P9 Livro Testes
P9 Livro Testes
P9 Livro Testes
ndic
e
Teste 1
..
Teste 2
.. 10
Teste 3
.. 17
Teste 4
.. 24
Teste 5
.. 32
Teste 6
.. 40
Teste 7
.. 48
... 54
... 55
... 56
... 57
... 58
... 59
... 60
Cenrios de resposta
.................... 61
Nota: Este livro de testes foi redigido conforme o novo Acordo Ortogrfico
Teste
Unidade
Contos
1
1 Crnicas e
GRUPO I
Parte A
L os textos seguintes.
Afonso Cruz
Anatomia da Errncia, de Bruce Chatwin
Um Brbaro na sia, de Henri
Michaux
Do Monte Sinai Ilha de Vnus,
de Nikos Kazantzakis
Dirios de Viagem, de Eduardo
Salavisa (org.)
O Caminho Estreito para o Longnquo
Norte, de Matsuo Basho
10
15
20
25
Hlia Correia
Caderno Afego e Oriente Prximo,
de Alexandra Lucas Coelho
Recollections of a tour made in Scotland,
de Dorothy Wordsworth
The Dictionary of Imaginary Places,
de Alberto Manguel e Gianni Guadalupi
Viagens com Garrett, de Isabel Lucas
e Paulo Alexandrino
O Colosso de Maroussi,
de Henry Miller
10
15
20
(5
pontos
)
Coluna B
1. Afonso
Cruz
2. Carlos Vaz
Marques
3. Hlia
Correia
4. Jos
Eduardo
Agualusa
2. Seleciona, para responderes a cada item (2.1 a 2.4), a nica opo que permite
obter uma afirmao adequada ao sentido dos textos.
2.1 As opinies apresentadas a propsito dos livros de viagens tm em comum
o
facto
de
todas
inclurem
a) pelo menos duas referncias a autores estrangeiros.
b) apenas referncias a autores de lngua estrangeira.
c) pelo menos duas referncias a autores portugueses.
d) pelo menos uma referncia a um autor portugus.
2.2 A expresso alguns homens que nunca viajam, nem para fora deles
mesmos, nem para dentro deles mesmos, so como aqueles pssaros que no
fogem quando lhes abrem a gaiola (linhas 6-8 do primeiro texto ) contm
a) uma personificao.
b) uma adjetivao.
c) uma comparao.
d) uma anttese.
(4
Parte B
L o excerto da crnica Um silncio refulgente.
10
Acho que a coisa mais importante que me aconteceu na vida foi uma viagem de cerca de um ms,
a Itlia, com o meu av. O meu av guiava e eu sentado ao lado dele, com um volante de plstico,
fingia que guiava tambm. O carro era um Nash encarnado. O meu volante de plstico tinha, ao
centro, uma bola de borracha. Apertando, a bola emitia um som que na minha fantasia era uma
buzina. O barulho do motor, arranjava-o com a boca, de forma que no havia dvidas de ser eu quem
conduzia o automvel. De vez em quando o meu av fazia-me uma festa no pescoo. engraado,
mas ainda sinto os dedos dele.
Durante os dois primeiros dias o cheiro da gasolina enjoou-me e vomitava para cartuchos de
papel. amos ficando em hotis pelo caminho. Lembro-me dos gelados que comi em Saragoa,
lembro-me de assistir a uma tourada em Barcelona com Luis Miguel Dominguin e ter ido ao teatro
(2
pontos
)
(3
pontos
)
15
20
25
30
35
40
45
ver Carmen Sevilha. Estive apaixonado por ela at aos doze anos, altura em que assisti a
Os dez Mandamentos e a troquei por Anne Baxter, a mulher do fara. Nem Carmen Sevilha nem
Anne Baxter me deram troco por a alm. As paixes demoravam a passar nesta poca, em que tudo
era lento. Dias compridssimos, desses que demoravam sculos a nascer. O meu padrinho dava-me
dinheiro por dentes de leite. Se eu fosse jacar estava rico.
Depois foi a Frana. A torre Eiffel pareceu-me uma coisa por acabar, que julgava que s existia
dentro dos pisa-papis. Voltava-se ao contrrio e um remoinho de palhetas doiradas esvoaava ao
redor daquilo. Talvez o meu av tivesse fora para voltar a de Paris mas por um motivo que me
escapa no o fez, e portanto no houve palhetas doiradas nenhumas. Ainda pensei em pedir-lhe.
Respeitei o seu desinteresse pelos pisa-papis e, dececionado, afastei o pescoo quando os dedos
vieram. J a seguir, claro, arrependi-me: se calhar o meu av ia voltar-me, a mim, ao contrrio, e eu
cercado de palhetas doiradas. Voltando a Portugal oferecia-me ao marido da costureira e iria ficar
lindamente em cima do rdio. Como me diziam sempre
To bonito, to loiro
cumpriria decerto, s mil maravilhas, uma vocao de bibel. Seguia-se a Sua onde, em Berna,
uma bicicleta me veio a atropelar, o que me pareceu uma falta de grandeza. O sujeito da bicicleta,
que cuidava pedalar um camio, desceu do selim para apanhar os meus restos. Para tranquilidade do
marido da costureira encontraram-me intacto. O suo
(h suos com alma)
partiu a pedalar, de calas presas com molas de roupa como ourives da feira de Nelas. Para os
imitar, amarelo de inveja, pinava molas nos cales antes de me instalar no triciclo, e a pensar no
triciclo cheguei a Pdua: com um volante de plstico e uma buzina de borracha alcana-se Itlia num
rufo. Itlia, de incio, pareceu-me o stio para onde os suos varriam o lixo deles, ou seja uma
espcie de Portugal com mais pedras e as construes que os romanos se esqueciam de completar:
umas colunas, um bocado de teto, umas pores de mosaico, mais ou menos o jardim dos meus pais
depois de eu ter andado por ali com uma fisga. Ao ver o Coliseu tive a certeza de que o meu irmo
Pedro j l estivera antes. Com um martelo. Explicaram-me haver sido construdo por um sujeito que
inventou o arco e no foi capaz de parar. O nosso objetivo, no entanto, era Pdua, para a primeira
comunho na igreja do Santo com o meu nome. A o meu av tocou no tmulo com a mo, e
mandou-me tocar no tmulo com a mo:
Promete-me que quando tiveres um filho o trazes aqui.
Foi a nica altura em que lhe vi os olhos cheios de lgrimas. Assim os dois sozinhos. Deu-me um
abrao, beijou-me, e nunca ningum me abraou e beijou como ele. Para quem olhasse de fora podia
ser um bocadinho esquisito: um homem a abraar uma criana e um volante de plstico. Para mim
foi o momento de mais intenso amor da minha vida.
Antnio Lobo Antunes, Segundo Livro de Crnicas, D. Quixote, 2002
Vocabulrio
Carmen Sevilha: atriz espanhola, cantora, danarina e apresentadora de TV, famosa na dcada de 50 do sculo XX.
Anne Baxter: atriz norte-americana, popular nas dcadas de 40 e 50, nomeada para diversos scares.
(5
pontos
)
(6
pontos
)
(6
pontos
)
(7
pontos
)
A torre Eiffel pareceu-me uma coisa por acabar, que julgava que s existia
dentro
dos
pisa-papis.
Indica dois motivos atravs dos quais se torna evidente que o narrador uma
criana durante a viagem com o av, a partir das informaes presentes no
terceiro pargrafo.
9. Identifica, entre o stimo e o ltimo pargrafos, dois aspetos que contribuam
para
a
caracterizao
indireta do narrador enquanto criana.
(6
pontos
)
Parte C
10. Depois de terem lido este texto na aula, a Eva e o Francisco fizeram os
comentrios seguintes:
Eva: Parece-me que este texto transmite uma mensagem sobre a
importncia do afeto.
Francisco: Quanto a mim, o texto contm uma mensagem sobre a
importncia da viagem na vida do ser humano.
Escreve um texto expositivo, com um mnimo de 70 e um mximo de 120
palavras, em que, de entre os dois comentrios, defendas aquele que te
parece mais adequado ao sentido do texto da Parte B.
O teu texto deve incluir uma parte de introduo, uma parte de desenvolvimento
e uma parte de concluso.
Organiza a informao da forma que considerares mais pertinente, tratando
os tpicos apresentados a seguir:
(6
pontos
)
GRUPO II
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientaes que
te so dadas.
11. L a seguinte frase.
(8
pontos
(2
pontos
)
(2
pontos
)
(4
pontos
)
(3
pontos
)
Coluna B
1. Sujeito simples
2. Sujeito composto
subentendido
4. Sujeito nulo
3. Sujeito nulo
indeterminado
(1
ponto)
(5
pontos
)
10
GRUPO III
Escreve um texto a partir de um dos temas propostos.
O teu texto deve ter um mnimo de 180 e um mximo de 240 palavras.
A
Como sabes, a crnica um texto com caractersticas diversificadas, que
apresenta o ponto de vista do seu autor em relao a um determinado assunto.
Escreve uma crnica que pudesse ser publicada no jornal da tua escola, a partir
de um acontecimento mais pessoal ou de um assunto de interesse mais geral.
Escolhe o registo principal da tua crnica:
narrativo, se optares por apresentar um ponto de vista pessoal sobre um
determinado acontecimento;
descritivo, se optares por apresentar um ponto de vista pessoal sobre as
caractersticas de um espao, um objeto, uma personagem.
Atribui um ttulo tua crnica.
B
semelhana dos autores mencionados na Parte A e do narrador na Parte B,
tambm j te marcou, com certeza, algum livro que leste ou filme que viste.
Tendo em conta a leitura ou o visionamento do filme, escreve um comentrio
crtico sobre esse objeto artstico que te marcou.
Em ambos os casos, o teu texto deve ter um mnimo de 180 e um mximo de
240 palavras.
FIM
(25
pontos)
11
Teste
Unidade
Contos
2
1 Crnicas e
GRUPO I
Parte A
L a crnica de Maria Judite Carvalho A Gerao Lunar.
10
15
Era uma garotinha pequena de visita a um palcio, o da vila de Sintra, creio eu. Ou seria o de
Queluz? Um palcio real em todo o caso, daqueles de salas imensas, e mveis importantes, de museu,
agressivamente dignos, afetados, sados das mos de um autor conhecido, como os quadros e as
esttuas. Quem pode conviver com um mvel assim?
A menina parou, olhou, observou com ateno. Teria seis, sete anos. Depois de muito olhar, de por
assim dizer entrar ou tentar entrar no ambiente, voltou-se para os pais e disse, lamentando muito:
Como esta pobre gente vivia!
