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DESCOMISSIONAMENTO E DESCARACTERIZAÇÃO

DE BARRAGENS DE REJEITOS: ASPECTOS TÉCNICOS


E LEGAIS

Professor: Dr. Alexson Caetano


Email: alexsoncaetano@gmail.com

Recife, 2024
Barragem de mineração
descaracterizada
Estrutura que não recebe, permanentemente,
aporte de rejeitos e/ou sedimentos oriundos de
sua atividade fim, a qual deixa de possuir
características ou de exercer função de
barragem, de acordo com projeto técnico,
compreendendo, mas não se limitando, às
seguintes etapas concluídas:

b) Controle hidrológico e hidrogeológico: adoção


de medidas efetivas para reduzir ou eliminar o
aporte de águas superficiais e subterrâneas para
o reservatório, bem como a redução controlada
da linha freática no interior do reservatório;
Os estudos hidrológicos terão por objetivo a
determinação de todos os elementos
Estudos necessários à execução de um projeto de
drenagem para diminuir o aporte hídrico na
estrutura descaracterizada e eliminar a
Hidrológicos influência da ação da água quer precipitada
ou surgente, nas possíveis causas de
instabilidade.
Etapas simplificadas:

Estudos • Coleta de dados;



Hidrológicos •
Processamento e análise de dados;
Definição das bacias de contribuição;
• Determinação das vazões de projeto.
COLETA DE DADOS HIDROLÓGICOS
Dados climatológicos – Instituto Nacional de Metereologia
(INMET)
Normais climatológicas do Brasil
• Estações convencionais;
• Insolação;
• Evaporação;
• Temperatura;
• Umidade relativa;
• Vento;
• Evapotranspiração.

Site para coletar os dados: Instituto Nacional de


Meteorologia - INMET
COLETA DE DADOS HIDROLÓGICOS

Estudos Hidrológicos
COLETA DE DADOS HIDROLÓGICOS
Dados pluviométricos e fluviométricos – Agência Nacional de
Águas e Saneamento Básico (ANA) – Sistema HIDROWEB
Série de dados pluviométricos
• Pluviómetros/Pluviógrafos

Série de dados fluviométricos


• Réguas linimétricas/linígrafos

Site para coletar os dados: HIDROWEB


PROCESSAMENTO E ANÁLISE DE
DADOS
• Separação dos dados com níveis de consistências 2 (consistidos) dos dados
brutos (1);
• Preenchimento de falhas (regressão linear múltipla, ponderação regional...);
• Determinação dos valores máximos;
• Estudo das distribuições e identificação da que melhor se adere a série de
dados extremos de precipitação (Normal, Log Normal, Log Pearson III e
Gumbel);
• Teste de aderência dos dados a distribuição;
• Desagregação da chuva (Tabela CETESB);
• Determinação da equação e curvas intensidade-duração-frequencia.
PROCESSAMENTO E ANÁLISE DE DADOS

Curvas intensidade-duração-frequencia.
PROCESSAMENTO
E ANÁLISE DE
DADOS

Para as minas da Vale S/A a


caracterização do regime
pluviométrico pode ser realizada a
partir do estudo desenvolvido por
Pinheiro, em 2011, e atualizado em
2020 pela POTAMOS.
No referido documento é
apresentado o estudo de chuvas
intensas para as regiões de
abrangência da Diretoria de
Ferrosos Sul (DIFL) e Diretoria de
Ferrosos Sudeste (DIFS) no estado
de Minas Gerais, que contempla a
caracterização climatológica dessa
região e considera uma extensa
série de dados pluviométricos
disponíveis em estações de
monitoramento existentes.
DEFINIÇÃO DAS BACIAS DE CONTRIBUIÇÃO

BACIA HIDROGRÁFICA
Uma área de captação natural da água de precipitação que faz
convergir o escoamento para um único ponto de saída. Compõe-se de
um conjunto de superfícies vertentes e de uma rede de drenagem
formada por cursos de água que confluem até resultar em um leito
único no seu exutório (Tucci, 1997).
DEFINIÇÃO DAS
BACIAS DE
CONTRIBUIÇÃO

• Divisor de água: linha que representa os


limites da bacia, determinando o sentido de
fluxo da rede de drenagem e a própria área
de captação da bacia hidrográfica. Segundo
Villela e Mattos (1975).

• Talvegue: é a linha ou curva que se


encontra na parte mais profunda de um vale
ou rio, por onde as águas correm.

• Exutório: é o ponto ou seção que recebe


todo o escoamento gerado pela bacia
hidrográfica. Geralmente é o ponto mais
baixo da bacia hidrográfica, especialmente
quando o escoamento é movido pela
gravidade.
DEFINIÇÃO DAS
BACIAS DE
CONTRIBUIÇÃO

COMO DELIMITAR BACIAS


HIDROGRÁFICAS?

