Bíblia Atualizada Medway
Bíblia Atualizada Medway
Bíblia Atualizada Medway
N
esse tratado que todo aluno do CRMedway recebe, fizemos
um compilado de vários checklists para que você consiga saber
exatamente o que revisar perto de suas provas e o provável
modo como os temas serão cobrados. Nesta coleção, teremos adaptações
de checklists que já caíram em outros anos e alguns checklists “extras”
exclusivos para os nossos alunos. Alguns temas aparecem mais de uma vez,
para que você tenha mais clareza sobre possíveis caminhos que uma estação
de prova prática pode tomar. Resumindo, esse material está absolutamente
completo com tudo que você precisa saber para estar preparado para as
provas práticas - e por isso mesmo o batizamos de Bíblia!
Aproveite!
E se Você Caiu Nesse
Material por Acaso...
... tenho que te informar uma coisa. Ele faz parte de um curso todo estruturado
para ensinar nossos alunos a pensar como a banca e entender a fundo os
checklists, além de uma preparação completa para a prova multimídia: o
CRMedway. A preparação para a prova prática vai além da Bíblia!
Acessar Minicurso
Quem Somos
H
oje, a Medway é um time formado por médicos recém-egressos
ou ainda Residentes nas principais instituições do Brasil! USP,
UNIFESP, UNICAMP e em todos os lugares que você sonha fazer
a sua residência médica! Mas chegar até aqui não foi nada fácil.
Tudo isso a um preço justo, acessível, de forma 100% online e que permitiu
com que todos os nossos alunos brigassem de “igual pra igual” com quem
fez um curso prático presencial.
E
m vez de simplesmente ler essa Bíblia, faça como o João
recomenda na nossa aula do curso do módulo zero, sobre como
e quando estudar:
USP-SP.....................................................................10
UNICAMP...............................................................56
SCMSP...................................................................106
UFPR.....................................................................152
UNESP....................................................................195
USP-RP..................................................................243
HIAE.....................................................................285
UNIFESP................................................................325
UFG.......................................................................358
HSL.......................................................................408
HUB/UNB.............................................................450
USP-SP
2020
10
Clínica Médica
É a hora de encarar essa interessante estação de clínica médica da USP-SP
2020! Vamos nessa, galera?
Orientações ao candidato:
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
• Os casos clínicos e as tarefas se encontram dentro da sala
• Após examinar o paciente você não poderia retornar no mesmo
• A estação era composta por tarefa única
Cenário:
• Examinador
• Não havia atriz e/ou ator
• Objetos disponíveis na cena:
• Manequim com um cateter venoso central em veia jugular interna
direita, intubado, com sonda vesical de demora com bolsa coletora
de urina
• Ventilador mecânico com seus respectivos gráficos (representado
em caixas de papelão)
• Monitor com descrição de parâmetros (representado em caixas de
papelão)
• Bomba de infusão com noradrenalina, midazolam e fentanil
(representados em caixas de papelão)
• Dispostos em uma mesa: controles, balanço hídrico (com quanto
foi infundido de cada medicação); estetoscópio; tabela com vários
exames (muito grande); eletrocardiograma
11
Início da Estação
Caso Clínico:
João, de 56 anos, foi admitido na UTI há 4 dias com quadro de endocardite
infecciosa. Seu colega de plantão estava evoluindo o paciente quando foi
chamado para atender uma intercorrência no andar.
Tarefa Única:
Examine o paciente e complemente a evolução. Você terá uma folha de
rascunho e a folha definitiva para a anotação do exame. Quando solicitar a
folha definitiva, você não poderá retornar ao manequim.
12
Renal/urinário:
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados - Exame Físico Sim Não
Realizou ausculta pulmonar
Frequência cardíaca
Descrição de ritmo cardíaco regular com bulhas
normofonéticas
Avaliação de pulsos periféricos
13
Controles das últimas 24 horas (sinais vitais)
Valor de FiO2
14
Debriefing
E aí, galera, gostaram da estação? Sentiram dificuldades? Então vamos nessa
tentar destrinchá-la um pouco mais...
Essa estação da USP-SP pegou muitos candidatos de surpresa na época
do concurso, sendo grande o número de relatos de alunos que tiveram
dificuldades ou que até mesmo ficaram “meio perdidos” durante a realização.
Mas beleza, qual a importância de cobrar isso numa prova prática de Clínica
Médica? Sabemos que a evolução médica é um componente do prontuário
e consiste em um acervo onde se encontram informações sobre os cuidados
prestados ao paciente, informações sobre exames, procedimentos, e é
capaz de refletir a relação entre o paciente e equipe de saúde. Ainda, uma
evolução médica bem feita é um importante instrumento que permite
uma visualização global do estado clínico do paciente e uma comunicação
eficiente entre as diversas equipes de saúde que cuidam do doente.
Não existe receita de bolo para realização de uma evolução médica. Esta
pode variar dentre os serviços, especialidades e local onde se encontra o
doente. No âmbito de um paciente na UTI, sendo estes geralmente graves,
com múltiplas comorbidades e com condições clínicas frequentemente
complexas, uma evolução médica deve conter informações mínimas que
são relevantes para o paciente nesse contexto.
15
UTI ou frequentam com pequena carga horária, o que pode ter sido um dos
motivos que fez a estação causar dificuldade no pessoal. Outro ponto que
pode ter causado dificuldade foi a quantidade de informações presentes na
estação, o que fez com que muitos ficassem perdidos sem saber por onde
começar e por qual caminho seguir. Daí vem a importância de se ter um
atendimento sistematizado - isso pode te salvar em estações longas como
essa da USP-SP.
Diagnósticos:
#Endocardite infecciosa
#Choque séptico
#Injúria Renal Aguda
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Neurológico: RASS -3, em uso de fentanil 0,01 mcg/kg/min, midazolam
0,5 mcg/kg/min.
Sem agitação nas últimas 24 horas, em uso de dipirona regular 4/4h.
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Por fim, no URINÁRIO não podia esquecer de anotar sobre a sonda
vesical de demora, débito e balanço hídrico. Vejam que, de forma geral,
não podemos esquecer de anotar sobre os dispositivos e drogas que esses
pacientes na UTI recebem, pois são parâmetros usados de forma rotineira
no acompanhamento destes pacientes.
Prestem atenção nesse modelo, pessoal, pois pode vir a cair em outras
instituições pelo Brasil nesse ano! Aproveitem o internato de vocês e
treinem! Cada vez mais são cobradas coisas práticas do dia-a-dia. Gostaram
do material? Fiquem tranquilos que virá muito mais por aí e com bastantes
estações para treinarem...
REFERÊNCIAS:
• PAVAO, Ana Luiza Braz et al . Estudo de incidência de eventos adversos
hospitalares, Rio de Janeiro, Brasil: avaliação da qualidade do prontuário
do paciente. Rev. bras. epidemiol., São Paulo , v. 14, n. 4, p. 651-661,
Dec. 2011.
• PRESTES JR., Luiz Carlos L.; RANGEL, Mary. Prontuário médico e
suas implicações médico-legais na rotina do colo-proctologista. Rev
bras. colo-proctol., Rio de Janeiro , v. 27, n. 2, p. 154-157, June
18
Cirurgia Geral
Entra ano, sai ano, o tema TRAUMA é certo nas provas práticas das
principais instituições do país. A cada prova, um enfoque diferente. Vamos
ver o que a prova da USP de 2020 nos reserva? Mãos à obra!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
• Após solicitar a próxima tarefa, você não poderia retornar à anterior.
• A estação é composta de 3 tarefas.
• O candidato poderia pausar, avançar e repetir o vídeo quantas vezes
desejasse.
Cenário:
• Examinador
• Manequim intubado, com uma faca em região epigástrica
• Objetos disponíveis na cena: caixa de papelão simulando um monitor,
fotos do FAST e material para drenagem de tórax e de intubação
Início da Estação
Caso Clínico:
Você está em uma unidade de emergência que dispõe de todos os recursos
possíveis. Paciente trazido pelo pré-hospitalar devido a FAB em região
epigástrica a esquerda.
Tarefa 01:
Realize o atendimento primário.
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O candidato, à medida que fosse descrevendo e realizando o ABCDE,
recebia informações do examinador:
• A: Com colar cervical; Fixador no tubo que estava totalmente inserido
(Sat 85% com FiO2 alta)
• B: Expansibilidade diminuída, percussão maciça e MV abolido em todo
hemitórax esquerdo, hemitórax direito sem alterações; Diagnosticada a
intubação seletiva, realizar desinsuflação do balão → tracionamento do
tubo → reinsuflar o balão e realizar novo exame físico do tórax em seguida
(muita gente solicitou drenagem de tórax pensando em hemotórax, a
indicação de drenagem de tórax era checklist negativo);
Tarefa 2:
Qual é sua conduta?
Tarefa 3:
Assista o vídeo no tablet. Depois responda:
a) Conduta terapêutica do paciente.
b) Justifique.
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Havia um papel na mesa, onde o candidato deveria escrever suas respostas.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Seguiu a sequência ABCDE durante todo o atendimento, só
prosseguindo à etapa seguinte após resolução do problema
anterior
Não retirou o colar cervical
Realizou exame respiratório direcionado (considerar se 2
dos seguintes: inspeção, percussão, ausculta e oximetria)
Checou se o cuff estava insuflado
Desinsuflou o balão
Tracionou o tubo
Reinsuflou o balão
Checou saturação
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Reconheceu estabilidade hemodinâmica
Tarefa 02
Solicita tomografia computadorizada de abdome
Tarefa 03
Indica laparotomia exploradora
Debriefing
Vai prestar prova prática este ano? Então anota aí: trauma é um tema certo!
São as duas certezas que temos todo ano, o especial do Roberto Carlos
e uma estação de trauma em uma grande instituição do país. É simples
entender o porquê: é um tema essencialmente prático e com infinitos
desdobramentos. Nesta estação, em específico, foram abordados 2 detalhes
muito interessantes e inéditos (como a USP gosta): intubação seletiva e
trauma penetrante com o objeto empalado. Sem mais delongas, vamos
então revisar os principais conceitos e discutir as peculiaridades desta
estação que fez muita gente se enrolar!
22
Sempre que o assunto é trauma, o ponta-pé inicial é um só: ABCDE! Ele
é o seu guia e a partir dele a magia se inicia, um mundo de possibilidades
podem estar presentes com o desenrolar das diferentes estações. Vamos
relembrar?
23
fim, avaliar a resposta à reposição através do débito urinário, então não
esqueça de sondar o seu paciente, respeitando as contraindicações.
24
provavelmente o tubo foi inserido mais do que se deveria e inevitavelmente
se direcionou ao brônquio-fonte direito.
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1. Choque hemodinâmico
2. Peritonite
3. Evisceração
Pronto! Mais uma estação de trauma para a conta e que estação! Viram
como sempre é possível complicar? USP como sempre nos mostrando a
importância de conceitos que por vezes negligenciamos ou que não são
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muito bem explorados durante a nossa graduação e que, na prática, são
fundamentais!
E aí? Gostaram?
Beijos e abraços,
Matheus Forti
REFERÊNCIAS:
• AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS COMMITTEE ON
TRAUMA. Advanced Trauma Life Suport - ATLS. 10 ed. , 2018.
• SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica
moderna. 20a ed. Saunders. Elsevier.
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Ginecologia
e Obstetrícia
Como sempre a prova prática da USP surpreendendo! Bora descobrir o
qual a surpresa da USP no ano de 2020?
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
Cenário:
• Examinador
• Atriz
• Objetos disponíveis na cena: em cima da maca estavam disponíveis
bisturi, lidocaína, podofilina, cotonete, ácido tricloroacético, agulha e
seringa
Início da Estação
Caso Clínico:
Você é médico de uma UBS e irá atender uma paciente de 26 anos com
queixa de prurido e lesões em região vulvar. Ela nega dor pélvica.
Tarefa 01a:
Realize a anamnese direcionada.
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• Nega disúria e outras alterações urinárias;
• Nega sangramento transvaginal;
• Data da última menstruação (DUM): há 45 dias;
• Característica dos ciclos: ciclos regulares de 28 dias com 5 dias de
menstruação, sem outras alterações;
• Data da última relação sexual: há 3 dias;
• Tipo de relação sexual: relação heterossexual com múltiplos parceiros e
sem proteção;
• Método contraceptivo: uso de ACO de maneira irregular;
• Nega gestações prévias;
• Nega alergias;
• Nega comorbidades e uso de medicações regularmente;
• Tabagismo: nessa pergunta a atriz respondia que não fumava cigarro
normal, essa era a dica para o candidato perguntar sobre uso de outros
tipos de drogas/cigarros, nesse momento a atriz respondia que fumava
maconha diariamente;
• Quando solicitado cartão vacinal a atriz relatava que “tinha esquecido
em casa”.
Tarefa 01b:
Solicite o exame físico direcionado.
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• Sobre as lesões, havia pequenos “plugs” de plástico, transparentes,
indicando quais eram as lesões (sinalizadas na foto com círculos)
Tarefa 01c:
Solicite um exame complementar
• O aluno solicitava mas não era entregue o exame.
Tarefa 02:
Explique à paciente o diagnóstico e realize o tratamento adequado.
Tarefa 03:
Oriente a paciente.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
1) Caracterizou ciclo menstrual
8) Higienizou as mãos
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9) Solicitou beta-HCG
10) Comunicou o diagnóstico de verruga/condiloma/HPV
vulva
11) Explicou que irá realizar cauterização com ácido das
lesões
12) Pediu autorização para realizar o procedimento
31
Debriefing
Galera, o tratamento do condiloma acuminado nunca havia sido cobrado
em provas práticas – como sempre a USP nos surpreendendo. Mas veja
que novamente o procedimento em si era apenas alguns poucos pontos no
check list, e que uma boa anamnese e orientações adequadas para o caso
eram grande parte da nota nesta estação. Além disso, não havia manequins
ultramodernos na sala de prova, mas sim, uma foto e materiais do dia a dia
de qualquer médico (e podem ter certeza que nas suas provas no final do
ano as estações de procedimento serão assim).
Vamos, então, aprender um pouco mais sobre essas lesões causadas pelo
vírus HPV?
Os principais tipos de HPV aos condilomas, em mais de 90% dos casos, são
o 6 e o 11, pois produzem infecção produtiva, onde os genes virais estimulam
a mitose da célula infectada e provocam lesões benignas.
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sexualidade também são fatores de risco, como idade de início, preferência
e prática sexual, bem como o número de parceiros. O HPV também pode
se disseminar por autoinoculação para outras áreas.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Aparecimento de verrugas cutâneas ou mucosas na região anogenital são os
condilomas acuminados. Podem ser únicas ou múltiplas, com crescimento
autolimitado, sendo na mulher mais frequente na região vulvar. No homem,
é mais comum na glande e na região do ânus. As lesões surgem entre 3
semanas a 8 meses após a infecção inicial. Em geral é pouco sintomático,
mas pode haver queixa de ardência, sangramento após o coito, obstrução
urinária para grandes lesões, queimação e dor. O tamanho pode variar de
menos de 1 milímetro à áreas extensas acometendo toda a região externa
da vulva.
TRATAMENTO
Os princípios de tratamento compreendem erradicação da infecção,
eliminação dos sintomas, prevenção de evolução maligna e interrupção
da transmissão. A maioria das infecções provocadas pelo HPV apresenta
resolução espontânea devido à resposta imunológica do hospedeiro contra
o vírus. O aumento desta resposta imunológica é possível com abstinência
do tabagismo, melhora da qualidade de vida e alimentar, com maiores taxas
de regressão da doença.
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imiquimod 5%) e físicos (criocauterização, eletrocauterização e a excisão a
bisturi).
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PREVENÇÃO E VACINAÇÃO
O principal meio de prevenção da infecção pelo HPV é a prevenção primária
que visa remover os fatores de risco, antes de se adquirir o vírus. Assim, o
uso de preservativos durante as relações sexuais diminui o risco de infecção.
E aí, galera? Espero que essa pequena revisão sobre condiloma acuminado
tenha ajudado vocês a entenderem um pouco quais as bases do tratamento
dessas lesões. Como sempre a USP nos surpreendeu um pouco. Mas vejam
que não tinha nada de mais na aplicação do ATA, não é mesmo? Bons
estudos! E se ficou alguma dúvida, estou à disposição.
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Etapas do Procedimento para
Aplicação do Ácido Tricloroacético (ATA)
1) Explicar o procedimento a paciente;
REFERÊNCIAS:
• Manual de Patologia do Trato Genital Inferior, FEBRASGO 2018
• Williams Gynecology, 4th edition
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Pediatria
Pronto para encarar a estação de pediatria da USP-SP 2020? Pega seu
cronômetro, tira as distrações, e parte pra cima!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
• Após solicitar a próxima tarefa, você não poderia retornar à anterior
• A estação é composta de 4 tarefas
• O candidato poderia pausar, avançar e repetir os vídeos quantas vezes
desejasse
Cenário:
• Examinador
• Atriz
• Objetos disponíveis na cena: manequim / boneco de lactente;
estadiômetro portátil; fita métrica; tablet com fone de ouvido
Início da Estação
Caso Clínico:
Paciente com 25 horas de vida, nascido de parto vaginal com 40 semanas
de gestação, encontra-se no alojamento conjunto com sua mãe. Você é o
médico responsável pelo setor.
Tarefa 01:
Utilizando o manequim, realize as demais medidas antropométricas.
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Assinale com a caneta as medidas no gráfico / referencial antropométrico
fornecido pelo examinador.
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Tarefa 02:
O teste de reflexo vermelho deste recém-nascido está conforme a imagem.
Indique o diagnóstico de cada um dos lados e a conduta indicada neste
momento.
Direita:
Esquerda:
Conduta:
Tarefa 03:
Assista ao vídeo e escute o áudio, que representa a ausculta cardíaca do
recém-nascido em 2 focos distintos. Anote abaixo os achados da ausculta
em cada um dos focos.
Foco 1:
Foco 2:
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Avaliação auditiva e teste do coraçãozinho sem alterações.
Tarefa 04:
a) Baseado no conjunto de achados deste recém-nascido, indique a principal
hipótese diagnóstica.
b) Baseado na principal hipótese diagnóstica, cite 3 exames complementares
fundamentais neste momento.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Indicou lavagem das mãos antes da aferição
Solicitou ajuda de outra pessoa para realizar a aferição da
estatura
Realiza aferição da estatura com estadiômetro, com a parte
fixa na porção cefálica
Assinala corretamente no gráfico estatura de 48 cm para
idade de 40 semanas (tolerar desvio de 1cm para mais ou
menos)
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Realiza medida do perímetro cefálico corretamente
(protuberância occipital a glabela)
Assinala corretamente no gráfico perímetro cefálico de 34
cm para idade de 40 semanas (tolerar desvio de 1cm para
mais ou menos)
Indica “pequeno para a idade gestacional”
Indica reflexo ocular normal à direita / reflexo vermelho
presente
Indica reflexo ocular alterado à esquerda / reflexo vermelho
ausente / leucocoria
Encaminha ao oftalmologista
Debriefing
Estação longa, mas com um checklist muito direto. Questão de
NEONATOLOGIA, com algumas peculiaridades que você tinha que trazer
de bagagem teórica sobre síndrome de Down (lembrem que a prova da
USP-SP é cada vez mais adepta à “teorização” da prova prática).
41
1. Peso - sempre examinar o recém-nascido completamente despido,
inclusive sem fralda. Para crianças até 2 anos (ou até 16 kg), usamos a balança
pediátrica e aferimos o peso com a criança deitada.
42
essas 5 semanas da idade cronológica atual). Este é o valor que usaremos
para assinalar os dados antropométricos no gráfico.
Só para reforçar um ponto de confusão: PIG não é a mesma coisa que CIUR
(crescimento intrauterino restrito), apesar de várias vezes serem conceitos
relacionados. “Pequeno para idade gestacional” apenas diz respeito a um RN
com peso abaixo do p10 para a idade gestacional, incluindo aqueles bebês
que tiveram crescimento adequado no transcorrer da gravidez. Já o CIUR
categoriza que houve uma redução no crescimento esperado para aquela
gravidez. Percebem? É sutil, mas podem existir RNs com crescimento fetal
restrito que são AIG, assim como RNs PIG que não sofreram crescimento
restrito no período intrauterino.
43
Hoje, os exames obrigatórios pelo Ministério da Saúde são os seguintes (o
teste da linguinha não é considerado obrigatório pelo MS até o momento
ou pela SBP):
• Teste da orelhinha
• Teste do coraçãozinho
• Teste do pezinho
• Teste do olhinho
Sobre a tarefa 3, não tem muito o que se alongar aqui. O objetivo da tarefa
não era cobrar um conhecimento aprofundado de cardiopatias congênitas
do candidato (e nem é a minha intenção), mas sim avaliar um conhecimento
básico de semiologia. Bastava identificar a presença de um sopro sistólico
em borda esternal esquerda baixa que você garantia a questão, sem
necessidade de conjecturar se aquilo seria uma CIV, um DSAV, ou alguma
outra cardiopatia congênita (mas aí embaixo vamos falar um pouco mais
disso).
44
O fenótipo dessa criança envolve geralmente uma combinação de alguns
sinais, como hipotonia, prega palmar única, epicanto, displasia da falange
média do 5o quirodáctilo, inclinação palpebral para cima, entre outros. O
cariótipo não é obrigatório para o diagnóstico da síndrome, porém deve ser
realizado para aconselhamento genético familiar.
Estação boa para revisar vários temas da pediatria juntos, e também foi
uma estação fácil, para garantir um 9! Ficou com alguma dúvida? Deu pra
sacar como que a USP vai cobrar os conceitos da pediatria de vocês? Fica
com a gente pra receber muito mais conteúdo de checklist e debriefings de
prova prática!
Beijo no coração,
Joana
45
REFERÊNCIAS:
• Atenção à saúde do recém-nascido : guia para os profissionais de saúde.
2a edição. Brasília: Ministério da Saúde, 2012.
• Kliegman, R. Nelson Textbook of Pediatrics. Edition 21. Philadelphia,
PA: Elsevier, 2020.
• Burns, D. [et al]. Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria.
4a edição. Barueri, SP: Manole, 2017.
• Sociedade Brasileira de Pediatria. Diretrizes de atenção à saúde de
pessoas com síndrome de Down. 2020. <Disponível em: https://www.
sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22400b-Diretrizes_de_atencao_a_
saude_de_pessoas_com_Down.pdf>
46
Preventiva
Galera, estão prontos ? Essa estação foi feita para você brilhar na prova
prática!
Visão geral:
• Tema: Acidente por animal peçonhento
• Ator/examinador
• Cenário: Unidade de emergência
• Materiais disponíveis: Garrote; Seringa; Adrenalina; Morfina;
Hidrocortisona; Fenergan; Bolsa quente; Bolsa fria; Álcool 70%;
Algodão; Paracetamol gotas; Anestésico local; Band-aid; Descarpack
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
Início da Estação
Caso Clínico:
Criança de 4 anos é trazida pelo diretor da escola com queixa de ferimento
em mão direita decorrente de uma picada de um animal. Paciente
apresentava muita dor, taquicardia, sudorese leve, 2 episódios de vômitos.
Pressão arterial adequada para idade.
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Tarefa 01:
De acordo com os materiais disponíveis na cena, separe os materiais
necessários para a realização da conduta imediata. (Realize o cuidado local
com a ferida).
Tarefa 02:
O paciente apresentava um novo quadro clínico: Persistência da dor, melhora
parcial da taquicardia, novos episódios de vômitos e dor abdominal.
Q1: A partir deste momento você poderia dar alta ao paciente? Justifique.
Periodicidade da notificação
Doença ou agravo Imediata < 24h para: Semanal para:
MS SES SMS MS SES SMS
48
Tarefa 04:
O diretor faz as seguintes perguntas:
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Seleciona água
Seleciona sabão
Seleciona lidocaína
Seleciona paracetamol
49
Não seleciona adrenalina
Tarefa 02
Não autoriza alta do paciente
Justifica com manifestações sistêmicas OU acidente
moderado / grave OU necessidade de soro antiescorpiônico
Notifica o caso
Tarefa 03
Indica notificação imediata (desconsiderar se marcar
ambas)
Indica notificação municipal (desconsiderar se marcar
mais de 3 itens)
Tarefa 04
Assinala aumento dos casos em SP
Debriefing
Ufa! Questão bem extensa, mas com organização do seu raciocínio e atenção
aos detalhes, é possível garantir muitos pontos nessa estação!
50
Acidentes com animais peçonhentos é um tema que pode aparecer tanto em
estações de clínica médica, quanto em pediatria ou preventiva. O número
de casos de acidentes com escorpiões vem aumentando significativamente
nos últimos anos, principalmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais,
logo, este pode ser um tema cobrado por outras instituições este ano!
51
adrenérgicas contra o aparecimento destas reações! Na falta do soro
específico, é possível usar o soro antiaracnídico.
Quadro V
Acidentes escorpiônicos
Classificação dos acidentes quanto à gravidade,
manifestações clínicas e tratamento específico
Soroterapia
Classificação Manifestações Clínicas (nº de ampolas)
SAEEs ou SAAr**
52
você tem certeza que pode ser usado, para não perder ponto com bobeira!
53
que vivem em áreas rurais. A partir das análises dos dados do SINAN, a
distribuição de soros é realizada de acordo com o número de acidentes que
ocorre em cada município.
Pergunta feita para te confundir. O local da picada não tem relação com a
gravidade da doença. A doença que guarda essa relação é a RAIVA!
54
• Na prevenção de acidentes deste tipo, além da limpeza do ambiente, o
uso do inseticida é indicado?
Abraços,
Raphaela
REFERÊNCIAS:
• Lista Nacional de Notificação Compulsória de doenças, agravos e
eventos de saúde pública
• Boletim epidemiológico - Acidentes de trabalho por animais peçonhentos
entre trabalhadores do campo, floresta e águas, Brasil 2007 a 2017
• Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais
Peçonhentos, FUNASA 2001
55
UNICAMP
2020
56
Clínica Médica
Orientações ao aluno:
• Você terá 2 minutos para leitura do caso clínico antes do início da
estação
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
Cenário:
• Examinador
• Ator
Início da Estação
Caso Clínico:
Paciente de 50 anos apresenta há uma semana dificuldade de dormir,
portador de cirrose hepática.
Tarefa 01:
Realize o atendimento.
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• Relatava que estava trocando o dia pela noite e que tinha dificuldades
para se concentrar;
• Era etilista de grande monta, mas que já tinha cessado há pouco tempo;
• Teve internação no início do ano devido hemorragia digestiva alta
quando fez o diagnóstico de cirrose hepática;
• Já tinha história de ascite prévia;
• Quando perguntado se havia ido em algum serviço médico, dizia que
tinha passado em outro serviço (UBS). Neste momento o ator entregava
uma receita e nela havia a prescrição de diazepam, sem melhora do
quadro;
• Negava medicações de uso contínuo;
• Edema abdominal há uma semana sem dor ou febre;
• Tabagista de 20 maços/ano;
• Ao ser perguntado se o paciente tinha histórico de hepatite, o mesmo
negava.
Tarefa 02:
Realize APENAS UM sinal clínico que auxiliará no diagnóstico.
58
Tarefa 03:
Forneça 4 condutas para o caso.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
1) Apresentou-se (nome e função)?
2) Questionou dados de identificação (procedência, religião,
estado civil, profissão)?
3) Questionou hematêmese e melena?
8) Questionou etilismo?
9) Questionou tabagismo?
59
Tarefa 02
13) Indicou realização de flapping como principal sinal
clínico a ser pesquisado?
14) Pesquisou flapping espontâneo e após estímulo com
dorsiflexão forçada de mãos?
Tarefa 03
14) Suspendeu Diazepam?
Debriefing
E aí? Mandaram bem na estação ou tiveram dificuldades? Vem comigo para
a gente passar a régua neste tema...
60
organismo, em especial a amônia que é apontada como uma das principais
toxinas que causam efeitos deletérios ao sistema nervoso central.
"CHILD"
C = Constipação intestinal
L = ALcaLose Metabólica
É importante ressaltar (iremos bater nessa tecla várias vezes ao longo do ano...)
a necessidade de se ter um atendimento sistematizado, especialmente na
prova da UNICAMP, que é predominantemente ambulatorial. Então, além
de questionar esses fatores predisponentes, o candidato devia perguntar a
respeito dos próprios sintomas da EH, os quais são bastante heterogêneos e
inespecíficos, variando de leves (às vezes praticamente imperceptíveis) até
muito graves. Assim, diante de uma prova, temos sempre que pensar em EH
no paciente que apresentar: MUDANÇA NO PADRÃO DE SONO e/ou
FLAPPING. Não podemos esquecer que o flapping não é patognomônico de
61
EH, podendo ocorrer em outras condições, tal como na síndrome urêmica,
mas é um achado tipicamente relacionado à EH, sendo este o motivo pelo
qual era necessário pesquisar o sinal na Tarefa 02. Vejam na tabela 1 abaixo
a classificação de West-Haven que classifica a EH em relação a gravidade de
suas variadas manifestações clínicas:
62
Ainda, se o quadro é acompanhado de ascite volumosa ou que vem em
piora associada ou não a febre e dor abdominal, devemos obrigatoriamente
realizar uma paracentese no indivíduo. Infecção é um dos principais
fatores que levam à EH, e quando se está diante de um cirrótico com ascite,
sempre se deve ter em mente a peritonite bacteriana espontânea (PBE).
Não raramente, o quadro de PBE pode ser oligossintomático, parecido
com o quadro clínico descrito na estação da UNICAMP, e isso obriga a
pesquisar tal condição através de uma paracentese com análise do líquido
ascítico (motivo pelo qual o procedimento provavelmente se encontrava no
checklist da tarefa 03).
Além das medidas citadas acima, lactulose deve ser iniciada no paciente
com EH, pois esta apresenta efeito laxativo e diminui a produção de
amônia (através da acidificação do pH intestinal). Após introdução da
lactulose, deve-se ter como objetivo 2 – 4 evacuações pastosas ao dia. Se
não ocorrer melhora do quadro após 48 horas da introdução de lactulose,
podem ser associados antibióticos ao esquema medicamentoso. Dentre os
antibióticos, a rifamixina é a droga de escolha, entretanto não se encontra
disponível no Brasil. Como alternativas, temos como opções a neomicina e
o metronidazol.
Por fim, é importante frisar que não se recomenda mais o uso de restrições
proteicas importantes, devido ao risco de desnutrição desses indivíduos,
o que pode piorar ainda mais o quadro clínico. Associada a essa medida,
também é necessário ofertar uma ingesta calórica adequada na dieta desses
pacientes.
Pessoal, esses são os principais conceitos que vocês não podem esquecer
diante de uma estação que cobre EH. Prestem bastante atenção pois este é
63
um tema que pode voltar a cair este ano! Bons estudos e qualquer dúvida
estou à disposição.
REFERÊNCIAS:
• VELASCO, Irineu Tadeu; BRANDÃO NETO, Rodrigo Antonio;
SOUZA, Heraldo Possolo de; et al. Medicina de emergência: abordagem
prática. [S.l: s.n.], 2019.
• Ferenci MD. Hepatic encephalopathy in adults: Treatment. Post TW,
ed. UpToDate. Waltham, MA: UpToDate Inc. http://www.uptodate.com
(Acessado em 24/04/2020).
• Damiani, Daniel; Laudanna, Natalia; Barril, Caio; Sanches, Rafael;
Borelli, Natalie Schnaider; Damiani, Durval. Encefalopatias: etiologia,
fisiopatologia e manuseio clínico de algumas das principais formas de
apresentação da doença. Rev. Soc. Bras. Clín. Méd;11(1), jan.-mar. 2013.
64
Cirurgia Geral
Orientações ao aluno:
• Você terá 2 minutos para leitura do caso clínico antes do início da estação
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
Cenário:
• Examinador
• Ator sentado na maca e 2 exames complementares ao seu lado (ECG e
Rx de tórax)
Início da Estação
Caso Clínico:
Você está no PS e prestará atendimento a um paciente jovem, do sexo
masculino, com desconforto respiratório, e importante dor em tórax à
esquerda que irradia para membro superior esquerdo. Ao adentrar a sala,
você terá dois exames complementares disponíveis ao lado do paciente.
Tarefa 01:
Realize o atendimento e dê a hipótese diagnóstica.
Ao ser questionado:
1. Paciente 33 anos, solteiro;
65
2. Falta de ar começou subitamente durante o trabalho (trabalhava em um
escritório);
3. Tabagista pesado (30 maços/ano);
4. Negava doença pulmonar, tosse, febre, história de trauma ou episódios
prévios com as mesmas sintomatologias;
5. Negava etilismo, comorbidades, uso de medicações contínuas, alergias,
negava história familiar de doenças cardiovasculares.
66
Tarefa 02:
Qual a sua conduta para o caso?
Tarefa 03:
Descreva o procedimento.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
1) Apresentou-se (nome e função)?
67
2) Questionou dados de identificação (procedência, religião,
estado civil, profissão)?
3) Questionou características da dor? (pelo menos 3:
localização, irradiação, intensidade, característica, duração,
associação com inspiração profunda)
4) Questionou tempo de início e duração da dispneia?
5) Questionou presença de sintomas associados (tosse e
febre)?
6) Questionou tabagismo?
8) Questionou etilismo?
Tarefa 02
15) Indicou drenagem torácica em selo d’água?
Tarefa 03
16) Explicou o procedimento para o paciente e solicitou
consentimento?
17) Paramentou-se (luvas, máscara, gorro, óculos e avental
impermeável)?
68
18) Assepsia e antissepsia?
Debriefing
Excelente estação cobrada pela Unicamp! Fugindo um pouco do padrão
da instituição e das demais provas, optaram por mesclar uma prova de
atendimento ambulatorial com uma prova de procedimento.
69
estes são cobrados, o que vemos é “apenas” o pedido de descrição verbal do
procedimento em questão. Isso por diversos motivos: manequins são caros
e, para que a dinâmica da prova prática ocorresse, seriam necessários vários
deles em diferentes salas, aumentando bastante o custo. Outro ponto:
imaginem só quantos candidatos iriam fazer uso desses manequins, ao
final do concurso, o destino deles seriam um só: lixo! E, por fim, em alguns
casos, o uso deles poderiam ferir o conceito de isonomia da prova - pensem
comigo, uma estação de acesso venoso em que você teria que realizar uma
punção, o primeiro candidato teria que realmente alinhar a teoria com a
anatomia do boneco para puncionar um acesso corretamente; já o último,
não, ele precisaria apenas acertar o furo mais destacado, bem provável o
caminho certo ser aquele.
Dito isso, vamos ao que interessa: discutir a estação em jogo! Assim como
rolou na prova, vamos dividir o nosso debriefing em 2 momentos: 1. revisar
a teoria do pneumotórax espontâneo primário; 2. descrever o passo a passo
da drenagem torácica. Quem vem comigo?
70
Outro exemplo ilustrativo: caso queira pedir uma TC de abdome em
alguma estação, daqui para frente, use a seguinte linguagem: tomografia
computadorizada de abdome superior/inferior/total com/sem contraste.
Habitue-se, peque pelo excesso e não deixe margem para que o examinador
não te dê a pontuação integral do item avaliado, combinado?
Essa distância deve ser medida do ápice pulmonar até a extremidade apical
71
da cavidade pleural. Sendo assim, naqueles de pequena magnitude (menores
que 3 cm) e assintomáticos, a conduta é conservadora. Já nos de grande
magnitude (maiores que 3 cm) ou sintomáticos, o desfecho é a drenagem.
72
para curativo; paramentação com touca, óculos, máscara, avental estéril,
luva estéril. Partimos então para o passo a passo:
73
3. Pulou algum passo e se lembrou mais para frente? Tente introduzir essa
etapa no meio do seu discurso. Por exemplo: você está inserindo o seu dreno
e esqueceu de posicionar o paciente; use termos como: “considerando que
o paciente está posicionado em decúbito dorsal, com o membro superior
ipsilateral em abdução e a mão apoiada sobre a cabeça...”. Vai dar certo?
Pode ser que sim e isso já vale a tentativa! Malícia de prova: o “não” você já
tem;
4. Fale SEMPRE em voz alta cada etapa do procedimento, não dê margem
para o examinador deixar algo “passar batido” e você perder item de
checklist;
5. Revise, revise e revise quantas vezes forem necessárias esse passo a passo,
até que ele saia automaticamente, sem precisar de sinapse!
REFERÊNCIAS
• SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica
moderna. 20a ed. Saunders. Elsevier.
• HUGGINS, J. T. Large volume thoracentesis. UpToDate, 2019.
• Lyra RM. A etiologia do pneumotórax espontâneo primário. J. Bras.
Pneumol. 2016 Mai- Jun; 42(3): 222-6.
• Andrade Filho LO, Campos JR, Haddad R. Pneumotórax. Jornal
Brasileiro de Pneumologia. 2006 Aug; 32: S 212-216.
74
Ginecologia
e Obstetrícia
Considerada por muitos como a estação mais difícil da prova prática da
UNICAMP 2020. Bora dominá-la?
Orientações ao aluno:
• Você terá 2 minutos para leitura do caso clínico antes do início da
estação
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
Cenário:
• Examinador
• Atriz
Início da Estação
Caso Clínico:
Paciente de 26 anos, gestante, veio para atendimento de rotina.
Tarefa 01:
Realize o atendimento.
75
papel em branco para o candidato calcular a idade gestacional a qual era
de 13 semanas;
• Não usava ACO ou preservativo;
• Fazia uso de maconha (conforme relato de alguns candidatos, quem não
perguntou ativamente sobre o uso de drogas não recebia a informação da
atriz). Quando questionada sobre fumar ela respondia que não fumava
cigarro;
• Negava comorbidades;
• Nega uso de medicações e alergias;
• Nega cirurgias prévias;
• Negava sangramento vaginal, dor;
• Relatava corrimento vaginal com odor forte, sem prurido; sem úlcera;
(aqui novamente quem não perguntou sobre corrimento, não recebeu a
informação);
• Ao ser solicitado sobre a carteirinha da gestante, a mesma entregava
um cartão com alguns exames já realizados sem resultados. Ainda não
possuía carteirinha.
Geral:
BEG, LOTE, normocorada, hidratada, acianótica, anictérica, afebril ao
toque.
Respiratório: Sao2: 98%, FR: 21 IRPM, Ausculta: MV+ bilateralmente, sem
ruídos adventícios.
Cardiovascular: FC: 88 BPM, PA: 110x60 mmHg, Ausculta: BCNF, RR2T,
sem sopros.
Abdome: levemente globoso, RHA+, ausência de dor à palpação superficial
e profunda, ausência de visceromegalias e tumorações palpáveis.
76
Ginecológico:
À inspeção estática nota-se ausência de úlceras e vesículas na região
vulvovaginal.
Obstétrico:
Altura uterina 13 cm
BCF: 145 BPM
Tarefa 02:
Cite dois diagnósticos possíveis e classifique a gestante quanto ao risco.
Tarefa 03:
Solicite 7 exames além dos solicitados (já haviam sido solicitados pela
enfermagem: VDRL, hepatite B, glicemia).
Tarefa 04:
Indique a conduta para o caso.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
77
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
1) Apresentou-se (nome e função)?
2) Questionou dados de identificação (procedência, religião,
estado civil, profissão)?
3) Questionou DUM?
5) Calculou DPP?
78
16) Questionou sobre alergias?
Tarefa 02
21) Citou como diagnósticos vaginose bacteriana e
dependência química?
22) Citou que a gestação é de alto risco?
Tarefa 03
23) Solicitou tipagem sanguínea e fator Rh?
Tarefa 04
30) Encaminhou paciente ao pré-natal de alto risco?
31) Tratou o corrimento vaginal com metronidazol ou
clindamicina?
79
32) Orientou interromper o uso da maconha?
Debriefing
Turma, questão típica de pré-natal na prova prática de da UNICAMP 2020.
Nessa estação, temos alguns pontos cruciais em que se o aluno se esquecesse,
ele perderia alguns pontos no checklist: perguntar especificamente sobre
o uso de maconha e sobre corrimento; e pedir o exame ginecológico/
obstétrico completo. Mas veja que a anamnese novamente teve grande peso
na composição da nota final da estação, e isso é um clássico da UNICAMP.
