencionalmente?

Analisar, com a ajuda da turma e da professora, ou do Observa o uso de outros recursos empregados nos
professor, os efeitos de sentido produzidos pelo uso de textos e contribui com análises realizadas a respeito do
distintas saliências textuais, como aspas, negrito, itálico, sentido produzido pela utilização desses sinais?
destaques gráficos e formatação especial de letra.

Reconhecer na escrita a separação das palavras por Reconhece a existência de separação entre as palavras
espaços em branco. na escrita?
Ler e acompanhar a leitura de textos conhecidos, de Segmenta textos conhecidos em palavras, ainda que com
modo a identificar a segmentação entre as palavras. algumas falhas?
Segmentar o texto em palavras nas situações de escrita Reconhece que as palavras podem ser segmentadas
espontânea de textos conhecidos. em sílabas e identifica diferentes possibilidades de
separação quando, durante a escrita, não couberem por
Reconhecer, na escrita de textos, que as palavras podem
inteiro na mesma linha?
ser separadas em partes, quando não couberem na
mesma linha. Reconhece, com a ajuda de colegas, quais as regras da
separação das palavras em sílabas?
Observar, nas situações de produção coletiva, as regras
da separação de sílabas e as diferentes possibilidades de Participa de produção coletiva, em duplas, observando
translineação. os diferentes modos possíveis de segmentar uma
palavra no final da linha, quando não couber por inteiro?
Utilizar, em situação de produção em duplas, as regras
de translineação, escolhendo a possibilidade mais
adequada ao espaço disponível para a escrita na linha,
ainda que com falhas.

Reconhecer relações de sinonímia e antonímia por Organiza e agrupa palavras pelo critério de aproximação
comparação de palavras com base em uma determinada e oposição de significado?
relação presente em texto.
Realiza, com a ajuda da turma e da professora, ou do
professor, análise e agrupamento de palavras por
aproximação de significado em situação que requerer
esse procedimento?

Reconhecer as diferentes formas de registro gráfico Conhece os diferentes tipos de letra, utilizando-as nas
das letras, utilizando letras cursiva e de imprensa, em situações em que são requeridas no contexto escolar e
situações específicas. fora dele?

124 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 2º ano

CAMPO DA VIDA COTIDIANA


LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Ler e compreender, em colaboração com a turma e com Lê, de modo compreensivo e com a colaboração
a ajuda da professora, ou do professor, e, mais tarde, das colegas e dos colegas, textos do campo da vida
com autonomia, listas, agendas, avisos, convites, bilhetes, cotidiana?
receitas, instruções de montagem (digitais ou impressos),
Lê e compreende, de modo autônomo, textos do campo
entre outros gêneros do campo da vida cotidiana que
da vida cotidiana?
circulem no âmbito regional e nacional, considerando a
situação comunicativa e o tema/assunto do texto. Compreende os diversos usos e funções do gênero lista,
utilizando-o nas situações do cotidiano?
Ler e compreender, em colaboração com a turma e com
a ajuda docente, com progressiva autonomia, quadras, Realiza o ajuste do falado ao escrito ao acompanhar
parlendas, trava-línguas, cantigas, letras de canção, entre a leitura de textos versificados do cotidiano e da
outros gêneros do campo da vida cotidiana, considerando tradição oral?
a situação comunicativa e o assunto do texto.
Acompanhar a leitura de cantigas, quadras, quadrinhas,
parlendas, trava-línguas, canções, entre outros gêneros
do campo da vida cotidiana versificados de modo a
ajustar o falado ao escrito.

PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar, em colaboração com a turma e com a ajuda Participa do planejamento opinando e interagindo com a
da professora, ou do professor, listas, agendas, turma e com a professora, ou o professor?
calendários, avisos, convites, receitas, instruções de
Participa do planejamento interagindo com a turma
montagem e legendas para álbuns, fotos ou ilustrações
e com a professora, ou o professor, dando ideias
(digitais ou impressos), relatos de experiência vivida7,
pertinentes de acordo com a situação comunicativa?
entre outros gêneros do campo da vida cotidiana,
considerando a situação comunicativa e o tema/ Conhece gêneros textuais como bilhetes, convites,
assunto/finalidade do texto. agendas, legendas para álbuns, avisos, cartas, entre
outros que forem estudados, utilizando-os em situação
Planejar bilhetes e cartas em meio impresso e/ou digital,
do cotidiano?
entre outros gêneros do campo da vida cotidiana,
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto/
finalidade do texto.

Registrar, em colaboração com a turma, com a ajuda Escreve textos que sabe de memória de modo
da professora, ou do professor, e pelo autoditado, colaborativo de acordo com sua hipótese de escrita?
cantigas, quadras, quadrinhas, parlendas, trava-línguas,
Escreve alfabeticamente textos que conhece de
entre outros gêneros do campo da vida cotidiana,
memória, autonomamente, fazendo uso do autoditado?
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto/
finalidade do texto. Produz textos instrucionais em parceira com as colegas
e os colegas de acordo com as características do
Produzir, com autonomia, listas, agendas, bilhetes,
gênero estudado?
calendários, avisos, convites, receitas, instruções de
montagem e legendas para álbuns, fotos ou ilustrações Participa da produção solicitada fazendo sugestões,
(digitais ou impressos), entre outros gêneros do campo ditando à professora, ou ao professor, ou escrevendo
da vida cotidiana, considerando a situação comunicativa autonomamente de acordo com a situação
e o tema/assunto/finalidade do texto. comunicativa?
Produzir em situação de ditado à professora, ou ao Elabora relatos ou diário (pessoal e da classe), ditando
professor, relatos de experiência, de observação de à professora, ou ao professor, situando as ações no
processos ou diário (pessoal e da classe) situando as tempo e considerando a situação comunicativa?
ações no tempo de modo coerente e revisando, durante
a produção, de acordo com a situação de comunicação e
o tema/assunto do texto.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 125


Componentes curriculares

2º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DA VIDA COTIDIANA
PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Reler e revisar o texto produzido com a ajuda da No processo de releitura, sugere/exclui repetições
professora, ou do professor, e a colaboração da indesejadas nos textos produzidos de modo coletivo
turma, para corrigi-lo e aprimorá-lo, fazendo cortes, e/ou em colaboração com a colega, ou o colega,
acréscimos, reformulações considerando a capacidade substituindo o referente por outras palavras (nome,
que a criança tem de análise da língua escrita e da pronome, apelido, classe relacionada etc.) ou utilizando
linguagem que se escreve. elipse?
A. Acompanhar e sugerir o uso de procedimentos Relê, quando solicitado pela professora, ou pelo
escritores, como reler o que está escrito para professor, e, mais tarde, com autonomia, os textos
continuar, consultar o planejamento para tomar produzidos para aprimorá-los?
decisões no momento da escrita e revisar no processo
Explicita atitudes de interação, de colaboração com
e ao final.
disposição para trocas de experiência em grupos e no
B. Dispor-se a compartilhar seus escritos com outras
coletivo, falando e ouvindo os colegas, mostrando suas
pessoas de modo a divulgar suas produções e
escritas e apreciando as das colegas e dos colegas?
aprimorá-las.

ORALIDADE /ORALIZAÇÃO1
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar, em colaboração com a turma e com a ajuda Planeja a fala adequando diferentes interlocutores e
da professora, ou do professor, recados, avisos, mídias em situações comunicativas do cotidiano escolar
convites, receitas, instruções de montagem, entre (exposição oral, vídeos, rodas em geral, entre outros)
outros gêneros do campo da vida cotidiana, que com maior e menor formalidade, de acordo com a
possam ser repassados oralmente por meio de situação comunicativa?
ferramentas digitais, em áudio ou vídeo, considerando
Contribui com o planejamento da produção de textos
a situação comunicativa e o tema/assunto/finalidade
orais, do campo cotidiano, respeitando as ideias dos
do texto.
colegas e fazendo sugestões coerentes com a situação
Produzir avisos, recados, convites, receitas, de comunicação?
instruções, entre outros gêneros da vida cotidiana
por meio de ferramentas digitais, em áudio ou vídeo,
considerando a situação comunicativa, em situações
de colaboração.

Cantar cantigas e canções obedecendo ao ritmo e à Oraliza textos produzidos com entonação e fluência,
melodia. expressando-se de forma clara e adequando a
linguagem tendo em vista a compreensão dos ouvintes,
de acordo com a situação comunicativa?

ANÁLISE LINGUÍSTICA E SEMIÓTICA/ALFABETIZAÇÃO


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Identificar e reproduzir, em relatos de experiências Elabora relatos ou diário (pessoal e da classe), ditando
pessoais, a sequência dos fatos, utilizando expressões à professora, ou ao professor, ou em parceria com
que marquem a passagem do tempo (antes, depois, a turma, situando as ações no tempo e utilizando
ontem, hoje, amanhã, outro dia, antigamente, há muito organizadores textuais pertinentes ao gênero,
tempo etc.), e o nível de informatividade necessário. considerando a situação comunicativa e o tema/
assunto do texto produzido?

126 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 2º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Identificar e reproduzir, em situação coletiva, a Produz textos no gênero estudado, ditando à


formatação e diagramação específica de gêneros professora, ou ao professor, e, mais tarde, de modo
como listas, agendas, calendários, regras, bilhetes, autônomo, respeitando a formatação?
avisos, convites, receitas, instruções de montagem,
relatos e legendas para álbuns, fotos ou ilustrações
(digitais ou impressos).

Analisar situações comunicativas em que circulam Tem disponibilidade para retomar as produções/
gêneros orais do campo da vida cotidiana com a oralizações realizadas, revisando-as?
finalidade de compreender suas características e
Retoma as produções realizadas, fazendo ajustes
formas de modo a constituir um repertório de recursos
considerando os interlocutores, as formas dos gêneros e
e condições que permitam um desempenho de melhor
a situação comunicativa?
qualidade.
Ouvir/retomar o texto recitado e/ou oralizado para
acrescentar elementos prosódicos que favoreçam a
compreensão da audiência.
Identificar e (re)produzir, em cantigas, quadras,
quadrinhas, parlendas, trava-línguas e canções, as rimas,
aliterações, assonâncias e o ritmo de fala relacionado ao
ritmo e à melodia das músicas e seus efeitos de sentido.

CAMPO DA VIDA PÚBLICA8


LEITURA/ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Ler em parceria e em colaboração com a turma e com Escuta com atenção a leitura realizada pela professora,
a ajuda da professora, ou do professor, fotolegendas ou pelo professor?
em notícias, manchetes e lides em notícias, álbum de
Lê em parceria fotolegendas, manchetes e títulos
fotos digital noticioso e notícias curtas para o público
ajustando o falado ao escrito com base em indícios
infantil, entre outros gêneros do campo jornalístico,
(pistas orais, imagens, campo semântico etc.) para
considerando a situação comunicativa e o tema/
arriscar-se a ler, ainda que sem saber?
assunto do texto.
Lê fotolegendas, manchetes, títulos de artigos entre
Participar de leitura colaborativa de fotolegendas em
outros textos do campo jornalístico e midiático com
notícias, manchetes e lides em notícias, álbum de fotos
autonomia?
digital noticioso e notícias curtas destinadas ao público
infantil, colaborando na construção de sentidos dos Reconhece, com a ajuda da professora, ou do professor,
textos lidos. a finalidade dos textos publicitários, relacionando-os
com campanhas de consumo consciente?
Ler e compreender, em colaboração com a turma e
com a ajuda da professora, ou do professor, slogans, Comenta os textos lidos pela professora, ou pelo
anúncios publicitários e textos de campanhas de professor, e/ou em situação de leitura colaborativa,
conscientização destinados ao público infantil, entre emitindo opinião sobre os temas veiculados e
outros gêneros do campo publicitário, considerando a explicitando os recursos utilizados para localizar,
situação comunicativa e o tema/assunto do texto. inferir, comparar informações etc.?
Participar de rodas de leitores de textos publicitários Observa os cartazes expostos na escola e comenta
para refletir sobre as relações de consumo tal como sobre seu conteúdo?
estão constituídas na sociedade atual, relacionando-
Conhece e orienta-se pela lista de regulamentos
-as com a sustentabilidade e com campanhas de
presente na sala?
conscientização.
Realiza leitura compreensiva de cartazes, avisos,
Participar de leitura colaborativa de textos jornalísticos
folhetos e regras com autonomia?
destinados ao público infantil, ajudando na construção
de sentidos dos textos lidos e identificando sua
finalidade.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 127


Componentes curriculares

2º ano – Língua Portuguesa

Ler/ouvir e compreender, em colaboração com a turma Lê com autonomia histórias em quadrinhos, ainda
e com a ajuda da professora, ou do professor, cartazes, que ajuste o escrito ao falado e construa os sentidos
avisos, folhetos, regras e regulamentos que organizam articulando texto e imagem?
a vida na comunidade escolar, entre outros gêneros
do campo da atuação cidadã, considerando a situação
comunicativa e o tema/assunto e finalidade do texto.
Ler em parceria com a turma e de modo autônomo,
histórias em quadrinhos e tirinhas, relacionando imagens
e palavras e interpretando recursos gráficos (tipos de
balões, de letras, onomatopeias).

PRODUÇÃO ESCRITA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar, em colaboração com a turma e com a ajuda da Planeja o texto que vai produzir e/ou contribui para o
professora, ou do professor, fotolegendas em notícias, planejamento coletivo, organizando as ideias, sugerindo
manchetes e lides em notícias, álbum de fotos digital recursos de acordo com o gênero escolhido?
noticioso e notícias curtas para o público infantil,
digitais ou impressos, entre outros gêneros do campo
jornalístico, considerando a situação comunicativa.
Planejar, com a ajuda da turma e da professora, ou do
professor, cartazes e folhetos para divulgar eventos
da escola ou da comunidade, utilizando linguagem
persuasiva e elementos textuais e visuais (tamanho da
letra, leiaute, imagens) adequados ao gênero, ao local
de circulação, considerando a situação comunicativa e o
tema/assunto do texto.

Escrever, com a mediação da professora, ou do Escreve ditando à professora, ou ao professor,


professor, e, mais tarde, com autonomia, fotolegendas fotolegendas em notícias, manchetes e lides em
em notícias, manchetes e lides em notícias, álbum de notícias, slogans, anúncios, entre outros gêneros do
fotos noticioso, digitais ou impressos, entre outros campo jornalístico e midiático, considerando a situação
gêneros do campo jornalístico, considerando a situação comunicativa e o tema/assunto do texto?
comunicativa e o tema/assunto do texto.
Contribui com ideias ao reler o texto tanto no processo
Observar o uso de procedimentos escritores, como de produção quanto ao final, revendo e ajustando de
reler o que está escrito para continuar, consultar o modo a avançar na qualidade do texto?
planejamento para tomar decisões na escrita e revisar
Acompanha a tomada de notas coletiva e/ou em duplas
no processo e ao final.
sobre os textos analisados em ambientes digitais?
Participar de visitas orientadas a ambientes digitais para
Contribui com a produção coletiva dos cartazes
observar/conhecer textos nos gêneros citados, explorar
reconhecendo os principais elementos textuais e visuais
as características desses ambientes e construir, de
que devem compor o texto?
modo colaborativo, registros que possam repertoriar a
produção. Participa da produção do texto estudado dando ideias
sobre o que e como escrever?
Produzir, de modo colaborativo, cartazes e folhetos para
divulgar eventos da escola ou da comunidade, utilizando Orienta-se pelos avisos e cartazes, presentes em murais,
linguagem persuasiva e elementos textuais e visuais consultando-os com frequência?
(tamanho da letra, leiaute, imagens) adequados ao
Identifica a necessidade de rever trechos do texto
gênero, considerando a situação comunicativa e o tema/
produzido para garantir maior legibilidade?
assunto do texto.
Consultar murais e outros suportes de divulgação de
eventos para orientar-se na escola e comunidade.
Acompanhar e sugerir o uso de procedimentos
escritores, como reler o que está escrito para continuar,
consultar o planejamento para tomar decisões no
momento da escrita e revisar no processo e ao final.

128 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 2º ano

ORALIDADE/ORALIZAÇÃO1
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar a fala, com a ajuda da turma e da professora, Planeja uma fala – ainda que em colaboração –,
ou do professor, adequando-a a diferentes considerando o contexto de produção do texto e a
interlocutores e temas/assuntos em situações opinião dos colegas, que contribua com suas ideias e
comunicativas do cotidiano escolar, como rodas de para a maior legibilidade do texto?
conversas sobre temas estudados, rodas de estudos de
Emite opinião sobre temas/assuntos estudados
uma notícia, roda de jornal, entre outras.
justificando suas ideias?
Participar de discussões sobre regras de convivência
Participa da produção de regras de convivência
e outros assuntos relacionados às leis e regulamentos
ouvindo e dando opinião?
que fizerem sentido para o momento e para a região
(por exemplo, proibição de canudinhos plásticos, uso Propõe soluções para possíveis conflitos do cotidiano,
de cachoeiras, entre outros assuntos), ouvindo com tanto no âmbito da sala quanto da região, justificando
atenção e emitindo opinião justificada. suas ideias?

Identificar, em situação de estudo coletivo, a Participa da elaboração de lista com síntese de registro
formatação e diagramação específica de gêneros como de estudos realizados sobre as características dos
fotolegendas de notícias e álbum de fotos noticioso – textos de um determinado gênero, reconhecendo os
digitais ou impressos9. sentidos produzidos pelo uso dos recursos?
Identificar os recursos de expressão que constituem Reconhece algumas marcas do gênero estudado, em
os gêneros previstos na modalidade oral para analisar parceria com a turma e com a ajuda da professora, ou
colaborativamente a adequação dos textos produzidos do professor, identificando a finalidade do uso desses
e dos recursos utilizados. recursos?
Analisar, com a ajuda da turma e da professora, ou do Realiza, com a ajuda da turma, tomada de notas sobre
professor, as marcas linguísticas e recursos de outras as principais características dos gêneros estudados?
linguagens (cores, negritos, tamanho da letra) de
Identifica, em situação de produção coletiva, os
acordo com a finalidade dos textos (como no caso das
recursos gráficos dos textos publicitários?
fotolegendas o uso do imperativo, o modo como explica
a foto etc.). Emprega nos textos que serão produzidos os recursos
estudados, de modo que possam contribuir para a
construção dos sentidos e garantir a legibilidade do
enunciado, em situação de colaboração?
Identificar em anúncios publicitários e textos de
campanhas de conscientização destinados ao público
infantil (orais e escritos, digitais ou impressos), a
formatação e diagramação específica de cada um
desses gêneros, inclusive o uso de imagens (de modo
colaborativo).
Reconhecer recursos gráficos próprios dos gêneros
mencionados, com vistas à sua apropriação.
Analisar textos para estudar as características dos
gêneros.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 129


Componentes curriculares

2º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDOS E PESQUISA
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Ler e compreender, em colaboração com a turma e com Participa das leituras realizando falas pertinentes ao
a ajuda da professora, ou do professor, enunciados de tema/assunto estudado?
tarefas escolares, diagramas, curiosidades, pequenos
Lê pequenos enunciados de tarefas, com a ajuda das
relatos de experimentos, entrevistas, verbetes de
colegas e dos colegas, identificando o que deve fazer?
enciclopédia infantil, entre outros gêneros do campo
investigativo, considerando a situação comunicativa e o Lê enunciados de tarefas, autonomamente,
tema/assunto do texto. identificando o que deve fazer?
Ouvir a leitura de relatos históricos, artigos de Ouve, com atenção, a leitura (colaborativa) de relatos
enciclopédias, além de assistir a documentários para históricos, textos expositivos, verbetes, artigos de
conhecer e valorizar as diferentes culturas. revistas infantis, entre outros gêneros do campo
investigativo, fazendo perguntas e explicitando suas
Participar de leitura colaborativa dos textos do
ideias a respeito do tema/assunto lido?
gênero estudado, ouvindo com atenção e explicitando
compreensão do que está sendo lido. Destaca informações relevantes nos textos lidos em
parceria?
Acompanhar a leitura de relatos históricos, textos
expositivos, verbetes, artigos de revista infantil,
entre outros textos de estudo, realizando, de modo
colaborativo (duplas), destaques de informação
importante para a compreensão do texto (grifos, notas).

Reler, com a mediação da professora, ou do professor, Retoma textos lidos conferindo destaques feitos
trechos de textos grifando informações relevantes e anteriormente e preparando anotações de estudo?
realizando anotações.
Realiza anotações – no próprio texto, à margem, ou em
Explorar, com a mediação da professora, ou do material à parte – a respeito dos aspectos importantes
professor, textos informativos de diferentes gêneros de um texto que está estudando?
em ambientes digitais de pesquisa, lendo e/ou ouvindo
Demonstra interesse por participar de atividades em
títulos, acessando links para conhecer as possibilidades
ambientes digitais?
desses ambientes.
Consegue ler títulos – em colaboração ou de modo
autônomo – para localizar uma informação solicitada?
Nos ambientes digitais, com mediação da professora, ou
do professor, e/ou colaboração, acessa hiperlinks para
buscar informações complementares?

PRODUÇÃO DE TEXTO (COMPARTILHADA E AUTÔNOMA)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar, com a ajuda da turma e da professora, ou Participa do planejamento de textos, expondo suas
do professor, pequenos registros de observação de ideias, de acordo com o tema em estudo, considerando
resultados de pesquisa coerentes com um tema10 as características do gênero e o tema/assunto/finalidade
investigado (paisagens regionais, presença de diferentes do texto?
culturas na região, entre outros).
Utiliza, com a mediação da professora, ou do professor
Planejar, em colaboração com os colegas e com a ajuda – seja no processo de estudo de um texto, seja
da professora, ou do professor, pequenos relatos de durante uma pesquisa para produzir outro texto –,
experimentos, entrevistas, verbetes de enciclopédia procedimentos como copiar a informação que interessa,
infantil, entre outros gêneros do campo investigativo, grifar trechos, fazer anotações, acessar um link etc.?
digitais ou impressos, considerando a situação
Localiza e grifa, com autonomia, informações relevantes
comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto.
com base nos textos estudados?
Utilizar, de modo colaborativo, procedimentos de
consulta a materiais impressos e a ambientes digitais
(consultar índices, títulos e subtítulos, página de
abertura de sites, plataformas etc.).

130 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 2º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Produzir, com certa autonomia, pequenos registros Faz uso de diferentes procedimentos de tomada de
de observação de resultados de pesquisa e de notas de modo autônomo?
audiovisuais estudados coerentes com o tema
Escreve, em parceria com os colegas de acordo com
investigado.
sua hipótese de escrita, textos no gênero estudado,
Produzir, em colaboração com a turma e com a ajuda respeitando as características do mesmo (se for
da professora, ou do professor, pequenos relatos de verbete de curiosidade: pergunta/título, corpo do
experimentos, entrevistas, verbetes de enciclopédia verbete com a resposta, a fonte da pesquisa, por
infantil, entre outros gêneros do campo investigativo, exemplo)?
digitais ou impressos, considerando a situação
Escreve com autonomia, ainda que com falhas
comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto.
na convenção da escrita, diagramas, verbetes
Escrever indicações para livros, verbetes de de curiosidades (você sabia que) sobre temas
curiosidades, notas, diagramas sobre temas estudados estudados, respeitando as características do gênero e
(diversidade cultural, aspectos da paisagem regional, considerando a situação comunicativa?
da cultura de um povo), respeitando as características
Relê e revisa trechos do texto produzido durante a
da situação comunicativa, ditando à professora, ou ao
escrita para planejar os trechos seguintes e, ao final,
professor, ou em parceria com a turma.
para garantir maior legibilidade, ajustando-o?
Reler e revisar o texto produzido com a ajuda da
professora, ou do professor, e a colaboração das
colegas e dos colegas, para corrigi-lo e aprimorá-lo,
fazendo cortes, acréscimos, reformulações, durante o
processo de escrita e ao final.

ORALIDADE/ORALIZAÇÃO1
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar, em colaboração com os colegas e com a Planeja, em colaboração com os colegas e com a ajuda
ajuda da professora, ou do professor, booktobers da professora, ou do professor, booktobers de livros
de livros lidos/ouvidos, relatos de experimentos, lidos/ouvidos, relatos de experimentos, registros
registros de observação e entrevistas (autoridade de observação e entrevistas (autoridade local,
local, mais velhos etc.), entre outros gêneros do mais velhos etc.), entre outros gêneros do campo
campo investigativo, que possam ser repassados investigativo, que possam ser repassados oralmente
oralmente por meio de ferramentas digitais, em áudio por meio de ferramentas digitais, em áudio ou vídeo,
ou vídeo, considerando a situação comunicativa e o considerando a situação comunicativa e o tema/
tema/assunto/finalidade do texto. assunto/finalidade do texto?
Ouvir áudios ou assistir vídeos de gêneros Ouve áudios ou assiste a vídeos de gêneros
investigativos a ser produzidos para conhecer os investigativos a ser produzidos para conhecer os
recursos de expressão próprios do gênero em estudo. recursos de expressão próprios do gênero em estudo?
Colaborar para a pesquisa e estudos temáticos Colabora para a pesquisa e estudos temáticos
realizados com busca de materiais, sugestões de realizados com busca de materiais, sugestões de
produtos finais etc. produtos finais etc.?

Produzir, em colaboração com a turma e com a ajuda Participa da produção de áudios ou vídeos para
da professora, ou do professor, booktobers de livros divulgar estudos realizados, livros lidos, ouvindo as
lidos/ouvidos, relatos de experimentos, registros falas dos colegas, contribuindo com a produção e
de observação e entrevistas (autoridade local, respeitando os estudos realizados?
mais velhos etc.), entre outros gêneros do campo
Traz materiais de casa ou da biblioteca da escola sobre
investigativo, que possam ser repassados oralmente
os temas estudados?
por meio de ferramentas digitais, em áudio ou vídeo,
considerando a situação comunicativa e o tema/
assunto/finalidade do texto.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 131


Componentes curriculares

2º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDOS E PESQUISA
ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Identificar a formatação e diagramação específica Identifica as características do gênero estudado em


de gêneros como enunciados de tarefas escolares, situação de estudo colaborativo?
diagramas, entrevistas, curiosidades, verbetes, digitais
Utiliza, em situação de produção coletiva, as marcas do
ou impressos, inclusive em suas versões orais.
texto/gênero selecionado para o estudo?
Analisar, de modo colaborativo, no processo de leitura,
Produz registros coletivos e em duplas sobre os estudos
recursos linguísticos e discursivos que constituem os
realizados?
gêneros previstos no período, de modo que seja possível
empregá-los adequadamente nos textos a ser lidos/
produzidos.
Identificar e reproduzir a formatação e diagramação
específica de gêneros como relatos de experimentos,
entrevistas, verbetes de enciclopédia infantil, digitais ou
impressos, inclusive em suas versões orais.

Eliminar repetições indesejadas nos textos produzidos e Identifica, em situações de revisão coletiva, repetições
revisados coletivamente, indicando substituições. indesejadas de expressões/palavras, refletindo sobre
os efeitos de sentido produzidos e realizando ajustes,
inclusive nas produções orais?

CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Ouvir a leitura de textos literários de maior porte como Escuta com atenção a leitura realizada pela professora,
contos (populares, de fadas, modernos, acumulativos, ou pelo professor, participando dos momentos de
de assombração de diferentes culturas), mitos, lendas e comentários, explicitando sua apreciação quando for o
crônicas entre outros. caso?
Apreciar textos literários, observando os efeitos Faz antecipações sobre o que será lido, conferindo
de sentido criados pela articulação das diferentes ao longo da leitura realizada pela professora, ou pelo
linguagens (verbal, imagética, gráfica) quando for o caso. professor?
Relacionar texto com ilustrações e outros recursos Relaciona texto verbal com as ilustrações, reconhecendo
gráficos, reconhecendo, de modo colaborativo, a a articulação e complementaridade das linguagens
articulação das linguagens na composição do sentido. na construção do sentido (comentando aspectos da
imagem durante a leitura, antecipando a continuidade
Apreciar textos literários explicitando a preferência por
de determinado trecho lido com base na imagem entre
determinado autor.
outros)?
Participa da escuta de textos literários de um mesmo
autor, apreciando o modo como escreve, o gênero e
estilo da narrativa?
Solicita a releitura de alguns contos, explicitando os
motivos (preferência pelo autor, apreciação da história
etc.)?

Estudar, em parceria, textos teatrais adequados à faixa Realiza leitura dramática e, progressivamente, amplia a
etária, preparando-os para leitura dramática a alunas e fluência compreensiva e de voz?
alunos de outra sala.

132 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 2º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Apreciar poemas e outros textos versificados, lidos Analisa a composição de poemas/canções e outros
pela professora, ou pelo professor, observando rimas, textos versificados para perceber como os aspectos da
sonoridades, jogos de palavras, reconhecendo seu oralidade, além de marcas visuais, são fundamentais na
pertencimento ao mundo imaginário e sua dimensão de construção do sentido?
encantamento, jogo e fruição.
Identifica o efeito visual e/ou sonoro como parte
A. Acompanhar a leitura de poemas, canções, cordéis e constituinte do sentido do poema?
outros textos versificados, realizada pela professora,
Acompanha a leitura colaborativa de poemas
ou pelo professor, participando de intercâmbios orais
comentando suas impressões sobre o que foi lido e
durante e/ou posteriores à leitura, contribuindo para a
ouvindo os dos colegas?
construção dos sentidos possíveis com base no texto.

Ler, por si mesmo, poemas, canções, cordéis e outros Lê, com autonomia, diferentes textos versificados com
textos versificados. compreensão?
Participar de rodas de leitura, trocando ideias e opiniões Comenta os textos lidos com as colegas e os colegas nas
com outros leitores sobre textos lidos. rodas de leitura?
Escolher livros, em situação de rodas de leitura, visita a Nas rodas de leitores, tertúlias
bibliotecas e/ou meios digitais, com base em diferentes O Faz comentários após solicitações da professora, ou do
critérios e informações, justificando sua escolha e
professor?
compartilhando com as colegas e os colegas opiniões e
descobertas após a leitura. O Explicita critérios de apreciação em relação:
Apreciar livros com imagens observando efeitos de A. ao conteúdo temático;
sentido criado pela articulação entre as linguagens. B. à linguagem literária (beleza, estilo do autor,
tratamento do tema etc.); e
C. à qualidade do material gráfico?
Ouve com atenção a exposição e apreciação dos colegas?
Faz comentários de modo espontâneo?
Escolhe livros e leva para casa para lê-los, com a ajuda da
família, justificando sua escolha?
Solicita os livros disponíveis na sala para folheá-los,
observar as ilustrações e/ou ler as histórias?
Cuida dos textos, dos livros de uso pessoal e do acervo
da sala?
Escolhe para ler livros com imagens, manifestando
interpretação plausível das possíveis intenções de
significação?
Manifesta sua apreciação por tais obras comentando
com a turma e com a professora, ou o professor?

Envolver-se em práticas de leitura literária, Participa de práticas de recepção de textos literários,


colaborativa, que possibilitem o desenvolvimento do ouvindo e apreciando as leituras realizadas?
senso estético para fruição, valorizando a literatura e
outras manifestações artístico-culturais como formas
de acesso às dimensões lúdicas, de imaginário e
encantamento (tertúlia, sacolinha dos livros, saraus etc.).

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 133


Componentes curriculares

2º ano – Língua Portuguesa


CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
PRODUÇÃO DE TEXTOS (COLABORATIVA E AUTÔNOMA)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Planejar, em colaboração com a turma e com a ajuda da Participa do planejamento e reconta textos literários
professora, ou do professor, reconto de textos literários lidos e/ou ouvidos para organizar suas partes e avançar
conhecidos (contos tradicionais, populares, entre na textualização, recuperando as ideias e linguagem
outros), considerando a ordem dos acontecimentos e as presentes no texto-fonte?
marcas do registro literário).
Reconta, em atividade coletiva de classe, histórias já
Recontar11, em atividade coletiva de classe, histórias conhecidas (lidas pela professora, ou pelo professor),
conhecidas, lidas pela professora, ou pelo professor, respeitando o seu turno de fala, dando sequência ao texto
para recuperar a sequência dos episódios essenciais e da colega, ou do colega, que o antecedeu, mantendo a
algumas características da linguagem do texto lido. ordem (relações de temporalidade) em que os episódios
aparecem na história, as relações de causalidade
existentes entre eles e o registro literário de modo a
conservar expressões presentes na versão impressa?

Planejar, de modo colaborativo, a reescrita de textos Participa do planejamento da reescrita considerando a


conhecidos considerando a situação comunicativa em atividade do reconto e seu planejamento, contribuindo
que o texto será veiculado e os temas do texto-fonte, com ideias para organizar o que será reescrito e ditando
organizando roteiros e/ou planos gerais do texto que o texto à professora, ou ao professor?
será escrito, levando em conta o planejamento do
reconto e as contribuições da atividade do reconto.

Reescrever textos conhecidos seja ditando à professora, Considera no texto ditado à professora, ou ao professor,
ou ao professor, seja, mais tarde, em parceria com as as ideias do texto-fonte e a articulação entre as partes?
colegas e os colegas, respeitando a progressão temática,
Utiliza algumas características do registro literário nas
considerando as ideias principais do texto-fonte, assim
situações de ditado e revisão?
como algumas características da linguagem, orientando-
-se pelo planejamento/planificação do texto. Dita o texto à professora, ou ao professor, considerando
onde o texto vai circular, quem irá ler etc.?

Reler e revisar o texto produzido com a ajuda da Relê e revisa o texto escrito ou ditado à professora, ou
professora, ou do professor, e a colaboração das colegas ao professor, em colaboração com os colegas, visando
e dos colegas para corrigi-lo e aprimorá-lo, fazendo o seu ajuste ao contexto de produção e a criação
cortes, acréscimos, reformulações e considerando as de condições para a compreensão das intenções de
características da situação comunicativa. significação pelo leitor, bem como a sua legibilidade?

Editar a versão final do texto produzido, em colaboração Opina na edição do texto e do suporte escolhido (livro,
com a turma e com a ajuda da professora, ou do capa, cores, ilustrações entre outros)?
professor, ilustrando, quando for o caso, em suporte
Busca exemplos de ilustrações em livros e na internet?
adequado, manual ou digital.
Ouve a opinião da colega, ou do colega, discutindo as
possibilidades de edição final do texto/livro ou mídia
digital?

ANÁLISE LINGUÍSTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Observar, no processo de leitura e estudo de poemas Reconhece em poemas visuais que o formato do texto
visuais, o formato do texto na página e as ilustrações, pode provocar diferentes efeitos visuais e sentidos
verificando os efeitos visuais provocados. na leitura?

134 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 3º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Analisar textos literários para estudar o registro Elabora registros de estudo de texto literário,
linguístico literário, reconhecendo a sua especificidade focalizando diferentes recursos que podem ser
(recursos de referenciação, uso de repetição, utilizados tanto para se evitar repetições indesejadas
adjetivação), bem como os sentidos produzidos pela quanto para provocar efeitos de sentido interessantes
utilização dos recursos citados. para o texto por meio da repetição?
Analisar, com a ajuda da turma e da professora, ou do Analisa textos bem escritos observando sugestões para
professor, textos literários identificando as formas de se eliminar repetições indesejadas e produzir repetições
referir a um mesmo personagem, sem repetir o nome, interessantes para os efeitos de sentido pretendidos?
entre outros recursos.
Revisa o texto, em situação coletiva e com a ajuda da
Analisar, em situações de estudo coletivo, quando for o professora, ou do professor, utilizando as referências
caso, os efeitos de sentido que podem ser conseguidos construídas e registradas, conseguindo eliminar
com repetições baseadas no uso de diferentes recursos repetições indesejadas ou utilizando repetições para
linguístico-discursivos. provocar efeitos de sentido interessantes para as
intenções de significação pretendidas?
Eliminar, em situação de reescrita coletiva e revisão,
repetições indesejadas nos textos produzidos, indicando
substituições (substituir o referente por sinônimos ou
hiperônimos, nome pelo pronome, ou utilizando elipse).
Em situação de reescrita coletiva e revisão, elaborar, com
a ajuda da professora, ou do professor, repetições que
produzam efeitos de sentido interessantes para o texto.

Recontar oralmente, com e sem apoio de imagem Reconta textos literários ouvidos e/ou lidos respeitando
(obras ilustradas e livros-álbum, com e sem ilustração) as características do gênero, os recursos expressivos
textos literários lidos pela professora, ou pelo de modo que o ouvinte compreenda o que está
professor, e/ou ouvidos em contextos familiares, entre sendo contado?
outros, respeitando as características do gênero e o
registro literário.

3 º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Estabelecer, com autonomia, expectativas em relação ao Antecipa as informações com base nas pistas dadas nos
texto que vai ler/ouvir (pressuposições antecipadoras textos (posições assumidas, tratamento temático, visão
dos sentidos, da forma e da função social do texto), do interlocutor, valores etc.). Verifica, de modo autônomo,
apoiando-se em seus conhecimentos prévios sobre as informações antecipadas antes e durante a leitura?
as condições de produção e recepção desse texto, o
Verifica, de modo autônomo, as informações
gênero, o suporte e o universo temático, bem como
antecipadas antes e durante a leitura?
sobre saliências textuais (aspas, negrito, itálico,
destaques gráficos, formatação especial de letra),
recursos gráficos, imagens, dados da própria obra
(índice, prefácio etc.).

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 135


Componentes curriculares

3 º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Identificar, com a mediação da professora, ou do Participa de situações de leitura, escuta, produção de


professor, que os textos têm funções relacionadas textos orais, escritos e multissemióticos que circulam
aos diversos campos de atuação da vida social e às em diferentes campos de atuação e mídias, de modo a
diferentes mídias – impressa, de massa e digital –, expressar e partilhar informações, experiências, ideias e
reconhecendo para que foram produzidos, onde sentimentos com base nos textos lidos/produzidos?
circulam, quem os produziu e a quem se destinam.
Busca, seleciona e lê, com a mediação da professora,
A. Explorar, com a mediação da professora, ou do ou do professor, e/ou da turma, textos que circulam
professor, textos de diferentes mídias (impressa em meios impressos ou digitais, de acordo com as
ou digital) e campos de atuação, conhecendo suas necessidades e interesses? Para informar-se sobre a
possibilidades. vacinação contra febre amarela, por exemplo, pode-se
ler verbete de enciclopédia, notícias ou reportagens
B. Estabelecer, com a ajuda da turma e da professora, ou
publicadas em jornais impressos e digitais. Para se
do professor, relações entre os textos dos diferentes
divertir ou apreciar, poderá ler um texto do campo
campos de atuação, no que se refere à sua finalidade,
artístico-literário, e assim por diante.
a valores veiculados e crenças, entre outros.
Identifica, com a ajuda da turma e da professora,
ou do professor, no processo de escuta e leitura de
textos, o contexto de produção e a função social do
texto lido, reconhecendo que os textos têm diferentes
funções, relacionadas aos campos de atuação em
que estão inseridos?
Faz perguntas durante as leituras em voz alta, ou
colaborativa, explicitando dúvidas, contribuições
e recursos utilizados para responder aos
questionamentos da professora, ou do professor?
Solicita/realiza releitura do trecho que provoca
dificuldades de compreensão e/ou consulta outras
fontes, entre outros procedimentos?
Explicita, durante a escuta de textos, lidos pela
professora, ou pelo professor, conexões realizadas com
seus conhecimentos prévios?

Localizar informações explícitas em textos lidos. Localiza informações explícitas em textos lidos?

Inferir, em situação de leitura colaborativa, informações Realiza inferências, com a ajuda da turma e da professora,
implícitas em textos, explicitando os recursos utilizados ou do professor, em situação de leitura colaborativa,
para realizar a inferência. tanto com base na recuperação do contexto de produção
e de recepção do texto quanto do universo temático do
Inferir, com autonomia, informações implícitas em
mesmo e do seu conhecimento prévio?
textos lidos.
Realiza inferências, com autonomia, com base na leitura
Inferir o sentido de palavras ou expressões desconhecidas
realizada por si mesmo?
com base no contexto da frase ou do texto.

Identificar o efeito de sentido produzido pelo uso Reconhece, com certa autonomia, os efeitos de sentido
de recursos expressivos gráfico-visuais em textos provocados pelo uso de recursos expressivos gráfico-
multissemióticos. -visuais em textos multissemióticos?
Identifica, com a ajuda da turma e da professora, ou
do professor, a presença de outras linguagens como
constitutiva do sentido dos textos impressos ou digitais,
como quadro de complementação, infográfico, negrito,
nota de rodapé, imagens e cores?

136 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 3º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Ler e compreender textos com nível de textualidade Lê, com autonomia e fluência semântica e de voz, textos
adequado, apresentando a leitura em voz alta para uma conhecidos para uma audiência?
audiência.
Estuda textos em colaboração com a turma ou com a
A. Estudar textos (contos, poemas e textos teatrais, professora, ou o professor, para planejar a leitura em voz
entre outros) para ler a uma audiência, em situação de alta para uma determinada audiência, considerando as
comunicação definida. especificidades da situação de comunicação?
Identificar a ideia central de textos lidos em colaboração
Participa de leitura colaborativa identificando a ideia
com colegas ou com a professora, ou o professor,
central e estabelecendo relações entre as partes do
demonstrando compreensão global.
texto pela identificação de elementos que articulam a
Recuperar relações entre as partes de um texto, coesão e coerência (presença de ideias complementares,
em situação de leitura colaborativa, tendo em vista substituições lexicais, uso de sinônimos, pronomes entre
compreendê-lo melhor com base na análise de seus outros recursos)?
elementos (uso de sinônimos, substituições lexicais
entre outros)

Identificar relações de intertextualidade nos textos Localiza, com a ajuda da turma e da professora, ou do
lidos, reconhecendo os efeitos de sentido provocados professor, as relações de intertextualidade (presença
pelo uso do recurso. de outros textos, ou de trecho deles) durante a leitura,
identificando o efeito provocado pelo uso do recurso?

Buscar, selecionar e ler, com a mediação da professora, Busca, seleciona e lê, com a mediação da professora,
ou do professor, e da turma, textos que circulam ou do professor (leitura compartilhada), textos que
em meios impressos ou digitais de acordo com as circulam em meios impressos ou digitais de acordo com
necessidades e os interesses. as necessidades e os interesses?
Escolher livros e outros materiais de leitura consultando Solicita os livros que compõem o acervo da sala para
títulos, sumários, quarta capa e orientando-se por conhecê-los, folheando-os, observando as suas
diferentes critérios (objetivos de leitura, preferência ilustrações e/ou lendo os textos?
por autores, ilustradores e temática, entre outros) em
Escolhe livros e outros materiais de leitura, com certa
bibliotecas, cantinho da leitura, ou meios digitais.
autonomia, com base em uma finalidade definida,
Participar de roda de leitores para compartilhar sua orientando-se por diferentes critérios?
opinião sobre livros/textos lidos e outros materiais de
Participa de roda de leitores comentando leituras
leitura, além de indicar e/ou receber indicação de obras
realizadas e justificando os motivos da escolha?
literárias.

Ler/ouvir textos das diversas áreas do conhecimento Dispõe-se a ler para estudar temas relacionados
para estudar temas relacionados a uma finalidade a projetos e sequências didáticas, realizando
determinada em fontes diversas das mídias digitais e procedimentos típicos de situações de estudo?
impressas.
Realizar, no processo de estudos, procedimentos típicos
do ato de ler para estudar (destacar informações
relevantes, tomar nota, produzir esquemas com
sínteses).

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 137


Componentes curriculares

3 º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
PRODUÇÃO DE TEXTOS (COLABORATIVA E AUTÔNOMA)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar, com a ajuda da professora, ou do professor, Participa de planejamento dos textos a ser produzidos,
o texto que será produzido, considerando a situação considerando a situação comunicativa e a finalidade do
comunicativa5, pesquisando em meios impressos ou texto, opinando e aceitando as ideias dos participantes?
digitais, sempre que preciso, informações necessárias à
Elabora, de modo colaborativo, esquemas/planos de
produção do texto, organizando em tópicos os dados e
texto do que será escrito?
as fontes pesquisadas.
Reconta, em atividade coletiva de classe, histórias já
A. Organizar, de modo colaborativo, o texto que será
conhecidas (lidas pela professora, ou pelo professor),
produzido parte a parte, na ordem em que será
respeitando o seu turno de fala, dando sequência
produzido.
ao texto de quem o antecedeu, mantendo a ordem
B. Recontar11, em atividade coletiva de classe, histórias (relações de temporalidade) em que os episódios
conhecidas, lidas pela professora, ou pelo professor, aparecem na história, as relações de causalidade
para recuperar a sequência dos episódios essenciais e existentes entre eles e o registro literário de modo a
algumas características da linguagem do texto lido. conservar expressões presentes na versão impressa?

Reescrever, ditando para a professora, ou para o Dita texto à professora, ou ao professor, respeitando as
professor, e/ou a turma, textos de diferentes gêneros, características do gênero e o planejamento realizado?
recorrendo ao plano do texto, aos estudos sobre as
características do gênero e revisando enquanto escreve.

Analisar textos, de modo colaborativo, para observar a Faz uso de aspectos da convenção da escrita,
ocorrência de conhecimentos linguísticos e gramaticais, tematizados no período, no processo de revisão dos
como concordância verbal e nominal, pontuação, modos textos?
de marcar o discurso direto, recursos de referenciação,
Realiza análise de textos tomando nota dos aspectos
entre outros conhecimentos que se fizerem necessários
estudados e consultando-os em situação de produção
para aprimorar a escrita.
de texto?
Utilizar, ao produzir e/ou revisar os textos,
Produz texto, organizando-o em unidades de sentido,
conhecimentos linguísticos e gramaticais tematizados/
ainda que sem o uso da pontuação convencional?
estudados no período, de acordo com diagnóstico
realizado. Por exemplo, ortografia, regras básicas de
concordância nominal e verbal e pontuação – ponto
final, ponto de exclamação, ponto de interrogação,
vírgulas em enumerações e pontuação do discurso
direto.

Utilizar, ao produzir um texto com a ajuda da turma e da Reconhece a presença dos recursos de referenciação e
professora, ou do professor, recursos de referenciação coesão utilizados pelos autores em situação de análise
(substituição lexical do referente por pronomes coletiva de textos?
pessoais, possessivos e demonstrativos, por sinônimos
Utiliza, ao produzir textos, recursos estudados,
e por hiperônimos), elipse e vocabulário apropriado aos
eliminando repetições indesejadas, em situação de
gêneros.
trabalho em parceria e autônomo?
Utilizar, ao produzir um texto com a ajuda da turma e
Utiliza, com a ajuda da turma e da professora, ou do
da professora, ou do professor, recursos de coesão
professor, articuladores textuais adequados ao registro
pronominal (pronomes anafóricos) e articuladores de
do gênero, ajustando possíveis inadequações no
relações de sentido (tempo, causa, oposição, conclusão,
processo de revisão?
comparação) com nível suficiente de informatividade.

138 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 3º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Organizar, com progressiva autonomia, o texto Produz texto, organizando-o em unidades de sentido de
produzido em unidades de sentido, dividindo-o em acordo com o gênero estudado?
parágrafos segundo as normas gráficas e de acordo com
as características do gênero textual.

Reler e revisar o texto produzido, com a ajuda da Dispõe-se a reler/reouvir a leitura do texto produzido
professora, ou do professor, e a colaboração da para aprimorá-lo?
turma, para corrigi-lo e aprimorá-lo, fazendo cortes,
Sugere acréscimos, cortes, reformulações etc. no
acréscimos, reformulações e ajustes considerando
processo de revisão dos textos, buscando maior
a situação comunicativa (interlocutores, finalidade,
coerência entre texto e intenções de significação?
gênero, lugar de circulação, portador etc. ).
Revisa textos, com a ajuda da turma e da professora,
Revisar textos considerando a adequação da
ou do professor, analisando a adequação dos recursos
apresentação das falas, utilizando os verbos do dizer e
linguísticos empregados na apresentação de diálogos,
os qualificativos.
realizando ajustes, caso necessário, para garantir as
intenções de significação?

Editar a versão final do texto produzido, em colaboração Participa da edição do texto produzido e da construção
com a turma e com a ajuda da professora, ou do do produto final dando ideias, ilustrando e organizando
professor, ilustrando, quando for o caso, em suporte o material produzido?
adequado, seja manual ou digital.

Utilizar softwares, com a ajuda da turma e da professora, Utiliza, com a mediação da professora, ou do professor,
ou do professor, e programas de edição de texto para softwares e programas de edição, como o Word, e
editar e publicar os textos produzidos, explorando os suas ferramentas de edição de texto e imagem, e o
recursos multissemióticos disponíveis. Audacity, entre outros, no processo de edição de textos
produzidos?

ORALIDADE1 (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Expressar-se, em situações de intercâmbio oral, com Participa de situações de intercâmbio oral do cotidiano
clareza, preocupando-se em ser compreendido pelo escolar, usando a palavra com tom adequado,
interlocutor e usando a palavra com tom de voz audível, formulando perguntas e fazendo comentários sobre o
boa articulação e ritmo adequado. tema tratado?

Escutar, com atenção, falas de professores e colegas, Ouve as colegas e os colegas e respeita os turnos de fala,
formulando perguntas pertinentes ao tema e solicitando dirigindo-se a interlocutores com forma de tratamento
esclarecimentos sempre que necessário. adequada, em situação de rodas, discussões temáticas,
conversação etc.?

Reconhecer, progressivamente, as características da Adequa seu discurso, durante uma conversação


conversação espontânea presencial, respeitando os presencial, às características do gênero e da situação
turnos de fala, selecionando e utilizando, durante a de comunicação?
conversação, formas de tratamento adequadas, de
acordo com a situação e a posição da interlocutora,
ou do interlocutor.

Participar de rodas de leitura, rodas de conversas, ou Nas rodas indicadas


de jornal, no contexto escolar, fazendo perguntas sobre O Faz comentários de forma espontânea, de modo
o tema tratado, expressando-se de maneira audível e coerente?
O Faz comentários após solicitações da professora, ou do
ouvindo as colegas e os colegas.
professor?
O Ouve a professora, ou o professor, e as colegas e os

colegas?
O Justifica sua opinião discutindo posições diferenciadas?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 139


Componentes curriculares

3 º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
ORALIDADE (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer gêneros do discurso oral utilizados em Identifica alguns gêneros do discurso considerados
diferentes situações e contextos comunicativos e suas relevantes para a escola e para a formação de seus
características linguístico-expressivas e composicionais estudantes, reconhecendo sua finalidade e algumas de
(conversação espontânea, conversação telefônica, suas características linguístico-discursivas?
entrevistas pessoais, entrevistas no rádio ou na TV, debate,
noticiário de rádio e TV, narração de jogos esportivos no
rádio e TV, aula, debate etc.) para se aproximar do tipo de
registro utilizado nas diferentes situações.

Ouvir gravações, canções, textos falados em diferentes Ouve textos falados, como canções, relatos e entrevistas,
variedades linguísticas, identificando características organizados em diferentes variedades, demonstrando
regionais, urbanas e rurais da fala e respeitando as respeito e valorizando a diversidade linguística?
diversas variedades linguísticas como características
do uso da língua por diferentes culturas locais, regionais,
nacionais ou de outros países, rejeitando preconceitos
linguísticos.

Atribuir significado a aspectos paralinguísticos Demonstra compreender, ao assistir vídeos e


observados na fala, como direção do olhar, riso, apresentações em geral, aspectos paralinguísticos
gestos, movimentos da cabeça (de concordância ou utilizados nas situações de comunicação oral/fala?
discordância), expressão corporal, tom de voz, em
situação de trabalho coletivo (assistir a vídeos, a clipes e
entrevistas para estudar um tema).

ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Organizar, em situação de reescrita e produção Reescreve/produz textos respeitando a progressão entre


de autoria, as partes dos textos coerentemente, as partes sem provocar problemas de compreensão?
procurando evitar – e resolver – eventuais problemas
Identifica, no processo de revisão, problemas de
de compreensão, decorrentes de aspectos como uso de
compreensão nos textos produzidos (omissões,
léxico inadequado; segmentação da escrita em palavras
incoerência na progressão temática, uso lexical
(separadas por espaços); divisão silábica das palavras
inadequado aos sentidos pretendidos, por exemplo)?
e translineação; acentuação; uso de letras maiúsculas;
pontuação; e referenciação. Considera aspectos como divisão silábica no final de linha,
segmentação de palavras, entre outros, no processo de
revisão de textos com base na solicitação da professora,
ou do professor, e, mais tarde, autonomamente?

Identificar/analisar a função na leitura e usar na escrita o Revisa, com mediação da professora, ou do professor, os
ponto final, o ponto de interrogação, de exclamação escritos produzidos, relacionando o uso da pontuação
e, em diálogos (discurso direto), dois-pontos e travessão, com os efeitos de sentido produzidos, fazendo ajustes?
relacionando os efeitos de sentido produzidos pelo
Reconhece a necessidade de organizar os enunciados
uso da pontuação.
para que os autores das falas possam ser identificados,
Reconhecer, na leitura e na produção de textos – com utilizando verbos de dizer e qualificativos adequados às
colaboração ou de modo autônomo –, a necessidade intenções de significação pretendidas?
de organizar o enunciado de modo que seja possível
identificar os autores das falas e a adequação dos verbos
de dizer utilizados (falou, gritou, murmurou, disse,
berrou, sussurrou, entre outros) e dos qualificativos
apresentados a cada fala (assustado, curioso,
calmamente, tremendo, sem pensar, por exemplo) às
intenções de significação pretendidas.

140 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 3º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Analisar, com a ajuda da turma e da professora, ou do Observa o uso de outros recursos empregados nos
professor, os efeitos de sentido produzidos pelo uso de textos e contribui com análises realizadas a respeito do
distintas saliências textuais, como aspas, negrito, itálico, sentido produzido pelo uso desses sinais?
destaques gráficos e formatação especial de letra.

Reconhecer, na escrita de textos, que as palavras podem Reconhece a existência de separação entre as palavras
ser separadas em partes quando não couberem na na escrita?
mesma linha.
Segmenta textos conhecidos em palavras, ainda que
A. Observar, nas situações de produção coletiva, com algumas falhas?
as regras da separação de sílabas e as diferentes
Reconhece, em situação de produção coletiva, em
possibilidades de translineação.
duplas, que as palavras podem ser segmentadas
B. Utilizar, em situação de produção em duplas, as
em sílabas e identifica diferentes possibilidades de
regras de translineação escolhendo a possibilidade mais
separação quando, durante a escrita, não couberem por
adequada ao espaço disponível para escrita na linha,
inteiro na mesma linha?
ainda que com falhas.
Participa de produção coletiva, em duplas, observando
os diferentes modos possíveis de segmentar uma
palavra no final da linha quando não couber por inteiro?

Escrever convencionalmente palavras de uso frequente Escreve convencionalmente palavras de uso frequente
consideradas irregulares (uso do H inicial, X, L/LH, C/S). não regidas por regras?
A. Estudar inventários de palavras com ocorrência Registra (e/ou elabora), estuda e consulta inventários
ortográfica irregular para produzir registros que de palavras com ortografia irregular em situações de
possam ser consultados em situação de dúvida na dúvida na escrita?
escrita.
Participa de situação de ditado interativo e leitura
com focalização, apresentando suas preocupações
ortográficas e sugestões/ideias para lembrar a grafia
correta, anotando as descobertas?

Recorrer ao dicionário para esclarecer dúvida sobre a Sabe manusear e faz uso do dicionário em situação de
escrita de palavras, especialmente no caso de palavras dúvida ortográfica?
com relações irregulares de fonema-grafema (uso do
Ao revisar sua produção, consegue, com a ajuda do
H inicial, X) e nasalidade (til, m, n), entre outras dúvidas
dicionário, escrever convencionalmente palavras com
ortográficas.
H inicial e com ocorrência da nasal (til, m, n)?
Ler e escrever palavras com correspondências regulares
contextuais entre grafemas e fonemas – Consulta fontes confiáveis para resolver dúvidas
c/qu; g/gu; r/rr; s/ss; o (e não u), e (e não i) em sílaba ortográficas?
átona em final de palavra. Além das palavras com marcas Escreve convencionalmente palavras de uso frequente
de nasalidade (til, m, n). com ocorrências regulares estudadas?
A. Analisar, de modo colaborativo, bloco de palavras
regulares contextuais para identificar os contextos de
uso das letras e escrever progressivamente de modo
convencional.

Utilizar acento gráfico (agudo ou circunflexo) em Acentua, de modo convencional, palavras de uso
palavras de uso frequente. frequente?
Revisa produções escritas para identificar a necessidade
de acento (agudo ou circunflexo)?

Identificar, com a ajuda da turma e da professora, ou Identifica a sílaba tônica das palavras, relacionando-
do professor, a silaba tônica de palavras em textos, -as com a ocorrência de acentuação (em situações de
classificando-as quanto à tonicidade. colaboração)?
A. Relacionar a presença de acento gráfico com a sílaba Identifica regularidades em grupos de palavras quanto à
tônica da palavra. ocorrência da acentuação na sílaba tônica (em situações
B. Analisar textos/bloco de palavras para observar a de colaboração)?
ocorrência de acentuação.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 141


Componentes curriculares

3 º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DA VIDA COTIDIANA
LEITURA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ler e compreender, com autonomia, quadras, Lê de modo compreensivo textos conhecidos e


quadrinhas, parlendas, trava-línguas, cantigas, letras de reconhece, entre vários, aquele que pode ler para
canções, bilhetes, cartões-postais, entre outros gêneros brincar, ler para se encantar, ler para seguir uma
do campo da vida cotidiana, considerando a situação instrução etc.?
comunicativa e o tema/assunto do texto e relacionando
Lê em parceria e com autonomia receitas, instruções
sua forma de organização à sua finalidade.
de brinquedos e jogos, articulando a leitura às ações
Ler e compreender, em parceria e com autonomia, orientadas?
textos injuntivos instrucionais (receitas, instruções
Consegue, com a leitura autônoma, se orientar por um
de jogos, de montagem/uso de brinquedos, aparelhos
texto instrucional, realizando a ação desejada?
etc.) respeitando a estrutura própria desses textos
(verbos imperativos e leitura compassada observando
os passos a ser seguidos) e mesclando palavras, imagens
e recursos gráfico-visuais, considerando a situação
comunicativa e o tema/assunto do texto.

Ler e compreender, com progressiva autonomia, cartas Compreende cartas pessoais lidas, reconhecendo
pessoais e diários, com expressão de sentimentos e marcas de expressão de sentimentos e opiniões?
opiniões, entre outros gêneros do campo da vida cotidiana,
Escuta atentamente a leitura de cartas e diários
de acordo com as convenções do gênero e considerando a
pessoais, indagando a professora, ou o professor, a
situação comunicativa e o tema/assunto do texto.
respeito de trechos não compreensíveis e comentando
A. Ouvir a leitura de cartas e diários de escritores, sobre os temas tratados e sobre a linguagem?
analisando e comparando semelhanças e diferenças
no registro linguístico.

PRODUÇÃO DE TEXTO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar, com a mediação da professora, ou do professor, Planeja, de modo colaborativo e autônomo, cartas,
e da turma, cartas pessoais e diários, de acordo com as diários, textos instrucionais a ser produzidos,
convenções dos gêneros carta e diário e considerando a organizando-os de acordo com as características dos
situação comunicativa e o tema/assunto do texto. gêneros, respeitando a situação comunicativa?
Planejar, de modo colaborativo e autônomo, textos
instrucionais, com a estrutura própria desses textos
(verbos imperativos, indicação de passos a ser seguidos)
e mesclando palavras, imagens e recursos gráfico-
-visuais, considerando a situação comunicativa e o tema/
assunto do texto.

Produzir, com progressiva autonomia, cartas pessoais e Elabora cartas e diários (pessoal, da classe), ditando
diários, com expressão de sentimentos e opiniões, entre à professora, ou ao professor, e, mais tarde, com
outros gêneros do campo da vida cotidiana, levando autonomia, situando as ações no tempo (explicitamente
em conta características do gênero e o propósito marcado), entre outras marcas dos gêneros estudados, e
comunicativo (interlocutor, mídia utilizada etc.). considerando a situação comunicativa?
A. Analisar textos-referência dos gêneros carta Recorre a registros expostos na sala ou presentes
pessoal e diário, de modo a reconhecer as suas em cadernos, sobre as características dos gêneros
características, construindo registros que possam estudados, para produzir e revisar seus textos?
repertoriar a produção.

Utilizar procedimentos escritores como reler o que Relê e revisa textos produzidos em parceria e de modo
está escrito para continuar, consultar o planejamento autônomo, realizando ajustes necessários e utilizando
para tomar decisões no momento da escrita e revisar no conhecimentos linguísticos e gramaticais tematizados
processo e ao final. no período?

142 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 3º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Produzir, com progressiva autonomia, textos Escreve com autonomia textos instrucionais como
instrucionais (receitas, instruções de montagem de receita, instrução de montagem de jogos e brinquedos
brinquedos, instruções de jogos etc.) respeitando a respeitando as características dos gêneros e a
estrutura própria desses textos (verbos imperativos, situação comunicativa?
indicação de passos a ser seguidos) e mesclando
palavras, imagens e recursos gráfico-visuais,
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto
do texto.

Mostrar os textos produzidos a outras pessoas para Submete, com a orientação da professora, ou do
divulgar suas produções, conhecer as apreciações professor, e, mais tarde, com autonomia, as produções a
alheias, posicionar-se diantes das mesmas, adotando- outros leitores acolhendo sugestões – quando coerente
-as caso sejam coerentes com as suas intenções de com as intenções de significação pretendidas – e
significação, de forma a aprimorar o seu modo de realizando ajustes necessários?
escrever.

ORALIDADE1 (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Assistir a vídeos de programa de culinária infantil e de Assiste a vídeos reconhecendo as características dos
instrução de montagem de brinquedos, anotando a textos/gêneros instrucionais, além de tomar notas das
respeito do modo como são veiculados (linguagem, uso observações realizadas?
de outros recursos, além do texto verbal, formas de
expressão, entre outros recursos utilizados).

Planejar e produzir vídeos e áudios, de modo Planeja e produz, com a ajuda da turma e da professora,
colaborativo, com a finalidade de repassar receitas e ou do professor, vídeos com instrução de montagem
instruções de montagem de brinquedos, entre outros destinados a interlocutores específicos?
gêneros instrucionais, para divulgar às turmas de outro
ano.

Ouve os vídeos/áudios produzidos, retomando trechos Revisa o vídeo/áudio produzido realizando ajustes de
e realizando os ajustes necessários, de acordo com a acordo com a situação comunicativa e as marcas do
situação comunicativa e as marcas do gênero. gênero?

Valorizar a linguagem de sua comunidade/região como Reconhece e valoriza diferentes formas de comunicação,
forma de comunicação cotidiana, buscando conhecer rejeitando situações de preconceito?
e respeitar as diferentes manifestações culturais
existentes.

ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e adotar, em gêneros epistolares e diários Participa de análise coletiva e em parceria de atividades
(orais e escritos), a formatação própria desses textos de estudo dos gêneros elaborando registros?
(relatos de acontecimentos, expressão de vivências,
Consulta registros elaborados sobre estudo dos
emoções, confidências, opiniões ou críticas) e a
gêneros no momento de produção e revisão de textos,
diagramação específica dos textos desses gêneros.
realizando ajustes necessários?
Por exemplo, em carta, colocar data, saudação, corpo
do texto, despedida e assinatura. Em diário, uma
formatação mais livre, contendo como elemento fixo
a data e elementos livres (no caso de diário pessoal
íntimo), a saudação e a assinatura. No diário de viagem,
a localização é importante. Ou seja, considerar as
características de organização interna de acordo com as
condições de produção.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 143


Componentes curriculares

3 º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DA VIDA COTIDIANA
ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e reproduzir, em textos instrucionais Produz textos instrucionais respeitando a formatação e


(receita, culinária ou não, e instruções de montagem as marcas linguísticas do gênero selecionado?
de brinquedos, móveis e equipamentos, digitais ou
Consulta registros elaborados sobre estudo dos
impressas, orais ou escritas), a formatação própria desses
gêneros no momento de produção e revisão de textos,
gêneros (verbos imperativos e indicação de passos a ser
realizando ajustes necessários?
seguidos) e a diagramação específica (lista de ingredientes
ou materiais; instruções de execução do tipo “modo de
fazer”; indicações de rendimento e de tempo de preparo;
e avaliação de quem realizou a receita).
A. Analisar textos-referência dos gêneros instrucionais
em estudo, de modo a reconhecer suas
características, construindo registros que possam
repertoriar a produção.

CAMPO DA VIDA PÚBLICA


LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ouvir a leitura de reportagens, notícias, entrevistas Ouve atentamente a leitura realizada pela professora,
entre outros gêneros do campo jornalístico, ou pelo professor, comentando, quando for o caso?
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto
Comenta os textos lidos pela professora, ou pelo
do texto.
professor, e/ou em situação de leitura colaborativa,
A. Participar de leitura colaborativa de notícias, emitindo opinião sobre os temas veiculados e
reportagens, artigos com temática adequada, de mídia explicitando os recursos utilizados para localizar, inferir,
impressa e digital, discutindo os temas veiculados, comparar informações etc.?
emitindo opinião e explicitando os recursos utilizados
Identifica semelhanças e diferenças em títulos e corpo
para responder aos questionamentos da professora,
de notícias ouvidas ou lidas por si mesmo e/ou com
ou do professor.
mediação da professora, ou do professor?
B. Estabelecer, com mediação da professora, ou do
Realiza a leitura de comentários feitos sobre notícias e
professor, relações entre notícias de diferentes
matérias jornalísticas, compreendendo-os?
veículos (jornal televisivo, impresso, internet) que
tratem do mesmo tema, identificando diferenças e
semelhanças no relato dos fatos.

Ler e compreender, com progressiva autonomia, cartas/


comentários de leitores dirigidas a veículos da mídia
impressa ou digital (cartas de leitor a jornais e revistas,
por exemplo, e/ou comentários de leitores em jornais
digitais) identificando o assunto/tema comentado, a
relação com a notícia que originou o comentário/carta e
o posicionamento do leitor.

Localizar, com a ajuda da turma e da professora, ou Identifica os recursos multissemióticos presentes em


do professor, recursos persuasivos apresentados nos textos jornalísticos impressos e digitais relacionando os
textos jornalísticos (cores, imagens, escolha de palavras, efeitos de sentido provocados pelos mesmos?
tamanho de letra etc.) para discutir os efeitos de
sentido provocados por eles, além de analisar, de modo
colaborativo, a adequação e intencionalidade
dos recursos empregados, considerando-se o
interlocutor pretendido, a função do gênero e a
finalidade do texto.

144 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 3º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Construir o sentido de histórias em quadrinhos Lê histórias em quadrinhos, com autonomia,


e tirinhas, relacionando imagens e palavras e compreendendo os efeitos de sentido provocados pelos
interpretando recursos gráficos como tipos de balão recursos gráficos?
e de letra, onomatopeias e seu tamanho de registro
gráfico e relação com o assunto/momento da trama
e o movimento da organização da sequência dos
quadrinhos, sempre relacionando esses aspectos aos
efeitos de sentido produzidos.

Participar de rodas de jornal compartilhando notícias Participa de roda de jornal compartilhando textos lidos e
lidas, em duplas, emitindo opinião e informando a fonte impressões sobre o mesmo de modo autônomo?
da notícia.

Planejar, com a ajuda da turma e da professora, ou do Participa do planejamento dando ideias, consultando o
professor, comentário e/ou carta de leitor dirigida a texto de referência a que o comentário será dirigido?
veículos da mídia impressa ou digital, considerando os
temas do texto a que a carta/comentário se refere, as
marcas do gênero e a situação de comunicação.

PRODUÇÃO DE TEXTO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar, com a ajuda da professora, ou do professor, e Participa do planejamento e da produção de textos


da turma, textos reivindicatórios ou propositivos sobre reivindicatórios e propositivos, contribuindo com
problemas que afetam a vida escolar ou da comunidade, levantamento dos problemas e ideias sobre o tema e o
justificando pontos de vista e reivindicações e que dizer (em situação de produção coletiva e quando
detalhando propostas (justificativa, objetivos, ações for o caso de produzir um texto dessa natureza)?
previstas etc.), levando em conta o contexto de
produção e as características dos gêneros em questão,
quando for o caso de fazer algum tipo de reivindicação.

Produzir, com a ajuda da turma e da professora, ou Escreve comentários, ou cartas de leitor, ditando à
do professor, comentários digitais a textos lidos, ou professora, ou ao professor, ou colega, considerando o
cartas de leitor dirigidas a veículos da mídia impressa ou texto de referência e as marcas do gênero escolhido?
digital, entre outros gêneros do campo político-cidadão,
cujo tema tenha relevância para o momento, emitindo
opiniões e críticas, de acordo com as convenções do
gênero e considerando a situação comunicativa e o
tema/assunto do texto.

Produzir, quando for o caso, textos reivindicatórios Produz, com a ajuda da turma e da professora, ou
ou propositivos sobre problemas que afetam a vida do professor, textos reivindicatórios e propositivos,
escolar ou da comunidade, justificando pontos de vista, contribuindo com levantamento dos problemas e ideias
reivindicações e detalhando propostas (justificativa, sobre o tema ditando ao professor e colegas?
objetivos, ações previstas etc.), levando em conta seu
contexto de produção e as características dos gêneros
em questão (de modo colaborativo).

Produzir, em colaboração com os colegas e com a ajuda Participa da construção de regras e regulamentos para
da professora, ou do professor, e, mais tarde, de modo organizar a vida escolar, consultando regulamentos
autônomo, regras e regulamentos que organizam a vida internos da comunidade (produção de conteúdo
na comunidade escolar, entre outros gêneros do campo temático)?
da atuação cidadã.
Escreve trechos de regras e regulamentos com
autonomia, ainda que com falhas na escrita
convencional?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 145


Componentes curriculares

3 º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DA VIDA PÚBLICA
PRODUÇÃO DE TEXTO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Revisar, de modo colaborativo e autônomo, sob a Revisa e edita, com a ajuda da professora, ou do
orientação da professora, ou do professor, os textos professor, da turma e, mais tarde, com autonomia,
produzidos durante o processo de escrita e ao final. textos reivindicatórios ou propositivos, comentários
de leitores, entre outros gêneros estudados,
adequando o texto à situação comunicativa e utilizando
conhecimentos linguísticos e gramaticais tematizados
no período?

ORALIDADE1 (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar e produzir, em colaboração com a turma, Produz telejornal, com a ajuda da turma e da professora,
telejornal para o público infantil com algumas notícias ou do professor, destinado ao público infantil para
e textos de campanhas que possam ser repassados divulgar notícias e campanhas realizadas?
oralmente ou em meio digital, em áudio ou vídeo,
Considera, no processo de produção, recursos
considerando a situação comunicativa, a organização
expressivos que contribuam para a qualidade da
específica da fala nesses gêneros e o tema/assunto/
comunicação?
finalidade dos textos.

Opinar e defender ponto de vista sobre tema polêmico Participa de discussões orais sobre temas polêmicos,
relacionado a situações vivenciadas na escola e/ou na defendendo seu ponto vista e ouvindo e respeitando
comunidade, utilizando registro mais formal de acordo a fala das colegas, dos colegas e da professora, ou do
com a situação comunicativa e o tema/assunto do texto. professor?
É preciso considerar a possibilidade de discussão e a
Justifica as opiniões emitidas?
adequação dos temas na escola. Nem sempre eles são
viáveis em espaços públicos por ser indefensáveis.
Participar de interações orais em sala de aula
questionando, sugerindo, argumentando e respeitando
a fala do outro e da professora, ou do professor.

Identificar e reproduzir a formatação e diagramação Participa da análise de textos identificando de modo


específica de notícias, manchetes, lides e corpo de colaborativo as características dos textos estudados e
notícias simples para o público infantil, comentários/ tomando notas?
cartas de leitores, digitais ou impressos e textos
reivindicatórios, inclusive em suas versões orais.

CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDO E PESQUISA


LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ler/ouvir e compreender, com autonomia, relatos de Lê e compreende, com progressiva autonomia, textos
observações e de pesquisas em fontes de informações, com a finalidade de estudar um tema?
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto
Participa de situação de leitura colaborativa de relatos
do texto.
históricos, textos expositivos, verbetes, artigos, entre
A. Ouvir a leitura de relatos históricos, artigos de outros, fazendo perguntas e explicitando suas ideias a
enciclopédias, textos expositivos entre outros respeito do tema/assunto lido?
textos com temática relacionada às diferentes
Reconhece e valoriza a diversidade de conhecimentos
representações sociais e à interculturalidade para
culturais em situação de análise de textos lidos?
conhecer e valorizar as diferentes culturas e realizar
pesquisas temáticas.

146 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 3º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar e produzir, em parceria, textos para apresentar Produz texto expositivo, roteiros, verbetes de
resultados de observações e de pesquisas em fontes curiosidades para murais, entre outros gêneros, com a
de informação, incluindo, quando pertinente, imagens, ajuda das colegas e dos colegas, respeitando a situação
diagramas e gráficos ou tabelas simples, considerando a comunicativa e as características do gênero selecionado,
situação comunicativa e o tema/assunto do texto. com progressiva autonomia?
Revisar os textos produzidos enquanto escreve e ao final.

PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Buscar e selecionar, com o apoio da professora, ou do Destaca, com a mediação da professora, ou do


professor, informações de interesse sobre fenômenos professor, informações relevantes nos textos lidos
sociais e naturais em textos que circulam em meios em situação de realização de pesquisas? Por exemplo,
impressos ou digitais. estudo sobre diversidade cultural da região, presença de
determinada epidemia e cuidado com os rios.
Colabora para a pesquisa e estudos temáticos realizados
com busca de materiais, sugestões de produtos finais etc.?

Explorar/selecionar, com a mediação da professora, Demonstra interesse em participar de atividades em


ou do professor, textos de diferentes gêneros em ambientes digitais?
ambientes digitais de pesquisa, lendo e/ou ouvindo
Consegue ler títulos para localizar uma informação
títulos, acessando links para, enquanto pesquisarem
solicitada e selecionar, em parceria, material de
sobre tema de seu interesse e da classe, conhecer as
pesquisa?
possibilidades e recursos desses ambientes.
A. Reler trechos de textos selecionados, grifando
informações relevantes a respeito do tema tratado e
realizando anotações, com a mediação da professora,
ou do professor.

Escutar, com atenção, apresentações de trabalhos Escuta com atenção a exposição de trabalhos realizados,
realizadas por colegas, formulando perguntas comentando e formulando perguntas coerentes com o
pertinentes ao tema e solicitando esclarecimentos tema tratado?
sempre que necessário.
Realiza registros pessoais sobre a exposição oral
Tomar nota em situação de escuta de exposição oral assistida?
de trabalhos realizados pelos colegas e apresentações
feitas pela professora, ou pelo professor.

Recuperar as ideias principais em situações formais de Explicita a compreensão de exposições e palestras


escuta de exposições, apresentações e palestras. assistidas, por meio de participações orais pertinentes
ao tema e de recuperação das ideias principais
veiculadas no evento comunicativo?

Roda de leitura amplia


o interesse pelos livros
(Foto: Acervo/Seabra)

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 147


Componentes curriculares

3 º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDO E PESQUISA
ORALIDADE1 (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar exposições orais, em colaboração com a Contribui com o planejamento de exposição oral
turma e a professora, ou o professor, considerando organizando roteiros, planejando o tempo de fala, dando
as características do evento comunicativo (seminário, ideias para a organização geral da exposição e sugerindo
exposição), os temas estudados, bem como as marcas material de apoio?
da exposição oral (produção de roteiros, presença de
materiais de apoio à fala, entre outros). Participa do planejamento do texto a ser produzido
preocupando-se com o interlocutor/ouvinte
Planejar, em parceria, booktobers de livros lidos/ouvidos, e considerando as características da situação
relatos de experimentos, registros de observação e comunicativa?
entrevistas (com autoridade local, com os mais velhos etc.),
entre outros gêneros do campo investigativo, que possam Constrói roteiros para orientar a produção oral com a
ser repassados oralmente por meio de ferramentas digitais, ajuda dos colegas?
em áudio ou vídeo, considerando a situação comunicativa e
Identifica, em situação de estudo coletivo, de materiais
o tema/assunto/finalidade do texto.
audiovisuais, recursos expressivos que ampliem a
A. Ouvir áudios ou assistir vídeos de gêneros qualidade do texto produzido (entonação, ênfase na
investigativos a ser produzidos para conhecer os exposição de um trecho, gestos e expressões corporais,
recursos de expressão próprios do gênero em estudo. entre outros recursos)?

Expor trabalhos ou pesquisas escolares em sala Realiza, de modo colaborativo, exposição oral explicando
de aula, com apoio de recursos multissemióticos com clareza e apoiando-se em recursos como: imagens,
(imagens, diagrama, tabelas, cartazes, painéis, vídeos diagramas, tabelas, cartazes, vídeos etc.?
etc.), orientando-se por roteiro escrito, planejando
o tempo de fala e adequando a linguagem à situação Respeita o tempo de fala nas situações de exposição?
comunicativa.
Adequa a linguagem à situação comunicativa ouvindo os
interlocutores e dando a palavra?

Produzir, em parceria, booktobers de livros lidos/ouvidos, Participa da produção de áudios ou vídeos para divulgar
relatos de experimentos, registros de observação, estudos realizados e livros lidos, ouvindo as falas das
entrevistas (com autoridade local, com mais velhos colegas e dos colegas e contribuindo com a produção
etc.), entre outros gêneros do campo investigativo, respeitando os estudos realizados?
que possam ser repassados oralmente por meio de
ferramentas digitais, em áudio ou vídeo, considerando Traz materiais de casa ou da biblioteca da escola sobre
a situação comunicativa e o tema/assunto/finalidade os temas estudados?
do texto.

CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ouvir a leitura de obras literárias de diferentes culturas Escuta com atenção a leitura realizada pela professora,
e de maior extensão como contos (de assombração, ou pelo professor, participando dos momentos de
de artimanha, modernos, populares etc.), mitos, comentários, explicitando sua apreciação, quando
lendas e crônicas. for o caso?

Realiza antecipações sobre o que será lido, conferindo-


-as ao longo da leitura realizada pela professora, ou
pelo professor?

Solicita a releitura de alguns contos explicitando


os motivos (preferência pelo autor, apreciação
da história etc.)?

148 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 3º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Apreciar textos literários observando os efeitos Relaciona texto verbal com as ilustrações,
de sentido criados pela articulação das diferentes reconhecendo a articulação e complementaridade das
linguagens (verbal, imagética, gráfica), quando for o caso. linguagens na construção do sentido (comentando
aspectos da imagem durante a leitura, antecipando a
A. Relacionar texto com ilustrações e outros recursos
continuidade de determinado trecho lido com base na
gráficos, reconhecendo, de modo colaborativo, a
imagem, entre outros)?
articulação das linguagens na composição do sentido.
B. Apreciar textos literários explicitando a preferência Aprecia textos literários solicitando-os para leitura de
por determinado autor e pelo tipo de narrativa, entre escolha pessoal?
outros aspectos.

Ler e compreender, com certa autonomia, textos Lê em parceria, e, mais tarde, com autonomia, textos
literários de diferentes gêneros (contos de fadas, de literários de extensão adequada compreendendo-os?
assombração, de aventura, entre outros) apoiando-se
em conhecimentos sobre o tema e as características da
situação comunicativa, estabelecendo preferências por
gêneros, temas e autores.

Estudar, em parceria, textos teatrais adequados à faixa Realiza leitura dramática e, progressivamente, amplia a
etária, identificando sua finalidade (escrito para ser fluência compreensiva e de voz?
encenado) e organização por meio de diálogos entre
Dispõe-se a ler e reler textos dramáticos para estudar e
personagens, indicações cênicas, além dos marcadores
expor aos colegas?
das falas dos personagens.
A. Ler e reler, com autonomia, textos dramáticos
em voz alta para se preparar para uma leitura
dramática pública.

Perceber diálogos em textos narrativos, observando Analisa textos narrativos de referência e identifica
o efeito de sentido de verbos de enunciação e, se for o diálogos e os verbos dicendi (ou verbos de dizer, como
caso, o uso de variedades linguísticas no discurso direto. falar, gritar, murmurar, sussurrar, entre outros)?
Identifica semelhanças e diferenças no registro
linguístico de textos literários lidos/ouvidos ao comparar
a fala do narrador com a dos personagens?

Apreciar poemas e outros textos versificados, lidos por Acompanha a leitura colaborativa de poemas
si mesmo, observando rimas, sonoridades, aliterações, comentando suas impressões sobre o que foi lido e
diferentes modos de divisão dos versos, estrofes e ouvindo as colegas e os colegas?
refrões e seu efeito de sentido.
Analisa a composição de poemas/canções e outros
A. Acompanhar a leitura de poemas, canções, cordéis e textos versificados para perceber como os aspectos da
outros textos versificados, realizada pelo professor, oralidade e os visuais são fundamentais na construção
participando de intercâmbios orais durante e/ou do sentido?
posteriores à leitura, contribuindo para a construção
Identifica o efeito visual e/ou sonoro como parte
dos sentidos possíveis com base no texto lido.
constituinte do sentido do poema?

Ler e compreender, com certa autonomia, textos em Lê poemas e outros textos versificados com autonomia?
versos, explorando rimas, sons e jogos de palavras,
Conhece e valoriza poetas brasileiros e regionais
imagens poéticas (sentidos figurados) e recursos visuais
(literatura marginal periférica)?
e sonoros, de modo a reconhecer os efeitos de sentido
que podem produzir.
A. Realizar a leitura de obras de poetas regionais e
nacionais para conhecer estilo e temáticas abordadas
(Patativa do Assaré, Conceição Evaristo, Cora
Coralina, Jorge Amado, Manoel de Barros, Cecília
Meireles, Manuel Bandeira, entre outros).

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 149


Componentes curriculares

3 º ano – Língua Portuguesa


CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Participar de rodas de leitura, trocando ideias e opiniões Nas rodas de leitores ou tertúlias, após a solicitação
com outros leitores sobre obras lidas. da professora, ou do professor
O Faz comentários sobre o livro lido e apresentado?
Escolher livros, em situação de rodas de leitura, visita a O Explicita critérios de apreciação:
bibliotecas e/ou meios digitais, com base em diferentes
A. em relação ao conteúdo temático;
critérios e informações, justificando sua escolha e
B. em relação à linguagem literária (beleza, estilo do
compartilhando com as colegas e os colegas opiniões e
autor); e
descobertas após a leitura.
C. em relação à qualidade do material gráfico?
O Ouve, com atenção, a exposição e apreciação das
Apreciar livros com imagens observando efeitos de
sentido criados pela articulação entre as linguagens. colegas e dos colegas?
O Escolhe livros e leva para casa para lê-los, com ou sem

Participar de eventos de literatura na comunidade


ajuda da família, justificando sua escolha?
escolar (saraus, lançamento de livros, tertúlias, eventos O Solicita os livros disponíveis na sala para folheá-los,

de declamação de textos e leitura dramáticas etc.).


observar as ilustrações e/ou ler as histórias?
O Cuida dos textos, dos livros de uso pessoal e do acervo

da sala?
Nas rodas de leitores ou tertúlias literárias, de modo
autônomo
O Faz comentários sobre os livros lidos e apresentados?

O Explicita critérios de apreciação:

A. em relação ao conteúdo temático;


B. em relação à linguagem literária (beleza, estilo do
autor); e
C. em relação à qualidade do material gráfico?
O Ouve com atenção a exposição e apreciação dos colegas?

O Escolhe livros e leva para casa para lê-los, com ou sem

ajuda da família, justificando sua escolha?


O Solicita os livros disponíveis na sala para folheá-los,

observar as ilustrações e/ou ler as histórias?


O Cuida dos textos, dos livros de uso pessoal e do acervo

da sala?
Participa de eventos literários realizados na escola?
Participa de eventos literários realizado na comunidade?

PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar, em colaboração com a turma e com a ajuda da Participa do planejamento e reconta textos literários
professora, ou do professor, recontos de textos literários lidos e/ou ouvidos para organizar suas partes e avançar
(contos tradicionais, de aventura, de assombração, de na textualização, recuperando as ideias e a linguagem
artimanha, populares, entre outros) considerando a presentes no texto-fonte?
ordem dos acontecimentos, as relações de causalidade Participa do planejamento da reescrita considerando
estabelecidas entre os fatos e as marcas do registro literário. a atividade do reconto e seu planejamento, além da
Planejar, de modo colaborativo, a reescrita de textos situação comunicativa (quem vai ler, onde o texto irá
considerando a situação comunicativa e os temas do circular) contribuindo com ideias para organizar o que
texto-fonte, organizando roteiros, planos gerais e a será reescrito?
situação comunicativa em que o texto irá circular.
Recontar histórias conhecidas, lidas pela professora,
ou pelo professor, para recuperar a sequência dos
episódios essenciais e algumas características da
linguagem do texto lido. Apesar de se tratar da
modalidade oral da linguagem, o objetivo do reconto,
nesse caso, é favorecer a capacidade de textualização e
de recuperação do texto lido para reescrevê-lo.

150 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 3º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reescrever, ditando à professora, ou ao professor, Participa da reescrita coletiva dando ideias e ditando
e de próprio punho, contos conhecidos respeitando textos conhecidos à professora, ou ao professor?
a progressão temática, os conteúdos do texto-fonte,
Considera no texto ditado/produzido as ideias do
o registro literário e as características da situação
texto-fonte, a articulação entre as partes e a situação
comunicativa.
comunicativa?
Criar narrativas ficcionais, ditando à professora,
Utiliza algumas características do registro literário nas
ou ao professor, e em parceria, finais de contos de
situações de ditado e revisão?
assombração, de artimanha e modernos, respeitando
a progressão temática, os conteúdos do texto-fonte, o Reescreve textos de modo autônomo, respeitando
registro literário, detalhes descritivos, marcadores de as características do texto-fonte e as marcas da
tempo e as características da situação comunicativa. linguagem escrita?

Reler e revisar o texto produzido com a ajuda da Relê e revisa o texto escrito ou ditado à professora, ou
professora, ou do professor, e a colaboração da turma ao professor, em colaboração com a turma, visando
para corrigi-lo e aprimorá-lo, fazendo cortes, acréscimos o seu ajuste ao contexto de produção e a criação
e reformulações considerando as características da de condições para a compreensão das intenções de
situação comunicativa. significação pelo leitor, bem como a sua legibilidade?
Revisa os textos no processo de produção e, ao final,
ajusta-os em relação a conhecimentos linguísticos-
-discursivos (coerência e coesão) e gramaticais com e
sem ajuda da professora, ou do professor?

Editar a versão final do texto produzido, em colaboração Opina na edição do texto e na produção do suporte
com a turma e com a ajuda da professora, ou do escolhido (livro, capa, cores, ilustrações entre outros)?
professor, ilustrando, quando for o caso, em suporte
Busca exemplos de ilustrações em livros, na internet?
adequado, manual ou digital.

ORALIDADE1 (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Declamar poemas, com entonação, postura e interpretação Declama textos versificados com entonação, postura e
adequadas, em situação comunicativa definida. interpretação adequadas?
Recitar cordel e cantar repentes e emboladas,
observando as rimas e obedecendo ao ritmo e à melodia
em situação comunicativa definida.
A. Estudar textos poéticos para se apropriar da
entonação e recursos expressivos com a finalidade de
apresentar a leitura para uma audiência.

ANÁLISE LINGUÍSTICA E SEMIÓTICA


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Diferenciar discurso indireto e discurso direto, Reconhece e diferencia, com a ajuda da professora,
determinando o efeito de sentido das duas ou do professor, e da turma, discurso direto e indireto,
possibilidades de textualização e dos verbos de utilizando-o com certa autonomia nas produções?
enunciação, explicando o uso de variedades linguísticas
no discurso direto, quando for o caso.

Identificar, em textos versificados, efeitos de sentido Reconhece o efeito de sentido provocado pelas rimas e
decorrentes do uso de recursos rítmicos e sonoros e metáforas em textos versificados, buscando utilizar os
de metáforas. recursos rítmicos em situação de declamação?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 151


Componentes curriculares

4 º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar que os textos têm funções relacionadas Participa de situações de leitura, escuta, produção de
aos diversos campos de atuação da vida social e às textos orais, escritos e multissemióticos que circulam
diferentes mídias – impressa, de massa e digital –, em diferentes campos de atuação e mídias de modo a
reconhecendo para que foram produzidos, onde expressar e partilhar informações, experiências, ideias e
circulam, quem os produziu e a quem se destinam. sentimentos com base nos textos lidos/produzidos?
A. Estabelecer, com a ajuda da turma e da professora, ou Busca, seleciona e lê textos que circulam em meios
do professor, relações entre os textos dos diferentes impressos ou digitais de acordo com as necessidades e
campos de atuação, no que se refere à sua finalidade, os interesses?
a valores veiculados e a crenças, entre outros.
Identifica, com a mediação da professora, ou do
professor, no processo de escuta e leitura, o contexto de
produção e a finalidade do texto lido, reconhecendo que
os textos possuem diferentes funções, relacionadas aos
campos de atuação em que estão inseridos?

Estabelecer, com autonomia, expectativas em relação ao Antecipa as informações com base nas pistas dadas nos
texto que vai ler/ouvir (pressuposições antecipadoras textos (posições assumidas, tratamento temático, visão
dos sentidos, da forma e da função social do texto), do interlocutor, valores etc.)?
apoiando-se em seus conhecimentos prévios sobre
Explicita, durante a escuta de textos lidos pela
as condições de produção e recepção desse texto, o
professora, ou pelo professor, conexões realizadas com
gênero, o suporte e o universo temático, bem como
seus conhecimentos prévios?
sobre saliências textuais (aspas, negrito, itálico,
destaques gráficos, formatação especial de letra), Localiza informações explícitas em textos lidos?
recursos gráficos, imagens e dados da própria obra
Comenta com as colegas e os colegas a mensagem
(índice, prefácio etc.).
principal do texto lido?
Localizar informações explícitas em textos lidos (simples
Realiza inferências, em situação de leitura autônoma,
e de maior complexidade).
tanto com base na recuperação do contexto de
Inferir, em situação de leitura colaborativa, informações produção e de recepção do texto quanto do universo
implícitas em textos, explicitando os recursos utilizados temático do mesmo e do seu conhecimento prévio?
para realizar a inferência.
Seleciona, quando for o caso, a acepção mais adequada
Inferir, com autonomia, informações implícitas em textos em verbete de dicionário ou de enciclopédia, impressos
lidos. ou digitais, na busca pela compreensão do texto?
Inferir o sentido de palavras ou expressões Verifica, de modo autônomo, as informações
desconhecidas em textos com base no contexto da frase antecipadas antes e durante a leitura?
ou do texto.
Compreende, com autonomia, os efeitos de sentido
Verificar, de modo autônomo, as informações provocados pelo uso de recursos expressivos gráfico-
antecipadas antes e durante a leitura. -visuais em textos multissemióticos?
Identificar o efeito de sentido produzido pelo uso Identifica a presença de outras linguagens como
de recursos expressivos gráfico-visuais em textos constitutivas do sentido dos textos impressos ou digitais,
multissemióticos. como quadros de complementação, infográfico, negrito,
nota de rodapé, imagens e cores?
Relaciona texto verbal e não verbal, compreendendo
a intencionalidade da produção de sentido, de modo
articulado ao uso dos recursos gráfico-visuais?

152 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 4º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar, com autonomia, a ideia central de textos Lê com autonomia e fluência semântica textos
lidos, demonstrando compreensão global. conhecidos e de maior extensão?
Estuda textos em colaboração, ou de modo autônomo,
para planejar a leitura em voz alta a uma determinada
audiência, considerando as especificidades da situação
de comunicação?
Participa de leitura colaborativa de textos mais
complexos, identificando a ideia central e estabelecendo
relações entre as partes do texto pela identificação de
elementos que articulam a coesão e coerência (presença
de ideias complementares, substituições lexicais, uso de
sinônimos e pronomes, entre outros recursos)?

Identificar relações de intertextualidade nos textos Localiza, com a ajuda da turma e da professora, ou do
lidos, reconhecendo os efeitos de sentido provocados professor, e de modo autônomo, a presença de relações
pelo uso do recurso. de intertextualidade (presença de outros textos,
ou trecho deles), identificando o efeito de sentido
provocado pelo uso do recurso?

Recuperar relações entre as partes de um texto, tendo Explicita os recursos utilizados para compreender os
em vista compreender elementos que contribuam textos, em situação de leitura colaborativa?
para sua continuidade, com base na análise de seus Reconhece a presença dos recursos de referenciação
elementos, substituições lexicais (de substantivos e coesão usados pelos autores, utilizando-os em suas
por sinônimos) ou pronominais (uso de pronomes e produções?
anafóricos – pessoais, possessivos, demonstrativos).

Buscar, selecionar e ler textos que circulam em meios Busca, seleciona e lê com autonomia textos que circulam
impressos ou digitais de acordo com as necessidades e em meios impressos ou digitais de acordo com as
os interesses. necessidades e os interesses?
Escolher livros e outros materiais de leitura consultando Escolhe livros e outros materiais de leitura com
títulos, sumários, quarta capa e orientando-se por autonomia, com base em uma finalidade definida,
diferentes critérios (objetivos de leitura, preferência orientando-se por diferentes critérios e justificando os
por autores, ilustradores, temática, entre outros) em motivos da escolha?
bibliotecas, cantinho da leitura ou em meios digitais. Solicita livros que compõem o acervo da sala, ou da
Participar de roda de leitores para compartilhar, com a biblioteca, para conhecê-los, folheando-os, lendo
turma e a professora, ou o professor, sua opinião sobre sumário e quarta capa, observando suas ilustrações,
livros/textos lidos e outros materiais de leitura, além de entre outros aspectos?
indicar e/ou receber indicação literárias. Conhece diferentes autores, ilustradores e ilustrações,
escolhendo livros pelo autor?
Compartilha experiências pelo prazer da leitura
(apreciação estética, de encantamento) mas também
pela criticidade, para escutar o outro e dialogar sobre
obras lidas?
Interessa-se por compartilhar opiniões, ideias e
preferências acerca dos livros lidos, orientando-se por
diferentes critérios?

Ler textos das diversas áreas do conhecimento Dispõe-se a ler para estudar textos com temática
para estudar temas relacionados a uma finalidade relacionada a projetos e sequências didáticas, realizando
determinada em fontes diversas das mídias digitais e procedimentos típicos de situações de estudo?
impressas. Participa de leitura colaborativa de textos relativos às
Utilizar, no processo de estudos, procedimentos típicos do práticas de estudo, sugerindo destaques, identificando
ato de ler para estudar (destacar informações relevantes, a ideia central e estabelecendo relações entre as
tomar notas e produzir esquemas com sínteses). partes do texto pela identificação de elementos
Identificar a ideia central de textos lidos com base que articulam a coesão e a coerência (presença de
na colaboração com a turma ou a professora, ou o ideias complementares, substituições lexicais, uso de
professor, demonstrando compreensão global. articuladores textuais, entre outros recursos)?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 153


Componentes curriculares

4 º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
PRODUÇÃO DE TEXTOS (COLABORATIVA E AUTÔNOMA)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar, com a ajuda da professora, ou do professor, Planeja os textos a ser produzidos, considerando
e de modo autônomo, o texto que será produzido, a situação comunicativa e a finalidade do texto,
considerando a situação comunicativa5, pesquisando pesquisando informações e organizando-as para
em meios impressos ou digitais, sempre que consulta?
preciso, informações necessárias à produção do
Elabora esquemas/planos de texto, de modo
texto, organizando em tópicos os dados e as fontes
colaborativo e autônomo, do que será escrito?
pesquisadas.
Reconta, quando necessário, histórias lidas pela
A. Organizar, com autonomia, as partes do texto na
professora, ou pelo professor, para recuperar a
ordem em que será produzido.
sequência do texto, mantendo a ordem (relações de
temporalidade) em que os episódios aparecem na
história, as relações de causalidade entre eles e o
registro literário?

Reescrever, em parceria e de modo autônomo, textos de Escreve respeitando as características do gênero e o


diferentes gêneros, recorrendo ao plano do texto, aos planejamento realizado?
estudos sobre as características do gênero/texto-fonte
e revisando enquanto escreve.

Analisar, de modo colaborativo e autônomo, textos, bem Analisa textos, bem escritos, compreendendo a função
escritos, para observar a ocorrência de conhecimentos do uso de recursos linguísticos e gramaticais pelos
linguísticos e gramaticais (concordância verbal e autores na construção de sentido?
nominal, pontuação, modos de marcar o discurso direto,
Toma nota dos aspectos estudados e os consulta em
recursos de referenciação, entre outros conhecimentos
situação de produção e revisão de texto com autonomia?
que se fizerem necessários para o aprimoramento da
escrita). Escreve aplicando os conhecimentos convencionais
estudados, como recursos de referenciação, recursos de
Utilizar, ao produzir e/ou revisar os textos,
coesão (pontuação, articuladores de relações de sentido
conhecimentos linguísticos e gramaticais estudados
no texto) e ortografia?
no período (ortografia, regras básicas de concordância
nominal e verbal, pontuação, ponto final, ponto de Reconhece, no processo de produção/revisão, os
exclamação, ponto de interrogação, vírgulas em desvios cometidos em relação a quebra de continuidade,
enumerações e pontuação do discurso direto, quando falta de informação e de pontuação, inadequação
for o caso). de léxico, entre outros conhecimentos gramaticais,
realizando ajustes?

Utilizar, ao produzir um texto, recursos de referenciação Reconhece a presença dos recursos de referenciação e
(substituição lexical do referente por pronomes coesão utilizados pelos autores em situação de análise
pessoais possessivos e demonstrativos; por sinônimos; coletiva de textos?
por hiperônimos), elipse e vocabulário apropriado aos
Entende a importância do uso dos pronomes e de
gêneros.
outros recursos de referenciação em textos narrativos,
Utilizar, ao produzir um texto, recursos de coesão utilizando-os sempre que necessário, em situação de
pronominal (pronomes anafóricos) e articuladores de trabalho em parceria e autônomo?
relações de sentido (tempo, causa, oposição, conclusão,
Utiliza, ao produzir textos, os recursos estudados,
comparação), com nível suficiente de informatividade.
eliminando repetições indesejadas, substituindo o
referente por outras palavras (nome, pronome, apelido,
classe relacionada etc.) ou utilizando elipse, em situação
de trabalho colaborativo e autônomo?
Utiliza, com a ajuda da turma e da professora, ou do
professor, articuladores textuais adequados ao registro
do gênero, ajustando possíveis inadequações no
processo de revisão?

154 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 4º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Organizar, com progressiva autonomia, o texto a ser Produz textos organizando-o em unidades de sentido
produzido em unidades de sentido, dividindo-o em (paragrafação) de acordo com o gênero estudado,
parágrafos segundo as normas gráficas e de acordo com textualizando as ideias conforme o planejado?
as características do gênero textual.
Compreende que as ideias precisam estar em uma
sequência para ter sentido?

Reler e revisar o texto produzido, em parceria e de modo Dispõe-se a reler/ouvir a releitura do texto produzido
autônomo, para corrigi-lo e aprimorá-lo fazendo cortes, para aprimorá-lo?
acréscimos, reformulações e correções considerando
Sugere acréscimos, cortes, reformulações etc. no
a situação comunicativa (interlocutores, finalidade,
processo de revisão dos textos em parceria e de modo
gênero, lugar de circulação, portador etc.).
autônomo, buscando coerência entre sua produção e as
intenções de significação?

Editar a versão final do texto produzido, em colaboração Identifica elementos que poderiam ser aprimorados em
com os colegas e com a ajuda da professora, ou do suas produções e nas produções dos colegas?
professor, ilustrando, quando for o caso, em suporte
Participa da edição do texto produzido e na construção
adequado, seja manual ou digital.
do produto final dando ideias, ilustrando e organizando
o material produzido?

Utilizar programas de edição de texto com progressiva Coleta e organiza informações por meio da tecnologia
autonomia para editar e publicar os textos produzidos, digital?
explorando os recursos multissemióticos disponíveis.
Atua e participa do processo de construção de
conhecimentos de forma ativa, interagindo com
ferramentas de aprendizagem em ambientes virtuais?
Utiliza, de modo colaborativo e com autonomia,
programas de edição como Word e seus aplicativos de
edição de texto e imagem e o Audacity, entre outros, no
processo de edição de textos produzidos?

ORALIDADE1 (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Expressar-se com clareza em situações de intercâmbio Durante a preparação de uma comunicação, preocupa-
oral preocupando-se em ser compreendido pelo -se em definir quais informações vai privilegiar e a
interlocutor e usando a palavra com tom de voz audível, linguagem/vocabulário que irá empregar de modo a
boa articulação e ritmo adequado. tornar o conteúdo compreensível para os ouvintes?
Participa de situações de intercâmbio oral do
cotidiano escolar usando a palavra com tom adequado,
formulando perguntas e fazendo comentários sobre o
tema tratado, partilhando informações, experiências,
ideias e sentimentos?

Escutar com atenção falas de professoras, professores Ouve as colegas e os colegas e respeita os turnos
e colegas, formulando perguntas pertinentes ao tema, de fala, dirigindo-se aos interlocutores com forma
manifestando opinião e solicitando esclarecimentos de tratamento adequada, respeitando as ideias
sempre que necessário e tomando nota, de modo apresentadas, em situação de rodas, discussões
colaborativo e autônomo. temáticas, conversação etc.?

Reconhecer as características da conversação Coloca em jogo, em situações do cotidiano escolar,


espontânea presencial, respeitando os turnos de fala, os conhecimentos sobre diferentes gêneros orais que
selecionando e utilizando, durante a conversação, fazem parte das práticas sociais estudadas?
formas de tratamento adequadas à situação e à posição
Adequa seu discurso durante uma conversação
do interlocutor.
presencial às características do gênero e da situação
de comunicação?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 155


Componentes curriculares

4 º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
ORALIDADE (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Participar de rodas de leitura, rodas de conversa, ou de Nas rodas indicadas


jornal, no contexto escolar, fazendo perguntas sobre O Faz comentários de forma espontânea, de modo
o tema tratado, expressando-se de maneira audível,
coerente?
ouvindo os colegas e justificando suas intervenções. O Faz comentários após solicitações da professora, ou do

professor?
O Ouve a professora, ou o professor, as colegas e os

colegas?
O Justifica sua opinião discutindo posições diferenciadas?

Conhecer gêneros do discurso oral utilizados em Identifica alguns gêneros do discurso oral, considerados
diferentes situações e contextos comunicativos e suas relevantes para a escola, reconhecendo sua finalidade e
características linguístico-expressivas e composicionais suas características linguístico-expressivas?
(conversação espontânea, conversação telefônica,
Alia os conhecimentos adquiridos à prática, fazendo uso
entrevistas pessoais, entrevistas no rádio ou na TV,
das características referentes ao gênero?
debate, noticiário de rádio e TV, narração de jogos
esportivos no rádio e na TV, aula, debate etc.) para se
aproximar do tipo de registro utilizado nas diferentes
situações.

Ouvir gravações, canções, textos falados em diferentes Ouve textos falados, como canções, relatos e
variedades linguísticas, identificando características entrevistas, organizados em diferentes variedades,
regionais, urbanas e rurais da fala e respeitando as demonstrando respeito e valorizando a diversidade
diversas variedades linguísticas como características do linguística?
uso da língua por diferentes culturas locais, regionais,
Entende que as variações nos modos de falar não devem
nacionais ou de outros países, rejeitando preconceitos
ser vistas como erro, mas como uso diferente da língua,
linguísticos.
um outro modo de se expressar, demonstrando essa
preocupação em situações do cotidiano escolar?
Ouve textos orais que circulam em diferentes campos
de atuação e mídias com compreensão, autonomia e
criticidade?

Atribuir significado a aspectos paralinguísticos Demonstra compreender, ao assistir a vídeos e


observados na fala, como direção do olhar, riso, apresentações em geral, aspectos paralinguísticos
gestos, movimentos da cabeça (de concordância ou utilizados na fala?
discordância), expressão corporal, tom de voz, em
Identifica que ritmo, entonação, gestos e outros
situação de trabalho coletivo (assistir a vídeos, clipes e
aspectos paralínguísticos são importantes para a
entrevistas para estudar um tema).
compreensão e finalidade dos textos orais?

ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Organizar coerentemente as partes do texto em Reescreve/produz textos respeitando a progressão


situação de reescrita e produção de autoria, procurando entre as partes sem provocar problemas de
evitar – e resolver – eventuais problemas de compreensão?
compreensão, decorrentes de aspectos como ortografia,
Identifica, no processo de revisão, problemas de
segmentação da escrita em palavras (separadas por
compreensão nos textos produzidos (omissões,
espaços), divisão silábica das palavras, translineação,
incoerência na progressão temática, uso lexical
acentuação, uso de letras maiúsculas, pontuação e
inadequado aos sentidos pretendidos, por exemplo)?
referenciação.

156 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 4º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar/analisar a função na leitura de ponto Participa de estudos colaborativos sobre uso da


final, ponto de interrogação, ponto de exclamação, pontuação, em situação de análise de textos bem
dois-pontos e travessão (em diálogos), vírgula em escritos, identificando os efeitos de sentido produzidos
enumerações e em separação de vocativo e de aposto e pelo uso da pontuação pelos autores?
usar essa pontuação na escrita, relacionando os efeitos
Discute possibilidades e analisa os efeitos de sentido
de sentido produzidos.
correspondentes, empregando corretamente a vírgula
Reconhecer, com base na leitura e na produção de em enumerações e para separar vocativo e aposto?
textos, a necessidade de organizar o enunciado de
Organiza os enunciados para que os autores das falas
modo que seja possível identificar os autores das
possam ser identificados, utilizando verbos de dizer
falas e a adequação dos verbos de dizer (falou, gritou,
qualificados e empregados de acordo com as intenções
murmurou, disse, berrou, sussurrou, entre outros) e
de significação pretendidas?
dos qualificativos apresentados a cada fala (assustado,
curioso, calmamente, tremendo, sem pensar, por Revisa textos analisando a adequação dos recursos
exemplo) às intenções de significação pretendidas. linguísticos empregados na apresentação de diálogos,
realizando ajustes, caso necessário, para garantir as
Revisar textos considerando a adequação da
intenções de significação?
apresentação das falas e utilizar os verbos de dizer e os
qualificativos.

