0% acharam este documento útil (0 voto)
0 visualizações6 páginas

Sociologiajuridica

Fazer download em docx, pdf ou txt
Fazer download em docx, pdf ou txt
Fazer download em docx, pdf ou txt
Você está na página 1/ 6

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS

DIREITO

DIREITO E PODER

Flávia Pereira de Pinho Tavares

Hyttalo Kawan Clemente Oliveira

Kethelly vitória Almeida Nascimento

Natália Cristina Oliveira

SERRO

2024

1. INTRODUÇÃO
Esse trabalho tem por objetivo explicar o que é poder e as suas relações de poder
em perspectivas teóricas, a luz de Paul-Michel Foucault ou mais conhecido como
Foucault, baseado em sua obra microfísica do poder. Sob esse prisma, o estudo
abordado se voltara em torno de questões como direito e poder, abrangendo ainda,
governamentabilidade, biopolítica, micro relações de poder e a inseparabilidade de
poder com o conhecimento.

Foucault, é de nacionalidade francesa, nasceu na cidade de Poitiers, em 15 de


outubro de 1926, faleceu em 26 de junho de 1984, aos 57 anos. Foucault veio de
família de médicos, acabou se graduando em história, filosofia e psicologia. Michel
Foucault foi considerado um filósofo contemporâneo dos mais polêmicos, pois
possuía um olhar crítico de si mesmo. Devido às suas tentativas de suicídio,
aproximou-se da psicologia e psiquiatria e produziu diversas obras sobre esse tema.
Os seus estudos e pensamento envolvem, principalmente, o biopoder e a sociedade
disciplinar.

Portanto, ao final da leitura deste instrumento, espera-se que o leitor seja capaz de
entender como Foucault explica o poder, como esse condicionamento de conduta
gera na sociedade civil, modos pré-estabelecidos de agir, pensar e sentir, o que o
filosofo vai chamar de subjetividade. Espera-se, que, seja capaz de olhar as
estruturas de poder e entender com olhar crítico como são articulados os
instrumentos que viabilizam a permanência e a preponderância dessa forma de
poder, tida como passivelmente correta e não aceitada como uma guerra disfarçada
que gera consequências duradouras.
2. DESENVOLVIMENTO

É de suma importância entender como Foucault compreende poder, ele não visa
sob ótica o poder domiciliado em apenas instituições e tampouco, algo que possa vir
a ceder. Foucault, vê poder como um instrumento de repressão, mas, que
conjuntamente produz seus efeitos de verdade e saber.

Trata-se (...) de captar o poder em suas extremidades, em suas últimas


ramificações (...) captar o poder nas suas formas e instituições mais
regionais e locais, principalmente no ponto em que ultrapassando as
regras de direito que o organizam e delimitam (...) em outras palavras,
captar o poder na extremidade cada vez menos jurídica de seu
exercício. (Foucault, 1979:182)

Ressalva-se ainda, a necessidade de compreender poder, conhecendo a etimologia


que vem do latim potere, substituído ao latim clássico posse, que vem a ser a
contração de potis, ou seja, "ser capaz"; "autoridade". Assim, quando posto na
prática, a etimologia do conceito poder tornar sempre uma palavra ou ação que
exprime força, persuasão, controle, regulação. É de importância ímpar, entender
esse conceito, para além de uma palavra, mas sim, um conceito que gerou, gera e
continuará a gerar consequências para a ordem civil em um todo.

2.1 RELAÇÕES DE PODER, DIREITO E PODER E BIOPODER

Assim o poder, tido como características principais a onipresença, microfísica e a


capilaridade, o Estado Moderno, usa esse poder com monopólio sob o direito,
caracterizando assim relações e perpetuando estruturas.

Foucault argumenta que o direito não é apenas um conjunto de normas e


regulamentos neutros, mas uma ferramenta fundamental nas relações de poder. Ele
vê o direito como um mecanismo através do qual o poder é exercido, consolidado e
perpetuado na sociedade. A lei, longe de ser uma entidade objetiva e imparcial, é
um instrumento do poder que reflete e reforça as estruturas de dominação
existentes. Conquanto, Foucault, inverte o aforisma de Clausewitz, e afirma em sua
famosa máxima:

A política é a guerra continuada por outros meios.

