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TOC 107 - Fevereiro 2009

C o n s u l t ó r i o T é c n i c o

Retenção na fonte por não residente


Um cidadão alemão, médico e residente na Alemanha, pretende iniciar uma actividade profissional
em Portugal, colectando-se como profissional de categoria B, com contabilidade organizada, numa
das actividades a que se refere o artigo 151.º do CIRS. O médico vai abrir um consultório no nosso
País a partir do qual prestará os seus serviços, contratará um funcionário para organizar o trabalho e
deslocar-se-á a Portugal conforme o número de consultas o justificar, não reunindo, em princípio, os
pressupostos para ser considerado residente no ano fiscal de 2008.
Sendo considerado não residente, a tributação em IRS far-se-á de acordo com o n.º 2 do artigo 72.º do
CIRS, considerando que o consultório configura um estabelecimento estável? Ou seja, é tributado à
taxa de 25 por cento sobre o lucro fiscal apurado nos termos do regime de contabilidade organizada?
Como se consubstancia a noção de estabelecimento estável no início de actividade? O disposto na alí-
nea e), do n.º 3, do artigo 71.º do CIRS terá alguma aplicação nesta situação?

D eterminam os nossos códigos fiscais que os su-


jeitos passivos residentes em território nacional
são tributados pela totalidade dos rendimentos obti-
– Indemnizações que visem a reparação de danos
não patrimoniais, exceptuadas as fixadas por deci-
são judicial ou arbitral ou resultantes de transacção,
dos, incluindo aqueles que provém de outros terri- de danos emergentes não comprovados e de lucros
tórios (regra da universalidade ou de base mundial), cessantes;
n.º 1 do artigo 15.º do CIRS. – As importâncias auferidas em virtude da assunção
Por sua vez, verifica-se que os sujeitos passivos enti- de obrigações de não concorrência, independente-
dades não residentes são tributados de acordo com mente da respectiva fonte ou título;
a regra da territorialidade, isto é, apenas serão tribu- • Os prémios de jogo ou de quaisquer sorteios ou
tados os rendimentos aqui obtidos, conforme deter- concursos;
mina o n.º 2 do artigo 15.º. • As pensões, complementos de pensões e rendas
Deste modo, as pessoas singulares não residentes temporárias ou vitalícias. São tributados mediante
em território português e que aqui obtenham rendi- declaração que deve ser apresentada, nos termos e
mentos são por estes tributados, em regra mediante prazo legais à administração fiscal, ainda que por
a aplicação de taxas liberatórias. intermédio do representante fiscal;
Assim, estão sujeitos a tributação mediante retenção • Os rendimentos profissionais e empresariais im-
na fonte, a título definitivo, das taxas liberatórias, putáveis a instalação fixa ou estabelecimento está-
previstas no artigo 71.º do CIRS, as quais liberam o vel aqui situado, a declarar no anexo B ou C (nesta
sujeito passivo de qualquer outra obrigação e sem situação os titulares de rendimento têm que efectuar
prejuízo do que se disponha em Convenção de Du- declaração de inicio de actividade);
pla Tributação que seja aplicável ao caso concreto: • Os rendimentos prediais, a declarar no anexo F;
• Os rendimentos de trabalho dependente; • Os incrementos patrimoniais não sujeitos a tribu-
• Os rendimentos profissionais, considerando-se tação por retenção liberatória, nomeadamente as
como tais os obtidos no exercício de qualquer ac- mais-valias, a declarar no anexo G.
tividade constante da lista a que se refere o artigo Os elementos de conexão territorial que permitem a
151.º, (cujos titulares não têm que efectuar declara- tributação dos rendimentos obtidos em território por-
ção de inicio de actividade) e bem assim, os rendi- tuguês encontram-se consagrados no artigo 18.º e são
mentos da propriedade intelectual ou industrial e do constituídos, essencialmente, pela fonte económica
know-how obtidos por titulares originários. dos rendimentos, pela fonte financeira dos rendimen-
• As prestações de serviços que sejam consideradas tos ou pela localização em território português dos
rendimentos empresariais, realizados ou utilizados bens ou direitos geradores dos rendimentos.
em território português, com excepção das relativas à Ao nível da determinação do rendimento tributável,
actividade financeira, transportes e comunicações; observar-se-ão as seguintes regras:
• As comissões percebidas pela intermediação na – Os rendimentos sujeitos a taxas liberatórias são
celebração de quaisquer contratos; tributados pelo seu valor bruto, com excepção das
• Os rendimentos de capitais; pensões, às quais se aplicará a dedução prevista no
• Os incrementos patrimoniais consistentes em: artigo 51.º;