Analisar, com a ajuda da turma e da professora, ou do Observa o uso de outros recursos empregados nos
professor, e, mais tarde, com autonomia, os efeitos textos e contribui com análises realizadas a respeito do
de sentido produzidos pelo uso de distintas saliências sentido produzido pelo uso desses sinais?
textuais, como aspas, negrito, itálico, destaques gráficos
e formatação especial de letra.

Reconhecer, na escrita de textos, que as palavras podem Segmenta convencionalmente textos em palavras?
ser separadas em partes quando não couberem na
Reconhece, em situação de produção coletiva e
mesma linha.
autônoma, que as palavras podem ser segmentadas
A. Observar, nas situações de produção e cópia, as em sílabas e identifica diferentes possibilidades de
regras da separação de sílabas e as diferentes translineação?
possibilidades de translineação.
Produz textos observando os diferentes modos
B. Utilizar, em situação de produção autônoma, as regras possíveis de segmentar uma palavra no final da linha,
de translineação, escolhendo a possibilidade mais quando não couber por inteiro?
adequada ao espaço disponível para escrita na linha.

Escrever convencionalmente palavras de uso frequente Escreve convencionalmente, com ou sem consulta a
nas quais as relações grafema-fonema são irregulares12 fontes confiáveis, palavras consideradas irregulares, de
(uso do H inicial, X, L/LH, C/S, ditongos com pronúncia uso frequente e/ou estudadas no período?
reduzida, como caixa, madeira e vassoura).
Memoriza a grafia de palavras nas quais as
A. Estudar inventários de palavras com ocorrência relações grafema-fonema são irregulares e escreve
ortográfica priorizada, para produzir registros que convencionalmente após releitura/revisão?
possam ser consultados em situação de dúvida na
Observa que a língua falada e a língua escrita são
escrita.
sistemas distintos?
Registra e organiza informações importantes sobre a
escrita convencional das palavras, consultando esses
registros em situação de produção de textos?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 157


Componentes curriculares

4 º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Grafar corretamente palavras utilizando regras de Escreve convencionalmente palavras de uso frequente
correspondência grafema-fonema contextuais (r/rr, s/ com ocorrências regulares diretas e contextuais?
ss, c/qu; g/gu; j com a, o, u; o uso da letra o, em vez de u,
Consulta fontes confiáveis para resolver dúvidas
como em molho, e da letra e, em vez de i, como em dente,
ortográficas?
em sílaba átona em final de palavra; e as nasalizações
m/n, til e nh. Participa de situação de ditado interativo e leitura
com focalização, apresentando suas preocupações
A. Analisar, de modo colaborativo e autônomo,
ortográficas e sugestões/ideias para lembrar a grafia
bloco de palavras regulares contextuais para
correta, tomando nota de descobertas?
identificar os contextos de uso das letras e escrever
progressivamente de modo convencional em situação Revisa, com autonomia, os textos produzidos deixando-
de estudo de inventário de palavras e/ou de ditado -os livre de erros ortográficos em palavras de uso
interativo. frequente?
B. Revisar, com autonomia, suas produções do ponto de
vista da ortografia.

Reconhecer e grafar corretamente palavras derivadas Escreve convencionalmente palavras regulares


com os sufixos -agem, -oso, -eza, -izar/-isar (regulares morfológico-gramaticais estudadas no período?
morfológicas).
Faz suposições gráficas sobre palavras desconhecidas e
A. Analisar de modo colaborativo bloco de palavras arrisca-se a escrevê-las?
regulares cuja relação grafema-fonema é
Identifica a natureza das palavras e escolhe a grafia
morfológico-gramatical para identificar as
apropriada?
regularidades, construir registros de estudo e
escrevê-las de modo convencional. Consulta registros construídos para tirar dúvidas e
revisar suas produções?

Recorrer ao dicionário para esclarecer dúvida sobre a Sabe manusear e faz uso do dicionário em situação de
escrita de palavras, especialmente no caso de palavras dúvida ortográfica?
com relações fonema-grafema irregulares.
Resolve problemas tanto de compreensão quanto na
repetição inadequada de palavras no texto, fazendo
busca no dicionário ou refletindo com base no contexto?
Busca o significado do vocábulo pela releitura do
trecho em que foi encontrado, especialmente no caso
dos textos da esfera literária, de modo a garantir a
familiarização com esse procedimento antes da busca no
dicionário?

Utilizar acento gráfico (agudo ou circunflexo) em Acentua, de modo convencional, palavras de uso
paroxítonas terminadas em -i(s), -l, -ão(s) de uso frequente?
frequente.
Revisa produções escritas para identificar a necessidade
A. Analisar textos/bloco de palavras para observar a de acento (agudo ou circunflexo) na grafia das palavras,
ocorrência de acentuação. considerando os aspectos notacionais?
B. Relacionar a presença de acento gráfico com a sílaba Identifica e usa na produção textual, de modo
tônica da palavra colaborativo, as regras básicas de concordância verbal e
nominal?
Identificar em textos lidos e utilizar em situação de Estabelece a concordância verbal e nominal nas
produção textual a concordância entre substantivo ou situações de produção e/ou revisão de texto?
pronome pessoal e verbo.
Utiliza os saberes gramaticais como ferramentas de
constituição da legibilidade do texto, consultando
registros e fontes confiáveis, nos processos de produção
e revisão de textos?

158 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 4º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar em textos e utilizar na produção textual Utiliza convencionalmente os pronomes?


pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos como
Faz ajustes no texto, no processo de revisão, para evitar
recurso coesivo anafórico.
repetições indesejadas do referente?
Analisa e reconhece o modo como os autores
experientes utilizam elementos de substituição e de
repetição nos textos para produzir efeitos de sentido?

CAMPO DA VIDA COTIDIANA


LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ler e compreender, com autonomia, boletos, faturas e Compreende textos do campo da vida cotidiana
carnês, entre outros gêneros do campo da vida cotidiana, realizando a leitura de valores monetários da tarifa
conforme as convenções do gênero (campos, itens, e consumo mensal para refletir sobre o consumo
medidas de consumo, código de barras), considerando a consciente?
situação comunicativa e a finalidade do texto.

Ler e compreender, com autonomia, cartas pessoais Compreende que as cartas de reclamação circulam em
de reclamação, entre outros gêneros do campo da vida situações de comunicação em que um cidadão procura
cotidiana, de acordo com as convenções do gênero manifestar insatisfação ou resolver algum problema
carta, considerando a situação comunicativa e o tema/ que pode relacionar-se a um serviço ou a um produto
assunto/finalidade do texto. adquirido, por exemplo?
Reconhece os elementos que fazem parte da
organização das cartas: local e data; destinatário;
cumprimento; apresentação do problema; despedida;
remetente?
Identifica, em situação de análise de cartas de
reclamação, a linguagem que se adequa (registro mais
formal e uso de pronomes adequados)?

PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar, com autonomia, cartas pessoais de reclamação, Planeja, de modo colaborativo e autônomo, cartas,
entre outros gêneros do campo da vida cotidiana, de diários, textos instrucionais a ser produzidos,
acordo com as convenções do gênero carta e com a organizando-os de acordo com as características do
estrutura própria desses textos (problema, opinião, gênero, respeitando a situação comunicativa?
argumentos), considerando a situação comunicativa.
Faz adequação do texto às características
A. Analisar as condições de produção e de circulação de predominantes do gênero?
cartas pessoais de reclamação, de modo colaborativo,
Retoma as condições de produção e circulação do texto
para orientar a produção.
próprias do gênero (consulta à plataforma Procon, sites
B. Ler cartas pessoais de reclamação em plataformas, de atendimento ao consumidor etc.)?
sites para compreender as características do espaço
Analisa textos do gênero em questão para explicitar suas
em que circulam e planejar a produção.
características, fazendo registros da análise?

Planejar e produzir, com autonomia, quando for o caso, Escreve, com autonomia, textos instrucionais como
textos instrucionais (receitas, instruções de montagem receita, instrução de montagem de jogos, brinquedos
de brinquedos, instruções de jogos etc.) respeitando a entre outros?
estrutura própria desses textos (verbos imperativos,
Relê e revisa, em situação de revisão coletiva e em
indicação de passos a seguir) e mesclando palavras,
parceria, os textos produzidos, ajustando-os com
imagens e recursos gráfico-visuais, considerando a
base nos conhecimentos linguísticos e gramaticais
situação comunicativa e o tema/assunto do texto.
tematizados no período?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 159


Componentes curriculares

4 º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DA VIDA COTIDIANA
PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Produzir, com autonomia, cartas pessoais de Elabora cartas de reclamação ditando à professora,
reclamação, entre outros gêneros do campo da vida ou ao professor, e de próprio punho, considerando
cotidiana, de acordo com as convenções do gênero carta as características do gênero estudado e a situação
e com a estrutura própria desses textos (problema, comunicativa?
opinião, argumentos), considerando a situação
Recorre a registros expostos na sala ou presentes em
comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto.
cadernos para produzir e revisar seus textos?
A. Analisar textos de referência do gênero carta
Relê e revisa textos produzidos, em parceria e de modo
de reclamação, de modo a reconhecer suas
autônomo, realizando ajustes necessários utilizando
características, construindo registros que possam
conhecimentos linguísticos e gramaticais tematizados no
repertoriar a produção.
período?
B. Utilizar procedimentos escritores como reler o que
está escrito para continuar, consultar o planejamento
para tomar decisões no momento da escrita e revisar
no processo e ao final.

Mostrar os textos produzidos a outras pessoas de modo Submete, com a orientação da professora, ou do
a divulgar suas produções e conhecer as apreciações professor, e, mais tarde, com autonomia, as produções
alheias, aprimorando o modo de escrever. a outros leitores, acolhendo sugestões e realizando
ajustes necessários?

ORALIDADE1 (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Assistir a programa infantil com instruções de Assiste a programas infantis com instrução de
montagem de jogos e de brincadeiras e, com base nele, montagem e, com a ajuda da turma e da professora, ou
planejar de modo colaborativo tutoriais em áudio ou do professor, identifica suas principais características?
vídeo.
Reconhece, no processo de leitura e/ou análise
A. Analisar, de modo colaborativo, textos/vídeos no de vídeos, recursos linguísticos e discursivos que
gênero previsto (instruções de montagem, tutoriais constituem os gêneros previstos?
com instruções) para extrair suas características,
registrando suas observações.

Produzir vídeo digital com instruções de montagem para Utiliza ferramentas digitais e produz, do modo
jogos e brincadeiras (brincadeiras de crianças indígenas, colaborativo, tutorias com instruções de montagem em
brincadeiras do tempo dos avós etc.) para divulgar aos vídeo, destinados a um interlocutor específico?
colegas de outro ano.

Assistir/ouvir os vídeos/áudios produzidos, retomando Revisa o vídeo/áudio produzido realizando ajustes de


trechos e realizando os ajustes necessários, de acordo acordo com a situação comunicativa e as marcas do
com a situação comunicativa e as marcas do gênero e as gênero?
sugestões dos ouvintes.
Utiliza, com certa autonomia, as ferramentas digitais
na revisão dos vídeos produzidos, após uma primeira
versão?

Valorizar a linguagem de sua comunidade/região como Reconhece e valoriza diferentes formas de comunicação,
forma de comunicação cotidiana, buscando conhecer rejeitando situações de preconceito, especialmente na
e respeitar as diferentes manifestações culturais apresentação de vídeos produzidos?
existentes.
Consulta registros elaborados sobre estudo dos gêneros
Submeter os vídeos e áudios produzidos à apreciação no momento de produção e revisão de textos, realizando
dos colegas, realizando ajustes sugeridos. ajustes necessários?

160 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 4º ano

ANÁLISE LINGUÍSTICA E SEMIÓTICA


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar a formatação própria (verbos imperativos Produz textos instrucionais no gênero previsto
e indicação de passos a seguir) de textos injuntivos utilizando a formatação própria do gênero?
instrucionais (instruções de jogos, digitais ou impressos)
bem como o formato específico dos textos orais ou
escritos desses gêneros (lista/apresentação de materiais
e instruções/passos de jogo).

CAMPO DA VIDA PÚBLICA


LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ler e compreender, com progressiva autonomia, Lê, sob a mediação da professora, ou do professor, e com
reportagens, notícias e entrevistas, entre outros autonomia, textos jornalísticos com nível de textualidade
gêneros do campo jornalístico, considerando a situação adequado, comentando, quando for o caso?
comunicativa e o tema/assunto do texto.
Comenta os textos lidos pela professora, ou pelo
A. Participar de leitura colaborativa de notícias, professor, e/ou em situação de leitura colaborativa,
reportagens, artigos com temática adequada, de mídia emitindo opinião sobre os temas veiculados e
impressa e digital, discutindo os temas veiculados, explicitando os recursos utilizados para localizar, inferir,
emitindo opinião e explicitando os recursos utilizados comparar informações etc.?
para responder aos questionamentos do professor.
Identifica semelhanças e diferenças em título e corpo de
notícias ouvidas, ou lidas por si mesmo?

Identificar em notícias os fatos, os participantes, o local e Identifica os elementos do lide de uma notícia?
o momento/tempo da ocorrência noticiada.
Compara notícias sobre um mesmo fato, em diferentes
A. Estabelecer, com mediação da professora, ou do veículos, identificando semelhanças e diferenças?
professor, e com autonomia, relações entre notícias
de diferentes veículos (jornal televisivo, impresso,
internet) que tratem do mesmo tema para identificar
semelhanças e diferenças no relato dos fatos.

Distinguir, com a ajuda da turma e da professora, ou Analisa notícia, de modo colaborativo, identificando e
do professor, fatos de opiniões/sugestões em textos distinguindo fato e opinião?
(informativos, jornalísticos, publicitários etc.).

Ler e compreender, com autonomia, cartas/comentários Realiza a leitura de carta de leitor e comentários feitos a
de leitores dirigidas a veículos da mídia impressa ou notícias e matérias jornalísticas compreendendo-os?
digital (cartas de leitor a jornais, revistas infantis e/ou
comentários de leitores em jornais digitais) identificando
o assunto/tema comentado, a relação com a notícia que
originou o comentário/carta e o posicionamento do
leitor.

Localizar, em parceria e com autonomia, recursos Identifica os recursos multissemióticos presentes em


persuasivos apresentados nos textos jornalísticos (cores, textos jornalísticos impressos e digitais, relacionando os
imagens, escolha de palavras, tamanho de letra etc.) para efeitos de sentido provocados pelos mesmos?
discutir os efeitos de sentido provocados pelo uso de
Discute os efeitos de sentido provocados pelo uso
tais recursos, além de analisar, de modo colaborativo, a
dos recursos, reconhecendo o papel desses recursos,
adequação e intencionalidade dos recursos empregados,
a adequação e intencionalidade, na divulgação da
considerando o interlocutor pretendido, a função do
informação?
gênero e a finalidade do texto.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 161


Componentes curriculares

4 º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DA VIDA PÚBLICA
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Construir o sentido de histórias em quadrinhos Lê histórias em quadrinhos, com autonomia,


e tirinhas, relacionando imagens e palavras e compreendendo os efeitos de sentido provocados pelos
interpretando recursos gráficos (tipos de balão e de recursos gráficos?
letra, tamanho do registro gráfico das onomatopeias
Relaciona as imagens e outros recursos gráficos
e articulação com o assunto ou momento da trama,
contidos nas histórias em quadrinhos com o texto verbal,
organização da sequência dos quadrinhos – horizontal,
de modo a compreender os sentidos provocados pela
com direção vertical e horizontal, movimento circular,
multimodalidade da linguagem?
entre outros) sempre relacionando com os efeitos de
sentido produzidos por seu uso.

Participar de rodas permanentes de jornal Participa de roda de jornal compartilhando textos lidos e
compartilhando notícias lidas, em duplas, emitindo impressões sobre os mesmos de modo autônomo?
opinião e informando a fonte onde a notícia foi
Sabe consultar a capa do jornal para localizar uma
encontrada (jornal, caderno/seção, data, local).
notícia nos cadernos?
A. Divulgar notícias em jornal mural da turma/da escola.
Traz notícias para divulgar na escola?
B. Consultar jornal mural para conferir as notícias da
Participa da organização de murais com notícias da
semana.
semana?
Contribui na organização de jornal mural de notícias,
consultando-o para se informar?

PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar, com a ajuda da professora, ou do professor, Participa do planejamento e da produção de textos


e da turma, textos reivindicatórios ou propositivos reivindicatórios e propositivos, contribuindo com o
sobre problemas que afetam a vida escolar ou levantamento dos problemas e das ideias sobre o tema e
da comunidade, justificando pontos de vista e o que dizer (em situação de produção coletiva)?
reivindicações, detalhando propostas (justificativa,
objetivos, ações previstas etc.) e levando em conta seu
contexto de produção e as características dos gêneros
em questão, quando for o caso de fazer algum tipo
de reivindicação.

Planejar, com a ajuda da turma e da professora, ou do Participa do planejamento de notícias dando ideias
professor, notícias sobre fatos ocorridos no universo e consultando registros de estudos realizados, em
escolar, publicadas em meio digital ou impresso, no situação coletiva?
jornal e ou/blog da escola, noticiando os fatos e seus
Recorre ao planejamento do texto nos momentos de
atores de acordo com as convenções do gênero notícia e
produção individual?
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto
do texto.

Produzir, com progressiva autonomia, notícias (digitais Produz notícias sobre fatos do cotidiano escolar,
ou impressas) sobre fatos ocorridos no universo organizando as ideias com base em informações
escolar, para circular no mural, jornal e/ou blog da coletadas sobre o fato ocorrido, considerando as
escola, noticiando os fatos e seus atores e comentando marcas do gênero (título, lide, princípio de relevância na
decorrências, de acordo com as convenções do gênero organização do texto, entre outros)?
notícia e considerando a situação comunicativa e o tema/
Revisa suas produções considerando a situação
assunto do texto.
comunicativa e utilizando conhecimentos linguísticos e
gramaticais tematizados no período?

162 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 4º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Produzir, com autonomia, cartas/comentários de leitor Escreve comentários, ou cartas de leitor, com
dirigidas a veículos da mídia impressa ou digital (jornais, autonomia, posicionando-se de forma ética e
revistas infantis, jornais digitais, sites) identificando o considerando o texto de referência e as características
assunto/tema comentado, a relação com a notícia que do gênero escolhido?
originou o comentário/carta e o posicionamento do leitor.

Produzir, quando for o caso, textos reivindicatórios Produz, com a ajuda da turma e da professora, ou
ou propositivos (carta de solicitação, abaixo-assinado, do professor, textos reivindicatórios e propositivos,
petição, folheto etc.) sobre problemas que afetam a vida contribuindo com o levantamento dos problemas e
escolar ou da comunidade, justificando pontos de vista com ideias sobre o tema, ditando à professora, ou ao
e reivindicações e detalhando propostas (justificativa, professor, ou a uma colega, ou a um colega?
objetivos, ações previstas etc.), levando em conta o
contexto de produção e as características dos gêneros
em questão (de modo colaborativo).

Produzir, em colaboração com a turma e com a ajuda Participa da construção de regras e regulamentos para
da professora, ou do professor, listas de regras e organizar a vida escolar, consultando regulamentos
regulamentos que organizam a vida na comunidade internos da comunidade, quando for o caso de produzir
escolar, entre outros gêneros do campo da atuação esses textos?
cidadã, em situação de organizar o cotidiano escolar ou
Propõe possíveis soluções para os conflitos que podem
da comunidade.
estar presentes no cotidiano escolar?

Revisar e editar, sob a orientação da professora, ou do Revisa, em duplas e com autonomia, textos produzidos
professor, e, mais tarde, de modo autônomo, os textos (notícia, regras, regulamentos, textos reivindicatórios,
produzidos, durante o processo de escrita e ao final. entre outros gêneros estudados), adequando o texto
à situação comunicativa e utilizando conhecimentos
linguísticos e gramaticais tematizados no período.
Edita os textos produzidos, impressos ou digitais,
pensando em tamanho de letra, distribuição na folha,
capa, títulos, cores e links, entre outros?

ORALIDADE1 (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Opinar e defender ponto de vista sobre tema polêmico13 Expressa pontos de vista sobre temas controversos
relacionado a situações vivenciadas na escola e/ou na (como o bullying, o uso da tecnologia na sala de aula etc.?
comunidade, utilizando registro mais formal e estrutura
Argumenta para legitimar suas opiniões em situação de
adequada à argumentação, considerando a situação
discussão sobre um tema, nas rodas?
comunicativa e o tema/assunto do texto.
Utiliza de maneira adequada o registro formal e
A. Analisar a situação comunicativa vivenciada na escola
os recursos de argumentação (justificar opinião,
para selecionar o gênero/texto (carta de reclamação,
apresentar dados, utilizar articuladores textuais como
de solicitação, cartaz) mais adequado para defender o
diante disso, portanto, mas etc.)?
ponto de vista polêmico em questão.
Consegue emitir opinião com base na análise de
B. Analisar textos que apresentem opinião e argumentos
diferentes pontos de vista sobre temas/questões?
diferenciando-os.
Informa-se sobre as questões temáticas em foco,
estudando-as e identificando posições apresentadas a
respeito delas?

Planejar, com a ajuda da turma e da professora, ou Planeja jornais falados, com a ajuda da turma e da
do professor, jornais radiofônicos ou televisivos e/ professora, ou do professor, destinados ao público
ou entrevistas veiculadas em rádio, TV e internet, específico, dando ideias com base em consulta ao
orientando-se por roteiro ou texto e demonstrando roteiro?
conhecimento dos gêneros jornal falado/televisivo e
entrevista.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 163


Componentes curriculares

4 º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DA VIDA PÚBLICA
ORALIDADE (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Produzir, em parceria, jornais radiofônicos ou televisivos Considera, no processo de produção, recursos


e entrevistas veiculadas em rádio, TV e na internet, expressivos que contribuam na qualidade da
orientando-se por roteiro ou texto e demonstrando comunicação?
conhecimento dos gêneros jornal falado/televisivo e
Consulta o roteiro para produzir o jornal ou revisar a
entrevista.
produção?

Discutir coletivamente casos reais ou simulações que Lê, em parceria, textos normativos ou trechos deles
envolvam supostos desrespeitos a artigos do Estatuto para se posicionar em discussão oral e compreender o
da Criança e do Adolescente, do Código de Defesa do caráter interpretativo das leis e as várias perspectivas
Consumidor, do Código Nacional de Trânsito, entre que podem estar em jogo?
outros, como forma de criar familiaridade com textos
Discute casos de desrespeito às leis, com base em
legais – seu vocabulário, formas de organização, marcas
consulta a artigos e relatos de caso, entre outros,
de estilo etc. –, de maneira a facilitar a compreensão de
explicitando opiniões e justificando-as?
leis, fortalecendo a defesa de direitos.

Identificar e reproduzir, em notícias, manchetes, lides e Participa de análise de textos, identificando, de modo
corpo de notícias simples para o público infantil, digitais colaborativo, características dos textos estudados e
ou impressos, a formatação e diagramação específica de tomando nota?
cada um desses gêneros, inclusive em suas versões orais.
Produz notícias sobre fatos ocorridos no universo
escolar, digital ou impressa, respeitando as
características do gênero?

Analisar o padrão entonacional e/ou a expressão Identifica os padrões de entonação e a expressão


facial e corporal de âncoras de jornais radiofônicos ou corporal próprios de âncoras e entrevistadores em
televisivos e de entrevistadores/entrevistados para vídeos e programas assistidos, em situação coletiva,
compreender os efeitos de sentido provocados pela tomando nota?
articulação das diferentes linguagens.
Compreende, de modo colaborativo, a relação entre
entonação, gesticulação, olhares, tom de voz, expressões
faciais, meneios de cabeça, texto verbal e, ao mesmo
tempo, reconhece os efeitos de sentido produzidos,
os valores éticos, estéticos e políticos veiculados
na interação de âncoras de jornais radiofônicos e
televisivos, entrevistadores etc.?

CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDO E PESQUISA


LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ouvir a leitura de relatos históricos, artigos de Lê e compreende com autonomia textos expositivos,
enciclopédias, textos expositivos, entre outros textos artigos de complexidade adequada, entre outros de
relacionados às diferentes representações sociais divulgação científica, estudados no período?
e à interculturalidade, para conhecer e valorizar as
Participa de situação de leitura colaborativa de relatos
diferentes culturas, além de realizar pesquisas temáticas.
históricos, textos expositivos, verbetes, artigos, entre
Ler e compreender textos expositivos de divulgação outros, fazendo perguntas e explicitando suas ideias a
científica para crianças, considerando a situação respeito do tema/assunto lido?
comunicativa e o tema/assunto do texto.
Reconhece e valoriza o ato de estudar e a diversidade de
conhecimentos culturais presentes na comunidade?

164 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 4º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer a função de gráficos, diagramas e tabelas Lê gráficos, diagramas e tabelas compreendendo sua
em textos como forma de apresentação de dados e relação com o texto verbal?
informações.

Buscar e selecionar, com o apoio da professora, ou do Realiza pesquisa e estudos temáticos buscando
professor, e com autonomia, informações de interesse materiais com base em consulta a sumários, links,
sobre fenômenos sociais e naturais em textos que fazendo sugestões de como organizar as informações?
circulam em meios impressos ou digitais.
Busca e localiza livros para pesquisar temas
determinados em acervo de biblioteca da escola?

Reler trechos de textos, marcando, grifando, circulando Destaca e organiza informações relevantes nos
e realizando anotações, porque parecem significativos textos lidos em situação de realização de pesquisas
para o tema ou merecem comentários ou, ainda, para (diversidade cultural presente na região, características
esclarecer dúvidas. de uma região brasileira, presença de determinada
epidemia e cuidado com os rios, entre outros temas)?
Utilizar, com autonomia, procedimentos de pesquisa
de informações em meios impressos e digitais com Demonstra interesse em participar de atividades em
base nos conhecimentos sobre o tema, o conteúdo e ambientes digitais?
as características do gênero e da mídia (grifar, tomar
Consegue ler títulos/sumários e localizar uma
notas, seguir links e selecionar fontes e informações em
informação, além de saber solicitar/localizar material de
diferentes materiais e ambientes, consultar títulos em
pesquisa dos temas em estudo?
biblioteca e sumários).

PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar, com certa autonomia, textos para apresentar Planeja o texto coletivamente e de modo autônomo,
resultados de pesquisa, considerando as características considerando as características do gênero escolhido e
do contexto de produção definido. da situação comunicativa?

Produzir, de modo colaborativo e autônomo, entrevistas Elabora textos expositivos, roteiros, verbetes de
e/ou verbetes de enciclopédia infantil, textos expositivos enciclopédia (digitais ou impressos), entrevistas entre
digitais ou impressos, considerando a situação outros textos do campo da pesquisa, cujos temas
comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto. tenham sidos estudados pela sala, respeitando a
situação comunicativa e as características/formatação
Revisar o texto enquanto está sendo produzido para
do gênero selecionado?
saber o que já foi escrito e para realizar os ajustes
necessários, considerando as características da situação
comunicativa.

ORALIDADE1 (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Apreciar, com atenção, apresentações de trabalhos Escuta, com atenção, a exposição de trabalhos
realizadas por colegas, formulando perguntas realizados por colegas, comentando e formulando
pertinentes ao tema e solicitando esclarecimentos perguntas coerentes com o tema tratado?
sempre que necessário.
Realiza registros pessoais sobre a exposição oral
assistida?
Faz perguntas pertinentes ao tema da exposição
e contribui com a reflexão do grupo em momento
destinado para isso?
Possui repertório mínimo que possibilite compreender
como o discurso oral se organiza em gêneros estudados?
Exercita a capacidade de argumentar oralmente?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 165


Componentes curriculares

4 º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDO E PESQUISA
ORALIDADE (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Recuperar as ideias principais de texto apresentado Explicita a compreensão de exposições, palestras


em situações formais de escuta de exposições, e vídeos assistidos por meio de participações orais
apresentações e palestras sobre temas relevantes para a pertinentes ao tema e recuperação das ideias principais
comunidade local, regional, ou nacional, tomando nota. veiculadas no evento comunicativo?
Identificar, em situação de estudo coletivo de materiais Acompanha a exposição de resultados de pesquisas
audiovisuais, recursos expressivos que ampliem a sobre fenômenos naturais e/ou temas sociais
qualidade do conteúdo analisado. relevantes para a comunidade local, realizando
registros que indiquem ideias principais do tema
estudado?

Planejar exposições orais considerando as Contribui com o planejamento de exposição oral


características do evento comunicativo (seminário, organizando roteiros, planejando o tempo de fala, dando
exposição), os temas estudados, bem como as marcas ideias e sugerindo material de apoio?
da exposição oral (produção de roteiros, presença de
Participa do planejamento do texto a ser produzido,
materiais de apoio à fala entre outros).
preocupando-se com o interlocutor/ouvinte,
Planejar, em parceria com colegas e orientação considerando as características da situação
da professora, ou do professor, e, mais tarde, com comunicativa?
autonomia, exposições orais organizando roteiros,
Constrói roteiros para orientar a produção oral,
materiais de apoio e apresentações em slides sobre
com a ajuda da turma?
temas estudados, no período.
É capaz de planejar sua fala adequando-a a contextos
específicos (introdução ou ampliação de um assunto
numa exposição, participação em uma conversação
etc.)?

Expor trabalhos ou pesquisas escolares, em sala Realiza exposição oral, de modo colaborativo e com
de aula, com apoio de recursos multissemióticos autonomia, orientando-se por roteiro escrito, explicando
(imagens, diagrama, tabelas, cartazes, painéis, vídeos com clareza, apoiando-se em recursos como imagens,
etc.), orientando-se por roteiro escrito, planejando diagramas, tabelas, cartazes, vídeos etc.?
o tempo de fala e adequando a linguagem à situação
Respeita o tempo de fala nas situações de exposição?
comunicativa, de modo colaborativo.
Adequa a linguagem à situação comunicativa, ouvindo os
Utilizar, com autonomia, recursos multissemióticos com
interlocutores e dando a palavra e preocupando-se com
a finalidade de apoiar a exposição oral, organizando-a de
o que a audiência sabe sobre o assunto e que aspectos
acordo com a situação comunicativa.
poderiam lhes parecer interessante sobre o tema
apresentado?
Reconhece a articulação entre a fala e o uso de roteiro
escrito e recursos multissemióticos próprios ou
compatíveis com o gênero previsto?
Usa, com certa autonomia, ferramentas que dão acesso
aos recursos multissemióticos presentes nos textos
utilizados na exposição em mídias digitais?

ANÁLISE LINGUÍSTICA E SEMIÓTICA


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar a formatação e diagramação específica (título Elabora verbetes de enciclopédia infantil (digitais
do verbete, definição, detalhamento, curiosidades) de ou impressos) sobre um tema estudado pela classe,
verbetes de enciclopédia infantil, digitais ou impressos, respeitando as formas do gênero e a situação
entre outros gêneros do campo das práticas de estudo, e comunicativa?
reproduzi-las considerando a situação comunicativa e o
tema/assunto/finalidade do texto.

166 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 4º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar o formato de tabelas, diagramas e gráficos Produz, de modo colaborativo e autônomo, textos
em relatórios de observação e pesquisa, como forma de para apresentar informações com tabelas, gráficos e
apresentação de dados e informações, e reproduzi-lo em diagramas, utilizando esses recursos de modo articulado
textos desse gênero. ao texto?

CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ouvir a leitura de obras literárias de diferentes culturas Participa da leitura em voz alta, ouvindo com atenção,
e de maior extensão, como contos em geral, mitos, explicitando as apreciações realizadas e comentando
lendas, poemas e crônicas. quando for o caso?

Apreciar textos literários, observando os efeitos Aprecia textos literários, solicitando-os em situação de
de sentido criados pela articulação das diferentes leitura de escolha pessoal?
linguagens (verbal, imagética, gráfica) quando for o caso.
Relaciona texto verbal com as ilustrações, reconhecendo
A. Relacionar texto com ilustrações e outros recursos a articulação e complementaridade das linguagens na
gráficos, reconhecendo, de modo colaborativo, a construção do sentido (comentando sobre as imagens
articulação das linguagens na composição dos efeitos durante a leitura, antecipando a continuidade de
de sentido. determinado trecho lido com base na imagem, entre
outros)?

Ler e compreender em parceria e, mais tarde, com Lê em parceria e, mais tarde, com autonomia, textos
autonomia, textos literários de diferentes gêneros literários de extensão adequada compreendendo-os?
e extensões, inclusive aqueles sem ilustrações,
estabelecendo preferências por gêneros, temas e
autores e apoiando-se em conhecimentos sobre o
contexto de produção das obras.

Identificar funções do texto dramático (escrito para ser Realiza, com autonomia, a leitura de textos dramáticos
encenado) e sua organização por meio de diálogos entre reconhecendo as formas do gênero?
personagens e marcadores das falas dos personagens e
Conhece a estrutura do texto dramático
de cena.
compreendendo a finalidade de suas partes?
Dispõe-se a ler e reler textos dramáticos para estudar e
expor aos colegas?

Perceber diálogos em textos narrativos, observando Analisa textos narrativos de referência para identificar
o efeito de sentido de verbos de enunciação e, se for o registros literários e diálogos?
caso, o uso de variedades linguísticas no discurso direto.
Reconhece os efeitos de sentido produzidos em textos
narrativos pelos verbos introdutórios da fala dos
personagens (dicendi)?
Identifica o uso de variedades linguísticas nos diálogos
que aparecem na narrativa, compreendendo o sentido
do uso da variedade em relação ao personagem e à
situação comunicativa?
Reconhece os diálogos pelas marcas gráficas que os
apresentam (dois-pontos e travessão; dois-pontos
e aspas, por exemplo), pela presença dos verbos
(introdutórios dos personagens), e, sobretudo, com base
na significação do texto?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 167


Componentes curriculares

4 º ano – Língua Portuguesa


CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Apreciar poemas e outros textos versificados, lidos por Acompanha a leitura colaborativa de poemas
si mesmo, observando rimas, sonoridades, aliterações, comentando suas impressões sobre o que foi lido e
diferentes modos de divisão dos versos, estrofes, ouvindo as colegas e os colegas?
refrões e seu efeito de sentido.
Analisa a composição e leitura de poemas/canções e
A. Acompanhar a leitura de poemas, canções, cordéis e outros textos versificados, reconhecendo como os
outros textos versificados, realizada pela professora, aspectos de entonação e visuais são fundamentais na
ou pelo professor, participando de intercâmbios orais construção do sentido?
durante a leitura, ou depois dela, contribuindo para a
Identifica o efeito visual e/ou sonoro como parte
construção dos sentidos possíveis com base no texto
constituinte do sentido do poema concreto?
lido.

Ler e compreender, com certa autonomia, textos em Lê poemas e outros textos versificados com autonomia e
versos, explorando rimas, sons e jogos de palavras, compreensão?
imagens poéticas (sentidos figurados) e recursos visuais
Conhece e valoriza poetas nacionais, regionais e locais,
e sonoros.
demonstrando interesse por autores, temáticas, tipo de
A. Realizar a leitura de obras de poetas regionais e poema?
nacionais para conhecer estilo e temáticas abordadas
(Patativa do Assaré, Conceição Evaristo, Cora
Coralina, Jorge Amado, Manoel de Barros, Manuel
Bandeira, entre outros)

Participar de rodas de leitura, trocando ideias e opiniões Nas rodas de leitores ou tertúlias
com outros leitores sobre obras lidas. O Faz comentários sobre o livro lido e apresentado?
Escolher livros em situação de rodas de leitura e em O Explicita critérios de apreciação:
bibliotecas e/ou meios digitais com base em diferentes A. em relação ao conteúdo temático;
critérios e informações, justificando a escolha e B. em relação à linguagem literária (beleza, estilo do
compartilhando opiniões e descobertas após a leitura. autor); e
C. em relação à qualidade do material gráfico?
Apreciar livros com imagens observando efeitos de O Ouve, com atenção, a exposição e apreciação dos
sentido criados pela articulação entre as linguagens.
colegas?
O Escolhe livros e os leva para casa para lê-los,
Participar de eventos de literatura na comunidade
escolar (saraus, lançamento de livros, tertúlias, eventos justificando sua escolha?
O Solicita os livros disponíveis na sala para folheá-los,
de declamação de textos e leitura dramáticas etc.).
observar as ilustrações e/ou ler as histórias?
O Cuida dos textos, dos livros de uso pessoal e do acervo

da sala?

168 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 4º ano

PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar a reescrita de textos literários (contos) Participa do planejamento e reconta textos literários
considerando a situação comunicativa e os temas do lidos e/ou ouvidos para organizar suas partes e avançar
texto-fonte, organizando roteiros com a sequência dos na textualização, recuperando as ideias e a linguagem
episódios e considerando a situação comunicativa em literária presentes no texto-fonte?
que o texto irá circular.
Planeja o reconto e a reescrita de textos narrativos
Recontar11 textos narrativos, lidos pela professora, ou considerando a atividade do reconto e seu
pelo professor, ou de modo autônomo, para recuperar planejamento, contribuindo com ideias para organizar o
a sequência dos fatos essenciais e as características da que será reescrito e ditando o texto à professora, ou ao
linguagem do texto-fonte. professor?

Reescrever contos, de próprio punho, respeitando Utiliza algumas características do registro literário nas
a progressão temática, os conteúdos do texto- situações de reescrita, de produção de autoria e revisão?
-fonte, o registro literário e a convenção da escrita,
Reescreve textos, de modo autônomo, respeitando as
além de considerar as características da situação
características do texto-fonte e as marcas da linguagem
comunicativa.
escrita?
Criar narrativas ficcionais, em gênero a ser definido,
com certa autonomia, utilizando detalhes descritivos,
sequência de eventos e imagens apropriadas para
sustentar o sentido do texto, além de utilizar marcadores
de tempo, espaço e de fala de personagens.

Mostrar os textos produzidos a outras pessoas de modo Submete, com autonomia, as produções a outros leitores
a divulgar suas produções, conhecer as apreciações acolhendo sugestões e realizando ajustes necessários?
alheias, aprimorando o modo de escrever.

Revisar o texto, com progressiva autonomia, enquanto Revisa os textos no processo de produção e ao final,
está sendo produzido, consultando o plano do texto ajustando-os em relação a conhecimentos discursivos/
para realizar os ajustes necessários, esclarecendo textuais (coerência e coesão) e gramaticais (ortografia)?
dúvidas ortográficas, entre outros aspectos,
além de considerar as características da situação
comunicativa.

ORALIDADE1 (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Declamar poemas com entonação, postura e Declama textos versificados com entonação e fluência?
interpretação adequadas, em situação comunicativa
Compreende textos versificados que serão declamados,
definida.
ainda que com a ajuda da turma e da professora, ou do
A.Estudar textos poéticos para se apropriar da professor?
entonação e dos recursos expressivos com a
finalidade de apresentar a leitura a uma audiência.

Representar cenas de textos dramáticos, reproduzindo Realiza leitura dramática e representação de cenas de
as falas das personagens de acordo com as rubricas de textos dramáticos para uma audiência com fluência
interpretação e movimento indicadas pelo autor. leitora e entonação adequada?
Dramatiza cenas de textos teatrais, reproduzindo as
falas das personagens, de acordo com as rubricas de
interpretação e movimento/perfil do personagem?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 169


Componentes curriculares

4 º ano – Língua Portuguesa


CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
ANÁLISE LINGUÍSTICA E SEMIÓTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Analisar textos literários para estudar o registro Elabora, com autonomia e em parceria, registros de
linguístico-literário presente, reconhecendo a sua estudo de texto literário, focalizando diferentes recursos
especificidade (recursos de referenciação, uso de que podem ser utilizados tanto para evitar repetições
repetição, adjetivação, metáforas, entre outros), bem indesejadas quanto para provocar efeitos de sentido
como os sentidos produzidos pelo uso dos recursos interessantes, por meio da repetição?
citados.
Reconhece a presença dos recursos de referenciação e
coesão utilizados pelos autores, fazendo uso deles nas
próprias produções?

Eliminar, em situação de produção e revisão, repetições Revisa o texto produzido, utilizando as referências
indesejadas nos textos produzidos, indicando construídas e registradas, conseguindo eliminar
substituições (substituir o referente por sinônimos ou repetições indesejadas ou utilizando repetições para
hiperônimos, nome pelo pronome ou utilizando elipse). provocar efeitos de sentido interessantes para as
intenções de significação pretendidas?
Analisar, em situações de estudo coletivo, os efeitos de
sentido que podem ser conseguidos com repetições
baseadas no uso de diferentes recursos linguístico-
-discursivos, utilizando-os em situação de produção de
textos, quando for o caso.

Diferenciar e utilizar, nos textos produzidos, discurso Reconhece e utiliza, com autonomia, discurso direto e
indireto e discurso direto, determinando o efeito de indireto nas produções realizadas?
sentido das duas possibilidades de textualização e
Produz diálogos considerando a variedade linguística
dos verbos de enunciação, compreendendo o uso de
mais adequada ao perfil do personagem?
variedades linguísticas no discurso direto, quando for
o caso.

Observar em poemas concretos o formato, a Identifica a relação existente entre o poema concreto e o
distribuição e a diagramação das letras do texto na espaço no qual se insere, seja ele a página de um livro, de
página, refletindo sobre os efeitos de sentido produzidos um site ou a tela de um projetor?
pelo modo de ocupação desse espaço.

Identificar em textos versificados efeitos de sentido Reconhece o efeito de sentido provocado pelas rimas e
decorrentes do uso de recursos rítmicos e sonoros e de metáforas em textos versificados?
metáforas.
Utiliza recursos rítmicos dos poemas estudados e
apresentados em situação de declamação?

170 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 5º ano

5º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar que os textos possuem funções relacionadas Participa de situações de leitura, escuta, produção de
aos diversos campos de atuação da vida social e às textos orais, escritos e multissemióticos que circulam
diferentes mídias – impressa, de massa e digital –, em diferentes campos de atuação e mídias, de modo a
reconhecendo para que foram produzidos, onde expressar e partilhar informações, experiências, ideias e
circulam, quem os produziu e a quem se destinam. sentimentos com base nos textos lidos/produzidos?
A. Estabelecer, com autonomia, relações entre os textos Identifica, no processo de escuta e leitura de textos,
dos diferentes campos de atuação, no que se refere à o contexto de produção e a finalidade do texto lido,
sua finalidade, a valores veiculados, crenças, reconhecendo que os textos possuem diferentes
entre outros. funções relacionadas aos campos de atuação em que
estão inseridos?
Busca, seleciona e lê textos que circulam em meios
impressos ou digitais de acordo com as necessidades e
interesses?

Estabelecer, com autonomia, expectativas em relação ao Antecipa as informações com base nas pistas dadas nos
texto que vai ler/ouvir (pressuposições antecipadoras textos (posições assumidas, tratamento temático, visão
dos sentidos, da forma e da função social do texto), do interlocutor, valores e finalidade dos textos)?
apoiando-se em seus conhecimentos prévios sobre
Explicita, durante a escuta de textos de maior extensão,
as condições de produção e recepção desse texto, o
conexões realizadas com seus conhecimentos
gênero, o suporte e o universo temático, bem como
prévios?
sobre saliências textuais (aspas, negrito, itálico,
destaques gráficos, formatação especial de letra), Expõe, oralmente, as impressões sobre a leitura realizada,
recursos gráficos, imagens e dados da própria obra além dos recursos que utiliza para compreender os
(índice, prefácio etc.). textos, nos momentos de leitura colaborativa?
Localizar informações explícitas em textos lidos (simples Localiza informações explícitas em textos lidos?
e de maior complexidade). Comenta com a turma a mensagem principal do texto lido?
Inferir, em situação de leitura colaborativa de textos com Tenta ler textos, considerados difíceis e/ou de maior
diferentes extensões, informações implícitas, revelando extensão, em colaboração com a turma?
os recursos utilizados para realizar a inferência.
Verifica, de modo autônomo, as informações
Inferir, com autonomia, informações implícitas em textos antecipadas antes e durante a leitura?
lidos.
Realiza inferências, em situação de leitura autônoma,
Inferir o sentido de palavras ou expressões tanto com base na recuperação do contexto de
desconhecidas em textos com base no contexto. produção e de recepção do texto quanto do universo
Verificar, de modo autônomo, as informações temático do mesmo?
antecipadas antes e durante a leitura. Seleciona a acepção mais adequada em verbete
Identificar o efeito de sentido produzido pelo uso de dicionário ou de enciclopédia na busca pela
de recursos expressivos gráfico-visuais em textos compreensão do texto?
multissemióticos lidos com autonomia. Verifica, de modo autônomo, as informações
antecipadas antes e durante a leitura?
Identifica a presença de outras linguagens como
constitutiva do sentido dos textos impressos ou digitais?
Por exemplo, quadro de complementação, infográfico,
negrito, nota de rodapé, imagens e cores.
Compreende os efeitos de sentido provocados pelo
uso de recursos expressivos gráfico-visuais em textos
multissemióticos?
Relaciona texto verbal e não verbal, compreendendo
a intencionalidade da produção de sentido, de modo
articulado ao uso dos recursos gráfico-visuais?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 171


Componentes curriculares

5º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ler e compreender, com autonomia e fluência, textos Lê, com autonomia e fluência semântica, textos
com nível de textualidade adequado (curtos e de maior conhecidos e de maior extensão?
extensão).
Estuda textos, em colaboração e de modo autônomo,
Identificar, com autonomia, a ideia central de textos para planejar a leitura em voz alta para uma determinada
lidos, demonstrando compreensão global. audiência, considerando as especificidades da situação
de comunicação?
Participa de leitura colaborativa de textos mais
complexos, identificando a ideia central e estabelecendo
relações entre as partes do texto pela identificação de
elementos que articulam coesão e coerência (presença
de ideias complementares, substituições lexicais, uso de
sinônimos, pronomes entre outros recursos)?

Identificar relações de intertextualidade nos textos Localiza, com a ajuda da turma e da professora, ou
lidos, reconhecendo os efeitos de sentido provocados do professor, e de modo autônomo, relações de
pelo uso do recurso. intertextualidade (presença de outros textos, ou trecho
deles), identificando o efeito provocado pelo recurso?
Recuperar relações entre as partes de um texto, com
base na identificação e análise de seus elementos e
substituições lexicais (de substantivos por sinônimos) ou
pronominais (uso de pronomes, anafóricos – pessoais,
possessivos, demonstrativos), tendo em vista resolver
problemas de compreensão.

Buscar, selecionar e ler textos que circulam em meios Busca, seleciona e lê, com autonomia, textos que
impressos ou digitais de acordo com as necessidades e circulam em meios impressos ou digitais, de acordo com
interesses. as necessidades e interesses?
Selecionar livros, artigos em meios impressos e digitais e Escolhe livros e outros materiais de leitura com
outros materiais de leitura, consultando título, sumário, autonomia, com base em uma finalidade definida,
quarta capa, links, aplicativos especializados e orientando- orientando-se por diferentes critérios e justificando os
-se por diferentes critérios (objetivos de leitura, preferência motivos da escolha?
por autores, ilustradores e temática, entre outros) em
Solicita livros que compõem o acervo da sala, ou da
bibliotecas, cantinhos de leitura ou meios digitais.
biblioteca para conhecê-los, folheando-os, lendo o
Participar de roda de leitores para compartilhar, com a sumário e a quarta capa, observando as ilustrações,
turma e a professora, ou o professor, sua opinião sobre entre outros aspectos?
livros/textos lidos e outros materiais de leitura, além de
Compartilha experiências pelo prazer da leitura
indicar e/ou receber indicação literárias.
(apreciação estética, de encantamento) e pela criticidade,
A. Interagir em sites, fóruns, clubes de leitores ou grupos para escutar o outro e dialogar sobre obras lidas?
de redes sociais para compartilhar leituras realizadas,
Estabelece uma rotina de leitura de diferentes materiais
seguir autores, indicar e receber indicações de obras
com progressiva autonomia?
em geral.
Conhece diferentes autores, ilustradores e ilustrações,
escolhendo livros pelo autor?
Tem interesse em compartilhar opiniões, ideias e
preferências acerca dos livros lidos?
Busca interações com o livro de maneira prazerosa,
entendendo as histórias como fonte de múltiplas
informações e de entretenimento?
Desenvolve critérios de escolha e de indicação de livros
em rodas presenciais e em mídias digitais?

172 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 5º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ler/ouvir textos das diversas áreas do conhecimento para Dispõe-se a ler para estudar temas relacionados
estudar temas relacionados a uma finalidade determinada a projetos e sequências didáticas, realizando
em fontes diversas das mídias digitais e impressas. procedimentos típicos de situações de estudo?
Realizar, no processo de estudos, procedimentos típicos
do ato de ler para estudar (destacar informações
relevantes, tomar nota, produzir esquemas com
sínteses).

PRODUÇÃO DE TEXTOS (COMPARTILHADA E AUTÔNOMA)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar, com a ajuda da professora, ou do professor14, Planeja os textos a ser produzidos, considerando a
e de modo autônomo, o texto que será produzido, adequação aos contextos de produção e circulação
considerando a situação comunicativa5, pesquisando do gênero em questão, pesquisando informações e
em meios impressos ou digitais, sempre que organizando-as para consulta?
preciso, informações necessárias à produção do
Elabora esquemas/planos de texto, de modo
texto, organizando em tópicos os dados e as fontes
colaborativo e autônomo, do que será escrito?
pesquisadas.
Reconta, quando necessário, histórias (lidas pela
A. Organizar, com autonomia, as partes do texto na
professora, ou pelo professor) para recuperar a
ordem em que será produzido.
sequência do texto, mantendo a ordem (relações de
temporalidade) em que os episódios aparecem na
história, as relações de causalidade entre eles e o
registro literário?

Reescrever textos de diferentes gêneros, recorrendo ao Escreve respeitando as características do gênero e o


plano do texto, aos estudos sobre as características do planejamento realizado?
gênero/texto-fonte e revisando enquanto escreve.

Analisar textos bem escritos, de modo colaborativo Analisa textos bem escritos, compreendendo a função
e autônomo, para observar a ocorrência de do uso de recursos linguísticos e gramaticais pelos
conhecimentos linguísticos e gramaticais (concordância autores na construção de sentido?
verbal e nominal, pontuação, modos de marcar o
Toma nota dos aspectos estudados e as consulta, com
discurso direto, recursos de referenciação, entre outros
autonomia, em situação de produção e revisão de texto?
conhecimentos necessários para aprimoramento
da escrita. Escreve aplicando os conhecimentos convencionais
estudados, como recursos de referenciação e de coesão
Utilizar, ao produzir e/ou revisar os textos,
(pontuação, articuladores de relações de sentido no
conhecimentos linguísticos e gramaticais estudados
texto), além da ortografia?
no período (ortografia, regras básicas de concordância
nominal e verbal). Reconhece, no processo de produção/revisão, os
desvios cometidos em relação a quebra da continuidade,
Utilizar, ao produzir e/ou revisar textos, pontuação
falta de informação e de pontuação, inadequação
adequada aos sentidos que se pretende produzir (ponto
de léxico, entre outros conhecimentos gramaticais,
final, ponto de exclamação, ponto de interrogação,
realizando ajustes?
vírgulas em enumerações e pontuação do discurso
direto, quando for o caso).

Organizar, com autonomia, o texto a ser produzido em Produz textos, organizando-os em unidades de sentido
unidades de sentido, dividindo-o em parágrafos segundo (paragrafação) de acordo com o gênero estudado,
as normas gráficas e de acordo com as características do textualizando as ideias de acordo com o planejado?
gênero textual.
Compreende que as ideias precisam estar em uma
sequência para ter sentido?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 173


Componentes curriculares

5º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
PRODUÇÃO DE TEXTOS (COMPARTILHADA E AUTÔNOMA)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer os recursos de referenciação (por Reconhece a presença dos recursos de referenciação e


substituição lexical ou por pronomes pessoais, coesão, utilizados pelos autores em situação de análise
possessivos e demonstrativos) e o vocabulário coletiva de textos?
apropriado aos gêneros e fazer uso deles em situação de
Entende a importância do uso dos pronomes e outros
produção de textos.
recursos de referenciação em textos da ordem do narrar,
Utilizar, ao produzir e revisar textos, recursos de coesão utilizando-os sempre que necessário?
pronominal (pronomes anafóricos) e articuladores de
Utiliza, ao produzir textos, recursos estudados,
relações de sentido (tempo, causa, oposição, conclusão e
eliminando repetições indesejadas ou fazendo uso
comparação) com nível suficiente de informatividade.
desses recursos para provocar determinado efeito de
sentido?
Utiliza articuladores textuais adequados ao registro
do gênero estudado no ano, ou em anos anteriores,
ajustando possíveis inadequações no processo de
revisão?

PRODUÇÃO DE TEXTOS (REESCRITA E ESCRITA COMPARTILHADA E AUTÔNOMA)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reler e revisar o texto produzido, com a ajuda da Dispõe-se a reler/ouvir a releitura do texto produzido
professora, ou do professor, e a colaboração da para aprimorá-lo?
turma, para corrigi-lo e aprimorá-lo, fazendo cortes,
Sugere acréscimos, cortes, reformulações etc. no
acréscimos, reformulações e correções, considerando
processo de revisão dos textos em parceria e de modo
a situação comunicativa (interlocutores, finalidade
autônomo?
etc.).
Reconhece os desvios cometidos, inclusive os
A. Fazer uso constante do rascunho como procedimento
relacionados à grafia das palavras?
habitual da produção escrita.

Editar a versão final do texto produzido, em colaboração Participa da edição do texto produzido e da construção
com a turma ou com a ajuda da professora, ou do do produto final dando ideias, ilustrando e organizando
professor, ilustrando, quando for o caso, em suporte o material produzido?
adequado, manual ou digital.
Edita, com autonomia e quando for caso, os textos
produzidos?

Utilizar programas de edição de texto, com progressiva Utiliza, de modo colaborativo e com autonomia,
autonomia, para editar e publicar os textos produzidos, programas como Word, e seus aplicativos de edição de
explorando os recursos multissemióticos disponíveis. texto e imagem, e o Audacity, entre outros, no processo
de edição de textos produzidos?

174 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 5º ano

ORALIDADE1 (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Expressar-se em situações de intercâmbio oral, com Durante a preparação de uma comunicação, preocupa-
clareza, preocupando-se em ser compreendido pelo -se com quais informações vai privilegiar e qual
interlocutor e usando a palavra com tom de voz audível, linguagem/vocabulário vai empregar de modo a tornar o
boa articulação e ritmo adequado. conteúdo compreensível para os ouvintes?
Escutar, com atenção, falas de professoras, professores Participa de situações de intercâmbio oral do cotidiano
e colegas, formulando perguntas pertinentes ao tema, escolar, usando a palavra com tom adequado,
manifestando opinião, solicitando esclarecimentos formulando perguntas e fazendo comentários sobre o
e tomando nota, sempre que necessário, de modo tema tratado, partilhando informações, experiências,
autônomo. ideias e sentimentos?
Reconhecer, progressivamente, as características Ouve as colegas e os colegas e obedece os turnos
da conversação espontânea presencial, respeitando de fala, dirigindo-se aos interlocutores com forma
os turnos de fala, selecionando e utilizando, durante de tratamento adequada, respeitando as ideias
a conversação, formas de tratamento adequadas à apresentadas em situação de rodas, discussões
situação e à posição do interlocutor. temáticas, conversação etc.?
Coloca em jogo os conhecimentos sobre diferentes
gêneros orais que fazem parte das práticas sociais
estudadas em situações do cotidiano escolar?
É capaz de planejar sua fala adequando-a a contextos
específicos (para introduzir um assunto ou ampliá-lo
numa exposição, participar de uma conversação etc.)?
Possui repertório mínimo que possibilite compreender
como o discurso se organiza em cada gênero?
Exercita a capacidade de argumentar oralmente?

Participar de rodas de leitura, rodas de conversa, ou de Nas rodas indicadas


jornal, no contexto escolar, fazendo perguntas sobre O Faz comentários de forma espontânea e coerente?

o tema tratado, expressando-se de maneira audível, O Faz comentários após solicitações da professora, ou do

ouvindo os colegas e justificando suas intervenções. professor?


O Ouve a professora, ou o professor, e as colegas e os

colegas?
O Justifica sua opinião discutindo posições diferenciadas?

Conhecer gêneros do discurso oral, utilizados em Identifica alguns gêneros do discurso oral, considerados
diferentes situações e contextos comunicativos, e suas relevantes para a escola, reconhecendo sua finalidade e
características linguístico-expressivas e composicionais suas características linguísticos-expressivas?
(conversação espontânea, conversação telefônica,
Alia os conhecimentos adquiridos à prática, fazendo uso
entrevistas pessoais, entrevistas no rádio ou na TV, debate,
das características referentes ao gênero?
noticiário de rádio e TV, narração de jogos esportivos no
rádio e na TV, aula, debate etc.) para se aproximar do tipo
de registro utilizado nas diferentes situações.

Ouvir gravações, canções e textos falados em diferentes Ouve textos falados, como canções, relatos e entrevistas,
variedades linguísticas, identificando características organizados em diferentes variedades, demonstrando
regionais, urbanas e rurais da fala e respeitando essa respeito e valorizando a diversidade linguística?
diversidade como característica do uso da língua por
Entende que as variações nos modos de falar não devem
diferentes grupos regionais ou diferentes culturas locais,
ser vistas como erro, mas como uso diferente da língua,
regionais, nacionais ou de outros países, rejeitando
um outro modo de se expressar, demonstrando essa
preconceitos linguísticos.
preocupação em situações do cotidiano escolar?
Ouve textos orais que circulam em diferentes campos
de atuação e mídias, com compreensão, autonomia e
criticidade?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 175


Componentes curriculares

5º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
ORALIDADE (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Atribuir significado a aspectos paralinguísticos Demonstra compreender, ao assistir a vídeos e


observados na fala, como direção do olhar, riso, apresentações em geral, aspectos paralinguísticos
gestos, movimentos da cabeça (de concordância ou utilizados na fala?
discordância), expressão corporal e tom de voz, em
Identifica como ritmo, entonação, gestos e outros
situação de trabalho coletivo (assistindo a vídeos, clipes
aspectos paralínguísticos são importantes para a
e entrevistas para estudar um tema).
compreensão e finalidade dos textos orais, fazendo uso
autônomo desses recursos em situação de oralização e
declamação?
Acompanha eventos de recitação ou cantoria de forma
harmônica (situação de oralização de textos/recitação e
jograis em grupo em saraus)?

ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Organizar, em situação de reescrita e produção Reescreve textos respeitando a progressão entre as


de autoria, as partes dos textos coerentemente, partes sem provocar falhas que resultem em problemas
procurando evitar – e resolver – eventuais problemas de de compreensão?
compreensão decorrentes de aspectos como ortografia;
Produz textos de autoria, de modo colaborativo e
segmentação da escrita em palavras (separadas por
autônomo, respeitando a progressão entre as partes
espaços); divisão silábica das palavras e translineação;
sem provocar problemas de compreensão?
acentuação; uso de letras maiúsculas; pontuação; e
referenciação. Identifica, no processo de revisão, problemas de
compreensão nos textos produzidos (omissões,
incoerência na progressão temática etc.)?

Identificar/analisar a função na leitura e usar na escrita Participa de estudos colaborativos sobre o uso da
ponto final, ponto de interrogação, ponto de exclamação, pontuação, em situação de leitura e análise de textos
dois-pontos e travessão (em diálogos), vírgula em bem escritos, identificando os efeitos de sentido
enumerações e em separação de vocativo e de aposto, produzidos pelo uso da pontuação pelos autores?
relacionando os efeitos de sentido produzidos pelo uso
Discute possibilidades e analisa os efeitos de sentido
da pontuação.
correspondentes, empregando corretamente a vírgula
em enumerações, para separar vocativo e aposto?
Revisa, com mediação da professora, ou do professor,
e de modo autônomo, os escritos produzidos,
relacionando o uso da pontuação com os efeitos de
sentido produzidos, fazendo ajustes?

Analisar, com autonomia, os efeitos de sentido Observa o uso de outros recursos empregados nos
produzidos pelo uso de distintas saliências textuais, textos e contribui com análises realizadas a respeito do
como aspas, negrito, itálico, destaques gráficos e sentido produzido pelo uso desses sinais?
formatação especial de letra.

176 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 5º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer, na escrita de textos, que as palavras podem Segmenta convencionalmente textos em palavras?
ser separadas em partes, quando não couberem na
Reconhece, em situação de produção coletiva e
mesma linha.
autônoma, que as palavras podem ser segmentadas
A. Observar, nas situações de produção e cópia, as em sílabas e identifica diferentes possibilidades de
regras da separação de sílabas e as diferentes translineação?
possibilidades de translineação.
Produz textos observando os diferentes modos
B. Utilizar, em situação de produção autônoma, as regras possíveis de segmentar uma palavra no final da linha,
de translineação, escolhendo a possibilidade mais quando não couber por inteiro?
adequada ao espaço disponível para escrita na linha.

Grafar12 convencionalmente palavras de uso frequente Escreve convencionalmente, com ou sem consulta a
nas quais as relações grafema-fonema são irregulares, fontes confiáveis, palavras consideradas irregulares, de
especialmente palavras com diferentes sons do X uso frequente e/ou estudadas no período (H inicial, C/
e palavras com SC entre outras irregulares de uso CH, palavras com SC?
frequente e previstas em anos anteriores.
Memoriza a grafia de palavras irregulares e escreve
A. Pesquisar, de modo colaborativo e autônomo, convencionalmente, em situação de produção de textos?
bloco de palavras cuja relação grafema-fonema é
Registra e organiza informações importantes sobre a
classificada como irregular para memorizar a grafia
escrita convencional das palavras, consultando esses
convencional e escrevê-las corretamente em suas
registros em situação de produção e revisão de textos?
produções.

Escrever convencionalmente palavras utilizando regras Escreve convencionalmente palavras de uso frequente
de correspondência grafema-fonema contextuais. com ocorrências regulares diretas e contextuais?
Revisar, autonomamente, suas produções do ponto de Consulta fontes confiáveis para resolver dúvidas
vista da ortografia. ortográficas?
Participa de situação de ditado interativo e leitura
com focalização, apresentando suas preocupações
ortográficas e sugestões/ideias para lembrar a grafia
correta, tomando nota de descobertas?

Reconhecer e grafar corretamente palavras derivadas Escreve convencionalmente palavras regulares


com os sufixos -agem, -oso, -eza, -izar/-isar; substantivos morfológico-gramaticais estudadas no período?
finalizados com -ice; e verbos terminados com -isse
Faz hipóteses gráficas sobre palavras desconhecidas e
(regulares morfológicas).
arrisca-se a escrever (tentar grafar de duas maneiras
A. Analisar, de modo colaborativo, bloco de palavras para escolher a que mais se adequa)?
regulares cuja relação grafema-fonema é
Reconhece que o tipo de relação grafema-fonema
morfológico-gramatical para reconhecer que o
presente nas palavras contribui para escrever
conhecimento gramatical traz informações sobre a
convencionalmente?
grafia correta e escrevê-las de modo convencional.
B. Revisar, autonomamente, suas produções do ponto de Revisa, com autonomia, os textos produzidos deixando-
vista da ortografia. -os livres de erros ortográficos?

Recorrer ao dicionário para esclarecer dúvida sobre a Utiliza, com autonomia, o dicionário em situação de
escrita de palavras, especialmente no caso de palavras dúvida ortográfica?
com relações irregulares fonema-grafema.
Resolve problemas de ortografia, de compreensão e
repetição inadequada de palavras no texto, fazendo
busca no dicionário ou refletindo com base no contexto?

Identificar o caráter polissêmico das palavras (uma Atribui corretamente significado às palavras de acordo
mesma palavra com diferentes significados, de acordo com o contexto de uso?
com o contexto de uso), interpretando o sentido da
Reconhece que uma palavra pode ter diferentes
mesma nas várias situações de uso cotidiano.
significados com base no contexto em que é utilizada?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 177


Componentes curriculares

5º ano – Língua Portuguesa


TODOS OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Acentuar corretamente palavras oxítonas, paroxítonas e Acentua, de modo convencional, palavras de uso
proparoxítonas de uso frequente. frequente?
Acentua corretamente palavras proparoxítonas?
Reconhecer, na leitura de textos, o efeito de sentido
decorrente do uso da pontuação, respeitando os Revisa produções escritas para identificar a necessidade
diferentes sinais, em situação de leitura (reticências, de acentuar as palavras?
aspas, parênteses, vírgula, ponto e vírgula etc.). Lê com entonação adequada, respeitando os sentidos
A. Analisar diferentes textos para observar os efeitos provocados pelo uso da pontuação?
de sentido provocados pelo uso da pontuação pelos Compreende os efeitos de sentido imprimidos aos
autores. textos de acordo com a pontuação utilizada pelo autor?
Reconhecer, com base na leitura e na produção de Discute possibilidades e analisa os efeitos de sentido
textos, a necessidade de organizar o enunciado, de correspondentes, empregando corretamente a vírgula
modo que seja possível identificar os autores das falas, e em enumerações, para separar vocativo e aposto?
a adequação dos verbos de dizer utilizados (falou, gritou,
murmurou, disse, berrou, sussurrou, entre outros) e Organiza os enunciados para que os autores das falas
dos qualificativos apresentados a cada fala (assustado, possam ser identificados, utilizando verbos de dizer,
curioso, calmamente, tremendo, sem pensar, por qualificados e empregados de acordo com as intenções
exemplo) às intenções de significação pretendidas. de significação pretendidas?
Revisar textos considerando a adequação da Revisa textos analisando a adequação dos recursos
apresentação das falas, utilizando os verbos de dizer e os linguísticos empregados na apresentação de diálogos,
qualificativos. realizando ajustes, caso necessário, para garantir as
intenções de significação?

Reconhecer e utilizar a expressão de presente, passado Identifica em textos e usa na produção textual a
e futuro em tempos verbais do modo indicativo em concordância nominal?
situação de produção oral e escrita.
Estabelece a concordância verbal nas situações de
Flexionar, na escrita e na oralidade, os verbos em produção e/ou revisão de textos orais e escritos,
concordância com pronomes pessoais/nomes/sujeitos. considerando a adequação à situação comunicativa?
Identificar a necessidade de estabelecer a concordância
verbal na construção da coesão e da coerência do texto,
flexionando os verbos corretamente.

Compreender as relações estabelecidas pelas Identifica as conjunções e a relação de coesão que


conjunções entre os segmentos do texto (adição, estabelecem entre partes de um texto (adição, oposição,
oposição, tempo, causa, condição, finalidade), causa, condição ou finalidade)?
observando que o uso inadequado pode produzir
Revisa os textos produzidos e utiliza conjunções
sentidos não desejados.
coerentes com o gênero e com o tipo de relação que
deseja estabelecer entre as partes do texto?

Identificar em textos lidos e usar na produção textual Utiliza de modo convencional os pronomes nos textos
pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos, produzidos?
como recurso coesivo anafórico.
Faz ajustes no texto, no processo de revisão, para evitar
repetições indesejadas do referente?

178 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 5º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Diferenciar palavras primitivas, derivadas e compostas, Reconhece, com a ajuda da turma e da professora, ou
e derivadas por adição de prefixo e de sufixo, em do professor, que conhecer a formação das palavras
situação de trabalho colaborativo, para refletir sobre a pode contribuir para a compreensão do significado das
relação entre a formação das palavras e seu significado. mesmas?
A. Analisar bloco de palavras para comparar Conhece e utiliza de modo adequado, na produção,
semelhanças e diferenças, em relação à formação palavras derivadas como forma de deixar os textos mais
das mesmas, para compreender que saber sobre o bem escritos?
modo como elas são formadas pode contribuir para
entender o significado do vocábulo. Por exemplo:
casa, casebre e casarão; feliz, infeliz, infelizmente e
felizmente; e final e finalmente.

CAMPO DA VIDA COTIDIANA


LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ler e compreender, com autonomia, textos instrucionais Lê e compreende textos instrucionais, utilizando-os
de regras de jogo, entre outros gêneros do campo da em situação em que precisem orientar determinada
vida cotidiana, de acordo com as convenções do gênero ação (montar um jogo, ou seguir suas regras, utilizar
e considerando a situação comunicativa e a finalidade um aplicativo do celular, elaborar uma receita, entre
do texto. outros)?

Ler e compreender, com autonomia, anedotas, piadas Faz leitura compreensiva dos gêneros citados,
e cartuns, entre outros gêneros do campo da vida reconhecendo elementos de humor e crítica, de
cotidiana, de acordo com as convenções do gênero e acordo com as convenções do gênero e a situação de
considerando a situação comunicativa e a finalidade do comunicação?
texto.

Planejar e produzir, com autonomia e em situações Planeja o texto a ser produzido realizando adequações
específicas, textos instrucionais (receitas, instruções ao contexto em que está inserido e às formas do gênero,
de montagem de brinquedos, instruções de jogos etc.), respeitando aspectos convencionais da escrita?
respeitando a estrutura própria desses textos (verbos
Organiza o planejamento considerando as formas do
imperativos, indicação de passos a ser seguidos) e
gênero?
mesclando palavras, imagens e recursos gráfico-visuais,
considerando a situação comunicativa e o tema/assunto Produz textos instrucionais, com autonomia,
do texto. respeitando as características do gênero proposto?
Relê e revisa textos produzidos em parceria e de modo
autônomo, realizando ajustes necessários, utilizando
conhecimentos linguísticos e gramaticais tematizados no
período?

Mostrar os textos produzidos a outras pessoas de modo Submete, com autonomia, as produções a outros
a divulgar suas produções e conhecer as apreciações leitores, acolhendo sugestões e realizando ajustes
alheias, aprimorando o modo de escrever. necessários?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 179


Componentes curriculares

5º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DA VIDA COTIDIANA
ORALIDADE1 (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Assistir à postagem de vlog infantil com críticas de Assiste a vídeos de programas infantis com críticas de
brinquedos e livros de literatura infantil para listar brinquedos, de livros literários, entre outros, e, com
aspectos que possam ser utilizados numa resenha a ajuda da turma e da professora, ou do professor,
crítica, digital, a esses vídeos. identifica suas principais características observando a
multimodalidade da linguagem na produção dos sentidos?
A. Estudar a forma composicional e outras
características das resenhas críticas digitais e Anota os aspectos estudados para consultar em situação
vlogs para produzir um vídeo ou áudio analisando de produção e revisão de textos orais?
vídeos digitais infantis de críticas de brinquedos
Produz resenha digital (em vídeo ou áudio) criticando/
(apresentação e avaliação do produto).
comentando vídeos, postagens de brinquedos, de
B. Produzir, em parceria com os colegas, resenha crítica livros de literatura, entre outros, de modo crítico e
(em áudio ou vídeo) de vídeos digitais e/ou postagens responsável, respeitando as convenções gramaticais?
de vlog infantil de críticas sobre brinquedos ou livros
de literatura.

Assistir/ouvir os vídeos/áudios produzidos, retomando Revisa o vídeo/áudio produzido fazendo ajustes conforme
trechos e realizando os ajustes necessários, de acordo a situação comunicativa e as marcas do gênero?
com a situação comunicativa e as marcas do gênero e as
Consulta registros elaborados sobre estudo dos gêneros
sugestões dos ouvintes.
no momento de produção e revisão de textos, realizando
ajustes necessários?

Submeter os vídeos e áudios produzidos à apreciação da Submete as produções a outros leitores acolhendo
turma, realizando ajustes sugeridos. sugestões e realizando ajustes necessários?
Valorizar a linguagem de sua comunidade/região como Dispõe-se a refazer trechos dos áudios e vídeos com base
forma de comunicação cotidiana, buscando conhecer e na apreciação da turma e da professora, ou do professor?
respeitar as diferentes manifestações culturais existentes.
Reconhece e valoriza diferentes formas de comunicação,
rejeitando situações de preconceito linguístico,
especialmente nas ocasiões de apresentação de vídeos
produzidos e conversação em geral?

ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e reproduzir, em textos de resenha crítica de Reconhece os recursos linguísticos e discursivos que
brinquedos ou livros de literatura infantil, a formatação constituem o gênero resenha crítica, empregando-os
própria desse gênero, os recursos linguísticos adequadamente no momento da produção dos
(apresentação e avaliação do produto) e o modo como vídeos/áudios?
realizam a crítica.
Localiza em resenhas críticas os argumentos utilizados
pelo autor para convencer o leitor, anotando-os para
consultas futuras?
Explicita, em situação de escrita de resenha a esses
vídeos, críticas sobre os mesmos baseadas em
conhecimento dos aspectos verbais e extraverbais e
sua articulação?

180 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 5º ano

CAMPO DA VIDA PÚBLICA


LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ler e compreender, com autonomia, reportagens, Lê compreensivamente textos do campo jornalístico-


notícias, entrevistas, artigos, entre outros gêneros do -midiático comentando-os, quando for o caso?
campo jornalístico, além de assistir a vídeos em vlogs
Comenta os textos lidos pela professora, ou pelo
argumentativos, considerando a situação comunicativa e
professor, e/ou em situação de leitura colaborativa,
o tema/assunto do texto.
emitindo opinião sobre os temas veiculados e revelando
A. Participar de situação de leitura colaborativa os recursos utilizados para localizar, inferir, comparar
de notícias, reportagens e artigos com temática informações etc.?
adequada, de mídia impressa e digital, discutindo os
temas veiculados, emitindo opinião e explicitando
os recursos utilizados para responder aos
questionamentos da professora, ou do professor.

Identificar, em notícias, fatos, participantes, local e Localiza os elementos do lide de uma notícia/
momento/tempo da ocorrência do que foi noticiado. reportagem, compreendendo sua importância no relato
dos aspectos essenciais do fato?
Comparar, com progressiva autonomia, informações
sobre um mesmo fato, veiculadas em diferentes mídias Compara informações sobre um mesmo fato, em
(impressas e digitais), para identificar semelhanças e diferentes mídias, identificando semelhanças e
diferenças no relato dos fatos e concluir qual é mais diferenças, além de indicar a mais confiável?
confiável e por quê.
Participa de discussões sobre a confiabilidade das
notícias refletindo sobre fatos/notícias, especialmente
aquelas que afetam a comunidade local, regional e/ou
nacional?

Distinguir, com progressiva autonomia, fatos Analisa artigos e notícias distinguindo fato de opinião de
de opiniões/sugestões em textos (jornalísticos, modo colaborativo e autônomo?
publicitários, entre outros).
Anota os aspectos estudados para utilizar nos
momentos de produção?

Ler e compreender, com autonomia, cartas e Identifica as principais características do contexto de


comentários de leitores dirigidos a veículos da mídia circulação de gêneros que divulgam opiniões de leitores
impressa ou digital (cartas de leitor a jornais, revistas (painel/mural de leitores em mídias impressas e digitais)?
infantis e/ou comentários de leitores em jornais digitais)
Realiza, com autonomia, a leitura de comentários e
identificando o assunto/tema comentado, a relação
cartas de leitores enviados às matérias jornalísticas
com a notícia que originou o comentário/carta e o
compreendendo-os?
posicionamento do leitor.
Relaciona comentário e carta de leitor às reportagens
A. Acessar/ler painéis de leitores na mídia impressa
que os originaram?
e digital para conhecer o contexto de circulação
dos comentários e cartas de leitores, registrar suas
características e refletir sobre os efeitos de sentido
provocados pela edição (título, identificação do
leitor etc.).
B. Analisar cartas de leitores e/ou comentários digitais
para compreender as relações que podem ser
estabelecidas com a reportagem que deu origem ao
comentário/carta, tomando nota das observações.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 181


Componentes curriculares

5º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DA VIDA PÚBLICA
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Localizar, com autonomia, recursos persuasivos Identifica os recursos multissemióticos presentes em


apresentados nos textos jornalísticos (cores, imagens, textos jornalísticos impressos e digitais relacionando os
escolha de palavras, tamanho de letra etc.) relacionando efeitos de sentido provocados pelo uso dos mesmos?
os efeitos de sentido provocados pelo uso de tais
recursos.
A. Analisar, com progressiva autonomia, a adequação
e intencionalidade dos recursos multissemióticos
empregados (cores, imagens, tamanho de letra,
posição que ocupa na reportagem), considerando
o interlocutor pretendido, a função do gênero e a
finalidade do texto.

Construir o sentido de histórias em quadrinhos Lê e compreende histórias em quadrinhos, relacionando


e tirinhas, relacionando imagens e palavras e imagens e texto verbal, interpretando os recursos
interpretando recursos gráficos (tipos de balão e de gráficos (tipos de balão e de letras e onomatopeias)?
letra, onomatopeias relacionadas ao assunto/momento Identifica as características dos gêneros quadrinhos
da trama, organização da sequência dos quadrinhos, e tirinha (organização interna; marcas linguísticas;
entre outros aspectos), sempre relacionando-os com os conteúdo temático) dos textos lidos?
efeitos de sentido produzidos.
Compreende as críticas propostas em tirinhas,
A. Analisar tirinhas em sua natureza multissemiótica, relacionando-a com fatos ocorridos na semana?
comparando-as com notícias e reportagens do
período, de modo a estabelecer relações entre os
gêneros e identificar as críticas estabelecidas.

Participar de rodas de jornal, com permanência semanal, Participa de roda de jornal compartilhando textos lidos e
compartilhando informações sobre notícias/reportagens impressões sobre o mesmo de modo autônomo?
lidas, emitindo opinião, estabelecendo relações com os Traz notícias para divulgar na escola?
conhecimentos prévios e informando a fonte onde a
Participa da organização de murais com notícias da
notícia foi encontrada.
semana?
Acompanhar em mídias digitais e/ou impressas as
Mantém-se atualizado em relação aos principais fatos
notícias locais, regionais e nacionais, de modo a manter-
ocorridos na região e no país?
-se atualizado.

PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar, com autonomia, com a ajuda da professora, Participa do planejamento e da produção de textos
ou do professor, e da turma, textos reivindicatórios reivindicatórios e propositivos, contribuindo com o
ou propositivos sobre problemas que afetam a vida levantamento dos problemas e das ideias sobre o tema e
escolar ou da comunidade, justificando pontos de vista, o que dizer (em situação de produção coletiva)?
reivindicações e detalhando propostas (justificativa,
Participa do planejamento dando ideias, consultando o
objetivos, ações previstas etc.), levando em conta seu
texto de referência a que o comentário será dirigido?
contexto de produção e as características dos gêneros
em questão, quando for o caso de fazer algum tipo de
reivindicação.
Planejar, com a ajuda da turma e da professora, ou do
professor, comentários/ou carta de leitores dirigidos a
veículos da mídia impressa ou digital, considerando os
temas do texto a que a carta/comentário se refere, as
marcas do gênero e a situação de comunicação.

182 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 5º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Produzir roteiro para edição de vídeos, reportagem Produz roteiro para a produção de reportagem,
digital sobre temas de interesse da turma ou estudados indicando os principais aspectos do tema a ser abordado
em outros componentes, com base em busca de na produção?
informações, imagens, áudios e vídeos na internet, de
Compreende os elementos composicionais dos gêneros
acordo com as convenções do gênero e considerando a
vídeo (vlogs) e reportagem, utilizando-os nos textos
situação comunicativa e o tema/assunto do texto.
produzidos?

Produzir, quando for o caso, textos reivindicatórios Produz, com a ajuda da turma e da professora, ou
ou propositivos sobre problemas que afetam a vida do professor, textos reivindicatórios e propositivos,
escolar ou da comunidade, justificando pontos de vista, contribuindo com o levantamento dos problemas e
reivindicações e detalhando propostas (justificativa, das ideias sobre o tema ditando à professora, ou ao
objetivos, ações previstas etc.), levando em conta seu professor, e à turma?
contexto de produção e as características dos gêneros
em questão (de modo colaborativo).

Produzir, em duplas e autonomamente, cartas de Escreve comentários, ou cartas de leitor, em parceria


leitor/comentários digitais dirigidos a veículos da mídia com a colega, ou o colega, e de modo autônomo,
impressa ou digital, emitindo opiniões e críticas, de considerando o texto de referência e as marcas do
acordo com as convenções do gênero e considerando a gênero escolhido?
situação comunicativa e o tema/assunto do texto.
Publica/envia para publicação cartas e/ou comentários
sobre reportagens lidas em mídias impressas e digitais?

Produzir, em colaboração com a turma e com a ajuda Participa da construção de regras e regulamentos para
da professora, ou do professor, listas de regras e organizar a vida escolar, consultando regulamentos
regulamentos que organizam a vida na comunidade internos da comunidade?
escolar, entre outros gêneros do campo da atuação
cidadã que se fizerem necessários para o momento.

Revisar, de modo colaborativo e autônomo, os textos Revisa e edita, com a ajuda da turma, da professora, ou
produzidos (durante o processo de escrita e ao final). do professor, e com autonomia, textos reivindicatórios ou
propositivos, comentários/cartas de leitores e roteiros,
entre outros gêneros estudados, adequando o texto
à situação comunicativa e utilizando conhecimentos
linguísticos e gramaticais tematizados no período?
Revisa suas produções enquanto escreve, considerando
a situação comunicativa e utilizando conhecimentos
linguísticos e gramaticais tematizados no período?

ORALIDADE1 (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Roteirizar vídeo para vlogs argumentativos sobre Roteiriza e produz vídeos para vlogs argumentativos,
produtos de mídia para o público infantil, de modo com a ajuda da turma e da professora, ou do professor,
colaborativo, construindo conhecimentos por meio destinados ao público infantil?
de pesquisa do conteúdo temático, de acordo com as
Considera, no processo de produção, recursos
convenções do gênero e considerando a situação em
expressivos que contribuam com a qualidade da
que irá circular.
comunicação?
Produzir e editar, com a ajuda da turma e da professora,
ou do professor, vídeo para vlogs argumentativos sobre
produtos de mídia para o público infantil com base em
pesquisa do conteúdo temático e estudo de vlogs, de
acordo com as convenções do gênero e considerando
a situação comunicativa e o tema/assunto/finalidade
do texto.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 183


Componentes curriculares

5º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DA VIDA PÚBLICA
ORALIDADE (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Argumentar, em situação de debate, sobre temas de Participa de discussões orais e debates sobre temas
interesse da região e/ou temas recorrentes da realidade polêmicos, defendendo seu ponto vista e ouvindo as
brasileira, praticando a escuta atenta e respeitando colegas e os colegas de modo respeitoso?
pontos de vista diferentes.
Participar de interações orais em sala de aula
questionando, sugerindo, argumentando e respeitando a
fala do outro e do professor.

Identificar em notícias a manchete, o lide e o corpo do Participa de análise de textos, identificando, de modo
texto e reproduzir esse formato em notícias simples colaborativo e autônomo, características dos textos
para o público infantil, além de identificar a formatação e estudados e anotando-as?
diagramação específica de comentários/cartas de leitor,
cartas digitais ou impressas, textos reivindicatórios,
inclusive em suas versões orais, e reproduzi-las.

Analisar a validade e a força de argumentos em situações Reconhece a força dos argumentos e seu poder de
de divulgação de produtos de mídia para o público persuasão na apresentação de produtos de mídia para o
infantil, refletindo sobre o impacto que podem causar no público infantil?
público-alvo, tendo como base estudos realizados sobre
Utiliza argumentos para fundamentar sua forma de
vlogs destinados ao público infantil.
pensar?
Constrói sua habilidade argumentativa e desenvolve sua
criticidade?
Reflete sobre o assunto lido, busca opiniões diferentes
sobre o tema, conversa com outros colegas para formar
sua opinião?

Analisar e avaliar o papel persuasivo do padrão de Observa como o vlogger (quem apresenta) expõe sua
entonação, da expressão corporal e da variedade opinião, o cenário, a organização de sua fala, a utilização
linguística selecionada no discurso argumentativo de imagens, a escolha do vocabulário, relacionando com
dos vloggers de vlogs opinativos ou argumentativos, os efeitos de sentido produzidos?
refletindo sobre o impacto dos aspectos mencionados
Observa os aspectos próprios dos gêneros orais, como
na produção de sentido em relação ao público-alvo.
os paralinguísticos (tom de voz, ritmo da fala, pausas,
risos, suspiros) e os cinésicos (postura corporal, gestos,
expressões faciais)?

184 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 5º ano

CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDO E PESQUISA


LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ler e compreender textos destinados ao estudo de Lê e compreende, com autonomia, textos expositivos e
temas (relatos históricos, artigos de enciclopédias, artigos, entre outros gêneros de divulgação científica
textos expositivos entre outros) relacionados às estudados no período?
diferentes representações sociais e à interculturalidade Participa de situação de leitura colaborativa de relatos
para conhecer e valorizar as diferentes culturas e históricos, textos expositivos, verbetes e artigos, entre
realizar pesquisas temáticas, relacionadas/ou não a outros, fazendo perguntas e revelando suas ideias a
outros componentes. respeito do tema/assunto lido?
A. Assistir vídeos e documentários ou ouvir podcasts Reconhece e valoriza o ato de estudar e a diversidade de
temáticos para apropriar-se de conhecimentos sobre conhecimentos culturais presentes na comunidade?
diferentes temas, além de conhecer as características
dos gêneros orais.

Ler e compreender verbetes do dicionário, identificando Conhece ambientes digitais e consulta verbetes de
a estrutura, as informações gramaticais (significado dicionários para esclarecer dúvidas vocabulares e
de abreviaturas) e as informações semânticas, consultar a grafia de palavras, entre outras informações
considerando o contexto da palavra para selecionar as que desejar?
acepções adequadas. Seleciona acepções adequadas ao contexto da busca?

Ler e interpretar dados presentes em gráficos, Lê gráficos, diagramas e tabelas compreendendo sua
diagramas e tabelas, comparando as informações. linguagem visual e a relação com o texto verbal?
Utiliza recursos como gráficos, diagramas e tabelas
como formas de apresentação de dados?

Buscar e selecionar, com a ajuda da professora, ou do Realiza pesquisa e estudos temáticos buscando
professor, e com autonomia, informações de interesse materiais com base em consulta a sumários e links,
sobre fenômenos sociais e naturais, em textos que fazendo sugestões de como organizar as informações?
circulam em meios impressos ou digitais.

Reler textos marcando, grifando, circulando e realizando Destaca e organiza informações relevantes em
anotações porque parecem significativos para o tema textos lidos em situação de realização de pesquisas
e merecem comentários ou, ainda, para esclarecer (diversidade cultural presente na região, características
dúvidas. de uma região brasileira, presença de determinada
Utilizar procedimentos de pesquisa em meios impressos epidemia, cuidado com os rios, entre outros temas)?
e digitais com base nos conhecimentos sobre o tema, Demonstra interesse em participar de atividades em
o conteúdo e as características do gênero e da mídia ambientes digitais?
(grifar, tomar nota, seguir links e selecionar fontes e Lê sumários, títulos e subtítulos para localizar uma
informações em diferentes materiais e ambientes). informação solicitada e selecionar material de pesquisa?

PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Planejar texto expositivo e verbete, entre outros gêneros Planeja o texto que será produzido coletivamente e de
das práticas de estudo, para divulgar informação sobre modo autônomo?
tema de interesse, organizando resultados de pesquisa
em fontes de informação impressas ou digitais, incluindo
imagens e gráficos ou tabelas, prevendo procedimentos
de busca de informações em ambientes digitais e uso
de programas que permitam a construção de tabelas e
gráficos, considerando a situação comunicativa e o tema/
assunto do texto.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 185


Componentes curriculares

5º ano – Língua Portuguesa


CAMPO DAS PRÁTICAS DE ESTUDO E PESQUISA
PRODUÇÃO DE TEXTOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Produzir, com autonomia, entrevistas e/ou verbetes Produz texto expositivo, roteiros, verbetes de
de enciclopédia infantil, relatórios de experimentos, enciclopédia, relatórios de experimento e entrevistas,
textos expositivos digitais ou impressos e pequenos entre outros gêneros, respeitando a situação
ensaios, entre outros gêneros, sobre temas de interesse comunicativa e as características/formatação do gênero
estudados no período, considerando a situação selecionado?
comunicativa e o tema/assunto/finalidade do texto.
Reconhece as características do gênero e a estrutura
Produzir, de modo colaborativo, podcasts temáticos com de composição do texto, considerando-as em suas
base em estudos realizados em parceria com outros produções?
componentes, considerando as características do
Produz podcast em parceria com colegas gravando
gênero e a situação comunicativa.
em celular ou outro recurso, considerando as
A. Assistir a vídeos e documentários ou ouvir podcasts especificidades desse modo de divulgar informações, a
temáticos para conhecer as características dos finalidade e o contexto de circulação?
gêneros orais, compreender a articulação entre as
diferentes linguagens que os compõem, de forma a
produzi-los de modo eficaz, além de tomar nota do
estudo realizado.

Revisar o áudio/vídeo/podcast enquanto está sendo Ouve o áudio/vídeo produzido para revisar e realizar
produzido para saber o que já foi escrito e realizar os ajustes, adequando-o aos interlocutores?
ajustes necessários, considerando as características da
situação comunicativa.

ORALIDADE1 (PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS)


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Apreciar com atenção apresentações de trabalhos e Escuta com atenção a exposição de trabalhos realizados,
podcasts temáticos realizados/produzidos por colegas, comentando e formulando perguntas coerentes com o
formulando perguntas pertinentes ao tema e solicitando tema tratado?
esclarecimentos sempre que necessário.

Recuperar, formular e organizar as ideias principais Explicita a compreensão de exposições e palestras


em situações formais de escuta de exposições, assistidas por meio de participações orais pertinentes
apresentações e palestras em forma de registro oral ao tema, recuperando as ideias principais veiculadas no
ou escrito. evento comunicativo e anotando o que for relevante?
Realiza registros pessoais sobre a exposição oral e áudio
assistidos?

Planejar exposições orais considerando as Contribui com o planejamento de exposição oral


características do evento comunicativo (seminário, organizando roteiros, planejando o tempo de fala, dando
exposição), os temas estudados, bem como as marcas ideias e sugerindo material de apoio?
da exposição oral (produção de roteiros, presença de
Constrói roteiros para orientar a produção oral?
materiais de apoio à fala, entre outros).
Identifica, em situação de estudo coletivo, materiais
A. Ouvir áudios ou assistir a vídeos de gêneros
audiovisuais e recursos expressivos que ampliem a
investigativos a ser produzidos para conhecer os
qualidade da exposição (entonação, ênfase na exposição
recursos de expressão próprios do gênero em estudo.
de um trecho e gestos, entre outros recursos)?
Traz materiais de casa ou da biblioteca da escola sobre
os temas estudados?

186 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 5º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Expor trabalhos ou pesquisas escolares em sala Realiza, de modo colaborativo e, mais tarde, com
de aula, com apoio de recursos multissemióticos autonomia, exposição oral, orientando-se por roteiro
(imagens, diagramas, tabelas, cartazes, painéis, vídeos escrito, explicando com clareza, apoiando-se em
etc.), orientando-se por roteiro escrito, planejando recursos como: imagens, diagramas, tabelas, cartazes,
o tempo de fala e adequando a linguagem à situação vídeos etc.?
comunicativa.
Respeita o tempo de fala nas situações de exposição?
Adequa a linguagem à situação comunicativa, ouvindo os
interlocutores e dando a palavra e preocupando-se com
o que a audiência sabe sobre o assunto e que aspectos
poderiam lhes parecer interessante sobre o tema
apresentado?

ANÁLISE LINGUÍSTICA/SEMIÓTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Utilizar, ao produzir o texto, conhecimentos linguísticos Utiliza, ao produzir textos, conhecimentos convencionais
e gramaticais como regras sintáticas de concordância sobre a língua, ainda que após o processo de revisão?
nominal e verbal, convenções de escrita de citações,
Identifica na leitura e utiliza na produção de textos
pontuação (ponto final, dois-pontos, vírgulas em
expositivos, de divulgação científica, entrevistas etc. a
enumerações) e regras ortográficas, de acordo com
função das citações e as convenções que orientam sua
o gênero escolhido (relatórios de experimentos, de
escrita?
observação, exposições orais, entrevistas etc.), como
ferramentas para garantir a coesão e a coerência dos
textos produzidos.

Utilizar, ao produzir o texto, recursos de coesão Reconhece e utiliza recurso de coesão pronominal
pronominal (pronomes anafóricos) e articuladores de considerando sua adequação aos contextos de produção
relações de sentido (tempo, causa, oposição, conclusão, e circulação do gênero?
comparação) com nível adequado de informatividade.
Faz uso de recursos de coesão pronominal após a
revisão de textos?

CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ouvir e ler, com autonomia, obras literárias de diferentes Escuta com atenção a leitura realizada pela professora,
culturas e de maior extensão, como contos em geral, ou pelo professor, participando dos momentos de
romances e crônicas. comentários e explicitando sua apreciação quando for o
caso?
Participar de leitura programada de obras literárias
com nível de textualidade adequado (romances da Realiza antecipações sobre o que será lido, conferindo-
literatura brasileira ou internacional) sob a orientação da -as ao longo da leitura realizada pela professora, ou pelo
professora, ou do professor. professor?
Consegue ler de modo compreensivo capítulos das
obras em local diverso da sala de aula?
Lê capítulos de obras em local diverso das aulas e
acompanha a leitura em sala revelando, em momentos
adequados, apreciações sobre a mesma?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 187


Componentes curriculares

5º ano – Língua Portuguesa


CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Apreciar textos literários observando os efeitos Relaciona texto verbal com as ilustrações, reconhecendo
de sentido criados pela articulação das diferentes a articulação e complementaridade das linguagens
linguagens (verbal, imagética, gráfica) quando for o caso. na construção do sentido (comentando aspecto da
imagem durante a leitura e antecipando a continuidade
A. Relacionar texto com ilustrações e outros recursos
de determinado trecho lido com base na imagem entre
gráficos, reconhecendo, de modo colaborativo, a
outros)?
articulação das linguagens na composição do sentido.
Aprecia textos literários solicitando-os para leitura de
B. Apreciar textos literários explicitando a preferência
escolha pessoal?
por determinado autor, pelo tipo de narrativa, entre
outros aspectos.

Ler e compreender, com certa autonomia, textos Lê, com autonomia, textos literários de extensão
literários de diferentes gêneros (contos modernos, de adequada, compreendendo-os?
assombração e de aventura, entre outros), apoiando-se
em conhecimentos sobre o tema e as características da
situação comunicativa, estabelecendo preferências por
gêneros, temas e autores.

Perceber diálogos em textos narrativos de diferentes Analisa textos narrativos de referência e identifica
gêneros, observando o efeito de sentido de verbos diálogos e os verbos dicendi?
de enunciação e, se for o caso, o uso de variedades
Identifica semelhanças e diferenças no registro
linguísticas no discurso direto.
linguístico de textos literários lidos/ouvidos ao comparar
a fala do narrador com a dos personagens?

Apreciar poemas e outros textos versificados, lidos por Acompanha a leitura colaborativa de poemas
si mesmo, observando rimas, sonoridades, aliterações, comentando suas impressões sobre o que foi lido e
diferentes modos de divisão dos versos, estrofes e ouvindo as colegas e os colegas?
refrões e seu efeito de sentido.
Analisa a composição de poemas/canções e outros
A. Acompanhar a leitura de poemas, canções, cordéis e textos versificados para perceber como os aspectos da
outros textos versificados, realizada pela professora, oralidade e os visuais são fundamentais na construção
ou pelo professor, participando de intercâmbios orais do sentido?
durante e/ou posteriores à leitura, contribuindo para
Identifica o efeito visual e/ou sonoro como parte
a construção dos sentidos possíveis com base no
constituinte do sentido do poema?
texto lido.

Ler e compreender, com certa autonomia, textos em Lê poemas e outros textos versificados com autonomia?
versos, explorando rimas, sons e jogos de palavras,
Conhece e valoriza poetas nacionais e regionais
imagens poéticas (sentidos figurados) e recursos visuais
(literatura marginal periférica)?
e sonoros.
A. Realizar a leitura de obras de poetas regionais e
nacionais para conhecer estilo e temáticas abordadas
(Patativa do Assaré, Conceição Evaristo, Cora
Coralina, Jorge Amado, Manoel de Barros, Manuel
Bandeira, entre outros).

188 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa – 5º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Participar de rodas de leitura, trocando ideias e opiniões Nas rodas de leitores ou tertúlias
com outros leitores sobre obras lidas. O Faz comentários sobre o livro lido e apresentado?
Escolher livros em situação de rodas de leitura e em O Explicita critérios de apreciação:
bibliotecas e/ou meios digitais com base em diferentes A. em relação ao conteúdo temático;
critérios e informações, justificando a escolha e B. em relação à linguagem literária (beleza, estilo do
compartilhando com a turma opiniões e descobertas autor); e
após a leitura. C. em relação à qualidade do material gráfico?
O Ouve, com atenção, a exposição e apreciação das
Apreciar livros com imagens observando efeitos de
colegas e dos colegas?
sentido criado pela articulação entre as linguagens. O Escolhe livros e os leva para casa para lê-los,

Participar de eventos de literatura na comunidade justificando a escolha?


O Solicita os livros disponíveis na sala para folheá-los,
escolar (saraus, slams, lançamento de livros, tertúlias,
eventos de declamação de textos, leituras dramáticas observar as ilustrações e/ou ler as histórias?
O Cuida dos textos, dos livros de uso pessoal e do acervo
etc.).
da sala?
Consultar guias de livros e de eventos culturais para O Indica eventos literários da região incentivando a

participar deles e indicá-los.


adesão dos demais ouvintes?

Planejar, em parceria e com autonomia, a reescrita de Participa do planejamento e reconta textos literários
textos considerando a situação comunicativa e os temas lidos e/ou ouvidos para organizar suas partes e avançar
do texto-fonte, organizando roteiros e planos gerais, na textualização, recuperando as ideias e a linguagem
além de considerar a situação comunicativa em que o presentes no texto-fonte?
texto irá circular.
Planejar narrativas, em situação de criação de capítulos
a ser inseridos em obras literárias, finais para contos
ou trechos de contos (cenas de uma aventura), criando
personagem e contexto e organizando as partes do
texto a ser produzido, além de considerar a situação
comunicativa.

Reescrever textos literários, com autonomia e em Participa da reescrita, em duplas, dando ideias e
duplas, respeitando a progressão temática, os conteúdos escrevendo respeitando os temas do texto-fonte e a
do texto-fonte, o registro literário e as características da planificação do texto?
situação comunicativa.
Faz uso do registro literário nas situações de produção e
revisão de textos?
Reescreve textos, com autonomia, respeitando as
características do texto-fonte e as marcas da linguagem
escrita?

Criar narrativas ficcionais, de modo colaborativo e Cria textos literários em parceria com a turma e
autônomo, em finais de capítulo de contos de aventura, a professora, ou o professor, ou com autonomia,
contos africanos, modernos, um capítulo para obras respeitando as características do gênero e os
lidas, entre outros, respeitando o gênero, a progressão conhecimentos da convenção da escrita?
temática, os conteúdos do texto-fonte, o registro
literário, detalhes descritivos, marcadores de tempo e as
características da situação comunicativa.

Mostrar os textos produzidos a outras pessoas de modo Submete suas produções a outros leitores, acolhendo
a divulgar suas produções, conhecer as apreciações sugestões e realizando ajustes necessários?
alheias, aprimorando o modo de escrever.

Revisar os textos no processo de produção e ao final, Revisa os textos no processo de produção e ao final,
ajustando-os em relação a conhecimentos linguístico- ajustando-os em relação a conhecimentos linguístico-
-discursivos (coerência e coesão) e gramaticais. -discursivos (coerência e coesão) e gramaticais?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 189


Componentes curriculares

5º ano – Língua Portuguesa


CAMPO ARTÍSTICO-LITERÁRIO
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Declamar poemas com entonação, postura e Declama textos versificados com entonação em situação
interpretação adequadas, em situação comunicativa comunicativa definida (saraus, slams, apresentações para
definida. outras turmas, entre outras)?
Recitar cordel e cantar repentes e emboladas, Realiza leitura dramática de textos poéticos com
observando as rimas e obedecendo ao ritmo e à melodia entonação?
em situação comunicativa definida.
A. Estudar textos poéticos para se apropriar da
entonação e dos recursos expressivos, com a
finalidade de apresentar a leitura a uma audiência.

Representar cenas de textos dramáticos, reproduzindo É desinibido em situações de performances orais, decora
as falas dos personagens, de acordo com as rubricas falas e canta?
de interpretação e movimento indicadas pelo autor,
Expressa suas emoções, conhecendo o perfil do
ou inserindo novas posturas, de acordo com sua ótica,
personagem representado?
considerando o contexto em que a cena acontece.
Coloca-se no papel do protagonista da cena e analisa as
circunstâncias da atuação do mesmo com base em seus
respectivos pontos de vista?

Eliminar, em situação de produção e revisão, repetições Revisa o texto produzido utilizando as referências
indesejadas nos textos produzidos, indicando construídas e registradas e conseguindo eliminar
substituições (substituir o referente por sinônimos ou repetições indesejadas ou utilizando repetições para
hiperônimos, nome pelo pronome ou utilizando elipse. provocar efeitos de sentidos interessantes para as
intenções de significação pretendidas?
Analisar, em situações de estudo colaborativo e
autônomo, os efeitos de sentido que podem ser Analisa textos literários para identificar os efeitos de
conseguidos com repetições baseadas no uso de sentido provocados pelo uso de repetições nos textos?
diferentes recursos, utilizando-os em situação de
produção de textos, quando for o caso.

Diferenciar discurso indireto e discurso direto, Reconhece e diferencia, com a ajuda da professora,
determinando o efeito de sentido de verbos de ou do professor, e da turma, discurso direto e indireto,
enunciação e explicando o uso de variedades linguísticas utilizando-os com certa autonomia nas produções?
no discurso direto, quando for o caso.
Identifica recursos multissemióticos em ciberpoemas
Identificar em ciberpoemas e minicontos infantis, em e minicontos, reconhecendo os efeitos de sentido
mídia digital, como os recursos multissemióticos, como provocados pelo uso dos mesmos?
modo de ocupação do espaço, movimento e presença de
Lê e compreende ciberpoemas e minicontos em mídia
recursos de áudio (voz, música, sons), são articulados na
digital?
composição dos efeitos de sentido, além de observar os
recursos de interação entre leitor e textos propostos. Utiliza recursos multissemióticos em produções
audiovisuais articulando-os com os efeitos de sentido
desejados?

190 REFERENCIAL CURRICULAR


Língua Portuguesa

Glossário

Booktuber: nome dado àquele que produz algum canal no YouTube focado em livros e literatura.

Saliência textual: todo recurso aplicado no texto para gerar algum destaque durante a leitura. Os exemplos mais
comuns são aspas, negrito, itálico, sublinhado, entretítulos, olho de página, formatação especial de letra, entre
outros.

Slam: batalha de poesia em que os participantes apresentam uma poesia de autoria própria utilizando recur-
sos de voz e performances, sem adereços, acompanhamento musical e microfone. Pode haver improvisação.
Geralmente, esses eventos ocorrem em praças ou outros espaços públicos. Mais recentemente, os slams têm
acontecido em escolas. Consulte na internet Slam da Resistência, Slam das Minas (Salvador), entre outros.

Vlog: vídeoblog (vídeo + blog), um tipo de blog em que os conteúdos, em sua maioria, são vídeos. A diferença
entre um vlog e um blog está no modo como são publicados. O vlogger, ou vlogueiro, publica conteúdo em forma
de vídeo, enquanto o blog trabalha com texto e imagens.

Podcast: é considerado a nova era do rádio, com a diferença e a vantagem de o conteúdo poder ser ouvido
em qualquer momento, pois a mídia mantém os episódios gravados. Basta acessar e clicar no play ou baixar
o episódio.

Notas das tabelas

1. Costuma-se chamar de ORALIDADE a modalidade oral da linguagem verbal, que compreende a produção de
discursos orais: aqueles produzidos no mesmo momento em que são tornados públicos, que são conhecidos
pelo interlocutor (ao contrário do texto que é grafado, revisado e, só depois, chega ao interlocutor). Não se
pode confundir linguagem oral com REGISTRO LINGUÍSTICO ORAL, que é quando se escreve propositada-
mente de modo mais informal (um personagem em um romance, no WhatsApp, dependendo do interlocutor,
e assim por diante). Também é preciso ter cuidado com a ideia de ORALIZAÇÃO, pois se trata de leitura em
voz alta de texto escrito, e não de linguagem oral. A esse respeito ver documento com o marco teórico.

2. Apesar de se tratar da modalidade oral da linguagem, o objetivo do reconto, nesse caso, é favorecer a capaci-
dade de textualização e de recuperação do texto lido para reescrevê-lo.

3. A leitura de um livro-álbum pressupõe diferentes olhares sobre as imagens, articulando texto e imagem. Para
saber mais, leia o artigo Passado e futuro do livro-álbum, publicado no site da Revista Emilia, em setembro de
2016, disponível em bit.ly/livro-album, acesso em 22/7/2020.

4. Este desdobramento de expectativas destina-se a alunas e alunos que ainda não escrevem alfabeticamente.
Para as demais e os demais, a localização pode ocorrer com textos em geral.

5. Considerar a situação comunicativa e o contexto de produção requer construir imagens sobre os interlocu-
tores (quem escreve e para quem escreve); a finalidade ou o propósito (escrever para quê); a circulação (onde
o texto vai circular: no contexto escolar, em um evento literário da comunidade, na internet); o suporte (qual é
o portador do texto: livro impresso, revista, blog); e a linguagem (selecionada com base na imagem construída
do interlocutor do texto), organização e forma do texto/gênero.

6. As expectativas relacionadas ao reconhecimento e uso do nome como referencial de escrita destinam-se a


alunas e alunos que ainda não escrevem alfabeticamente.

