trabalho parcial
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Autores : Kayky Maciel; João Zezak; Kauã; Luis; Marcus G.; Mário; Yuji
Campo Grande
09 de Janeiro de 2025
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Curso: Técnico Integrado em Mecânica Turma: 149
Disciplina: Sociologia 3
Introdução
Trabalho infantil é definido como qualquer atividade econômica ou trabalho que priva
crianças e adolescentes de sua infância, dignidade e desenvolvimento pleno,
interferindo em sua educação, saúde e bem-estar. No Brasil, considera-se trabalho
infantil qualquer forma de trabalho realizada por crianças e adolescentes abaixo de 16
anos, exceto na condição de aprendiz, permitida a partir dos 14 anos. Atividades leves,
que não comprometem a saúde, podem ser realizadas por adolescentes a partir dos 16
anos, conforme definido pela legislação. Contextualização histórica no Brasil: No
período colonial, crianças escravizadas realizavam trabalhos pesados nas plantações
e casas de seus senhores. Após a abolição da escravatura, em 1888, a mão de obra
infantil continuou a ser explorada em setores como agricultura e indústrias
emergentes. Durante o século XX, com a industrialização e urbanização, o trabalho
infantil se tornou ainda mais evidente nas cidades. Somente com a Constituição de
1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) houve avanços significativos
na proteção dos direitos das crianças. Importância de abordar o tema nos dias atuais:
Apesar dos progressos legais e sociais, o trabalho infantil persiste no Brasil, afetando
milhões de crianças. Com a pandemia de COVID-19, o problema se agravou, já que
muitas famílias enfrentaram aumento da pobreza, forçando crianças a contribuir para
a renda familiar. Abordar esse tema é fundamental para quebrar o ciclo de pobreza,
garantir os direitos das crianças e criar uma sociedade mais justa e igualitária.
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Resultados
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Figura 1. Constituição Federal Figura 2. Estatuto da Criança e
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Má qualidade da educação
Ao começar a trabalhar, a criança tem seus estudos prejudicados ou até mesmo deixa a
escola. Aí entra outro fator que favorece o trabalho infantil: educação de má qualidade.
Se os pais ou as próprias crianças têm a percepção de que a escola não agrega ou que
Naturalização
O modo como a sociedade enxerga o trabalho infantil também influencia a decisão sobre
entrar no mercado de trabalho. Em locais onde o trabalho precoce é mal visto, famílias
são desestimuladas a colocarem os filhos a trabalhar. Entretanto, se o trabalho de crianças
é visto como algo natural ou até mesmo positivo, não há essa barreira durante a tomada
de decisão. A construção desse modo de pensar tem raízes também na desigualdade social
brasileira, cuja origem podemos retraçar até nosso passado colonial escravocrata.
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Para diminuir ou cortar gastos com a contratação de funcionários, crianças e adolescentes
podem ser levados a realizar trabalhos domésticos em suas próprias casas. Assim, os pais
podem realocar seu tempo desenvolvendo outras atividades. As famílias podem também
empregar os próprios filhos em suas empresas ou propriedades rurais.
O trabalho infantil também pode ser encontrado em empresas não familiares e há diversos
motivos que podem levar a isso. A mão de obra de crianças é mais barata, mais
administrável (ou seja, é fácil de administrar (por ser mais difícil que as crianças
reclamem pelos seus direitos) e muitas vezes as crianças não têm consciência dos perigos
da atividade e realizam trabalhos que adultos teriam mais restrições. Situações de escassez
de mão de obra (como períodos de colheita) podem levar à contratação de crianças.
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Consequências do Trabalho Infantil Impactos físicos e emocionais
O trabalho infantil no Brasil é uma questão alarmante e persistente. Em 2022, havia 2,103
milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos exercendo algum tipo de trabalho, dos
quais 1,881 milhão estavam em condições consideradas como trabalho infantil, que
deveria ser erradicado. Este número representou um aumento de 7% em relação a 2019,
quando o patamar era de 1,758 milhão, ou 4,5% da população nessa faixa etária. A maior
concentração está entre adolescentes de 14 a 17 anos, que representam 78,7% do total,
enquanto a faixa de 5 a 13 anos compõe 21,3% dos casos.