• A partir da união das linhas


das maiores cotas
(manualmente)
• A partir de processamento
de dados em softwares de
geoprocessamento (Qgis
Download · QGIS Web Site,
Arcgis, entre outros.).
delimitação-de-bacia-Q-GIS-
passo-a-passo.pdf
Estudos Hidrológicos
DETERMINAÇÃO DAS VAZÕES DE
PROJETO
O cálculo da vazão de projeto dos dispositivos hidráulicos pode ser realizado
através de métodos convencionais de transformação chuva-vazão:

• Método Racional para bacias com área menor que 1,0 km²:

• Método do Hidrograma Unitário Soil Conservation Service – SCS para


bacias com áreas maiores que 1,0 km².
DETERMINAÇÃO DAS VAZÕES DE PROJETO

Para o cálculo das vazões de projeto dos dispositivos de drenagem, será


considerado o Método Racional para áreas de drenagem inferiores a 1,0 km².
Este método considera como premissa básica a adoção da intensidade de
chuva de projeto com uma duração da chuva igual ao tempo de concentração
tc da bacia de contribuição e coeficiente de escoamento superficial C definido
conforme o uso do solo da bacia.

Onde:
Q é a vazão de projeto, em m³/s;
C é o coeficiente de escoamento, definido conforme o uso do solo;
i é a intensidade média da chuva para a duração (t), em mm/h;
A é a área de contribuição delimitada, em km².
DETERMINAÇÃO DAS VAZÕES DE PROJETO

DETERMINAÇÃO DE COEFICIENTES “C” E “CN”


A análise pedológica, para determinação dos grupos hidrológicos, pode ser
realizada com base no mapa de solos do estado de Minas Gerais, elaborado
por UFV et al. (2010), obtido a partir do website da Infraestrutura de Dados
Espaciais do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de
Minas Gerais (IDE-SISEMA). A nomenclatura dos solos dessa base está em
acordo com a versão mais recente do Sistema Brasileiro de Classificação de
Solos (Santos et al., 2018).

A ocupação do solo da bacia pode ser identificada a partir da análise da


ortofoto proveniente de levantamentos topográficos da região e de imagens de
satélite recentes provenientes de Google, © 2018 Maxar Technologies.
TRANSITO DE CHEIAS
O estudo de trânsito de cheias é um procedimento matemático para a
estimativa das variações da magnitude, velocidade e forma da onda de
inundação em função do tempo.
No caso de reservatórios, a propagação de cheias é determinada pela altura
do nível d'água na saída (vertedor), que também define o volume de água
acumulado e a área do espelho d'água. Quando uma onda de cheia entra no
reservatório, ocorre uma variação na altura, volume e área, o que também
altera a hidrógrafa de saída. No entanto, o pico da cheia é atenuado.
TRANSITO
DE CHEIAS
O controle de cheias é o
amortecimento das
variações do escoamento
de um curso d'água, que
é feito por
reservatórios. A principal
função dos reservatórios
é regularizar a vazão do
curso d'água, fornecendo
uma vazão constante.
DRENAGEM SUPERFICIAL
No caso da descaracterização deve-se “deixa de possuir características ou de
exercer função de barragem”, como a legislação indica, ou seja, para isso
temos que eliminar essa característica de atenuação do trânsito de cheias pelo
extravasor.

Logo, indica-se geralmente a retirada do extravasor, a construção de reforço


ou eliminação total do barramento do reservatório e a construção de canais
de drenagem que garantam a segurança do fluxo hidráulico.
DRENAGEM SUPERFICIAL
• GERALMENTE, É PROPOSTO UM REGREIDEI DA REGIÃO QUE ERA O
RESERVATÓRIO DA BARRAGEM;

• ESSE REGREIDE DEVE SER DRENADO POR CANALETAS, CANAIS E TODO O


SISTEMA DEVE SER DIRECIONADO PARA O SISTEMA MACRO, QUE
GERALMENTE É UM CANAL DE DESCARACTERIZAÇÃO;

• O IDEAL É OPTAR POR SOLUÇÕES HIDRÁULICA CONSTRUÍDAS COM


MATERIAIS QUE SE INTEGREM A NATUREZA, COMO COLCHÃO RENO,
GABIÃO OU ENROCAMENTO;

• O CONCRETO PODE SER ADOTADO, MAS COM CUIDADO DEVIDO A SUAS


PROPRIEDADES QUE NECESSITAM DE INSPEÇÕES E CUIDADOS
PREVENTIVOS.
DRENAGEM SUPERFICIAL
OS CANAIS DE DESCARACTERIZAÇÃO DEVEM SER DIMENSIONADOS PARA
RECORRENCIAS CONSIDERANDO A CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO DANO
POTENCIAL ASSOCIADO (DPA) DA ESTRUTURA, CONFORME A RESOLUÇÃO
ANM Nº 95/2022, COMPLEMENTADA PELA Nº 130/2023, O TEMPO DE
RETORNO MÍNIMO A SER CONSIDERADO PARA O DIMENSIONAMENTO DOS
CANAIS DE DRENAGEM DO RESERVATÓRIO, DEVE ATENDER,
INDEPENDENTEMENTE DO DPA, A 10.000 (DEZ MIL) ANOS OU PMP
(PRECIPITAÇÃO MÁXIMA PROVÁVEL), A QUE FOR MAIS RESTRITIVA PARA A
DURAÇÃO CRÍTICA DO SISTEMA HIDROLÓGICO AVALIADO.
MODELAGEM
HIDRODINÂMICA