7. Verificar o gênero mais adequado, considerando os conhecimentos das alunas e dos alunos em relação ao
sistema de escrita e a abordagem realizada no 1º ano. No caso de repetir o gênero, garantir a progressão pela
complexidade do texto selecionado ou pelo nível de autonomia do aluno. Exemplo: produzir receita com a
ajuda, produzir receita com autonomia.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 191


Componentes curriculares

8. As aprendizagens esperadas envolvem gêneros que circulam no campo jornalístico e midiático. Nos anos
finais do Ensino Fundamental, esses campos serão desmembrados.

9. Nesse caso, os textos escritos funcionam como um apoio à produção oral ou oralização (leitura de um texto,
previamente produzido).

10. Os temas poderão ser articulados a estudos realizados nos demais componentes como História, Geo-
grafia e Ciências.

11. Apesar de se tratar da modalidade oral da linguagem, o objetivo do reconto, nesse caso, é favorecer a capa-
cidade de textualização e de recuperação do texto lido para reescrevê-lo, focalizando operações fundamen-
tais da textualização, como a sequenciação temporal dos acontecimentos; o estabelecimento de relações de
causalidade; a compreensão da lógica interna da história; e a manutenção da coesão e da coerência, assim
como do registro literário da linguagem.

12. Os exemplos de regularidades e irregularidades presentes a cada ano são sugestões. O conteúdo a ser
desenvolvido deverá ser balizado por diagnóstico dos saberes e não saberes das estudantes e dos estu-
dantes em relação às regras do sistema ortográfico. Desse modo, as aprendizagens esperadas poderão
contemplar outras correspondências grafema-fonema relacionadas em anos anteriores, além das previstas
neste documento.

13. Considerar a possibilidade de discussão e adequação dos temas na escola. Alguns, apesar de polêmicos, não
se discutem em espaços públicos por ser indefensáveis.

14. A colaboração permanecerá apenas para os gêneros de maior complexidade e os que serão introduzidos
no ano. Por exemplo, a leitura e criação e/ou reescrita de um capítulo para uma obra de aventura, com base
no estudo de clássicos como os de Daniel Defoe, Julio Verne e Miguel de Cervantes. Nesses casos, a cola-
boração poderá ocorrer tanto na leitura da obra de origem quanto na produção de texto, sendo possível,
inclusive, inserir atividade de reescrita.

192 REFERENCIAL CURRICULAR


Arte

A Arte por meio da experiência


(Foto: Adriana Gonçalves/Marcionílio Souza)

de suas linguagens: as Artes Visuais, a Dança, a Música

ARTE e o Teatro. Essas linguagens articulam saberes referen-


tes a produtos e fenômenos artísticos e envolvem as
práticas de criar, ler, produzir, construir, exteriorizar e
refletir sobre formas artísticas (BRASIL, 2017).

Marcos da Com o compromisso de alinhamento aos marcos

concepção legais e referenciais contemporâneos da Educação, a


abordagem pedagógica ocorre com base na noção de
experiência.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reco- O termo, citado inúmeras vezes na BNCC, no-
menda o ensino da Arte como componente da área de meia um conceito que atravessa o campo da filosofia,
Linguagens, constituído por competências específicas, o qual é abordado aqui com base nas contribuições de
o que o distingue e contribui para sua compreensão John Dewey (2010), que influenciaram o grande edu-
como campo de conhecimento. cador baiano Anísio Teixeira (2010), defensor da edu-
Nos Referenciais Curriculares do ADE Chapada cação pública, gratuita e democrática.
Diamantina e Regiões, o componente curricular Arte No componente curricular Arte, a experiência
é abordado com base nas suas especificidades, cons- é compreendida como uma proposta pedagógica que
tituídas por materialidades verbais e não verbais, sen- possibilita fortalecer os laços entre as aprendizagens
síveis, corporais, visuais, plásticas, sonoras e musicais. no contexto escolar, articulando as linguagens artís-
Os conhecimentos articulam, assim, as linguagens ar- ticas aos demais componentes curriculares. Além
tísticas das Artes Visuais, da Dança, da Música e do disso, a experiência vincula essas aprendizagens aos
Teatro, em acordo com a indicação da BNCC: processos de vida das estudantes e dos estudantes,
em uma abordagem do sujeito integral, que coloca em
A Arte é uma área do conhecimento e patrimônio histó- relevo suas relações com comunidades e territórios.
rico e cultural da humanidade. No Ensino Fundamen- Isso porque a experiência permite a dinamização im-
tal, o componente curricular está centrado em algumas bricada das dimensões do sentir, pensar e agir, pro-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 193


Componentes curriculares

movendo o desenvolvimento das crianças e dos jo- e manifestar as criações subjetivas por meio de pro-
vens em processo de formação. cedimentos artísticos, tanto em âmbito individual
No campo da Arte, a experiência mobiliza aspec- quanto coletivo. Essa dimensão emerge da experiên-
tos conceituais, procedimentais e atitudinais, matizes cia artística com os elementos constitutivos de cada
sutis de uma totalidade que valoriza o corpo nos pro- linguagem, dos seus vocabulários específicos e das
cessos de ensino e aprendizagem, ultrapassando falsas suas materialidades.
dicotomias entre cognição e sistema sensório-motor, Fruição Refere-se ao deleite, ao prazer, ao estranha-
mente e corpo. Desse modo, a Arte é considerada mento e à abertura para se sensibilizar durante a par-
capaz de ampliar níveis de sensibilidade, criatividade ticipação em práticas artísticas e culturais. Essa dimen-
e flexibilidade, essenciais para enfrentar os desafios são implica disponibilidade dos sujeitos para a relação
postos para a Educação do século XXI: o aprender a continuada com produções artísticas e culturais oriun-
ser, o aprender a conviver, o aprender a conhecer e o das das mais diversas épocas, lugares e grupos sociais.
aprender a fazer (DELORS et al., 1999). Reflexão Refere-se ao processo de construir argu-
Nessa perspectiva, a experiência artística se mentos e ponderações sobre as fruições, as experiên-
constitui como ação intencional e potente para o de- cias e os processos criativos, artísticos e culturais. É
senvolvimento de aprendizagens que perpassam todas a atitude de perceber, analisar e interpretar as mani-
as dimensões do conhecimento em Arte propostas festações artísticas e culturais, seja como criador, seja
pela BNCC (BRASIL, 2017), a saber: como leitor.

Criação Refere-se ao fazer artístico, quando os sujeitos A experiência artística, portanto, se apresenta
criam, produzem e constroem. Trata-se de uma atitude como engrenagem criativa que promove a integração
intencional e investigativa que confere materialidade de conteúdos, habilidades e competências, os quais,
estética a sentimentos, ideias, desejos e representa- em vez de abordados isoladamente, passam a compor
ções em processos, acontecimentos e produções artís- uma vivência significativa e transformadora para a es-
ticas individuais ou coletivas. Essa dimensão trata do tudante, ou o estudante, potencializando o seu engaja-
apreender o que está em jogo durante o fazer artístico, mento nos processos de aprendizagem.
processo permeado por tomadas de decisão, entraves, A proposta dos Referenciais Curriculares de Arte
desafios, conflitos, negociações e inquietações. do ADE Chapada Diamantina e Regiões é marcada
Crítica Refere-se às impressões que impulsionam os por um pensamento multidisciplinar e interdisciplinar,
sujeitos em direção a novas compreensões do espaço compreendido como um modo de produção e organi-
em que vivem, com base no estabelecimento de rela- zação de conhecimentos que ultrapassa as disciplinas
ções, por meio do estudo e da pesquisa, entre as diver- e favorece práticas colaborativas. Trata-se, portanto,
sas experiências e manifestações artísticas e culturais de uma proposta multirreferencial que amplia o olhar
vividas e conhecidas. Essa dimensão articula ação e individual, fragmentado, em direção a uma dimensão
pensamento propositivos, envolvendo aspectos estéti- alargada, que inclui comunidades e territórios, cons-
cos, políticos, históricos, filosóficos, sociais, econômi- truída com a participação de 15 municípios que apre-
cos e culturais. sentam singularidades culturais, sociais e ambientais e
Estesia Refere-se à experiência sensível dos sujeitos que se potencializam por meio dos diálogos, das trocas
em relação ao espaço, ao tempo, ao som, à ação, às e das complementaridades.
imagens, ao próprio corpo e aos diferentes materiais. Essa perspectiva sistêmica e complexa reconhe-
Essa dimensão articula a sensibilidade e a percepção, ce a Arte como tecnologia educacional (BRANDÃO,
tomadas como forma de conhecer a si mesmo, o outro 2014) capaz de criar redes de aprendizagem dialógi-
e o mundo. Nela, o corpo em sua totalidade (emoção, cas e complementares, que propiciam a colaboração
percepção, intuição, sensibilidade e intelecto) é o pro- entre os sujeitos envolvidos no contexto escolar: pro-
tagonista da experiência. fessoras e professores, gestoras e gestores, familia-
Expressão Refere-se às possibilidades de exteriorizar res e comunidade.

194 REFERENCIAL CURRICULAR


Arte

Orientações para abordar


a Arte na Educação Básica
Com base nesse marco teórico, a estratégia proposta [...] não é apenas o resultado da superposição de um
neste Referencial Curricular é a análise de realidade, conjunto de sistemas naturais e um conjunto de sis-
que consiste em compreender o ambiente de forma temas de coisas criadas pelo homem. O território é o
abrangente, por meio de uma abordagem que possibi- chão e mais a população, isto é, uma identidade, o fato
lite a articulação nos âmbitos histórico, sociocultural, e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence
econômico e político (VASCONCELOS, 2006), ultra- (SANTOS, 2000).
passando assim a percepção imediata. Desse modo,
constituem aspectos estruturantes para o compo- Ou seja, o território funda o sentido de perten-
nente Arte o reconhecimento inicial dos sujeitos, con- cimento e realiza a noção de cidadania. É por isso que,
textos e conhecimentos que compõem o território da como espaço vivido e de experiência sempre renovada,
Chapada Diamantina e demais regiões, com vistas a a relação com o território em questão permite, ao mes-
“criar e desenvolver novos horizontes emancipatórios mo tempo, a reavaliação das heranças e a indagação
a partir da articulação da Arte em processos de Educa- sobre o presente e o futuro, exercendo um papel re-
ção” (BRANDÃO, 2014). velador sobre o mundo. Nesse sentido, favorece a pas-
O reconhecimento dos perfis dos sujeitos prio- sagem “de uma situação crítica para uma visão crítica”,
ritários envolvidos na ação – estudantes e professo- constituindo uma forma de existência que “é produto-
ras, ou professores –, identificados em sua integrali- ra de sua própria pedagogia” (SANTOS, 2000).
dade biopsicossocialcultural (MORIN, 2001, 2003), Por esse motivo, é fundamental que a abordagem
é o ponto de partida para o planejamento da prática do componente curricular seja feita com base nos per-
pedagógica. Essa etapa deve incluir aspectos objeti- fis dos sujeitos prioritários da ação e no reconhecimen-
vos e subjetivos, valorizando características singula- to e valorização do território da Chapada Diamantina
res e aspectos comuns que fazem da sala de aula um e demais Regiões. Essas especificidades fortalecem a
espaço aberto à diferença e à diversidade e que, por rede de conexão entre os 15 municípios, potenciali-
isso, deve ser um ambiente de respeito, solidariedade zando as práticas docentes em Arte em seus aspectos
e autonomia. inovadores e transformadores.
A atenção à inserção desses sujeitos na socieda- Com a análise de realidade dos sujeitos e contex-
de conduz o olhar para os contextos que, nesta pro- tos, são estabelecidos os conhecimentos a ser abor-
posta, se referem aos ambientes onde e quando a ação dados. Nesse aspecto, é importante ressaltar que a
pedagógica acontece, buscando encontrar o panora- BNCC (BRASIL, 2017) avança em relação ao exposto
ma sociocultural e político em que o processo de Edu- nos Parâmetros Curriculares Nacionais, delimitando
cação se estabelece, incluindo condições estruturais e as seis dimensões da aprendizagem nesse componente
materiais. curricular: criação, crítica, estesia, expressão, fruição e
Pensar nos contextos da ação educativa significa reflexão. Essas dimensões, integradas nas experiên-
amplificar o olhar partindo da sala de aula e do ambien- cias artísticas, dão suporte ao planejamento de proces-
te escolar em direção ao seu entorno: comunidade, sos de ensino e aprendizagem em Arte.
município e território. Para o geógrafo baiano Milton Ainda em relação aos conhecimentos, o docu-
Santos (2000), o território: mento propõe que processos de ensino e aprendiza-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 195


Componentes curriculares

gem em Artes Visuais, Dança, Música e Teatro aten-


constituem a identidade brasileira –, sua
dam às seguintes competências gerais: tradição e suas manifestações contemporâneas,
reelaborando-as nas criações em Arte.
4. Experienciar a ludicidade, a percepção, a
1. Explorar, conhecer, fruir e analisar criticamente expressividade e a imaginação, ressignificando
práticas e produções artísticas e culturais do espaços da escola e de fora dela no âmbito da
seu entorno social, dos povos indígenas, das Arte.
comunidades tradicionais brasileiras e de 5. Mobilizar recursos tecnológicos como formas de
diversas sociedades, em distintos tempos e registro, pesquisa e criação artística.
espaços, para reconhecer a arte como um 6. Estabelecer relações entre arte, mídia, mercado
fenômeno cultural, histórico, social e sensível e consumo, compreendendo, de forma crítica
a diferentes contextos e dialogar com as e problematizadora, modos de produção e de
diversidades. circulação da arte na sociedade.
2. Compreender as relações entre as linguagens 7. Problematizar questões políticas, sociais,
da Arte e suas práticas integradas, inclusive econômicas, científicas, tecnológicas e culturais
aquelas possibilitadas pelo uso das novas por meio de exercícios, produções, intervenções
tecnologias de informação e comunicação, e apresentações artísticas.
pelo cinema e pelo audiovisual, nas condições 8. Desenvolver a autonomia, a crítica, a autoria e o
particulares de produção, na prática de cada trabalho coletivo e colaborativo nas artes.
linguagem e nas suas articulações. 9. Analisar e valorizar o patrimônio artístico
3. Pesquisar e conhecer distintas matrizes nacional e internacional, material e imaterial,
estéticas e culturais – especialmente aquelas com suas histórias e diferentes visões de mundo
manifestas na arte e nas culturas que (BRASIL, 2017).

Organização dos referenciais curriculares


Assim, levando em consideração essa concepção da pios do consórcio e contemplam aprendizagens identifi-
aprendizagem em Arte, são propostos neste Referen- cadas no processo de análise de realidade, garantindo a
cial Curricular três eixos inspirados na BNCC como flexibilidade necessária a um bom planejamento.
forma de agrupar didaticamente, mas sem hierarquiza-
ção, os objetos do conhecimento da área, a saber:
Sugestões metodológicas
EIXO 1 Identidades e matrizes culturais e estéticas.
EIXO 2 Elementos das linguagens artísticas e proces- Dando foco aos objetos do conhecimento, identifica-
sos de criação. dos nesta proposta por eixos e aprendizagens espe-
EIXO 3 Materialidades artísticas e apreciação estética. radas, sugerem-se orientações que propiciam a am-
pliação do repertório pedagógico e, por conseguinte,
Para cada eixo temático, são apresentadas as estimulam a tradução, a variação e a adequação de
aprendizagens esperadas e seus correspondentes indi- alguns procedimentos metodológicos, abertos e flexí-
cadores de avaliação, nos quais se inserem os conteúdos veis, aos contextos específicos de cada escola. Dessa
do componente curricular. Esses itens foram formula- forma, promovem-se apropriações criativas de instru-
dos com a fundamental participação e colaboração das mentos didático-pedagógicos para cada uma das Re-
professoras e dos professores de Arte dos 15 municí- des de Educação Pública.

196 REFERENCIAL CURRICULAR


Arte

Foram resgatadas as devolutivas dos municípios, O Pesquisa sobre danças de matrizes africana e indígena.
assim como as respostas à consulta diagnóstica inicial, O Variações e releituras das manifestações populares.
com a participação de 35 professoras e professores O Criação coletiva de sequências de movimentos e
dos municípios do consórcio, o que revelou dados sig- coreografias.
nificativos de natureza qualitativa, apontando para O Improvisação e dança livre com trilhas sonoras
a visão de Arte desses profissionais e para as ações instrumentais.
desenvolvidas nas escolas nas quais trabalham. Essa
escuta traz consigo a realidade institucional e dos mu- Música
nicípios em questão. Destacam-se: O Jogos que exercitem os elementos da música.
O Roda de cantigas infantis e populares.
Artes visuais O Pesquisa com avós e pais sobre músicas de época.
O Produções livres ou representativas, por meio de O Construção de instrumentos e improvisação.
técnicas de pintura diversas, recortes, colagens e O Exercícios com som e movimento.
dobraduras, com uso de materiais reciclados, entre O Composição coletiva de músicas com letras.
outros. O Exercício de locomoção trabalhando a diferença en-
O
Confecção de brinquedos e de jogos pedagógicos tre pulsação, andamento e ritmo.
com sucata. O Organização de shows de talentos.
O Construção de murais e painéis com técnicas variadas. O Criação de jingles.
O Produção de massa de modelar. O Encontros e vivências com mestres da cultura
O Construção de móbiles e quebra-cabeças. popular local.
O Artesanato. O Experimentação corporal de padrões rítmicos diver-
O Trabalhos com argila. sos e de percussão corporal.
O Exposição de imagens para apreciação estética. O Rodas de convivência cantando e tocando canções
O Produção de autorretratos, com foco no contexto coletivamente.
étnico e social e nas características físicas próprias.
O Mapas, gráficos dos espaços geográficos da comuni- Teatro
dade: casa, escola, bairro, cidade, discutindo acerca O Exercícios de aquecimento e/ou relaxamento corpo-
das realidades observadas. ral e vocal.
O Experiências com a fala e os gestos.
Dança O Técnicas de narração, criação e encenação de
O Desenhos do corpo (esquema corporal) no chão ou histórias.
no papel metro para desenvolver noção de partes e O Exercícios de memória e improviso.
do todo. O Criação e encenação de diálogos sobre temas
O Exercícios de lateralidade e coordenação motora. específicos.
O Trabalho em pares, fazendo imitação/espelho. O Criação de cenas em grupo.
O Manipulação do corpo por outro, criando formas es- O Criação de personagens.
táticas e em movimento que explorem diferentes ní- O Exercícios que estimulem a criatividade e a livre
veis e formas espaciais, com foco na imagem corporal expressão.
e sua relação com o ambiente. O Exploração e criação de figurinos e adereços.
O Construção de painéis com gravuras de diferentes O Pesquisa e exploração de espaços culturais e aprecia-
pessoas em contextos diversos, refletindo sobre suas ção de peças teatrais na cidade.
corporalidades. O Intervenções artísticas nos espaços públicos.
O Pesquisa e experimentação de movimentos básicos O Participação no calendário cultural da cidade.
do corpo e exploração de ações corporais cotidianas. O Apresentações cênicas com a presença da transver-
O Apreciação de manifestações culturais da cidade e salidade entre áreas e desenvolvimento de projetos
entrevista com artistas locais. interdisciplinares.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 197


Componentes curriculares

Parâmetros para avaliação


das aprendizagens

A base da avaliação na Educação contemporânea tem apresentados no final dos projetos. A professora, ou o
sido a negociação e a compreensão – entre estudan- professor, deve adotar a correção de rumos e ajustes
tes, professoras e professores – das possibilidades de metodológicos conforme a necessidade sinalizada pela
mudanças e das reais transformações ocorridas. As avaliação processual.
avaliações que seguem essa linha privilegiam a trans-
formação dos sujeitos ao lado do conhecimento e das AVALIAÇÃO DE RESULTADOS Diz respeito ao que
aprendizagens esperadas. foi produzido nos processos artístico-educativos de-
Segundo Cesar Coll (1994), o processo de senvolvidos em sala de aula, que podem ser expres-
aprendizagem do indivíduo é dinâmico e opera em sos por meio das linguagens artísticas nas dimensões
pelo menos três níveis de mudança: a conceitual, refe- corporal, verbal, escrita ou gráfica. Esses resultados
rindo-se à aquisição de informações e conceitos; a ati- devem ser valorizados com momentos de apreciação
tudinal, agindo na construção de valores e atitudes; e análise crítica, incluindo as estudantes e os estudan-
e a procedimental, envolvendo técnicas e práticas e tes. É fundamental atentar para a importância da fala
abrangendo o domínio instrumental. Assim, é espera- das crianças e dos jovens nesse momento, pois ela
do que todo o processo de ensino interfira no sujeito traz uma ressignificação dos fatos e da vida, possibili-
e gere processos de aprendizagem e mudanças nes- tando a construção de conhecimentos.
sas dimensões.
As possibilidades de procedimentos de avalia- Pedro Demo (1991) ensina que a avaliação deve
ção organizam-se em três fases complementares: se constituir num processo em que o avaliando e o ava-
liador buscam e sofrem uma mudança qualitativa. No
AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA Realizada na fase da caso dos processos educativos em Arte, essa afirmação
análise de realidade, identifica o perfil das estudantes deve ser compreendida de forma sensível, valorizando
e dos estudantes por meio de exercícios teóricos ou a criatividade, a criação, a experimentação, a flexibilida-
práticos de sondagem das experiências e dos conhe- de, a ressignificação e as leituras de si mesmo, do outro
cimentos trazidos. Com isso, é possível, em momen- e da vida. Todos esses aspectos são apresentados por
tos posteriores, estabelecer relações e análises entre meio do fazer, do sentir e do pensar nas experiências
os resultados obtidos, revelando as transformações artísticas vivenciadas por todas e todos.
ocorridas nas dimensões conceitual, atitudinal e pro- Por fim, pretende-se que, tendo em conta as
cedimental. concepções aqui apresentadas, este Referencial Cur-
ricular represente crianças, adolescentes e jovens
AVALIAÇÃO PROCESSUAL Fase estratégica de como sujeitos de direito da Educação dos municípios
acompanhamento, intervenções e feedback ao longo de do ADE Chapada Diamantina e Regiões. Reitera-se o
todo o percurso letivo. É realizada por meio da obser- desejo de que a sua interpretação e implementação
vação sensível e atenta da professora, ou do professor, possam refletir o compromisso social e político, por
do registro, de rodas de conversas e de partilhas com meio de entendimentos emancipatórios de Educação,
o grupo, desdobrando-se em encaminhamentos de ecoados na fala de uma professora de Curaçá, ao afir-
reforço e realinhamento. A realização sistemática de mar que a Arte é “um alicerce do processo de ensino,
avaliações durante o processo de ensino dissipa a ideia uma vez que está presente em todos os processos e
de que avaliar deva ter foco nos produtos acabados e desenvolvimento da vida humana”.

198 REFERENCIAL CURRICULAR


Arte – 1º e 2º anos

Indicadores de aprendizagem e avaliação

1º e 2º anos – Arte
IDENTIDADES E MATRIZES CULTURAIS E ESTÉTICAS
ARTES VISUAIS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e representar o trajeto realizado de casa à Demonstra capacidade de imaginação, simbolização e


escola explorando elementos das artes visuais, como representação?
ponto, linha, forma e cor.
Apresenta noções de espaço, como relações entre
parte e todo, sentidos e direções, tamanho, distância e
proporção?

Reconhecer relações de pertencimento social de Identifica relações de pertencimento social de


parentesco e vizinhança. parentesco e vizinhança?
Demonstra curiosidade, interesse e prazer no processo
de aprendizado da cultura passada pelos mais velhos?
Pesquisa, com a família e/ou vizinhança, cantigas de roda,
parlendas e trava-línguas que caracterizam o imaginário
infantil e juvenil da sua região e os socializa em sala?
Realiza descobertas sobre si mesmo, sua família e
colegas?
Demonstra ampliação de vocabulário, repertório
musical e imagético?

DANÇA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Explorar a observação e representação visual do Elabora sua imagem e seu esquema corporal?
próprio corpo, reconhecendo suas identidades pelas
Reconhece a si mesmo e os colegas como sujeitos com
características físicas e culturais, como modos de vestir,
identidades e identificações sociais que convivem
penteados etc., utilizando o desenho e a pintura.
socialmente?
Problematiza estereótipos e preconceitos referentes ao
corpo e suas relações de pertencimento social e cultural?

Experimentar formas de dança de diferentes matrizes Demonstra interesse, abertura e capacidade de


culturais e estéticas, tais como as populares, afro- articulação dos saberes apreendidos na experiência
-brasileiras, modernas e contemporâneas para artística?
ampliação do repertório motor.

Vivenciar práticas corporais, vocais e instrumentais Identifica e valoriza o universo infantojuvenil de diversos
e seus aspectos lúdicos pelas referências do universo povos e culturas?
infantojuvenil de diversos povos e culturas.
Demonstra abertura e disponibilidade para vivenciar
brincadeiras e propostas lúdicas?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 199


Componentes curriculares

1º e 2º anos – Arte
IDENTIDADES E MATRIZES CULTURAIS E ESTÉTICAS
MÚSICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer e valorizar brinquedos, brincadeiras e Apresenta noções de tempo, como fases da vida,
jogos coletivos com a presença de músicas de diferentes relações intergeracionais e tempo cronológico?
matrizes estéticas e culturais praticados por familiares Aprecia referências musicais diversas?
e vizinhos.
Identifica a integração das linguagens artísticas nos
jogos, nos brinquedos e nas brincadeiras?

Explorar gestualidades, sonoridades e vocalidades de Apresenta capacidade de expressão gestual, sonora e


maneira imaginativa, criando composições coletivas de vocal usando o próprio corpo?
“quadros vivos” e “máquinas sonoras”.

TEATRO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Vivenciar exercícios e jogos teatrais para potencialização Demonstra abertura e disponibilidade para vivenciar
do desenvolvimento expressivo. exercícios e jogos teatrais que explorem atenção,
percepção, consciência do movimento e expressividade?

Exercitar a atitude cooperativa como habilidade necessária Demonstra disponibilidade para desenvolver trabalhos
para o processo criativo em grupo na prática teatral. em grupo, com sentimento de pertencimento e atitude
colaborativa visando o fazer teatral?

Pesquisar em revistas e compor cenas teatrais com Identifica questões identitárias, culturais e sociais pelos
recortes e colagens para discutir questões identitárias tipos físicos, figurinos, cenários e outros elementos?
de um determinado contexto social e cultural.

ARTES INTEGRADAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Explorar, conhecer e valorizar a diversidade cultural Reconhece relações de pertencimento sociocultural?


local e do município, ampliando o sentimento de Apresenta noções de espaço, como bairro, município,
pertencimento em relação ao contexto sociocultural. território e região, reconhecendo noções de direções e
estruturas espaciais?

ELEMENTOS DAS LINGUAGENS ARTÍSTICAS E PROCESSOS DE CRIAÇÃO


ARTES VISUAIS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer elementos das artes visuais presentes no Reconhece elementos visuais, como ponto, linha, forma,
espaço escolar e fora dele. cor, espaço, textura, volume, dimensão, transparência,
opacidade e contraste?

Reconhecer diversos suportes e materiais utilizados nas Reconhece distintos suportes das artes visuais, como
artes visuais, identificando suas características. corpo, papel, madeira, pedra, tecido, fotografia e vídeo?

Realizar práticas artísticas visuais que privilegiem o Apresenta capacidade motora, coordenação,
desenvolvimento grafomotor e a percepção sensorial percepção visual e registro gráfico de imagens e
tátil-visual, estimulando a criatividade. estímulos visuais?
Relaciona domínios de habilidades perceptivas, gráficas
e motoras com o exercício e desenvolvimento criativo?

200 REFERENCIAL CURRICULAR


Arte – 1º e 2º anos

DANÇA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Explorar possibilidades de movimento e ampliação Reconhece princípios, padrões e técnicas de dança de


de repertórios por meio de princípios, padrões de diferentes matrizes estéticas e culturais?
movimento e procedimentos técnicos de diferentes
matrizes estéticas e culturais.

Explorar ações do movimento, como flexionar, estender, Demonstra noções de coordenação motora, lateralidade
rotacionar e elevar, exercitando suas possibilidades e percepção corporal?
motoras e percepção corporal com propostas de
Participa de propostas de improvisação e coreografias?
improvisação e estruturas coreográficas.

Explorar o corpo como fonte sonora relacionando Percebe o potencial da relação e correspondência entre
partes dele com o som por meio da percussão corporal e partes do corpo e a voz?
da correspondência entre som e movimento. Compreende o corpo como um todo constituído de
partes que se articulam formando o esquema corporal?

MÚSICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Explorar noções de pulsação, andamento e ritmo Experimenta sonoridades com o corpo sem bloqueios
na música usando estímulos sonoros, como palmas, nem insegurança de “errar”?
instrumentos percussivos e músicas. Apresenta concentração e percepção sonora com
estímulos dados?

Explorar materiais recicláveis na construção de Considera a experimentação e pesquisa no manuseio de


instrumentos musicais, estimulando a criatividade e materiais recicláveis como suporte para a construção de
a discussão acerca da questão da sustentabilidade instrumentos musicais e elementos cênicos?
ambiental.
Demonstra criatividade no reaproveitamento dos
materiais?

Construir instrumentos de percussão com materiais Expressa ideias e sentimentos ao interagir com
reutilizáveis e experimentar a criação de células rítmicas atividades de apreciação, execução e/ou criação
e investigação de timbres em trabalho em grupos e musicais?
subgrupos. Discute sobre a questão da sustentabilidade ambiental?

TEATRO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer diversas formas de teatro, identificando Reconhece diversas formas de teatro – de rua, de
suas características. bonecos e de sombras?

Experimentar jogos teatrais, estimulando a imaginação, Identifica exercícios de imaginação, memorização


a coordenação motora, a memorização e o vocabulário. e ampliação de vocabulário como elementos que
propiciam a cena teatral e estabelece relação entre eles?

Explorar partituras físicas com variações de tempo, Apresenta repertório motor e capacidade técnico-
espaço e movimento. -interpretativa?

Desenvolver a criatividade por meio de estímulos Estabelece relações entre registros escritos (histórias
literários (histórias, poemas, contos, situações do dia a infantis, poemas e contos) e orais (situações do dia a dia,
dia infantil e afins), transpondo o discurso escrito/oral lendas, construções simbólicas) para a construção de
para o teatro ou cenas teatrais. cenas teatrais?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 201


Componentes curriculares

1º e 2º anos – Arte
MATERIALIDADES ARTÍSTICAS E APRECIAÇÃO ESTÉTICA
ARTES VISUAIS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Explorar a percepção, ludicidade e imaginação com Apresenta capacidade de abstração, simbolização e


materiais como massa de modelar, argila, tinta, tecidos, representação?
lápis de cor e giz de cera.

Explorar o movimento e a expressividade com a Demonstra interesse em investigar possibilidades de


improvisação em dança com estímulo sonoro ou de movimento e expressão por meio da improvisação livre
objetos, a exemplo de tecidos coloridos. e/ou dirigida?

Caracterizar, construir e vivenciar brinquedos e Demonstra capacidade de realização de tarefas com a


brincadeiras populares, como pular corda, pular colaboração das colegas e dos colegas e a mediação da
elástico, soltar pião, pular amarelinha e manipular professora, ou do professor?
fantoche, reconhecendo elementos das artes visuais em
Demonstra aquisição de habilidades e coordenação
articulação interdisciplinar.
motora para a construção e vivência de brinquedos e
brincadeiras?
Apresenta noções de espaço, como espaço pessoal,
espaço interpessoal e espaço social?
Demonstra desenvolvimento de sociabilidade por meio
do estabelecimento de acordos para o bem comum?

DANÇA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer as partes do corpo e as relações entre elas. Identifica o corpo em suas partes e no todo,
reconhecendo as estruturas anatômicas e as relações de
pertencimento sociocultural?

Explorar possibilidades de movimento com ações Reconhece possibilidades de movimento que incluem
corporais cotidianas identificadas no espaço escolar e ações cotidianas e extracotidianas?
fora dele, como andar, correr, saltar, sentar, levantar,
deitar e espreguiçar.

Investigar e experimentar procedimentos de Percebe o movimento como forma de criação e


improvisação e criação do movimento pelas variações expressão do corpo?
de tempo e espaço como fonte para a construção de
Apresenta noções de espaço, como direção, sentido,
repertórios próprios.
planos e níveis?
Apresenta noções de tempo, como rápido, moderado
e lento?

MÚSICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e apreciar práticas e repertórios musicais da Demonstra sensibilidade e percepção?


cultura infantojuvenil de diversos povos, acompanhando
Apresenta noções básicas de ritmo?
com palmas, danças em roda e/ou com o canto.
Demonstra interesse e prazer no contato com a música?

Desenvolver a escuta e a percepção musical com a Apresenta capacidade de percepção, abstração,


apreciação de músicas diversas. imaginação, simbolização e representação?

202 REFERENCIAL CURRICULAR


Arte – 1º e 2º anos

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar diferentes instrumentos musicais de Reconhece timbres de instrumentos musicais de


diversas culturas explorando sonoridade e formas diversas culturas?
de execução, com ênfase em instrumentos africanos
(afoxé, agogô, berimbau, caxixi, reco-reco e tambores)
e indígenas (pau de chuva, apitos, maracá, tambores,
chocalhos e flautas).

TEATRO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e apreciar contações de história da cultura Demonstra capacidade de concentração, escuta e


infantojuvenil explorando ilustrações ou assistindo a observação?
dramatizações.
Apresenta compreensão das histórias?
Demonstra capacidade de reconhecer e caracterizar
personagens?

Valorizar as diferenças entre os corpos em uma Valoriza as diferenças em uma perspectiva respeitosa e
perspectiva respeitosa e sem preconceitos, sem preconceitos?
reconhecendo as infinitas possibilidades de movimento,
cuja exploração estabelece relações do sujeito com o
mundo.

ARTES INTEGRADAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Participar de manifestações populares envolvendo Demonstra abertura e disponibilidade para participar


mestres da cultura de seu contexto social (a exemplo de das atividades?
capoeira, samba de roda, reisados, congados e bumba
Compartilha a vivência com colegas em rodas de
meu boi).
conversa?

Identificar, apreciar e analisar elementos das artes Reconhece manifestações artísticas presentes no
visuais, dança, música e teatro em manifestações território, como marujada, reisados, procissão de São
artísticas tradicionais e contemporâneas, locais e do Benedito e Bom Jesus da Boa Morte, festa do vaqueiro
município. e São Gonçalo?

Experimentar atividades artísticas coletivas, tais como Demonstra dimensões atitudinais no processo de
cirandas, jogos teatrais, canto e pintura em papel aprendizagem, tais como respeito, solidariedade,
metro, que favoreçam a socialização e contribuam empatia, diálogo e colaboração?
para o desenvolvimento de dimensões atitudinais, na
perspectiva da formação de cidadãos participativos.

Reconhecer e valorizar a presença da arte e da cultura Percebe diversas formas de arte – música, pintura,
no cotidiano. escultura, fotografia, cinema, dança, teatro e circo – em
seu cotidiano, na casa, na escola, na rua ou nos bairros?
Percebe diversas manifestações culturais – festas
populares, culinária e crenças – em seu cotidiano, em
casa, na escola, na rua ou nos bairros?

Reconhecer, no ato criativo, a arte como forma de Propõe a construção colaborativa em Artes Visuais,
expressão e comunicação humana capaz de interligar Dança, Música e/ou Teatro como ponto de encontro
saberes das diferentes áreas. da Arte com outras disciplinas que integram o currículo
escolar?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 203


Componentes curriculares

Do 3º ao 5º ano – Arte
IDENTIDADES E MATRIZES CULTURAIS E ESTÉTICAS
ARTES VISUAIS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Discutir a produção visual como construção Compreende as diversas formas de arte urbana como
de identidade na arte da cidade, sob a forma de meio de expressão na sua comunidade/município?
monumentos públicos, grafite e/ou pinturas.

Visitar espaços e monumentos públicos e identificar a Reconhece, nas artes visuais, modos de construção de
produção visual como forma de reconhecer a identidade discursos e afirmação de identidades?
da cidade.

Exercitar a criatividade utilizando estímulos presentes Reconhece distintos suportes das artes visuais?
nas culturas indígenas e africanas, como pinturas,
Reconhece matrizes estéticas culturais dos povos
bijuterias, cestarias, tapeçarias e gravuras.
indígenas e da diáspora africana?

Criar composições e releituras com signos das culturas Demonstra capacidade de composição e reelaboração
indígenas e da diáspora africana. dos elementos das artes visuais?
Identifica elementos das artes visuais, como ponto, linha,
forma, cor, texturas, movimento, bidimensionalidade e
tridimensionalidade?

DANÇA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Apreciar diversas formas de dança e participar delas Demonstra motivação em apreciar manifestações
reconhecendo especificidades étnicas e culturais locais artísticas de dança e participar delas?
do território da Chapada Diamantina e demais regiões.
Reconhece tempo, espaço, forma e movimento como
elementos da dança que constituem a relação do sujeito
com o mundo?
Compreende a dança como processo histórico e cultural
de construção de identidades?

Vivenciar, coletivamente, experiências artísticas Demonstra abertura e interesse em vivenciar uma


com ênfase nas expressões corporais, focalizando o experiência artística de dança que fortaleça identidades
fortalecimento da construção da identidade e o respeito inerentes ao seu município e/ou território de identidade?
à alteridade.
Apresenta empatia e respeito às diferenças?

MÚSICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e valorizar músicas e canções do seu grupo Enxerga-se como sujeito com identidades e
sociocultural, compreendendo-as como agregadoras de identificações sociais, que convivem socialmente?
valores identitários.
Problematiza estereótipos e preconceitos referentes à
música e suas relações de pertencimento social e cultural?
Aprecia e/ou interpreta músicas e canções de seu grupo
sociocultural e de outros mais distantes?

Identificar a música no contexto local e do território em Reconhece a produção artística local e do território?
que se localiza o seu município.

204 REFERENCIAL CURRICULAR


Arte – Do 3º ao 5º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Estabelecer relações entre manifestações artísticas com Apresenta noções de tempo, como tradição e
ênfase na linguagem musical, estabelecendo, com base contemporaneidade, na arte e na cultura?
em pesquisas, interfaces e diálogos entre o tradicional e
Demonstra interesse e habilidade em pesquisar a música
o contemporâneo na cultura.
e a cultura em mídias diversas?

TEATRO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Participar de espetáculos teatrais e apreciá-los, Identifica os elementos do teatro?


identificando na leitura da obra aspectos relativos à
Reconhece na prática teatral as possibilidades de
construção de identidade dos personagens presentes
reflexão e vivências próprias por meio das noções de
na interpretação dos atores e atrizes, no figurino, nos
identidade e do contexto onde o sujeito está inserido?
elementos da cena e na iluminação.

Experimentar propostas de criação artística em Identifica a arte como campo propício à construção de
interface entre o teatro e outros conhecimentos, conhecimento interdisciplinar?
como história, literatura e geografia, refletindo sobre a
questão da diversidade e das culturas identitárias.

ELEMENTOS DAS LINGUAGENS ARTÍSTICAS E PROCESSOS DE CRIAÇÃO


ARTES VISUAIS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar procedimentos técnicos das artes visuais, Reconhece distintos procedimentos técnicos das artes
suas aplicações e implicações por meio de processos visuais, como desenho, pintura, colagem, quadrinhos,
criativos. escultura, gravura, fotografia, cinema, instalação e
performance?

Exercitar releituras e transcriações de procedimentos Apresenta capacidade de fazer releituras e recriar


técnicos das artes visuais como disparadores de distintos procedimentos técnicos das artes visuais,
processos criativos. como desenhar com base em uma pintura ou realizar
uma xilogravura com base em um desenho?

Experimentar diferentes formas de expressão das Revela apreensão de conceitos e procedimentos


artes visuais (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, relativos à linguagem das Artes Visuais?
dobradura, escultura, modelagem, instalação, vídeo,
fotografia etc.) como elemento para o processo de
criação artística.

Explorar e desenvolver formas de registro e notação Demonstra capacidade de percepção sonora e consegue
de música com elementos gráficos e plásticos, criando traduzi-la em códigos gráficos e visuais?
partituras criativas.

Pesquisar e criar diferentes materiais e recursos na Investiga possibilidades artísticas plásticas e visuais para
produção de máscaras em seus diversos estilos, épocas a criação de elementos cênicos variados com diversos
e culturas. materiais?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 205


Componentes curriculares

Do 3º ao 5º ano – Arte
ELEMENTOS DAS LINGUAGENS ARTÍSTICAS E PROCESSOS DE CRIAÇÃO
DANÇA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Investigar ações básicas do corpo, como dobrar, alongar, Reconhece o seu esquema corporal?
torcer e girar, como possibilidades de reconhecimento Experimenta a dança como possibilidade de
do seu esquema corporal. desenvolvimento de habilidades e forma de conhecer o
próprio corpo?
Entende a singularidade de cada corpo como potência
em vez de limitação?
Demonstra ter desenvolvido autoestima em relação
ao corpo?
Respeita e valoriza as diferenças entre os corpos?
Investiga possibilidades de variações no tempo, no
espaço, na amplitude e qualidade de movimento?

Explorar repertórios de movimento – a exemplo de Reconhece diferentes repertórios de movimento em


brinquedos, brincadeiras, ações corporais, princípios, brinquedos, brincadeiras, jogos, ações cotidianas e
padrões e técnicas de diferentes matrizes estéticas e extracotidianas, princípios, padrões e técnicas de dança
culturais – como referência para criação e composição de diversas matrizes estéticas e culturais?
em dança.

Experimentar ações corporais do cotidiano para o Identifica as ações corporais do cotidiano?


desenvolvimento de processos criativos e ampliação do Compreende essa investigação como estratégia
seu repertório motor. para o desenvolvimento de processos de criação
coreográfica?

Desenvolver processos criativos em dança, Compreende de forma introdutória as diferentes


individualmente e em grupo, que emerjam de questões etapas de um processo criativo (geração, interpretação,
próprias da cultura escolar e/ou outros níveis de relação exploração, seleção, avaliação e estruturação)?
com o mundo e resultem em jogos, improvisações Compreende de forma introdutória as noções de jogo,
e/ou coreografias. improvisação e coreografia?

Identificar elementos da dança (espaço, tempo, Revela apreensão de elementos e procedimentos


movimento e forma) no processo de composição relativos à linguagem da Dança?
coreográfica.

MÚSICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Investigar e experimentar procedimentos de Identifica elementos da música, como altura,


improvisação e criação musical como processo de intensidade, timbre, melodia e ritmo?
construção de repertórios autorais inspirados em Participa de propostas de improvisação e criação?
referenciais tradicionais e populares do seu município.
Demonstra engajamento e autonomia para o
desenvolvimento de criação autoral?

Estimular criação e produção musical com base em Demonstra capacidade de fazer releituras criativas de
referências pessoais e culturais do território. distintos procedimentos técnicos da música?

Experimentar a prática do canto coral de músicas e Demonstra capacidade de percepção musical e


canções do universo infantil e da cultura popular de intepretação em grupos e subgrupos?
tradição oral e escrita.

206 REFERENCIAL CURRICULAR


Arte – Do 3º ao 5º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Criar orquestras percussivas com instrumentos, Demonstra capacidade de percepção musical e


buscando a escuta, a percepção do coletivo e a interpretação em grupos e subgrupos?
experiência de interpretar e tocar em conjunto.

Vivenciar práticas corporais, vocais e instrumentais do Reconhece a relação e correspondência entre estímulos
universo infantojuvenil com elementos constitutivos da das linguagens da dança e da música?
música (ritmo, melodias, timbre e intensidade).

Pesquisar e desenvolver a prática do canto coral de Participa de trabalhos artísticos coletivos com prazer e
músicas e canções da cultura popular de tradição oral e colaboração?
do universo infantojuvenil.

Explorar os elementos constitutivos da música Revela apreensão de conceitos e procedimentos


(altura, intensidade, timbre, melodia, ritmo etc.) como relativos à linguagem da Música?
conhecimentos específicos para o processo de criação
Apresenta capacidade de ouvir?
nessa linguagem artística.
Demonstra capacidade de aceitação das diferenças no
exercício do canto coral?

TEATRO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Investigar espaços não convencionais identificados na Explora possibilidades de criação teatral com base na
escola como possíveis espaços cênicos. relação do corpo com o ambiente, a exemplo de salas,
auditórios, ruas, pátios e corredores?

Investigar e experimentar possibilidades de criação com Explora possibilidades de criação teatral com base na
elementos cênicos. relação do corpo com elementos cênicos, a exemplo de
figurinos, objetos, cenografia, iluminação, trilha sonora e
sonoplastia?

Investigar e experimentar procedimentos de Explora possibilidades de criação teatral com base mo


improvisação e criação de diálogos que ampliem discurso textual?
vocabulários e repertórios próprios sobre temas
Compreende os elementos básicos de um diálogo?
relevantes.

Criar cenas curtas em relações inter e multidisciplinares Compreende de forma introdutória as diferentes
com outros componentes curriculares e linguagens etapas de um processo criativo (geração, interpretação,
artísticas. exploração, seleção, avaliação e estruturação)?
Compreende a natureza inter e multidisciplinar do
teatro e seu potencial de complementaridade com
outras áreas do conhecimento?

Vivenciar uma qualidade de presença cênica com Distingue estados de presença cênica e cotidiana?
exercícios de aquecimento e relaxamento.

Vivenciar um processo de encenação em construção Aceita o trabalho em grupo colaborativo do fazer teatral
colaborativa, dialógica e coletiva. e participa dele com prazer?

Explorar teatralidades na vida cotidiana, identificando Considera elementos do teatro na vida cotidiana?
elementos teatrais (entonações de voz, diferentes
fisicalidades, diversidade de personagens
e narrativas etc.).

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 207


Componentes curriculares

Do 3º ao 5º ano – Arte
MATERIALIDADES ARTÍSTICAS E APRECIAÇÃO ESTÉTICA
ARTES VISUAIS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer os elementos das artes visuais nas Identifica elementos das artes visuais na apreciação de
produções artísticas. configurações artísticas?

Vivenciar situações e práticas nas quais as linguagens Identifica e associa elementos das linguagens artísticas
das Artes Visuais se integram às linguagens audiovisuais no mesmo produto estético?
(cinema, animações, vídeos etc.), gráficas (capas de
livros, ilustrações de textos diversos etc.), cenográficas,
coreográficas e musicais.

Reconhecer a produção artística local e do território. Identifica obras de artes visuais no contexto local e do
território em que está seu município?

Ampliar o repertório artístico-cultural por meio Reconhece que produções artísticas podem recorrer a
do contato com obras que exploram diversas diversas materialidades?
materialidades nas artes visuais.

DANÇA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ampliar o repertório artístico-cultural por meio do Reconhece a diversidade de danças, contextualizando-


contato com diversas danças contextualizadas no tempo -as no tempo e no espaço?
e no espaço.

Reconhecer os elementos da dança nas produções Identifica elementos da dança na apreciação de


artísticas. configurações artísticas?

Reconhecer a produção artística local, do território e do Pesquisa e identifica manifestações populares, em


estado da Bahia. especial aquelas que têm como matrizes estéticas e
culturais as culturas indígenas e da diáspora africana?

Reconhecer danças presentes no Território de Identifica diversas danças da sua comunidade e do


Identidade. território em que está localizado seu município?

MÚSICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ampliar o repertório artístico-cultural por meio do Identifica os elementos da música nas produções
contato com produções musicais diversas. artísticas?

Criar orquestras percussivas com instrumentos Demonstra interesse e motivação em criação de


construídos, buscando trabalhar a escuta e percepção instrumentos musicais?
do coletivo na música.
Demonstra prazer em participar de práticas conjuntas
em música?

Investigar e explorar potenciais da música. Manuseia diferentes instrumentos musicais de diversas


culturas, explorando sonoridade e formas de execução?

Analisar criticamente composições musicais com base Apresenta capacidade de escuta, atenção, reflexão e
na diversidade das letras. análise crítica na audição de músicas?

208 REFERENCIAL CURRICULAR


Arte – Do 3º ao 5º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Estimular a criação e a produção musical com base Apresenta interesse e capacidade de investigação e
em referências pessoais e culturais do território, criação musical com pesquisa e análise crítica
possibilitando um olhar crítico. de músicas?

TEATRO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer os elementos do teatro nas produções Identifica elementos do teatro na apreciação de


artísticas. manifestações artísticas?

Ampliar o repertório artístico-cultural por meio do Reconhece a diversidade de produções teatrais,


contato com diversas referências de encenação, contextualizando-as no tempo e no espaço?
contextualizadas no tempo e no espaço.

Pesquisar manifestações populares, em especial aquelas Compreende a contribuição das culturas indígenas e da
que têm como matrizes as culturas indígenas e da diáspora africana na produção teatral brasileira?
diáspora africana.

Identificar manifestações teatrais no seu município, Reconhece a produção artística local, do território e do
território e no estado da Bahia. estado da Bahia?

ARTES INTEGRADAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender que as obras de artes visuais, dança, Atribui significados próprios à obra de arte apreciada?
música e teatro estão inseridas em contextos sociais, Compreende a arte como leitura de mundo?
históricos e culturais e que constituem modos de se
relacionar com o mundo.

Ampliar o reconhecimento da presença da arte em Possui capacidade de realizar leituras de si mesmo e


seu cotidiano. do mundo com base em elementos, materialidades e
contextualização das linguagens artísticas?
Percebe a diversidade de formas de arte em suas
distintas matrizes estéticas e culturais em seu cotidiano,
incluindo os meios de comunicação e a internet?

Conhecer e valorizar o patrimônio artístico-cultural Compreende o conceito de patrimônio material


material e imaterial local, do território e do estado e imaterial?
da Bahia. Identifica o patrimônio artístico-cultural material e
imaterial local, do território e do estado da Bahia?

Reconhecer e vivenciar práticas artísticas nas Reconhece relações de pertencimento étnico-racial?


contribuições de matrizes indígenas e da diáspora Reconhece a diversidade artística e cultural dos povos
africana nas manifestações artísticas da sua indígenas e da diáspora africana?
comunidade, do município e do território.
Apresenta noções de espaço, como região, países e
continentes?
Apresenta noções de tempo histórico?
Identifica a integração das linguagens artísticas nas
manifestações artísticas?

Conhecer e valorizar a contribuição das mestras e dos Reconhece dinâmicas de organização social e do mundo
mestres de cultura; artistas populares; trabalhadoras do trabalho nas artes?
e trabalhadores manuais dos setores de carpintaria, Valoriza os mestres da cultura?
serralheria e costura; trabalhadoras e trabalhadores
das áreas de dança, artes cênicas, teatro de rua, circo,
música e repentistas nas manifestações artísticas locais
e do território.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 209


Componentes curriculares

Do 3º ao 5º ano – Arte
MATERIALIDADES ARTÍSTICAS E APRECIAÇÃO ESTÉTICA
ARTES INTEGRADAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar as novas tecnologias como recurso para a Demonstra interesse na aplicação de recursos das novas
produção, a pesquisa e o registro de criações artísticas. tecnologias no processo de criação em arte, articulando
os elementos da linguagem por meio de suportes
tecnológicos?

Participar de mostras e apresentações artísticas Vivencia a relação que se estabelece entre artista e
promovidas pela escola. espectador?

Desenvolver a autonomia, a crítica, a autoria e o Apresenta capacidade de vivenciar uma experiência


trabalho coletivo e colaborativo nas artes. artística com a colaboração das colegas e dos colegas e a
mediação da professora, ou do professor?
Apresenta capacidade de refletir sobre a experiência
artística, ampliando as compreensões com a
colaboração das colegas e dos colegas e a mediação da
professora, ou do professor?

Apreciar produções artísticas de artes visuais, dança, Demonstra curiosidade por atividades artísticas que
música e teatro diversas em exposições, espetáculos de estejam na agenda cultural da cidade, narrando as
dança e teatro, concertos, manifestações populares etc. experiências apreciadas?
que ocorrerem na cidade, ampliando o repertório de
Apresenta capacidade de percepção, abstração,
experiências.
imaginação e simbolização?

Pesquisar eventos culturais da cidade com a presença Reconhece e vivencia a oferta cultural da cidade?
de músicas de diferentes matrizes estéticas e participar
Identifica diferentes matrizes estéticas presentes na
deles como referência para a recriação e a composição
oferta cultural da cidade?
de músicas individualmente e/ou em grupo.
Considera as diversas músicas e canções produzidas na
Buscar registros sonoros e audiovisuais para contribuir
escola, no entorno e aquelas veiculadas pela mídia sem
para a pesquisa.
preconceito de gênero, religião, etnia e raça?
Reconhece elementos da música, tais como altura,
intensidade, timbre, melodia e ritmo?
Demonstra potencial criativo e inventivo para recriação
e composição musical?

Participar de manifestações populares envolvendo Aprecia manifestações populares do seu município e


mestres da cultura de seu contexto social, a exemplo de território e tem interesse em participar deles?
capoeira, samba de roda, reisados, congados e bumba
meu boi.

Ampliar o repertório artístico-cultural por meio do Reconhece gêneros textuais próprios das culturas
contato com gêneros textuais próprios das culturas indígenas e da diáspora africana, como lendas e mitos?
indígenas e da diáspora africana em uma perspectiva
Problematiza questões relacionadas ao racismo, ao
contextualizada que problematize questões relacionadas
preconceito, à discriminação e aos estereótipos?
ao racismo, ao preconceito, à discriminação e aos
estereótipos.

Explorar relações inter e multidisciplinares entre as Apresenta capacidade de articulação entre partes
linguagens artísticas e outros componentes curriculares. e todo?
Apresenta capacidade de articulação entre elementos
de diferentes linguagens e disciplinas?

210 REFERENCIAL CURRICULAR


Educação Física

Formação integral do sujeito pelo trabalho conjunto


do corpo e da mente (Foto: Gillian Medeiros/Souto Soares)

EDUCAÇÃO FÍSICA

Marcos da concepção
A análise histórica mostra que a Educação Física, en- culos de alguns estados brasileiros. Nesse período, sob
quanto disciplina escolar no Brasil, assim como as de- uma forte influência escolanovista, adquiriu um caráter
mais áreas que compunham o sistema escolar no início de desenvolvimento integral do ser humano, aliado ao
da colonização, sofreu os efeitos do processo de trans- discurso higienista com fins eugenistas da raça e de
plante da cultura europeia para o cenário local. Ainda prevenção de doenças de maneira descontextualizada.
com o nome de ginástica, ela já estava presente desde Já na década de 1960, a Educação Física rece-
esses tempos remotos. No decorrer da história, a dis- beu influência da tendência tecnicista, no intuito de
ciplina teve várias influências de abordagens pedagógi- se formar mão de obra qualificada devido à força pu-
cas, que buscavam uma base de sustentação além das jante do capitalismo.
já conhecidas anatomia e fisiologia. Nessa perspectiva,
a Educação Física no contexto escolar e na construção Atualmente se concebe a existência de algumas abor-
de seu conhecimento específico apresentou variadas dagens para a Educação Física escolar no Brasil que
tendências pedagógicas que buscavam encontrar ra- resultam da articulação de diferentes teorias psico-
zões para justificar sua presença na escola. lógicas, sociológicas e concepções fisiológicas. Todas
No século XIX, a disciplina, vinculada às institui- essas correntes têm ampliado os campos de ação e
ções militares e à classe médica, foi incluída nos currí- reflexão para a área e a aproximado das ciências hu-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 211


Componentes curriculares

manas, e, embora contenham enfoques científicos Sendo assim, a Educação Física não pode ter mais
diferenciados entre si, com pontos muitas vezes diver- um enfoque pura e simplesmente voltado à prática de
gentes, têm em comum a busca de uma Educação Físi- atividades que visem curar as mazelas da sociedade.
ca que articule as múltiplas dimensões do ser humano Mas, sim, ser compreendida como área de conheci-
(BRASIL, 1997). mento, pautada em uma aprendizagem com sentidos e
significados, devidamente sistematizada e contextuali-
Os diferentes enfoques dados à Educação Física zada, que extrapole o fazer pelo fazer, bem como discu-
ao longo dos anos, buscando legitimá-la como con- ta temáticas tão presentes na realidade das estudantes
teúdo curricular e disciplina possuidora e produtora e dos estudantes.
de conhecimento, acarretaram confusões do ponto de Assim, a Educação Física necessita caminhar na
vista da fundamentação dos conteúdos escolares. Esse direção de criar e assumir uma percepção de si mesma
processo, por vezes, negligenciou conhecimentos im- e da sociedade que contribui para formar, rejeitando a
portantes adotando uma visão defasada e arraigada de concepção dualista do ser humano, segundo a qual seu
preconceitos historicamente construídos. papel seria, sobretudo (ou somente), físico. Para tanto,
A compreensão da Educação Física como com- deve-se abrir à necessidade de transmissão do saber
ponente curricular deu-se somente com a Lei de Dire- cultural e político, fazendo sua a responsabilidade dos
trizes e Bases (LDB) de 1996, que apresentou a área cidadãos que deseja ter na construção de uma socieda-
como tal e também a tornou obrigatória em toda a de de homens crítico-reflexivos.
Educação Básica. A partir de então, garantiu-se que Nessa nova fase em que a Educação Física se
fosse tida como disciplina escolar com as mesmas res- insere, a preocupação emergente é com a questão do
ponsabilidades das demais. ensino e da aprendizagem dos conteúdos numa dada
É sabido que a Educação Física trata do corpo profundidade. Isto é, antes de ser aplicado, qualquer
numa concepção ampliada, não somente como uma que seja o conteúdo, a professora, ou o professor,
máquina que sente, composta de aparelhos que fun- deve pesquisar esse conhecimento e sistematizá-lo em
cionam de forma voluntária ou involuntária. Isso sig- planejamento que vai do micro ao macro processo de
nifica dizer que os conteúdos abordados perpassam o aprendizagem.
senso comum, ultrapassam a fragmentação que gera Conteúdo é conhecimento, e ele possibilita ao su-
a dicotomia entre corpo e mente, atingindo um corpo jeito agir adequadamente em sua realidade, ou seja, co-
social, o qual reflete acerca do que faz. nhecimento é a elucidação da realidade. Sendo assim,
Tal corpo, entendido como um ser humano que a professora, ou o professor, precisa sistematizar suas
tem, produz e transmite cultura ao longo dos anos, se- aulas a fim de que as mesmas não recaiam na mera prá-
gundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de tica pela prática, descontextualizada da realidade das
Educação Física (1997), necessita ser analisado em sua crianças e da sociedade.
inteireza. Isso implica dizer que a percepção do próprio Diante disso, o presente documento é constitu-
corpo, ou seja, do homem enquanto ser atuante na so- ído na perspectiva de propor os conhecimentos per-
ciedade, requer uma análise e uma compreensão de tinentes à Educação Física no âmbito escolar, visando
suas alterações no decorrer dos séculos a fim de gerar elencar as propostas pedagógicas numa visão que
uma autonomia crítica acerca da saúde, da atividade conjugue questões culturais, ambientais, psicológicas,
física e do próprio corpo enquanto ferramenta mani- afetivas e sociais.
pulável pelos conceitos sociais. O trato docente deve respaldar-se na sistemati-
zação da cultura corporal para concretizar uma auto-
Os saberes tratados na Educação Física nos remetem nomia do fazer pedagógico que enfoque a corporeida-
justamente a pensar que existe uma variedade de de para além dos aspectos biológicos e, principalmente,
formas de aprender e intervir na realidade social que suscite cidadãos crítico-reflexivos e participativos da
deve ser valorizada na escola numa perspectiva mais sociedade em que estão inseridos, mediando a forma-
ampliada de formação (BRASIL, 2008). ção holística de todas e todos.

212 REFERENCIAL CURRICULAR


Educação Física

A relevância da Educação Física


enquanto componente curricular
A trajetória histórica da Educação Física escolar mos- beleceu consenso para a área, entendida por diferentes
tra, ao mesmo tempo, avanços e retrocessos no que estudiosos de variadas formas, ora como área que trata
diz respeito às práticas pedagógicas identificadas nas da saúde, ora como área que lida com o movimento hu-
escolas. O fato de, ao longo do tempo, haver mudanças mano, ora como área de exclusividade das ciências natu-
nas propostas pedagógicas não garante a sua materia- rais/ciência da saúde, desconsiderando, segundo Daolio
lização efetiva e qualitativa, uma vez que as práticas (2010), a clara interface com as ciências humanas.
do cotidiano escolar também são determinadas, cons- Ademais, a Educação Física, ao longo dos anos,
cientemente ou não, pelas concepções de mundo, de não foi entendida, valorizada e incorporada por meio
ser humano, de sociedade, de Educação, de escola, de de políticas públicas ao fundamental processo de hu-
ensino e de aprendizagem dos autores desse ambiente. manização possível pela escola. Fato que desencadeou
A LDB, promulgada a fim de transformar e res- a precarização dos tempos e espaços; a diminuição e/
significar o ensino brasileiro, estabeleceu em seu Art. ou divisão das horas-aula semanais; a diminuição da
26 os rumos que a Educação Física deveria seguir no autonomia de ação das professoras e dos professores;
âmbito escolar. A partir do lançamento dos Parâme- a escassez dos recursos didático-pedagógicos; a estag-
tros Curriculares Nacionais, em 1997, surgiu a possibi- nação e superficialização da abordagem dos conteúdos;
lidade de elaborar um programa curricular integrado à e tantos outros problemas que interferem no trabalho
proposta da escola, almejando ampliar o conhecimento docente e, consequentemente, nos processos de ensino
das alunas e dos alunos, justificando a importância da e de aprendizagem.
Educação Física como componente curricular impres- Não obstante, a Educação Física passou (e con-
cindível à Educação Básica. tinua passando) por uma crise epistemológica que se
Integrada à proposta pedagógica da escola, a dis- reflete nos currículos escolares, marcada pelas dis-
ciplina tornou-se componente curricular obrigatório cussões no campo do saber e do seu objeto de ensino
no contexto da Educação Básica. A LDB também res- articulador da práxis pedagógica. Diversas produções
ponsabiliza os governos federal, estaduais e municipais trabalham com diferentes concepções críticas aos pa-
pela elaboração de diretrizes e pela definição de conte- radigmas da aptidão física, da saúde e do treinamento
údos com base na cientificidade da disciplina das e nas esportivo e superam a perspectiva de atividade des-
questões do mundo contemporâneo. Entre os temas contextualizada, de prática pela prática. Esse material
propostos numa perspectiva de inclusão social, estão considera essa área do conhecimento importante para
as diversidades e problemáticas sociais. A Base Nacio- a formação humana integral das estudantes e dos estu-
nal Comum Curricular (BNCC) é o caminho traçado dantes, permitindo visualizar novos conceitos para um
para esse fim, mas deve ser complementada, em cada corpo que sente, age e pensa.
sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, A multiplicidade de formas de pensamento, in-
por uma parte diversificada exigida pelas característi- terpretações e concepções teórico-metodológicas,
cas regionais e locais da sociedade, da cultura, da eco- embora aponte caminhos por vezes distintos, favore-
nomia e dos educandos (BRASIL, 2017). ce o debate e a possibilidade de avanço da Educação
Atualmente, a Educação Física continua permeada Física escolar e sua contribuição significativa em re-
e influenciada pela diversidade de abordagens pedagó- lação à função social da escola nos tempos atuais. A
gicas que, desde o final da década de 1970, apontam Educação é corresponsável no processo de formação
questionamentos pertinentes a respeito da importância humana integral para uma ação crítica e transforma-
e necessidade de sua presença no ambiente escolar e dora perante a realidade e a vida pública, colocando
social. Essa efervescência no campo das ideias não esta- em perspectiva a (re)construção de uma sociedade

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 213


Componentes curriculares

verdadeira e humanamente justa e democrática por tem produzido, exteriorizadas pela expressão corporal
meio da equidade social. por meio de jogos e brincadeiras, danças, lutas, ginás-
Dessa maneira, é fundamental esclarecer a fun- ticas, esportes, práticas corporais de aventura, entre
ção social da Educação Física no âmbito escolar, a fim outras atividades, levando em consideração o contex-
de melhor delinear a práxis pedagógica. Pode-se dizer to sociocultural da comunidade educativa (COLETIVO
que ela consiste em contribuir para o processo de for- DE AUTORES, 1992).
mação humana integral dos sujeitos construtores da Nesse sentido, cabe às professoras e aos profes-
própria história e da cultura, críticos e criativos, capa- sores de Educação Física, com as estudantes e os estu-
zes de identificar e reconhecer limites e possibilidades dantes, identificar, vivenciar, pesquisar, problematizar,
no próprio corpo e no corpo dos demais (COLETIVO analisar, (re)significar e (re)construir a diversidade de
DE AUTORES, 1992). manifestações da cultura corporal, historicamente e
Assim, as experiências vividas por meio da diver- culturalmente produzidas e socializadas, a fim de com-
sidade de conhecimentos e conteúdos que podem ser preender os sentidos e significados impregnados em
tematizados nas aulas de Educação Física requerem tais práticas. Isso se consegue por meio da valorização
uma leitura crítica da realidade. O objetivo é trans- dos diversos saberes vivenciados nas realidades pre-
formar esses saberes em vivências significativas e sentes no ambiente escolar. Inclusive, fazendo uso, de
significantes, adequadas às características individuais, forma crítica, criativa e responsável, das tecnologias de
coletivas, sociais e cognitivas das estudantes e dos es- informação e comunicação (TIC) para ampliar as for-
tudantes e, também, em objetos de análise e investiga- mas de acesso, conhecimento e apropriação da diver-
ção pedagógica. sidade cultural humana.
Perante a diversidade dos objetos de ensino e de No cotidiano escolar, a Educação Física, por meio
aprendizagem propostos e defendidos para a Educa- da sistematização didático-pedagógica do seu objeto de
ção Física escolar, a cultura corporal insere a área em ensino e de aprendizagem, estabelece relações dialéti-
um projeto educativo que visa garantir às crianças o cas com conceitos, fundamentos e teorias tradicional-
acesso a conhecimentos historicamente produzidos mente abordados em outras áreas. Essas relações são
pela humanidade e culturalmente desenvolvidos e fundamentais para a reflexão das estudantes e dos es-
transmitidos pelos diversos povos. É intenção, tam- tudantes, numa perspectiva que possibilite o reconhe-
bém, promover o acesso à reflexão crítica sobre as inú- cimento e o entendimento das manifestações da cultura
meras manifestações ou práticas corporais que podem corporal. O tratamento articulado dos conhecimentos
e devem ser desenvolvidas no ambiente escolar. Com sistematizados da Educação Física fomenta nas crian-
isso, pretende-se contribuir com um ideal mais amplo ças a constatação, a interpretação e a compreensão
de formação de um ser humano mais crítico e mais re- da realidade social complexa, possibilitando diferentes
flexivo, que se reconhece como sujeito, que é produto, formas de ler, interpretar e explicar o mundo, com vistas
mas, principalmente, agente histórico, político, social e à transformação das suas realidades conforme se apro-
cultural (SOARES, 2001). priam dos conhecimentos científicos universais.
Compreender a Educação Física nesse contexto Dessa forma, neste Referencial Curricular são
mais amplo suscita entendê-la na sua totalidade e ob- apresentados os direitos e as expectativas de aprendi-
servar que exerce influência e também é influenciada zagem da Educação Física para os anos iniciais do Ensino
pelas interações estabelecidas por meio das relações Fundamental, levando em consideração o que está pos-
sociais, culturais, políticas, econômicas, religiosas, étni- tulado na versão homologada da BNCC, bem como as
co-raciais, de orientação sexual, de gênero, de geração, especificidades dos documentos orientadores da Edu-
de condição física e mental, entre outras, enfatizando o cação do estado da Bahia (BAHIA, 2018), propiciando
respeito à pluralidade de ideias e à diversidade humana. subsídios à elaboração ou reelaboração dos currículos
Perante isso, a ação pedagógica da Educação e das propostas pedagógicas curriculares do Ensino
Física deve estimular o acesso reflexivo ao acervo de Fundamental das escolas vinculadas aos municípios que
formas e representações do mundo que o ser humano compõem o ADE Chapada Diamantina e Regiões.

214 REFERENCIAL CURRICULAR


Educação Física

Aprendizagem e avaliação
em Educação Física
O papel da escola, da Educação como um todo e da riedade substituindo individualismo, cooperação con-
Educação Física é formar o sujeito, enquanto ser social, frontando a disputa, distribuição em confronto com
não somente para o mundo do trabalho mas, principal- apropriação, sobretudo enfatizando a liberdade de
mente, para a vida em sociedade a fim de transformá- expressão dos movimentos – a emancipação –, negan-
-la e ressignificá-la. Portanto, com a Educação Física, do a dominação e submissão do homem pelo homem
efetiva-se a construção dos conhecimentos científicos (COLETIVO DE AUTORES, 1992).
produzidos e acumulados pela humanidade ao longo
dos séculos. Por meio deles, o sujeito se apropria da Nesse sentido, compreender a cultura corporal
cultura e dos valores com os quais se efetivará o senti- como objeto de estudo da Educação Física, sem me-
mento de pertencimento ao grupo em que está inseri- nosprezar sua rigorosidade quer dizer pensar em uma
do e, assim, sua cidadania. superação do entendimento dualista de corpo e mente.
A aprendizagem apresenta-se como um ato do Não obstante a isso, tal perspectiva também conside-
sujeito e diz respeito aos processos cognitivos experi- ra as dimensões cultural, social, política, ética, moral e
mentados por ele. Logo, cabe exemplificar situações- afetiva presentes no corpo das pessoas, que interagem
-problema nas propostas de atividades apresentadas e se movimentam como seres sociais.
para que sirvam não como receita pronta e acabada,
mas como força pujante à práxis pedagógica. Nessa perspectiva da reflexão da cultura corporal, a
De acordo com Soares (2001), a Educação Físi- expressão corporal é uma linguagem, um conhecimen-
ca é uma disciplina que cuida do conhecimento de uma to universal, patrimônio da humanidade que igual-
área denominada cultura corporal e é representada mente precisa ser transmitido e assimilado pelos alu-
por meio de temas ou estruturas de atividades corpo- nos na escola. A sua ausência impede que o homem e
rais nomeados jogo, esporte, ginástica e dança, entre a realidade sejam entendidos dentro de uma visão de
outros, que integrarão seu conteúdo. Esses temas, totalidade (COLETIVO DE AUTORES, 1992).
quando tratados na escola, expressam um sentido e
um significado pelos quais se interpenetram a intencio- Enfim, essa concepção de Educação Física tem
nalidade do homem e os objetivos da sociedade. como tarefa garantir o acesso das alunas e dos alunos
O Coletivo de Autores (1992), apontando para as à compreensão da cultura corporal, pensando para
transformações sofridas pelo homem até a conquista além das atividades expressivas e contribuindo para
de sua sapiência, trata a cultura corporal como o objeto a construção do conhecimento de sua especificidade,
de estudo que alicerça a Educação Física no contexto bem como oferecer instrumentos para que sejam ca-
escolar. Tal prerrogativa justifica-se no que diz respei- pazes de apreciá-la criticamente. O objetivo final é o
to à evolução da expressão corporal, que se deu con- desenvolvimento das potencialidades de todas e todos
comitantemente à evolução do ser humano por meio de forma democrática, e não seletiva.
de formas de representação simbólica historicamente Assim, independentemente do conteúdo escolhi-
criadas e culturalmente desenvolvidas. do, os processos de ensino e de aprendizagem devem
considerar as características das alunas e dos alunos
A expectativa da Educação Física escolar, que tem em todas as dimensões (cognitiva, corporal, afetiva,
como objetivo a reflexão sobre a cultura corporal, con- ética, estética, de relação interpessoal e de inserção
tribui para a afirmação dos interesses de classes das social). Dessa maneira, a relação entre o ensino e a
camadas populares, na medida em que desenvolve aprendizagem na Educação Física não se restringe ao
uma reflexão pedagógica sobre valores como solida- simples exercício de habilidades e destrezas, mas ofe-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 215


Componentes curriculares

rece oportunidades para a criança refletir acerca de metodológica a partir do momento em que ganham
suas possibilidades corporais e, com autonomia, exer- um sentido maior do que conceitos, passando a incluir
cê-las de maneira social e culturalmente significativa e procedimentos, normas, valores e atitudes imprescin-
adequada (BRASIL, 1997). díveis à aprendizagem. Dado esse enfoque, a Educação
Os conhecimentos na escola são estruturados Física adquire, assim como nos outros componentes
em forma de conteúdos que, de acordo com Coll et al. curriculares, ações pensadas e planejadas que os PCN
(2000), Libâneo (1994) e Zabala (1998), são saberes dividem em três categorias: conceituais, procedimen-
culturais, habilidades, valores, crenças, atitudes, senti- tais e atitudinais (BRASIL, 1998).
mentos e interesses considerados essenciais ao desen- A avaliação escolar, nessa perspectiva, é enten-
volvimento da aluna, ou do aluno. Isto é, os conteúdos dida como momento de mediação, aproximação e
são sistematizados a fim de garantir a aprendizagem diálogo entre as formas de ensino e os percursos de
significativa. aprendizagem, auxiliando a professora, ou o professor,
Entretanto, é comum o erro de pensar em ensino nos ajustes necessários ao fazer didático-pedagógi-
de conteúdo como mera atitude de transmitir concei- co. Logo, é imprescindível entendê-la como parte do
tos exclusivos ao conhecimento da disciplina, super- processo de construção de conhecimento. No caso da
pondo um fracionamento de aprendizagens. Assim, Educação Física, a avaliação não deve focar somente
a educanda, ou o educando, aprende somente o que no rendimento da criança ou mensurar e quantificar os
compete ao componente curricular e de forma des- resultados de suas aprendizagens. Deve, também, con-
contextualizada, não adentrando na sua realidade, haja siderar os valores agregados que possam refletir além
vista o conteúdo ter um fim em si mesmo. dos muros escolares, perpassando, segundo Darido e
Souza Júnior (2007), as dimensões conceitual, proce-
O conhecimento não é algo situado fora do indivíduo, dimental e atitudinal.
a ser adquirido por meio da cópia do real, tampouco Portanto, a avaliação “[...] manifesta-se como
algo que o indivíduo constrói independentemente da um ato dinâmico que qualifica e subsidia o reencami-
realidade exterior, dos demais indivíduos e de suas nhamento da ação, possibilitando consequências no
próprias capacidades pessoais. É, antes de mais nada, sentido da construção dos resultados que se deseja”
uma construção histórica e social, na qual interferem (LUCKESI, 2011). A avaliação na Educação Física é um
fatores de ordem antropológica, cultural e psicológica, instrumento que, ao ser aplicado, qualifica o aprendi-
entre outros (BRASIL, 1998). zado e auxilia na reconstrução do conhecimento para
que se efetive a aprendizagem significativa em relação
Nesse contexto, os conteúdos e o seu trato as- ao que foi construído em consonância entre estudan-
sumem propósitos sistematizados diante da práxis tes e professoras, ou professores.

216 REFERENCIAL CURRICULAR


Educação Física

Reflexões sobre a importância


do referencial: construção
de sujeitos holísticos
O presente Referencial Curricular aborda uma diver- SIL, 2017) e Documento Curricular da Bahia (BAHIA,
sidade de objetos de conhecimento a ser tematizados 2018), por meio da articulação entre as unidades te-
pela Educação Física na escola, visando a democratiza- máticas e seus respectivos objetos de conhecimento,
ção do acesso às diferentes manifestações da cultura aprendizagens esperadas e indicadores de avaliação,
corporal. Nesse sentido, pressupõe-se, como princípio a Educação Física deverá garantir para as estudantes
básico das aulas, que as vivências corporais ocorram e os estudantes os seguintes e específicos direitos de
mediante a atribuição de sentidos e significados que se aprendizagem, devidamente sistematizados pelas pro-
justificam nos conhecimentos historicamente acumu- fessoras e pelos professores:
lados pela humanidade, muitos dos quais foram e ainda
são negados na escola. Tais conhecimentos serão im-
prescindíveis à compreensão da própria prática social, 1. Compreender a origem das manifestações da
bem como à apreensão crítica, reflexiva e com vistas cultura corporal e os vínculos com a organização
da vida coletiva e individual, levando em
à superação e transformação de contradições sociais
consideração as constantes transformações
por parte de todos os envolvidos no processo (GAS- sociais.
PARIN, 2005). 2. Planejar e empregar estratégias para solucionar
Os objetos de conhecimento, as aprendizagens desafios e aumentar as possibilidades de
esperadas e os indicadores de avaliação estão orga- aprendizagem das manifestações da cultura
nizados em unidades temáticas, que serão abordadas corporal, além de envolver-se no processo de
ampliação do acervo cultural de forma crítica.
durante os anos iniciais e finais do Ensino Fundamen-
3. Refletir criticamente a respeito das relações
tal. Conforme a BNCC (BRASIL, 2017) e o Documen-
entre a vivência das manifestações da cultura
to Curricular da Bahia (BAHIA, 2018), essas unidades corporal e os processos de formação humana
são: Brincadeiras e jogos, Esportes, Ginásticas, Dan- integral, sem dissociar teoria e prática.
ças, Lutas e Práticas corporais de aventura. 4. Identificar a multiplicidade de padrões de
Diante do exposto, o documento visa ajudar a desempenho, saúde, beleza e estética corporal,
superar problemas históricos relacionados à fragmen- analisando criticamente os modelos disseminados
pelas mídias, e discutir posturas consumistas e
tação dos conhecimentos e, com isso, romper a transi-
preconceituosas.
ção das etapas ao longo do Ensino Fundamental. Apre- 5. Reconhecer as formas de produção dos
sentam-se a sistematização dos processos de ensino e preconceitos, compreendendo seus efeitos e
aprendizagem das unidades temáticas, os objetos do co- combatendo posicionamentos discriminatórios
nhecimento, as aprendizagens esperadas e os indicado- em relação às manifestações da cultura corporal
res de avaliação ao longo dos anos escolares do Ensino e aos seus participantes.
6. Interpretar e recriar os valores, os sentidos
Fundamental, considerando a possibilidade de inserção
e os significados atribuídos às diferentes
de novos itens de cada uma dessas categorias de acordo
manifestações da cultura corporal, bem como aos
com a realidade, a viabilidade, a maturação cognitiva e sujeitos que delas participam.
anseios próprios e característicos de cada instituição es- 7. Reconhecer as manifestações da cultura corporal
colar do ADE Chapada Diamantina e Regiões. como elementos constitutivos da identidade
Assim, de acordo com Darido e Souza Júnior histórica e cultural dos povos e grupos,
(2007), Freire e Scaglia (2009), Freire (2009), Marcelli- respeitando e acolhendo as diferenças.

no (1998), Coletivo de Autores (1992), BNCC (BRA-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 217


Componentes curriculares

das diferentes manifestações da cultura corporal


8. Usufruir das manifestações da cultura corporal oriundas dos diversos períodos e momentos histó-
de maneira autônoma, potencializando o ricos, lugares e grupos.
envolvimento em tempos/espaços de lazer, 4. Reflexão sobre a ação Conhecimentos originados
garantido como direito social, ampliando as redes na observação e na análise das próprias vivências
de sociabilidade e a promoção da saúde individual contextualizadas da cultura corporal e daquelas re-
e coletiva.
alizadas por outros.
9. Reconhecer o acesso às manifestações da cultura
corporal como direito dos cidadãos, propondo e 5. Construção de valores Conhecimentos origina-
produzindo alternativas para sua realização no dos em discussões e vivências no contexto da te-
contexto comunitário. matização das manifestações da cultura corporal,
10. Experimentar, desfrutar, apreciar, vivenciar e que fomentam a aquisição de novos valores e nor-
(re)criar diferentes brincadeiras, jogos, danças, mas voltados ao exercício da cidadania em prol da
ginásticas, esportes, lutas, práticas corporais
transformação de uma sociedade verdadeiramente
de aventura e demais manifestações da cultura
corporal, valorizando o trabalho coletivo, o justa e democrática por meio da equidade social.
protagonismo e a inclusão social. 6. Análise Associa-se aos conceitos necessários para
entender as características e o funcionamento das
manifestações da cultura corporal.
7. Compreensão Articula-se ao conhecimento dos
É importante salientar que a organização das uni- conceitos, referindo-se ao esclarecimento do pro-
dades temáticas se baseia na compreensão de que o cesso de inserção das manifestações da cultura
lúdico pode ser enfatizado em todas as manifestações corporal no contexto sociocultural, reunindo sabe-
da cultura corporal, reconhecendo, primordialmente, res que possibilitam compreender o lugar da cultu-
que essa não é a única finalidade da Educação Física ra corporal no mundo.
na escola. Ao vivenciar Brincadeiras e Jogos, Espor- 8. Protagonismo comunitário Ações e conhecimen-
tes, Ginásticas, Danças, Lutas, Práticas Corporais de tos necessários para que as estudantes e os estu-
Aventura, entre outras manifestações, para além da lu- dantes participem de forma confiante e autoral, em
dicidade, as estudantes e os estudantes se apropriam decisões e ações orientadas a democratizar o aces-
das lógicas intrínsecas a essas manifestações (regras, so das pessoas às manifestações da cultura corpo-
códigos, rituais, sistemáticas de funcionamento do cor- ral, tomando como referência valores favoráveis à
po, organização espaço-temporal, táticas e estratégias convivência e transformação social.
etc.), assim como estabelecem relações entre si e com a
sociedade por meio das representações, dos sentidos Cabe ressaltar que não há intenção hierárquica
e dos significados que lhes são atribuídos. Logo, a de- entre as dimensões do conhecimento, tampouco uma
limitação das expectativas de aprendizagem privilegia ordem para o desenvolvimento do trabalho pedagógi-
oito dimensões de conhecimento inter-relacionadas co. O tratamento com cada dimensão, no decorrer dos
(BRASIL, 2017; BAHIA, 2018): anos de escolaridade, exige diferentes abordagens,
graus de complexidade e amplitude para que se torne
1. Experimentação Dimensão do conhecimento que relevante e significativa, uma vez que “o conhecimento
se origina pela vivência das manifestações da cultu- não é pensado por etapas. Ele é construído no pensa-
ra corporal e pelo envolvimento corporal. mento de forma espiralada e vai se ampliando” (COLE-
2. Uso e apropriação Conhecimento que dá à estu- TIVO DE AUTORES, 1992).
dante e ao estudante condições de realizar, de for- Considerando os conhecimentos e conteúdos
ma autônoma, crítica e consciente, a diversidade de inerentes à Educação Física, é salutar que cada di-
manifestações da cultura corporal. mensão seja sempre abordada de modo integrado
3. Fruição Apreciação estética das experiências sen- com as demais, coadunando com sua natureza viven-
síveis geradas pelas vivências corporais, bem como cial, experiencial e subjetiva. Portanto, para melhor

218 REFERENCIAL CURRICULAR


Educação Física

entendimento acerca dos eixos temáticos indicados, imprevisibilidade/previsibilidade, ações defensivas e


seguem algumas considerações imprescindíveis à re- ofensivas simultâneas, nível de contato, alvo móvel
flexão da professora, ou do professor, na sistematiza- personificado no oponente e enfrentamento físico di-
ção de suas aulas. reto/indireto), os princípios comuns e as ações ligadas
à lógica interna das lutas, independentemente das mo-
dalidades (RUFINO; DARIDO, 2015). Exemplos que
Brincadeiras e Jogos podem ser adaptados e vivenciados no cotidiano das
aulas de Educação Física: queda de braço (ou punho
Para Kishimoto (1993), a brincadeira é o resultado de de ferro), sumô (retirar o colega do espaço delimitado),
ações conduzidas por regras, em que se pode usar ou cabo de guerra, guerra de dedinhos (mãos unidas e
não objetos, mas que tenha as características do lúdico: usando os polegares), a bola é minha (dois alunos, se-
ser regrada, distante no tempo e no espaço, envolver gurando uma bola grande com as duas mãos, devem
imaginação, dispor de flexibilidade de conduta e de in- tentar tirá-la de seu oponente), gangorra (sentados no
certeza. Scaglia (2005) entende o jogo como um sistema chão com as pernas estendidas, pés unidos e seguran-
complexo em que o ambiente (contexto) determinará o do um bastão com as duas mãos, um dos alunos deve
que é jogo e não jogo, evidenciando a predominância da tirar o colega da posição sentada ou deixá-lo na posi-
subjetividade em detrimento da objetividade (o estado ção em pé) e esgrima.
de jogo), no sentido de totalidade e complexidade, inse- JOGOS DE TABULEIRO São todos aqueles disputados
ridos num ambiente que lhe é próprio. Dessa forma, é por uma ou mais pessoas em uma base, o tabuleiro,
possível tratar o jogo como uma produção cultural que seja de madeira, metal, pedra, marfim, plástico, pa-
envolve não somente o distanciamento da ideia dele pelão ou outro material, onde peças são movimen-
como um produto de determinantes biológicos para o tadas, colocadas ou retiradas, obedecendo a regras
aperfeiçoamento da técnica e tática esportiva ou para preestabelecidas. Exigem a interação presencial en-
o desenvolvimento da aptidão física mas também uma tre os jogadores e requerem a capacidade de parar,
manifestação contraditória constituída na complexida- concentrar-se, elaborar pensamentos e, sobretudo,
de da vida social, marcada tanto por situações de injus- respeitar o tempo do outro e as regras preestabeleci-
tiça e desigualdade como por possibilidades e utopias das (GEHLEN, 2013). Exemplos que podem ser adap-
(NOGUEIRA, 2007). Ou seja, o brincar é a atitude de tados e vivenciados no cotidiano das aulas de Educa-
entreter-se, divertir-se com o jogo ou algum brinquedo, ção Física, podendo ainda produzir e recriar regras e
enquanto o jogar refere-se a uma atividade de regras estratégias de jogadas: dama, xadrez, gamão e banco
com valores competitivos. Brincadeiras e Jogos podem imobiliário.
ser organizados em: JOGOS ELETRÔNICOS/JOGOS ELETRÔNICOS DE MO-
VIMENTO Ambos são considerados uma ferramenta
JOGOS DE AVENTURA Baseiam-se em construções ou pedagógica inovadora na escola e para a Educação
possibilidades que evidenciem as práticas de aventura Física, principalmente por ser atrativos e possibilitar
urbanas e na natureza e aproximem os estudantes das a manifestação da ludicidade e da inclusão. Além dis-
diferentes possibilidades de prática, seja na terra, no so, são considerados, enquanto conteúdo da Educa-
ar, seja na água. Exemplos que podem ser adaptados e ção Física, como possibilidade educativa de formação
vivenciados no cotidiano das aulas de Educação Física: humana, incluindo nesse processo a formação para a
ciclismo, trilha, andar de skate ou patins, montanhismo, cultura digital. Caracterizam-se por valorizar a experi-
alpinismo, escalada, parkour, slackline, orientação, nós ência com o movimento (MONTEIRO, VELÁSQUEZ,
e amarrações. SILVA, 2016). Exemplos que podem ser adaptados e
JOGOS DE LUTA Correspondem às ações mais ele- vivenciados no cotidiano das aulas de Educação Física:
mentares das quais as práticas corporais relacionadas recriação do jogo eletrônico de lançamentos do Angry
ao ato de lutar fazem parte, ou seja, é uma forma de Birds; recriação do jogo eletrônico de movimento que
caracterizar os princípios universais (oposição, regras, simula um jogo de tênis (pode ser adaptado para tênis

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 219


Componentes curriculares

de mesa); e recriação do jogo eletrônico de movimento ESPORTES DE CAMPO E TACO Categoria que reúne as
que simula passos de dança. modalidades que se caracterizam por rebater a bola
lançada pelo adversário o mais longe possível para ten-
tar percorrer o maior número de vezes as bases ou a
Esportes maior distância possível entre as bases, enquanto os
defensores não recuperam o controle da bola, e, assim,
Tubino (1999) compreende o esporte como uma ativi- somar pontos, como beisebol, críquete e softbol (BRA-
dade física regrada e competitiva, em constante desen- SIL, 2017).
volvimento, construída e determinada conforme sua ESPORTES DE INVASÃO OU TERRITORIAL Modalida-
dimensão ou expectativa sociocultural e, finalmente, des que se caracterizam por comparar a capacidade de
em franco processo de profissionalização, mercantili- uma equipe em introduzir ou levar uma bola (ou outro
zação e espetacularização. Podem ser adaptados e vi- objeto) a uma meta ou setor da quadra/campo defen-
venciados no cotidiano das aulas de Educação Física e dida pelos adversários (gol, cesta, touchdown etc.),
são organizados em: protegendo, simultaneamente, o próprio alvo, meta ou
setor do campo, como basquetebol, frisbee, futebol,
ESPORTES DE MARCA Modalidades que se carac- futsal, futebol americano, handebol, hóquei sobre gra-
terizam por comparar os resultados registrados em ma, polo aquático e rúgbi (BRASIL, 2017).
segundos, metros ou quilos, como patinação de velo- ESPORTES DE COMBATE Modalidades caracterizadas
cidade, todas as provas do atletismo, remo, ciclismo e como disputas nas quais o oponente deve ser subjuga-
levantamento de peso (BRASIL, 2017). do, com técnicas, táticas e estratégias de desequilíbrio,
ESPORTES DE PRECISÃO Modalidades que se carac- contusão, imobilização ou exclusão de um determina-
terizam por arremessar/lançar um objeto, procurando do espaço, por meio de combinações de ações de ata-
acertar um alvo específico, estático ou em movimento, que e defesa, como judô, boxe, esgrima e taekwondo
comparando-se o número de tentativas empreendidas, (BRASIL, 2017).
a pontuação estabelecida em cada tentativa (maior ou
menor do que a do adversário) ou a proximidade do ob-
jeto arremessado ao alvo (mais perto ou mais longe do Ginásticas
que o adversário conseguiu deixar), como bocha, cur-
ling, golfe, tiro com arco e tiro esportivo (BRASIL, 2017). Atividades baseadas em movimentos como giros, sal-
ESPORTES TÉCNICO-COMBINATÓRIOS Modalidades tos, apoios e rolamentos, gestos presentes em várias
nas quais o resultado da ação motora é comparado à expressões motoras humanas, que podem se apresen-
qualidade do movimento segundo padrões técnico- tar de várias maneiras e intenções, como competição,
-combinatórios, como ginástica artística, ginástica rít- condicionamento e treinamento físico ou conscientiza-
mica, nado sincronizado, patinação artística e saltos ção corporal. As modalidades podem ser adaptadas e
ornamentais (BRASIL, 2017). vivenciadas no cotidiano das aulas de Educação Física
ESPORTES DE REDE/QUADRA DIVIDIDA OU PAREDE e são organizadas em:
DE REBOTE Modalidades que se caracterizam por ar-
remessar, lançar ou rebater a bola em direção a setores GINÁSTICA GERAL Também conhecida como ginástica
da quadra adversária nos quais o rival seja incapaz de para todos, reúne as práticas corporais que têm como
devolvê-la da mesma forma ou que leve o adversário a elemento organizador a exploração das possibilidades
cometer um erro dentro do período de tempo em que acrobáticas e expressivas do corpo, a interação social,
o objeto do jogo está em movimento. Alguns exemplos o compartilhamento do aprendizado e a não competi-
de esportes de rede são: voleibol, vôlei de praia, tênis tividade. Pode ser constituída de exercícios no solo, no
de campo, tênis de mesa, badminton e peteca. Já os es- ar (saltos) e em aparelhos (trapézio, corda, fita elástica),
portes de parede incluem: pelota basca, raquetebol e de maneira individual ou coletiva, que combinam um
squash (BRASIL, 2017). conjunto bem variado de piruetas, rolamentos, para-

220 REFERENCIAL CURRICULAR


Educação Física

das de mão, pontes, pirâmides humanas etc. Integram te presença na vida de qualquer ser humano, pois está
também essa prática os denominados jogos de mala- intimamente ligado às diversas manifestações e ativi-
bar ou malabarismo (BRASIL, 2017). dades culturais, como brincadeiras, cantigas de roda,
GINÁSTICA DE CONDICIONAMENTO FÍSICO Carac- roda de capoeira, jogos cantados, pular corda e outras
teriza-se pela exercitação corporal orientada para a expressões lúdicas do contexto popular. A dança, por
melhoria do rendimento, a aquisição e a manutenção ser um fenômeno que acompanha o ser humano des-
da condição física individual ou para a modificação da de os tempos mais remotos, é, no ambiente escolar,
composição corporal. Geralmente, são organizadas um conhecimento pertencente tanto ao componen-
em sessões planejadas de movimentos repetidos, com te curricular Educação Física quanto ao componente
frequência e intensidade definidas. Pode ser orientada curricular Arte, sendo, assim, uma vivência da cultura
para uma população específica, como a ginástica para corporal que pode ser desenvolvida de forma interdis-
gestantes, ou atrelada a situações ambientais determi- ciplinar, aproximando essas áreas de conhecimento em
nadas, como a ginástica laboral (BRASIL, 2017). Como torno da finalidade maior da Educação, reconhecendo
todo conhecimento a ser apreendido, essa ginástica sua multiplicidade e relevância na formação de sujeitos
pode fazer parte do conteúdo da Educação Física a holísticos, críticos, reflexivos, autônomos e protagonis-
fim de desmistificar os falsos e errôneos conceitos tas de uma sociedade mais justa, que não se intimidam
empregados pelas academias. Portanto, a ginástica em expressar-se numa nova linguagem: a linguagem
de condicionamento físico, segundo Bernardelli Ju- corporal.
nior e Merége (2008), deve proporcionar à aluna, ou
ao aluno, práticas de atividades físicas que discutam e
contextualizem a queima calórica e seus benefícios ao Lutas
organismo humano, bem como ressignificar a ideia do
corpo que pode ou não frequentar academias ou fazer Uma das expressões mais antigas da humanidade, pre-
determinado tipo de atividade física. Podem ser cita- sentes nas disputas pela sobrevivência, defesa e resis-
dos como exemplos: agachamento, exercício de tríceps tência, as lutas foram sistematizadas e desenvolvidas
na cadeira, afundo e avanço, prancha, abdominais e de diversas formas, filosofias e significados, por povos
burpee. e culturas distintas. Caracterizam-se pela seletivida-
GINÁSTICA DE CONSCIENTIZAÇÃO CORPORAL Re- de dos praticantes e pela competitividade entre eles,
úne práticas que empregam movimentos suaves e além da obediência às instituições (federações, confe-
lentos, tal como a recorrência a posturas ou à cons- derações e associações) que as regulam e determinam.
cientização de exercícios respiratórios, voltados para Exemplos: queda de braço (ou punho de ferro); sumô
a obtenção de uma melhor percepção sobre o próprio (retirar o colega do espaço delimitado); cabo de guerra;
corpo. Algumas delas têm origem em práticas corpo- guerra de dedinhos (mãos unidas e usando os polega-
rais milenares da cultura oriental. Podem ser denomi- res); a bola é minha (dois alunos, segurando uma bola
nadas de diferentes formas, como práticas corporais grande com as duas mãos, devem tentar tirá-la de seu
alternativas, introjetivas, introspectivas e suaves. Al- oponente); gangorra (sentados no chão com as pernas
guns exemplos são a biodança, a bioenergética, a euto- estendidas, pés unidos e segurando em um bastão com
nia, a antiginástica, o Método Feldenkrais, a ioga, o tai as duas mãos, um dos alunos deve tirar o colega da po-
chi chuan e a ginástica chinesa. sição sentada ou deixá-lo na posição em pé); esgrima
(fazendo a armadura de papelão e o florete de cabo
de vassoura); e capoeira. Também podem ser aqui
Danças classificadas as vivências de esportes coletivos (como
futebol, e handebol) e jogos coletivos (como baleado,
Caracterizam-se por movimentos rítmicos organiza- bandeirinha e barra-manteiga), entre outros exemplos
dos em gestos e passos coreografados, sempre caden- possíveis de ser adaptados e vivenciados no cotidiano
ciados musicalmente. É um elemento cultural com for- das aulas de Educação Física.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 221


Componentes curriculares

Práticas Corporais de Aventura curricular mais legítimo e importante na construção da


cidadania. Ao possibilitar o contato das crianças com
Segundo a BNCC (BRASIL, 2017), essas práticas pos- essa área da cultura, forma-se o cidadão que irá produ-
sibilitam expressões e formas de experimentação cor- zi-la, reproduzi-la e transformá-la, usufruindo dos jogos,
poral centradas nas peripécias e proezas provocadas dos esportes, das danças, das lutas, das ginásticas, das
pelas situações de imprevisibilidade que se apresen- práticas corporais de aventura e dos demais conheci-
tam quando o praticante interage com um ambiente mentos pertinentes a essa área do conhecimento que
desafiador. Envolvem desafios, riscos avaliados, con- dialogam com as realidades de todas e todos, mediante a
troláveis e assumidos que podem proporcionar sensa- sistematização e a contextualização da cultura corporal.
ções diversas, como liberdade, prazer e superação, de- Portanto, este documento destinado às profes-
pendendo da expectativa e experiência de cada pessoa soras e aos professores do Ensino Fundamental tem
e do nível de dificuldade de cada atividade. Algumas por objetivo principal ressaltar a importância da Edu-
dessas práticas costumam receber outras denomina- cação Física no ambiente escolar e nortear a atuação
ções, como atividades de aventura, esportes radicais, docente no Ensino Fundamental.
esportes de risco, esportes alternativos e esportes ex- Por meio de atividades didático-pedagógicas e
tremos. Exemplos que podem ser adaptados e viven- da articulação entre teoria e prática, a professora, ou o
ciados no cotidiano das aulas de Educação Física: ci- professor, alunas e alunos são convidados a aprender
clismo, trilha, andar de skate ou patins, montanhismo, juntos, fazendo escolhas, selecionando alternativas, tes-
alpinismo, escalada, parkour, slackline, orientação, nós tando limites, questionando valores, métodos e tendên-
e amarrações. cias. Portanto, pretende-se contribuir para o desenvol-
A Educação Física, pelo seu caráter teórico-práti- vimento do trabalho docente, ampliar as possibilidades
co, permite às alunas e aos alunos mensurar os conhe- cognitivas e motoras das crianças, bem como incluir ei-
cimentos apreendidos, tornando-se um componente xos temáticos ligados à formação da cidadania.

Indicadores de aprendizagem e avaliação


1º ano – Educação Física
BRINCADEIRAS E JOGOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer e experimentar diferentes brincadeiras Conhece jogos e brincadeiras da cultura popular


e jogos da cultura popular presentes no contexto presentes no contexto comunitário local e regional e sua
comunitário local e regional e reconhecer sua importância e identifica semelhanças com outros vividos
importância. em seu cotidiano?
Experimenta, por meio da linguagem corporal,
as brincadeiras e os jogos populares do contexto
comunitário local e regional?
Identifica a importância desses jogos e brincadeiras para
suas culturas de origem?

222 REFERENCIAL CURRICULAR


Educação Física – 1º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer e respeitar as diferenças individuais e Realiza jogos e brincadeiras com as colegas e os colegas
coletivas, valorizando o trabalho em grupo. interagindo durante as vivências?
Respeita os outros, suas ideias e os recursos utilizados
voluntariamente?

Expor estratégias para solucionar desafios, brincadeiras Expõe para os outros estratégias e recursos
e jogos populares do contexto comunitário local e voluntariamente?
regional de maneira individual e coletiva.
Soluciona situações-problema com estratégias
individuais e coletivas?

ESPORTES
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer e experimentar coletivamente a prática de Experimenta, espontaneamente, jogos esportivos


jogos esportivos de precisão. desconhecidos ou não pertencentes ao contexto
comunitário regional?
Conhece jogos esportivos de precisão e dispõe-se à
experimentação de novos esportes?

Identificar os elementos comuns aos jogos esportivos de Interage com os outros, aceitando a troca de grupos
precisão, por meio da interação coletiva, e refletir sobre independentemente dos componentes?
seus aspectos culturais e sociais.
Identifica os elementos e valores transmitidos pelas
vivências dos jogos esportivos de precisão?

Conhecer e verbalizar normas, valores e regras dos Explana sobre a cooperação, o respeito, os valores,
jogos esportivos de precisão e da segurança individual e as regras e acolhimento às diferenças?
coletiva.
Conhece e valoriza a competição saudável e o espírito
esportivo?

GINÁSTICAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer e experimentar diferentes elementos básicos Experimenta estratégias variadas para a execução de
da ginástica, da ginástica geral e do movimento humano, diferentes elementos básicos da ginástica, da ginástica
adotando procedimentos de respeito e segurança geral e do movimento humano?
individual e coletiva.
Participa da ginástica geral, identificando as
possibilidades e os limites do corpo?
Respeita as diferenças individuais e coletivas e de
desempenho corporal?

Explicitar, por meio da linguagem corporal, as Experimenta e explora sensações corporais diversas de
características dos elementos básicos da ginástica, da movimento e comunicação por meio do corpo?
ginástica geral e do movimento humano, relacionando
Identifica a presença de elementos da ginástica,
com seu cotidiano.
da ginástica geral e do movimento humano em seu
cotidiano?

Identificar e utilizar a percepção corporal como forma Interage com os colegas e se diverte ao realizar as
de conhecer e interagir consigo mesmo e com os outros. atividades da ginástica geral e do movimento humano e
o reconhecimento do corpo?
Utiliza elementos constituintes da ginástica, da ginástica
geral e do movimento humano?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 223


Componentes curriculares

1º ano – Educação Física


DANÇAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer e experimentar diferentes brincadeiras Conhece e respeita as diferenças individuais e coletivas,


cantadas, cantigas de roda, brincadeiras rítmicas e valorizando os aspectos motores, culturais e sociais?
expressivas e respeitá-las.
Realiza com satisfação as brincadeiras cantadas e as
danças presentes na comunidade?

Identificar os elementos constitutivos das cantigas de Identifica e valoriza as manifestações culturais das
roda, das brincadeiras cantadas, rítmicas e expressivas cantigas de roda, das brincadeiras cantadas, rítmicas e
locais e regionais e de outras culturas, vivenciando-os e expressivas locais e regionais?
valorizando-os.
Vivencia coletivamente as atividades que envolvem
danças locais, regionais e de outras culturas?

2º ano – Educação Física


BRINCADEIRAS E JOGOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar e compreender as brincadeiras e jogos da Experimenta e aprecia, com a múltipla linguagem


cultura popular presentes no contexto comunitário local corporal, as brincadeiras e os jogos populares do
e regional. contexto comunitário local e regional?
Reconhece e valoriza a importância dos jogos e das
brincadeiras para suas culturas de origem?

Reconhecer e respeitar as diferenças individuais e Reconhece nos jogos e nas brincadeiras semelhanças
coletivas e as semelhanças com o cotidiano valorizando com outros vividos em seu cotidiano?
a manifestação do lúdico e a confecção de brinquedos
Respeita as regras e as diferenças individuais e coletivas
com materiais alternativos.
ao realizar jogos e brincadeiras?
Reconhece as possibilidades de vivenciar o lúdico
com base na construção de brinquedos com materiais
alternativos?

Identificar e verbalizar estratégias coletivamente Identifica situações-problema e cria estratégias


construídas para a resolução dos desafios de individuais e coletivas para solucioná-las?
brincadeiras e jogos populares do contexto comunitário
Explicita espontaneamente as estratégias para novas
local e regional.
vivências dos jogos populares no contexto comunitário
local e regional?

ESPORTES
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer e experimentar coletivamente a prática Reconhece os jogos esportivos de marca e a importância


de jogos esportivos de marca e suas possíveis do trabalho coletivo?
reestruturações.
Experimenta os jogos esportivos de marca e suas
adaptações com novas regras?

224 REFERENCIAL CURRICULAR


Educação Física – 2º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender os elementos comuns aos jogos Compreende e respeita acordos e estratégias


esportivos de marca e refletir sobre seus aspectos estabelecidas no coletivo?
culturais e sociais, enfatizando a manifestação do lúdico.
Apreende os valores transmitidos por meio das
vivências dos jogos esportivos de marca e diverte-se
com eles?

Verbalizar e valorizar a importância das normas e das Valoriza a ética, a cooperação, o respeito e acolhimento
regras dos jogos esportivos de marca, vivenciando seu às diferenças?
espírito esportivo para segurança individual e coletiva e
Vivencia a competição saudável e o espírito esportivo,
respeito às diferenças.
explanando novas estratégias e regras que valorizam o
trabalho coletivo?

GINÁSTICAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer e experimentar diferentes elementos Reconhece estratégias variadas para a execução de


básicos da ginástica, da ginástica geral e do movimento diferentes elementos básicos da ginástica, da ginástica
humano individual e coletivamente. geral e do movimento humano?
Experimenta a ginástica geral, identificando e
vivenciando as potencialidades e os limites do corpo?
Respeita as diferenças individuais, coletivas e de
desempenho corporal?

Compreender e vivenciar, por meio da linguagem Experimenta e explora sensações e expressões


corporal, as características dos elementos básicos da corporais diversas?
ginástica, da ginástica geral e do movimento humano.
Compreende como o corpo se movimenta e se relaciona
com os elementos básicos da ginástica, da ginástica geral
e do movimento humano?

Identificar, interagir e utilizar a percepção e dominância Interage com os colegas e se diverte ao realizar as
corporal para conhecer a si mesmo e o outro e as atividades da ginástica geral e o reconhecimento do
relações com seu cotidiano. corpo?
Identifica e utiliza os aspectos e os elementos
constituintes da ginástica, da ginástica geral e do
movimento humano que se assemelham ao seu cotidiano?

DANÇAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer e experimentar diferentes danças do Respeita o posicionamento e as intervenções de colegas?


contexto comunitário local e regional, respeitando as
Produz gestos e estratégias que possibilitam maior
diferenças individuais e coletivas.
interação com as atividades rítmicas e danças?

Identificar e vivenciar os ritmos, os gestos e as músicas Constrói a própria marca gestual durante a realização de
das rodas cantadas, das brincadeiras rítmicas e das danças e outras atividades rítmicas?
danças presentes no contexto comunitário local,
Participa das atividades coletivas que envolvem danças
regional e das demais culturas.
locais, regionais e de outras culturas?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 225


Componentes curriculares

3 º ano – Educação Física


BRINCADEIRAS E JOGOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar, reconhecer e valorizar brincadeiras e Recria, individual e coletivamente, brincadeiras e


jogos populares e tradicionais de matrizes indígena e jogos populares e tradicionais de matrizes indígena
africana e recriá-los individual e coletivamente. e africana?
Reconhece as diferenças culturais, entendendo a
importância de sua preservação como patrimônio
histórico e cultural?