Os presentes sorriram e at riram com vontade. Com que ento aquela pobre gente! Com que
ento Pois claro, aquela pobre gente sem aparelho de rdio nem televiso, que aborrecimento
naquelas grandes salas doiradas, sem ir ao cinema sequer, naquela imensa cozinha sem mquinas. No,
aquilo j no servia para os sonhos de oito anos (ou sete). Isso era dantes, quando ns ramos crianas
e lidvamos com princesas e prncipes encantados. A miudinha, ali, era porm produto de uma
civilizao diferente, sem estpidos e velhos sonhos de palcio, com desejos mais modestos muito
mais confortveis e fabulosos, como estar sentado na sala de estar sem doirados nem mveis de autor, a
ver no pequeno ecr os homens a passear na Lua. Sim, sim, ela, a menina, tinha razo. Porque aquela
pobre gente nem sequer suspeitava. Para ali estava naquelas grandes salas luxuosas, sem nada saber de
uma prxima gerao lunar. Que ns ainda achamos maravilhosa. Que para a menina, ali, no palcio
real, to natural talvez como respirar. Como aquela pobre gente vivia.
Dirio de Lisboa, 26.01.71
Maria Judite de Carvalho, A Gerao Lunar, Este Tempo, Caminho, 2007
1. Seleciona, para responderes a cada item (1.1 a 1.4), a nica opo que
permite obter uma afirmao adequada ao sentido do texto.
1.1 Na perspetiva da cronista, expressa no primeiro pargrafo, os mveis
daquele museu caracterizavam-se por serem sobretudo
a) banais.
b) perfeitos.
c) nobres.
d) antigos.
1.2 Na expresso Quem pode conviver com um mvel assim? (linha 4),
est presente
a) uma frase interrogativa usada para fazer uma pergunta.
b) uma frase imperativa usada para fazer um pedido.
c) uma frase imperativa que corresponde a um chamamento.
d) uma frase interrogativa usada para exprimir um ponto de vista crtico.
(6
pontos
)
12
1.3 A frase Como esta pobre gente vivia! (linha 7) apresenta o ponto de
vista
a) da cronista.
b) dos pais da menina.
c) da menina.
d) dos outros visitantes do museu.
1.4 Na expresso Com que ento () (linha 8) o uso das reticncias
pretende
a) exprimir dvida.
b) manifestar surpresa.
c) interromper uma ideia.
d) indicar que a frase no terminou.
2. Associa cada elemento da coluna A ao elemento da coluna B que lhe
corresponde, de acordo com o sentido do texto e de modo a identificares o
valor semntico do advrbio destacado.
Coluna A
(4
pontos
)
Coluna B
1. Valor de quantidade e
grau
3. Valor de tempo
4. Valor de excluso
5. Valor de modo
2. Valor de negao
3. Classifica cada uma das afirmaes seguintes (3.1 a 3.5) como verdadeira ou
falsa, apresentando uma alternativa verdadeira para as frases falsas.
(5
pontos
)
(1
ponto)
13
5. Indica duas caractersticas que permitam classificar este texto como uma
crnica.
(2
pontos
)
(2
pontos
)
14
10
Parte B
L o texto de Ea de Queirs. Em caso de necessidade, consulta o
vocabulrio apresentado no final.
15
20
25
30
35
40
Ao fundo, e com um altar-mor, era o gabinete de trabalho de Jacinto. A sua cadeira, grave e abacial 1,
de couro, com brases, datava do sculo XIV, e em torno dela pendiam numerosos tubos acsticos, que,
sobre os panejamentos de seda cor de musgo e cor de hera, pareciam serpentes adormecidas e suspensas
num velho muro de quinta. Nunca recordo sem assombro a sua mesa, recoberta toda de sagazes e subtis
instrumentos para cortar papel, numerar pginas, colar estampilhas2, aguar lpis, raspar emendas,
imprimir datas, derreter lacre3, cintar documentos, carimbar contas! Uns de nquel4, outros de ao,
rebrilhantes e frios, todos eram de um manejo laborioso e lento: alguns com as molas rgidas, as pontas
vivas, trilhavam e feriam: e nas largas folhas de papel watman em que ele escrevia, e que custavam
quinhentos reis, eu por vezes surpreendi gotas de sangue do meu amigo. Mas a todos ele considerava
indispensveis para compor as suas cartas (Jacinto no compunha obras), assim como os trinta e cinco
dicionrios, e os manuais, e as enciclopdias, e os guias, e os diretrios, atulhando uma estante isolada,
esguia, em forma de torre, que silenciosamente girava sobre o seu pedestal, e que eu denominara o Farol.
O que porm mais completamente imprimia quele gabinete um portentoso5 carter de civilizao eram,
sobre as suas peanhas6 de carvalho, os grandes aparelhos, facilitadores do pensamento a mquina de
escrever, os autocopistas7, o telgrafo Morse, o fongrafo8, o telefone, o teatrofone9, outros ainda, todos
com metais luzidios, todos com longos fios. Constantemente sons curtos e secos retiniam no ar morno
daquele santurio. Tic, tic, tic! Dlim, dlim, lim! Crac, crac, crac! Trrre, trrre!... Era o meu amigo
comunicando. Todos esses fios mergulhavam em foras universais. E elas nem sempre, desgraadamente,
se conservavam domadas e disciplinadas! Jacinto recolhera no fongrafo a voz do conselheiro Pinto
Porto, uma voz oracular10 e rotunda11, no momento de exclamar com respeito, com autoridade:
Maravilhosa inveno! Quem no admirar os progressos deste sculo?
Pois, numa doce noite de S. Joo, o meu supercivilizado amigo, desejando que umas senhoras
parentas de Pinto Porto (as amveis Gouveias) admirassem o fongrafo, fez romper do bocarro do
aparelho, que parece uma trompa, a conhecida voz rotunda e oracular:
Quem no admirar os progressos deste sculo?
Mas, inbil ou brusco, certamente desconcertou alguma mola vital porque de repente o
fongrafo comea a redizer, sem descontinuao, interminavelmente, com uma sonoridade cada vez
mais rotunda, a sentena o conselheiro:
Quem no admirar os progressos deste sculo?
Debalde, Jacinto, plido, com os dedos trmulos, torturava o aparelho. A exclamao
recomeava, rolava, oracular e majestosa:
Quem no admirar os progressos deste sculo?
Enervados, retirmos para uma sala distante, pesadamente revestida de panos de arrs 12. Em vo!
A voz de Pinto Porto l estava, entre os panos de Arrs, implacvel e rotunda:
Quem no admirar os progressos deste sculo?
Furiosos, enterrmos uma almofada na boca do fongrafo, atirmos por cima mantas, cobertores
espessos, para sufocar a voz abominvel. Em vo! sob a mordaa, sob as grossas ls, a voz
rouquejava, surda mas oracular:
Quem no admirar os progressos deste sculo?
As amveis Gouveias tinham abalado, apertando desesperadamente os xailes sobre a cabea.
Mesmo cozinha, onde nos refugimos, a voz descia, engasgada e gosmosa:
Quem no admirar os progressos deste sculo?
Fugimos espavoridos para a rua.
Era de madrugada.
Ea de Queirs, Civilizao, Contos, Livros do Brasil, 2000
15
Vocabulrio
1
(4,5
pontos)
(2,5
pontos)
(3
pontos
)
10. A frase repetida que provm do fongrafo provoca reaes nas personagens.
Indica as aes encadeadas das personagens a partir deste acontecimento.
(4,5
pontos)
(1,5
pontos)
(3
pontos
)
(3
pontos
)
Parte C
13. L os excertos dos contos A galinha, de Verglio Ferreira e A aia, de Ea
de Queirs.
(8
pontos
)
16
Texto A
A galinha
10
Minha me trouxe, pois, as duas galinhas na carroa do Antnio Capador, e a minha tia ficou. E quando
tarde ela voltou da feira, foi logo buscar a sua. Minha me j a tinha ali, embrulhada e tudo como
minha tia a deixara, e deu-lha. Mas minha tia olhou a galinha de minha me, que j estava exposta
no aparador, e, ao dar meia volta, quando se ia embora, no resistiu:
Tu trocaste mas foi as galinhas.
Disse isto de costas, mas com firmeza, como quem se atira de cabea. E minha me pasmou, de
mos erguidas ao cu:
Louvado e adorado seja o Santssimo Nome de Jesus! Ento eu toquei l na galinha! Ento a
galinha no est ainda conforme tu ma entregaste? Ento tu no vs ainda o papel dobrado? Ento
no estars a ver o n do fio
Estavam s as duas e puderam desabafar.
Trocaste, trocaste. Mas fica l com a galinha, que no fico mais pobre por isso.
Verglio Ferreira, Contos, Bertrand, 1991
17
Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequncia delimitada por espaos em branco,
mesmo quando esta integre elementos ligados por hfen (exemplo: /di-lo-ei/). Qualquer nmero conta como
uma nica palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (exemplo: /2011/).
Texto B
A Aia
Foi um espanto, uma aclamao. Quem o salvara? Quem? L estava junto do bero de marfim
vazio, muda e hirta, aquela que o salvara! Serva sublimemente leal! Fora ela que, para conservar a vida
ao seu prncipe, mandara morte o seu filho Ento, s ento, a me ditosa, emergindo da sua alegria
exttica, abraou apaixonadamente a me dolorosa, e a beijou, e lhe chamou irm do seu corao
E de entre aquela multido que se apertava na galeria veio uma nova, ardente aclamao, com splicas de
que fosse recompensada, magnificamente, a serva admirvel que salvara o rei e o reino.
Ea de Queirs, Contos, Livros do Brasil, 2004
18
Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequncia delimitada por espaos em
branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hfen (exemplo: /di-lo-ei/). Qualquer nmero
conta como uma nica palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (exemplo: /2011/).
GRUPO II
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientaes que
te so dadas.
14. L as frases seguintes.
a) Quem no admirar os progressos deste sculo?
b) Uns de nquel, outros de ao, rebrilhantes e frios, todos eram de um
manejo laborioso e lento: alguns com as molas rgidas, as pontas vivas,
trilhavam e feriam
c) Ao fundo, e com um altar-mor, era o gabinete de trabalho de Jacinto.
d) Mas a todos ele considerava indispensveis para compor as suas cartas
(Jacinto no compunha obras), assim como os trinta e cinco dicionrios, e
os manuais, e as enciclopdias, e os guias, e os diretrios
(6
pontos
)
19
(3
pontos
)
(3
pontos
)
20
(4
pontos
)
(3
pontos
)
(1
ponto)
(1,5
pontos)
GRUPO III
A frase que encerra o excerto do conto Civilizao, de Ea de Queirs, na
Parte B do Grupo II, pode ser um incio de uma outra narrativa, agora
imaginada por ti.