Vá preparado para realizar uma boa/ótima/excelente anamnese! Assim
você vai conseguir pontos preciosos.
80
CLASSIFICAÇÃO DO RISCO GESTACIONAL
Outro ponto importante durante a primeira consulta, e revista nas demais
consultas, é classificar o risco gestacional da paciente. O pré-natal de alto
risco abrange cerca de 10% das gestações que cursam com critérios de risco,
o que aumenta significativamente a probabilidade de intercorrências e
óbito materno e/ou fetal.
81
Desvio quanto ao crescimento
uterino, número de fetos e volume de
líquido amniótico; trabalho de parto
prematuro e gravidez prolongada;
Doença obstétrica na gravidez atual ganho ponderal inadequado; pré-
eclâmpsia e eclâmpsia; diabetes
gestacional; amniorrexe prematura;
insuficiência istmo-cervical;
aloimunização; óbito fetal.
Doenças infectocontagiosas
adquiridas durante a presente gestação
(ITU, doenças do trato respiratório,
Intercorrências clínicas rubéola, toxoplasmose etc.); doenças
clínicas diagnosticadas pela primeira
vez nessa gestação (cardiopatias,
endocrinopatias).
82
9. Urina tipo 1 e urocultura (1ª consulta e 3º trimestre);
10. Teste de tolerância oral a glicose com 75g (entre 24 e 28 semanas se
glicemia de jejum de 1º trimestre < 92 mg/dL);
11. Swab vaginal e retal para pesquisa de Streptococcus do grupo B (entre 35
e 37 semanas se mãe sem indicação prévia de profilaxia).
E a ultrassonografia?
O ultrassom obstétrico não é um exame obrigatório de rotina no pré-natal,
pois não há comprovação científica que a sua realização tenha efeito na
morbimortalidade perinatal ou materna. Quando disponível ela deve ser
realizada da seguinte forma:
• Entre 5 a 9 semanas: medida do comprimento cabeça-nádega (CCN)
para confirmar a idade gestacional;
• Entre 11 e 14 semanas: morfológico de 1º trimestre (realização da
translucência nucal, ducto venoso e visualização do osso nasal);
• Entre 20 e 24 semanas: morfológico de 2º trimestre;
• 3º trimestre (opcional ou em casos de gestação de alto/risco/alteração
em exame prévio): avaliação dopplervelocimétrica ou do bem-estar fetal.
SUPLEMENTAÇÃO
1. Ácido fólico: deve ser ofertado na dose de 5mg/dia a partir de 90 dias
pré-concepção até no mínimo 14 semanas de gestação no intuito de evitar
defeitos do tubo neural. Contudo, muitos autores recomendam seu uso até
o fim da gestação para evitar anemia megaloblástica;
2. Sulfato ferroso: a suplementação deve ser realizada com 40-60 mg/dia
de ferro elementar ou 200-300 mg de sulfato ferroso antes das refeições, a
partir da 20ª semana.
VACINAÇÃO
Aqui não tem erro: vacinas de vírus vivo atenuado não devem ser
administradas! Já as vacinas compostas por partículas virais podem ser
dadas com segurança.
83
Toda gestante deve receber a vacina para influenza conforme a campanha
nacional, além do esquema para hepatite B caso não seja imunizada. Já
a vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular do adulto) foi incluída como
vacina obrigatória no Programa Nacional de Vacinação da gestante para
diminuir a incidência e mortalidade por coqueluche nos recém-nascidos.
Ela deve ser administrada a partir da 20ª semana e recomendada o mais
precocemente possível no puerpério caso a paciente não tenha sido vacinada
durante a gestação.
Estado Vacinal
Esquema
para Tétano
Esquema vacinal de dT completo,
Aplicar uma dose de dTpa a partir
independente da necessidade de
da 20ª semana de gestação.
reforço de dT
Aplicar as 2 primeiras doses de dT
Gestante não vacinada para dT ou com intervalo de 60 dias e a última
não sabe esquema vacinal prévio dose de dTpa, a partir da 20ª semana
de gestação..
Aplicar 1 dose de dT e 1 dose de dTpa
Gestantes vacinadas com uma dose (a partir da 20ª semana de gestação)
de dT com intervalo de 60 dias entre as
doses (mínimo 60 dias).
Completar esquema vacinal com 1
Gestantes vacinadas com duas doses
dose de dTpa, a partir da 20ª semana
de dTl
de gestação.
84
1. Vaginose Bacteriana
• Agente: o principal é a Gardnerella vaginalis.
• Quadro clínico: corrimento branco-acinzentado, fino, homogêneo, com
odor fétido que piora com menstruação e relação sexual.
• Diagnóstico: 3 dos 4 critérios de Amsel (1. Corrimento branco-
acinzentado, fino, homogêneo / 2. pH vaginal > 4,5 / 3. Teste das aminas
(Whiff/Snif) positivo / 4. Presença de Clue Cells (célula alvo) na
microscopia).
• Tratamento: metronidazol 500mg VO 12/12h por 7 dias ou clindamicina
VO (1ª linha em grávida no 1º trimestre segundo o MS).
2. Candidíase
• Agente: Candida albicans é a mais comum.
• Quadro clínico e diagnóstico: corrimento branco aderido, em nata de
leite, com muito prurido, pH < 4,5 e presença de pseudo-hifas (esporos)
na microscopia.
• Tratamento: miconazol creme 7 noites ou nistatina creme 14 noites ou
fluconazol 150mg VO dose única (segunda linha).
3. Tricomoníase
• Agente: Trichomonas vaginalis
• Quadro clínico e diagnóstico: corrimento amarelo-esverdeado bolhoso,
abundante, pH > 5 (> 5-6), presença de colo em framboesa no exame
especular, no teste de Schiller o colo fica com aspecto tigroide, e presença
de protozoário móvel no exame a fresco.
• Tratamento: metronidazol 500mg VO de 12/12h por 7 dias ou 2g dose
única.
E aí, galera? Espero que essa pequena e rápida revisão sobre pré-natal e
síndrome do corrimento vaginal tenha clareado um pouco a mente para a
realização de estações práticas e também da prova teórica.
A UNICAMP ama anamnese, portanto tem que ir para a prova prática com
o passo a passo de uma história clínica bem feita! Tenho certeza que você
85
irá arrebentar no final do ano! E se ficou alguma dúvida, estou à disposição.
REFERÊNCIAS:
• Gestação de Alto Risco – Manual Técnico, Ministério da Saúde, 2010.
• Atenção ao Pré-Natal de Baixo Risco – Cadernos de atenção básica,
Ministério da Saúde, 2012.
86
Pediatria
Fala, galera! Prontos para mais uma estação de Pediatria? Afinal, hoje é
quinta-feira! Vamos nessa?
Orientações ao aluno:
• Você terá 2 minutos para leitura do caso clínico antes do início da estação
• Tempo para realização da estação: 10 minuto
Cenário:
• Examinador
• Atriz
Início da Estação
Caso Clínico:
Criança de 8 anos vem à UBS trazido pela mãe com queixa de crises de falta
de ar e “chiado no peito” nos últimos meses. Veio para realizar uma consulta
de rotina.
Tarefa 01:
Realize o atendimento.
Quando questionada, a atriz informava sobre a criança:
• Apresentava crises desde mais nova, com piora evolutiva;
• Sem critérios de exacerbação aguda no momento;
• Apresentava sintomas noturnos pelo menos 1x/semana e sintomas com
exercícios físicos (não informava sobre os outros critérios do ABCD);
• Controle do ambiente inadequado;
87
• Negava tabagismo passivo;
• Quando questionada de antecedentes familiares, informava que o pai da
criança possuía bronquite na infância;
• Última internação há 1 mês pelo mesmo quadro, sem necessidade de
CTI / intubação, com uso das seguintes medicações desde a alta:
• Montelucaste sódico 5 mg 1cp/dia à noite
• Beclometasona 100 mg/puff 2 jatos de 12/12h com
espaçador
Quando solicitado o exame físico, era entregue uma placa com as seguintes
informações:
Tarefa 02:
Solicite 02 (dois) exames complementares:
Tarefa 03:
Indique a conduta para o caso.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
88
Checklist
Itens avaliados Sim Não
1) Apresentou-se (nome e função)?
2) Questionou dados de identificação (nome da mãe,
procedência, religião, profissão)?
3) Questionou período de início da dispneia?
89
17) Orientou a mãe sobre medidas de controle ambiental?
Debriefing
Galera, ASMA é um tema quente em qualquer prova que vocês forem fazer,
às vezes na pediatria, às vezes na clínica médica. Quando a gente se depara
com uma questão de asma, nossa primeira tarefa é identificar se aquela é
uma questão de asma no AMBULATÓRIO (como essa) ou CRISE AGUDA
DE ASMA.
90
2º Passo: Ajustar
• Tratamento de fatores de riscos modificáveis e comorbidades
• Estratégias não-farmacológicas
• Treinamento de técnica e adesão terapêutica
• Medidas farmacológicas
CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA
Pensando em diagnóstico de asma, devemos ter em mente que ele
é essencialmente clínico, mas, se existe um exame complementar
que definitivamente pode nos ajudar, é a espirometria com prova
broncodilatadora. Na Pediatria, esse é um exame que só consegue ser
realizado em crianças maiores de 5 anos e os achados típicos para essa
faixa etária demonstram obstrução ao fluxo aéreo, caracterizado por uma
relação VEF1/CVF <0,9, associado a uma resposta à prova broncodilatadora:
aumento maior ou igual a 12% do VEF1. Lembrando que esses critérios são
diferentes para crianças (6-11 anos) e adultos - veja mais no apêndice. Uma
outra observação importante (e que sempre cai nas provas): a espirometria
pode vir normal entre as crises, e isso não afasta o diagnóstico de asma.
91
CONTROLE DOS SINTOMAS
92
5) Coloque o medicamento em torno de 4 cm (ou 2 dedos) de distância da
sua boca.
6) Abra a boca e coloque a língua para fora.
7) Aperte, com seu indicador, o botão do dispositivo - você sentirá a
medicação ser expelida.
8) Inspire profundamente e segure a respiração por 5 a 10 segundos, para
depois expirar.
9) Caso necessite de outro jato, aguarde entre 15 e 30 segundos.
10) Caso seu medicamento inalatório tenha corticoide, reforçar com o
responsável a necessidade enxaguar / lavar a boca após. Caso a criança
tenha capacidade, informar que não é para deglutir a medicação.
MANEJO FARMACOLÓGICO
Para o manejo farmacológico adequado da asma, é fundamental entender
em qual step do tratamento o paciente se encontra. A imagem abaixo
veio do GINA 2020 para crianças entre 6 e 11 anos, onde podemos
entender que o nosso paciente se encontrava no step 4 do tratamento
(corticóide inalatório em dose moderada/alta + antagonista do receptor de
leucotrieno). No entanto, sem a prescrição do ß2-agonista de curta duração
93
(salbutamol, fenoterol) de resgate quando necessário e antes dos exercícios
físicos (conduta a ser tomada na tarefa). Ademais, a próxima etapa seria
encaminhá-lo para um serviço de referência para imunoterapia específica
(“vacina para alergia”).
94
Para concluir: quando usar espaçador em crianças?
• Crianças com ≤ 4 anos: espaçador com máscara facial
• Crianças com > 4 anos: peça bucal
Deu pra captar o que a estação queria de vocês? O básico da asma está
todo aí e pode ter certeza que você vai se deparar com alguma questão de
asma nas suas provas práticas! Estou à disposição caso tenha ficado alguma
dúvida.
Forte abraço,
Equipe Medway
Apêndice
Então, pessoal, esse apêndice é uma pequena parte complementar para vocês
terem acesso fácil aos critérios espirométricos utilizados pelo GINA 2020
para diagnóstico de asma de acordo com a faixa etária. Como nossa estação
foi de Pediatria, abordamos ao longo do debriefing apenas os critérios
pediátricos mas, lembrando que, tanto para prova prática como para a
prova teórica, é importante que vocês dominem os critérios, classificações
e tratamentos para cada faixa etária (< 5 anos; 6-11 anos e ≥12 anos).
ESPIROMETRIA:
95
• Aumento do VEF1 em 12% e 200mL para adultos (≥12 anos);
• Aumento do VEF1 em 12% para crianças (6-11 anos).
*Não pode ter recebido ß2 de curta nas últimas 4 horas ou ß2 de longa nas
últimas 15 horas.
O diagnóstico deve ser feito por teste terapêutico (grau de evidência D):
• Introduzir corticoide inalatório em baixa dose e ß2 agonista de curta
ação, se necessário, por 2 a 3 meses.
• A melhora dos sintomas durante o tratamento e o retorno dos sintomas
após a interrupção do tratamento reforçam o diagnóstico de asma.
• Devido ao curso variável da doença, o teste pode ser repetido em outras
ocasiões.
96
Considerado positivo em crianças com 4 ou mais episódios de sibilância
em 1 ano se tiverem 1 critério maior ou 2 menores.
REFERÊNCIAS
• Kliegman, R. Nelson Textbook of Pediatrics. Edition 21. Philadelphia,
PA: Elsevier, 2020.
• Burns, D. [et al]. Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria.
4a edição. Barueri, SP: Manole, 2017.
• Global Initiative for Asthma (GINA) 2020 disponível em: <https://
ginasthma.org/wp-content/uploads/2020/04/GINA-2020-full-report_-
final-_wms.pdf>
• Recomendações para o Manejo da Asma da Sociedade Brasileira de
Pneumologia e Tisiologia 2020.
97
Preventiva
Pessoal, essa é uma estação “simples”, porém muitos candidatos se sentiram
um pouco perdidos... Vamos tentar destrinchar aqui o que era preciso
fazer!
Orientações ao aluno
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
• Estação composta de 2 tarefas
Cenário:
• Examinador
• Atriz
• Objetos disponíveis na cena: 3 fotos, que mostravam a propria paciente,
a casa onde vivia e a rua em frente essa casa
Início da Estação
Caso Clínico:
Você é médico de uma equipe de saúde da família. A sua assistente social
identificou um problema e pediu para encaixar uma paciente de 63 anos
e solicita uma visita domiciliar. Complete a anamnese com a paciente e
então, responda às tarefas (o candidato podia ler as tarefas antes)
Tarefa 01:
Identifique 3 situações de risco conforme o projeto terapêutico singular.
98
• Paciente dizia que tinha sofrido amputação em MMII devido
complicações do diabetes, negava outras comorbidades.
• Quando questionada sobre uso de medicamentos , relatava uso irregular
de metformina.
• Queixava de dificuldades para ir à unidade de saúde, pois a rua de sua
casa era esburacada e sua cadeira de rodas estava quebrada.
• Morava com um sobrinho que trabalha fora o dia inteiro;
• Paciente relatava renda familiar baixa; relação de proximidade com a
vizinha; ganhava cesta básica da igreja;
• Quando questionada sobre a alimentação, tinha um padrão de dieta
inadequado pois tinha dificuldades para cozinhar. Relatava que tinha se
queimado ao tentar fazer comida no fogão;
• Relata que onde morava não havia saneamento básico.
Tarefa 02:
Determine 7 ações para serem realizadas de acordo com o caso.
Foto 01
Foto 02
99
Foto 03
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
1) Apresentou-se (nome e função)?
2) Pediu com cordialidade permissão para adentrar na casa
da paciente?
3) Questionou dados de identificação (procedência, religião,
estado civil, profissão)?
4) Questionou com quem a paciente morava?
100
9) Questionou sobre renda familiar?
10) Questionou sobre rede de apoio? (vizinhos, outros
familiares, igreja etc...)
11) Questionou sobre a alimentação da paciente?
12) Questionou sobre condições de saneamento da moradia
da paciente?
13) Identificou como condição de risco diabetes não
controlado?
14) Identificou como condição de risco alimentação
comprometida devido condições da paciente e insuficiência
de suporte familiar?
15) Identificou como condição de risco dificuldade de
mobilidade devido condição física e social da própria
paciente e ausência de infraestrutura no bairro onde mora?
16) Propôs solicitar apoio matricial do NASF?
17) Propôs que o ACS poderia levar as medicações da
paciente em sua casa?
18) Propôs manter uma regularidade de visitas domiciliares
para a paciente devido dificuldades de acesso à UBS?
19) Propôs articular com profissional do serviço social
do NASF para intermediar com órgãos competentes
possibilidade de conserto ou troca de cadeiras de rodas da
paciente?
20) Propôs articular com profissional do serviço social
do NASF para intermediar acionamento de entidades
responsáveis pela infraestrutura do bairro?
21) Propôs realização de ecomapa para avaliar apoio e
suporte à paciente (Igreja / vizinhos)
22) Propôs inscrição da paciente no programa Bolsa Família?
101
23) Propôs marcar nova visita domiciliar na qual o sobrinho
esteja presente para discutir possibilidades de apoio e
suporte a tia?
Debriefing
Você, ao ler o enunciado da questão, deve ter se perguntado: “E agora, como
eu conduzo essa estação?”. Pior ainda deve ter sido para os candidatos que
prestaram esse concurso e foram conversar com os colegas ao final da prova
: cada um conduziu de um jeito e a questão permitia uma ampla gama de
respostas!
102
• Elaborando um plano conjunto dos manejos dos problemas;
• Incorporando prevenção e promoção de saúde;
• Intensificando o relacionamento entre pessoa e médico;
• Sendo realista.
A partir disso, quais perguntas eram relevantes para a paciente dessa estação?
103
candidato fosse o tempo para enumerá-las. Vamos destrinchar uma a uma
das ações que nós da Medway propusemos como respostas:
104
A paciente não possuía fonte de renda e praticamente não saía de casa,
logo, um dos poucos contatos com serviços públicos era com você, médico.
Cabia então o esclarecimento sobre este benefício a que ela tem direito.
• Propôs marcar nova visita domiciliar na qual o sobrinho esteja presente
para discutir possibilidades de apoio e suporte a tia?
Pessoal, para ir bem nessa questão, o ponto principal era aplicar o método
clínico centrado na pessoa e identificar problemas e soluções para além
da diabetes, levando em consideração o contexto social de fragilidade da
paciente.
Espero ter ajudado a clarear um pouco sobre o que fazer nessa estação! Um
grande abraço e muito sucesso nos estudos!
Equipe Medway
REFERÊNCIAS:
• Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento
de Atenção Básica. Caderno de atenção domiciliar / Ministério da Saúde,
Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. –
Brasília : Ministério da Saúde, 2013.
• Medicina Centrada na Pessoa: Transformando o Método Clínico
Por Moira Stewart, Judith Belle Brown, W. Wayne Weston, Ian R.
McWhinney, Carol L McWilliam, Thomas R.Freeman, 2017.
105
SCMSP
2020
106
Clínica Médica
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 8 minutos
• A estação é composta de 3 tarefas
Cenário:
• Examinador
• Manequim
• Objetos disponíveis na cena: esfigmomanômetro ao lado do manequim
Início da Estação
Caso Clínico:
Você é o médico do PS que vai atender o caso de um homem de 54 anos com
história de câncer de pulmão em tratamento há 8 meses. Foi trazido ao PS
por conta de um quadro agudo de náuseas, dor abdominal, vômitos e que
evoluiu com rebaixamento do nível de consciência.
Ao exame:
GERAL: Mau estado geral, sonolento, desidratado (+/4), descorado (+/4),
acianótico, anictérico, afebril, hiperpigmentação cutânea em região de
pregas e mucosa oral;
ACV: RCR 2T BNF sem sopros. PA = 80 x 50mmHg; FC = 120bpm
107
AR: MV+ com roncos esparsos em bases bilateralmente. FR = 22; SatO2 =
89%
AGI: Levemente distendido, descompressão brusca negativa, RHA+
Membros: Sem edemas, panturrilhas livres
Tarefa 01:
Cite o diagnóstico etiológico; indique a terapêutica medicamentosa para
o paciente dentro do ambiente de emergência.
Tarefa 02:
Solicite os exames pertinentes para o caso (Ver quadro 1).
Tarefa 03:
Descreva a técnica de pesquisa de hipotensão postural e indique os
parâmetros de PA sistólica e diastólica que corroboram alteração (Ver
quadro 2).
Quadro 1
HB 10 HT 38% VCM 82 CHCM 29 Leucócitos totais 13000 Neutrófilos 38%
Linfócitos 50% Eosinófilos 9% Monócitos 1% Basófilos 1%
Sódio 114 Potássio 6,5 Cálcio 11,5 Dextro 43
Outros exames laboratoriais se solicitados: não disponíveis.
Exames de imagem: não disponíveis.
Quadro 2
PA em decúbito: 80 x 60 mmHg
PA em posição ortostática: 72 x 48 mmHg
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
108
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
1. Escreveu como diagnóstico insuficiência adrenal primária
OU Doença de Addison?
2. Indicou hidrocortisona EV?
4. Indicou oxigenoterapia?
Tarefa 02
5. Solicitou função renal (ureia, creatinina)?
6. Solicitou hemograma?
7. Solicitou sódio?
8. Solicitou potássio?
8. Solicitou cálcio?
9. Solicitou dextro?
Tarefa 03
10. Descreveu de maneira adequada a pesquisa de hipotensão
postural (aferição da PA em decúbito/sentado e posterior
aferição em ortostase após 3-5 minutos)?
11. Deu o diagnóstico de hipotensão postural?
12. Justificou o diagnóstico de maneira adequada (queda
da PA diastólica maior que 10 mmHg)?
109
Debriefing
Curtiram mais essa estação de Clínica Médica, galera? Acham que acertariam
o diagnóstico no “calor” da prova prática? Essa estação cobrou um tema
que não é frequente de aparecer em provas práticas, mas a Clínica Médica
pode ser uma caixinha de surpresa e temas diversos podem aparecer. Vamos
passar a limpo esse assunto pois, caso ele volte a aparecer, você irá gabaritar
a estação!
110
comprometida), secundária (hipófise comprometida) e terciária (hipotálamo
comprometido).
111
poderia responder com segurança que se tratava de um possível quadro
de insuficiência adrenal primária (lembrem que a insuficiência adrenal
primária é caracterizada por elevação de ACTH, diferente das formas
secundária/terciária nas quais este pode estar normal ou diminuído)
112
dosagem do cortisol sérico basal ou o teste da cortrosina, bem como exames
de imagem, o examinador informava que não estavam disponíveis.
Ufa! Estação difícil, né? No ano da prova não foram poucos os candidatos
que não conseguiram ir bem na estação. Mas, a partir de agora, se voltar a
cair vocês vão gabaritar!
REFERÊNCIAS
• 1. VELASCO, Irineu Tadeu; BRANDÃO NETO, Rodrigo Antonio;
SOUZA, Heraldo Possolo de; et al. Medicina de emergência: abordagem
prática. [S.l: s.n.], 2019.
• 2. Longo, DL et al. Harrison’s Principles of Internal Medicine. 20th ed.
New York: McGraw-Hill, 2018.
• 3. MARTINS, Milton de Arruda. Manual do Residente de Clínica
Médica. 2° ed. São Paulo: Manole, 2017
113
Cirurgia Geral
Vamos para mais uma estação de trauma? Desta vez com enfoque especial
em um aspecto específico. Animados?
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 8 minutos
• A estação é composta de 4 tarefas
Cenário:
• Examinador
• Manequim
• Objetos disponíveis na cena: colar cervical, estetoscópio, máscara de
O2, material para intubação, abocath, soro fisiológico
Início da Estação
Caso Clínico:
Você é o médico de um PS de um hospital terciário e tem à sua disposição
todos os equipamentos necessários e conta com todas as especialidades de
sobreaviso. Você vai atender um homem de 20 anos que foi atingido por
um taco de beisebol na cabeça e foi trazido pelos amigos com um galo na
cabeça.
Exame físico:
A: Vias aéreas pérvias (vocaliza ao chamado);
B: Sem alterações à inspeção, percussão, palpação e ausculta. FR = 17 irpm.
SatO2 = 97% em ar ambiente;
114
C: PA = 120 x 78 mmHg; FC = 94 bpm; Pulsos centrais e periféricos amplos
e palpáveis; Abdome flácido, indolor, DB-, RHA+. Pelve estável;
D: Pupilas isofotorreagentes e anisocoria à direita, abertura ocular ao
chamado, retirada do MSD com flexão normal, hemiplegia à esquerda,
resposta verbal com palavras desconexas;
E: Edema subgaleal em região occipital. Sem outras alterações.
Tarefa 01:
Realize o atendimento primário.
• Essas informações do exame físico já constavam no caso clínico, portanto,
na tarefa 01, basicamente você precisava repetir as etapas adicionando
aquilo que estivesse faltando.
• Detalhe: embora rica em objetos, bastava verbalizar suas ações. Você
descobria isso logo no A ao passar o colar cervical no manequim: o
examinador te interrompia falando que não era necessário demonstrar.
Tarefa 02:
Calcule e descreva a pontuação de cada item da Escala de Coma de Glasgow.
• Neste momento, o examinador te entregava uma folha e nela você tinha
que escrever a pontuação específica de cada item da escala (abertura
ocular, resposta verbal e melhor resposta motora) e a pontuação final;
• Você poderia voltar para esta tarefa a qualquer momento, caso estivesse
inseguro com a conta. Matemática mandou lembranças!
Tarefa 03:
Indique o exame que você solicitaria neste
momento.
• Voltava a interação candidato - examinador
• Ao solicitar o exame, independentemente
se estava correto ou não, o examinador te
mostrava a imagem ao lado: uma tomografia
computadorizada de crânio sem contraste,
essencial para a formulação da hipótese
diagnóstica solicitada na próxima tarefa.
115
Tarefa 04:
Qual a sua hipótese diagnóstica?
• Neste momento, o candidato voltava para a folha e escrevia sua hipótese.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
1. Paramentou-se? (especificar: touca, óculos, máscara, luva)
(Considerar apenas se paramentação antes do início do
exame físico)
2. Apresentou-se e se definiu como médico?
116
11. Expôs completamente o paciente à procura de lesões e
citou preocupação com hipotermia (E)?
Tarefa 02
12. Citou nota 3 para abertura ocular?
Tarefa 03
16. Indicou tomografia de crânio sem contraste?
Tarefa 04
17. Citou como diagnóstico: hematoma extradural OU
epidural secundário a um traumatismo cranioencefálico
OU craniano?
Debriefing
Que o tema trauma cai ano sim e ano também você já sabe; que o nosso
mantra dessas estações é o ABCDE também não é nenhum segredo. Por
que, então, gastar seu precioso tempo lendo este documento? Simples,
lembra também que, a cada estação de trauma, um enfoque diferente? Nesta
estação da Santa Casa a bola da vez foi traumatismo cranioencefálico, tema
QUENTE de prova teórica, agora explorado de uma maneira inovadora
nesta grande instituição! Vamos nessa?
117
A = Airway - via aérea: é por onde o nosso atendimento se inicia! Aqui
vos alerto: qualquer outro procedimento para estabilizar o paciente que
seja realizado antes da verificação da perviedade das vias aéreas será
completamente em vão! Como avaliamos então? Através da fonação! E
aqui o paciente vocalizava, alguma dúvida que essa via aérea estava pérvia?
Nenhuma, espero! Vamos para o B? NÃO! Qual o irmão inseparável da
via aérea? A estabilização da coluna cervical! Perceba, o nosso paciente
estava sem colar cervical, então você era obrigado a reconhecer e indicar
a passagem! Por mais que o colar estivesse presente ali na cena, bastava
verbalizar.
Sempre que adentrar uma estação de prova prática, repare no cenário, mas
o observe com um olhar crítico. Muitas vezes ele pode te ajudar a lembrar
alguma etapa importante da condução do seu atendimento, outras vezes
ele pode te atrapalhar, colocando um material ali sem o menor sentido,
apenas para que você se enrole, tentando encaixar aquilo em alguma
etapa. Exemplo prático que ocorreu nesta estação: tínhamos a presença
de colar cervical, máscara de oxigênio, abocath - materiais importantes
para a condução deste caso, porém, ao mesmo tempo, tinha material para
intubação e vamos ver logo mais que não havia indicação de intubar este
paciente.
Por isso, repito: avalie o seu cenário SEMPRE com um olhar crítico!
118
examinador te falava em alto e bom tom que não era necessário, bastava a
simples descrição. Vida que segue!
Agora surge a dúvida: “neste caso, foi uma pancada na cabeça, entretanto,
ainda assim, o exame é essencial?” - Respondo: SIM, muito essencial! o
choque hipovolêmico nos pacientes com TCE não é decorrente do
sangramento intracraniano, esta perda sanguínea não é tão volumosa,
portanto o choque, quando presente, é ocasionado por uma hemorragia em
outro compartimento corporal! Tomou nota?
119
a conta seria abordada na tarefa 02. Portanto acalme os ânimos, logo mais
voltaremos com o nosso astro.
Abertura ocular (1-4 pontos) - avaliamos em: espontânea (4); a sons (3);
à pressão (2) e ausente (1). Notem que o estímulo doloroso deu espaço ao
estímulo à pressão, apertando a ponta dos dedos do paciente.
Resposta verbal (1-5 pontos) - orientado (5); confuso (4); palavras (3); sons
(2); ausente (1).
120
uma flexão espasmódica, processo denominado decorticação; extensão (2)
também denominado descerebração; por fim, resposta ausente (1).
Por que “melhor” resposta motora? Sempre devemos avaliar os dois membros
comparativamente e a nota dada é, pasmem, a melhor! Isso confunde
MUITA gente, foi explorado nesta estação e adivinhe? Muitos caíram na
pegadinha!
Muita informação de uma só vez? Revise o que foi visto até aqui no quadro
abaixo:
121
Escala de Coma de Glasgow
Parâmetro Resposta obtida Pontuação
Abertura ocular Espontânea 4
Ao estímulo sonoro 3
Ao estímulo de pressão 2
Nenhuma 1
Resposta verbal Orientada 5
Confusa 4
Verbaliza palavras soltas 3
Verbaliza sons 2
Nenhuma 1
Resposta motora Obedece comandos 6
localiza estímulo 5
Flexão normal 4
Flexão anormal 3
Extensão anormal 2
Nenhuma 1
Trauma leve Trauma moderado Trauma grave
13-15 9-12 3-8
Reatividade pupilar
Inexistente Unilateral Bilateral
-2 -1 0
122
Precisamos, agora, definir se este hematoma é subdural ou extradural.
Vamos às diferenças?
123
Hematoma subdural Hematoma extradural
Forte abraço,
Equipe Medway
REFERÊNCIAS:
• 1. AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS COMMITTEE ON
TRAUMA. Advanced Trauma Life Suport - ATLS. 10 ed. , 2018.
• 2. SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica
moderna. 20a ed. Saunders. Elsevier.
• 3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEUROCIRURGIA. Diretrizes do
Atendimento ao Paciente com Traumatismo Cranioencefálico.. Arq
Bras Neurocir 18(3) Edição Especial: 131-176
124
Ginecologia
e Obstetrícia
Está preparado para mais uma estação de GO? Vamos ver o que a Santa
Casa de São Paulo preparou para a gente no ano de 2020. Já adianto que
isso aqui não é brincadeira, não! Bora nessa, moçada!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 8 minutos
• A estação é composta por uma tarefa única
Cenário:
• Examinador
• Atriz
• Objetos disponíveis na cena: uma folha frente e verso com o plano de
parto de uma gestante com algumas dúvidas em relação a ele
Início da Estação
Caso Clínico:
Você vai atender uma paciente com 33 semanas de idade gestacional que
vem à consulta com algumas dúvidas em relação ao seu plano de parto.
O cartão de pré-natal não está disponível, porém a paciente está fazendo
seguimento adequado.
Tarefa Única:
Leia juntamente com a paciente o plano de parto dela e esclareça as dúvidas
125
Nesse momento a atriz começava a ler o plano de parto com você e o
candidato deveria responder aos questionamentos:
• Doutor, gostaria muito de ter meu parto em minha casa, junto ao meu
marido e minha família. Tenho autorização para realizar o parto em
casa?
• Durante todo meu trabalho de parto gostaria de ser acompanhada por
meu marido e minha doula. Isso é possível?
• Durante meu trabalho de parto tenho muito medo de ficar em jejum
e no final estar sem forças para ajudar meu filho a nascer. Por isso,
gostaria que me fosse oferecida o seguinte tipo de comida: banana,
maçã, gelatina, sopa, isotônico, açaí com granola. O senhor libera esses
alimentos durante meu trabalho de parto?
• Meu outro grande medo é sentir dor na hora do parto. Sempre esperei
por este momento e não quero que a dor o estrague. Gostaria de saber se
tenho direito à analgesia quando eu a solicitar? Como ela é feita?
• Estava pesquisando na internet e vi que a ruptura da bolsa pelo médico
e a episiotomia são de rotina para parto normal. Isso é verdade?
• Além disso, me falaram que o toque vaginal é realizado de hora em hora.
Isso é realmente necessário?
• Outro ponto que tenho muita dúvida é em relação a melhor posição
para o parto. Acho aquela posição ginecológica muito desconfortável.
Qual a orientação do senhor em relação a melhor posição para o parto,
doutor?
• Também descobri na internet que o clampeamento tardio do cordão
umbilical é muito bom para o recém-nascido. O senhor poderia me
esclarecer quais as vantagens do clampeamento tardio e com quanto
tempo ele é feito? (nesse momento a avaliadora entregava ao candidato
uma folha com a pergunta: Qual o tempo considerado para clampeamento
tardio do cordão umbilical?)
• Após o nascimento do meu filho, gostaria que ele fosse direto para o
meu colo. Isso também é possível?
• Também gostaria de amamentar na primeira hora de vida. O senhor
poderia me explicar quais as vantagens da amamentação para mim e
para o meu filho?
126
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
1) Apresentou-se (nome e função)?
127
14) Citou as vantagens do clampeamento tardio do cordão
(menor risco de anemia, redução do risco de hemorragia
intraventricular, menor risco de enterocolite necrosante)?
15) Escreveu corretamente quanto tempo se considera como
clampeamento tardio (1-3 minutos)?
16) Citou as vantagens do contato pele a pele imediato
(pelo menos 2: aumento do vínculo mãe-filho, aumento da
produção de leite e de ocitocina, incentivo ao aleitamento
materno precoce, diminuição do risco de sangramento e
de infecção neonatal)?
17) Citou as vantagens do aleitamento materno para o RN
(pelo menos 2: diminuição da mortalidade, menor risco de
infecção respiratória e gastrointestinal, diminui risco de
alergias, hipertensão, dislipidemia e diabetes, reduz risco de
obesidade, melhora nutrição, desenvolvimento neurológico
e da cavidade bucal)?
18) Citou as vantagens do aleitamento materno para a mãe
(pelo menos 2: proteção contra o câncer de mama e ovário,
menor custo financeiro, evita nova gestação, promoção do
vínculo mãe-filho)?
19) Respondeu às perguntas de maneira clara e objetiva?
20) Certificou-se da compreensão e de que todas as dúvidas
da paciente foram sanadas?
Debriefing
Moçada, dessa vez a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo quis diferenciar
um pouco e colocou o candidato de frente com uma atriz (gestante) que
trouxe um plano de parto e tinha algumas dúvidas. A estação foi basicamente
estruturada em cima das “Diretrizes Nacionais de Assistência ao Trabalho
de Parto Normal” publicada em 2016 pelo Ministério da Saúde (MS) e que
traz o seguinte trecho: “Se a mulher tem um plano de parto escrito, ler
128
e discutir com ela, levando-se em consideração as condições para a sua
implementação, tais como a organização do local de assistência, limitações
(físicas, recursos) relativas à unidade e à disponibilidade de certos métodos
e técnicas.”
129
Dieta durante o trabalho de parto
As mulheres em trabalho de parto podem ingerir líquidos, de preferência
soluções isotônicas ao invés de somente água, e as gestantes que não estiverem
sob efeito de opioides ou não apresentarem fatores de risco iminente para
anestesia geral podem ingerir uma dieta leve. Além disso, antagonistas H2
ou antiácidos não devem ser usados de rotina, sendo reservados para as
mulheres que receberem opioides ou apresentarem fatores de risco que
aumentem a chance de uma anestesia geral.
130
Permitir a ingestão de líquidos e Antiespasmódicos e/ou fluidos
alimentos, pelas gestantes com baixo endovenosospara evitar atrasos no
risco de necessitar de anestesia geral. trabalho de parto
Encorajar a movimentação e posição
Ocitocina de rotina quando analgesia.
vertical.
131
Cuidados no terceiro estágio do trabalho de parto
O terceiro período do parto é o momento desde o nascimento do recém-
nascido até a expulsão da placenta e membranas. Devemos reconhecer que o
período imediatamente após o nascimento é um período bastante sensível,
quando a mulher e seus acompanhantes vão finalmente conhecer a criança,
e assegurar que a assistência e qualquer intervenção que for realizada leve
em consideração esse momento, no sentido de minimizar a separação entre
mãe e filho. Sendo assim, são recomendadas e contra-indicadas as seguintes
práticas:
E aí, galera? Perceba que algumas perguntas realizadas pela gestante não
foram fáceis. Algumas, inclusive, foram polêmicas. Mas toda a prova prática
foi elaborada em cima de uma diretriz do Ministério da Saúde e que deve
ser de conhecimento médico.
132
REFERÊNCIAS
• WHO recommendations: intrapartum care for a positive childbirth
experience. Geneva: World Health Organization; 2018.
• Diretriz Nacional de Assistência ao Parto Normal: relatório. Brasília.
Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS, CONITEC;
2016.
133
Pediatria
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 8 minutos
• A estação é composta de 3 tarefas
Cenário:
• Pronto Socorro
• Examinador
• Atriz
• Boneco
Início da Estação
Caso Clínico:
Você vai atender um lactente de 2 meses no PS, trazido pela mãe, com
queixa de vômitos.
Tarefa 01:
Realize o atendimento.
134
• Nega febre, diarreia, dor ou irritabilidade durante a alimentação; refere
boa aceitação alimentar com avidez na sucção.
• A mãe refere não estar amamentando porque, no início do quadro, ela
procurou diversos serviços que disseram que a criança tinha alergia à
proteína do leite de vaca mas, mesmo após suspender a ingestão de leite
e iniciar fórmula a base de soja, o quadro persiste.
• Nega comorbidades, alergias ou alterações no teste do pezinho.
• História Pré-Natal: RN pré-termo de 36 semanas (trabalho de parto
espontâneo), sem intercorrências no pré-natal ou logo após o nascimento.
Exame físico:
• Geral (vide foto ao lado): REG, descorado
(+/4+), desidratado, emagrecido, anictérico,
acianótico, afebril;
• N e u r o l ó g i c o : S o n o l e n t o , p u p i l a s
isofotorreagentes, ECG = 15;
• Aparelho Cardiovascular: Bulhas rítmicas,
normofonéticas, em 2 tempos, sem sopros;
PA = 72 x 53 mmHg; FC = 170 bpm;
• Aparelho Respiratório: Murmúrio vesicular
bem distribuído, sem ruídos adventícios, FR
= 34 ipm; SpO2 = 97% em ar ambiente;
• Abdome: Escavado, RHA+, timpânico, indolor, sem massas ou
visceromegalias, descompressão brusca negativa;
• Extremidades: bem perfundidas, pulsos periféricos cheios e simétricos,
sem edemas, TEC <2s.
Tarefa 02:
Solicite os exames complementares pertinentes ao caso e verbalize as
alterações identificadas.
Quando solicitado cada exame abaixo, era entregue uma placa com as
informações:
135
• Gasometria arterial: pH = 7,68; HcO3 = 48
• Eletrólitos: K = 2,3; Na = 137; Cl: 95
• Glicemia: 70
• Hemograma: sem alterações
• Função renal: Ur = 40; Cr = 0,5
• USG de abdome: Descrição - Espessamento da região pilórica e vesícula
biliar não
• visualizada. Sem outras alterações descritas.
• Outros exames: não disponíveis
Tarefa 03:
Escreva as hipóteses diagnósticas para o caso.
