Andes

Andes | |
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Vista de uma porção dos Andes entre a Argentina e o Chile. | |
Localização | |
País(es) | |
Sopé | 500 km |
Características | |
Altitude máxima | 6 962 m (22 841 pés) |
Cumes mais altos | Aconcágua |
Comprimento | 8 000 km |
![]() Composição de imagens de satélite da parte sul da cordilheira. |
A cordilheira dos Andes (em quíchua: Anti(s)) é uma vasta cadeia montanhosa formada por um sistema contínuo de montanhas ao longo da costa ocidental da América do Sul, tendo a sua formação geológica datada no período Terciário. A cordilheira possui aproximadamente oito mil quilômetros de extensão. É a maior cadeia de montanhas do mundo (em comprimento), e em seus trechos mais largos chega a 160 km do extremo leste ao oeste. Sua altitude média gira em torno de 4 000 m e seu ponto culminante é o monte Aconcágua, com 6 962 m de altitude.
A cordilheira dos Andes se estende desde a Patagônia até a costa do mar do Caribe, atravessando todo o continente sul-americano de sul a norte, caracterizando a paisagem montanhosa do Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e oeste da Venezuela também conhecidos como América Andina. A cordilheira surgiu em resultado de um choque ocorrido entre duas placas tectônicas: há milhões de anos, a placa de Nazca moveu-se em direção à placa sul-americana, dando origem às elevadas montanhas que hoje formam a cordilheira dos Andes.[1]
Nos territórios da Colômbia e da Venezuela a cordilheira se ramifica e se prolonga até quase alcançar o mar do Caribe. Em sua parte meridional, serve como uma longa fronteira natural entre Chile e Argentina. Na zona central, os Andes se alargam dando lugar a um planalto elevado conhecido como Altiplano, partilhado pelo Peru, Bolívia e Chile. A cordilheira volta a estreitar-se no norte do Peru e se alarga novamente na Colômbia para estreitar-se e dividir-se ao entrar na Venezuela.[2]
Com o passar dos anos alguns acidentes aéreos aconteceram na região nos Andes, mas o mais famoso foi o ocorrido com o Vôo Força Aérea Uruguaia 571, mais conhecido como Tragédia dos Andes ou Milagre dos Andes (em castelhano: El Milagro de los Andes). Seus sobreviventes tiveram que ficar 72 dias na neve, sendo obrigados a se alimentar com os restos mortais dos passageiros que haviam morrido, restando, no fim, 16 sobreviventes.[3][4]
Geografia
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Formação
[editar | editar código-fonte]A cordilheira dos Andes surgiu em resultado de um choque ocorrido entre duas placas tectônicas.[5] Há milhões de anos, a placa de Nazca moveu-se em direção à placa sul-americana e, por ser mais densa, penetrou por baixo, causando a elevação do terreno sobre essa zona de choque, dando origem às elevadas montanhas que hoje formam a cordilheira dos Andes.[1]
Durante anos os pesquisadores acreditaram que o surgimento da cordilheira dos Andes teria ocorrido de forma lenta e gradual. Entretanto, pesquisas recentes realizadas por geólogos norte-americanos reformularam esta teoria, indicando que a cadeia montanhosa que forma a Cordilheira dos Andes surgiu abruptamente.[6]
Clima
[editar | editar código-fonte]Devido à extensão no sentido dos meridianos, os Andes incluem distintas zonas climáticas. O clima (semiárido) da zona tem variação constante, assim como a sua vegetação. O clima frio é predominante, com nevascas em altitude sendo muito comuns.[1]
Zonas
[editar | editar código-fonte]Andes Setentrionais
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Ao Norte do Equador, na fronteira com a Colômbia, os Andes constituem uma só cordilheira com picos vulcânicos de até 5 000 m de altitude, mas para o norte se divide rapidamente em duas cordilheiras chamadas respectivamente Cordilheira Ocidental (Colômbia) e Cordilheira Central (Colômbia), no local conhecido como Nudo das Pasto (Colômbia) e um pouco mais ao norte a Cordilheira Central (Colômbia) se desprende a Cordilheira Oriental (Colômbia).[2]
A Cordilheira Central (Colômbia) está separada da Cordilheira Ocidental (Colômbia), uma distância média de 400 m, por uma falha geológica ocupada pelo rio Patía ao sul e pelo rio Cauca ao norte. A Cordilheira Oriental (Colômbia) gradualmente se separa para o leste no local conhecido como Maciço colombiano, criando a bacia do rio mais importante da Colômbia, o Rio Magdalena. Esta cordilheira se estende para o norte e penetra o território venezuelano de onde adquire o nome de Cordilheira de Mérida, cuja continuações naturais dão passo a formação Lara-Falcón e tem uma distante relação com a Cordilheira Central e a Cordilheira Oriental.