Embora o trabalho seja proibido para crianças abaixo de 16 anos, salvo na condição de
aprendiz a partir dos 14 anos, 76,6% dos adolescentes de 16 a 17 anos que trabalhavam
em 2022 estavam na informalidade. Já em 2014, o percentual de adolescentes trabalhando
com carteira assinada era de apenas 15,2%.
O trabalho doméstico, ilegal para menores, absorvia 42,6% dessas crianças e adolescentes
em 2022, seguido pelo comércio (27,9%) e pela agricultura (22,8%). Na zona rural,
especialmente entre aqueles em domicílios que recebiam benefícios sociais, a agricultura
foi a principal atividade, empregando 33,7% dos trabalhadores infantis.
Impactos da pandemia
Entre 2016 e 2019, houve uma discreta redução do trabalho infantil. Contudo, a pandemia
da COVID-19 agravou a vulnerabilidade de famílias, contribuindo para o aumento do
número de crianças nessa situação. Em 2022, 35,6% dos menores que realizavam
atividades econômicas viviam em domicílios beneficiados por programas sociais.
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Apesar dos esforços para erradicar o trabalho infantil até 2025, conforme os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, o aumento recente expõe fragilidades na
fiscalização, na aplicação de políticas públicas e no combate à pobreza. A maior parte
dessas crianças e adolescentes segue sendo explorada sem a proteção das leis, como o
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Lei do Aprendiz, comprometendo o
desenvolvimento de uma geração inteira.
Entre 2004 e 2015, o trabalho infantil caiu pela metade no Brasil, de 5,3 milhões para 2,7
milhões, de acordo com o IBGE. No entanto, a exemplo de outros indicadores sociais, tal
redução foi bastante desigual entre setores, Estados e regiões, além de ter sofrido
retrocessos em cinco momentos desde 1992. O Nordeste teve a maior redução do trabalho
infantil no período mencionado (59%), contra cerca de 38% no Sudeste. As duas regiões
têm praticamente a mesmo número absoluto de pessoas entre cinco e 17 anos em situação
de trabalho infantil – 850 mil pessoas – mas no Sudeste predominam atividades com
maior grau de formalização (comércio, serviços e indústrias) do que no Nordeste
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(agropecuária). Ao compararmos os Estados diretamente, outra discrepância. Enquanto
o Ceará, líder nacional, reduziu o trabalho infantil em 77% entre 2004 e 2015, o Distrito
Federal ficou estacionado no mesmo patamar no período, e o Amazonas, segundo pior no
quesito, conseguiu redução de apenas 30%.
Diferentes olhares
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https://www.youtube.com/watch?v=_oeYCEYpaRo
Ano: 2014
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Passar segundo vídeo a turma
Produzido pela rede árabe Al Jazeera que mostra o dia a dia de crianças brasileiras
arriscando suas vidas a bordo dos barcos que navegam pelo rio Tajapuru, na rota
entre Manaus e Belém.
Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=ys0bPWlMsk8
Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=coieHV691uk
https://www.youtube.com/watch?v=X4bQmG5tOfo
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Dados e Estatísticas Números recentes sobre o trabalho infantil no Mato Grosso Do Sul
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As crianças e adolescentes trabalhadoras em Mato Grosso do Sul dedicaram 20,1 horas
de seu tempo em atividades laborais em 2019. Em relação ao trabalho infantil no Estado,
42,2% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos exerciam alguma das piores formas de
trabalho infantil nos termos da lista TIP, percentual equivalente a 12.503 crianças e
adolescentes. Por sua vez, do total de adolescentes de 14 a 17 anos ocupados, 93,1% (ou
21.584) eram informais.