Após o fim da terceira tarefa, a mãe perguntava se o quadro poderia ser
causado por doença do refluxo.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
1. Apresentou-se (nome e função)?
136
6. Questionou sobre comorbidades e alergias?
Tarefa 02
11. Solicitou gasometria arterial?
Tarefa 03
21. Citou estenose hipertrófica do piloro como diagnóstico?
137
23. Citou alcalose metabólica hipoclorêmica hipocalêmica?
Debriefing
Vamos começar a destrinchar um tema muito comum nas nossas provas
de residência em Pediatria, por ser a causa mais frequente de obstrução
gastrointestinal em recém nascidos e lactentes menores de 3 meses: Estenose
Hipertrófica de Piloro (EHP)!
138
complementar é a Ultrassonografia (US) de abdome superior cujas alterações
estão demonstradas abaixo em imagens retiradas do Tratado da Sociedade
Brasileira de Pediatria (4a edição):
Fica claro, então, quais exames não poderíamos ter esquecido de pedir para
o nosso examinador. Lembrando que uma característica importante dessa
prova da Santa Casa era você verbalizar as alterações identificadas! Não
bastava apenas reconhecer e ficar calado.
139
correção de distúrbios proteicos e déficit de líquidos, até o nosso paciente
apresentar-se em condições ideias para abordagem cirúrgica.
140
Aqui, vamos abordar apenas as manifestações relacionadas com o trato
gastrointestinal: síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar,
proctocolite e enteropatia induzida por proteínas alimentares.
O “pulo do gato” para percebermos que o nosso caso não se tratava de APLV
estava no fato do antígeno já ter sido eliminado da dieta e o paciente não
ter apresentado alívio dos sintomas. Nesse caso, devemos sempre suspeitar
de outros diagnósticos.
Refluxo Gastroesofágico
É uma condição comum em lactentes, sendo fisiológico na maioria
das vezes. Sua evolução é benigna e autolimitada, dispensando o uso de
medicamentos ou exames diagnósticos. No entanto, uma pequena parcela
dos lactentes pode apresentar um quadro mais grave com recusa alimentar,
vômitos, regurgitações, perda ponderal, hematêmese, saciedade precoce,
sibilância e estridor, pneumonia de repetição, disfagia, esofagite, estenose
de esôfago e esôfago de Barrett.
141
Importante perceber que, nos casos graves e avançados de DRGE (que seria o
que poderíamos pensar como diagnóstico diferencial para o nosso paciente),
não se espera fome insaciável com boa sucção. Muito pelo contrário!
Esperaríamos um estágio de esofagite avançada, com dor retroesternal ao
deglutir, manifestando-se com recusa alimentar e saciedade precoce, além
dos outros sintomas citados acima.
Então, fica claro que a banca desenhou um caso bem típico de EHP, onde a
gente não tinha muito como se enrolar e isso é algo que tende a acontecer
sempre em provas práticas! A banca, via de regra, vai colocar casos clínicos
clássicos, bem descritos e “de livro” para a gente raciocinar em cima deles,
sem muita dúvida de diagnósticos diferenciais.
Grande abraço,
Equipe Medway
REFERÊNCIAS
• 1. Tratado de Pediatria da Sociedade Brasileira de Pediatria, 4a edição,
2017, editora Manole;
• 2. Nelson Texbook of Pediatrics, Robert Kliegman MD and Joseph St.
Geme MD, 21 edition, 2019, Elsevier.
142
Preventiva
Orientações ao aluno:
• Tema: Exposição sexual de risco
• Tempo para realização da estação: 8 minutos
Cenário:
• UBS
• Ator/examinador: 1 Examinador + 1 atriz
Início da Estação
Caso Clínico:
Você é o médico de família e irá atender uma adolescente de 15 anos que
terminou o namoro de 4 anos de duração há 1 dia e fez abuso de ingestão
etílica em uma festa junto com algumas amigas. Após a festa, a paciente
teve relação sexual desprotegida com desconhecido e procurou a UBS para
acolhimento.
Exame físico:
GERAL: BEG, corada, hidratada, anictérica, acianótica, afebril
Neuro: Vigil e orientada, PIFR, ECG = 15, sem sinais focais
ACV: RCR 2T BNF sem sopros; PA = 146 x 86 mmHg; FC = 78 bpm;
AR: MV+ SRA. FR = 17;
143
Abdome: Flácido, indolor, sem massas ou visceromegalias, descompressão
brusca
negativa, RHA+
Membros: Sem edemas
Tarefa 01:
Conduza o atendimento.
Quando questionada:
• Reforçava a história clínica (a paciente era da área do posto de saúde
mas não frequentava)
• A atriz estava com medo de engravidar;
• DUM há 30 dias;
• Negava abuso de outras drogas;
• A relação foi consentida;
• Negava uso de qualquer método contraceptivo;
• Quanto solicitados mais itens do exame físico, a examinadora dizia que
não era relevante;
• No cartão de vacina, não constava imunização para hepatite B;
• Quando questionada se havia alguma dúvida, a paciente perguntava
sobre a PA (146 x 86 mmHg);
• A paciente também não queria que os pais soubessem tanto do abuso de
álcool quanto da relação sexual (a atriz referiu boa relação com os pais e
negava abuso de outros tipos de drogas);
• A paciente queria colocar um DIU, mas perguntava se poderia fazer isso
sem o consentimento dos pais.
Tarefa 02:
Qual questionário você utilizaria para avaliar abuso de álcool e drogas na
adolescência?
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
144
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
1. Apresentou-se (nome e função)?
145
16. Indicou contracepção de emergência (levonorgestrel 1,5
mg VO dose única)?
17. Indicou necessidade de quimioprofilaxia para o HIV?
18. Prescreveu penicilina benzatina 1,2 mi UI IM em cada
nádega?
19. Prescreveu ceftriaxona 500 mg IM dose única?
Tarefa 02
29. Escreveu CRAFFT como questionário utilizado?
Debriefing
Pessoal, essa foi uma estação que abordava o atendimento após exposição
sexual de risco de uma adolescente, no ambiente da Unidade Básica de Saúde.
146
Nessa estação (e também na vida real), apenas abordar a contracepção de
emergência e profilaxias pós-exposição sexual é insuficiente para o caso.
Observe algumas informações que passam despercebidas no caso clínico:
a garota era moradora do território de abrangência da UBS, mas não
frequentava a unidade. Essa era uma oportunidade de criar um vínculo com
a paciente!
Outro ponto de checklist fácil de ganhar, mas que muita gente esquece:
cartão de vacina! Quando solicitado, a atriz entregava o cartão ao
candidato que identificaria que faltava vacinação para hepatite B. Logo,
indicar a atualização vacinal era mais um ponto certeiro! Você pode estar
se questionando: mas e a vacina para HPV? Não está indicada também? De
acordo com o calendário vacinal proposto pela SBIM (Sociedade Brasileira
de imunização), é uma vacina indicada, mas temos que lembrar que em
questões de prova, devemos seguir o calendário do Ministério da Saúde.
Infelizmente, para pacientes com mais de 14 anos, esta não é uma vacina
147
indicada no Calendário Nacional de Vacinação de 2020. Dica de ouro:
sempre estude e domine o Calendário de Vacinação ! Todo ano ocorrem
atualizações e é um tema muito abordado nas estações de todas as áreas.
De modo geral, no ambiente das UBSs, existem testes rápidos para HIV,
sífilis e hepatites B e C. Por serem baratos e mostrarem o resultado na hora,
são uma boa indicação. O candidato também poderia solicitar sorologias
para checar numa próxima consulta, mas lembre-se que é necessário
descartar a infecção prévia por HIV para iniciar a PEP, pois se a paciente
já foi infectada por HIV, você deveria indicar a terapia antirretroviral. Na
impossibilidade de fazer o teste rápido, inicie a PEP, não espere pelo exame
pois, após 72 horas, não há mais efeito preventivo.
Quando possível, deve ser testada a pessoa-fonte. Neste caso clínico, era
desconhecida, logo, a PEP com Tenofovir + Lamivudina + Dolutegravir
(TDF+3TC+DTG) por 28 dias, está indicada. Fique tranquilo, não era
necessário citar o nome das medicações!
148
poderá ser indicada quando a pessoa-fonte tiver história de exposição
de risco nos últimos 30 dias, devido à possibilidade de resultados falso-
negativos de testes imunológicos de diagnóstico (rápidos ou laboratoriais)
durante o período de janela imunológica.
149
perder o seguimento na UBS, pois precisa buscar resultados dos exames
para IST, investigar um possível quadro hipertensivo, além de discutir
sobre o melhor método contraceptivo. Também era necessário oferecer
encaminhamento para apoio psicossocial.
150
Galera, depois de toda essa discussão, temos certeza que vocês estão mais
do que preparados para gabaritar qualquer estação de exposição sexual de
risco!
Um forte abraço!
Equipe Medway
REFERÊNCIAS
• 1. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para Profilaxia Pós-Exposição
(PEP) de Risco à Infecção pelo HIV, IST e Hepatites Virais. MINISTÉRIO
DA SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saude Departamento de Vigilância,
Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/
Aids e das Hepatites Virais. 2018
• 2. PEREIRA, Bruna Antunes de Aguiar Ximenes; SCHRAM, Patricia
Franco Cintra and AZEVEDO, Renata Cruz Soares de. Avaliação da
versão brasileira da escala CRAFFT/CESARE para uso de drogas por
adolescentes. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2016, vol.21, n.1 [cited 2020-05-
04], pp.91-99. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S1413-81232016000100091&l ng=en&nrm=iso>. ISSN 1413-8123.
https://doi.org/10.1590/1413-81232015211.05192015.
151
UFPR
2020
152
Clínica Médica
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 6 minutos (sendo 1 minuto para
leitura de caso
• clínico inicial antes de entrar na sala e 5 minutos para realização das
tarefas)
• A estação é composta de 6 tarefas
Cenário:
• Examinador: 2 examinadores
• Objetos disponíveis na cena: um envelope sobre a mesa
Início da Estação
Caso Clínico:
Paciente, sexo masculino, 72 anos, ex-tabagista 40 maços-ano, chega
acompanhado de sua filha ao pronto atendimento em que você é o chefe
plantonista. Ela relata que há 2 dias seu pai está mais cansado que o habitual,
com falta de ar até para tomar banho. Além disso, começou a apresentar
também tosse produtiva com escarro amarelado. Relata não se recordar do
nome da doença de seu pai, mas que ele faz uso diário de formoterol. Nega
alergias medicamentosas.
153
Tarefa 01:
Qual a principal hipótese diagnóstica?
Tarefa 02:
Qual o distúrbio primário encontrado no exame?
Tarefa 03:
Qual o tipo/classificação de insuficiência respiratória deste caso?
Tarefa 04:
Qual o diagnóstico adicional neste momento?
154
Tarefa 05:
Qual é o dispositivo de via aérea não avançada indicado para este caso?
Verbalize a letra conforme dispositivo na imagem.
A) B)
C) D)
Tarefa 06:
Realize a prescrição no receituário, sem rasura, da ANTIBIOTICOTERAPIA
apenas. Utilize o nome genérico na prescrição medicamentosa. NÃO é
necessário prescrever outros medicamentos.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
155
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
1) Fez a hipótese diagnóstica de exacerbação do DPOC
(doença pulmonar obstrutiva crônica), ou DPOC exacerbado
(+/- de foco/sítio pulmonar).
Tarefa 02
2) Classificou corretamente o distúrbio primário (acidose
respiratória)?
Tarefa 03
3) Classificou corretamente a insuficiência respiratória
como tipo II ou hipercápnica?
Tarefa 04
4) Fez o diagnóstico correto de sepse (+/- foco/sítio pulmonar)?
Se fez diagnóstico de carbonarcose - pontuação parcial.
Tarefa 05
5) Escolheu adequadamente o dispositivo da alternativa
D (VNI)?
Tarefa 06
6) Prescreveu o antibiótico adequado?
Levofloxacino ou moxifloxacino ou ceftriaxona + azitromicina
ou cefotaxima ou Cefepime ou ceftazidima ou piperacilina-
tazobactam ou meropenem.
156
7) Prescreveu a dosagem adequada para o antibiótico de
escolha?
Levofloxacino 500/750mg ou moxifloxacino 400mg ou
ceftriaxona 1/2g + azitromicina 250/500mg ou cefotaxima
1/2g ou Cefepime 2g ou ceftazidima 2g ou piperacilina-
tazobactam 4,5g ou meropenem 1/2g.
8) Prescreveu a via de administração correta?
Levofloxacino VO/EV ou moxifloxacino VO/EV ou
ceftriaxona EV + azitromicina VO/EV ou cefotaxima EV ou
Cefepime EV ou ceftazidima EV ou piperacilina-tazobactam
EV ou meropenem EV.
9) Prescreveu a posologia correta?
Levofloxacino 1x/dia ou moxifloxacino 1x/dia ou ceftriaxona
1-2x/dia + azitromicina 1x/dia ou cefotaxima 8/8h ou Cefepime
8/8h ou ceftazidima 8/8h ou piperacilina-tazobactam 6/6h
ou meropenem 8/8h.
10) Prescreveu corretamente a duração do tratamento?
Levofloxacino 3 a 7 dias ou moxifloxacino 5 a 7 dias ou
ceftriaxona 5 a 7 dias + azitromicina 3 a 5 dias ou cefotaxima
5 a 7 dias ou Cefepime 5 a 7 dias ou ceftazidima 5 a 7 dias
ou piperacilina-tazobactam 5 a 7 dias ou meropenem 5 a
7 dias.
Debriefing
Estação clássica de atendimento de paciente com DPOC no contexto de
Pronto Atendimento que já caiu em outras instituições em anos anteriores:
caiu em 2020 na UFPR e pode voltar a cair novamente no próximo ano na
sua prova, pois é tema forte em prova prática! Concentração total neste
bate-papo que iniciaremos agora.
157
exposição a gases e/ou partículas nocivas associada a uma predisposição
individual para o desenvolvimento da doença. Classicamente, é associada
com história de tabagismo, estando esta presente em mais de 80% dos casos
de DPOC.
158
complementares que podem nos ajudar na avaliação da gravidade e a buscar
etiologias para a descompensação do quadro clínico. Dentre os exames que
podem ser solicitados, podemos citar hemograma, eletrólitos, função renal,
radiografia de tórax e gasometria arterial.
159
emergência (veja figura 1): taquipneia e alteração do estado mental. Assim,
na tarefa 04, o candidato deveria citar como diagnóstico adicional uma
provável sepse de foco pulmonar.
160
Feita a estabilização inicial do paciente, partimos para condutas que não
podem faltar em um paciente com exacerbação de DPOC associado a um
quadro de sepse de provável foco pulmonar. Assim, idealmente, deveríamos
iniciar ressuscitação volêmica e antibioticoterapia (idealmente na primeira
hora) associado a broncodilatadores e corticoide.
Curtiram mais esta estação? Observem que foi praticamente uma prova de
clínica médica oral/discursiva e esta é uma tendência que vem se repetindo
nos concursos pelo país. Aproveitem este material para treinar esse modelo
de estação!
REFERÊNCIAS
• 1. Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD). Global
Strategy for the Diagnosis, Management and Prevention of Chronic
Obstructive Pulmonary Disease: 2019 Report. www.goldcopd.org.
• 2. VELASCO, Irineu Tadeu; BRANDÃO NETO, Rodrigo Antonio;
SOUZA, Heraldo Possolo de; et al. Medicina de emergência: abordagem
prática. [S.l: s.n.], 2019.
• 3. Longo, DL et al. Harrison’s Principles of Internal Medicine. 20th ed.
New York: McGraw-Hill, 2018.
• 4. MARTINS, Milton de Arruda. Manual do Residente de Clínica Médica.
2° ed. São Paulo: Manole, 2017
161
Cirurgia Geral
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos + 1 minuto para leitura do
caso na porta
• A estação é composta de 4 tarefas
Cenário:
• Examinador
• Sem ator ou manequim
Início da Estação
Caso Clínico:
Paciente, 40 anos, sexo masculino, deu entrada na emergência do Hospital
das Clínicas com quadro de dor abdominal há cerca de 6 horas. Relata dor
localizada em região epigástrica e hipocôndrio direito, de início súbito,
do tipo pontada, sem irradiação e de forte intensidade (graduada em 9 na
escala de 0-10). Há aproximadamente uma hora, houve piora da dor, agora
latejante e em todo o abdome, dorso e ombro direito. Relata piora da dor ao
caminhar durante a vinda ao hospital, com melhora em posição antálgica.
Refere ainda náuseas e 3 episódios de vômitos com restos alimentares. Nega
outras queixas.
162
de ibuprofeno 600 mg de 8/8h. Nega outras comorbidades, nega alergia
medicamentosa.
Exame físico:
Geral: paciente em regular estado geral, lúcido, orientado em tempo e
espaço, acianótico, anictérico, afebril ao toque. Fácies de dor e imóvel ao
leito em posição antálgica.
Cardiológico: Ritmo cardíaco regular em dois tempos, bulhas
normofonéticas, sem sopros.
FC: 110 bpm PA: 130 x 90 mmHg
Respiratório: Murmúrio vesicular presente bilateralmente, sem ruídos
adventícios.
FR: 22 irpm SatO2: 96% em ar ambiente
Abdome: plano, tenso, RHA+ e hipoativo, timpanismo à percussão com
hipertimpanismo presente em loja hepática. Presença de hipersensibilidade
intensa à percussão, doloroso à palpação superficial difusa, ausência de
massas e visceromegalias. Descompressão brusca negativa.
Extremidades: ausência de edemas, tempo de enchimento capilar de 2
segundos, ausência de empastamento de panturrilhas.
Tarefa 01:
Solicite UM exame
• Independentemente do exame solicitado, o candidato recebia uma
radiografia de abdome.
163
Tarefa 02:
Qual achado no exame?
Tarefa 03:
Qual o diagnóstico? Justifique com base na história clínica.
Tarefa 04:
Qual a melhor conduta?
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
1) Solicitou somente radiografia de abdome / radiografia
de abdome agudo? 6 pontos.
2) Solicitou radiografia de abdome e outro método? 1 ponto.
Tarefa 02
3) Citou o achado de pneumoperitônio? 5 pontos.
Tarefa 03
4) Fez o diagnóstico de perfuração de víscera oca ou
perfuração de úlcera péptica / duodenal / gástrica? 5 pontos.
Tarefa 04
5)Indicou cirurgia de urgência (laparotomia/ laparoscopia)?
4 pontos.
164
Debriefing
Viram só? As definições de estação “direta” foram atualizadas com sucesso!
Sem mimimi, sem chance para o erro, ou sabe ou não sabe! E aqui, quem
dominasse o tema úlcera perfurada gabaritava a estação, sem segredos!
Preocupou? Depois de ler esse debriefing, volte na estação e veja o quanto
ela se torna simples!
Não tem jeito, tem que ir para a prova prática com uma teoria bem
consolidada, aqui não tinha ponto de apresentação pessoal ou higienização
das mãos. Neste tipo de estação, não saber do que se trata pode te derrubar!
Então, sem mais delongas, vamos fazer uma revisão sobre úlcera péptica
perfurada, dos fatores de risco ao tratamento, assunto muito frequente nas
provas e na vida. Tem que estar dominado!
Mas, antes, vamos dar 1 passo para trás e falar um pouco sobre ABDOME
AGUDO. O que é? Consiste em um quadro abdominal doloroso, súbito,
intenso, de etiologia não traumática. Existem diversas classificações, porém,
para a prova e para a vida, a que mais utilizamos é em relação à natureza
do processo determinante, assim, dividimos as causas em 5: inflamatório,
obstrutivo, perfurativo, isquêmico (vascular), e hemorrágico.
• Apendicite Aguda
• Pancreatite Aguda
Inflamatório / Infeccioso • Colecistite Aguda
• Diverticulite de Sigmóide
• DIP: Doença Inflamatória Pélvica
• Bridas e Aderências
• Hérnia de Parede Abdominal / Hérnia Interna
Obstrutivo
• Tumor
• Fecaloma
• Úlcera Perfurada e Trauma
Perfurativo • Doença Inflamatória Instestinal e Corpo
Estranho
• Infarto Intestinal
Vascular
• Aneurisma de Aorta Abdominal
• Gravidez Tubária Rota e Cisto de Ovário
Hemorrágico
Hemorrágico
• Rotura Espontânea do Baço, Rotura de Tumor
Hepático
165
Dentre estes, o perfurativo é o terceiro mais frequente, perdendo apenas para
o inflamatório e o obstrutivo. Tem etiologia variada, pode ser decorrente
de processos inflamatórios (úlcera péptica, Crohn), infecciosos (salmonella,
citomegalovírus, tuberculose intestinal), neoplásicos, ingestão de corpo
estranho e iatrogênicos (procedimentos diagnósticos e terapêuticos).
Apenas 1/3 dos pacientes com diagnóstico de úlcera péptica perfurada tem
conhecimento de DUP atual ou prévia e em 30% dos casos a perfuração é
a primeira manifestação da doença, semelhante ao que ocorre no caso em
questão.
166
agravada pelo movimento (o que leva o paciente a permanecer imóvel e em
posição antálgica), acompanhada por náuseas e vômitos, que pode evoluir
para generalizada e, em alguns casos, associa-se a sinais de choque e sepse
como hipotensão, síncope, febre, sudorese, taquicardia e taquipneia. Esses
são decorrentes da evolução da peritonite, inicialmente química (decorrente
da exposição da cavidade abdominal ao ácido clorídrico) e com posterior
proliferação bacteriana, originando o processo infeccioso.
167
Detalhe: a rotina de abdome
agudo será SEMPRE o 1º
exame a ser solicitado, porém
sua sensibilidade gira em
torno de 75%. Portanto, um
exame negativo não exclui
o diagnóstico. Nesses casos,
lançamos mão da tomografia
computadorizada, exame de
maior acurácia.
168
Foi? Agora vai lá e releia a prova, veja o quão fácil ela se torna e perceba a
magia acontecendo!
Forte abraço,
Equipe Medway!
REFERÊNCIAS:
• 1. SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica
moderna. 20a ed. Saunders. Elsevier.
• 2. Consenso do XXXI Congresso Brasileiro de Cirurgia. Aspectos
terapêuticos de suas principais etiologias. Suplemento esp; 2015.
• 3. Meneghelli UG. Elementos para o diagnóstico do abdomen agudo.
Medicina (Ribeirão Preto) 2003; 36:283-93.
169
Ginecologia
e Obstetrícia
GO é ou não é a melhor especialidade? Desta vez a UFPR trouxe uma
estação bem prática do dia a dia do obstetra. Prepare a emoção e o apito e
bora nessa, moçada!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos
• A estação é composta por 04 tarefas sequenciais
Cenário:
• Examinador
• Objetos disponíveis na cena: em cima da mesa/maca havia itens para
analgesia, episiotomia e um manequim de simulação de parto normal
Início da Estação
Caso Clínico:
Paciente M.N.G., 25 anos, casada, contadora, G1P0A0, com idade gestacional
de 38 semanas e 6 dias, comparece ao pronto socorro obstétrico do Hospital
das Clínicas da Universidade do Paraná com queixa de dor em abdome
inferior e perda de líquido claro em grande quantidade há aproximadamente
uma hora. Nega sangramentos no período, relata boa movimentação fetal,
nega outros sintomas. Durante o pré-natal foi diagnosticada com diabetes
gestacional por meio de uma medida alterada no teste de tolerância oral à
glicose com 27 semanas de idade gestacional, sem a necessidade de uso de
insulina, mas relata que não fazia as medições em casa como a sua médica
170
havia pedido. Nega outras comorbidades, nega alergia medicamentosa,
refere uso de sulfato ferroso diariamente e nega uso de outras medicações.
Nega outras intercorrências durante a gestação. Pesquisa de estreptococo
beta-hemolítico do grupo B com 35 semanas, negativo.
Exame físico:
Geral: Paciente em bom estado geral, LOTE, acianótica, anictérica, afebril
ao toque.
Cardio: RCR em 2T, BNF, sem sopros. FC 76 bpm, PA: 114x66 mmHg. FC:
82 bpm.
Respiratório: MV+ bilateralmente, sem ruídos adventícios. SaO2: 96% em
a.a., FR: 22 irpm.
Extremidades: ausência de edemas, tempo de enchimento capilar de 2,0
segundos, ausência de empastamento de panturrilhas.
Movimentação fetal presente. Batimentos cardiofetais (BCF): 140 bpm.
AFU: 35 cm
Manobras de Leopold: feto em posição longitudinal, dorso à esquerda,
cefálico.
Dinâmica uterina: duas contrações com duração de 40 segundos em 10
minutos.
Ao toque vaginal: colo uterino medializado, pérvio em 5 cm, amolecido e
70% apagado.
Evolução clínica:
A paciente foi prontamente admitida e internada no Centro Obstétrico do
Hospital das Clínicas da Universidade do Paraná. Realizada cardiotocografia
categoria 1, sendo conduzido parto por via vaginal. Após 6 horas da
admissão, paciente evoluiu para período expulsivo com desprendimento
do polo cefálico, sem progressão do parto após este momento.
Tarefa 01:
Qual o diagnóstico?
171
Tarefa 02:
Qual a primeira conduta?
• A pegadinha nesta estação era que a primeira conduta, diante da distócia
de ombros, sempre é chamar por ajuda, seguida de realização de hiperflexão
das pernas sobre o abdome. Quem não chamou por ajuda perdeu ponto
nesta tarefa.
Tarefa 03:
Realize a manobra de Rubin I.
• O candidato deveria verbalizar e executar o passo a passo da manobra
no manequim em sala. Quem utilizou qualquer material na mesa antes,
durante ou depois de realizar a manobra, mesmo que corretamente, teve
a tarefa zerada.
Tarefa 04:
Cite 4 possíveis complicações.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
1) Realizou corretamente o diagnóstico de distócia de
ombro ou distócia do biacromial ou distócia de espáduas?
Se responder qualquer coisa como cabeça derradeira,
distócia de rotação ou de progressão, ou somente distócia:
não pontua.
172
Tarefa 02
2) Solicitou/chamou ajuda ou pediu auxílio?
3) Verbalizou como primeira conduta, após solicitar
ajuda, a hiperflexão das coxas sobre o abdome materno ou
hiperflexão e abdução das coxas sobre o abdome materno?
Tarefa 03
4) Informou a gestante sobre a necessidade de manobras
para a retirada do bebê?
5) Executou e verbalizou a manobra corretamente?
• Somente verbalizou ou somente executou: parcialmente
correto.
Tarefa 04
6) Citou corretamente 4 das seguintes complicações? (2
ou 3 = parcialmente correto).
• Paralisia do Plexo Braquial;
• Fratura de Clavícula;
• Fratura de Úmero;
• Hipóxia fetal sem dano cerebral permanente;
• Hipóxia fetal com dano cerebral permanente;
• Morte fetal;
• Hemorragia pós-parto;
• Rotura uterina;
• Fístula reto-vaginal;
• Diástase da sínfise púbica;
• Separação da sínfise púbica (com ou sem) neuropatia
femoral transitória.
173
Debriefing
Moçada, estação prática muito bacana sobre distócia de ombros! A banca
colocava um caso clínico grande com toda a evolução da parturiente e, no
final, dizia que houve desprendimento do polo cefálico, sem progressão
do parto após este momento, ficando claro se tratar de uma distócia de
ombros, principalmente pelo fato da mãe ter sido diagnosticada com
diabetes gestacional e não ter seguido corretamente o tratamento.
Distócia de Ombros
A distócia de ombros, ou distócia de espádua, ocorre quando há impactação
do ombro anterior por trás da sínfise púbica, necessitando de manobras
para sua liberação. Também pode ser definida quando ocorre uma demora
superior a 60 segundos entre o desprendimento da cabeça fetal e dos ombros
na ausência de qualquer manobra.
174
sofrimento fetal, encefalopatia hipóxico-isquêmica e óbito). Há evidências
de que além de 7-8 minutos para extração fetal, há maior probabilidade
de danos neurológicos permanentes para o feto, além do risco de óbito
neonatal.
Conduta
Diversas manobras podem ser utilizadas visando a liberação dos ombros
impactados. Contudo, nenhuma delas é isenta de risco de traumatismo fetal
e materno. A literatura é muito controversa quanto à melhor sequência de
realização das manobras.
175
fazê-lo passar sob a sínfise (não fazer simples compressão vertical do ombro
contra a sínfise, impactando-o contra esta. Isto apenas acarretará trauma
materno-fetal).
5. Manobras rotacionais:
• Manobra de Woods (saca-rolha): realizar pressão bidigital (com os dois
dedos) na face anterior (na clavícula) do ombro posterior fetal na tentativa
de rodá-lo 180º;
• Manobra de Rubin II: (introduzem-se dois dedos na vagina e realiza-se
compressão posterior no ombro anterior do feto empurrando-o em direção
ao feto. Assim a manobra de Woods provoca a abdução do ombro fetal
e a de Rubin II provoca a adução.
• Manobra de Woods reversa: usando as duas mãos, faz-se pressão bidigital
na face anterior do ombro anterior e, ao mesmo tempo, na face posterior
do ombro posterior, objetivando rodar o feto no sentido anti-horário,
desfazendo-se a impactação.
176
acredito que esse detalhe não caia nem na prova teórica, quanto menos na
prova prática para acesso direto.
Essas condutas diante da distócia de ombros são difíceis até para o obstetra. O
que todo médico deve saber com precisão é realizar a manobra de McRoberts
junto com a pressão supra-púbica (manobra de Rubin I), que foi justamente
o que a UFPR cobrou no ano de 2020 em sua prova prática.
Fonte: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/259-distocia-de-ombro
E aí, galera? Distócia de ombro não é para amador, e, para a nossa sorte,
também não é muito frequente. É uma complicação obstétrica temida e que
pode deixar sequelas irreversíveis. Mas sempre se lembre: temos que manter
a calma e chamar por ajuda.
177
Bora pra cima, moçada! Um abraço!
Equipe Medway
REFERÊNCIAS
1. ZUGAIB, Marcelo. Obstetrícia. 3ª ed. Barueri, São Paulo: Manole, 2016 e
alterações
2. REZENDE,J. Obstetrícia. 11ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
3. https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/259-distocia-de-ombro
178
Pediatria
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 6 minutos (sendo 1 minuto para
leitura de caso clínico inicial antes de entrar na sala e 5 minutos para
realização das tarefas)
• A estação é composta de 3 tarefas
• Prova de atendimento
Cenário:
• Examinador
• Atriz
• Objetos disponíveis na cena: boneco de lactente; folha com tarefas,
evolução de atendimento e imagem de pega
Início da Estação
Caso Clínico:
Você é médico de uma Unidade Básica de Saúde e irá atender um lactente
de 30 dias de vida junto de sua mãe, em consulta de demanda espontânea.
A mãe da criança relata que seu filho está mamando demais e que está com
medo dele estar passando fome.
Tarefa 01:
Faça a anamnese para a queixa atual.
179
Ao questionário direcionado:
• Tempo de mamada: mãe relata que as mamadas duram em torno de 40
minutos a 1 hora e que após 1 hora a criança já quer mamar de novo;
• Alternância das mamadas: mãe relata que espera uma mama esvaziar
para depois oferecer a outra mama, e que na mamada seguinte inicia
pela mama que terminou a última mamada;
• Pega: quando questionada ativamente, a atriz respondia que durante a
mamada a boca da criança ficava bem aberta, o lábio inferior ficava
evertido, o queixo da criança toca a mama e a aréola é mais visível acima
da boca;
• Sono: o lactente dorme bem à noite, acordando cerca de 3 vezes para
mamar;
• Urina e fezes: sem alterações. Urina clara sem odor;
• Outros sintomas: nega outros sintomas como febre, vômitos, regurgitação,
dor abdominal ou irritabilidade.
• Ao perguntar sobre a caderneta da criança, mãe informava que não
estava no script.
• Durante a anamnese, a mãe se mostrava muito preocupada com a criança,
pois acha que ele está passando fome. Em certo momento comenta que
a filha da vizinha de mesma idade está tomando NAN e que gostaria de
iniciar a suplementação para o seu bebê.
• Se o candidato perguntasse qualquer outra coisa, a atriz respondia que
não estava no script.
Tarefa 02:
Como você pode confirmar sua hipótese para a queixa atual?
• Quando solicitado exame físico o examinador apresentava o seguintes
achados e dados antropométricos:
Exame físico:
PC: 37 cm (p50) / Peso: 4,400kg (entre p3 e p50) - ganhou aproximadamente
25g/dia desde o nascimento / Altura: 54cm (entre p3 e p50)
180
BEG, normocorado, hidratado, anictérico, acianótico, afebril ao toque,
eupneico, fácies atípica. Sem linfonodomegalias.
ACV: RCR 2T, BNF, sem sopros. FC: 136 bpm.
AR: MVF + e simétrico, sem ruídos adventícios. Sem sinais de esforço
respiratório. FR: 40 irpm
Abdome: normotenso, distendido, RHA presentes e normoativos,
timpânico, indolor à palpação, sem visceromegalias, sem massas palpáveis.
Extremidades: aquecidas, bem perfundidas, sem edema, pulsos palpáveis e
simétricos.
Genitália: típica masculina, testículos tópicos, presença de fimose fisiológica.
nus pérvio.
Oroscopia: mucosa normocorada, sem hiperemia ou placas exsudativas.
Neurológico: ativa e reativa, tônus preservado, postura adequada, reflexos
primitivos presentes e simétricos.
Tarefa 03:
Informe a mãe sobre o seu diagnóstico e a oriente sobre as condutas
necessárias.
181
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
1) Apresentou-se (nome e função)?
Tarefa 02
8) Solicitou examinar a criança?
Tarefa 03
12) Realizou o diagnóstico de NORMALIDADE?
182
13) Indicou o complemento com fórmula láctea?
14) Informou a mãe sobre a normalidade de mamar a cada
hora e que o ganho de peso está adequado?
15) Falou sobre os benefícios do leite materno?
16) Usou linguagem acessível e questionou no final da
consulta se a paciente tinha alguma dúvida?
Debriefing
Estamos diante de uma estação de atendimento na Pediatria com queixa
direcionada. Vejam que a questão não menciona objetivos da consulta de
puericultura. Em uma prova como a da UFPR, na qual existe o tempo para
leitura do caso, é de extrema importância aproveitar esse momento para se
preparar para o cenário que vai encontrar dentro da sala. Lembre-se: além
de ser uma prova de atendimento, ela possui um formato de prova curta!
São 5 minutos para você garantir a sua vaga!
183
A própria subjetividade materna quanto à saciedade do lactente pode
interferir na produção do leite. Lembre-se que o grande regulador da
produção e secreção do leite materno depende da prolactina e a ejeção, através
da ativação de células mioepiteliais, é dependente da ocitocina. Relembrar
da fisiologia da lactação nos ajuda a entender o contexto materno e a
importância da postura do pediatra no aconselhamento e fortalecimento de
vínculo mãe-bebê. Entretanto, a avaliação do suprimento lácteo adequado
é feita através de parâmetros objetivos como peso e diurese, além de checar
a técnica correta de amamentação e prováveis traumas mamilares que
dificultam o processo de aleitamento. Esses pontos-chave não podem faltar
na sua anamnese e exame físico.
184
A técnica de amamentação, em especial o posicionamento da dupla mãe-
bebê e a pega/sucção deste, são importantes para a retirada efetiva do leite
pela criança e proteção dos mamilos. Toda dupla mãe/bebê em aleitamento
materno deve ser avaliada por meio de observação completa de uma mamada.
A OMS destaca quatro pontos-chave para posicionamento e quatro para
pega que caracterizam uma boa técnica. Os pontos-chave para boa técnica
de amamentação que devem ser observados por você para gabaritar a sua
prova são os seguintes:
• Posicionamento:
• Rosto do bebê de frente, com nariz em oposição ao mamilo (Altura)
• Corpo do bebê próximo ao da mãe (Aproxima)
• Bebê com cabeça e tronco alinhados, pescoço não torcido (Alinha)
• Bebê bem apoiado (Apoia)
• Pega:
• Aréola um pouco mais visível acima da boca do bebê (Aréola acima)
• Boca bem aberta (Abre a boca)
• Lábio inferior virado para fora (Abaixa o lábio)
• Queixo tocando a mama (Aproxima queixo)
185
Considera-se uma perda de peso normal para o recém nascido uma queda
de até 10% do seu peso de nascimento nos primeiros dias de vida. Nenhuma
outra perda é considerada habitual na avaliação do lactente e esse é um
sinal de alerta para o pediatra. No primeiro trimestre de vida, espera-se que
a criança ganhe em torno de 700 gramas a cada mês (cerca de 23g/dia) e de
600 gramas no segundo trimestre. Para simplificar, isso significa que por
volta de 5 meses espera-se que o lactente pelo menos duplique seu peso
de nascimento. Conforme a idade do lactente aumenta, menor se torna
o ganho de peso bruto, sendo desejado no terceiro trimestre de vida do
bebê um ganho de peso de 500 gramas por mês e, no quarto trimestre, um
ganho de peso de 400 gramas por mês. Ao final do primeiro ano de vida,
é esperado que, no mínimo, a criança triplique seu peso de nascimento.
Avaliando através dos gráficos que compara dados do paciente com curvas de
percentil e escore-z de peso x idade, considera-se alterado como Baixo Peso
crianças abaixo de p3 e EZ -2. Na presente estação, os parâmetros objetivos
de ganho de peso da criança encontravam-se dentro da normalidade, sendo
dispensável a realização de qualquer exame laboratorial complementar.
Lembre-se que você está em treinamento de prova prática e o que não fazer
também merece sua atenção e menção para o examinador.
Após essa breve revisão e os dados da anamnese e exame físico, fica fácil
cumprir a tarefa 3 solicitada pela banca. É a hora de finalizar a prova com
tranquilidade e segurança no diagnóstico de normalidade, orientar sobre
benefícios da amamentação, reduzir riscos de dúvidas que podem evoluir
com suplementação na nutrição do lactente e fazer o reforço positivo
para a mãe diante de todos os bons cuidados familiares. Não se esqueça
de perguntar ativamente se existem mais dúvidas. Aqui estão as principais
recomendações da SBP no diálogo sobre amamentação:
• Prática de comunicação não verbal, mostrando-se interessado (balançar
a cabeça afirmativamente, sorrir), prestando atenção, dedicando tempo
para ouvir;
• Evitar palavras que soam como julgamentos;
• Reconhecer e elogiar o que a mãe e o bebê estão fazendo de maneira
adequada. Isso aumenta a confiança da mãe, encoraja a manter práticas
saudáveis e facilita que ela aceite sugestões;
186
• Usar linguagem simples, acessível à mãe;
• Fazer sugestões em vez de dar ordens.
EXTRAPOLANDO O TEMA:
Quais as principais contraindicações do aleitamento materno?
• Doenças maternas:
• Absolutas: infecção materna por HIV e HTLV 1 e 2.
• Ocasionais: Infecção materna herpética em mama (contraindicado
apenas aleitamento na mama afetada); infecção materna por CMV
agudo com lactente prematuro menor que 30-32 semanas; infecção
materna por Hanseníase contraindica amamentação até início de
primeira dose do tratamento da mãe com rifampicina; infecção
materna por Varicela se início dos sintomas 5 dias antes ou 2 dias
depois do nascimento; infecção materna por Chagas na fase aguda,
principalmente se presença de fissura mamilar com sangue; Psicose
puerperal grave somente sob supervisão;
• Pegadinha: Tuberculose pulmonar não contraindica aleitamento
materno! Aconselha-se uso de máscara durante amamentação. Não
se esqueça que, nesse caso do RN, não recebe vacina de BCG e inicia
Isoniazida como profilaxia. Outra pegadinha importante é a infecção
materna crônica por Hepatite B. Deve-se manter o aleitamento materno
associado com vacinação do lactente contra hepatite B e aplicação de
imunoglobulina IGHAHB ainda nas primeiras 12 horas de vida.
• Doenças do lactente:
• Absolutas: Galactosemia (erro inato do metabolismo dos
carboidratos). Indica-se uso de fórmula infantil sem lactose.
• Cuidado: Fenilcetonúria (erro inato do metabolismo dos aminoácidos)
indica complementação do aleitamento com uso de fórmula láctea
sem fenilalanina e pouca quantidade de leite humano conforme
níveis séricos de fenilalanina do lactente.
• Uso de medicações maternas que contraindicam AM:
• Linezolida;
• Imunossupressores/citotóxicos;
187
• Ganciclovir;
• Amiodarona (risco de hipotireoidismo no RN);
• Radioativos.