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– O rendimento de actividades empresariais e Alemanha, consagra a competência exclusiva ao


profissionais, imputáveis a estabelecimento es- Estado da residência do beneficiário.
tável ou instalação fixa situados em território Porém, na hipótese de o profissional indepen-
português, ou a actos isolados nele praticados, dente, como é o caso exposto pelo consulente,
corresponderá ao rendimento líquido objectivo dispor no outro Estado contratante, neste caso
e será determinado nos termos gerais; Portugal, de forma habitual, de uma base fixa
– Aos rendimentos prediais serão deduzidas as para o exercício da sua actividade, é reconheci-
despesas de manutenção e conservação suporta- do a este Estado (Portugal) competência cumula-
das, a contribuição autárquica devida pelos pré- tiva para a tributação dos rendimentos imputá-
dios arrendados e os encargos inerentes a prédio veis àquela base fixa.
em regime de propriedade horizontal; De harmonia, com essa disposição prevê o arti-
– O rendimento imputável a incrementos patri- go 72.º, n.º 2 do CIRS que os rendimentos impu-
moniais é determinado de acordo com as regras táveis a estabelecimento estável ou a uma base
gerais. fixa para o exercício da actividade, situado em
Aos rendimentos sujeitos a taxas liberatórias, território português serão tributados, mediante a
ser-lhes-ão aplicadas as taxas previstas no arti- apresentação da declaração modelo 3, no caso
go 71.º, excepto se houver Convenção de Dupla exposto do anexo C, no qual deve ser assinalado
Tributação Internacional celebrada com o país o campo 1 do quadro 3B.
de residência, caso em que esta será aplicada, No quadro 23 da declaração de início de ac-
desde que observados os condicionalismos da tividade, deve ser indicada a morada da base
sua aplicação. fixa onde é exercida a actividade, no caso ex-
Em matéria de tributação dos rendimentos aufe- posto, o consultório onde vai ser exercida a
ridos no exercício de profissões liberais e ou ou- actividade de medicina pelo sujeito passivo
tras actividades de carácter independente, o arti- não residente. ■
go 14.º da Lei n.º 12/82 que aprova a Convenção
entre a República Portuguesa e a República da (Resposta redigida em Julho de 2008)

Rendimentos empresariais e profissionais

Um empresário em nome individual no regime simplificado facturou prestações de serviços com uma
escavadora em 2006 no valor de 20 mil euros, a que acresceu IVA. Nesse mesmo ano recebeu apenas 15
mil euros, dos quais lhe fizeram a referida retenção. Quais os rendimentos a considerar na modelo 3 do
IRS, anexo B, referente a esse ano? O valor na declaração de IRS modelo 3 anexo B pode ser diferente
do valor declarado na soma das declarações periódicas do IVA num ano fiscal?

O Código do IRS determina no n.º 6 do seu


artigo 3.º (relativo a rendimentos empresa-
riais e profissionais) que «os rendimentos referi-
tar-se o rendimento, ou temos um sujeito passivo
tributado pelo regime simplificado, sendo que nes-
te caso o rendimento deverá ser imputado:
dos neste artigo ficam sujeitos a tributação desde – Ao ano em que se tornar obrigatória a emissão
o momento em que para efeitos de IVA seja obri- de factura ou documento equivalente de acordo
gatória a emissão de factura ou documento equi- com as regras do Código do IVA; ou
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valente ou, não sendo obrigatória a sua emissão, – Ao ano em que for pago ou colocado à dispo-
desde o momento do pagamento ou colocação sição (quando não seja obrigatória a emissão de
à disposição dos respectivos titulares, sem pre- factura) pelo montante que for pago ou colocado
juízo da aplicação do disposto no artigo 18.º do à disposição.
Código do IRC, sempre que o rendimento seja Atente-se que este facto não prejudica a aplicação
determinado com base na contabilidade.» das regras gerais de retenção na fonte, podendo,
Pelo que, ou estamos perante um sujeito passivo como tal, existir um desfasamento entre o ano da
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com contabilidade organizada, caso em que se de- tributação e o ano de retenção na fonte. ■
verá considerar o princípio da especialização dos
exercícios para determinar a que ano deve impu- (Resposta redigida em Julho de 2008)

