Revista Eletrônica WR 0042
Revista Eletrônica WR 0042
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Aviso
Copyright WR Kits 2024 (todos os direitos reservados): Proibida reprodução total ou par-
cial sem autorização prévia por parte dos autores. Lei de Direitos Autorais LEI N° 9.610,
de 19 de fevereiro de 1998. O uso indevido dos artigos e projetos aqui apresentados não
é de nossa responsabilidade.
Edição de número 42, é mochileiros, eis a resposta definitiva para
tudo.
Desenvolva um voltímetro com AVR, o legendário Atmega328p e co-
nheça um modelo diferente de display de cristal líquido – o HT1621 – fabri-
cando pela Holtek, ótima alternativa para você aplicar em seus projetos en-
volvendo fontes de bancada profissionais!
Quer incorporar aplicações gráficas em seus projetos? O Gabriel Vigi-
ano, nosso especialista em STM32, apresenta a você o TouchGFX Para Aplica-
ções Gráficas!
O Casos de Oficina traz um conteúdo da qual não gostaríamos de tra-
zer, porém, é interessante conferir os relatos de Pio Rambo sobre as enchen-
tes enfrentadas nos laboratórios e porque as mesmas levaram muito mais
que equipamentos e componentes...
Concluímos com um projeto leve de grande facilidade, para todos os
iniciantes, um oscilador com relé, que pode ser usado como tarefa também
na sala de aula do professor de eletrônica.
Uma boa leitura, e que tempos melhores possam vir após as tormen-
tas ocorridas no nosso RS.
WR
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Revista Eletrônica WR
Voltímetro Profissional para Fontes de Bancada
Dr. Eng. Wagner Rambo
Introdução Para este projeto, re-
solvi trazer uma abordagem
Um dos primeiros so-
diferente, que consiste no
nhos de consumo de todos
display de cristal líquido
aqueles que começam a tra-
HT1621 fabricado pelo Holtek
balhar com eletrônica sem
(Figura 1). Ele apresenta 6 dí-
dúvida é a estimada fonte de
gitos no formato de 7 seg-
bancada profissional. Sabe-
mentos mais ponto decimal,
mos que esse tipo de equipa-
baixíssimo consumo, preço
mento comercial, acaba
acessível, poucos pinos de co-
sendo proibitivo, especial-
nexão e facilidade de configu-
mente para estudantes e ini-
ração (se usada a biblioteca
ciantes. Eu mesmo, no co-
Figura 1 – Display HT1621 da Holtek. para Arduino), além de apre-
meço da minha trajetória
sentar opções de backlight
não tinha condições de ad-
proteção, indicadores de sobre- como verde e branco.
quirir uma fonte profissional. Há
carga e sobrecorrente, galvanô-
um lado positivo nisso: sobra mar- Os pinos utilizados pelo
metros e – aqui vem o tópico do
gem para utilizarmos a imagina- display são o CS (chip select), WR
presente artigo – voltímetros es-
ção e com um pouco de conheci- (write clock) e Data (via de dados
pecíficos para medir a tensão de
mento é possível de se projetar serial), além da alimentação (Gnd
saída!
fontes bastante sofisticadas. e Vcc) que tem a faixa de 2,4V a
Como sabemos, há muitas 5,2V. Há também um pino cha-
Aproveitando-se compo-
formas de realizar o desenvolvi- mado LED para controle da luz de
nentes aqui e ali, como por exem-
mento de voltímetros digitais fundo. Utilizando um microcon-
plo, transformadores lineares de
para os nossos projetos de fontes trolador e mais um circuito de in-
grande porte (sim, fique de olho
de bancada. Uma das formas utili- terface analógica, podemos de-
em amplificadores e aparelhos de
zadas na “eletrônica clássica” por senvolver um voltímetro profissi-
som antigos, costumam apresen-
assim dizer, é através de displays onal utilizando esse display. Mas
tar transformadores excelentes!),
de 7 segmentos. O que de fato dá você também pode pensar em se
o que torna possível o desenvolvi-
uma visualização muito bonita e basear no presente artigo e de-
mento de equipamentos com re-
nítida das informações. Você pro- senvolver outros projetos com o
lativo baixo custo. Dissipadores
vavelmente também já ouviu falar display, como relógios, amperí-
de calor também podem ser facil-
e até mesmo já utilizou os conhe- metros, medidores de bateria,
mente encontrados na sucata, fi-
cidíssimos displays LCD de 16 co- etc. Por falar em medidores de ba-
que sempre atento.
lunas por 2 linhas, que são muito teria, veja que à direita há inclu-
Outra vantagem de traba- fáceis de encontrar, têm valor sive um nível de bateria que po-
lharmos em nossos próprios equi- bem interessante, apresentação derá ser explorado por você pro-
pamentos é o fato de podermos elegante e facilidade de uso. Ou- jetista.
implementar outras funcionalida- tra abordagem é o uso de displays
Mas o assunto de hoje é
des, que às vezes não encontra- modernos, como OLED, I-Paper,
voltímetro. O microcontrolador
mos em modelos equivalentes co- Nokia (já nem tão moderno assim
que optei para desenvolver essa
merciais. Um botão on/off de sa- hehe) e TFT.