E aí, curtiu revisar mais esse tema com a gente? Ao longo do ano, vamos rever
mais vezes os temas de puericultura que estão cada vez mais recorrentes
nas grandes bancas. Fica a dica para vocês aproveitarem essa estação e
revisarem também icterícia neonatal associada ao aleitamento materno!
Vamos adiante e juntos!
À disposição,
Equipe Medway.
REFERÊNCIAS
• 1. Atenção à saúde do recém-nascido : guia para os profissionais de saúde.
2a edição. Brasília: Ministério da Saúde, 2012.
• 2. Brasil. Ministério da Saúde. Iniciativa Hospital Amigo Da Criança.
2008, 2009, 2010, 2011. Área Técnica de Saúde da Criança e Aleitamento
Materno. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Secretaria
de Atenção à Saúde. Módulos 1 a 5. Disponível em: <http://bvsms.saude.
gov.br/bvs/publicacoes/iniciativa_hospital _amigo_crianca.pdf>;
• 3. Kliegman, R. Nelson Textbook of Pediatrics. Edition 21. Philadelphia,
PA: Elsevier, 2020.
• 4. Burns, D. [et al]. Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria.
4a edição. Barueri, SP: Manole, 2017.
188
Preventiva
Prontos para brilhar nessa estação? Então se concentre ao máximo e partiu
pra cima!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 6 minutos, 1 minuto para leitura
do caso na porta e 5 minutos para realizar a estação (30 segundos para
trocar de estação)
• A estação é composta de 1 tarefa
Cenário:
• Examinador
• Ator
Início da Estação
Caso Clínico:
Paciente, sexo masculino, 53 anos, residente em Curitiba - PR, trabalhador
há 20 anos em uma marmoraria. Queixa-se há 3 meses de dispneia aos
moderados esforços que vem piorando ao longo do tempo. Ao exame físico
encontra-se em bom estado geral, acianótico, anictérico, afebril, eupneico
em repouso e com leve palidez cutâneo-mucosa.
Tarefa Única:
Faça a anamnese ocupacional do paciente.
189
Ao ser questionado:
• O paciente conta que trabalha há 20 anos em uma marmoraria da
cidade, cortando pedra de mármore, quartzo e granito para construção
de assoalhos e pias.
• Ao ser questionado sobre o risco ocupacional, o trabalhador relatava
que sempre “engolia” um pouco de poeira que saía das pedras enquanto
estava cortando.
• Sobre o uso de EPI, o trabalhador relatava que, há aproximadamente 3
anos, a empresa comprou algumas máscaras para os trabalhadores, mas
às vezes esquecia de usar. Na verdade, ninguém explicou a ele a finalidade
das máscaras.
• Nega saber de outros funcionários com os mesmos sintomas ou alterações
de saúde semelhantes.
• O paciente nega ter realizado quaisquer exames de admissão e periódico.
• Nega consulta anterior com um médico do trabalho.
• Nega contato anterior e atual com poeira em outros locais. Diz que só
trabalha na marmoraria há 20 anos e que na sua casa não há fontes de
poeira.
• Relata que, quando fica muito tempo em local fechado ou quando
“engole” muita poeira no trabalho, os sintomas pioram.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
1) Apresentou atitude respeitosa, cumprimentou e se
apresentou ao trabalhador?
2) Perguntou como o paciente fazia seu trabalho na
marmoraria?
3) Perguntou ao paciente qual era o produto do seu trabalho?
190
4) Perguntou como era o local de trabalho na empresa?
5) Perguntou sobre os Riscos Ocupacionais presentes no
local de trabalho (poeira, sílica)?
6) Perguntou se outros colegas de trabalho apresentam ou
apresentaram alterações de saúde semelhantes?
7) Perguntou sobre medidas de proteção coletiva e individual,
EPC e/ou EPI?
8) Perguntou ao trabalhador se ele tinha contato anterior
ou atual com poeira em outros locais, diferente da empresa
atual (domicílio, outro trabalho, etc)?
9) Perguntou sobre o que melhora ou piora os sintomas,
focando nas relações com o trabalho?
Debriefing
Galera, estações de 6 minutos de duração tem que ser jogo rápido! Tem que
ser objetivo e garantir o máximo de pontos no checklist! Perceba bem o
comando da sua tarefa: realize a anamnese. O candidato não precisava dar o
diagnóstico do paciente, apenas completar a anamnese, mesmo que muitos
candidatos tenham citado o diagnóstico de pneumoconiose. E ainda tem
aquele ponto do checklist que você, aluno da Medway, não perde mais por
bobeira logo no início da estação: apresentar-se adequadamente!
191
atividade gerava muita poeira. Falar de segurança do trabalho é também
falar sobre as NRs. Famosas, as Normas Regulamentadoras estabelecem
os requisitos mínimos para promover a saúde e segurança do trabalho. A
NR que regulamenta o uso de EPIs é a NR6. Nela ficam claros os deveres e
responsabilidades dos empregadores e dos trabalhadores. Leia esse pequeno
trecho da norma:
192
Outra informação importante: saber se outros trabalhadores, que se expõem
à poeira da mesma empresa, apresentam sintomas semelhantes, pois isso
reforçaria sua hipótese de doença ocupacional. O candidato também
deveria tentar correlacionar a piora dos sintomas com a exposição à poeira.
Como já dito, foi uma estação muito breve e essas eram as informações
necessárias para conduzi-la, mas, como às vezes os temas se repetem
nas provas práticas, fica aqui um breve comentário teórico sobre
pneumoconioses:
193
diagnóstico da silicose, sendo úteis na avaliação da capacidade funcional
pulmonar.
Galera, estações de prova sucintas como essa existem! Nem todas as estações
de uma prova serão super elaboradas, com várias tarefas e procedimentos.
É isso, pessoal!
Um forte abraço,
Equipe Medway.
REFERÊNCIAS:
• 1. 1 NR 6 - EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL - EPI
Publicação DOU Portaria MTb n.º 3.214, de 08 de junho de 1978 06/07/78
• 2. MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Atenção à Saúde
Departamento de Ações Programáticas Estratégicas Série A. Normas e
Manuais Técnicos Brasília – DF 2006 Saúde do Trabalhador Protocolos
de Complexidade Diferenciada 6 Pneumoconioses.
194
UNESP
2020
195
Clínica Médica
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos
• A estação é composta por tarefa única
Cenário:
• Examinador
• Ator
Início da Estação
Caso Clínico:
Paciente de 40 anos vem ao PS devido quadro de dor no pé que surgiu
horas após jogar partida de futebol no final de semana. É hipertenso em uso
de hidroclorotiazida e captopril, PA no momento 155x90 mmHg, etilismo
social.
Tarefa 01:
Faça o atendimento e esclareça sobre o quadro e condutas.
196
• Negava sintomas de uretrite;
• Negava episódios prévios;
• Negava outras comorbidades;
• Negava alergias.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
1) Apresentou-se (nome e função)?
2)Questionou sobre a ocorrência de trauma ou ferimentos
durante a partida de futebol?
3) Questionou sobre febre?
4) Questionou sobre saída de secreção pela uretra e/ou
outros sintomas de uretrite?
5) Questionou sobre o surgimento de lesões na pele?
197
6) Questionou sobre relações sexuais sem uso de preservativo?
198
Debriefing
Estação clássica de atendimento ambulatorial cobrada pela UNESP em 2020,
abordando um tema relevante na reumatologia: gota. Caso tenha surgido
alguma dúvida durante a estação sobre como conduzir uma consulta de um
paciente com gota, nosso debriefing que se inicia agora é justamente para
isso. Vamos pra cima!
Ao se deparar com uma estação de tarefa única, aberta, na qual você deve
realizar o atendimento de um paciente, mais importante ainda do que
saber o diagnóstico é ter um ATENDIMENTO PADRONIZADO. Em
outras palavras, em estações desse modelo não podem faltar: anamnese,
exame físico, solicitação de exames complementares, hipótese diagnóstica
e condutas.
199
No contexto de uma monoartrite aguda, questionar a presença de febre e
sintomas de toxemia, padrão de acometimento articular (joelho? Poliartrite
migratória?), presença de lesões cutâneas, pode ajudar a diferenciar uma
artrite gotosa de uma artrite séptica. Lembre-se que a artrite séptica pode
ser classificada em gonocócica e não gonocócica (geralmente causada pelo S.
aureus), assim em um adulto de meia-idade é fundamental questionar sobre
história sexual, uso de preservativos e a presença de sintomas de uretrite. A
artrite não gonocócica frequentemente se apresenta como uma monoartrite
aguda, comumente de joelho acompanhada de importantes sinais de
toxemia. Já a artrite gonocócica pode se apresentar como uma monoartrite
ou poliartrite migratória, acompanhado de sintomas sistêmicos, tais como
febre e calafrios, além de lesões cutâneas disseminadas, eritematosas e
petequiais.
200
polimorfonucleares, culturas e bacterioscopia negativas e presença de
cristais com birrefringência negativa. Ainda, não se deve esquecer que
a dosagem do ácido úrico sérico pode ser de pouca utilidade no quadro
agudo, pois hiperuricemia pode estar ausente em até 25% dos casos.
201
crônica caracterizada pela presença de tofos (depósitos de cristais de urato
monossódico) principalmente em articulações, cartilagens, tendões e
partes moles. Assim, o candidato deveria fornecer essas informações com
linguagem clara e acessível ao paciente e ainda encaminhá-lo à UBS para
acompanhamento do quadro, tendo em vista o caráter crônico da doença.
Aproveitem essa estação da UNESP 2020 para treinar. Caso caia gota
novamente em alguma estação este ano, vocês estarão aptos para gabaritar!
Qualquer dúvida estamos à disposição!
REFERÊNCIAS
• 1. VELASCO, Irineu Tadeu; BRANDÃO NETO, Rodrigo Antonio;
SOUZA, Heraldo Possolo de; et al. Medicina de emergência: abordagem
prática. [S.l: s.n.], 2019.
• 2. Longo, DL et al. Harrison’s Principles of Internal Medicine. 20th ed.
New York: McGraw-Hill, 2018.
• 3. MARTINS, Milton de Arruda. Manual do Residente de Clínica
Médica. 2° ed. São Paulo: Manole, 2017
202
Cirurgia Geral
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos
• A estação é composta de 4 tarefas
Cenário:
• Examinador
• Ator que não interagia
Início da Estação
Caso Clínico:
Paciente idoso, 75 anos, tabagista, vem apresentando, há alguns meses,
emagrecimento e febre vespertina de forma esporádica, com antecedentes
de tabagismo, carga tabágica 40 maços/ano, evoluiu com quadro de dispneia
importante sendo internado na UTI e intubado devido piora da função
respiratória.
Exame Físico:
Geral: ruim estado geral, hipocorado ++/4, hidratado, emagrecido
Cardiovascular: Ausência de turgência jugular, refluxo hepatojugular
ausente, FC: 88 bpm,
203
PA: 123 x 82 mmHg, Ausculta: bulhas cardíacas normofonéticas, com ritmo
regular em 2 tempos, sem sopros.
Respiratório: Paciente em ventilação mecânica, Fio2: 100%, ventilando em
PCV, FR: 28 irpm, Sato2: 87%. Presença de macicez a percussão em todo
hemitórax direito. Ausculta com murmúrio presente em todo hemitórax
esquerdo sem ruídos adventícios.
No hemitórax direito, nota-se murmúrio ausente em toda extensão
associado à egofonia em terço superior do hemitórax.
Abdome: escavado, com RHA+, indolor à palpação profunda e superficial
em toda a sua extensão, bem como ausentes massas ou visceromegalias
palpáveis.
Extremidades: ausência de edemas bilateralmente, ausência de empastamento
em ambas panturrilhas, tempo de enchimento capilar < 2 s.
Neurológico: paciente sedado, pupilas isocóricas e fotorreagentes.
Tarefa 01:
Dê o diagnóstico sindrômico.
Tarefa 02:
Descreva o procedimento indicado neste momento.
204
Após solicitada a análise do líquido pleural, o candidato recebia os seguintes
exames:
Líquido pleural:
Proteínas totais 4,9, LDH 1900, ADA 105, celularidade com predomínio de
linfomononucleares, glicose 62
Sangue:
Proteínas totais 6,1, LDH 1500, glicose 85
HB 10,2 HT 33% VCM 85 HCM 28 Leucocitos totais 8000 Plaquetas
350000
Ureia 25 Creatinina 0,7 TGO 25 TGP 31 Albumina 2,5
Tarefa 03:
Analise os exames e dê o diagnóstico etiológico.
Tarefa 04:
Cite o procedimento indicado neste momento.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
1) Citou como diagnóstico sindrômico o derrame pleural?
205
3) Separou os materiais: touca, óculos, máscara, avental, luvas
estéreis, clorexidine degermante e alcoólico, gazes estéreis,
pinça, campos estéreis, seringas, agulhas para aspiração e
infiltração do anestésico, lidocaína 2%, jelco 14 ou 16, tubos
para armazenamento de material, esparadrapo?
4) Posicionou o paciente em decúbito lateral direito?
5) Indicou localização correta do procedimento (espaço
intercostal e hemitórax corretos)?
6) Higienizou as mãos e paramentou-se?
8) Realizou antissepsia?
206
20) Citou tuberculose pleural como diagnóstico etiológico?
Debriefing
Pessoal, o que é, o que é: hemitórax com murmúrio vesicular abolido,
macicez à percussão e egofonia em terço superior + radiografia de tórax
com velamento de seio costofrênico? R: Derrame pleural. Não tem nem o
que discutir!
Dito isso, concluímos que, para que esse líquido se acumule, está entrando
líquido a mais ou saindo menos, certo? Para entrar mais, 4 das seguintes
situações podem estar em curso: 1) pressão hidrostática aumentada; 2) pressão
oncótica diminuída; 3) aumento da permeabilidade capilar; 4) diminuição
da pressão no espaço pleural. Para que saia menos, a drenagem linfática
tem que estar prejudicada, afinal, como mencionado anteriormente, ele é
um líquido intersticial.
207
baixo teor de proteína = transudato. Já mudanças na permeabilidade capilar,
provocadas por infecções bacterianas e tuberculose, podem gerar coleções
com alto teor de proteínas = exsudato.
208
Diagnóstico sindrômico feito, tarefa 01 concluída, vamos agora ao
procedimento indicado: toracocentese. Pergunto: todo paciente com derrame
pleural deve ser puncionado? Respondo: NÃO! Quais as indicações, então?
Apenas 2: procedimento diagnóstico para esclarecer a etiologia do derrame
ou terapêutico para o alívio de grandes derrames. Exemplificando: se um
paciente interna com IC descompensada, apresentando pequeno derrame
pleural à direita, sem indícios de que exista outra causa que justifique o
derrame, não devemos realizar a toracocentese. Foi?.
1) Separação do material;
2) Posicionamento do paciente;
3) Paramentação;
4) Degermação;
5) Colocação do campo;
6) Anestesia local;
7) Introdução do jelco;
8) Coleta de material;
9) Curativo.
209
a linha axilar média e anterior, semelhante ao que ocorre na drenagem
torácica..
210
O 4º é referente à avaliação citológica do líquido. Importante solicitarmos
a citometria total e diferencial - a depender da etiologia, pode haver
predomínio de polimorfonucleares (pneumonia bacteriana) ou
mononucleares (tuberculose pleural, neoplasias) e a pesquisa de células
neoplásicas.
O que deveríamos solicitar, então? Vou trazer o início do caso para cá:
“Paciente idoso, 75 anos, tabagista, vem apresentando há alguns meses
emagrecimento e febre vespertina de forma esporádica, com antecedentes
de tabagismo, carga tabágica 40 maços/ano”. Quais as nossas hipóteses
diagnósticas? Tuberculose, neoplasia… Vamos forçar e colocar uma
pneumonia também? Tinha uma condição de base e aí piorou, ok, vai.
Que tal: proteínas totais e LDH séricos e do líquido pleural, citometria
total e diferencial, pesquisa de células neoplásicas, exame bacteriológico e
micobacteriológico, pH, glicose e ADA? Eis os exames que a estação nos
forneceu:
“Exames do líquido: proteínas totais 4,9, LDH 1900, ADA 105, celularidade
com predomínio de linfomononucleares, glicose 62; Séricos: Proteínas
totais 6,1, LDH 1500.”
211
sempre peçam proteínas totais e LDH tanto do líquido pleural quanto
séricos (este último frequentemente esquecido).
Para finalizar, a tarefa 04 pede a nossa conduta, ou seja, como vamos confirmar
a nossa hipótese de tuberculose pleural. Tome nota: o histopatológico da
pleura está indicado em todos os casos de derrame pleural exsudativo com
etiologia desconhecida. O diagnóstico é alcançado em 80% dos casos na
primeira biópsia, quando é encontrado o granuloma caseoso. Quando esta
é associada à cultura, o diagnóstico ocorre em até 90%. Essa foi mais uma
estação, prova finalizada!
Forte abraço,
Equipe Medway
212
REFERÊNCIAS:
• 1. SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica
moderna. 20a ed. Saunders. Elsevier.
• 2. Goldman, L.; Schafer, AI. Goldman’s Cecil Medicine. 25th ed.
Philadelphia: Elsevier Saunders, 2016.
• 3. Seiscento M, Conde MB, Dalcolmo MM. Tuberculose pleural. Jornal
Brasileiro de Pneumologia. 2006 Aug;32:S174-81.
• 4. Silva GA. Derrames pleurais: fisiopatologia e diagnóstico. Medicina
(Ribeirão Preto. Online). Jun 30;31(2):208-15.
213
Ginecologia
e Obstetrícia
Fala, moçada! Tema muito batido em provas práticas por ter condutas
diretas e práticas. Queremos ver quem acerta esse diagnóstico!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos + 1 minuto para troca de
estação (o caso clínico apenas dentro da estação)
• A estação é composta por 03 tarefas sequenciais
• Prova de atendimento
Cenário:
• Examinador
• Atriz
Início da Estação
Caso Clínico:
Gestante de 40 semanas, primigesta, vem ao PS com queixa de pressão
arterial elevada, cerca de 180x120 mmHg. Antecedentes pessoais não
revelavam comorbidades.
Tarefa 01:
Faça o atendimento inicial da paciente.
214
• Que estava com cefaleia, dor epigástrica e escotomas;
• Negava outros sintomas e queixas;
• Paciente negava convulsões;
• Negava alergias medicamentosas;
• A paciente não tinha exames anteriores mostrando proteinúria e não
tinha história de alteração laboratorial em exames prévios.
EXAME FÍSICO:
Sinais vitais: FC: 105, FR: 18, T: 37,5 °C, Sao2 em ar ambiente 98%, PA: 180
x 120 mmHg.
Exame obstétrico: AU: 39 cm, feto em situação longitudinal, apresentação
cefálica, BCF:143 BPM, movimentação fetal presente, colo dilatado em 3 cm.
Tarefa 02:
Qual o diagnóstico?
215
Tarefa 03:
Qual a conduta?
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
1) Apresentou-se (nome e função)?
216
Tarefa 02
12) Citou como diagnóstico pré-eclâmpsia grave com
iminência de eclâmpsia?
Tarefa 03
13) Indicou internação hospitalar?
Debriefing
Moçada, no ano de 2020 a UNESP repetiu na estação de GO um tema que
já havia sido cobrado outros anos por outras instituições, como na USP em
2016, UnB em 2019, entre outras. Os distúrbios hipertensivos na gestação é
um tema difícil e complexo dentro da clínica obstétrica, e a pré-eclâmpsia/
eclâmpsia são temas em que as condutas devem ser tomadas rapidamente
para evitar um mal prognóstico do binômio materno-fetal, e por isso devem
ser de conhecimento de todo médico generalista, daí sua importância nas
provas teóricas e práticas.
Se temos uma certeza nessa vida é que no final do ano você irá se deparar
com questões sobre pressão alta na gestação e que o rei Roberto Carlos
vai fazer seu show (ou live - vai que, né). E nossa missão é desvendarmos
juntos, com enfoque nas provas práticas, o mundo da Doença Hipertensiva
Específica da Gestação.
217
Doença Hipertensiva Específica da Gestação
A Doença Hipertensiva na Gestação é a maior causa de morbidade materna
grave e morte materna no Brasil. Dentre as complicações maternas que
pode causar, podemos apontar: Descolamento Prematuro da Placenta
(DPP), Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD), edema pulmonar,
convulsões, coma e morte materna. Sobre as complicações neonatais,
podemos associar: prematuridade, Restrição de Crescimento Intrauterino,
lesão neurológica e morte fetal.
Pré-eclâmpsia
O primeiro passo ao diagnosticar uma paciente com DHEG é saber se ela
apresenta proteinúria e, portanto, pré-eclâmpsia. Mas o ponto fundamental
é saber reconhecer os sinais de gravidade da pré-eclâmpsia para podermos
218
intervir no momento correto. E quais os sinais de gravidade?
• PAS ≥ 160 ou PAD ≥ 110 mmHg;
• Proteinúria ≥ 5g/24h ou 2+ na fita (alguns autores desconsideram a
proteinúria como sinal de gravidade);
• Oligúria (diurese < 25 ml/h ou 400 ml/24h);
• Creatinina elevada ≥ 1,3 mg/dL;
• Edema agudo de pulmão;
• Síndrome HELLP: hemólise (LDH ≥ 600 / esquizócitos / bilirrubina
total ≥ 1,2) + elevação enzimas hepáticas (TGO ≥70) + plaquetopenia (<
100 mil);
• Iminência de eclâmpsia: cefaleia, distúrbios visuais (escotomas, turvação
visual), epigastralgia e hiperreflexia.
Conduta
Aqui a regra é a seguinte: casos leves não devem ser tratados com medicação
anti-hipertensiva, pois pode levar à uma diminuição acentuada da perfusão
placentária, já os quadros graves devem ser controlados com o objetivo de
manter os níveis pressóricos sistólico entre 140-155 e diastólico entre 90-
100 mmHg.
219
• Hidralazina: 5mg IV de 15/15 minutos até controle da PA, com dose
máxima de 20mg.
220
E o parto?
Esta é uma decisão difícil e que depende muito das condições maternas e
fetais, além da idade gestacional. Em casos leves, a conduta é expectante até
o termo (37 a 40 semanas), desde que as condições maternas e a vitalidade
fetal permitam. Já nos quadros graves, a interrupção da gestação é o melhor
tratamento devido ao risco materno alto. Contudo, em gestantes com idade
gestacional menor que 34 semanas, podemos tentar estabilizar a paciente
e avaliar o bem-estar fetal para determinarmos se há a possibilidade de
aguardar a realização de corticoide para a maturação pulmonar fetal.
E aí, galera? Distúrbios hipertensivos na gestação não é fácil, mas pode ter
certeza que você irá se deparar com quadros semelhantes a este na sua prova
teórica e/ou prática. Esperamos ter ajudado um pouco a esclarecer algumas
dúvidas teóricas para que você possa arrebentar na sua prova prática.
REFERÊNCIAS
• 1. ZUGAIB, Marcelo. Obstetrícia. 3ª ed. Barueri, São Paulo: Manole,
2016 e alterações
• 2. REZENDE,J. Obstetrícia. 11ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2008.
• 3. Série, Orientações, e Recomendações FEBRASCO - Pré-eclâmpsia,
FEBRASCO, 2017.
221
Pediatria
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos
• A estação é composta por tarefa única
• Prova de atendimento
• Nenhuma interação com examinador foi permitida
Cenário:
• Examinador
• Atriz com boneco no colo
Início da Estação
Caso Clínico:
Um paciente de 9 meses vem à consulta de rotina acompanhado de sua mãe.
Tarefa 01 (única):
Faça o atendimento e esclareça as dúvidas da mãe.
• Quando questionadas queixas, a mãe negava.
• Ao pedir o cartão de vacina e caderneta da criança, a mãe dizia que havia
esquecido e questionava o motivo pelo qual devia trazer esses itens na
consulta. Além disso, relatava que a vacinação da criança estava em dia.
222
• Atriz queixava-se de que a cabeça da criança era grande e quando o
candidato solicitava o PC, a criança apresentava um valor plausível para
a sua idade.
• O candidato deveria solicitar o exame físico (cada item separadamente)
que se encontrava conforme o seguinte:
Exame físico:
Geral: BEG, ativo e reativo, normocorado, afebril ao toque, hidratado, sem
edemas, ausência de linfonodomegalias palpáveis.
Comprimento: 70 cm, peso: 8.5 kg, PC: 45 cm
Respiratório: SatO2: 99% em ar ambiente, FR 35 irpm, ausculta com
murmúrio presente difusamente sem ruídos adventícios.
Cardiovascular: pulsos presentes com boa amplitude, FC: 95 bpm, ausculta:
bulhas cardíacas normofonéticas, com ritmo regular em 2 tempos, sem
sopros.
Abdome: levemente globoso, RHA+, ausência de visceromegalias e
tumorações palpáveis.
Extremidades: sem edemas, EC <2s.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
223
Checklist
Itens avaliados Sim Não
1) Apresentou-se (nome e função)?
2) Perguntou sobre alguma queixa da mãe referente ao
paciente?
3) Solicitou carteira de vacinação e caderneta da criança?
224
16) Explicou os benefícios do aleitamento materno,
orientando manter até pelo menos 2 anos de idade?
17) Explicou para a mãe que a criança apresenta
desenvolvimento adequado?
18) Orientou sobre prevenção de acidentes?
Debriefing
Acabamos de ver uma clássica prova prática de atendimento de pediatria
com tema em puericultura, cada vez mais frequente nas bancas de residência
médica. Essa abordagem foi feita também pela UFPR em 2015, USP-RP e
UNICAMP em 2017, além da própria banca da UNESP e EMESCAM em
2018. Lembre-se que, apesar de estarmos numa estação de atendimento, a
prova da UNESP é de curta duração. Nesse sentido, precisamos treinar os
pontos-chave para não perder tempo e garantir todos os itens do checklist!
225
O ponto-chave da consulta de puericultura é o desenvolvimento e
crescimento do lactente, sendo o estado nutricional um dos fatores
objetivos do exame com maior fator preditivo de boa evolução. Dessa forma,
durante uma prova de atendimento, é totalmente necessária a abordagem
da amamentação da criança. A OMS, o Ministério da Saúde e a Sociedade
Brasileira de Pediatria recomendam aleitamento materno por 2 anos ou
mais, sendo exclusivo nos primeiros 6 meses.
226
leite de vaca, mesmo após a complementação alimentar. A papa principal
(mistura múltipla) deve ser oferecida após a criança completar 6 meses de
vida nos horários correspondentes ao almoço ou jantar. Essa refeição deve
conter alimentos de todos os grupos: cereais ou tubérculos, leguminosas,
carnes e hortaliças (verduras e legumes). Carnes (bovina, suína, frango ou
peixe) e ovos cozidos devem fazer parte das refeições a partir do sexto mês
de vida sem restrições. No início, os alimentos devem ser amassados com o
garfo (consistência de purê), nunca liquidificados ou peneirados.
É comum a criança rejeitar alimentos que não são familiares e esse tipo de
comportamento manifesta-se precocemente. No entanto, com exposições
frequentes, os alimentos novos passam a ser aceitos. Em média são necessárias
de oito a dez exposições para uma plena aceitação. Esse conhecimento se
faz importante para o profissional de saúde tranquilizar os pais.
Sobreviveu até aqui? Não desanime, nós nos comprometemos que, com seu
bom desempenho, vai valer a pena! Pra facilitar, segue o esquema para a
introdução de alimentos em crianças em aleitamento materno:
227
Depois da anamnese inicial, a mãe questionava sobre o crescimento do
perímetro cefálico (PC) da criança, com dúvida sobre seu desenvolvimento.
Este é outro ponto-chave da consulta de puericultura. Você consegue se
lembrar do que é esperado nesse momento do crescimento e desenvolvimento
infantil? Lembre-se que o esperado ao nascimento para um recém-nascido
a termo é de um PC de aproximadamente 35 cm, sendo como alvo um
crescimento de 2 cm por mês durante o 1º trimestre, de 1 cm por mês no
2o trimestre e de 0,5 cm por mês ao longo do 2º semestre de vida. Ou seja,
espera-se um crescimento de aproximadamente 12 cm no primeiro ano de
vida do lactente. Na dúvida, podemos calcular o PC esperado através do
cálculo com a estatura da criança:
PC = E/2 +10
228
acidentes para queimaduras, quedas, afogamentos, sufocamentos,
intoxicações, choque elétrico e acidentes de trânsito.
Pessoal, puericultura pode ser o tema que você tem menos domínio teórico,
porém teremos diversas formas de colocar esse conteúdo em prática e
torná-lo mais medular. Estaremos sempre buscando facilitar o aprendizado
de vocês!
À disposição,
Equipe Medway.
229
REFERÊNCIAS
• 1. Ministério da Saúde do Brasil, Caderneta da Criança. Biblioteca
Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, 2005. Disponível em: http://
www.saude.gov.br/bvs
• 2. Kliegman, R. Nelson Textbook of Pediatrics. Edition 21. Philadelphia,
PA: Elsevier, 2020.
• 3. Burns, D. [et al]. Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria.
4a edição. Barueri, SP: Manole, 2017.
• 4. AAP TASK FORCE ON SUDDEN INFANT DEATH SYNDROME.
SIDS and Other Sleep-Related Infant Deaths: Updated 2016
Recommendations for a Safe Infant Sleeping Environment. Pediatrics.
2016.
230
Preventiva
Pessoal, essa questão da UNESP seguiu uma tendência cada vez mais
comum nas provas práticas, vamos conferir?
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos
• A estação é composta de tarefa única
Cenário:
• Examinador
• Atriz
Início da Estação
Caso Clínico:
Você é o médico de uma ESF e seu bairro está sofrendo por um surto
de sífilis e a população local está preocupada com tal fato. Uma agente
comunitária de saúde (ACS) da sua unidade resolve conversar com você
para tirar dúvidas para poder esclarecer a equipe e a população.
Tarefa 01:
Converse e tire as dúvidas da ACS.
231
• O que pode ser feito para prevenir?
• Ao fazer uma visita domiciliar, eu preciso me proteger de alguma forma
para não contrair a doença?
• O que causa a sífilis?
• Devo ter algum cuidado a mais com a gestante?
• Como se faz o diagnóstico?
• Pode haver transmissão para o feto?
• Quando ocorre a transmissão para o feto?
• Quais são os sinais e sintomas de um bebê que adquire sífilis congênita?
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
1) Apresentou-se de maneira cordial (nome e função)?
232
10) Explicou como a doença é transmitida ao feto?
11) Citou sinais e sintomas presentes em RN com sífilis
congênita?
Debriefing
Galera, questão puramente teórica sobre sífilis! Esse tipo de estação está
sendo cada vez mais comum em provas práticas, pois é de fácil execução e
não demanda investimento em equipamentos ou materiais caros.
Para iniciar, sempre se apresente com nome e função. Entenda que a prova
prática é uma espécie de teatro, no qual você precisa “entrar no personagem”
da estação. Logo, procure adotar uma linguagem fácil e acessível para
conversar com a atriz.
A primeira pergunta que a atriz fazia ao candidato era “Como que pega
sífilis?”, você deveria esclarecê-la de que a principal via de transmissão
é a sexual, mas também é possível que haja transmissão vertical para
o feto durante a gestação de uma mulher com sífilis não tratada ou
inadequadamente tratada.
233
Em seguida, a atriz perguntava “Tem tratamento?”, a resposta mais completa
à essa pergunta é: sim, é feito com penicilina G benzatina ou penicilina
cristalina, a depender do estágio clínico da doença.
234
“O que causa a sífilis?” - Essa é bem tranquila né? Você deveria responder
à atriz que a doença é causada por uma bactéria, e citar o nome da mesma,
o Treponema pallidum.
Um pouco de história para você: muito antes dos seres humanos saberem
da existência das bactérias, a sífilis já era uma doença conhecida por vários
povos ao redor do mundo e Hipócrates descreveu uma síndrome semelhante
à doença que conhecemos hoje em 600 a.C, na Grécia Antiga!
“Devo ter algum cuidado a mais com a gestante?” Pessoal, sua orientação
à ACS deveria ser a seguinte: como há o risco de transmissão vertical da
doença ao feto, o trabalho dela era de suma importância! Ela deveria para
garantir que essa gestante compareça adequadamente às consultas de pré
natal para realizar o tratamento adequado da doença, além de convocar os
parceiros sexuais para tratamento também, evitando assim a reinfecção da
gestante e o ciclo de disseminação da doença na comunidade.
235
Quadro 13 - Métodos diagnósticos de sífilis: testes imunológicos
Teste treponêmico
Teste não
REAGENTE:
+ treponêmico Diagnóstico
- Teste rápido
-FTA-Abs
REAGENTE: = de sífilis
- VDRL confirmado*
-TPHA
-RPR
- EQL
Fonte: DCCI/SVS/MS
*O diagnóstico de sífilis não estará confirmado quando houver presença de cicatriz sorológica,
ou seja, tratamento anterior para sífilis com documentação da queda da titulação em pelo menos
duas diluições (ex.: uma titulação de 1:16 antes do tratamento que se torna menor ou igual a 1:4
após o tratamento
236
Começamos a investigação pelo teste treponêmico, pois ele é o primeiro
teste a ficar reagente.
Já para a gestante, isso tudo muda! Basta um exame positivo para dar início
ao tratamento.
As próximas perguntas da ACS eram “Pode haver transmissão para o feto?”
e “Quando ocorre a transmissão para o feto?”, e já discutimos anteriormente
que a transmissão vertical é uma das formas de contágio da doença. Pode
ocorrer transmissão da bactéria da corrente sanguínea da gestante infectada
para o concepto por via transplacentária ou, ocasionalmente, por contato
direto com a lesão no momento do parto. A maioria dos casos acontece
porque a mãe não foi testada para sífilis durante o pré-natal ou porque
recebeu tratamento não adequado para sífilis. A transmissão vertical pode
ocorrer em qualquer fase gestacional ou estágio da doença materna.
A última pergunta que a atriz fazia ao candidato era: “Quais são os sinais e
sintomas de um bebê que adquire sífilis congênita?”.
237
Anexos
Conforme prometido, trouxemos para vocês o que o PCDT de infecções
sexualmente transmissíveis de 2020 aborda sobre manifestações da sífilis
congênita precoce. Aproveitem!
Prematuridade -
238
SISTÊMICAS
Fonte: PCDT - Atenção integral às pessoas com infecções sexualmente transmissíveis (IST)
239
MUCOCUTÂNEAS
240
HEMATOLÓGICAS
Anemia
Pode persistir após tratamento efetivo.
Leucopenia -
Leucocitose -
MUSCULOESQUELÉTICAS
241
REFERÊNCIAS:
• Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde.
Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções
Sexualmente Transmissíveis. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas
para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente
Transmissíveis (IST)/Ministério da Saúde; Secretaria de Vigilância em
Saúde, Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções
Sexualmente Transmissíveis. – Brasília : Ministério da Saúde, 2020
242
USP-RP
2020
243
Clínica Médica
Concentração total na estação de clínica médica da USP-RP 2020!
Vamos nessa!!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos
• A estação é composta de tarefa única
Cenário:
• Examinador
• Ator
• Objetos disponíveis na cena
Início da Estação
Caso clínico:
João, 90 anos, chega ao pronto-socorro com febre iniciada há menos de uma
semana, tosse com expectoração purulenta e piora do padrão respiratório.
Paciente é portador de sequela de acidente vascular cerebral isquêmico
ocorrido há 5 anos, acamado, totalmente dependente para as atividades
básicas e instrumentais da vida diária.
Exame físico:
• Geral: mau estado geral, descorado (+/4), desidratado (++/4), anictérico,
acianótico, afebril.
• Neurológico: Desorientado, ECG = 12, pupilas isocóricas e fotorreagentes,
sem sinais focais.
244
• Cardiovascular: RCR 2T BNF sem sopros, TEC = 5s, PA = 80 x 50 mmHg,
FC: 105 bpm.
• Respiratório: MV+ com estertores crepitantes em base direita,
FR = 30 irpm, SatO2 = 82% em ar ambiente.
• Abdome: Flácido, peristáltico, indolor, descompressão brusca negativa.
• Extremidades: Sem edemas, panturrilhas livres.
Tarefa única:
Converse com o filho do paciente sobre o caso.
Ao se dirigir ao ator:
• Estava em pé no início do atendimento;
• Perguntava como estava o estado do pai e interagia bastante;
• Deixava claramente a(s) decisão(ões) nas mãos do candidato.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Foi cordial e ofereceu cadeira para o paciente se sentar?
245
Extra: Explorou o entendimento do filho sobre o quadro
geral do pai (dependência nas atividades, debilidade,
qualidade de vida, fragilidade)?
Informou sobre risco de vida (parcial = fala que é grave,
mas não informa sobre possibilidade de óbito)?
Explicou o quadro respiratório - falou da possibilidade
de IOT (aceita o termo ventilação mecânica, respirador,
máquina para respirar)?
Posicionou-se, como médico, de que IOT não traria
benefícios?
Falou que paciente não vai sofrer (aceitar: controle
dos sintomas / irá fazer morfina / realizará sedação)?
Extra: Explicou que não irá adiantar a morte, apenas não
irá prolongar o sofrimento às custas de qualidade de vida
(aceitar: diferenciou eutanásia de ortotanásia, explicou
sobre distanásia)?
Perguntou se o filho concordava com as condutas?
Perguntou se o filho entendeu a conversa/ explicação
(caso aluno solicite para o filho repetir o que entendeu,
considerar certo) ?
Perguntou se tinha mais algo a dizer ou perguntar?
Debriefing
Gostaram da estação? Mandariam bem caso encontrassem novamente esse
tema? Essa estação de clínica médica que caiu na USP-RP 2020 cobrou um
assunto bastante pertinente e que muitas vezes é pouco abordado na nossa
formação. Se você já está habituado com o tema, ótimo! Mas se não está,
fique tranquilo que esse debriefing irá te ajudar.
246
Estação de Clínica Médica e, ao ler o caso, você se depara com um idoso
no departamento de emergência apresentando desorientação, hipotensão e
sinais de desconforto respiratório. Pois bem, até esse momento você poderia
estar pensando: “Já vou me preparar para falar todas as condutas na sepse
e garantir os itens do checklist!”. Mas, após ler a tarefa, vem a surpresa:
a estação só queria que você falasse com o filho do paciente sobre o caso.
Afinal, sobre o que deveríamos falar e COMO se comunicar com o filho
do nosso paciente? É isso que vamos discutir nos próximos parágrafos.
247
ECOG ≥ 3 possuem sobrevida estimada em torno de 3 meses. Reparem que
nosso paciente da estação apresentava um ECOG = 4, o que reforça a ideia
de que ele se encontrava em estado terminal.
4 Acamado
5 Morte
248
• E entender o grau de envolvimento que o filho queria ter nas tomadas
de decisões.
Aqui temos um ponto importante: algumas pessoas preferem ser parte ativa
do processo, outras preferem que a equipe tome as decisões de acordo com
os melhores julgamentos profissionais e, na estação, o filho do paciente
demonstrou não querer tomar nenhuma decisão em relação à intubação
orotraqueal do pai, deixando esta nas mãos do candidato.
Em situações como essa, tanto na prova prática como na vida real, o médico
deve se posicionar ativamente. Ao deixar decisões como essa nas mãos de
pessoas emocionalmente incapazes, pode aumentar risco de desfechos
negativos, tais como depressão, ansiedade e luto complicado, nessas
pessoas. Portanto, era cobrado na estação que o candidato se posicionasse
como médico de que a intubação orotraqueal não traria benefícios
para o paciente.
249
constituem o tripé que alicerça e sustenta os cuidados paliativos e foram
cobradas de forma pertinente pela instituição.
Fiquem atentos pois esse tema pode voltar a cair no ano de 2020! Estações
que cobram habilidades comunicacionais e atitudinais vêm sendo uma
tendência em provas práticas nos últimos anos. Para qualquer dúvida que
surgir, estamos à disposição!
REFERÊNCIAS
• VELASCO, Irineu Tadeu; BRANDÃO NETO, Rodrigo Antonio;
SOUZA, Heraldo Possolo de; et al. Medicina de emergência: abordagem
prática. [S.l: s.n.], 2019.