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Amortização
Relativamente ao abate de imobilizado, o artigo 10.º, n.ºs 3 e 4, do Decreto Regulamentar n.º 2/90, «o
contribuinte deve obter a aceitação da Direcção-Geral dos Impostos, mediante exposição devidamente
fundamentada, a apresentar até ao fim do 1.º mês do período de tributação seguinte ao da ocorrência
dos factos que determinaram as desvalorizações excepcionais, acompanhada de documentação com-
provativa dos mesmos, designadamente da decisão do competente órgão de gestão que confirme aque-
les factos, bem como da indicação do destino a dar aos bens, quando o abate físico, desmantelamento,
abandono ou inutilização destes não ocorra no mesmo período de tributação.» Existe alguma minuta
para a elaboração desta exposição? Existe mais alguma medida a tomar?

P elos escassos elementos fornecidos ficámos


sem saber se ao abate do imobilizado vai ser
aplicado o n.º 3 ou o n.º 4 do artigo 10.º do De-
físico, desmantelamento, abandono ou inutili-
zação só vier a acontecer num outro exercício
(seguinte), dispõe o n.º 3 do mesmo artigo que
creto-Regulamentar n.º 2/90, de 12 de Janeiro. a empresa tem de requerer à DGCI a respectiva
No entanto, vamos salientar as diferenças exis- aceitação como custo fiscal.
tentes entre um e outro preceito e alertar para O requerimento tem de ser apresentado na Di-
as demais obrigações previstas naquele artigo, recção de Finanças até ao fim do primeiro mês
procurando, assim, que a dúvida fique minima- do período de tributação seguinte àquele em
mente esclarecida. que ocorreram os factos que motivaram a desva-
Conforme estabelece o n.º 4 do artigo 10.º do lorização excepcional dos bens (cf. n.º 6). Tanto
Decreto Regulamentar n.º 2/90, se o facto que quanto sabemos, não existe minuta para a sua
determinou a desvalorização excepcional ocor- elaboração.
rer num exercício e nesse mesmo exercício ocor- O requerimento tem de ser acompanhado da
rer também o abate físico, desmantelamento, documentação comprovativa dos factos que
abandono ou inutilização, o valor líquido fiscal ocasionaram a desvalorização excepcional, de-
dos bens, corrigido de eventuais valores recupe- signadamente da decisão do órgão de gestão que
ráveis, pode ser aceite como custo ou perda do confirme esses factos, bem como da indicação
exercício desde que: do destino que vai ser dado aos bens.
a) O abate físico, desmantelamento, abandono No exercício em que vier a ocorrer o abate físi-
ou inutilização dos bens seja comprovado atra- co, desmantelamento, abandono ou inutilização,
vés da elaboração de um auto, assinado por duas devem ser observados todos os passos que referi-
testemunhas e identificados e comprovados os mos nas alíneas a) a c) do ponto 3. (cf n.º 5).
factos que originaram as desvalorizações excep- Todos os documentos relativos ao abate físico (auto
cionais; de destruição, relação discriminativa, etc.) têm de
b) O auto seja acompanhado de uma relação ser guardados no dossiê fiscal (cf. n.º 7). ■
discriminativa dos elementos abatidos, conten-
do, para cada bem, a descrição, o ano e o valor
de aquisição, bem como o valor contabilístico e
o valor líquido fiscal.
c) Seja comunicado ao serviço de finanças da
área do local onde os bens se encontrem, com a
antecedência mínima de 15 dias, o local, a data
e a hora do abate físico e o total do valor líquido
fiscal dos bens.
Neste caso, não é necessário obter a aceitação
da DGCI para que o custo ou perda seja aceite
para efeitos fiscais.
Se, porém, o facto que motivou a desvaloriza-
ção excepcional ocorrer num exercício e o abate

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Arquivo de facturas e outros documentos