ída, circuitos adicionais de
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Edição 0042, maio, 2024
Figura 2 – Diagrama esquemático completo do voltímetro HT1621.
aplicação é o Atmega328p, co- facilitando a sua instalação no pai- datasheet do fabricante Holtek,
nhecidíssimo inicialmente no sis- nel de uma fonte de alimentação quero queira com o tempo desen-
tema embarcado Arduino Duemi- que você for desenvolver. volver sua própria biblioteca para
lanove (o pessoal mais novo nem controle do display.
O display com HT1621
chegou a conhecer essa versão
apresenta 6 dígitos como mencio-
hehe) e hoje em dia no ainda mais
nado, mas em nosso projeto va-
famoso Arduino UNO, plataforma O Circuito
mos utilizar apenas 4, obtendo as-
que vamos usar para desenvolver
sim 2 casas decimais de precisão. Agora vamos conhecer o
nosso software.
A faixa de entrada do voltímetro é diagrama esquemático completo
A existência de uma biblio- de 0 a 30V, que compreende a do nosso voltímetro profissional
teca própria para o controlador maioria das fontes de bancada, para fontes de bancada e enten-
do display, vai agilizar nossa apli- mas você poderá adaptar para ou- der todo o seu funcionamento.
cação e simplificar o seu software. tras tensões caso julgue necessá- Veja ele por completo na Figura 2.
Obviamente, não vamos utilizar a rio, bastando reprojetar o divisor
O display já vem com as
placa Arduino UNO no projeto fi- de tensão.
conexões prontas para realizar-
nal, apenas foi nossa auxiliar para
O tipo de protocolo utili- mos a interface. Alimentando o
atualização do firmware no micro-
zado para comunicação utiliza 3 dispositivo com 5V podemos liga-
controlador. O projeto final terá
fios e é semelhante a um proto- lo diretamente aos pinos de con-
uma placa de circuito impresso
colo SPI. Você pode conferir mai- trole do microcontrolador
própria e desenhada para ser tão
ores informações no próprio Atmega328p, observe as labels de
compacta quanto o display,
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Revista Eletrônica WR
interligação no esquemático:
CS, WR e Data. O pino Vcc vai di-
reto para 5V, Gnd vai para o
terra e o LED é o controle de
backlight, que será feito através
de um sinal PWM (modulação
por largura de pulso).
O microcontrolador uti- Figura 3 – Sugestão de circuito para gerar +12V e +5V.
liza um clock externo de 16MHz
tal como é no Arduino UNO, facili- fazer a leitura com um conversor Após o divisor de tensão,
tando a sua configuração através AD de um MCU. A tensão em VIN para evitar quedas de tensão, é in-
da Arduino IDE. Temos o resistor será justamente a tensão ajustá- teressante casarmos a impedân-
𝑅1 que mantém ele sempre habi- vel em sua fonte de bancada, que cia com a entrada analógica do
litado. Neste circuito em si não há como mencionado, projetamos microcontrolador. Uma forma
necessidade de termos um botão para no máximo 30V, garantindo simples de realizar isso é utili-
de reset, pois o mesmo será inici- uma faixa excelente na maioria zando um amplificador operacio-
alizado juntamente com o seu cir- dos casos. O resistor 𝑅2 junta- nal ligado como buffer analógico
cuito da fonte de bancada. 𝐶1 es- mente com o trimpot 𝑅𝑉2 formam (seguidor de tensão). Para isso
tabiliza a tensão para referência um divisor resistivo. Se calcular- apliquei o clássico LF356N que
analógica, que no caso utilizare- mos a tensão de saída máxima do apresenta JFETs em sua constru-
mos o valor interno de 5V para o divisor em 5V considerando a en- ção e uma impedância de entrada
conversor analógico/digital do mi- trada máxima de 30V, teremos: elevadíssima.