HEC-RAS

• EQUAÇÕES DE SAINT-VENANT: SÃO


UTILIZADAS PARA PROPAGAR O
ESCOAMENTO EM TRECHOS COM MAIOR
DECLIVIDADE;
• EQUAÇÃO DOS VERTEDOUROS: É
UTILIZADA PARA TORNAR O MODELO
MAIS ESTÁVEL;
• MÉTODO DE PULS MODIFICADO: É
UTILIZADO PARA SIMULAR QUEDAS
D'ÁGUA;
• MODELAGEM 1D, 2D E 1D/2D;
• MODELA CURSOS D’AGUA CANAIS SEM
DEGRAUS, MANCHAS DE INUNDAÇÃO,
SOLUÇÕES DE AMORTECIMENTO DE
CHEIA, SISTEMA DE BOMBEAMENTO,
PONTES E BUEIROS;
• REGIME PERMANENTE E TRANSIENTE.
MODELAGEM
HIDRODINÂMICA
ANSYS CFX, FLOW 3D
• MODELAGEM DE ESCOAMENTO EM 3D;
• MODELA ESTRUTURAS SINGULARES E DE DIFÍCIL
PREVISÃO DO ESCOAMENTO (ESCADAS HIDRÁULICAS
COM PERFIL NÃO UNIFORME, VERTEDOUROS EM
DEGRAUS, BACIAS DE DISSIPAÇÃO...);
• REGIME TRANSIENTE.
MODELAGEM HIDRODINÂMICA

✓ A FLUIDODINÂMICA COMPUTACIONAL PERMITE SIMULAR


ESCOAMENTOS TURBULENTOS SOBRE GEOMETRIAS
COMPLEXAS E COM ESCOAMENTO BIFÁSICOS;

✓ O CFD FAZ UMA DISCRETIZAÇÃO


ESPACIAL EM VOLUMES DE
CONTROLES FINITOS E ASSIM
CONSEGUE RESOLVER AS
ESQUAÇÕES INERENTES DO
PROCESSO;
EQUAÇÕES REPRESENTATIVAS DO ESCOAMENTO

Equação da continuidade

𝜕𝜌
+ 𝛁. (𝜌𝑽) = 0
𝜕𝑡

Equação vetorial de Navier-Stokes para escoamento incompressível com


viscosidade constante

𝐷𝑽
𝜌 = −𝛁𝑃 + 𝜌𝒈 + 𝜇𝛻 2 𝑽
𝐷𝑡
MODELAGEM HIDRODINÂMICA

TURBULÊNCIA

Versteeg e Malalasekera (2007), afirmam que o fluxo turbulento é quando o


valor do número de Reynolds, que é a medida relativa a relação das forças
inerciais e das forças viscosas, é maior que o número de Reynolds crítico,
o que conduz para uma variação radical das características dos fluidos,
conduzindo a um comportamento do fluxo e de suas propriedades aleatório
e caótico.

𝑢ത
𝑢 = 𝑢ത + 𝑢′
MODELAGEM HIDRODINÂMICA

TURBULÊNCIA

• Simulação Numérica Direta (Direct Numerical Simulation - DNS)


• Modelo de simulação de grandes escalas “Large Eddy Simulation” (LES)
• Reynolds Averaged Navier-Stokes (RANS)

Grau de modelagem e custo computacional dos modelos de turbulência


MODELAGEM HIDRODINÂMICA

TURBULÊNCIA

• Modelos de zero equação


Modelo de comprimento de mistura
• Modelo de duas equações
κ-ε Padrão
κ-ε (RNG)
k-ω
Shear Stress Transport - SST
• Modelo baseado nas tensões de Reynolds
(SSG Reynolds Stress)
MODELAGEM HIDRODINÂMICA

ETAPAS DA MODELAGEM EM CFD

PRÉ
PROCESSAMENTO PÓS-
SOLVER
1) GEOMETRIA PROCESSAMENTO
4) SOLUÇÃO
2) MALHA COMPUTACIONAL 5) EXAMINAR OS
3) DEFINIÇÃO RESULTADOS
FÍSICA
MODELAGEM HIDRODINÂMICA

RESULTADOS
ALGUNS SOFTWARE PARA HIDROTECNIA
QGIS (geoprocessamento aplicado a rh);

Civil 3D;

HEC-RAS (modelagem hidrodinâmica);

PLUVIO (pluviometria);

SISCOOH (dimensionamento hidráulico);

HEC-HMS (modelagem hidrológica);

SWMM (modelagem drenagem urbana);

SISCAH (modelagem fluviométrica);

Ansys CFX ;

Riverflow 2D (Dam break);

Flow 3D.
OBRIGADO!

alexsoncaetano@hotmail.com

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