• MORITZ, Rachel Duarte; KRETZER, Lara Patrícia; BERBIGER,
Eduardo Gergim; Cuidados Paliativos no final de vida.
Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina, 2016.
• MARTINS, Milton de Arruda. Manual do Residente de Clínica Médica.
2° ed. São Paulo: Manole, 2017
250
Cirurgia Geral
Qual o tema preferido das estações de cirurgia? Exato, lá vamos nós, mais
uma vez, desbravar uma prova de trauma, porém, como toda estação, tem
a sua peculiaridade. Com a USP-RP não seria diferente! Aqui, foco total no
procedimento indicado. Espiem só:
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos
• A estação é composta de 2 tarefas
Cenário:
• Examinador
• Enfermeira que não interagia
• Ator com curativo compressivo em perna direita
• Objetos disponíveis na cena: braço de manequim, luvas de procedimento,
garrote, jelco 16 e 18G, equipo de soro, micropore
Início da Estação
Caso clínico:
Caso clínico: Arthur, 27 anos, previamente hígido, chega ao pronto-socorro,
trazido pelo SAMU, após sofrer lesão por arma branca em membro inferior
direito, com importante hemorragia no local. Recebeu 1 litro de Ringer
Lactato no atendimento pré-hospitalar e foi realizado curativo compressivo
no local. No momento, encontra-se com sangramento em jato em MID e
PA = 90 x 50 mmHg. Durante o transporte, o paciente perdeu o acesso
venoso periférico.
251
Tarefa 01:
Realize o atendimento.
Tarefa 02:
Indique as condutas subsequentes.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Iniciou o atendimento pelo ABCDE (informar que
já foram realizados adequadamente os itens A e B)?
Calçou luvas de procedimento?
Escolheu o cateter venoso periférico de maior calibre
(número 16)?
Fez antissepsia do local da punção (gaze e álcool)?
252
Realizou punção venosa com técnica adequada (tangencial
à pele com introdução do cateter simultaneamente com
a retirada da agulha)?
Realizou a fixação do acesso venoso com micropore?
Debriefing
A essa altura do campeonato, espero do fundo do coração que tenha
dado para perceber que o trauma e os seus desdobramentos não podem
ser deixados para 2º plano durante a sua preparação para a prova prática.
Não precisa ser vidente para saber que esse ano vai cair em pelo menos
3 instituições. Fugindo bastante do habitual, esta estação não pedia a
realização do ABCDE, mas, em virtude da sua importância e por estar
presente em 99% das demais estações de trauma, farei um breve resumo
abaixo dos principais itens. De novo? Sim, de novo, novamente, mais uma
vez, até que este assunto crie raiz na sua mente ou até eu cansar. Vamos lá:
253
intervenção. Não se esqueça, o irmão inseparável da via aérea é o colar
cervical, devemos sempre estabilizar a coluna cervical com a colocação
do colar e prancha rígida.
254
Classe I Classe II Classe III Classe IV
Perda (ml) Até 750 750 - 1500 1500 - 2000 > 2000
255
tecidual estão caindo, precisamos repor esse intravascular, então quanto
mais volume, melhor? NÃO! O raciocínio faz sentido, porém veja o que
acontece: se a gente fornece muito volume para o paciente antes de resolver
a causa da hemorragia, a pressão arterial aumenta e consequentemente o
sangramento se intensifica, ou seja, o excesso é prejudicial.
Ao procedimento:
256
• Inserimos o jelco com o bisel para cima na menor angulação possível;
• Quando o sangue preencher o jelco, paramos de inserir a agulha
e progredimos apenas o cateter no interior da veia;
• Soltamos o garrote;
• Comprimimos a pele sobre a extremidade do cateter antes de retirar
a agulha para evitar sangramento excessivo;
• Retiramos a agulha;
• Conectamos o equipo de soro ao cateter e observamos o fluxo,
• Se tudo estiver nos conformes, fixamos o cateter com esparadrapo.
2) Veja só, após ter indicado a cirurgia no C, você não só pode, como
deve seguir o seu atendimento com as demais etapas enquanto preparam
o centro cirúrgico. Fique atento, pois isso pode ser cobrado em alguma
estação. Indique a medida salvadora, dê ênfase e finalize o seu exame.
257
Sendo assim, vamos retomar a revisão do nosso atendimento primário com
as etapas faltantes:
• D = Disability - disfunção neurológica. Realizamos nesta fase um rápido
exame neurológico que inclui o cálculo da escala de coma de Glasgow +
avaliação das pupilas + movimentos ativos das extremidades.
258
• Ácido tranexâmico: é uma droga antifibrinolítica, ou seja, atua retardando
a fibrinólise, preservando o coágulo e diminuindo o sangramento.
Deve ser empregada naqueles pacientes candidatos à transfusão maciça,
auxiliando na redução da mortalidade. A dose inicial de 1 g deve ser
administrada o mais rápido possível, até as primeiras 3 horas do evento
traumático, não havendo benefício se empregado após este intervalo.
A segunda dose, também de 1 g, deve ser infundida por 8 horas, em
ambiente hospitalar.
Forte abraço!
Equipe Medway
REFERÊNCIAS:
• SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica
moderna. 20a ed. Saunders. Elsevier.
• AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS COMMITTEE ON
TRAUMA. Advanced Trauma Life Suport - ATLS. 10 ed. , 2018.
259
Ginecologia
e Obstetrícia
Mais uma estação de GO, moçada! Desta vez a USP-RP nos trouxe
uma estação muito prática, do dia a dia do obstetra e também do
ginecologista. Prepare o relógio e sua atuação e bora para mais uma estação!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos e 40 segundos para
troca entre as estações
• A estação é composta por 02 tarefas sequenciais
Cenário:
• Examinador
• Atriz
• Objetos disponíveis na cena: em cima da mesa/maca tinha um manequim
pélvico, pacote de luva ao lado e gel
Início da Estação
Caso clínico:
Paula, 26 anos, primigesta, com 39 semanas de idade gestacional, chega
à maternidade com queixa de dor abdominal, nega febre ou perda
de líquido, refere boa movimentação fetal e Nega sangramentos.
EXAME FÍSICO:
• Ectoscopia: Bom estado geral, corada, hidratada, acianótica, anictérica.
• ACV: RCR 2T BNF sem sopros; FC = 72 bpm; PA = 125 x 75 mmhg
260
• AR: MVUA sem RA. FR = 22 irpm
• Abdome: altura de fundo uterino: 35 cm, BCF = 140, 1 contração
de 20 segundos a cada 30 minutos.
• Membros: Edema discreto bilateral (+/4), sem empastamento
de panturrilhas.
Tarefa 01:
Realize o toque vaginal
Tarefa 02:
Dê a conduta adequado para o caso.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Cumprimentou e se apresentou à paciente?
Informou sobre o procedimento que irá realizar
(toque vaginal) com clareza?
Solicitou ajuda, chamou ajuda ou pediu auxílio?
Higienizou as mãos e solicitou presença de auxiliar
na sala?
Calçou e descartou as luvas corretamente?
261
Realizou o toque vaginal com a técnica correta na seguinte
ordem após calçar a luva: aplicou lubrificante, afastou
os pequenos lábios, introduziu os dois dedos? (considerar
completo se 3 itens / parcial se 1 ou 2 itens)
Descreveu o exame de toque corretamente para a paciente
(“colo fechado”/“sem dilatação”)?
Elaborou a hipótese diagnóstica (ausência de trabalho
de parto / período de pré-parto ou prodrômico)?
Tarefa 02
Orientou alta para casa?
Orientou retorno quando/se: aumentarem as
contrações (3/10 minutos por 1-2 horas), perder água
ou sangue, perceber redução de movimentação fetal?
(completo se 3 itens / parcial se 1 ou 2 orientações)
Sugeriu condutas sem justificativa ou erradas
(gera checklist negativo) - solicitou US, orientou repouso
em casa?
Utilizou linguagem adequada, sem jargões?
Debriefing
Moçada, normalmente as estações da USP-RP são bem diretas, afinal são
só 5 minutos por estação. Neste ano, a estação de GO cobrou uma etapa do
exame físico fundamental para o obstetra e ginecologista: o toque vaginal.
Além disso, tínhamos que avaliar se a paciente estava ou não em trabalho de
parto, conceito fundamental na formação de qualquer médico generalista.
Nossa missão agora é entender a teoria por trás da prática nessa estação.
Bora juntos!
262
O trabalho de parto consiste em uma série de contrações rítmicas
e progressivas que levam à modificação do colo uterino com o objetivo de,
gradualmente, mover o feto através da parte inferior do útero e do canal
vaginal para o mundo exterior. Clinicamente dividimos o trabalho de parto
ativo em 4 períodos:
• Primeiro período (dilatação): aqui começa o trabalho de parto
propriamente dito, quando são atingidas contrações uterinas regulares
e intensas capazes de produzir o apagamento e a dilatação do colo do
útero, e se estende até o colo estar totalmente dilatado, isto é, 10 cm de
dilatação.
• Segundo período (expulsivo): o segundo estágio do trabalho de parto
se inicia com a dilatação total do colo até a saída do feto.
• Terceiro período (secundamento ou dequitação/dequitadura): o terceiro
estágio começa com o desprendimento do feto e termina com a saída
da placenta e suas membranas.
• Quarto período (período de Greenberg): Alguns autores denominam
a primeira hora do puerpério como o quarto estágio, com o objetivo
de destacar a necessidade de maior vigilância, pois é nessa fase
que ocorrem as principais complicações hemorrágicas do pós-parto.
263
Com o avanço dos dias, as contrações uterinas tornam-se, progressivamente,
mais intensas, porém sem ainda haver dilatação progressiva e rápida do colo.
Nesse momento, também há aumento das secreções cervicais e, por vezes,
rajas de sangue, com eliminação do organismo desse muco, denominado
saída do tampão mucoso endocervical ou, popularmente denominado,
“sinal do parto”. Mas, lembre-se, a saída do tampão mucoso pode preceder o
parto em horas ou dias, não sendo uma marca para o diagnóstico do início
do trabalho de parto.
O toque vaginal
Como vimos, saber as características do colo uterino durante a evolução
do trabalho de parto é de extrema importância para um adequado manejo
da paciente, e, para isso, todo médico deve saber realizar, durante o exame
físico, o toque vaginal. E essa habilidade foi outro ponto cobrado na estação
de GO da USP-RP de 2020.
As finalidades do toque vaginal na obstetrícia são, basicamente:
• Identificar a apresentação fetal e variedade de posição, grau de descida
da apresentação, a presença ou não de membrana, a tensão da bolsa
amniótica, volume cefálico, o grau de flexão e assinclitismo.
• Avaliar a anatomia interna, os diâmetros ântero-posteriores, saliência
das espinhas ciáticas, retropulsão do cóccix, e determinar a forma
e o grau de concavidade sacra.
Contudo, o toque vaginal faz parte do exame físico tanto obstétrico quanto
ginecológico. A técnica é praticamente a mesma, a única diferença é que,
no exame ginecológico, fazemos o toque vaginal bimanual, colocando
a segunda mão sobre o baixo ventre no intuito de avaliar também
útero e anexos.
264
COMO REALIZAR O TOQUE VAGINAL
Orientar a paciente quanto ao procedimento e pedir
permissão para realizar o exame;
Preparar o material necessário (luva de procedimento
e vaselina);
Verificar se a paciente está com a bexiga vazia
(principalmente no TV ambulatorial);
Lavar as mãos;
Posicionar a paciente na maca ginecológica ou orientar
para flexionar as pernas e afastar os joelhos;
Calçar a luva e lubrificá-la com vaselina;
Entreabrir a vulva delicadamente, afastando os seus
pequenos lábios com os dedos polegar e anular. Introduzir
o dedo indicador e mediano no canal vaginal;
Realizar a avaliação obstétrica e/ou ginecológica;
265
REFERÊNCIAS
• ZUGAIB, Marcelo. Obstetrícia. 3ª ed. Barueri, São Paulo: Manole,
2016 e alterações
• REZENDE,J. Obstetrícia. 11ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2008.
• CARRARA, H.; PHILBERT, P. Exame Físico Ginecológico. Disponível
em <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4543092/mod_page/
intro/EXAME%20GINECOLOGICO.pdf> Acesso em 20/05/2020.
266
Pediatria
Pronto para encarar uma prova de acidente com animais peçonhentos?
Historicamente, a USP-RP expõe o cenário de prova antes do candidato
entrar na sala e, nesse ano, não foi diferente. A grande questão é que a
banca forneceu o cenário da prova de 2019 e, no fim, a estação foi anulada!
De qualquer forma, adequando o cenário, vamos encarar a estação
de pediatria da USP-RP 2020?
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos
• A estação é composta de tarefa única.
• Leitura de caso clínico antes de entrar no cenário de prova
Cenário:
• Examinador
• Atriz
• Tema: Acidente por escorpião
Início da Estação
Caso clínico:
Lactente de 8 meses chega no colo da mãe no pronto-socorro,
após ser encontrado no berço sem reação há 30 minutos.
Exame físico:
• Ectoscopia: mau estado geral, sonolento, hipotônico, sudoreico, cianose
de extremidades.
267
• Neurológico: Pupilas midriáticas, fotorreagentes.
• ACV: RCR 2T BNF sem sopros; presença de TJP; FC = 170 bpm;
PA = 110 x 84 mmHg; TEC = 4s.
• AR: MV+ com estertores crepitantes bilateralmente; SatO2 = 98%;
FR: 52 irpm.
• Abdome: Flácido, peristáltico, sem massas ou visceromegalias.
• Membros: Sem edemas, panturrilhas livres.
Tarefa única:
Converse com a mãe sobre a gravidade do caso e os passos subsequentes.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
268
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Questionou sobre ingestão acidental e/ou proposital
de medicamentos?
Indicou internação?
Prescreveu analgesia?
269
Debriefing
Considerada a estação mais difícil do ano, a prova de pediatria
da USP-RP 2020 ficou devendo associações epidemiológicas no caso clínico
para facilitar o diagnóstico de acidente por animal peçonhento, mas
isso não vai ser mais problema pro aluno Medway depois dessa revisão!
Vamos lá?
270
ano). Cerca de 50% dos casos ocorrem em São Paulo e em Minas Gerais.
E, por isso, o tema é recorrente em provas práticas e teóricas de
grandes bancas do interior de São Paulo, como USP-RP, UNICAMP,
UNESP e FAMERP.
271
• Respiratórias: taquipneia, dispneia e edema pulmonar agudo.
• Neurológicas: agitação, sonolência, confusão mental, hipertonia
e tremores.
272
Nos casos moderados e graves, a soroterapia está indicada. Sendo utilizado
tanto soro antiescorpiônico quanto soro antiaracnídico devido ao
semelhante mecanismo de ação. Na maioria dos casos graves, 4 ampolas são
suficientes para o tratamento, visto que neutralizam o veneno circulante e
mantêm concentrações elevadas de antiveneno circulante por pelo menos
24 horas após a administração da soroterapia.
273
Classificação Manifestações clínicas Soroterapia
O que fazer?
• Limpar o local com água e sabão;
• Procurar orientação médica imediata e mais próxima do local
da ocorrência do acidente (UBS, posto de saúde, hospital de referência);
• Se for possível, capturar o animal e levá-lo ao serviço de saúde,
pois a identificação do escorpião causador do acidente pode
auxiliar o diagnóstico.
274
• Não cortar, perfurar ou queimar o local da picada;
• Não dar bebidas alcoólicas ao acidentado ou outros líquidos como
álcool, gasolina, querosene, pois não têm efeito contra o veneno e podem
agravar o quadro.
E aí, agora dá pra encarar uma surpresa como essa na sua prova?
Continue acompanhando nossos documentos, temos muitas novidades
vindo por aí!
À disposição,
Equipe Medway.
REFERÊNCIAS
• Burns, D. [et al]. Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria.
4a edição. Barueri, SP: Manole, 2017.
• Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Manual de
Diagnóstico e Trata- mento de Acidentes por Animais Peçonhentos.
Brasília, 1998. p. 131.
• CARDOSO, I. L. C. et al. Animais Peçonhentos no Brasil: Biologia,
Clínica e Terapêutica dos Acidentes. São Paulo: Sarvier: Fapesp, 2003.
p. 468.
• SãO PAULO (Estado). Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo.
Manual de Diretrizes para Atividades de Controle de Escorpiões.
São Paulo, 1994. p. 48.
275
Preventiva
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos
• A estação é composta de uma única tarefa
• O caso clínico estava disponível na porta e dentro da estação,
você poderia ler novamente se julgasse necessário
Cenário:
• Examinador
• Ator
• Objetos disponíveis na cena: algodão, clips, caneta dentro de uma
bandeja, álcool gel
Início da Estação
Caso clínico:
Mario, 45 anos, procura atendimento na UBS, com queixa de mancha em
mão direita há mais de um mês.
Tarefa única:
Realize o atendimento.
276
Ao ser questionado pelo candidato, o ator trazia as seguintes informações:
• A lesão apareceu há alguns meses;
• Já tentou tratar com várias pomadas, algumas que comprou por conta
própria e outras que alguns médicos o receitaram, mas não notou
nenhuma melhora;
• Não notou lesões semelhantes em outra região do corpo;
• Sente um formigamento na mão direita, com anestesia na região
da lesão;
• Não notou perda de força na mão direita;
• Não se machucou por conta da diminuição de sensibilidade;
• Mora numa casa com mais 8 pessoas;
• Seu irmão tratou hanseníase há 8 meses.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
277
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Apresentou-se corretamente com nome e função?
Perguntou se o paciente sente formigamento, agulhada
ou queimação na mão ou no braço?
Perguntou se o paciente sente dor nos nervos
ou, especificamente, no nervo ulnar?
Perguntou se o paciente já se queimou ou se machucou
sem perceber?
Perguntou se o paciente percebeu diminuição ou perda
de força nas mãos?
Perguntou se há mais alguém da família com
manchas semelhantes ou que já foram diagnosticadas
com hanseníase?
Higieniza as mãos com o álcool em gel disponível na cena
antes de realizar o exame físico?
Pesquisou sensibilidade tátil com algodão em ambas
as mãos?
Pesquisou sensibilidade dolorosa com clipe de papel
em ambas as mãos?
Examinou o nervo ulnar?
278
Debriefing
Galera, questão batida nas provas práticas de preventiva! Hanseníase, essa
doença tão antiga quanto a própria humanidade que, apesar do tratamento
amplamente disponível, ainda é um grande problema de saúde pública!
Vez ou outra aparece em estações das grandes instituições do país e, nesse
ano, a USP-RP cobrou o tema de uma forma bem simples. Talvez a maior
dificuldade do candidato fosse ver a imagem da lesão e associar à hanseníase,
mas, ao conversar com o ator, ele mencionava o sintoma de diminuição de
sensibilidade, então não tinha erro! A maioria dos candidatos conseguiu
pensar facilmente em hanseníase.
279
A transmissão se dá por meio de contato íntimo e prolongado de uma
pessoa suscetível (com maior probabilidade de adoecer) com um doente
que não está sendo tratado. Normalmente, a fonte da doença é um
parente próximo. Observem que é exatamente o caso do nosso paciente!
Ele vive numa casa com muitas pessoas e, como a bactéria é transmitida
pelas vias respiratórias, viver em ambientes com aglomeração de pessoas
é um fator de risco. É sabido que a susceptibilidade ao M. leprae possui
influência genética. Assim, familiares de pessoas com hanseníase possuem
maior chance de adoecer. Estima-se que a maioria da população que entrar
em contato com o bacilo não adoecerá.
280
Para testar a sensibilidade, vamos recordar um pouco da semiologia
neurológica: por que deveríamos fazer um estímulo tátil e um estímulo
doloroso?
281
Figura 2 - demonstração do exame físico do nervo ulnar
282
Por fim, você deveria explicar ao ator sobre o diagnóstico de hanseníase,
focando em pontos importantes como:
• Enfatizar que a doença tem cura, que o tratamento é gratuito pelo SUS,
alertando sobre a importância da adesão ao tratamento para evitar
a resistência e a falência.
• A duração do tratamento é longa, podendo se estender por 6 meses
ou mais.
• Ao iniciar o tratamento, o paciente deixa de transmitir a doença
em poucas semanas.
• Os familiares devem ser rastreados para a doença.
Pessoal, essa foi uma estação simples sobre hanseníase que cobrou a
doença bem objetivamente, focando apenas no reconhecimento da lesão
de pele, exame físico e diagnóstico. Fiquem atentos para o assunto, pois
é muito comum algumas instituições repetirem questões semelhantes,
principalmente quando se trata de uma instituição de peso como a USP
Ribeirão. Alguns pontos que podem ser explorados por outras bancas são:
• Classificação da OMS: Multibacilar x Paucibacilar;
• Tratamento: saber indicar a poliquimioterapia adequada de acordo
com a forma clínica que o paciente apresenta;
• Métodos diagnósticos e suas interpretações.
Ficou a mensagem?
Um forte abraço,
Equipe Medway!
283
REFERÊNCIAS:
• MINISTÉRIO DA SAÚDE, Secretaria de Vigilância em Saúde,
Departamento de Vigilância e Doenças Transmissíveis, GUIA PRÁTICO
SOBRE A HANSENÍASE, Brasília– DF 2017.
• Leprosy: Epidemiology, microbiology, clinical manifestations, and
diagnosis, UPTODATE, Literature review current through: Apr 2020. |
This topic last updated: Jun 04, 2019.
• Lehman, Linda Faye et alli Avaliação Neurológica Simplificada/ Linda
Faye Lehman, Maria Beatriz Penna Orsini, Priscila Leiko Fuzikawa,
Ronise Costa Lima, Soraya Diniz Gonçalves. Belo Horizonte: ALM
International, 1997.
284
HIAE
2020
285
Clínica Médica
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
• A estação é composta de tarefa única
Cenário:
• Examinador
• Ator
Início da Estação
Caso clínico:
José, 40 anos, comparece à consulta na unidade básica de saúde com
queixa de dor suprapúbica.
Tarefa única:
Realize o atendimento.
286
• 3. Negava dor escrotal ou dor articular
• 4. Era casado
• 5. Quando questionado sobre hábitos sexuais, relatava uma relação
extraconjugal única e demonstrava culpa por isso
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
287
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Apresentou-se?
288
Orientou sempre usar preservativo e ofereceu os
disponíveis na UBS?
Notificou (neste caso, para unidade sentinela)?
Debriefing
Pessoal, estamos diante de uma estação que, a depender da forma que
é conduzida a anamnese no começo, pode fazer o candidato “dar uma
travada”. Observe que, de início, a queixa do paciente não corresponde tão
bem ao principal sintoma que ele apresenta. Isso é bem comum, já que
a prova prática quer testar não só o conhecimento teórico do candidato,
mas também a habilidade em contornar situações comuns
na relação médico-paciente.
Nessa estação, era preciso ter um certo “feeling” para conduzir a anamnese
e fazer as perguntas certas que te levariam ao diagnóstico de síndrome do
corrimento uretral. Você deveria tentar destrinchar essa queixa de dor
suprapúbica, questionando ativamente outros sinais e sintomas. O ator era
instruído a não entregar de graça a queixa de corrimento uretral, pois esse
é o sintoma-chave para a condução do caso, a partir do qual você tomaria
as condutas pertinentes.
289
Uma vez tendo conseguido tirar do ator a queixa do corrimento uretral,
era necessário questionar sobre os antecedentes sexuais do paciente, como
relações sexuais desprotegidas e aparecimento de úlceras ou vesículas
dolorosas na região genital, sintomas associados (linfadenomegalias são
comuns em IST’s!), além do básico de qualquer anamnese: comorbidades,
alergias e medicamentos de uso contínuo.
Quem não é aluno da Medway faz uma bobeira dessas e sai da prova
feliz da vida, achando que mandou muito bem. Aí chega o resultado,
toma um susto com a nota e fala que vai entrar com recurso!
Mas, você que acompanha a gente, já sabe: não adianta nada dar o diagnóstico
e receitar um remédio, a conduta deve ser a mais completa possível. Tão
importante quanto tratar uma IST é prevenir outras.
290
Já sobre a infecção por clamídia: no homem, é responsável por,
aproximadamente, 50% dos casos de uretrite não gonocócica. A transmissão
ocorre pelo contato sexual (risco de 20% por ato), sendo o período de
incubação de 14 a 21 dias. Caracteriza-se pela presença de corrimentos
mucoides, discretos, com disúria leve.
Mas apenas essas diferenças clínicas não são confiáveis para que você decida
por tratar apenas um dos dois agentes. O diagnóstico de certeza envolve
exames complementares, de acordo com o fluxograma estabelecido pelo
Ministério da Saúde. Nessa estação, o candidato que solicitasse análise
do corrimento, não o receberia. O que isso significa? Você deveria seguir
o fluxograma do ministério na opção sem acesso à exames complementares
e tratar empiricamente clamídia e gonorreia.
291
292
Prevenindo outras IST’s
Galera, agora que entram em cena vários detalhes que te fazem perder
pontos por bobeira, simplesmente por não lembrar deles na hora da prova.
Vamos destrinchar cada um deles?
• Vacinação: você deveria solicitar o cartão de vacinas do paciente para
checar se há as 3 doses recomendadas contra a hepatite B, uma doença
sexualmente transmissível e, felizmente, imunoprevenível;
• Testagem para IST’s: nas UBS de todo o território nacional,
estão disponíveis testes rápidos para HIV, Hepatites B e C e sífilis.
São uma excelente ferramenta para utilizar em consultas médicas para
fins de rastreio, mesmo quando a queixa principal do paciente não
envolve questões de exposição sexual desprotegida;
• Orientou uso de preservativo e ofereceu os disponíveis na UBS: é função
do médico orientar o paciente sobre práticas sexuais seguras e oferecer
os métodos disponíveis gratuitamente no SUS.
• Orientou a importância de comunicar às parceiras para que busquem
atendimento. Sim, pessoal, nosso paciente era casado e teve uma
relação extraconjugal na qual, provavelmente, contaminou-se.
O ator era instruído para se mostrar resistente à essa recomendação,
mas você deveria insistir, ressaltando a importância do tratamento dos
contatos sexuais para, além de evitar a reinfecção, evitar que outras
pessoas adquiram a doença por meio de portadores assintomáticos
da bactéria. As mulheres são, via de regra, oligossintomáticas.
Notificação compulsória
Aposto que dessa você já estava esquecendo, não é mesmo? De fato, esse
item do checklist pouquíssimos candidatos acertaram. Mas, também
pudera, item maldoso e bem questionável! Vamos lá: a síndrome do
corrimento uretral não consta na Lista de Notificação Compulsória atual,
nem constava na lista vigente à época da prova. Contudo, existe uma segunda
lista (calma! Já explico!) de doenças e agravos que devem ser notificados
apenas por unidades-sentinela. A Portaria 205, de 17 de fevereiro de 2016,
“Define a lista nacional de doenças e agravos, na forma do anexo, a serem
monitorados por meio da estratégia de vigilância em unidades sentinelas
e suas diretrizes.”
293
Quadro 1 - Lista Nacional de Doenças e Agravos a serem monitorados pela Estratégia de Vigilância Sentinela. Disponível
em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/prt0205_17_02_2016.html
294
O questionamento que cabia à banca era o seguinte: não ficou claro para
os candidatos que a UBS do caso clínico era uma dessas unidades sentinela,
já que é facultativa a participação dos estabelecimentos de saúde na rede
sentinela, como o seguinte artigo desta portaria pontua:
Pessoal, com exceção desse detalhe sobre notificação compulsória, vimos que
não há nenhuma grande dificuldade na condução deste caso! Esperamos que
essa breve revisão do assunto te ajude a conduzir uma estação semelhante
no final do ano!
REFERÊNCIAS:
• 1. Lista nacional de notificação compulsória por meio da estratégia de
vigilância sentinela no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS): https://
bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2016/prt0205_17_02_2016.html
• 2. Lista nacional de notificação compulsória: https://bvsms.saude.gov.
br/bvs/saudelegis/gm/2017/prc0004_03_10_2017.html
• 3. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para atenção integral às
pessoas com infecções sexualmente transmissíveis: http://www.aids.gov.
br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-p ara-
atencao-integral-pessoas-com-infeccoes
295
Círurgia Geral
Mais uma estação de procedimento, porém com a cara do Einsten, avaliando
seu jogo de cintura. Quem vem?
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
• A estação é composta de 1 tarefa
Cenário:
• Examinador
• Ator
Início da Estação
Caso clínico:
Paciente dá entrada no pronto atendimento com tosse crônica, febre,
inapetência, perda ponderal e sudorese noturna.
Tarefa única:
Realize o atendimento.
296
• Após dar o diagnóstico e a conduta inicial, o examinador, então, pedia
para citar o que era necessário solicitar na pesquisa laboratorial;
• Embora tenha causado um pouco de estranheza nos candidatos, a banca
não entregava os resultados dos exames (não precisava, apenas aparecia
num papel “exames solicitados”), a interpretação dos exames não
era o foco da questão;
• O candidato deveria indicar o procedimento necessário, explicando
ao paciente os motivos de sua realização, bem como excluindo possíveis
contraindicações;
• Neste momento, o paciente falava que tinha medo de agulha,
não desejando realizar o procedimento. O ápice da questão, digamos
assim, era contornar essa situação, dentro dos preceitos éticos
da autonomia e integridade.
• O paciente era, então, convencido e a estação seguia, agora, com o passo
a passo do procedimento.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
297
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa Única
Apresentou-se e definiu-se como médico?
298
Respeitou, sobretudo, a autonomia do paciente na decisão
pela realização da toracocentese, conduzindo o caso
dentro dos princípios éticos da medicina?
Prosseguiu após obtenção do consentimento espontâneo
e bem informado do paciente?
Separou os materiais: avental, máscara, touca, óculos,
seringas, agulhas, jelco, luva estéril, pinça ou Cheron,
gaze, clorexidina, tubos para armazenamento de material,
esparadrapo e lidocaína?
Posicionou o paciente (sentado) e solicitou ajuda
para sustentação do paciente (risco de queda durante
o procedimento)?
Organizou materiais com técnica asséptica?
299
Debriefing
Galerinha, estação de procedimento com o jeitinho Einstein de ser.
Para quem não sabe, é uma prova na qual os aspectos não técnicos são
fundamentais e correspondem a 70% das estações: postura profissional,
ética, educação e vínculo com o paciente.
Para que esse líquido se acumule, está entrando líquido a mais ou saindo
menos, certo? Para entrar mais, 4 das seguintes situações podem estar em
curso: 1) pressão hidrostática aumentada; 2) pressão oncótica diminuída;
3) aumento da permeabilidade capilar; 4) diminuição da pressão no espaço
pleural. Para que saia menos, a drenagem linfática tem que estar prejudicada,
afinal, como mencionado anteriormente, ele é um líquido intersticial.
300
A etiologia do derrame está diretamente relacionada ao seu mecanismo
de formação. Sabemos que ele pode ser dividido em transudato e exsudato.
Se houver aumento da pressão hidrostática, como na insuficiência cardíaca,
ou diminuição da pressão oncótica decorrente da hipoalbuminemia, como
na síndrome nefrótica, por exemplo, teremos um acúmulo de líquido com
baixo teor de proteína = transudato. Já mudanças na permeabilidade capilar,
provocadas por infecções bacterianas e tuberculose, podem gerar coleções
com alto teor de proteínas = exsudato.
301
Realizado o diagnóstico sindrômico de derrame pleural, vamos indicar a
nossa conduta. Todo paciente com derrame pleural deve ser puncionado?
NÃO! As indicações são apenas 2: procedimento diagnóstico para
esclarecer a etiologia do derrame ou terapêutico para o alívio de grandes
derrames. Exemplificando: se um paciente interna com IC descompensada,
apresentando pequeno derrame pleural à direita, sem indícios de que exista
outra causa que justifique o derrame, não devemos realizar a toracocentese
302
e nem desista dela (afinal, vocês são alunos MEDWAY e estão no caminho
certo).
Com o dorso exposto, deve-se marcar o sítio de punção. Ele deve estar
entre 5 e 10cm de distância da coluna vertebral (no lado acometido, de
preferência, fazendo o favor!) e 1 ou 2 espaços intercostais abaixo do
limite superior do derrame que deve ser limitado através do exame físico.
Atenção: assim como na drenagem pleural, o sítio de punção deve sempre
ser localizado na margem superior da costela, evitando, assim, a lesão do
feixe vasculonervoso que passa na margem inferior; não devemos puncionar
abaixo da 9ª costela sob risco de punção abdominal acidental.
303
até atingir a borda superior da costela inferior. Conectamos a seringa de
50 mL ao nosso jelco e introduzimos, aspirando lentamente até observar
retorno de líquido pleural.
304
4º: avaliação citológica do líquido. Importante solicitarmos a citometria
total e diferencial - a depender da etiologia, pode haver predomínio de
polimorfonucleares (pneumonia bacteriana) ou mononucleares (tuberculose
pleural, neoplasias) e a pesquisa de células neoplásicas.
O examinador não nos entregava exame algum, porém vamos recordar aqui
o que esperar de cada um de acordo com a nossa principal suspeita:
Por fim, ADA aumentada (> 40) nos fala bastante a favor de tuberculose.
Para lembrar: ADA é uma enzima que tem sua atividade aumentada em
líquidos pleurais de pacientes com tuberculose. Possui uma sensibilidade
de 90% - 100% e especificidade de 89% - 100%.
305
Só para terem uma ideia, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia
(SBPT), autoriza o tratamento da tuberculose pleural diante do achado
de exsudato com mais de 75% de linfócitos, ADA > 40 e ausência de células
neoplásicas.
Essa foi mais uma estaçãozinha de cirurgia pra você chegar voando lá no
fim do ano!
Forte abraço,
Equipe Medway
REFERÊNCIAS:
• 1. SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica
moderna. 20a ed. Saunders. Elsevier.
• 2. Goldman, L.; Schafer, AI. Goldman’s Cecil Medicine. 25th ed.
Philadelphia: Elsevier Saunders, 2016.
• 3. Seiscento M, Conde MB, Dalcolmo MM. Tuberculose pleural. Jornal
Brasileiro de Pneumologia. 2006 Aug;32:S174-81.
• 4. Silva GA. Derrames pleurais: fisiopatologia e diagnóstico. Medicina
(Ribeirão Preto. Online). Jun 30;31(2):208-15.
306
Ginecologia
e Obstetrícia
Vamos mudar um pouco o foco da obstetrícia nas provas práticas de
2020 e vamos para uma estação super bem elaborada de ginecologia.
Joga a preguiça pro lado e bora nessa!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 10 minutos com caso clínico na porta
para leitura do candidato antes de iniciar a estação
• A estação é composta por 01 tarefa única
Cenário:
• Examinador
• Atriz
• Objetos disponíveis na cena: manequim de modelo de mama
Início da Estação
Caso clínico:
Você irá atender uma paciente de 30 anos de idade. Ela relata que, durante
a realização do autoexame, percebeu um nódulo em mama esquerda.
Ela refere ainda que irá se casar em breve e está muito receosa com
a possibilidade de estar com câncer de mama.
Tarefa Única:
Realize o atendimento desta paciente.
307
No início desta estação o candidato deve realizar uma anamnese direcionada
para a queixa da paciente.
308
Caso solicitada uma core-biopsy de mama, o candidato recebia o impresso:
• Anatomopatológico: Fibroadenoma.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa Única
Apresentou-se adequadamente?
309
Realizou exame de palpação de mama com características
a serem observadas no nódulo?
Solicitou mamografia?
Solicitou core-biopsy?
Debriefing
Moçada, no ano de 2020, a prova prática do Hospital Israelita Albert
Einstein cobrou a investigação do nódulo mamário em uma paciente jovem,
queixa mais comum no consultório do ginecologista. Além disso, como
toda estação do Einstein, a relação médico-paciente e os aspectos éticos
tiveram que ser trabalhados durante a consulta, explorando as queixas
e os sentimentos da paciente frente à situação.
Nódulo mamário
Para início de conversa, um nódulo de mama é toda tumoração presente
na glândula mamária, podendo apresentar conteúdo cístico ou sólido.
Em geral, o seu achado é assimétrico quando comparado à outra mama.
As principais causas de nódulos são (conhecer os tipos de lesões é importante
para nossos diagnósticos diferenciais):
310
• Fibroadenoma: são as lesões benignas mais frequentes. São tumores firmes,
elásticos, apresentando bordas regulares e lisas. Possuem crescimento
lento e atingem, em média, 2 a 3 cm. Não apresentam alteração cutânea
e linfadenomegalia reacional. Podem alterar o tamanho conforme a fase
do ciclo menstrual, geralmente aumentam na gestação e amamentação,
e involuem na menopausa. Pico de incidência: mulheres jovens
até 35 anos.
311
• Há quanto tempo ela sente o nódulo e sua localização?
• Se a lesão aumentou de tamanho ou não
• Presença de dor local? Se sim, está associada ao ciclo menstrual?
• Presença de alterações na pele?
• Presença de descarga papilar? Se sim, quais as características?
• Antecedentes ginecológicos, obstétricos e hábitos de vida
• Antecedentes familiares
• Idade da paciente (fator muito relevante, pois essa pequena informação
permite a correlação da faixa etária com as principais lesões nodulares)
Exame Físico
Outro ponto fundamental na avaliação de um nódulo mamário é a realização
do exame físico minucioso das mamas. A seguir, temos o passo a passo
para você não errar na hora do prova prática e na vida.
312
COMO REALIZAR O EXAME FÍSICO DAS MAMAS
Exames Complementares
A mamografia, normalmente, é o exame inicial de escolha nos casos
de nodularidades, adensamentos, calcificações e cistos, pois ela possibilita
a observação das características radiológicas da lesão (sinais de benignidade
ou de suspeita de malignidade). Contudo, em mamas densas (paciente
jovens como no caso da paciente da prova do Einstein), a definição
radiológica pode ficar comprometida, dificultando a nossa avaliação.
Nesses casos está indicado a realização da ultrassonografia como
complemento ao exame mamográfico.
313
que correlaciona os achados mamográficos ou ultrassonográficos com
a conduta a ser tomada, conforme a tabela a seguir:
BIRADS CONDUTA
Complementação com outro
BIRADS 0: inconclusivo
método
BIRADS 1: sem achados Seguimento conforme faixa etária
Avaliação histopatológica
A escolha do método de biópsia depende de vários fatores como:
tipo e localização da lesão, tamanho, classificação radiológica, composição
e tamanho da mama da paciente, do material e recurso humano disponível
no serviço. Dentre as opções, temos:
• Core-biopsy: procedimento ambulatorial, realizado sob anestesia local,
indicado para nódulos sólidos maiores de 5mm e/ou microcalcificações
agrupadas;
• Mamotomia (biópsia percutânea a vácuo): indicada para esclarecimento
de lesões não palpáveis;
• Biópsia cirúrgica: método mais tradicional e mais disponível. Dividido
em 2 modalidades:
• a. Incisional: indicada para tumores de grandes dimensões;
• b. Excisional (retira toda a lesão): indicada nos casos de lesões menores.
314
No caso da nossa paciente, temos uma jovem sem fatores de risco para
CA de mama, com uma mama densa e BIRADS 4 na ultrassonografia, sendo
indicado biópsia. E qual escolher? Com certeza a core-biopsy seria a mais
indicada caso disponível por ser um método ambulatorial, simples, rápido
e eficaz, com menos trauma para a paciente (e lembre-se que na prova
prática tudo está disponível a não ser que a questão te fale o contrário).
Bora pra cima, moçada! Foca nos estudos que a quarentena está acabando
e a residência, chegando. Um abraço!
Equipe Medway
REFERÊNCIAS
• 1. HOFFMAN, Barbara L. et al. Ginecologia de WILLIAMS. 2 ed. Porto
Alegre. Artmed. 2014.
• 2. NAZARIO, Afonso Celso Pinto et al. Matologia: Condutas Atuais.
1 ed. Manole. 2015.
• 3. Frasson A, Novita G, Millen E, Zerwes F et al.Doenças da Mama -
Guia de Bolso
• Baseado em Evidências - 2a. Edição. Editora Atheneu.
315
Pediatria
Pronto para encarar a estação de pediatria da USP-SP 2020?
