Trabalho
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FACULDADE DE DIREITO
Roteiro
Salvador
2021
Introdução
O trabalho tem como objetivo principal a exposição no que tange aos vícios e
defeitos dos negócios jurídicos, em especial com foco em Coação, que foi o defeito
jurídico escolhido. Os demais defeitos jurídicos estão transcritos nos Artigos 151 a
165 do Código Civil de 2002, o qual iremos abordar brevemente, são eles: Erro,
Dolo, Coação, Estado de perigo, Lesão, que se classificam como vício de
consentimento e a Fraude contra credores e Simulação, que se classificam como
vícios sociais. Os vícios de consentimento são aqueles no qual não permitem que a
vontade expressada pelo agente seja livre e de boa fé, desse modo, prejudicam a
natureza do negócio jurídico, contudo, a vontade viciada suscita a anulabilidade do
negócio. Já os vícios sociais se caracterizam pela vontade manifestada, não possuir
a boa-fé que deveria apresentar.
O erro está previsto nos artigos 138 a 144 do Código Civil, podendo ser classificado
em substancial (ou essencial) e acidental (ou não essencial). Substancial, sendo o
erro que incide sobre fatos determinantes do negócio, gerando anulabilidade, pois
sem este, não teria sido realizado o ato. Para exemplificar este erro, os professores
Gagliano e Filho (2019), trazem o caso do colecionador que, pretendendo adquirir
uma estátua de marfim, compra, por engano, uma peça feita de material sintético, já
o erro acidental é aquele que incide sobre fatos irrelevantes que não configura em
anulabilidade para o contrato.
As hipóteses de erro substancial estão previstas no art. 139 do Código Civil, sendo
possível identificar: error in negotio; error in corpore; error in substantia; e error in
persona.
2.2. Dolo
O dolo é o erro provocado por uma terceira pessoa na relação jurídica ou por uma
das partes, a vítima é induzida ao erro, ou seja sendo enganada em benefício de
outrem. O dolo está previsto nos artigos 145 a 150 do Código Civil. O dolo pode ser
classificado em principal (ou essencial ou determinante) ou acidental. O dolo
principal, de sentido anulatório no negócio jurídico, como parte principal do contrato
e sem ela, a parte não realizaria o ato. Já o dolo acidental que, em conformidade
com o art. 146 do Código Civil, não serve para a anulação do negócio, cabendo
apenas à satisfação das perdas e danos, por conta das condições menos vantajosas
estabelecidas no negócio para o declarante.
Há ainda o dolo de terceiro que está previsto no art. 148 do Código Civil, aquele que
não intervém direta ou indiretamente no negócio e o terceiro responderá por todas
as perdas e danos da parte a quem ludibriou.
2.3. Coação
A coação está prevista nos artigos 151 a 155 do Código Civil. A inexistência da
vontade leva a vítima a realizar um negócio jurídico que, em outras condições, não
realizaria, precedido por violência física ou moral, ameaça e constrangimento.
São dois tipos de coação: física (“vis absoluta”); e moral (“vis compulsiva”). A vis
absoluta, caracterizada por uma pressão de força exterior e bruta, deixando a vítima
sem opção de defesa. Na vis compulsiva, ocorre uma ameaça contra a vida ou a
algum bem protegido juridicamente. Serão analisados os casos de coação de forma
subjetiva, assim, o sexo, a idade, a formação intelectual e profissional serão levadas
em conta para aferir a existência, ou não, de coação, segundo o professor Cristiano
Chaves. Serão expostos casos da jurisprudência ao longo deste artigo.
Seção
Da coação
Art. 151. A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser
tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e
considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens.
Parágrafo único. Se disser respeito a pessoa não pertencente à
família do paciente,o juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação.
Art. 152. No apreciar a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a
idade, a condição, asaúde, o tempe ramento do paciente e todas as
demais circunstâncias que possam influirna gravidade dela.
Art. 153. Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um
direito, nem o simples temor reverencial.
Art. 154. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro,
se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite, e esta
responderá solidariamente com aquele por perdas e danos.
Art. 155. Subsistirá o negócio jurídico, se a coação decorrer de
terceiro, sem que aparte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter
conhecimento; mas o autor da coação responderá por todas as perdas e
danos que houver causado ao coacto.
2.5. Lesão
Na lesão ou estado de necessidade, surge da ameaça a danos patrimoniais, como a
urgência de honrar compromissos, de evitar a falência ou a ruína dos negócios. A
lesão também não estava presente no Código de 1916, surgindo no novo Código
Civil no art. 157.
Segundo Maria Helena Diniz, o instituto da lesão tem como finalidade "proteger o
contratante, que se encontra em posição de inferioridade, ante o prejuízo por ele
sofrido na conclusão do contrato, devido à desproporção existente entre as
prestações das duas partes”.
2.7. Simulação
Consiste na declaração enganosa da vontade, visando a obter resultado diverso do
que aparece, para iludir terceiros, ou burlar a lei. Na simulação existe um conluio
entre declarante e declaratário, denominado pactum simulationis. Em suma: o que
existe é uma declaração de vontade mentirosa. São seus requisitos: a) divergência
intencional entre a vontade real e a exteriorizada; b) acordo simulatório entre as
partes; c) objetivo de prejudicar terceiros.
No que diz respeito às espécies, ela pode ser: a) absoluta: quando aparenta negócio
jurídico que não existe. b) relativa (dissimulação): quando aparentar conferir ou
transferir direitos à pessoa diversa daquela a que realmente se confere ou transfere.
Nesse viés, a simulação maliciosa é aquela que tem por efeito atingir interesse
juridicamente protegido de terceiro, ao passo que a simulação inocente, a contrario
sensu, não atinge interesse jurídico de terceiro. Art. 167 diz que toda simulação,
inclusive a inocente, é invalidante.
É possível notar que a coação aplica-se a nulidade do contrato de trabalho, uma vez
que vicia o consentimento e ficando provado que a vítima não estava em condições
físicas e mentais para tomada de decisão, além de viver sob ameaça constante de
sua integridade física. A principal motivação que leva a funcionária ao ato, não
apresenta relação direta com o emprego em si, e sim com o medo constante em um
ambiente hostil, por isso, faz necessário o respeito nas relações entre particulares e
contratos de emprego mais sólidos que protejam a vítima de situações de
constrangimento relatadas aqui.
Fica claro, aqui, a importância do Poder Judiciário no que se refere à efetivação dos
direitos, com a finalidade de amenizar a diferença de poder nas relações de
emprego, reproduzindo um meio em que o trabalhador não renuncie a seus direitos
Referências
FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD , Nelson. Curso de Direito Civil. 15. ed.
Salvador: JusPODIVM, 2017. 861 p.
GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo curso de Direito Civil:
parte geral. 21. ed. atual. São Paulo: Saraiva, 2019. 795 p. v. 1.
PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil, 19. ed., Rio de Janeiro:
Forense, 2001, p. 326.