Famoso por sua produção de carne e couro, o Estado tem pelo menos 9 mil crianças e
adolescentes no trabalho infantil nesse setor. “O mais triste é que por nossa equipe ser
muito pequena, temos bastante dificuldade de fiscalizar a zona rural. Tudo é remoto
quando temos tão poucos fiscais”, lamenta Maristela.
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O PETI é um programa do Governo Federal criado com o objetivo de retirar crianças e
adolescentes de 7 a 15 anos de idade de trabalhos perigosos, penosos, insalubres ou
degradantes. Seu principal objetivo é possibilitar o acesso, a permanência e o bom
desempenho das crianças na escola, além de promover atividades culturais, esportivas,
artísticas e de lazer.
Componentes do PETI:
Resultados Esperados:
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1. Transferência de Renda: Apoio financeiro direto às famílias mais necessitadas.
Impacto Social:
Criança Esperança
Resultados Alcançados:
Amigos da Escola
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O projeto Amigos da Escola é uma iniciativa que visa melhorar o ensino na escola pública
de educação básica através do trabalho voluntário. Com o apoio de grandes empresas e
instituições, o projeto mobiliza cidadãos para contribuir com a educação pública.
Impacto Social:
Desafios e Reflexões
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A educação desempenha um papel fundamental na erradicação do trabalho infantil. Uma
educação de qualidade oferece às crianças não apenas o conhecimento necessário
para crescerem e se desenvolverem, mas também as ferramentas para
compreenderem seus direitos e aspirarem a um futuro melhor. Investir em educação
de qualidade e programas de ensino integral ajuda a afastar crianças do trabalho precoce.
Para denunciar casos de trabalho infantil, pode-se:
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Estudos de Caso ou Relatos Exemplos concretos
Nas últimas décadas houve uma forte conscientização da população brasileira em relação
a esse problema, mas ainda é bastante difundida a visão do trabalho infantil como algo
positivo. Por isso, é fundamental desnaturalizar o trabalho infantil, mostrando as
consequências perversas para a saúde de crianças e adolescentes, as sequelas deixadas, e
as dificuldades no desenvolvimento intelectual e psicológico resultantes dessas
atividades. A seguir, discutiremos alguns dos principais mitos sobre o trabalho infantil
que precisam ser desconstruídos:
O trabalho infantil não tem papel de prevenção à criminalidade. Pesquisas mostram que
a maior parte dos da população carcerária trabalhou na infância e que muitos adolescentes
em medidas socioeducativas já haviam exercido ou estavam exercendo atividades
laborais na época em que cometeram o delito. Além disso, o trabalho durante a infância
– ainda que possa parecer “digno” - favorece que crianças e adolescentes sejam
empurrados justamente para as atividades ilegais, como o crime organizado, o tráfico de
drogas e de pessoas, a exploração sexual e o trabalho escravo, uma vez que estão em
situação de vulnerabilidade, exploração e violação e, portanto, desprotegidos do
aliciamento para esses fins.
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ter responsabilidades desproporcionais a sua idade. Ela precisa ter tempo para brincar,
estudar e descansar.
“Ele(a) trabalhou quando criança e, graças a isso, virou uma pessoa importante depois”
“Já fui criança pobre, trabalhei como engraxate, como lavador de carros,
como vendedor ambulante, como balconista, tudo antes dos 14 anos. Não me
vanglorio dessa experiência, que me deixou marcas profundas na alma. Ela
concorreu para que eu me tornasse uma pessoa mais triste”.
Crianças de famílias de baixa renda, que começam a trabalhar cedo, tem a sua
aprendizagem prejudicada, o que posteriormente dificulta não apenas a conclusão de seus
estudos, mas também a qualificação profissional. Essa trajetória faz com que sobrem para
eles os piores empregos, geralmente, informais e precários na vida adulta. Enquanto isso,
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as crianças de classes mais altas têm a oportunidade de se aperfeiçoar com mais anos de
escolaridade, cursos e outras atividades que ampliam a sua qualificação profissional e a
possibilidade de competirem no mercado de trabalho formal por bons cargos. Portanto,
esse discurso reforça as desigualdades sociais, porque diferencia as oportunidades e
privilégios. Todos devem ter condições à educação formal e à formação cidadã durante a
infância e adolescência.