Numa empresa receptora de resíduos de diversas origens (resíduos sólidos urbanos, resíduos reciclá-
veis, entre outros) existe um software informático onde são registadas todas as entradas de resíduos,
emitindo posteriormente o documento – talão de pesagem. Excepcionalmente, estes documentos são
emitidos manualmente, existindo para o efeito livros de talões de pesagem, com numeração sequen-
cial. Mensalmente, todos estes documentos – emitidos automaticamente pelo software informático e
os manuais – são arquivados.
De acordo com o n.º 4, do artigo 10.º, do Decreto-Lei n.º 147/2003, de 11 de Julho de 2003
«os livros, as requisições e os registos informáticos referidos nos números anteriores devem ser
mantidos em arquivo, por ordem cronológica, pelo prazo de quatro anos.» Como tal, não será
de manter em arquivo os documentos referidos pelo prazo de dez anos, tal como os documentos
contabilísticos?

Q uestiona-se acerca do prazo de arquivo de


documentos de transporte, mais concreta-
mente acerca do que vem estipulado no n.º 4,
Exemplificando: as guias de remessa e/ou as
guias de transportes são apenas meros documen-
tos de transporte, dando origem à emissão das
do artigo 10.º, do Decreto-Lei n.º 147/2003 – Re- respectivas facturas. O prazo para o seu arquivo
gime de bens em circulação objecto de transac- é o referido no n.º 6, do artigo 6.º do Decreto-Lei
ções entre sujeitos passivos de IVA. n.º 147/2003 – dois anos.
Assim, citando o referido n.º 4 «os livros, as re- No entanto, se for emitida a respectiva fac-
quisições e os registos informáticos referidos tura, e é esta que acompanhará os bens em
nos números anteriores devem ser mantidos em circulação, (serve como documento de trans-
arquivo, por ordem cronológica, pelo prazo de porte), o prazo para o arquivo da factura (que
quatro anos.» também serviu como documento de transpor-
Nos termos do artigo 2.º, n.º 1, alínea b), do te), será o referido no artigo 52.º do CIVA, ou
referido Decreto-Lei, este considera como seja, dez anos.
documento de transporte, a factura, guia de Note-se que o facto do n.º 6, do artigo 6.º, do De-
remessa, nota de venda a dinheiro, nota de creto-Lei n.º 147/2003, incluir a expressão «sem
devolução, guia de transporte ou documen- prejuízo do disposto no artigo 52.º do CIVA»,
to equivalente. Este conceito engloba docu- e o facto de os documentos de transporte, em
mentos de transporte que são simultanea- muitos casos, serem essenciais na comprovação
mente documentos que titulam as operações em sede de IVA de operações realizadas, nome-
entre os sujeitos passivos (caso da factura, adamente no que respeita ao destino das vendas,
da nota de venda a dinheiro e da nota de a devoluções, ao momento em que o bem foi
devolução), e documentos que apenas têm facturado.
como finalidade acompanhar as mercadorias Daqui podemos concluir que o prazo de conser-
em circulação (caso da guia de remessa, guia vação daqueles documentos de transporte, em
de transporte ou qualquer outro documen- alguns casos, poderá ser mais alargado a título
to com a mesma finalidade), dando origem, de salvaguarda do sujeito passivo, para que em
posteriormente, à emissão do corresponden- caso de inspecção tributária este consiga com-
te documento que titula definitivamente a provar determinados factos que lhe possam vir a
operação – a factura. ser questionados.
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Assim sendo, quando o n.º 6, do artigo 6.º, do A norma que alude, o n.º 4, do artigo 10.º,
Decreto-Lei n.º 147/2003, dispõe que, sem pre- do Decreto-Lei n.º 147/2003, não se refere à
juízo do disposto no artigo 52.º do CIVA, os do- emissão de documentos de transporte ou de
cumentos de transporte devem ser arquivados facturas, mas sim aos registos que as tipogra-
até ao final do segundo ano seguinte ao da sua fias têm de manter relativamente às entidades
emissão (para os emitidos manualmente) e até ao que solicitam a emissão de livros de facturas,
final do 4.º ano seguinte ao da sua emissão (para de guias de transporte e de outros documentos
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os emitidos por computador), está a referir-se de transporte. ■


ao arquivo dos documentos que apenas tiveram
como finalidade o respectivo transporte. (Resposta redigida em Julho de 2008)

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Herança indivisa
As tornas recebidas no âmbito de partilhas por herança devem ser consideradas como mais-valias?