Explorar as brincadeiras e os jogos populares e Vivencia as brincadeiras e jogos populares e tradicionais


tradicionais de matrizes indígena e africana e interagir de matrizes indígena e africana e interage com eles e
com eles por meio da linguagem corporal. com os colegas?
Explora as características e a importância desse
patrimônio histórico e cultural na preservação das
diferentes culturas?

Reconhecer nas brincadeiras e nos jogos presentes Reconhece nos jogos e nas brincadeiras de matrizes
na comunidade e região aspectos da identidade local indígena e africana semelhanças com outros vividos em
relacionados com as matrizes indígena e africana, seu cotidiano?
vivenciando-os de forma lúdica e valorizando-os.
Valoriza os jogos e as brincadeiras de matrizes indígena
e africana vivenciando-os com as colegas e os colegas,
ludicamente?

ESPORTES
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar e vivenciar diferentes jogos esportivos Experimenta, de forma lúdica, jogos esportivos de
de campo e taco, identificando e respeitando seus campo e taco?
elementos e a manifestação do lúdico.
Vivencia e respeita as regras e as normas estabelecidas
coletivamente?

Diferenciar os conceitos de brincadeira, jogo e esporte, Valoriza o trabalho coletivo e adiciona novos elementos,
identificando as características que os constituem e objetos e regras aos jogos esportivos para atender às
valorizando o trabalho coletivo. necessidades do grupo?
Diferencia brincadeira, jogo e esporte e identifica suas
características?

GINÁSTICAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar individual e coletivamente as Experimenta e explora sensações corporais diversas,


combinações de diferentes elementos da ginástica geral como habilidades, estruturas e coordenação motoras,
e a relação com seu cotidiano. orientação e estruturação espaçotemporal, esquema e
percepção corporal?
Valoriza os movimentos e a comunicação corporal,
relacionando a ginástica geral com seu cotidiano?

Explorar estratégias para solucionar desafios na vivência Respeita as potencialidades e os limites do próprio corpo
individual e coletiva da ginástica geral, reconhecendo e e do corpo dos colegas?
respeitando os limites e as potencialidades do corpo.
Explora, individual e coletivamente, os elementos da
ginástica geral em distintas práticas corporais?

226 REFERENCIAL CURRICULAR


Educação Física – 3º ano

DANÇAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar, (re)criar e respeitar as atividades rítmicas Respeita e valoriza os diferentes sentidos e significados
e expressivas das danças populares e tradicionais do das danças populares e tradicionais do Brasil em suas
Brasil. culturas de origem?
Experimenta os elementos constitutivos comuns e
diferentes das danças populares e tradicionais do Brasil?

Compreender, vivenciar e valorizar o movimento rítmico Valoriza os significados das danças populares e
como forma de expressão corporal e de representação tradicionais do Brasil e discute alternativas para superar
social, identificando preconceitos no contexto das os preconceitos?
danças populares e tradicionais do Brasil.
Compreende e vivencia a execução dos elementos das
danças populares e tradicionais do Brasil?
Identifica, respeita e valoriza os contextos das danças
populares e tradicionais do Brasil?

Construir e reconstruir, individual e coletivamente, Respeita as individualidades e a diversidade de


pequenas coreografias das rodas cantadas, brincadeiras gênero e cultura e os referenciais motores na criação
rítmicas e danças presentes na cultura comunitária local coreográfica?
e regional, concebidas como patrimônio cultural.
Participa ativa e espontaneamente da construção de
coreografias coletivas?

LUTAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer, experimentar e valorizar os diferentes jogos Conhece gestos e possibilidades de movimentos do


de luta, com respeito individual e coletivo, evidenciando cotidiano nas vivências dos jogos de luta?
a manifestação do lúdico.
Valoriza e respeita as individualidades e os referenciais
motores experimentados nas vivências em grupo?

Identificar os riscos durante a realização dos jogos Identifica as múltiplas possibilidades dos jogos de luta e
de luta, valorizando a integridade física e a segurança sua diversidade cultural humana?
individual e coletiva.
Vivencia estratégias para a execução de diferentes
elementos dos jogos de luta, prezando pela segurança
individual e coletiva?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 227


Componentes curriculares

4 º ano – Educação Física


BRINCADEIRAS E JOGOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer e experimentar brincadeiras e jogos Envolve-se nas brincadeiras e nos jogos populares e
populares e tradicionais do Brasil, valorizando a tradicionais do Brasil?
importância desse patrimônio histórico-cultural.
Conhece brincadeiras e jogos de diferentes regiões
do Brasil e valoriza-os enquanto patrimônio histórico-
-cultural?

Participar, de forma individual e coletiva e com Formula estratégias individuais e coletivas para
segurança, de brincadeiras e jogos populares e solucionar de forma segura as situações-problema
tradicionais do Brasil, enfatizando a ludicidade e a acerca de brincadeiras e jogos das diferentes regiões do
valorização da riqueza cultural. Brasil?
Vivencia, de forma lúdica, jogos de outras partes do país,
valorizando e respeitando a riqueza cultural?

Dialogar, usando a linguagem corporal, sobre Explicita, corporalmente, as características das


brincadeiras e jogos populares e tradicionais do Brasil, brincadeiras e dos jogos populares e tradicionais do
relacionando-os com a cultura local. Brasil?
Relaciona as brincadeiras e os jogos populares
tradicionais da cultura local e regional com as diferentes
partes do Brasil?

ESPORTES
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer e experimentar, individual e coletivamente, Identifica os elementos comuns para execução dos jogos
os diversos tipos de jogos esportivos de rede/parede, esportivos de rede/parede?
relacionando sua prática com o seu cotidiano.
Valoriza o trabalho coletivo por meio dos jogos
esportivos de rede/parede, relacionando-o com o
cotidiano?

Construir estratégias individuais e em grupo, cumprindo Constrói, individual e coletivamente, novos elementos,
as regras e normas estabelecidas coletivamente e objetos e regras para os jogos esportivos de rede/
atendendo às necessidades acerca dos jogos esportivos parede para atender às necessidades do grupo?
de rede/parede.
Resolve os conflitos por meio do diálogo, mantendo uma
postura positiva?

GINÁSTICAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar e explorar, individual e coletivamente, Experimenta, comunica e explora sensações corporais


as combinações de diferentes elementos da ginástica em movimento com base nos elementos da ginástica
geral, elaborando coreografias com base nos temas do geral?
cotidiano.
Relaciona as vivências com seu cotidiano, combinando e
elaborando coreografias com base nele?

Reconhecer e resolver os desafios, as potencialidades Reconhece e respeita as potencialidades e os limites


e os limites, individual e coletivamente, na execução do corpo?
de elementos básicos de apresentações coletivas de
Reconhece, no próprio corpo, habilidades, estruturas
ginástica geral.
e coordenação motoras, orientação e estruturação
espaçotemporal para apresentações coletivas?

228 REFERENCIAL CURRICULAR


Educação Física – 4º ano

DANÇAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar, (re)criar e fruir atividades rítmicas e Valoriza e respeita os diferentes sentidos e significados
expressivas, danças de matrizes indígena e africana, das danças de matrizes indígena e africana em suas
comparando e valorizando os elementos, os sentidos e culturas de origem?
os significados que constituem essas danças.
Experimenta e (re)cria os elementos constitutivos
comuns e diferentes nas danças de matrizes indígena e
africana?

Compreender o movimento rítmico como forma de Reflete criticamente sobre os sentidos e significados
expressão corporal e de representação social, de do movimento rítmico presente nas danças de matrizes
maneira crítica e reflexiva, identificando preconceitos indígena e africana?
presentes no contexto das danças de matrizes indígena
Compreende a execução e ressignificação de elementos
e africana.
constitutivos das danças de matrizes indígena e africana,
superando preconceitos que possam existir?

Experimentar e (re)criar danças folclóricas da Experimenta referências socioculturais na recriação de


comunidade local, da região e do estado oriundas das danças de matrizes indígena e africana?
danças de matrizes indígena e africana.
(Re)cria estratégias, gestos e expressões de acordo com
os ritmos e as músicas pertencentes às culturas indígena
e africana?

LUTAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar, valorizar e (re)criar diferentes lutas e seus Valoriza as características das lutas do contexto
elementos presentes no contexto comunitário local e comunitário local e regional?
regional.
Experimenta e (re)cria jogos de luta com base nos
elementos presentes no contexto comunitário local e
regional?

Conhecer e formular estratégias para vivenciar as lutas Conhece os variados jogos de luta presentes na
do contexto comunitário local e regional respeitando as comunidade à qual pertence?
individualidades e a segurança dos colegas.
Respeita as lutas presentes no contexto local e regional
e formula estratégias para a sua prática com segurança
individual e coletiva?

Participar de diversos jogos de luta, de forma individual Vivencia ludicamente os aspectos referentes à
e coletiva, evocando o lúdico. diversidade e ao trabalho coletivo nas atividades de
jogos de luta?
Respeita as individualidades e os referenciais motores
experimentados nas vivências em grupo?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 229


Componentes curriculares

5º ano – Educação Física


BRINCADEIRAS E JOGOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Recriar e experimentar brincadeiras e jogos populares Experimenta e frui brincadeiras e jogos populares e
e tradicionais do mundo, individual e coletivamente, tradicionais do mundo?
valorizando-os como um patrimônio histórico-cultural.
Recria e valoriza esses jogos como patrimônio histórico-
cultural?

Dialogar, por meio da linguagem corporal, sobre a Explicita corporalmente as características e a


importância histórico-cultural das brincadeiras e dos importância desse patrimônio histórico-cultural na
jogos populares e tradicionais do mundo, refletindo e preservação das diferentes culturas?
explanando acerca das medidas de segurança individuais
Explana estratégias para possibilitar a participação
e coletivas.
segura de todos os colegas em brincadeiras e jogos
populares e tradicionais do mundo?

Preservar e valorizar as brincadeiras e os jogos Valoriza as brincadeiras e os jogos da cultura popular e


da cultura popular e do mundo, reconhecendo a do mundo como patrimônio lúdico e sociocultural, tanto
importância do patrimônio lúdico para a preservação da no contexto local como no nacional?
memória e de diferentes configurações identitárias e a
Preserva os jogos e as brincadeiras presentes no mundo
relação com seu cotidiano.
como produtos socioculturais e os relaciona com seu
cotidiano?

ESPORTES
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar e fruir diversos jogos esportivos de Experimenta, individual e coletivamente, os jogos


invasão, identificando e combinando seus elementos esportivos de invasão?
para sua vivência.
Identifica as regras e normas dos jogos esportivos
de invasão estabelecidas coletivamente
e as cumpre?

Conhecer os conceitos e as técnicas dos jogos Valoriza o trabalho coletivo e adiciona novos elementos,
esportivos de invasão, identificando e valorizando objetos e regras aos jogos esportivos de invasão?
suas características e manifestações e as diferentes
Conhece as características e manifestações das
possibilidades de fruição.
diferentes possibilidades de fruição dos jogos esportivos
de invasão?

GINÁSTICAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar, fruir e identificar, individual e Experimenta e explora sensações corporais diversas


coletivamente, as combinações de diferentes elementos de como o corpo se movimenta, comunica-se e
da ginástica geral relacionando-os com seu cotidiano. relaciona-se?
Identifica a presença dos elementos da ginástica geral
em seu cotidiano?

Formular estratégias para resolver desafios na execução Reconhece e respeita as potencialidades e os limites do
de elementos básicos de apresentações coletivas da próprio corpo e do corpo do outro com segurança?
ginástica geral, reconhecendo e respeitando os limites e
Compreende o próprio corpo –habilidades, estruturas,
as potencialidades do corpo.
coordenação motora, orientação e estruturação
espaçotemporal, esquema e percepção corporal – para
a resolução dos desafios?

230 REFERENCIAL CURRICULAR


Educação Física – 5º ano

DANÇAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar, (re)criar, identificar e fruir atividades Identifica os elementos constitutivos comuns e


rítmicas e expressivas, danças populares e tradicionais diferentes das danças populares e tradicionais do
do mundo, valorizando e respeitando seus diferentes mundo?
sentidos e significados.
Desfruta e utiliza estratégias para a execução de
elementos constitutivos das danças populares e
tradicionais do mundo?
Experimenta e (re)cria danças folclóricas da comunidade
local, da região e do estado que se relacionam com as
danças do mundo?

Compreender o movimento rítmico como forma Compreende os significados das atividades rítmicas e
de expressão corporal e de representação social, expressivas e das danças populares e tradicionais do
identificando preconceitos presentes no contexto das mundo?
danças populares e tradicionais do mundo e estratégias
Identifica os preconceitos e as alternativas para superá-
de superação.
-los, valorizando as diversas manifestações culturais das
danças populares e tradicionais do mundo?
Compreende os gestos e as expressões presentes
nas danças do mundo e estabelece referências
socioculturais?

LUTAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer e experimentar as estratégias básicas das Conhece diferentes lutas de matrizes indígena e
lutas de matrizes indígena e africana, respeitando africana, identificando seu contexto histórico, social e
e preservando a segurança individual e coletiva, cultural?
reconhecendo seu contexto histórico, social e cultural.
Experimenta jogos de luta de matrizes indígena e
africana, respeitando a segurança individual e coletiva e
repudiando atos agressivos e violentos?

Identificar e valorizar as características socioculturais Valoriza os jogos de luta de matrizes indígena e africana
das lutas de matrizes indígena e africana, reconhecendo como produto sociocultural?
os preconceitos existentes na sua vivência e propondo
Identifica preconceitos existentes na prática dos
alternativas de superação.
jogos de luta de matrizes indígena e africana e propõe
alternativas para sua superação?

Reconhecer e respeitar o colega como oponente no Reconhece o oponente como um parceiro de


contexto da prática de jogos de luta de matrizes indígena experiências, e não como inimigo ou rival?
e africana.
Respeita suas diferenças e semelhanças e também as do
outro, vivenciando os jogos de luta de matrizes indígena
e africana?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 231


Componentes curriculares

Apropriação do conhecimento vai


além da busca por respostas corretas
(Foto: Acervo/Cafarnaum)

MATEMÁTICA

Marcos da Aprender por meio


da resolução de problemas
concepção Quando os adultos de hoje eram estudantes, o impor-
tante era encontrar a resposta correta para problemas
propostos pela professora, ou pelo professor. O cami-
Defende-se neste Referencial Curricular a ideia de que nho percorrido para chegar a uma resposta não era
o estudo da Matemática deve ser vivo e vivido, voltado considerado. A professora, ou o professor, explicava
para os processos de experimentação e não para mera uma noção matemática e dava exemplos de como resol-
busca de resultados. Assim, parte-se do pressuposto ver problemas em que ela estava em jogo. Em seguida,
que estudar Matemática é fazer Matemática. Isso re- propunha exercícios de aplicação. Resolver problemas,
quer que as crianças se envolvam em um processo de nessa perspectiva, era reproduzir a técnica ensinada.
construção de conhecimentos similar ao que matemá- Hoje, compreende-se que aprender a dar uma respos-
ticos desenvolveram ao longo da história. Não se trata ta correta, que tenha sentido e seja convincente, pode
de reinventar a disciplina, mas de participar de expe- ser suficiente para que ela seja aceita, mas não é garan-
riências do fazer matemático, o que envolve resolver tia de apropriação do conhecimento envolvido.
problemas, testar hipóteses, provar conjecturas e for- Segundo pesquisa da professora doutora Ve-
mular regras. leida Anahi da Silva, do Departamento de Educação
Na concepção didática adotada neste Referencial da Universidade de Sergipe, realizada em 2008 com
Curricular, o essencial na aprendizagem é construir o 362 crianças de escola pública na região metropolita-
sentido dos conhecimentos, tendo a resolução de pro- na de Aracaju, alunas e alunos gostam da Matemática
blemas como caminho fundamental para isso. quando ingressam no Ensino Fundamental (98%), mas

232 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática

esse gosto diminui ao longo da escolaridade. A autora a resolução de vários problemas, mas se passa de um
comenta que os alunos e, principalmente, as alunas para o outro e para outro sem um trabalho reflexivo
constroem uma imagem negativa de si mesmos diante que remonta ao que foi feito. Trabalhar sozinho e re-
da matemática. A dificuldade em aprender a discipli- solver problemas sem explicar ou substanciar “mate-
na percebida por essas alunas não se deve à falta de maticamente” o que foi feito também é insuficiente.
esforço em estudar. Pelo contrário, as meninas esfor- Essas abordagens envolvem práticas que muitas vezes
çam-se mais do que os meninos para ser “boas alunas”. impedem a democratização do ensino da Matemática
Mas os dados da pesquisa indicam que elas perdem a e fazem apenas algumas crianças acessarem esse co-
confiança em suas capacidades matemáticas ao longo nhecimento.
da escolaridade. Por quê? É urgente refletir sobre as
causas desse quadro. Não se trata somente de ensinar os rudimentos de
Uma possível resposta para isso está em obser- uma técnica nem mesmo os fundamentos de uma
var que tipo de Matemática se faz na escola. Segundo a cultura científica; as matemáticas neste nível são o
pesquisadora argentina Patricia Sadovsky, primeiro domínio no qual as crianças podem aprender
os rudimentos da gestão individual e social da verda-
[...] pensar que o “tema” da sala de aula é a atividade de. Aprendem nele – ou deveriam aprender nele – não
matemática – o que inclui os resultados dessa mes- somente os fundamentos de sua atividade cognitiva
ma atividade – não é consenso entre todas as pesso- como também as regras sociais do debate e da tomada
as envolvidas na educação matemática. Há quem se de decisões pertinentes. Como convencer respeitando
concentre em comunicar alguns “resultados” na forma ao interlocutor; como deixar-se convencer contra seu
de discurso acabado. Há quem faça um recorte, con- desejo ou seu interesse; como renunciar à autorida-
siderando não o conjunto, mas apenas uma parte da de, à sedução, à retórica, à forma, para compartilhar
atividade matemática, porque concebe o ensino como o que será uma verdade comum; do que depende o
comunicação de técnicas isoladas. Em ambos os ca- uso que os outros fazem de seus conhecimentos e da
sos, desconsidera-se a necessidade de pensar numa maneira em que tratam estes problemas de verdade
gênese escolar que motive os alunos a um trabalho de [...]. Sou dos que pensam que a educação matemáti-
reconstrução de ideias (SADOVSKY, 2007). ca é necessária para a cultura de uma sociedade que
quer ser uma democracia. O ensino da matemática
Assim, quando o ensino da Matemática é apre- não tem o monopólio nem do pensamento racional,
sentado apenas como o domínio de uma técnica, a nem da lógica, nem de nenhuma verdade intelectual,
atividade na sala de aula limita-se a reconhecer, após mas é um lugar privilegiado para seu desenvolvimento
a explicação, qual definição usar, qual regra aplicar ou precoce (BROUSSEAU, 1990).
qual operação executar em cada tipo de problema. Se
aprende o que fazer, mas não por que fazê-lo ou em que O trabalho que envolve o retorno ao que foi rea-
circunstância se faz cada coisa. Esse tipo de ensino le- lizado pelo aluno, ou pelos colegas, sempre exige uma
vou às dificuldades já conhecidas: por um lado, embo- explicação, um reconhecimento e uma sistematização
ra possa permitir que algumas alunas e alguns alunos do conhecimento posto em jogo na resolução de pro-
atinjam um certo “sucesso”, quando a aprendizagem é blemas e nas formas de obtê-lo e de validá-lo.
avaliada em termos de respostas corretas para um cer- Sem esse processo, o conhecimento matemático
to tipo de problemas ela deixa de fora muitas alunas e aprendido na escola (as noções e formas de trabalhar
muitos alunos que não se sentem capazes de aprender em Matemática) não terá as mesmas possibilidades de
matemática dessa maneira. Por outro lado, o resultado reutilização no futuro, uma vez que estaria associado
desse tipo de ensino é claramente insuficiente quando ao seu uso em casos particulares.
se trata de usar o conhecimento para resolver novas e Em síntese, “como” a Matemática é feita na sala
diferentes situações. de aula define, ao mesmo tempo, “que” Matemática se
Outras vezes, a atividade na sala de aula inclui faz, “para que” e “para quem” é ensinada, o que suscita

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 233


Componentes curriculares

um dilema central em relação à construção das condi- próprios recursos para resolver um problema, é preci-
ções que permitem o acesso à Matemática apenas para so que tenham tempo para pensar sem ter acesso faci-
poucos ou para todos. litado à resposta correta ou aos melhores recursos de
A perspectiva adotada neste Referencial Cur- resolução.
ricular entende que as alunas e os alunos aprendem A possibilidade de abandonar um ensaio e come-
Matemática por meio da resolução de problemas. Um çar de novo com outros recursos faz parte do processo
problema é toda situação que demanda a realização de resolução de problemas. As estratégias usadas ini-
de uma sequência de ações pela aluna, ou pelo aluno, cialmente pelas alunas e pelos alunos – inclusive as er-
levando a colocar em jogo conhecimentos disponíveis. radas e as abandonadas – são o ponto de partida para
Porém, também oferece algum tipo de dificuldade que a construção do conhecimento.
torna esses saberes insuficientes e força a busca de
soluções em que se produzem outros conhecimentos, A representação em matemática
modificando (enriquecendo ou reformulando) os ante- Durante a exploração de um novo problema, quando
riores. Para que essas ações se convertam num apren- ainda não têm recursos elaborados para enfrentá-lo, as
dizado matemático, é preciso que as situações propos- crianças costumam recorrer aos desenhos ou a outras
tas apresentem certo grau de dificuldade. Isso significa representações gráficas. Muitas vezes, essas primeiras
que a complexidade das situações deve ser tal que os aproximações estão distantes do que a professora, ou
conhecimentos que as alunas e os alunos possuem não o professor, espera ensinar. No entanto, para que cada
sejam suficientes para resolvê-las totalmente e, ao aluna e cada aluno construam o conhecimento de for-
mesmo tempo, permitam que desenvolvam algumas ma compreensiva, é fundamental que possam pensar
formas iniciais de resolução, mesmo que equivocadas e produzir estratégias e representações próprias mes-
ou pouco eficientes. Assim, não se espera que as crian- mo que sejam pouco econômicas ou diferentes das
ças resolvam as situações corretamente na primeira convencionais.
tentativa. Ao contrário, é a dificuldade do problema É preciso, então, olhar para as resoluções das
que promove a oportunidade de aprender algo novo. crianças na perspectiva do conhecimento que apre-
Nesse sentido, ao formular as situações, é fundamen- sentam, não daquilo que lhes falta pelo olhar do adulto,
tal considerar os conhecimentos prévios, a interação pois não dar um status de conhecimento ao que apre-
entre eles e o tempo de aprendizagem de cada aluna sentam frequentemente leva a intervenções que des-
e de cada aluno. consideram o conhecimento da aluna, ou do aluno, não
Nessa perspectiva, o problema é uma tarefa para fornecendo pontos de apoio para seu avanço.
a qual não se possui um esquema, uma estratégia pre- Por exemplo, quando uma aluna, ou um aluno,
viamente definida, que demanda esforço intelectual resolve um problema representando pauzinhos ou
e construção de estratégias próprias. Esse modo de bolinhas para contar e a professora, ou o professor,
trabalho instiga a curiosidade, favorece a autonomia, a oferece algum material estruturado para essa reso-
confiança e a segurança em suas próprias ideias. Dessa lução, substitui um percurso próprio de pensamento
forma, as crianças podem aprender que fazer matemá- da criança pela utilização de um material construído
tica não é um dom para poucos e, sim, uma questão de na perspectiva de um adulto, que não dialoga com as
trabalho intenso, muito estudo e, por esse motivo, é ideias dessa criança e não a ajuda a aperfeiçoá-las. É
acessível a todas e todos. preciso levar em consideração que o conhecimento
Para instalar um trabalho dessa natureza, é fun- matemático é sempre uma representação. Ele existe
damental selecionar e propor problemas que convi- no mundo das ideias. O desenho, ou os pauzinhos, pro-
dem à exploração, para que a turma se envolva em um duzido pela criança, também é a representação de uma
projeto próprio de investigação utilizando os recursos ideia – da contagem, nesse caso – e, por isso, vincula-se
disponíveis e que, durante o processo, a professora, com a natureza do conhecimento matemático. Nesse
ou o professor, promova a interação entre as crianças. sentido, olhar para as notações das crianças como ob-
Para que todas e todos busquem com autonomia os jetos conceituais – coisas sobre as quais pensam, de-

234 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática

senvolvem ideias e refletem – é essencial para promo- análise sobre a exploração realizada, as relações identifi-
ver seu avanço. cadas, os recursos elaborados ou aqueles abandonados.
A aprendizagem de um sistema de notação, assim
como na língua escrita, não é meramente uma questão Explicar e argumentar
de habilidade perceptivo-motora. Por um lado, existe nas aulas de Matemática
um objeto socialmente constituído, com certas ca- A resolução de um problema é um ponto de partida
racterísticas, e, por outro, coexistem as hipóteses das para a construção de conhecimentos, mas precisa es-
crianças relativas a esse sistema de notação – no caso, tar aliada a um trabalho de aprofundamento. Ou seja,
numérica – e sobre seu funcionamento. a resolução de um problema, por si só, é insuficiente
Por isso, ao resolver as atividades que têm em para promover a construção de recursos.
mãos, as alunas e os alunos devem poder decidir o Um procedimento colocado em jogo pelas es-
que e de que maneira registrar – por exemplo, usan- tudantes e pelos estudantes – correto ou não – é a
do risquinhos, escrevendo números ou desenhando expressão de um conjunto de relações que eles esta-
símbolos. Uma certa heterogeneidade de formas de beleceram. Nesse sentido, o trabalho sobre os proce-
representação é um indicador de que as estudantes dimentos utilizados pelas crianças para resolver um
e os estudantes estão assumindo os problemas como problema é sempre uma oportunidade para tornar es-
próprios e tomando decisões. O trabalho didático rea- sas relações observáveis.
lizado na escola contribuirá para que as formas iniciais É fundamental nesse processo reconhecer, colo-
de resolução sejam abandonadas em favor de estraté- car em palavras e encontrar explicações para os pro-
gias mais elaboradas e próximas ao saber matemático cedimentos usados ou para as relações estabelecidas,
socialmente construído. interpretar resoluções de colegas e identificar erros.
A socialização das estratégias e o intercâmbio entre as
O papel das interações na crianças são ferramentas potentes para gerar um clima
aprendizagem matemática de atividade intelectual compartilhada, por meio da qual
Numa perspectiva de trabalho em que se conside- as crianças poderão, progressivamente, construir certas
re a criança como protagonista da construção de sua ideias sobre o que é a matemática, como se faz matemá-
aprendizagem, o papel da professora, ou do professor, tica na escola e como são capazes de fazer matemática.
ganha novas dimensões. A confrontação daquilo que A produção de explicações e a troca de ideias em
a criança pensa com o que pensam seus colegas, sua torno delas requer chegar a consensos e resolver con-
professora, ou professor, e demais pessoas com que flitos relativos ao conhecimento em jogo. Colocar em
convive é uma forma de aprendizagem significativa. palavras e aprender a argumentar é também o apren-
Quando se trabalha apenas coletivamente, cor- dizado de uma prática democrática. Produzir explica-
re-se o risco de que as alunas e os alunos com mais ções e argumentar nas aulas de Matemática tem então
recursos deem respostas mais rápido, sem esperar as um sentido formativo essencial à constituição de um
colegas e os colegas que precisam de tempo para pen- sujeito e de uma sociedade democrática.
sar sobre a estratégia. Nesse sentido, é fundamental organizar momen-
Nesse sentido, a organização da turma durante as tos coletivos para que as crianças confrontem suas
aulas precisa ser planejada de acordo com as intenções produções e observem que não há apenas um meio de
pedagógicas diante de cada situação. Às vezes, é im- resolver um problema, e sim que existem várias estra-
portante propor um trabalho individual para que cada tégias possíveis, que se relacionam de alguma maneira.
criança tenha a oportunidade de interagir apenas com o É a professora, ou o professor, quem favorece a análise
problema e acesse os próprios conhecimentos. Em ou- e a discussão entre as crianças, organiza os intercâm-
tros momentos, é conveniente trabalhar em duplas ou bios, seleciona os erros que serão objeto de análise e
pequenos grupos para promover intercâmbios no mo- promove a comparação entre os recursos usados para
mento da resolução. Também é importante organizar tornar mais explícitas possíveis as relações matemáti-
momentos coletivos, com toda a turma, voltados para a cas envolvidas e que, talvez, nem todas as crianças te-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 235


Componentes curriculares

nham identificado. Essa é uma tarefa complexa. Exige O recurso aos jogos e outras
estabelecer pontes entre as produções genuínas das ferramentas para o ensino
crianças e as relações que se pretende ensinar; e en- da Matemática
volve promover um complexo processo de criação co- Criar boas situações de ensino, que envolvam as alu-
letiva, em que as alunas e os alunos produzem, trans- nas e os alunos é sempre um grande desafio. Alguns
formam e ampliam conhecimentos. recursos podem contribuir para essa tarefa. Um deles
A incerteza inicial se reduz nesse espaço de inte- é o jogo, fundamental para o ensino da Matemática.
ração, com a turma identificando diferentes maneiras Tem a vantagem de despertar o interesse das crian-
de abordar o mesmo problema e as relações entre as ças e de possibilitar a construção de conhecimento em
estratégias e descartando as que não permitiram che- uma situação coletiva. Além disso, os jogos permitem
gar ao resultado. considerar a diversidade cognitiva da turma – crianças
Nesses momentos, as intervenções da professo- com diferentes saberes podem jogar juntas e utilizar as
ra, ou do professor, são essenciais para que as crianças próprias estratégias.
explicitem os procedimentos utilizados, os confrontem Diferentes jogos podem ser utilizados na escola
com o que os colegas fizeram e comparem diferentes com diversos propósitos: introduzir um tema, compre-
tipos de resolução, identificando semelhanças e dife- ender melhor alguns conceitos, consolidar os já adqui-
renças e explicitando propriedades matemáticas. ridos, ganhar agilidade de estratégias ou automatizar
A ideia é incentivar as crianças a repensar o que resultados. Há jogos mais apropriados ou específicos
realizaram a fim de convencer a turma sobre a validade para introduzir um conceito (jogar antes da introdução
de uma estratégia, por exemplo, para que conquistem do conteúdo), contribuir com o desenvolvimento de
uma posição mais reflexiva em relação ao que foi feito um conceito já introduzido (jogar durante o trabalho
e mais geral, abstrata, autônoma e livre. com o conteúdo) ou mesmo para verificar uma apren-
Também faz parte desse processo analisar a eco- dizagem (jogar ao final do trabalho).
nomia dos recursos usados. Nesse momento, é possí-
vel apresentar procedimentos (convencionais ou não) A cultura local e o
que não foram utilizados, convidando a turma a novas conhecimento matemático
análises e reflexões. É importante considerar que a Matemática é uma ciên-
cia desenvolvida pela humanidade ao longo de sua his-
A organização do tempo didático tória para explicar, entender, manejar e conviver com
O processo de construção de conhecimentos requer o mundo ao redor, em um contexto natural e cultural.
tempo e multiplicidade de ações. Aprender envolve um Nesse sentido, é importante que as crianças
complexo e intenso trabalho de reconceitualizações compreendam a linguagem matemática utilizada em
sucessivas. Essas “idas e vindas” sobre uma mesma si- seu meio e possam relacioná-la com a linguagem ma-
tuação são especialmente favoráveis para que as crian- temática mais universal. Por exemplo, a geometria das
ças aprimorem e aprofundem os conhecimentos. festas juninas, das bandeirinhas e balões, é colorida. A
Assim, para que as crianças possam colocar em geometria teórica, desde sua origem grega, eliminou a
jogo seus conhecimentos, testá-los, modificá-los, am- cor. Poder ver geometria nas festas juninas e poder in-
pliá-los e sistematizá-los, é necessário um tempo de terpretar figuras geométricas, apoiando-se na vivência
trabalho matemático ao longo do qual tenham a opor- das festas, contribui para a construção de sentido dos
tunidade de resolver e refletir sobre uma variedade de conhecimentos matemáticos.
problemas próximos entre si. Outro exemplo, o uso de instrumentos e unida-
Esse trabalho precisa ser sistemático e envolver des de medida costuma variar em todo território bra-
várias aulas para reorganizar as estratégias de resolu- sileiro. Nesse sentido, explorar como cada localidade
ção, estabelecer relações com outros conhecimentos, faz para medir os produtos na feira, um lote de terra ou
descartar estratégias erradas ou pouco eficientes e registrar uma receita é um contexto rico para que as
construir outros recursos. crianças se apropriem da cultura local e estabeleçam

236 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 1º ano

relações com o sistema métrico decimal. os níveis que o antecedem. A intenção desse formato
Usar a Matemática para compreender o espaço, é descrever percursos possíveis e pertinentes para o
o tempo e a cultura à sua volta, percebendo as parti- ensino e a aprendizagem de conteúdos fundamentais
cularidades do semiárido, da caatinga, da flora serrana na trajetória escolar. Os avanços em uma área de co-
e dos usos e costumes locais, é uma forma não só de nhecimento não são sempre homogêneos. Uma crian-
valorizar o contexto local como também uma decisão ça pode progredir mais rapidamente em seu domínio
política, voltada para o sentido de pertencimento. das operações do que na exploração do espaço ou dos
conteúdos do campo da geometria, por exemplo. Por
A organização dos isso, as progressões foram organizadas assumindo
indicadores de avaliação que cada aluna, ou cada aluno, pode avançar em rit-
Nas tabelas a seguir, você verá que os indicadores de mos diferentes nos distintos percursos de aprendiza-
avaliação estão organizados em níveis de 1 a 4. Eles gem que lhes são propostos no trabalho escolar com
servem para mapear a turma e cada um deles inclui a Matemática.

Indicadores de aprendizagem e avaliação*


1º ano – Matemática

NÚMEROS/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Explorar diversos usos sociais dos Nível 1 Em situações coletivas, explora diversos usos sociais dos números
números em contextos e portadores em contextos e portadores numéricos cotidianos? Por exemplo, interpreta
numéricos cotidianos. onde está o preço ou a data na capa de um jornal e analisa para que serve o
Reconhecer os significados número de um ônibus?
numéricos ao encontrá-los em
diferentes oportunidades.

Contar em voz alta (recitar) parte Nível 1 Resolve problemas que envolvem contar em voz alta (recitar) uma
da série numérica (inicialmente com porção da série numérica (inicialmente com o apoio da professora, ou do
apoio da professora, ou do professor, professor, dizendo o nome dos números redondos em cada mudança de
dizendo o nome dos números dezena e depois sem ajuda)?
redondos em cada mudança de Nível 2 Conta em escalas ascendentes e descendentes de 1 em 1, de 10
dezena e depois sem ajuda). em 10?

*Traduzido e adaptado de ETCHEMENDY, M.; TARASOW, P.; BROITMAN, C. Progresiones de los aprendizajes – Matemática: primer
ciclo (2018) e segundo ciclo (2019). Buenos Aires.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 237


Componentes curriculares

1º ano – Matemática
NÚMEROS/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Comparar duas coleções de objetos Nível 1 Conta uma quantidade pequena de objetos (por exemplo, em jogos
e identificar a que tem mais, a que de dados ou cartas que exigem comparar ou juntar quantidades)?
tem menos ou se ambas têm a mesma Nível 2 Conta quantidades maiores, organizando os objetos para contar?
quantidade. Por exemplo, montando grupos de 10, distribuindo-os em uma organização
Utilizar a contagem como recurso retangular etc.
para comparar quantidades de dois
conjuntos de objetos.
Contar objetos (que podem ou não
ser movimentados), organizando-
-os para contar e avançando nas
estratégias de controle dos objetos
contados e dos por contar.

Representar pequenas quantidades Nível 1 Desenha um símbolo para cada objeto contado? Por exemplo, I I I I I.
por meio de estratégias pessoais. Nível 2 Anota um número para cada objeto contado? Por exemplo, 1 2 3 4
5 ou 5 5 5 5 5.
Nível 3 Utiliza apenas um número para representar todos os objetos
contados? Por exemplo, 5 para cinco objetos ou 12 para doze objetos.

Explorar e analisar regularidades Nível 1 Em situações coletivas, analisa regularidades da série numérica
da série oral e da série escrita, em oral e da escrita? Por exemplo, em consignas como “Que número é
situações coletivas, trocando ideias o maior entre …e…?” (dois números escritos que ainda não sabe ler
acerca do nome, da escrita e da convencionalmente).
comparação de números de diversas Identifica que o ano se escreve com quatro algarismos?
quantidades de algarismos.
Nível 2 Em situações coletivas, explora as regularidades da série numérica
Observar regularidades e descrever oral e da série escrita, trocando ideias acerca do nome, da escrita e da
números ausentes em parte da série comparação de números de diversas quantidades de algarismos? Por
numérica. exemplo, em perguntas como “Contar de mil em mil a partir de mil” ou
Comparar números escritos “Escrever um número maior que 2.018”.
apoiando-se nas regularidades Nível 3 Em situações coletivas, explora as regularidades da série numérica
estabelecidas e elaborar critérios de oral e da série escrita, trocando ideias acerca do nome, da escrita e da
comparação. comparação de números com diversas quantidades de algarismos? Por
exemplo, com base em perguntas como “Se este número (10.000) é dez mil,
como vocês acham que se escreve vinte mil?” ou “Qual destes números é
maior: 99.999 ou 1.000.000.000?”.
Nível 4 Em situações coletivas, explora as regularidades da série numérica
oral e da série escrita, trocando ideias acerca do nome, da escrita e da
comparação de números com diversas quantidades de algarismos? Por
exemplo, com base em perguntas como “Se este número (1.000.000) é um
milhão, que número será este (2.000.000)? E este (3.000.000)?”.

Ler, escrever e ordenar Nível 1 Lê, escreve e ordena convencionalmente os números de um


convencionalmente números até algarismo e alguns números redondos ou outros números de dois
aproximadamente 100. algarismos.
Nível 2 Lê, escreve e ordena convencionalmente números até
aproximadamente 100.
Nível 3 Lê, escreve e ordena convencionalmente números até
aproximadamente 1.000.
Nível 4 Lê, escreve e ordena convencionalmente números até
aproximadamente 10.000.

Resolver problemas por meio Nível 1 Resolve cálculos simples com quantidades menores do que 10 ou
de contagem (usando dedos, 15 (como 5 + 7 ou 6 – 4), desenhando objetos ou palitos e acrescenta ou
desenhos ou objetos) ou por tira, conta e obtém o resultado, ou faz a sobrecontagem ou conta para trás?
meio de sobrecontagem.

238 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 1º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Utilizar resultados numéricos Nível 1 Em situações de exploração coletiva, reconhece a possibilidade de


conhecidos de memória para resolver usar um cálculo memorizado para descobrir o resultado de uma adição? Por
cálculos para os quais inicialmente exemplo, para resolver 5 + 6, sabe que 5 + 5 = 10 e conclui que 5 + 6 será
recorria à contagem. 11 sem a necessidade de contar de um em um.
Nível 2 Calcula dobros e metades de números simples (um algarismo e
números redondos)? Por exemplo, o dobro de 2, 3, 4, 5, 6 etc.; o dobro de
10, 20, 30 etc.; a metade de 4, 6, 8, 10 etc.; e a metade de 20, 40 etc.
Nível 3 Usa resultados memorizados ou escritos de adição e subtração
para descobrir o resultado de outras adições ou subtrações? Por exemplo,
70 + 30 = 100, quanto é 70 + 40?; 70 + 70 = 140, quanto é 140 - 70?;
e 20 - 10 = 10, quanto é 20 - 11?
Nível 4 Usa resultados memorizados ou escritos para resolver outros
cálculos com números maiores? Por exemplo, para 6.500 + 2.000, sabe que
6 + 2 = 8 e que, portanto, 6.000 + 2.000 = 8.000 e acrescenta 500.

Explicitar estratégias utilizadas e Nível 2 Em situações de exploração coletiva, discute a possibilidade de


comparar com as dos colegas. usar um cálculo memorizado para descobrir o resultado de uma adição? Por
exemplo, para resolver 5 + 6, sabe que 5 + 5 = 10, de modo que conclui que
5 + 6 será 11 sem a necessidade de contar de um em um.
Nível 3 Usa resultados memorizados ou escritos de adição e subtração
para descobrir o resultado de outras adições ou subtrações? Por exemplo,
70 + 30 = 100, quanto é 70 + 40?; 70 + 70 = 140, quanto é 140 - 70?; e 20 -
10 = 10, quanto é 20 - 11?
Nível 4 Usa resultados memorizados ou escritos para resolver outros
cálculos com números maiores? Por exemplo, para 6.500 + 2.000, sabe que
6 + 2 = 8 e que, portanto, 6.000 + 2.000 = 8.000 e acrescenta 500.

Explorar decomposições aditivas Nível 2 Resolve problemas que colocam em jogo a relação entre o valor
de números de dois algarismos no do algarismo e a posição que ocupa em números menores que 100 no
contexto do dinheiro. contexto do dinheiro? Por exemplo, quantas notas de 10 reais e moedas de
1 real são necessárias para pagar 34 reais?
Nivel 3 Resolve problemas usando escalas ascendentes e descendentes de
10 em 10, de 50 em 50 e de 100 em 100? Por exemplo, "João tem 100 reais
e todas as semanas guarda 50 reais. Quanto terá nas próximas 5 semanas?".

Resolver problemas de adição Nível 1 Resolve problemas em que é preciso juntar, acrescentar, tirar,
e de subtração com diferentes avançar ou retroceder com quantidades pequenas (até 10 ou 15,
significados – juntar, acrescentar, aproximadamente) por meio da contagem – usando dedos, desenhos,
separar, retirar, avançar, retroceder – objetos – ou usando a sobrecontagem? O uso da sobrecontagem significa
que envolvem pequenas quantidades um avanço na compreensão das estratégias de contagem.
(até 100, aproximadamente). Nível 2 Resolve problemas em que é preciso juntar, acrescentar, tirar, avançar
ou retroceder com quantidades até 100, reconhecendo a escrita matemática
correspondente à adição e subtração e usando cálculo mental ou a calculadora?
Nível 3 Resolve problemas em que é preciso juntar, acrescentar, tirar,
avançar ou retroceder com quantidades até 1.000, reconhecendo a escrita
matemática correspondente à adição e subtração e usando cálculo mental,
algoritmo ou a calculadora?
Nível 4 Resolve problemas em que é preciso averiguar “quanto havia
antes” de tirar ou acrescentar, usando diferentes estratégias de cálculo
mental ou calculadora, como ir somando ou subtraindo com cálculos
parciais, testando com números etc.?
Em situações de intercâmbio coletivo, espera-se que as crianças possam
reconhecer as somas e subtrações que permitem obter as respostas.
Por exemplo, "Maria está juntando dinheiro para comprar uma bicicleta.
Recebeu R$ 400 de seu avô e agora já juntou R$1.000. Quanto dinheiro
tinha economizado antes de juntar o dinheiro presenteado pelo avô?".

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 239


Componentes curriculares

1º ano – Matemática
NÚMEROS/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Explorar diferentes formas de Nível 1 Explora coletivamente diferentes formas de resolver problemas
resolver problemas que envolvem (contar com desenhos ou marcas, com adições sucessivas de números
grupos de igual quantidade de iguais etc.) que envolvem determinar a quantidade total de elementos de
elementos: contar com desenhos ou várias coleções de igual quantidade de elementos? Por exemplo, "Quantas
marcas, com adições sucessivas de rodas têm 5 triciclos? Quantas patas têm dois gatos?".
números iguais etc. Nível 2 Reconhece as diferenças entre os problemas em que é necessário
somar os números presentes no enunciado e aqueles em que um dos
números é o que indica quantas vezes se repete o outro número?

GEOMETRIA/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Descrever a localização de pessoas Nível 1 Em jogos ou problemas grupais, comunica e interpreta por meio
ou de objetos da sala ou de um objeto de referências orais a localização de um objeto da classe ou de um objeto
colocado entre outros utilizando disposto entre outros sobre uma folha (usando relações tais como “está
termos como “está entre”, “em cima entre”, “acima de”, “debaixo de”, “perto de”, “olhando para” etc.)?
de”, “debaixo de”, “perto de”, à direita”, Nível 2 Comunica e interpreta a localização de objetos por meio de
“à esquerda”, “em frente”, “atrás”. desenhos, gráficos, instruções orais e escritas considerando como
Comunicar e interpretar a localização referência os diferentes objetos do entorno e o próprio corpo?
e os deslocamentos de pessoas
por meio de instruções orais e
de desenhos de espaços físicos
conhecidos, reconhecendo alguns
símbolos convencionais ou indicados
como referência na representação.

Identificar e formular algumas Nível 1 Em jogos ou atividades coletivas, resolve problemas que implicam
características e elementos de figuras a identificação e formulação de algumas características e elementos das
geométricas espaciais (cone, cilindro, figuras geométricas tridimensionais mais convencionais? Por exemplo, dada
esfera, prisma e pirâmide). uma coleção de figuras, dá pistas para que um colega identifique a figura
escolhida ou formula perguntas para encontrar a figura selecionada por
outra pessoa.
Nível 2 Em jogos ou atividades coletivas, utiliza certo vocabulário
específico para descrever uma figura geométrica tridimensional
(quantidade de faces, forma das faces, quantidade de arestas e quantidade
de vértices)?

Identificar e formular algumas Nível 1 Resolve, em jogos ou atividades coletivas, problemas que implicam
características de figuras a identificação e formulação de algumas características e elementos de
geométricas planas (quantidade de figuras geométricas? Por exemplo, dada uma coleção de figuras que ainda
lados, lados iguais, diagonais etc.). não foram identificadas convencionalmente, dá pistas para reconhecer uma
Incorporar e utilizar figura escolhida sem mostrá-la, ou faz perguntas para descobrir a figura
progressivamente vocabulário escolhida pela professora, ou pelo professor.
geométrico. Nível 2 Resolve problemas que impliquem a identificação e formulação de
algumas características e elementos das figuras geométricas (quantidade
de lados, lados iguais, diagonais etc.)?

Construir figuras planas baseando-se Nível 1 Reproduz quadrados e retângulos em folhas quadriculadas?
na análise de suas características. Nível 2 Reproduz figuras geométricas compostas de quadrados e
retângulos com alguma diagonal traçada usando folhas quadriculadas e
lisas, régua e esquadro?

Estabelecer relações entre figuras Nível 1 Estabelece relações entre algumas figuras e as faces de algumas
geométricas. figuras geométricas tridimensionais? Por exemplo, escolhe quais figuras
geométricas podem formar um quadrado ou com que figuras pode-se
cobrir um prisma dado.

240 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 1º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Organizar e reconhecer elementos Nível 1 Reconhece os elementos de um padrão figural e os utiliza ao


de um padrão figural. continuar esse padrão?
Nível 2 Reconhece os elementos e a ordem de um padrão figural e os
utiliza ao continuar esse padrão, mantendo a mesma ordem?

GRANDEZAS E MEDIDAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Comparar comprimentos sem usar Nível 1 Resolve problemas que implicam comparar comprimentos de
instrumentos, utilizando termos forma direta (sem usar instrumentos)?
como “mais alto que”, “mais baixo
Nível 2 Mede e compara comprimentos, capacidades e massas usando
que”, “mais comprido que”, “mais
unidades de medida convencionais e não convencionais?
curto que”.
Em situações de intercâmbio grupal, reconhece que sempre pode
Explorar o uso de instrumentos para haver erros nas medições realizadas e que, portanto, as medidas são
medir comprimento e massa. aproximadas?
Explora, em situações coletivas, o uso de instrumentos para medir o tempo,
comprimentos, capacidades e massas?

Consultar o calendário para Nível 1 Reconhece, em situações de trabalho coletivo, a distribuição e


encontrar uma data – dia, mês e ano – organização dos dias, semanas e meses no calendário?
e marcar datas significativas.
Nível 2 Em situações de trabalho coletivo, explora a leitura da hora em
Reconhecer a distribuição e relógios digitais e analógicos?
organização de dias, semanas e
meses no calendário.

Reconhecer cédulas do sistema Nível 1 Identifica cédulas e moedas de uso corrente?


monetário brasileiro.

PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Explorar eventos que envolvem Nível 1 No decorrer de uma partida de jogo, analisa quem tem mais
acaso em situações de jogo. chances de ganhar?

Organizar em um registro a Nível 1 Anota o nome de cada jogador e identifica seus pontos?
informação do desenvolvimento de
Nível 2 Anota o nome de cada jogador em linha ou coluna de tabela,
um jogo.
controlando a quantidade de jogadas de cada um?
Analisar formas diferentes de
registrar informação de um jogo.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 241


Componentes curriculares

2º ano – Matemática
NÚMEROS/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Contar e fazer estimativas por Nível 1 Conta uma quantidade pequena de objetos? Por exemplo, em jogos de
meio de diversas estratégias, dados ou cartas que exigem comparar ou juntar quantidades.
como organizar os objetos para
Nível 2 Conta quantidades maiores, organizando os objetos para contar?
contar, montando grupos de
Por exemplo, montando grupos de 10, distribuindo-os em uma organização
10, distribuindo-os em uma
retangular etc.
organização retangular, apoiando-
-se em quantidades conhecidas
para estimar outra etc.

Recitar a série numérica em Nível 1 Resolve problemas que envolvem contar em voz alta (recitar) uma
escalas variadas, ascendentes ou porção da série numérica (inicialmente, com o apoio da professora, ou do
descendentes partindo de um professor, dizendo o nome dos números redondos em cada mudança de
número qualquer, utilizando uma dezena e depois sem ajuda)?
regularidade estabelecida.

Analisar, identificar e descrever Nível 1 Em situações coletivas, analisa regularidades da série numérica oral
regularidades da série oral e e da escrita? Por exemplo, em consignas como “Que número é o maior entre
da série escrita e usá-las para …e…?" (dois números escritos que ainda não sabe ler convencionalmente) ou
interpretar, produzir e comparar “Identificar que o ano se escreve com quatro algarismos” etc.
números escritos.
Nível 2 Em situações coletivas, explora as regularidades da série numérica oral
e da série escrita, trocando ideias acerca do nome, da escrita e da comparação
de números de diversas quantidades de algarismos? Por exemplo, em consignas
como “Contar de mil em mil a partir de mil” ou “Escrever um número maior que
2.018”.
Nível 3 Em situações coletivas, explora as regularidades da série numérica oral
e da série escrita, trocando ideias acerca do nome, da escrita e da comparação
de números de diversas quantidades de algarismos? Por exemplo, com base
em perguntas como: “Se este número (10.000) é dez mil, como vocês acham
que se escreve vinte mil?” ou “Qual destes números é maior: 99.999 ou
1.000.000.000?”.
Nível 4 Em situações coletivas, explora as regularidades da série numérica oral
e da série escrita, trocando ideias acerca do nome, da escrita e da comparação
de números de diversas quantidades de algarismos? Por exemplo, em
perguntas como: “Se este número (1.000.000) é um milhão, que número será
este (2.000.000)? E este (3.000.000)?”.

Ler, escrever e ordenar de Nível 1 Lê e escreve convencionalmente os números de um algarismo e alguns


maneira convencional números números redondos ou outros números de dois algarismos?
até aproximadamente 1.000.
Nível 2 Lê, escreve e ordena números até aproximadamente 100?
Nível 3 Lê, escreve e ordena números até aproximadamente 1.000?
Nível 4 Lê, escreve e ordena números até aproximadamente 10.000?

Interpretar a informação contida Nível 1 Resolve problemas que colocam em jogo a relação entre o valor do
na escrita de um número, algarismo e a posição que ocupa em números menores que 100 no contexto
identificando os aspectos aditivos do dinheiro? Por exemplo, “Quantas notas de 10 reais e moedas de 1 real são
do número. necessárias para pagar 34 reais?”.

242 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 2º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Resolver problemas que Nível 1 Resolve problemas em que é preciso juntar, acrescentar, tirar, avançar
envolvem as ideias de juntar, ou retroceder com quantidades pequenas (até 10 ou 15, aproximadamente)
acrescentar, retirar, separar, por meio da contagem – usando dedos, desenhos, objetos – ou utilizando a
avançar ou retroceder sobrecontagem? O uso da sobrecontagem significa um avanço na compreensão
com quantidades até das estratégias de contagem.
aproximadamente 1.000, Nível 2 Resolve problemas em que é preciso juntar, acrescentar, tirar, avançar
com números redondos ou ou retroceder com quantidades até 100, reconhecendo a escrita matemática
relativamente próximos entre correspondente à adição e subtração e usando cálculo mental ou a calculadora?
si, por meio de diferentes
Nível 3 Resolve problemas em que é preciso juntar, acrescentar, tirar, avançar
procedimentos de cálculo
ou retroceder com quantidades até 1.000, reconhecendo a escrita matemática
mental (somando ou subtraindo
correspondente à adição e subtração e usando cálculo mental, algoritmo ou a
com cálculos parciais, testando
calculadora?
diferentes números etc.), ou com
calculadora, reconhecendo os Nível 4 Resolve problemas em que é preciso averiguar “quanto havia antes”
cálculos que permitem resolvê-los. de tirar ou acrescentar, usando diferentes estratégias de cálculo mental ou
calculadora, como ir somando ou subtraindo com cálculos parciais, testando
com números etc.?
Em situações de intercâmbio coletivo, espera-se que as crianças possam
reconhecer as somas e subtrações que permitem obter as respostas. Por
exemplo, “Maria está juntando dinheiro para comprar uma bicicleta. Recebeu
R$ 400 de seu avô e agora já juntou R$1.000. Quanto dinheiro tinha
economizado antes de juntar o dinheiro presenteado pelo avô?”.

Dispor de um conjunto de Nível 1 Resolve problemas de adição e subtração com quantidades menores
resultados memorizados ou que de 10 ou 15, por meio de:
podem ser recuperados com O contagem, com dedos, com a representação gráfica em desenhos ou
certa facilidade. marcas, ou usando objetos? Representa ambas as quantidades e conta tudo
Obter resultados de certos para determinar a quantidade total na soma e risca ou conta para trás a
cálculos de adição e subtração, subtração?; e
apoiando-se no arredondamento, O sobrecontagem, no caso da adição e contar para trás controlando quantos
na decomposição aditiva é preciso tirar, no caso da subtração? Por exemplo, para fazer 14 + 10,
dos números, em resultados começa a contar a partir do 14 acrescentando 10 e chega a 24. Ou para
memorizados. fazer 15 – 6 conta seis para atrás desde o 15.
Utilizar resultados numéricos Nível 2 Dispõe de um conjunto de resultados memorizados ou que pode
conhecidos e as propriedades dos recuperar ou obter com certa facilidade?
números e das operações para Para a adição:
resolver mentalmente cálculos O adições que dão 10;

exatos e aproximados. O adições de números iguais até 10;

O qualquer número mais 1;

O qualquer número mais 10;

O adição de números iguais, terminados em zero; e

O adição de números terminados em zero.

Para a subtração:
O qualquer número menos 1;

O qualquer número menos 10;

O subtração de números terminados em zero; e

O subtração na forma de um número terminado em zero menos um número

de um algarismo.
Nível 3 Dispõe de um conjunto de resultados memorizados ou que pode
recuperar ou obter com certa facilidade?
O Adições que dão 100.

O Adições de centenas iguais.

O Adições de números terminados em zero, até 1.000.

O Subtração de qualquer centena menos 100.

O Subtração de centenas terminadas em zero.

O Subtração de 100 menos um número terminado em zero ou menos um

número de um algarismo.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 243


Componentes curriculares

2º ano – Matemática

Nível 4 Dispõe de um conjunto de resultados memorizados ou que pode


recuperar ou obter com certa facilidade?
O Adições que dão 1.000.
O Adições de milhares iguais.
O Adições de milhares terminados em zero.
O Subtração de qualquer milhar menos 1.000.
O Subtração de 100 menos um número de três algarismos terminado em zero.

Resolver problemas que Nível 1 Explora coletivamente diferentes formas de resolver problemas
envolvem alguns sentidos da (contar com desenhos ou marcas, com adições sucessivas de números iguais
multiplicação e divisão, séries etc.) que envolvem determinar a quantidade total de elementos de várias
proporcionais e organizações coleções de igual quantidade de elementos? Por exemplo:
retangulares, por meio de O Quantas rodas têm 5 triciclos?

diversos procedimentos pessoais: O Quantas patas têm dois gatos?

desenhos, contagem, adições


sucessivas etc, avançando Nível 2 Resolve problemas que envolvem séries proporcionais por meio de
progressivamente nessas adições sucessivas e reconhece posteriormente a escrita multiplicativa (ainda
estratégias. que para resolvê-los utilize a adição sucessiva)? Por exemplo:
O Quantos dias há em 2, 4 e 8 semanas?

O Quanto Martim gastou se comprou 3 lápis a 9 reais cada um?

Nível 3 Resolve problemas que envolvem séries proporcionais e organizações


retangulares reconhecendo e utilizando a multiplicação com números pequenos,
apelando a resultados memorizados ou consultando a tabela pitagórica?
Nível 4 Explora, em forma grupal, problemas que envolvem determinar a
quantidade que resulta de combinar elementos de duas coleções distintas por
meio de diversas estratégias e cálculos? Por exemplo:
O Laura vai comer em seu trabalho. O almoço inclui uma carne (boi ou

frango) e um acompanhamento (purê, batatas fritas ou salada). Quantas


possibilidades tem para escolher?

Iniciar a construção de Nível 1 Calcula alguns dobros e metades de números simples (um algarismo e
um repertório de cálculos números redondos)? Por exemplo:
multiplicativos. O o dobro de 2, 3, 4, 5, 6 etc.;

O o dobro de 10, 20, 30 etc.;

O a metade de 4, 6, 8, 10 etc.; e

O a metade de 20, 40 etc.

Nível 2 Explora, em situações coletivas, estratégias para determinar dobros e


metades de distintos números? Por exemplo:
O o dobro de 45 como o dobro de 40 mais o dobro de 5; e

O a metade de 56 como a metade de 50 mais a metade de 6.

Nível 3 Usa a tabela pitagórica para encontrar resultados de multiplicações?


Nível 4 Memoriza alguns produtos da tabela pitagórica?

GEOMETRIA/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Interpretar desenhos que Nível 1 Em situações coletivas, interpreta trajetos por meio de instruções
representam espaços físicos orais usando como pontos de referência diferentes objetos do entorno? Por
conhecidos, localizar e desenhar exemplo, no jogo de Caça ao Tesouro, segue as instruções lidas pelo docente e
nesses espaços algum objeto. as utiliza para encontrar a próxima pista.
Comunicar por meio de desenhos, Nível 2 Em situações coletivas, comunica e interpreta deslocamentos e
esquemas e instruções orais e trajetórias em representações do espaço físico reconhecendo alguns símbolos
escritas a localização de pessoas convencionais ou indicados como referência na representação? Por exemplo,
e de objetos, considerando como desenha um caminho no croqui de um parque recreativo; interpreta um trajeto
referência o próprio corpo e no mapa de uma área próxima à escola; e reconhece no mapa os símbolos
diferentes objetos do entorno. utilizados para representar as estações de metrô ou um hospital.

244 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 2º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Considerar as proporções dos Nível 1 Interpreta desenhos que representam espaços físicos conhecidos,
objetos e espaços representados, localiza e desenha nesses espaços algum objeto, mantendo a proporção
a localização dos elementos que relativa ao tamanho dos desenhos? Por exemplo, reconhece a porta da sala
compõem a representação, sua de aula em um croqui e acrescenta um desenho da mesa da professora, ou do
posição e seu tamanho. professor, vista de cima.
Nível 2 Interpreta, completa e produz planos de espaços físicos conhecidos e
que tem à vista, mantendo a proporção dos objetos e espaços representados?
Por exemplo, desenha a planta da sala de aula, do pátio da escola ou de uma
praça pequena que esteja visitando.

Identificar e formular algumas Nível 1 Reproduz quadrados e retângulos em folhas quadriculadas?


características das figuras
Nível 2 Reproduz figuras geométricas compostas de quadrados e retângulos
geométricas planas: quantidade
com alguma diagonal traçada usando folhas quadriculadas e lisas, régua e
de lados e de vértices, lados
esquadro?
iguais, retos ou curvos,
comprimento dos lados, diagonais, Nível 3 Estabelece relações entre quadrados, triângulos e retângulos? Por
mesmo que não conheça o nome exemplo, pode construir um retângulo com base em certos triângulos ou
dessas figuras. dobrar um quadrado para obter quatro triângulos.

Utilizar vocabulário adequado Nível 1 Utiliza, em alguns casos, a nomenclatura convencional para se referir
para se referir a essas às figuras geométricas planas e seus elementos?
características.
Nível 2 Utiliza, predominantemente, a nomenclatura convencional para se
referir às figuras geométricas e seus elementos?
Nível 3 Formula e interpreta breves textos que descrevem uma forma
geométrica usando vocabulário específico? Por exemplo, em uma atividade
de pequenos grupos, envia uma mensagem a outro grupo para que possam
reproduzir um retângulo com uma diagonal traçada.
Determina entre duas formas geométricas qual é a que corresponde a uma
descrição?

Analisar e descrever um padrão Nível 1 Reconhece os elementos de um padrão figural e os utiliza ao continuar
e elementos ausentes em esse padrão?
sequências repetitivas de figuras.
Nível 2 Reconhece os elementos e a ordem de um padrão figural e os utiliza ao
continuar esse padrão, mantendo a mesma ordem?
Nível 3 Reconhece os elementos e a ordem de um padrão figural,
identificando elementos ausentes?

Identificar algumas Nível 1 Em jogos ou atividades coletivas, resolve problemas que implicam a
características de figuras identificação e formulação de algumas características e elementos das figuras
geométricas espaciais: geométricas tridimensionais mais convencionais? Por exemplo, dada uma
quantidade e formas das faces, coleção de figuras, dá pistas para que uma colega, ou um colega, identifique a
quantidade e comprimento das figura escolhida ou formula perguntas para encontrar a figura selecionada por
arestas, quantidade de vértices, outra pessoa.
mesmo que não conheça o nome
Nível 2 Em jogos ou atividades coletivas, utiliza certo vocabulário específico
dessas figuras.
para descrever uma figura geométrica tridimensional (quantidade de faces,
Identificar que, para distinguir forma das faces, quantidade de arestas, quantidade de vértices)?
uma figura geométrica espacial de
outra, é necessário atentar para
as características geométricas
sem recorrer a outras qualidades
como o material e a cor.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 245


Componentes curriculares

2º ano – Matemática
GEOMETRIA/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Estabelecer relações entre as Nível 1 Estabelece relações entre algumas figuras planas e as faces de figuras
faces de uma figura espacial e as geométricas espaciais?
figuras planas que a compõem.
Nível 2 Reproduz cubos, pirâmides e prismas – com o modelo presente
Reproduzir cubos, pirâmides – usando elementos que representam arestas e vértices (como varetas e
e prismas – com o modelo bolinhas de massa plástica)?
presente – usando elementos que
representem arestas e vértices.

GRANDEZAS E MEDIDAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Medir e comparar Nível 1 Resolve problemas que implicam comparar comprimentos de forma
comprimentos, capacidade e direta (sem usar instrumentos)?
massa utilizando unidades de
Nível 2 Mede e compara comprimentos, capacidades e massas usando
medida convencionais e não
unidades de medida convencionais e não convencionais?
convencionais.
Em situações de intercâmbio grupal, reconhece que sempre pode haver erros
Reconhecer algumas unidades
nas medições realizadas e que, portanto, as medidas são aproximadas?
de medida de comprimento,
capacidade e massa Nível 3 Explora, em situações coletivas, o uso de instrumentos e unidades
convencionais. para medir comprimentos, capacidades e massas?
Nível 4 Identifica a pertinência de estimar medidas de tempo, comprimento,
massa e capacidade? Por exemplo, diante de três medidas de massa possíveis
de um elefante, descarta as que indicam 25 g e 25 kg e seleciona a que está
expressa em toneladas.

Indicar a duração de intervalos Nível 1 Reconhece, em situações de trabalho coletivo, a distribuição e


de tempo entre duas datas, organização dos dias, semanas e meses no calendário?
como dias da semana e meses do
Nível 2 Em situações de trabalho coletivo, explora a leitura da hora em
ano, utilizando calendário para
relógios digitais e analógicos?
planejamentos e organização de
agenda.
Explorar a leitura da hora em
relógios digitais e determinar
durações.

Reconhecer cédulas e moedas Nível 1 Identifica cédulas e moedas de uso corrente?


do sistema monetário brasileiro e
Nível 2 Compõe valores utilizando diferentes combinações de cédulas
estabelecer a equivalência
e moedas?
de valores.
Nível 3 Identifica que diferentes composições de cédulas e moedas podem
indicar o mesmo valor?

PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Explorar eventos que envolvem Nível 1 No decorrer de uma partida de jogo, analisa quem tem mais chances
acaso em situações de jogo, de ganhar?
classificando-os como pouco
Nível 2 No decorrer de uma partida de jogo, analisa diferentes possibilidades
provável, muito provável,
de desenrolar do jogo, classificando-as em pouco prováveis, muito prováveis e
impossível de ocorrer.
impossíveis de ocorrer?

246 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 3º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Interpretar informações Nível 1 Interpreta informações apresentadas em tabelas simples?


apresentadas em tabelas simples,
Nível 2 Interpreta informações apresentadas em tabelas simples, tabelas de
tabelas de dupla entrada e gráfico
dupla entrada e gráficos de barras?
de barras.
Nível 3 Compara informações apresentadas por meio de tabelas de dupla
Comparar informações de
entrada e em gráficos de barras?
pesquisas apresentadas por meio
de tabelas de dupla entrada e em Nível 4 Utiliza tabelas simples, tabelas de dupla entrada e gráficos para
gráficos de barras. compartilhar informações pesquisadas?
Realizar pesquisas de
preferências e organizar
informações por meio de
estratégias pessoais, em tabelas
simples, de dupla entrada, e em
gráficos de barras.

3 º ano – Matemática

NÚMEROS/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Usar escalas ascendentes e Nível 1 Resolve problemas que exijam usar escalas ascendentes e
descendentes de 100 em 100, de descendentes de 10 em 10, de 50 em 50 e de 100 em 100? Por exemplo,
200 em 200, de 500 em 500 e de “João tem 100 reais e todas as semanas guarda 50 reais. Quanto terá nas
1.000 em 1.000. próximas 5 semanas?”.
Nível 2 Resolve problemas que exijam usar escalas ascendentes e
descendentes de 100 em 100, de 200 em 200, de 500 em 500 e de 1.000
em 1.000? Por exemplo, “Em um bosque há 1.200 árvores. Querem
aumentar a quantidade de plantas e, a cada ano, plantarão 200 árvores.
Quantas árvores o bosque terá daqui a 5 anos, se nenhuma morrer?”.

Ler, escrever e ordenar números Nível 1 Lê, escreve e ordena convencionalmente números até
até aproximadamente 10.000 aproximadamente 100?
ou 15.000, apoiando-se nas
Nível 2 Lê, escreve e ordena convencionalmente números até
regularidades da série oral e da
aproximadamente 1.000?
série escrita.
Nível 3 Lê, escreve e ordena convencionalmente números até
aproximadamente 10.000?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 247


Componentes curriculares

3 º ano – Matemática
NÚMEROS/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar regularidades e Nível 1 Argumenta para fundamentar ou descartar escritas para


características comuns aos determinado número apoiando-se na organização regular da série numérica?
números em um intervalo amplo de Nível 2 Compara números escritos apoiando-se nas regularidades
números de quatro algarismos. estabelecidas e elabora critérios de comparação?
Localizar números de até 4
algarismos na reta numérica.

Considerar a quantidade de Nível 1 Interpreta e produz a escrita de números maiores abordados mais
algarismos de uma escrita sistematicamente, mesmo sem alcançar a convencionalidade em todas as
numérica como uma característica suas produções?
que oferece alguma indicação do Nível 2 Utiliza a informação que traz o nome e a escrita em algarismos de
intervalo de um número. um número conhecido para averiguar o nome de outro número ou ter indícios
sobre sua escrita?
Nível 3 Considera a quantidade de algarismos de uma escrita numérica
como uma característica que permite ter indícios sobre o intervalo
numérico?

Comparar diferentes notações, Nível 1 Resolve problemas que colocam em jogo a relação entre o valor
composições e decomposições do algarismo e a posição que ocupa nos números menores que 1.000 nos
de um número, sua relação com o contextos de dinheiro, pontuação de jogos, em problemas com a calculadora
valor posicional, incluindo o sistema etc.? Por exemplo:
monetário. O Qual é a menor quantidade de notas de 100 reais, de 10 reais e moedas
de 1 real para formar 738 reais?
O Anote 534 na calculadora.

O Que adições ou subtrações você precisa fazer para que mude apenas o 5?

E para que mude apenas o 3?


Nível 2 Resolve problemas que colocam em jogo a relação entre o valor do
algarismo e a posição que ocupa nos números até 10.000? Por exemplo:
O Quantos pacotes de 1.000, quantos de 100 e quantos de 10 é possível
montar com 2.348 balas?
O Anote na calculadora 7.364.
O Invente uma adição que faça com que mude o 3, mas os outros algarismos
permaneçam iguais.

Apropriar-se de procedimentos de Nível 1 Em situações de intercâmbio coletivo, resolve problemas que


cálculo baseados na decomposição envolvem comparar diferentes notações e composições e decomposições e
aditiva ou multiplicativa dos sua relação com o valor posicional?
números, compreendendo a ideia Nível 2 Resolve problemas que envolvem comparar diferentes notações e
de igualdade. composições e decomposições e sua relação com o valor posicional?
Nível 3 Resolve problemas que envolvem colocar em jogo as relações entre
as diferentes posições de um algarismo (determinando que em 100 há
10 de 10; ou em 1.000 há 10 de 100), por meio de estratégias pessoais?
Por exemplo:
O Quantas caixas de 10 é possível montar com 125 balas?
O Se não existem notas de 1.000 reais, quantas notas de 100, 10 e moedas
de 1 real são necessárias para pagar 1.234 reais?

Realizar cálculos mentais utilizando Nível 1 Resolve cálculos simples com quantidades menores do que 10 ou
variadas estratégias em função dos 15 (como 5 + 7 ou 6 – 4), desenhando objetos ou palitos e acrescentando ou
conhecimentos disponíveis e dos tirando, contando e obtendo o resultado, ou fazendo a sobrecontagem ou
números envolvidos. contando para trás?

248 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 3º ano

Nível 2 Em situações de exploração coletiva, discute a possibilidade de


usar um cálculo memorizado para descobrir o resultado de outro cálculo de
adição? Por exemplo, para resolver 5 + 6, sabe que 5 + 5 = 10 e conclui que 5
+ 6 será 11 sem a necessidade de contar de um em um.
Obtém o resultado de certos cálculos apoiando-se em propriedades do
sistema de numeração? Por exemplo 20 + 8 = 28 ou 56 - 6 = 50.
Nível 3 Usa resultados memorizados ou escritos de adição e subtração para
descobrir o resultado de outras adições ou subtrações? Por exemplo:
O 70 + 30 = 100, quanto é 70 + 40?

O 70 + 70 = 140, quanto é 140 - 70?

O 20 - 10 = 10, quanto é 20 - 11?

Obtém o resultado de certos cálculos apoiando-se em propriedades do


sistema de numeração e em decomposições aditivas?
Nível 4 Usa resultados memorizados ou escritos para descobrir o resultado
de outros cálculos com números maiores? Por exemplo, para 6.500 + 2.000,
sabe que 6 + 2 = 8 e que, portanto, 6.000 + 2.000 = 8.000 e acrescenta 500.
Obtém o resultado de certos cálculos apoiando-se em propriedades do
sistema de numeração e em decomposições aditivas?

Dispor de um conjunto de Nível 1 Resolve problemas de adição e subtração com quantidades menores
resultados memorizados ou de 10 ou 15, por meio de contagem com dedos, com a representação
que possa ser recuperado com gráfica em desenhos ou marcas, ou usando objetos? Representa ambas as
facilidade e usá-los para encontrar quantidades e conta tudo para determinar a quantidade total na soma e risca
o resultado de outros cálculos com ou conta para trás a subtração? Faz sobrecontagem, no caso da adição, e
números maiores. conta para trás controlando quanto é preciso tirar, no caso da subtração? Por
exemplo, para 14 + 10, começa a contar do 14, acrescentando 10 e chega a 24.
Nível 2 Dispõe de um conjunto de resultados memorizados ou que pode
recuperar ou obter com certa facilidade?
Para a adição:
O Adições que dão 10.

O Adições de números iguais até 10.

O Qualquer número mais 1.

O Qualquer número mais 10.

O Adição de números iguais, terminados em zero.

O Adição de números terminados em zero.

Para a subtração:
O Qualquer número menos 1.

O Qualquer número menos 10.

O Subtração de números terminados em zero.

O Subtração na forma de um número terminado em zero menos um número

de um algarismo.
Nível 3 Dispõe de um conjunto de resultados memorizados ou que pode
recuperar ou obter com certa facilidade?
O Adições que dão 100.

O Adições de centenas iguais.

O Adições de números terminados em zero, até 1.000.

O Subtração de qualquer centena menos 100.

O Subtração de centenas terminadas em zero.

O Subtração de 100 menos um número terminado em zero ou menos um

número de um algarismo.
Nível 4 Dispõe de um conjunto de resultados memorizados ou que pode
recuperar ou obter com certa facilidade?
O Adições que dão 1.000.

O Adições de milhares iguais.

O Adições de milhares terminados em zero.

O Subtração de qualquer milhar menos 1.000.

O Subtração de 100 menos um número de três algarismos terminado em zero.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 249


Componentes curriculares

3 º ano – Matemática
NÚMEROS/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender a ideia de igualdade Nível 1 Reconhece que as parcelas da adição podem ser agrupadas em
para escrever diferentes ordem diferente e que o resultado obtido será o mesmo? Por exemplo, sabe
sentenças de adições ou de que 4 + 5 = 5 + 4 e que 40 + 50 = 50 + 40.
subtrações de dois números Nível 2 Identifica diferentes adições de números de um algarismo, que
naturais que resultem na mesma representem o mesmo número? Por exemplo, 10 = 2 + 8 = 7 + 3 = 4 + 6.
soma ou diferença (propriedade
Nível 3 Identifica diferentes adições e subtrações de números de até dois
comutativa).
algarismos, que representem o mesmo número? Por exemplo, identifica
diferentes adições e subtrações iguais a 50.
Nível 4 Identifica diferentes adições e subtrações de números de até três ou
mais algarismos, que representem o mesmo número? Por exemplo, identifica
diferentes adições e subtrações iguais a 1.000.

Resolver e elaborar problemas Nível 1 Resolve problemas em que é preciso juntar, acrescentar, tirar,
aditivos que envolvam as ideias de avançar ou retroceder com quantidades pequenas (até 10 ou 15,
juntar, acrescentar, separar, retirar, aproximadamente) por meio da contagem – utilizando dedos, desenhos,
avançar, retroceder e completar objetos – ou usando a sobrecontagem? O uso da sobrecontagem significa um
quantidades, com quantidades até avanço na compreensão das estratégias de contagem.
1.000, reconhecendo a escrita
Nível 2 Resolve problemas em que é preciso juntar, acrescentar, tirar, avançar
matemática correspondente à
ou retroceder com quantidades até 100, reconhecendo a escrita matemática
adição e à subtração, por meio
correspondente à adição e subtração e usando cálculo mental ou a calculadora?
de estratégias de cálculo mental,
algoritmo ou a calculadora. Nível 3 Resolve problemas em que é preciso juntar, acrescentar, tirar,
avançar ou retroceder com quantidades até 1.000, reconhecendo a escrita
matemática correspondente à adição e subtração e usando cálculo mental,
algoritmo ou a calculadora?
Nível 4 Resolve problemas em que é preciso averiguar “quanto havia antes”
de tirar ou acrescentar, usando diferentes estratégias de cálculo mental ou
calculadora, como ir somando ou subtraindo com cálculos parciais, testando
com números etc.?
Em situações de intercâmbio coletivo, espera-se que as crianças possam
reconhecer as somas e subtrações que permitem obter as respostas. Por
exemplo, “Maria está juntando dinheiro para comprar uma bicicleta. Recebeu
R$ 400 de seu avô e agora já juntou R$1.000. Quanto dinheiro tinha
economizado antes de juntar o dinheiro presenteado pelo avô?”.

Resolver e elaborar problemas que Nível 1 Resolve problemas em que é preciso averiguar quanto se
envolvem a ideia de comparar duas acrescentou ou tirou (com quantidades até 100, aproximadamente, e com
quantidades, buscando a distância números redondos ou relativamente próximos entre si)?
entre elas, com números redondos
Em situações de intercâmbio coletivo, espera-se que as crianças explorem
ou relativamente próximos entre si.
escritas de cálculos possíveis para esses problemas. Por exemplo, se para
resolver uma situação na qual se pedia buscar o complemento de uma
quantidade (quanto falta a 15 para chegar a 40), os alunos ou usaram a
contagem e a sobrecontagem, ou foram acrescentando 5 para chegar a 20 e
logo mais 20 para chegar a 40, espera-se que reconheçam a escrita 15 + 25 =
40 e possam também explorar a escrita 40 – 15 = 25.
Nível 2 Resolve problemas em que é preciso averiguar quanto se
acrescentou ou tirou por meio de diferentes recursos de cálculo mental ou
com o algoritmo?
Nível 3 Resolve problemas em que é preciso comparar duas quantidades,
determinando a diferença que há entre elas, com números redondos ou
relativamente próximos entre si? Por exemplo, “O carro A saiu e avançou 200
metros, o carro B vai mais adiante e já percorreu 300 metros. Por quantos
metros o carro B está ganhando do carro A?”.

250 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 3º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Resolver e elaborar problemas Nível 1 Explora coletivamente diferentes formas de resolver problemas
multiplicativos que envolvam séries (contar com desenhos ou marcas, com adições sucessivas de números iguais
proporcionais e organizações etc.) que envolvem determinar a quantidade total de elementos de várias
retangulares, por meio de coleções de igual quantidade de elementos? Por exemplo:
estratégias de adição sucessiva e O Quantas rodas têm 5 triciclos?

multiplicações. O Quantas patas têm dois gatos?

Nível 2 Resolve problemas que envolvem séries proporcionais por meio de


adições sucessivas e reconhece posteriormente a escrita multiplicativa (ainda
que para resolvê-los utilize a adição sucessiva)? Por exemplo:
O Quantos dias há em 2, 4 e 8 semanas?

O Quanto Matheus gastou se comprou 3 lápis a 9 reais cada um?

Reconhece as diferenças entre os problemas em que é necessário adicionar


os números presentes no enunciado e aqueles em que um dos números é o
que indica quantas vezes se repete o outro número? Por exemplo:
O Tenho 3 pacotes de figurinhas. Em cada um há 4 figurinhas. Quantas

figurinhas tenho no total?


O Tenho um pacote com 3 balas e outro com 4 balas. Quantas balas tenho

no total?
Nível 3 Resolve e elabora problemas que envolvam séries proporcionais e
organizações retangulares reconhecendo e utilizando a multiplicação com
números pequenos, apelando a resultados memorizados ou consultando a
tabela pitagórica?
Resolve problemas que envolvem organizações retangulares por meio de
adições sucessivas e reconhece posteriormente a escrita multiplicativa que
corresponde? Por exemplo:
O Este é o piso de uma cozinha “tampado” por seus móveis. Quantas

cerâmicas o piso dessa cozinha tem?


O Quantas cerâmicas tem um piso que tem 6 fileiras de 5 cerâmicas

cada uma?
Nível 4 Resolve e elabora problemas que envolvam séries proporcionais
e organizações retangulares com números maiores, reconhecendo a
multiplicação correspondente e usando a adição sucessiva para resolvê-los?
Por exemplo:
O Quantas folhas há em 4 cadernos de 150 folhas cada um?

O Em um teatro há 15 fileiras de 8 poltronas cada uma. Quantas pessoas

cabem sentadas nesse teatro?


Explora, em grupos, problemas que envolvem determinar a quantidade
que resulta de combinar elementos de duas coleções distintas por meio de
diversas estratégias e cálculos? Por exemplo:
O Laura vai comer em seu trabalho. O almoço inclui uma carne (boi ou

frango) e um acompanhamento (purê, batatas fritas ou salada). Quantas


possibilidades tem para escolher?

Resolver e elaborar problemas Nível 1 Explora, em instâncias coletivas, diferentes formas de resolver
de divisão por meio de diversos problemas que envolvam realizar divisões equitativas, contando – com
procedimentos, apoiando-se na desenhos ou palitos –, fazendo adições ou subtrações sucessivas etc.)?
multiplicação. Por exemplo, “Sofia colocou 8 maçãs em 2 cestas. Se em cada cesta colocou a
mesma quantidade, quantas maçãs colocou em cada uma?”.
Nível 2 Resolve problemas de repartição e distribuição equitativa (com resto
0 e diferente de 0), por meio de desenhos, marcas, adições, subtrações?
Por exemplo:
O José quer repartir em partes iguais 15 bombons entre seus 5 filhos.

Quantos bombons dará a cada um?


O João está brincando de montar carrinhos. Tem 12 rodas, quantos carrinhos

ele pode montar?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 251


Componentes curriculares

3 º ano – Matemática

Nível 3 Resolve e elabora problemas de repartição e distribuição equitativa


e de séries proporcionais por meio de diversos procedimentos de cálculo
(adição, subtração e multiplicação)? Por exemplo:
O Ana tinha 49 balas e quer montar saquinhos com 8 balas em cada um.

Quantos saquinhos ela pode montar? Sobraram balas?


O Na escola estão acomodando 45 cadeiras para um teatro. Há lugar para 5

fileiras iguais. Quantas cadeiras podem colocar em cada fileira?


Em situações de intercâmbio coletivo, reconhece a escrita do cálculo de
divisão? Por exemplo, 24 : 6 = 4 (ainda que para resolver um problema utilize
adições, subtrações ou outros procedimentos).
Nível 4 Resolve e elabora problemas de repartição e distribuição equitativa,
de organizações retangulares e de séries proporcionais por meio de diversos
procedimentos, apoiando-se na multiplicação?
Reconhece a escrita matemática do cálculo de divisão?

Usar a tabela pitagórica para Nível 1 Calcula alguns dobros e metades de números simples (um algarismo
encontrar resultados de e números redondos)? Por exemplo:
multiplicações e memorizar alguns O o dobro de 2, 3, 4, 5, 6 etc.;

produtos. O o dobro de 10, 20, 30 etc.;

Construir, progressivamente, um O a metade de 4, 6, 8, 10 etc.; e

repertório multiplicativo, incluindo O a metade de 20, 40 etc.

resultados da tabela pitagórica Nível 2 Explora, em situações coletivas, estratégias para determinar dobros
e multiplicações por 10, 100 e e metades de distintos números? Por exemplo:
1.000. O o dobro de 45 como o dobro de 40 mais o dobro de 5; e

Analisar, reconhecer e obter O a metade de 56 como a metade de 50 mais a metade de 6.

dobros e metades de diferentes


Nível 3 Usa a tabela pitagórica para encontrar resultados de multiplicações?
números, apoiando-se em
resultados conhecidos. Nível 4 Memoriza alguns produtos da tabela pitagórica?

GEOMETRIA/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Resolver problemas que envolvem Nível 1 Utiliza referências do entorno para identificar a localização de um
interpretar e produzir diferentes objeto determinado?
representações de espaços físicos, Nível 2 Considera o caráter relativo das relações espaciais em função de um
analisando pontos de vista. ponto de vista?
Analisar a suficiência (ou não) Nível 3 Interpreta códigos para se referir a representações simbólicas
das relações espaciais que as convencionais como estações de metrô, sinalização de espaços públicos
informações oferecem. ou de serviços?

Explorar, construir, identificar Nível 1 Resolve, em jogos ou atividades coletivas, problemas que implicam a
e sistematizar algumas identificação e formulação de algumas características e elementos das figuras
propriedades de figuras: triângulos, geométricas planas? Por exemplo, dada uma coleção de figuras planas que
quadrados, retângulos, trapézio e ainda não foram identificadas convencionalmente, dá pistas para reconhecer
paralelogramo. uma figura escolhida sem mostrá-la ou faz perguntas para descobrir a figura
Estabelecer relações entre escolhida pelo docente?
diferentes figuras geométricas: Nível 2 Resolve problemas que impliquem a identificação e formulação
quadrados, retângulos e triângulos. de alguns características e elementos das figuras geométricas planas
Identificar algumas características (quantidade de lados, lados iguais, diagonais etc.)?
de figuras geométricas planas: lados Nível 3 Estabelece relações entre quadrados, triângulos e retângulos? Por
retos ou curvos, quantidade de exemplo, pode construir um retângulo com base em certos triângulos ou
lados e de vértices, comprimento dobrar um quadrado para obter quatro triângulos.
dos lados, mesmo sem conhecer o Reproduz quadrados e retângulos em folhas quadriculadas?
nome dessas figuras.

252 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 3º ano

Utilizar vocabulário adequado Nível 4 Formula e interpreta breves textos que descrevem uma forma
para se referir às características de geométrica usando vocabulário específico? Por exemplo, em uma atividade
figuras geométricas planas. de pequenos grupos, envia uma mensagem a outro grupo para que possam
reproduzir um retângulo com uma diagonal traçada. Determina, entre duas
formas geométricas, a que corresponde a uma descrição.
Reproduz figuras geométricas compostas de quadrados e retângulos
com alguma diagonal traçada usando folhas quadriculadas e lisas, régua e
esquadro?

Explorar, reconhecer e utilizar Nível 1 Em jogos ou atividades coletivas, resolve problemas que implicam a
características de figuras identificação e formulação de algumas características e elementos das figuras
geométricas espaciais, como geométricas espaciais mais convencionais? Por exemplo, dada uma coleção
quantidade e forma das faces, de figuras, dá pistas para que uma colega, ou um colega, identifique a figura
quantidade e comprimento das escolhida ou formula perguntas para encontrar a figura selecionada por outra
arestas, quantidade de vértices e pessoa?
arestas, mesmo sem conhecer o
Nível 2 Em jogos ou atividades coletivas, utiliza certo vocabulário específico
nome dessas figuras.
para descrever uma figura geométrica espacial (quantidade de faces, forma
Utilizar vocabulário adequado das faces, quantidade de arestas, quantidade de vértices)?
para se referir às características de
Nível 3 Estabelece relações entre algumas figuras e as faces de algumas
figuras geométricas espaciais.
figuras geométricas tridimensionais? Por exemplo, escolhe quais figuras
Estabelecer relações entre as geométricas podem formar um quadrado ou com que figuras pode-se cobrir
faces de uma figura espacial e as um prisma dado.
figuras geométricas planas que a
Nível 4 Reproduz cubos, pirâmides e prismas – com o modelo presente –
compõem.
usando elementos que representam arestas e vértices (como varetas e balas
de goma)?

GRANDEZAS E MEDIDAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Estimar e medir comprimentos, Nível 1 Resolve problemas que implicam comparar comprimentos de forma
sabendo utilizar os instrumentos direta (sem usar instrumentos)?
mais adequados de acordo com o
Explora, em situações coletivas, o uso de instrumentos para medir o tempo,
objeto a ser medido.
comprimentos, capacidades e massas?
Estimar e medir capacidade,
Nível 2 Mede e compara comprimentos, capacidades e massas usando
utilizando unidades de medida não
unidades de medida convencionais e não convencionais?
padronizadas e as padronizadas
mais usuais (litro e mililitro), Usa régua para medir comprimentos?
reconhecendo-as em leitura de
Em situações de intercâmbio em grupo, reconhece que sempre pode haver
rótulos e embalagens, entre outros.
erros nas medições realizadas e que, portanto, as medidas são aproximadas?
Estimar e determinar a massa de um
Nível 3 Identifica a pertinência de estimar medidas de tempo, comprimento,
objeto ou um produto, utilizando
massa e capacidade? Por exemplo, diante de três medidas de massa possíveis
balanças, reconhecendo algumas
de um elefante, descarta as que indicam 25 g e 25 kg e seleciona a que está
unidades de medida de massa
expressa em toneladas.
convencionais (tonelada, quilo e
grama) e as relações entre elas. Resolve problemas que implicam compor massas e capacidades com quartos
e meios quilos e litros sem precisar fazer cálculos? Por exemplo, determina
como comprar dois quilos de café com pacotes de um quarto e de meio quilo.
Compara, calcula e estabelece equivalência entre diferentes expressões para
uma mesma medida, relacionada às multiplicações por 10, 100 e 1.000?
O Entre centímetros e milímetros.
O Entre metros e centímetros.
O Entre quilômetros e metros.
O Entre litros e mililitros.
O Entre quilos e toneladas.
O Entre gramas e quilos.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 253


Componentes curriculares

3 º ano – Matemática

Nível 4 Apela a algumas equivalências de uso cotidiano para resolver problemas


com medidas de tempo, comprimento e massa (1 hora = 60 minutos; 1 metro =
100 centímetros; 1 quiilograma = 1.000 gramas)?
Estabelece equivalências simples entre as unidades e suas frações? Por exemplo:
O 1
2 m = 50 cm
O 1
2 km = 500 m
O 1
2 l = 500 ml
O 1
2 kg = 500 g
O 1
2 t = 500 kg

Identificar anos, meses, dias, horas Nível 1 Reconhece, em situações de trabalho coletivo, a distribuição e
e minutos para determinar o tempo organização dos dias, semanas e meses no calendário?
transcorrido entre duas datas ou Nível 2 Explora a leitura da hora em relógios digitais e analógicos?
dois momentos identificados com
Nível 3 Calcula a duração de eventos em intervalo de horas inteiras ou
data e hora.
meia hora? Por exemplo, sabendo que um filme começa às 20 h e dura 1h30,
calcula o horário em que o filme terminará.
Nível 4 Calcula a duração de eventos em qualquer intervalo de horas? Por
exemplo, sabendo que um filme começa às 20h45 e dura 1h30, calcula o
horário em que o filme terminará.

Comparar, visualmente ou por Nível 1 Ao copiar figuras planas em folhas quadriculadas, sobrepõe e
superposição, áreas de figuras compara a área da figura copiada com a de sua cópia?
planas. Nível 2 Ao copiar figuras planas em folhas quadriculadas, utiliza outros
recursos para comparar a área da figura copiada com a de sua cópia? Por
exemplo, conta o número de quadradinhos.

PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Resolver problemas cujos dados Nível 1 Interpreta informações apresentadas em tabelas simples?
estão apresentados em tabelas de Nível 2 Interpreta informações apresentadas em tabelas simples, tabelas de
dupla entrada, gráficos de barras dupla entrada e gráficos de barras?
ou de colunas.
Nível 3 Compara informações apresentadas por meio de tabelas de dupla
entrada e em gráficos de barras?
Nível 4 Utiliza tabelas simples, tabelas de dupla entrada e gráficos para
compartilhar informações pesquisadas?

Explorar eventos que envolvem Nível 1 No decorrer de uma partida de jogo, analisa quem tem mais chances
acaso em situações de jogo, de ganhar?
classificando-os como pouco Nível 2 No decorrer de uma partida de jogo, analisa diferentes possibilidades
provável, muito provável ou de desenrolar do jogo, classificando-as em pouco prováveis, muito prováveis
impossível de ocorrer. ou impossíveis de ocorrer?

254 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 4º ano

4 º ano – Matemática
NÚMEROS/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ler, escrever, comparar, Nível 1 Lê, escreve e ordena números até aproximadamente 10.000?
arredondar, ordenar, compor Em situações coletivas explora as regularidades da série oral e da série escrita,
e decompor números naturais trocando ideias acerca do nome, da escrita e da comparação de números de
até a classe dos milhares pela diversas quantidades de algarismos?
compreensão e uso das regras do Nível 2 Lê, escreve e ordena números até aproximadamente 1.000.000?
sistema de numeração decimal, Escreve números redondos ou sem zeros intermediários até aproximadamente
incluindo o uso da reta numerada. 1.000.000 (300.000, 350.000, 567.834 etc.)?
Escreve números que têm zeros intermediários (20.038, 104.009, 10.010 etc.)?
Nível 3 Lê, escreve e ordena números sem restrições na quantidade de
algarismos?
Lê e escreve números utilizando como referência unitária os “mils” ou os
“milhões”? Por exemplo, decide qual dos números abaixo é 3 milhões e meio e
explica como fez para identificá-lo:
a) 3.000.005 b) 3.500.000 c) 35.000.000

Compreender que todo número Nível 1 Resolve problemas que envolvem reconhecer e analisar o valor
natural pode ser escrito por posicional dos algarismos com números até 10.000? Por exemplo:
meio de adições e multiplicações O Quantos pacotes de 1.000, quantos de 100 e quantos de 10 é possível

por potências de dez e utilizar montar com 2.348 balas?


esse recurso para desenvolver O Anote na calculadora 7.364. Invente uma adição que faça com que mude o

estratégias de cálculo. 3, mas os outros algarismos permaneçam iguais.


Resolve problemas que envolvem colocar em jogo as relações entre as
diferentes posições de um algarismo (determinando que em 100 há 10 de 10;
ou em 1.000 há 10 de 100)? Por exemplo:
O Quantas caixas de 10 é possível montar com 125 balas?

O Se não existem notas de 1.000 reais, quantas notas de 100, 10 e moedas

de 1 real são necessárias para pagar 1.234 reais?


Nível 2 Resolve problemas que envolvem reconhecer e analisar o valor
posicional dos algarismos, colocando em jogo as relações contíguas entre elas
(10 de 100 equivalem a 1 de mil; 10 de 1.000 equivalem a 1 de 10.000 etc.),
com as seguintes estratégias:
Utiliza a informação contida nos algarismos para resolver problemas no
contexto de notas, com calculadora etc.? Por exemplo:
O Ana joga um jogo em que se pagam e se cobram pontos usando notas de 1,

de 10, de 100, de 1.000, de 10.000, de 100.000. Se precisa cobrar 3.200


pontos e só há notas de 100, quantas notas precisa dar? E se tivesse de
pagar 13.000 apenas com notas de 1.000?
Decompõe um número aditiva e multiplicativamente de diversas maneiras,
apoiando-se no valor posicional dos algarismos? Por exemplo:
O Complete cada cálculo para transformá-lo em uma igualdade (o primeiro é

um exemplo):
a)b [[
b)b [ðððð
c)b ðð[[ðð

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 255


Componentes curriculares

4 º ano – Matemática

Nível 3 Resolve problemas que envolvem reconhecer e analisar o valor


posicional dos algarismos, colocando em jogo as relações entre diferentes
posições dos algarismos e não apenas as contíguas (100 de 100 equivalem a
10 de mil; 1.000 de 1.000 equivalem a 1 de 1.000.000 etc.) com as seguintes
estratégias:
Utiliza a informação contida nos algarismos para resolver problemas no
contexto de notas, com calculadora etc.? Por exemplo:
O Emilio joga um tiro ao alvo que tem os seguintes pontos: 10.000, 1.000,
100, 1 e 0.
O Escreva três maneiras diferentes de obter 25.340 pontos.

Utiliza a informação contida nos algarismos de um número para reconhecer


resto e quociente ao dividi-lo por 10, por 100 e por 1.000? Por exemplo:
O243 : 100 (quociente 2, resto 43).
O3.240: 1.000 (quociente 3, resto 240).
Decompõe um número multiplicativamente de diversas maneiras, incluindo
multiplicação por potências de 10?
Expressa um número em termos de unidades, dezenas, centenas, unidades de mil
etc. considerando também suas relações (10 dezenas formam 1 centena etc.)?

Explicitar as relações aritméticas Nível 1 Resolve problemas que envolvem reconhecer e analisar o valor
implícitas a um número. posicional dos algarismos com números até 10.000? Por exemplo:
O Quantos pacotes de 1.000, quantos de 100 e quantos de 10 é possível
montar com 2.348 balas?
O Anote na calculadora 7.364. Invente uma adição que faça com que mude o

3, mas os outros algarismos permaneçam iguais.


Resolve problemas que envolvem colocar em jogo as relações entre as
diferentes posições de um algarismo (determinando que em 100 há 10 de 10;
ou em 1.000 há 10 de 100)? Por exemplo:
O Quantas caixas de 10 é possível montar com 125 balas?
O Se não existem notas de 1.000 reais, quantas notas de 100, de 10 e
moedas de 1 real são necessárias para pagar 1.234 reais?
Nível 2 Resolve problemas que envolvem reconhecer e analisar o valor
posicional dos algarismos, colocando em jogo as relações contíguas entre elas
(10 de 100 equivalem a 1 de mil; 10 de 1.000 equivalem a 1 de 10.000 etc.) e
baseando-se na informação contida nos algarismos para resolver problemas no
contexto de notas, com calculadora etc.? Por exemplo:
OPedro joga um jogo em que se pagam e se cobram pontos usando notas
de 1, de 10, de 100, de 1.000, de 10.000, de 100.000. Se precisa cobrar
3.200 pontos e só há notas de 100, quantas notas precisa dar? E se tivesse
que pagar 13.000 apenas com notas de 1.000?
Decompõe um número aditiva e multiplicativamente de diversas maneiras,
apoiando-se no valor posicional dos algarismos? Por exemplo:
O Complete cada cálculo para transformá-lo em uma igualdade (o primeiro
é um exemplo):
a)b [[
b)b [ðððð
c)b12.349 = 10.000 + …… x 1.000 + 3 x 100 + …… + 9

256 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 4º ano

Nível 3 Resolve problemas que envolvem reconhecer e analisar o valor


posicional dos algarismos, colocando em jogo as relações entre diferentes
posições dos algarismos e não apenas as contíguas (100 de 100 equivalem a
10 de mil; 1.000 de 1.000 equivalem a 1 de 1.000.000 etc.) e baseando-se na
informação contida nos algarismos para resolver problemas no contexto de
notas, com calculadora etc.? Por exemplo:
O Emilio joga um tiro ao alvo que tem os seguintes pontos: 10.000, 1.000,
100, 1 e 0. Escreva três maneiras diferentes de obter 25.340 pontos.
Utiliza a informação contida nos algarismos de um número para reconhecer
resto e quociente ao dividi-lo por 10, por 100 e por 1.000? Por exemplo:
O Sem fazer as contas indicadas, encontre o quociente e o resto de cada uma
das seguintes divisões e explique como fez para saber:

Divisão Quociente Resto


927 : 10
6.284 : 10
5.038 : 100
94.806 : 10

Decompõe um número multiplicativamente de diversas maneiras, incluindo


multiplicação por potências de 10?
Expressa um número em termos de unidades, dezenas, centenas, unidades de mil
etc. considerando também suas relações (10 dezenas formam 1 centena etc.)?

Utilizar escalas ascendentes e Nível 1 Resolve problemas que envolvem usar escalas ascendentes e
descentes e ordenar números até descendentes de 100 em 100, 200 em 200, de 500 em 500 e de 1.000 em
a classe dos milhares ou milhões 1.000? Por exemplo:
na reta numérica. O Em um bosque há 1.200 árvores. Querem aumentar a quantidade de

plantas e, a cada ano, plantarão 200 árvores. Quantas árvores o bosque


terá daqui a 5 anos, se nenhuma morrer?
Nível 2 Resolve problemas que envolvem usar escalas ascendentes e
descendentes de 500 em 500, de 1.000 em 1.000, de 10.000 em 10.000?
Determina a localização de números em uma reta numérica, em que já estão
marcadas as subdivisões correspondentes e se dão distintas informações
numéricas? Por exemplo:
O Localize entre quais valores da reta numérica estão estes números:

2.700 – 3.320 – 1.675 – 3.004 – 4.158


O
Algumas crianças localizaram os números 1.602, 3.100, 3.256 e 4.399 na
reta numérica. Observe se o lugar de cada número está correto ou não.
Se não estiver, corrija.
Nível 3 Determina a localização de números em uma reta numérica em que
apenas se informa o intervalo entre dois números? Por exemplo:
O Para uma reta em que está informada a localização de 0 e 1.000.000,

localize da maneira mais precisa possível os seguintes números: 200.000,


600.000, 800.000 e 850.000.
O Construa uma reta numérica para localizar diferentes números tomando

decisões sobre a escala a utilizar.

Conhecer o sistema de numeração Nível 1 Resolve problemas que demandem o uso de símbolos e regras do
romano, observando regularidades sistema de numeração romano para ler e escrever números?
na escrita dos números romanos
Nível 2 Compara as características do sistema de numeração romano com as
e estabelecendo relações com as
do sistema decimal, considerando a quantidade de símbolos, o valor absoluto e
regras do sistema indo-arábico,
relativo dos algarismos, as operações envolvidas, o uso do zero etc.?
utilizado hoje em dia.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 257


Componentes curriculares

4 º ano – Matemática
NÚMEROS/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Analisar criticamente enunciados Nível 1 Resolve problemas de comparação de quantidades e de busca de


de problemas, identificando complemento, identificando a adição com incógnita ou a subtração como
os elementos necessários para escrituras matemáticas possíveis, e coloca em jogo, na sua resolução,
definir um percurso de cálculo estratégias de cálculo mental ou algorítmico? Por exemplo:
adequado para sua resolução. O Uma loja vende um computador a R$ 15.879 e outra vende o mesmo

produto a R$ 13.099. Quanto o computador é mais caro na primeira loja


que na segunda?
Nível 2 Resolve problemas em que é preciso encontrar “quanto tinha antes”
de tirar ou acrescentar reconhecendo as adições e subtrações que permitem
encontrar as respostas? Por exemplo:
O Uma loja vendeu durante a manhã 255 latinhas de refrigerante. À tarde,

ainda estavam na geladeira 129 latinhas. Quantas latinhas havia na


geladeira ao abrir a loja?
Nível 3 Resolve problemas de adição e subtração com vários passos, que
apresentam a informação de diferentes maneiras (enunciados, tabelas, gráficos
etc.), reconhecendo e registrando os diferentes cálculos necessários para sua
resolução? Por exemplo:
O Uma pessoa comprou uma geladeira por R$ 9.300,00, um secador de

cabelos por R$ 345,00 e um ferro de passar por R$ 529,00. Como pagou a


vista, recebeu um desconto de R$930,00. Quando saiu da loja restavam
R$ 125,00 na sua carteira. Quanto dinheiro tinha quando entrou na loja?

Ampliar o repertório de cálculo Nível 1 Dispõe de um conjunto de resultados memorizados ou que pode
mental de adições e subtrações. recuperar ou obter com certa facilidade? Por exemplo:
O Adições que dão 100 e 1.000.

O Dobros de 100, 200, 300 etc. e de 1.000, 2.000, 3.000 etc.

O Adições de números redondos até 1.000 (100 + 200; 300 + 500; 100 +

50, 250 + 250 etc.).


O Subtrações de qualquer número de três algarismos menos 100 e subtração

de qualquer número de quatro algarismos menos 1.000.


O Subtrações de números redondos de três e quatro algarismos (400 - 200;

5.000 - 3.000 etc.).


O Subtrações de 100 menos números redondos (100 - 4; 100 - 70 etc.).

O Subtrações de 1.000 menos números redondos de três cifras (1.000 -

300; 1.000 - 800).


Obtém o resultado de certos cálculos apoiando-se em resultados
memorizados, propriedades do sistema de numeração e em decomposições
aditivas? Por exemplo, para resolver 2.340 + 1.300, faz 2000 + 1000 + 300 +
300 + 40 ou 2000 + 1000 + 340 + 300 etc.
Realiza cálculos estimativos cujos resultados vão até 10.000
aproximadamente? Por exemplo, pode fazer estimativas para responder
perguntas como:
O 3.489 + 5.376 dará mais ou menos que 8.000? E que 10.000?

Nível 2 Dispõe de um conjunto de resultados memorizados ou que pode


recuperar ou obter com certa facilidade:
O Adições que dão 1.000 e 10.000.

O Dobros de 1.000, 2.000, 3.000 etc. e de 10.000, 20.000, 30.000 etc.

O Adições de números redondos até 100.000.

O Subtrações de qualquer número de quatro algarismos menos 1.000 e de

cinco algarismos menos 10.000 (4.879 - 1.000; 36.085 - 10.000).


O Subtrações de 1.000 menos números redondos de três algarismos

(1.000 - 400; 1.000 - 2.000 etc.) e subtrações de 10.000 menos números


redondos de quatro algarismos (10.000 - 4.000).
O Adições e subtrações de múltiplos de 25 entre si (25 + 25; 75 + 25; 250 +

250; 125 + 75; 75 - 50; 150 - 75).

258 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 4º ano

Para resolver cálculos de adições e subtrações de múltiplos de 25, usa


resultados disponíveis de adições e subtrações de outros múltiplos de 25? Por
exemplo, para 1.225 + 275, leva em conta que 75 + 25 = 100; para 6.150 - 75,
leva em conta que 150 - 75 = 75.
Usa as adições e subtrações de 10, 100 e 1.000 para resolver outras adições e
subtrações com números próximos (99, 900, 999 etc.)?
Dispõe de recursos de cálculo (arredondamento, decomposição de números,
cálculos memorizados etc.) que permitem descobrir uma das parcelas da
adição, dada a outra e o resultado? Por exemplo, completa cálculos como:
O 472 + ...... = 500

O 720 + ...... = 1.000.