crocontrolador AVR. Os capacito- 𝑅𝑉2 Observe o circuito for-
res 𝐶2 e 𝐶3 servem para desaco- 𝑉𝑜𝑢𝑡 = × 𝑉𝑖𝑛
𝑅𝑉2 + 𝑅2 mado por 𝐶6 , 𝐶7 , 𝐷1 e 𝐷2 . Na label
plamento do circuito integrado. “neg_g” aplicamos um PWM de
𝑅𝑉2 𝑉𝑜𝑢𝑡 + 𝑅2 𝑉𝑜𝑢𝑡 = 𝑅𝑉2 𝑉𝑖𝑛
O potenciômetro 𝑅𝑉1 50% também gerado pelo micro-
serve para controlarmos o duty 𝑅𝑉2 𝑉𝑖𝑛 − 𝑅𝑉2 𝑉𝑜𝑢𝑡 = 𝑅2 𝑉𝑜𝑢𝑡 controlador. Em 𝐶6 teremos uma
cycle do sinal PWM que é aplicado 𝑅𝑉2 (𝑉𝑖𝑛 − 𝑉𝑜𝑢𝑡 ) = 𝑅2 𝑉𝑜𝑢𝑡 tensão DC negativa resultante
no controle de luz de fundo do deste arranjo com os diodos, que
𝑅2 𝑉𝑜𝑢𝑡 será aplicada no pino 4 do
display, permitindo ao usuário o 𝑅𝑉2 =
𝑉𝑖𝑛 − 𝑉𝑜𝑢𝑡 LF356N. Esse artifício foi utilizado
ajuste de intensidade de brilho, o
que traz um recurso extra bem in- 27𝑘 × 5 para não precisarmos de uma
𝑅𝑉2 = fonte simétrica para o circuito e
teressante para o voltímetro. No 30 − 5
seu projeto final, esse potenciô- garantirmos que o amplificador
𝑅𝑉2 = 5400Ω
metro poderá ser instalado no operacional excursione a tensão
painel de sua fonte, mas se prefe- Você pode ajustar o trim- até os zero Volts. Na saída do
rir também poderá manter o valor pot 𝑅𝑉2 para o valor de 5,4𝑘Ω e OPAMP temos mais dois recursos:
fixo como calibração através de então depois, com o circuito já to- um filtro para surtos de alta-fre-
um trimpot. talmente montado, realizar o quência, formado por 𝑅3 e 𝐶8 e
ajuste fino de calibração. Observe um limitador de tensão formado
O circuito de interface que esse trimpot deverá ser do por 𝐷3 e 𝐷4 , o que protegerá a en-
analógica é bem interessante e o tipo multi-voltas. O procedimento trada do microcontrolador.
leitor poderá aproveitá-lo em vá- de calibração será especificado
rios outros contextos semelhan- Completando o circuito,
mais adiante.
tes, onde necessita aplicar uma temos dois conectores para 5V e
tensão de entrada mais alta para 12V, sinais de tensão que podem
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Edição 0042, maio, 2024
vir da sua fonte de bancada. Na Fi-
gura 3 apresento uma sugestão
de circuito muito simples para ge-
rar essas duas tensões reguladas.
(a)
Montagem
Desenvolvi uma placa de
circuito impresso dupla face, cu-
jos arquivos Gerber estão disponí-
veis para download na plataforma
da revista. A PCB ficou compacta
(aproximadamente 4,5cm x
(b)
9,0cm) e a técnica utilizada foi a
de deixar o display em oposição
aos componentes do circuito, as-
sim o voltímetro poderá ser facil-
mente fixado ao painel de sua
fonte de bancada através de para-
fusos apropriados.
Para o microcontrolador
utilizei soquete estampado DIL18 (c)
e para o operacional realizei a sol-
dagem diretamente na placa, com
cuidado para não aquecer ele de-
mais. Também soldei um soquete
MCI fêmea para viabilizar a cone- Figura 4 – Face superior de cobre (a). Face inferior de cobre (b). Silkscreen
dos componentes (c).
xão de um potenciômetro de
forma simples e segura, este que
será responsável pelo ajuste de o voltímetro estão prontos para um multímetro a saída do amplifi-
brilho do display. A placa de cir- serem fixos no painel de sua fonte cador operacional. Deverá ter
cuito impresso pode ser conferida de bancada. algo muito próximo de 2,5V.
na Figura 4. Agora ajuste o trimpot levemente
até obter exatos 2,5V na saída do
Perceba a presença de Teste e Calibração amplificador operacional. Depois
dois furos adicionais em nossa disso, ajuste a tensão em VIN para
placa de circuito impresso. Estes O teste e calibração do vol-
os 30V previstos. Medindo a saída
furos servirão para fixarmos o dis- tímetro é simples. Antes de co-
do LF356N deverá ter um valor
play com parafusos e porcas – nectar o microcontrolador AVR no
muito próximo de 5,0V. Por fim, li-
funcionando também como espa- soquete DIP18, ligue o circuito,
gue 0V na entrada VIN, compro-
çadores – e do outro lado utiliza- alimentando o mesmo com as
vando que há 0V também na saída
remos um soquete MCI fêmea de tensões de +12V e +5V. Lembre-se
do OPAMP.