O braço ocidental, chamado Serranía del Perijá, se desprende desta para o norte formando a fronteira natural entre Colômbia e Venezuela, e gradualmente vai perdendo altitude, alcançando o Caribe em Punta Gallinas na Península de La Guajira, no extremo norte da Colômbia. Em el Perijá se aproxima a Sierra Nevada de Santa Marta formando um vale rodeado pelo rio Cesar. A Sierra Nevada de Santa Marta é a estrutura montanhosa mais alta da Colômbia: 5 775 m.
As três Cordilheiras possuem picos, principalmente, de formação vulcânica de mais de 4 km. A cordilheira Central e a Oriental têm picos de mais de 5 km cobertos de neve permanentemente.[1] Muitos destes vulcões são ativos e já causaram destruição e mortes no passado devido às explosões de gás e cinza, como também às avalanches de gelo e lodo. O ocidente do país está sujeito a uma maior atividade telúrica, o que demonstra a instabilidade de sua natureza geológica. Ao noroeste da cordilheira Ocidental aparece um sistema montanhoso chamado Serranía del Baudó, que continua pelo Darién girando ao oeste para o Panamá.
As cidades mais importantes dos Andes Setentrionais são:
Andes Centrais
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Os Andes Centrais se estendem desde o Nudo de Pasco até o Macizo de las Tres Cruces. A disposição dos cabos montanhosos é de dois cabos separados por um Altiplano. A altura máxima nesta região é o Nevado Sajama (6 542 m) e o Pissis (6 882 m). Se originam dois lagos endorreicos, o Titicaca e o Poopó, interligados pelo rio Desaguadero. Os planaltos interiores são os pampas bolivianos, com clima árido quente, e o bioma predominante é desértico. A população se concentra mais no Altiplano e nas costas.[7]
Potencial econômico
[editar | editar código-fonte]Turismo
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A grande beleza cênica de suas montanhas faz com que a Cordilheira dos Andes apresente um grande potencial turístico, que ainda é sub-explorado na maior parte dos países por onde se estendem suas montanhas.
A menos de uma hora de automóvel de Santiago, no Chile estão localizadas várias e famosas estações de esqui, como Valle Nevado, El Colorado, Farellones e La Parva.[8]
A região de Mendoza, na Argentina é o destino escolhido por muitas pessoas que procuram por neve. Um dos marcos da viagem é atravessar uma estrada que cruza por regiões semidesérticas, até chegar ao Parque Nacional do Aconcágua, que fica no lado argentino da Cordilheira dos Andes, e visualizar o monte Aconcágua. Ao longo de todo o ano o visitante pode visualizar as neves eternas no topo das montanhas. Durante as nevascas mais intensas do inverno, alguns pontos da estrada ficam intransitáveis.[9]
O monte Aconcágua - Sentinela de Pedra - tem 6 962 metros de altitude, e é simultaneamente o ponto mais alto das Américas, de todo o Hemisfério Sul e o mais alto fora da Ásia. Fica localizado nos Andes argentinos, a cerca de 112 km da cidade de Mendoza. Por ser a montanha mais alta das Américas desafia todos os anos montanhistas de todo mundo a escalá-la.[10] Existem alguns locais para acampamentos para quem deseja realizar a subida da montanha: Confluência a 3 368 m de altitude, Plaza de Mulas 4 370 m – que é o acampamento base –, Nido de Condores a 5 560 m e Berlim a 5 926 m. Bariloche, na Argentina, cujo nome oficial é San Carlos de Bariloche, é uma cidade turística da Argentina, localizada na Província de Río Negro, junto à cordilheira dos Andes na fronteira com o Chile. Está rodeada por lagos (Nahuel Huapi, Gutiérrez, Mascardi) e montanhas, como o Cerro Tronador (3 354 m de altitude, na fronteira com o Chile), o Cerro Catedral (movimentada estação de esqui) e o Cerro López. Possui cerca de 130 mil habitantes.