Nível 3 Realiza cálculos estimativos em situações que requerem uma análise


exaustiva dos números envolvidos? Por exemplo:
O Antes de fazer o cálculo, estime o resultado provável de 55.150 - 32.108.

a)bbb)bbc)bb
Utiliza cálculos dados para resolver outros de adições e subtrações, valendo-
-se das propriedades da adição? Por exemplo, sabendo que 5.134 + 6.226 =
11.360, resolve 5.144 + 6.226 acrescentando 10 a 11.360.
Explora coletivamente algumas propriedades do cálculo de subtração, sabendo
que, no resultado de uma subtração, encontra-se o resultado de outras
subtrações que resultam de estratégias como adicionar uma certa quantidade
ao minuendo, adicionar uma certa quantidade ao subtraendo, adicionar a
mesma quantidade ao minuendo e ao subtraendo? Por exemplo:
O Sabendo que 843 – 558 = 285, calcule os seguintes resultados e explique

como você pensou.


a)bb b)bb c)bb

Utilizar as propriedades Nível 1 Memoriza alguns produtos da tabela pitagórica?


das operações e as relações Multiplica mentalmente números de um algarismo por 10, por 100 e por 1.000?
de proporcionalidade para
Resolve cálculos mentais de multiplicação apoiando-se em resultados que
desenvolver estratégias de
tem de memória? Por exemplo, para resolver 7 × 8 calcula 6 × 8 e soma 8 ao
cálculo da multiplicação.
resultado ou para resolver 50 × 3, se apoia em 5 × 3.
Adquirir recursos para reconstruir
Nível 2 Memoriza os produtos da tabela pitagórica ou pode reconstruí-los
rapidamente os resultados das
facilmente com base em outros conhecidos?
multiplicações básicas.
Multiplica mentalmente números de um algarismo por números redondos
Recorrer à multiplicação por
(múltiplos de 10, de 100, de 1.000 como x 20, x 300, x 500 etc.)?
potências da base e múltiplos com
somente um algarismo diferente Resolve cálculos mentais de multiplicação de qualquer número por outro
de zero para resolver outras número que seja um a mais ou um a menos que um número redondo? Por
multiplicações. exemplo, quando a professora, ou o professor, informa que 12 × 20 = 240,
resolve 12 × 21 somando 12 a 240 ou resolve 12 × 19 subtraindo 12 de 240.
Resolve multiplicações de números que não estão na tabela pitagórica por
números de dois algarismos apoiando-se em uma decomposição aditiva?
Por exemplo, para resolver 45 × 12, calcula 45 × 10 + 45 × 2.
Usa o resultado da multiplicação por números redondos para encontrar o
produto de um número pelo dobro ou pela metade do número redondo? Por
exemplo, quando a professora, ou o professor, informa que 36 × 20 é 720,
resolve 36 × 40 calculando o dobro de 720.
Calcula o dobro de qualquer número e calcula a metade de qualquer número par?
Nível 3 Resolve cálculos mentais de multiplicação com base nos resultados de
outras multiplicações disponíveis, decide quais multiplicações servem de apoio e
explica as razões de sua escolha com frases como “porque é o dobro de”, “porque
é a metade de”, “porque se subtraímos uma vez esse número” etc.? Por exemplo,
para resolver mentalmente o cálculo 15 x 19, se apoia no resultado de 15 por 20,
que é 300, e, então, para saber 15 x 19 é preciso subtrair 15 de 300.
Realiza cálculos estimativos para enquadrar o resultado entre dois números?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 259


Componentes curriculares

4 º ano – Matemática

Nível 4 Identifica e usa adequadamente as propriedades distributiva e


associativa para a resolução de cálculos de multiplicação? Por exemplo, para
decidir se os seguintes cálculos têm ou não os mesmos resultados entre si,
recorre às propriedades associativa e distributiva da multiplicação.
O 400 × 42 + 20 × 42 + 4 × 42 =
O 324 × 43 – 324 =
O 324 × 43 – 1 =
O 324 × 21 × 2 =
O 324 × 40 + 2 =
O 324 × 21 × 21 =
Resolve cálculos mentais de divisão decompondo multiplicativamente o
divisor? Por exemplo, para resolver 852 : 12, faz 852 : 3 e depois divide o
resultado por 4.

Analisar, interpretar, formular, Nível 1 Resolve problemas que envolvem séries proporcionais e organizações
confrontar hipóteses e solucionar retangulares reconhecendo a escrita multiplicativa e recorrendo a diversos
problemas envolvendo diferentes procedimentos (uso da tabela pitagórica, adições sucessivas, decomposição de
significados da multiplicação números em parcelas e multiplicações parciais de cada um deles etc.)?
(adição de parcelas iguais,
Nível 2 Resolve problemas que envolvem relações de proporcionalidade direta,
organização retangular e
apresentados em forma de enunciado ou tabelas, usando as estratégias abaixo?
proporcionalidade), utilizando
estratégias diversas, como cálculo O Em problemas em que se informa o valor correspondente à unidade, usa a
por estimativa, cálculo mental e multiplicação (cálculo mental ou algoritmo).
algoritmos. O Em problemas em que não se informa o valor correspondente à unidade,

coloca em jogo implicitamente – dependendo dos números presentes –


suas propriedades: busca o valor unitário; vincula ao dobro do valor de uma
variável o dobro do valor da outra variável; ao triplo, o triplo; à metade,
a metade; à adição de dois valores em uma variável vincula a adição dos
valores da outra etc.
Em situações coletivas, analisa a conveniência de procedimentos possíveis de
acordo com os dados do problema? Por exemplo:
O Se 15 pacotes de figurinhas trazem 135 figurinhas, quantas figurinhas
haverá em 30 pacotes? E em 60 pacotes? E em 90 pacotes?
O Complete a seguinte tabela:

Quantidade de livros
3 5 8 9
do mesmo título
 
Preço 162 270

Nível 3 Resolve problemas que envolvem relações de proporcionalidade


direta, apresentados em forma de enunciado ou tabelas em que não se informa
o valor da unidade, e explicita as propriedades da proporcionalidade que se
coloca em jogo em sua resolução? Por exemplo:
O Em problemas em que, dependendo dos dados em jogo, é necessário
encontrar o valor unitário.
O Em problemas em que, dependendo dos dados em jogo, é possível também

utilizar relações do tipo: ao dobro do valor de uma variável corresponde o


dobro da outra variável; à metade, a metade; à soma de dois valores de uma
variável corresponde a soma dos valores da outra etc.
Elabora tabelas para organizar dados e para permitir sua análise em problemas
de proporcionalidade?
Nível 4 Resolve problemas de proporcionalidade direta nos casos particulares
de escalas e porcentagem, usando diferentes estratégias de acordo com os
dados em jogo?

260 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 4º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Investigar e sistematizar as ideias Nível 1 Resolve problemas que envolvem o uso de múltiplos, por meio de
de múltiplo e múltiplos comuns. diferentes estratégias (escalas, adições reiteradas, subtrações reiteradas,
Investigar e sistematizar o busca na tabela pitagórica, cálculo da divisão etc.)? Por exemplo:
conceito de divisor. O Um jogo é organizado em uma trilha de números que vai desde 0 até o 200.
Compreender o processo de Avança-se com fichas andando sempre da mesma maneira, partindo do
divisão – seja por cálculo mental 0 (de 2 em 2, 3 em 3, 4 em 4 etc.). Escreva três números maiores que 30
ou algorítmico – investigando nos quais cairá a ficha se o movimento for de 3 em 3.
as relações que se estabelecem
Resolve problemas que envolvem o uso de múltiplos comuns sem apelar a
entre dividendo (D), divisor
nenhum mecanismo preestabelecido e usando diferentes estratégias?
(d), quociente (q) e resto (r),
Por exemplo:
representadas na expressão
D = q x d + r. O João e Ernesto estão jogando um jogo com uma pista numerada que
Identificar regularidades nas começa em 0. Os dois movem suas fichas para a frente. João vai sempre
divisões, ampliando estratégias de 5 em 5 e Ernesto de 7 em 7. Em quais números menores que 100
para antecipar o valor do resto. vão se encontrar?
Nível 2 Resolve problemas que envolvem o uso de múltiplos de qualquer
número, selecionando a estratégia mais conveniente de acordo com os
números em jogo? Por exemplo:
O Escreva um número de algarismos na calculadora de modo que, ao subtrair
o número 4 tantas vezes quanto for possível, se obtenha 0. Há outros
números possíveis? Encontre 2 e registre. Quantos números é possível
encontrar que cumpram com essa condição?
Resolve problemas que envolvem o uso de divisores utilizando diferentes
estratégias (escalas, adições reiteradas, subtrações reiteradas, busca na tabela
pitagórica, cálculo da divisão etc.)? Por exemplo:
O Um jogo consiste em partir de um número de três algarismos e chegar ao
zero, subtraindo sempre o mesmo número todas as vezes que for possível.
Se o número de partida é 192, qual dos seguintes números permitirá
chegar a 0?
4 3 5 10
Resolve problemas que envolvem o uso de múltiplos e divisores comuns?
Por exemplo:
O Estão montando saquinhos de doces. Querem preenchê-los com 40
paçocas e 24 chocolates de modo que em todos os sacos de doce haja a
mesma quantidade. Quantos saquinhos podem ser montados? Há uma
única resposta?
Em situações descontextualizadas, reconhece e explica a ideia de múltiplo e
múltiplo comum? Por exemplo:
O Para múltiplo: “está na tabuada do...”, “é um resultado de multiplicar por...”,
“quando divido por... não sobra nada”, “está na escala do...”, “quando conto
de... em... encontro esse número” etc.
O Para múltiplo comum: “está nas duas tabuadas”, “está na escala do...
e também na escala do...” etc.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 261


Componentes curriculares

4 º ano – Matemática

Nível 3 Analisa afirmações relativas às noções de múltiplo e divisor em


situações particulares e argumenta sobre sua validez, colocando em jogo,
implicitamente, as propriedades da multiplicação e da divisão? Por exemplo,
diante do problema "Se 12 é múltiplo de 3, podemos saber sem fazer a conta
que o dobro de 12 é múltiplo de 3?", a criança pode argumentar que sim,
porque o 12 pode ser decomposto como 3 × 4 e o 24 pode ser decomposto
como 3 × 4 × 2, sendo também múltiplo de 3.
Explora coletivamente a análise de afirmações gerais relativas às noções de
múltiplo e divisor e argumenta sobre sua validade? Por exemplo:
O Sempre que somo dois múltiplos de 6, obtenho um múltiplo de 6? Por quê?
E acontece o mesmo com qualquer múltiplo?
Analisa as afirmações contidas na escrita de um cálculo de multiplicação
para decidir se um número é múltiplo ou divisor de outro e coloca em jogo
decomposições multiplicativas e as relações entre múltiplo e divisor para
fundamentar? Por exemplo:
O Sabendo que 12 × 18 = 216, responda sem fazer as contas as seguintes
perguntas e explique como você pensou para responder:
a) 216 é múltiplo de 12?
b) 216 é múltiplo de 4?
c) 6 é divisor de 216?
Analisa coletivamente a informação contida na escrita de um cálculo que
envolve diferentes operações para decidir se um número é divisor de outro?
Por exemplo:
O 15 × 17 × 4 + 3 é ou não múltiplo de 4? E de 5? E de 3?

Em situações descontextualizadas, reconhece e define a ideia de múltiplo e


múltiplo comum, divisor e divisor comum e as relações entre eles?
Por exemplo:
O“Está na tabuada do...”, “é um resultado de multiplicar por...”, “quando
divido por... não sobra nada”, “está na escala do...”, “quando conto de... em...
encontro esse número, porque está na tabuada”, “como este número é
múltiplo de..., então este é seu divisor” etc.
Decompõe multiplicativamente um número de diversas maneiras (incluindo
decomposições em mais de dois fatores)?
Reconhece números primos e compostos?
Utiliza os critérios de divisibilidade por 2, 3, 4, 5, 6, 9 e 10 para antecipar se
uma divisão terá resto zero ou diferente de zero?
Utiliza os critérios de divisibilidade por 2, 4, 5 e 10 para calcular o resto de uma
divisão?
Em situações coletivas, analisa e fundamenta os critérios de divisibilidade por
2, 4, 8, 5 e 10?

Resolver e elaborar problemas Nível 1 Em situações coletivas, explora problemas que envolvem determinar a
que envolvam determinar o quantidade resultante da combinação de elementos de duas coleções distintas
número de agrupamentos por meio de diversas estratégias e cálculos?
possíveis ao se combinar cada
Nível 2 Resolve problemas que envolvem combinar elementos de dois
elemento de uma coleção com
conjuntos diferentes, usando diversos procedimentos (desenhos, diagramas,
todos os elementos de outra
quadros de dupla entrada, cálculos) e, em situações coletivas, reconhece as
coleção, por meio de análise
escritas multiplicativas correspondentes? Por exemplo:
combinatória como diagrama
de árvore, tabela e cálculos O Paulo quer pintar seu carrinho de brinquedo. Pode escolher uma das
multiplicativos. seguintes cores para a base: azul, vermelho, verde, laranja ou preto. Para
decorá-lo pode usar pintura dourada ou prateada. De quantas maneiras
diferentes Paulo pode pintar seu carrinho?

262 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 4º ano

Nível 3 Resolve problemas que envolvem combinar elementos de dois ou três


conjuntos diferentes utilizando a multiplicação? Por exemplo:
O Os hóspedes de um hotel precisam decidir qual menu querem para o jantar.

Na tabela aparecem as distintas possibilidades para o primeiro prato, o


segundo e a sobremesa. Quantos menus diferentes são possíveis montar?

1º prato 2º prato Sobremesa


Sopa Ravióli Pêssegos em calda
Salpicão de frango Frango com batatas Sorvete
Salada Salada de frutas
Pudim

Em situações coletivas, explora a resolução de problemas de contagem do


tipo recursivo, discutindo possíveis procedimentos (diagramas e cálculos que
envolvem multiplicações de fatores iguais)? Por exemplo:
O Um dia uma criança enviou uma mensagem para dois amigos. No dia

seguinte, cada um desses dois amigos enviou a mensagem para outros dois.
No terceiro dia, cada um dos amigos enviou a mensagem para outros dois
amigos. Quantas crianças receberam a mensagem durante o terceiro dia?
Nível 4 Resolve problemas de combinatória que envolvem combinar
elementos de um mesmo conjunto entre si, utilizando diversos procedimentos
e discute em grupos os cálculos possíveis para resolvê-los? Por exemplo:
O Marieta, Cecília, Luciana e Paula vão ao teatro, as quatros se sentam juntas.

De quantas maneiras diferentes poderiam se sentar?


Resolve problemas do tipo recursivo utilizando a potenciação?

Analisar, interpretar, formular, Nível 1 Resolve problemas de distribuição e repartição equitativas e de


confrontar hipóteses e solucionar séries proporcionais – com números da tabela pitagórica – apoiando-se na
problemas de divisão cujo divisor multiplicação e reconhecendo a escrita matemática do cálculo de divisão?
tenha no máximo dois algarismos, Explora, de maneira grupal, a resolução de problemas de divisão que
envolvendo os significados de demandam analisar o resto?
repartição equitativa e de medida,
Explora, de maneira grupal, problemas de repartição que envolvem partir o
utilizando estratégias diversas,
resto em partes iguais recorrendo a metades?
como cálculo por estimativa,
cálculo mental e algoritmos. Nível 2 Resolve problemas de distribuição e repartição – com resto zero e
diferente de zero – usando a divisão?
Resolve diversos problemas de divisão que demandam analisar o resto
O em situações em que a resposta envolve somar 1 ao quociente?

Por exemplo, "Joana quer ordenar os CD que já não usa mais para poder
guardá-los. Conseguiu caixas em que cabem 15 CDs em cada uma. Se
tem 335, quantas caixas precisa para guardar todos, usando a menor
quantidade possível de caixas?".
O em situações em que a resposta envolve calcular a diferença entre o resto

e o divisor? Por exemplo, "Augusto coleciona bonequinhos para montar


times de futebol de 11 jogadores. Se já tem 157 bonequinhos, quantos times
completos pode formar? Qual quantidade mínima precisa para ter todos os
times completos?".
O em situações em que a resposta envolve partir o resto em partes iguais

(usando números racionais)? Por exemplo, "Susana quer repartir em partes


iguais 6 chocolates entre 4 amigos. Não quer que sobre nada. Quanto
chocolate dará a cada amigo?".
Explora coletivamente a resolução de situações contextualizadas que envolvem
encontrar o dividendo, dados o divisor, o quociente e o resto? Por exemplo:
O Joana tinha caramelos. Deu 4 a cada uma de suas 6 amigas e ficou com

2. Quantos caramelos tinha no total?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 263


Componentes curriculares

4 º ano – Matemática

Nível 3 Resolve problemas de divisão em que o enunciado não se refere


explicitamente a situações de repartição, usando diversos procedimentos de
cálculo?
Em situações coletivas reconhece a divisão como a operação que os resolve?
Por exemplo:
O Ana tem no banco R$ 7.000,00. Todos os dias retira R$ 250,00. Em

quantos dias terá retirado todo o dinheiro?


Resolve problemas que envolvem colocar em jogo a relação D = d x c + r, com
as estratégias a seguir?
O Em situações contextualizadas encontra o dividendo, dados o divisor, o

quociente e o resto. Por exemplo:


– Cecilia levou caramelos para escola, deu 5 para cada um de seus 23
colegas e ficou com 4 para ela. Quantos caramelos levou para a escola?
O Em situações descontextualizadas encontra o dividendo, dados o divisor, o

quociente e o resto. Por exemplo:


– Escreva um número que, ao ser dividido por 5, dê 12 e tenha resto 2.
Nível 4 Resolve problemas que envolvem colocar em jogo a relação
D = d x c + r, com r < d, em situações em que se dão dois dos dados dessa
relação e se pergunta pelos outros dois, e em situações em que há uma, várias,
nenhuma ou infinitas respostas possíveis?
Dá argumentos para explicar suas respostas? Por exemplo:
O Invente uma conta que tenha divisor 5 e quociente 9. É possível inventar

outra? Quantas?
O Invente três contas de dividir que tenham quociente 8 e resto 5. É possível

inventar mais contas? Explique por quê.

Ampliar e selecionar as Nível 1 Usa resultados memorizados, ou consulta e usa resultados da tabela
estratégias de cálculo de pitagórica para resolver divisões com resto 0 ou com resto diferente de 0? Por
divisão, cujo divisor tenha um exemplo, para resolver 72 : 8, busca 72 na coluna do 8 estabelecendo que 9 é o
ou dois algarismos – cálculo resultado. Para 35 : 6 reconhece que deve procurar o número mais próximo de
por estimativa, cálculo mental 35 na coluna do 6, mas sem passar de 35 (nesse caso, 30) e estabelece que 5 é
e algoritmos – em função dos o resultado da divisão.
números envolvidos. Resolve cálculos mentais de divisão de números redondos por números de um
Utilizar as relações entre adição algarismo? Por exemplo, 800 : 8; 440 : 4 etc.
e subtração, bem como entre Explora coletivamente diferentes procedimentos para dividir números grandes
multiplicação e divisão, para (que não estão na tabela pitagórica) e, para fazê-lo, apoia-se em multiplicações
ampliar as estratégias de cálculo. por potências de 10, por outros números redondos, em subtrações parciais,
multiplicações e/ou adições?
Nível 2 Usa resultados memorizados de multiplicações ou consulta e utiliza
resultados da tabela pitagórica para resolver qualquer cálculo de divisão?
Realiza cálculos mentais de divisões de números redondos de dois, três e
quatro algarismos por 10, 100 ou 1.000?
Realiza cálculos mentais de divisão de números grandes redondos por um ou
dois algarismos, recorrendo a multiplicações? Por exemplo, 2.000 : 2; 2.400 :
12; 3.000 : 15; e 3.300 : 30.
Resolve divisões de números grandes por números de um ou mais algarismos
usando algoritmos baseados em aproximações sucessivas pela busca de
fatores e subtrações reiteradas desses produtos?
Nível 3 Encontra o resto e o quociente envolvidos na divisão de qualquer
número por 10, 100 ou 1.000 utilizando a informação contida nos algarismos
do número (sem realizar efetivamente a conta de dividir)?
Resolve divisões por 5, 50 e 500 apoiando-se nas divisões por 10, 100 e 1.000
e reconhece que dividir por 5 equivale ao dobro de dividir por 10 etc.?
Resolve divisões de número grande por número de um ou mais algarismos
usando algoritmos baseados em aproximações sucessivas, pela busca de
fatores e subtrações reiteradas desses produtos, diminuindo a quantidade de
passos intermediários?

264 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 4º ano

Nível 4 Realiza cálculos mentais de divisão ou reconhece a equivalência entre


cálculos e explicita as propriedades da divisão colocadas em jogo? Por exemplo:
O Determine se as seguintes igualdades são verdadeiras ou falsas. Justifique

suas respostas sem fazer cálculos.


a)bb 
b)bb 
c)bb 

Sistematizar o funcionamento do Nível 1 Em situações de intercâmbio, analisa diferentes cálculos para


algoritmo da multiplicação. multiplicar números maiores que não estão na tabela pitagórica, recorrendo a
escritas e cálculos intermediários?
Nível 2 Utiliza o algoritmo da multiplicação por um ou dois algarismos,
anotando ou não cálculos intermediários?

Explorar números racionais como Nível 1 Resolve problemas que envolvem compor inteiros usando meios
uma nova classe de números, e quartos no contexto de medidas de massa (peso) e/ou capacidade,
que lhes possibilitará resolver reconhecendo a escrita fracionária correspondente, sem exigência de usar
problemas para os quais os cálculos? Por exemplo:
números naturais se mostram O Quantos pacotes de 1 kg são necessários para comprar 2 kg de farinha?
2
insuficientes, como o resultado de
medições e de divisões não exatas. Nível 2 Resolve problemas que envolvem estabelecer relações entre
inteiros, meios, quartos e oitavos, no contexto das medidas de massa e/ou
Reconhecer as frações unitárias
capacidade em situações cotidianas, reconhecendo as escritas fracionárias
mais usuais como unidades de
correspondentes?
medida menores do que uma
unidade: 12 , 13 , 14 , 15 , 18 , 101 , 100
1
, 1.000
1
.
Resolver problemas que envolvam
ler e escrever números racionais,
de uso frequente, representados
na forma decimal ou fracionária.

Investigar frações no contexto da Nível 1 Resolve problemas que envolvem estabelecer a relação que existe
relação parte-todo. entre uma parte e o inteiro no contexto das medidas de área e comprimento?
Por exemplo:
O Em quais das seguintes figuras foi pintado 1 (a quarta parte)? Explique
4
como pensou para decidir em cada caso.

Resolve problemas que implicam reconstruir o inteiro com base em uma fração
com numerador 1 no contexto da medida de área e comprimento? Por exemplo:
O Sabe-se que este retângulo representa 1 do inteiro. Desenhe o retângulo
4
inteiro. Há uma única possibilidade?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 265


Componentes curriculares

4 º ano – Matemática

Nível 2 Resolve problemas que envolvem estabelecer a relação que existe


entre uma parte e o inteiro, nos quais é necessário fracionar a área sombreada
para reconhecer qual fração representa do inteiro (já que a região sombreada
não “entra” uma quantidade exata de vezes no inteiro)? Por exemplo:
O Determine que parte da área do retângulo representa a região sombreada.

Resolve problemas que implicam reconstruir o inteiro com base em uma fração
com numerador diferente de 1, seja essa fração maior ou menor que o inteiro?
Por exemplo: em cada um dos casos abaixo, a figura representa uma fração do
inteiro. Desenhe o inteiro.

Representa 27 da unidade Representa 65 da unidade

Investigar frações no contexto da Nível 1 Explora, no trabalho em grupo, problemas de repartição que implicam
repartição. dividir o resto em partes iguais fazendo uso de metades. Por exemplo:
O Maria comprou 9 maçãs para 2 crianças. Se todas comem a mesma

quantidade e não sobra nada, quanto foi a parte de cada uma?


Nível 2 Resolve problemas que implicam dividir o resto e usa frações para
expressar o resultado da repartição, utilizando diferentes procedimentos
(desenhos, gráficos, cálculos), primeiro com frações com numerador 1, depois
com frações com numerador diferente de 1? Por exemplo:
O Uma pizza foi dividida em partes iguais para 4 pessoas. Que parte cada um
recebeu? E se fossem repartidas duas pizzas entre 4? E se fossem 3 pizzas?
Nível 3 Resolve problemas que implicam dividir o resto e expressa o resultado
como fração, com o uso de cálculos? Por exemplo, para repartir 35 chocolates
entre 8 crianças, faz 35 : 8 e determina (sem precisar desenhar) que cada
criança recebe 4 chocolates inteiros e sobram 3, que, repartidos entre 8, dão 38
para cada um.
Nível 4 Em situações coletivas reconhece que é possível encontrar uma
fração que multiplicada por um número natural dê como resultado outro
número natural, levando em conta que a fração é um quociente entre números
naturais? Por exemplo, pode reconhecer que, como 5 dividido por 8 é 58 , então
8 multiplicado por 8 é 5.
5

Relacionar décimos e centésimos Nível 1 Usa números com vírgula no contexto do dinheiro para ler e escrever
com a representação do sistema quantidades expressas em reais e reconhece a equivalência entre diferentes
monetário brasileiro. escritas entendendo, por exemplo, que 50 centavos é igual a R$ 0,50
e 0,5 real?
Estabelecer relações entre frações
decimais e números decimais. Compõe e decompõe uma quantidade de dinheiro usando moedas de
diferentes valores? Por exemplo, encontra duas maneiras diferentes de
formar R$ 2,75.

266 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 4º ano

Nível 2 Reconhece que uma fração decimal pode ser escrita como uma soma
de frações decimais? Por exemplo,
54 = 50 + 4 = 5 + 4
100 100 100 10 100
Reconhece a equivalência entre a escrita de frações decimais e números
decimais? Por exemplo, reconhece que 101 corresponde a 0,1; 102 a 0,2; 100
45
a 0,45;
15
10 a 1,5 etc.
Lê e escreve números decimais usando as denominações décimos, centésimos,
milésimos?
Compõe e decompõe números decimais usando somas de frações decimais?
Por exemplo, resolve 4,34 como 4 + 103 + 100
4
; ou 103 + 100
6
+ 1.000
9
como 0,369.
Resolve problemas que envolvem a análise do valor posicional na notação
decimal? Por exemplo, reconhece que, para obter 4,03 a partir de 4,53, é
preciso subtrair 0,5.

Identificar regularidades em Nível 1 Identifica algumas regularidades em sequências numéricas compostas


sequências numéricas compostas de múltiplos de um número natural, como múltiplos de números pares serem
de múltiplos de um número sempre pares e múltiplos de números ímpares serem pares e ímpares?
natural. Nível 2 Identifica a terminação numérica dos múltiplos de determinado
número? Por exemplo: múltiplos de 2 terminam em 0, 2, 4, 6 e 8; múltiplos de
3 terminam em 0, 2, 3, 5, 6, 7, 8 e 9; múltiplos de 4 terminam em 0, 2, 4, 6, 8;
múltiplos de 5 terminam em 5 e 0; e múltiplos de 10 terminam em 0.

Reconhecer, por meio de Nível 1 Resolve problemas que envolvem colocar em jogo a relação
investigações, que há grupos de D = d x c + r, conforme as seguintes estratégias:
números naturais para os quais O Em situações contextualizadas encontra o dividendo, dados o divisor, o
as divisões por um determinado
quociente e o resto? Por exemplo:
número resultam em restos iguais,
– Cecilia levou caramelos para escola, deu 5 para cada um de seus 23
identificando regularidades.
colegas e ficou com 4 para ela. Quantos caramelos levou para a escola?
O Em situações descontextualizadas encontra o dividendo, dados o divisor, o
quociente e o resto? Por exemplo:
– Escreva um número que, ao ser dividido por 5, dê 12 e tenha resto 2.
Nível 2 Resolve problemas que envolvem colocar em jogo a relação
D = d x c + r, com r < d, em situações em que se dão dois dos dados dessa
relação e se pergunta pelos outros dois, e nas que há uma, várias, nenhuma ou
infinitas respostas possíveis?
Dá argumentos para explicar suas respostas? Por exemplo:
O Invente uma conta que tenha divisor 5 e quociente 9. É possível inventar

outra? Quantas?
O Invente três contas de dividir que tenham quociente 8 e resto 5. É possível

inventar mais contas? Explique por quê.


Nível 3 Utiliza os critérios de divisibilidade por 2, 3, 4, 5, 6, 9 e 10 para
antecipar se uma divisão terá resto zero ou diferente de zero?
Utiliza os critérios de divisibilidade por 2, 4, 5 e 10 para calcular o resto de uma
divisão?
Em situações coletivas, analisa e fundamenta os critérios de divisibilidade por
2, 4, 8, 5 e 10?

Determinar o número Nível 1 Resolve problemas em que a incógnita está no estado inicial ou na
desconhecido que torna verdadeira transformação, identificando o número que resolve o problema, satisfazendo a
uma igualdade que envolve as igualdade?
operações fundamentais com
Nível 2 Utiliza a ideia de igualdade ao resolver problemas e cálculos?
números naturais.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 267


Componentes curriculares

4 º ano – Matemática
GEOMETRIA/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Interpretar, descrever e Nível 1 Utiliza referências do entorno para identificar a localização de um


representar a localização e a objeto determinado?
movimentação de uma pessoa
Nível 2 Considera o caráter relativo das relações espaciais em função de um
ou um objeto, por meio de
ponto de vista?
desenhos, mapas, croquis,
malha quadriculada e outras Nível 3 Interpreta códigos para se referir a representações simbólicas
representações gráficas. convencionais como em estações rodoviárias, de trem ou metrô, sinalização de
espaços públicos ou de serviços?
Analisar e interpretar a
informação do GPS para se Nível 4 Identifica e desenha pontos no primeiro quadrante do plano
localizar no espaço. cartesiano, dadas suas coordenadas em números naturais.

Identificar características de Nível 1 Resolve problemas que envolvem a identificação e formulação de


polígonos por meio de sua algumas características e elementos das figuras geométricas (quantidade de
reprodução e análise. lados, lados iguais, diagonais etc.)?
Formula e interpreta breves textos que descrevem uma forma geométrica
usando vocabulário específico? Por exemplo, em uma atividade em pequenos
grupos, envia uma mensagem a outro grupo para que possa reproduzir um
retângulo com uma diagonal traçada.
Reproduz formas geométricas compostas de quadrados e retângulos com
alguma diagonal traçada usando folhas quadriculadas e régua?
Nível 2 Reconhece e traça retas perpendiculares e paralelas?
Constrói figuras com ângulos retos traçando as retas perpendiculares
necessárias, usando esquadro ou transferidor?
Nível 3 Resolve problemas (de cópia, de ditado ou de construção de figuras
de acordo com informações) que envolvem colocar em jogo e explicitar as
propriedades dos lados e ângulos de quadrados, retângulos e losangos? Por
exemplo, constrói um quadrado em folha lisa usando régua não graduada,
esquadro e compasso e explica por que se trata de um quadrado (recorrendo à
perpendicularidade de seus lados, ao paralelismo dos lados opostos, à medida e
igualdade de seus ângulos etc.).
Nível 4 Resolve problemas (de cópia, de ditado ou de construção de figuras
de acordo com informações) que envolvem colocar em jogo e explicitar as
propriedades dos lados, ângulos e diagonais de paralelogramos?
Classifica quadriláteros com base nas propriedades de seus lados (medida,
paralelismo, perpendicularidade), de seus ângulos e de suas diagonais (medida,
perpendicularidade, se cortam ou não em seu ponto médio)?

Observar e identificar Nível 1 Em jogos ou problemas em grupo utiliza vocabulário específico


propriedades comuns e para descrever uma figura geométrica espacial (quantidade de faces, forma
diferenças entre poliedros e das faces, quantidade de arestas, quantidade de vértices) tendo as figuras
corpos redondos. geométricas espaciais à vista?
Nível 2 Resolve problemas que envolvem identificar características de cubos,
prismas e pirâmides de diferentes bases, cones, cilindros e esferas, para poder
distinguir uns dos outros, usando vocabulário específico?
Nível 3 Reconhece características (forma das faces, quantidade de faces,
arestas e vértices) de poliedros (tetraedro, octaedro etc.)?

Relacionar algumas figuras Nível 1 Reproduz cubos, pirâmides e prismas – com o modelo presente –
espaciais e suas planificações usando elementos que representem arestas e vértices (como varetas de
e utilizar a nomenclatura madeiras e bolinhas de massa plástica)?
convencional relacionada a essas
figuras.

268 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 4º ano

Nível 2 Antecipa a quantidade de vértices e arestas necessárias para


representar cubos, pirâmides e prismas de diferentes bases?
Reconhece planificações de cubos, prismas, pirâmides, com um modelo de
figura espacial à vista, em situações em que há apenas que considerar a forma
e a quantidade das faces? Por exemplo, reconhece, entre essas opções, qual
corresponde a um cubo.

1 3

2 4

Nível 3 Identifica possíveis representações planas de cubos ou prismas de


diferentes bases? Por exemplo, reconhece quais destes desenhos representam
melhor um cubo, explicando as razões (permite ver quantidade total de arestas
e faces, permite ver a igualdade de faces e arestas etc.).

3 4
1 2

7
6
5
Reconhece planificações de cubos, prismas, pirâmides, cilindros e cones em
situações em que é preciso considerar não apenas a forma e a quantidade de
faces mas também suas posições relativas? Por exemplo, reconhece entre estas
opções qual corresponde a um cubo, dando as razões para sua resposta.

1 3

2 4

Nível 4 Produz planificações de cubos, prismas e pirâmides.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 269


Componentes curriculares

4 º ano – Matemática
GEOMETRIA/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer simetria de reflexão Nível 1 Identifica um ou mais eixos de simetria em figuras geométricas planas?
em figuras e em pares de figuras Nível 2 Identifica e cria figuras simétricas realizando translações e rotações
geométricas planas e utilizá- por meio da contagem dos quadradinhos da imagem em uma folha de papel
-la na construção de figuras quadriculado?
congruentes, com o uso de malhas
Nível 3 Identifica a congruência de figuras apoiando-se na translação,
quadriculadas e de softwares
reflexão e rotação das figuras em folhas quadriculadas e por meio de software
de geometria.
geométrico?

GRANDEZAS E MEDIDAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Resolver e elaborar problemas, Nível 1 Resolve e elabora problemas em que é preciso medir e comparar
envolvendo medidas de comprimentos, capacidades e massas usando unidades de medida
comprimento utilizando convencionais (metro, centímetro, litro, quilo) e não convencionais?
diferentes estratégias:
Usa a régua para medir comprimentos?
estimativas, cálculo mental,
algoritmo e outros. Nível 2 Resolve e elabora problemas que envolvam a medida de comprimentos
usando o metro e o centímetro como unidades?
Resolver problemas que
envolvem o estabelecimento Resolve e elabora problemas que envolvam determinar massas e capacidades
de relações entre algumas usando o quilo e o litro como unidades?
unidades de medida como metro,
Nível 3 Resolve e elabora problemas que envolvam unidades de comprimento
centímetro e milímetro.
mais extensas ou menores que as usuais, como o quilômetro e o milímetro?
Estabelece relações de equivalência entre metros, centímetros, quilômetros e
milímetros, colocando em jogo relações de proporcionalidade direta?

Reconhecer ângulos retos e Nível 1 Estima a medida de ângulos retos e não retos, maiores ou menores que
não retos, maiores ou menores um ângulo reto por visualização ou sobreposição?
que um ângulo reto em figuras
Nível 2 Mede ângulos usando o esquadro como unidade. Por exemplo:
poligonais.
Compreender o aspecto O Determine se os seguintes ângulos são retos, agudos ou obtusos.
dinâmico da formação de um
ângulo, relacionando-o à ideia
de movimento e sua medida
como amplitude do movimento
realizado.

Usa o grau como unidade de medida?


Usa o transferidor para determinar a medida de ângulos? Por exemplo,
determina que o ângulo desenhado abaixo mede 30°.

Estima a medida de ângulos, usando 90° ou 45° como referência?


Reconhece a independência entre a medida da amplitude do ângulo e a medida
do comprimento de seus lados?
Nível 3 Usa o transferidor para medir ângulos desenhados em diversas
posições e para traçar ângulos, dada sua medida em graus?

270 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 4º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Resolver e elaborar problemas Nível 1 Apoia-se em algumas equivalências de uso cotidiano para resolver
envolvendo medidas de massa e problemas com medidas de comprimento e massa (1 metro = 100 centímetros;
capacidade, utilizando diferentes 1 quilograma = 1.000 gramas)?
estratégias: estimativas, cálculo Nível 2 Resolve e elabora problemas que envolvam estabelecer equivalências
mental, algoritmo e outros. simples entre unidades de medida? Por exemplo: 2 ½ metros = 250
Resolver problemas que centímetros; 1 km = 1.000 metros.
envolvem o estabelecimento Reconhece que é necessário selecionar o instrumento e a unidade de medida
de relações entre algumas de acordo com o objeto que se pretende medir?
unidades de medida, no marco da
Nível 3 Resolve e elabora problemas que envolvem unidades de massa e
proporcionalidade, como grama,
capacidade mais extensas ou menores que as usuais, como o hectolitro ou
quilograma, litro e mililitro.
decilitro?
Estabelece relações de equivalência entre unidades de massa e capacidade,
colocando em jogo relações de proporcionalidade direta?

Reconhecer as frações unitárias Nível 1 Resolve e elabora problemas que envolvem frações mais usuais no
mais usuais como unidades de contexto das medidas de comprimento, massa e capacidade?
medida menores do que uma Nível 2 Resolve e elabora problemas que envolvem estabelecer relações entre
unidade, no contexto das medidas múltiplos e submúltiplos do metro, do litro e do grama, recorrendo a relações
de comprimento, massa e de proporcionalidade direta e ao uso de frações e expressões decimais?
capacidade.

Resolver problemas com medidas Nível 1 Utiliza algumas equivalências de uso cotidiano para resolver problemas
de tempo que envolvem a que envolvem o cálculo de durações (1 hora = 60 minutos)?
transformação de suas unidades e Nível 2 Reconhece as equivalências entre unidades de medida de tempo ou
cálculo de duração de eventos. entre frações dessas unidades (horas e minutos; minutos e segundos; horas e
dias; anos, meses e dias) e utiliza essas equivalências no cálculo de durações?
Nível 3 Resolve cálculos levando em conta as equivalências entre dias, horas,
minutos e segundos e realiza mais de uma transformação de unidade em casos
em que isso é necessário? Por exemplo, calcula quantos segundos há em 1 hora
e 10 minutos.
Nível 4 Resolve problemas que exigem a passagem de uma medida de tempo
expressa em números decimais para outra expressa no sistema sexagesimal?
Por exemplo, reconhece 1,5 hora como 1 hora e 30 minutos.

Registrar as temperaturas Nível 1 Explora, coletivamente, a ideia de temperatura mínima e máxima?


máxima e mínima diárias, em Nível 2 Constrói e analisa registros de temperatura mínima e máxima da sua
locais do seu cotidiano. localidade?
Elaborar gráficos de colunas Nível 3 Compara temperaturas mínimas e máximas com base em informações
com as variações diárias da apresentadas em gráficos de colunas e tabelas de dupla entrada?
temperatura, utilizando, inclusive,
Nível 4 Seleciona a melhor forma de apresentar pesquisa de temperaturas
planilhas eletrônicas.
mínimas e máximas (gráficos de coluna ou tabelas de dupla entrada)?

Resolver problemas que Nível 1 Calcula e compara o perímetro de figuras poligonais?


envolvem medidas de área Mede e compara a área de figuras de lados retos usando diferentes procedimentos
(superfície). (papel quadriculado, superposição, cobrimento com cerâmicas etc.) em situações
Concluir, por meio de em que a unidade cabe um número inteiro de vezes? Por exemplo:
investigações, que figuras de O Como é possível fazer para calcular a quantidade de azulejos necessários para

perímetros iguais podem ter áreas cobrir o piso de um pátio representado no desenho com um retângulo grande,
diferentes e que, também, figuras se cada cerâmica é como a representada com um retângulo pequeno?
que têm a mesma área podem ter
perímetros diferentes.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 271


Componentes curriculares

4 º ano – Matemática

Medir e comparar área e Nível 2 Resolve problemas que envolvem reconhecer quais figuras de
perímetro de figuras planas diferentes formas podem ter o mesmo perímetro? Por exemplo:
desenhadas em malha O O perímetro de um retângulo é de 12 cm. Quais podem ser as medidas de

quadriculada, usando diversas seus lados? Há uma única resposta?


estratégias e reconhecendo
Usa frações para expressar a área de uma superfície considerando outra como
que duas figuras com formatos
unidade?
diferentes podem ter a mesma
medida de área. Resolve problemas que exigem estabelecer a equivalência entre diferentes
unidades de medida para medir a área? Por exemplo, considera que, se a
Comparar perímetros e áreas
unidade de medida se reduz à metade, é necessário o dobro de unidades para
de figuras e colocar em jogo
cobrir a mesma superfície, ou que, se utiliza-se uma unidade com o dobro de
a independência da área e do
superfície, é necessário a metade de unidades para cobri-la.
perímetro na resolução de
diversos tipos de problemas. Reconhece a independência entre a medida de área e a forma de uma figura?
Por exemplo:
O Essas duas figuras têm áreas iguais. Busque uma maneira de comprovar

essa afirmação.

Reconhece a independência entre a área e o perímetro de uma figura sem


recorrer à utilização de unidades de medida? Por exemplo:
O Essas duas figuras têm áreas iguais, mas diferentes perímetros. Explique

como é possível comprovar essa afirmação.

Nível 3 Compara áreas apoiando-se nas propriedades das figuras, sem


necessidade de uma medição efetiva. Por exemplo:
O Os triângulos a seguir estão desenhados sobre três retângulos iguais.

Algum deles pode ter maior área? Explique como pensou.

PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Analisar e registrar as chances de Nível 1 No decorrer de uma partida de jogo de dados ou de cara e coroa,
obter determinados números no analisa a chance de obter determinado resultado?
jogo de dados ou de cara e coroa, Nível 2 No decorrer de uma partida de jogo de dados ou de cara e coroa,
reconhecendo características de relaciona cada possibilidade de resultado com uma fração? Por exemplo,
resultados mais prováveis. reconhece que a chance de se obter 6 nos dados é 16 e que a probabilidade de
tirar cara é de 12 , ou 50%.

Interpretar dados apresentados Nível 1 Interpreta e utiliza tabelas simples, tabelas de dupla entrada e gráficos
em tabelas (simples e de dupla de barra e coluna para compartilhar informações pesquisadas?
entrada) e gráficos (colunas e Nível 2 Interpreta e produz tabelas simples, tabelas de dupla entrada e gráficos
linhas), referentes a diferentes de barra, coluna, linha e setor para compartilhar informações pesquisadas?
áreas do conhecimento e produzir
Nível 3 Interpreta e produz tabelas simples, tabelas de dupla entrada e gráficos
textos com o objetivo de sintetizar
de barra, coluna, linha e setor para compartilhar informações pesquisadas?
conclusões.
Seleciona a forma mais adequada de tratamento da informação de acordo com
a natureza dos dados que pretende organizar e compartilhar?

272 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 5º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Coletar e organizar informações Nível 1 Resolve problemas de adição, subtração, multiplicação e divisão,
referentes a diferentes áreas do em que há diferentes informações em desenhos ou tabelas simples e que o
conhecimento em tabelas (simples aluno deve selecionar quais dados usar e, com base nesse mesmo conjunto
e de dupla entrada) e gráficos de informações, consegue identificar e inventar perguntas que podem ser
(colunas e linhas). respondidas (ou que não podem ser respondidas) com as informações ali
apresentadas?
Nível 2 Resolve problemas de adição, subtração, multiplicação e divisão, em
que há diferentes informações em gráficos ou tabelas simples e em que deve
selecionar quais dados são necessários para responder cada pergunta?
Consegue identificar e inventar perguntas que podem ou não ser respondidas
com as informações ali apresentadas, ou inventar problemas e perguntas com
base em certos cálculos?
Nível 3 Resolve problemas de adição, subtração, multiplicação e divisão em
que há diferentes informações em tabelas de dupla entrada e gráficos de
barras ou colunas, em que deve selecionar quais dados são necessários para
responder cada pergunta?
Consegue identificar e inventar perguntas que podem ou não ser respondidas
com as informações ali apresentadas, ou inventar problemas e perguntas com
base em certos cálculos?
Nível 4 Elabora e organiza tabelas simples, gráficos de colunas e barras,
utilizando coleta de dados nas mais diversas situações?

5º ano – Matemática
NÚMEROS/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Ler, escrever, comparar, Nível 1 Lê, escreve e ordena números até aproximadamente 10.000?
arredondar, ordenar, compor e Em situações coletivas explora regularidades da série oral e da série escrita,
decompor números naturais de trocando ideias acerca do nome, da escrita e da comparação de números de
qualquer ordem de grandeza pela diversas quantidades de algarismos?
compreensão e uso das regras do Nível 2 Lê, escreve e ordena números até aproximadamente 1.000.000?
sistema de numeração decimal,
incluindo o uso da reta numerada. Escreve números redondos ou sem zeros intermediários até aproximadamente
1.000.000 (300.000, 350.000, 567.834 etc.)?
Escreve números que têm zeros intermediários (20.038, 104.009, 10.010 etc.)?
Nível 3 Lê, escreve e ordena números sem restrições na quantidade de
algarismos?
Lê e escreve números utilizando como referência unitária os “mils” ou os
“milhões”? Por exemplo, decide qual número é 3 milhões e meio, e explica como
fez para identificá-lo: a) 3.000.005; b) 3.500.000; e c) 35.000.000.
Utilizar o valor posicional dos Nível 1 Resolve problemas que envolvem reconhecer e analisar o valor
algarismos como ferramenta para posicional dos algarismos com números até 10.000? Por exemplo:
ler e escrever números da classe O Quantos pacotes de 1.000, quantos de 100 e quantos de 10 é possível

dos milhares e milhões. montar com 2.348 balas?


O Anote na calculadora 7.364. Invente uma adição que faça com que mude o

3, mas os outros algarismos permaneçam iguais.


Resolve problemas que envolvem colocar em jogo as relações entre as
diferentes posições de um algarismo (determinando que em 100 há 10 de 10;
ou em 1.000 há 10 de 100)? Por exemplo:
O Quantas caixas de 10 é possível montar com 125 balas?

O Se não existem notas de 1.000 reais, quantas notas de 100, 10 e moedas

de 1 real são necessárias para pagar 1.234 reais?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 273


Componentes curriculares

5º ano – Matemática

Nível 2 Resolve problemas que envolvem reconhecer e analisar o valor


posicional dos algarismos, colocando em jogo as relações contíguas entre elas
(10 de 100 equivalem a 1 de mil; 10 de 1.000 equivalem a 1 de 10.000 etc.) e
baseando-se na informação contida nos algarismos para resolver problemas no
contexto de notas, com calculadora etc.? Por exemplo:
O Pedro joga um jogo em que se pagam e se cobram pontos usando notas

de 1, de 10, de 100, de 1.000, de 10.000 e de 100.000. Se precisa cobrar


3.200 pontos e só há notas de 100, quantas notas precisa dar? E se tivesse
que pagar 13.000 apenas com notas de 1.000?
Decompõe um número aditiva e multiplicativamente de diversas maneiras,
apoiando-se no valor posicional dos algarismos? Por exemplo:
O Complete cada cálculo para transformá-lo em uma igualdade (o primeiro é

um exemplo):
a) 742 = 7 x 100 + 4 x 10 + 2
b) 1.234 = 1.000 + 2 x …… + …… + 4
c) 12.349 = 10.000 + …… x 1.000 + 3 x 100 + …… + 9
Nível 3 Resolve problemas que envolvem reconhecer e analisar o valor
posicional dos algarismos, colocando em jogo as relações entre diferentes
posições dos algarismos e não apenas as contíguas (100 de 100 equivalem a
10 de mil; 1.000 de 1.000 equivalem a 1 de 1.000.000 etc.), baseando-se na
informação contida nos algarismos para resolver problemas no contexto de
notas, com calculadora etc.? Por exemplo:
O Emilio joga um tiro ao alvo que tem os seguintes pontos: 10.000, 1.000,

100, 1 e 0. Escreva três maneiras diferentes de obter 25.340 pontos.


Utiliza a informação contida nos algarismos de um número para reconhecer
resto e quociente ao dividi-lo por 10, por 100 e por 1.000? Por exemplo:
O Sem fazer as contas indicadas, encontre o quociente e o resto de cada uma

das seguintes divisões. Explique como fez para saber.

Divisão Quociente Resto


927 : 10
6.284 : 10
5.038 : 100
94.806 : 10

Decompõe um número multiplicativamente de diversas maneiras, incluindo


multiplicação por potências de 10?
Expressa um número em termos de unidades, dezenas, centenas, unidades de mil
etc, considerando também suas relações (10 dezenas formam 1 centena etc.)?

Utilizar escalas ascendentes e Nível 1 Resolve problemas que envolvem usar escalas ascendentes e
descentes e ordenar números até descendentes de 100 em 100, de 200 em 200, de 500 em 500 e de 1.000 em
a classe dos milhares ou milhões 1.000? Por exemplo:
na reta numérica. O Em um bosque há 1.200 árvores. Querem aumentar a quantidade e, a cada

ano, plantarão 200 árvores. Quantas árvores o bosque terá daqui a 5 anos,
se nenhuma morrer?
Nível 2 Resolve problemas que envolvem usar escalas ascendentes e
descendentes de 500 em 500, de 1.000 em 1.000, de 10.000 em 10.000?
Determina a localização de números em uma reta numérica, em que já estão
marcadas as subdivisões correspondentes e se dão distintas informações
numéricas? Por exemplo:
O Localize entre quais valores da reta numérica estão estes números: 2.700 –

3.320 – 1.675 – 3.004 – 4.158.


O Algumas crianças localizaram os números 1.602, 3.100, 3.256 e 4.399 na

reta numérica. Observe se o lugar de cada número está correto ou não. Se


não estiver, corrija.

274 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 5º ano

Nível 3 Determina a localização de números em uma reta numérica em que


apenas se informa o intervalo entre dois números? Por exemplo:
O Para uma reta em que está informada a localização de 0 e 1.000.000,

localize da maneira mais precisa possível os seguintes números: 200.000,


600.000, 800.000 e 850.000.
O Construa uma reta numérica para localizar diferentes números tomando

decisões sobre a escala a utilizar.

Analisar criticamente enunciados Nível 1 Resolve problemas de comparação de quantidades e de busca de


de problemas, identificando complemento, identificando a adição com incógnita ou a subtração como
os elementos necessários para escrituras matemáticas possíveis, e coloca em jogo, na sua resolução,
definir um percurso de cálculo estratégias de cálculo mental ou algorítmico? Por exemplo:
adequado para sua resolução. O Uma loja vende um computador a R$ 15.879 e outra vende o mesmo
Analisar, interpretar, formular, produto a R$ 13.099. Quanto o computador é mais caro na primeira loja
confrontar hipóteses e solucionar em comparação com a segunda?
problemas com números naturais
compreendendo os significados Nível 2 Resolve problemas em que é preciso encontrar “quanto tinha antes”
do campo aditivo (composição, de tirar ou acrescentar reconhecendo as adições e subtrações que permitem
transformação, comparação e encontrar as respostas? Por exemplo:
composição de transformações) O Uma loja vendeu durante a manhã 255 latinhas de refrigerante. À tarde,
com o uso de diferentes ainda estavam na geladeira 129. Quantas latinhas havia na geladeira ao
estratégias pessoais e validar abrir a loja?
a adequação dos resultados
por meio de estimativas ou Nível 3 Resolve problemas de adição e subtração com vários passos, que
tecnologias digitais. apresentam a informação de diferentes maneiras (enunciados, tabelas, gráficos
etc.), reconhecendo e registrando os diferentes cálculos necessários para sua
resolução? Por exemplo:
O Uma pessoa comprou uma geladeira por R$ 9.300,00, um secador de
cabelos por R$ 345,00 e um ferro de passar por R$ 529,00. Como pagou
à vista, recebeu um desconto de R$ 930,00. Quando saiu da loja, restavam
R$ 125,00 na sua carteira. Quanto dinheiro tinha quando entrou na loja?

Analisar, interpretar, formular, Nível 1 Resolve problemas que envolvem séries proporcionais e organizações
confrontar hipóteses e solucionar retangulares reconhecendo a escrita multiplicativa e recorrendo a diversos
problemas com números naturais procedimentos (uso da tabela pitagórica, adições sucessivas, decomposição de
compreendendo os significados números em parcelas e multiplicações parciais de cada um deles etc.)?
do campo multiplicativo
Nível 2 Resolve problemas que envolvem relações de proporcionalidade
(proporcionalidade, configuração
direta, apresentados em forma de enunciado ou tabelas, com as seguintes
retangular e combinatória) com
estratégias:
o uso de diferentes estratégias
pessoais e validar a adequação O Em problemas em que se informa o valor correspondente à unidade, usa a
dos resultados por meio de multiplicação (cálculo mental ou algoritmo)?
estimativas ou tecnologias O Em problemas em que não se informa o valor correspondente à unidade,
digitais. coloca em jogo implicitamente – e dependendo dos números presentes –
suas propriedades (busca do valor unitário; vincula ao dobro do valor de
uma variável o dobro do valor da outra variável; ao triplo, o triplo; à metade,
a metade; à adição de dois valores em uma variável vincula a adição dos
valores da outra etc.)?
Em situações coletivas, analisa a conveniência de procedimentos possíveis de
acordo com os dados do problema? Por exemplo:
O Se 15 pacotes de figurinhas trazem 135 figurinhas, quantas figurinhas
haverá em 30 pacotes? E em 60 pacotes? E em 90 pacotes?
O Complete a seguinte tabela:

Quantidade de livros
3 5 8 9
do mesmo título
 
Preço 162 270

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 275


Componentes curriculares

5º ano – Matemática

Nível 3 Resolve problemas que envolvem relações de proporcionalidade


direta, apresentados em forma de enunciado ou tabelas em que não se informa
o valor da unidade?
Ao mesmo tempo, explicita as propriedades da proporcionalidade que se
coloca em jogo na resolução de problemas em que, dependendo dos dados em
jogo, é necessário encontrar o valor unitário?
Ao mesmo tempo, explicita as propriedades da proporcionalidade que se
coloca em jogo na resolução de problemas em que, dependendo dos dados
em jogo, é possível também utilizar relações do tipo: ao dobro do valor de uma
variável corresponde o dobro da outra variável; à metade, a metade; à soma de
dois valores de uma variável corresponde a soma dos valores da outra etc.?
Elabora tabelas para organizar dados e para permitir sua análise em problemas
de proporcionalidade?
Nível 4 Resolve problemas de proporcionalidade direta nos casos particulares
de escalas e porcentagem, usando diferentes estratégias, de acordo com os
dados em jogo?

Utilizar as propriedades das Nível 1 Memoriza alguns produtos da tabela pitagórica?


operações para desenvolver Multiplica mentalmente números de um algarismo por 10, por 100 e por 1.000?
estratégias de cálculo da Resolve cálculos mentais de multiplicação apoiando-se em resultados que
multiplicação. tem de memória? Por exemplo, para resolver 7 × 8, calcula 6 × 8 e soma 8 ao
Adquirir recursos para resultado ou, para resolver 50 × 3, se apoia em 5 × 3.
reconstruir rapidamente os Nível 2 Memoriza os produtos da tabela pitagórica ou pode reconstruí-los
resultados das multiplicações facilmente com base em outros conhecidos?
básicas.
Multiplica mentalmente números de um algarismo por números redondos
Recorrer à multiplicação por (múltiplos de 10, de 100, de 1.000 como x 20, x 300, x 500 etc.)?
potências da base e múltiplos com Resolve cálculos mentais de multiplicação de qualquer número por outro que
somente um algarismo diferente seja um a mais ou um a menos que um número redondo? Por exemplo, quando
de zero para resolver outras a professora, ou o professor, informa que 12 × 20 = 240, resolve 12 × 21
multiplicações. somando 12 a 240 ou resolve 12 × 19 subtraindo 12 de 240.
Resolve multiplicações de números que não estão na tabela pitagórica, por
números de dois algarismos, apoiando-se em uma decomposição aditiva? Por
exemplo, para resolver 45 × 12, calcula 45 × 10 + 45 × 2.
Usa o resultado da multiplicação por números redondos para encontrar o
produto de um número pelo dobro ou pela metade do número redondo? Por
exemplo, quando o docente lhe informa que 36 × 20 é 720, resolve 36 × 40
calculando o dobro de 720.
Calcula o dobro de qualquer número e calcula a metade de qualquer número par?
Nível 3 Resolve cálculos mentais de multiplicação com base nos resultados de
outras multiplicações disponíveis, decide quais multiplicações servem de apoio e
explica as razões de sua escolha com expressões do tipo “porque é o dobro de”,
“porque é a metade de”, “porque se subtraímos uma vez esse número” etc.? Por
exemplo, para resolver mentalmente o cálculo 15 x 19, se apoia no resultado de
15 por 20 que é 300, e, então, para saber 15 x 19, subtrai 15 de 300.
Realiza cálculos estimativos para enquadrar o resultado entre dois números?
Nível 4 Identifica e usa adequadamente as propriedades distributiva e
associativa para a resolução de cálculos de multiplicação? Por exemplo, para
decidir se os seguintes cálculos têm ou não os mesmos resultados entre si,
recorre às propriedades associativa e distributiva da multiplicação.
400 × 42 + 20 × 42 + 4 × 42 =
324 × 43 – 324 =
324 × 43 – 1 =
324 × 21 × 2 =
324 × 40 + 2 =
324 × 21 × 21 =
Resolve cálculos mentais de divisão decompondo multiplicativamente o divisor?
Por exemplo, para resolver 852 : 12, faz 852 : 3 e depois divide o resultado por 4.

276 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 5º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Resolver e elaborar problemas Nível 1 Em situações coletivas, explora problemas que envolvem determinar a
que envolvam determinar o quantidade resultante da combinação de elementos de duas coleções distintas
número de agrupamentos por meio de diversas estratégias e cálculos?
possíveis ao se combinar cada Nível 2 Resolve problemas que envolvem combinar elementos de dois
elemento de uma coleção com conjuntos diferentes, usando diversos procedimentos (desenhos, diagramas,
todos os elementos de outra quadros de dupla entrada, cálculos) e, em situações coletivas, reconhece as
coleção, por meio de análise escritas multiplicativas correspondentes? Por exemplo:
combinatória como diagrama O Paulo quer pintar seu carrinho de brinquedo. Pode escolher uma das
de árvore, tabela e cálculos
seguintes cores para a base: azul, vermelho, verde, laranja ou preto. Para
multiplicativos.
decorá-lo pode usar pintura dourada ou prateada. De quantas maneiras
diferentes Paulo pode pintar seu carrinho?
Nível 3 Resolve problemas que envolvem combinar elementos de dois ou três
conjuntos diferentes utilizando a multiplicação. Por exemplo:
O Os hóspedes de um hotel precisam decidir qual menu querem para o jantar.

Na tabela, aparecem as distintas possibilidades para o primeiro prato, o


segundo e a sobremesa. Quantos menus diferentes são possíveis montar?

1º prato 2º prato Sobremesa


Sopa Ravióli Pêssegos em calda
Salpicão de frango Frango com batatas Sorvete
Salada Salada de frutas
Pudim

Nível 4 Resolve problemas de combinatória que envolvem combinar


elementos de um mesmo conjunto entre si, utilizando diversos procedimentos,
e discute, em grupo, os cálculos possíveis para resolvê-los? Por exemplo:
O Marieta, Cecília, Luciana e Paula vão ao teatro e as quatro se sentam juntas.

De quantas maneiras diferentes poderiam se sentar?

Compreender o processo de Nível 1 Resolve problemas que envolvem o uso de múltiplos com diferentes
divisão – seja por cálculo mental estratégias (escalas, adições reiteradas, subtrações reiteradas, busca na tabela
ou algorítmico – sistematizando pitagórica, cálculo da divisão etc.)? Por exemplo:
as relações que se estabelecem O Um jogo é organizado em uma trilha de números que vai de 0 até 200 e

entre dividendo (D), divisor avança-se com fichas andando sempre da mesma maneira, partindo do 0
(d), quociente (q) e resto (r), (de 2 em 2, 3 em 3, 4 em 4 etc.). Escreva três números maiores que 30 nos
representadas na expressão quais cairá a ficha se o movimento for de 3 em 3.
D = q x d + r.
Resolve problemas que envolvem o uso de múltiplos comuns sem apelar a
Identificar regularidades nas nenhum mecanismo preestabelecido e usando diferentes estratégias?
divisões, ampliando estratégias Por exemplo:
para antecipar o valor do resto. O João e Ernesto estão jogando um jogo com uma pista numerada que

começa no 0. Os dois movem suas fichas para a frente. João vai sempre de
5 em 5 e Ernesto de 7 em 7. Em quais números menores que 100 vão
se encontrar?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 277


Componentes curriculares

5º ano – Matemática

Nível 2 Resolve problemas que envolvem o uso de múltiplos de qualquer


número, selecionando a estratégia mais conveniente de acordo com os
números em jogo?
Por exemplo:
O Escreva um número de dois algarismos na calculadora de modo que, ao
subtrair o número 4 tantas vezes quanto for possível, se obtenha 0. Há
outros números possíveis? Encontre dois e registre. Quantos números é
possível encontrar que cumpram essa condição?
Resolve problemas que envolvem o uso de divisores usando diferentes
estratégias (escalas, adições reiteradas, subtrações reiteradas, busca na tabela
pitagórica, cálculo da divisão etc.)? Por exemplo:
O Um jogo consiste em partir de um número de três algarismos e chegar ao
0 subtraindo sempre o mesmo número todas as vezes que for possível. Se o
número de partida é 192, qual dos seguintes números permitirá chegar a 0?
4 3 5 10
Resolve problemas que envolvem o uso de múltiplos e divisores comuns?
Por exemplo:
O Estão montando saquinhos de doces. Querem preenchê-los com 40
paçocas e 24 chocolates de modo que em todos os sacos de doce haja a
mesma quantidade. Quantos saquinhos podem ser montados? Há uma
única resposta?
Em situações descontextualizadas, reconhece e explica a ideia de múltiplo e
múltiplo comum? Por exemplo:
O Para múltiplo: “está na tabuada do...”, “é um resultado de multiplicar por...”,
“quando divido por... não sobra nada”, “está na escala do...”, “quando conto
de... em... encontro esse número” etc.
O Para múltiplo comum: “está nas duas tabuadas”, “está na escala do...
e também na escala do...” etc.
Nível 3 Analisa afirmações relativas às noções de múltiplo e divisor em
situações particulares e argumenta sobre sua validez, colocando em jogo
implicitamente as propriedades da multiplicação e da divisão? Por exemplo,
diante do problema “Se 12 é múltiplo de 3, podemos saber sem fazer a conta
que o dobro de 12 é múltiplo de 3? ”, a criança pode argumentar que sim,
porque o 12 pode ser decomposto como 3 × 4 e o 24 pode ser decomposto
como 3 × 4 × 2, sendo também múltiplo de 3.
Explora coletivamente a análise de afirmações gerais relativas às noções de
múltiplo e divisor e argumenta sobre sua validade? Por exemplo:
O Sempre que somo dois múltiplos de 6, obtenho um múltiplo de 6? Por quê?

E acontece o mesmo com qualquer múltiplo?


Analisa as afirmações contidas na escrita de um cálculo de multiplicação
para decidir se um número é múltiplo ou divisor de outro e coloca em jogo
decomposições multiplicativas e as relações entre múltiplo e divisor para
fundamentar? Por exemplo:
O Sabendo que 12 × 18 = 216, responda sem fazer as contas as seguintes
perguntas e explique como você pensou para responder:
a) 216 é múltiplo de 12?
b) 216 es múltiplo de 4?
c) 6 é divisor de 216?
Analisa coletivamente a informação contida na escrita de um cálculo que
envolve diferentes operações para decidir se um número é divisor de outro?
Por exemplo:
O 15 × 17 × 4 + 3 é ou não múltiplo de 4? E de 5? E de 3?

278 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 5º ano

Em situações descontextualizadas, reconhece e define a ideia de múltiplo e


múltiplo comum, divisor e divisor comum e as relações entre eles? Por exemplo:
O “Está na tabuada do...”, “é um resultado de multiplicar por...”, “quando

divido por... não sobra nada”, “está na escala do...”, “quando conto de... em...
encontro esse número, porque está na tabuada”, “como este número é
múltiplo de..., então este é seu divisor” etc.
Decompõe multiplicativamente um número de diversas maneiras (incluindo
decomposições em mais de dois fatores)?
Reconhece números primos e compostos?
Utiliza os critérios de divisibilidade por 2, 3, 4, 5, 6, 9 e 10 para antecipar se
uma divisão terá resto 0 ou diferente de 0?
Utiliza os critérios de divisibilidade por 2, 4, 5 e 10 para calcular o resto de uma
divisão?
Em situações coletivas, analisa e fundamenta os critérios de divisibilidade por
2, 4, 8, 5 e 10?

Analisar e usar os algoritmos Nível 1 Valendo-se de cálculo mental, usa resultados de uma multiplicação que
convencionais da multiplicação e se tem em memória para resolver outra próxima completando o procedimento
da divisão com uma adição ou uma subtração? Por exemplo, para resolver 7 × 8, calcula 6
× 8 e soma 8 ao resultado.
Valendo-se de cálculo mental, usa resultados de uma multiplicação que se tem
em memória para resolver multiplicações de números redondos? Por exemplo,
para resolver 50 × 3, se apoia em 5×3.
Em situações de intercâmbio, analisa e usa relações entre produtos da tabela
pitagórica? Por exemplo, para completar a coluna do 8, dobra os resultados da
coluna do 4.
Em situações de intercâmbio, analisa diferentes cálculos para multiplicar
números maiores que não estão na tabela pitagórica, recorrendo a escritas e
cálculos intermediários?
Usa resultados memorizados, ou consulta e utiliza resultados da tabela
pitagórica para resolver divisões com resto 0 ou com resto diferente de 0? Por
exemplo, para resolver 72 : 8, busca 72 na coluna do 8 estabelecendo que 9 é o
resultado. Para 35 : 6, reconhece que deve procurar o número mais próximo de
35 na coluna do 6, mas sem passar de 35 (nesse caso, 30), e estabelece que 5 é
o resultado da divisão.
Resolve cálculos mentais de divisão de números redondos por números de um
algarismo? Por exemplo, 800 : 8; 440 : 4 etc.
Explora coletivamente diferentes procedimentos para dividir números grandes
(que não estão na tabela pitagórica) e, para fazê-lo, apoia-se em multiplicações
por potências de 10, por outros números redondos, em subtrações parciais,
multiplicações e/ou adições? Por exemplo, para resolver o cálculo 84 : 6, pode
realizar os seguintes procedimentos:

6 x 10 = 60 6 x 10 = 60 15 x 6 = 90 6 x 10 = 60
60 + 6 = 66 6 x 11 = 66 13 x 6 = 78 6 x 4 = 24
66 + 6 = 72 6 x 12 = 72 14 x 6 = 84
72 + 6 = 78 6 x 13 = 78
78 + 6 = 84 6 x 14 = 84

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 279


Componentes curriculares

5º ano – Matemática

Nível 2 Resolve cálculos mentais de multiplicação de qualquer número por


outro que seja um a mais ou um a menos que um número redondo?
Por exemplo, quando a professora, ou o professor, informa que 12 × 20 =
240, resolve 12 × 21 somando 12 a 240 ou resolve 12 × 19 subtraindo 12
de 240.
Resolve multiplicações de números que não estão na tabela pitagórica por
números de dois algarismos apoiando-se em uma decomposição aditiva? Por
exemplo, para resolver 45 × 12, calcula 45 × 10 + 45 × 2.
Usa o resultado da multiplicação por números redondos para encontrar o
produto de um número pelo dobro ou pela metade do número redondo?
Por exemplo, quando o docente lhe informa que 36 × 20 é 720, resolve
36 × 40 calculando o dobro de 720.
Calcula o dobro de qualquer número e calcula a metade de qualquer número par?
Utiliza o algoritmo da multiplicação por um ou dois algarismos, anotando
ou não cálculos intermediários?
Usa resultados memorizados de multiplicações ou consulta e usa resultados da
tabela pitagórica para resolver qualquer cálculo de divisão?
Realiza cálculos mentais de divisões de números redondos de dois, três e
quatro algarismos por 10, 100 ou 1.000?
Realiza cálculos mentais de divisão de números grandes redondos por um ou
dois algarismos, recorrendo a multiplicações? Por exemplo: 2.000 : 2; 2.400 :
12; 3.000 : 15; e 3.300 : 30.
Resolve divisões de números grandes por números de um ou mais algarismos
usando algoritmos baseados em aproximações sucessivas pela busca de
fatores e subtrações reiteradas desses produtos? Por exemplo, para calcular
2.737 : 8, faz:
2.737 | 8
- 800 100
1.937 100
- 800 100
1.137 10
- 800 10
337 10
- 80 10
257 2
- 80 342
177
- 80
97
- 80
17
- 16
1
Reconhece a conveniência de realizar cálculos mentais ou o algoritmo de
acordo com os números envolvidos em uma multiplicação ou em uma divisão?

280 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 5º ano

Nível 3 Encontra o resto e o quociente envolvidos na divisão de qualquer


número por 10, 100 ou 1.000 utilizando a informação contida nos algarismos
do número (sem realizar efetivamente a conta de dividir)?
Resolve divisões por 5, 50 e 500 apoiando-se nas divisões por 10, 100 e
1.000, e reconhece que dividir por 5 equivale ao dobro de dividir por 10 etc.?
Resolve divisões de números grandes por números de um ou mais algarismos
usando algoritmos baseados em aproximações sucessivas, pela busca de
fatores e subtrações reiteradas desses produtos, diminuindo a quantidade de
passos intermediários? Por exemplo, para 5.753 : 24, faz:
5.753 | 24 5.753 | 24
- 4.800 200 - 4.800 200
953 20 953 30
- 480 10 - 720 9
473 5 233 239
- 240 4 - 216
233 239 17/
- 120
113
- 96
17/
Antecipa a quantidade de algarismos de um quociente enquadrando-o entre
potências de 10? Por exemplo, indica se o quociente estará entre 1 e 10, 10 e
100 ou 100 e 1.000.
Em situações de intercâmbio coletivo, explora a resolução de cálculos
horizontais que colocam em jogo a hierarquia entre cálculos? Por exemplo,
discute, em grupo, a diferença entre resolver o cálculo 95 × 8 + 27 × 93 em
uma calculadora comum e em uma calculadora científica, analisando as razões
pelas quais os resultados obtidos são diferentes.
Nível 4 Realiza cálculos mentais de divisão ou reconhece a equivalência entre
cálculos e explicita as propriedades da divisão colocadas em jogo? Por exemplo:
O Determine se as seguintes igualdades são verdadeiras ou falsas. Justifique

suas respostas sem fazer cálculos.


a) 918 : 54 = 918 : 50 : 4
b) 918 : 54 = 918 : 9 : 6
c) 918 : 54 = 810 : 54 + 108 : 54
Realiza estimativas do quociente de uma divisão que exigem maior precisão?
Por exemplo:
O Assinale o número mais próximo do quociente da divisão 738 : 95 e

explique como você se deu conta.


6–7–8–9
Resolve cálculos horizontais levando em conta a hierarquia entre as operações
envolvidas? Por exemplo:
O Apenas um destes cálculos tem como resultado 900. Qual deles?

9 - 9) × 4 + 6

NÚMEROS/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 281


Componentes curriculares

5º ano – Matemática
Observar os diferentes Nível 1 Resolve problemas que envolvem estabelecer a relação entre uma
significados associados aos parte e o inteiro no contexto das medidas de área e comprimento?
números racionais. Por exemplo:
Ampliar ideias e relações acerca O Em quais das seguintes figuras foi pintado 1 (a quarta parte)? Explique
4
do uso desses números. como pensou para decidir em cada caso.
Construir procedimentos para
resolver problemas envolvendo
os números racionais.

Resolve problemas que implicam reconstruir o inteiro com base em uma fração
com numerador 1, no contexto da medida de área e comprimento? Por exemplo:
O Sabe-se que este retângulo representa 1 do inteiro. Desenhe o retângulo
4
inteiro. Há uma única possibilidade?

Explora, no trabalho em grupo, problemas de repartição que implicam dividir o


resto em partes iguais fazendo uso de metades? Por exemplo:
O Maria comprou 9 maçãs para 2 crianças. Se todas comem a mesma

quantidade e não sobra nada, quanto foi a parte de cada uma?


Nível 2 Resolve problemas que envolvem estabelecer a relação entre uma
parte e o inteiro, nos quais é necessário fracionar a área sombreada para
reconhecer qual fração representa do inteiro (já que a região sombreada não
“entra” uma quantidade exata de vezes no inteiro)? Por exemplo:
O Determine que parte da área do retângulo representa a região sombreada.

Resolve problemas que implicam reconstruir o inteiro com base em uma fração
com numerador diferente de 1, seja ela maior ou menor que o inteiro. Por exemplo:
O Desenhe o inteiro, se o retângulo representa 1 do inteiro.
3

282 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 5º ano

Resolve problemas que implicam reconstruir o inteiro com base em uma


fração com numerador 1, no contexto da medida de área e comprimento? Por
exemplo:
O Sabe-se que este retângulo representa 1 do inteiro. Desenhe o retângulo
4
inteiro. Há uma única possibilidade?

Resolve problemas que implicam dividir o resto e usa frações para expressar o
resultado da repartição, usando diferentes procedimentos (desenhos, gráficos,
cálculos), primeiro com frações com numerador 1 depois com frações de
numerador diferente de 1? Por exemplo:
O Uma pizza foi dividida em partes iguais para 4 pessoas. Que parte cada um

recebeu? E se fossem repartidas duas pizzas entre 4? E se fossem 3 pizzas?


Resolve problemas de repartição e medida reconhecendo e explicitando que 1n
é a fração na qual n partes formam o inteiro? Por exemplo, reconhece que 14 é
uma quantidade tal que repetida 4 vezes forma o inteiro.
Nível 3 Resolve problemas que envolvem estabelecer a relação entre uma
parte e o inteiro, nos quais é necessário fracionar a área sombreada para
reconhecer qual fração representa do inteiro (já que a região sombreada não
“entra” uma quantidade exata de vezes no inteiro)? Por exemplo:
O Determine que parte da área do retângulo representa a região sombreada.

Resolve problemas que implicam dividir o resto e expressa o resultado como


fração, com base em cálculos? Por exemplo, para repartir 35 chocolates entre
8 crianças, faz 35 : 8 e determina (sem precisar desenhar) que cada criança
recebe 4 chocolates inteiros e sobram 3, que, repartidos entre 8, são 38 para
cada um.
Resolve problemas em que a fração é um quociente entre números naturais?
Por exemplo, para repartir em partes iguais 67 chocolates entre 4 crianças, de
modo que todas recebam a mesma quantidade e não sobre nada, é útil resolver
esta conta.
67 | 4
3/ 16
Escreve, com base nos dados que aparecem na conta, o resultado dessa
repartição?
Nível 4 Em situações coletivas, reconhece que é possível encontrar uma
fração que multiplicada por um número natural dê como resultado outro
número natural, levando em conta que a fração é um quociente entre números
naturais? Por exemplo, pode reconhecer que, como 5 dividido por 8 é 58 , então
8 multiplicado por 8 é 5.
5

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 283


Componentes curriculares

5º ano – Matemática
NÚMEROS/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer formas diversas de Nível 1 Reconhece o nome e a escrita de frações com numerador 1 e com
representar um número racional, numerador diferente de 1?
na forma de fração e utilizando a Reconhece que escritas diferentes podem referir-se a uma mesma quantidade,
escrita decimal. no contexto da medida ou da repartição?
Ler, escrever, comparar e ordenar Estabelece a equivalência de meios, quartos e oitavos entre si? Por exemplo,
números racionais positivos reconhece que 12 = 24 = 48 ou que 14 = 28 .
(representações fracionária
e decimal), relacionando-os a Reconhece a equivalência entre diferentes frações que representam 1 inteiro,
pontos na reta numérica. ou 2 inteiros, ou 3 inteiros etc.? Por exemplo, reconhece que 33 = 44 = 77 etc., já
que todas são iguais a 1.
Decide se uma fração é maior ou menor que 1 inteiro?
Compara frações entre si, para determinar qual a maior e a menor, nos
seguintes casos:
O Frações do mesmo denominador e diferentes numeradores (por exemplo
3 e 3 ).
1 2

O Frações de igual numerador e diferentes numeradores, primeiro com


frações de numerador 1 e depois com qualquer numerador, reconhecendo
que quanto maior a quantidade de partes nas quais está dividido o inteiro,
menor será a parte.
O Uma fração maior que o inteiro e outra menor que o inteiro (por exemplo
4 e 3 ), usando o inteiro como referência.
5 2

Nível 2 Reconhece o nome e a escrita de números formados por inteiros e


frações? Por exemplo, faz corresponder as expressões “três quartos” e “três e
um quarto” aos números 34 e 3 14 .
Reconhece que escritas que combinam inteiros e frações podem expressar-se
de maneira diferente, incluindo ou não o sinal +?Por exemplo, reconhece que
2 + 12 é o mesmo que 2 12 .
Reconhece e encontra frações equivalentes a 12 , ou a 13 ou a 14 apoiando-se na
relação entre numerador e denominador?
Estabelece a equivalência entre terços, sextos e doze avos; e entre quintos e
décimos?
Estabelece a equivalência entre diferentes frações decimais (com denominador
10, 100 ou 1.000)? Por exemplo, reconhece que 101 = 100
10
= 1.000
100
.
Encontra frações decimais equivalentes a outras com denominador 2, 4 e 5?
Por exemplo, reconhece que 14 é equivalente a 100
25
e que 34 equivalem a 100
75
.
Encontra frações equivalentes multiplicando ou dividindo numerador e
denominador pelo mesmo número?
Decide se uma fração é maior ou menor que 12 ?
Intercala uma fração entre dois inteiros?
Compara frações entre si para determinar qual a maior e a menor, quando
uma fração é maior que a metade e a outra menor que a metade? Por exemplo,
compara 79 e 37 usando a metade como referência.
Compara frações buscando frações de igual denominador que permitam a
comparação?
Determina a localização de números em uma reta numérica, na qual já está
marcada a posição do 0 e do 1 e depois do 0 e uma fração? Por exemplo:
O Localize os seguintes números na reta numérica: 13 e 16 .

0 1

284 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 5º ano

Nível 3 Reconhece frações equivalentes, por estabelecer a relação entre


numerador e denominador ou ao buscar a fração irredutível de ambas? Por
exemplo, estabelece a equivalência entre 324 e 80
10
apoiando-se no fato de que
4 entra 8 vezes em 32 e 10 também entra 8 vezes em 80, ou porque ambas
representam 18 .
Intercala uma fração entre outras frações? Por exemplo:
O As frações 37 , 45 , 54 e 128 estão ordenadas da menor para a maior. Onde se
deve localizar 12 e 38 ?
Resolve problemas que implicam considerar a densidade no conjunto dos
números fracionários, como situações que implicam encontrar frações entre
outras duas frações? Por exemplo:
O Encontre uma fração que se localize entre 1
2 e 34 . Pode encontrar outras?
Quantas?
Compara frações entre si fazendo uso de diferentes estratégias de acordo com
as frações dadas?
Determina a localização de números em uma reta numérica, na qual já está
marcada a posição de duas frações. Por exemplo:
O Localize o 0, o 2 e o 7
8 na seguinte reta numérica.

1 3
2 4
Escolhe uma unidade conveniente para representar, sem uma reta numérica,
terços e sextos; quintos e décimos; meios e terços; quintos e terços; meios e
quintos; quartos e terços etc.?

Comparar e ordenar números Nível 1 Usa números com vírgula no contexto do dinheiro para ler e escrever
racionais nas representações quantidades expressas em reais e reconhece a equivalência entre diferentes
decimal e fracionária utilizando a escritas? Por exemplo, que 50 centavos é igual a R$ 0,50 e 0,5 real.
noção de equivalência.
Compõe e decompõe uma quantidade de dinheiro usando moedas de
Estabelecer relações entre diferentes valores? Por exemplo, encontra duas maneiras diferentes de formar
números decimais e frações R$ 2,75.
decimais.
Compara números com vírgula no contexto do dinheiro, apoiando-se no fato
Construir procedimentos de
de que o valor de moeda indica cada posição? Por exemplo, reconhece que
cálculo mental com números
R$ 0,50 não é igual a R$ 0,05.
decimais.
Usa números com vírgula no contexto da medida de comprimentos para ler
e escrever quantidades expressas em metros e centímetros, e reconhece a
equivalência entre diferentes escritas? Por exemplo, que 1,56 m é igual a 1 m e
56 cm ou 156 cm.
Resolve cálculos de adição e subtração de números decimais no contexto de
medidas de dinheiro e comprimento, usando diferentes procedimentos?
Dispõe de um conjunto de resultados memorizados ou que pode recuperar ou
obter com certa facilidade? Por exemplo:
O 0,50 + 0,50 = 1
O 0,25 + 0,25 = 0,50
O 0,50 + 0,25 = 0,75
Dispõe de recursos de cálculo que permitem descobrir uma parcela da soma,
dada a outra, e o resultado, no contexto do dinheiro? Por exemplo, completa
cálculos como R$ 1,50 + ...... = R$ 2,00 ou R$ 1,75 + ...... = R$ 3,00.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 285


Componentes curriculares

5º ano – Matemática

Nível 2 Reconhece que uma fração decimal pode ser escrita como uma soma
de frações decimais? Por exemplo, que
54 = 50 + 4 = 5 + 4 .
100 100 100 10 100
Reconhece a equivalência entre a escrita de frações decimais e números
decimais? Por exemplo, reconhece que 101 corresponde a 0,1; 102 a 0,2;
100 a 0,45; 10 a 1,5 etc.
45 15

Lê e escreve números decimais usando as denominações décimos, centésimos,


milésimos?
Compõe e decompõe números decimais usando somas de frações decimais?
Por exemplo, resolve 4,34 como 4 + 103 + 1004
; ou 103 + 100
6
+ 1.000
9
como 0,369.
Resolve problemas que envolvem a análise do valor posicional na notação
decimal? Por exemplo, reconhece que, para obter 4,03 a partir de 4,53, é
preciso subtrair 0,5.
Compara e ordena expressões decimais levando em conta o valor posicional
dos algarismos? Por exemplo, percebe que 0,5 é maior que 0,49, porque 105
é maior que 104 .
Estabelece a equivalência entre frações com denominador 2, 4, 5; frações
decimais e números decimais? Por exemplo, reconhece que 14 = 100 25
= 0,25.
Resolve cálculos mentais que envolvem adições e subtrações de 0,1; 0,01;
0,001 de qualquer número, apoiando-se no valor posicional dos algarismos?
Dispõe de recursos de cálculo que permitem descobrir uma parcela da soma,
dada a outra, e o resultado inteiro? Por exemplo, completa cálculos como
O 0,84 + ...... = 2; ou

O 0,345 + ...... = 1.

Resolve cálculos exatos e aproximados de adição e subtração de números


decimais usando diferentes procedimentos de cálculo mental e incluindo os
algoritmos convencionais?
Multiplica e divide mentalmente uma expressão decimal por uma potência de
10 e analisa, em grupo, as estratégias utilizadas?
Multiplica números decimais por inteiros apoiando-se em diversos
procedimentos? Por exemplo, para resolver 0,4 × 3 faz 0,4 + 0,4 + 0,4; se
apoia em que 4 décimos vezes 3 são 12 décimos, que se escreve como 1,2; e
argumenta que 4 × 3 é igual a 12, então 0,4 x 3 = 1,2 etc.
Resolve problemas que exigem repartir o resto no contexto do dinheiro ou
de medidas de comprimento e usa expressões decimais para expressar o
resultado dessa divisão? Por exemplo, divide R$ 25,00 entre 4 pessoas e
conclui que correspondem R$ 6,25 a cada uma, considerando que R$ 1,00
dividido entre 4 é igual a R$ 0,25.
Nível 3 Compõe e decompõe números decimais usando somas de frações
decimais em cálculos que exijam estabelecer relações e reagrupamentos?
Por exemplo:
3 + 21 + 4.800 .
100 10 1.000
Compara e ordena expressões fracionárias e decimais?
Reconhece que o quociente entre numerador e denominador de uma fração
pode ser expresso com um número com vírgula?
Reconhece as frações que não se pode expressar como uma fração decimal?
Por exemplo, reconhece que 13 não pode ser expresso com uma fração
equivalente com denominador na forma de uma potência de 10, já que
nenhuma potência de 10 é múltiplo de 3.
Determina a localização de números decimais e frações decimais em uma reta
numérica com base em diferentes informações?
Resolve problemas que exigem analisar a densidade no conjunto dos números
racionais? Por exemplo, consegue encontrar números decimais que se
encontram entre 3,4 e 3,5; entre 2,14 e 2,15; ou consegue encontrar frações
com denominador 100 que se encontram entre 1,6 e 1,7.

286 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 5º ano

Resolve cálculos de adição e subtração que combinam números decimais e


frações decimais ou frações equivalentes a frações decimais? Por exemplo,
resolve 0,3+ 14 como 0,3 + 0,25.
Multiplica números decimais entre si no contexto da proporcionalidade direta?
Por exemplo, se 1 kg de queijo custa R$ 40,00, quanto custarão 3,25 kg?
Resolve cálculos de divisão exata, dividindo o resto e registrando o resultado
como expressão decimal e, para fazê-lo se apoia nas equivalências entre
inteiros, décimos e centésimos? Por exemplo, estabelece que, se o resto em
uma divisão inteira é 3, para seguir dividindo é pertinente considerá-lo como
30 décimos e escrever o resultado de dividir 30 no primeiro lugar depois da
vírgula, ou seja, no lugar dos décimos.
Elaborar recursos de cálculo Nível 1 Resolve problema sem que seja necessário encontrar a fração que
mental para reconstruir uma deve-se somar ou subtrair de outra para obter 1 inteiro, apoiando-se em
fração ou um inteiro usando diferentes procedimentos? Por exemplo, para completar a soma 35 + ... = 1 ,
frações. pode-se apoiar no fato de que 5 de 15 formam 1 inteiro.
Resolver problemas que exijam Soma e subtrai meios, quartos e oitavos entre si, utilizando diferentes
somar e subtrair, multiplicar procedimentos (e sem utilizar algoritmos)?
e dividir frações, utilizando
Dispõe de um repertório de cálculos memorizados ou facilmente disponíveis
diferentes procedimentos:
para somar e subtrair meios, quartos e oitavos. Por exemplo:
decomposições aditivas, cálculo
mental, equivalências e gráficos. 1 + 1 =1 1 +1=3
2 2 2 4 4
Resolver problemas que
1+1=1 1– 1 = 3
envolvem variação de 4 4 2 4 4
proporcionalidade direta entre
1+1=1 1– = 1
1
duas grandezas, para associar 8 8 4 2 2
a quantidade de um produto
ao valor a pagar, alterar as Em situações de medidas e repartições, determina os dobros e metades
quantidades de ingredientes de de meios, quartos e oitavos, usando diversos procedimentos e sem utilizar
receitas, ampliar ou reduzir escala algoritmos? Por exemplo:
em mapas, entre outros. O João e André repartiram 12 kg de sorvete entre os dois em partes iguais.
Quanto sorvete cada um recebeu?
Nível 2 Resolve problemas em que é necessário encontrar a fração que deve-se
somar ou subtrair de outra para obter 2, 3 ou 4 inteiros, apoiando-se em diferentes
procedimentos? Por exemplo, para completar 47 + ... = 3, pode-se apoiar no fato
de que 3 inteiros são 217 e buscar a diferença entre 21 e 4 ; ou pensar que é preciso
somar 37 para o primeiro inteiro e 147 para os outros dois inteiros.
Soma e subtrai quintos e décimos; terços e sextos entre si, utilizando diferentes
procedimentos (e sem utilizar algoritmos)?
Coletivamente, explora procedimentos para somar e subtrair frações de
diferentes denominadores por meio da busca de frações equivalentes?
Estima o resultado de cálculos de adição e subtração de frações? Por exemplo:
O Responda e justifique, sem fazer cálculos, que:
a) 5 + 1 34 é maior que 7.
a) 9 – 14 é menor que 8.
Dispõe de um repertório de cálculos memorizados ou facilmente disponíveis
para somar e subtrair terços e sextos; quintos e décimos? Por exemplo:
1 +1=1 1–1 = 2
6 6 3 3 3
1 +1=1
1–1 = 4
10 10 5 5 5
Dispõe de um repertório de cálculos memorizados ou facilmente disponíveis
para somar e subtrair frações decimais entre si? Por exemplo:
1 + 2 = 1 + 1 = 1 – 1 =
10 100 100 1.000 10 100

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 287


Componentes curriculares

5º ano – Matemática

Calcula o dobro e a metade de terços e sextos; quintos e décimos, usando


diversos procedimentos e sem utilizar algoritmos? Por exemplo, reconhece que
6 é a metade de 3 porque 2 de 6 formam 3 , ou porque “se divido os terços pela
1 1 1 1

metade, o inteiro fica dividido em seis partes”.


Expressa o cálculo de metades de frações de diferentes maneiras? Por
exemplo, pode escrever a metade de 13 como 13 : 2 ou 12 de 13 ou 12 × 13 .
Multiplica um inteiro por uma fração em problemas de proporcionalidade
direta, cálculo da área de um retângulo e cálculos descontextualizados?
Nível 3 Soma e subtrai frações com qualquer denominador usando frações
equivalentes?
Calcula a metade de qualquer fração (sem recorrer a algoritmos), nos casos em
que é necessário duplicar o denominador mantendo o mesmo numerador?
Por exemplo, identifica 103 como a metade de 35 .
Resolve cálculos de multiplicação com incógnita em um dos fatores, nos quais
se multiplica uma fração por um número natural para obter 1 ou qualquer
inteiro? Por exemplo:
O Complete os seguintes cálculos.
1 x......=1 3 x......=1 1 x......=4
4 3

Relacionar as representações Nível 1 Relaciona porcentagens mais simples 10%, 25%, 50%, 75% e 100%
fracionárias e decimais como respectivamente à décima parte, quarta parte, metade, três quartos e um
porcentagem (50% = 10050
= 0,50). inteiro?
Associar as representações Relaciona algumas porcentagens a representações decimais? Por exemplo:
10%, 25%, 50%, 75% e 100% 50% a 0,5 ou 10% a 0,1.
respectivamente à décima
Nível 2 Faz uso de relações entre porcentagens e representações fracionárias
parte, quarta parte, metade,
e decimais para resolver problemas que envolvem o cálculo do valor relativo a
três quartos e um inteiro,
determinadas porcentagens?
para calcular porcentagens,
utilizando estratégias pessoais,
cálculo mental e calculadora, em
contextos de educação financeira,
entre outros.

Concluir, por meio de Nível 1 Resolve problemas em que a incógnita está no estado inicial ou na
investigações, que a relação de transformação, identificando o número que resolve o problema, satisfazendo a
igualdade entre dois membros igualdade?
permanece ao adicionar, subtrair,
Nível 2 Utiliza a ideia de igualdade ao resolver problemas e cálculos?
multiplicar ou dividir cada um
desses membros por um mesmo Nível 3 Faz uso da ideia de que a relação de igualdade entre dois membros
número, para construir a noção permanece ao adicionar, subtrair, multiplicar ou dividir cada um desses
de equivalência. membros por um mesmo número, ao resolver problemas e cálculos?

Resolver problemas envolvendo Nível 1 Compreende critérios como dobro e metade para fazer partilhas em
a partilha de uma quantidade partes desiguais?
em duas partes desiguais, tais
Nível 2 Resolve problemas em que a partilha de uma quantidade é feita de
como dividir uma quantidade
forma desigual, utilizando critérios como dobro, triplo, quádruplo, metade,
em duas partes, de modo que
terça parte, quarta parte?
uma seja o dobro da outra, com
compreensão da ideia de razão Nível 3 Resolve e elabora problemas em que a partilha de uma quantidade
entre as partes e delas com o é feita de forma desigual, utilizando critérios como dobro, triplo, quádruplo,
todo. metade, terça parte, quarta parte, explicitando estratégias e argumentando
sobre sua adequação?

288 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 5º ano

GEOMETRIA/ÁLGEBRA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Interpretar, descrever e Nível 1 Utiliza referências do entorno para identificar a localização de um


representar a localização e a objeto determinado?
movimentação de uma pessoa Nível 2 Considera o caráter relativo das relações espaciais em função de um
ou um objeto, por meio de ponto de vista?
desenhos, mapas, croquis,
Nível 3 Interpreta códigos para se referir a representações simbólicas
malha quadriculada e outras
convencionais como em rodoviários, estações de trem ou de metrô, sinalização
representações gráficas.
de espaços públicos ou de serviços?
Analisar e interpretar a
Nível 4 Identifica e desenha pontos e figuras no primeiro quadrante do plano
informação do GPS para se
cartesiano, dadas suas coordenadas em números naturais?
localizar no espaço.
Interpretar e produzir pontos e
figuras no primeiro quadrante
do plano cartesiano usando
coordenadas.
Resolver problemas que Nível 1 Resolve problemas que envolvem a identificação e formulação de
impliquem considerar a algumas características e elementos das figuras geométricas (quantidade de
circunferência como o conjunto lados, lados iguais, diagonais etc.)?
de pontos equidistantes de Nível 2 Usa o compasso para copiar figuras simples que contêm
um centro e o círculo como o circunferências e para transportar segmentos, decidindo que é o centro o lugar
conjunto de pontos que estão a para “fixar” o compasso e, a partir dele, decidir “quanto abri-lo”. Por exemplo:
igual ou menor distância de um O Copie em uma folha lisa a seguinte figura:
ponto dado.
Apropriar-se de um conjunto de
procedimentos para construção
de círculos e circunferências
utilizando instrumentos
geométricos.

Identifica a circunferência como o conjunto de pontos que equidistam de


um centro e o círculo como o conjunto de pontos que estão a igual ou menor
distância de um centro? Por exemplo:
O Marque todos os pontos que estão a 4 cm do ponto F.

Resolve problemas que envolvem considerar a medida de diâmetros ou raios e


a localização dos centros da circunferência? Por exemplo:
O Trace uma circunferência com compasso, dado o raio ou o diâmetro.

Usa as noções de raio, diâmetro e centro da circunferência para encontrar


pontos que equidistam de outros, a partir de pontos ou de figuras que contêm
apenas circunferências? Por exemplo:
O O ponto R é o centro das duas circunferências desenhadas. O raio da

circunferência pequena é 1 cm e o da grande é de 2 cm. Pinte de azul os


pontos que estão a menos de 1 cm de R, de vermelho os que estão a 1 cm
de R, e de laranja os que estão a 2 cm de R.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 289


Componentes curriculares

5º ano – Matemática

Nível 3 Usa o compasso para copiar ou construir figuras mais complexas que
contêm circunferências ou arcos de circunferências (que envolvam o traçado
de retas auxiliares, ou que incluam circunferências com diferentes raios e
centros)? Por exemplo:
O Copie em uma folha lisa a seguinte figura:

Usa as noções de raio, diâmetro e centro da circunferência para encontrar


pontos que equidistam de outros, com base em figuras que não contêm
circunferências desenhadas? Por exemplo:
O Este quadrado mede 6 cm de lado. Pinte-o de acordo com as instruções:
de verde a parte que está a 6 cm do ponto D; de azul a parte que está a
menos de 6 cm do ponto D; e de vermelho a parte que está a mais de 6 cm
do ponto D.

'b

Encontra pontos que cumprem duas condições: estar a uma distância em


centímetros de um ponto e ao mesmo tempo a uma distância em centímetros
de outro ponto?
Constrói triângulos dadas as medidas de seus lados?
Resolve problemas que envolvem reconhecer que os lados de um triângulo são
raios de circunferências? Por exemplo:
O Esta é uma circunferência de centro A. Decida, sem medir, se é possível ter
certeza de que o triângulo desenhado é isósceles. Explique por quê.

&b
A

%b

Resolve problemas que envolvem colocar em jogo a propriedade triangular:


a soma de dois lados de um triângulo deve ser maior que o terceiro lado?
Por exemplo, dadas as medidas de três segmentos, decide, sem construir, se
existem triângulos com essas medidas de lados.
Nível 4 Traça a mediatriz de um segmento?
Usa a noção de mediatriz para resolver problemas? Por exemplo, usando régua
(sem as marcas de centímetros e milímetros) não graduada e compasso, divide
um segmento em quatro partes iguais.

290 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 5º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Caracterizar e identificar Nível 1 Resolve problemas que envolvem a identificação e formulação de


triângulos considerando algumas algumas características e elementos das figuras geométricas (quantidade de
de suas propriedades. lados, lados iguais, diagonais etc.)?
Ampliar conhecimentos sobre Copia figuras poligonais que envolvem a consideração, não apenas da medida
os triângulos, apropriando-se de de seus lados mas também de seus ângulos? Por exemplo, consegue copiar
critérios para sua classificação e desenhos como o seguinte:
desenvolvendo procedimentos
de construção dessas figuras ao
usar instrumentos de desenho
geométrico, como régua,
compasso e transferidor.
Reconhecer ângulos retos e Reconhece ângulos retos, agudos e obtusos?
não retos, maiores ou menores Nível 2 Constrói triângulos dadas as medidas de seus ângulos?
que um ângulo reto em figuras
poligonais. Constrói triângulos com base em diferentes informações (dados três lados;
dados os lados e o ângulo compreendido; dados três ângulos etc.) com régua,
compasso, transferidor e esquadro sem analisar a quantidade de soluções
possíveis?
Classifica triângulos segundo seus lados e/ou segundo seus ângulos?
Traça e reconhece a altura correspondente à base de um triângulo isósceles?
Nível 3 Em situações coletivas, conjectura e argumenta por que a soma dos
ângulos internos de um triângulo é 180°?
Resolve problemas que envolvem colocar em jogo que a soma dos ângulos
internos de um triângulo é 180°?
Constrói triângulos com base em diferentes informações, analisando se, com
elas, é possível realizar ou não a construção de um triângulo, se é único ou se é
possível construir outros e explicita as razões? Por exemplo, analisa que, dados
dois lados, é possível construir infinitos triângulos porque é possível variar
a medida do ângulo compreendido; ou explica por que não pode existir um
triângulo equilátero retângulo.
Traça e reconhece as alturas de qualquer triângulo?

Reconhecer características Nível 1 Resolve problemas que envolvem a identificação e formulação de


e comparar quadriláteros, algumas características e elementos das figuras geométricas (quantidade de
considerando lados e ângulos. lados, lados iguais, diagonais etc.)?
Construí-los com compasso, Formula e interpreta breves textos que descrevem uma forma geométrica
esquadros, régua e transferidor. usando vocabulário específico? Por exemplo, em uma atividade em pequenos
grupos, envia uma mensagem a outro grupo para que possa reproduzir um
retângulo com uma diagonal traçada.
Reproduz formas geométricas compostas de quadrados e retângulos com
alguma diagonal traçada usando folhas quadriculadas e régua?
Nível 2 Reconhece e traça retas perpendiculares e paralelas?
Constrói figuras com ângulos retos traçando as retas perpendiculares
necessárias, usando esquadro ou transferidor?
Nível 3 Resolve problemas (de cópia, de ditado ou de construção de figuras
de acordo com informações) que envolvem colocar em jogo e explicitar as
propriedades dos lados e ângulos de quadrados, retângulos e losangos? Por
exemplo, constrói um quadrado em folha lisa usando régua não graduada,
esquadro e compasso e explica por que se trata de um quadrado (recorrendo à
perpendicularidade de seus lados, ao paralelismo dos lados opostos, à medida e
igualdade de seus ângulos etc.).
Resolve problemas que envolvem colocar em jogo que a soma dos ângulos
internos de um retângulo é 360°?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 291


Componentes curriculares

5º ano – Matemática

Nível 4 Resolve problemas (de cópia, de ditado ou de construção de figuras


de acordo com informações) que envolvem colocar em jogo e explicitar as
propriedades dos lados, ângulos e diagonais de paralelogramos?
Classifica quadriláteros com base nas propriedades de seus lados (medida,
paralelismo, perpendicularidade), de seus ângulos e de suas diagonais (medida,
perpendicularidade, se cortam ou não em seu ponto médio) e, em situações
coletivas, usa a propriedade dos ângulos internos do triângulo para argumentar
por que a soma dos ângulos internos de qualquer quadrilátero é 360°?
Resolve problemas que envolvem colocar em jogo que a soma dos ângulos
internos de um quadrilátero é 360°?
Em problemas que envolvem construções ou cópias de paralelogramos, toma
decisões em relação ao procedimento a ser utilizado, os instrumentos e/ou os
dados necessários a considerar? Por exemplo:
O Os seguintes segmentos são os lados de um paralelogramo.

Complete a construção. Decida quais instrumentos utilizar e explique por que


tem certeza de que o desenho resultante é um paralelogramo.
Em situações coletivas, usa a propriedade dos ângulos internos do triângulo
para determinar a medida dos ângulos internos e do ângulo central de um
polígono regular?
Resolve problemas que envolvem inferir as medidas de ângulos de triângulos
ou paralelogramos, sem recorrer à medição efetiva, recorrendo a relações e
propriedades de seus ângulos? Por exemplo:
O ABCD é um losango. O ângulo B mede 50°. Indique, sem medir, qual é o

valor do ângulo C.
A

%b 'b

&b
Constrói polígonos regulares dada a quantidade de lados, a medida do ângulo
central ou a medida do ângulo interior?

Reconhecer e classificar figuras Nível 1 Resolve problemas que envolvem a identificação e formulação de
planas e espaciais, considerando algumas características e elementos das figuras geométricas (quantidade de
semelhanças e diferenças entre lados, lados iguais, diagonais etc.)?
elas, usando como critério Formula e interpreta breves textos que descrevem uma forma geométrica
propriedades como forma, usando vocabulário específico? Por exemplo, em uma atividade em pequenos
número de lados, medida e grupos, envia uma mensagem a outro grupo para que possa reproduzir um
posição destes (paralelismo e retângulo com uma diagonal traçada.
perpendicularismo), ângulos,
Reproduz formas geométricas compostas de quadrados e retângulos com
vértices, eixos de simetria.
alguma diagonal traçada usando folhas quadriculadas e régua?
Ampliar e reduzir polígonos,
Em jogos ou problemas em grupo, utiliza vocabulário específico para descrever
proporcionalmente, utilizando
uma figura geométrica espacial (quantidade de faces, forma das faces,
malhas quadriculadas, estratégias
quantidade de arestas, quantidade de vértices) tendo as figuras geométricas
pessoais e tecnologias digitais.
espaciais à vista?
Reconhecer a congruência dos
Reproduz cubos, pirâmides e prismas – com o modelo presente – usando
ângulos e a proporcionalidade
elementos que representem arestas e vértices (como varetas de madeiras e
entre os lados correspondentes
bolinhas de massa plástica)?
de figuras poligonais em situações
de ampliação.

292 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 5º ano

Nível 2 Reconhece e traça retas perpendiculares e paralelas?


Constrói figuras com ângulos retos traçando as retas perpendiculares
necessárias, usando esquadro ou transferidor?
Resolve problemas que envolvem identificar características de cubos,
prismas e pirâmides de diferentes bases, cones, cilindros e esferas, para poder
distinguir uns dos outros, usando vocabulário específico?
Antecipa a quantidade de vértices e arestas necessárias para representar
cubos, pirâmides e prismas de diferentes bases?
Reconhece planificações de cubos, prismas, pirâmides, com um modelo de
figura espacial à vista, em situações em que há apenas que considerar a forma e
a quantidade das faces?
Nível 3 Resolve problemas (de cópia, de ditado ou de construção de figuras
de acordo com informações) que envolvem colocar em jogo e explicitar as
propriedades dos lados e ângulos de quadrados, retângulos e losangos? Por
exemplo, constrói um quadrado em folha lisa usando régua não graduada,
esquadro e compasso e explica por que se trata de um quadrado (recorrendo à
perpendicularidade de seus lados, ao paralelismo dos lados opostos, à medida e
à igualdade de seus ângulos etc.).
Reconhece características (forma das faces, quantidade de faces, arestas e
vértices) de poliedros (tetraedro, octaedro etc.)?
Identifica possíveis representações planas de cubos ou prismas de diferentes
bases? Por exemplo, reconhece quais dos desenhos a seguir representam
melhor um cubo, explicando as razões (permite ver quantidade total de arestas
e faces, permite ver a igualdade de faces e arestas etc.).

3 4
1 2

7
6
5

Reconhece planificações de cubos, prismas, pirâmides, cilindros e cones, em


situações em que é preciso considerar não apenas a forma e a quantidade de
faces mas também suas posições relativas?
Nível 4 Resolve problemas (de cópia, de ditado ou de construção de figuras
de acordo com informações) que envolvem colocar em jogo e explicitar as
propriedades dos lados, ângulos e diagonais de paralelogramos?
Classifica quadriláteros com base nas propriedades de seus lados (medida,
paralelismo, perpendicularidade), de seus ângulos e de suas diagonais (medida,
perpendicularidade, se cortam ou não em seu ponto médio)?
Produz planificações de cubos, prismas e pirâmides?