O processo de inventário é, essencialmente,


uma medida de protecção que se destina
a evitar prejuízos e a distribuir, de forma justa,
– Móveis (camas, cadeiras, mesas, etc.);
– Imóveis.
As dívidas são relacionadas, em separado, e por
todo o património de uma herança. verbas. A relação deve ser acompanhada de to-
O que interessa, sobretudo, apurar nele é toda a dos os elementos necessários à identificação dos
verdade para que a partilha seja efectuada com bens. As benfeitorias (melhoramentos) são rela-
igualdade e justiça. cionadas em espécie, quando possam separar-se
O processo de inventário destina-se a: do prédio (rústico ou urbano) em que foram fei-
- Pôr termo à comunhão hereditária; tas ou como simples créditos. As que foram efec-
- Relacionar os bens que constituem objecto de tuadas por terceiros em prédio da herança serão
sucessão, quando não haja necessidade de se relacionadas como dívidas, quando não possam
proceder à partilha judicial; ser levantadas por quem as realizou.
- Partilha dos bens, originada por separação, di- Além de os relacionar, o cabeça de casal indica-
vórcio, declaração de nulidade ou anulação de rá o valor que atribui a cada um dos bens, sem-
casamento. pre que se trate de:
O processo de inventário inicia-se com a apresen- – Prédios inscritos na matriz: valor matricial, de-
tação de um requerimento, por qualquer uma das vendo exibir a caderneta predial actualizada ou
pessoas acima referidas, a que se junta a certidão apresentar a respectiva certidão;
de óbito do inventariado (falecido). Neste proces- – Papel de crédito, moedas estrangeiras – o valor
so só é obrigatória a constituição de advogado destes será o da cotação oficial ou, não a haven-
quando se discutam questões de direito. A cons- do, o que vier a ser determinado pela Câmara
tituição de advogado faz-se, em princípio, através dos Corretores, tendo que ser apresentada decla-
de procuração com poderes gerais forenses. ração;
O requerente poderá dirigir-se aos serviços do – Objectos de ouro, prata, pedras preciosas e seme-
Ministério Público, junto do Tribunal, e solicitar lhantes - O valor destes será indicado tendo por base
um impresso próprio para este fim, que deverá a avaliação feita na contrastaria ou por ourives;
ser preenchido com a indicação do nome do in- – Direitos de crédito ou de outra natureza, cujo
ventariado, local da residência habitual dele, a valor não seja possível determinar, são mencio-
indicação genérica de que deixou bens e her- nados como bens ilíquidos;
deiros sujeitos a inventário de incapazes, bem – Estabelecimento comercial ou industrial: o seu
como o nome e residência do cabeça-de-casal e valor, caso a liquidação não esteja concluída, é
o valor do inventário. Estes documentos deverão o do último balanço;
ser apresentados na secção central da secretaria – Quotas em sociedade: o valor é o que resul-
do Tribunal Judicial competente. tar da liquidação da sociedade, caso a morte
A relação de bens deverá ser entregue pelo ca- do inventariado provoque a sua dissolução ou,
beça-de-casal, no acto das declarações, acom- não estando aquela concluída, ou não seja razão
panhada por testamentos, convenções antenup- para a sua dissolução, é este relacionado como
ciais, escritura de doação, quando existam, etc. ilíquido, mencionando-se o valor que teriam se-
Os bens deverão ser especificados por verbas gundo a cotação ou o do último balanço;
numeradas, pela ordem seguinte: – Móveis de pequeno valor: não havendo inconve-
– Direitos de crédito; niente para a partilha, são relacionados em lotes.
– Títulos de crédito; Da apresentação pelo cabeça-de-casal da rela-
– Dinheiro; ção de bens, são notificados os interessados, her-
– Moedas estrangeiras; deiros, que podem reclamar:
– Objectos de ouro, prata, pedras preciosas e se- • Acusando a falta de bens que devam ser rela-
melhantes; cionados;

