A República
A República
A República
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A República caracteriza-se por cinco conceitos:
Em cada magistratura era desejável haver plebeus e patrícios para controlar o exercício da magistratura entre
si de modo a não haver supremacia dos interesses nem dos patrícios nem dos plebeus (fiscalização mútua da
magistratura).
Censura:
Consulado:
Sucessores do rex, gozam de poderes soberanos (imperium) que permitem comandar o exército, convocar
o Senado e as assembleias do populus e administrar a justiça extraordinariamente (a administração da
justiça ordinária está no pretor desde a sua criação nas L.L.S. em 367a.C.).
Só participam em cerimónias religiosas estritamente ligadas à sua função de governo da civitas.
Eleitos nos comitia centuriata.
São sempre aos pares, exercem funções durante um ano (de mês a mês muda o cônsul, chamado maior
por ser o que está em funções, outro mês o outro cônsul que, por não estar em funções tem poder de
intercessio para as decisões não militares).
Pretura:
Desempenham praticamente as mesmas funções dos cônsules de quem dependem como colegas minores.
Existe, criada com as L.L.S., a pretura urbana (administra a justiça entre cives) e a pretura peregrina
(administra justiça entre cives e hostes), criada em 242.
A criação da pretura terá sido determinada pela ausência de cônsules ocupados em campanhas militares.
Presidem à primeira fase do processo jurídico e pronunciam a decisão que se deve aplicar sobre este ou
aquele panorama (a inocência ou não) que cabe ao judex determinar qual, depois deste ter as provas
avaliadas e intervenientes ouvidos.
Em 130 a.C. é promulgada a Lex aebutia de formulis, que dá ao pretor poderes processuais, que lhes
permitem aplicar e interpretar as lacunas do Ius Civile.
Edilidade curul:
Controla a propaganda política, fiscaliza a limpeza da cidades, vigiam o trânsito, ocupam-se das vias e dos
edifícios públicos, cuidam dos preços, pesos e medidas, inspecionam os mercados de gado e escravos,
cuidam do abastecimento de cereais, organizam espetáculos e jogos, guardam os arquivos e tesouro do
Estado.
Gozam de poder punitivo (coercitivo) que permite aplicar multas e embargos.
Exercem jurisdição civil nos contratos de compra e venda realizados nos mercados.
Têm jurisdição criminal em matéria relacionada com a sua função de polícia.
Não gozam de poder de imperium, apenas de potestas.
Os edis curuis foram criado pelas L.L.S. e eram designados pelos comitia tributa. (Nota: edil curul não tem
nada que ver com edil plebeu).
Questura:
As magistraturas extraordinárias:
Ditadura:
É nomeado um ditador em momentos de perigo (calamidade pública ou grave crise política interna ou
externa) pelos cônsules, por acordo ou sorteio confirmado numa lex curiata.
Há dois tipos:
1. Ditador optima leges creatus – goza de poder absoluto não sujeito a intercessio ou provocatio ad
populum, gozando de poderes políticos, militares, judiciais e administrativos que pode exercer durante
seis meses de modo absoluto e com total independência e irresponsabilidade.
2. Ditador imminuto iure- nomeado para tratar de uma específica matéria.
Direito de se opor às decisões de todos os outros magistrados, intercessionando os seus atos (exceto os
censos dos censores pois é apenas um levantamento de dados).
Poder imenso que advinha dos efeitos da sua intercessio na justiça civil e criminal.
Os tribunos da plebe não tinham imperium, em vez deste, possuíam a tribunicia potestas: ius senatus
habendi (direito de convocar e presidir ao Senado), e agere cum plebe (convoca Conselho da Plebe para
analisar os plebiscita).
Tinham o privilégio da inviolabilidade por o seu poder ser sacrossanto.
Os magistrados estão investidos de potestas (poder de representar o povo romano e, por este poder, agir). Os
cônsules, ditadores e pretores gozam também de imperium.
Temporalidade.
Colegialidade (que permite intercessionis).
Pluralidade (porque o poder está repartido por várias magistraturas ordinárias e extraordinárias).
Responsabilidade (porque respondem pelos seus atos enquanto magistrados).
Provocatio ad populum (direito de se apelar às assembleias do populus para uma pena injusta,
normalmente a capital – o ditador não lhe está sujeito).
Comitia Curiata:
Comitia Centuriata:
São uma expressão do poder crescente da plebe no exército que depois se transporta à política.
Vai-se assistindo, com o desenvolvimento das instituições republicanas, a uma passagem de competências
estritamente militares para competências políticas.
Estas assembleias tiveram como primeira grande competência, atendendo à sua origem militar, aprovar as
declarações de guerra.
Depois, foram-lhe entregues progressivas competências políticas:
1. Poder de eleger cônsules, pretores, ditadores e censores (magistrados maiores).
2. Confirmar os censores;
3. Aprovar as leis propostas pelos magistrados.
4. Dar veredictos sobre a vida ou a morte dos acusados (iudicium).
Comitia Tributa:
São comitia em que a unidade de voto é a tribo (núcleo territoral sem qualquer distinção económica).
As suas atribuições são:
1. eleitorais (elegem magistrados);
2. judiciais (conhecimento de determinadas sentenças se tiverem apelação e fixação de penas
pecuniárias para as infracções);
3. legislativas (aprovação de leges propostas pelos magistrados).
Concilia plebis:
Assembleias que, com a lex Hortensia de 287 a.C. instituindo em definitivo a equiparação entre patrícios e
plebeus, passaram a ter importantes funções legislativas na cidade, nomeadamente na votação de uma
série de medidas que introduziram reformas profundas no ius civile.
São convocadas pelos magistrados plebeus e presididos pelo tribuno da plebe.
Competências: Eleger os magistrados plebeus, incluindo tribunos da plebe; votarem os plebiscita;
exercerem o julgamento para os crimes puníveis com multa.
O Senado:
É a assembleia dos homens considerados mais representativos por virtude da sua auctoritas e posição
económica.
A sua estabilidade (perante a temporalidade das magistraturas) e a prática dos cônsules requererem a
auctoritas patrum para as suas práticas governativas de modo a se desresponsabilizarem, conferiram ao
Senado um importantíssimo papel na República. O Senado tinha patricii (patres) e plebeus (conscripti).
Normalmente constituído por 300 senadores, a lei Ovinia (312 a.C.) declara o Senado aberto aos plebeus e
concedeu ao censor a função de os designar segundo os dados dos censos, embora se tenha imposto a
obrigação de escolher ex-magistrados.
Tinha atribuições:
de interregnum, assumir, por morte ou ausência prolongada dos cônsules, o governo da civitas;
de auctoritas patrum: poder senatorial de confirmar as deliberações das outras assembleias;
o magistrado que apresentava uma proposta de lei (rogatio) ou o nome de um candidato para um cargo
deveria remeter a decisão da assembleia popular para análise pelo Senado, para que este concedesse (ou
não) auctoritas patrum, permitindo assim controlar e ratificar as deliberações das assembleias populares
tendo assim, numa primeira fase, carácter confirmativo;
a partir da Lex Pubilia Philonis de 339 a.C. a auctoritas patrum é dada antes da votação dos comitia
adquirindo, nesta segunda fase, carácter preventivo e não depois da aprovação dos comitia;
senatusconsulta: emitir pareceres sobre as propostas dos magistrados, a pedido destes.