Reconhecer simetria de reflexão Nível 1 Identifica um ou mais eixos de simetria em figuras geométricas planas?
em figuras e em pares de figuras Nível 2 Identifica e cria figuras simétricas realizando translações e rotações
geométricas planas e utilizá-la na por meio da contagem dos quadradinhos da imagem em uma folha de papel
construção de figuras congruentes, quadriculado?
com o uso de malhas quadriculadas
Nível 3 Identifica a congruência de figuras apoiando-se na translação,
e de softwares de geometria.
reflexão e rotação das figuras em folhas quadriculadas e por meio de software
Observar características e geométrico?
regularidades da simetria em
figuras geométricas planas, em
especial nos polígonos regulares
e construir procedimentos para o
traçado de eixos de simetria.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 293


Componentes curriculares

5º ano – Matemática
GRANDEZAS E MEDIDAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Solucionar e elaborar problemas, Nível 1 Resolve e elabora problemas em que é preciso medir e comparar
utilizando diferentes estratégias, comprimentos, capacidades e massas usando unidades de medida
envolvendo medidas de convencionais (metros, centímetros, litros, quilos) e não convencionais?
comprimento, massa, tempo,
Usa a régua para medir comprimentos?
temperatura, capacidade
e volume, recorrendo a Apoia-se em algumas equivalências de uso cotidiano para resolver problemas
transformações entre as unidades com medidas de comprimento e massa (1 metro = 100 centímetros; 1
mais usuais em contextos quilograma = 1.000 gramas)?
cotidianos e em situações que
Nível 2 Resolve e elabora problemas que envolvem a medida de comprimento
envolvam cálculo mental.
usando o metro e o centímetro como unidades?
Ampliar estratégias para resolver
Resolve e elabora problemas que envolvam determinar massas e capacidades
problemas envolvendo unidades
usando o quilo e o litro como unidades?
de medida e sua transformação.
Resolve e elabora problemas que envolvam estabelecer equivalências simples
entre unidades de medida? Por exemplo: 2 ½ metros = 250 centímetros; 1 km =
1.000 metros.
Reconhece que é necessário selecionar o instrumento e a unidade de medida
de acordo com o objeto que se pretende medir?
Nível 3 Resolve e elabora problemas que envolvam unidades de comprimento
mais extensas ou menores que as usuais, como o quilômetro e o milímetro?
Estabelece relações de equivalência entre metros, centímetros, quilômetros e
milímetros, colocando em jogo relações de proporcionalidade direta?
Resolve e elabora problemas que envolvam unidades de massa e capacidade
mais extensas ou menores que as usuais, como o hectolitro ou decilitro?
Estabelece relações de equivalência entre unidades de massa e capacidade,
colocando em jogo relações de proporcionalidade direta?
Resolve problemas que envolvem calcular o volume de diferentes figuras
geométricas espaciais, considerando unidades de medidas dadas: cubos,
prismas etc.?

Resolver problemas que Nível 1 Calcula e compara o perímetro de figuras poligonais?


envolvem medidas de área
Mede e compara a área de figuras de lados retos usando diferentes
(superfície).
procedimentos (papel quadriculado, superposição, cobrimento com cerâmicas
Resolver problemas que etc.), em situações em que a unidade cabe um número inteiro de vezes. Por
envolvem o cálculo do perímetro, exemplo:
desenvolvendo estratégias O Como é possível fazer para calcular a quantidade de azulejos necessários para
adequadas para isso e avançando
cobrir o piso de um pátio representado no desenho com um retângulo grande,
na compreensão do perímetro
se cada cerâmica é como a representada com um retângulo pequeno?
como medida do contorno de uma
figura ou superfície.

294 REFERENCIAL CURRICULAR


Matemática – 5º ano

Nível 2 Resolve problemas que envolvem reconhecer quais figuras de


diferentes formas podem ter o mesmo perímetro? Por exemplo:
O O perímetro de um retângulo é de 12 cm. Quais podem ser as medidas de

seus lados? Há uma única resposta?


Usa frações para expressar a área de uma superfície considerando outra como
unidade?
Resolve problemas que exigem estabelecer a equivalência entre diferentes
unidades de medida para medir a área? Por exemplo, considerando que, se a
unidade de medida se reduz à metade, é necessário o dobro de unidades para
cobrir a mesma superfície, ou que, se utiliza-se uma unidade com o dobro de
superfície, é necessário a metade de unidades para cobri-la.
Reconhece a independência entre a medida de área e a forma de uma figura?
Por exemplo:
O Estas duas figuras têm áreas iguais. Busque uma maneira de comprovar

essa afirmação.

Reconhece a independência entre a área e o perímetro de uma figura sem


recorrer à utilização de unidades de medida? Por exemplo:
O Estas duas figuras têm áreas iguais, mas diferentes perímetros. Explique

como é possível comprovar essa afirmação.

Nível 3 Compara áreas apoiando-se nas propriedades das figuras, sem


necessidade de uma medição efetiva? Por exemplo:
O Os triângulos a seguir estão desenhados sobre três retângulos iguais.

Algum deles pode ter maior área? Explique como pensou.

Em situações coletivas, elabora as fórmulas de área de retângulo, quadrado,


losango e triângulo?
Calcula a área de figuras usando como unidades de medida o cm2 e o m2?
Resolve problemas que envolvem estabelecer relações entre diversas unidades
de medida para expressar a medida de área de uma figura? Por exemplo,
estabelece equivalências entre o cm2, o m2, o km2 e o ha.
Resolve problemas que envolvem o cálculo de área de polígonos, trapézios e
paralelogramos por meio de decomposições em quadrados, retângulos e triângulos?
Em situações coletivas, explora a variação de área de uma figura em função da
variação de seus lados, bases ou alturas? Por exemplo, analisa o que acontece
com a área de um triângulo se duplicarmos sua altura, ou em um retângulo, se
duplicarmos todos os lados.
Resolve problemas que envolvem calcular perímetro e área de círculos e
figuras circulares?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 295


Componentes curriculares

5º ano – Matemática
PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Interpretar dados estatísticos Nível 1 Resolve problemas em que é preciso encontrar várias incógnitas e
apresentados em tabelas a informação é apresentada de diferentes modos (tabelas de dupla entrada,
(simples e de dupla entrada) e gráficos de barra, boletos etc.)?
gráficos (colunas, linhas e setor),
Nível 2 Resolve problemas de vários passos, com as quatro operações, onde a
referentes a diferentes áreas do
informação é apresentada de diferentes modos: tabelas, enunciados, quadros
conhecimento e produzir textos
de dupla entrada, boletos etc.? Por exemplo:
com o objetivo de sintetizar
conclusões. OA bicicleta de que Ernesto gosta pode ser paga destas formas:
– À vista: R$ 5.400,00
– Plano A: 12 parcelas de R$ 485,00
– Plano B: 18 parcelas de R$ 332,00
Quanto se paga a mais no plano A do que à vista?
Quanto se paga a mais no plano B do que à vista?

Nível 3 Resolve problemas com maior quantidade de passos intermediários,


com as quatro operações e em que a informação é apresentada de diferentes
modos: tabelas, enunciados, quadros de dupla entrada, boletos etc.? Por
exemplo:
O Karina quer comprar um carro que custa R$ 148.380,00. A concessionária,
ofereceu duas formas de pagamento:
O Plano A: R$ 28.500,00 à vista e o restante em 36 parcelas fixas iguais.
O Plano B: a metade à vista e o restante em 12 parcelas fixas iguais.
Qual é, em cada caso, o valor da parcela?

Coletar e organizar informações Nível 1 Interpreta e utiliza tabelas simples, tabelas de dupla entrada e gráficos
referentes a diferentes áreas do de barra e coluna para compartilhar informações pesquisadas?
conhecimento em tabelas (simples
Nível 2 Interpreta e produz tabelas simples, tabelas de dupla entrada
e de dupla entrada) e gráficos
e gráficos de barra, coluna, linha e setor para compartilhar informações
(colunas, linhas e setor).
pesquisadas?
Nível 3 Interpreta e produz tabelas simples, tabelas de dupla entrada
e gráficos de barra, coluna, linha e setor para compartilhar informações
pesquisadas?
Seleciona a forma mais adequada de tratamento da informação de acordo com
a natureza dos dados que pretende organizar e compartilhar?

Explorar a ideia da probabilidade Nível 1 No decorrer de uma partida de jogo de dados ou de cara e coroa,
em situações-problema simples e analisa a chance de obter determinado resultado?
por meio de registros de eventos
Nível 2 No decorrer de uma partida de jogo de dados ou de cara e coroa,
em tabelas e linha do tempo.
relaciona cada possibilidade de resultado com uma fração. Por exemplo,
Apresentar todos os possíveis reconhece que a chance de se obter 6 nos dados é 16 e que a probabilidade de
resultados de um experimento tirar cara é de 12 , ou 50%.
aleatório, estimando se esses
resultados são igualmente
prováveis ou não.

296 REFERENCIAL CURRICULAR


Ciências da Natureza

O conhecimento que faz sentido para cada comunidade


(Foto: Acervo/Oliveira dos Brejinhos)

CIÊNCIAS DA NATUREZA

Marcos da concepção
A ciência ocidental moderna é muito marcante na vida sino de Ciências, é a exposição de pensamentos fluindo
das pessoas abrangendo desde os avanços na produ- entre professores e estudantes – e entre estudantes –
ção de medicamentos até as técnicas utilizadas na agri- sobre um determinado tema que é objeto de estudo,
cultura. Essa ciência também é encontrada no ambien- sem hierarquizações de saberes (BAPTISTA, 2010).
te escolar, mas não é o único saber ali presente. Pode-se De acordo com Freire (2005), a dialogicidade
dizer que as salas de aula (e outros espaços escolares) é essencial ao conteúdo educativo, uma vez que o di-
apresentam, no mínimo, duas culturas: a da Ciência, re- álogo entre professoras, ou professores, e alunas, ou
presentada pelos livros didáticos (e outros recursos) e alunos, não os torna iguais, mas marca a posição demo-
pela professora, ou pelo professor, e a da estudante, ou crática entre todas e todos. Os sujeitos dialógicos não
do estudante, a qual é influenciada pelo seu meio socio- apenas conservam sua identidade mas a defendem e,
cultural (COBERN, 1996). assim, crescem um com o outro (FREIRE, 2006).
Reconhecer a diversidade cultural das salas de Tendo em vista a diversidade de saberes supraci-
aula é de suma importância. Contudo, não basta. É ne- tada e que a aprendizagem de Ciências é um fenômeno
cessário que os saberes oriundos dos meios sociocul- social, é importante dar atenção às interações socio-
turais façam parte do ensino de Ciências. Isso é possí- culturais porque o desenvolvimento cognitivo humano
vel por meio do diálogo de saberes, que ocorre quando acontece nas relações dinâmicas entre os indivíduos e
não há supervalorização dos mesmos. os ambientes socioculturais onde vivem e interagem
O diálogo é o momento de apresentação e explo- (VYGOTSKY, 1979). Nesse sentido, para que a es-
ração do pensamento humano (BOHM, 1996). No en- tudante, ou o estudante, leve o que foi aprendido na

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 297


Componentes curriculares

escola para a sua comunidade, é necessário que aqui- da diversidade cultural, proporcionando questões de-
lo faça sentido para ela, ou para ele. Por isso, o ensino safiadoras para estimular o interesse e a curiosidade
de Ciências não pode ser cientificista nem relativista. científica das crianças, além de definir problemas, le-
Porque, se for cientificista, conduz as crianças à ideia vantar, analisar e representar resultados, comunicar
de que a ciência é detentora do saber. E, se for relati- conclusões e propor intervenções (BRASIL, 2017).
vista, ao considerar tudo (inclusive os conhecimentos Segundo a BNCC, a área de Ciências da Nature-
tradicionais) como ciência, poderá deixá-las confusas za tem o compromisso de possibilitar a apropriação do
em relação ao que faz e ao que não faz parte dos meios conhecimento científico, o qual envolve a capacidade
socioculturais. Dessa forma, acabará comprometendo de compreender e interpretar o mundo (natural, social
as identidades culturais de cada um (BARBOZA, 2017). e tecnológico) e de transformá-lo com base nos apor-
Portanto, é importante que professoras e profes- tes teóricos e processuais das ciências (BRASIL, 2017).
sores compreendam que muitas crianças pertencem a Ao promover um ensino de Ciências pautado
realidades socioculturais diferentes daquela inerente no pluralismo epistemológico, com o objetivo de auxi-
à ciência ocidental moderna. Assim, ensinar Ciências é liar as estudantes e os estudantes na apropriação do
ensinar uma segunda cultura (COBERN, 1996). conhecimento científico, haverá ampliação das visões
Comprometido com isso, o Referencial Curricular de mundo (COBERN; LOVING, 2001). Isso porque a
de Ciências da Natureza do ADE Chapada Diamantina criança poderá permanecer com sua visão de mundo
e Regiões adota o ponto de vista do pluralismo episte- e as explicações científicas poderão tornar-se parte de
mológico (COBERN; LOVING, 2001), o qual defende a seus pensamentos para ser empregadas nos contextos
inclusão de outras formas de conhecimento nas salas em que forem apropriadas (COBERN, 1996).
de aula, desde que haja uma demarcação entre o que é Assumindo esse compromisso no Referencial Cur-
ciência e o que não é. ricular do ADE Chapada Diamantina e Regiões, o ensino
de Ciências, além de auxiliar a criança na leitura e inter-
Diversidade e curiosidade pretação do mundo à sua volta, pode contribuir para o
O pluralismo epistemológico argumenta que uma clara processo de leitura e escrita no ciclo de alfabetização e
demarcação do discurso científico com relação aos de- nos anos que o sucedem. Isso porque toda professora,
mais sistemas de saberes deve ser feita nas salas de aula ou professor, é responsável pela formação de leitores e
de Ciências, porque isso permitirá às crianças a com- autores críticos (SILVA, 1998) e ser alfabetizado implica
preensão do conjunto de características específicas da fazer uso efetivo da escrita em práticas sociais.
ciência como uma forma particular entre as inúmeras Segundo Lerner (2002), aprender a ler e escre-
formas de explicar os fenômenos naturais (BARBO- ver na escola deve ultrapassar a decodificação, fazer
ZA, 2017). Reconhecendo a diversidade cultural das sentido e, além disso, precisa estar vinculado à vida do
salas de aula e comprometido com o pluralismo epis- sujeito, tornando-o apto a produzir e interpretar tex-
temológico, o construtivismo contextual (COBERN, tos que fazem parte de seu entorno. Ainda segundo
1996) afirma que é necessário que as professoras e os a autora, para que haja uma transformação do ensino
professores investiguem quais são os conhecimentos da leitura e da escrita, a escola precisa proporcionar a
trazidos pelas crianças e como eles são apoiados pe- aprendizagem significativa, deixando de lado as ativi-
las culturas nas quais estão imersos. Segundo Cobern dades mecânicas e sem sentido que levam a aluna, ou
(1996), se as professoras e os professores investiga- o aluno, a compreender a escrita como uma atividade
rem isso, poderão compreender esses conhecimentos pura e unicamente escolar.
e, talvez assim, a estrutura da educação científica pos- Pensando na aprendizagem progressiva, existem
sa ser mudada de maneira a aproximar mais as crianças inúmeras atividades de Ciências que podem auxiliar
das ciências. na leitura e escrita nos anos iniciais, entre as quais po-
Nessa perspectiva, a Base Nacional Comum Cur- dem-se citar: leitura de contos, leitura e interpretação
ricular (BNCC) deixa claro que é preciso organizar situ- de rótulos de alimentos e receitas culinárias; leitura e
ações de aprendizagem com base no reconhecimento interpretação de mapas, incluindo a descrição de ima-

298 REFERENCIAL CURRICULAR


Ciências da Natureza

gens; elaboração de pequenas explicações para fenô- CONCLUSÃO É a fase na qual espera-se que as crian-
menos; construção de gráficos oriundos de entrevis- ças teçam suas considerações sobre os resultados da
tas; e relato de saídas de campo. investigação.
A BNCC aponta que o elemento central da for- DISCUSSÃO Nesta última fase, a estudante, ou o es-
mação dos estudantes é o processo investigativo, o tudante, comunica seus achados e reflete sobre todo
qual pode estar associado ao trabalho de leitura e es- o processo.
crita nos anos iniciais. Uma possibilidade de promover
o ensino de Ciências pautado na investigação é por Apesar de ser importante engajar a turma em prá-
meio do ciclo investigativo, no qual fases de uma inves- ticas científicas, isso não é suficiente para desenvolver
tigação são identificadas e conectadas a fim de auxiliar conhecimentos sobre as ciências. É fundamental refletir
a professora, ou o professor, no planejamento e na apli- sobre a prática e oferecer a todas e todos oportunida-
cação de atividades ou sequências didáticas (SCARPA; des para compreender o que conta como evidência, qual
CAMPOS, 2018). o papel dela na construção de explicações, como definir
Pedaste e colaboradores (2015) propõem cinco os critérios para considerar certas explicações melho-
fases para o ciclo investigativo: res do que outras e quais as limitações das explicações
(SCARPA; CAMPOS, 2018). A BNCC evidencia que,
ORIENTAÇÃO Essa fase estimula a curiosidade e o in- para o ensino de Ciências, não é suficiente que os conhe-
teresse da estudante, ou do estudante, em relação ao cimentos científicos sejam apresentados às estudantes
problema, o qual pode ser oferecido pela professora, e aos estudantes. É necessário oferecer oportunidades
ou pelo professor, ou definido pela criança. para que, assim, elas e eles se envolvam em processos
CONCEITUALIZAÇÃO Fase dividida em duas sub- de aprendizagem, vivenciando momentos de investiga-
fases (questionamento e geração de hipótese). Tem ção que lhes possibilitem exercitar e ampliar sua curiosi-
como resultado as questões de pesquisa ou hipóteses dade, aperfeiçoar sua capacidade de observação, de ra-
a ser investigadas ou ambas. ciocínio lógico e de criação, desenvolver posturas mais
INVESTIGAÇÃO (subdividida em exploração, expe- colaborativas e sistematizar suas primeiras explicações
rimentação e interpretação dos dados) Nessa fase, a sobre o mundo natural e tecnológico, sobre seu corpo,
curiosidade é transformada em ação, ou seja, as crian- sua saúde e seu bem-estar, tendo como referência os
ças exploram, observam e projetam com base na ques- conhecimentos, as linguagens e os procedimentos pró-
tão de pesquisa ou hipótese. prios das Ciências da Natureza (BRASIL, 2017).

Os direitos de aprendizagem
A BNCC prevê as aprendizagens essenciais que a Edu- O Referencial Curricular de Ciências da Natu-
cação Básica precisa assegurar. Com esses direitos reza do ADE Chapada Diamantina e Regiões precisa
garantidos, as crianças dos anos iniciais do Ensino Fun- assegurar às crianças, desde os anos iniciais, o apren-
damental terão contato com os conhecimentos pro- dizado de conhecimentos científicos produzidos ao
duzidos ao longo da história da humanidade por meio longo da história, enfatizando os processos, as prá-
da vivência de algumas situações e da atuação ativa na ticas e os procedimentos da investigação científica
resolução de problemas, possibilitando a construção e para que, assim, estejam aptas a atuar no e sobre o
a reconstrução de significados de forma progressiva. mundo (BRASIL, 2017). Isso demonstra a importân-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 299


Componentes curriculares

cia da inserção de elementos da história das Ciências dos conteúdos curriculares relacionados a reprodu-
no ensino, o que pode levar à promoção de uma me- ção humana, a métodos anticoncepcionais e a infec-
lhor compreensão dos conceitos científicos, à cone- ções sexualmente transmissíveis. É importante não
xão entre o pensamento individual dos pesquisadores limitar a abordagem apenas às perspectivas biologi-
e o desenvolvimento das ideias científicas, ao enten- zantes da ciência moderna, negando suas implicações
dimento da natureza da ciência e à neutralização do socioculturais (BASTOS; CRUZ; DANTAS, 2018).
cientificismo (MATTHEWS, 1994) Este Referencial Curricular também prioriza
A história permite compreender as relações en- uma Educação voltada para as relações étnico-ra-
tre a ciência, a tecnologia e a sociedade, possibilitan- ciais, abordando processos educativos que permi-
do que as estudantes e os estudantes percebam que tam às pessoas superar preconceitos raciais e que as
o conhecimento científico é desenvolvido dentro de estimulem a viver práticas sociais livres de discrimi-
padrões históricos e culturais e, portanto, sofre influ- nação, contribuindo para que se engajem na causa e
ências da sociedade ao longo do tempo (MARTINS, compreendam as lutas por equidade social entre os
2006). Isso ajuda a afastar a ideia de que a ciência é distintos grupos étnicos que formam a nação brasi-
feita basicamente por gênios, em sua maioria homens. leira (VERRAGIA; SILVA, 2010). Essa proposta está
É importante que, no contexto dos anos iniciais embasada nas Leis nº 10.639/2003, que torna obri-
do Ensino Fundamental no ADE Chapada Diamantina gatório o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira,
e Regiões, as crianças sejam levadas a perceber que e nº 11.645/2008, que legitima o ensino da História e
a ciência não é composta de etapas predefinidas, res- Cultura Indígena. Em paralelo aos marcos legais, des-
tringindo-se à manipulação de objetos ou à realização taca-se o fato de milhares de pessoas terem sofrido
de experimentos em laboratório. Isso porque não exis- com práticas radicais de marginalização, justificadas
te um método científico rígido e único, pois, conforme com base em uma concepção científica (SANCHEZ-
El-Hani (2006), “as ideias científicas são afetadas pelo -ARTEGA; SEPÚLVEDA; EL-HANI, 2013).
meio social e histórico no qual são construídas”, ou seja, Outra temática presente neste Referencial Cur-
a ciência enquanto atividade humana está sujeita a er- ricular diz respeito às questões ambientais e de sus-
ros e é dependente do contexto da época. tentabilidade, com destaque para os 17 Objetivos de
Alguns outros assuntos pertinentes precisam Desenvolvimento Sustentável (ODS), os quais visam
ser trabalhados também nessa etapa. Por isso, este erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que
Referencial Curricular aborda temáticas como gêne- todas as pessoas tenham paz e prosperidade, corro-
ro e sexualidade, relações étnico-raciais, meio am- borando com a Declaração Universal dos Direitos
biente e sustentabilidade. Humanos. Nessa perspectiva, as particularidades do
É urgente a necessidade de tratar questões de território da Chapada Diamantina e demais regiões
gênero e sexualidade nos espaços escolares, porque podem ser levadas em consideração, tais como: inte-
são inúmeras as situações relacionadas à temática resses por trás do uso e legitimação dos agrotóxicos;
que merecem destaque, como a LGBTfobia, que cul- a importância das queimadas naturais e as consequ-
mina em espancamentos e/ou mortes, o feminicídio e ências das queimadas provocadas; e o garimpo e seus
a censura de livros. Mas é preciso, nesse caso, ir além impactos ambientais.

300 REFERENCIAL CURRICULAR


Ciências da Natureza

As unidades temáticas e as
particularidades dos anos iniciais
As aprendizagens essenciais de Ciências são organiza- Particularmente nos anos iniciais, os seres vivos são
das na BNCC em três unidades temáticas compostas, abordados por meio das representações já vistas pelas
por sua vez, de objetos de conhecimentos entendidos crianças. Para isso, os saberes são organizados com ên-
como conteúdos conceituais, que visam alcançar as fase na compreensão dos seres vivos do entorno e tam-
habilidades para mobilizar não só conceitos como pro- bém por meio dos elos nutricionais estabelecidos entre
cessos, práticas e procedimentos inerentes ao conheci- elas e o meio natural (BRASIL, 2017)
mento científico (BRASIL, 2017). Esse conjunto – uni- Essa unidade aborda também aspectos relaciona-
dades temáticas, objetos de conhecimento e habilidades dos ao corpo humano, sua dinamicidade e articulação.
– possibilitará o desenvolvimento das competências. Assim, pretende-se dar continuidade ao que foi apren-
Este Referencial Curricular apresenta um quadro dido na Educação Infantil. Por isso, é fundamental le-
para cada ano escolar, no qual a unidade temática se var as crianças à ampliação desses conhecimentos,
desdobra em aprendizagens esperadas com seus res- identificando os cuidados essenciais para a manuten-
pectivos indicadores de avaliação, redigidos em forma ção e integridade do corpo humano (BRASIL, 2017).
de pergunta para auxiliar a professora, ou o professor. Esses aspectos são importantes, pois, com base neles,
As três unidades temáticas que se repetem ao longo de é possível abordar questões relacionadas ao abuso e à
todo o programa de Ciências do Ensino Fundamental violência sexual, a que muitas crianças estão sujeitas.
são Matéria e Energia; Vida e Evolução; e Terra e Uni- Além disso, por meio dessa unidade, pode-se auxiliar
verso. As aprendizagens relacionadas a cada objeto de as estudantes e os estudantes no desenvolvimento de
conhecimento, dentro de cada unidade temática, apre- atitudes de respeito étnico-cultural e em relação à in-
sentam-se de modo progressivo ao longo da etapa. clusão de pessoas com deficiência.

MATÉRIA E ENERGIA Essa unidade temática traz a TERRA E UNIVERSO A unidade temática tem ênfa-
proposta de apresentar a natureza da matéria e suas se nos astros Terra, Sol, Lua e outros corpos celestes,
transformações, bem como as diferentes formas de abordando suas dimensões, composição, localização,
utilização da energia. Para isso, espera-se que, nos movimento e forças que atuam entre eles. Nos anos
anos iniciais, as vivências das crianças sejam utilizadas iniciais, esses assuntos podem ser trabalhados levan-
para a construção das noções sobre o uso e a aplicação do em consideração a proximidade das crianças com
dos materiais, além das interações destes com luz, som, a temática, uma vez que ela é frequente nos meios de
calor e eletricidade. Ainda nessa unidade, pretende-se comunicação, está presente em brinquedos, em dese-
estimular a construção de hábitos saudáveis e susten- nhos animados e em livros infantis. Assim, é importan-
táveis, bem como elaborar uma proposta de recicla- te utilizar as experiências cotidianas de observação do
gem e reutilização dos materiais, proporcionando às céu e dos fenômenos para aguçar ainda mais a curiosi-
estudantes e aos estudantes interações e a compreen- dade (BRASIL, 2017).
são do seu entorno (BRASIL, 2017). Por meio dessa unidade temática também é pos-
sível trabalhar a diversidade de saberes entre as cul-
VIDA E EVOLUÇÃO É a unidade temática que trata das turas, salientando que o conhecimento da Terra e do
questões relacionadas aos seres vivos (características e céu foi construído de formas distintas em diferentes
necessidades), aos ecossistemas e suas interações, além culturas e ao longo da história da humanidade (BRA-
dos elementos essenciais à vida, dos processos evoluti- SIL, 2017). Isso traz a noção de que o conhecimento
vos e da importância da preservação da biodiversidade. científico não é estático, está sujeito aos contextos so-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 301


Componentes curriculares

cioculturais e, para além disso, mostra que outras cul- agricultura, na conquista de novos espaços e na cons-
turas também apresentam explicações próprias para trução de calendários.
os fenômenos naturais. Sendo assim, esse diálogo de As três unidades temáticas auxiliarão progres-
saberes precisa fazer parte do ensino de Ciências para sivamente as crianças na apropriação do científico, e
que o mesmo seja sensível à diversidade cultural. as aprendizagens esperadas serão contextualizadas
Essa unidade temática defende também a iden- localmente, uma vez que os objetos de conhecimento
tificação de fenômenos que deram à humanidade, em e as respectivas habilidades propostas pela BNCC per-
diferentes culturas, maior autonomia na regulação da mitem isso.

Processo avaliativo
Neste Referencial Curricular, adota-se a visão de que por conseguinte, o diagnóstico vem acompanhado de
avaliar é diagnosticar uma experiência para orientá-la uma intervenção diferenciada. Ao fazer essa analogia,
e, assim, produzir o melhor resultado possível. Ou seja, o autor traz a noção de que não há avaliação formati-
não se avalia para classificar nem selecionar. Além de va sem diferenciação, já que todo o público escolar é
diagnóstica, a avaliação aqui defendida é inclusiva. Já heterogêneo. Com essa perspectiva formativa, este
o ato de examinar é classificatório e seletivo; sendo as- Referencial Curricular sugere avaliar de forma integral
sim, é excludente (LUCKESI, 2002). para contemplar todas as dimensões do indivíduo. Para
A Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, afir- tanto, há a necessidade de elaborar diferentes instru-
ma que a verificação do rendimento escolar obede- mentos que atendam às especificidades, mas tendo o
cerá, entre outros critérios, à avaliação contínua e processo de aprendizagem como ponto central, sem
cumulativa do desempenho da aluna, ou do aluno, com deixar de contemplar as singularidades e diversidades
prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quanti- (BAHIA, 2018).
tativos e dos resultados ao longo do período sobre os Assim, para o ensino de Ciências, é possível utili-
de eventuais provas finais. Luckesi (2002) afirma que zar diversos instrumentos avaliativos, a saber: mapas
toda avaliação é qualitativa; levado a sério o conceito, conceituais; pesquisas; elaboração e aplicação de en-
não existe avaliação quantitativa. trevistas; realização de experimentos; confecção de
Contrapondo-se ao ato de examinar, quantitativo cartilhas, tirinhas e histórias em quadrinhos; elabora-
e classificatório, assume-se neste Referencial Curricu- ção de portfólio, construção de maquetes e modelos;
lar do ADE Chapada Diamantina e Regiões a avaliação desenvolvimento de projetos, seminários, relatos orais
como formativa, ou seja, avaliação contínua que pro- e escritos; acompanhamento por meio de ficha indivi-
porciona informações sobre o desenvolvimento dos dual da aluna, ou do aluno, entre outros.
processos de ensino e aprendizagem, permitindo ajus- Seja qual for a estratégia utilizada para a avalia-
tes pela professora, ou pelo professor, dependendo da ção, é importante que ela permita às estudantes e aos
necessidade, com o objetivo de regular, situar, compre- estudantes fazer julgamentos, análise e avaliações do
ender, harmonizar, tranquilizar, apoiar, reforçar, corri- seu envolvimento no trabalho executado; discutir e
gir, facilitar e dialogar (RABELO, 1998). apresentar sugestões para atividades desenvolvidas;
Para compreender a avaliação formativa, Perre- explicitar conceitos relativos ao que foi estudado; e
noud (1999) a compara ao ato de um médico diagnosti- perceber se o conhecimento científico obtido é signifi-
car seu paciente. Ele o faz de maneira individualizada e, cativo e pode ser aplicado no cotidiano.

302 REFERENCIAL CURRICULAR


Ciências da Natureza – 1º ano

Apresentação de
projeto investigativo
nos anos iniciais do
Ensino Fundamental
(Foto: Maristela Araújo
S. Miranda/Seabra)

Indicadores de aprendizagem e avaliação


1º ano – Ciências da Natureza
MATÉRIA E ENERGIA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer os materiais (metal, vidro, plástico etc.) Identifica a matéria-prima dos objetos do seu cotidiano?
presentes em objetos do cotidiano, comparando-os a fim
Descreve as características dos materiais (textura,
de estabelecer semelhanças e diferenças entre eles.
forma, cor etc.) por meio de percepção sensorial e
atividades de pesquisa?
Classifica os objetos do cotidiano de acordo com os
materiais (metal, madeira, plástico etc.)?
Investiga a origem de diferentes objetos de uso
cotidiano?

Discutir sobre o descarte de materiais, identificando Reconhece a diferença entre lixo e resíduo?
como podem ser utilizados de forma consciente.
Compreende as formas de descarte dos materiais?
Classifica os diferentes tipos de resíduo, produzidos em
casa, na escola e em outros ambientes?
Investiga sobre a coleta de resíduos no seu município?
Compreende as diferenças entre reutilização e
reciclagem?
Reconhece que o consumo excessivo dos materiais
pode aumentar a quantidade de resíduos?
Investiga os problemas ocasionados pelo descarte
inadequado dos resíduos?
Pesquisa sobre práticas da sua localidade que
promovem o uso consciente de materiais?
Investiga se há coleta seletiva no seu município e qual o
destino desses materiais?
Reconhece a importância da coleta seletiva?
Pesquisa sobre a existência de cooperativas de catadores
no seu município e reconhece a importância delas?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 303


Componentes curriculares

1º ano – Ciências da Natureza


VIDA E EVOLUÇÃO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender que os seres vivos são classificados em Identifica e nomeia seres vivos, principalmente os da sua
categorias de acordo com suas características e situar os região?
seres humanos nessa classificação. Reconhece as principais características de cada grupo
de ser vivo?
Classifica os seres vivos diferenciando suas
características?
Faz pesquisas sobre as espécies mais comuns na região
e expressa-se oralmente?
Investiga sobre a diversidade da vida elaborando
perguntas, formulando hipóteses, coletando e
organizando dados?
Utiliza conhecimentos de leitura e escrita para buscar e
sistematizar informações sobre os seres vivos?
Desafia-se a ler e a escrever com base nos estudos dos
seres vivos?

Conhecer e identificar as partes do corpo, reconhecendo Investiga, descreve e explica fenômenos relacionados
a diversidade entre as pessoas e compreendendo ao corpo humano?
a importância da valorização, do acolhimento e do Identifica e nomeia as partes do corpo humano?
respeito.
Representa, por meio de desenhos e escrita, as partes
do corpo humano?
Identifica as semelhanças e diferenças entre as
características físicas das pessoas (professora, ou
professor, colegas, familiares)?
Reconhece a diversidade racial, de gênero e cultural?
Compreende que não há cores nem brinquedos que
sejam, predominantemente, de meninos e de meninas?
Respeita a diversidade racial, cultural e de gênero?

Identificar os órgãos dos sentidos, compreendendo sua Identifica os órgãos dos sentidos (olhos, nariz,
importância e descrevendo as sensações (cheiro, som, ouvido, pele, língua), relacionando-os à percepção das
textura etc.). sensações no ambiente?
Distingue as sensações, relacionando-as com cada
órgão do sentido?
Compreende que há pessoas com limitações nos órgãos
dos sentidos (por exemplo deficiência auditiva e visual)
e investiga sobre como essas pessoas interagem com o
meio e superam as limitações?
Reconhece tecnologias que se baseiam no uso dos
sentidos (semáforos, campainhas, TV, rádio etc.)?
Reconhece que há equipamentos que permitem auxiliar
na percepção do ambiente, como óculos, aparelho
auditivo etc.?

304 REFERENCIAL CURRICULAR


Ciências da Natureza – 2º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Discutir a importância dos hábitos de higiene Reconhece as práticas de higiene pessoal, como lavar as
identificando-os e compreendendo a necessidade mãos, tomar banho, escovar os dentes, limpar os olhos,
desses cuidados para a manutenção da saúde (individual o nariz e as orelhas etc.?
e coletiva) e do bem-estar. Compreende que os hábitos de higiene evitam doenças?
Descreve os hábitos de higiene?
Investiga as explicações científicas que fundamentam
os hábitos de higiene, tais como o reconhecimento dos
microrganismos e ação dos sabões?
Reconhece que os hábitos de escovar os dentes e
utilizar fio dental podem prevenir problemas dentários?
Realiza práticas de higiene pessoal no ambiente escolar?
Compreende a importância de fazer a higiene adequada
dos alimentos?

TERRA E UNIVERSO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer, nomear e diferenciar as escalas de tempo: Reconhece as diferentes escalas de tempo e percebe
os períodos diários e a sucessão de dias, semanas, meses a sua importância na organização de atividades do
e anos. cotidiano?
Reconhece que há animais de hábitos diurnos e
noturnos?
Diferencia o dia da noite, listando atividades comuns a
cada período?
Identifica os dias da semana?
Reconhece dia, semana, mês e ano por meio da
exploração do calendário?
Reconhece as datas comemorativas no calendário?
Compreende a rotina semanal (escola e casa)?

2º ano – Ciências da Natureza


MATÉRIA E ENERGIA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar os materiais que compõem os objetos Identifica e nomeia os materiais (metal, madeira, vidro
que fazem parte da vida cotidiana, compreender a etc.) que compõem os objetos de uso cotidiano?
forma como eram utilizados no passado e propor usos
Classifica os diversos tipos de material?
diferentes, tendo em vista algumas propriedades.
Compreende as formas de utilização dos objetos (no
passado e atualmente)?
Pesquisa e propõe o uso de diferentes materiais para a
construção de objetos de uso cotidiano, tendo em vista
algumas propriedades deles, tais como flexibilidade,
dureza, transparência etc.?
Lista os materiais de uso cotidiano que são produzidos
com matéria-prima da região?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 305


Componentes curriculares

2º ano – Ciências da Natureza


MATÉRIA E ENERGIA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender os cuidados em relação à prevenção Reconhece e registra modos de prevenir acidentes em


de acidentes em casa e na escola (objetos cortantes casa e na escola?
e inflamáveis, eletricidade, produtos de limpeza, Identifica algumas atitudes de segurança em relação ao
medicamentos etc.). uso e manuseio de materiais?
Identifica fatores de risco na própria casa, na escola e no
caminho que percorre entre a casa e a escola?
Reconhece as substâncias e os objetos que devem ser
manipulados com cuidado a fim de evitar acidentes?

VIDA E EVOLUÇÃO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender e reconhecer a diversidade de ambientes Investiga sobre os diferentes tipos de ambiente com
existentes com ênfase no seu território. a formulação de perguntas, elaboração de hipóteses,
coleta de dados e sistematização de informações?
Desafia-se a ampliar seu conhecimento de leitura e
escrita com pesquisa sobre os diferentes ambientes?
Diferencia os tipos de ambiente?
Compreende que os ambientes são classificados de
acordo com as características?
Compreende o que compõe o ambiente?
Identifica o tipo de vegetação e os principais animais
predominantes na região?
Busca informações sobre a interferência humana no
ambiente?

Descrever e diferenciar as características de plantas e Identifica e nomeia os principais grupos de animais e


animais que fazem parte de seu cotidiano, relacionando- plantas, reconhecendo os mais comuns na região?
-as ao ambiente em que vivem. Identifica os modos de vida de animais com ênfase nos
da região?
Identifica e nomeia as principais partes de uma planta
(raiz, caule, folhas, flores e frutos), compreendendo a
função desempenhada por cada uma delas?
Reconhece as partes das plantas que são utilizadas na
alimentação?
Busca informações sobre a utilização das plantas na
indústria?
Reconhece e diferencia as principais características dos
seres vivos (tamanho, forma, cor, fase da vida, local onde
se desenvolvem etc.)?
Compreende a relação entre as características dos
seres vivos e o ambiente, dando ênfase à sua região?

Compreender a importância da água e da luz para a Compreende o importante papel da água e da luz solar
manutenção da vida das plantas, investigando a relação para a fotossíntese?
desses elementos com a produção de alimentos. Identifica seres vivos como produtores e consumidores?
Compreende o papel das plantas para a manutenção da
vida e do meio ambiente?
Investiga, por meio de pesquisas, a produção agrícola
em sua região e relata, oralmente, o que aprendeu?

306 REFERENCIAL CURRICULAR


Ciências da Natureza – 3º ano

TERRA E UNIVERSO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Associar o tamanho da sombra projetada à posição do Compreende por que a posição do Sol é alterada?
Sol e reconhecer que ela pode alterar-se ao longo do dia.
Investiga e descreve a posição do Sol no céu em
diversos horários ao longo do dia?
Compreende a relação entre a posição do Sol e as
projeções da sombra ao longo do dia?

Comparar o efeito da radiação solar em diferentes Compreende que a radiação possui efeitos diferentes
superfícies (água, areia, solo, superfícies escuras, claras nas diversas superfícies, comparando-os?
e metálicas).
Identifica e analisa os efeitos do excesso de
Compreender os efeitos dessa radiação para os seres radiação solar?
vivos e meio ambiente.
Relaciona o efeito da radiação solar excessiva ao câncer?
Reconhece a importância do sol para os seres vivos
e o ambiente?
Realiza pesquisas sobre o assunto e expõe o que
aprendeu?

3 º ano – Ciências da Natureza

MATÉRIA E ENERGIA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender como ocorre a produção do som e Produz diferentes sons com a vibração de variados
produzir diferentes sons com a vibração de diversos objetos, verificando a variação da intensidade (forte e
objetos, identificando variáveis que influenciam esse fraco) e da frequência (grave e agudo)?
fenômeno.
Explica a formação do som?
Investiga as influências na produção e propagação
do som?
Analisa e diferencia o som produzido pelos objetos?
Compreende que os animais percebem o som de
diferentes formas?
Investiga e discute a relação entre os hábitos e a saúde
auditiva?

Compreender, investigar e relatar o que ocorre Descreve, por meio da observação em situações
com a passagem da luz através da água e de objetos cotidianas, fenômenos luminosos (decomposição da luz
transparentes (copos, janelas de vidro, lentes, prismas solar, reflexão e refração)?
etc.), no contato com superfícies polidas (espelhos) e
Reconhece fontes naturais e artificiais de luz?
na intersecção com objetos opacos (paredes, pratos,
cadernos e outros de uso cotidiano) e pessoas. Investiga e relata a interação dos objetos de diferentes
superfícies com a luz?
Investiga e reconhece que os aparelhos com visores
podem prejudicar a visão?
Investiga e discute a relação entre os hábitos e a saúde
da visão?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 307


Componentes curriculares

3 º ano – Ciências da Natureza


VIDA E EVOLUÇÃO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Investigar e identificar as características externas e Agrupa animais por meio da observação e comparação
o modo de vida (o que comem, como se reproduzem, de características externas comuns (presença de penas,
como se deslocam etc.) dos animais mais comuns na sua pelos, escamas, bico, garras, antenas, patas etc.)?
localidade e em outros ambientes.
Investiga e compara os modos de alimentação de
diferentes animais em ambientes distintos?
Identifica as diferentes formas de locomoção dos
animais, compreendendo as vantagens de cada uma
(por exemplo: o voo)?
Compreende a reprodução nos diferentes grupos de
animais?

Compreender que os seres vivos se modificam ao longo Identifica e descreve as alterações que ocorrem no
da vida, destacando as principais alterações. ciclo de vida dos animais, incluindo o ser humano, em
diferentes meios (aéreo, terrestre e aquático)?
Reconhece e compara os ciclos de vida e
desenvolvimento de diferentes animais?
Investiga, por meio de experimentos simples, a
germinação das sementes, percebendo as alterações?
Compreende o ciclo de vida das plantas?

Compreender o preconceito (racial, de gênero etc.) Investiga sobre os tipos de preconceito?


como algo negativo, enfatizando a importância do
Compreende que não devemos excluir o outro por
respeito mútuo.
possuir características diferentes da nossa?
Compreende a formação do brasileiro pela
miscigenação de diferentes povos (brancos, negros
e indígenas)?
Compreende que não há relação entre gênero
e brinquedo ou brincadeiras?
Compreende que não há relação entre gênero
e profissões?
Reconhece que se deve respeitar o outro e suas
especificidades?

TERRA E UNIVERSO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES DE AVALIAÇÃO

Compreender que a Terra possui características Identifica as características do planeta Terra (formato
específicas, reconhecendo sua esfericidade. esférico, a presença de água, solo etc.)?
Identificar os períodos diários (dia e/ou noite) em que o Investiga e relata evidências que demonstram a
Sol, demais estrelas, Lua e planetas estão visíveis no céu. esfericidade da Terra?
Investiga e compreende a relação entre os movimentos
da Terra e os períodos diários?
Compara as diferentes formas de representação do
planeta (mapas, globos, fotografias etc.).
Faz observações do céu para identificar os corpos
celestes?
Identifica, por meio de observações, os períodos em que
os corpos celestes estão mais visíveis no céu?

308 REFERENCIAL CURRICULAR


Ciências da Natureza – 4º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar as características do solo, compreendendo Identifica e diferencia os tipos de solo?


seus diferentes usos (plantação e extração de materiais,
Compara diferentes amostras de solo do entorno da
entre outras possibilidades) e reconhecendo a
escola com base em características como cor, textura,
importância dele para a agricultura e a vida.
cheiro, tamanho das partículas, permeabilidade etc.?
Relaciona o tipo de solo com o tipo de vegetação?
Investiga informações sobre conservação do solo?
Compreende que o solo possui componentes vivos e
não vivos?
Identifica e nomeia os animais que vivem no solo?
Compreende a influência de processos tecnológicos
(adubação, calagem, rotação de culturas, plantio
de monocultura etc.) para o enriquecimento ou o
empobrecimento do solo?

4 º ano – Ciências da Natureza


MATÉRIA E ENERGIA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer as misturas presentes no cotidiano por Identifica e registra as misturas presentes no dia a dia?
meio da observação de suas propriedades físicas,
Realiza experimentos para identificar a separação de
identificando sua composição.
misturas?
Diferencia mistura homogênea de heterogênea?
Identifica técnicas de separação de misturas nos
processos de tratamento de água e esgoto?

Investigar e compreender as transformações sofridas Testa e descreve transformações nos materiais do


pelos materiais. dia a dia quando expostos a diferentes condições
(aquecimento, resfriamento, luz e umidade)?
Diferencia transformações reversíveis de não
reversíveis?
Demonstra que algumas mudanças causadas por
aquecimento ou resfriamento são reversíveis (como as
mudanças de estado físico da água) e outras não (como
o cozimento do ovo, a queima do papel etc.)?
Lista situações do cotidiano em que os tipos de
transformação podem ser percebidos?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 309


Componentes curriculares

4 º ano – Ciências da Natureza


VIDA E EVOLUÇÃO
APRENDIZAGEM AVALIADA INDICADORES

Construir cadeias alimentares simples, analisando- Identifica os seres produtores, consumidores


-as e compreendendo a posição ocupada pelos seres e decompositores das cadeias alimentares e os
vivos, bem como reconhecer o papel do Sol como fonte diferencia?
primária de energia na produção de alimentos.
Constrói cadeias alimentares?
Compreende que um mesmo organismo pode participar
de diferentes cadeias alimentares na natureza,
compondo as teias alimentares?
Compreende que os seres vivos podem ser classificados
de acordo com o tipo de alimentação (carnívoro,
herbívoro, insetívoro etc.)?
Reconhece que alterações nas cadeias alimentares
levam a desequilíbrios ambientais?
Identifica e lista semelhanças e diferenças entre o ciclo
da matéria e o fluxo de energia entre os componentes
vivos e não vivos de um ecossistema?
Reconhece o papel do Sol como fonte de energia na
produção de alimentos?
Reconhece as plantas como parte fundamental da
cadeia alimentar, compreendendo que elas são capazes
de produzir o próprio alimento?

Compreender e reconhecer o papel dos microrganismos. Reconhece a participação de fungos e bactérias no


processo de decomposição?
Busca informações sobre a importância ambiental da
decomposição e relata o que descobriu?
Reconhece a participação de microrganismos na
produção de alimentos, combustíveis e medicamentos,
entre outros?
Investiga sobre as doenças causadas por
microrganismos?
Compreende as formas de transmissão das doenças
causadas por microrganismos (vírus, bactérias e
protozoários)?
Investiga sobre as atitudes e medidas adequadas para a
prevenção de doenças causadas por microrganismos?
Compreende a importância da vacinação como forma
de prevenção e erradicação de doenças?
Realiza entrevistas sobre a quantidade de pessoas
vacinadas em casa e na escola?

Compreender que o conceito de raça foi construído Investiga sobre o racismo em diversas esferas?
socialmente.
Compreende que, biologicamente, não existe raça
Reconhecer a importância do respeito à diversidade. e que esse conceito foi construído socialmente com
implicações até hoje?
Pesquisa sobre cientistas negras?
Reconhece a importância de respeitar a diversidade e o
pluralismo de opiniões?
Investiga sobre conceitos como racismo, discriminação
e preconceito?

310 REFERENCIAL CURRICULAR


Ciências da Natureza – 4º ano

TERRA E UNIVERSO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer os pontos cardeais, comparando com as Identifica os pontos cardeais com base nas posições
informações obtidas com a bússola. do Sol?
Experimenta localizar-se por meio da posição do Sol?
Investiga a origem dos pontos cardeais?
Investiga formas de localização utilizadas no passado
e agora?
Compreende que o conhecimento sofre influência do
contexto sociocultural?

Compreender os movimentos cíclicos da Lua e da Terra, Compreende os movimentos de rotação e translação


associando-os a períodos de tempo regulares e ao uso e suas implicações (dias/noites e estações do ano)?
desse conhecimento para a construção de calendários
Relaciona o dia e a noite com atividades sociais e
em diferentes culturas.
pessoais, compreendendo a importância do sono para
a saúde humana?
Compara as estações do ano no Brasil e em outras
partes do mundo?
Investiga sobre os diversos frutos comercializados no
município e relata sobre a época de maior ocorrência
dos mesmos?
Identifica as mudanças na posição da Lua?
Investiga, diretamente no céu, as mudanças no formato
visível da Lua, reconhecendo e nomeando as principais
fases e os tempos de duração?
Investiga sobre os calendários nas diferentes culturas?
Investiga sobre o surgimento do calendário?
Investiga sobre a influência da Lua em processos que
ocorrem na Terra?

Compreende a composição do ar e relaciona esse Realiza atividades de experimentação sobre as


elemento com as condições de saúde e ambiente. propriedades do ar?
Investiga sobre as propriedades do ar, produzindo
GHVFUL©·HVHbH[SOLFD©·HV"
Lê textos adequados ao seu desenvolvimento leitor
sobre o ar?
Compreende os elementos que formam o ar?
Percebe a existência do ar?
Compreende as características do ar?
Compreende a importância do ar para os seres vivos?
Relaciona as informações sobre poluição do ar a
medidas de combate ao problema?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 311


Componentes curriculares

5º ano – Ciências da Natureza


MATÉRIA E ENERGIA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender e investigar fenômenos da vida cotidiana Identifica as propriedades físicas dos materiais, como
que confirmem propriedades físicas dos materiais. densidade, solubilidade e elasticidade?
Compreende o conceito de densidade?
Compreende a influência da densidade no Mar Morto?
Compreende, com a realização de experimentos,
por que alguns objetos flutuam e outros não quando
imersos na água?
Compreende que algumas substâncias são solúveis e
outras não?
Realiza experimentos para identificar a solubilidade das
substâncias?
Compreende o conceito de elasticidade?
Lista objetos que são elásticos?
Reconhece outras propriedades dos materiais?

Reconhecer as mudanças de estado físico da água para Compreende e nomeia os estados físicos da água?
explicar o ciclo hidrológico, analisando suas implicações
Compreende o ciclo hidrológico e sua importância
para os seres vivos, a agricultura, o clima, a geração
para o equilíbrio dos ecossistemas?
de energia elétrica, o provimento de água potável e o
equilíbrio dos ecossistemas. Reconhece a importância da água para a agricultura?
Pesquisa sobre a importância da cobertura vegetal
para a manutenção do ciclo da água, a conservação dos
solos etc.?
Investiga e compreende o papel da água na geração
de energia?
Investiga a presença de saneamento básico na
localidade em que mora?
Pesquisa sobre a relação entre qualidade da água e saúde?
Explica processos de tratamento de água e esgoto,
relacionando-os à separação de misturas?
Compreende a importância do tratamento de água e
esgoto para a qualidade de vida da população?
Identifica os principais usos da água nas atividades
cotidianas?
Discute e propõe formas sustentáveis de utilização
da água?
Identifica a importância da preservação dos recursos
naturais para o seu município?

Elaborar alternativas para consumo consciente dos Diferencia lixo de resíduo?


recursos, propondo soluções, tecnológicas ou não, para
Diferencia os tipos de resíduo sólido e as formas de
o descarte adequado e a reutilização ou reciclagem de
descarte de cada um?
materiais consumidos na escola e/ou na vida cotidiana.
Compreende que o consumo excessivo gera uma
grande quantidade de resíduos sólidos?
Discute sobre a produção e descarte de resíduos
sólidos?

312 REFERENCIAL CURRICULAR


Ciências da Natureza – 5º ano

Compreende os cinco R’s?


Diferencia reutilização de reciclagem?
Constrói objetos com a reutilização de resíduos?
Elabora estratégias para reduzir a quantidade de
resíduos no cotidiano, inclusive das indústrias?
Elabora estratégias de redução da produção de
resíduos, reutilização de materiais e coleta seletiva na
escola e em casa?
Identifica o que é lixo orgânico e as etapas do processo
de compostagem?

VIDA E EVOLUÇÃO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender as funções dos sistemas digestório, Investiga fenômenos relacionados à fisiologia do corpo
respiratório e circulatório, identificando os órgãos que humano, formulando perguntas, elaborando hipóteses,
fazem parte deles. coletando e sistematizando dados e informações?
Lê textos sobre nutrição, alimentação e circulação?
Produz sínteses por meio de escrita e desenhos sobre
nutrição, circulação e respiração?
Identifica e nomeia os órgãos dos sistemas digestório,
respiratório e circulatório?
Compreende o funcionamento dos sistemas digestório,
respiratório e circulatório, reconhecendo o papel de
cada órgão?
Investiga a relação entre o funcionamento do sistema
circulatório, a distribuição dos nutrientes pelo
organismo e a eliminação dos resíduos produzidos?
Compreende a importância da mastigação?

Compreender a importância de hábitos alimentares Identifica os tipos de alimento e sua composição


saudáveis para a saúde humana e os processos nutricional?
envolvidos na produção de alimentos.
Organiza um cardápio equilibrado e inclusivo de acordo
com as características de cada grupo alimentar e as
necessidades do organismo?
Compreende a pirâmide alimentar?
Reconhece os perigos do consumo de alimentos com
agrotóxicos?
Compreende os benefícios nutritivos e econômicos dos
alimentos produzidos no município?
Investiga sobre a produção de alimentos
industrializados?
Investiga sobre a presença de plantações orgânicas na
sua localidade?
Busca informações sobre o papel da agricultura familiar
no crescimento da economia no município?
Discute a ocorrência de distúrbios nutricionais (como
obesidade, subnutrição etc.) entre crianças e jovens com
base na análise de seus hábitos (tipos e quantidade de
alimentos ingeridos, prática de atividades físicas etc.)?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 313


Componentes curriculares

5º ano – Ciências da Natureza


VIDA E EVOLUÇÃO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender o funcionamento do sistema reprodutor, Identifica e nomeia os órgãos do sistema reprodutor


reconhecendo a sexualidade e o gênero como masculino e feminino?
características dos seres humanos.
Compreende o funcionamento do sistema reprodutor?
Representa o sistema reprodutor?
Compreende as mudanças que ocorrem no organismo
durante a puberdade?
Realiza pesquisas sobre sexualidade, gênero e
orientação sexual?
Compreende a sexualidade humana como processo
natural, social e psicológico?
Reconhece a importância do respeito às diferenças?
Reconhece que tarefas domésticas e profissões não
estão relacionadas a gênero?
Diferencia carinho de assédio?

TERRA E UNIVERSO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender o Universo, reconhecendo corpos Compreende o que são constelações?


celestes e fenômenos astronômicos, bem como as
Identifica e nomeia algumas constelações?
tecnologias para pesquisa.
Reconhece os períodos do ano em que as constelações
são mais são visíveis?
Associa o movimento diário do Sol e das demais estrelas
no céu ao movimento de rotação da Terra?
Observa, registra e diferencia as fases da lua?
Compreende e explica os eclipses?
Diferencia os conhecimentos astronômicos de outras
representações simbólicas que utilizam os astros
(astrologia, parlendas, mitos etc.)?
Reconhece o Big Bang como explicação científica para a
origem do Universo?
Compreende que existem diversas explicações oriundas
de outras culturas para a origem do Universo?
Investiga as tecnologias de pesquisa espacial?
Faz pesquisas sobre o Universo e seus componentes e
expressa oralmente o que aprendeu?

314 REFERENCIAL CURRICULAR


Geografia

Leitura espacial com olhar crítico e questionador


(Foto: Acervo/Oliveira dos Brejinhos)

pela memorização, descrição de paisagens e listagem


GEOGRAFIA de conteúdos. Lacoste (1988) aponta esse processo
como um dos motivos de a geografia ter se tornado por
muito tempo um conhecimento enfadonho e distante

Marcos da da realidade dos sujeitos de aprendizagem, uma vez


que, ao focar nesse método tradicional, o discurso ge-

concepção ográfico ficou despolitizado e esvaziado da capacidade


crítica inerente aos processos de produção espacial.
Com o advento da Geografia Crítica (1960-
Segundo Cavalcanti (1998), a Geografia escolar, du- 1970), também o ensino passou por severas transfor-
rante o século XIX, tinha como objetivo a formação mações, onde importantes autores, como Vesentini,
da cidadania pela ideologia nacionalista, de influência Oliveira e Moreira, propuseram uma Geografia Nova,
alemã, que destacava o estudo geográfico voltado com fundamentos críticos e humanísticos.
para o conceito de território na perspectiva de territó- No Brasil, essa renovação tem como figura cen-
rio-nação. Nesse mesmo sentido, Lacoste (1988), em tral o professor doutor Milton Santos (1926-2001),
sua obra A Geografia – Isso serve em primeiro lugar para que, por meio de sua teoria espacial, fomentou a in-
fazer a guerra, discute as bases do pensamento geográ- trodução de discussões críticas na Geografia escolar,
fico associadas às estratégias políticas e guerras para como as concepções da dialética e o papel ativo dos
dominação de territórios e aponta, ainda, a negligência sujeitos nas construções dos espaços. Assim, o ensino
acerca do potencial do estudo da disciplina no enfren- foi sendo moldado tomando como referências a auto-
tamento das hegemonias mundiais. nomia dos sujeitos e os processos construtivistas do
Naquele contexto histórico, em que a geografia se conhecimento e dialogando com as concepções de lei-
estabelecia como ciência, um dos grandes desafios era tura e o entendimento da totalidade espacial.
a unificação da geografia física e da geografia humana, As propostas curriculares atuais têm como fun-
dicotomia que ainda permanece em diversos métodos damento a sistematização de saberes escolares de
de ensino e de aprendizagem da disciplina, pautados forma crítica, criativa, questionadora e empoderadora,

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 315


Componentes curriculares

na busca da interação com diversas áreas do conheci- geograficidades1. Um dos grandes desafios do ensino,
mento, favorecendo a complementaridade de saberes nesse sentido, é formar pessoas críticas de sua realida-
sem invisibilizações e/ou exclusões. Cavalcanti (1999) de e abertas ao diálogo com as demais formas de viver
aponta a escola como um lugar de fronteira, ou seja, e de construir diversas espacialidades.
onde se dá o encontro com o diferente, e como um lu- Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, a leitura
gar de tolerância e respeito à alteridade. Dessa forma, e a escrita devem aparecer acompanhadas da leitura de
os saberes escolares e, especialmente, os geográficos mundo. A leitura do espaço se coloca como ferramenta
devem convergir para essa formação integral dos su- de auxílio, posto que, ao ler o espaço vivido, o repertó-
jeitos para a vida numa sociedade plural, muito além do rio da leitura e da escrita da palavra ganha significado
mundo do trabalho. efetivo. Ler o cotidiano e saber descrevê-lo, analisá-lo,
Para que o ensino da Geografia seja efetivo, questioná-lo e sobre ele refletir são tarefas básicas do
é preciso, pois, que ele tenha significado e que seja ensino geográfico. Essa concepção aparece nos docu-
objeto de reflexão. Portanto, deve-se ter em mente mentos de orientação curriculares nacionais, como os
os caminhos teóricos e metodológicos dessa ciência. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e a Base Na-
Milton Santos, por meio de sua teoria espacial, definiu cional Comum Curricular (BNCC), os quais defendem
o espaço geográfico como meio e produto dos siste- que a leitura espacial está voltada para formação cidadã.
mas de objetos e dos sistemas de ações indissociáveis, Para a BNCC, a grande contribuição da Geogra-
chamando a atenção para a atuação do contexto his- fia aos estudantes da Educação Básica é
tórico e do modo de produção hegemônico vigente.
Assim sendo, as noções de tempo e espaço são com- [...] desenvolver o pensamento espacial, estimulan-
preendidas, na visão do autor, sob a luz da relação so- do o raciocínio geográfico para representar e inter-
ciedade-natureza num dado contexto historicamente pretar o mundo em permanente transformação e
construído. relacionando componentes da sociedade e da natu-
Por causa da complexidade desse objeto de es- reza (BNCC, 2017).
tudo, as categorias de análise da geografia aparecem
como subsídios à compreensão da totalidade. Territó- Nesse sentido, a compreensão do espaço passa
rio, lugar, região, paisagem e natureza são aspectos de pela compreensão dos diferentes modos de vida das
extrema relevância no que se refere ao pensamento populações, tanto as que habitam a cidade quanto as
espacial, principalmente na Geografia escolar, pois, do campo, contemplando os povos e comunidades tra-
com base na análise desses conceitos, os sujeitos de dicionais, quilombolas, ribeirinhos, indígenas, campo-
aprendizagem desenvolvem a leitura espacial. neses e tantas outras formas de ser e (re)existir (QUI-
Todas e todos constroem geografias no cotidia- JANO; LANDER, 2005).
no em tarefas básicas, ao circular pela cidade ou pelo O mundo globalizado, interpretado pelo meio
campo, ao brincar, ao fazer compras, ao trabalhar, ao técnico-científico-informacional e, mais atualmente,
usar as tecnologias e ao questionar a realidade. Esses digital, apresenta uma visão que tende a homogenei-
aspectos da construção espacial, com base nas expe- zar a sociedade. No entanto, as pluralidades e especi-
riências das pessoas, permitem construir várias espa- ficidades locais resistem, e é nessa perspectiva que a
cialidades. Territórios são demarcados, paisagens são escola e o currículo devem caminhar ao valorizar e bus-
elaboradas, lugares são enraizados, regiões são for- car construir o conhecimento tomando como ponto de
muladas e naturezas são envolvidas. Enfim, é possível partida o espaço vivido – os lugares.
afirmar, de acordo com os fundamentos humanísticos, Como afirma Bauman (2003), a sociedade está
que existem várias geografias, tantas quantas forem as cada vez mais em tempos líquidos e as relações sociais

1. A geograficidade é, assim, um termo que compreende todos os tipos de ligações e inter-relações entre o homem e os espaços vividos,
anterior à análise e à atribuição de conceitos a essas experiências (STEFANELLO, 2012).

316 REFERENCIAL CURRICULAR


Geografia

são cada vez mais fluidas, o que interfere na coletividade deve encaminhar a reflexão para o presente, não es-
e em como ela se comporta nas suas trocas. As mídias di- quecendo o passado e o futuro como trajetórias es-
gitais imprimem ao saber geográfico mais um desafio, o senciais na construção dinâmica de cada dia. A escola
de compreender os espaços virtuais, que já fazem parte promove o pensamento dialético das contradições em
do cotidiano de toda a sociedade mundial e se configu- movimento e instiga as estudantes e os estudantes a
ram como espaços segregados e segregadores. voltar os olhares para as próprias geografias cotidianas
Com esse desafio, o ensino de Geografia tem se e refletir sobre elas. Entender-se como agente social
metamorfoseado para atender a esse arranjo social, construtor de espaços é um importante passo para a
que articula o novo e o antigo, o lento e o veloz, o local formação humana e cidadã da criança.
e o global, sem perder de vista os princípios geográfi- O fazer geográfico nas salas de aula, espaço de
cos de analogia, conexão, diferenciação, distribuição, interação e cooperação, exige a exaltação da curiosi-
extensão, localização e ordem, fundamentais na for- dade. Por meio da investigação cotidiana dos aspectos
mação do raciocínio espacial. diversos da sociedade e do dia a dia, as estudantes e os
O espaço geográfico é feito no presente, afirma estudantes podem despertar o efetivo interesse para
Milton Santos. Por isso, a Geografia escolar também uma aprendizagem significativa.

Orientações curriculares
O currículo do Arranjo de Desenvolvimento da Edu- O que se busca é despertar o diálogo e a construção da
cação (ADE) da Chapada Diamantina e Regiões visa argumentação dos sujeitos educacionais.
articular as orientações curriculares de sua realidade No ensino de Geografia nos anos iniciais do En-
plural às orientações definidas na BNCC, assim como sino Fundamental, a alfabetização é questão central,
as contidas no currículo do estado da Bahia. uma vez que as crianças têm em seu repertório esco-
As propostas curriculares, em ambos os docu- lar a leitura e escrita da palavra como elementos fun-
mentos, se estruturam com centralidade em conheci- damentais de sua formação. Nesse contexto, a leitura
mentos, habilidades, atitudes e valores que direcionam do mundo, pela via da leitura do espaço, aparece como
a formação integral das estudantes e dos estudantes, a possibilidade de dar significado ainda mais efetivo a
tendo em vista a dinâmica social em constante modifi- esse processo.
cação. Alinhado a essa proposta de formação integral A geograficidade é um importante ponto de par-
dos sujeitos, o ADE Chapada Diamantina e Regiões tida para o trabalho da leitura espacial associada à lei-
propõe a ampliação da escala e a construção de co- tura da palavra, mais um desafio no cotidiano da sala de
nhecimentos tomando como foco as geograficidades aula. Entendendo a alfabetização espacial como uma
locais, com base no pressuposto da autonomia e da das faces do processo integral da alfabetização, a sala
construção coletiva e equitativa de saberes. de aula passa pela ressignificação, ganhando visibilida-
Assim, propõe-se a organização do currículo por de como o lugar da troca de saberes e do encontro de
expectativas de aprendizagem, no sentido de conceber diversas geografias.
os processos de ensino e de aprendizagem como for- Esse movimento requer a criação de situações-
mação humana para além do mundo do trabalho. Sen- -problema, ou seja, de valorização da dúvida em de-
do assim, a construção do conhecimento deve partir trimento das certezas. Dessa forma, o conhecimento
de questões socialmente vivas (QSVs), com significado ganha sentido. É preciso que as professoras e os pro-
efetivo na vida cotidiana das crianças. As QSVs são am- fessores saibam elaborar perguntas essenciais de ca-
plas, abertas a debates e discussões, sem necessaria- ráter amplo, diverso e passível de diferentes respostas,
mente haver para elas uma resposta certa ou o errada. assim como abertas à derivação de outras questões.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 317


Componentes curriculares

Saber o que e como perguntar é essencial para direcio- Nesse processo de leitura do mundo pela lei-
nar as construções individual e coletiva das estudantes tura do espaço, a cartografia é importante aliada das
e dos estudantes. professoras e dos professores, uma vez que desperta
Um dos elementos que orientam as práticas peda- nas crianças o estímulo de representar e visualizar os
gógicas para o ensino de Geografia é a criação de pos- próprios lugares e o sistema de ações a eles vincula-
sibilidades da leitura do espaço vivido pelas crianças. dos. Portanto, muito além do contorno e das pinturas
Esse processo é concretizado, principalmente, pelas de cartogramas preestabelecidos, a proposta é aguçar
categorias geográficas Lugar e Paisagem, muito próxi- nas crianças a capacidade de representação de suas
mas da realidade das crianças, nos primeiros exercícios experiências. É colocar no papel, numa outra lingua-
de observação, compreensão, análise, leitura e escrita. gem, que não a escrita, a geograficidade que lhe des-
Sendo assim, é eficiente o uso de fotografias, imagens, perta interesse e/ou vontade de externar.
desenhos e croquis. O Lugar, sendo o espaço vivido na Devido ao caráter próprio da ciência geográfi-
sua forma mais próxima do ser social pela sua afetivi- ca, a relação teoria-prática é substancial ao ensino e à
dade e identidade, deve ser trabalhado nas escolas de aprendizagem. Portanto, não há aprendizagem signifi-
maneira criativa e emancipadora, tomando por base as cativa efetiva em Geografia se não houver vivência em
ideias de equidade, diversidade e alteridade, respeitan- campo. O trabalho de campo é uma das ferramentas
do o diálogo de saberes e a igualdade das diferenças. essenciais do ensino geográfico, assim como a carto-
Aliado às diretrizes da BNCC, o currículo dos mu- grafia, posto que configura elementos de articulação
nicípios do ADE Chapada Diamantina e Regiões, bem guiada e direcionada pela professora, ou pelo profes-
como as práticas pedagógicas da Geografia, deve ser sor, dos temas discutidos em sala com o mundo real.
construído com base em metodologias integradoras, O processo de criação de mapas pode ser subsi-
aliando aprendizagens colaborativas, pesquisa por pro- diado também pelo site do IBGE, que oferece, na pá-
jetos, problematização e formação de leitores e produ- gina dedicada a mapas escolares (mapas.ibge.gov.br/
tores de texto, fazendo com que haja significado efetivo escolares.html), uma série de arquivos cartográficos
para a construção do conhecimento geográfico. para uso digital ou impresso. O material pode servir
Pensar espacialmente é um dos principais objeti- de apoio ou base para que as crianças elaborem seus
vos da Geografia para a formação de sujeitos capazes mapeamentos enquanto conhecem e identificam as es-
de compreender as dinâmicas do cotidiano, incluindo- pacialidades oficiais.
-se nele como sujeitos ativos e críticos. Nessa pers- A alfabetização cartográfica é uma importante
pectiva, a compreensão do espaço geográfico de cada ferramenta para a compreensão do mundo e suas as-
município que compõe o ADE, assim como de outras simetrias, pois, além de valer-se de letras e números
tantas realidades, perpassa a compreensão dos ele- como forma de linguagem, articula o cotidiano da crian-
mentos, tanto físico-concretos quanto subjetivo-sim- ça com a linguagem cartográfica aprendida nas aulas
bólicos, que compõem esse espaço. de Geografia. Nesse sentido, o conceito de Lugar ga-
Assim, no ambiente escolar, é imprescindível nha destaque, pois nele se constroem pontes entre as
que as crianças conheçam os espaços vividos para experiências vividas e as historicidades plurais, assim
além do cotidiano, obtendo informações de órgãos como se cultivam o sentimento de pertencimento e as
oficiais. Para isso, algumas ferramentas educacionais identidades. Dessa forma, os processos de ensino e de
apresentam rica contribuição. É o caso da página des- aprendizagem tornam-se expressivos e repletos de sig-
tinada a crianças do portal IBGE Educa (educa.ibge. nificados para os sujeitos:
gov.br/criancas), do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística. Com linguagem simples e intuitiva, o site Quer dizer, não é a escola simplesmente cumprindo
apresenta diversos recursos informativos e interati- conteúdos curriculares, mas desenvolvendo ativida-
vos para o conhecimento de dados e informações so- des que tornem o sujeito capaz de conhecer para mu-
bre o território nacional, assim como regiões, estados dar. E, principalmente, encontrar os caminhos para
e municípios. mudar, pois estamos vivendo em um mundo que pre-

318 REFERENCIAL CURRICULAR


Geografia

cisa ser conhecido e compreendido, não pelo lugar em senciais, diversos objetos de conhecimento podem ser
si, mas no conjunto em que cada lugar se contextuali- trabalhados. As SDs também promovem a articulação e
za (CALLAI, 2013). o uso de diferentes linguagens e representações.
Segundo Nemirovsky (2002), as SDs articulam
A representatividade do lugar, nessa perspectiva, de modo processual e não linear os objetos de conhe-
demonstra a construção social dos sujeitos, as espacia- cimento e as aprendizagens esperadas, fazendo uso de
lidades e as temporalidades que fazem parte do ima- diversas linguagens e gêneros de leitura e escrita, tan-
ginário coletivo e individual, levando em consideração to da palavra quanto do mundo vivido. Uma das ques-
as diferentes formas de viver em comunidade. É rele- tões fundamentais é que a professora, ou o professor,
vante ressaltar a importância da (auto)representação, construa possibilidades com as crianças de compreen-
ou seja, do próprio papel em meio à sociedade. Dessa der quais aspectos globais interferem nas dinâmicas
maneira, o sujeito enxerga a si próprio, os demais e o locais e, com base nessa integração, representar essas
espaço em que está inserido enquanto agente ativo, interações cartograficamente.
responsável pela construção social. Uma série de problematizações pode ser cons-
A representação cartográfica também pode ser truída com base em uma mesma temática em contex-
trabalhada por meio de atividades organizadas em sequ- tos diferenciados. O segredo está na forma como tudo
ências didáticas (SDs), importante ferramenta de ação é planejado e nos instrumentos que se utilizam. Para
interdisciplinar no processo educacional. As sequências crianças dos anos iniciais do Ensino Fundamental, o lú-
didáticas são caracterizadas pelo conjunto sistemático dico é a porta de entrada e pode ser o ponto inicial ou
e progressivo de atividades sequenciadas em que, com mediador da SD, por meio do uso de músicas, poemas,
base em questões socialmente vivas e em perguntas es- quadrinhos e teatro, por exemplo.

Processo avaliativo em Geografia


A avaliação em Geografia, assim como nos demais com- cepção em que o qualitativo supera o habitual quanti-
ponentes curriculares da formação escolar básica, deve tativo. Esses indicadores são construídos em relação
orientar a aprendizagem levando em conta que avaliar às expectativas de aprendizagem e representam os
se aproxima do ato de diagnosticar determinada experi- questionamentos que cada docente deve fazer ao re-
ência com o intuito de rever e aprimorar a ação, visando fletir sobre as múltiplas inteligências das crianças, per-
o melhor resultado possível. Portanto, a avaliação não mitindo que o processo avaliativo seja o mais democrá-
pode ser concebida apenas como ação classificatória. tico e equitativo possível.
Ela deve ser entendida como diagnóstica e inclusiva, Nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o ensino
sendo fundamentada pelo princípio de equidade. de Geografia precisa dialogar com os demais campos de
A avaliação da aprendizagem deve ser pensada conhecimento, articulando os saberes geográficos ao
numa perspectiva crítico-reflexiva, reorientando pro- processo de alfabetização em geral. Sendo assim, a leitu-
cessualmente a prática docente em relação às expecta- ra e a interpretação de uma determinada paisagem po-
tivas de aprendizagem planejadas. Formatar o currícu- dem ser o tema para a construção de textos, assim como
lo em torno dessas expectativas indica uma concepção para exercitar a prática da representação em desenhos
de Educação voltada para a centralidade nas crianças, ou mapas. Essas atividades organizadas processual-
levando em conta sua formação integral, sua constru- mente devem obedecer a progressões. Com a avaliação
ção humana e social. diagnóstica e formativa, a professora, ou o professor, re-
De forma complementar, a avaliação das apren- conhecerá a necessidade de aprofundar cada vez mais
dizagens por meio de indicadores configura uma con- as investigações e abstrações das aprendizagens.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 319


Componentes curriculares

Uma das chaves para garantir a progressão no ças, configurando o processo de avaliação de forma
ensino de Geografia está na escolha da porta de en- mais equitativa e plural e articulando-o com as diver-
trada para a compreensão do espaço geográfico, ou sas realidades de cada município e o corpo social que
seja, por qual das categorias de análise a professora, o transforma.
ou o professor, iniciará os estudos e problematizações. É imprescindível que, no planejamento do com-
Nesse sentido, ratifica-se a relevância dos conceitos ponente curricular de Geografia, as educadoras e os
de Lugar e Paisagem como categorias bastante próxi- educadores do ADE Chapada Diamantina e Regiões
mas às geograficidades e, portanto, importantes pon- estabeleçam relações de equidade entre as expecta-
tos de partida para conhecer e compreender as demais tivas de aprendizagem e os indicadores de avaliação,
categorias e percepções do espaço geográfico. assim como os instrumentos avaliativos, para que,
A pluralidade dos instrumentos avaliativos tam- de fato, cada estudante possa construir sua base de
bém é interessante no sentido de dinamizar e explo- conhecimento de maneira gradativa, respeitando-se
rar as múltiplas inteligências e habilidades das crian- seu tempo de aprendizado.

Indicadores de aprendizagem e avaliação


1º ano – Geografia
O SUJEITO E SEU LUGAR NO MUNDO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar diferentes formas de organização familiar. Reconhece a si mesmo como sujeito ativo do meio em
que está inserido e transformador dele?
Identificar o espaço da rua e da moradia como um lugar
de relações sociais. Reconhece e relata semelhanças e diferenças no uso do
espaço público?
Demonstrar atitudes de respeito e de preservação em
relação ao espaço vivido. Valoriza atitudes de conservação dos materiais e dos
ambientes?
Associar as diferenças e semelhanças existentes entre o
seu lugar de vivência com outros lugares. Propõe estratégias e regras de convívio?
Identificar que, na sociedade em que está inserido, Identifica e relata as transformações ocorridas no
existem regras sociais e regras de convivência e que espaço?
elas estão relacionadas às características dos lugares
Identifica semelhanças e diferenças entre os espaços
de vivência.
observados na rua, na casa e na escola?
Conhecer a história da rua, do bairro e da cidade.
Relata as diferenças de ações dos sujeitos entre os
Reconhecer e relatar semelhanças e diferenças no uso espaços da casa e da rua?
do espaço público (praças, parques, escolas etc.) para o
Reconhece as características do lugar em que vive?
lazer e diferentes manifestações.
Identifica especificidades do lugar de vivência?
Perceber-se como sujeito atuante e transformador no
meio em que está inserido. Conhece a história do lugar de vivência?
Identifica as semelhanças e diferenças entre os lugares?
Compreende que cada lugar tem sua função social?

320 REFERENCIAL CURRICULAR


Geografia – 1º ano

O SUJEITO E SEU LUGAR NO MUNDO


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar as diferenças existentes entre jogos e Relaciona jogos e brincadeiras em diferentes contextos?
brincadeiras, bem como suas origens. Identifica as brincadeiras como elementos da cultura?
Reconhecer que jogos e brincadeiras fazem parte da Entende que o brincar faz parte do cotidiano de
cultura de um povo (indígena e afrodescendente, entre diferentes crianças e que a construção dos próprios
outros). brinquedos faz parte do processo de criação?
Compreender que existem diferentes materiais
recicláveis para a confecção de brinquedos.
Valorizar e resgatar diferentes brincadeiras e jogos
do passado.
Distinguir espaços abertos e fechados, jogos individuais
e coletivos, materiais utilizados na produção dos
brinquedos, nível tecnológico etc.

Discutir ideias e pontos de vista que respeitem e Compreende a existência de diversos pensamentos e
promovam a consciência socioambiental e o respeito à opiniões e a necessidade do respeito ao diferente?
biodiversidade e ao outro, sem preconceitos de qualquer Entende a natureza como parte de si mesmo e a
natureza. importância do cuidado socioambiental?
Reconhecer a sua identidade social: nome, origem do Sabe identificar os principais documentos que as
nome, data de nascimento etc. pessoas devem ter para exercer sua cidadania?
Conhecer os principais documentos que uma pessoa Interpreta a escola enquanto espaço social de
precisa ter para exercer sua cidadania. construção das identidades?
Entender a escola como espaço de convivência, Descreve as relações coletivas do ambiente escolar?
solidariedade e identidade com diversos sujeitos
buscando equidade e alteridade. Expressa o ambiente escolar enquanto espaço de
solidariedade?

CONEXÕES E ESCALAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar as características de elementos da natureza, Descreve as alterações das paisagens nos diferentes
fatores climáticos e ritmos naturais no meio ambiente, momentos históricos no campo e na cidade?
bem como as particularidades das pessoas e as Constrói argumentos que explicam as transformações
diferentes realidades na comunidade. nas paisagens e suas repercussões na vida cotidiana?
Perceber e compreender os aspectos positivos Entende a relação sociedade-natureza e os aspectos
e negativos da ação humana na natureza em sua positivos e negativos dessa relação?
localidade e no município.
Elabora questionamentos sobre as possíveis formas de
Reconhecer o desenho como representação do real. se relacionar com o ambiente natural?
Demonstrar, com desenho, a rua em que mora, Percebe a relação direta entre a natureza e o seu cotidiano?
localizando casas e nome dos moradores.

Observar e descrever ritmos naturais (dia e noite, Identifica as diferenças e as semelhanças dos
variação de temperatura e umidade etc.) em diferentes fenômenos meteorológicos ao longo do dia e do ano?
escalas espaciais e temporais, comparando a sua Observa e descreve ritmos naturais (dia e noite, variação
realidade com outras. de temperatura e umidade etc.) em diferentes escalas
Compreender os ciclos da natureza associados à espaciais e temporais, comparando a sua realidade com
vida cotidiana, como o uso de diferentes roupas para outras?
diferentes climas, as atividades distintas que são Compreende o que ocorre entre os elementos do meio
realizadas em diversos tempos e lugares etc. físico natural no seu cotidiano?
Reconhecer, ordenar e relatar diferentes ritmos da
natureza por meio da observação da paisagem em
distintas escalas do vivido (escola, bairro, casa etc.).
Identificar as diferenças e as semelhanças dos
fenômenos meteorológicos ao longo do dia e do ano.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 321


Componentes curriculares

1º ano – Geografia
CONEXÕES E ESCALAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Explicar, conhecer e compreender os arranjos das Sabe reconhecer as paisagens urbanas e rurais?
paisagens pela localização e distribuição de fenômenos Identifica os principais aspectos que diferenciam as
e objetos. paisagens da cidade e do campo?
Reconhecer as diferenças entre as paisagens urbanas Compreende os diferentes modais de deslocamento na
e rurais. comunidade em que vive?
Listar os diferentes meios de locomoção disponíveis
para a comunidade e os que usa para fazer os
deslocamentos diários (casa-escola).

FORMAS DE REPRESENTAÇÃO E PENSAMENTO ESPACIAL


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Construir mapas mentais e desenhos com base em Articula linguagem textual com a cartográfica?
itinerários, contos literários, histórias inventadas Expressa, por meio da oralidade, os itinerários realizados
e brincadeiras, elaborando e utilizando mapas no seu dia a dia, reconhecendo marcadores geográficos?
simples para localizar elementos do local de vivência,
considerando referenciais espaciais (frente e atrás, Constrói e elabora mapas mentais para localizar-se no
esquerda e direita, em cima e embaixo, dentro e fora), local de vivência?
tendo o corpo como referência. Desenvolve noções de localização espacial (dentro e
Conhecer conceitos relacionados a lateralidade. fora, ao lado, entre), orientação (esquerda e direita),
proporção (tamanho e área) e legenda (cores e formas)?
Identificar o próprio corpo como referencial de
localização no espaço e no tempo. Descreve as relações do cotidiano com técnicas
cartográficas?
Identifica marcos espaciais utilizando posições
geográficas (endereços e locais que conhece ou
frequenta)?
Desenvolve o raciocínio espacial usando o corpo e
elementos espaciais da escola como referência na
elaboração de croquis ou outras representações?

Demonstrar, com desenho, as transformações percebidas Representa as transformações ocorridas nas paisagens
em fotografias antigas e atuais do seu contexto de por meio da leitura visual de fotografias?
vivência ou de outras paisagens urbanas e rurais. Articula os conhecimentos adquiridos por meio de jogos
Reconhecer o desenho como representação do real. e brincadeiras às vivências diárias?
Associar e dissociar tamanho e idade por meio da Identifica as diferenças entre cores e texturas na
comparação. composição das paisagens e suas representações?
Representar, em desenhos ou croquis, os itinerários
dos personagens de brincadeiras, histórias ou contos
literários.
Desenvolver as habilidades espaciais (introdução à
alfabetização cartográfica) com base em jogos que
trabalham noções espaciais (como quebra-cabeças) e
brincadeiras em grupo que favoreçam o pensar sobre a
parte e o todo, do mais simples ao complexo.
Identificar formas, cores e texturas dos materiais
utilizados na confecção de jogos.
Relacionar a quantificação do tempo com os conceitos
de dia e mês do calendário.
Representar a escola com os elementos mais usados,
como o portão de entrada, a sala de aula, o pátio, o
estacionamento, a cozinha e os banheiros.

322 REFERENCIAL CURRICULAR


Geografia – 1º ano

OS CICLOS DA NATUREZA E A VIDA COTIDIANA


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Observar, ler e descrever ritmos naturais (dia e noite, Percebe as relações entre as dinâmicas da natureza e as
variação de temperatura e umidade etc.) em diferentes do seu cotidiano?
escalas espaciais e temporais, comparando a sua
Compara as principais alterações em relação à dinâmica
realidade com outras.
natural local ao longo das estações do ano com as de
Descrever e relacionar características dos lugares de outros locais?
vivência e os ritmos da natureza (chuva, vento, calor
Descreve e caracteriza os lugares de vivência e suas
etc.), associando mudanças de vestuário e hábitos
relações com os ritmos da natureza?
alimentares em sua comunidade decorrentes da
variação de temperatura e umidade no ambiente. Relaciona e identifica as mudanças de temperatura e
umidade no ambiente?
Refletir sobre questões ambientais com os problemas
observáveis nos locais de vivência, como a rua que Associa mudanças de vestuário de acordo com a
inunda quando chove ou o cheiro do lixo que chega à temperatura do ambiente?
escola quando venta.
Percebe as relações entre as dinâmicas da natureza e as
do seu cotidiano?
Identifica alterações na sua rotina em função das
dinâmicas da natureza?
Lê a paisagem enquanto construção humana?
Identifica os níveis de concentração de ações humanas
nos diferentes espaços?

Explicar as transformações dos hábitos alimentares Percebe as diferenças na relação sociedade-natureza


em diferentes períodos (por exemplo, atualmente, o quando se fala dos modos de vida urbano e rural?
consumo de comidas industrializadas é maior, mas nem
Interpreta a relação sociedade-natureza enquanto
sempre foi assim).
processo dinâmico e que necessita de equilíbrio?
Compreender as diferentes formas de lidar com os
Compreende as formas como as populações rural e
ciclos da natureza nos ambientes urbano e rural e os
urbana lidam com os ciclos da natureza?
diversos modos de vida em comunidades (quilombolas,
indígenas, ciganos, ribeirinhos, sertanejos etc.) Questiona as formas como outros modos de vida em
comunidade (quilombolas, ribeirinhos, indígenas, ciganos
etc.) se relacionam com a natureza e compara com seu
modo de viver?

MUNDO DO TRABALHO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e descrever os diversos trabalhos e Compreende que o trabalho é uma atividade humana?
profissões no campo e nas cidades levando em conta sua
Compreende que a ação humana sobre a natureza se dá
importância para o desenvolvimento da sociedade.
por meio do trabalho?
Reconhecer a importância do trabalho para a sociedade.
Compara as diferentes moradias e os objetos de seu
Identificar diferenças entre as profissões e os valores cotidiano?
que elas têm como uma maneira de contribuir para ter
Identifica e compara atividades de trabalho relacionadas
uma vida digna.
com o dia a dia da sua comunidade?
Descrever atividades de trabalho relacionadas com o dia
Conhece, reconhece e valoriza as diferentes profissões?
a dia da comunidade.
Identifica os profissionais que atuam durante o dia e a
noite?
Estabelece relações de complementaridade entre as
diversas categoriais de trabalho?
Conhece as atividades profissionais exercidas
pelos seus familiares?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 323


Componentes curriculares

1º ano – Geografia
MUNDO DO TRABALHO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer a importância de diferentes profissões para Identifica e compara as atividades profissionais


a população e valorizar suas atividades. encontradas no ambiente escolar com as outras da
Identificar os diferentes profissionais que trabalham comunidade em que vive?
durante o dia e os que trabalham durante a noite. Reconhece a existência de diferentes modos de vida no
Compreender os modos de vida das populações das campo e na cidade?
grandes, médias e pequenas cidades e das populações Percebe a relação entre modo de vida e as formas de
que vivem no espaço rural. trabalho?
Investigar quem produz as roupas que veste e de qual Compreende a ação dos meios de comunicação na
material são feitas, quem construiu a escola, quem comunidade e sua importância?
produz o alimento das refeições etc. Identifica os meios de comunicação antigos e atuais
Compreender que o espaço não é algo estático, pronto fazendo correlações entre eles?
e acabado, mas resultado de uma dinâmica e cheio de Percebe a atuação dos meios de comunicação em seu
historicidade. dia a dia?
Identificar, no seu cotidiano, os instrumentos de Conhece os profissionais que estão envolvidos no setor
tecnologia que favorecem a comunicação entre de comunicação?
as pessoas.
Conhece os principais canais de comunicação de sua
Comparar meios de comunicação antigos e atuais. comunidade?

2º ano – Geografia
O SUJEITO E SEU LUGAR NO MUNDO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender os processos históricos e fenômenos sociais Conhece a formação histórica do bairro ou comunidade
na formação do bairro e da comunidade em que vive. em que vive?
Conhecer e comparar costumes e tradições de Compreende os fenômenos sociais responsáveis pela
diferentes populações inseridas no bairro ou na formação do bairro ou da comunidade?
comunidade em que vive, reconhecendo a importância Reconhece e identifica pessoas do entorno e o papel ou
do respeito às diferenças. a contribuição delas para a comunidade?
Reconhecer as diferentes matrizes étnicas na formação Identifica e descreve as festividades locais?
social da localidade, do bairro e do município (indígena,
Relata e descreve o processo de formação da
negra e europeia) e as contribuições de cada uma como
comunidade?
marcas identitárias da sociedade na paisagem da cidade.
Reconhece a si mesmo e o outro como identidades
Levantar os povos originários do bairro ou da
diferentes, de forma a exercitar o respeito às diferenças
comunidade e contar a história deles.
em uma sociedade plural?
Reconhecer e identificar diferenças e semelhanças
Compara costumes e tradições de diferentes
culturais entre as pessoas respeitando a etnia, a
populações inseridas no bairro ou na comunidade em
individualidade, o gênero e a sexualidade.
que vive?
Reconhecer as festividades culturais da localidade e
Valoriza a diversidade sociocultural das populações
participar delas. Conhecer os processos migratórios em
originárias?
diferentes escalas (local, regional, nacional e mundial).
Estabelece respeito aos diferentes modos de vida no
Identificar mudanças dos meios de transporte e de
bairro e na comunidade?
comunicação ao longo do tempo.
Percebe que existem diversas formações familiares?
Agir pessoal e coletivamente com respeito,
autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência Respeita as diversidades familiares?
e determinação, propondo ações sobre as questões Estabelece atitudes de respeito e valorização das
socioambientais com base em princípios éticos, diferentes culturas?
democráticos, sustentáveis e solidários. Reconhece a importância do respeito às diferenças
Reconhecer a importância, os cuidados e os riscos dos (étnico-raciais, religiosas, culturais, físicas etc.)?
meios de transporte e de comunicação para as pessoas.

324 REFERENCIAL CURRICULAR


Geografia – 2º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Comparar diferentes meios de transporte e de Descreve e identifica os diferentes tipos e formas de


comunicação, indicando o papel deles na conexão entre migração?
lugares, e discutir os riscos para a vida e para o ambiente
Compara e reconhece diferentes tradições e costumes
e seu uso responsável.
inseridos no bairro em que vive?
Perceber a importância dos meios de transporte na
Destaca a importância do respeito às diferenças?
circulação de produtos e pessoas e na interação entre os
espaços. Identifica diferentes meios de transporte?
Reconhecer as necessidades e os cuidados ao acessar a Compreende os diferentes meios de transporte e
internet, conscientizando-se do uso responsável. reconhece sua importância na conexão entre os espaços
no seu dia a dia?
Validar a importância dos meios de comunicação para a
convivência social. Identifica o uso dos meios de transporte nos diferentes
espaços (zonas rural e urbana)?
Reconhecer os primeiros meios de transporte e
suas respectivas vias de circulação, identificando Entende a relação dos meios de transporte e de
transformações desses elementos no tempo e no espaço. comunicação com sua vida?
Compreender as diversas formações familiares, Sabe identificar os principais meios de comunicação
respeitando as especificidades de cada uma. existentes na comunidade e os profissionais que neles
atuam?
Identificar diferenças entre tipos de escola –
indígena, do campo, quilombola etc. – e conhecer as Reconhece que existem vários tipos de escola e que elas
características de cada uma. estão relacionadas com os diferentes modos de vida em
sociedade?

CONEXÕES E ESCALAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Desenvolver o pensamento espacial em diferentes Compreende processos e critérios para a regionalização


escalas, identificando diversas regionalizações dentro do dos espaços?
espaço territorial do município em que reside (bairros,
Identifica as regionalizações internas do município em
povoados, distritos e comunidades).
que mora?
Localizar sua comunidade em relação ao município,
Entende a organização espacial do seu município pelos
estado e região a que pertence.
bairros, povoados, distritos e comunidades?
Conhecer as ruas da cidade ou comunidade por meio
Localiza sua comunidade em relação ao município,
de visitas de campo, mapas (convencionais e digitais) e
estado e região?
ilustrações.
Conhece as ruas da cidade ou comunidade, nomeando-
Identificar as diferenças e as semelhanças entre as
-as e localizando-as em mapas?
paisagens nos lugares de vivências, representados por
meio de desenhos. Ilustra, em desenhos, as ruas da cidade, do bairro ou do
povoado em que reside, destacando as transformações
Reconhecer semelhanças e diferenças nos hábitos, nas
ao longo do tempo?
relações com a natureza e no modo de viver de pessoas
em diferentes lugares. Reconhece as semelhanças e diferenças entre os
modos de vida dos diversos povos e suas relações com a
Analisar mudanças e permanências, comparando
natureza?
imagens de um mesmo lugar em diferentes tempos.
Percebe, em seus locais de vivência, as diferentes formas
de viver e lidar em comunidade?
Propõe ideias e ações que contribuam para a
transformação social e cultural?
Identifica diferenças e semelhanças entre as paisagens
nos lugares de vivências representados por desenhos?
Verifica, pela observação de imagens, que os lugares
passam por transformações ao longo do tempo?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 325


Componentes curriculares

2º ano – Geografia
CONEXÕES E ESCALAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e comparar as particularidades entre viver na Compara e analisa as mudanças e permanências por
cidade, no campo, na praia etc. meio de imagens de um mesmo lugar, em diferentes
Conhecer e listar as características dos hábitos de vida tempos?
e da relação com a natureza dos diferentes modos de Identifica, nas paisagens, elementos do passado que
viver e de ocupar o espaço. permanecem no presente, analisando as mudanças de
Comparar as diferentes formas de apropriação da funções ao longo do tempo?
natureza ao longo do tempo e em diferentes lugares. Reconhece a história como resultado da ação do
Estabelecer conexões entre diferentes temas do ser humano no tempo e no espaço, com base na
conhecimento geográfico, reconhecendo a importância identificação de mudanças e permanências?
dos objetos técnicos para a compreensão das formas Entende a conexão entre sociedade e natureza e as
como os seres humanos fazem uso dos bens da natureza formas como os diferentes modos de vida se relacionam
ao longo da história. e se apropriam dos bens naturais?
Identificar as alterações na paisagem local, os motivos Percebe, no seu entorno, as mudanças na paisagem,
e os fatores que contribuíram para a mudança. apontando as principais alterações e os motivos que
levaram a elas?

FORMAS DE REPRESENTAÇÃO E PENSAMENTO ESPACIAL


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Aprender a localizar-se no espaço compreendendo os Sabe localizar-se no espaço tomando os pontos cardeais
pontos cardeais como sistemas de orientação. como referências?
Ler mapas e interpretar as informações contidas neles Desenvolve habilidade de orientar-se pelo espaço
por meio dos elementos básicos (título, escala, legenda, criando pontos de referência?
orientação e projeção). Entende a importância de saber localizar-se
Identificar e elaborar diferentes formas de espacialmente?
representação (desenhos, mapas mentais e maquetes) Percebe que os mapas são como cartas para a leitura
dos componentes da paisagem dos lugares de vivência. dos espaços?
Conhece os elementos básicos do mapa e sabe para que
servem?
Identifica e elabora diferentes formas de representação
de paisagens no lugar de vivência?
Identifica e compreende as imagens aéreas dos lugares
de sua vivência?
Diferencia frente e atrás, esquerda e direita, em cima e
embaixo, dentro e fora?
Orienta-se por referenciais astrais, como o Sol e a Lua?
Percebe a localização de um objeto com base em um
ponto de referência?

Representação do espaço
JHRJU£ĆFRSRUPHLRGH
maquetes (Foto: Leila Ferreira
Cathalat/Seabra)

326 REFERENCIAL CURRICULAR


Geografia – 2º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer-se como ponto de referência para situar-se Representa, por meio de maquete, a sua sala de aula?
e situar pessoas, objetos, construções e tudo que
Percebe a diferença na observação de objetos de acordo
há em seu entorno.
com o ponto de referência?
Orientar-se pelos astros (Sol, Lua e estrelas), pela
Identifica as diferenças na observação de paisagens por
bússola e por referenciais geográficos (direções cardeais
meio das visões oblíqua e vertical?
– norte, sul, leste e oeste).
Representa algum espaço por meio dos diferentes tipos
Aplicar princípios de localização e posição de objetos
de visão (oblíqua e vertical)?
(referenciais espaciais, como frente e atrás, esquerda
e direita, em cima e embaixo, dentro e fora) nas Compara as diferenças da paisagem de acordo com o
representações espaciais da sala de aula e da escola. ponto de referência de observação?
Representar, por meio de maquete, a sua sala de aula. Percebe como uma determinada realidade pode ser
diferente de acordo com a referência de observação
Perceber as diferenças entre a visão oblíqua (vista
e análise?
do alto e de lado) e a visão vertical (vista do alto,
exatamente de cima para baixo).

NATUREZA, AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer as características das paisagens locais, Caracteriza as diferentes composições das paisagens
relacionando a ação humana com a preservação ou locais?
degradação do ambiente natural. Identifica e compreende os impactos gerados pela ação
Entender que a sociedade e a natureza possuem humana no ambiente natural?
princípios e leis próprias e que o espaço geográfico Entende que a sociedade e a natureza possuem leis e
resulta das interações entre eles. princípios próprios e que o espaço geográfico resulta
Reconhecer a importância do solo e da água para a vida, das interações entre eles?
identificando os diferentes usos (plantação e extração Reconhece as características das paisagens no
de materiais, entre outras possibilidades) e os impactos ambiente em que vive, identificando a ação humana na
deles no cotidiano da cidade e do campo. preservação e degradação do ambiente natural?
Entender que seres humanos também são natureza. Identifica que o uso dos bens da natureza (o solo e a
Investigar e apontar a importância que o solo e a água água) gera renda para a sociedade?
têm para a produção de alimentos. Compreende que os bens da natureza são usados de
forma diferente no campo e na cidade?
Percebe que o ser humano também é natureza e por
isso precisa preservá-la?

Levantar, listar e reconhecer questões ambientais Entende as contradições dos usos dos bens naturais e as
relacionadas ao desperdício da água e ao uso irregular propostas de preservação?
do solo. Relaciona o consumismo com a geração de lixo e a
Refletir sobre o consumo e o uso dos recursos naturais. degradação da natureza?
Perceber que a produção de lixo doméstico e da escola Percebe que a produção de lixo doméstico e da escola
têm relação com os problemas causados pelo consumo têm relação com os problemas causados pelo consumo
excessivo. excessivo?
Refletir sobre a geração de lixo, reúso de materiais e Elabora propostas para o consumo consciente,
reciclagem. considerando a ampliação de hábitos de redução, reúso
Elaborar propostas para o consumo consciente, e reciclagem/descarte de materiais consumidos em casa,
considerando a ampliação de hábitos de redução, reúso na escola e/ou no entorno?
e reciclagem/descarte de materiais consumidos em casa, Compreende a importância do reúso de materiais e da
na escola e/ou no entorno. reciclagem?
Adotar atitudes no dia a dia para contribuir com a Adota atitudes no dia a dia para contribuir com a
preservação do meio ambiente. preservação do meio ambiente?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 327


Componentes curriculares

2º ano – Geografia
MUNDO DO TRABALHO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer o volume e o destino do lixo gerado por seu Entende como se dá a produção de lixo e identifica o
município. destino dele em seu município?
Perceber os diferentes tipos de resíduo decorrentes Estabelece relação entre o volume de lixo produzido e o
das diversas categorias de trabalho humano (indústria, processo de degradação ambiental?
agropecuária, comércio, doméstico etc.). Compreende os diferentes tipos de lixo e as possibilidades
Identificar e descrever as diferenças entre as atividades de reaproveitamento, reciclagem e descarte?
de produção no campo e na cidade. Entende e relaciona a geração de lixo com os diversos
Conhecer e descrever as principais atividades setores da economia e da sociedade?
extrativistas (minerais, agropecuárias e industriais) e Identifica os principais usos dos bens da natureza em
seus impactos ambientais. seu município?
Entende a relação entre uso dos bens naturais,
produção e geração de lixo?
Compreende o que são atividades extrativistas e como
elas geram degradação ambiental?

Compreender quais atividades de uso dos bens da Elabora questionamentos e posicionamentos em relação
natureza estão mais presentes no seu município e ao modo de produção atual vigente?
identificá-las. Identifica os produtos que mais usa em seu cotidiano e a
Identificar a origem de alguns produtos do cotidiano origem deles?
relativos às atividades extrativas da natureza, como os Relaciona os produtos usados em seu dia a dia com sua
produtos vegetais (frutas, legumes e cereais), animais origem na natureza?
(carnes em geral) e minerais (água).
Entende que a geração de lixo e resíduos sólidos é um
Descrever as diferentes atividades extrativas e processo tanto individual quanto coletivo?
reconhecer os problemas ambientais oriundos da
produção e da extração. Compreende as diferenças de proporcionalidade na
geração de resíduos e lixo entre a população e os grandes
Compreender que a geração de lixo advém tanto dos setores da sociedade (indústria, comércio e serviços)?
cidadãos, individualmente, quanto dos setores da
economia (indústria, comércio e serviços) e entender Identifica os diferentes usos do solo, como plantação e
as diferentes proporcionalidades de atuação desses extração de materiais etc., e os impactos no cotidiano da
setores na geração de resíduos. cidade e do campo?

3 º ano – Geografia
O SUJEITO E SEU LUGAR NO MUNDO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer a si mesmo e o outro como identidades Compreende os diferentes aspectos culturais dos vários
diferentes de forma a exercitar o respeito às diferenças grupos sociais que compõem a sociedade de seu município?
em uma sociedade plural. Percebe diferenças entre os aspectos culturais das
Identificar e comparar aspectos culturais dos grupos populações no campo e na cidade?
sociais de seu lugar de vivência, na cidade ou no campo. Reconhece a si mesmo e o outro como identidades
Identificar, nos lugares de vivência, marcas de diferentes de forma a exercitar o respeito às diferenças
contribuição cultural e econômica de grupos de em uma sociedade plural?
diferentes origens. Identifica, nos seus lugares de vivência, marcas de
Identificar, em seu cotidiano, heranças culturais dos contribuição cultural e econômica de grupos de
diferentes povos originários da região em que vive, diferentes origens?
reconhecendo os diversos modos de vida no campo e na Reconhece heranças culturais das populações
cidade. originárias em seu cotidiano?

328 REFERENCIAL CURRICULAR


Geografia – 3º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer os diferentes modos de vida de povos e Compreende e valoriza os diversos modos de vida das
comunidades tradicionais de distintos lugares. populações, seja no campo, seja na cidade?
Identificar as diferentes contribuições culturais e Identifica as diferenças e as semelhanças entre as
econômicas na formação da população brasileira, paisagens dos lugares de vivência?
destacando traços culturais de grupos sociais.
Identifica as diferentes contribuições culturais e
Compreender as relações de complementaridade entre econômicas na formação da população brasileira?
a cidade e o campo, reconhecendo e valorizando as
Estabelece relações entre o campo e a cidade de forma
diferenças e potencialidades de cada espacialidade.
horizontalizada, destacando a importância de cada
espaço?
Compreende a relação de interdependência entre
cidade e campo no que se refere a produção e consumo?

CONEXÕES E ESCALAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Explicar como os processos naturais e históricos atuam Percebe as relações entre as dinâmicas da natureza e as
na produção e na mudança das paisagens naturais e do seu cotidiano?
antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os
Constrói argumentos que expliquem as transformações
a outros lugares.
nas paisagens e suas repercussões na vida cotidiana?
Representar os diferentes tipos de paisagem por meio
Explica como os processos naturais e históricos atuam
de ilustrações e oralidade.
na produção e na mudança das paisagens naturais e
Identificar e classificar os elementos naturais da antrópicas nos seus lugares de vivência, comparando-os
paisagem e os elementos construídos pelo ser humano. a outros lugares?
Reconhecer o processo de urbanização, tendo como Reconhece o processo de urbanização, tendo como
referência elementos do cotidiano e o modo de vida. referência elementos do cotidiano e o modo de vida?

Identificar e comparar as marcas históricas do lugar Identifica e compara as marcas históricas do lugar em
em que vive. que vive?
Identificar as mudanças nas paisagens do centro, Identifica as mudanças nas paisagens do centro,
nos bairros, nos povoados e nos assentamentos do nos bairros, nos povoados e nos assentamentos do
município. município?
Compreender as diversas faces das paisagens (cultural, Entende que as paisagens podem expressar
natural, urbana e rural). características socioculturais e econômicas?
Reconhecer as semelhanças e diferenças entre as Percebe que uma mesma paisagem pode ser observada
paisagens rurais e urbanas. por diferentes olhares e concepções?
Interpretar e descrever os aspectos das paisagens Interpreta as características culturais que compõem as
culturais dos seus locais de vivência, comparando-os paisagens de seus locais de vivência?
com os de outros locais.
Descreve os principais aspectos culturais das
paisagens locais e compara-os com os de outros locais,
respeitando as diferenças?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 329


Componentes curriculares

3 º ano – Geografia
FORMAS DE REPRESENTAÇÃO E PENSAMENTO ESPACIAL
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer as diferentes formas de representação do Entende que a cartografia é uma forma de linguagem de
espaço de vivência (imagens, mapas, documentos e representação espacial?
maquetes).
Entende que o mapa é uma representação do espaço real?
Reconhecer os principais elementos da cartografia
Identifica os elementos básicos da cartografia?
(título, escala, legenda, orientação e projeção).
Constrói representações cartográficas de seus locais
Reconhecer a cartografia como uma forma de linguagem
de vivência?
de representações do espaço real.
Realiza a leitura de mapas tomando como base os
Produzir mapas simples com o uso de convenções e
símbolos e as legendas?
referências, como escala, orientação, legenda e fonte.
Identifica e interpreta imagens bidimensionais e
Compreender e construir legendas de diversos tipos de
tridimensionais em diferentes tipos de representação
representação em diferentes escalas cartográficas.
cartográfica?
Elabora e organiza símbolos para identificar os diferentes
lugares, objetos e fenômenos presentes no dia a dia?

Produzir mapas do bairro, da cidade e/ou da comunidade Conhece as diferentes formas de representação do espaço
com alguns pontos de referência, criando símbolos para de vivência (imagens, mapas, documentos e maquetes)?
legenda.
Relaciona os símbolos das legendas com a representação
Construir mapas temáticos de seu município de objetos reais do espaço?
contextualizando com características político-
Reconhece, com ilustrações e mapas, elementos do
-administrativas, naturais, sociais, culturais e econômicas.
ambiente do campo ou da cidade?
Identificar e interpretar imagens bidimensionais e
Representa dados geográficos em desenhos, mapas e
tridimensionais em diferentes tipos de representação
maquetes?
cartográfica.
Apresenta seus locais de vivência com a linguagem
Reconhecer e elaborar legendas com símbolos de
cartográfica?
diversos tipos de representação em diferentes escalas
cartográficas. Coloca em prática os conhecimentos teóricos
aprendidos sobre cartografia?
Utilizar a linguagem cartográfica para apresentar seus
locais de vivência e diferenciar elementos espaciais Lê mapas temáticos simples fazendo uso da legenda
típicos do espaço urbano e rural. e dos demais elementos cartográficos como fonte de
informações?