Pegue seu cronômetro, tire as distrações e parte pra cima!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
• A estação é composta de tarefa única
Cenário:
• Examinador
• Atriz com papel de enfermeira
• Objetos disponíveis na cena: manequim e materiais de RCP
• Tema: condução de insuficiência respiratória aguda / PCR
Início da Estação
Caso clínico:
Criança de 11 meses internada na enfermaria por conta de uma bronquiolite.
No exame físico, apresenta ECG = 3, FR = 4, pulso presente, PA = 62 x 43
(hipotenso para a idade); SatO2 = 80%; MV+ com sibilos.
Tarefa única:
Realize o atendimento do lactente.
316
No entanto, essa profissional tinha acabado de entrar no hospital,
sendo inexperiente, o que limitava o acesso a alguns materiais durante a
condução da estação (por exemplo, se o candidato pedisse um tubo pra
enfermeira e o tubo nunca chegava porque esta não achava os materiais,
tinha dificuldade de se localizar).
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa única
Apresentou-se e definiu-se como médico?
317
Chamou ajuda com carrinho de parada, solicitou
monitorização e acesso venoso?
Escolheu o dispositivo Bolsa-Válvula-Máscara (BVM)
adequado (bolsa de lactente, máscara que cobre nariz
e boca, sem cobrir os olhos do paciente) e solicitou
materiais adequados para IOT/suporte ventilatório?
Aplicou corretamente as ventilações (12 a 20 por minuto),
utilizando técnica C-E e com oxigênio em alto fluxo
conectado à BVM?
Checou pulso após 2 minutos e diagnosticou parada
cardiorrespiratória?
Iniciou e orientou a enfermeira para RCP em 2 socorristas,
15:2, trocando a cada 5 ciclos ou 2 minutos?
Indicou internação?
318
Verbalizou e direcionou claramente os comandos, checando
entendimento/compreensão pela equipe (contato visual)?
Demonstrou segurança na condução da estação, apesar
das informações escassas sobre o caso e da inexperiência
da equipe?
Debriefing
Pronto para revisar uma prova de fluxograma na pediatria? A estação do
HIAE 2020 não fugiu de um dos temas mais cobrados em prova prática dessa
especialidade: PALS. Entretanto, a banca ousou em abordar importantes
atritos de comunicação durante uma RCP para avaliar a conduta ética do
candidato. Aproveite essa revisão para não deixar escapar sua nota em um
tema comum como esse!
Circulação
319
Em relação à aparência, temos, como pontos de observação, o grau de
interatividade, o tônus muscular e a resposta verbal ou choro. No que tange
o estado circulatório da criança, é preciso avaliar a cor geral, se pálida,
moteada ou cianótica. Por fim, na respiração, avaliamos a posição do
paciente (posição tripé ou posição olfativa), esforço respiratório (retrações)
e sons respiratórios inesperados (estridor, respiração com sons).
Desconforto
Insuficiência Respiratória
respiratório leve
320
A criança observada na estação apresentava critérios clínicos suficientes
para diagnosticar insuficiência respiratória aguda com comprometimento
neurológico, com pulso presente, sendo necessário iniciar as manobras
de resgate ventilatório. Nesse caso, ainda havia indicação precisa para
intubação orotraqueal, porém tal ação era postergada ao longo da estação
pela dificuldade de interação com a equipe de suporte. De qualquer forma,
estamos numa prova de fluxograma de insuficiência respiratória com
bradicardia sintomática, sendo indicada a ventilação com bolsa-válvula-
máscara com suporte de oxigênio. Ainda assim, a criança permanecia com
quadro e com FC<60 bpm. Nesse sentido, é necessário iniciar manobras de
ressuscitação cardiopulmonar conforme fluxograma do Suporte Avançado
de Vida na Pediatria.
321
322
Após a identificação e abordagem da insuficiência respiratória com pulso
sem sucesso, o PALS indicia o reconhecimento de parada cardiorrespiratória
e início imediato das medidas de reanimação cardiopulmonar.
Nesse caso, era preciso iniciar massagem cardíaca para RCP de qualidade.
Na pediatria, não podemos esquecer das diferenças com a reanimação
do adulto: a primeira delas é a checagem de pulso, sendo, nos menores
de 1 ano, o pulso braquial e, maiores de 1 ano, o pulso femoral ou
carotídeo. A palpação deve ser feita sempre por pelo menos 10 segundos.
Além disso, não devemos esquecer da diferença da relação de compressão
ventilação na presença de mais de um socorrista. Sendo com 1 socorrista
semelhante à reanimação cardiopulmonar dos adultos, com relação
de 30 compressões para 2 ventilações e com dois socorristas a relação
15 compressões para 2 ventilações.
Por fim, devemos lembrar que sendo a hipóxia a principal causa de PCR em
crianças, o ritmo de parada para seguimento dos cuidados de reanimação
será a Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP). Nesse sentido, é preciso reverter
o quadro com a resolução da hipóxia com via aérea avançada definitiva
(IOT) e de outras possíveis causas enquanto realiza todo o ciclo de RCP e
aplicação de adrenalina na dose 0,01mg/kg (0,1ml/kg na concentração de
1:10.000), podendo ser repetida a cada 3-5 minutos. Entre as outras possíveis
causas, devemos sempre considerar os 6Hs e 5Ts:
6 H’s 5 T’s
Hipotermia
323
Além disso, não podemos deixar de reforçar toda boa relação entre
equipe de reanimação, adequando uma postura de liderança sem abuso ou
intolerância com limitações de parceiros de equipe, priorizando sempre
o bem-estar da assistência ao paciente. Lembre-se sempre de usar uma
comunicação de circuito fechado, com comandos feitos e respostas para
cada comando, reforçando cada etapa e reduzindo erros de tarefas ou
reconhecendo precocemente a limitação do parceiro de equipe para a
tarefa solicitada. Em uma estação como essa, em que as tarefas solicitadas
não são realizadas, atente-se sempre para as possibilidades de abordagem
que a prova deve estar sugerindo a você. Recorde-se sempre de que quando
a prova começa a girar em círculos, muitas vezes pode ser sua postura que
não está adequada com o que o examinador deseja. Volte, repense e analise
o que seria mais próximo da sua experiência de provas aqui com a Medway.
REFERÊNCIAS
• 1. AHA. Pediatric Advanced Life Suport Provider Manual, 2017.
• 2. Kliegman, R. Nelson Textbook of Pediatrics. Edition 21. Philadelphia,
PA: Elsevier, 2020.
324
UNIFESP
2020
325
Clínica Médica
Vamos com tudo nessa estação de Clínica Médica da UNIFESP!
Concentração e foco a partir de agora.
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos
Cenário:
• Examinador
• Ator
• Objetos disponíveis na cena: martelo de Babinski por cima da maca
Início da Estação
Caso clínico:
Você atende um homem de 34 anos de idade, operador de telemarketing, com
dor lombar há 7 dias. Na anamnese, ele refere piora da dor à movimentação
e melhora em repouso. Nega alterações urinárias ou sistêmicas.
Nega episódios semelhantes anteriores.
Tarefa 01:
Faça e descreva o exame físico direcionado.
326
Tarefa 02:
Qual é o diagnóstico sindrômico?
Tarefa 03:
Você pediria algum exame complementar nesse momento? Se sim, qual?
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Solicitou exame físico no paciente sem a camiseta?
327
Tarefa 02
Diagnóstico: dor lombar/lombalgia mecânica OU dor
lombar/lombalgia mecânica aguda OU dor lombar/
lombalgia inespecífica aguda OU dor musculoesquelética
aguda inespecífica?
Tarefa 03
Não solicitou exame complementar?
Debriefing
Estação interessante e direta cobrada pela UNIFESP em 2020.
Lombalgia é um dos principais motivos de procura ao departamento de
emergência e a estação cobrou do candidato basicamente a realização do
exame físico de um paciente com queixa de dor lombar, conforme vocês
podem observar nos itens do checklist.
328
ainda conforme o tempo de evolução: aguda (menos que 3 meses) e crônica
(maior que 3 meses). Apenas com esses dados já poderíamos pensar que o
paciente da estação aparentemente apresentava uma lombalgia de origem
mecânica aguda, mas vamos prosseguir com nosso raciocínio.
Avaliação da marcha
329
Palpação da coluna e musculatura: palpação de todos processos
espinhosos, buscando pontos dolorosos, desvios na coluna, etc
e da musculatura paravertebral em busca de pontos que podem desencadear
dor.
Avaliação da amplitude do movimento da coluna lombar: flexão
(pode ser realizado teste de Schober), extensão e lateralização
Avaliação de comprometimento radicular (pode ser realizada a manobra
de Lasègue bilateralmente)
Avaliação de reflexos: testar reflexos aquileu e patelar bilateralmente com
as pernas pendentes
Avaliação da força muscular: avaliar MMII e MMSS inclusive contra
resistência (podemos graduar a força muscular de 0 a 5 da seguinte
forma: 5 força muscular normal, 4 vence parcialmente a resistência,
3 vence a gravidade, 2 não vence a gravidade, 1 tem apenas tônus
e 0 não apresenta tônus)
Avaliação do quadril: pode-se realizar a manobra de Patrick, também
chamada de FABERE (Flexão, ABdução e Rotação Externa)
330
ou de imagem, pois o diagnóstico é clínico. Este conceito foi justamente
abordado na tarefa 03.
Perda de peso
Febre
História de neoplasia
331
Treinem bastante e continuem dando aquele gás!
REFERÊNCIAS
• 1. VELASCO, Irineu Tadeu; BRANDÃO NETO, Rodrigo Antonio;
SOUZA, Heraldo Possolo de; et al. Medicina de emergência: abordagem
prática. [S.l: s.n.], 2019.
• 2. Longo, DL et al. Harrison’s Principles of Internal Medicine. 20th ed.
New York: McGraw-Hill, 2018.
• 3. MARTINS, Milton de Arruda. Manual do Residente de Clínica
Médica. 2° ed. São Paulo: Manole, 2017
332
Cirurgia Geral
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos
• A estação é composta por 1 tarefa
Cenário:
• 2 examinadores
• Ator
• Cenário: modelo para sutura + materiais (2 seringas - 10 mL e 3 mL, gaze,
lidocaína, agulha rosa e preta, nylon 2.0 e 4.0, vicryl, porta-agulhas, pinça
dente-de-rato, pinça anatômica, tesoura de Mayo e Metzenbaum, pinças
hemostáticas - Kelly, Crile retas e curvas, não havia solução degermante
ou soro fisiológico)
Início da Estação
Caso clínico:
Rosana Santos, 43 anos de idade, doméstica, sem comorbidades,
apresenta corte no antebraço provocado por objeto de vidro há 30 minutos.
333
superior direito com sangramento de pequena monta, sem exposição
de estruturas nobres e sem contaminação grosseira.
Todos os pulsos estão presentes, cheios e simétricos.
Tarefa única:
Realize a sutura da pele, prescrição e orientações relacionadas
ao procedimento.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa única
Apresentou-se e identificou a paciente?
Orientou sobre o procedimento e solicitou consentimento
verbal da paciente?
Fez menção à antissepsia e EPI?
334
Fez menção à limpeza da ferida com soro fisiológico 0,9%?
Realizou sutura de pele no simulador de antebraço
(ponto simples, separados)?
Realizou curativo com gaze estéril e micropore?
Debriefing
Galerinha, a bola da vez é a discussão sobre suturas! Muito do que
aprendemos vem de “orelhadas” na técnica operatória ou no próprio PS.
Francamente, quem aqui já parou para ler sobre a teoria da sutura?
Garanto que quase ninguém. O problema disso é que, muitas vezes,
cometemos erros absurdos por causa da falta de bagagem teórica
sobre o assunto. Vamos aprofundar um pouco na matéria de maneira
rápida e objetiva para que vocês ganhem um bom embasamento teórico.
Aplicando e alinhando esse conhecimento à prática, não vai ter para
ninguém!
Um procedimento tão simples como uma sutura, será que tem alguma
contraindicação? Claro e você sabe qual é: a possibilidade de infecção.
335
Para que a gente faça essa suspeição, alguns dados devem estar presentes
na nossa anamnese, tais como: tempo entre a lesão e a avaliação da ferida,
a localização e o mecanismo pelo qual se originou a ferida. Exemplificando:
lesões em extremidades, intervalo de tempo maior que 6 horas,
feridas por mordedura - todas essas são condições que devem ser avaliadas
individualmente e podem contraindicar uma sutura.
336
O calibre dos fios é dado pelo número de “zeros”. Quanto mais zeros,
menor será. Lugares mais delicados como pálpebras, exigem fios mais
delicados, ao contrário de lugares de pele mais espessa, como planta do
pé, que necessitam de um fio mais grosso - por possuir maior tensão.
De maneira prática: temos fios de maior diâmetro (1, 2, 3, 4, 5, 6, este último
o maior) e de menor diâmetro (1-0, 2-0, 3-0, 4-0 ... 12-0, este último o menor).
Vejam a figura abaixo:
São três: náilon, aço e polipropileno (prolene). O fio de aço é o mais resistente
de todos, muito utilizado na cirurgia cardíaca, torácica e ortopédica.
O prolene é bastante utilizado para estruturas delicadas como anastomoses
em geral. O náilon ou nylon, também denominado poliamida - é o fio mais
famoso que temos, conhecido como o fio da pele, por ser praticamente
inerte - possui mínima reação tecidual.
337
Na prova, ele nos deu 3 possibilidades de fio: nylon 2-0, 4-0 e vicryl.
O que melhor se encaixa para o procedimento proposto é, sem dúvidas,
o nylon 4-0. Beleza?
Pronto, feita essa breve revisão de qual fio escolher, vamos agora destrinchar
o procedimento em questão.
338
ou seja, retirada de tecido necrótico eventualmente presente.
A estação não cobrou, mas é justo com a paciente que a gente prescreva
analgésicos, se necessário, para casa.
339
Um último detalhe: quando indicamos o uso de antibiótico?
Anotem aí: na presença de infecção óbvia, nos casos de mordedura, extremos
de idade, imunodeprimidos, diabéticos, presença de contaminação grosseira,
acometimento de estruturas profundas, tempo > 6 horas.
Por isso, sempre que possível, inclua no seu atendimento perguntas que
te falem a favor ou contra o uso de atb - idade, comorbidades, mecanismo
e intervalo de tempo entre a lesão e avaliação - e solicite dados do
exame físico, explore a ferida buscando avaliar a profundidade, presença
de contaminação e sinais de infecção.
REFERÊNCIAS:
• 1. SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica
moderna. 20a ed. Saunders. Elsevier.
• 2. Medeiros, Aldo Cunha, Irami Araújo-Filho, and Marília Daniela
Ferreira de Carvalho. "Fios de sutura." Journal of Surgical and Clinical
Research 7.2 (2016): 74-86.
• 3. Barros, Mónica, et al. "Princípios básicos em cirurgia: fios de sutura."
Acta Med Port 24.S4 (2011): 1051-1056
340
Ginecologia
e Obstetrícia
Estação de GO da UNIFESP, bastante prática que misturou habilidades
do exame físico com conhecimento teórico e um pouco de perspicácia
do candidato. Preparado para mais essa?
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos
• A estação é composta por 03 tarefas sequenciais
• O caso clínico e as tarefas estavam dispostas em cards plastificados
em cima da mesa
Cenário:
• Examinador
• Objetos disponíveis na cena: Um manequim de toque vaginal + caixa
de luvas de procedimento + gel + soro fisiológico na bandeja
Início da Estação
Caso clínico:
Você irá atender uma puérpera pós-parto vaginal há 45 dias, que refere
secreção vaginal amarronzada com odor fétido há 15 dias. Encontra-se em
bom estado geral, corada, hidratada, afebril. Mamas puerperais com saída
de leite. Abdome flácido, indolor, sem outras alterações.
341
Tarefa 01:
Faça o toque vaginal descrevendo as etapas e os achados do exame.
Tarefa 02:
Realize a conduta necessária.
Tarefa 03:
Dê as orientações em relação ao diagnóstico.
(Tarefas 02 e 03 eram entregues juntas)
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa Única
Apresentou-se para a paciente?
Calçou as luvas?
342
Fez o toque bimanual para palpar o útero?
Debriefing
Moçada, a prova da UNIFESP é outra prova composta por estações bem
diretas e práticas, afinal são só 5 minutos por estação e ainda temos uma
prova multimídia para fazer. No ano de 2020, a estação de GO cobrou uma
etapa do exame físico fundamental para o obstetra e ginecologista, e que
já foi tema de discussão aqui no nosso Debriefing, na prova da USP-RP:
o toque vaginal.
Frente a esse diagnóstico de erro médico, temos que explicar para a paciente
o ocorrido, que situações como essa podem acontecer, mas que não houve
nenhuma repercussão sistêmica, como infecção, e que não há, portanto,
a necessidade de uso de nenhuma medicação, muito menos antibioticoterapia
ou profilaxia.
343
Na prova da UNIFESP, a estação de GO só tinha um avaliador dentro
de sala, mas, mesmo assim, uma das tarefas era dar as condutas frente ao
diagnóstico. Nunca se esqueça de falar tudo, mesmo que não tenha nenhum
atriz na cena.
Dois pontos teóricos que temos que abordar nessa estação são: relembrar
o passo a passo da realização do toque vaginal e os diagnósticos diferenciais
de secreção fétida no pós-parto.
344
Entreabrir a vulva delicadamente, afastando os seus pequenos lábios
com os dedos polegar e anular. Introduzir o dedo indicador e mediano
no canal vaginal;
Realizar a avaliação obstétrica e/ou ginecológica (lembrar do toque
bimanual - palpar útero e anexos);
Retirar a luva e lavar as mãos;
Diagnósticos diferenciais
Na estação da UNIFESP 2020, temos uma paciente no puerpério tardio/
remoto com queixa de corrimento amarronzado e fétido há 15 dias.
Diante desse quadro clínico o diagnóstico de infecção puerperal tem que
acender em nossa cabeça, mas veja que ela não possui nenhum outro sintoma
associado como febre, dor abdominal, disúria, polaciúria, entre outros.
Como vimos, ela não possui nenhum desses outros sintomas pois
o diagnóstico é de corpo estranho esquecido dentro do canal de parto
e que repercutiu apenas com a saída de secreção fétida.
345
A cesariana é o fator de risco mais importante para o desenvolvimento
de infecção puerperal, aumentando o riso em 5-30 vezes.
Outros fatores incluem: ruptura prematura de membranas ovulares
(RPMO), trabalho de parto prolongado, anemia, DM, bacteriúria
na gestação, episiorrafia. Os microorganismos causadores dessas
infecções são na sua maioria da microbiota do trato genital inferior
(Streptococcus beta-hemolítico, Staphylococcus aureus, E. coli, Klebsiella,
Proteus, Enterobacter, enterococos).
346
REFERÊNCIAS
• 1. ZUGAIB, Marcelo. Obstetrícia. 3a ed. Barueri, São Paulo: Manole,
2016 e alterações
• 2. REZENDE,J. Obstetrícia. 11a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2008.
• 3. HOFFMAN, Barbara L. et al. Ginecologia de WILLIAMS. 2 ed. Porto
Alegre. Artmed. 2014.
• 4. https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4543092/mod_page/intro/
EXAME%20GINECOLOGICO.pdf
347
Pediatria
Vamos conferir como foi a estação de pediatria na UNIFESP 2020?
Concentre-se porque o tema é quente!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 5 minutos
• A estação é composta de 4 tarefas
• Caso clínico e tarefas em cards dentro da sala
• O aluno tinha autonomia para antecipar tarefas
Cenário:
• Examinador
• Atriz
• Objetos disponíveis na cena: manequim coberto com lençol
• Tema: Maus tratos na infância
Início da Estação
Caso clínico:
Menina, 4 anos de idade, vem trazida ao pronto atendimento por sua tia,
com queixa de dor e inchaço na coxa direita há 1 dia. A mãe da menina
disse à tia que a criança brigou com o irmão de 3 anos e foi atingida por
um cabo de vassoura. A tia não presenciou o ocorrido, mas, como a menina
está chorosa e não quer sair da cama, decidiu trazê-la para ser examinada.
Tarefa 01:
Faça o exame físico direcionado à queixa e descreva os seus achados.
348
• Caso o candidato, ao exame, realizasse a exposição completa do paciente,
eram observadas no manequim diversas lesões contusas em variados
estágios de evolução. A principal estava na coxa, porém também havia
lesões no tórax e dorso.
• Durante a anamnese, a tia se omitia em todos os questionamentos
com "não sei" ou “não estava presente”
Tarefa 02:
Elabore a hipótese diagnóstica e justifique.
Tarefa 03:
Solicite exames para investigação diagnóstica e interprete os resultados.
Tarefa 04:
Cite as condutas indicadas para essa paciente e informe a acompanhante.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
349
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Tirou as roupas da paciente?
Tarefa 02
Fez diagnóstico de abuso físico/violência física/maus
tratos?
Justificou a hipótese pela história?
Tarefa 03
Solicitou radiografia?
Solicitou hemograma?
Solicitou coagulograma?
Tarefa 04
Indicou internação?
350
Informou à tia sobre a necessidade da internação?
Debriefing
Pessoal, o tema abordado pela banca da UNIFESP 2020 é tema quente!
Cada vez mais abordado nas provas práticas, devido à possibilidade de
entremear assuntos de conduta ética profissional e fluxos de acionamento
social, como a vara da infância e o conselho tutelar. Lembre-se que as bancas
têm aumentado cada vez mais a pontuação de condutas que envolvem ética
médica e relação médico-paciente, as provas de pediatria e de preventiva
são campos cheios para isso! Não vamos dar esse mole e deixar esses pontos
de lado, combinado? Vamos lá!
Para começar, estamos diante de um breve caso clínico descrito como uma
lesão na coxa direita de uma criança. Podemos conduzir como um acidente
simples, descrevendo condutas de ATLS, porém não podemos deixar de
considerar a hipótese de maus-tratos. Você chegou a pensar nessa hipótese
logo quando leu o caso clínico? Vamos ajustar esse conceito para que na
próxima você esteja mais preparado para questionar se está numa estação
de maus-tratos!
351
o ambiente em que a criança vive e estar atento ao histórico discrepante,
como a incompatibilidade de informações relatadas e achados no exame
físico. Alguns indicadores de violência na criança podem ser encontrados
abaixo:
• Introspecção, timidez e passividade exageradas;
• Incompatibilidade entre dados do histórico e achados clínicos;
• Omissão total ou parcial do histórico de trauma;
• Informantes que mudam o histórico a cada vez que fornecem dados;
• Demora inexplicável na procura de recursos médicos na presença
de trauma evidente;
• Crianças maiores que não querem relatar o que aconteceu, com medo
de represálias;
• Histórico de outras violências na família.
352
trauma repetitivo na região. Na cavidade oral, são frequentes as lesões
de mucosas, além de alterações dos dentes (amolecimento,
escurecimento, etc).
Evolução de hematomas
Aspecto da lesão Tempo de evolução
353
• Tórax e abdome: traumatismos nestas regiões podem ser causa de
morte. O mecanismo é agressão direta, geralmente pelo punho do
adulto ou por brusca desaceleração após a criança ser empurrada.
No tórax, pode haver hemo ou pneumotórax secundários às
fraturas de costelas (bastante raras em traumas acidentais).
Os traumas fechados (socos ou pontapés no abdome podem provocar
perfurações de vísceras ocas e rupturas de fígado ou baço, podendo levar
a um quadro característico de abdome agudo.
354
• Exame toxicológico: na suspeita de intoxicação exógena;
• Exames de imagem: radiografia de crânio, coluna cervical, membros
superiores e inferiores, coluna lombar e pelve.
355
Já a tarefa quatro solicita a conduta diante do caso. A primeira questão
a ser abordada é qual fator indicaria internação hospitalar da criança.
Primeiramente, devemos considerar motivos clínicos para internação do
paciente mediante gravidade das lesões, mas também devemos analisar o
contexto social e risco ao qual o paciente é exposto. Lembre-se que estamos
diante de um paciente vulnerável.
Por outro lado, se as lesões forem graves e na violência sexual sem definição
do agressor, o paciente deve ser internado, pois assim ele ficará sob a proteção
da instituição hospitalar, e notificar a Vara da Infância e da Juventude.
Neste caso, a alta do paciente ficará condicionada à decisão judicial.
Deve-se considerar risco de morte quando o agressor ou as circunstâncias não
forem controláveis, a família ou os cuidadores do paciente não parecerem
competentes e capazes de proteger a vítima, com risco de revitimização.
Toda essa avaliação é multiprofissional, porém a equipe médica possui
papel essencial no diagnóstico e acionamento de instâncias sociais para
segurança da criança e do adolescente.
Por fim, para abordar um pouco sobre preventiva, tema que não teve
estação em 2020, a UNIFESP cobrou sobre a notificação desse caso. E aí,
notifica ou não notifica? Sim! E a notificação deve ser realizada dentro de
uma semana. Uma outra notificação associada a traumas infantis é a que
ocorre em vítimas de acidente de trabalho, sendo essa notificação imediata
(em até 24 horas). Só a título de curiosidade, você lembra as outras
indicações de notificação imediata em acidente de trabalho?
Pra guardar: as que envolvem mutilação de órgão ou morte associadas.
356
Para finalizar, não se esqueça que existem outras formas de violência
à criança e ao adolescente além do abuso físico, como violência sexual
e negligência. Fique atento! Ficou mais fácil lidar com esse tema?
Estamos juntos nessa!
À disposição,
Equipe Medway.
REFERÊNCIAS
• 1. KLIEGMAN, R. Nelson Textbook of Pediatrics. Edition 21.
Philadelphia, PA: Elsevier, 2020.
• 2. BURNS, D. [et al]. Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira
de Pediatria. 4a edição. Barueri, SP: Manole, 2017.
• 3. Cindy W. Christian, MD, FAAP, COMMITTEE ON CHILD ABUSE
AND NEGLECT. The Evaluation of Suspected Child Physical Abuse.
American Academy of Pediatrics. Volume 135, number 5, May 2015.
• 4. SCHVARTSMAN, C. Reis, A. Farhat S. Pronto-socorro Pediatria
Instituto da Criança Hospital das Clínicas da USP. 3a edição.
Manole, 2018
357
UFG
2020
358
Clínica Médica
Animados para mais uma estação de Clínica Médica? Foco total e vamos
nessa!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 7 minutos
• A estação é composta de 2 tarefas
Cenário:
• Examinador
• Atriz (enfermeira)
• Manequim
• Objetos disponíveis na cena: prontuário, pasta de documentos
do paciente, ECG
Início da Estação
Caso clínico:
Você acabou de chegar no seu plantão e o médico plantonista anterior
constatou que um paciente foi a óbito ao final do seu turno e não deu
tempo de preencher o atestado de óbito. Era o paciente José Fernando, sexo
masculino, 74 anos, diabético, dislipidêmico, hipertenso, com história de
angina estável e angioplastia prévia. Foi internado no Hospital das Clínicas
com precordialgia que irradiava para MSE e, durante a internação, teve
um infarto agudo do miocárdio, evoluindo com choque cardiogênico,
rebaixamento do nível de consciência, parada cardiorrespiratória, sendo
feitas medidas de reanimação, porém sem sucesso.
359
Tarefa 01:
Confirme o óbito do doente.
Tarefa 02:
Preencha a declaração de óbito.
360
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Parcial Não
Tarefa 01
Avaliou estímulos? (1 item = parcial, 2 itens
= total)
• Checou responsividade com estímulo
doloroso central;
• Palpou pulso carotídeo;
• Palpou pulso femoral.
Realizoua valiação
cardiorrespiratória? (1 item = parcial,
2 ou mais itens = total)
• Ausculta cardíaca;
• Ausculta respiratória;
• Avaliou movimentos respiratórios por mais
de 2 minutos;
• Comprovou apneia.
Avaliou pupilas? (1 item = total)
• Tamanho (dilatada, médio fixa);
• Fotorreação - arreativa.
361
Fez a identificação do paciente
na declaração de óbito?
(1 item = parcial, 2 itens = total)
• Nome completo;
• Filiação;
• Data;
• Horário da morte.
Preencheu corretamente a PARTE I - alínea
a?
• Choque cardiogênico
Preencheu corretamente a PARTE I -alínea
b?
• Infarto agudo do miocárdio
Preencheu corretamente a PARTE I - alínea
c?
• Doença isquêmica do coração OU Doença
cardiovascular aterosclerótica OU em
branco
Preencheu corretamente a PARTE I - alínea
d?
• Em branco.
Preencheu corretamente a PARTE II?
( 1 item = parcial; 2 ou mais itens = total)
• Diabetes;
• Dislipidemia;
• Doença cardiovascular aterosclerótica;
• Doença isquêmica crônica do coração.
362
Debriefing
A estação de Clínica Médica da UFG cobrou um tema bastante badalado
em provas de residência: preenchimento da declaração de óbito (DO).
Entretanto, antes de preencher a DO, na tarefa 01, a banca solicitava que
o candidato confirmasse o óbito do paciente, habilidade que o médico
deve ter, pois realizará tal ato no dia a dia do exercício da medicina.
Porém, tratando-se de uma prova prática, poderia gerar dúvidas sobre como
realizar tal tarefa e garantir os pontos do checklist. Então, fiquem ligados
que essa discussão pode ajudar vocês caso o tema caia novamente neste ano.
363
de expor o paciente. Além disso, à ausculta respiratória não deve haver
presença de murmúrio vesicular, bem como outros sons pulmonares,
comprovando assim um estado de apneia no indivíduo.
364
No bloco I é realizada a identificação do indivíduo, esse campo devendo,
então, ser preenchido pelo candidato. Aqui deveria constar nome completo
do paciente, data, filiação e horário da morte. Para preencher este bloco,
é necessário estar de posse dos documentos pessoais do paciente que
foi a óbito (por esse motivo, havia uma pasta de documentos do paciente
no cenário da estação).
365
na linha b e choque cardiogênico na linha a. Portanto, percebam que não
existe uma “receita de bolo” e que o preenchimento correto deve obedecer,
na verdade, a uma sequência lógica do que levou o indivíduo ao óbito.
Curtiram a estação? Foi uma estação bem completa que cobrou detalhes
além do preenchimento propriamente dito da DO, mas que são importantes
no dia a dia do médico.
REFERÊNCIAS
• 1. NEW ZEALAND: Ministry of Health. Guidelines for Verifying Death.
Wellington, 2015.
• 2. OSELKA, Gabriel. Atestado Médico Prática e Ética. São Paulo:
Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, 2013.
• 3. BRASIL, Ministério da Saúde. Declaração de óbito: documento
necessário e importante. Brasília-DF, 2007.
366
Cirurgia Geral
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 7 minutos
• A estação é composta por 5 tarefas
Cenário:
• 1 examinador
• Ator
Início da Estação
Caso clínico:
Paciente 40 anos, sem comorbidades, comparece ao Hospital das Clínicas
da UFG com queixa de dor abdominal em andar superior há 8 horas
associada a náuseas e vômitos.
Tarefa 01:
Realize o atendimento.
367
• Quando questionado sobre irradiação: epigástrio e ombro direito.
• Quando questionado sobre fator de alívio: não tinha;
• Quando questionado sobre fator desencadeante: alimentação,
comida gordurosa;
• Quando questionado sobre febre: baixa, não aferida.
• Negava alteração de hábito intestinal ou disúria.
• Qualquer outro questionamento o ator negava ou ficava em silêncio.
• O candidato finalizava a anamnese e precisava manifestar interesse em
realizar o exame físico. O candidato deveria interagir com o examinador
solicitando dados da frequência cardíaca e pressão arterial: 110 bpm e
110 x 80 mmHg, respectivamente;
• O candidato deveria realizar a palpação abdominal e demonstrar
o Sinal de Murphy.
• Ao realizá-lo corretamente, o ator manifestava dor.
Tarefa 02:
Solicite os exames laboratoriais pertinentes ao caso.
Tarefa 03:
Solicite o(s) exame(s) de imagem pertinente(s) ao caso.
368
Tarefa 04:
Qual a hipótese diagnóstica?
Tarefa 05:
Qual a conduta indicada neste momento?
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
369
Checklist
Itens avaliados Sim Parcial Não
Tarefa 01
Caracterizou a dor? (2 itens = parcial; 3 ou mais
itens = total)
• Tipo;
• Intensidade;
• Localização;
• Irradiação;
• Fator de alívio / Fator desencadeante.
Questionou sobre febre e perda de peso?
(1 item = parcial; 2 itens = total)
Questionou sobre hábito intestinal e disúria?
(1 item = parcial; 2 itens = total)
Realizou exame físico
cardiovascular? (1 item = parcial;
2 itens = total)
• Frequência cardíaca;
• Pressão arterial.
Realizou exame físico
abdominal? (1 item = parcial;
2 itens = total)
• Palpação abdominal;
• Sinal de Murphy.
370
Solicitou exames laboratoriais?
(3 itens = parcial; 4 ou mais itens = total)
• Hemograma;
• PCR;
• Urina I;
• Amilase;
• Lipase.
Solicitou exames de imagem?
(tomografia computadorizada de abdome =
parcial; ultrassonografia de abdome = total)
Interpretou corretamente o
exame de imagem? (1 item
= parcial; 2 itens = total)
• Vesícula biliar com paredes espessadas;
• Imagem hiperecogênica em seu interior
com sombra acústica.
Fez a correta hipótese diagnóstica? (colelitíase
= parcial; colecistite aguda litiásica = total)
Indicou cirurgia?
(colecistectomia = parcial; cirurgia precoce =
total)
Debriefing
Turma, estação batida, porém com alguns detalhes que te separavam da nota
10. Colecistite é um tema muito importante: na prova teórica, prática e,
principalmente, na vida. Todo e qualquer médico tem que saber reconhecer
e conduzir.
371
seguintes: inflamatório, obstrutivo, perfurativo, isquêmico e hemorrágico.
Adivinhem só em qual se encaixa a colecistite? Exato, no inflamatório,
pois nada mais é do que a inflamação aguda da vesícula biliar.
372
da colelitíase! E “rara”, diga-se de passagem.
Certo, mas como diferenciamos uma entidade da outra? Agora sim, através
das manifestações clínicas, ou melhor, sendo mais específico, através do
tempo decorrido da dor! Vem comigo:
373
Os exames laboratoriais revelam uma leucocitose neutrofílica com
discreto desvio à esquerda, PCR aumentado e um leve aumento das
seguintes enzimas: fosfatase alcalina, aminotransferases e amilase.
É importante a abordagem de diagnósticos diferenciais como
apendicite e pancreatite, por isso, a estação cobrou de você a solicitação
de urina 1 e lipase.
374
REFERÊNCIAS:
• 1. SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica
moderna. 20a ed. Saunders. Elsevier.
• 2. Maya, Maria Cristina, et al. "Colecistite aguda: diagnóstico
e tratamento." Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto 8.1 (2009).
• 3. Santos, José Sebastião, et al. "Colecistectomia: aspectos técnicos
e indicações para o tratamento da litíase biliar e das neoplasias."
Medicina (Ribeirão Preto) 41.4 (2008): 449-464.
375
Ginecologia
e Obstetrícia
Alô, Goiás! Mais uma estação de GO saindo do forno, desta vez da UFG
2020 que cobrou um tema que estamos carecas de saber! Vamos a ele
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 7 minutos (os fiscais apitam faltando
1 minuto para o término de cada estação)
• A estação é composta por 03 tarefas sequenciais
Cenário:
• Examinador
• Atriz
• Objetos disponíveis na cena: apenas um partograma pela metade
para analisar
Início da Estação
Caso clínico:
Gestante, 26 anos, idade gestacional de 39 semanas e 6 dias, G2Pn1A0,
feito acompanhamento pré-natal no Hospital das Clínicas, sem
intercorrências durante a gestação, sem comorbidades ou vícios, vacinações
em dia. Comparece ao PS obstétrico com queixa de dor em baixo ventre
do tipo cólica há 3 horas, nega perda de líquido ou sangramentos.
376
Ao exame obstétrico:
• Dinâmica uterina: 3 contrações de 40’’ em 10’ e dilatação de 4 cm;
• Pelvimetria: promontório não atingível, conjugada diagonal = 12,5 cm;
estreito médio = 11 cm; ângulo subpúbico de 105o.
• Realizada internação da paciente e abertura do partograma
para condução do trabalho de parto.
Tarefa 01:
Complete o atendimento.
Tarefa 02:
Dê o diagnóstico de acordo com o partograma apresentado.
377
Tarefa 03:
Qual a conduta para o caso?
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
378
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Cumprimentou e se apresentou adequadamente
à paciente?
Perguntou o nome da paciente e a tratou pelo nome
ao longo da consulta?
Identificou a situação e a apresentação fetal?
• Situação longitudinal;
• Apresentação cefálica.
Considerou o tamanho do feto normal de acordo com
a altura do fundo uterino?
Considerou a frequência cardíaca adequada?
Avaliou corretamente as condições da pelve?
• Ângulo subpúbico normal;
• Espinhas isquiáticas com distância adequada uma
da outra;
• Promontório não atingível / Conjugada diagonal
normal.
Tarefa 02
Indicou corretamente o diagnóstico de acordo com
o partograma?
• Distócia funcional;
• Poucas contrações uterinas;
• Contrações uterinas desorganizadas;
• Contrações uterinas fracas;
• Contrações uterinas ineficazes;
• Ausência de contrações;
• Fase ativa prolongada.
379
Avaliava os parâmetros para a conclusão do diagnóstico
corretamente?
• Linha de alerta foi ultrapassada; E
• Dilatação < 1 cm a cada hora.
Tarefa 03
Fez correta conduta para o momento (ocitocina
ou promover melhora das contrações)?
Recomendou via de parto vaginal OU normal?
Debriefing
Moçada, questão da UFG trouxe para nós mais um tema de trabalho
de parto e análise do partograma. Contudo, a prova de 2020 trouxe um
partograma pela metade e 2 itens da tarefa 02 do checklist tiveram que
ser anulados (mas fique tranquilo que trouxemos para você o partograma
na íntegra para que ninguém seja prejudicado).
Estática Fetal:
A estática fetal define as relações do feto com o útero e com a bacia
materna. O seu conhecimento é fundamental para instituir o diagnóstico,
380
prognóstico e tratamento do parto distócico ou, até mesmo, sem alterações.
Vamos a alguns conceitos fundamentais:
381
só pode ser feita por meio do toque vaginal.
• c. Temos como plano de referência 0 as espinhas isquiáticas;
• d. A partir desse plano, a apresentação é estimada em centímetros
da seguinte maneira:
• i. Positivo: caso tenha ultrapassado as espinhas;
• ii. Negativo: caso a apresentação não tenha alcançado as espinhas
isquiáticas.
Palvimetria
Outro ponto de fundamental importância no exame físico obstétrico
no momento do trabalho de parto é avaliar a pelvimetria materna, pois
o estudo da capacidade e forma da pelve é imprescindível para avaliação
do prognóstico do parto. Devemos observar os seguintes parâmetros:
• Estreito superior: o principal parâmetro aqui é a conjugata obstétrica
que corresponde à distância entre a borda interna da sínfise púbica até
o promontório. Conduto só conseguimos medi-la radiologicamente,
mas conseguimos estimá-la por meio da conjugata diagonalis.
No toque vaginal, devemos determinar a distância entre o promontório
382
e a borda inferior da sínfise púbica, obtendo, desta forma, a conjugata
diagonalis. A conjugata obstétrica corresponde aproximadamente a
1,5 cm a menos que a diagonalis. Assim, um estreito superior dito bom
é aquele que tem um promontório inatingível ou a conjugata diagonalis
maior que 11,5 cm (conjugata obstétrica maior que 10 cm);
• Estreito médio: é determinado pela distância bi-isquiática que deve
ser maior que 8 cm, possivelmente maior que 10 cm.
• Ângulo subpúbico: outro parâmetro importante é o ângulo subpúbico
que nas bacias ginecoides é maior que 90o.
Assim, no nosso caso clínico, percebemos que temos uma bacia que
permite um parto normal. E isso também foi ponto no checklist da UFG
(avaliar a pelvimetria fornecida no enunciado do caso).
Partograma
Para finalizarmos, o último ponto abordado pela estação foi a avaliação
do partograma. A tabela abaixo resume as alterações que podem ocorrer
no parto.