6 vias, soldado a 90 graus com de ajustar o trimpot 𝑅𝑉2 previa-
uma barra de 6 pinos, que será co- mente para aproximadamente Após concluir esse pro-
nectada à placa através de outro 5,4𝑘Ω. Aplique uma tensão de cesso, você só precisa conectar o
MCI fêmea. A partir daí o display e +15V na entrada VIN e meça com microcontrolador ao circuito e
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Revista Eletrônica WR
dificulta bastante a O objeto lcd é declarado
construção artesa- na linha 49, criando uma instância
nal. para acessar as funções membro
da biblioteca. Se quer dominar o
uso de orientação a objeto e clas-
Software ses, recomendo o nosso curso
Completo de C++. Uma constante
Conforme mencio-
para a tensão máxima é declarada
nado, o software foi
na linha 54 do código, no valor de
desenvolvido na Ar-
30.0V, conforme o nosso projeto
duino IDE e aprovei-
de hardware. Já na linha 59 inseri-
tando a existência
mos o protótipo da função ave-
da biblioteca para o
rage_volt() que irá retornar a mé-
display HT1621.
dia de 10 medidas analógicas, mi-
Tudo o que você pre-
nimizando erros de leitura por
cisa fazer é instalar a
conta de espúrios.
Figura 5 – Voltímetro lendo a tensão de 14,92V biblioteca ht1621-7-
(acima). Lado da placa com os componentes do cir- seg-master em sua Das linhas 64 a 69 foram
cuito (abaixo). Arduino IDE. Deixa- declaradas as variáveis globais
rei a mesma junto que serão usadas ao longo do có-
realizar o teste diretamente com para download com os arquivos digo. A variável voltage armazena
o seu voltímetro, comprovando na plataforma da revista, também a tensão lida, já bgn contém o va-
que as tensões medidas ficam contendo o software completo. lor do brilho do display. cT2 é um
bem próximas das medidas com o Agora vamos entender
multímetro comercial. Se neces- o software do voltíme-
sário atue mais um pouco em 𝑅𝑉2 tro, veja no Box 1 as
para deixar o valor de tensão o definições iniciais do
mais próximo possível. Também programa.
efetue o ajuste de 𝑅𝑉1 para obser-
Na linha 33 in-
var se a intensidade da luz de
serimos a biblioteca
fundo está sendo regulada do va-
HT1621.h e depois rea-
lor máximo ao mínimo previstos.
lizamos o mapea-
A partir daí está tudo certo mento de hardware
e é só utilizar o voltímetro em sua das linhas 38 a 44. Ob-
aplicação desejada. Na Figura 5 a serve que estamos tra-
imagem real do voltímetro mon- balhando com os pinos
tado e calibrado pode ser confe- digitais do Arduino
rida. Aproveite para visualizar e UNO, para facilitar o
entender como o display foi exa- desenvolvimento, mas
tamente fixo na placa de circuito os mesmos já corres-
impresso. pondem exatamente
aos pinos do
Recomendo que você
Atmega328p conforme
mande fabricar a PCB em uma
o diagrama esquemá-
empresa especializada, pois ela
tico do voltímetro.
deve ter furos metalizados, o que
Box 1 – Definições iniciais.
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Edição 0042, maio, 2024
𝑇𝐶𝑁𝑇2 é o valor de inicialização
do Timer2;
𝑃𝑆 é o prescaler configurado;
𝑀𝐶 é o ciclo de máquina, que con-
siste no inverso da frequência de
clock para a linha AVR.
𝑂𝑣𝑓 = (256 − 156) × 1024
× 62,5𝑛
𝑂𝑣𝑓 ≈ 6,4𝑚𝑠
Com o contador auxiliar
comparado ao valor 135, teremos
aproximadamente 864ms de
tempo de atualização da flag
upMeas. Seguindo com a análise
do nosso software, vamos ver
Box 2 – Interrupção do Timer2. agora a função de setup apresen-
tada no Box 3.
𝑂𝑣𝑓 = (256 − 𝑇𝐶𝑁𝑇2) × 𝑃𝑆
contador auxiliar para base de
× 𝑀𝐶 Nas linhas 102, 103, 104 e
tempo na interrupção do Timer2 e
105 configuramos o Timer2 e ha-
upMeas é uma flag usada na atu- Onde
bilitamos a sua interrupção por
alização do display. No Box 2 po-
𝑂𝑣𝑓 é o tempo de overflow do ti- overflow. Depois iniciamos uma
demos ver a função de interrup-
mer em segundos;
ção do timer.