“As famílias que acolhem meninas pobres para o serviço doméstico em troca de casa e
comida estão fazendo um favor a elas”
Porém, no Brasil, a não ser em casos extremos em que haja violência física e
principalmente sexual, não há revolta e interesse por parte da sociedade a respeito do
trabalho infantil.
Quem oferece trabalho a crianças pode pensar que está fazendo um bem, mas na verdade
faz mal
Nos faróis, crianças vendem guloseimas. Tem ainda o guardador de carros, o guia
turístico, o menino manuseando a enxada cortante no roçado, o engraxate e a irmã mais
velha, que cuida do caçula e faz a faxina pesada enquanto a mãe trabalha.
Muitas vezes, quando nos deparamos com alguma dessas situações, não compreendemos
o real sentido do ato de dar esmolas. Campanhas em todo o mundo pedem que as pessoas
não deem esmolas e nem comprem nada de crianças. Dar esmolas perpetua o ciclo do
trabalho infantil e gera efeitos como evasão escolar, exploração sexual e violência.
Denuncie
Ao suspeitar que uma criança esteja trabalhando, denuncie. Nem sempre o trabalho
infantil é facilmente detectado pelas autoridades. A ligação para o Disque 100 é gratuita
– o canal encaminha o caso para a rede de proteção.
Conclusão
Do todo exposto, temos a sensação de que o Trabalho infantil ainda nos é uma realidade
a ser vencida, erradicada. A participação da sociedade seja através de entidades privadas
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refletidas na Sociedade Civil organizada e na participação do ente Estatal é que
direcionará o rumo e o sucesso da erradicação do trabalho infantil, pois somente com a
efetividade de ações, eficiência das medidas, e acima de tudo maturidade dos projetos em
aplicação é que se poderá medir o grau de realização desse objetivo.
Verificamos que a legislação Pátria vigente, aqui entendida toda a forma legal vigente
traduzida principalmente na Constituição Federal, ECA, LDB, CLT, e demais orientações
signadas da OIT, busca minimizar e exterminar a problemática do trabalho infantil, o quê
já é digno de elogios, inobstante, temos a necessidade de continuidade de ações, de
comprometimento institucional, vez que a gama de fatores que influenciam a existência
do trabalho infantil é demasiadamente grande, o principal deles é a falta de inserção
social, a pobreza, a miserabilidade, a falta de renda. Mas não podemos apenas suprir estas
faltas com a distribuição de renda e a inserção momentânea, temos que gerir meios
de sustentabilidade, de inserção continuada.
A inserção educacional é o meio mais eficaz a garantir a longevidade dos efeitos buscados
nas ações, pois é com o conhecimento adquirido, que a família, a criança e o adolescente
se preparará para enfrentar os desafios do cotidiano, a retirada deles da situação de risco
e imersão é que deve ser o objetivo inicial, mas a seu desenvolvimento é que é o
verdadeiro fim colimado.
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Fontes Consultadas:
https://institutoc.org.br/trabalhoinfantil/?gad_source=1&gclid=Cj0KCQiA4fi7BhC5AR
IsAEV1YiZvTiw3mkXn17yJwTXSkGWNPZz-m-Z6vfFz_H1G7ymXTiUWz--
o7JEaAiAKEALw_wcB instituto C, 21 de setembro de 2023
https://livredetrabalhoinfantil.org.br/conteudos-formativos/mapa-do-trabalho-infantil/
https://livredetrabalhoinfantil.org.br/noticias/colunas/historia-de-marielma-de-jesus-
retrata-exploracao-trabalho-infantil-domestico/
https://escravonempensar.org.br/biblioteca/caderno-tematico-meia-infancia-o-trabalho-
infanto-juvenil-no-brasil-hoje/
https://livredetrabalhoinfantil.org.br/mapa-do-trabalho-infantil/trabalho-infantil-em-
mato-grosso-do-sul/
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