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• Requerendo a exclusão de bens indevidamen- zo legal, a sentença transita, ou seja, o processo


te relacionados; chega ao seu termo.
• Invocando qualquer inexactidão na descrição Assim, e resumindo a partilha é a divisão dos bens
dos bens, relevante para a partilha. comuns segundo a composição dos quinhões,
Havendo reclamação: que será o conjunto de bens da herança que cabe
• É notificado o cabeça-de-casal para, no prazo a cada um dos interessados (herdeiros).
de dez dias, relacionar os bens cuja falta foi refe- Por exemplo, no caso de uma herança com três
rida ou dizer o que se lhe oferecer. herdeiros, em que o património comum, consti-
Decididas as reclamações ou não as havendo, tuído por imóveis, foi avaliado em 300 mil euros,
passa-se à conferência de interessados. o quinhão de cada um dos herdeiros, se igual, é
A submeter à conferência: de cem mil euros.
• O acordo, por unanimidade, sobre as verbas que Assim, se a cada um deles, fossem atribuídos
hão-de compor a parte de cada um dos interessa- bens de valor igual ao seu quinhão hereditário
dos e os valores porque devem ser entregues; (cem mil euros), não haverá qualquer relevância
• Pode ser acordado que as verbas sejam sorte- em termos de IRS.
adas, separadamente ou em lotes, pelas respec- Se, eventualmente, a um dos herdeiros for atri-
tivas partes; buído um imóvel avaliado em 120 mil euros e a
• O acordo na venda total ou parcial dos bens da outro um de 80 mil euros, o herdeiro que ficou
herança e na distribuição do produto da venda com o imóvel de menor valor tinha o direito de
pelos diversos interessados; receber, do herdeiro que excedeu o seu quinhão,
• Deliberações sobre a aprovação das dívidas e o montante de tornas de 20 mil euros, isto para
forma do seu pagamento; igualar o montante do seu quinhão hereditário.
• Outras questões que possam influir na partilha. Esta situação não tem para quem recebe qual-
Não havendo acordo na composição dos qui- quer relevância em termos de IRS, para o herdei-
nhões (conjunto de bens que cabe a cada um ro que recebeu o imóvel de valor superior ao seu
dos interessados) e resolvidas que sejam as recla- quinhão haverá incidência de IMT, uma vez que
mações apresentadas sobre os valores atribuídos numa partilha ou numa divisão de coisa comum,
aos bens e outras questões que possam influir na paga IMT quem levar bens imóveis cujo valor ex-
partilha, realizam-se as licitações (momento em ceda o da sua quota-parte nesses bens imóveis.
que os bens são vendidos a quem der mais). No entanto, se, por exemplo, dois dos herdei-
Estas terão lugar no acto da conferência de inte- ros receberem, cada um, o montante de cem mil
ressados ou, posteriormente, em dia e hora de- euros do outro herdeiro, como contrapartida da
signados. Na licitação só são admitidos os her- permissão que a este sejam adjudicados todos
deiros, o cônjuge, os donatários e os legatários. os imóveis da herança, estão a efectuar uma ce-
Os bens licitados serão entregues aos respectivos dência onerosa do seu quinhão hereditário, en-
licitantes pelo valor constante da licitação. Aos quadrada no conceito de alienação prevista na
restantes interessados serão atribuídos outros alínea a) do n.º 1, do artigo 10.º do CIRS.
bens suficientes para o preenchimento dos seus Uma vez que no artigo 10.º, quando se refere
quinhões e, não os havendo, receberão tornas que «constituem mais-valias os ganhos obtidos
(compensação que pode ser em dinheiro). que, não sendo considerados rendimentos em-
Cumprido o que fica disposto, são ouvidos sobre presariais e profissionais, de capitais ou prediais,
a forma da partilha os interessados ou os seus resultem de alienação onerosa de direitos reais
advogados e o Ministério Público. Elaborado o sobre bens imóveis (…)» pretende-se abranger
mapa da partilha (esquema do modo como vai não só as transmissões onerosas resultantes dos
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ser distribuída a herança), do mesmo se dá co- normais contratos de compra e venda mas tam-
nhecimento a todos os interessados, para que bém a cedência em acto de divisão ou partilha
sobre ele se possam pronunciar. Havendo recla- de direitos reais sobre bens imóveis.
mações a este mapa, as mesmas terão que ser Daí resulta que os herdeiros que cederam a sua quota
decididas para que possa ser proferida a senten- ideal, pela qual recebeu, o que vulgarmente se desig-
ça de partilha. Não havendo reclamações será na por tornas, deverão no ano seguinte ao da escritu-
proferida a sentença de partilha. ra de partilhas, para efeitos de tributação em sede de
c o n s u lt ó r i o

Esta sentença é notificada ao Ministério Público IRS, entregar a declaração de rendimentos Modelo 3
e a todos os interessados ou seus advogados. e juntar, além de outros, o anexo G, onde irá constar
Não sendo interposto recurso e decorrido o pra- como valor de realização, o montante recebido.