O Timer2 é um contador
de 8 bits que, ao passar do valor
máximo, volta para 0, portanto vai
até 28 − 1 = 255. Quando o ti-
mer passa do valor máximo, cha-
mamos de “estouro” ou “over-
flow”. Quando configuramos a in-
terrupção, esse evento vai provo-
car a execução da função ISR(TI-
MER2_OVF_VECTOR). Na linha 79
reiniciamos o timer com o valor
156, incrementamos o contador
auxiliar cT2 em 1. Quando esse úl-
timo atingir 135, processamos as
linhas 87 e 89, reiniciando o con-
tador auxiliar e setando a flag
upMeas. Essa interrupção foi con-
figurada para ocorrer a cada
6,4ms pois
Box 3 – Função de setup.
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Revista Eletrônica WR
tensão atual passando voltage
para a função print junto com o
parâmetro 2 para exibir duas ca-
sas decimais. O valor também é
enviado por serial. Concluímos
atribuindo zero à flag upMeas
para que novas impressões ocor-
ram de acordo com o tempo de in-
terrupção. Nas linhas 143 e 144
lemos o valor do potenciômetro e
atualizamos o duty cycle do PWM
para a luz de fundo. Para concluir
o estudo do software, veja na Box
5 a função que faz a leitura analó-
gica e realiza a média da mesma.
Com o laço for da linha
161, realizamos um total de 10
iterações, fazendo a somatória de
10 valores de tensão lidos pela en-
Box 4 – Loop infinito. trada analógica do voltímetro.
Veja que aqui estamos traba-
lhando com os valores inteiros do
comunicação serial (essa é utili- correto funcionamento de todos conversor AD, que vão de 0 a
zada para debug do voltímetro os dígitos do LCD. Na linha 120 1023. O retorno de ave-
quando o mesmo estiver conec- limpamos o display. rage_volt(), que ocorre na linha
tado ao computador via Arduino 120 do loop infinito, será aplicado
No loop infinito vamos de
UNO). na equação
fato realizar a leitura de tensão e
Na linha 110 é inicializado exibir da tela. Veja em detalhes no (𝐴𝐷𝐶 × 30)
o nosso display com a função Box 4. 𝑣𝑜𝑙𝑡𝑎𝑔𝑒 =
1023
membro begin, passando os res-
Armaze-
pectivos pinos de controle. Em se-
namos em vol-
guida configuramos saída para o
tage o retorno
controle de backlight e para gerar
da função ave-
o PWM da fonte negativa, com a
rage_volt() con-
função pinMode. Utilizando ana-
vertida para 30
logWrite vamos inicializar o PWM
Volts a partir de
da luz de fundo com o valor da
vmax e do valor
global bgn e também o PWM para
máximo de con-
gerar a tensão negativa para o
versão AD
amplificador operacional, este úl-
(1023). Então,
timo terá o duty cycle fixo em
sempre que
50%. Por fim, é impresso no dis-
upMeas for ver-
play o valor “888888” com ne-
dadeira, vamos Box 5 – Função para leitura e média do valor do ADC.
nhuma casa decimal e aguarda-
atualizar no dis-
mos quase 2 segundos, como uma
play o valor da
espécie de boot já para validar o
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Edição 0042, maio, 2024
O que resultará em nosso espero com isso inspirá-los a Lembrando também, que
valor de tensão a ser passado para construir e projetar os próprios a partir de um projeto de voltíme-
o display como já vimos. equipamentos. Agora tente adap- tro, é relativamente simples de se
tar esse voltímetro a alguma fonte implementar um amperímetro e
Conclusão
de bancada sua, seja um modelo até mesmo um wattímetro, deixo
Encerramos aqui mais um já comercial que por ventura não como dica para aqueles projetis-
projeto de instrumentação, que tenha voltímetro ou algum cons- tas de plantão. Sempre que possí-
visa trazer alternativas para o lei- truído por você. Na revista e vel traremos aplicações desse
tor que deseja incrementar o seu mesmo no nosso canal do You- tipo, para incrementar o laborató-
laboratório de eletrônica, sem Tube, já temos dezenas de proje- rio de vocês e agregar ainda mais
precisar investir muito para isso. tos de fontes de bancada incríveis, conhecimento.
Esse tipo de aplicação sempre pesquise que vai encontrar.
abre um leque de possibilidades e
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Revista Eletrônica WR
Conheça o TouchGFX Para Aplicações Gráficas
Esp. Eng. Gabriel Vigiano
Introdução:
Muitas vezes ao desenvolvermos
nossos projetos desejamos incluir uma ca-
racterística elegante e profissional através
de interfaces gráficas e displays. Existem
soluções simples e até mais complexas
para atender esta necessidade, tais inter-
faces são comumente conhecidas como
I.H.M (interface homem-máquina).