Escreve um texto narrativo, correto e bem estruturado, com um mnimo de 180
e um mximo de 240 palavras, iniciado pela frase: Era de madrugada.
Na tua narrativa, deves incluir uma descrio de um espao e um momento de
dilogo.
No final, rev o teu texto para verificares a ortografia, a pontuao, a estrutura
das frases e dos pargrafos e a coerncia.
FIM
Observaes relativas ao Grupo III:
1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequncia delimitada por espaos em
branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hfen (ex.: /di-lo-ei/). Qualquer nmero conta
como uma nica palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2008/).
(1,5
pontos)
(2
pontos
)
(25
pontos)
21
2. Relativamente ao desvio dos limites de extenso indicados um mnimo de 180 e um mximo de 240
palavras , h que atender ao seguinte:
a um texto com extenso inferior a 60 palavras atribuda a classificao de 0 (zero) pontos;
nos outros casos, um desvio dos limites de extenso requeridos implica uma desvalorizao parcial (at
dois pontos) do texto produzido.
22
Teste
Teste
Unidade
2 Gil Vicente
Unidade
2 Gil Vicente
GRUPO I
Parte A
L o texto seguinte.
Comunicaes. O primeiro SMS da histria foi enviado h 20 anos, a 3 de dezembro de 1992.
Tornou-se um dos mais populares servios de comunicao de sempre e dever continuar a crescer
em trfego e receitas apesar da concorrncia de outros meios, nomeadamente aplicaes gratuitas
para smartphones. A consultora Informa Telecoms prev que os SMS representem 98 mil milhes de
euros de receitas em 2016.
SMS FAZ 20 ANOS
A msg q mudou o mundo
Ana Rita Guerra
10
15
20
25
A nica coisa que Neil Papworth queria era testar se o servio de mensagens escritas funcionava
fora do laboratrio. O engenheiro britnico de apenas 22 anos na altura, em dezembro de 1992, usou
um computador pessoal para enviar a mensagem Feliz Natal ao engenheiro da Vodafone Richard
Jarvis. O texto apareceu num telefone Orbitel 901 a meio da festa de Natal da operadora no Reino
Unido, usando a sua rede GSM.
Um ano depois, em 1993, a Nokia lanou os modelos 2110 que permitiam a troca de SMS sigla de
Short Message Service e a operadora finlandesa Radiolinja foi a primeira a oferecer o servio, ainda
nesse ano. S muito mais tarde se percebeu quem tinha sido o inventor da tecnologia, o finlands Matti
Makkonen, que nos anos 70 teve a ideia e a levou s discusses dos standards GSM. Nunca patenteou
nada nem recebeu um cntimo pela inveno.
Mas a novidade demorou a ser bem-sucedida: em 1995, os clientes de telemveis enviavam
apenas 0,4 mensagens por ms. S no incio da dcada de 2000 a adeso s mensagens curtas se
tornou viral, medida que a tecnologia melhorou e o telemvel se massificou.
At hoje, mantido o limite de caracteres por SMS, algo que foi definido em 1985 por Friedhelm
Hillebrand, da Deutsche Telekom. Era um dos engenheiros responsveis pela definio de standards
GSM nos anos 80 e trabalhou com o francs Bernard Ghillebaert. Porqu 160 caracteres? A largura
da rede analgica era limitada e Hillebrand usou a referncia dos caracteres que se podiam escrever
num postal ou numa mensagem de telex. O standard permite 140 bytes de informao e a
codificao de sete bytes por carter gerou ento o limite de 160.
O grande salto do SMS acabou por se dar h dez anos. Em 2002, foram enviados 250 mil milhes de
SMS, de acordo com os dados da consultora Informa Telecoms & Media, e em 2012 devero ser
enviados 6,7 bilies de SMS, um aumento de 13,6% face a 2011. A analista Pamela Clark-Dickson, da
Informa, sublinha que existem dvidas sobre a sobrevivncia do SMS a longo prazo devido s novas
tecnologias a que os consumidores aderiram. O SMS est a lutar pela sobrevivncia em alguns
mercados, onde v o seu papel de comunicao mvel a ser usurpado por servios gratuitos como o
WhatsApp, iMessage, Viber, KakaoTalk e Facebook, diz. De facto, o envio de SMS est a diminuir em
vrios pases, como o caso da Holanda, da Espanha, da China, da Coreia do Sul e das Filipinas. A
Informa acredita que sero os pases emergentes, com pouco acesso a computadores, a manter o sucesso
da inveno.
23
(6
pontos
)
(6
pontos
)
c) uma explicao.
d) um contraste.
(2
pontos
)
24
25
Parte B
L o excerto do Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente. Em caso de
necessidade, consulta o vocabulrio.
Fidalgo
Anjo
Fidalgo
10
15
Que quers?
Que me digais,
pois parti to sem aviso6,
se a barca do Paraso
esta em que navegais.
Anjo
Esta ; que demandais7?
Fidalgo Que me leixeis embarcar.
Sou fidalgo de solar8,
bem que me recolhais.
Anjo
20
No se embarca tirania
neste batel divinal.
Fidalgo No sei porque haveis por mal
que entre a minha senhoria
Anjo
Pera vossa fantesia9
mui estreita esta barca.
Fidalgo Pera senhor de tal marca
nom h aqui mais cortesia?
25
Anjo
30
35
40
Vocabulrio
1
Aviado: bem arranjado.
2
Giricocins: diminutivo pejorativo de
jerico; asnos.
3
Salvanor: salvo seja.
4
Sam: sou.
5
Grou: ave pernalta palradora.
6
Sem aviso: inesperadamente.
7
Demandais: pretendeis.
8
Fidalgo de solar: de linhagem nobre e
antiga.
9
Fantesia: vaidade, orgulho.
10
Atavio: apetrecho da embarcao.
11
Senhorio: categoria, importncia.
12
Fumosa: vaidosa.
13
Generoso: nobre.
14
Achar-vos-s tanto menos: menos
digno de entrar na barca do Anjo.
26
45
50
Fidalgo
55
60
65
70
75
80
Ao Inferno todavia!
Inferno h i pera mi?
triste! Enquanto vivi
no cuidei que o i havia.
Tive16 que era fantasia17;
folgava ser adorado;
confiei em meu estado18
e no vi que me perdia.
Vocabulrio
15
Veniredes: vireis.
16
Tive: pensei.
17
Fantasia: imaginao.
18
Estado: condio social.
19
Sandeu: tolo, ingnuo.
20
Escarnecer: trocar.
21
Que nom havia mais no bem: no havia
amor maior.
22
Querer: amor.
23
Preo: valor.
27
85
90
95
100
Vocabulrio
24
Cabeo: monte.
25
Desassombrou: consolou.
26
Quanto ela: quanto a ela.
27
Lstimas: lamentaes.
Gil Vicente, Auto da barca do Inferno, Fixao do texto a partir das edies seguintes:
As obras de Gil Vicente, dir. cientifica de Jos Cames, INCM, 2002; Teatro de Gil Vicente,
apresentao e leitura de Antnio Jos Saraiva, Portuglia, s.d.
(2
pontos
)
(6
pontos
)
(3
pontos
)
(5
pontos
)
28
(5
pontos
)
(5
pontos)
Ana Paula Dias, Para uma leitura de Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, Editorial Presena, 2002
Parte C
A cena efetivamente representa a margem de um rio o rio do outro mundo com duas barcas
prestes a partir: uma delas, conduzida por um anjo, leva ao Paraso; a outra, conduzida por um diabo,
leva ao inferno. Uma srie de personagens vo chegando praia.
Paul Tessyer, Gil Vicente, o autor e a obra, Biblioteca Breve, Instituto de Cultura e Lngua Portuguesa, 1985
(10
pontos)
introdutria,
uma
parte
de
GRUPO II
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientaes que
te so dadas.
11 Classifica as formas verbais presentes na frase seguinte indicando pessoa,
nmero e modo.
(3
pontos
)
(4
pontos
)
29
(3
pontos
)
(5
pontos
)
(3
pontos
)
(4
pontos
)
b) embarcar
15. Seleciona, para responderes a cada item (15.1 a 15.3), a nica opo que
permite obter uma afirmao correta.
(3
pontos
)
15.1 A frase que inclui um pronome pessoal com a funo sinttica de sujeito
c) complemento direto.
b) complemento oblquo.
d) sujeito.
b) complemento indireto.
d) complemento oblquo.
GRUPO III
Entre a escrita das cartas pela mulher do Fidalgo e as trocas de mensagem por
SMS decorreu um longo perodo de tempo, em que as formas de comunicao se
alteraram significativamente.
Escreve um texto argumentativo, que pudesse ser publicado num jornal
escolar, no qual apresentes as vantagens da escrita para comunicar, tentando
convencer
os
jovens
da
importncia
de
sabermos exprimir-nos por escrito.
(25
pontos)
30
FIM
31
Teste
Unidade
2 Gil Vicente
GRUPO I
Parte A
L o texto seguinte.
10
15
20
25
30
Uma empresa de animao d a conhecer uma capital diferente. Em vez de guias, so atores
que se encarregam de liderar o caminho por entre histrias de uma Lisboa de outros tempos.
Arco da Rua Augusta, 21h30. Ouvem-se as solas dos sapatos marcando a calada. Mas a cidade
est quase silenciosa, a imaginao que compe um cenrio de suspense: os efeitos dos focos de luz
vindos do cho, junto ao arco, iluminam os queixos dos transeuntes, e h quem passe com a gola do
sobretudo virada para cima. O vento no sopra, o frio suporta-se. So as sombras e os silncios que
incomodam quem no est habituado a observar este tipo de noite em Lisboa.
Esta uma histria de fantasmas, para quem acredita neles. Para quem no acredita, ento esta
uma histria de teatro, onde o palco so as ruas inclinadas do centro histrico da capital, os
espetadores so os clientes e os transeuntes ocasionais. H um ator principal, vestido de capa preta
com capuz e lanterna na mo. Os atores secundrios, esses, so os fantasmas.
O contador de capa preta tem como funo fazer ressuscitar os mortos de que fala, com o foco da
lanterna na cara ou apontando-o para os edifcios onde eles, os mortos, tero vivido. Foi aqui que
viveu uma assassina, conta o narrador do passeio noturno, dirigindo a luz janela de um prdio
devoluto. A histria assume contornos de filme policial e os caminhantes escutam com ateno.
Finda a narrativa, o priplo percorrido de um flego, sem parar. E no fim, o contador grita ou
sussurra um sigam-me. E o grupo segue-o, pois claro.