NATUREZA, AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer os diferentes tipos e finalidades de áreas Entende o que é e qual a importância das áreas
protegidas (unidades de conservação, parques, estações protegidas?
ecológicas etc.).
Identifica alguma área protegida no município em que vive
Compreender como diferentes modos de vida se e estabelece relações de preservação e/ou degradação?
relacionam com a natureza proporcionando preservação
Conhece alguma atitude ou ação que favoreça a
e/ou degradação.
preservação ambiental em seu cotidiano?
Agir com responsabilidade sobre questões ambientais
Entende que os diferentes modos de vida das
com base em princípios éticos, sustentáveis e solidários.
populações interferem na dinâmica da natureza?
Investigar os usos dos bens naturais, com destaque
Compreende que a diversidade sociocultural e o
para a água, em atividades cotidianas (alimentação,
diálogo de saberes são importantes ferramentas de
higiene, cultivo de plantas etc.) e discutir os problemas
preservação ambiental?
ambientais provocados por essas práticas.
Entende que cada povo lida de formas diferentes na
preservação/conservação da natureza?
Age com responsabilidade sobre questões ambientais
com base em princípios éticos, sustentáveis e solidários?

330 REFERENCIAL CURRICULAR


Geografia – 3º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar os cuidados necessários para a utilização da Identifica os cuidados necessários para a utilização da
água na agricultura e a geração de energia de modo a água na agricultura e na geração de energia de modo a
garantir a manutenção do provimento de água potável. garantir a manutenção do provimento de água potável?
Comparar impactos das atividades econômicas urbanas Reconhece e analisa consequências provocadas pela
e rurais sobre o ambiente físico natural, assim como os poluição da água à saúde das pessoas e ao ambiente?
riscos provenientes do uso de ferramentas e máquinas.
Reconhece a importância de ter saneamento básico e
Reconhecer a importância de ter saneamento básico e relaciona-o com compromisso social e direito do cidadão?
relacioná-lo com compromisso social e direito do cidadão.
Adota atitudes no dia a dia para contribuir com a
Conhecer algumas formas de consumo consciente. preservação do meio ambiente?

MUNDO DO TRABALHO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar os tipos de produção no campo e na cidade Caracteriza os tipos de produção no campo e na cidade
comparando e analisando suas contribuições para o analisando os elementos de complementaridade?
desenvolvimento socioeconômico do Brasil. Estabelece relação entre a produção do campo e da
Identificar os processos de transformação da matéria- cidade e suas contribuições para a economia brasileira?
-prima em produto industrializado no campo e na cidade. Compreende os processos de produção de
Compreender as especificidades dos tipos de produção matéria-prima e sua transformação no sistema industrial
de alimentos no campo e sua comercialização. para comercialização?
Identificar diferentes fontes de energia e as mais Entende que tanto no campo quanto na cidade existe
utilizadas no país, na região ou no município. produção industrial?
Compreender os tipos de geração de energia (solar, Identifica, em seu município, a produção de matérias-
hidrelétrica, eólica, termal etc.) e suas relações com -primas e indústrias de transformação?
o cotidiano. Identifica os diversos agentes sociais que atuam na
produção de alimentos no campo?
Identifica diferentes fontes de energia?
Compreende o funcionamento para geração de energia
das principais fontes (solar, hidrelétrica etc.), sobretudo
a eólica, presente em nossa região?

Conhecer as diversas atividades que movimentam a Conhece as diversas atividades que movimentam a
economia local. economia local?
Identificar alimentos, minerais e outros produtos Identifica alimentos, minerais e outros produtos
cultivados ou extraídos da natureza, comparando as cultivados e extraídos da natureza?
atividades de trabalho em diferentes lugares. Reconhece exemplos de matéria-prima e indústria,
Diferenciar produtos industrializados de produtos tendo como referência produtos artesanais e industriais
in natura. do cotidiano?

Identificar alimentos consumidos no dia a dia, Identifica percursos dos alimentos desde a produção
relacionando-os com o tipo de produção e trabalho (plantação) até o consumo (comércio)?
envolvidos. Reconhece as diferenças entre agronegócio, agricultura
Identificar os alimentos produzidos na sua região e familiar e agroecologia?
classificá-los quanto à sua caracterização (industrial ou Identifica os tipos de produção de alimentos presentes
in natura). no município em que reside?
Entender os princípios da agroecologia como uma forma Reconhece as formas de uso do solo na produção de
de produzir alimentos sem degradar o meio ambiente. alimentos?
Entender como os alimentos podem ser cultivados no Entende a possiblidade de produzir alimentos no campo
campo sem uso de agrotóxicos e venenos. sem uso de agrotóxicos por meio da agroecologia?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 331


Componentes curriculares

4 º ano – Geografia
O SUJEITO E SEU LUGAR NO MUNDO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Selecionar, em seus lugares de vivência e em suas Identifica, compara e compreende as diferentes


histórias familiares e/ou da comunidade, elementos de culturas, relacionando suas contribuições para a
distintas culturas (indígena, afro-brasileira, de outras formação social local, regional e nacional?
regiões do país, latino-americana, europeia, asiática etc.),
Seleciona e valoriza, nas histórias familiares e/ou da
valorizando o que é próprio em cada uma delas e sua
comunidade, elementos de distintas culturas?
contribuição para a formação da cultura local, regional
e nacional. Identifica o legado cultural dos diferentes povos?
Identificar os grupos constituintes da formação Percebe, em seu cotidiano, as marcas da cultura dos
populacional do Brasil, relacionando-os aos fluxos diferentes povos que formaram a população brasileira?
migratórios.
Descrever processos migratórios e suas contribuições
para a formação da sociedade brasileira.
Compreender a dinâmica interna de migração no
Brasil, associando-a ao crescimento das cidades e às
contribuições para formar o povo e a cultura do Brasil,
com hábitos, palavras, ritmos musicais, comidas, festas
e padrões de moradias.

Entender a construção do racismo no mundo e na Entende como o racismo foi construído no mundo e no
sociedade brasileira e como ele se mantém até os dias Brasil e permanece até os dias atuais?
atuais.
Elabora posicionamento em relação ao racismo
Compreender e posicionar-se perante o racismo estrutural e seus desdobramentos na sociedade?
estrutural e cotidiano na sociedade brasileira.
Percebe a influência de diversas populações na
Identificar, em seus lugares de vivência e em suas formação da sociedade local?
histórias familiares, componentes de cultura afro-
Conhece os processos migratórios que ocorreram
-brasileira, indígena, mestiça e imigrante.
no Brasil?
Entender o conceito de miscigenação e a influência dos
Compreende e distingue as características que definem
imigrantes de diferentes origens no Brasil.
imigrantes e emigrantes?
Analisar e discutir com seus pares os fenômenos que
Relaciona a formação da sociedade brasileira com os
formam os movimentos migratórios – emigrantes e
processos migratórios dos diferentes povos?
imigrantes.
Estabelece relações entre os processos migratórios
e a diversidade cultural em seus espaços de vivência?

Conhecer as instâncias de poder (Executivo, Legislativo Conhece as instâncias do poder público e sua
e Judiciário) destacando os papéis de cada uma na importância para a organização da sociedade?
organização social brasileira.
Entende a função e a articulação dos setores
Distinguir funções e papéis dos órgãos do poder público organizacionais da sociedade?
municipal e canais de participação social na gestão
Compreende o processo eleitoral enquanto
do município, incluindo a Câmara de Vereadores e os
ação de cidadania?
Conselhos Municipais.
Estabelece relações entre os poderes federais,
Conhecer a organização político-administrativa
estaduais e municipais?
do município, identificando a atuação dos gestores
municipais diante da organização e solução de Reconhece o papel de cada poder responsável pela
problemas. administração municipal, estadual e nacional — poderes
Executivo, Legislativo e Judiciário?
Defender ideias, pontos de vista e discussões comuns
que respeitem e promovam a efetivação dos direitos Entende que a participação social é necessária para a
humanos e a consciência social, política e ambiental. gestão pública de qualidade?
Compreende a importância dos direitos humanos para a
vida em sociedade?
Posiciona-se com argumentos para a defesa dos direitos
humanos enquanto ação necessária para a efetivação de
uma cidadania ativa?

332 REFERENCIAL CURRICULAR


Geografia – 4º ano

CONEXÕES E ESCALAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer as unidades político-administrativas oficiais Reconhece as unidades político-administrativas oficiais


(distrito, município, unidade da Federação e grande e relaciona-as com as regionalizações oficiais?
região), contextualizando o estado da Bahia e o
Localiza o seu município regionalmente em diferentes
município em que reside.
escalas?
Compreender o conceito de região, conhecendo as
Compreende o processo de regionalização da Bahia
formas e os critérios de regionalização do estado da
e o relaciona com os critérios utilizados pelos órgãos
Bahia e reconhecendo os interesses envolvidos.
oficiais?
Conhecer a diversidade cultural presente nos
Conhece os tipos de regionalização do estado da Bahia?
Territórios de Identidade da Bahia.
Identifica, compara e analisa os critérios de
Comparar a organização espacial dos bairros mais
regionalização, destacando as intencionalidades
antigos e mais novos do município: comércio, indústria,
de cada um?
áreas residenciais, praças e áreas de lazer.
Localiza o município em que mora em relação ao
Território de Identidade?

Identificar e descrever territórios étnico-culturais Entende a concepção de territórios étnico-culturais


existentes no Brasil, tais como terras indígenas e enquanto potencialidade da diversidade populacional
de comunidades remanescentes de quilombos, brasileira?
reconhecendo a legitimidade da demarcação desses
Compreende as lutas dos povos originários e
territórios.
tradicionais como processo necessário para o alcance
Compreender a importância da preservação cultural dos direitos à terra e ao território?
dos territórios étnicos como símbolo de resistência de
Reconhece as contribuições culturais dos povos
forma a reconhecer a legitimidade da demarcação de
originários e tradicionais na formação da sociedade
terras.
brasileira?
Conhecer, caracterizar e compreender os territórios
Identifica, em seu cotidiano, aspectos da contribuição
étnico-culturais existentes no Brasil, tais como terras
dos povos originários e tradicionais?
indígenas e comunidades quilombolas, reconhecendo a
legitimidade da demarcação de suas terras. Reconhece a rica diversidade cultural das diferentes
regiões da Bahia e a relaciona com seu local de vivência?
Identifica e descreve territórios étnico-culturais
existentes no Brasil, tais como terras indígenas e
quilombolas?

FORMAS DE REPRESENTAÇÃO E PENSAMENTO ESPACIAL


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer os elementos básicos dos mapas e Identifica os elementos básicos de um mapa e


compreender suas utilizações. compreende suas funções e importância?
Reconhecer os sistemas de orientação e projeções Diferencia sistema de orientação de sistemas de
cartográficas, analisando as diferenças e possibilidades projeções cartográficas?
de uso no cotidiano.
Compreende os sistemas de projeções enquanto formas
Utilizar a rosa dos ventos como sistema de orientação, diferentes de representar o globo terrestre?
localizando elementos físicos e humanos nas paisagens
Reconhece a rosa dos ventos como um sistema de
rurais e urbanas do seu município.
orientação?
Interpretar legendas, símbolos, cores e escala.
Compreende e interpreta a simbologia das legendas?
Sabe localizar-se e apontar sua direção tomando como
referência os pontos cardeais?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 333


Componentes curriculares

4 º ano – Geografia
FORMAS DE REPRESENTAÇÃO E PENSAMENTO ESPACIAL
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer e comparar tipos variados de mapa, Descreve os elementos das paisagens usando o sistema
identificando suas características, finalidades, autoria, de orientação?
diferenças e semelhanças.
Identifica e compara os vários tipos de mapa?
Orientar-se com um mapa simples do bairro,
Compreende que os mapas possuem intencionalidades
utilizando os pontos cardeais em relação a casas,
relacionadas com quem os produziu?
escola e estabelecimentos comerciais, entre outros
componentes do espaço. Entende que uma mesma paisagem pode ser
representada com diferentes olhares individuais e
Construir mapas de seus locais de vivência com base em
coletivos?
referenciais identitários e afetivos do cotidiano, expondo
perspectivas individuais e coletivas dos lugares. Compreende que um mapa pode também representar
os aspectos de identidade e afetividade de quem o
Mapear seu município tomando como referência
constrói?
elementos das paisagens urbanas e rurais, exercitando
os conhecimentos básicos da cartografia e sobre o Utiliza elementos cartográficos para descrever e
espaço vivido. identificar elementos das paisagens urbanas e rurais?

NATUREZA, AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer e caracterizar os biomas brasileiros, Identifica os biomas brasileiros e os caracteriza de


destacando o seu grau de preservação e degradação. acordo com os aspectos físico-naturais?
Compreender as mudanças ocorridas nos biomas que Destaca os principais motivos de preservação e
abrangem a Bahia e relacioná-las às ações humanas, degradação dos biomas?
identificando potencialidades e vulnerabilidades
Reconhece as características das paisagens do ambiente
decorrentes desse processo.
em que vive?
Identificar o bioma em que seu município está inserido e
Identifica as características das paisagens naturais e
entender suas características físico-naturais.
antrópicas no ambiente em que vive, destacando se há
Identificar as características das paisagens naturais preservação ou degradação dessas áreas?
e antrópicas (relevo, cobertura vegetal, rios etc.) no
Relaciona os diversos tipos de uso dos bens naturais
ambiente em que vive, bem como a ação humana na
com os modos de vida das populações e seus modos de
preservação ou degradação dessas áreas.
produção?
Articula bens naturais com riqueza e recurso natural?

Entender que em cada bioma existem vários povos que Compreende as diversidades natural e social presentes
possuem modos de vida articulados com as dinâmicas nos diferentes biomas brasileiros?
naturais (geraizeiros, sertanejos, quebradeiras de coco-
Entende que a riqueza dos biomas brasileiros inclui a
-babaçu, quilombolas, ribeirinhos etc.).
diversidade dos povos tradicionais?
Compreender a importância das populações tradicionais
Relaciona as características físico-naturais do município
para a preservação dos biomas brasileiros.
em que vive ao bioma no qual está inserido?
Identificar os diferentes tipos de vegetação que
Relaciona os modos de vida das populações tradicionais
compõem a paisagem do município e do estado.
com a preservação dos biomas?

Reconhecer que os seres humanos utilizam a natureza Reconhece a importância das comunidades tradicionais
como fonte de recursos e de riquezas. na defesa dos bens da natureza?
Conhecer e entender as formas de exploração dos bens Entende que a degradação da natureza também degrada
naturais e como podem impactar no (des)equilíbrio a vida dos povos tradicionais?
natural.
Compreende por que as populações tradicionais são
Diferenciar a exploração da natureza pelos diversos classificadas como grupos de alta vulnerabilidade
povos, articulando com as vulnerabilidades sociais das socioambiental?
populações tradicionais.

334 REFERENCIAL CURRICULAR


Geografia – 4º ano

MUNDO DO TRABALHO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Descrever e discutir o processo de produção Descreve as atividades de trabalho no campo e


(transformação de matérias-primas), circulação e na cidade relacionando-as com o dia a dia da sua
consumo de diferentes produtos. comunidade?
Reconhecer as especificidades de trabalho que o campo Estabelece relações de complementaridade entre os
possui na atualidade, analisando a interdependência diferentes tipos de trabalho no campo e na cidade?
entre o rural e o urbano e considerando fluxos
Identifica características da produção no campo e na
econômicos, de produção, circulação da produção,
cidade e as relaciona com seu cotidiano?
dinâmica de informações, de ideias e de pessoas.
Percebe, na paisagem rural, as marcas da produção
Diferenciar atividades profissionais da zona urbana
agropecuária e da atividade extrativista e o impacto
e da zona rural.
delas no ambiente natural?
Identificar as marcas e as mudanças visíveis nas
Entende a importância do trabalho e da produção no
paisagens com base na produção agropecuária e
espaço rural para o desenvolvimento do espaço urbano?
atividade extrativa.
Compreende as contribuições econômicas, sociais e
culturais que a produção no campo e na cidade pode
dar aos espaços em que está inserida?

Identificar as relações de importação/exportação Descreve e discute o processo de produção


ligadas ao trabalho no campo e na cidade. (transformação de matérias-primas), circulação e
consumo de diferentes produtos?
Relacionar produtos de origem animal e vegetal
consumidos em casa e cultivados no município. Entende a existência de diferentes formas de produzir
alimentos no campo?
Diferenciar as atividades de produção no campo da
agricultura familiar, de subsistência e do agronegócio, Identifica e compara as atividades da agricultura familiar,
comparando-as. de subsistência e do agronegócio?
Identifica, no campo do seu município, atividades
produtivas ligadas à agricultura familiar, de subsistência
e ao agronegócio, comparando-as?

Agir sobre a realidade


com base na observação
HQDUHćH[¥R
(Foto: Semec/Ibitiara)

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 335


Componentes curriculares

5º ano – Geografia
O SUJEITO E SEU LUGAR NO MUNDO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender o processo de formação da população Reconhece as matrizes originárias da formação do povo


brasileira identificando as principais matrizes originárias brasileiro?
e suas contribuições socioculturais.
Identifica, em seu cotidiano, contribuições culturais dos
Entender o perfil atual da população brasileira diferentes povos originários?
articulando-o com o perfil populacional do seu
Entende o processo de formação da sociedade brasileira
município.
enquanto um processo permeado por conflitos e
Descrever e analisar dinâmicas populacionais na unidade assimetrias?
da Federação em que vive, estabelecendo relações
Entende o perfil da população brasileira com base nos
entre migrações e condições de infraestrutura.
dados oficiais e o articula com a realidade local?
Compreender a dinâmica populacional em diferentes
Relaciona os dados dos censos demográficos com as
escalas com base nas taxas de natalidade, mortalidade
características da população do município em que vive?
infantil, mortalidade e faixa etária.
Entende os instrumentos e critérios de avaliação do
perfil da população, como as taxas de mortalidade
infantil, natalidade, mortalidade e faixa etária?
Compreende e sistematiza informações dos censos
demográficos?

Apontar as principais características da população Estabelece relações entre densidade demográfica e a


brasileira pelos fluxos migratórios, movimentos de constituição dos grandes centros urbanos?
migração interna e imigração no país.
Identifica as áreas em que há maior ou menor densidade
Identificar, descrever e questionar as condições de demográfica e relaciona-as com o município em que vive?
educação, saúde, produção e acesso a bens e serviços
Identifica os processos de desigualdade social no
de grupos quilombolas, indígenas e outras comunidades
município em que vive e em seu cotidiano?
tradicionais.
Percebe, em seu cotidiano, elementos da desigualdade
Discutir, comparar e avaliar as condições de
social e questiona sua permanência?
desigualdade social com base nas diferenças de gênero,
etnia, crença e origem, relacionando-as à distribuição de Entende que a desigualdade social brasileira atinge
renda e à cidadania. mais alguns grupos específicos, como negros, indígenas,
mulheres e comunidades tradicionais?
Compreende que a desigualdade social fere os direitos
humanos e aponta possibilidades de mudança do cenário
atual?

CONEXÕES E ESCALAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer a atual divisão política do território brasileiro, Conhece as unidades da Federação e localiza o estado
reconhecendo a dinâmica da organização do espaço ao em que reside?
longo do tempo.
Compreende as mudanças das fronteiras e os limites
Conhecer e entender as características que definem os do território nacional como um processo histórico de
territórios de grupos e comunidades tradicionais (povos intencionalidades distintas?
indígenas, quilombolas, seringueiros, castanheiros,
Compreende o que são e como se formam os territórios
quebradeiras de coco-babaçu, comunidades de fundo de
de grupos e comunidades tradicionais?
pasto, pescadores artesanais, marisqueiras, ribeirinhos e
povos de terreiro). Identifica, em seu município ou região, a existência de
territórios tradicionais?
Reconhecer os territórios das comunidades tradicionais
e entender sua relevância no contexto social. Compreende a importância dos territórios tradicionais
como símbolo de força e resistência de povos
Compreender a formação dos territórios das
socialmente excluídos?
comunidades tradicionais como um processo histórico
de luta e resistência.

336 REFERENCIAL CURRICULAR


Geografia – 5º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Entender a organização social do ambiente urbano Percebe as diferenças entre o rural e o urbano e como
e rural, destacando especificidades, semelhanças e esses espaços estão interligados?
diferenças.
Reconhece as características dos espaços rurais e as
Reconhecer as características do espaço rural do seu relaciona com seu município, destacando as atividades
município, destacando as atividades culturais, econômicas socioculturais?
e políticas e modos de vida das populações rurais.
Identifica e descreve a disposição dos objetos técnicos
Identificar e ilustrar as formas e funções das cidades e (infraestrutura) da cidade em que mora?
analisar as mudanças sociais, econômicas e ambientais
Percebe mudanças socioeconômicas e ambientais
provocadas pelo seu crescimento.
na cidade e no campo decorrentes do crescimento
Identificar e descrever as mudanças provocadas pelo da cidade?
crescimento da estrutura urbana na oferta de saúde, na
Descreve as características das atividades econômicas
educação e na produção.
presentes no espaço rural de seu município?
Reconhece e valoriza os distintos modos de vida das
populações que residem no campo e na cidade?
Percebe a relação de complementaridade entre o
espaço rural e o espaço urbano?

FORMAS DE REPRESENTAÇÃO E PENSAMENTO ESPACIAL


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Entender como são elaboradas as imagens de satélite Entende como são criadas as imagens de satélite e suas
para representação da superfície terrestre. diversas possibilidades de uso?
Ler imagens de satélite e fotografias aéreas das Lê as paisagens dos espaços urbanos e rurais com base
paisagens do campo e da cidade, estabelecendo em imagens de satélite e fotografias aéreas, destacando
comparações. semelhanças e distinções?
Comparar, com base em imagens de satélite, os padrões Percebe a concentração e fragmentação dos objetos
de uso das terras nos espaços urbanos e rurais, criando técnicos de infraestrutura espacial pelas imagens de
legendas para identificar os elementos da superfície. satélite e fotografias aéreas?
Compara imagens dos espaços numa perspectiva
cronológica?

Analisar transformações de paisagens dos espaços Percebe as mudanças das paisagens ao longo do tempo
urbanos e rurais, comparando sequência de fotografias, utilizando instrumentos cartográficos?
fotografias aéreas e imagens de satélite de épocas
Descreve transformações nas paisagens das cidades
diferentes.
com a comparação de fotografias?
Representar, em mapas, os espaços urbanos e rurais do
Identifica conexões e hierarquias entre cidades
seu local de vivência, destacando os principais objetos
com base na leitura de mapas temáticos, imagens
técnicos de infraestrutura.
e fotografias?
Estabelecer conexões e hierarquias entre diferentes
cidades, utilizando mapas temáticos e representações
gráficas.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 337


Componentes curriculares

5º ano – Geografia
NATUREZA, AMBIENTE E QUALIDADE DE VIDA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender e analisar as transformações da Compreende e identifica as contradições da apropriação


natureza no contexto da globalização, destacando as da natureza pelo processo de produção global?
contradições desse processo. Entende que a globalização se configura como um
Identificar e analisar as características e mudanças fenômeno em diversas escalas, tanto global quanto local,
sociais, econômicas, ambientais e culturais provocadas e interfere no cotidiano do campo e da cidade?
pela globalização em relação à qualidade de vida e à Percebe mudanças no seu cotidiano relacionadas aos
preservação ambiental. processos da globalização?
Conhecer os diferentes tipos de poluição e relacioná-los Exerce olhar crítico sobre as contradições da
com a qualidade de vida das populações. globalização, identificando suas consequências em seus
Compreender o papel de cada setor da sociedade na espaços de vivência?
promoção e defesa da qualidade ambiental. Reconhece os diferentes tipos de poluição e os associa
Identificar os problemas ambientais de escala mundial com o modo de produção atual?
que tenham rebatimento no cotidiano local.

Reconhecer que determinados grupos da sociedade são Compreende que os impactos da poluição na qualidade
mais impactados que outros pela poluição. ambiental afetam de forma diferente os grupos da
Identificar e descrever problemas ambientais que sociedade?
ocorrem no entorno da escola e da residência, Identifica quais grupos sociais são mais atingidos pela
exercitando o papel de promover soluções para tais poluição?
problemas. Percebe, em seu cotidiano, os tipos de poluição que
Conhecer órgãos do poder público federal, estadual estão mais presentes na comunidade e identifica os
e municipal, bem como canais de participação social agentes sociais que os promovem?
responsáveis por buscar soluções para a melhoria da Conhece os órgãos públicos responsáveis pelas ações
qualidade de vida e qualidade ambiental. em defesa da natureza?
Compreende a relação entre qualidades de vida e
ambiental como resultado de boas gestões dos órgãos
competentes?

MUNDO DO TRABALHO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Entender o Brasil no mundo econômico: trabalho, inovação Entende e caracteriza as formas como o Brasil se insere
tecnológica, indústria, agroindústria, agropecuária, no contexto mundial de produção?
comércio, serviços, transporte, energia e comunicação. Estabelece relações entre as produções do Brasil no
Compreender as relações de importação e exportação campo e na cidade e de outros países subdesenvolvidos
do Brasil e seus parceiros comerciais. e desenvolvidos?
Identificar os principais produtos de importação e Relaciona o lugar do Brasil na Divisão Internacional do
exportação brasileira e analisar suas características. Trabalho com a manutenção das desigualdades sociais?
Entender como os avanços tecnológicos afetam o mundo Relaciona os avanços tecnológicos com as mudanças dos
do trabalho no Brasil, destacando sua realidade local. perfis das profissões atuais?

Identificar, em seu cotidiano, profissões ligadas ao setor Entende as interferências do avanço tecnológico em seu
tecnológico e as ligadas ao setor de matéria-prima, cotidiano local?
comparando-as em termos de tecnologia e inovação. Conhece as principais matrizes energéticas brasileiras?
Reconhecer as principais matrizes energéticas do Brasil Estabelece relações entre a fonte de geração de energia
e suas relações com o ambiente natural e industrial. e a qualidade ambiental?
Conhecer a principal fonte de energia utilizada na Identifica as principais fontes de energia utilizadas no
produção industrial e no cotidiano da população do Brasil e no seu município e reconhece seus benefícios e
Brasil articulando-a com o município em que reside. vulnerabilidades?
Estabelece relação entre os usos de fontes energéticas
pelos diferentes setores da sociedade (indústria,
comércio, agropecuária, serviços, doméstico)?

338 REFERENCIAL CURRICULAR


História

O tempo, a memória, o passado e a cultura para


formar a consciência histórica (Foto: Acervo/Curaçá)

HISTÓRIA
História, quando encarada como componente curri-
cular, reúne saberes presentes na escola por meio das
professoras e dos professores, bem como na realidade
das crianças, que, ao se conjugar e se relacionar, cons-

Marcos da tituem um arcabouço epistemológico. Isto é, há um


campo de saberes envolvendo o ensino de História a

concepção ser apropriado por docentes e coordenadores peda-


gógicos que pensam o currículo escolar. Bittencourt
(2018) explica que:
A trajetória deste componente curricular perpassa os
debates historiográficos que apontam o lugar da His- Os conteúdos históricos escolares podem ser variados
tória na formação do conhecimento da humanidade. e não necessitam de uma programação estabelecida
Traduzir esse conhecimento para os currículos escola- externamente, mas é preciso ter critérios que funda-
res e fazê-lo dialogar com documentos oficiais, com a mentem sua escolha. A coerência de uma opção de
formação de professores e com a cultura estudantil no conteúdos ocorre pela concepção de história que, por
espaço da escola e em toda a comunidade escolar é um sua vez, fundamenta os conceitos. Estes, juntamente
desafio cada vez mais comum na temática de estudos e com as informações e as narrativas, constituem o con-
pesquisas no campo do ensino da área. teúdo histórico escolar.
No contexto teórico da História, algumas cor-
rentes a identificam como disciplina escolar que faz a O campo de investigação do ensino de História
transposição didática da ciência de referência produzi- nas últimas décadas se expandiu, inicialmente, ao pas-
da no ambiente acadêmico. Considera-se essa prática sar a pesquisar sobre “como” ensinar e, também, sobre
um estreitamento do conhecimento histórico escolar. “o que”, “para quem” e “por que” ensinar, afirma Cerri
Outros historiadores e pesquisadores afirmam que a (2007b). O autor traçou um panorama dessa investi-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 339


Componentes curriculares

gação e estabeleceu uma relação entre a História da pecífica no início do século XXI, evidenciando os seus
Educação e a didática da História. Para o campo in- conceitos e dissociando-se da Geografia. As duas áre-
vestigativo do ensino, a aprendizagem histórica é um as, juntas, durante um longo tempo, compunham os
fenômeno social e, por isso, os estudos nessa área de chamados Estudos Sociais. A consolidação da divisão
conhecimento asseguram elementos que permitem a de Estudos Sociais em História e Geografia ocorreu
compreensão do tempo atual. No diálogo com o pre- na primeira década do século XXI. Observa-se que,
sente, a História se faz significativa para os estudan- no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), o
tes. Na problematização com o passado, a dinâmica Guia de Livros Didáticos, que na época era da 1ª à 4ª
temporal e espacial, conceitos caros à área, faz sentido série, apresentava títulos na área de Estudos Sociais.
para os que desenvolvem o conhecimento da História Embora constasse nos objetivos as especificidades das
escolar. Isso não significa ignorar ou amar o passado, áreas formadoras, História e Geografia, é no PNLD de
mas considerar que, por meio dele, o conhecimento da 2004 que se consagra a divisão das disciplinas História
História permeia o presente. e Geografia, uma vez que se expressava nos estudos
Da mesma forma, o campo de conhecimento do dos especialistas a necessidade de se rever a concep-
ensino de História se traduz na legitimidade e na uti- ção de Estudos Sociais para os anos iniciais do Ensino
lidade do que se vai ensinar e dos saberes ensinados. Fundamental.
E acrescenta às questões já apresentadas por Cerri Essa especificidade fez valer mudanças impor-
(2007b) o “desde quando” ensinar. Toda essa atuali- tantes para os anos iniciais do Ensino Fundamental,
zação, ampliação e contemporaneidade perpassam os apontando caminhos de compreensão do ensino com
estudos sobre a história da didática da disciplina, que base na realidade das crianças, que estariam pela pri-
não se limitam à investigação da História na escola. meira vez entrando em contato com os conceitos for-
Quando se pensa em História, não se pode per- mais desse campo de conhecimento.
der de vista o contexto da disciplina e as necessidades As noções de temporalidade e espaço, desde
sociais do tempo-espaço produzidas nessa realidade, então, passaram a ser introduzidas nos estudos das
“[...] de modo que a história da História ensinada deve crianças por mediações concernentes à faixa etária.
ser também uma investigação sobre os contextos e Por isso, o saber histórico para os anos iniciais do En-
demandas de orientação temporal coletiva e das deci- sino Fundamental deve ser construído sob a lógica do
sões coletivas das orientações temporais a reproduzir” saber escolar, com base nas dimensões epistemológi-
(CERRI, 2007b). Durante muito tempo, os estudos te- cas da História escolar e estabelecendo a relação com
óricos sobre História dissociaram os estudos do ensino a aprendizagem da criança. As pesquisas sobre essa
da disciplina do campo historiográfico. No que se refe- etapa da escolaridade apontam que o ensino de His-
ria ao ensino para crianças, ademais, muitos considera- tória deve ter por base a própria existência da criança
vam que não era possível a elas aprender História de- e a identidade do sujeito histórico em relação à pró-
vido às categorias complexas do pensamento histórico. pria vida, de forma que o desenvolvimento dos es-
Na esteira das pesquisas em Educação relacio- tudos nos anos seguintes possibilite a compreensão
nadas ao ensino, a didática da História tornou-se es- dialógica e dialética da dinâmica da História.

340 REFERENCIAL CURRICULAR


História

Currículo em transformação
Com a publicação dos Parâmetros Curriculares Na- que antecipa a valorização do conceito de consciên-
cionais (PCN), em 1997, deu-se visibilidade aos estu- cia histórica “ao direcionar parte expressiva de seus
dos nessa área, revelando quanto a História é de fun- esforços de investigação às necessidades dos alunos
damental importância para a construção de saberes como os determinantes essenciais” desse ensino (CER-
para as crianças. O objetivo passou a ser promover RI, 2007b). Ou seja, antes, a História era um objeto
o senso crítico, o sentido de cidadania e a identidade dado a ser aprendido, com o conteúdo da consciência
temporal e espacial como elementos estruturantes da histórica relacionado à atividade mental. Hoje, há uma
base de aprendizagem. compreensão de que o aprendizado histórico não tem
Nessa teorização, a relação do campo de conheci- um caráter exclusivamente receptivo e se encontra no
mento do ensino de História passa a dialogar com outras campo das qualidades produtivas, nas quais a consci-
áreas. “A História ensinada [...] transborda para outros ência se desenvolve com o conhecimento histórico.
campos do currículo escolar e das práticas extracurri- A didática da História passou a ser entendida como a
culares” (CERRI, 2007b). Importa demarcar quanto es- teoria da aprendizagem histórica. Cerri (2011) alerta:
ses estudos mais atuais descortinaram alguns mitos da
História ensinada. No que diz respeito à hierarquização Falar em consciência histórica implica uma definição
dos conhecimentos didáticos, convivia-se com a ideia de propositadamente muito ampla de história, como
que bastava saber História para ensiná-la e que a do- tempo significado (ou, dizendo de um modo um pou-
cência da disciplina limitava-se a transmitir o que os his- co diferente, experiência do tempo que passou por
toriadores produziam nos centros de referência. Hoje, um processo de significação). Tempo não quer dizer
evitam-se os limites que o conceito de disciplina contém passado. Consciência histórica não é memória, mas a
e procura-se alinhamento com os estudos de currículo, envolve: o tempo significado é a experiência pensada
utilizando-se o termo componente curricular. em função do tempo como expectativa e perspectiva,
Ensinar História não é um mero desdobramento compondo um sistema dinâmico. A consciência his-
do ofício do historiador. Por causa disso, os estudos tórica não é definida aqui como conquista particular,
atuais cada vez mais apontam para uma epistemolo- mas como aquisição cultural elementar e geral, na
gia do ensino que garanta um debate na área e mostre qual os sujeitos fazem suas sínteses entre objetivo e
que esse ensino não só remete ao campo teórico do subjetivo, empírico e normativo.
conhecimento da disciplina como abrange “a história
dos grupos envolvidos e do lugar onde é realizado, [...] O tempo, a memória, o passado e a cultura são ca-
incorpora contribuições dos diferentes saberes que tegorias fundamentais desse campo do ensino de His-
circulam na sociedade numa construção híbrida [...] e tória, apresentadas para a compreensão das demandas
[...] apresenta características decorrentes da dimen- atuais do desenvolvimento da consciência histórica. Vale
são educativa” (MONTEIRO, 2017). Portanto, pensar refletir que, nos anos iniciais da Educação Básica, essas
o ensino de História é acreditar num lugar de frontei- categorias devem ser manejadas na medida das com-
ra entre História e Educação, contemplando saberes preensões subjetivas do universo da criança estudante.
que envolvem ética e política e levando em conta que
conhecimentos do passado estarão associados ao de- São crianças
senvolvimento do pensamento e à reflexão crítica feita Propor caminhos para o ensino de História nos anos
por sujeitos de direitos – crianças e jovens –, cidadãos iniciais do Ensino Fundamental implica assegurar o
atuantes na escola, na família, no trabalho e na cidade. brincar das crianças e o direito de ler e escrever de
Os estudos do ensino de História se ampliam com todo estudante que adentra a escola. O fato de ser
as transformações da didática da História, baseadas criança até o término desse segmento alerta para a
na obra do filósofo e historiador alemão Jörn Rüssen, responsabilidade dos que estão à frente dessa jorna-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 341


Componentes curriculares

da. Essa etapa precisa garantir às crianças, sujeitos de curriculares, afastando o caráter estanque e comparti-
direito, a compreensão da sua condição de seres di- mentalizado. O saber histórico se aproxima da realida-
versos, dos deveres compreensíveis nesse nível e das de cotidiana da criança, o que possibilita esses diálogos
possibilidades de melhorar o mundo em que vivem de entre áreas. A parceria consagrada com a Geografia,
forma a torná-lo um lugar com oportunidades iguais uma vez que tempo e espaço são conceitos centrais
para todas e todos. Segundo Lerner (2002), “o desafio de ambos os componentes, e a ampliação do diálogo
que a escola enfrenta hoje é o de incorporar todos os com outras áreas do conhecimento garantem o tempo
alunos à cultura do escrito, é o de conseguir que todos pedagógico para o desenvolvimento da História numa
os seus ex-alunos cheguem a ser membros plenos da ampla perspectiva de aprendizagem.
comunidade de leitores e escritores”. Entende-se, dessa forma, que o direito de apren-
O ensino de História para crianças estará de dizagem da criança nesse segmento compactua com a
acordo com essa leitura e escrita do mundo se a pro- teoria do ensino de História, em que se faz necessário
fessora, ou o professor, possibilitar a mediação das garantir a valorização e a utilização dos conhecimen-
aprendizagens conforme o grau de maturidade das fai- tos históricos socialmente construídos, antenados com
xas etárias. Sendo assim, a gestão da sala de aula, com o mundo atual, real e digital, em prol da construção de
a utilização dos materiais didáticos adequados, permi- uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
tirá que a aprendizagem sobre sentimentos negativos
e positivos, identidade, pertencimento, solidariedade, Atitude historiadora
espírito crítico e valores possa se aliar ao desenvolvi- As competências propostas pela BNCC perpassam o
mento dos estudos do tempo e da memória nessa eta- direito de aprender com curiosidade intelectual, inves-
pa significativa do percurso escolar. tigação, análise crítica, reflexão e muita imaginação. É
Segundo a Base Nacional Comum Curricular preciso garantir a leitura, a escrita e a pesquisa. Isso se
(BNCC), o compromisso de uma Educação integral alcança por meio da elaboração e testagem de hipóte-
deve atrelar-se “à formação e ao desenvolvimento hu- ses, formulação e resolução de problemas, pensando
mano global, o que implica compreender a complexi- soluções com base na interdisciplinaridade. O direito
dade e a não linearidade desse desenvolvimento, rom- de aprendizagem requer que a escola proporcione o
pendo com visões reducionistas que privilegiam ou a desenvolvimento da argumentação, do conhecimen-
dimensão intelectual (cognitiva) ou a dimensão afetiva”. to de si mesmo e do outro para cuidar-se e saber lidar
com as relações interpessoais e emocionais, exercitan-
Valorização dos do empatia, diálogo, resolução de conflitos, cooperan-
conhecimentos prévios do com ações pessoais e coletivas, autônomas, respon-
A BNCC sublinha a necessidade de levar em conta a sáveis, éticas e democráticas e respeitando-as.
experiência das alunas e dos alunos do ponto de vista Ressalta-se ainda a importância de valorizar
social, econômico, cultural e temporal. Espera-se que as diversas manifestações artísticas e culturais, bem
as crianças utilizem seus conhecimentos prévios como como a diversidade de saberes e de vivências.
base para o processo de aprendizagem. Outro aspecto Todas essas habilidades e competências têm
fundamental é a formação da identidade das estudan- como objetivo comum e principal a aprendizagem de
tes e dos estudantes, considerando o tempo, a reali- uma “atitude historiadora”. Ou seja, os estudantes, de
dade e o espaço em que vivem. O documento destaca posse de diretrizes oriundas das bases epistemológi-
também a conexão com o outro, valorizando a diversi- cas da ciência histórica, instrumentalizados para iden-
dade cultural e o multiculturalismo. tificar, comparar, contextualizar, interpretar e analisar,
Cabe ressaltar a importância do diálogo com as podem, aos poucos, fazer pequenas incursões ligadas à
outras áreas de conhecimento, uma vez que a interdis- pesquisa histórica de forma autônoma e crítica, identi-
ciplinaridade nos anos iniciais do Ensino Fundamental ficando continuidades e rupturas.
é promissora para uma Educação que garanta a comu- A proposta da BNCC para o Ensino Fundamen-
nicação e as conexões entre os vários componentes tal modifica a forma de trabalho dos conteúdos a ser

342 REFERENCIAL CURRICULAR


História –1º ano

ministrados em sala, uma vez que utiliza o conceito de O enfoque da BNCC e dos estudos da área de
objetos de conhecimento e evidencia as unidades te- ensino de História demarcam a importância de com-
máticas. Segundo a BNCC: preender a construção do conhecimento histórico,
dividindo as etapas do Ensino Fundamental em anos
Respeitando as muitas possibilidades de organiza- iniciais e anos finais.
ção do conhecimento escolar, as unidades temáticas Nos anos iniciais, espera-se que os estudos pos-
definem um arranjo dos objetos de conhecimento ao sibilitem às estudantes e aos estudantes o conheci-
longo do Ensino Fundamental adequado às especifici- mento de si mesmos e, com base nesse conhecimento,
dades dos diferentes componentes curriculares. Cada o estabelecimento de relação com os outros saberes,
unidade temática contempla uma gama maior ou ampliando-os em diferentes tempos e espaços es-
menor de objetos de conhecimento, assim como cada pecíficos, de sorte que, quando da transição para os
objeto de conhecimento se relaciona a um número va- anos finais, estejam preparados para a construção e o
riável de habilidades. […] As habilidades expressam as desenvolvimento de habilidades específicas de cada
aprendizagens essenciais que devem ser asseguradas objeto de conhecimento do componente curricular
aos alunos nos diferentes contextos escolares. de História.

Indicadores de aprendizagem e avaliação


1º ano – História
MUNDO PESSOAL: MEU LUGAR NO MUNDO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer a própria identidade com base na história Identifica e expressa fatos da vida pessoal, em família e
pessoal. na escola?
Percebe a construção da própria identidade?

Conhece as fontes que registram a sua identidade. Conhece os documentos que registram sua identidade?
Reconhece que as pessoas na família têm registros de
identidade?
Percebe as mudanças tecnológicas que caracterizam as
fontes de identidade?

Compreender a família como grupo a ser caracterizado Reconhece e descreve os sujeitos que compõem a família
no tempo e espaço identificando nome e sobrenome. e as relações de parentesco?
Conhece a história de vida de cada um?
Reconhece que o sobrenome indica a origem da família a
que os indivíduos pertencem?
Identifica as formas familiares atuais e de outros tempos
históricos?
Observa os registros das famílias em tempos passados
e os registros atuais, identificando as mudanças
tecnológicas?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 343


Componentes curriculares

1º ano – História
MUNDO PESSOAL: MEU LUGAR NO MUNDO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Relacionar os vínculos de amizade que se estabelecem Identifica os membros de sua família, da escola e da
na família, escola e comunidade. comunidade?
Identifica os vínculos estabelecidos nos ambientes da
família, escola e comunidade?
Destaca que, independentemente da constituição familiar,
a família é importante para cada um de seus membros?
Reconhece a importância da escola na sua vida?

MUNDO PESSOAL: EU, MEU GRUPO SOCIAL E MEU TEMPO


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar noite e dia e os dias da semana e relacionar Identifica a temporalidade diária e semanal?
essa temporalidade com suas atividades e as da família. Relaciona as suas atividades, as da família e as da escola
com o tempo diário e semanal?
Observa as atividades da família ao longo da semana?

Compreender a noção de tempo passado e presente, Identifica ritmos e temporalidades?


tempo biológico e cronológico por meio de temas Distingue o tempo social do tempo natural?
cotidianos.
Conhece a noção de tempo passado e presente?
Relaciona as transformações dos objetos ao longo
do tempo?

Identificar as diferenças entre os variados ambientes Identifica as diferenças entre os variados ambientes
em que vive (família, escola e comunidade), de vivência?
reconhecendo as especificidades dos hábitos e das Reconhece e distingue o que é casa, escola, espaço
regras que os regem. religioso, praça, rua etc.?
Reconhece as especificidades de hábitos e regras que
regulam os ambientes de casa, escola e comunidade?
Exercita a cidadania ao trabalhar com temas que
envolvem diversidade e respeito?

Identificar semelhanças e diferenças entre jogos e Caracteriza as diferenças e semelhanças entre os jogos e
brincadeiras atuais e de outras épocas e lugares. as brincadeiras?
Identifica nos seus jogos e brincadeiras as diferenças e
semelhanças com jogos e brincadeiras de outros tempos
históricos?
Compara seus jogos e brincadeiras com os jogos e
brincadeiras de crianças de outros locais?
Relaciona a forma de brincar com a situação social,
ambiental, cultural e tecnológica de vários períodos
da história?

Reconhecer as histórias da família e da escola e Conhece os sujeitos que fazem parte da família, da
identificar o papel desempenhado por diferentes comunidade e da escola e os identifica?
sujeitos em diversos espaços. Identifica, reconhece e valoriza as profissões
desempenhadas pelos sujeitos da família, comunidade
e escola?
Relata suas atividades na escola, em casa e na
comunidade?

344 REFERENCIAL CURRICULAR


História – 2º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar mudanças e permanências nas formas de Reconhece o que mudou e se manteve na composição e
organização familiar. organização das famílias?
Identifica a diversidade das famílias?
Valoriza os vínculos familiares dentro da diversidade?

Identificar o espaço escolar nas suas diversas Identifica sua escola e sua representação espacial e
representações histórico-espaciais e na sua relação com histórico-social?
a comunidade.
Reconhece as diferenças do que se comemora na escola
e se festeja na família?
Reconhece as diferenças e semelhanças das escolas ao
longo do tempo?

2º ano – História

A COMUNIDADE E SEUS REGISTROS


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer a comunidade em que vive, identificando as Localiza e identifica a comunidade em que vive com base
marcas históricas que a caracteriza. na própria história?
Reconhece as características históricas que marcam a
comunidade?
Explica o que são grupos de convívio e sua importância
para a sociedade?
Reconhece espaços de sociabilidade e identifica os
motivos que aproximam e separam as pessoas em
diferentes grupos sociais ou de parentesco?

Relatar o seu núcleo familiar e perceber seus Reconhece a formação étnico-racial de sua família?
ascendentes com base nos grupos étnico-raciais
Identifica as várias formações étnico-raciais da família na
formadores da comunidade.
comunidade?
Compreende a estrutura da árvore genealógica e
estabelece relação de parentesco?
Reconstrói a história familiar com base em dados
extraídos da própria família?
Conhece as regras de convivência e relaciona a sua
necessidade para o convívio com as pessoas?
Problematiza a questão da diversidade e do respeito
ao diferente?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 345


Componentes curriculares

2º ano – História
A COMUNIDADE E SEUS REGISTROS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Entender as estruturas familiares de ontem e hoje na Identifica as formações familiares com base em
comunidade e no mundo. características da própria estrutura familiar?
Observa e relata as estruturas familiares de crianças em
outros tempos e espaços na comunidade e no mundo?
Nomeia acontecimentos ocorridos em diferentes tempos
e lugares de importância afetiva e significativa para a
comunidade local, regional e familiar?
Compara as diferentes estruturas familiares?
Identifica e descreve práticas e papéis sociais que as
pessoas exercem em diferentes comunidades?

Identificar os familiares e suas profissões, objetos e Relaciona e valoriza as profissões na família?


documentos representativos da estrutura familiar.
Identifica e relata os objetos representativos da
memória/identidade familiar?
Relaciona documentos pessoais à construção das
memórias da família, escola e comunidade?
Relaciona os profissionais que contribuem para o
desenvolvimento da comunidade?
Seleciona objetos e documentos pessoais como fontes
de memórias e histórias nos âmbitos pessoal, familiar,
escolar e comunitário?
Identifica a importância dos documentos pessoais como
forma de exercer a cidadania?

Distinguir as matrizes históricas presentes na Identifica as matrizes étnico-raciais presentes na região?


construção da comunidade em que mora e suas
Identifica e relaciona as representações socioculturais
representações sociais.
dessas matrizes étnico-raciais?
Identifica as marcas culturais, observando as mudanças
ocorridas na comunidade?
Seleciona objetos e documentos pessoais e de grupos
próximos ao seu convívio e compreende sua função, seu
uso e significado?

Sequenciar fatos cotidianos de forma cronológica, Identifica e organiza temporalmente fatos da vida
aplicando palavras e expressões temporais (antes, cotidiana usando noções relacionadas ao tempo?
durante, ao mesmo tempo e depois), e compreender a
Reconhece as ideias de antes, durante e depois?
temporalidade linear.
Identifica e utiliza diferentes marcadores de tempo
presentes na comunidade, como relógio e calendário?
Registra as variadas formas de tempo ao longo da
história e a relação com as atividades da comunidade?
Relata acontecimentos da vida na comunidade,
valorizando as noções de anterioridade, posterioridade
e simultaneidade?

346 REFERENCIAL CURRICULAR


História – 2º ano

AS FORMAS DE REGISTRAR AS EXPERIÊNCIAS DA COMUNIDADE


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar as diversas fontes históricas utilizadas para Identifica as diversas fontes históricas utilizadas na
registros de um grupo ou de toda a sociedade ao longo sociedade?
do tempo.
Compila histórias da família e/ou da comunidade
registradas em diferentes fontes?
Identifica e relaciona as fontes utilizadas nos
agrupamentos humanos ao longo do tempo?
Relaciona as formas de registros antigas com as formas
de registros atuais com a presença da tecnologia?

Compreender as razões para conservar ou descartar Identifica objetos e documentos pessoais que remetem
objetos e documentos. à própria experiência no âmbito da família e/ou
comunidade?
Identifica o avanço das tecnologias no que tange à
redução do uso de certos objetos de registro?
Explica que qualquer objeto pode ser uma forma de
registro de vivências familiares ou de um grupo social?
Discute as razões pelas quais alguns objetos são
preservados e outros são descartados?

Compreender os elementos culturais presentes na Identifica as marcas culturais da comunidade?


comunidade em que mora e onde a escola está inserida
Observa as mudanças ocorridas na comunidade?
como marcas identitárias da própria história.
Relata a história da escola na comunidade, identificando
as mudanças no decorrer do tempo?
Valoriza os profissionais presentes nos diversos
ambientes?

Identificar e reconhecer objetos e documentos Compreende o sentido de mudança, pertencimento e


importantes para o patrimônio histórico da cidade. memória por meio dos objetos que demarcam a história
da família?
Identifica permanências e mudanças no ambiente da
escola, da comunidade e da cidade?
Reconhece a escola como espaço de vida pessoal e de
aprendizagem?
Percebe o que é patrimônio histórico?
Compreende a valorização cultural no espaço da
comunidade e da cidade?
Compreende a importância das tecnologias digitais para
a preservação do patrimônio histórico?
Relaciona trabalhos e trabalhadores, sua importância
e características como base para a continuidade da
comunidade?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 347


Componentes curriculares

2º ano – História
O TRABALHO E A SUSTENTABILIDADE NA COMUNIDADE
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar diferentes formas de trabalho existentes Reconhece os diferentes tipos de trabalho existentes na
na comunidade em que vive, seus significados, comunidade?
especificidades e importância.
Relaciona a importância dos vários tipos de trabalho
para o funcionamento da comunidade e da cidade?
Identifica a representação social dos trabalhadores da
comunidade e suas funções específicas?
Valoriza o trabalho desenvolvido na comunidade,
relacionando-o com os trabalhadores de sua família,
escola e comunidade?

Identificar impactos no ambiente causados pelas Relaciona os diferentes tipos de trabalho existentes na
diferentes formas de trabalho existentes na comunidade comunidade, identificando-os com os impactos causados
em que vive. ao ambiente?
Percebe a existência do trabalho infantil ao longo do
tempo?
Demonstra senso de cidadania?
Reconhece os direitos das crianças não como um favor,
mas como um dever da sociedade?
Explica como a sociedade pode colaborar com o uso
adequado dos diversos ambientes?

3 º ano – História
AS PESSOAS E OS GRUPOS QUE COMPÕEM A CIDADE E O MUNICÍPIO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer em si mesmo e nos outros as mudanças Reconhece mudanças físicas e sociais ocorridas de um
ocorridas de um ano para outro, identificando, no ano para outro em si mesmo e nos outros?
contexto do ambiente escolar, as permanências e
Identifica mudanças e permanências ocorridas no
transformações.
contexto do ambiente escolar e em sua comunidade?
Identifica os objetos que fazem parte da sua vida familiar
e escolar, relacionando-os aos avanços tecnológicos?

Identificar os grupos populacionais que formam a Reconhece, lista e localiza aspectos da história da cidade
cidade, o município e a região, como se relacionam e os e da região que foram imprescindíveis para a formação
eventos que marcam a formação da cidade. daquele espaço?
Identifica grupos populacionais, suas inter-relações, bem
como crescimento econômico e tecnológico na região?
Reconhece os fenômenos migratórios (vida rural/vida
urbana), desmatamentos, estabelecimento de grandes
empresas etc.?
Conhece o conceito de município?
Diferencia município de cidade?

348 REFERENCIAL CURRICULAR


História – 3º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Perceber a sua comunidade na dinâmica do tempo Identifica as mudanças nas paisagens que compõem a
histórico da cidade, observando as permanências e região (centro, periferia, orla) e suas relações com os
transformações. grupamentos populacionais?
Seleciona, por meio de consulta de fontes de diferentes
naturezas, e registra acontecimentos ocorridos ao longo
do tempo na cidade ou região em que vive?
Compreende as diferenças culturais, sociais, econômicas
e identitárias entre as comunidades por meio de
fotografias e imagens do lugar?
Evidencia a interdependência entre o campo e a cidade?

Reconhecer as primeiras noções de fontes históricas. Reconhece o que são fontes históricas?
Reconhece diferenças culturais, sociais, econômicas e
identitárias entre as comunidades?
Reflete sobre a memória das cidades?
Reconhece que cada cidade possui sua história?

Identificar e comparar pontos de vista em relação a Pesquisa eventos importantes de sua região e relaciona-
eventos significativos do local em que vive, aspectos -os com os grupos sociais existentes?
relacionados a condições sociais e à presença de Coleta e compara opiniões sobre os eventos, debatendo
diferentes grupos sociais e culturais, com especial os diversos pontos de vista?
destaque para as culturas africanas, indígenas e de
migrantes. Valoriza a diversidade cultural, reconhecendo as
contribuições dos grupos sociais da região?

Identificar os patrimônios históricos e culturais da Reconhece os patrimônios histórico-culturais materiais,


cidade ou região e problematizar as razões culturais, imateriais e naturais da região em que vive?
sociais e políticas para que assim sejam considerados. Problematiza sobre a importância da preservação do
patrimônio?
Reconhece a importância de valorizar o patrimônio
imaterial na formação da identidade cultural de um povo?
Propõe intervenções no bairro para a preservação do
patrimônio histórico?

O LUGAR EM QUE VIVE


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e reconhecer os marcos históricos da Conhece, coleta, compila e seleciona informações sobre
comunidade, da cidade e da região. os marcos históricos da comunidade, região e cidade?
Reconhece a memória individual e coletiva dos
povos e problematiza sua importância como fonte de
conhecimento?
Conhece alguns marcos históricos de cidades brasileiras?

Compreender os significados dos marcos históricos do Compreende as mudanças culturais – regras, hábitos e
lugar em que vive. costumes etc. – ao longo do tempo, relacionando-as aos
marcos históricos?
Identifica os significados dos marcos históricos?
Problematiza de que forma os marcos históricos são
constituídos no tempo e no espaço?
Observa a importância do uso de tecnologias avançadas
para o conhecimento e a preservação dos marcos
históricos?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 349


Componentes curriculares

3 º ano – História
O LUGAR EM QUE VIVE
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar semelhanças e diferenças entre comunidades Observa e compara dois ou mais grupos sociais da
da cidade ou região e descrever o papel dos diferentes região?
grupos sociais que as formam. Reconhece as características e qualidades dos grupos
sociais que formam a região?
Reconhece e representa brincadeiras, tipo de trabalho,
organização do espaço etc. do passado, identificando as
origens, semelhanças e diferenças?

Identificar e reconhecer modos de vida na cidade e no Percebe as maneiras diferentes de fazer as coisas na vida
campo no presente, indicando semelhanças e diferenças urbana e na vida rural?
com o passado. Conhece e coleta informações sobre as duas realidades
no passado e as compara com o presente?
Reconhece e valoriza as culturas afro-brasileira e indígena
e de outros povos que habitam a cidade e o campo?
Identifica o uso de tecnologias entre os grupamentos
sociais no processo histórico?

A NOÇÃO DE ESPAÇO PÚBLICO E PRIVADO


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer os espaços públicos, privados e as áreas Identifica os espaços públicos e privados da sua região e
de conservação ambiental da cidade e as múltiplas suas funções?
atividades relacionadas a esses lugares. Reconhece os espaços institucionais da política?
Observa a ação política no tempo e no espaço?

Identificar as diferenças entre o espaço doméstico, os Identifica as diferenças entre os espaços públicos e
espaços públicos e as áreas de conservação ambiental domésticos e as áreas de conservação ambiental?
compreendendo a importância dessa distinção. Compreende a quem pertence esses espaços, quem é
responsável por sua manutenção, quem os frequenta,
suas regras e restrições?
Compreende as distinções entre espaços?

Identificar diferenças entre formas de trabalho Diferencia o trabalho urbano do rural?


realizadas na cidade e no campo, considerando também Identifica o uso de tecnologia no trabalho urbano e rural?
o uso da tecnologia nesses diversos contextos.
Compara o tempo presente e o passado quanto às
formas de trabalho urbano e rural?
Reconhece e valoriza a diversidade de hábitos e
costumes?

Comparar as relações de trabalho e lazer do presente Identifica os diversos tipos de relações de trabalho e
com as de outros tempos e espaços, analisando de lazer?
mudanças e permanências. Reconhece essas relações de trabalho e lazer no passado
e presente e identifica mudanças e permanências?
Reflete sobre os serviços, transportes e lazer oferecidos
no espaço urbano e rural, sua qualidade, problemas e
necessidades de melhoria?
Compreende como as mudanças no campo do lazer
e trabalho influenciaram o desenvolvimento da
comunidade?
Propõe formas de convivência social com base no respeito
às várias culturas e histórias como prática da cidadania?

350 REFERENCIAL CURRICULAR


História – 4º ano

4 º ano – História

TRANSFORMAÇÕES E PERMANÊNCIAS NAS TRAJETÓRIAS DOS GRUPOS HUMANOS


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer a história como resultado da ação do ser Percebe a ação humana no tempo e no espaço?
humano no tempo e no espaço. Compreende o fato de que essa ação humana pode
gerar mudanças ou permanências?
Exemplifica ações humanas em espaços e tempos
diferentes?
Apresenta noção de temporalidade histórica?
Compreende as noções de mudanças, permanências e
níveis de temporalidade em relação ao estudo da história?

Identificar mudanças e permanências ao longo do Identifica mudanças e permanências das ações humanas
tempo. ao longo do tempo?
Compila informações que apresentam as mudanças e
permanências ao longo do processo histórico?
Identifica em sua região os processos de transformação
do espaço entre o passado e o presente?

Problematizar os sentidos dos grandes marcos da Percebe a trajetória dos grupos humanos ao longo do
história da humanidade. tempo?
Identifica as grandes mudanças ocorridas na história da
humanidade?
Caracteriza o modo de vida dos caçadores e coletores,
identificando suas tecnologias?
Problematiza a importância desses eventos?

Identificar as transformações ocorridas na cidade ao Identifica grupos que formam a identidade do povo
longo do tempo. brasileiro?
Diferencia nomadismo de sedentarismo?
Compara os hábitos e costumes entre os grupos
formadores do povo brasileiro?
Identifica, em sua região, os grupamentos populacionais
e seus hábitos e costumes, observando as permanências
e mudanças?

Problematizar as interferências culturais nos modos de Problematiza as interferências culturais nos modos de
vida dos habitantes da região. vida da população?
Valoriza as formas do tempo na manifestação das
mudanças e permanências?
Destaca a importância da metalurgia para os seres
humanos?

Identificar as tecnologias utilizadas e aprimoradas ao Identifica as tecnologias que possibilitaram a


longo do tempo para a existência e sobrevivência dos sobrevivência humana?
grupamentos humanos. Percebe a modificação do meio ambiente e o impulso
para outras descobertas e invenções?
Problematiza o processo das tecnologias, refletindo seus
hábitos e costumes no presente?
Evidencia as mudanças e permanências entre as cidades
do passado e do presente?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 351


Componentes curriculares

4 º ano – História
CIRCULAÇÃO DE PESSOAS, PRODUTOS E CULTURAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar as relações entre os indivíduos e a natureza Identifica a interferência dos grupos humanos na
com base nas ações de deslocamento e comércio. natureza para a sobrevivência?
Percebe a interferência na natureza por meios diversos,
como caça, coleta, pesca, derrubada da mata, plantio e
irrigação?
Compreende que o nomadismo e o sedentarismo foram
alternativos para a sobrevivência humana?

Problematizar o significado do nomadismo e do Problematiza as mudanças no meio natural com base no


sedentarismo das primeiras comunidades humanas. nomadismo e no sedentarismo?
Reflete sobre as mudanças que ocorreram com a
expansão do sedentarismo?
Identifica o nomadismo no presente e reflete sobre ele?

Relacionar os processos de ocupação do campo com Compreende como as ocupações do campo interferiram
intervenções na natureza, avaliando os resultados no meio natural?
dessas intervenções.
Verifica e explica os efeitos dessas intervenções?
Identifica, em sua região, de que forma o campo foi e é
ocupado?

Identificar as transformações ocorridas nos processos Percebe que as pessoas e mercadorias circulam ao longo
de deslocamento das pessoas e mercadorias, analisando do tempo?
as formas de adaptação ou marginalização.
Identifica as razões dessas circulações e os efeitos no
meio natural?
Problematiza as adaptações e/ou marginalizações
decorrentes da circulação de pessoas e mercadorias?

Identificar e descrever a importância dos caminhos Percebe e explica a importância da circulação e dos
terrestres, fluviais e marítimos para a dinâmica da meios de transporte na formação das cidades, no
vida comercial. desenvolvimento do comércio e nas transformações do
meio natural?
Reconhece cartograficamente o município em que vive e
situa as formas predominantes de circulação das pessoas
e das mercadorias na região?
Problematiza as formas de circulação e o processo de
desenvolvimento para a região?
Reconhece a importância dos caminhos terrestres,
fluviais e marítimos para a vida comercial?

Identificar as transformações ocorridas nos meios de Identifica e distingue os diversos meios de comunicação?
comunicação e problematizar seus significados para os
Compreende a evolução dos meios de comunicação ao
diferentes grupos ou estratos sociais.
longo do tempo?
Avalia a importância dos meios de comunicação para
integrar e/ou excluir as pessoas de diferentes grupos
sociais?

352 REFERENCIAL CURRICULAR


História – 4º ano

AS QUESTÕES HISTÓRICAS RELATIVAS ÀS MIGRAÇÕES


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender as motivações dos processos migratórios Identifica as causas que levam os grupos humanos
em diferentes tempos e espaços. a migrar?
Identifica como sendo da África os primeiros
grupamentos humanos a migrar?
Compreende o papel das migrações em sua região?

Refletir sobre o papel desempenhado pela migração nas Reflete sobre os efeitos das migrações nas regiões onde
regiões de destino. os grupamentos humanos se fixam?
Compreende a dinâmica das migrações também
partindo das referências cartográficas?
Percebe que os povos têm uma origem comum, o
continente africano?
Analisa a ocupação dos continentes, especialmente
a América?

Analisar diferentes fluxos populacionais e suas Situa as raízes históricas do Brasil no processo inicial de
contribuições para a formação da sociedade brasileira. ocupação do continente americano?
Identifica a diversidade social e cultural indígena anterior
à conquista e à ocupação colonial?
Analisa a presença de vários fluxos migratórios na
história do Brasil, inclusive a diáspora forçada africana,
como formadores da cultura brasileira?
Valoriza a multiplicidade étnica, problematizando
preconceitos e discriminações na atualidade?

Analisar, na sociedade em que vive, a existência ou não Identifica hábitos e costumes, presentes em sua vida,
de mudanças associadas às migrações. oriundos de fluxos migratórios?
Reflete sobre as histórias da vida das crianças indígenas,
africanas e europeias, traçando paralelos entre passado
e presente?
Avalia se a migração ocorrida na sociedade em que vive
provocou ou não mudanças no espaço e nas relações
sociais de seu lugar de vivência?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 353


Componentes curriculares

5º ano – História
POVOS E CULTURAS: MEU LUGAR NO MUNDO E MEU GRUPO SOCIAL
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar os processos de formação das culturas e Situa a história dos povos na formação dos
dos povos, relacionando-os com o espaço geográfico agrupamentos sociais?
ocupado.
Percebe a relação entre modos de vida nômade e
sedentário?
Identifica a formação das primeiras cidades na história
da humanidade?
Identifica os processos de formação das culturas e dos
povos, relacionando-os com o espaço geográfico em
que vive?

Identificar os mecanismos de organização do poder Relaciona a vida sedentária à formação do Estado?


político e desenvolver uma percepção de Estado e
Exemplifica as formas de Estado ao longo da história,
formas de ordenação social.
identificando o Estado brasileiro?
Identifica as ações do Estado brasileiro no município com
base na cultura, sociedade, economia, política e religião?

Analisar o papel das culturas e das religiões na Compreende o papel da religião na organização do poder
composição identitária dos povos antigos. político dos povos antigos?
Identifica a religião desses povos como expressão da
identidade cultural?
Reflete como a religião na Antiguidade era
compartilhada por toda a sociedade e orientava todas as
decisões?

Associar a noção de cidadania com os princípios de Compreende o que é cidadania?


respeito à diversidade, à pluralidade e aos direitos
Identifica e valoriza o respeito às diferenças sociais,
humanos.
culturais e aos direitos humanos?
Relaciona cidadania com o respeito às diferenças sociais,
culturais e aos direitos humanos?
Reflete que a cidadania é condição importante para
quem vive e participa da sociedade?

Associar o conceito de cidadania à conquista de direitos Reconhece aspectos da história da cidadania,


dos povos e das sociedades, compreendendo-o como identificando o tempo e o esforço social empreendidos
conquista histórica. para consolidá-la?
Identifica as revoluções, resistências e acertos coletivos
pelos quais passou a história da cidadania?
Situa marcos históricos importantes da conquista da
cidadania?

354 REFERENCIAL CURRICULAR


História – 5º ano

REGISTROS DA HISTÓRIA: LINGUAGENS E CULTURAS

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Comparar o uso de diferentes linguagens e tecnologias Identifica e discrimina diferentes formas de registros
no processo de comunicação. históricos?
Reflete sobre a importância dos registros históricos?
Valoriza as diferentes formas de registros históricos?

Avaliar os significados sociais, políticos e culturais Identifica os meios de comunicação como registros de
atribuídos às diferentes linguagens e tecnologias. memória e fontes históricas?
Problematiza sobre as diferentes linguagens e
tecnologias e seus efeitos na vida política, social e
cultural da sociedade?
Compara o uso de diferentes linguagens e tecnologias no
processo de comunicação?
Avalia a importância das diferentes linguagens e
tecnologias para a memória histórica?

Identificar os processos de produção, hierarquização Identifica que os marcos e registros históricos foram
e difusão dos marcos de memória e discutir a presença produzidos e difundidos por determinados grupos
e/ou a ausência de diferentes grupos que compõem a sociais?
sociedade na nomeação desses marcos de memória.
Problematiza o que significa determinado grupo social,
exclusivamente, produzir e difundir marcos e registros
históricos?
Percebe que a escrita não é a única fonte histórica e que
a reconstituição do passado dos diversos grupos que
compõem a sociedade pode ser feita por meio de outros
tipos de fonte?

Identificar formas de marcação da passagem do tempo Compreende que a marcação do tempo é muito anterior
em distintas sociedades, ressaltando os povos indígenas à invenção do relógio e dos calendários?
originários e os povos africanos.
Identifica que os grupos humanos criaram formas de
registrar o tempo com base nas mudanças observadas
na natureza?
Compreende que a ideia de tempo é interpretada de
acordo com o modo de vida e o ambiente em que se vive?

Comparar pontos de vista sobre temas que impactam a Pesquisa e coleta informações sobre os temas relevantes
vida cotidiana no tempo presente por meio de acesso a e impactantes da atualidade?
diferentes fontes.
Reflete sobre esses temas problematizando pontos de
vista diferenciados?
Propõe soluções para os temas que geram conflitos
sociais?

Inventariar os patrimônios materiais e imateriais da Compila informações identificando os patrimônios


humanidade e analisar mudanças e permanências materiais e imateriais da humanidade?
desses patrimônios ao longo do tempo.
Identifica as mudanças e permanências desses
patrimônios ao longo do tempo?
Propõe estratégias de valorização da memória dos povos
com base nos patrimônios materiais e imateriais.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 355


Componentes curriculares

ENSINO RELIGIOSO

Marcos da concepção
No decurso da história, Educação e religião sempre liberdade religiosa), eliminando qualquer hierarquiza-
estiveram interligadas. A dimensão religiosa é cons- ção de religiões ou de crenças. Ele também expulsou
tante na formação social dos povos. No caso brasileiro, os jesuítas da Colônia (o Brasil) e tornou laico o ensino,
especificamente, ela se deu desde a colonização por inserindo as aulas régias. Contudo, o Ensino Religioso
Portugal, por meio da formação dos nobres de então, de cunho confessional ainda seguiu marcante no sécu-
da aculturação dos povos indígenas e da proibição dos lo posterior, mesmo após a promulgação da Constitui-
cultos religiosos do povo negro escravizado. As duas ção Federal de 1891, de orientação laica.
dimensões, portanto, estiveram e estão juntas e im- A partir da Constituição de 1934, promulgada no
bricadas, pois, ao considerar a constituição do sujeito, primeiro governo de Getúlio Vargas, o Ensino Religio-
faz-se necessário ponderar a relação intrínseca entre a so ganhou força como disciplina na Educação pública.
imanência (o concreto) e a transcendência (o simbólico, Embora ainda mantivesse caráter confessional, permi-
o subjetivo). Pode-se afirmar, com isso, que os conheci- tia o direito subjetivo de liberdade religiosa das estu-
mentos religiosos contribuíram para a formação socio- dantes e dos estudantes. O Art. 153 dizia:
cultural dos povos e, assim, são considerados patrimô-
nio da humanidade. [...] o ensino religioso será de frequência facultativa e
No Brasil, o Ensino Religioso apresentou ao lon- ministrado de acordo com os princípios da confissão re-
go do tempo distintas concepções teórico-metodoló- ligiosa do aluno manifestada pelos pais ou responsáveis
gicas. No início da formação sociocultural brasileira, e constituirá matéria dos honorários nas escolas públi-
era predominantemente confessional, voltado para a cas primárias, secundárias, profissionais e normais.
vertente do catolicismo, outrora dominante. Portanto,
mantinha-se atrelado às concepções religiosas dos co- A oficialização do Ensino Religioso como disci-
lonizadores portugueses, todos católicos. plina nos currículos brasileiros ocorreu por meio do
Decreto nº 7.247/1879 e permanece até os dias atuais,
Os marcos legais manifestada na Constituição Federal de 1988 e na Lei
A Educação pública no Brasil teve início somente após de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB) nº
o Marquês de Pombal, no século XVIII, tornar o Estado 9.394/96. Entretanto, vale ressaltar que, até a formali-
português laico (sem religião oficial e com respeito à zação da Lei nº 9.475/97, o Ensino Religioso mantinha-

356 REFERENCIAL CURRICULAR


Ensino Religioso

-se com um caráter confessional e interconfessional. Combate ao preconceito


Após esta lei, o Art. 33 da LDB 9.394/96 ganhou outra e à intolerância
redação: A obrigatoriedade do Ensino Religioso nos currículos
escolares é um tema controverso, que desperta dife-
O ensino religioso, de matrícula facultativa, é parte rentes e diversas opiniões. As contrárias são embasa-
integrante da formação básica do cidadão e constitui das, principalmente, na laicidade do Estado brasileiro
disciplina dos horários normais das escolas públicas e no fato de que religião é um tema que diz respeito à
de ensino fundamental, assegurado o respeito à diver- instituição familiar e não à escolar. Por outro lado, as
sidade cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer opiniões favoráveis são de que o objeto de estudo do
formas de proselitismo. Ensino Religioso tem o papel de auxiliar a construção
§1º Os sistemas de ensino regulamentarão os proce- da cidadania, possibilitando a comunicação dialógica
dimentos para a definição dos conteúdos do ensino entre as religiões, o respeito às diferenças culturais
religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e às diversidades religiosas. Portanto, ajuda a abrir a
e admissão dos professores. possibilidade da superação de preconceitos e a da re-
§2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, cons- lação democrática e humanizada entre as pessoas no
tituída pelas diferentes denominações religiosas, para convívio social, na busca por construir a concepção de
a definição dos conteúdos do ensino religioso. valorização dos direitos humanos.
Reconhece-se que o processo de construção
Nessa perspectiva, o Ensino Religioso vai além de desse componente curricular e, então, área de conhe-
ser um componente curricular ou disciplina. Ele é es- cimento, se deu com o percurso histórico da Educação
tabelecido como parte integrante da formação básica brasileira e, principalmente, revela seu lugar interme-
das estudantes e dos estudantes. Portanto, torna-se diário entre Igreja e Estado, o que é refletido nos di-
preponderante pensar a Educação dos indivíduos para plomas legais da legislação educacional. Porém, o tema
sua formação integral, que se dá nas dimensões do religioso de outrora, doutrinário, cede lugar ao aspecto
imanente e do transcendente. Essa posição alinha-se científico que embasa as referências do Ensino Religio-
ao Art. 210 da Constituição Federal de 1988, que de- so, como conhecimentos produzidos pelas Ciências
clara: “Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino Humanas e Sociais e pelas Ciências das Religiões. As-
fundamental, de maneira a assegurar formação básica sim, busca construir uma identidade pedagógica pró-
comum e respeito aos valores culturais e artísticos, na- pria que tem como objeto de estudo os conhecimentos
cionais e regionais”. Ao considerar os conhecimentos religiosos.
do componente curricular Ensino Religioso em suas O Ensino Religioso é aconfessional e não prose-
dimensões histórica, cultural e sociológica das matri- litista e deve, assim, galgar seu espaço e demarcar sua
zes africana, indígena, oriental e ocidental, nota-se que identidade na Educação formal brasileira. Para isso,
eles também perpassam o desenvolvimento de com- necessita embasar-se cientificamente e eticamente e
petências socioemocionais das crianças, o que incide demonstrar às professoras e aos professores que exis-
diretamente no respeito aos valores culturais das so- tem diversos e diferentes modos de encontrar sentido
ciedades prescritos na Constituição Federal. para a vida, para a morte e para o transcendente e que
Além dos marcos legais já referidos, as resolu- deve ser preponderante o respeito e a tolerância ao di-
ções CNE/CEB nº 4/2010, que estabelece as Diretri- ferente e ao diverso.
zes Nacionais Gerais para a Educação Básica, e CNE/
CEB nº 7/2010, que fixa Diretrizes Curriculares Na- Formação docente
cionais para o Ensino Fundamental de nove anos, dão Ainda que haja controvérsia em torno da obrigatorie-
ao Ensino Religioso o status de componente curricular dade, os entes federados devem, de fato, tomar para
indicado a integrar a Base Nacional Comum Curricular si a incumbência determinada nos dispositivos legais.
(BNCC), homologada em 2017, constituindo uma das Uma vez posta a obrigatoriedade nos currículos, o po-
cinco áreas de conhecimento do Ensino Fundamental. der público precisa estar atento às questões necessá-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 357


Componentes curriculares

rias para garantir um ensino de qualidade. Em muitos progressão linear do mais simples para o mais comple-
estabelecimentos de ensino da Bahia, por exemplo, xo. Mas as educadoras e os educadores desses muni-
a gestão escolar negligencia o Ensino Religioso e o cípios precisam programar o componente de modo a
entrega como complementação de carga horária de contemplar todas as aprendizagens de forma concen-
professores que, em muitos casos, não têm formação trada nos anos finais. Isso faz com que o Ensino Reli-
específica ou afim. A consequência é um fazer docen- gioso continue desvalorizado e sem receber a devida
te embasado, muitas vezes, em critérios pessoais e em importância para as estudantes, os estudantes e toda
crenças religiosas próprias, tornando o ensino mais a comunidade escolar.
frágil como componente curricular e área de conheci- Assim, considera-se essencial estabelecer um
mento e fortalecendo o caráter confessional e proseli- currículo baseado em uma abordagem metodológica
tista. Portanto, é importante que o Estado qualifique contextualizada, interdisciplinar e que seja instituído
as questões que dizem respeito ao componente e ga- desde o início do Ensino Fundamental. Nele, os conheci-
ranta formação docente específica a quem vai minis- mentos prévios das alunas e dos alunos e suas visões de
trar suas aulas. A formação docente é, também aqui, mundo precisam ser respeitados e, ao mesmo tempo,
um divisor de águas para a qualidade da aprendizagem. trabalhados para que haja o reconhecimento e o res-
A valorização do componente curricular pode con- peito às diferenças e diversidades culturais e religiosas
tribuir para a efetivação do direito das pessoas à liber- existentes nos municípios, no coletivo do ADE Chapada
dade de crença e de prática religiosa e, assim, diminuir o Diamantina e Regiões, na Bahia, no Brasil e no mundo.
preconceito e a intolerância religiosa há muito combati- Os temas religiosos, ao integrarem o contexto
da, mas, ao mesmo tempo, tão crescente no país. da Educação formal, precisam atender aos critérios
Outra questão a ressaltar é que o Ensino Religio- próprios dos processos de ensino e aprendizagem.
so, por determinação legal, é obrigatório em todo o En- As professoras e os professores devem compreender
sino Fundamental. Mas alguns municípios baianos, por como se dá a construção dos conhecimentos religio-
questões diversas, o inserem nos currículos apenas sos e formar a ideia do ensino da área para além de
nos anos finais da etapa. Com isso, pode-se ter uma valores morais, contemplando os conhecimentos que
perda de qualidade pedagógica. A garantia do direito ajudaram a compor histórias subjetivas e culturais da
de aprendizagens estabelecida pela BNCC traça uma humanidade.

Currículo nos anos iniciais


Neste Referencial Curricular, o componente curricular sidade cultural religiosa e as não religiões, bem como
Ensino Religioso foi elaborado de forma a atender aos suas implicações e tensões no mundo.
marcos legais brasileiros e às diretrizes estabelecidas Os objetivos propostos na BNCC indicam que
pelas orientações curriculares da BNCC, que define as o papel desse componente curricular é assegurar às
aprendizagens essenciais da Educação Básica. Em um crianças e à comunidade escolar o direito à diversidade
contexto socioeducacional manifestado de forma in- e à liberdade religiosa, como determina a concepção
tercultural, não é coerente o Ensino Religioso ser visto do Estado laico. Dessa forma, é importante destacar
como estudo da religião em si, e não abarcar a diver- que o desenvolvimento e a organização deste Referen-

358 REFERENCIAL CURRICULAR


Ensino Religioso

cial Curricular foram construídos em consonância com


4. Conviver com a diversidade de crenças,
esses objetivos, abaixo descritos. pensamentos, convicções, modos de ser e de viver.
5. Analisar as relações entre as tradições religiosas e
a) Proporcionar a aprendizagem dos conhecimentos os campos da cultura, da política, da economia, da
religiosos, culturais e estéticos com base nas ma- saúde, da ciência, da tecnologia e do meio ambiente.
nifestações religiosas percebidas na realidade dos 6. Debater, problematizar e posicionar-se diante dos
discursos e práticas de intolerância, discriminação
educandos.
e violência de cunho religioso de modo a
b) Proporcionar conhecimentos sobre o direito à liber- assegurar os direitos humanos no constante
dade de consciência e de crença, no constante pro- exercício da cidadania e da cultura de paz (BNCC,
pósito de promoção dos direitos humanos. BRASIL, 2017).
c) Desenvolver competências e habilidades que con-
tribuam para o diálogo entre perspectivas religiosas
e seculares de vida, exercitando o respeito à liberda- O desenvolvimento dessas competências torna-
de de concepções e o pluralismo de ideias, de acor- -se imperativo ao se considerar que a formação do su-
do com a Constituição Federal. jeito se dá de forma histórica, com base em elementos
d) Contribuir para que os educandos construam seus subjetivos e culturais e em relações tecidas socialmen-
sentidos pessoais de vida com base em valores, te, perfazendo um ciclo de conservação e produção
princípios éticos e da cidadania. cultural embasado na imanência e na transcendência.
A imanência, segundo Platão, é o que se limita a si pró-
Dito isso, compreende-se que cabe ao compo- prio, à realidade material e sensível. Transcendência,
nente curricular Ensino Religioso tratar dos conheci- por sua vez, tem uma causa maior e externa a si mes-
mentos religiosos, frutos de fenômenos e manifesta- mo, uma realidade imaterial e suprassensível. Pode-se
ções religiosas em diferentes culturas, resultados da afirmar que a constituição humana se dá com a união
busca do ser humano por respostas aos mistérios que dessas duas perspectivas (dimensão física, biológica e
envolvem as questões existenciais da vida, da morte e a dimensão subjetiva, abstrata, simbólica). No contexto
busca incessante por entender a transcendência, com religioso, essas duas dimensões são mais notadas.
base em fundamentos éticos e científicos, sem a inten- De acordo com a Base Nacional Comum Cur-
ção de priorizar nenhuma crença, convicção, religião ricular,
ou filosofia de vida. O intuito é tomar por base pressu- [...] a percepção das diferenças (alteridades) possibilita
postos científicos para entender como esses conheci- a distinção entre o “eu” e o “outro”, “nós” e “eles”, cuja
mentos contribuem na formação de personalidades e relações dialógicas são mediadas por referenciais sim-
na construção de culturas. bólicos (representações, saberes, crenças, convicções,
Nesse sentido, de acordo com a BNCC, o ensino valores) necessários à construção das identidades
deve possibilitar às crianças o desenvolvimento de com- (BNCC, 2017).
petências e habilidades específicas da área, tais como:
Para entender a relação entre imanência e trans-
1. Conhecer os aspectos estruturantes das diferentes cendência, que constitui a unidade humana, é ne-
tradições/organizações religiosas e filosofias de vida, cessário compreender como se dá o processo dessa
com base em pressupostos científicos, filosóficos, composição. No contexto da Educação integral, em
estéticos e éticos. que o indivíduo se faz pelo diálogo autêntico com ou-
2. Compreender, valorizar e respeitar as manifestações tro e com o mundo, numa dinâmica de introspecção e
religiosas e filosofias de vida, suas experiências e
extrospecção, pode-se observar a imbricação entre
saberes, em diferentes tempos, espaços e territórios.
3. Reconhecer e cuidar de si mesmo, do outro, da as duas dimensões. Numa infinita busca por desvelar
coletividade e da natureza, enquanto expressões de as questões humanas existenciais, questionamentos
valor da vida. como quem somos, de onde viemos e para onde vamos
justificam a criação de mitos e símbolos que possam re-

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 359


Componentes curriculares

presentar respostas. O Ensino Religioso deve trabalhar a formação de sujeitos mais empáticos, solidários, co-
essencialmente as questões que desafiaram o homem operativos, respeitosos e que, de forma cidadã, pos-
a atribuir sentidos e significados à vida e à morte. Nes- sam contribuir para a construção de uma sociedade
sa busca de respostas, “o ser humano conferiu valor de justa, equitativa e baseada em princípios da ética da
sacralidade a objetos, coisas, pessoas, forças da natu- alteridade. Essa concepção não exige da estudante,
reza ou seres sobrenaturais, transcendendo a realida- ou do estudante, e da docente, ou do docente, uma
de concreta” (BRASIL, 2017). Os diferentes e diversos postura identitária a uma ou outra religião, filosofia de
“eu” e “tu” e a diversidade de representações sociais e vida ou crença, mas presume uma aprendizagem de
culturais possibilitam as construções identitárias, fun- conhecimentos antropológicos, sociais e culturais que
damentadas no pressuposto de que a subjetividade su- se alicerçam no bom convívio social e na ética. Dessa
põe alteridade em contextos cultural, social e religioso forma, cabe à professora, ou ao professor, de Ensino
plurais. Ajuda, também, a entender que a construção Religioso trabalhar os conhecimentos religiosos fun-
do eu – indivíduo – está diretamente ligada ao outro e damentados em princípios éticos, morais e científicos,
que todas as suas diferenças ajudam a conceber o que sem fazer proselitismo e tampouco ser confessional.
cada um é e, assim, a elaborar uma construção social As aulas não podem ser vistas como um momento de
coletiva, na relação Eu-Tu (BUBER, 1974). catequizar ou doutrinar sob qualquer ponto de vista
O Ensino Religioso tem como objeto de estudo os religioso ou filosófico. Os conhecimentos prévios das
conhecimentos religiosos que se formam com base na crianças, suas experiências, religiões, filosofias de vida
investigação de crenças religiosas e filosofias de vida, ou mesmo a descrença em qualquer religião devem
elementos constituintes das manifestações religiosas, ser respeitados. No entanto, deve haver o incentivo às
e no que eles representam nas subjetividades. Assim, práticas éticas tais como atitudes de respeito às diver-
a diversidade dos fatos religiosos integra a unidade sidades religiosas e filosofias de vida e de respeito aos
humana em seus aspectos subjetivos e coletivos, pois colegas e aos funcionários da escola que não tenham
suas crenças, manifestações religiosas, filosofias de nenhuma religião ou crença. É salutar que as crianças
vida e não crenças religiosas reverberam na produção dos anos iniciais do Ensino Fundamental desenvolvam
cultural “glocal”. atividades pedagógicas baseadas em metodologias
ativas e, preferencialmente, lúdicas, respeitando suas
Sem proselitismo idades e níveis de desenvolvimento intelectual, e que
O fazer pedagógico do Ensino Religioso precisa tor- também possibilitem o autoconhecimento, o conheci-
nar-se pedagogicamente acessível aos processos de mento do outro e as contribuições para a construção
ensino e de aprendizagem das professoras e dos pro- coletiva e social.
fessores. É importante que a metodologia empregada Na Bahia, as professoras e os professores dos
em sala de aula seja dialógica e, principalmente, que se anos iniciais do Ensino Fundamental são polivalentes
trabalhem as questões de valores e atitudes com base (lecionam todas as disciplinas do currículo). Geral-
em princípios éticos e cidadãos. É preciso compreen- mente, nos cursos de formação inicial não são vistos
der que o Ensino Religioso não está a serviço de uma os conteúdos do componente curricular Ensino Reli-
ou de outra religião, mas visa o estudo e a compreen- gioso, tampouco, metodologias ou práticas de ensino
são das alteridades e identidades, e busca conhecer as que podem ser desenvolvidas na sala de aula. Assim,
diversas manifestações religiosas, seus ritos, símbolos, o trabalho docente nessa etapa torna-se mais com-
crenças e filosofias de vida para, enfim, entender a for- plexo e desafiador. Abre-se, entretanto, uma possibi-
mação social, cultural e individual do ser humano e da lidade maior de se trabalhar o currículo de forma mais
sociedade. O lema é conhecer, compreender e respei- integrada e interdisciplinar, articulando-o, principal-
tar para melhor viver e conviver. mente, com os saberes das áreas afins das Ciências
Nessa perspectiva, este Referencial Curricular é Humanas e Sociais, já que as religiões, as filosofias de
calcado na aprendizagem dos conhecimentos religio- vida e a não religião compõem a história formativa de
sos e das filosofias de vida que buscam contribuir para muitas civilizações.

360 REFERENCIAL CURRICULAR


Ensino Religioso

A faixa etária no primeiro ciclo (do 1º ao 3º ano) cado, sobretudo, desenvolver atividades em que as
exige que a professora, ou o professor, desenvolva alunas e os alunos possam perceber-se e perceber
metodologias que priorizem o concreto, baseadas o outro. O objetivo é levar as crianças a compreen-
nas vivências das crianças, com pesquisas orienta- der os conhecimentos religiosos e as filosofias que
das, exploração de imagens, produção de desenhos, constituem a vida particular e coletiva das pessoas,
sessões de filmes curtos e músicas. No segundo ci- os quais, geralmente, “coincidem com o conjunto de
clo (4º e 5º anos), as metodologias podem acrescen- valores seculares de mundo e do bem, tais como: o
tar um pouco mais da concepção abstrata, mas sem respeito à vida e à dignidade humana, o tratamento
perder a clareza e a ludicidade. Às atividades já men- igualitário das pessoas, a liberdade de consciência,
cionadas, podem ser agregados debates, palestras, crença e convicção, e os direitos individuais e coleti-
sessões de teatro e visitas a lugares sagrados. É indi- vos” (BRASIL, 2017).

Avaliação
“O Ensino Religioso como componente curricular in- de julgamento de resultados.
tegrante e integrador do currículo necessita de um No Ensino Religioso, a avaliação busca entender
processo de avaliação entendido como instrumento as aprendizagens enquanto atitudes e valores éticos,
contínuo de aperfeiçoamento da prática pedagógica isto é, compreender se a criança desenvolveu-se in-
colaborando na crescente busca do ser” (GOMES, telectualmente de maneira a se autocompreender, a
2003). A perspectiva é que o processo avaliativo conviver com os outros e em relação interativa cons-
seja processual e formativo, avaliando, para além do tante com o mundo. A intenção avaliativa formativa
cognitivo, o desenvolvimento do desempenho esco- visa a constante formação e transformação e foge
lar relacionado à produção do conhecimento em sala do aspecto de verificação de resultados. Para tan-
de aula. Considera-se que a avaliação, nesse senti- to, é possível avaliar baseando-se na participação e
do, está a serviço da ação, que tem como objetivo na atitude em trabalhos individuais e em grupos, em
“a observação permanente das manifestações de palestras, em visitas aos locais sagrados, em debates
aprendizagem para proceder a uma ação educativa de temas sociais relevantes. Destaca-se também a
que otimize os percursos individuais” (HOFFMANN, importância da autoavaliação como possibilidade de
2014). Nesse tipo de avaliação, o olhar docente deve desenvolvimento da autonomia e de tomadas de de-
estar mais focado na promoção moral e intelectual cisões conscientes e responsáveis. Por fim, as ativi-
das crianças, pois a natureza da formação humana dades avaliativas devem respeitar o desenvolvimento
transcende a concepção de avaliação classificatória, intelectual de cada faixa etária.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 361


Componentes curriculares

Indicadores de aprendizagem e avaliação


1º ano – Ensino Religioso
IDENTIDADES E ALTERIDADES
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e respeitar que as semelhanças e Representa as diferenças e semelhanças existentes entre si


diferenças existentes entre o eu, o outro e o grupo mesmo e os outros com ilustrações?
são pertinentes às construções individuais e coletivas
Expressa as diferenças e semelhanças entre si mesmo e os
dentro de uma cultura.
outros com respeito?
Compreende as diferenças e semelhanças existentes entre
as pessoas e o contexto social em que vivem?
Entende a si mesmo e ao outro como constructos de
culturas diversas e, portanto, de grupos sociais que podem
manter semelhanças e diferenças entre si?

Compreender que no mundo existem pessoas Exemplifica algumas crenças e alguns valores humanos?
e grupos que têm valores e crenças diferentes e
Compreende que existem diversos valores e crenças entre
respeitar.
os diferentes grupos de pessoas?
Revela o respeito pela diversidade de valores e crenças de
diferentes pessoas e grupos sociais em suas atitudes?

Conhecer o papel dos nomes na sociedade e a Conhece a função dos nomes na formação subjetiva e
importância deles na construção identitária das social das pessoas?
pessoas.
Reconhece a importância dos nomes para a construção da
identidade subjetiva dos sujeitos?
Sabe o significado do próprio nome e do de seus familiares?

Reconhecer e respeitar as diferenças físicas e de Identifica suas diferenças física das dos demais colegas de
personalidade das pessoas. sala de aula?
Demonstra as diferentes personalidades existentes na sala
de aula com desenhos?
Respeita as diferenças físicas e intrínsecas à personalidade
das pessoas?

Conhecer e respeitar as diferentes formas de viver no Expressa a forma de viver da família?


mundo.
Exemplifica formas diferentes de viver?
Identifica e demostra respeito à diversidade de formas de
vida de seu coletivo com diferentes linguagens?

MANIFESTAÇÕES RELIGIOSAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e respeitar ideias, memórias e saberes em Distingue e respeita ideias, memórias e saberes em
diferentes meios sociais. diferentes meios sociais?

Reconhecer e respeitar pensamentos, lembranças, Compreende o que são saberes culturais e religiosos?
memórias e saberes culturais e religiosos.
Identifica e respeita pensamentos, lembranças, memórias e
saberes culturais e religiosos em seu meio social?

362 REFERENCIAL CURRICULAR


Ensino Religioso – 2º ano

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar as diferentes formas de registros das Sabe o que são memórias?


memórias pessoais, familiares e coletivas.
Conhece registros de memórias?
Identifica as diferentes formas de registrar memórias
pessoais, familiares e coletivas?
Reconhece as formas de registros das memórias
encontradas em contexto social em que vive?

2º ano – Ensino Religioso


IDENTIDADES E ALTERIDADES
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer a si próprio na sociedade. Expressa desejos, necessidades e sentimentos?


Desenvolve as atividades escolares com autonomia?
Identifica a sua importância na família?
Reconhece-se como pessoa que convive com a
diversidade?
Reconhece a sua importância em seu contexto social?

Identificar os espaços de sociabilização existentes Expressa o significado de espaço de sociabilização,


em seu ambiente social de convivência e perceber, costume e crenças?
pelas diferenças ou semelhanças existentes entre
Compreende a importância dos espaços de convivência
os espaços de convivência, os diversos costumes e
social para as pessoas?
crenças existentes.
Exemplifica algum espaço de convivência em seu contexto
social?
Identifica as diferenças e/ou semelhanças entre os espaços
de convivência de seu entorno social?
Expressa diferentes costumes e crenças existentes nos
espaços de convivência de sua localidade?
Expressa respeito pelas diferenças de costumes e crenças
encontradas nos espaços de convivência?

Compreender a importância da relação existente Reconhece a relação existente entre o eu, a família e os
entre o eu, a família e os espaços de convivência espaços de convivência?
social.
Entende a importância dos espaços de convivência social
para si mesmo e para a família?

Reconhecer a importância dos valores para Demonstra valores de solidariedade e honestidade, entre
a convivência humana (amor, honestidade, outros, com atitudes?
solidariedade, respeito, entre outros).
Estabelece interações com os colegas?
Coloca-se no lugar do outro?
Expressa a importância dos valores que alicerçam a boa
convivência humana?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 363


Componentes curriculares

2º ano – Ensino Religioso


IDENTIDADES E ALTERIDADES
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer os diversos símbolos existentes em Exprime o conceito de símbolos?


variados espaços de convivência.
Ilustra alguns símbolos existentes nos espaços de sua
vivência social?
Distingue os símbolos pela sua forma?
Identifica os diversos símbolos existentes em variados
espaços de convivência da sua cidade?

Compreender a importância dos símbolos na Identifica algum símbolo em seu contexto familiar?
formação sociocultural das pessoas e dos grupos
Expressa o significado de alguns símbolos encontrados em
sociais.
seu contexto social?
Compreende a importância dos símbolos na construção
social e cultural das pessoas e da coletividade?

Identificar e respeitar os símbolos religiosos Associa os símbolos religiosos às tradições religiosas?


existentes nas diversas tradições religiosas locais.
Identifica algum símbolo religioso existente nas diversas
tradições religiosas de seu contexto social?
Interage com os colegas sobre as diferenças de tradições e
símbolos religiosos existentes entre as famílias?
Conhece o significado de alguns símbolos religiosos?
Demonstra conduta respeitosa perante os símbolos
religiosos existentes nas tradições religiosas de sua cidade?

MANIFESTAÇÕES RELIGIOSAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar, de forma respeitosa, os significados Expressa a importância do alimento para a sobrevivência


atribuídos pelas diferentes culturas, tradições e dos seres humanos?
expressões religiosas aos alimentos considerados
Compreende a importância de alguns alimentos para
sagrados.
diferentes culturas e tradições religiosas?
Exemplifica alimentos considerados sagrados nas tradições
religiosas de sua localidade?
Dialoga, respeitosamente, com seus pares sobre os
alimentos sagrados das tradições religiosas de suas
famílias?
Identifica e respeita os significados atribuídos pelas
culturas e tradições religiosas aos alimentos considerados
sagrados?

364 REFERENCIAL CURRICULAR


Ensino Religioso – 3º ano

3 º ano – Ensino Religioso


IDENTIDADES E ALTERIDADES
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e respeitar os espaços religiosos e lugares Exemplifica espaços religiosos na sua realidade social?
sagrados de diferentes tradições e movimentos
Cita lugares sagrados das diversas tradições religiosas?
religiosos, visitando-os e interagindo com materiais
bibliográficos acerca do assunto? Distingue locais comuns de sagrados?
Compreende a importância dos lugares sagrados e
espaços religiosos para as tradições religiosas?
Demonstra respeito aos espaços religiosos e lugares
sagrados das tradições religiosas de sua localidade?

Compreender que os espaços e territórios religiosos Entende que os espaços religiosos são locais específicos
são locais de realização das práticas e celebrações das para a realização de práticas e celebrações religiosas?
distintas tradições e movimentos religiosos.
Compreende os espaços e territórios religiosos como
locais de realização das práticas e celebrações de distintas
tradições e movimentos religiosos?

MANIFESTAÇÕES RELIGIOSAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e respeitar as práticas celebrativas Exemplifica algumas práticas e celebrações das tradições
(comemorações, festividades, orações, cerimônias religiosas de seu contexto social?
etc.) de diferentes tradições religiosas, destacando as
Entende a importância das práticas celebrativas para as
principais práticas celebrativas de sua localidade.
diferentes tradições religiosas?
Valoriza as diversas práticas celebrativas religiosas
existentes em sua localidade?
Reconhece e respeita as práticas celebrativas das
diferentes tradições religiosas?

Reconhecer e respeitar diferentes calendários e datas Cita datas importantes para as diversas tradições
importantes para diferentes tradições religiosas. religiosas de sua região?
Reconhece e respeita os calendários adotados por
diferentes tradições religiosas?
Identifica pelo menos um calendário diferente do
estabelecido em sua sociedade, devido às questões
religiosas?

Conhecer as indumentárias (roupas, acessórios Entende a definição e o uso de indumentárias nas tradições
e pinturas corporais) utilizadas em diferentes religiosas?
manifestações e tradições religiosas e compreender
Exemplifica indumentária religiosa utilizada em alguma
a sua importância para as pessoas que seguem as
tradição ou manifestação religiosa de sua cidade?
tradições religiosas.
Compreende a importância das indumentárias nas
manifestações e tradições religiosas?
Respeita o uso de indumentárias dos colegas que são
adeptos de alguma manifestação e tradição religiosa?

Reconhecer a influência que as indumentárias Identifica a influência que as indumentárias religiosas


religiosas exercem sobre o modo de vestir das exercem sobre o vestir das pessoas no cotidiano delas?
pessoas no cotidiano delas como parte integrante de
Compreende as indumentárias religiosas como elemento
sua identidade.
que ajuda a construir a identidade das pessoas que seguem
tradições religiosas?
Exemplifica algum caso conhecido de que as indumentárias
religiosas ajudaram a constituir a identidade da pessoa?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 365


Componentes curriculares

4 º ano – Ensino Religioso


MANIFESTAÇÕES RELIGIOSAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer em sua família, no cotidiano escolar e na Entende o conceito de ritos religiosos?


convivência comunitária no bairro e na cidade ritos Reconhece ritos religiosos vivenciados no cotidiano
religiosos inerentes às diversas tradições religiosas. pessoal, familiar, escolar e comunitário?
Valoriza os ritos religiosos das tradições religiosas
presentes na sua localidade?

Perceber as diversas formas de expressão espiritual Reconhece as diversas formas de as pessoas se


de ligação entre os seres humanos e o transcendente, conectarem com o transcendente?
como oração, cultos, gestos, cantos, danças, Percebe a importância que orações, cultos, danças e
meditação etc. cantos, entre outras expressões, têm na vida religiosa
das pessoas que intentam manter contato com o
transcendente?
Exemplifica, no seu contexto social, formas de expressão
espiritual entre os seres humanos e o transcendente?

Conhecer e respeitar os ritos religiosos praticados Reconhece as diversidades de matrizes religiosas (africana,
pelas diferentes matrizes religiosas – africana, indígena, ocidental e oriental)?
indígena, ocidental e oriental – encontradas no Brasil. Identifica ritos religiosos pertencentes a todas matrizes
religiosas em sua região?
Exemplifica ritos religiosos presentes nas matrizes
africanas e indígenas em seu município?
Respeita e valoriza os rituais religiosos das diferentes
matrizes religiosas?

Identificar nas diferentes expressões de arte – como Identifica elementos que compõem obras artísticas
pintura, arquitetura e escultura, entre outras – as consideradas religiosas?
diversas demonstrações e alegorias religiosas, Exemplifica expressões artísticas de cunho religioso
reconhecendo-as como elementos constituintes da presentes em sua localidade?
identidade das diversas culturas e tradições religiosas.
Expõe como as obras de artes de cunho religioso
contribuem na formação identitária de diversas culturas e
tradições religiosas, com exemplos de sua cidade ou região?
Reconhece a importância dessas expressões artísticas
para a história cultural da humanidade?

CRENÇAS RELIGIOSAS E FILOSOFIAS DE VIDA


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Estudar e respeitar as ideias de divindades, seres Diferencia conhecimento científico de conhecimento


sagrados de diferentes tradições religiosas e filosofias popular?
de vida, compreendendo-as como representações do Exemplifica questões existenciais?
transcendente em respostas às questões existenciais
Define divindade ou ser sagrado, considerando os
da humanidade.
aspectos religiosos?
Nomeia alguma divindade considerada pelos seus
familiares e ou comunidade?
Reconhece representações de divindades das tradições
religiosas e filosofias de vida?
Conhece e respeita os significados das representações de
divindades das diferentes tradições religiosas e filosofias
de vida, no contexto familiar e comunitário?
Entende as representações de seres sagrados como elo
entre o imanente e o transcendente e como busca de
respostas às questões as quais a ciência não responde?

366 REFERENCIAL CURRICULAR


Ensino Religioso – 5º ano

5º ano – Ensino Religioso


CRENÇAS RELIGIOSAS E FILOSOFIAS DE VIDA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Perceber os acontecimentos sagrados como recursos Identifica acontecimentos sagrados de diferentes culturas
de preservação da memória das diferentes e diversas e tradições religiosas?
culturas e tradições religiosas. Observa e exemplifica, em seu contexto comunitário,
acontecimentos sagrados que contribuem para a
preservação da memória de tradições religiosas da região?
Entende os acontecimentos sagrados como elementos
constituintes das tradições religiosas que contribuem na
preservação da memória dessas tradições?

Identificar as diferentes narrativas sagradas dentro Identifica as diferentes narrativas sagradas das diversas
das diversas manifestações religiosas e filosofias de tradições religiosas e filosofias de vida?
vida. Entende os conceitos de sagrado nas narrativas sagradas?

Perceber nas narrativas sagradas os princípios éticos Identifica os princípios éticos que promovem a boa
que promovem a convivência humana. convivência humana nas narrativas sagradas?

Perceber os mitos de criação como meio simbólico Identifica mitos de criação em diferentes culturas e
de respostas para as questões existenciais e tradições religiosas?
compreensão do transcendente, reconhecendo-os Aponta alguns mitos de criação considerados pelo seu
como meios transmissores de mensagens e funções contexto familiar e comunitário?
religiosas, utilizados por diferentes tradições
Entende o caráter simbólico de mitos de criação?
religiosas e filosofias de vida.
Reconhece a importância dos mitos de criação para a
compreensão do transcendente e possíveis respostas às
questões existenciais humanas?
Reconhece que os mitos de criação contêm mensagens e
funções religiosas?

Compreender as relações da religiosidade com a Entende o papel dos ancestrais na transmissão de


ancestralidade e a importância na transmissão para ensinamentos para outras gerações?
outras gerações. Exemplifica algum ensinamento transmitido dos mais
velhos para os mais novos em seu âmbito familiar e
comunitário?
Compreende as relações da religiosidade com a
ancestralidade na transmissão de conhecimentos religiosos
para gerações futuras?

Reconhecer que a tradição oral é um meio de Reconhece a importância da tradição oral para preservar
transmissão milenar e de suma importância para memórias e acontecimentos culturais, religiosos e de
a preservação das memórias e acontecimentos filosofias de vida?
culturais, religiosos e de filosofias de vida. Identifica o motivo pelo qual a oralidade, em algumas
tradições religiosas e filosofias de vida, é a principal,
senão a única, forma de transmissão de saberes entre
gerações?
Exemplifica tradições religiosas e filosofias de vida que
transmitem conhecimentos religiosos, basicamente, pela
oralidade?

Perceber e respeitar a linguagem religiosa utilizada Identifica a linguagem religiosa?


nas diferentes manifestações religiosas e filosofias de Percebe e respeita a linguagem religiosa utilizada nas
vida. diferentes manifestações religiosas e filosofias de vida?