O propósito essencial não é apenas
para trazer ao usuário uma experiência es-
teticamente interessante ao projeto, mas Figura 1 – Tela exemplo desenvolvida no TouchGFX.
ao mesmo que seja totalmente funcional
além de adaptável ao projeto, permitindo desta pré-definidos, como botões, listas, gráficos e ima-
forma o usuário estabelecer comandos ou leituras gens.
de forma eficiente do seu sistema eletrônico. Pen-
• Compatibilidade com Hardware STM32: O Tou-
sando nisto a STMicroeletronics desenvolveu uma
chGFX é otimizado para funcionar perfeitamente
ferramenta destinada a linha dos microcontrolado-
com os microcontroladores STM32 da STMicroe-
res STM32 o que permite gerar tais gráficas profis-
lectronics, garantindo um desempenho eficiente e
sionais e conectar a diversos tipos de displays dis-
uma integração simplificada.
poníveis no mercado, esta ferramenta é conhecida
como TouchGFX. • Suporte Multiplataforma: Ele suporta uma ampla
variedade de plataformas de hardware STM32,
permitindo que os desenvolvedores criem interfa-
ToughGFX e suas características: ces gráficas consistentes em diferentes dispositivos
integrado com o STM32CubeIDE.
As principais características do ToughGFX
são: A software pode ser baixado diretamente
do site da STMicroeletronics de forma gratuita e fa-
• Desenvolvimento Eficiente: O TouchGFX fornece cilmente integrado ao microcontrolador STM32.
uma ferramenta de desenvolvimento de UI alta-
mente eficiente, permitindo que os desenvolvedo-
res criem interfaces gráficas responsivas e visual-
Simulação e Projeto:
mente impressionantes com rapidez.
Além das características já mencionadas, o
• Renderização de Gráficos Avançada: Ele oferece
TouchGFX apresenta também a possibilidade de si-
recursos avançados de renderização de gráficos, in-
mulação antes mesmo da aplicação do firmware ao
cluindo suporte para animações suaves, transições
microcontrolador. É possível personalizar fontes, fi-
e efeitos visuais, garantindo uma experiência de
guras além realizar toda a integração com a parte
usuário atraente.
de comando para sinalizar lógicas programáveis
• Design Personalizado: Os desenvolvedores po- que o usuário desejar.
dem criar designs personalizados com facilidade,
utilizando uma variedade de elementos gráficos
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Na Figura 2 vemos o projeto real em execu- utilizar em nossos projetos que facilita e simplifica
ção em um kit de desenvolvimento da ST baseado o desenvolvimento de aplicações mais complexas.
no microcontrolador STM32F46 o que podemos
E você caro leitor, já conhecia o TouchGFX? Prepare-se... no próximo artigo da revista vamos explorar
a ferramenta com bastante detalhe e criar uma aplicação prática passo a passo…
Até a próxima galera…
Grande abraço
Prof. Gabriel
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Revista Eletrônica WR
Casos de Oficina Episódio 38 – Enchente
Pio Rambo
Não existe nada mais desestimulante do gaveteiros organizados, catalogados, repletos de
que entrar dentro de uma oficina eletrônica depois componentes novos, acabou se transformando em
de ser varrida por uma enchente. Na mente se tem um amontoado de componentes embarrados, já
a ideia de que entrou água e depois que baixa é só com marca de ferrugem.
por no sol para secar e pronto.
E o que é mais terrível, é ver que aquele ga-
Mas, a realidade é bem outra. E essa reali- veteiro cheio de componentes antigos, muitos dos
dade não é nada boa. Além do barro interminável, quais não se encontra mais, também foi tomado
entranhado nos mais recôndidos espaços possíveis, pela enchente. Um cenário de cortar o coração, afi-
fica a água suja empoçada em gaveteiros, caixas, nal foram anos e mais anos de material guardado e
lâmpadas e móveis. Um caos. usado esporadicamente quando um componente o
exigia.
Os componentes eletrônicos mostram si-
nais de ferrugem e se vê que dali para frente fer- Ah e as válvulas. Cenário triste de ver: as cai-
rugem vai tomar conta dos terminais, deixando-os xas de papelão onde estavam guardadas se des-
imprestáveis. Moral da história: o que antes eram mancharam e uma grande quantidade caiu lá do
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Edição 0042, maio, 2024
alto onde jamais imaginei chegar uma enchente, se reconstituir e fazer funcionar. E torcer para que vol-
espatifando no chão e quebrando. Além da lástima tem a funcionar para o prejuízo não ser tão grande.
deste acontecimento, ainda existiu o perigo de se
E agora?
cortar ao recolher o barro que se espalhou pela ofi-
cina. Resta aos poucos ir recuperando o que dá,
refazer um estoque do que mais se usa e ir em
Dos aparelhos eletrônicos, nenhum esca-
frente. Desistir não é meu princípio e acredito que
pou de ficar embaixo da água: amplificadores anti-
tudo isso acontece por algo que nos faz melhores e
gos, valvulados, pré-amplificadores, mixers, rádios
mais fortes em todos os sentidos. O que sempre é
a válvula, rádios portáteis dos anos 60, 70, 80... To-
o mais importante é o que nenhuma enchente con-
dos embalados no barro fétido da água que veio
segue levar: nosso conhecimento e nossa garra. E,
sem ser convidada.
graças a Deus, minha saúde também não levou, o
Papel nenhum sobrou: esquemários, proje- que é o mais importante para um recomeço.
tos, manuais de serviço e manuais de instruções.