Crimes e lendas
assim que a Ghost Tours trabalha (www.ghost-tours-portugal.pt). noite, para portugueses ou
estrangeiros, fugindo da confuso do dia, onde turistas e lisboetas se atropelam numa cidade cada
vez mais concorrida. De inverno, o cenrio fica mais carregado, o frio agua a imaginao, e at em
dias de chuva Lisboa parece ficar mais assustadora. O motivo do passeio so crimes e criminosos,
lendas e acontecimentos horripilantes da Histria de Lisboa.
O contador leva o grupo pela colina do Castelo acima e, na S, no obstante os gritos
incomodados de um sem-abrigo, a atmosfera macabra adensa-se. O cu est mesmo preto e a
catedral profundamente amarela, a Lua cheia a um canto.
O contador est entusiasmado e lembra o dia em que um bispo foi lanado da torre da S, em
pleno sculo XIV. Conta-se que os seus restos mortais foram arrastados pela cidade e comidos
pelos ces, vocifera. Os improprios do sem-abrigo persistem, mas o contador no desmancha o seu
papel. A sua voz colocada e parece ecoar no silncio da rua. No admira que incomode os que j
dormem, apesar de no passar das dez da noite.
32
35
40
45
50
55
60
65
70
A subida acentua-se, desfilam fantasmas de assassinos, h muito falecidos, e das suas vtimas. E
no Ptio do Carrasco, a caminho de Santa Luzia, que o ambiente chega a gelar. De repente, o grupo
transporta-se para um trio quadrangular do sculo XIX, com casinhas baixas e janelas pequenas,
carreiros interminveis de plantas e vasos, roupa estendida nos varais, capachos porta e gente que,
embora ali viva, no vem espreitar, mas respira do outro lado da parede. A histria a de Lus Negro
e o nome do ptio diz tudo. Adiante.
Sangue, suor e gargalhadas
O contador segue agora o fantasma de Manuela de Zamora, uma ladra, pelas Escadinhas de So
Crispim. Mais uma vez, ningum vem janela, por mais que o contador berre os feitos da mulher. O
grupo arfa da subida, mas constata, com surpresa, que no conhecia aquele trajeto que desemboca
porta do Chapit. A ladra ficou para trs, mas, uns minutos frente, encontra-se uma outra,
Giraldinha, agora nas Escadinhas de So Cristvo.
As pinturas murais alusivas ao fado acompanham a narrativa, enquanto um grupo de raparigas
passa e estaca, olhando o contador com curiosidade. Querem seguir as palavras que captaram no ar,
mas o mensageiro j voa pela Rua de Santa Justa, com a capa a ondular.
Com a Praa da Figueira no horizonte, o grupo de caminhantes exibe alguma expectativa, agora
que comea a entrar em territrio mais conhecido. Com o Castelo de So Jorge pendurado no cu,
numa faixa amarelada de muralhas, o contador aproveita para lembrar que Lisboa tem lendas
fundadoras, e que Ulisses protagonizou uma delas.
A histria perde dramatismo, mas ganha romance e fantasia, para contrabalanar a slaba tnica
dada aos crimes e assassnios. Em torno, vislumbram-se rostos da noite, habituados, porventura, a
homens de capa preta. Rapazes deslizando em skates, aos ps do mestre de Avis. O contador persiste
no fito de aterrorizar transeuntes: senhoras e casais a passear, ou espera de qualquer coisa ao p do
carro, turistas deambulantes. Os sustos so genunos e parece que o contador j ter mesmo
provocado gritos de pavor que tero acordado meia Baixa Pombalina. No entanto, a maioria destes
sustos acaba por transformar-se em gargalhadas bem-dispostas.
Tempo para aterrorizar um pouco mais os caminhantes, com os fantasmas dos cristos-novos
massacrados no Rossio. A luz da lanterna incide sobre a porta fechada da Igreja de So Domingos.
Os pormenores violentos das mortes provocam esgares de reprovao nos rostos. J houve quem
tivesse reclamado contra o sadismo que o contador emprega ao relatar o Massacre dos Judeus de
1506, mas esse o propsito, afirmar, mais tarde, o narrador.
O priplo termina da pior maneira. Junto esttua de D. Pedro, no Rossio, o contador apresenta a
escrava Catarina Maria, que foi acusada de ser bruxa pela Inquisio. A imaginao dos espetadores
arde com o relato da sua tortura e da sua morte, em auto-de-f, numa fogueira anormalmente lenta.
Histrias de outros tempos, mas que se tornam reais quando se olha para uma das fontes da praa e,
em vez dela, se distingue claramente uma pira ardente e uma mulher que morre sufocada com o
fumo e o pnico.
Despindo a capa
A noite continua enigmtica, uma hora e meia depois. A Lua cheia rodeia-se de uma nvoa
escura e o som das solas dos sapatos persiste no horizonte auditivo. No Rossio, o contador sorri, pela
ltima vez, e, sem que diga sigam-me, desaparece, rodando sobre si, como se, na verdade, nunca
tivesse existido.
Afinal, o contador no desapareceu. Deu a volta esttua de D. Pedro e regressou, sem a capa.
Pblico, 2 de dezembro de 2012 (adaptado)
33
(6
pontos
)
(6
pontos
)
Coluna B
1. Ulisses
2. Um bispo
3. Cristosnovos
4. Lus Negro
5. A escrava Catarina
Maria
6. Manuela de
Zamora
3. Seleciona, para responderes a cada item (3.1 a 3.3), a nica opo que
permite obter uma afirmao adequada ao sentido do texto.
3.1 Pela leitura do texto, pode afirmar-se que o tema deste percurso
a) os principais monumentos da cidade de Lisboa.
b) as labirnticas ruas de Lisboa.
c) as misteriosas lendas ligadas s ruas da baixa pombalina.
d) as figuras histricas associadas capital portuguesa.
3.2 A expresso De inverno, o cenrio fica mais carregado, o frio agua a
imaginao, e at em dias de chuva Lisboa parece ficar mais assustadora
(linhas 19-20 ) contm
a) uma anttese e uma metfora.
b) uma dupla adjetivao e uma hiprbole.
c) um eufemismo e uma comparao.
(3
pontos
)
34
(2
pontos
)
Vocabulrio
1
Santa Joana de Valds: nome referido
4.1 Transforma a afirmao falsa, de forma a torn-la verdadeira,
de acordo
com
anteriormente,
o qual correspondera
a
alguma figura conhecida do pblico.
o sentido do texto.
2
Cato: procuro.
3
Fato: bagagem, como roupa e joias.
4
Virgos postios: hmenes falsos.
10
5
Almrios: armrios.
6
Enlheos: enredos, intrigas.
L o excerto do Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente.
Em
7
Casa movedia:
casa caso
de armar e
de necessidade, consulta o vocabulrio.
desarmar.
8
Coxins:
almofadas
grandes, para assento.
Tanto que o Frade foi embarcado, veio a Alcouveteira, per nome Brsida
Vaz,
a qual,
9
Mercaderia: mercadoria.
15
chegando barca infernal, diz desta maneira:
10
Bof: na verdade.
Parte B
Brsida Vaz
Diabo
Brsida Vaz
Diabo
Diabo
Que sabroso arrecear!
Brsida Vaz No essa barca que eu cato2.
Diabo
E trazs vs muito fato3?
Brsida Vaz O que me convm levar.
Diabo
Que o quhavs dembarcar?
Brsida Vaz Seiscentos virgos postios4
e trs arcas de feitios
que nom podem mais levar.
Trs almrios5 de mentir,
e cinco cofres de enlheos6,
35
Diabo
35 Brsida Vaz
Diabo
Brsida Vaz
40
45
50
55
60
65
70
Vocabulrio
11
Mrtela: mrtir.
12
Mais real: mais bonita, melhor.
13
Giolhos: joelhos.
14
Moas: raparigas do povo.
15
Meninas: raparigas burguesas
(geralmente delicadas e de boa
educao).
16
Cnegos: padres que pertencem a
direo ou administrao de uma igreja.
17
Boninas: flores campestres.
18
E eu som apostolada, / angelada e
martelada, / e fiz cousas mui divinas: a
Alcoviteira compara-se aos apstolos,
aos anjos e aos mrtires.
36
barca
infernal,
(4
pontos
)
(4
pontos
)
(6
pontos
)
(6
pontos
)
9. L o comentrio seguinte.
(5
pontos
)
Pela leitura das falas do Anjo, percebe-se que ele no vai permitir que
Brsida Vaz embarque na barca da glria.
Apresenta dois argumentos a favor deste comentrio, considerando as falas do
Anjo ao longo do texto.
Parte C
10. Escreve um texto expositivo-argumentativo sobre a prtica teatral de Gil
Vicente, com um mnimo de 70 e um mximo de 120 palavras.
Deves partir da afirmao e tentar valid-la, recorrendo a argumentos e
exemplos que a clarifiquem.
O mundo s avessas da tradio popular estava ainda muito vivo no Portugal do primeiro
tero do sculo XVI. Era tolerado pelo rei e pela Igreja. Foi essa tolerncia que permitiu a Gil
Vicente, fiel servidor do Monarca na sua qualidade de poeta de corte, passar alm da ordem
estabelecida sem provocar escndalo.
(8
pontos
)
37
Paul Tessyer, Gil Vicente, o autor e a obra, Biblioteca Breve, Instituto de Cultura e Lngua Portuguesa, 1985
38
GRUPO II
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientaes que
te so dadas.
11. Seleciona, para responderes a cada item (11.1 a 11.3), a nica opo que
permite obter uma afirmao correta.
11.1 A frase que contm uma interjeio com valor de chamamento :
a) Hou l da barca, hou l!
b) Nom quero eu entrar l.
(6
pontos
)
(4
pontos
)
Coluna B
1. Sujeito
2. Complemento
direto
3. Complemento
indireto
(2
pontos
)
(4
pontos
)
39
4. Complemento
oblquo
5. Modificador do grupo verbal
perdeo!
14. Indica, para cada um dos itens (14.1 e 14.2), a funo sinttica que a
expresso destacada
desempenha em cada uma das frases.
(4
pontos
)
(3
pontos
)
(2
pontos
)
GRUPO III
(25
pontos)
siln
cio
c
u
Lu
a
fantas
ma
40
FIM
Observaes relativas ao Grupo III:
1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequncia delimitada por espaos em
branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hfen (ex.: /di-lo-ei/). Qualquer nmero conta
como uma nica palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2008/).
2. Relativamente ao desvio dos limites de extenso indicados um mnimo de 180 e um mximo de 240
palavras , h que atender ao seguinte:
a um texto com extenso inferior a 60 palavras atribuda a classificao de 0 (zero) pontos;
nos outros casos, um desvio dos limites de extenso requeridos implica uma desvalorizao parcial (at dois
pontos) do texto produzido.