O deserto do Atacama é bastante procurado pela sua paisagem única, uma vez que se trata do local mais seco de todo o Planeta.[11]
No Peru merece destaque a região de Machu Picchu, a cidade perdida dos Incas. Localizada a 2 400 metros de altitude, Machu Picchu está situada no alto de uma montanha, cercada por outras montanhas e circundada pelo rio Urubamba, o que lhe proporciona uma atmosfera única e extrema beleza paisagística.[12]
Já no extremo sul da cordilheira, setor onde os Andes cruzam a Patagônia, encontram se áreas com abundante presença de geleiras, picos nevados, tundras, lagos glaciais e fiordes. Como exemplos de áreas de interesse turístico nesta porção da cordilheira, é possível destacar Torres del Paine, no Chile,[13] El Calafate[14] e Ushuaia[15] na Argentina, locais onde o cenário natural atraem milhares de turistas anualmente.
Também merecem destaque os diversos vulcões ativos e gêiseres existentes nessa cadeia montanhosa. Embora muitos sejam carentes de infraestrutura, atraem milhares de turistas anualmente.[16][17]
Outros pontos comumente procurados por turistas são os lagos de água salgada existentes nos arredores de áreas dotadas de atividades vulcânicas.[18] Situados nas proximidades de formações geológicas conhecidas como salares, esses lagos possuem água ricas em minerais potencialmente benéficos à saúde, o que faz com que as pessoas utilizem suas águas para banhos medicinais.[19] Dentre essas formações, merece destaque o Salar de Uyuni, na Bolívia.
Picos
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O norte do Chile e da Argentina compartilham os picos mais altos dos Andes, seguidos pela Cordilheira Branca, localizada no Peru, a Cordilheira Real da Bolívia e os Andes Equatorianos.
Seu maior cume é o Aconcágua (na Argentina): com 6 962 m de altitude, é o ponto mais alto do continente americano. No sul do Peru, próximo de Cuzco, encontra-se o Nudo de Vilcanota, que alcança seu ponto mais elevado no monte Ausangate (6 380 m).[20]
Nesta cordilheira está localizado a geleira de Quelccaya, um dos dois únicos glaciares planos na zona tropical do planeta. Esta singularidade há permitido estudar em seus gelos as mudanças climáticas ocorridas no trópico desde a última era glacial.
Picos mais altos
[editar | editar código-fonte]Os picos mais altos são (altitudes em metros)ː[21][22]
Aconcágua - (6 962 m)
/
Ojos del Salado - (6 891 m)
Monte Pissis - (6 793 m)
Mercedario (6 770 m)
Huascarán - (6 768 m)
Bonete Chico - (6 759 m)
/
Llullaillaco - (6 739 m)
Yerupaja - (6 635 m)
/
Tupungato - (6 570 m)
Nevado Sajama - (6 520 m)
Illimani - (6 438 m)
Illampu - (6 421 m)
Ausangate - (6 380 m)
/
Vulcão Parinacota - (6 362 m)
Chimborazo - (6 310 m)
Salcantay - (6 271 m)
Cerro Plata - (6 000 m)
/
Licancabur - (5 920 m)
Cotopaxi - (5 897 m)
Nevado del Huila - (5 700 m)
Cerro Vallecitos - (5 500 m)
Nevado del Ruiz - (5 389 m)
Tungurahua - (5 016 m)
Pico Bolívar - (4 980 m)
Altitude | Nome | Cordilheira | Localização | País |
---|---|---|---|---|
6960[23] | Cerro Aconcagua | Cordilheira Frontal | Mendoza (província) | ![]() |
6891[24] | Ojos del Salado | Puna de Atacama | Catamarca (província) Atacama (região) |
![]() ![]() |
6768[25] | Nevado Huascarán | Cordillera Blanca | Região do Ânchache | ![]() |
6540 | Nevado Sajama | Cordilheira Ocidental (Bolívia) | Departamento de Oruro | ![]() |