Enfim, este é o retrato do que vivenciei
Tudo virou num bolo de barro e papel frágil que ao
neste mês de maio, onde a quantidade de chuva de
simples toque já se desmanchava. Muitos esque-
dois anos caiu em um mês trazendo todos estes
mas raros se foram também.
problemas. Algo inenarrável, pois vivenciar por ve-
Pior que isso, multímetros, osciloscópios e zes três dias de chuva torrencial sem trégua, a
tantos mais equipamentos de laboratório, fontes ponto de abafar o volume da TV chega a ser tétrico.
ajustáveis, todos embarrados esperando um dia de Ruas alagadas prenunciando cheias históricas. E o
sol para serem lavados, secados e a tentativa de detalhe mais assustador foi não ouvir o canto dos
pássaros no amanhecer por mais de quinze dias.
Adquirindo nossos cursos você ajuda Pio Rambo e a WR Kits a se recuperar. Juntos somos mais fortes!
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Revista Eletrônica WR
Oscilador com Relé
Dr. Eng. Wagner Rambo
Os iniciantes frequentemente procuram e do próprio relé, bem como o correto dimensiona-
por projetos divertidos, simples e que ao mesmo mento do resistor limitador de corrente 𝑅1 .
tempo vão lhes trazer alguma experiência e conhe-
A própria chave do relé vai gerar a oscilação
cimento. Um dispositivo eletromecânico que sem-
no circuito. O segredo está basicamente na carga e
pre atrai a atenção de iniciantes (e até dos mais ex-
descarga do capacitor. Ao ligarmos o circuito, a ten-
perientes) sem sombra de dúvidas é o relé. É fato
são de 5V vai energizar o relé através do seu con-
que são dispositivos essenciais na eletrônica já há
tato normalmente fechado. Quando isso ocorrer, a
décadas e continuarão sendo por muitos e muitos
chave do relé fecha o contato para o lado normal-
anos.
mente aberto, removendo os 5V através daquele
O objetivo do presente artigo é demonstrar caminho, mas mantendo a diferencia de potencial
como montar um oscilador utilizando relé, que enquanto o capacitor 𝐶1 se carrega.
possa ser aplicado em alguma experiência. Você
À medida que o capacitor vai se carregando,
poderá criar efeitos visuais com LEDs e até mesmo
a tensão sobre a bobina do relé vai diminuindo,
sonoros (pelo barulho dos cliques do relé), além de
atingindo um liminar baixo o suficiente para acio-
aprender um pouco mais sobre eletrônica. Aos pro-
nar o LED 𝐷2 que está no modo current sinking e
fessores, também acaba sendo um prato cheio
com o resistor limitador de corrente 𝑅1 .
para incentivar os alunos a estudarem os dispositi-
vos eletrônicos e desenvolverem projetos variados Vai chegar o momento em que o relé de-
com os mesmos. sarma, provocando a descarga do capacitor através
Outro ponto positivo da presente aplicação
é que dificilmente dará errado, pois é incrivel-
mente simples. Considerando um público inician-
tes, é fundamental que o professor apresente pro-
jetos mais simples, que tendem a minimizar possí-
veis erros e falhas, não frustrando seus alunos no
início de suas trajetórias.
O circuito proposto utiliza um relé com um
polo e duas posições e terá aplicações práticas,
como gerar som (com o próprio relé) e piscar um
LED ou lâmpada por exemplo. O mesmo pode ser
construído em placa universal, pode ser feito em
placa de circuito impresso para praticar a técnica
de construção ou mesmo na protoboard, como no Figura 1 – Oscilador com relé, diagrama esquemático.
exemplo deste artigo.
Na Figura 1 podemos observar o diagrama da chave do relé, porém o seu contato normal-
esquemático do oscilador com relé. mente fechado voltará a liga-lo e o ciclo vai se re-
Utilizei um relé para 5V, mas outros mode- petir indefinidamente, ligando e desligando o relé
los podem ser aplicados, sendo necessário apenas e piscando o LED.
o cuidado com a tensão de trabalho do capacitor 𝐶1 Para frequências maiores, diminua o valor
do capacitor 𝐶1 . Para frequências menores,
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aumente o seu valor. O diodo 1N4007 evita picos Se você é professor e deseja trazer um ex-
de tensão reversa a partir da bobina do relé e o ca- perimento prático para a turma em uma escola téc-
pacitor 𝐶2 é para filtrar a fonte de alimentação. nica, esse circuito torna-se uma excelente oportu-
nidade para aprender sobre carga e descarga de ca-
Veja a montagem do circuito em protobo-
pacitores, osciladores, frequência, diodo de roda li-
ard na Figura 2. É uma excelente alternativa para
vre, além de trazer um implemento “áudio/visual”
efetuar um teste rápido com o circuito, bem como
por assim dizer. Bons projetos!
testar diferentes valores de capacitores para obter
a mudança de frequência desejada.