41
Teste
Unidade
3 Os Lusadas
GRUPO I
Parte A
5
10
15
Ilustram-se aqui algumas das narrativas matriciais do universo e da humanidade, fontes conservadas
atravs de tradies transpostas para a escrita e suporte permanente do imaginrio visual. A mitologia
clssica divulgou o universo dos deuses e heris eternizados nos textos gregos atribudos a Homero e nos
romanos de Virglio e Ovdio Odisseia, Eneida e Metamorfoses. Os seus mares agitados so povoados
por divindades de referncia humana, como Vnus, deusa nascida da espuma das ondas, ou Neptuno e
Anfitrite, casal que governa os mares. A tambm vivem fantsticos seres, como nereidas, trites e
sereias.
Referido na Bblia em vrios episdios, o mar tambm cenrio nos milagres de santos na Europa
catlica em mitos fomentados pela Contra-Reforma, como os episdios da vida de S. Francisco Xavier.
A Idade do Poder
20
25
O mar foi cenrio de jogos de poder determinados por ambies econmicas e polticas que obrigaram
formao de grandes esquadras confrontando-se para o seu domnio. Multiplica-se a representao de
conjuntos poderosos de navios pertencentes s potncias martimas europeias, tanto em circulaes
comerciais como em batalhas. Tal figurao desenvolve-se sobretudo a partir da poca das grandes
navegaes ocenicas, quando o conhecimento cientfico substitui as vises medievais geradas pela
imaginao.
Ao princpio, concedia-se representao de navios a funo de cenrio para temticas religiosas.
Mas as Provncias Unidas protestantes desenvolveram uma pintura ostentatria, laica, que pretendia
ilustrar e divulgar os seus sucessos no mar contra o domnio dos Habsburgos da Espanha catlica. Em
meados do sculo XVII, os motivos preferenciais da afirmao de poder pela Holanda so os
confrontos com a Inglaterra, a nova potncia naval europeia.
A Idade do Trabalho
30
42
35
40
Num jogo entre objetivos documentais e representaes cenicamente fantasiadas, estas pinturas
centram-se tanto no motivo das tormentas como no dos naufrgios que delas resultam, numa luta entre
a fora monumental da Natureza e a audcia humana para nela navegar.
O sentimento trgico acentuado na representao dos naufrgios, com o desaparecimento das
embarcaes e das pessoas e bens. O cenrio do mar pode assim propiciar reflexes ticas e polticas sobre
o drama social da perda do pescador enquanto sustento da famlia e suscita tambm meditaes
transcendentes sobre a vida dos homens como povo ou sobre a definitiva solido existencial do indivduo.
A Idade Efmera
45
A partir de finais do sculo XIX, o mar pretexto para explorao pictrica autnoma, pelas matrias
resultantes da pincelada que restituem realidades sensorialmente mais intensas. O mar como objeto
preferencial de contemplao gera mimetismos entre os estados anmicos do espetador e o mar nos
seus diferentes tempos, originando muitas vezes o impulso da partida e da viagem. A praia estabelecese como lugar de passeio das gentes burguesas, cuja circulao o caminho de ferro facilita. A moda das
grandes temporadas de veraneio massifica-se durante o sculo XX, por impulsos sociais e lgicas
sanitrias que levam vulgarizao dos banhos de mar.
http://www.museu.gulbenkian.pt/ (adaptado)
(7
pontos
)
(5
pontos
)
Coluna B
3. Idade do Poder
2. Idade do Trabalho
43
5. Idade Efmera
Parte B
L o excerto de um episdio de Os Lusadas. Em caso de necessidade,
consulta o vocabulrio apresentado no final.
19
J no largo Oceano1 navegavam,
As inquietas ondas apartando;
Os ventos brandamente respiravam,
Das naus as velas cncavas inchando;
Da branca escuma os mares se mostravam
Cobertos, onde as proas vo cortando
As martimas guas consagradas2,
Que do gado de Prteo3 so cortadas,
20
Quando os Deuses no Olimpo luminoso,
Onde o governo est da humana gente,
Se ajuntam em conslio4 glorioso,
Sobre as cousas futuras do Oriente.
Pisando o cristalino Cu fermoso,
Vem pela Via Lctea juntamente,
Convocados, da parte do Tonante5,
Pelo neto gentil do velho Atlante6.
21
Deixam dos sete cus7 o regimento8,
Que do poder mais alto lhe foi dado,
Alto poder, que s co pensamento
Governa o Cu, a Terra e o Mar irado.
Ali se acharam juntos, num momento,
Os que habitam o Arcturo congelado9
E os que o Austro tem10, e as partes onde
A Aurora nasce e o claro Sol se esconde.
22
Estava o Padre11 ali, sublime e dino,
23
Em luzentes assentos, marchetados13
De ouro e de perlas, mais abaixo estavam
Os outros Deuses todos, assentados
Como a Razo e a Ordem concertavam14:
Precedem os antiguos, mais honrados,
Mais abaixo os menores se assentavam;
Quando Jpiter alto assi dizendo,
Cum tom de voz comea grave e horrendo:
24
Eternos moradores do luzente,
Estelfero plo15 e claro assento16:
Se do grande valor da forte gente
De Luso17 no perdeis o pensamento,
Deveis de ter sabido claramente
Como dos Fados grandes certo intento
Que por ela se esqueam os Humanos
De Assrios, Persas, Gregos e Romanos.
25
J lhe foi, bem o vistes, concedido,
Cum poder to singelo e to pequeno,
Tomar ao Mouro forte e guarnecido
Toda a terra que rega o Tejo ameno.
Pois contra o Castelhano to temido
Sempre alcanou favor do Cu sereno.
Assi que sempre, em fim, com fama e glria,
Teve os trofus pendentes da vitria18.
26
Deixo, Deuses, atrs a fama antigua
(3
pontos
)
44
27
Agora vedes bem que, cometendo21
O duvidoso mar, num lenho leve22,
Por vias nunca usadas, no temendo
De frico e Noto23 a fora, a mais se atreve:
Que, havendo tanto j que as partes vendo
Onde o dia comprido e onde breve24,
Inclinam seu propsito e perfia
A ver os beros onde nasce o dia25.
28
Prometido lhe est do Fado eterno,
Cuja alta lei no pode ser quebrada,
Que tenham longos tempos o governo
Do mar que v do Sol a roxa entrada26.
Nas guas tem passado o duro Inverno;
A gente vem perdida e trabalhada27.
J parece bem feito que lhe seja
Mostrada a nova terra que deseja.
29
E, porque, como vistes, tem passados
Na viagem to speros perigos,
Tantos climas e cus experimentados,
Tanto furor de ventos inimigos,
Que sejam, determino, agasalhados28
Nesta costa Africana como amigos.
E, tendo guarnecida a lassa frota,
Tornaro a seguir sua longa rota
Lus de Cames, Os Lusadas, edio de A. J.
da Costa Pimpo, 2003
Vocabulrio
1
10
20
45
(2
pontos
)
(3
pontos
)
(3
pontos
)
46
(4,5
pontos)
(2
pontos
)
(3
pontos
)
(2
pontos
)
(3
pontos
)
12. Comprova que Jpiter utiliza uma perfrase para se dirigir ao auditrio no
incio do discurso e indica o valor deste recurso.
(2
pontos
)
13. Explicita trs argumentos utilizados por Jpiter para convencer os deuses do
valor dos nautas portugueses.
(4,5
pontos)
Parte C
14. L as estrofes 30 a 33 do Canto I de Os Lusadas, a seguir transcritas, e responde,
de forma completa e bem estruturada, ao item 13. Em caso de necessidade,
consulta o vocabulrio apresentado.
30
Estas palavras Jpiter dezia,
Quando os Deuses, por ordem respondendo,
Na sentena um do outro difiria,
Razes diversas dando e recebendo.
O padre Baco1 ali no consentia2
No que Jpiter disse, conhecendo
Que esquecero seus feitos no Oriente
Se l passar a Lusitana gente.
32
V que j teve o Indo6 sojugado
E nunca lhe tirou Fortuna ou Caso
Por vencedor da ndia ser cantado
De quantos bebem a gua de Parnaso7.
Teme agora que seja sepultado
Seu to clebre nome em negro vaso
Dgua do esquecimento, se l chegam
Os fortes Portugueses que navegam.
31
Ouvido tinha aos Fados que viria
a gente fortssima de Espanha3
Pelo mar alto, a qual sujeitaria
Da ndia tudo quanto Dris4 banha,
E com novas vitrias venceria
A fama antiga, ou sua ou fosse estranha.
Altamente lhe di perder a glria
33
Sustentava contra ele Vnus8 bela,
Afeioada gente Lusitana,
Por quantas qualidades via nela
Da antiga to amada sua Romana:
Nos fortes coraes, na grande estrela
Que mostraram na terra Tingitana9,
E na lngua, na qual quando imagina,
Com pouca corrupo cr que a Latina.
(6
pontos
)
47
GRUPO II
48
(4
pontos
)
49
16. Transforma cada par de frases simples numa frase complexa, utilizando
conjunes e locues conjuncionais das subclasses indicadas entre
parnteses. Faz as alteraes necessrias.
(4,5
pontos)
a) Baco silenciou-se.
Vnus apresentou os seus argumentos.
(locuo subordinativa temporal)
b) Os portugueses chegaro ndia.
Os portugueses alcanaro o estatuto de heris.
(conjuno subordinativa condicional)
c) Marte discursava de um modo to convicto.
Todos o ouviam atentamente.
(conjuno subordinativa consecutiva)
17. Seleciona, para responderes a cada item (17.1 a 17.6), a nica opo que
permite obter uma afirmao correta.
17.1 No verso Estava o Padre ali, sublime e dino, / Que vibra os feros raios de
Vulcano, a palavra destacada
a) uma conjuno coordenativa explicativa. c) uma conjuno
subordinativa completiva.
b) uma conjuno subordinativa causal.d) um pronome relativo.
17.2 A orao subordinada introduzida pela palavra destacada em Estava o
Padre ali, sublime e dino, / Que vibra os feros raios de Vulcano
a) subordinada adjetiva relativa.
completiva.
c) subordinada substantiva
d) coordenada explicativa.
17.3 Nos versos J parece bem feito que lhe seja / Mostrada a nova terra
que deseja., a palavra destacada
a) um pronome relativo.
b) uma conjuno subordinativa completiva.
c) uma conjuno coordenativa conclusiva.
d) uma conjuno subordinativa causal.