383
Dilatação completa + ausência de descida
por 2 toques consecutivos com intervalo de
Parada secundária
pelo menos 1 hora entre eles. Causas: DCP
da descida
ou apresentação fetal anômala (deflexão,
variedade transversa ou posterior)
E aí, galera? Gostaram da estação da UFG? Foi uma estação cheio de detalhes
teóricos, principalmente de estudo da estática fetal e da bacia. Infelizmente
as bancas também erram, e a parte mais fácil da estação acabou sendo
anulada por falta de dados. E você deve estar preparado para isso durante
sua prova prática.
REFERÊNCIAS
• 1. ZUGAIB, Marcelo. Obstetrícia. 3a ed. Barueri, São Paulo: Manole,
2016 e alterações
• 2. REZENDE,J. Obstetrícia. 11a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2008.
• 3. CUNNINGHAM, F. Gary; LEVENO, Kenneth J. Williams. Obstetrics
23rd edition – McGraw Hill ́s, 2010 e alterações.
• 4. FEBRASGO. Tratado de Obstetrícia. Revinter, 2000.
384
Pediatria
Chegou a hora de fazer a prova da UFG 2020! Hora de treinar para a prova
prática de atendimento e rever tema bastante comum nas provas teóricas:
doenças exantemáticas! Vamos lá?
Orientações ao aluno:
• Tempo da estação: 7 minutos. Era avisado faltando 1 minuto
para fim da prova
• Caso clínico dentro da sala de aula
• A estação é composta de 2 tarefas
Cenário:
• Examinador
• Atriz com boneco simulando filho
• Tema: Varicela
Início da Estação
Caso clínico:
Mãe comparece ao Hospital das Clínicas com filho de 2 anos apresentando
rash vesicular pruriginoso de distribuição centrípeta, com lesões
em diferentes fases de evolução associadas à febre baixa não aferida, iniciada
há 3 dias. Iniciou por conta própria AAS e prednisolona após ler na internet
que seriam eficazes para reduzir a febre.
Tarefa 01:
Qual a sua hipótese diagnóstica?
385
Tarefa 02:
Responda às dúvidas da mãe.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Confirmou o diagnóstico de varicela OU catapora?
386
Tarefa 02
Orientou precauções de contato? (1 item = parcial;
2 itens = total)
• Afastamento da escola;
• Contactantes familiares.
Orientou retorno para a escola quando as lesões estiverem
secas/crostosas?
Recomendou vacinação contra a varicela para o irmão
até o 5º dia do contato?
Não recomendou vacinação contra a varicela para
a irmã caçula (6 meses)?
Orientou sobre a importância da vacinação de forma geral
contra qualquer doença?
Postura adequada com a mãe da criança? (1 item = parcial;
2 itens = total)
• Linguagem adequada;
• Comunicação empatica.
Debriefing
Fala pessoal, conseguiram relembrar os diagnósticos diferenciais
das doenças exantemáticas? Esse conteúdo cai na sua prova ano sim
e ano também. Não dá pra gente deixar de lado essa revisão!
As doenças exantemáticas possuem pródromos bastante semelhantes,
mas toda questão vai sempre colocar o ponto chave que as diferenciam.
No caso do tema da prova da UFG, a grande sacada está nas lesões em
diferentes estágios evolutivos! Vamos relembrar mais detalhes sobre
varicela?
387
exantemáticas. De forma grosseira, podemos dividi-las em quatro grandes
grupos:
• As que apresentam rash concomitante com febre: sarampo e rubéola;
• As que apresentam exantema após cessação de febre ou no período
de defervescência: eritema infeccioso e exantema súbito;
• As vesiculares: varicela e mão-pé-boca;
• As que apresentam como característica alteração de cavidade oral:
escarlatina e mononucleose.
388
e potencialmente fatal, em virtude do comprometimento visceral da doença.
Já em adolescentes e adultos, assim como nos imunodeprimidos, a varicela
pode evoluir com complicações, principalmente respiratórias.
389
como essa, em que a prova não progride ou em que suas solicitações não são
atendidas, repense os pontos-chave fornecidos pela banca para não perder
tempo com o que não é necessário.
390
Embora as complicações viscerais e associadas ao uso de ácido acetilsalicílico
e a pacientes imunocomprometidos sejam de importante gravidade,
a complicação mais frequente da varicela é a infecção bacteriana
secundária das lesões cutâneas. Os agentes etiológicos prevalentes são:
Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes, que penetram através
das lesões e produzem, na pele, infecções tipo impetigo, celulite, erisipela
e abscesso. Suspeita-se da infecção secundária quando a febre persiste por
mais de 3 dias ou ressurge após um período afebril, ou há sinais de dor
e de processo inflamatório localizado em alguma região da pele.
Nas crianças imunossuprimidas ou com doença cutânea prévia (eczemas,
queimaduras), as lesões podem ser mais graves.
391
A transmissão pessoa a pessoa ocorre por via aérea e a partir de contato
direto com pacientes com lesões vesiculares contendo o VVZ;
A viremia pode ser detectada 5 dias antes do rash e até 4 dias após;
O período de incubação da varicela varia de 10 a 21 dias, mas, na maioria
dos casos, esse intervalo fica entre 14 e 16 dias. Em pacientes que fizeram
uso de imunização passiva (imunoglobulina), o período pode prolongar-se
até 28 dias;
A transmissão ocorre enquanto houver lesões vesiculares.
392
Sendo assim, nesse caso, era preciso indicar a vacinação do irmão de 4 anos,
respeitando a exposição há menos de 5 dias e contraindicando a vacinação
do irmão de 6 meses devido a risco de evolução de gravidade de doença
e de baixa imunogenicidade da vacina para essa idade. Por fim, era preciso
reforçar a importância da vacinação durante a consulta e elucidar qualquer
dúvida quanto aos riscos para a mãe.
Extrapolando o Tema
393
independentemente do estado imunitário materno.
394
REFERÊNCIAS
• 1. Kliegman, R. Nelson Textbook of Pediatrics. Edition 21. Philadelphia,
PA: Elsevier, 2020.
• 2. Burns, D. [et al]. Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria.
4a edição. Barueri, SP: Manole, 2017.
395
Preventiva
Galera, eis aqui um ótimo exemplo do porquê de estudar as provas de outras
instituições: se você acompanhou no Instagram as estações de preventiva
da USP-RP e da UNESP, vai ter até um déjà vu!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 7 minutos
• Após solicitar a próxima tarefa, você não poderia retornar à anterior
• A estação é composta de 2 tarefas
• O candidato poderia pausar, avançar e repetir os vídeos quantas
vezes desejasse
Cenário:
• Examinador
• Ator
Início da Estação
Caso clínico:
Paciente jovem, sexo masculino, com diagnóstico de hanseníase multibacilar,
em tratamento há 5 meses, veio ao Hospital das Clínicas apresentando
nódulos eritematosos dolorosos de tamanhos variados, associado à febre,
astenia e mialgia há 2 dias.
Tarefa 01:
Qual a sua hipótese diagnóstica?
396
Tarefa 02:
Responda às dúvidas do paciente:
• A doença reativou?
• Porque estou tendo isso? O que causou?
• É grave, doutor?
• Isso é contagioso?
• Que sequelas eu posso ter? (cite ao menos 3)
• Preciso interromper o uso das medicações?
• Qual o tratamento que preciso fazer?
• Pode ser outra doença? (cite ao menos 2 diagnósticos diferenciais)
• Quais medicamentos eu preciso tomar ?
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Apresentou-se e cumprimentou adequadamente
o paciente? (1 item = parcial; 2 itens = total)
• Cumprimentou;
• Se apresentou.
Fez a hipótese diagnóstica de reação hansênica tipo
2 e eritema nodoso?
• Reação tipo 2 OU Eritema nodoso OU Reação
hansênica.
397
Atribuiu as lesões à própria hanseníase? (1 item = parcial;
2 ou mais itens = total)
• Própria hanseníase;
• Tratamento da hanseníase;
• Interrupção do uso do corticoide.
Orientou sobre o prognóstico do caso?
398
Indicou dapsona, clofazimina e rifampicina
para tratamento da hanseníase multibacilar? (1 ou 2 itens
= parcial; 3 itens = total)
• Dapsona;
• Clofazimina;
• Rifampicina.
Debriefing
Algumas semanas atrás, comentamos com vocês sobre a prova da UNESP
de 2020 e dissemos que seguiram um modelo de questão que é tendência
em preventiva. Pois bem, essa prova da UFG está aqui para mostrar
isso! Mais uma vez uma banca decidiu fazer perguntas teóricas sobre
assuntos importantes em medicina preventiva. Além disso, assim como
na USP-RP, hanseníase foi o tema da vez. Compreendem agora a importância
de estudarem as provas anteriores, inclusive de outras instituições?
No mundo das provas práticas, nada se cria, nada se perde, tudo se copia.
399
• Comprometimento sistêmico (anemia severa aguda, leucocitose com
desvio à esquerda, comprometimento do f ígado, baço, linfonodos, rins,
testículos, suprarrenais).
Respondendo as perguntas
A doença reativou?
Porque estou tendo isso? O que causou?
Veja bem, as reações hansênicas são fenômenos de aumento da atividade
da doença, com piora clínica que podem ocorrer de forma aguda
antes, durante ou após o final do tratamento com a poliquimioterapia.
Essas reações resultam da inflamação aguda causada pela atuação do
sistema imunológico do hospedeiro que ataca o bacilo. Não significa que
a poliquimioterapia não está sendo eficaz contra a micobactéria.
É grave, doutor?
Sim, pessoal! A inflamação em uma lesão de pele pode ser incômoda,
mas raramente é grave; por outro lado, a inflamação em um nervo
pode causar danos graves, como a perda da função originada do edema
e da pressão no nervo. Se não tratado corretamente a tempo, o dano aos
nervos acometidos pode ser irreversível.
Isso é contagioso?
Sabe-se que a reação hansênica do tipo 2 não é causada por uma
proliferação das micobactérias, mas sim por um distúrbio do complexo
imune. Observam-se níveis elevados de fator de necrose tumoral e outras
citocinas pró-inflamatórias, mas o mecanismo exato da doença ainda é
desconhecido. Sendo assim, o paciente deveria ser orientado sobre as lesões
não serem contagiosas, mas sim uma reação do seu sistema imune à doença
400
(lembrem da linguagem acessível galera!).
401
Pode ser outra doença?
Sim! Existe uma série de diagnósticos diferenciais que devem passar pela
nossa cabeça diante de um paciente com esses sintomas e você deveria citar
ao menos 2. Dentre as respostas aceitas pela banca, estavam:
• Sarcoidose;
• Tuberculose;
• Infecção estreptocócica;
• Lúpus;
• Neoplasias;
• Doenças reumáticas;
• Alergias;
• Sífilis secundária;
• Uso de medicações;
• Doença inflamatória intestinal.
402
Hanseníase
Tratamento e Complicações
O tratamento da hanseníase é realizado através da associação
de medicamentos (poliquimioterapia – PQT).
403
Reação hansênica tipo 1 - é uma reação na qual ocorre piora clínica das
lesões pré-existentes, sem sintomas sistêmicos. Você deve suspeitar dessa
complicação se ocorrerem os seguintes sinais e sintomas:
• As lesões de pele da hanseníase se tornarem mais avermelhadas
e inchadas;
• Os nervos periféricos ficarem mais dolorosos;
• Houver piora dos sinais neurológicos de perda de sensibilidade
ou perda de função muscular;
• As mãos e pés ficarem inchados;
• Houver surgimento abrupto de novas lesões de pele até 5 anos
após a alta medicamentosa.
404
Foto 2 - Reação hansênica tipo 1, note a piora clínica das lesões preexistentes.
405
Foto 4 - Reação hansênica tipo 2
406
REFERÊNCIAS:
• Guia prático sobre a hanseníase, Brasília – DF 2017 MINISTÉRIO DA
SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Vigilância
e Doenças Transmissíveis. Disponível em: https://www.saude.gov.br/
images/pdf/2017/novembro/22/Guia-Pratico-de-Hanseniase-WEB.pdf
407
HSL
2020
408
Clínica Médica
Pronto para enfrentar a estação de Clínica Médica do HSL?
Concentração agora e vamos nessa!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 7 minutos
• A estação é composta por uma tarefa
Cenário:
• Examinador
• Objetos disponíveis na cena: manequim sobre a maca, dispositivo
• bolsa-válvula-máscara, cânula de Guedel, cânula nasofaríngea,
seringas, escada abaixo da maca
Início da Estação
Caso clínico:
Você atenderá um paciente de 60 anos que está em seu leito na enfermaria.
Tarefa única:
Realize o atendimento.
409
• Após iniciar as manobras de ressuscitação, o candidato era avisado
que uma enfermeira chegou com o desfibrilador.
• Ao checar o ritmo era visualizado o seguinte traçado no monitor:
410
• Ao checar novamente o pulso do paciente, o examinador relatava
que ele agora tinha pulso;
• Após indicar os cuidados pós-parada, o examinador dizia que não
era necessário detalhar;
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Apresentou-se (nome e função)?
Paramentou-se?
Checou responsividade?
411
Indicou técnica correta de RCP (subiu no degrau
da escada; descobriu o tórax; posicionou as mãos colocando
a face hipotenar de uma das mãos sobre o tórax, entre os
mamilos, colocando a outra sobre esta e entrelaçando os
dedos; aplicou movimentos de compressão num ângulo
de 90o, formado entre o tórax do paciente e os braços;
comprimiu forte e rápido, a uma frequência de 100
a 120/min; deprimiu o tórax com profundidade de 5-6
cm, permitindo o retorno do tórax a cada compressão -
pelo menos 3)?
Manteve RCP?
Considerou intubação?
412
Verbalizou causas reversíveis (5H/5T)?
Indicou glicoinsulinoterapia?
Debriefing
ACLS é tema quente nas estações de Clínica Médica do HSL!
Basta observar que o tema caiu de forma consecutiva em 2018, 2019 e em 2020.
E tratando de estação de ACLS não há mistérios, basta seguir o protocolo
que consequentemente você consegue gabaritar os itens do checklist.
Então fique ligado nesse debriefing para não se complicar caso se depare
com uma estação semelhante a esta!
413
Realizados esses pontos, devemos nos direcionar ao paciente e checar a
sua responsividade, chamando-o em voz alta e tocando-o nos ombros.
Caso o paciente não apresente responsividade, devemos solicitar ajuda
à equipe e pedir o carrinho de parada.
414
monitorado para que o ritmo cardíaco fosse analisado. No caso de ritmos
passíveis de choque, tal como fibrilação ventricular, que foi o primeiro ritmo
observado na estação, deve-se proceder imediatamente à desfibrilação com
uma carga de 360 J se desfibrilador monofásico e 120-200 J se desfibrilador
bifásico. Após aplicada a desfibrilação, deve ser retomada a RCP e deve ser
solicitada a obtenção de um acesso venoso.
415
Após mencionar os 5Hs e 5Ts e o examinador relatar que o paciente
havia sido internado para realizar diálise mas que não havia ainda
realizado, duas causas reversíveis deveriam ser lembradas imediatamente
pelo candidato: acidose metabólica e hipercalemia. Um paciente com
doença renal crônica avançada f requentemente apresenta quadros graves
de acidose metabólica e hipercalemia caso não tratados adequadamente.
Ao solicitar exames do paciente, era mostrada uma hipercalemia importante
(7,5). Portanto, deveria ser indicado para o paciente gluconato de cálcio
a 10% 10-20 ml EV em bolus seguido de solução de glicoinsulinoterapia
EV em bolus. Também poderia ser utilizado o bicarbonato de cálcio,
pois este também é a base terapêutica da acidose metabólica grave e, portanto,
iria ajudar no tratamento dos dois distúrbios. A dose do bicarbonato
de sódio 8,4% é de 1 mEq/kg (lembrando que 1 mEq = 1ml da solução),
já que era informado que o paciente possuía 80 kg, ele deveria receber
80 ml de bicarbonato de sódio.
Aproveite essa estação para treinar! Aqui o segredo para mandar bem
é treino e mais treino. Qualquer dúvida que aparecer, estamos à disposição!
REFERÊNCIAS
• Bernoche C, Timerman S, Polastri TF, Giannetti NS, Siqueira AWS,
Piscopo A et al. Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar
e Cuidados de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia –
2019. Arq Bras Cardiol. 2019; 113(3):449-663.
416
• AMERICAN HEART ASSOCIATION. 2015 American Heart
Association Guidelines Update for CPR and ECC. Circulation, Dallas,
v. 132, n 18, sup. 2, Nov 2015.
• VELASCO, Irineu Tadeu; BRANDÃO NETO, Rodrigo Antonio;
SOUZA, Heraldo Possolo de; et al. Medicina de emergência: abordagem
prática. [S.l: s.n.], 2019.
417
Cirurgia Geral
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 7 minutos
• A estação é composta por 1 tarefa
Cenário:
• Examinador
• Ator
Início da Estação
Caso clínico:
Paciente de 50 anos foi internado para realização de uma herniorrafia
inguinal direita e está aguardando há mais de 8 horas de jejum para
a realização da mesma. O cirurgião do paciente informou que a cirurgia
ainda vai demorar cerca de 5 horas. O paciente mostra-se contrariado com
o tempo de espera.
Tarefa 01:
Converse com o paciente.
418
• Se o candidato pedisse desculpas, o paciente se acalmava;
• Caso o candidato não se desculpasse, o paciente se manteria chateado
durante todo o atendimento;
• Ele havia solicitado que a acompanhante buscasse um leite e perguntava
ao candidato se ele poderia tomar;
• Durante a conversa, em um determinado momento, o paciente tirava
uma água de coco debaixo da maca e perguntava ao candidato se poderia
ingerir.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Apresentou-se (nome e função)?
419
Debriefing
Galerinha, estação de perioperatório que surpreendeu muita gente!
Não pela dificuldade da estação, a maioria a considerou fácil, mas sim em
relação ao tema, um tanto quanto inusitado, digamos. Aqui, a parte teórica
girou em torno do jejum pré-operatório. O que temos de mais novo sobre
o assunto? Acompanhem só:
420
• Uso restrito de drenos e sondas;
• Profilaxia de náuseas e vômitos.
421
aceitar, humildemente, reconhecendo-o, solidarizando-se com o paciente
e pedindo desculpas, ou seja, sendo aquilo que às vezes esquecemos de ser:
humanos e não máquinas!
Estação simples, mas era basicamente isso que era cobrado do candidato.
Vejo vocês na próxima!
Forte abraço,
Equipe
REFERÊNCIAS:
• SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica
moderna. 20a ed. Saunders. Elsevier.
• 2. Melnyk M, Casey RG, Black P, Koupparis AJ. Enhanced recovery after
surgery (ERAS) protocols: Time to change practice?. Can Urol Assoc J.
2011;5(5):342-348. doi:10.5489/cuaj.11002.
• 3. Pędziwiatr M, Mavrikis J, Witowski J, et al. Current status of enhanced
recovery after surgery (ERAS) protocol in gastrointestinal surgery.
Med Oncol. 2018;35(6):95. Published 2018 May 9. doi:10.1007/s12032-018-
1153-0
• 4. de-Aguilar-Nascimento, José Eduardo, et al. "Diretriz ACERTO de
intervenções nutricionais no perioperatório em cirurgia geral eletiva."
Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões 44.6 (2017): 633-648.
422
Ginecologia
e Obstetrícia
Prova do Hospital Sírio-Libanês sempre é muito bem elaborada!
Prepare-se para mais uma estação de GO de Pronto Atendimento com
imagens e tudo o que uma prova prática tem direito
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 7 minutos
• A estação é composta por 02 tarefas sequenciais
Cenário:
• Examinador
• Atriz
• Cenário: PS (consultório)
Início da Estação
Caso clínico:
Você é o médico do PS e vai atender uma paciente com 9 semanas de IG
com queixa de dor em baixo ventre e sangramento vaginal.
Tarefa 01:
Realize o atendimento.
423
• Nega febre, alterações urinárias, corrimento e quaisquer outras alterações
questionadas.
• Idade gestacional de 9 semanas pelo primeiro USG. Não recorda DUM.
• Caderneta da gestante sem alterações.
Geral:
• BEG, LOTE, hipocorada (1+/4+), hidratada, acianótica, anictérica, afebril
ao toque.
• Abdome: levemente globoso, RHA+, presença de dor à palpação profunda
de hipogástrio, ausência de visceromegalias e tumorações palpáveis.
Ginecológico e obstétrico:
• Exame especular: colo uterino fechado, com sangue em fundo de saco.
Paredes vaginais íntegras, sem laceração.
• Toque vaginal: Útero anteversofletido, intrapélvico, colo uterino
impérvio, anexos não palpáveis.
• Ao solicitar uma USG o candidato recebia a seguinte imagem:
424
A seguir, era entregue um segundo cartão com a próxima tarefa.
Tarefa 02:
Indique o diagnóstico inicial para o caso e dê as condutas pertinentes.
Após suas condutas, o candidato recebia uma folha que dizia que
a paciente foi estabilizada e perguntava o diagnóstico clínico e as condutas
subsequentes.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
425
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Apresentou-se (nome e função)?
Tarefa 02
Citou choque hipovolêmico hemorrágico?
426
Solicitou monitorização, oxigênio e veia (MOV)?
Solicitou internação?
Debriefing
Moçada, a prova do Hospital Sírio-Libanês 2020 trouxe um tema que
frequentemente cai nas estações de GO: sangramento na primeira metade
da gestação. E no caso, o que mais cai desse tema é justamente o tópico
de abortamento, que já havia sido cobrado no ano anterior na prova
do Einstein.
427
Abortamento
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), abortamento é definido
como a interrupção da gravidez antes de 22 semanas, ou com um feto
até 500g, ou menor de 25 cm, quer dizer, antes de atingida a viabilidade.
428
Colo fechado
Ameaça
Aborto completo Aborto retido
de aborto
Ausente
Sangramento Discreto Ausente
ou discreto
Ausente ou
Dor Ausente Ausente
discreta
Menor do que
Compatível Menor do que o
Útero o esperado
com IG esperado para a IG
para a IG
Útero vazio
Embrião presente
USG Embrião + BCF (endométrio
sem BCF
< 15mm)
Repouso
Acompanhamento
relativo + Esvaziamento
Conduta da queda de Beta-
antiespasmótico uterino
HCG + orientações
+ orientações
Colo Aberto
Aborto Aborto Aborto
inevitável incompleto infectado
Ausente Variável + odor
Sangramento Intenso
ou discreto fétido
Dor Presente Cólica variável À palpação uterina
Menor do que o
Compatível Amolecido e
Útero esperado para a
com IG doloroso
IG
429
Descolamento
Restos ovulares
ovular (expulsão Apresentação
USG (endométrio
do saco variáve
<>15mm)
gestacional)
Antibioticoterapia
Esvaziamento Esvaziamento
Conduta + esvaziamento
uterinoes uterino
uterino
430
de AMIU ou na presença de grande quantidade de material.
Após 12 semanas de idade gestacional, é obrigatória a expulsão fetal
prévia, para posterior realização da curetagem.
Resumindo:
• Até 12 semanas de IG: AMIU (pode ser realizada a curetagem);
• Após 12 semanas de IG: misoprostol (expulsão fetal) seguida de curetagem.
431
Bora pra cima, moçada! Tamo junto!
Equipe Medway
REFERÊNCIAS
• 1. ZUGAIB, Marcelo. Obstetrícia. 3a ed. Barueri, São Paulo: Manole,
2016 e alterações
• 2. REZENDE, J. Obstetrícia. 11a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2008.
• 3. CUNNINGHAM, F. Gary; LEVENO, Kenneth J. Williams. Obstetrics
23rd edition – McGraw Hill ́s, 2010 e alterações.
• 4. FEBRASGO. Tratado de Obstetrícia. Revinter, 2000.
432
Pediatria
Pronto para encarar a estação de pediatria do HSL 2020? Bora pra cima!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 7 minutos
• A estação é composta de tarefa única
• Caso clínico dentro da sala
• Havia álcool em gel em todas as salas
Cenário:
• Examinador
• Atriz
• Cenário: atendimento em Unidade Básica de Saúde
Início da Estação
Caso clínico:
Criança de 5 meses veio à consulta de puericultura na UBS para checar
a vacinação.
Tarefa única:
Responda às dúvidas da mãe.
433
• A atriz solicitava para o candidato citar 3 dos possíveis efeitos adversos;
• A atriz questionava, ainda, se a vacina poderia causar autismo;
• Caso o candidato solicitasse realizar exame físico, o examinador
considerava como realizado e sem alterações.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Apresentou-se (nome e função)?
Higienizou as mãos?
Questionou queixas?
434
Esclareceu dúvidas da mãe sobre autismo?
Debriefing
Depois dessa estação, sua vontade de revisar vacinação aumentou?
Bora revisar esse tema juntos, pois é de altíssima relevância nos momentos
atuais. Podemos ter certeza que, em alguma prova que você irá realizar,
esse tema estará inserido na consulta de puericultura ou até mesmo
na sua prova teórica. Na prova do HSL, temos um padrão histórico
de prova de atendimento, com importante interação com atores.
Por isso, se essa banca está entre os seus objetivos, não deixe de revisar temas
importantes da consulta de puericultura para brilhar no atendimento!
Vamos lá?
435
seja direcionada para conseguir alcançar todos os pontos que a banca deseja
abordar em relação ao tema. Se por acaso o tema se esgotar, vale a pena
mencionar os outros pontos da consulta de puericultura para não perder
nenhum ponto.
Idade Vacinas
Ao nascimento BCG e Hepatite B.
Pentavalente (DTP + HiB + Hepatite B),
2 meses
Pneumocócica-10, Poliomielite (VIP) e Rotavírus.
3 meses Meningocócica-C.
436
Igual aos dois meses.
• Segunda dose de Rotavírus: recomendada
4 meses
apenas até os 7 meses e 29 dias e se a primeira
dose foi realizada até os 3 meses e 15 dias de vida.
No presente caso clínico, com atraso vacinal aos 5 meses, era preciso
recomendar a vacinação de todas as doses perdidas pela criança até então,
com exceção das doses de Rotavírus. Essa vacina não deve, de forma alguma,
ser aplicada fora dos seguintes prazos estabelecidos: primeira dose até os
3 meses e 15 dias e a segunda dose somente se a primeira dose foi
realizada e com limite máximo aos 7 meses e 29 dias. Nos estudos
realizados com as novas vacinas contra rotavírus, considera-se o risco
aumentado de invaginação intestinal em relação à idade de aplicação.
Como precaução, não foram aplicadas em situações fora das faixas etárias
estabelecidas. Para extrapolar o tema, vamos relembrar que o rotavírus é
um vírus da família Reoviridae que causa diarreia grave, frequentemente
acompanhada de febre e vômitos. É, hoje, considerado um dos mais importantes
agentes causadores de gastroenterites e óbitos em crianças menores
de 5 anos em todo o mundo, por isso a importância de reforçar a vacinação.
A maioria das crianças se infecta nos primeiros anos de vida, porém os
casos mais graves ocorrem principalmente em crianças até 2 anos de idade.
437
Além disso, a estação aborda a imunogenicidade das vacinas, com relação aos
seus efeitos adversos. Perceba que estamos diante de uma consulta com uma
mãe repleta de dúvidas vacinais e que, provavelmente por essa insegurança,
adiou os momentos de vacinação de seu filho. Por isso, abordar o tema com
cordialidade, empatia e segurança dos benefícios da imunização se torna
ponto-chave nessa estação.
438
Os eventos adversos após a aplicação da vacina pentavalente brasileira
foram avaliados em um ensaio clínico randomizado realizado no Brasil,
sendo encontrada reatogenicidade semelhante a da vacina tetravalente
brasileira (DTP-Hib), utilizada no País de 2002 a 2012. Sendo, por isso,
ainda indicada no calendário vacinal pelo maior custo-benefício vacinal de
5 imunizações com mesma proporção de efeitos adversos que a tetravalente.
439
Para resumir, as contraindicações do uso da formulação pentavalente (DTP,
HiB e Hepatite B):
EXTRAPOLANDO A ESTAÇÃO
As vacinas de vírus vivos atenuados ou de bactérias vivas atenuadas
(BCG, Rotavírus, Febre Amarela, Tetraviral, Tríplice viral, Varicela
e Poliomielite - VOP) não devem ser administradas nas condições
relacionadas a seguir, salvo sob orientação médica documentada:
440
• Até 30 dias após o término de corticoterapia em dose imunossupressora;
• Até 90 dias após o uso de outros medicamentos ou tratamentos que
provoquem imunossupressão;
• Até no mínimo 3 meses (variação de acordo com a vacina de 3 a 12 meses)
após transplante de células-tronco hematopoiéticas (medula óssea)
para vacinas com microrganismos não vivos e 2 anos para vacinas com
microrganismos vivos;
• De 3 a 11 meses após transfusão de plasma fresco ou imunoglobulinas,
para vacinas com vírus vivos, em razão da possibilidade de neutralização
do antígeno vacinal por anticorpos presentes nesses produtos.
REFERÊNCIAS
• 1. Kliegman, R. Nelson Textbook of Pediatrics. Edition 21. Philadelphia,
PA: Elsevier, 2020.
• 2. Burns, D. [et al]. Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria.
4a edição. Barueri, SP: Manole, 2017.
• 3. Ministério da Saúde, Brasil. Manual de Vigilância Epidemiológica de
Eventos Adversos Pós-vacinal, 2014. Disponível em: http://bvsms.saude.
gov.br/bvs/publicacoes/manual_vigilancia_epidemiologica_even tos_
adversos_pos_vacinacao.pdf
• 4. Ministério da Saúde, Brasil. Calendário Vacinal da Criança 2020.
Disponível em:https://www.saude.gov.br/images/pdf/2020/marco/04/
Calendario-Vacinao-2020-Cri an--a.pdf
441
Preventiva
Galera, vamos destrinchar essa estação do Hospital Sírio-Libanês que
abordou um tema mega importante na prática clínica de quem trabalha na
emergência e relembrar alguns conceitos importantes? Bora pra cima!
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 7 minutos
• Após solicitar a próxima tarefa, você não poderia retornar à anterior
• A estação é composta de tarefa única
Cenário:
• Examinador
• Caso clínico impresso disponível na estação
Início da Estação
Caso clínico:
F.D.T, 69 anos, branco, casado, aposentado, natural e procedente de
São Paulo, acompanhado da filha, deu entrada no serviço de emergência
do Hospital Sírio Libanês com queixa de febre e tosse.
442
Ao exame físico:
• Geral: Paciente em mal estado geral, hipocorado, desidratado (++/4+),
cianótico, anictérico.
• Respiratório: Murmúrio vesicular abolido em bases pulmonares e
diminuído em todo hemitórax esquerdo. FR: 30 irpm, SpO2: 88% em ar
ambiente.
• Cardiovascular: bulhas normofonéticas em 2T, sem sopros, FC: 115 bpm,
PA: 88 x 56 mmHg, pulsos periféricos filiformes.
Na admissão, realizado q-SOFA com score = 2
Tarefa única:
Responda às perguntas do examinador:
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
443
Checklist
Itens avaliados Sim Não
Tarefa 01
Respondeu que o q-SOFA não é um bom exame
diagnóstico?
Justificou a resposta, explicando que o q-SOFA
é apenass um score que prediz maior risco de mortalidade
do paciente fora da UTI?
Respondeu que um bom teste tem alta especificidade
e alta sensibilidade?
Indicou vacina para Influenza?
Debriefing
Galera, está aí um tema que qualquer médico precisa dominar!
Sepse é definida como uma disfunção orgânica com risco de vida causado
por uma resposta desregulada à infecção. O rápido reconhecimento da sepse
muda drasticamente os desfechos de morbimortalidade dessa síndrome,
mas, no Brasil, as taxas de atraso nesse reconhecimento ainda são maiores
do que a média global. Um estudo brasileiro multicêntrico já provou
que muitos médicos brasileiros, diante de um caso clínico de sepse,
não foram capazes de identificá-la.
444
Para complicar um pouco mais esse cenário, houve uma grande revisão
de conceitos em 2016. O Surviving Sepsis Campaign elaborou os
novos conceitos de sepse e choque séptico, extinguindo a sepse grave.
O objetivo deste novo consenso é evitar que qualquer infecção que
preenchesse 2 ou mais critérios para SIRS se tornasse uma sepse.
Quer ver um exemplo? Um paciente com amigdalite, que estivesse
com febre e taquicardia, por definição, fechava critérios para sepse!
Um pouco absurdo, não?
Vamos à nossa questão. O longo caso clínico estava ali apenas para
contextualizar a sepse na questão e distrair o candidato, já que as tarefas
eram perguntas teóricas que não dependiam das informações do caso.
O examinador perguntava ao candidato se o quick SOFA era um bom
exame diagnóstico para sepse. Para responder a essa pergunta, vamos
primeiramente entender o que é o q-SOFA: no SEPSIS-3, este novo escore
foi apresentado sob a premissa de ser uma ferramenta útil para predizer
maior risco de mortalidade, a beira leito, em pacientes sob suspeita
de infecção, fora de unidades de terapia intensiva.
445
Imagem 1 - Quick SOFA.
Disponível em: https://sites.jamanetwork.com/sepsis/
446
Imagem 2 - algoritmo de diagnóstico da sepse e choque séptico.
Disponível em:http://angomed.com/sepse-novo-consenso-conceito/
Na segunda pergunta, uma questão teórica, a banca queria saber qual eram
as características ideais de um teste diagnóstico. Esse geralmente é um tema
de dúvidas.
447
Quanto maior essa área, melhor o teste. Um “macete” para interpretar essas
curvas é o seguinte: quanto mais próximo do canto superior esquerdo do
gráfico, mais acurado é o teste.
Observe essa imagem acima. Notem que o teste hipotético “A” possui uma
área sob a curva maior do que o teste “B”. Ou você pode interpretar assim:
a curva do teste “A” é mais próxima da curva ideal do que o teste “B”.
Por fim, a última pergunta questionava o candidato sobre quais vacinas virais
ele indicaria ao paciente. Galera, em geral, os editais de residência médica
seguem o calendário vacinal proposto pelo Ministério da Saúde, porém
não foi o caso do Sírio! Pelas respostas que a banca considerou corretas,
parecem ter seguido o calendário da Sociedade Brasileira de Imunizações
(SBIM). Este calendário é um pouco mais completo que o do MS, incluindo
algumas vacinas que só estão disponíveis em clínicas privadas.
448
Você deveria indicar as seguintes vacinas:
• Influenza - dose única anual;
• Herpes Zóster - dose única;
• Hepatite B - se não tiver o esquema completo com três doses;
• Febre amarela - se não for previamente vacinado com uma dose.
REFERÊNCIAS:
• 1. John E. Bennett, Raphael Dolin, Martin J. Blaser. Mandell, Douglas, And
Bennett's Principles and Practice of Infectious Diseases. Philadelphia,
PA :Elsevier/Saunders, 2019.
• 2. Jacob JA. New Sepsis Diagnostic Guidelines Shift Focus to Organ
Dysfunction. JAMA. 2016;315(8):739–740. doi:10.1001/jama.2016.0736.
• 3. Abraham E. New Definitions for Sepsis and Septic Shock: Continuing
Evolution but With Much Still to Be Done. JAMA. 2016;315(8):757-759.
doi:10.1001/jama.2016.0290.
• 4. Singer M, Deutschman CS, Seymour CW, et al. The Third International
Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3). JAMA.
2016;315(8):801–810. doi:10.1001/jama.2016.0287
• 5. CALENDÁRIO DE VACINAÇÃO SBIm IDOSO Recomendações
da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) – 2020/2021
449
HUB/UNB
2020
450
Clínica Médica
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
• A estação é composta de 4 tarefas
Cenário:
• Examinador
• Atriz
Início da Estação
Caso Clínico:
Você está em uma sala de consulta ambulatorial do HUB e irá atender uma
paciente.
Tarefa 01:
Realize o atendimento.
451
1) Localização: no estômago;
2) Intensidade: forte;
3) Tipo: parece uma queimação o tempo todo;
4) Irradiação: a dor se inicia no estômago e vai para as costas;
5) Fator de melhora: após uso de diclofenaco;
6) Fator de piora: após a alimentação e uso de bicarbonato de sódio;
7) Nunca sentiu essa dor antes.
• Negava alterações de hábito intestinal;
• Antecedentes patológicos:
1) Nega comorbidades prévias;
2) Nega uso regular de medicações (uso de diclofenaco só para dor
constantemente);
3) Nega alergias medicamentosas;
4) Nunca bebeu ou fumou;
5) História familiar de dispepsia: negava;
6) Tratamento prévio para H. pylori: negava.
Após realizar a anamnese e solicitar o exame físico, era entregue uma folha
ao candidato com a descrição de todo o exame:
Exame físico:
Geral: Paciente em bom estado geral, lúcida e orientada, acianótica, afebril,
anictérica.
Cardio: RCR em 2T, BNF, sem sopros. FC 80 bpm, PA: 120x80 mmHg.
Respiratório: MVF+ bilateralmente, sem ruídos adventícios. SaO2: 98% em
a.a., FR: 14 irpm.
Abdome: globoso, flácido, RHA + e normoativo, doloroso a palpação
superficial de epigástrico, ausência de massas e visceromegalias a palpação
abdominal. Descompressão brusca negativa
Extremidades: ausência de edemas, TEC < 2,0s, ausência de empastamento
de panturrilhas.
452
Tarefa 02:
Dê a hipótese diagnóstica para o caso.
Tarefa 03:
Solicite os exames complementares necessários.
Tarefa 04:
Dê as condutas para a sua hipótese diagnóstica.
Após o candidato falar à paciente as medicações que ela deveria usar, ela
questionava se omeprazol causava demência pois já havia lido uma notícia
sobre isso na internet.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Parcial Não
1) Identifica-se, cumprimenta e acolhe a
paciente de maneira adequada e com gentileza.
Inadequado: não cumpre nenhum passo.
Adequado: cumpre todos os passos.
453
2) Investiga dados pessoais e epidemiológicos da
paciente (pelo menos nome, idade, profissão).
Inadequado: pergunta até 1 dado.
Parcialmente adequado: pergunta até 2 dados.
Adequado: pergunta 3 dados.
3)Questiona e caracteriza a queixa principal de
dor epigástrica em pelo menos 5 características:
local da dor, intensidade, tipo, irradiação, fator
de melhora, fator de piora.
Inadequado: até 2 características.
Parcialmente adequado: de 2 a 4 características.
Adequado: 5 características.
4) Pergunta antecedentes pessoais de fumo,
álcool, doença dispéptica prévia ou familiar,
e sobre endoscopia prévia, uso de anti-
inflamatórios frequente e tratamento prévio
para H. pylori.
Inadequado: até 2 dados.
Parcialmente adequado: de 3 a 4 dados.
Adequado: 5 ou mais dados.
5) Realiza a hipótese diagnóstica correta ou
diagnósticos diferenciais: úlcera péptica,
gastrite aguda.
Inadequado: não realiza.
Adequado: realiza.
454
6) Propõe tratamento da úlcera gástrica e
erradicação do H. pylori com posologia e
tempo de tratamento adequados.
Inadequado: não propõe.
Parcialmente adequado: não acerta o nome de
um dos antibióticos do kit para tratamento
do H. pylori, ou erra o tempo de tratamento
(7 dias em vez de 14 dias), ou não indica a
posologia.
Adequado: propõe omeprazol 4 semanas e
claritromicina 500 mg + amoxicilina 1 g +
omeprazol de 12/12h por 14 dias.
7) Orienta que omeprazol não leva à demência
se usado por tempo limitado e com níveis
séricos de B12 adequados.
Inadequado: não orienta.
Adequado: orienta corretamente.
8) Solicita nova endoscopia em 8 a 12 semanas
para controle da cicatrização da úlcera gástrica
e erradicação do H. pylori.
Inadequado: não solicita.
Adequado: solicita corretamente.
9) Orienta a respeito das formas de contágio
do H. pylori e dos cuidados preventivos para
evitá-lo: beber apenas água tratada, higienizar
bem frutas, verduras e alimentos crus antes
do consumo.
Inadequado: não orienta.
Adequado: orienta corretamente.