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Resumindo, quando forem recebidas tornas, que de alienação prevista na alínea a), do n.º 1, do ar-
não envolvam cedência de direitos sobre bens tigo 10.º do CIRS, exactamente do mesmo modo
imóveis, essa situação é inócua em termos de IRS. que estaria se esses contribuintes alienassem esse
No entanto, quando são recebidos determinados direito sobre bens imóveis a um terceiro, ou seja a
montantes, em contrapartida da cedência de di- uma pessoa estranha à herança. ■
reitos reais sobre bens imóveis, estamos perante
uma alienação onerosa, enquadrada no conceito (Resposta redigida em Julho de 2008)

Regularização de IVA por trabalhador independente


Determinado prestador de serviços (serviços de tradução escrita), na categoria B, tem vindo a emitir
recibos enquadrando-se no regime de isenção do artigo 53.º do CIVA.
Entretanto, foi notificado pelo respectivo serviço de finanças de que, desde 2005, não verificaria os
requisitos de enquadramento naquele regime de isenção pelo que estaria em falta com a entrega do
IVA corresponde ao valor dos recibos emitidos desde aquela data. Alguns dos recibos daquele período
foram emitidos à empresa a que o TOC presta serviços.
A situação exposta poderá enquadrar-se no n.º 3 do artigo 71.º do CIVA, com a possibilidade do
adquirente dos serviços proceder à dedução do IVA pelo débito do respectivo valor por emissão
de recibos?

P or força do disposto no artigo 58.º do CIVA,


quando se deixarem de verificar as condições
de aplicação do regime de isenção do artigo 53.º,
Como vamos tratar a situação na esfera do ad-
quirente dos serviços?
Se nos termos acima mencionados a operação
os sujeitos passivos são obrigados a apresentar a estava sujeita e não isenta de IVA e se não foi
declaração de alterações prevista no artigo 32.º, liquidado este imposto no momento em que o
durante o mês de Janeiro do ano seguinte àquele mesmo era devido, o prestador de serviços deve
em que tenha sido atingido um volume de negó- repercutir o imposto no cliente através de factura
cios superior aos limites de isenção previstos no ou documento equivalente, passado em forma
artigo 53.º legal e com a data actual, fazendo referência no
Ainda de harmonia com o n.º 5 do referido artigo respectivo documento de que se trata da liqui-
58.º, será devido imposto com referência às ope- dação de IVA respeitante às facturas “X”, “Y” e
rações efectuadas pelos sujeitos passivos a partir “Z”.
do mês seguinte àquele em que se torne obriga- Em nossa opinião, tais facturas deveriam ser pro-
tória a entrega das declarações a que se referem cessadas relativamente a cada período de impos-
os n.ºs 2, 3 e 4. to (mensal ou trimestral).
Deduzimos que o tradutor tenha ultrapassado no O direito à dedução nasce no momento em que
decurso de 2004 os valores referidos no artigo o imposto dedutível se torna exigível, conforme
53.º do CIVA, pelo que deveria ter apresentado estabelecem os artigos 7.º e 8.º do CIVA. Como
em Janeiro de 2005 a respectiva declaração de no caso em apreço, a liquidação doIVA não foi
alterações e começado a liquidar imposto em feita aquando da prestação do serviço, entende-
Fevereiro de 2005. mos que o direito à dedução só nasce quando
Tendo sido agora objecto de inspecção, foi-lhe o adquirente toma conhecimento da respectiva
exigido todo o imposto que deveria ter liquidado liquidação e é agora que vai exercer o respectivo
e não liquidou. direito à dedução.
A filosofia do IVA assenta na repercussão do im- O prestador de serviços por não ter liquidado em
posto no adquirente dos bens ou serviços trans- devido tempo foi penalizado com os juros res-
mitidos. Razão porque o prestador dos serviços pectivos e coima apropriada. ■
pretende agora facturar o IVA que deveria ter fac-
turado em devido tempo e não o fez. (Resposta redigida em Julho de 2008)

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