17.4 A orao subordinada introduzida pela palavra destacada em J parece
bem feito que lhe seja / Mostrada a nova terra que deseja.
a) subordinada adjetiva relativa.
completiva.
c) subordinada substantiva
d) coordenada conclusiva.
17.5 A frase Quem viajou nas naus viveu uma experincia inesquecvel
contm uma orao
a) subordinada substantiva relativa.
restritiva.
(3
pontos
)
50
51
18. Transcreve a orao subordinada que integra a frase complexa que se segue.
Todos os alunos que leram este episdio ficaram curiosos.
19. Associa cada elemento da coluna A ao nico elemento da coluna B que lhe
corresponde, de modo a identificares a subclasse dos verbos.
Coluna A
(1,5
pontos)
(5
pontos
)
Coluna B
(3
pontos
)
(4
pontos
)
GRUPO III
Nos livros, nos filmes, nas bandas desenhadas ou mesmo na nossa famlia ou no
nosso ciclo de amigos conhecemos personagens que nunca esquecemos e que,
frequentemente, passamos a considerar heris.
Escreve um texto argumentativo em que apresentes a tua posio
relativamente importncia dos heris na nossa vida e no nosso crescimento.
O teu texto deve incluir:
Introduo apresentao do teu ponto de vista sobre este tema.
Desenvolvimento apresentao dos teus argumentos e de eventuais
exemplos.
Concluso reforo da tua opinio.
Rev cuidadosamente o teu texto.
FIM
(25
pontos)
52
53
Teste
Unidade
3 Os Lusadas
GRUPO I
Parte A
L o texto. Em caso de necessidade consulta o vocabulrio no final.
Partida
10
15
20
25
30
35
Despachadas as cousas todas, o Governador se embarcou e se fez vela meado maro, indo ele
embarcado na nau So Thom. Em a qual frota, alm de gente ordenada para a navegao das
naus, iriam at mil e quinhentos homens de armas, todos gente limpa, em que entravam muitos
fidalgos e moradores da casa de el-rei, os quais iam ordenados para ficar na ndia, e por regimento
que el-rei ento fez eram obrigados a servir l trs anos contnuos.
Despachada a bagagem dita de poro, embarcmos aos trinta dias de novembro num avio sem
nome de santo mas dotado do dom de trespassar os cus a altas velocidades. Alm da tripulao e
dos outros passageiros, ramos cerca de trs dezenas de gente limpa em que entravam alguns antigos
e atuais moradores da casa da governao do Estado, e no nos esperavam meses e meses sem fim
no mar at ndia, nem l ficaramos trs anos contnuos.
ndia: o que nos traz esta palavra? Mahatma Gandhi 1, Ganges2, Gama, Goa, Buda, guru3, Vedas4,
Ayurveda5, karma6, Kama Sutra7, Mahabharata8, encantadores de cobras, faquires, elefantes, tigres de
Bengala, vacas sagradas, fogueiras crematrias, yoga 9, mantra10, dharma11, castas12, prias13, Taj
Mahal14, Akbar15, palcios de rajs, turbantes e joias, pedras preciosas, diamantes rosa, colares,
pingentes, braceletes, sesdas, saris16, caxemiras17, aafro18, Assam19, Darjeeling20, caril, gergelim21,
hindusmo22, Hightech23, Meca24, Calcut25, Bollywood26, Bombaim27, Benares28...
A Bombaim contvamos chegar na noite seguinte. Chegar a meio da noite a uma cidade que no
se conhece pode tornla mais estranha ainda. As primeiras pessoas avistadas, as primeiras palavras
ouvidas, o ar leve ou pesado, a brisa, caso a haja, carregada de rudos prximos ou longnquos, que
no se sabe de onde vm e intrigam mais por isso, tudo adquire uma importncia inusual. Num misto
de curiosidade e de cansao, adivinho em vez de ver, a fadiga alertame os sentidos, os ouvidos
tornamse mais atentos, as narinas mais sensveis, reparo melhor em cada ser, em cada som ou
cheiro, sem saber se fico mais consciente de mim mesmo ou se o esprito do lugar toma conta de
mim e me dissolvo nele.
Suspeito, sem nenhum fundamento, que em certos lugares somos assaltados de modo enigmtico
pelo difuso pulsar de existncias passadas, pela memria acumulada daqueles que antes de ns ali
passaram. Lembro-me de descer de noite do comboio em Veneza num longnquo novembro,
caminhar ao longo da gare quase vazia, sair do trio da estao e deparar com as luzes mortias na
outra margem do canal, junto a uma igreja iluminada. Os nossos passos em direo ao cais dos
vaporetti pareciam ser o nico som naquele silncio, at que adivinhmos ao longe a vibrao de um
barco a motor crescendo por cima do marulhar das guas, embatendo contra os degraus de pedra da
praceta, contra as fatigadas fachadas dos palcios, e tive a sensao de reconhecer o desconhecido,
de j ter ali estado.
No senti isto na madrugada deste outro novembro ao sair do avio em Bombaim, alis Mumbai,
cidade babilnica cuja insnia produz coisas espantosas, misturando o mais arcaico da humanidade
com o presente mais catico, num caldo em que se confunde e explode tudo o que antagnico.
54
Salman Rushdie, nascido em Mumbai no ano da independncia da ndia, chamalhe filha mestia
de um casamento lusobritnico: aqui a ndia encontrou o que no era ndia, aquilo que veio vindo
por cima das guas sombrias do mar.
Almeida Faria, O Murmrio do Mundo, A ndia Revisitada, Tinta-da-china, 2012
Vocabulrio
1
Mahatma Gandhi: (1869-1948) lder espiritual e pacifista, defensor causa independentista indiana. Foi assassinado a tiro
por um fantico da religio hindu.
2
Ganges: rio da ndia.
3
Guru: lder religioso budista ou hindu.
4
Vedas: cada um dos quatro livros sagrados dos Hindus, escritos em snscrito.
5
Ayurveda: um dos livros sagrados Hindu.
6
Karma: destino.
7
Kama Sutra: tratado indiano sobre a arte de amar.
8
Mahabharata: texto pico indiano, com mais de 74 000 versos em snscrito.
9
Yoga: disciplina tradicional hindu que visa a libertao e a unio com o absoluto atravs de prticas espirituais e
corporais.
10
Mantra: meditao.
11
Dharma: lei que rege a realidade moral e social, indicando ao indivduo a forma correcta de agir, de acordo com a sua
casta e posio dentro da sociedade.
12
Castas: grupo social hereditrio e fechado, em que os membros pertencem mesma etnia, profisso ou religio.
13
Prias: indiano que, segundo o antigo sistema de castas, pertencia casta mais baixa, sendo segregado pela sociedade e
privado de todos os direitos religiosos.
14
Taj Mahal: mausolu, o mais conhecido monumento da ndia.
15
Akbar: terceiro imperador mongol da ndia.
16
Saris: traje tpico das mulheres indianas.
17
Caxemiras: fazenda fina fabricada a partir de l de cabra da regio de Caxemira.
18
Aafro: planta cujos estigmas so empregados para tingir de amarelo, como tempero e usados em medicina como
remdio
19
Assam: um dos estados da ndia.
20
Darjeeling: cidade internacionalmente famosa pela sua indstria do ch.
21
Gergelim: planta muito cultivada nalgumas regies tropicais devido ao leo que se extrai das suas sementes.
22
Hindusmo: religio indiana
23
Hightech: alta tecnologia associada cidade indiana de Bangalore devido existncia de muitas empresas de software.
24
Meca: cidade natal do profeta Maom; o local mais sagrado de reunio a religio islmica.
25
Calcut: capital e maior cidade do estado de Bengala Ocidental, na ndia.
26
Bollywood: nome dado indstria de cinema de lngua hindi, a maior indstria de cinema indiana.
27
Bombaim: maior e mais importante cidade da ndia.
28
Benares: cidade indiana.
1. Classifica cada uma das afirmaes seguintes (1.1 a 1.7), como verdadeira ou
falsa, apresentando uma alternativa verdadeira para as frases falsas.
1.1 Os viajantes referidos no texto em epgrafe partiram na mesma altura do
ano em que embarcaram as personagens do texto narrativo principal.
1.2 visvel a presena de uma hierarquia social nos passageiros das naus.
1.3 O narrador chega a Bombaim a meio da noite e na data prevista.
1.4 Quando chega a Bombaim, o ambiente desperta o sentido visual do
narrador.
1.5 Segundo o narrador, os lugares que visitamos ao viajar permitem-nos
confrontar-nos com as memrias do passado.
1.6 No percurso at ndia, o narrador faz escala em Veneza.
(7
pontos
)
55
(2
pontos
)
(7
pontos
)
56
b) explicao.
c) alternativa.
d) concluso.
4. Seleciona a opo que corresponde nica afirmao falsa, de acordo com o
sentido do texto.
a) O pronome la (linha 18) refere-se a uma cidade.
b) O pronome a (linha 19) refere-se a a brisa.
c) O pronome que (linha 20) refere-se a rudos.
d) O advrbio aqui (linha 38) refere-se a Mumbai.
Parte B
L o excerto de um episdio de Os Lusadas. Em caso de necessidade,
consulta o vocabulrio apresentado no final.
70
Mas, neste passo, assi prontos estando1,
Eis o mestre2, que olhando os ares anda,
O apito toca. Acordam, despertando,
Os marinheiros da e doutra banda.
E, porque o vento vinha refrescando,
Os traquetes das gveas3 tomar manda.
Alerta, disse, estai, que o vento crece
Daquela nuvem negra que aparece.
74
Os ventos eram tais que no puderam
Mostrar mais fora de mpeto cruel,
Se pera derribar ento vieram
A fortssima torre de Babel13.
Nos altssimos mares, que cresceram,
A pequena grandura dum batel
Mostra a possante nau, que move espanto
Vendo que se sustm nas ondas tanto
71
No eram os traquetes bem tomados,
Quando d a grande e sbita procela4.
Amaina5, disse o mestre a grandes brados,
Amaina, disse, amaina a grande vela!
No esperam os ventos indinados
Que amainassem, mas, juntos dando nela,
Em pedaos a fazem cum rudo
Que o Mundo pareceu ser destrudo.
75
A nau grande14, em que vai Paulo da Gama,
Quebrado leva o masto15 pelo meio,
Quasi toda alagada; a gente chama
Aquele que a salvar o mundo veio.
No menos gritos vos16 ao ar derrama
Toda a nau de Coelho17, com receio,
Com quanto teve o mestre tanto tento
Que primeiro amainou que desse o vento.
72
O cu fere com gritos nisto a gente,
Cum sbito temor e desacordo6;
Que, no romper da vela, a nau7 pendente
Toma gro suma de gua pelo bordo.