6285 | Vulcão Chimborazo | Cordilheira Ocidental | Chimboraço (província) | ![]() |
5410[26] | Ritacuba Blanco[n 1] | Cordilheira Oriental | Boyacá | ![]() |
4980 | Pico Bolívar | Cordilheira de Mérida | Estado Mérida | ![]() |
Ver também
[editar | editar código-fonte]- Cinturão vulcânico dos Andes
- Civilizações andinas
- Himalaia
- Império Inca
- Montanhas Rochosas
- Montes Urais
- Recuo dos glaciares desde 1850
Referências
- ↑ a b c d «A ORIGEM E A CARACTERIZAÇÃO MORFOCLIMATICA DA CORDILHEIRA DOS ANDES». Consultado em 12 de janeiro de 2012. Arquivado do original em 3 de dezembro de 2013
- ↑ a b «Andes Mountain Range». Arquivado do original em 29 de abril de 2017
- ↑ «Arquivos Fuerza Aerea Uruguaya». Poder Aéreo – Aviação, Forças Aéreas, Indústria Aeroespacial e de Defesa. Consultado em 29 de janeiro de 2022
- ↑ Documentário I Am Alive: Surviving the Andes Plane Crash do The History Channel
- ↑ Sea-Floor Spreading and Subduction Zones. «platetectonics.com». Plate Tectonics. Consultado em 12 de janeiro de 2012. Arquivado do original em 27 de dezembro de 2011
- ↑ «Pesquisa divulga nova teoria sobre origem dos Andes»
- ↑ «Cordilheira dos Andes»
- ↑ «Valle Nevado Centro de Ski Chile». www.chileanski.com. Consultado em 17 de novembro de 2022
- ↑ MARCELO BARTOLOMEI. «Mendoza - Andes argentinos». Folha online. Consultado em 13 de janeiro de 2012
- ↑ «Aconcágua - Senhor das Américas». Arquivado do original em 10 de fevereiro de 2012
- ↑ ROBERTO DE OLIVEIRA. «Atacama». Folha online. Consultado em 13 de janeiro de 2012
- ↑ «Machu Picchu». Arquivado do original em 6 de janeiro de 2012
- ↑ «Chile travel». Chile Travel (em espanhol). Consultado em 6 de abril de 2021
- ↑ «El Calafate». Viagem e Turismo (em inglês). Consultado em 6 de abril de 2021
- ↑ «Ciudad de Ushuaia. Fin del Mundo, Principio de Todo». Turismo Ushuaia (em espanhol). Consultado em 6 de abril de 2021
- ↑ Andean volcano costly to tourism. «articles.philly.com». Associated Press. Consultado em 13 de janeiro de 2012
- ↑ «The volcanoes in Ecuador in the Andes Mountains have become the newest tourist attraction of this country». Galapagos & Ecuador Guide. Consultado em 13 de janeiro de 2012. Arquivado do original em 16 de abril de 2012
- ↑ «The Andes Ice Islands»
- ↑ «Deserto de Atacama». Arquivado do original em 19 de dezembro de 2011
- ↑ «Andes 6000-meter Peaks»
- ↑ «Highest Mountain Peaks of the World»
- ↑ «Andes: The Top Twenty»
- ↑ «¿Sabías que Argentina tiene la montaña extraandina más alta de América?». Billiken (em espanhol). 16 de fevereiro de 2023. Consultado em 19 de maio de 2024
- ↑ Silvério, Maruza (6 de agosto de 2020). «As 10 montanhas mais altas dos Andes». AltaMontanha. Consultado em 19 de maio de 2024
- ↑ www.peru.travel https://www.peru.travel/pt/atracoes/pico-nevado-ausangate. Consultado em 19 de maio de 2024 Em falta ou vazio
|título=
(ajuda) - ↑ «Colombia país de montañas | Ministerio de Ambiente y Desarrollo Sostenible». archivo.minambiente.gov.co. Consultado em 19 de maio de 2024
Ligações externas
[editar | editar código-fonte]- «Página com informações sobre montanhas dos Andes»
- «Página com informações sobre o clima e a vida animal nos Andes» (em inglês)
- «Página com alguns roteiros de viagem nos Andes»
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