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Revista Eletrônica WR
Catálogo de Todas as Edições
Edição 001 (dezembro de 2020) - Gerando números aleatórios com Arduino
- Funcionamento dos módulos TXRX 433MHz - Construa um inversor para luz de emergência
- Construa uma minhoca robótica - Dado eletrônica com display realístico (p1)
- VFET o componente do futuro - Amplificadores: Há espaço para uma nova classe genuína?
- Clock de 25MHz com FPGA - Casos de Oficina EP3 (O aparelho de cerca elétrica)
- Projeto de filtro para problema prático - Monte uma sirene de 1 tom para brinquedos
- As Leis de Kirchhoff
- Gerador PWM com STM32 - Dado eletrônico com display realístico (p2)
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- Construa um robô falante - CLP para iniciantes
- Conexão serial sem fio via rádio 433MHz - Half-bridge com MOSFETs
- Serial monitor para qualquer microcontrolador - Luz automática por feixe infravermelho
- Voltímetro duplo com PIC - Casos de Oficina EP8 (da consórcio ao ranhento)
- Aprenda portas lógicas e nunca mais esqueça - Casos de Oficina EP9 (o caçador de tesouros)
- Pisca LED alternado com ajuste de duty cycle - Filtro FIR em Matlab
- Casos de Oficina EP6 (Pozinho azul tipo raio laser) - Amplificador de Áudio 150mW
- Fonte regulada 5V 3A
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Revista Eletrônica WR
- Fonte bivolt automática - Desenvolvimento de placa de aquisição eletromiografia
- Simulador gratuito para microcontroladores (SimulIDE) - Seletor de Cores RGB com Arduino
- Casos de Oficina EP11 (a melhor marca de TV) - Casos de Oficina (EP16): Aquela TV Semp
- Medidor de Volume de Caixa D'água com PIC - Miniaturização de placa de aquisição para eletromiografia
- Ponte H Diferente com MOSFET - Conversor DC-DC Step-Down Buck com MC34063
- Casos de Oficina EP12 (sabedoria infantil) - Projeto de Circuito Snubber para MOSFETs
- Fonte de Bancada 1,25 a 30V por 2,5A - Casos de Oficina (EP17): Três Velhos, Três Gênios
- Casos de Oficina EP13 (O técnico sacana) - Regulação de Linha e Carga em Fontes de Alimentação
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- Casos de Oficina (EP20): O Famigerado Vertical - Utilizando o DAC do ESP32
- Projeto de Fonte de Corrente com LED - Casos de Oficina (EP25): Assistência Técnica da Philips
- Questão de Concurso: Circuito Elétrico com Abordagem Grá- - Construa um Computador de 8 Bits
fica
- Leitura de Sinal Senoidal com STM32
- Sub-circuitos na Linguagem Spice
- Casos de Oficina (EP26): A Arte da Paciência (Captador de
Contrabaixo)
- TASM: Instale um Assembler Clássico para Z80 - Entendendo a Diferença Entre Valor Eficaz e Médio
- Exercício Resolvido: Circuito Elétrico com Abordagem Grá- - Casos de Oficina (EP27) As Fontes de Energia do Rádio e suas
fica Consequências
- Sirene de 2 Tons
- Entenda a Modulação QAM - Casos de Oficina (EP28) Queimando os dedos e outros per-
rengues
- Ajuste de Graves e Agudos com OPAMP
- Equalizador de Áudio Simples
Edição 032 (julho de 2023) - Seu Primeiro Programa em Assembly com STM32
- Casos de Oficina (EP30) O Fantasma do Seletor de Canais Edição 038 (janeiro de 2024)
- Casos de Oficina (EP31) Surpreendido por um juiz - Casos de Oficina (EP36) Um Fantasma no Televisor
- Casos de Oficina (EP32) Clientes Chatos - O Seu Primeiro Projeto com o PSpice for TI
- SapWin, Simulador que Gera a Função de Transferência - Casos de Oficina (EP37) Botando Fogo no Fusca
- Fonte Linear: Como os Profissionais Projetam - Gerando Imagens com A.I. Inteligência Artificial
- Casos de Oficina (EP33) O Dia em Que Saí do Sério - Casos de Oficina (EP38) Quando um Chato se Supera
- LTspice: Medindo impedância de entrada e saída - Gerando Código Assembly a partir de Código C
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