Alija8, disse o mestre rijamente,
Alija tudo ao mar, no falte acordo9!
Vo outros dar bomba, no cessando.
bomba, que nos imos alagando! .
76
Agora sobre as nuvens os subiam
As ondas de Neptuno furibundo;
Agora a ver parece que deciam
As ntimas entranhas do Profundo18.
Noto, Austro, Breas, quilo19, queriam
Arruinar a mquina do Mundo;
A noite negra e feia se alumia
Cos raios em que o Plo20 todo ardia!
73
Correm logo os soldados animosos
A dar bomba; e, tanto que chegaram,
Os balanos que os mares temerosos
Deram nau, num bordo os derribaram.
Trs marinheiros, duros e forosos,
77
As Alcineas aves21 triste canto
Junto da costa brava levantaram,
Lembrando-se de seu passado pranto22,
Que as furiosas guas lhe causaram.
Os delfins23 namorados, entretanto,
(3
pontos
)
57
12
19
(2
pontos
)
(3
pontos
)
(2
pontos
)
(3
pontos
)
(4
pontos
(5)
pontos
)
(2
pontos
)
(4
pontos
)
58
59
Parte C
120
Estavas, linda Ins, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a Fortuna no deixa durar muito,
Nos saudosos campos do Mondego,
De teus fermosos olhos nunca enxuito,
Aos montes insinando e s ervinhas
O nome que no peito escrito tinhas.
122
De outras belas senhoras e Princesas
Os desejados tlamos enjeita,
Que tudo, em fim, tu, puro amor, desprezas
Quando um gesto suave te sujeita.
Vendo estas namoradas estranhezas,
O velho pai sesudo, que respeita
O murmurar do povo, e a fantasia
Do filho, que casar-se no queria,
121
Do teu Prncipe ali te respondiam
As lembranas que na alma lhe moravam,
Que sempre ante seus olhos te traziam,
Quando dos teus fermosos se apartavam;
De noite, em doces sonhos que mentiam,
De dia, em pensamentos que voavam.
E quanto, enfim, cuidava e quanto via
Eram tudo memrias de alegria.
123
Tirar Ins ao mundo determina,
Por lhe tirar o filho que tem preso,
Crendo co sangue s da morte indina
Matar do firme amor o fogo aceso.
Que furor consentiu que a espada fina
Que pde sustentar o grande peso
Do furor Mauro, fosse alevantada
Contra a fraca dama delicada?
(5
pontos
)
GRUPO II
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientaes que
te so dadas.
14. Identifica e classifica as oraes destacadas nas frases seguintes.
(4,5
pontos)
60
a) Mas, neste passo, assi prontos estando, / Eis o mestre, que olhando os
ares anda, / O apito toca.
b) Alerta, disse, estai, que o vento crece.
c) Alerta, disse, estai, que o vento crece / Daquela nuvem negra que
aparece.
61
15. Transforma cada par de frases simples numa frase complexa, utilizando
conjunes e locues conjuncionais das subclasses indicadas entre
parnteses. Faz as alteraes necessrias.
(4,5
pontos)
(4,5
pontos)
(3
pontos
)
62
(2,5
pontos)
63
(6
pontos
)
GRUPO III
Tendo em conta os diversos passos de Os Lusadas que estudaste, escreve um
comentrio crtico com 200 a 250 palavras sobre o modo como o Poeta
procede glorificao do seu heri.
O teu texto deve incluir:
Introduo apresentao do teu ponto de vista sobre este tema.
Desenvolvimento apresentao dos teus argumentos e de eventuais
exemplos da obra.
Concluso reforo da tua opinio.
Rev cuidadosamente o teu texto.
FIM
(25
pontos)
64
2. Relativamente ao desvio dos limites de extenso indicados um mnimo de 180 e um mximo de 240
palavras , h que atender ao seguinte:
a um texto com extenso inferior a 60 palavras atribuda a classificao de 0 (zero) pontos;
nos outros casos, um desvio dos limites de extenso requeridos implica uma desvalorizao parcial (at
dois pontos) do texto produzido.
65
Teste
Unidade
4 Poesia
GRUPO I
Parte A
L o seguinte texto de Lucrcio, autor latino que viveu no sculo I a.C., e a
respetiva introduo, escrita por Rmulo de Carvalho. Em caso de
necessidade, consulta o vocabulrio apresentado no final.
10
15
20
Lucrcio, poeta romano que nasceu h mais de dois mil anos, escreveu um longo poema, cujo
ttulo, em portugus, poderia ser Sobre a Natureza das Coisas. Lucrcio acreditava que a matria
fosse constituda por pequenssimos corpsculos 1, mas compreendia que as outras pessoas no
acreditassem, em virtude de esses corpsculos serem invisveis. Ento, para convencer os seus
leitores de que isso no era razo bastante para no acreditarem, mostrou-lhes, do modo que se
segue, como decorrem certos processos naturais:
Se pendurares as tuas roupas na margem onde as ondas vm bater, vers como ficam hmidas;
se as estenderes ao sol ficaro secas. Entretanto ningum v como que a gua entrou nelas nem
como saiu delas, e isso s foi possvel desde que a gua se tivesse dividido em partculas que os
nossos olhos no distinguem de maneira nenhuma.
O anel que trazemos nos dedos vai-se, com o tempo, adelgaando pelo lado de dentro; as gotas de
gua que caem repetidas vezes fazem covas nas pedras; o ferro curvo da charrua embota-se 2
insensivelmente ao cavar o sulco na terra; as pedras que calam as ruas gastam-se com os passos da
multido; e as esttuas de bronze colocadas entrada das habitaes apresentam as mos gastas
pelos beijos dos transeuntes3 que lhes prestam culto. Reconhecemos que todos estes objetos se
gastam pelo uso. E que partculas so estas que se perdem constantemente?
A Natureza encobriu-nos esse espetculo. A nossa vista no pode perceber o que a Natureza
acrescenta aos corpos, pouco a pouco, para os fazer crescer gradualmente, nem os nossos olhos
percebem aquilo que o tempo vai arrancando aos corpos medida que envelhecem.
Os rochedos que se erguem acima do mar esto sempre a ser rodos pelo sal das guas e a
sofrerem desgastes que no conseguimos ver.
assim, por intermdio de corpos invisveis, que a Natureza realiza a sua obra.
Rmulo de Carvalho, A Natureza Corpuscular da Matria,
Cadernos de Iniciao Cientfica, S da Costa Editora, 1989
Vocabulrio
1
Corpsculos: pequenas partculas.
2
Embota-se: gasta-se.
3
Transeuntes: pessoas que circulam na rua.
(7
pontos
)
66
(4
pontos
)
b) O autor opta por dar a explicao para o fenmeno logo no incio do texto.
c) O autor nunca se interroga.
d) O autor apresenta uma concluso.
3. Seleciona, para responderes a cada item (3.1 a 3.4), a nica opo que
permite obter uma afirmao adequada ao sentido do texto.
3.1 Na expresso Se pendurares as tuas roupas na margem onde as ondas
vm
bater
(linha
7),
a palavra destacada exprime uma
a) possibilidade.
b) explicao.
c) condio.
d) oposio.
3.2 A vrgula presente na frase seguinte Se pendurares as tuas roupas na
margem onde as ondas vm bater, vers como ficam hmidas tem a
funo de
a) isolar o vocativo.
b) separar a orao subordinada da subordinante.
c) separar uma orao coordenada iniciada por conjuno coordenada
adversativa.
d) separar os elementos de uma enumerao.
3.3 No terceiro pargrafo o recurso expressivo predominante a
a) adjetivao.
(8
pontos
)
67
b) hiprbole.
c) comparao.
d) enumerao.
3.4 No ltimo pargrafo do texto, Lucrcio conclui que
a) a gua se divide em partculas.
b) existem processos impercetveis ao olhar na Natureza.
c) o tempo desgasta a matria.
d) a natureza acrescenta e arranca elementos aos corpos.
68
Parte B
L o poema de Jos Gomes Ferreira.
Aquela nuvem
parece um cavalo
Ah! se eu pudesse mont-lo!
Aquela?
Mas j no um cavalo,
uma barca vela.
No faz mal.
Queria embarcar nela.
Aquela?
Mas j no um navio,
uma Torre Amarela
a vogar no frio
onde encerraram uma donzela.
No faz mal.
Quero ter asas
para espreitar da janela.
V lancem-me ao mar
donde voam as nuvens
para ir numa delas
tomar mil formas
com sabor a sal
labirinto de sombras e de cisnes
no cu de gua-sol-vento-luz concreto e irreal
Jos Gomes Ferreira, Poeta militante II, Moraes Editores, 1983
(4
pontos
)
69
(2
pontos
(5
)pontos
)
(2
pontos
)
(4
pontos
)
(2
pontos
)(3
pontos
)
(3
pontos
)
Parte C
12. L o excerto do texto de Sophia de Mello Breyner Andresen.
Pois a poesia a minha explicao com o universo, a minha convivncia com as coisas, a minha
participao no real, o meu encontro com as vozes e as imagens. Por isso o poema no fala duma
vida ideal mas sim duma vida concreta: ngulo da janela, ressonncia das ruas, das cidades e dos
quartos, sombra dos muros, apario dos rostos, silncio, distncia e brilho das estrelas, respirao
da noite, perfume da tlia e do orgo.
esta relao com o universo que define o poema como poema
Sophia de Mello Breyner Andresen, Obra Potica, Caminho, 2010
(6
pontos
)
70
O teu texto deve incluir uma parte de introduo, uma parte de desenvolvimento
e uma parte de concluso.
71
GRUPO II
Responde aos itens que se seguem, de acordo com as orientaes que
te so dadas.
(1,5
13. Identifica,
pontos)
sombras
noite
navio
a) ditongo
b) hiato
c) grupo consonntico
(3 14. Classifica os
pontos
a) espreitar
)
b) no
(2 15. Indica a vogal e a semivogal de
pontos
)(5 16. Classifica as palavras seguintes
pontos
slaba
)
cada ditongo.
quanto ao nmero de slabas e posio da
tnica.
a) apario
c) orgo
b) imagens
d) silncio
e) real
V lancem-me ao mar
donde voam as nuvens
das
nuvens.
b) As nuvens, brancas, leves e suspensas, parecem cavalos, cisnes ou
barcos vela.
(2 20. Escreve uma frase em que a palavra
pontosdo que lhe atribudo no poema.
)
72
73
(25
pontos)
GRUPO III
Numa passagem do texto da Parte B, o sujeito observa o espao que o rodeia e
que desperta a sua imaginao. Imagina-te no papel de sujeito observador e
escreve uma carta a uma pessoa tua amiga, real ou imaginria. Na tua carta,
relata-lhe um episdio relacionado com um espao da natureza ou um elemento
do universo que gostasses de partilhar.