Reconhecer que na tradição oral existem Reconhece que os ensinamentos dos textos orais
ensinamentos que estão relacionados aos modos de geralmente são relacionados aos modos de ser e de estar
ser e de viver no mundo terreno. no mundo?
Aponta alguns ensinamentos, transmitidos pelos textos
orais, relacionados aos modos de ser e de viver?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 367


Educação de Jovens e Adultos

Conhecimento como resultado de interações


cognitivas, históricas e culturais (Foto: Acervo/Wagner)

4 Educação de
Jovens e Adultos
U m referencial curricular para atender às neces-
sidades da Educação de Jovens e Adultos (EJA)
precisa, inicialmente, considerar que os sujeitos matri-
Desafios
Com base nesses elementos, é possível dimensionar
que o trabalho na EJA apresenta alguns desafios, a co-
culados nas redes, nessa modalidade, devem ser reco- meçar pela dificuldade de muitas estudantes e muitos
nhecidos como pertencentes a determinados grupos estudantes em garantir a assiduidade, a pontualidade e a
culturais, sociais e econômicos que vivem e sobrevi- permanência na escola ao longo do ano letivo. Vale tam-
vem em uma sociedade letrada, competitiva e, muitas bém considerar os fatores que impedem o acesso, a fi-
vezes, injusta. Os estigmas que historicamente carre- xação em um determinado lugar (seja em áreas urbanas
gam não podem ceifar a condição humana, os conhe- ou rurais), a interação e a produção de conhecimentos
cimentos, a visão de mundo, os saberes e as aprendi- estruturantes para uma Educação Integral e articulada
zagens vivenciadas e adquiridas ao longo da vida, com ou atrelada ao exercício da cidadania democrática plena.
destaque ao envolvimento com o mundo do trabalho, É necessário, assim, um espaço aberto de comunicação
seja ele formal ou informal. e diálogo constantes, em que as vozes e os anseios pos-

368 REFERENCIAL CURRICULAR


sam ser ouvidos, atendidos e respeitados, considerando Às equipes das secretariais de Educação dos
as demandas de aprendizagem necessárias e fundamen- municípios, juntamente com as educadoras e os edu-
tais em cada escola, de acordo com o local, o público e os cadores, cabe construir um alinhamento para definir o
interesses de estudantes de forma geral. enfoque da EJA para idosas e idosos. Esse público tem
É importante, também, considerar as grandes in- especificidades e expectativas sobre a escolarização e
quietações da contemporaneidade acerca da socieda- os projetos de vida distintos dos jovens e dos adultos de
de e da escola, entendendo que ambas se constituem outras faixas etárias. A EJA para idosas e idosos deve se
em lugares privilegiados de aprendizagens relevantes fundar no direito à Educação como resposta de resis-
para ações cidadãs que afetam de modo especial o tência aos processos históricos de exclusão social.
trabalho de gestores, educadores e comunidade es- Por ser espaço de luta por existência e coexistên-
colar. Nesse sentido, deve-se garantir um referencial cia para os adultos mais experientes, a Educação deverá
curricular que contribua na formação dos sujeitos da ser garantida com propostas que respeitem o acúmulo
EJA com vistas ao fortalecimento de relações sociais de vivências e de lucidez que os tornam sujeitos de au-
que assegurem seus direitos de aprendizagem e de ser toria, de voz e de autoridade, contribuindo para tornar
cidadãs e cidadãos no mundo, valorizando conteúdos o ambiente escolar um espaço humanizado; um local de
historicamente produzidos e socialmente visíveis. escuta e de promoção de valores que opere o respei-
Com base nessa perspectiva, nos estudos acadê- to às diferenças e a construção do futuro por meio de
micos contemporâneos (FREIRE, 1980, 1987, 1991; aprendizagens oriundas de movimentos híbridos, unin-
ARROYO, 2011; GADOTTI, 2013), no Documento do memórias e novos caminhos para conhecer.
Curricular Referencial da Bahia (BAHIA, 2019) e nas po- Tendo como referências o que foi exposto:
líticas educacionais desenvolvidas nos municípios que
constituem o ADE Chapada Diamantina e Regiões, as O Como elaborar uma proposta para o ensino na EJA
educadoras e os educadores formularam contribuições tendo como meta as aprendizagens que garantam o
para a construção do Referencial Curricular da EJA. direito à cidadania plena dos sujeitos?
O Como as escolas precisam se estruturar ou reestru-
Pressupostos turar de modo a atender, na medida do possível, tais
Neste material, as estudantes e os estudantes são tidos quesitos?
como sujeitos centrais do processo de aprendizagem e O Como construir um currículo que “dialogue com as de-
são consideradas as características culturais, históricas mandas heterogêneas dos participantes e que incor-
e políticas das regiões. Com isso, as propostas pedagó- pore as especificidades e diversidades presentes em
gicas respeitam e valorizam as identidades locais e as suas origens, culturas, saberes, conhecimentos e pro-
experiências de seus atores sociais, representados por jetos de vida?” (Contribuição dos educadores no GTT
mulheres e homens, adolescentes, jovens, adultos, ido- ADE Chapada Diamantina e Regiões, 2019).
sas e idosos, todos que buscam o direito de vivenciar a
“Educação ao longo da vida” (ARROYO, 2010), sobre- Reflexos no currículo
tudo os que não tiveram êxito no processo de escolari- O currículo prevê e garante a qualidade pedagógica
zação na idade prevista. É importante, portanto, refletir que vai assegurar a articulação entre os saberes vivi-
sobre quem são essas pessoas e quais as suas perspec- dos e aqueles produzidos na escola, além de delinear
tivas e os seus interesses na contemporaneidade. sua forma de organização e compartilhamento, bem

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 369


Educação de Jovens e Adultos

como o planejamento das aulas, ajudando, assim, a o que ele potencialmente pode construir, ressaltando
proporcionar um ambiente em que são incorporados o papel da escola ao oportunizar situações favoráveis
valores que “permitem o exercício sistemático de aná- a avanços significativos de sistematização de maneira
lise da realidade” (Contribuição dos educadores no prática e eficaz.
GTT ADE Chapada Diamantina e Regiões, 2019).
Como a EJA está pautada nos princípios da Edu- Organização do Referencial
cação popular, sua abordagem deve ser desenvolvida Curricular
baseada no diálogo igualitário (FREIRE, 1997), crian- Este documento apresenta uma organização por áre-
do condições para que as estudantes e os estudantes as do conhecimento, que estão subdivididas por eixos
jovens e adultos reflitam sobre as práticas sociais e as temáticos em cada componente curricular. Este, por
novas formas de aprendizagem, ajudando no projeto sua vez, desdobra-se em aprendizagens esperadas e
pessoal e na melhor qualificação para a atuação críti- indicadores de avaliação. Com esse modelo curricu-
ca nos coletivos sociais. lar, é possível que a equipe pedagógica das escolas
Há várias formas de contemplar as ideias, atitu- – formada por diretora, ou diretor; coordenadora,
des, concepções e práticas que estão de acordo com ou coordenador; professoras e professores e outros
a realidade dos estudantes: valorizando as experiên- profissionais – possa orientar-se para desenhar a
cias vividas, ressignificando os conhecimentos pré- proposta pedagógica de cada componente sem per-
vios, estabelecendo relações de autonomia para for- der de vista os contextos sociais, culturais, históricos
mar sujeitos críticos e participativos e considerando a e econômicos em que se inserem a escola e, princi-
necessidade de trabalhar os objetos do conhecimen- palmente, o processo formativo dos sujeitos que dela
to de forma contextualizada e interdisciplinar. fazem parte.
Esses entendimentos só serão possíveis se hou- As aprendizagens esperadas e os indicadores
ver disposição política de todos os responsáveis pela de avaliação aqui apresentados podem ser tomados
Educação, pois é preciso mover-se, atuar, intervir, re- como pontos de partida que cada professora, ou pro-
formular, repensar e rediscutir caso o que já foi elabo- fessor, vai adaptar às necessidades de aprendizagens
rado não funcionar de imediato. de cada turma ou grupo, desde que as escolhas sejam
O currículo que emergirá deste Referencial Cur- potentes para o diálogo e a construção dos conheci-
ricular e o trabalho pedagógico na EJA devem possibi- mentos em questão. Ao organizar o que ensinar na
litar o tratamento do objeto do conhecimento de cada EJA, é necessário garantir agrupamentos de aborda-
componente curricular por meio de problematização. gens que relacionem aspectos relevantes no campo
O objetivo é promover o desenvolvimento integral da formação dos sujeitos.
da pessoa, com uma visão de sujeito que se constrói O grupo de estudantes que compõem as classes
na historicidade, tornando-o produtor de conheci- da EJA configura-se, na maioria das vezes, por falta de
mento, riqueza e bens culturais. Nessa perspectiva, oportunidades sociais e de políticas públicas de Edu-
a estudante e o estudante são os autores da própria cação para os segmentos populares. Logo, o currículo
história, pois são ela e ele que sentem, trabalham, da EJA deve ter o compromisso com as histórias de
pensam, amam, transformam e transformam-se, vi- vidas socialmente silenciadas; ser vivo, crítico e repre-
vem e promovem novas práticas sociais. sentativo dos modos de resistir daqueles socialmente
Este Referencial Curricular para a EJA é, por- excluídos.
tanto, norteado pela concepção de conhecimento As novas construções conceituais e empíricas
como resultado de interações, apropriações e trocas resultarão da mediação de situações didáticas inten-
cognitivas, históricas e culturais (ARROYO, 2010) cionais que possibilitem reflexões, construções e su-
que, mediadas pela professora e pelo professor, ge- peração de crenças, que inclusive afetam a autoestima
ram posicionamentos e produções autorais por seus dos estudantes quanto à própria capacidade e ao me-
sujeitos. Aprender, então, implica construções que recimento de aprender e de se transformar enquanto
consideram as relações entre o que o sujeito já sabe e pessoas integradas e importantes na sociedade.

370 REFERENCIAL CURRICULAR


A organização do currículo da EJA norteada contextualizado de conteúdos ou treinamento para
pelo delineamento de eixos temáticos avança no res- atividades laborais.
peito às especificidades e à heterogeneidade de seus De acordo com os estudos de Freire (1997) e
estudantes. Com isso, é possível atender aos distin- Gadotti (2013), a prática pedagógica precisa pro-
tos interesses de jovens, adultos e também de idosas piciar oportunidades para que as estudantes e os
e idosos, contribuindo para transformar os processos estudantes desenvolvam diferentes estratégias de
formativos na escola em oportunidades de conquis- interpretar, agir e resolver problemas. Na EJA, uma
tas de novas aprendizagens. Essa é uma chance de grande contribuição da escola é proporcionar a refle-
aproximar diferentes gerações em seus percursos xão, pondo em jogo o que os sujeitos já sabem e pen-
cognitivos e sociais, tendo em vista que todos os in- sam, podendo, de algum modo, subsidiá-los a repen-
tegrantes da EJA são verdadeiros representantes de sar suas posições e ajudá-los na tomada de decisões
estratégias de resistência histórica na ruptura de con- com responsabilidade social.
dições desiguais que ameaçam os direitos inerentes à Desse modo, um currículo para a EJA, além de
cidadania. Assim, por apostar na escola, esses sujeitos proporcionar situações desafiadoras para a produção
merecem a sua melhor poesia. do conhecimento, deve garantir formas de circulação
Ainda sobre a estruturação do documento, de novas descobertas e elaborações, valorizando a
cada área do conhecimento está subdividida em duas dimensão sociocultural das contribuições das distin-
partes: a primeira, com os conhecimentos e as apren- tas áreas do conhecimento, como o papel das Ciên-
dizagens necessários para os três primeiros anos cias, da Matemática, das Artes e da Educação Física
do ciclo de ensino, ou estágios de aprendizagens, na sociedade.
como é descrito em algumas redes, está neste livro; O Referencial Curricular da EJA aponta para al-
a segunda, para o trabalho de mais dois anos, está gumas premissas que sustentam a nossa concepção:
no Referencial Curricular dos Anos Finais do Ensino
Fundamental, concluindo, assim, as etapas que ante- O O contexto escolar deve ser estruturante para as
cedem o Ensino Médio. aprendizagens individuais e coletivas.
Este Referencial Curricular propõe que o cur- O O que se aprende nas aulas da EJA são práticas
rículo da EJA torne-se um aporte de reflexões sobre sociais.
as emergências das ligações entre tecnologias, novas O O ensino deve dialogar com os conhecimentos pré-
formas de trabalho e direitos do trabalhador, dialo- vios trazidos para a escola pelos sujeitos da EJA.
gando com as temáticas que fortalecem a cidadania. O A qualidade da interação entre os pares merece
Tudo isso considerando as condições e viabilidades atenção na mediação docente.
de cada realidade. Trata-se de pensar um currículo O A avaliação consiste em oportunidade de apro-
para o viver sustentável, que respeita e valoriza a di- priação das próprias estratégias de aprendizagem,
versidade, as contribuições das culturas ancestrais e gerando descobertas, reelaborações e pensamen-
a religiosidade. to autônomo, no qual o sujeito reconhece quanto
A velocidade grande com que as informações e avançou e em que pode melhorar, inclusive para
as tecnologias são geradas e reproduzidas na atua- considerar a aprovação ou não das estudantes e dos
lidade é uma dimensão que não pode ficar de fora estudantes.
do planejamento da professora, ou do professor, que
terá a incumbência de orientar quanto à pesquisa e ao Assim, faz-se necessário garantir às estudantes
estudo em fontes confiáveis, evidenciando a distinção e aos estudantes da EJA, por meio desta proposta,
entre informação, conhecimento e saber. abordagens que garantam um tratamento dialógico,
As atividades pedagógicas devem ser organiza- interdisciplinar, contextualizado e socialmente refe-
das considerando questões e problematizações que renciado das temáticas, dos objetos do conhecimento
unam teoria e prática; razão e sensibilidade; Educa- e de suas modalidades organizativas no trabalho pe-
ção, trabalho e consciência, superando o ensino des- dagógico na sala de aula.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 371


Educação de Jovens e Adultos

Indicadores de aprendizagem e avaliação


Língua Portuguesa
CONSTRUÇÃO DO SISTEMA ALFABÉTICO/CONVENÇÃO DA ESCRITA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Escrever, com autonomia, o próprio nome. Escreve, convencionalmente, o próprio nome e o utiliza
como referência para escrever outras palavras?

Escrever o próprio nome e o das colegas e dos colegas, Escreve o próprio nome e o das colegas e dos colegas
de modo convencional, em situações de organização de modo convencional?
escolar em que se fizer necessária essa identificação.

Escrever, de acordo com sua hipótese de escrita, listas Escreve usando a sua hipótese de escrita:
de palavras de um mesmo campo semântico (títulos O Se a hipótese for silábica, escreve controlando a
de livros lidos, nomes de lanches preferidos etc.),
produção pela hipótese silábica, com valor sonoro
adivinhas, quadrinhas, trava-línguas, entre outros textos,
convencional e justificando a forma de escrever?
consultando referenciais estáveis (como a lista de nomes
da turma) e justificando a forma de escrever. O Se a hipótese for silábico-alfabética ou alfabética,
considera ao escrever quais, quantas e a ordem
das letras para grafar as palavras, utilizando-se do
procedimento de análise fonológica das mesmas?

Escrever, espontaneamente ou por ditado, palavras/ Revisa suas escritas com base nas intervenções
textos alfabeticamente, utilizando letras/grafemas que realizadas pelas colegas e pelos colegas e pela
representem fonemas, ainda que escreva com algumas professora, ou pelo professor, incorporando suas
falhas no valor sonoro convencional (“HATO” para “gato”, contribuições se for o caso?
“KAZA” para “casa” ou “AHUA” para “água”).
Consulta o material exposto na sala para revisar o que
escreveu com base na intervenção da professora, ou do
professor?
Escreve compreendendo progressivamente a base
alfabética do sistema?

Observar escritas convencionais (listas de nomes da Identifica semelhanças gráficas em partes de textos que
classe, textos expostos, títulos de livros etc.) como se relacionam, do ponto de vista sonoro, como as rimas
apoio à escrita, comparando-as às suas produções, de um poema?
percebendo semelhanças e diferenças e ajustando
Busca pistas em escritas estáveis presentes na sala de
quando for preciso.
aula para escrever/revisar suas produções?
Discute, em dupla/grupos, a sua produção escrita,
ouvindo as colegas e os colegas opinando e ajustando
suas produções?

Copiar textos breves, observando aspectos como Reproduz pequenos textos observando aspectos como
espaçamento entre as palavras, distribuição gráfica de pontuação, acentuação, presença de letra maiúscula,
suas partes, uso da pontuação entre outros aspectos, paragrafação e distribuição gráfica de suas partes, entre
voltando para o texto-fonte sempre que tiver dúvidas. outros?

372 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Língua Portuguesa

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Nomear as letras do alfabeto e recitá-lo na ordem das Recita o alfabeto e utiliza-o nas situações de escrita
letras. para localizar letras?
Recorre ao alfabeto e a textos estáveis, entre outros
referenciais, nas situações de leitura e escrita para rever
suas produções?

Analisar, com progressiva autonomia, semelhanças e Utiliza a lista de nomes da classe como referencial de
diferenças entre os nomes das colegas e dos colegas, escrita?
considerando indícios como: extensão dos nomes,
Apoia-se na letra inicial, medial, final ou outros indícios
quantidade de palavras, letras iniciais e finais, presença
para localizar nomes em listas, validar ou descartar as
ou ausência de alguma letra medial, entre outros
antecipações realizadas?
aspectos.
Reconhece partes iguais de duas palavras (na lista de
nomes: MARIANA e MARIA)?

Reconhecer o sistema de escrita alfabética como Compara palavras, identificando semelhanças e


representação dos sons da fala. diferenças entre a emissão sonora e o registro escrito?

Analisar palavras e suas partes com base no trabalho Apoia-se na letra inicial, medial, final ou outros indícios
com textos da tradição oral (cantigas, parlendas do para validar ou descartar as antecipações realizadas na
repertório local, regional e nacional, poemas etc.), análise de textos e palavras?
progredindo para uma análise cada vez mais ajustada de
Compara palavras, identificando semelhanças e
partes menores da palavra (quais letras correspondem a
diferenças entre sons iniciais, mediais e finais, ajustando
quais sons; quantas letras e sons a compõem).
o escrito ao falado?

Analisar inventário de palavras organizando-as pelo Localiza palavras em lista com base na solicitação da
critério de aproximação de campo semântico (separar professora, ou do professor, e/ou definição de um
os nomes das alunas e dos alunos que faltaram da lista, critério?
separar as frutas dos legumes etc.)
Apoia-se na letra inicial, medial, final ou outros para
localizar uma palavra?

Relacionar elementos sonoros (partes de palavras, Produz escrita com certa preocupação de quais letras
sílabas) com sua representação escrita. usar para grafar as palavra?
Realiza, de modo colaborativo e autônomo, análises
fonológicas de palavras identificando semelhanças
e diferenças entre sons iniciais, mediais e finais,
avançando para análise da relação fonema-grafema em
situações de reflexão sobre a grafia correta?

Conhecer e identificar letras em formato imprensa Identifica letras em formato imprensa e cursiva,
e cursiva, maiúsculas e minúsculas em situações de maiúsculas e minúsculas, no caso das situações do
consulta a materiais impressos, digitais e manuscritos. cotidiano que requeiram esse tipo de identificação
(rótulos, internet, cartas manuscritas, crachás, livros
de receitas, livros etc.), além das situações de leitura e
escrita do cotidiano escolar?

Reconhecer a separação das palavras, na escrita, por Reconhece a separação das palavras na escrita?
espaços em branco.
Lê e acompanha a leitura de textos conhecidos de modo
a compreender a segmentação entre as palavras?
Segmenta textos conhecidos em palavras, ainda que
com algumas falhas?
Participa de produção coletiva, em duplas, observando
modos de segmentar as palavras no final da linha?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 373


Educação de Jovens e Adultos

Língua Portuguesa
CONSTRUÇÃO DO SISTEMA ALFABÉTICO/CONVENÇÃO DA ESCRITA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Analisar, com a ajuda das colegas e dos colegas e da Observa o uso de outros sinais no texto e contribui com
professora, ou do professor, os efeitos de sentido análises realizadas a respeito do sentido produzido pelo
produzidos pelo uso de outros sinais no texto, além das uso desses sinais?
letras: pontuação, acentuação e outras saliências (aspas,
Utiliza, com a ajuda da colega, ou do colega, a pontuação
negrito, itálico, destaques gráficos, formatação especial
adequada em situação de escrita de textos conhecidos?
de letra).

Reconhecer relações de sinonímia e antonímia por Agrupa palavras pelo critério de aproximação de
comparação de palavras com base em uma determinada significado?
relação presente em texto.
Realiza, com a ajuda das colegas e dos colegas e da
professora, ou do professor, análise e agrupamento de
palavras por aproximação de significado em situação
que requerer esse procedimento?

LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Escutar com atenção falas de professores e colegas, Escuta com atenção as falas de professores e colegas?
formulando perguntas pertinentes ao tema e solicitando
Formula perguntas pertinentes com clareza?
esclarecimentos sempre que necessário.
Solicita esclarecimentos quando tem dúvidas?

Participar de rodas de leitura, rodas de conversa ou de Escuta com atenção a leitura de professores e colegas?
jornal, no contexto escolar, fazendo perguntas sobre
Participa de rodas de leitura, rodas de conversa ou de
o tema tratado, expressando-se de maneira audível e
jornal, no contexto escolar, respeitando os turnos da fala
ouvindo as colegas e os colegas.
e posicionamentos divergentes dos seus?
Expressa-se de maneira audível?
Formula perguntas pertinentes com clareza?
Ouve e respeita as opiniões diferentes das suas?

Participar de rodas de leitura de textos literários no Participa de rodas de leitura de textos literários no
contexto escolar tecendo comentários acerca do texto, contexto escolar respeitando os turnos da fala e
da obra lida, do autor, do gênero, expressando-se de posicionamentos divergentes dos seus?
maneira audível e ouvindo as colegas e os colegas.
Emite opinião acerca do texto, da obra lida, do autor e
do gênero?
Expressa-se de maneira audível?
Ouve e respeita as opiniões e os comentários diferentes
dos seus?

Reconhecer, progressivamente, as características da Respeita os turnos de fala?


conversação espontânea presencial.
Utiliza, durante a conversação, formas de tratamento
adequadas, de acordo com a situação e a posição do
interlocutor?
Expressa-se de maneira audível?
Ouve e respeita as opiniões diferentes das suas?
Ajusta a fala considerando os interlocutores?

374 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Língua Portuguesa

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer características regionais, urbanas e rurais Identifica características regionais, urbanas e rurais da
da fala em canções, textos falados em diferentes fala em canções e outros textos falados?
variedades linguísticas, respeitando as diversidades
Valoriza e respeita características regionais, urbanas
como características do uso da língua por diferentes
e rurais presentes em canções e em outros textos que
culturas locais, regionais, nacionais ou de outros países,
ouve?
rejeitando preconceitos linguísticos.

Compreender os diferentes usos e funções de textos Identifica as funções dos textos relacionados aos
relacionados aos diversos campos de atuação (vida diversos campos de atuação (vida cotidiana, artístico-
cotidiana, artístico-literários, atuação na vida pública, -literários, atuação na vida pública, práticas de estudo e
práticas de estudo e pesquisa e jornalístico-midiático) pesquisa e jornalístico-midiático)?
utilizando-o nas situações do cotidiano, reconhecendo
Diferencia os textos presentes nos diferentes campos e
para que foram produzidos, onde circulam, quem os
mídias?
produziu e a quem se destinam.
Reconhece as finalidades de cada texto em cada campo
de atuação?
Identifica suportes e portadores impressos e digitais de
publicações desses textos?

Estabelecer, com crescente autonomia, expectativas em Apoia-se em seus conhecimentos prévios sobre as
relação ao texto que vai ler/ouvir. condições de produção e recepção dos textos para
realizar antecipações, inferências e verificações?
Realiza antecipações, inferências e verificações ao longo
da leitura individual ou em situações de leitura pela
professora, ou pelo professor?

Apreciar textos literários socialmente reconhecidos e Escolhe livros para leitura individual justificando a
valorizados e, sobretudo, aqueles relativos à literatura escolha?
periférica que valorizam as matrizes africanas e
Emite opiniões após a leitura?
indígenas participando de rodas de leitura, trocando
ideias e opiniões com seus pares. Compartilha as leituras dos textos literários socialmente
reconhecidos e valorizados?
Comenta as leituras feitas?
Valoriza os textos de matrizes africanas e indígenas?

Ler e compreender, com apoio ou autonomamente, Escolhe livros para leitura individual justificando a
textos literários, de gêneros variados, desenvolvendo escolha?
comportamentos leitores.
Emite opiniões após a leitura?
Compartilha as leituras dos textos literários socialmente
reconhecidos e valorizados?
Comenta as leituras feitas?
Indica leituras feitas?

Acompanhar a leitura compartilhada de textos variados Participa da leitura compartilhada?


em diferentes práticas.
Reconhece a leitura compartilhada como uma prática
social?
Compreende e realiza os procedimentos de leitura em
situação de leitura compartilhada?
Respeita os turnos da leitura e o momento da leitura
dos outros?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 375


Educação de Jovens e Adultos

Língua Portuguesa
LEITURA E ESCUTA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Utilizar procedimentos de leitor para se apropriar das Antecipa informações com base em títulos, subtítulos e
informações veiculadas no texto em diferentes situações outras pistas visuais e linguísticas presentes no texto?
de leitura (leitura colaborativa, leitura pelo professor,
Localiza informações no texto?
leitura compartilhada).
Utiliza informações presentes nos textos para validar ou
refutar predições feitas?

Ler textos diversos dos diferentes campos de atuação, Lê de modo compreensivo textos dos diferentes campos
utilizando pistas linguísticas e contextuais para antecipar, de atuação?
inferir e validar o que está escrito, progredindo da leitura
Relaciona as pistas contextuais com o conteúdo do
em colaboração para a leitura autônoma.
texto?
Lê e compreende, de modo autônomo, textos dos
diferentes campos de atuação?
Utiliza pistas linguísticas e contextuais para antecipar,
inferir e validar o que está escrito?

Reconhecer a função dos textos informativos em Diferencia textos informativos dos literários?
situações de estudo e pesquisa (enquetes, pequenas
Seleciona textos para estudar?
entrevistas, registros de experimentações).
Compreende a validade científica que devem ter os
textos informativos?
Valida as informações veiculadas nos textos
informativos?

Ler/ouvir textos das diversas áreas do conhecimento Dispõe-se a ler para estudar realizando procedimentos
para estudar temas relacionados a uma finalidade típicos de situações de estudo (destacar informações
determinada, de fontes diversas das mídias digitais e relevantes, tomar nota, produzir esquemas com
impressas. sínteses)?
Compreende o texto lido identificando sua ideia central?
Compara informações em textos veiculados em
diferentes mídias que abordem os mesmo temas ou
similares, buscando validar qual delas é mais confiável e
por quê?

Inferir o sentido de palavras ou expressões Compreende o texto lido, ainda que ele apresente
desconhecidas em textos de diferentes gêneros, palavras ou expressões desconhecidas, apoiando-se no
apoiando-se no contexto da frase ou do texto. contexto da frase ou do texto?
Inferir, com autonomia crescente, informações implícitas Compreende informações implícitas em textos?
em textos lidos.
Compreende, em situação de leitura colaborativa,
informações implícitas em textos?
Explicita os recursos utilizados para realizar a
inferência?

376 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Língua Portuguesa

PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS E ESCRITOS


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Participar de situações de intercâmbio oral, com clareza, Expressa-se de forma a ser compreendido?
preocupando-se em ser compreendido pelo interlocutor
Regula o tom de voz, a articulação e os ritmos da
e usando a palavra com tom de voz audível, boa
fala, adequando-os à situação comunicativa e ao
articulação e ritmo adequado.
interlocutor?
Participa do planejamento interagindo com a turma e a
professora, ou o professor, e opinando?
Percebe a necessidade de adequação da linguagem em
diferentes contextos?

Registrar, em colaboração com as colegas e os colegas, Escreve textos que sabe de memória de modo
com a ajuda da professora, ou do professor, e pelo colaborativo, de acordo com sua hipótese de escrita?
autoditado e com progressiva autonomia, texto que se
Escreve alfabeticamente textos que conhece de
sabe de memória considerando a situação comunicativa
memória, autonomamente, fazendo uso do autoditado?
e o tema/assunto/finalidade do texto.

Planejar, em colaboração com a turma e com a ajuda Identifica o gênero mais adequado para atender à
da professora, ou do professor, textos escritos de situação comunicativa e o tema/assunto/finalidade do
diferentes gêneros e pertencentes aos diferentes texto a ser produzido?
campos de atuação, considerando a situação
Compreende a importância do planejamento como um
comunicativa e o tema/assunto/ finalidade do texto
texto intermediário para apoiar sua produção?
(contexto de produção). Nesse caso, a professora, ou
o professor, precisa verificar o gênero mais adequado, Participa do planejamento interagindo com a turma e a
considerando os conhecimentos da turma em relação professora, ou o professor, dando ideias pertinentes de
ao sistema de escrita e a abordagem realizada. No caso acordo com a situação comunicativa?
de repetir o gênero, é preciso garantir a progressão pela
Reconta1, em atividade coletiva de classe, histórias
complexidade do texto selecionado ou pelo nível de
conhecidas, lidas pela professora, ou pelo professor,
autonomia da estudante, ou do estudante. Por exemplo,
para recuperar a sequência dos episódios essenciais/
produzir receita com a ajuda ou produzir receita com
informações importantes e algumas características da
autonomia.
linguagem do texto lido?
Organiza, de modo colaborativo, o texto que será
produzido parte a parte na ordem em que será
produzido?

Produz, ditando para a professora, ou para o professor, Produz o texto considerando para que escrever, para
e/ou colegas textos de diferentes gêneros, recorrendo quem escrever, o que escrever e de que modo escrever?
ao plano do texto, aos estudos sobre as características
Utiliza procedimentos e comportamentos próprios de
do gênero e revisando enquanto escreve.
quem produz textos, como ler e reler o que produziu e
revisar o texto enquanto escreve?
Inclui todas as informações necessárias à compreensão
dos interlocutores na produção de textos orais e
escritos.
Utiliza o planejamento prévio como apoio no registro
escrito?

Realizar, em colaboração com a turma e com a ajuda Toma nota de aulas, apresentações orais e entrevistas,
da professora, ou do professor, registros como notas, identificando as principais informações?
esquemas, sínteses, fotos e vídeos em situação de
Toma nota de aulas, apresentações orais e entrevistas
intercâmbios orais de que participa como ouvinte, de
hierarquizando as informações mais relevantes?
acordo com o interesse e/ou relevância do tema tendo
em vista apoiar o estudo e as reflexões pessoais ou Elabora esquemas e sínteses para apoiar o estudo e a
outros objetivos em questão. reflexão com base no registro das notas?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 377


Educação de Jovens e Adultos

Língua Portuguesa
PRODUÇÃO DE TEXTOS ORAIS E ESCRITOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Expor, por meio de textos orais (seminários e debates), Discute aspectos controversos relacionados a temas
aspectos relacionados a temas estudados nas diferentes da atualidade, problemas do cotidiano e convivência,
áreas do conhecimento. alimentados por pesquisas próprias em fontes diversas,
considerando a fala do outro, ouvindo de maneira
respeitosa, emitindo e justificando opiniões?
Formula perguntas e comentários referentes ao tema
em estudo para apoiar sua exposição oral?
Produz sínteses em colaboração com a turma e com
a ajuda da professora, ou do professor, sobre o tema
tratado considerando as discussões realizadas e
opiniões apresentadas?
Produz textos orais de apreciação e opinião,
orientando-se por roteiro ou texto, considerando o
contexto de produção e demonstrando conhecimento
sobre o gênero a ser produzido?
Expõe, por meio de textos orais, aspectos relacionados
a temas estudados nas diferentes áreas do
conhecimento?

Revisar o texto produzido tendo em vista sua adequação Revisa textos com autonomia ou em colaboração com
ao contexto de produção, características do gênero, colegas e professores tendo em vista sua adequação
aspectos relativos à textualidade, formatação, uso ao contexto de produção, características do gênero,
adequado de ferramentas de edição e norma culta. aspectos relativos à textualidade, à formatação, ao uso
adequado de ferramentas de edição e à norma culta?

Participar ativamente dos processos de planejamento, Participa de maneira colaborativa dos processos de
textualização, revisão e edição, considerando o contexto planejamento, textualização, revisão e edição, tendo em
de produção. vista o contexto de produção?

Compreender a necessidade de estabelecer a Analisa textos, de modo colaborativo, para observar a


concordância verbal e nominal na produção de textos, ocorrência de conhecimentos linguísticos e gramaticais,
bem como a utilização da pontuação (ponto final, ponto como regras básicas de concordância nominal e verbal e
de exclamação, ponto de interrogação, vírgulas em pontuação (ponto final, ponto de exclamação, ponto de
enumerações e pontuação do discurso direto). interrogação, vírgulas em enumerações e pontuação do
discurso direto)?
Propõe alternativas de ajustes nas produções textuais
baseadas em conhecimentos linguísticos e gramaticais?
Utilizar, ao produzir e/ou revisar os textos, regras
básicas de concordância nominal e verbal?
Preocupa-se com o uso dos sinais de pontuação (ponto
final, ponto de exclamação, ponto de interrogação) nas
produções escritas?
Utiliza vírgulas em situações de enumerações?
Identifica pontuação do discurso direto?

378 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Língua Portuguesa

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender a importância do uso dos recursos de Analisa textos, de modo colaborativo, para observar
referenciação (substituição lexical do referente por o uso dos recursos de referenciação (substituição lexical
pronomes pessoais, possessivos e demonstrativos; por do referente por pronomes pessoais, possessivos e
sinônimos; por hiperônimos) e vocabulário apropriado demonstrativos; por sinônimos; por hiperônimos)?
aos gêneros na produção textual.
Propõe alternativas de ajustes para resolver repetições
indesejadas nos textos produzidos?
Propõe alternativas de ajustes utilizando vocabulário
apropriado aos gêneros?
Elimina repetições indesejadas nos textos produzidos,
substituindo o referente por outras palavras de classes
gramaticais relacionadas?

Utilizar, ao produzir um texto, com a ajuda das colegas Identifica, nos textos produzidos, recursos de coesão
e dos colegas e da professora, ou do professor, pronominal (pronomes anafóricos)?
recursos de coesão pronominal (pronomes anafóricos)
Identifica articuladores de relações de sentido (tempo,
e articuladores de relações de sentido (tempo, causa,
causa, oposição, conclusão, comparação)?
oposição, conclusão, comparação) com nível suficiente
de informatividade. Utiliza, ao produzir um texto, com a ajuda das colegas e
dos colegas e da professora, ou do professor, recursos
de coesão pronominal (pronomes anafóricos)?
Utiliza, ao produzir um texto, com a ajuda das colegas
e dos colegas e da professora, ou do professor,
articuladores de relações de sentido (tempo, causa,
oposição, conclusão, comparação) com nível suficiente
de informatividade?

Organizar, com progressiva autonomia, o texto Identifica os parágrafos em um texto?


produzido em unidades de sentido, dividindo-o em
Preocupa-se em organizar o texto produzido em
parágrafos segundo as normas gráficas e de acordo com
parágrafos?
as características do gênero textual.
Organiza o texto produzido em frases e parágrafos?

Reler e revisar o texto produzido, com a ajuda da Identifica a necessidade de revisão nos textos
professora, ou do professor, e a colaboração das produzidos?
colegas e dos colegas, para corrigi-lo e aprimorá-lo,
Utiliza procedimentos e comportamentos próprios de
fazendo cortes, acréscimos, reformulações e ajustes
quem produz textos, como ler e reler o que produziu e
considerando a situação comunicativa (interlocutores,
revisar o texto enquanto escreve?
finalidade, gênero, lugar de circulação, portador etc.).
Propõe alternativas para corrigir ou aprimorar o texto
produzido?
Propõe ajustes considerando a situação comunicativa
(interlocutores, finalidade, gênero, lugar de circulação,
portador etc.)?

Editar a versão final do texto produzido, em colaboração Edita a versão final do texto produzido, em colaboração
com a turma e com a ajuda da professora, ou do com a turma e com a ajuda da professora, ou do
professor, ilustrando, quando for o caso, em suporte professor, ilustrando, quando for o caso, em suporte
adequado, seja manual ou digital. adequado, seja manual ou digital?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 379


Educação de Jovens e Adultos

Língua Portuguesa
ANÁLISE LINGUÍSTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Distinguir, de forma inicial, gêneros cujas marcas se Identifica marcas que expressam a linguagem
expressam pelo domínio do narrar, expor, relatar, instruir dominante dos textos (narrativos, expositivos,
e argumentar, entre outros. instrucionais, argumentativos e relatos, entre outros)?
Distingue textos usando como justificativa as marcas de
linguagem dominantes em cada um deles?
Valida as características presentes em textos
organizados em um mesmo gênero?

Analisar, com a ajuda das colegas e dos colegas e da Reconhece e identifica os acentos gráficos em palavras
professora, ou do professor, as diferenças de sentido conhecidas?
de algumas palavras, decorrentes do uso da acentuação
Relaciona os acentos gráficos à pronúncia aberta ou
(por exemplo: é/e; está/esta; baba/babá; carne/carnê;
fechada da sílaba?
aí/ai; vovô/vovó etc.), comumente designadas por
parônimos ou homógrafos imperfeitos. Preocupa-se em acentuar palavras de uso recorrente?
Utiliza os acentos, em palavras de uso frequente,
presentes em textos conhecidos (agudo e circunflexo)?

Escrever convencionalmente palavras que implicam Preocupa-se com regras ortográficas ao produzir
considerar o contexto para selecionar a letra adequada textos?
(regularidades contextuais): R e RR, U e O em sílaba
Utiliza dicionários e/ou outros recursos para consulta
átona, I e E em sílaba átona, M e N que atuam como
em caso de dúvidas na grafia convencional?
nasais em finais de sílabas, ÃO, Ã, A, E, I, O e U em sílabas
nasais, iniciadas por M e N, utilizando o procedimento de Escreve, convencionalmente, palavras que implicam
revisão para identificar os contextos em que a letra será considerar o contexto para selecionar a letra adequada
usada. (regularidades contextuais): R e RR?
Escreve convencionalmente palavras que implicam
considerar o contexto para selecionar a letra adequada
(regularidades contextuais): U e O em sílaba átona?
Escreve convencionalmente palavras que implicam
considerar o contexto para selecionar a letra adequada
(regularidades contextuais): I e E em sílaba átona?

Reconhecer, ainda que de forma inicial, as situações nas Identifica situações nas quais o uso de letra maiúscula se
quais o uso da letra maiúscula se faz necessário. faça necessário?
Preocupa-se com regras para uso das letras maiúsculas?
Utiliza, ainda que de forma inicial, letras maiúsculas nas
situações que se fazem necessárias?

Conhecer a segmentação de palavras e reconhecer Identifica a segmentação das palavras conhecidas?


a importância de segmentar adequadamente as
Preocupa-se em segmentar adequadamente tentando
palavras em um texto, preocupando-se em evitar
evitar hipersegmentação ou hiposegmentação?
hipersegmentação ou hiposegmentação.

Reconhecer e identificar as diferentes formas de registro Identifica as diferentes formas de registro dos sons
dos sons nasais (m/n/~) e seus usos, por exemplo, nos nasais?
marcadores temporais de passado e futuro.
Preocupa-se em registrar os sons nasais?
Utiliza, ainda que de forma inicial, os sons nasais em
palavras de uso frequente?
Utiliza, ainda que de forma inicial, os sons nasais em
marcadores temporais de passado e futuro?

380 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Língua Portuguesa

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Diferenciar marcas decorrentes da oralidade que Identifica marcas decorrentes da oralidade que
aparecem na escrita, como “ndo”, no gerúndio; “i/e” ao aparecem na escrita, como “ndo”, no gerúndio; “i/e” ao
final dos verbos conjugados. final dos verbos conjugados?
Preocupa-se em registrar marcas decorrentes da
oralidade que aparecem na escrita, como “ndo”, no
gerúndio; “i/e” ao final dos verbos conjugados?

Reconhecer palavras com mesma sonoridade que Identifica palavras cuja escrita envolve diferentes
envolvem diferentes formas de registro (ss/ç/s; s/z; x/ch). formas de registros para uma mesma sonoridade (ss/ç/s;
s/z; x/ch)?
Analisa inventário de palavras com mesma sonoridade
que envolvem diferentes formas de registro?
Utiliza dicionários e/ou outros recursos para consulta
em caso de dúvidas na grafia convencional?

Compreender a função da pontuação na construção de Identifica sinais de pontuação, acentuação e demais


efeitos de sentido nos textos. aspectos gráficos?
Reconhece os efeitos de sentido provocados pela
acentuação em escritos?
Propõe possibilidades de pontuação para alterar o
sentido do texto?

Estabelecer concordância entre o verbo e o sujeito ou Identifica as possibilidades de flexão dos verbos em
entre o nome e seus determinantes (concordância verbal número e pessoa?
e nominal).
Realiza a concordância verbal adequada na produção e
revisão de textos?
Identifica as possibilidades de flexão dos adjetivos,
artigos e substantivos?
Realiza a concordância nominal adequada na produção
e revisão de textos?

Nota
1. Apesar de se tratar da modalidade oral da linguagem, o objetivo do reconto, nesse caso, é favorecer a capacidade de textualização e de
recuperação do texto lido para reescrevê-lo, focalizando operações fundamentais da textualização, como a sequenciação temporal dos
acontecimentos; o estabelecimento de relações de causalidade; a compreensão da lógica interna da história; e a manutenção da coesão e da
coerência, assim como do registro literário da linguagem.

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 381


Educação de Jovens e Adultos

Arte
ARTES VISUAIS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e representar o trajeto realizado da casa à Demonstra capacidade de imaginação, simbolização e


escola explorando elementos das artes visuais como representação?
ponto, linha, forma e cor.
Apresenta noções de espaço como relações entre
parte e todo, sentidos e direções, tamanho, distância e
proporção?

Desenvolver noções de espaço com base em relações Produz expressões artísticas visuais, manipulando
entre parte e todo, sentidos e direções, tamanho, noções estéticas e matemáticas?
distância e proporção.
Usa técnica e fruição de sentidos na representação de
direção, distância e relação espaço/forma?

Realizar práticas artístico-visuais que privilegiem o Apresenta capacidade motora, coordenação, percepção
desenvolvimento grafomotor e a percepção sensorial visual e registro gráfico de imagens e estímulos visuais?
tátil-visual, observando as relações entre parte e todo,
Produz expressões artístico-visuais, manipulando
sentidos e direções, tamanho, distância e proporção e
noções de espaço com base em relações entre parte
estimulando a criatividade.
e todo, sentidos e direções, tamanho, distância e
proporção?
Relaciona domínios de habilidades perceptivas, gráficas
e motoras com o exercício e desenvolvimento criativo?

Conhecer e analisar as tensões e o espaço de valor dado Conhece as contribuições artístico-culturais dos povos
às produções artístico-visuais, originárias de matrizes originários do Brasil?
culturais com base em processos históricos (legitimando
Reconhece os processos históricos de produção da arte
lutas e discussões a respeito da valorização da arte
e da cultura de nossos ancestrais?
e cultura indígena, africana, afrodescendente e de
outras matrizes e contextos) e refletir de modo crítico e Valoriza as contribuições da arte e da cultura dos povos
empático sobre elas. indígenas e africanos para o acervo local, regional e
nacional?
Representa as marcas estéticas de diversos povos e
matrizes em suas produções em contexto escolar e
comunitário?

Explorar a observação e representação visual do Consegue elaborar sua imagem e esquema corporal?
próprio corpo, reconhecendo suas identidades com base
Reconhece a si mesmo e às colegas e aos colegas como
em características físicas e culturais como modos de
sujeitos com identidades e identificações sociais, que
vestir, penteados etc., utilizando o desenho e a pintura.
convivem socialmente?
Problematiza estereótipos e preconceitos referentes
ao corpo e suas relações de pertencimento social e
cultural?

Conhecer as representações de artes visuais que Pesquisa e identifica as representações de artes


compõem as exposições temáticas sobre as tradições visuais que compõem as exposições temáticas sobre as
locais: folias de reis, marujada, roda de São Gonçalo, tradições locais, como folias de reis, marujada, roda de
ternos, entre outros. São Gonçalo e ternos?
Respeita e valoriza as representações de artes visuais
que compõem as exposições temáticas sobre as
tradições locais?

Mapear as manifestações de cultura pré-histórica em Realiza o mapeamento das manifestações de cultura


sítios arqueológicos da região, destacando os acervos de pré-histórica em sítios arqueológicos da região,
registros rupestres. destacando os acervos de registros rupestres?

382 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Arte

DANÇA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer formas de dança de diferentes matrizes Demonstra interesse, abertura e capacidade de


culturais e estéticas, tais como danças populares, afro- articulação dos saberes apreendidos na experiência
brasileiras, danças modernas e contemporâneas, para artística?
ampliação do repertório motor.

Identificar e valorizar especificidades étnicas e culturais Identifica as relações entre as produções artísticas e
locais e do território por meio de suas práticas sociais as especificidades étnicas e culturais locais e do seu
de produção de linguagens artísticas, vivência da dança, território?
seus modos de organização e de manifestação.
Relaciona a dança com as suas práticas sociais de
produção de linguagens artísticas?

Explorar possibilidades de movimento com base em Reconhece possiblidades de movimento que incluem
ações corporais cotidianas identificadas no espaço ações cotidianas e extracotidianas?
escolar e fora dele, como andar, correr, saltar, sentar,
levantar, deitar e espreguiçar.

MÚSICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer repertório de canções da cultura popular de Pesquisa canções da cultura popular de tradição oral?
tradição oral e cantar aquelas de sua preferência.
Canta canções de sua preferência com as colegas e os
colegas de classe, partilhando memórias oriundas das
tradições orais?
Valoriza o repertório de canções da cultura popular?

Reconhecer as relações entre a produção e a divulgação Discute com as colegas e os colegas, com a mediação
musical, destacando o papel dos meios de comunicação docente, sobre o papel dos meios de comunicação e da
para a popularização da arte. internet na divulgação de acervos musicais?
Seleciona canções relacionadas a trilhas sonoras do
cinema e de programas de TV?
Constrói uma lista das canções mais curtidas pela classe?
Canta canções relacionadas a trilhas sonoras do cinema
e de programas de TV?

Explorar os elementos constitutivos da música Revela apreensão de conceitos e procedimentos


(altura, intensidade, timbre, melodia, ritmo etc.) como relativos à linguagem da música?
conhecimentos específicos para o processo de criação
Apresenta capacidade de ouvir?
nessa linguagem artística.
Demonstra capacidade de aceitação das diferenças no
exercício do canto coral?

Conhecer as tradições musicais da região destacando Investiga as tradições musicais da região destacando
suas organizações históricas, tais como fanfarras, suas organizações históricas, tais como fanfarras,
filarmônicas, serenatas e saraus. filarmônicas, serenatas e saraus?
Respeita e valoriza as tradições musicais da região
destacando suas organizações históricas, tais como
fanfarras, filarmônicas, serenatas e saraus?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 383


Educação de Jovens e Adultos

Arte
TEATRO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Pesquisar e contextualizar as produções teatrais, Pesquisa informações sobre as dimensões sociais,


reconhecendo as dimensões sociais, históricas e históricas e culturais das produções teatrais locais e
culturais que expressam as formas do sujeito se regionais?
relacionar com o mundo.
Identifica a importância do teatro na construção cidadã
das formas de o sujeito se relacionar com o mundo?

Pesquisar manifestações populares, em especial Compreende a contribuição das culturas indígenas e da


aquelas que têm como matrizes as culturas indígenas e a diáspora africana na produção teatral brasileira?
diáspora africana.

Investigar e experimentar procedimentos de Explora a possibilidade de criação teatral com base no


improvisação e criação de diálogos que ampliem discurso textual?
vocabulários e repertórios próprios sobre temas
Compreende os elementos básicos de um diálogo?
relevantes.

Criar cenas curtas em relações inter e multidisciplinares Compreende de forma introdutória as diferentes
com outros componentes curriculares e linguagens etapas de um processo criativo (geração, interpretação,
artísticas. exploração, seleção, avaliação e estruturação)?
Compreende a natureza inter e multidisciplinar do
teatro e seu potencial de complementaridade com
outras áreas do conhecimento?

Pesquisar sobre processos de criação no teatro: Caracteriza os processos de criação no teatro?


espetáculos, construção de personagens, criação de
Desenvolve a criação de personagens, cenários e
cenários e figurinos, entre outros.
figurinos no jogo dramático?

ARTES INTEGRADAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Criar por meio da arte, atitudes favoráveis à Expressa, por meio do contato e da produção de
aprendizagem, como respeito, solidariedade, empatia, linguagens artísticas, boas atitudes de apreciação da
diálogo e colaboração. arte e do convívio social, norteadas pela empatia?
Aprecia as apresentações das colegas e dos colegas,
revelando respeito por suas produções?
Colabora em produções artísticas coletivas?

Conhecer e explorar diferentes tecnologias para acessar Explora ferramentas tecnológicas e dispositivos digitais
acervos e novos modos de criação artística e interagir para acessar sites de museus, festivais, cidades culturais,
com eles. artistas e tutoriais, integrando distintas linguagens?

Conhecer o patrimônio cultural material e imaterial Acessa o patrimônio cultural material e imaterial da
produzido pelos povos, considerando as matrizes comunidade a qual pertence?
indígena, africana e europeia.
Pesquisa em centros culturais, bibliotecas, sites e
memoriais as características do patrimônio cultural local
material e imaterial?

Experimentar situações e práticas nas quais as artes Experimenta situações e práticas nas quais as artes
visuais se integram às linguagens audiovisuais gráficas, visuais se integram às linguagens audiovisuais gráficas,
cenográficas, coreográficas e musicais, valorizando as cenográficas, coreográficas e musicais, valorizando as
tradições locais. tradições locais?

384 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Educação Física

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer as manifestações artísticas que representam Identifica as manifestações artísticas que representam
as tradições locais, como folias de reis, marujada, roda as tradições locais, como folias de reis, marujada, roda
de São Gonçalo e ternos. de São Gonçalo e ternos.
Pesquisa a origem das manifestações artísticas que
representam as tradições locais?
Valoriza as manifestações artísticas que representam as
tradições locais?

Participar da organização de mostra de artes, Participa da organização de mostra de artes, envolvendo


envolvendo dança, música, teatro e artes visuais. dança, música, teatro e artes visuais?
Atua como integrante das apresentações de mostra de
artes?

Educação Física
BRINCADEIRAS E JOGOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer diferentes brincadeiras e jogos da cultura Conhece jogos e brincadeiras da cultura popular
popular presentes no contexto comunitário local e presentes no contexto comunitário local e regional?
regional e sua importância. Identifica semelhanças com outros jogos e brincadeiras
vividos em seu cotidiano?
Compreende a importância desses jogos e brincadeiras
para suas culturas de origem?

Conhecer e respeitar as diferenças individuais e Realiza jogos e brincadeiras com as colegas e os colegas
coletivas valorizando o trabalho em grupo. interagindo durante as vivências?
Respeita os outros, suas ideias e os recursos utilizados
voluntariamente?.
Valoriza o trabalho em grupo?

Reconhecer e valorizar brincadeiras e jogos populares Identifica brincadeiras e jogos populares e tradicionais
tradicionais de matrizes indígena e africana. de matrizes indígena e africana?
Explora as características e a importância desse
patrimônio histórico e cultural na preservação das
diferentes culturas?
Reconhece as diferenças culturais, entendendo a
importância de sua preservação como patrimônio
histórico-cultural?
Valoriza brincadeiras e jogos populares e tradicionais de
matrizes indígena e africana?
Respeita esse patrimônio cultural?

Reconhecer nas brincadeiras e jogos presentes na Reconhece nos jogos e brincadeiras de matrizes
comunidade e região aspectos da identidade local indígena e africana semelhanças com outros vividos em
relacionados com as matrizes indígena e africana. seu cotidiano?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 385


Educação de Jovens e Adultos

Educação Física
ESPORTES
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Diferenciar os conceitos de brincadeira, jogo e esporte, Diferencia brincadeira, jogo e esporte?


identificando as características que os constituem e
Identifica as características de brincadeira, jogo e
valorizando o trabalho coletivo.
esporte?
Valoriza o trabalho coletivo por meio dos jogos,
relacionando-os com seu cotidiano?

Identificar os esportes presentes na comunidade, Identifica os elementos comuns nos esportes presentes
reconhecendo os significados que lhes são atribuídos. na comunidade?
Reconhece os esportes como manifestações corporais
praticadas por diferentes grupos sociais?
Analisa criticamente a ocorrência social dos esportes?
Constrói individual e coletivamente novos elementos,
objetos e regras aos jogos esportivos para atender às
necessidades do grupo?
Age com bom senso durante a vivência dos esportes,
respeitando potencialidades e limites próprios e dos
outros?
Resolve os conflitos por meio do diálogo, mantendo uma
postura positiva?

GINÁSTICAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer as ginásticas como manifestações corporais Identifica as ginásticas como manifestações corporais
praticadas por diferentes grupos sociais. praticadas por diferentes grupos sociais?
Respeita as diferenças individuais, coletivas e de
desempenho corporal?

Compreender, por meio da linguagem corporal, as Experimenta e explora sensações e expressões


características dos elementos básicos da ginástica, da corporais diversas?
ginástica geral e do movimento humano.
Identifica elementos básicos da ginástica, da ginástica
geral e do movimento humano?
Experimenta a ginástica geral, identificando e
vivenciando as potencialidades e os limites do próprio
corpo e dos outros?
Compreende como o corpo se movimenta e se relaciona
com os elementos básicos da ginástica, da ginástica
geral e do movimento humano?

Identificar, interagir e utilizar a percepção e dominância Interage com as colegas e os colegas ao realizar
corporal para conhecer a si mesmo e ao outro. as atividades da ginástica geral buscando o
reconhecimento do corpo?
Identifica e utiliza os aspectos e elementos constituintes
da ginástica, da ginástica geral e do movimento humano
relacionando com situações do seu cotidiano?
Identifica as ginásticas presentes na comunidade,
reconhecendo os significados que lhes são atribuídos?

386 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Educação Física

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Experimentar individual e coletivamente as combinações Experimenta e explora sensações corporais diversas


de diferentes elementos da ginástica geral com como habilidades, estruturas e coordenação motoras,
atividades do cotidiano. orientação e estruturação espaçotemporal, esquema e
percepção corporal?
Valoriza os movimentos e a comunicação corporal,
relacionando a ginástica geral ao próprio cotidiano?

Explorar estratégias para solucionar desafios na vivência Respeita as potencialidades e os limites do próprio
individual e coletiva da ginástica geral, reconhecendo e corpo e do corpo das colegas e dos colegas?
respeitando os limites e potencialidades do corpo.
Explora, individual e coletivamente, os elementos da
ginástica geral em distintas práticas corporais?
Recria as ginásticas de acordo com as características do
grupo?
Age com respeito durante a vivência das ginásticas
preservando a própria integridade e a das colegas e dos
colegas?
Assume diferentes papéis na realização das ginásticas?

DANÇAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender as danças como manifestações corporais Conhece o contexto social, histórico e político que
praticadas por diferentes grupos sociais. possibilitou o surgimento e as transformações das
danças?
Identifica as representações atribuídas às danças e a
seus praticantes, rompendo com posturas pejorativas?
Valoriza e respeita os diferentes sentidos e significados
das danças?
Distingue as danças com base nos elementos
constitutivos?
Reconhece as danças como manifestações culturais
ressignificadas ao longo do tempo?
Respeita as individualidades e a diversidade de gênero,
cultura e os referenciais motores das danças?

Conhecer as danças presentes na comunidade, Identifica danças presentes na comunidade?


reconhecendo os significados que lhes são atribuídos.
Propõe alternativas para recriar danças considerando
as características do grupo?
Percebe as sensações geradas pela vivência das danças?

Reconhece danças de matrizes indígena e africana, Identifica elementos constitutivos comuns e diferentes
comparando e valorizando os elementos, os sentidos e nas danças de matrizes indígena e africana?
os significados que as constituem.
Compreende a importância das danças de matrizes
indígena e africana como patrimônio cultural?
Valoriza e respeita os diferentes sentidos e significados
das danças de matrizes indígena e africana em suas
culturas de origem?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 387


Educação de Jovens e Adultos

Educação Física
DANÇAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer, respeitar e valorizar o movimento rítmico Identifica danças populares e tradicionais do Brasil?
como forma de expressão corporal e de representação
Compreende a importância das danças populares e
social, identificando preconceitos no contexto das
tradicionais do Brasil como patrimônio cultural?
danças populares e tradicionais do Brasil.
Valoriza e respeita os significados das danças populares
e tradicionais do Brasil e discute alternativas para
superar seus preconceitos?
Argumenta repudiando preconceitos no contexto das
danças populares e tradicionais do Brasil?

Compreender o movimento rítmico como forma Compreende os significados das atividades rítmicas
de expressão corporal e de representação social, e expressivas, das danças populares e tradicionais do
identificando preconceitos presentes no contexto das mundo?
danças populares e tradicionais do mundo e estratégias
Identifica os preconceitos e alternativas para superá-
de superação.
-los, valorizando as diversas manifestações culturais das
danças populares e tradicionais do mundo?
Compreende os gestos e expressões presentes
nas danças do mundo e estabelece referências
socioculturais?

LUTAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender as lutas como manifestações corporais e Reconhece as lutas como manifestação corporal e
culturais, ressignificadas ao longo do tempo e praticadas cultural?
por diferentes grupos sociais.
Compreende que as lutas foram ressignificadas ao
longo do tempo?
Valoriza os significados atribuídos às lutas pelos seus
representantes?
Analisa as representações atribuídas às lutas e a seus
praticantes e argumenta contra preconceitos e posturas
pejorativas?
Distingue as lutas com base nas suas características?
Compreende o processo que transformou as lutas em
esporte?

Identificar os riscos durante a realização dos jogos Identifica as múltiplas possibilidades dos jogos de luta e
de luta, valorizando a segurança e integridade física sua diversidade cultural humana?
individual e coletiva.
Vivencia estratégias para a execução de diferentes
elementos dos jogos de luta prezando pela segurança
individual e coletiva?

Reconhecer a importância das lutas de matrizes indígena Conhece diferentes lutas de matrizes indígena e
e africana respeitando e preservando o contexto africana, reconhecendo seu contexto histórico, social e
histórico, social e cultural. cultural?
Valoriza os jogos de luta de matrizes indígena e africana
como produto sociocultural?
Identifica preconceitos existentes na prática dos jogos
de lutas de matrizes indígena e africana e propõe
alternativas para sua superação?

388 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Matemática

Matemática e suas relações com a sociedade


NÚMEROS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender a função social dos números utilizados Domina os números de uso social, relacionados a
para expressar contagens, comparações e ordenações e quantificações práticas, como idades, pessoas da
anunciar informações pessoais como endereços (quadra, família, horas do dia, dias da semana, do mês, preços e
bloco, lote), códigos postais e números de telefone. quantidades referentes a valores de cédulas e moedas e
datas?
Reconhece as funções sociais do número em situações
relacionadas à vida cotidiana, as quais não indicam
contagem nem ordem, como RG, CPF, CEP, telefone,
celular e código de identificação?
Interpreta códigos numéricos frequentes no cotidiano
(números de apartamentos em edifícios, números de
telefone, código postal, números de linhas de ônibus
etc.)?

Compreender como o sistema de numeração decimal Comunica e interage com a turma sobre temas
está organizado quanto aos valores posicionais de modo relacionados a números, favorecendo a clareza do
a escrever e comparar os numerais. próprio pensamento e atitudes de cooperação e
respeito às ideias do outro?
Reconhece, em situações reais, a utilidade das
operações aritméticas fundamentais?
Compara os números como indicador de análise crítica
em temas como a população, a seca e as queimadas na
região da Chapada Diamantina?

Identificar o antecessor e o sucessor de um número Reconhece sequências de números naturais


natural escrito, com três, quatro ou cinco dígitos. consecutivos?
Reconhece sequências de números naturais pares
consecutivos?
Reconhece sequências de números naturais ímpares
consecutivos?

Compreender que a representação dos números Reconhece os números racionais na forma decimal finita
racionais, na forma cuja representação seja finita, segue no contexto diário?
regras análogas às dos números naturais: agrupamentos
Lê e interpreta números racionais na forma decimal
de dez e valor posicional.
finita?
Identifica regularidades na série numérica para nomear,
ler e escrever números racionais na forma decimal finita?

Compreender as concepções do número para Expressa o sentido numérico de forma gradativa,


construção de significados numéricos (naturais e à medida que os números vão sendo percebidos
racionais na forma decimal finita) com base em sua como instrumentos para resolução de determinadas
utilização no contexto social e na resolução de alguns situações-problema?
problemas históricos que motivaram sua construção.
Identifica pequenas quantidades e opera com elas, pois
essas noções já estão construídas mentalmente?
Domina as regras da numeração decimal (agrupamentos
na base 10, valor posicional dos algarismos) e
compreende a escrita de números até 1.000?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 389


Educação de Jovens e Adultos

Matemática e suas relações com a sociedade


NÚMEROS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Elaborar hipóteses, favorecendo a apresentação Compreende os significados dos números naturais


de representações (desenhos, esquemas), de modo em diferentes contextos de forma a expandir essa
a estabelecer um ambiente argumentativo nas compreensão a novos campos numéricos?
construções pessoais de escritas de números e
Estabelece relações entre o que pensa e as
produção de diferentes grandezas.
representações escritas convencionais para expressar
contagens, comparações e ordenações?
Integra a habilidade de contagem com o significado do
valor posicional na escrita numérica superior a 1.000?

Utilizar procedimentos de cálculo mental e cálculo Resolve situações-problema envolvendo números


escrito (técnicas operatórias), selecionando as formas naturais e racionais na forma decimal finita e, com base
mais adequadas para realizar o cálculo em função do nelas, constrói significados para as quatro operações
contexto, dos números e das operações envolvidas. fundamentais?
Identifica e utiliza diferentes representações dos
números naturais e racionais na forma decimal finita,
indicadas por diferentes notações, vinculando-as a
contextos matemáticos e não matemáticos?
Realiza estimativa e cálculos aproximados e utiliza a
verificação de resultados de operações numéricas?

Efetuar cálculos de adição e subtração de números Efetua cálculos de adição e subtração de números
racionais na forma decimal finita. racionais na forma decimal finita por meio de estratégias
pessoais e construindo suas representações gráficas?
Efetua cálculos de adição e subtração de números
racionais na forma decimal finita por meio de técnica
operatória escrita, utilizando “transporte” e “recurso” à
ordem imediatamente superior?
Calcula o valor da cesta básica, de encargos sociais e
orçamento doméstico?

Fazer uso de calculadora no trabalho escolar como Utiliza tecnologias digitais, como calculadoras e planilhas
recurso tecnológico para o cálculo de atividade de eletrônicas, para avaliar e comparar resultados que
compra, venda e estimativas. ajudam na construção de gráficos e nos cálculos?
Desenvolve procedimentos de controle e verificação de
respostas com o uso de calculadora?
Lê e interpreta informações que aparecem em moedas e
cédulas de dinheiro, contracheques, contas de água, luz
e telefone e extratos bancários em escritas numéricas e
cálculos com o uso de calculadora?

Utilizar estratégias para quantificar: contagem, Identifica situações em que é apropriado fazer
estimativa, emparelhamento, comparação entre estimativas?
agrupamentos etc.
Estima quantidades e constrói estratégias para verificar
a estimativa?
Formula hipóteses sobre grandezas com base na
observação de regularidades na escrita numérica?

390 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Matemática

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Resolver situações-problema de modo a explorar o Realiza a leitura e a interpretação de informações


sistema monetário brasileiro com ou sem o uso de que aparecem em moedas e cédulas de dinheiro,
tecnologias digitais. contracheques, contas de luz, extratos bancários
para observar as escritas numéricas e realizar cálculos
mentais?
Reconhece o sistema monetário brasileiro e o utiliza em
situações de sala de aula na simulação de compras, troco
etc. com cálculo mental e registro de cálculos?
Utiliza a calculadora em situações que problematizem as
escritas numéricas?

Explorar ideias intuitivas no domínio de técnicas Utiliza os números decimais na resolução de problemas
operatórias para níveis mais adiantados com números que envolvem medida, probabilidade e estatística,
decimais cuja representação seja finita. contribuindo para que seja percebida a utilidade desses
números?
Analisa situações com medidas, constatando que, se a
unidade metro não couber um número exato de vezes
no comprimento da parede, será preciso subdividi-la
em unidades menores (centímetros) e que isso pode ser
representado por meio dos números decimais?
Compreende que os números decimais são
fundamentais nos conceitos de unidade e de sua
subdivisão em partes iguais às quais são exploradas
mediante os conceitos que partem de expressões
utilizadas cotidianamente, como meia hora, dez por
cento, um quarto para as duas e um quarto (de quilo) de
café?

Reconhecer e construir frações equivalentes com base Compara e ordena frações, com base em
em experimentações (recipientes graduados, balanças, experimentações, utilizando as expressões “maior que”,
fita métrica etc.) e pela comparação de regularidades “menor que”, “igual a”?
nas escritas numéricas.
Lê e escreve frações?
Entende que os números naturais podem ser escritos
em forma fracionária?

Ordenar frações de modo a compará-las, percebendo, Argumenta (lendo, escrevendo, dialogando,


por exemplo, que 15 é menor que 12 . comparando, se opondo, levantando hipóteses e
prevendo consequências) nos procedimentos que
acompanham a resolução de problemas que envolvem
frações?
Percebe que o número fracionário pode ser
representado em situações distintas, que implicam
noções diversas (por exemplo, fração como relação
parte-todo, fração como quociente entre dois números
e fração como razão)?
Compreende as relações entre frações e como
elas costumam aparecer associadas a situações
que envolvem proporcionalidade, porcentagem e
probabilidade?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 391


Educação de Jovens e Adultos

Matemática e suas relações com a sociedade


NÚMEROS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Produzir tabelas com memórias de cálculo e de Produz tabelas com memórias de cálculo e de
agrupamentos que possibilitem a resolução de agrupamentos que possibilitam a resolução de
problemas matemáticos com multiplicação e divisão. problemas matemáticos de forma colaborativa com as
colegas e os colegas e a mediação docente?
Quantifica, compara quantidades, apropria-se do
número e faz agrupamentos com a ajuda docente?
Constrói caminhos para realizar e explicar
quantificações, comparações e agrupamentos?

Compreender a escala e organização ascendente e Conta em escala descendente e ascendente, de um em


descendente. um, de dois em dois, de cinco em cinco, de dez em dez, de
cem em cem etc., com base em qualquer número dado?
Usa escalas e organização ascendente e descendente
para tratar informações (por exemplo, estudantes mais
jovens ou mais maduros, com filhos ou sem filhos, que
trabalham no campo, que trabalham na cidade, que não
trabalham)?

Ler e escrever números naturais com dois, três, quatro Realiza a leitura e a escrita de números naturais com
ou mais dígitos, distinguindo o valor relativo dos dois, três, quatro ou mais dígitos, distinguindo o valor
algarismos, de acordo com a sua posição na escrita relativo dos algarismos, de acordo com sua posição na
numérica. escrita numérica?
Quantifica, compara quantidades, apropria-se do
número e faz agrupamentos com a ajuda docente?
Reconhece e usa o sistema de numeração em sua
atuação social utilizando estratégias de cálculo do
campo aditivo com apoio docente?

Desenvolver estratégias de estimativa que permita a Estima um resultado obtido como razoável e entende
avaliação de resultados relacionados a situações de essa prática como forma de controlar eventuais erros?
contagem, medidas e operações, se elas são razoáveis
Constata que existem diferentes maneiras de calcular
ou não, e que aproximações são pertinentes a cada
e sua escolha é aquela que melhor se adapta à sua
situação.
situação particular (números e operações envolvidas)?
Soluciona problemas, com a ajuda docente, utilizando
estratégias de cálculo e combinando operações?

Utilizar procedimentos de cálculo mental e cálculo Explora estratégias variadas de cálculo para resolução
escrito (técnicas operatórias), selecionando as formas de problemas de adição, subtração, multiplicação e
mais adequadas para realizar o cálculo em função do divisão?
contexto, dos números e das operações envolvidas.
Produz cálculo de estimativa, realizando aproximações e
arredondamento de valores?
Desenvolve estratégias de cálculo mental diversificada,
mesmo manifestando algumas dificuldades para aplicar
os procedimentos convencionais, cometendo alguns
erros sistemáticos?

Reconhecer que diferentes situações-problema podem Estabelece relações entre a adição e a subtração?
ser resolvidas por uma única operação e que diferentes
Utiliza a terminologia da adição e da subtração (parcelas,
operações podem resolver uma mesma situação-
soma, sinal de mais, primeiro termo, segundo termo,
-problema.
diferença, resto, sinal de menos)?
Efetua cálculos de adição e subtração?

392 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Matemática

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Construir noções de ordem, sequência, intervalo Utiliza as representações gráficas dos números decimais
e equivalência, além das noções de unidade e suas como formas intermediárias entre a linguagem oral e
subdivisões. simbólica?
Resolve situações com medidas de valor monetário
(dinheiro), medidas de comprimento ou superfície em
contextos apropriados para introdução de noções de
fração e ampliação dos números decimais?

Desenvolver atividades que auxiliam o estabelecimento Constata que um problema pode ser resolvido por
de relações entre as ideias, estratégias e o conhecimento diferentes operações, assim como uma mesma operação
mais geral, complexo e formal na resolução de pode estar associada a problemas diferentes?
problemas.
Evidencia linguagem oral, construções ou desenhos,
antes de chegar às escritas matemáticas associadas a
soluções de problemas diferentes?
Reconhece, em situações reais, a utilidade das
operações fundamentais?

Interagir com os diferentes significados das operações Estima o resultado de uma operação antes de realizá-la,
fundamentais recorrendo às tecnologias digitais na permitindo detectar eventuais erros nos procedimentos
resolução de problemas. utilizados?
Apresenta noções que mantêm estreita relação com a
construção do sentido numérico e, com isso, forma a
base para o desenvolvimento de estimativas com o uso
de tecnologias digitais na resolução de problemas?

Observar critérios que definem uma classificação de Estabelece relação entre mudança do valor posicional e
números (maior que, menor que, terminados em, estar a multiplicação ou divisão por 10, 100, 1.000 etc.?
entre etc.) e regras utilizadas em seriações (mais um,
Utiliza estratégias para quantificar (contagem,
mais dois, dobro de, metade de, triplo de, terça parte de
estimativa, emparelhamento, comparação entre
etc.).
agrupamentos etc.)?
Identifica diferentes formas de compor e decompor um
número natural com três, quatro ou cinco dígitos?

Representar os fatos fundamentais da adição e da Utiliza o cálculo mental exato ou aproximado como
subtração, ampliando o repertório básico para o previsão e avaliação da adequação dos resultados?
desenvolvimento do cálculo mental.
Usa diferentes procedimentos de cálculo, em função
da situação-problema, das operações e dos números
envolvidos?
Analisa e compara diferentes estratégias de cálculo?

Representar os fatos fundamentais da multiplicação Utiliza a terminologia da multiplicação e da divisão


e da divisão, ampliando o repertório básico para o (fatores, produto, sinal de vezes, sinal de dividir,
desenvolvimento do cálculo mental. dividendo, quociente, divisor)?
Identifica, com base no cálculo mental, a regularidade
presente na divisão (ao dividir ou multiplicar o dividendo
e o divisor por um mesmo número, o quociente não se
altera)?
Efetua cálculos de multiplicação e divisão?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 393


Educação de Jovens e Adultos

Matemática e suas relações com a sociedade


NÚMEROS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer e construir frações equivalentes com base Compara e ordena frações, com base em
em experimentações (recipientes graduados, balanças, experimentações, utilizando as expressões “maior que”,
fita métrica etc.) e pela comparação de regularidades “menor que”, “igual a”?
nas escritas numéricas.
Relaciona frações de denominador 10, 100, 1.000 com
a respectiva representação decimal (0,1, 0,01, 0,001)?
Reconhece que as frações de denominador 100 podem
ser representadas como porcentagem (símbolo: %)?

Reconhecer, em situações reais, a utilidade das Percebe o efeito que as operações produzem sobre os
operações fundamentais. números? Por exemplo, no campo dos números naturais,
a adição entre 5 e 15 produz um resultado menor do
que a multiplicação de 5 por 15, e a adição entre dois
números maiores que 50 produzirá sempre um número
maior que 100.
Apresenta noções que mantêm estreita relação com
a construção do sentido numérico e, com isso, forma
a base para o desenvolvimento de estimativas, cálculo
mental e cálculo escrito?

Identificar e comparar quantidades em função da Reconhece as ordens de grandeza relacionadas aos


grandeza numérica envolvida (contagem, visualização, números?
estimativa, aproximação, arredondamento,
Emprega os termos dezena, unidade, centena e milhar
correspondência termo a termo ou por agrupamentos).
para identificar os respectivos agrupamentos?
Agrupa e reagrupa quantidades e realiza trocas,
empregando uma regra de equivalência, inicialmente
até a 4ª ordem e nas ordens subsequentes
progressivamente?

GRANDEZAS E MEDIDAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender que a medida envolve a comparação Verifica quantas vezes a grandeza tomada como unidade
entre duas grandezas da mesma natureza e a verificação de medida cabe na outra?
de quantas vezes a grandeza tomada como unidade de
Estabelece relação entre a medida de uma dada
medida cabe na outra.
grandeza e o número que a representa?
Percebe a grandeza como uma propriedade de
determinados objetos?

Construir noções de medida pelo estudo de diferentes Resolve problemas que envolvem diferentes grandezas,
grandezas com base em sua utilização no contexto selecionando unidades de medida e instrumentos
social e na análise de alguns problemas históricos que adequados à precisão requerida?
motivaram a construção de tais noções.
Utiliza instrumentos de medida para fazer medições em
função da situação-problema no contexto da realidade?
Usa unidades convencionais e não convencionais de
medidas para fazer medições, estimar, comparar e
ordenar comprimentos?

394 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Matemática

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Empregar as medidas de grandeza mais utilizadas na Trabalha com unidades padronizadas utilizando
vida cotidiana. instrumentos como trenas, fitas métricas, balanças e
relógios?
Mede e expressa o resultado utilizando a medida e a
escala adequada de acordo com a natureza e a ordem
das grandezas envolvidas?
Emprega procedimentos de cálculo mental e escrito
para resolver situações-problema envolvendo preços,
pagamento e troco com cédulas e moedas?

Comparar grandezas de mesma natureza e identificar Utiliza estratégias pessoais baseadas em estimativas
unidades de medida por meio de estratégias informais. não apenas para ajudar a distinguir os vários atributos
mensuráveis de um objeto como para adquirir
consciência sobre o tamanho das diferentes unidades de
medida?
Utiliza o calendário como referência para medir o
tempo?
Utiliza unidades de medida não convencionais e
representa o valor da medida?

Perceber que o número que indica a medida varia Reconhece a utilidade dos números decimais para
conforme a unidade de medida utilizada. representar quantidades relacionadas às medidas?
Ordena uma coleção de objetos tendo como critério
apenas a grandeza que está sendo considerada?
Resolve problemas corriqueiros que exigem lidar
com diferentes grandezas e realizar vários tipos de
medidas (Quanto tempo falta para? Quanto preciso para
comprar? Quanto tecido é necessário para?)?

Estabelecer relações entre dia, semana, mês e ano. Lê e utiliza o relógio de ponteiros e o relógio digital como
instrumentos para medir o tempo?
Estabelece relações entre dia, hora e minuto e entre
hora, minuto e segundo?
Resolve situações-problema envolvendo datas, idades e
prazos?

Empregar procedimentos de cálculo para resolução de Reconhece a utilidade dos números decimais para
situações-problema envolvendo preços, pagamento e representar valores monetários?
troco com cédulas e moedas.
Estabelece relações entre os valores monetários de
cédulas e moedas em situações-problema do cotidiano?
Efetua cálculos estabelecendo relações entre os
diferentes valores monetários?

Conhecer e utilizar notações usualmente empregadas Identifica o século como período de 100 anos (em
para o registro de datas e horas (12h55, 12/05/96, conexão com estudos históricos)?
século XX etc.).
Identifica que o marco de referência do calendário
cristão é histórico (o nascimento de Cristo)?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 395


Educação de Jovens e Adultos

Matemática e suas relações com a sociedade


GRANDEZAS E MEDIDAS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Conhecer as unidades usuais de medida de Reconhece os símbolos das unidades de medida usuais
comprimento (metro, centímetro, milímetro e (m, cm, mm, km)?
quilômetro) estabelecendo relações entre elas.
Utiliza os símbolos das unidades de medida usuais (m,
cm, mm, km)?
Mede comprimentos utilizando instrumentos como fita
métrica, trena, régua e expressa a medida na unidade
adequada, em função do contexto e da precisão do
resultado?

Utilizar unidades de medida convencionais e representar Calcula o perímetro de figuras planas relacionadas a
o valor da medida. situações-problema do cotidiano?
Lê o termômetro clínico e o termômetro meteorológico,
reconhecendo o símbolo oC?
Reconhece o grau centígrado como unidade de medida
de temperatura?

Conhecer as unidades usuais de medida de capacidade Conhece e utiliza as unidades usuais de medida de
e volume. capacidade (litro e mililitro) e as relações entre elas?
Reconhece e utiliza as notações convencionais das
unidades de medida usuais (l e ml), identificando-as em
embalagens, receitas, vasilhames, bulas de remédio etc.?

Medir a massa utilizando balanças e expressar a medida Conhece as unidades usuais de medida de massa (grama,
na unidade mais adequada em função do contexto e da quilograma e miligrama), estabelecendo relações entre
precisão do resultado. grama e quilograma e entre grama e miligrama?
Reconhece e utiliza as notações convencionais das
unidades de medida usuais (g, kg, mg), identificando-as
em embalagens, receitas, vasilhames, bulas de remédio
etc.?
Resolve problemas envolvendo conversões entre
unidades de medida usuais?

Conhecer as unidades usuais de medida de superfície: Calcula a área do quadrado e do retângulo, por
metro quadrado (m²), quilômetro quadrado (km²) e contagem de regiões, verificando quantas vezes uma
centímetro quadrado (cm²), estabelecendo a relação unidade de medida cabe numa determinada superfície?
entre m² e cm², m² e km².
Compara áreas de diferentes figuras por meio da
composição e decomposição, sendo desnecessária
a aprendizagem de fórmulas nesse segmento da
escolaridade?
Desenvolve a noção de escala como ampliação ou
redução das dimensões reais em situações que
envolvam representação de medidas de comprimento e
superfície (plantas, mapas, guias, itinerários)?

396 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Matemática

GEOMETRIA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Descrever a situação de objetos presentes no entorno, Emprega a terminologia referente ao dimensionamento


empregando a terminologia referente à Geometria. (maior, menor, mais curto, mais comprido, mais alto, mais
baixo, mais largo, mais estreito etc.)?
Emprega a terminologia referente à posição (em cima,
embaixo, entre, na frente de, atrás de, direita, esquerda
etc.)?
Emprega a terminologia referente à direção e sentido
(para a frente, para trás, para a direita, para a esquerda,
em sentido contrário, no mesmo sentido, meia volta
etc.)?

Descrever a posição de objetos no espaço com base na Localiza-se no espaço com base em pontos de referência
observação de maquetes, croquis, fotografias, gravuras, e algumas indicações de posição?
desenhos, guias do bairro e da cidade, mapas, globo
Movimenta-se no espaço com base em pontos de
terrestre e planisfério, empregando a terminologia
referência e algumas indicações de direção e sentido?
referente às noções de grandeza, posição, direção e
sentido. Descreve sua posição e a posição de objetos no espaço,
dando informações sobre pontos de referência, direção
e sentido?

Distribuir de maneira adequada registros sobre o papel Diferencia espaços abertos e fechados?
(transcrição de textos, reprodução de desenhos, tabelas
Ocupa espaços percebendo as relações de tamanho e
e gráficos).
forma?
Representa a posição de objetos no espaço por meio da
construção de maquetes, desenhos, itinerários, plantas
baixas?

Representar a movimentação de objetos no espaço, Compara maquetes e desenhos, desenhos e mapas?


evidenciando os deslocamentos realizados.
Identifica propriedades relativas à posição
dos elementos de uma figura – paralelismo e
perpendicularismo – por meio da observação de objetos,
trajetos, dobraduras etc.?

Resolver situações-problema de localização e Representa em diferentes vistas (lateral, frontal e


deslocamento de pontos no espaço, reconhecendo nas superior) figuras tridimensionais e reconhece figuras
noções de direção e sentido, de ângulo, de paralelismo representadas por diferentes vistas?
e de perpendicularismo elementos fundamentais para a
Realiza a leitura de traçado de itinerários, mapas e
constituição de sistemas de coordenadas cartesianas.
plantas e construção de maquetes, para identificar
pontos de referência no espaço, distâncias, formas bi e
tridimensionais e compreender escalas?

Estabelecer relações entre figuras espaciais e suas Resolve situações-problema que envolvam figuras
representações planas, envolvendo a observação das geométricas planas, utilizando procedimentos de
figuras sob diferentes pontos de vista, construindo e decomposição e composição, transformação, ampliação
interpretando suas representações. e redução?
Identifica planificações de alguns sólidos geométricos?
Identifica e classifica figuras tridimensionais e
bidimensionais?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 397


Educação de Jovens e Adultos

Matemática e suas relações com a sociedade


GEOMETRIA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar elementos variantes e invariantes, Associa a noção de semelhança de figuras planas


desenvolvendo o conceito de semelhança. com base em ampliações ou reduções, identificando
as medidas que não se alteram (ângulos) e as que se
modificam (lados, superfície e perímetro)?
Realiza ampliação e redução de figuras planas segundo
uma razão e identificação dos elementos que não se
alteram (medidas de ângulos) e dos que se modificam
(medidas dos lados, do perímetro e da área)?

Identificar as características das formas geométricas Identifica relações entre áreas de figuras geométricas
presentes em elementos naturais e nos objetos criados por meio da composição e decomposição de figuras?
pelo homem.
Resolve problemas envolvendo relações entre área e
perímetro?
Lê e interpreta situações de localização representadas
graficamente (croquis, itinerários, plantas baixas, mapas
e guias da cidade e do bairro)?

Reconhecer formas geométricas planas em diferentes Identifica, localiza e representa objetos, considerando
suportes e relacionar as informações matemáticas para referência espacial (acima, abaixo, à direita, próximo de,
reconhecer, interpretar e nomear espaço e forma na ao lado de)?
sociedade.
Reconhece formas geométricas planas em estamparias,
pinturas, murais e paredes?
Relaciona informações matemáticas para ler o espaço
socialmente construído, além de objetos e outros
elementos com formas definidas?

Identificar semelhanças e diferenças entre a forma dos Reconhece alguns elementos que compõem os sólidos
objetos com ou sem o uso de tecnologias digitais. geométricos (faces, arestas, vértices, lados, ângulos),
inicialmente utilizando o vocabulário próprio e
paulatinamente incorporando o convencional?
Reproduz a forma dos objetos por meio de construções
com massa, argila, sabão, varetas etc.?

Identificar semelhanças e diferenças entre os sólidos Identifica sólidos geométricos e formas planas,
geométricos com ou sem o uso de tecnologias digitais. percebendo as semelhanças e diferenças entre
alguns deles (cubo e quadrado, pirâmide e triângulo,
paralelepípedo e retângulo, esfera e círculo)?
Identifica semelhanças e diferenças entre os poliedros
reconhecendo suas características comuns: faces,
arestas e vértices (identificação e contagem)?
Reconhece características comuns aos corpos redondos
como esfera, cone e cilindro?

Identificar semelhanças e diferenças entre polígonos Classifica polígonos como triângulos e quadriláteros,
como os quadriláteros, os triângulos e outros. usando diferentes critérios e também as noções de retas
paralelas e ângulo reto?
Compõe e decompõe sólidos geométricos e figuras
planas, identificando diferentes possibilidades?
Planifica alguns sólidos geométricos, identificando a
relação entre faces e figuras planas?

398 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Matemática

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar semelhanças e diferenças entre diferentes Classifica polígonos como triângulos e quadriláteros,
polígonos como os quadriláteros, os triângulos e outros. usando diferentes critérios e também as noções de retas
paralelas e ângulo reto?
Identifica simetrias em diferentes formas geométricas e
analisa as características decorrentes?

PROBABILIDADE E ESTATÍSTICA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Interpretar informações apresentadas em tabelas Lê e analisa dados quantitativos nas suas diferentes
simples, tabelas de dupla entrada, gráficos de barra, formas de apresentação com base em atividades
gráficos de linha, gráficos de setor. de contagem ou no levantamento de dados sobre
populações ou fenômenos do entorno próximo?
Realiza levantamentos, como as faltas das alunas ou dos
alunos num determinado período letivo, observando os
meses ou dias da semana em que há maior incidência,
fazendo inferências sobre as causas do absentismo e
suas possíveis consequências?
Interpreta dados estatísticos que extrapolam o entorno
próximo, como índices de mortalidade infantil, valores
de salário no mercado, temperaturas médias de
diferentes regiões?

Coletar e organizar dados e informações. Constrói registros pessoais para comunicar informações
coletadas?
Analisa fenômenos sociais e naturais com base em dados
quantitativos?
Compara e estabelece relações entre dados
apresentados em diferentes tabelas?

Interpretar tabelas simples e de dupla entrada e dados Constrói tabelas simples, tabelas de dupla entrada,
apresentados em gráficos numéricos, evidenciando a gráficos simples de barra, de linha e de setor?
compreensão das informações.
Identifica características dos acontecimentos previsíveis
e utiliza as informações para fazer previsões?
Identifica as características de acontecimentos
aleatórios e utiliza as informações para avaliar
probabilidades?

Desenvolver a noção de média aritmética como o Interpreta a média aritmética em casos significativos
resultado da soma de x parcelas dividida por x. para a compreensão da informação?
Calcula a média aritmética em casos significativos para a
compreensão da informação?

Utilizar processos e ferramentas matemáticas, inclusive Compreende as tecnologias digitais de informação e


tecnologias digitais disponíveis, para modelar e resolver comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva
problemas cotidianos, sociais e de outras áreas de e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as
conhecimento, validando estratégias e resultados. escolares)?
Comunica, por meio de diferentes linguagens e mídias, a
produção de conhecimentos matemáticos na resolução
de problemas e no desenvolvimento de projetos autorais
ou coletivos em prol de sua comunidade?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 399


Educação de Jovens e Adultos

Matemática e suas relações com a sociedade


INTRODUÇÃO AO PENSAMENTO ALGÉBRICO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer que há situações-problema em que estão Utiliza informações contidas em tabelas e gráficos,
presentes variáveis e incógnitas, as quais se expressam generalizando regularidades e identificando os
com base em generalizações usando as propriedades significados de símbolos, além do uso das letras x, y, z?
das operações aritméticas.
Observa regularidades e estabelece leis matemáticas
que expressam a relação de dependência entre
variáveis?
Resolve situações-problema por meio de sentenças
abertas do primeiro grau, compreendendo os
procedimentos envolvidos?

Ciências da Natureza
MATÉRIA E ENERGIA
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer os materiais (metais, vidro, plástico etc.) Identifica a matéria-prima dos objetos do seu cotidiano?
presentes em objetos do cotidiano, comparando-os a fim
Classifica os objetos do cotidiano de acordo com as
de estabelecer semelhanças e diferenças entre eles.
características (metal, madeira, plástico)?

Pesquisar sobre o tempo de decomposição dos materiais Pesquisa sobre o tempo de decomposição dos materiais
(metal, madeira, papel, vidro e plástico). (metal, madeira, papel, vidro e plástico)?
Relata práticas sociais responsáveis de preservação
ambiental?
Analisa a relação do sujeito com o meio ambiente com
base em leituras de textos de diversos gêneros?

Discutir sobre o descarte consciente de materiais. Discute sobre o descarte consciente de materiais?
Reconhece que o consumo excessivo dos materiais pode
aumentar a quantidade de resíduos?
Compreende a diferença entre reutilização e
reciclagem?
Problematiza os efeitos do descarte inadequado de
materiais?
Pesquisa sobre práticas da sua localidade que
promovem o uso consciente de materiais?
Investiga se há coleta seletiva no seu município e qual o
destino desses materiais?

400 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Ciências da Natureza

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender diferentes fontes, tipos e transformação Identifica fontes diferenciadas de energia?


de energia.
Classifica diferentes fontes renováveis e não renováveis
e tipos de energia utilizados em residência, comunidade
ou cidade?
Identifica o impacto de cada equipamento no consumo
doméstico mensal?
Identifica semelhanças e diferenças entre usinas de
geração de energia elétrica – solar, eólica, hidrelétricas,
termelétricas, entre outras?
Compara os impactos socioambientais provenientes da
geração de energia pelos diferentes tipos de usina?
Avalia como a energia chega e é usada em sua cidade,
comunidade, casa ou escola?
Posiciona-se criticamente acerca da abordagem política
e econômica da produção de energia, do direito e acesso
a ela e do consumo pela indústria e pelo agronegócio?
Argumenta a favor de ações coletivas visando o uso
consciente de energia elétrica na escola, em casa e ou na
comunidade, considerando critérios de sustentabilidade
(consumo e eficiência energética) para selecionar
equipamentos e hábitos de consumo responsável?

Compreender os ciclos da água, analisando sua Compreende os ciclos da água e a sua importância para
importância para os seres vivos em relação a agricultura, o equilíbrio dos ecossistemas?
clima, geração de energia elétrica e equilíbrio dos
Pesquisa o papel da água na geração de energia?
ecossistemas.
Avalia a importância do tratamento de água e seu uso
racional para a qualidade de vida das pessoas?

Explicar criticamente as relações de uso e preservação Explica criticamente a necessidade de preservação da


da água. água?

Compreender como ocorre a produção do som. Produz diferentes sons com base na vibração de
variados objetos?
Identifica variáveis que influenciam no fenômeno de
produção e propagação do som?

Pesquisar a variação do som (forte/fraco) e a frequência Realiza experimentação para estudo de variação e
(grave/agudo). frequência sonora, utilizando a vibração de diferentes
objetos do cotidiano?

Investigar e relatar o que ocorre com a passagem da Descreve, com base em observação em situações
luz através de objetos transparentes (copos, janelas cotidianas, fenômenos luminosos (decomposição da luz
de vidro, lentes, prismas, água etc.), no contato com solar, reflexão, refração)?
superfícies polidas (espelhos) e na intersecção com
Reconhece fontes naturais e artificiais de luz?
objetos opacos (paredes, pratos, cadernos e outros de
uso cotidiano) e pessoas. Investiga e relata a interação dos objetos de diferentes
superfícies com a luz?
Investiga e reconhece que os aparelhos com visores
podem prejudicar a visão?
Investiga e discute a relação entre os hábitos e a saúde
da visão?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 401


Educação de Jovens e Adultos

Ciências da Natureza
VIDA, AMBIENTE E SAÚDE
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Reconhecer a importância e as características da água, Compreende e nomeia os estados físicos da água?


relacionando-as com os seres vivos. Compreende o ciclo hidrológico e sua importância para
o equilíbrio dos ecossistemas?
Reconhece a importância da água para a agricultura?
Pesquisa sobre a importância da cobertura vegetal
para a manutenção do ciclo da água, a conservação
dos solos, dos cursos de água e da qualidade do ar
atmosférico?
Investiga e compreende o papel da água na geração de
energia?
Investiga a presença de saneamento básico na
localidade em que mora?
Pesquisa sobre a relação entre qualidade da água
e saúde?
Explica processos de tratamento de água e esgoto,
relacionando-os com a separação de misturas?
Compreende a importância do tratamento de água e
esgoto para a qualidade de vida da população?
Identifica os principais usos da água nas atividades
cotidianas?
Discute e propõe formas sustentáveis de utilização da
água?
Identifica a importância da preservação dos recursos
naturais para o seu município?

Explicar a importância da luz solar para a sobrevivência Explica a importância da luz solar para a sobrevivência
dos seres vivos. dos seres vivos?

Compreender a importância do solo para a produção de Relata acerca da importância do solo para a produção de
alimentos, fortalecimento da economia e qualidade de alimentos, fortalecimento da economia e qualidade de
vida. vida?
Valoriza o solo pela produção de alimentos, pelo
fortalecimento da economia e pela qualidade de vida?

Reconhecer a função da nutrição equilibrada para a Identifica em textos, filmes, tiras e/ou relatos
saúde humana. concepções que expliquem a função da nutrição
equilibrada para a saúde humana?
Expressa concepções tais como nutrição, equilíbrio,
saúde, doença e prevenção?
Produz colaborativamente pequenos textos
informativos sobre saúde e alimentação?
Elenca cuidados necessários com o meio ambiente,
que nos fornece os alimentos diários (ar, água, frutos,
verduras, sementes)?

Compreender que os seres vivos são classificados em Compreende as características de cada grupo de seres
categorias de acordo com suas características e situar os vivos?
seres humanos nessa classificação. Relaciona os seres humanos com outros seres vivos?
Discute os impactos das ações dos seres humanos na
preservação da vida de outros seres vivos?

402 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Ciências da Natureza

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Caracterizar as condições sanitárias da sua cidade, Caracteriza as condições sanitárias da sua cidade,
destacando a importância das políticas de saneamento destacando a importância das políticas de saneamento
básico. básico?
Discute a responsabilidade dos governantes na gestão
sanitária das cidades?
Compreende o saneamento básico como direito social,
obrigação dos poderes públicos e responsabilidade
individual e coletiva.

Vivenciar o mundo considerando as sensações captadas Narra suas experiências no mundo mediadas pelas
pelos órgãos dos sentidos. atividades sensoriais?
Identifica os órgãos dos sentidos relacionando-os à
percepção das sensações do ambiente?
Compreende a existência de pessoas com limitações
nos órgãos dos sentidos e investiga como elas interagem
com o meio e superam as limitações?
Explicita atitude inclusiva com as diferentes formas de
ser e agir no mundo?

Compreender os cuidados em relação à prevenção de Reconhece os modos de prevenir acidentes em casa, na


acidentes em casa, na escola e no trabalho. escola e no trabalho?
Identifica atitudes de segurança em relação ao uso e
manuseio de medicamentos, materiais perfurocortantes
e inflamáveis, entre outros?
Explicita fatores de risco na própria casa, na escola e no
trabalho?

Valorizar práticas de uso do conhecimento Usa o conhecimento científico para explicar formas de
científico para explicar formas de cultivo, cozimento, cultivo, cozimento, armazenamento e reaproveitamento
armazenamento e reaproveitamento de alimentos de alimentos orgânicos?
orgânicos.
Expressa a compreensão cidadã sobre o uso responsável
dos recursos naturais?
Identifica a presença de plantações orgânicas na sua
cidade e entorno?
Propõe a realização de políticas de apoio às plantações
orgânicas na sua cidade e no entorno?

Reconhecer a importância do conhecimento científico Debate sobre a importância do conhecimento científico


para a explicação dos fenômenos naturais e melhoria da para a explicação dos fenômenos naturais e melhoria da
qualidade de vida. qualidade de vida?

Pesquisar sobre a saúde nutricional e o uso de Pesquisa e apresenta informações sobre qualidade de
agrotóxicos, seus riscos e interesses comerciais. vida e acesso à alimentação orgânica nas diversas faixas
etárias e níveis econômicos?
Expressa sua opinião sobre os riscos do uso de
agrotóxicos nas plantações?

Refletir sobre as condições de saúde dos sujeitos que Participa de situações de aprendizagem para expressar
vivem no campo e nos ambientes urbanos com base seus conhecimentos prévios sobre os temas estudados?
em pesquisas/informações científicas, literárias e
Descreve cientificamente os fenômenos que provocam
jornalísticas.
saúde/doença em moradores do campo e da cidade?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 403


Educação de Jovens e Adultos

Ciências da Natureza
VIDA, AMBIENTE E SAÚDE
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Contextualizar hábitos urbanos que afetam a saúde de Contextualiza hábitos urbanos que afetam a saúde de
indivíduos e coletivos. indivíduos e coletivos?

Descrever diferentes características de plantas e Descreve diferentes características de plantas e animais


animais da sua região. da sua região?
Compreende a função de cada uma das principais partes
de uma planta?
Pesquisa as partes das plantas utilizadas na alimentação?
Nomeia as plantas utilizadas no artesanato local?

Conhecer o corpo humano caracterizando seus órgãos e Conhece o corpo humano caracterizando seus órgãos e
o funcionamento deles. o funcionamento deles?

Caracterizar o corpo humano, sua anatomia, fisiologia e Caracteriza o funcionamento biológico do corpo
metabolismo. humano?
Nomeia os órgãos/sistemas constituintes do corpo
humano?
Diferencia os seres humanos considerando aspectos
biológicos, étnicos e culturais?

Evidenciar as múltiplas dimensões da sexualidade Participa de rodas de conversa sobre as múltiplas


humana (biológica, sociocultural, afetiva e ética). dimensões da sexualidade humana?
Desenvolve atitudes de respeito à própria sexualidade e
à sexualidade das outras pessoas?
Utiliza informações e métodos desenvolvidos pelas
políticas/ações de saúde reprodutiva?
Acessa informações sobre uso de contraceptivos,
pré-natal e saúde da gestante e do recém-nascido?

Caracterizar os tipos e as ações dos microrganismos no Caracteriza o papel benéfico dos microrganismos para a
ambiente. preservação da vida?
Investiga sobre as doenças causadas por
microrganismos?

Compreender a importância da vacinação na prevenção Compreende a importância da vacinação na prevenção


e erradicação de doenças. e erradicação de doenças?

TERRA E UNIVERSO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e diferenciar os astros que compõem o Identifica os astros que compõem o Universo?
Universo, caracterizando o Sistema Solar.
Caracteriza o Sistema Solar?

Explicar o dia e a noite com referência ao movimento de Explica o dia e a noite com referência ao movimento de
rotação da Terra em torno de seu eixo, relacionando-o rotação da Terra em torno de seu eixo, relacionando-o
ao seu cotidiano. ao seu cotidiano?

404 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Ciências Humanas

APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Relacionar o movimento de translação da Terra e sua Relaciona o movimento de translação da Terra e sua
inclinação em relação a um eixo imaginário com as inclinação em relação a um eixo imaginário com as
estações do ano. estações do ano?

Identificar e nomear as diferentes escalas de tempo: os Reconhece as diferentes escalas de tempo e percebe
períodos diários e a sucessão de dias, semanas, meses, a sua importância na organização de atividades do
anos, décadas e séculos. cotidiano?
Identifica animais de hábitos diurnos e noturnos?
Reconhece dia, semana, mês e ano por meio do
calendário?
Planeja e executa sua rotina semanal (trabalho, casa e
escola)?

Compreender explicações de diferentes épocas e de Conhece explicações de diferentes épocas e de diversas


diversas culturas (com ênfase nas culturas indígena, culturas (com ênfase nas culturas indígena, africana e
africana e quilombola) e civilizações sobre os eclipses quilombola) e civilizações sobre os eclipses e as fases da
e as fases da Lua, valorizando a relevância histórica e Lua, valorizando a relevância histórica e cultural dessas
cultural dessas explicações. explicações?

Ciências Humanas e suas relações com a sociedade


TERRITÓRIO DE IDENTIDADE
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Refletir sobre as contribuições de diversos povos e Identifica a importância das diversas etnias em sua
etnias na formação das identidades locais e sobre as formação social e identitária?
possibilidades de outros povos em outros lugares.
Debate e compreende acerca da diversidade étnica com
Compreender as relações migratórias que geraram os argumentação crítica e expressando boa autoestima?
deslocamentos humanos que originaram os territórios e
Lê imagéticos, com coordenação docente, e reflete
as cidades.
acerca da compreensão sobre o papel das migrações
Reconhecer em textos, mapas e discussões concepções territoriais na formação de povoados, cidades e
de dimensões históricas e geográficas da realidade. territórios?
Lê mapas, com coordenação docente, localizando
informações necessárias sobre os deslocamentos
migratórios que ajudaram a formar a população de seu
município?
Identifica em textos e vídeos a importância da
abordagem histórica para a compreensão crítica da
realidade?
Lê mapas, localizando informações necessárias ao
seu deslocamento espacial (da escola para a casa; do
campo para a sede do município; das trilhas que levam a
cachoeiras, grutas e cavernas)?
Expressa, por meio de linguagens, a compreensão cidadã
sobre seu papel na história da comunidade?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 405


Educação de Jovens e Adultos

Ciências Humanas e suas relações com a sociedade


QUEM SOMOS
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Compreender sobre as atualidades no Brasil, na Bahia, Pesquisa em livros, sites, documentos e por meio de
em seu território de identidade e em sua cidade, narrativas de moradores, com auxílio docente e/ou de
em diversas áreas, como política, economia familiares, as influências políticas, econômicas, históricas
e meio ambiente. e ambientais na organização do espaço e das relações
dos grupos sociais em seu município?
Contextualizar as produções que interferem
na paisagem local, destacando seus sentidos e Relaciona informações científicas, literárias, jornalísticas
consequências para as futuras gerações. e as interações cotidianas para refletir sobre as
FRQGL©·HVGRVVXMHLWRVTXHYLYHPQRFDPSRHQDbFLGDGH"
Lê e relaciona informações histórico-geográficas para
compreender o espaço socialmente construído em
equipe na sala?
Caracteriza paisagens do campo e da cidade, utilizando
representações imagéticas e produções de textos sobre
as localidades que compõem o município e lhe são
referências?
Apresenta oralmente suas produções, destacando os
impactos benéficos e os prejuízos da ação do homem na
paisagem local?
Entrevista moradores antigos do município para
OHYDQWDUbPHPµULDVHVDEHUHVGRSDWULP¶QLRLPDWHULDO"
Constrói colaborativamente um painel de comunicação
oral e imagética para socialização dos achados sobre
patrimônio material e imaterial do município?

PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO E MUNDO DO TRABALHO


APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Identificar e se reconhecer nos processos de lutas e Lê e interpreta textos de diversos gêneros (jornalísticos
conquistas das trabalhadoras e dos trabalhadores na e imagéticos) que tratam dos sujeitos e suas histórias de
construção de uma sociedade mais justa. trabalhadoras e trabalhadores?
Refletir acerca da valorização social do trabalho e das Reconhece e compartilha a função social das lutas das
profissões exercidas por mulheres e homens. trabalhadoras e dos trabalhadores na construção de
uma sociedade mais justa?
Acessar textos legais e documentos que tratem dos
direitos da trabalhadora e do trabalhador. Produz quadro comparativo com a valorização de
profissões, indicando os salários das mulheres e dos
homens nas mesmas funções?
Comunica oralmente acerca das profissões e da
representatividade social que elas expressam,
considerando a condição de gênero de quem as exerce?
Acessa, lê e discute a função social de documentos como
Carteira de Trabalho e inscrição no INSS?
Relaciona discursivamente e por meio de produções
DUW¯VWLFDVbRVGLUHLWRVDVOXWDVHRVGHYHUHVGRV
trabalhadores?

Identificar produções de ONGs e dos órgãos públicos Compreende informações apresentadas em cartilhas,
de defesa da cidadania que tratam de direitos humanos, campanhas, leis (como a da Maria da Penha), estatutos
estratégias protetivas e redes de apoio aos socialmente (da Juventude, do Idoso etc.) com os direitos do
vulneráveis. estudante da EJA ?
Pesquisa e discute com as colegas e os colegas textos e
vídeos sobre temas socialmente referenciados (saúde,
famílias, sexualidades, qualidade de vida)?

406 REFERENCIAL CURRICULAR


EJA – Ensino Religioso

Ensino Religioso
ENSINO RELIGIOSO
APRENDIZAGENS ESPERADAS INDICADORES

Refletir sobre as especificidades da fé, da religiosidade e Lê (de várias formas), em jornais e em revistas, sobre
da religião. DVFDUDFWHU¯VWLFDVHPDQLIHVWD©·HVGDbI«UHOLJLRVLGDGHH
religião?
Concebe e compreende a fé, a religiosidade e a religião
como construções humanas que emergem das práticas
sociais e das subjetividades?
Interage e partilha experiências pessoais e
conhecimentos construídos das dimensões que
envolvem fé e religiosidade?

Valorizar a coexistência como uma atitude ética de Participa de discussões sobre o papel do transcendente
respeito à vida, à dignidade humana, a símbolos, ritos nas elaborações estruturantes que aproxima os sujeitos
e mitos e ao papel deles para as tradições religiosas e da dimensão divina, de acordo com suas crenças?
filosofias de vida.
Analisa diversas tradições religiosas nos discursos,
gestos, atitudes e produções textuais?

Compreender as práticas de comunicação entre os Relaciona, respeitosamente, em discussões e produções


homens e as divindades em distintas tradições religiosas. de texto, as diversas formas de comunicação entre
homem e divindades em diversas tradições religiosas?

Conhecer o direito à liberdade de consciência, crenças e Reconhece, nas participações em classe e nas
convicções. produções escritas e visuais, o necessário respeito à
liberdade de crença?

5HODFLRQDUbDVGLIHUHQWHVIRUPDVGHXVRGDVP¯GLDVH Explora o uso comunicacional das mídias digitais no


tecnologias pelas tradições religiosas e filosofias de exercício da religiosidade com a responsabilidade ética
vida em detrimento de alguns segmentos religiosos de valorização de uma filosofia de vida pautada na
estigmatizados. liberdade de vivência da fé?

Identificar discursos e práticas contrárias à intolerância Participa de debate sobre intolerância religiosa mediado
religiosa. pelo docente?
Elabora coletivamente um manifesto a favor da
liberdade de crenças religiosas?

Valorizar a convivência social, pautada no diálogo e na 3HVTXLVDVREUHDYLY¬QFLDGDFXOWXUDGDSD]bSURGX]


empatia, respeitando a diversidade nos grupos sociais. textos e resumos para ser socializados no grupo?
Refletir criticamente sobre os impactos das filosofias Elabora texto/tópicos sobre a relação entre religião e
de vida e instituições religiosas em diferentes campos sociedade?
da esfera pública: política, saúde, Educação, economia e
Debate e reflete sobre os impactos das relações entre
meio ambiente.
instituições religiosas e os distintos campos da esfera
pública?

Conceber projetos de vida fundamentados em princípios Define valores e princípios éticos norteadores para
éticos socialmente referenciados e includentes. elaboração de projetos de vida com mediação docente?
Concebe atualizações em seu projeto de vida com base
na EJA e nas outras relações sociais, orientados por
princípios éticos e virtuosos?
Participa de roda de conversa para socializar aspectos
de seu projeto de vida que se nutrem nas experiências
da EJA?

ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS INICIAIS 407


Referências

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408 REFERENCIAL CURRICULAR


. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394 (LDB), de 20 de dezembro de 1996,
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