455
10) Pergunta à paciente se ela entendeu a
situação e se gostaria de fazer mais alguma
pergunta, pois não deve sair da consulta com
dúvidas.
Inadequado: não pergunta e apenas dispensa
a paciente.
Parcialmente adequado: pergunta apenas se
a paciente entendeu a situação ou se ela tem
mais alguma dúvida.
Adequado: executa a tarefa completamente.
Debriefing
E aí gostaram da estação? Muitas instituições cobram estações de
atendimento ambulatorial, então aproveite esse debriefing para fixar alguns
conceitos e arrasar na prova caso encontre uma estação semelhante a essa.
456
realização da estação serão obtidos pelo próprio candidato e, na ausência
desses dados, a continuidade das tarefas pode ficar comprometida.
457
afirmar que usa diclofenaco para a dor o que pode precipitar um quadro
de doença ulcerosa péptica. Além disso, antecedentes familiares positivos
para câncer do trato gastrointestinal podem aumentar a suspeita para uma
síndrome dispéptica secundária a câncer e, consequentemente, tornam-se
um indicativo para que seja solicitada endoscopia digestiva alta.
Percebam até aqui que a anamnese de um paciente com dispepsia deve, além
de caracterizar adequadamente a queixa do paciente, buscar ativamente a
presença de sinais e sintomas de alarme. Por conseguinte, no exame físico
o raciocínio não é diferente e a busca por sinais de alarme continua. Vejam
que o exame físico da paciente é “inocente”, mas caso fossem notados, por
exemplo, massa palpável em abdome, linfadenopatias, etc, a probabilidade
de estarmos diante de uma neoplasia seria maior.
458
1g 12/12h + claritromicina 500 mg 12/12h, sendo todas essas drogas por via
oral. Além disso, reparem que a banca cobrou a posologia e, nesse momento,
o aluno deveria estar bastante atento pois uma das atualizações presentes
no IV Consenso Brasileiro sobre a infecção por Helicobacter pylori foi o
aumento do tempo de tratamento de 7 para 14 dias! Portanto, o candidato
deveria prescrever essa combinação das 3 drogas com a posologia correta
por 14 dias para acertar completamente o item do checklist.
459
REFERÊNCIAS
• 1. Longo, DL et al. Harrison’s Principles of Internal Medicine. 20th ed.
New York: McGraw-Hill, 2018.
• 2. MARTINS, Milton de Arruda. Manual do Residente de Clínica
Médica. 2° ed. São Paulo: Manole, 2017
• 3. COELHO, Luiz Gonzaga Vaz et al. IVTH BRAZILIAN CONSENSUS
CONFERENCE ON HELICOBACTER PYLORI INFECTION. Arq.
Gastroenterol. [online]. 2018, vol.55, n.2 [cited 2020-06-27], pp.97-
121. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0004-28032018000200097&lng=en&nrm=iso>
460
Cirurgia Geral
Mais uma estação de abdome agudo - dessa vez, obstrutivo! Sabe conduzir
bem? Olha só:
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
• A estação é composta por 5 tarefas
Cenário:
• Examinador
• Atriz
Início da Estação
Caso Clínico:
Você está em uma UPA e prestará atendimento a uma paciente do sexo
feminino com fortes dores na barriga há 24 horas.
Tarefa 01:
Realize o atendimento.
461
• intensidade: muito forte;
• tipo: não sabe explicar direito, mas semelhante a um aperto;
• irradiação: nega;
• Fator de melhora: nega;
• Fator de piora: nega;
• Sintomas associados: presença de vômitos com restos alimentares
no início e agora amarelado/esverdeado; percebeu a barriga mais
inchada.
Tarefa 02:
Solicite o exame físico direcionado para a queixa.
462
superficial difusa do abdome, timpânico à percussão, ausência de massas
e visceromegalias à palpação abdominal. Descompressão brusca negativa.
Ausência de outros sinais de irritação peritoneal.
Tarefa 03:
Solicite os exames complementares pertinentes para o caso.
Tarefa 04:
Dê a sua principal hipótese diagnóstica.
Tarefa 05:
Informe as condutas necessárias para a paciente.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
463
Checklist
Itens avaliados Sim Parcial Não
1) Identifica-se, faz a identificação adequada
da paciente e se comunica com linguagem
acessível?
464
4) Pergunta sobre cirurgias prévias e
antecedentes familiares?
465
7) Solicita rotina radiológica de abdome agudo
e tomografia de abdome?
466
10) Explica que a paciente poderá precisar ser
submetida a uma operação?
Debriefing
Galerinha, estação bem completa de abdome agudo obstrutivo do HUB,
indo desde a anamnese até a condução final do caso, tudo em 10 minutos!
Para gabaritar, era necessário ter uma teoria e uma sistematização de
atendimento bem consolidada, sem perder muito tempo.
Aborde o início da sua anamnese com uma pergunta ampla, como: "no
que posso ajudar?" ou "o que trouxe a senhora hoje?". Neste momento o
ator ou atriz vai te dar a palavra-chave, em outras palavras, a queixa
principal para que você desenvolva a sua consulta. Aqui foi "dor". Pronto, o
momento agora é de dissecar essa queixa, a famosa história da doença atual
(HDA) ou história pregressa da moléstia atual (HPMA), sem perder muito
tempo vamos explorar aquelas 10 características da dor. Lembra quais
467
são? - localização, tipo, intensidade, duração, irradiação, evolução, como
começou, fator de melhora ou piora, sintomas associados. No checklist da
prova, ganhava pontuação integral aquele que explorasse pelo menos 8.
Viu como foi importante aquela aula de semiologia tão negligenciada anos
atrás?
Finalizada a anamnese, você solicita seu exame físico. Aqui, mais uma
vez, a palavra que reina é direcionar! Paciente com dor abdominal, não dá
para ficar testando reflexos em uma prova de 10 minutos. Neste momento,
pode-se desenrolar 3 situações: 1) o examinador te entrega uma placa com
468
os dados; 2) o examinador pergunta quais dados você quer; 3) o examinador
solicita que você realize o exame. Independente de como for na hora,
especialmente nas situações 2 e 3, solicite ou realize a ectoscopia ou exame
físico geral, a aferição dos sinais vitais e o exame direcionado que, neste
caso, era do abdome com um adendo importante: toque retal!
A estação não cobrou a menção do toque retal, mas isso foi um erro absurdo!
Em TODO paciente com suspeita de obstrução intestinal, deve-se realizar
o toque. É um exame simples que pode te ajudar na busca por uma etiologia.
Avaliamos a presença de três variantes na ampola retal: fezes, sangue e
massas. Veja como funciona: tocou e sentiu uma massa, pensamos em um
quadro de tumor ou fecaloma. Sentiu fezes, provavelmente estamos diante
de uma obstrução funcional. Agora, se tocar e não sentir nada, devemos
automaticamente pensar em uma obstrução mecânica. Foi?
469
Lendo tudo isso mastigado, resta alguma dúvida que essa paciente
apresenta um quadro abdominal de obstrução? Ou melhor, um abdome
agudo obstrutivo? Espero que não! Contudo, não se emocione, ninguém
te pediu o diagnóstico, não pule etapas. Sistematize, sempre! Fato é que
nós precisamos pedir exames, tanto laboratoriais quanto de imagem, para
avaliar a gravidade do quadro e localizar o ponto de obstrução.
470
Especificamente, na obstrução de delgado (à esquerda) teremos: alças
organizadas no centro do abdome com padrões de "empilhamento de
moedas" e níveis hidroaéreos "em degraus". Já no cólon, teremos alças com
haustrações típicas distribuídas de maneira periférica. Volte na imagem do
caso. Consegue identificar qual o sítio de obstrução? Não pode ter dúvidas!
Essa diferenciação é fundamental para definir a etiologia e ditar a nossa
conduta.
471
Mais um detalhe: em geral, a conduta padrão é cirúrgica, porém há algumas
exceções e, dentre estas, uma bem importante - as bridas. Neste caso, se
as condições do paciente permitirem, optamos pelo tratamento clínico
inicialmente. Após 24-48h, se não houver melhora, indicamos a cirurgia
para lise de bridas.
Forte abraço,
Equipe Medway.
REFERÊNCIAS:
• 1. SABISTON. Tratado de cirurgia: A base biológica da prática cirúrgica
moderna. 20a ed. Saunders. Elsevier.
472
Ginecologia
e Obstetrícia
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
• A estação é composta por 03 tarefas sequenciais
• Prova de atendimento
Cenário:
• Examinador
• Atriz
Início da Estação
Caso Clínico:
Você está no atendimento de um Pronto-socorro de uma unidade hospitalar
e irá atender uma gestante. Ela não tem antecedentes patológicos pessoais,
nem obstétricos. Ela não trouxe consigo a Caderneta da Gestante, mas
trouxe resultado da sua primeira ecografia.
Tarefa 01:
Realize o atendimento direcionado questionando apenas os dados
473
necessários para completar o atendimento. Calcule a idade gestacional no
dia da consulta e informe a paciente.
Tarefa 02:
Realize o exame físico.
474
EXAME FÍSICO GERAL:
Geral: Paciente em bom estado geral, lúcida e orientada, hidratada,
normocorada acianótica, afebril, anictérica.
Respiratório: MVF+ bilateralmente, sem ruídos adventícios.
Cardiovascular: RCR em 2T, bulhas normofonéticas, sem sopros.
Extremidades: bem perfundidas, edema 1+/4+ bilateralmente. Sem sinais de
TVP.
OBSTÉTRICO:
Abdome gravídico, feto longitudinal, dorso à esquerda, cefálico, altura
uterina 33 cm.
BCF: 140 bpm, rítmico.
DU: ausente.
EE e TV: não realizados.
Tarefa 03:
Informe o diagnóstico para a paciente e dê as orientações necessárias.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
475
Checklist
Itens avaliados Sim Parcial Não
Tarefa 01
1) Identifica-se e pergunta o nome da paciente?
Inadequado: se não realizar nenhum item.
Parcialmente adequado: se realizar apenas 1
item.
Adequado: se realizar os 2 itens.
2) Cumprimenta e acolhe a gestante de maneira
adequada (por exemplo: convidando-a a se
sentar, sorrindo de maneira afetuosa, dando
boa tarde, perguntando como poderia ajudar,
etc.).
Inadequado: se não realizar nenhum item.
Parcialmente adequado: se realizar apenas 1
item.
Adequado: se realizar pelo menos 2 itens.
3) Pergunta a idade, a paridade e a data da
última menstruação da paciente.
Inadequado: se não realizar nenhum item.
Parcialmente adequado: se realizar 1 ou 2 itens.
Adequado: se realizar os 3 itens.
4) Determinou a idade gestacional de 36
semanas e comunicou esse dado à paciente.
Inadequado: se não cumprir a tarefa.
Adequado: se cumprir a tarefa.
476
Tarefa 02
TAREFA 02
5) Realiza o exame físico e comunica o resultado
à paciente.
Inadequado: se não cumprir nenhum item.
Parcialmente adequado: se cumprir 1 item.
Adequado: se cumprir os 2 itens.
6) Afere a pressão da paciente, formula o
diagnóstico correto de "pré-eclâmpsia" ou
"pré-eclâmpsia com sinais de gravidade" e o
comunica à paciente.
Inadequado: se não cumprir nenhum item ou
cumprir apenas 1 item.
Parcialmente adequado: se cumprir 2 itens.
Adequado: se cumprir os 3 itens.
Tarefa 03
7) Identifica a necessidade de internação da
paciente e a comunica.
Inadequado: se não realizar.
Adequado: se realizar.
8) Orienta a paciente sobre a necessidade de
realizar exames laboratoriais.
Inadequado: se não verbalizar a conduta
necessária.
Adequado: se verbalizar a conduta necessária.
9) Orienta a paciente sobre o tratamento
medicamentoso da crise hipertensiva com
nifedipina ou hidralazina.
Inadequado: se não realizar a orientação.
Adequado: se realizar a orientação.
477
10) Identifica a necessidade de prevenção da
eclâmpsia (convulsão) com sulfato de magnésio
e a comunica à paciente.
Inadequado: se não realizar.
Adequado: se realizar.
Debriefing
Moçada, tema que já havia caído em 2020 na prova da UNESP e se repetiu
na prova do Hospital Universitário de Brasília (fique atento porque esse
é um tema que todo ano é cobrado em alguma instituição). Os distúrbios
hipertensivos na gestação é um tema difícil e complexo dentro da clínica
obstétrica, e a pré-eclâmpsia/eclâmpsia são temas em que as condutas devem
ser tomadas rapidamente para evitar um mal prognóstico do binômio
materno-fetal.
478
Para entendermos melhor a DHEG, temos que ter em mente algumas
definições das patologias associadas à doença hipertensiva:
• Hipertensão: PAS ≥ 140 ou PAD ≥ 90 mmHg em duas aferições;
• Hipertensão gestacional: é a hipertensão que se desenvolve após a 20ª
semana de gestação, em geral leve e sem a presença de proteinúria ou
outros sinais de pré-eclâmpsia e que, necessariamente, retorna aos níveis
normais nas primeiras 12 semanas de puerpério;
• Pré-eclâmpsia: é a hipertensão + proteinúria (presença de 300mg ou mais
na urina de 24h ou proteína ≥ 1+ em teste de fita ou relação proteinúria/
creatinúria > 0,3) que surge após a 20ª semana de gestação;
• Eclâmpsia: é quando ocorrem crises convulsivas tônico-clônicas
generalizadas em uma paciente com pré-eclâmpsia, podendo acontecer
antes, durante ou após o parto;
• Pré-eclâmpsia sobreposta: é a hipertensão essencial crônica (portanto
diagnosticada antes da 20ª semana de gestação) + proteinúria.
Pré-eclâmpsia
O primeiro passo ao diagnosticar uma paciente com DHEG é saber se ela
apresenta proteinúria e, portanto, pré-eclâmpsia. Mas o ponto fundamental
é saber reconhecer os sinais de gravidade da pré-eclâmpsia para podermos
intervir no momento correto.
479
• Iminência de eclâmpsia: cefaleia, distúrbios visuais (escotomas, turvação
visual), epigastralgia e hiperreflexia.
Conduta
Aqui a regra é a seguinte: casos leves não devem ser tratados com medicação
anti-hipertensiva, pois podem levar à uma diminuição acentuada da
perfusão placentária, já os quadros graves devem ser controlados com o
objetivo de manter os níveis pressóricos sistólico entre 140-155 e diastólico
entre 90-100 mmHg. A paciente do caso apresentava um quadro de pré-
eclâmpsia grave pelo valor da PA e sintomatologia, portanto deveria ser
medicada.
480
devem ser evitados ao máximo, deixando-os reservados para emergências
hipervolêmicas, e o propranolol/atenolol também não devem ser utilizados
na gestação devido ao risco de CIUR.
Moçada, outra dica aqui é nunca se esquecer dos cuidados que devem ser
tomados frente a uma paciente que utilize sulfato de magnésio, devido ao
risco de intoxicação pelo magnésio (parada cardiorrespiratória). Assim,
devemos sempre avaliar os seguintes parâmetros antes de realizar a próxima
dose do sulfato: (e esses parâmetros sempre são cobrados nos checklists):
481
Para finalizar: qual o momento ideal para realizarmos o parto?
Esta é uma decisão difícil e que depende muito das condições maternas e
fetais, além da idade gestacional. Em casos leves, a conduta é expectante até
o termo (37 a 40 semanas), desde que as condições maternas e a vitalidade
fetal permitam. Já nos quadros graves, a interrupção da gestação é o melhor
tratamento devido ao risco materno alto. Contudo, em gestantes com idade
gestacional menor que 34 semanas, podemos tentar estabilizar a paciente
e avaliar o bem-estar fetal para determinarmos se há a possibilidade de
aguardar a realização de corticoide para a maturação pulmonar fetal.
REFERÊNCIAS
• 1. ZUGAIB, Marcelo. Obstetrícia. 3ª ed. Barueri, São Paulo: Manole,
2016 e alterações
• 2. REZENDE, J. Obstetrícia. 11ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan,
2008.
• 3. Série, Orientações, e Recomendações FEBRASCO - Pré-eclâmpsia,
FEBRASCO, 2017.
482
Pediatria
É hora de praticar mais uma vez o atendimento prático de puericultura!
A banca do HUB 2020 não fugiu do tema mais abordado em provas práticas
de pediatria. Pronto para dominar esse treinamento?
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
• A estação é composta de 2 tarefas
• Prova de atendimento
Cenário:
• Examinador
• Atriz
• Objetos em cena: mesa de atendimento e boneco compativel
com idade da criança
Início da Estação
Caso clínico:
Você é o médico de uma Unidade Básica de Saúde e irá atender pela primeira
vez um lactente de 6 meses de idade trazido em consulta pela sua mãe.
Tarefa 01:
Realize o atendimento.
483
as seguintes informações:
• Nome: Thayane
• Idade: 19 anos
• Estado civil: solteira
• Escolaridade: ensino médio completo Profissão: desempregada
• Se o candidato questionasse, era fornecido o seguinte histórico
gestacional: G1P1A0
• Quanto aos dados do pré-natal, se solicitados, a atriz relatava que
realizou adequadamente. Se questionadas intercorrências na gestação,
a atriz negava. Além disso, negava alterações de exames laboratoriais
e sorológicos durante gestação e negava intercorrências no momento do
parto. Todas essas respostas eram fornecidas apenas se questionadas.
• Durante anamnese da criança, quando questionado sobre o histórico
alimentar, a mãe refere que ele está só no peito. Nega dificuldade para
amamentar.
• Caso questionada, a mãe nega que criança está tomando qualquer tipo
de medicação ou suplemento.
• Em relação aos questionamentos sobre os marcos do desenvolvimento
esperados para a idade de 6 meses, a atriz só confirmava os dados se o
candidato perguntasse ativamente (criança sorri, emite sons em resposta
à fala, segura brinquedos e os leva à boca, eleva a cabeça apoiando-se nos
antebraços, rola).
• Ao questionar se a mãe havia trazido a caderneta da criança, a atriz
entrega as curvas de crescimento da OMS e uma folha com o histórico
vacinal, disponíveis nas próximas páginas.
484
485
Considere as marcações como vacinas aplicadas conforme
o Programa Nacional de Imunizações.
486
• Neuro: ativa e reativa, tônus preservado, postura adequada, reflexos
primitivos presentes e simétricos.
Tarefa 02:
Dê os informes e orientações pertinentes ao caso.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Parcial Não
Tarefa 01
Identifica-se, cumprimenta e acolhe a mãe
de maneira adequada. Mantém postura
receptiva: contato visual com a paciente
simulada; tronco voltado para a mãe, não
cruza os membros superiores. Inadequado:
se não realizar nenhum item. Parcialmente
adequado: se realizar pelo menos 4 itens.
Adequado: se realizar os 6 itens.
Solicita dados de identificação da mãe: idade,
estado civil, nível educacional e profissão.
Inadequado: se não solicitar nenhum item.
Parcialmente adequado: se solicitar pelo
menos 2 itens.
Adequado: se solicitar os 4 itens.
487
Solicita o histórico gestacional: número
de gestações, partos e abortos.
Inadequado: se não solicitar nenhum item.
Parcialmente adequado: se solicitar 1 item.
Adequado: se solicitar pelo menos 2 itens.
Solicita dados do pré-natal e do parto:
intercorrências no pré-natal, sorologias e(ou)
exames de sangue, tipo de parto, intercorrências
no parto. Inadequado: se não solicitar nenhum
item. Parcialmente adequado: se solicitar
pelo menos 2 itens.
Adequado: se solicitar pelo menos 3 itens.
Solicita a caderneta de saúde
da criança. Inadequado: se não solicitar
a caderneta. Adequado: se solicitar
a caderneta.
Solicita o histórico alimentar
(aleitamento materno exclusivo).
Inadequado: se não solicitar.
Adequado: se solicitar.
Solicita informações acerca dos marcos do
desenvolvimento neuropsicomotor de um
lactente de seis meses (sorri, emite sons
em resposta à fala, segura brinquedos e os
leva à boca, eleva a cabeça apoiando-se nos
antebraços, rola).
Inadequado: se não solicitar nenhuma
informação. Parcialmente adequado: se
solicitar apenas 1 item. Adequado: se solicitar
pelo menos 2 itens.
488
Informa:
1. que o lactente apresenta crescimento f ísico
esperado dentro da curva de normalidade;
2. que o desenvolvimento neuropsicomotor
encontra-se dentro dos marcos
normais para a idade; 3. que não
há necessidade de exames complementares
diagnósticos.
Inadequado: se não informar corretamente os
3 itens. Parcialmente adequado: se informar
pelo menos 2 itens corretamente.
Adequado: se informar os 3 itens corretamente.
Informa:
1. que o esquema vacinal está atrasado;
2. que deverá fazer a segunda dose das vacinas
contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite
B e hemófilos influenzae B (ou pentavalente,
ou tetravalente + hepatite B, ou tríplice
+ hepatite B + hemófilos influenzae B),
antipoliomielite inativada(salk), rotavírus e
antipneumocócica 10-valente;
3. que deverá fazer a primeira dose da vacina
antimeningogócica C;
4. que deverá retornar conforme esquema
vacinal. Inadequado: se não informar
corretamente nenhum item.
Parcialmente adequado: se informar
corretamente pelo menos 2 itens.
Adequado: se informar corretamente pelo
menos 3 itens.
489
Informa à mãe que deverá:
1. manter o aleitamento materno;
2. introduzir de forma lenta e gradual, até
3 vezes ao dia nos horários de refeição da
família, alimentos complementares (frutas,
legumes, cereais, tubérculos, carnes e ovos);
3. administrar sulfato ferroso por via oral;
4. retornar para consulta de seguimento aos
nove meses de idade do bebê (ou daqui a três
meses).
Inadequado: se informar até 1 item.
Parcialmente adequado: se informar de 2 a 3
itens. Adequado: se informar os 4 itens.
Debriefing
Prontos para mais uma estação de atendimento de puericultura na pediatria?
A prova da HUB, hospital universitário da UNB, vem para reforçarmos
a importância de revermos os conceitos da consulta pediátrica de rotina.
Se você ainda não percebeu que esse tema despenca na prova prática, é hora
de se concentrar. Vamos lá?
490
A banca ainda cobrou outros pontos da anamnese da consulta de puericultura
que devem ser lembrados pelo candidato, como identificação, anamnese
gestacional e anamnese do pré-natal e parto. O ponto aqui, pessoal, é manter
em mente que estamos diante de uma prova de atendimento de longa
duração, em que é preciso ter um atendimento de puericultura completo,
reforçando principalmente os pontos da anamnese. Vamos juntos relembrar
os pontos-chave do atendimento de puericultura?
• Identificação;
• Anamnese gestacional;
• Anamnese pré-natal e parto;
• Anamnese da criança:
• Queixas e dúvidas;
• Amamentação e alimentação;
• Crescimento e desenvolvimento;
• Calendário vacinal;
• Prevenção de acidentes;
• Programação de puericultura.
491
anamnese gestacional. Mas a partir de agora fica o conceito e a importância
de questionar tais pontos quando o tempo de prova permitir, certo?
492
com sua curva padronizada habitual. Como as curvas são construídas
e delimitadas com percentis 3 e 97 ou +/- dois desvios padrão (z-score),
existe um percentual de crianças normais que terão valores abaixo de 3% no
caso dos percentis, ou 2,5% no caso do desvio padrão. Dessa forma, é muito
mais importante avaliar se a criança sempre esteve naquele percetil/z-score
ou se ocorreu alguma mudança em seu padrão. Por exemplo, o gráfico
abaixo mostra um caso de uma criança que saiu do seu padrão de ganho
de peso, apesar de ainda ser considerada com peso adequado para a idade.
Esse desvio de padrão pode ser um sinal de alerta para o pediatra e indicar
medidas adicionais para a avaliação da criança.
493
Ficou mais clara a interpretação dos gráficos padronizados para avaliação
do crescimento da criança? Em relação a altura, ainda existem fases
de avaliação do crescimento, em que esses estirões de estatura são
tolerados. O crescimento pós-natal pode ser dividido em três fases: uma
fase de crescimento rápido, mas também de desaceleração rápida que vai
dos 2,5 anos até os 3 anos; uma fase de crescimento mais estável com uma
desaceleração lenta, que vai até o início da puberdade; e a fase puberal com
o estirão caracterizado por um crescimento rápido até atingir o pico, com
desaceleração posterior até atingir a altura adulta. Em algumas crianças,
é observado um pequeno estirão entre 7 e 8 anos de idade, denominado
estirão do meio da infância. A criança cresce em torno de 25 cm no
primeiro ano, sendo 15 cm no primeiro semestre e 10 cm no segundo.
No segundo ano, cresce de 10 a 12 cm.
494
A banca ainda questiona sobre a avaliação do desenvolvimento da criança.
Esse deve ser um processo contínuo de acompanhamento das atividades
relativas ao potencial de cada criança, com vistas à detecção precoce
de desvios ou atrasos.
495
da cabeça e depois do tronco. Finalmente, durante o 3o trimestre,
a criança adquire a posição ortostática. O apoio progressivo na musculatura
dos braços permite o apoio nos antebraços e as primeiras tentativas
de engatinhar. No entanto, algumas crianças andam sem ter engatinhado,
sem que isso indique algum tipo de anormalidade.
496
ou leva à boca;
• Social: Sorri, reconhece a mãe;
• Linguagem: Emite sons em resposta à fala, polissílabos vogais;
497
498
Além da avaliação do crescimento e desenvolvimento, o que chamava
atenção ao longo da prova era o importante atraso vacinal. Esse, sem dúvida,
seria ponto-chave para orientação à mãe. Vamos relembrar o calendário
vacinal com as atualizações do PNI 2020?
Idade Vacinas
499
+ Antipoliomielite VIP + Rotavírus), era preciso mencionar o atraso
vacinal e fazer as considerações corretas. Nesse caso, você recomendaria
quais vacinas para atualizar o calendário da criança?
500
energia requerida nessa faixa etária, e 1/3 da energia necessária no período
de 12 a 24 meses, sendo, por isso, contraindicada a substituição do leite
materno por leite de vaca, mesmo após a complementação alimentar.
A papa principal (mistura múltipla) deve ser oferecida após a criança
completar 6 meses de vida nos horários correspondentes ao almoço
ou jantar (juntamente com a família). Essa refeição deve conter alimentos
de todos os grupos: cereais ou tubérculos, leguminosas, carnes e hortaliças
(verduras e legumes). Carnes (bovina, suína, frango ou peixe) e ovos cozidos
devem fazer parte das refeições a partir do sexto mês de vida sem restrições.
No início, os alimentos devem ser amassados com o garfo (consistência
de purê), nunca liquidificados ou peneirados.
Em resumo:
• RN≥ 37 semanas e peso ≥2.500g:
• MS: a partir dos 6 meses aos 2 anos (dose 1mg/kg/dia Fe)
• SBP: a partir dos 3 meses aos 2 anos (dose 1mg/kg/dia Fe)
• RN Pré-termo ou < 2.500g:
• No primeiro ano de vida:
• <1.000g: 4mg/kg/dia Fe
• <1.500g: 3mg/kg/dia Fe
• <2.500g: 2mg/kg/dia Fe
• No segundo ano de vida: 1mg/kg/dia Fe
501
Apesar de não abordado pela banca, devemos lembrar da profilaxia
com reposição de vitamina D iniciada logo após o nascimento até os 2 anos
de idade, na dose 400U/dia.
REFERÊNCIAS
• 1. Kliegman, R. Nelson Textbook of Pediatrics. Edition 21. Philadelphia,
PA: Elsevier, 2020.
• 2. Burns, D. [et al]. Tratado de Pediatria: Sociedade Brasileira de Pediatria.
4a edição. Barueri, SP: Manole, 2017.
502
• 3. Ministério da Saúde, Brasil. Calendário Vacinal da Criança 2020.
Disponível em: https://www.saude.gov.br/images/pdf/2020/marco/04/
Calendario-Vacinao-2020-Crian--a.pdf
• 4. Ministério da Saúde, Brasil. Caderneta de Saúde da Criança 2017.
Disponível em:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/caderneta_
saude_crianca_menino_11ed.pdf
• 5. Ministério da Saúde, Brasil. Guia alimentar para crianças brasileiras
menores de 2 anos, 2019. Disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/
portaldab/publicacoes/guia_da_crianca_2019.pdf
503
Preventiva
Galera, reparem como os temas das provas de preventiva se repetem!
Se você tem acompanhado as provas das outras instituições, vai ver que a
UNB fez uma estação bem batida e conhecida de vocês, alunos da Medway!
Estações assim são ótimas para treinar com colegas, então que tal ligar para
aquele seu amigo e tentar destrinchar juntos?
Orientações ao aluno:
• Tempo para realização da estação: 10 minutos
• A estação era composta de uma tarefa única
Cenário:
• Examinador
• Ator
Início da Estação
Caso clínico:
Você é médico de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e irá atender
um paciente do sexo masculino, Igor, 18 anos, estudante, em consulta
por demanda espontânea.
Tarefa 1:
Realize o atendimento com base no método clínico centrado na pessoa.
Estruture o raciocínio de forma adequada solicitando o exame físico,
exames complementares que e se achar necessário, indicando possíveis
tratamentos, seguimento e exames necessários.
504
Ao ser questionado:
• Paciente relatava que no dia anterior tinha ido à uma festa e teve relação
sexual desprotegida e estava com medo de ter contraído alguma doença.
• Paciente refere que foi uma relação com uma mulher.
• Quando questionado se tinha alguma parceira fixa, ele respondia
que não, era solteiro.
• Quando questionado se o paciente sabia se a parceira da noite anterior
era portadora de vírus HIV, ele relatava que não constava no script.
• Quando questionado sobre outros sintomas como lesões na genitália,
corrimento uretral ou lesões orais, o paciente nega quaisquer alterações.
• Quando questionado sobre sintomas constitucionais como febre,
linfonodomegalias, perda de peso e hepatoesplenomegalia, o paciente
negava quaisquer alterações.
• Quando questionado sobre o que mais o afligia, o paciente relatava
que estava com medo de estar com HIV, pois um amigo foi descoberto
recentemente.
• Quando questionado sobre cartão de vacinação, paciente refere que
esqueceu o cartão de vacinação e pergunta se ele tem que tomar alguma
vacina.
• No decorrer da consulta, o ator pergunta se, em relação sexual com
homens, o risco de pegar o vírus é maior.
• Após isso, o ator relatava que há 2 meses teve relação com homens
também, sem uso de preservativo.
• O ator refere que não bebe, fuma ou usa outras drogas.
505
• Extremidades: ausência de edemas, TEC < 2,0s, ausência de empastamento
de panturrilhas.
• Genital: sem alterações. Ausência de corrimento uretral.
TÉRMINO DA ESTAÇÃO
Checklist
Itens avaliados Sim Parcial Não
(2 itens) (1 item) (0 itens)
Tarefa 01
O(A) candidato(a) chama o(a) paciente
pelo nome? Cumprimenta o(a) paciente? É
cordial?
• O (A) candidato(a) não faz julgamento
de valor e não é preconceituoso?
• O(A) candidato(a) explora na história
clínica outras formas de exposição com risco
de transmissão de HIV ou outras IST?
(Exemplo de material biológico: sangue
ou sêmen/exemplo de tipo de exposição:
percutânea causada por agulhas
ou instrumentos perfurantes).
• O (A) candidato(a) explora outros sintomas
ou sinais para IST? (Sintomas ou sinais
locais: presença de lesão em região genital
e perianal, corrimento uretral, lesões orais/
sintomas ou sinais constitucionais: febre,
linfadenopatias, exantema, perda de peso
e hepatoesplenomegalia.) (Pelo menos
1 sintoma local e 1 sintoma constitucional.)
506
O (A) candidato(a) fornece informações
sobre IST ou HIV/AIDS?
O(A) candidato(a) procura entender como
é o estilo de vida do paciente e como
é a prática sexual?
O(A) candidato(a) informa e oferta métodos
preservativos?
O(A) candidato(a) garante o sigilo da consulta
e dos resultados de exames?
O(A) candidato(a) procura ouvir com atenção
as preocupações do indivíduo e fornece apoio
emocional?
O(A) candidato(a) oferece o teste rápido
de HIV?
O(A) candidato(a) ofereceu os outros testes
rápidos: sífilis, Hepatite B e Hepatite C?
O(A) candidato(a) entrega o resultado
de cada exame de forma correta?
(Disse de forma expressa o resultado
em separado dos exames para o paciente)
O(A) candidato(a) orienta que esse exame não
avalia a última relação sexual que o paciente
teve?
O(A) candidato(a) explica o conceito de janela
imunológica? (Possibilidade de o resultado
ser falso-negativo se houve exposição nos
últimos 30 dias.)
507
O(A) candidato(a) orienta a utilização
de profilaxia pós-exposição sexual para HIV?
O(A) candidato(a) menciona o tratamento
medicamentoso com tenofovir, lamivudina
e dolutegravir e a duração de 28 dias de
tratamento?
O(A) candidato(a) discute sobre
a importância da adesão ao tratamento e ao
acompanhamento?
O(A) candidato(a) orienta a respeito
do acesso à UBS e de retorno em caso de novas
demandas?
O(A) candidato(a) agenda retorno breve
para reavaliação do caso (até 30 dias)?
O(A) candidato(a) orienta a respeito
do cuidado longitudinal feito pela equipe
de saúde da família?
O(A) candidato(a) procura entender
os sentimentos, as ideias, os medos
e as expectativas do paciente?
O(A) candidato(a) procura entender
o paciente como um todo, perguntando
a respeito da história de vida, da família,
do trabalho ou de rede de apoio?
O(A) candidato(a) estabelece um plano
terapêutico em conjunto com o paciente?
O(A) candidato(a) procura intensificar
a relação médico-paciente com confiança?
508
O(A) candidato(a) solicita os exames
no primeiro atendimento para profilaxia
pós exposição sexual (creatinina, ureia,
ALT, AST, amilase)?
O(A) candidato(a) solicita o cartão vacinal
atual do paciente?
O(A) candidato(a) orienta o paciente sobre
a vacinação de Hepatite B, se necessário?
Debriefing
Apesar de ser um tema bem comum, a UNB teve um checklist um pouco
diferente, concordam? Exposição sexual de risco é um assunto que você
precisa dominar para as provas práticas, já que cai ano sim e ano também.
O diferencial explorado pela UNB foram alguns detalhes da abordagem pelo
método clínico centrado na pessoa e o enfoque na profilaxia pós-exposição
do HIV. Só pelo tom do enunciado, a gente já notava que apenas citar
testes rápidos+PEP não seria nem de longe suficiente. A banca esperava do
candidato a visão do paciente como um todo, característica fundamental
do método clínico centrado na pessoa. As habilidades atitudinais eram
pontuadas no checklist, como não fazer julgamento de valor e não ter
preconceitos.
509
• Entendendo a pessoa como um todo;
• Elaborando um plano conjunto dos manejos dos problemas;
• Incorporando prevenção e promoção de saúde;
• Intensificando o relacionamento entre pessoa e médico;
• Sendo realista.
Vamos destrinchar essa estação seguindo esse roteiro? Veja como é simples:
Dois outros pontos cruciais da anamnese desse paciente são questionar por
sintomas de IST’s (úlceras genitais, linfonodomegalias, corrimento uretral,
febre) e outras formas de exposição com risco de transmissão de HIV
ou outras IST’s (exposição percutânea causada por agulhas ou instrumentos
perfurantes).
510
Aqui o candidato precisaria explorar no ator quais eram os sentimentos,
emoções, expectativas e medos em relação ao momento que ele estava
enfrentando, bem como isso afetava suas relações interpessoais, como
família e trabalho. Na prática clínica da vida real, isso nos parece muito
mais natural de se fazer, não é mesmo? Nós perguntamos ao paciente e o
deixamos contar sua história. Já na prova prática, precisamos perguntar
isso de forma clara e objetiva, afinal nosso tempo é limitado. Suas perguntas
precisam ser diretas, porque o ator é instruído a seguir um roteiro. Frases
como “Você está preocupado com essa situação? Isso tem atrapalhado seu
trabalho e a sua relação com os amigos e família?” são sucintas e adequadas
para pontuar os checklists.
511
Os quatro passos da avaliação da PEP
512
Recomendações de exames laboratoriais para seguimento da PEP
Amilase X X
Glicemia (b) X X
Hemograma (c) X X
Teste de HIV X X X
Fonte: DIAHV/SVS/MS
(a) Para cálculo do clearance de creatinina
(b) Em caso de pessoa exposta com diabetes Mellitus
(c) Quando em uso de AZT
(d) Na impossibilidade de coleta de exames, fornecer PEP e pedidos de exames para a segunda
semana
Figura 2 - Exames laboratoriais para seguimento da PEP.
Disponível em :http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-para-pro filaxiapos-
exposicao-pep-de-risco
O ator nos revelava na entrevista que tem relações sexuais com homens
também e ficou preocupado ao saber que um amigo fora recentemente
diagnosticado com HIV. Ele tinha a seguinte dúvida: em relações sexuais
com homens, o risco de pegar HIV é maior? Essa é uma dúvida interessante!
De acordo com dados do Centers for Disease Control and Prevention, as
513
exposições sexuais de maior risco para contrair HIV são respectivamente a
prática do sexo anal receptivo e sexo anal insertivo. Como estas são práticas
comuns entre homens que fazem sexo com homens, podemos dizer que
sim, este risco é maior.
Sexual
514
Intensificando o relacionamento entre pessoa e médico
515
Ser realista
Galera, essa foi a estação da UNB! Viram como uma estação “simples”
e “batida” pode explorar a fundo alguns conceitos em medicina preventiva?
Esperamos ter ajudado você a pensar nos detalhes que passam despercebidos
pela maioria dos candidatos e que são o diferencial de quem acompanha
a Medway!
REFERÊNCIAS:
• Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções
Sexualmente Transmissíveis MINISTÉRIO DA SAÚDE. .http://www.
aids.gov.br/pt-br/publico-geral/previna-se;
• Desafio UNAIDS 2017.https://unaids.org.br/wp-content/
uploads/2017/11/gabarito_desafio_unaids.pdf
• Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pós-
Exposição (PEP) de Risco à Infecção pelo HIV, IST e Hepatites Virais.
http://www.aids.gov.br/pt-br/pub/2015/protocolo-clinico-e-diretrizes-
terapeuticas-p ara-profilaxia-pos-exposicao-pep-de-risco
• John E. Bennett, Raphael Dolin, Martin J. Blaser. Mandell, Douglas,
And Bennett's Principles and Practice of Infectious Diseases. Philadelphia,
PA :Elsevier/Saunders, 2019.
516
Nossa Missão
T
odos os nossos esforços na Medway são voltados para uma
única missão: melhorar a assistência em saúde no
Brasil. Através de um ensino sólido em Medicina
de Emergência e uma excelente preparação para as provas de
Residência Médica, acreditamos que tornamos nossos alunos médicos ainda
melhores do que eram antes!
517
Porém, nossa missão não pode parar aí. Sabemos que o caminho para uma
aprovação em São Paulo é ainda mais árduo, tanto pela alta concorrência quanto
pelo diferente formato de cobrança (mais imagens e assuntos não abordados
tradicionalmente em Cirurgia, por exemplo). Por isso, em 2020, trabalhamos
incansavelmente para oferecer também um preparo excepcional para as
principais provas teóricas do estado de São Paulo!
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518
N
osso curso é focado na prova prática como ela realmente é.
Através de uma revisão cuidadosa de mais de 500 estações dos
últimos anos, desenvolvemos uma metodologia de ensino toda
baseada em checklists, para você conquistar o máximo de pontos na sua
segunda fase no fim do ano. Sem enrolação. Sem “oba oba”. Aqui, trazemos a
essência da prova prática pra você gabaritar qualquer checklist em estações
de habilidades ou imagens e a parte de componente de audiovisual dentro
das provas de multimídia.
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519
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não apenas as imagens mais frequentes mas como fazer a descrição de
cada uma delas, dos principais exames diagnósticos: Rx, TC, RNM, USG
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do Brasil e toda a didática “Medway” para ensinar tudo aquilo
que gostaríamos de ter aprendido antes de enfrentarmos nossos temidos
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