Respeita os aspetos formais da carta.
Escreve um mnimo de 180 e um mximo de 240 palavras.
No assines a carta com o teu nome, mas com a expresso Um amigo ou
Uma amiga.
No indiques a localidade em que te encontras.
Toma ateno s instrues que se seguem.
Organiza as ideias de forma coerente.
FIM
74
2. Relativamente ao desvio dos limites de extenso indicados um mnimo de 180 e um mximo de 240
palavras , h que atender ao seguinte:
a um texto com extenso inferior a 60 palavras atribuda a classificao de 0 (zero) pontos;
nos outros casos, um desvio dos limites de extenso requeridos implica uma desvalorizao parcial (at
dois pontos) do texto produzido.
75
Teste de compreenso
oral
udio
Faixa 23
TSF
Dois homens, a mesma viagem, um sculo depois
Antes de iniciares a audio da notcia Dois homens, a mesma viagem, um (10 pontos cada
item)
sculo depois
l o questionrio. Em seguida, ouve atentamente a informao e responde s
perguntas.
1. Completa as afirmaes, selecionando a alternativa correta.
1.1 No incio da notcia, a jornalista afirma que a aventura narrada
decorre num lugar
a) pouco hospitaleiro.
b) inesperado.
c) desrtico.
surpreendente.
1.2 A primeira aventura at este local passou-se h cerca de
a) 60 anos.
b) cem anos.
c) meio sculo.
meio.
1.3 O percurso at ao destino feito
a) por terra plana.
b) pelo mar.
d)
d) um sculo e
b) o barco afundou-se.
d) ficaram 5 meses a
1.8 Em 1916, Ernest Shacleton conseguiu chegar ilha Elefante com a sua
equipa
76
b) num pequeno
d) a p, caminhando
77
Teste de compreenso
oral
udio
Faixa 24
TSF
Fongrafo
1. De acordo com a informao que ouviste, classifica cada afirmao como (10 pontos cada
item)
verdadeira
ou falsa, apresentando uma alternativa verdadeira para as frases falsas.
1.1 O fongrafo foi inventado no sculo XX.
1.2 Quando surgiu, o fongrafo foi uma inovao que
moderadamente a forma de ouvir msica.
alterou
78
Teste de compreenso
oral
udio
Faixa 25
TSF
Histrias Assim Mesmo A Lenda da Pata do Diabo
c) um acontecimento real.
c) casualmente.
b) permanentemente.
d) frequentemente.
c) do padre da aldeia.
b) de um aldeo.
d) do diabo.
c) uma cruz.
b) a pegada de um homem.
79
Teste de compreenso
oral
udio
Faixa 26
TSF
Portugal passado Gil Vicente
1. De acordo com a informao que ouviste, classifica cada afirmao como (10 pontos cada
item)
verdadeira
ou falsa, apresentando uma alternativa verdadeira para as frases falsas.
1.1 Em Lisboa vivia-se um perodo de abundncia e os fidalgos eram
nobres e honrados.
1.2 No sculo XVI, a prosperidade do reinado portugus devia-se s
riquezas oriundas do Oriente.
1.3 H consenso quanto ao local de nascimento de Gil Vicente.
1.4 Por volta de 1502, Gil Vicente frequenta a corte e mais tarde ser
mentor de D. Manuel.
1.5 Segundo o locutor, Branca Bezerra desconfia de que Gil Vicente
abandonar a arte da ourivesaria.
1.6 Gil Vicente escreve O monlogo do vaqueiro em honra de D. Manuel.
1.7 O monlogo do vaqueiro foi escrito em verso por Gil Vicente.
1.8 Gil Vicente apresenta a sua primeira pea, de um nico ator, no dia
do nascimento do herdeiro do trono.
1.9 Segundo o locutor, as personagens de Gil Vicente tinham nome
prprio.
1.10 Gil Vicente no interferia em questes religiosas nem tentava
influenciar o rei.
80
Teste de compreenso
oral
udio
Faixa 27
TSF
D. Sebastio
81
82
Teste de compreenso
oral
udio
Faixa 28
TSF
Adote uma pradaria marinha
d) euforia.
c) por uma escola.
d) pelo Instituto de Cincias do
(12,5 pontos
cada item)
83
84
Teste de compreenso
oral
udio
Faixa 29
TSF
A Pedra do Alves
85
86
Cenrios de
resposta
Teste 1
(pginas
2 a 9)
GRUPO I
Parte A
1. a) 4; b) 2; c) 1; d) 2; e) 3; f) 4; g) 1; h) 2; i) 3; j) 3.
2.1 a).
2.2 c).
2.3 b).
2.4 a).
3. Cinco livros de que tambm gosto particularmente e que,
mais tarde ou mais cedo (alguns deles, muito em breve), vo
ter edio portuguesa.;
Na impossibilidade de recomendar o mais precioso livro de
viagens que existe na minha biblioteca - Imagens da Grcia, de
Maria Madalena Monteiro ().
4. a) Verdadeira; b) Verdadeira; c) Falsa. A crnica no est
dependente da atualidade, pois no tem como objetivo
informar, e a linguagem pode ser subjetiva; d) Falsa. A
reportagem um texto longo e a linguagem por vezes
subjetiva; e) Verdadeira; f) Falsa. A publicidade pode ter
uma funo comercial ou institucional.
Parte B
Parte C
GRUPO II
GRUPO III
Resposta pessoal.
Nota: Sugere-se a utilizao dos critrios propostos para a
correo da prova final de 3. ciclo.
GRUPO I
1.1 c).
1.2 d).
1.3 c).
2. a) 5; b) 1; c) 2; d) 3.
1.4 b).
3.1 Verdadeira.
3.2 Falsa. Os visitantes do museu sorriram devido ao facto
de a menina usar o adjetivo pobre para referir
personalidades da nobreza.
3.3 Verdadeira.
3.4 Falsa. Para a gerao da cronista, as viagens Lua so
perspetivadas como um facto ainda invulgar / maravilhoso.
3.5 Falso. A estranheza da menina deveu-se ausncia de
tecnologia naquelas salas.
4. O antecedente uma prxima gerao lunar.
5. Trata-se de um texto publicado num peridico, o Dirio de
Lisboa, em que a autora apresenta o seu ponto de vista sobre
as perspetivas to diferentes das geraes anteriores
(representadas pelas personagens palacianas, pelos visitantes
do museu e por ela prpria) e a gerao atual (representada
pela menina).
6. Do ponto de vista da autora da crnica, a atual gerao no
valoriza o espao da imaginao, onde habitavam princesas e
prncipes, vivendo obcecada pela tecnologia, e exprime essa
opinio atravs de uma ironia: A miudinha, ali, era porm
produto de uma civilizao diferente, sem estpidos e velhos
sonhos de palcio, com desejos mais modestos muito mais
confortveis e fabulosos ().
Parte B
Parte C
GRUPO II
GRUPO III
Resposta pessoal.
Nota: Sugere-se a utilizao dos critrios propostos para a
correo da prova final de 3. ciclo.
GRUPO I
3. b).
Parte B
4. Atravs de uma atitude marcada pela altivez e arrogncia,
o Fidalgo revela receio de embarcar no batel do Diabo, pois o
Anjo no lhe responde e ele est convencido de que merece
ser conduzido ao destino desejado.
5. O Anjo no permite a entrada da personagem na sua barca.
Para defender a sua posio, apresenta como argumentos a
tirania demonstrada pelo Fidalgo perante os mais
desfavorecidos (cuidando na tirania/ do pobre povo
queixoso.., vv. 35-36) e a vaidade evidenciada ao longo da
vida (a cadeira entrar/ e o rabo caber / e todo o vosso
senhorio, vv. 30-32). Assim, mostra que o Fidalgo no se
pautou, ao longo da vida, por princpios como a generosidade e
a humildade, essenciais para quem quer ser recebido no
Paraso.
6. O recurso expressivo presente na fala do Diabo um
eufemismo. Ironicamente, o Diabo pretende indicar o destino
do Fidalgo, o Inferno.
7. O Fidalgo apresenta como argumentos para impedir o
embarque no batel do Diabo a dedicao amorosa da sua
amante, os lamentos perante a sua morte e as cartas que
lhe escrevia. O Diabo contra-argumenta apresentando o
amor dedicado como uma mentira, referindo a traio
conjugal e a hipocrisia da falsa prtica religiosa.
8. De entre os trs tipos de cmico apresentados na
resposta, pretende-se que o aluno identifique dois.
utilizado o cmico de linguagem, por exemplo, quando o
Fidalgo chega barca do Anjo (Que giricocins, salvanor!,
v. 7) ou quando o Anjo afirma e o rabo caber (v. 31). Por
outro lado, surge o cmico de carter, que evidenciado
pelos elementos materiais que acompanham o Fidalgo,
referidos pelo Anjo. Por ltimo, o cmico de situao gera-se
devido relutncia do Fidalgo em entender o seu destino,
apesar de todas as evidncias.
9. Tal como as outras personagens, o Fidalgo corresponde a um
tipo social, representando a nobreza, cujos smbolos so a
cadeira, o pajem e o manto. Convencida de que mereceria o
paraso com base no seu estatuto social, esta classe representa
a tirania, a vaidade e o desprezo pelos desfavorecidos.
Parte C
GRUPO II
GRUPO III
Resposta pessoal.
Nota: Sugere-se a utilizao dos critrios propostos para a
correo da prova final de 3. ciclo.
GRUPO I
Parte B
88
Parte C
GRUPO II
11.1 a).
11.2 b).
11.3 c).
12. Palavra composta morfologicamente / composio
morfolgica. Priplo neste contexto sinnimo de percurso.
12.1 Um priplo arrepiante, amedrontador, terrvel,
medonho, etc.
13. a) 2; b) 1; c) 4; d) 3.
14.1 Sujeito.
14.2 Complemento direto.
15.1 com determinao. 15.2 constantemente. 15.3 no
batel infernal.
16. a) Hou l da barca, hou l!
b) Ora ponde aqui o p
GRUPO III
Resposta pessoal.
Nota: Sugere-se a utilizao dos critrios propostos para a
correo da prova final de 3. Ciclo.
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Parte B
Parte C
GRUPO II
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Resposta pessoal.
Nota: Sugere-se a utilizao dos critrios propostos para a
correo da prova final de 3. Ciclo.
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correo da prova final de 3. ciclo.
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90
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Nota: Sugere-se a utilizao dos critrios propostos para a
correo da prova final de 3. Ciclo.
1.7