Que ao firmar neste instrumento, visa o entendimento de que Clausewitz


argumentava que a guerra era uma extensão da política, ou seja, um meio para
alcançar objetivos políticos. No entanto, Foucault desafia essa visão ao afirmar que
a própria política é uma forma de guerra. Para ele, as relações de poder, os
embates e as transformações das forças não cessam na paz civil; pelo contrário,
continuam de outras maneiras, que são destrutivas igualmente ou pior, porém,
parecem ter caráter ideal, quando, em verdade, estão disfarçadas, gerando guerras
por puro interesse de poder.

O direito tem uma função normativa crucial, ele não apenas regula comportamentos,
mas também define e molda subjetividades, aqui, por muito tempo e atualmente
também, houve um aliado importante, que foi o poder pastoral, que, embora, tenha
seus próprios regimentos, como o código canônico, muito assemelha-se ao código
civil, se tratando das relações sociais. As leis estabelecem o que é aceitável e o que
não é, influenciando profundamente as percepções e ações dos indivíduos. Foucault
aponta que o direito atua como um disciplinador, condicionando os corpos e mentes
dos indivíduos a conformarem-se a certas normas sociais. Para Foucault, o direito é
uma técnica de poder que opera de maneira microfísica, ou seja, em níveis sutis e
detalhados da vida cotidiana, nas mais diversas formas de relações. Ele não se
manifesta apenas em grandes instituições, mas permeia todos os aspectos da
sociedade, desde as práticas educativas até as relações interpessoais. Esta
microfísica do poder é uma característica central do que Foucault chama de
"biopolítica", a administração da vida e da população através de mecanismos
regulamentares. A sociedade capitalista molda nossos corpos por meio de práticas
médicas, normas sociais e controle biopolítico. Essas estratégias visam maximizar a
produtividade e o lucro.

No capítulo 4 (quatro), da obra respectiva, Foucault, ainda, faz a correlação direta


do direito e o conhecimento, como um vínculo que os une de modo inseparável. No
contexto das discussões sobre o direito, Foucault examina o papel dos intelectuais e
como eles se relacionam com as estruturas de poder, aproveita ainda para tratar
sobre a inseparabilidade do poder e do conhecimento, pois, ele explora como
instituições (prisões, escolas, hospitais) operam como mecanismos de poder que
produzem e disseminam conhecimento. Estas instituições não apenas regulam
comportamentos, mas também definem e categorizam a normalidade e a
anormalidade.

Foucault examina como os discursos são formados e legitimados. Ele propõe que
os discursos são veículos de poder que estruturam o que pode ser dito e o que deve
ser silenciado. A "verdade" é, portanto, uma construção social que é mantida e
modificada por práticas discursiva. Ele detalha o conceito de poder disciplinar, que
se diferencia do poder soberano tradicional. Em vez de ser exercido de cima para
baixo de forma explícita e violenta, o poder disciplinar é sutil e pervasivo, operando
através de normas, vigilância e regulação dos corpos e comportamentos. Foucault
introduz a ideia de microfísica do poder para destacar que o poder opera em todos
os níveis da sociedade, não apenas em instituições políticas ou econômicas, mas
também nas interações cotidianas e nas práticas sociais mais banais. Ele utiliza
exemplos históricos para ilustrar como o poder se infiltra em todas as esferas da
vida.

Ele observa uma mudança histórica no papel dos intelectuais.

Tradicionalmente, os intelectuais eram vistos como "intelectuais universais", figuras


que falavam em nome da verdade e da justiça universais, posicionando-se acima
das lutas sociais específicas. No entanto, Foucault sugere que, na sociedade
contemporânea, emergiu a figura do "intelectual específico", alguém que opera
dentro de domínios particulares de conhecimento e cuja autoridade é derivada da
sua expertise em áreas específicas. Foucault argumenta que os intelectuais
específicos têm um papel crucial na desnaturalização das relações de poder. Eles
não devem se ver como portadores de uma verdade transcendente, mas como
críticos ativos que expõem e contestam os mecanismos de poder que operam
através do saber e das instituições sociais. Ao desvelar as formas sutis de controle
e dominação, os intelectuais podem contribuir para a transformação das estruturas
sociais.

Assim, depreende-se, desse raciocínio que, a relação dos intelectuais com o saber
é fundamental. Foucault enfatiza que o saber não é neutro, apoiando a ideia da
situacionalidade, mas que o saber está intrinsecamente ligado ao poder. Os
intelectuais, portanto, têm a responsabilidade de analisar criticamente como o
conhecimento é produzido, disseminado e utilizado para manter certas relações de
poder. Esta análise crítica pode revelar as interseções entre conhecimento e poder
e abrir caminhos para formas alternativas de pensar e agir.

2.2 DIREITO, PODER E GOVERNAMENTABILIDADE

Para entender como Foucault trabalha a relação de poder-governamentabilidade é


interessante saber sobre o termo Panóptico.
Foucault aborda a vigilância e seu papel crucial de controle social das sociedades
modernas. A temática inicia-se desenvolvendo o termo Panóptico, uma estrutura de
vigilância estudada e batizada por Jeremy Bentham no final do século XVIII. O
Panóptico é uma forma em que um único vigia em uma torre, possa observar todos
os prisioneiros alojados nas celas ao redor da torre, mas a ideia idealizada por
Bentham é que os prisioneiros não saibam quando estão sendo observados,
levando a internalizar a vigilância e controlar o comportamento humano como se
estivessem sob constante monitoramento.
Bentham disse que seu sistema ótico era a grande inovação que
permitia exercer bem e facilmente o poder.

Foucault argumenta que a vigilância, usando o conceito do Panóptico, não é apenas


uma forma de controle dos criminosos, mas um modelo de organização que se
encaixa em diversas instituições sociais, como, escolas, hospitais, quarteis militares.
Esse método de poder não é exercido de forma violenta ou que leve a coação, mas
sim de maneira sutil e discreta, conduzindo os indivíduos a disciplina, não por medo
de serem punidos, mas porque se acomodam a serem observados e conformam-se
com as normas esperadas. Foucault mostra como a organização do espaço é
importante para os meios de vigilância e controle social, apontando o poder
disciplinar que adentra todos os níveis da sociedade. A metáfora do Panóptico e o
poder disciplinar nos permite refletir as formas de controle sociais invisíveis, que
moldam o comportamento da sociedade através de estruturas milimetricamente
planejadas.
Foucault aborda a evolução da governança que começa a se desenvolver no
período moderno, ele argumenta que enquanto Maquiavel se preocupa com a
estabilidade no poder e manter a ordem social, a governamentalidade, envolve
práticas que visa promover o bem-estar, segurança e produtividade da população.
Ele enfatiza que, a partir do séc. XVIII, surge uma nova forma de governança que se
distância do modelo descrito por Maquiavel, e essa forma envolve gestão de
políticas públicas, estratégias e intervenção administrativa, utilizando o conceito de
governamentalidade, “a arte de governar”, ele amplia o entendimento de
governança, não apenas ao Estado, mas as diversas práticas de liderança e gestão
na sociedade. Um ponto chave da governamentalidade é o conceito de biopolítica,
anteriormente tratado, que Foucault define como a forma de governar na gestão da
vida e da saúde, no qual os governos buscam otimizar a vida da população. As
técnicas de governo que se infiltram na vida cotidiana das pessoas, moldando suas
práticas e comportamentos, instituições como, escolas, hospitais, ambiente familiar
etc. Tornam se locais onde exercem a governamentalidade na gestão de condutas.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Depreende-se, portanto, que o poder não é somente sobre Estado ou soberania,
mas sim, sobre as mais diversas formas possíveis e o poder está presente em todas
relações e interações sociais.
O poder, ele cria consigo uma força de coação, porém, disfarçada, tornando-a
aceitável, pois, ao estabelecer comportamentos considerados corretos ou errôneos,
cria-se a ideia de um inimigo a ser combatido, ao invés, de compreender e aceitar,
que, isso não se trata de comportamentos, mas, de modos de agir, modos de
pensar.
O poder, diretamente ligado ao Estado, fortalece um monopólio sob o direito, que
por vezes, agem de formas coercitivas para se impor perante a outras formas de
poder, como, no pluralismo jurídico, tornando uma ideia de inimigo, inimigo esse, a
ser combatido e assim, proporcionando uma guerra justificada, para ser aceita,
quando tudo se trata, apenas, da necessidade de poder.
Cabe, a todos pensar sobre essa estrutura. Aos intelectuais do poder específicos,
espera-se que, de forma ativa, assumam seu posto e critiquem, expolam e
contestam os mecanismos de poder que operam através do saber e das instituições
sociais.
REFERENCIAS
FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979.

SciELO - Brasil - As relações de poder em Michel Foucault: reflexões


teóricas As relações de poder em Michel Foucault: reflexões teóricas

historia de foucault scielo - Pesquisar (bing.com)

biopoder scielo - Pesquisar (bing.com)

Você também pode gostar